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O que seria de nós sem o capitalismo?
O mercado e o comércio são a bênção da civilização

Aproveitei o sábado e saí para um programa pouco usual, pelo menos para mim. Precisava comprar um par de tênis, além de estar devendo à minha mulher uma ida ao cinema. Estava na hora, portanto, de enfrentar as agruras de um shopping.

Para quem é avesso a tumultos, um shopping lotado, sábado à tarde, pode ser um martírio dos grandes. Por isso, aquele fim de semana parecia o momento ideal, já que a cidade estaria vazia e deveria haver muito menos gente que o normal.

A primeira parada foi no cinema. Um enorme complexo, com quase vinte salas, modernas e confortabilíssimas, som e imagem perfeitos. O ingresso foi caro, já que estamos entre aqueles que financiam a benemerência dos políticos com idosos e estudantes, além da contumaz malandragem dos falsários. Esse, aliás, é um dos motivos que me afastaram dos cinemas, afinal, como todo mundo, não gosto de fazer o papel de otário.

Porém, como muito bem lembrou minha mulher, eu não estava ali para aporrinhações, mas para me divertir.

Depois do filme, uma parada para um chopinho gelado. O bar ficava bem em frente à saída do cinema, em um ponto estratégico, cujo aluguel deve custar uma fortuna. O sujeito sai do cinema, com sede, e é quase impossível resistir à visão daquele letreiro luminoso.

O serviço, porém, era muito ruim. O garçom demorou uma eternidade para nos atender e o chope não era bom. Desse jeito, pensei, esses caras não irão durar muito tempo neste local. Saímos dali correndo, já que um pouco mais adiante havia outro bar.

Desta vez, não houve erro e degustamos alguns deliciosos chopes gelados, cremosos, com espuma no ponto certo, sem falar no atendimento cordial e eficiente.

Eis uma das grandes vantagens do regime de concorrência. Caso não goste de um produto ou serviço, o consumidor é livre para buscar outro fornecedor. A fuga dos clientes — e a consequente perda de receitas — é, aliás, a maior punição que empresários ineficientes podem receber, muito mais efetiva e dolorosa do que qualquer multa prevista nos famigerados códigos de defesa do consumidor.

A terceira parada foi na sapataria. Confesso que, atualmente, as opções são tantas que torna-se difícil a escolha. Havia centenas de pares ali expostos, nas cores e modelos os mais variados possíveis. Os preços, novamente, eram salgados, porém, se lembrarmos que perto de 50% do preço são tributos, não dá para crucificar o comerciante.

Escolhi, inicialmente, três modelos para experimentar. Não gostei de nenhum deles e pedi ao atendente para ver outros dois. Ele sorriu e correu para apanhá-los. Enquanto esperava, comentei com minha mulher sobre o fato de o funcionário haver permanecido cordial e solícito, ainda que eu fosse um cliente muito chato e indeciso. Já ia começar mais um daqueles discursos sobre a soberania do consumidor no capitalismo, ou de como os interesses individuais daquele vendedor estão atrelados à minha satisfação, quando (para sorte dela) o rapaz retornou.

Enquanto esperava na fila do caixa, minha veia de administrador raciocinava sobre o destino do dinheiro que eu deixaria ali. Uma parcela seria destinada a pagar os salários do atendente, do balconista, dos funcionários administrativos. Outra parte serviria para o aluguel das instalações, para os impostos, taxas, emolumentos e comissões. Um bom pedaço proporcionaria a reposição do estoque, que envolve custos de transporte, armazenagem, mais impostos etc. A última porção, provavelmente a menor de todas, seria contabilizada como lucro e, mesmo assim, apenas depois de pagos todos os demais custos e despesas inerentes ao negócio.

Eis um lado da moeda que muita gente ignora ou sequer pensa a respeito. A maioria entra numa loja dessas, examina as mercadorias expostas, não raro aluga o tempo dos funcionários e, no fim, vai embora sem comprar nada. Faz parte do negócio. Cabe a nós, e somente a nós, consumidores, decidir, voluntária e espontaneamente, se iremos trocar nosso dinheiro por algum produto ou não. Ninguém pode nos forçar a nada. Se eu, por exemplo, depois de ter experimentado todos aqueles pares de tênis, resolvesse finalmente que nenhum deles me agradou, não haveria qualquer penalidade por isso.

Um pensamento puxa o outro e comecei a imaginar quanto os donos daquela loja teriam investido em instalações, estoques, treinamento etc. sem que tivessem qualquer garantia de que eu, um dia, entraria ali, disposto a trocar o meu dinheiro por um dos produtos da vitrine. Ou, indo um pouco mais à frente, que outros milhares de consumidores fossem adentrar, mensalmente, aquele estabelecimento para comprar suas mercadorias, na quantidade e velocidade necessárias para que o negócio se tornasse lucrativo.

Concluí que foram necessários algumas centenas de milhares de reais — investidos, repito, sem qualquer garantia de retorno.

E então, pensei, o que faz a loja com os eventuais lucros, depois de pagar todas as despesas? Provavelmente, reinveste a maior parte deles no próprio negócio. Porém, por que deveriam os donos daquela empresa repor aquele par de tênis que eu acabara de comprar ou investir na ampliação do negócio? Competição. Se quiserem permanecer no negócio, têm que ofertar sempre o que houver de mais moderno no mercado, a um preço sempre mais barato, sob o risco de serem engolidos pela concorrência. Tudo isso sem qualquer garantia de que amanhã as vendas não irão cair ou que os clientes não irão descobrir um concorrente melhor e mais em conta.

Pensando bem, não é nada fácil a vida dos capitalistas. E, no entanto, essas pessoas são, frequentemente, as mais caluniadas do pedaço. Ninguém pensa em quantos empreendedores "quebram a cara" todo santo dia, pelos mais variados motivos, e que somente uma minoria consegue vencer os percalços e se estabelecer. Ou que os grandes e odiados magnatas são pessoas cuja renda provém, na maioria das vezes, do empenho para satisfazer o consumidor e dos riscos inerentes à sua atividade.

Quase ninguém pára e pensa que a poupança de gerações pode virar pó, da noite para o dia, bastando para isso um breve cochilo ou a interferência nociva da mão pesada dos governos. A maioria só costuma olhar, com grande inveja, para a riqueza de uns poucos "privilegiados".

Paguei pelo tênis que comprara e despedi-me do solícito vendedor com um "muito obrigado". A resposta dele não foi outra: "muito obrigado, senhor". Já notaram como essa costuma ser a despedida padrão, sempre que acabamos de comprar alguma coisa? E, pensando bem, o duplo "obrigado" faz todo sentido. Encerrava-se ali uma transação que foi benéfica para todos os envolvidos. Eu disse "obrigado" porque acabara de adquirir algo que valia, para mim, mais do que o dinheiro que dei em troca. Já o vendedor agradeceu por si — dado que certamente acabara de embolsar uma comissão — e pelos donos da loja, que fizeram uma troca também lucrativa. No fim, todos saíram ganhando.

Esta é a essência das trocas comerciais e o cerne da magia que ocorre milhões, bilhões, trilhões de vezes todos os dias ao redor do mundo. Ela ocorre em toda e qualquer transação econômica voluntária que é empreendida em virtude da escolha humana. Ambos os lados — compradores e vendedores — se beneficiam.

(É claro que um indivíduo pode mudar de ideia mais tarde e se arrepender da transação. O futuro é incerto e os seres humanos são volúveis. Porém, ao menos no momento da troca, minha crença era a de que eu havia melhorado minha situação, caso contrário eu sequer teria empreendido a transação.)

Assim, cada lado é um benfeitor do outro lado. Este sistema de benfeitoria mútua, incessante e universal, leva à melhoria de todos ao redor. Ele aumenta a sensação de bem-estar individual, que é o mesmo que dizer que ele eleva o bem-estar social quando todo o mundo está envolvido na atividade.

E o estado se torna visível

Já era noite quando saímos do shopping em busca de um bom lugar para jantar. Para nosso azar, no entanto, encontramos pela frente um enorme engarrafamento, causado por um semáforo apagado. Perdemos ali quase uma hora, graças à incompetência e ao descaso do serviço público, pois, além do problema elétrico — provavelmente causado por falha de manutenção —, não havia no local um único guarda de trânsito para colocar alguma ordem naquele tumulto.

"É notável como os serviços públicos, os únicos que pagamos não por opção, mas pela mais absoluta coação, são exatamente aqueles que mais deixam a desejar" — esbravejei, já de mau humor, depois de conseguir ultrapassar o tal semáforo queimado. "Dá só uma olhada nesse asfalto, todo esburacado. Assim não há suspensão que aguente! Em compensação, olhe quantos radares para multar o excesso de velocidade. Quando é para multar, os caras não economizam. Ainda bem que não dependo do estado para conseguir meus sapatos, pois fatalmente estaria andando descalço...".

Minha mulher, que conhece há bastante tempo o marido irascível que tem, especialmente quando é vítima da inépcia dos governos, esperou que eu acabasse aquele longo discurso anárquico para propor que, em vez de jantarmos fora, pedíssemos algo para comer em casa, com o que concordei de imediato.

E o mercado volta para salvar

Pedimos, então, comida japonesa pelo "delivery" habitual. Meia hora depois, embora já estivesse chovendo naquele momento, um motoqueiro batia à nossa porta, trazendo consigo nossos sushis e sashimis, que, além de deliciosos, trouxeram o meu bom humor de volta.

Enquanto pagava a conta ao solícito e eficiente entregador, não por acaso lembrei da famosa sentença de Adam Smith:

Não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que devemos esperar o nosso jantar, mas sim do empenho deles em promover os seus próprios [e legítimos] interesses.

Sábias palavras.

Conclusão

O fato de várias pessoas não apreciarem como deveriam as transações de mercado decorre da arraigada ideia de que o ato de comprar e vender coisas não possui absolutamente nada de fantástico. Para elas, tal ato não gera nada de positivo. Logo, a sociedade poderia perfeitamente abolir tal prática e não piorar em nada sua situação em decorrência disso.

É difícil tentar entender o que há na cabeça de pessoas que pensam assim.

Se é verdade, como argumentei, que uma troca econômica equivale a um ato benéfico bilateral, que é um exemplo de benfeitoria mútua difundido por toda a sociedade, então se torna claro que a sociedade iria soçobrar completamente caso não mais houvesse o máximo possível de oportunidades para a ocorrência de transações econômicas. 

Qualquer um que defenda o bem-estar da sociedade deveria celebrar de maneira especial os centros comerciais, as bolsas de valores, o comércio internacional, e todo e qualquer setor no qual o dinheiro muda de mãos em troca de ativos ou bens. Tal ato significa apenas que as pessoas estão descobrindo maneiras de ajudar umas às outras a sobreviver e a prosperar.

Como escreveu o teólogo espanhol do século XVI Bartolomé de Albornoz, conhecido principalmente por sua oposição à escravidão,

O ato de comprar e vender é o nervo da vida humana que sustenta o universo. Em decorrência deste ato, o mundo se torna unificado, as distâncias entre terras e nações são enormemente encurtadas e pessoas de diferentes idiomas, leis, culturas e modo de vida são aproximadas. Não fossem estes contratos, alguns povos sofreriam escassez de bens que outros povos possuem em abundância, e não poderiam também compartilhar os bens que possuem em excesso com aqueles países que sofrem de sua escassez.

Se não formos capazes de ver a lógica por trás de todo ato de troca e entender como ele atua para ajudar a todos, torna-se fácil não valorizar o que o mercado e o comércio significam para a sociedade. 

Raramente se dá ao mercado o crédito que ele merece por ajudar a humanidade a melhorar sua situação econômica. Com efeito, o mercado nada mais é do que a interação voluntária da humanidade com o intuito de aprimorar o bem-estar público.



autor

João Luiz Mauad
é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.


  • Capital Imoral  23/01/2018 14:39
    Anitta e a cultura internacional do estupro
    A internet está nos acostumando a uma visão de mundo que mostra o capitalismo como algo maravilhoso, onde todo mundo é feliz, onde não existe tristeza, mas de de fato a realidade é um pouco mais complexa. No artigo de hoje, vamos conhecer o outro lado da história, usando como exemplo o mercado do funk Brasileiro e suas consequências internacionais.

    Uma realidade internacional
    Quando falamos sobre a cultura de um país, não falamos somente sobre o que nós gostamos de consumir, mas sobre o que vendemos para o mundo na forma de idéia.
    A cultura do funk esconde algo muito mais cruel do que somente sexo irresponsável: Trata-se do convite nacional e internacional para um país dominado por drogas e prostituição. - é importante lembrar que o livre mercado não é uma doutrina que se coloca contra prostituição e o livre comércio de drogas.

    O Brasil se tornou onde de fato essa duas doutrinas se encontram, este país se tornou um lugar para fazer turismo sexual, onde milhares de americanos chegam todos os anos no Nordeste em busca de sexo fácil com menores de idade. Para que ocorra isso, seria necessário uma ambiente cultural propício, e isso aconteceu. Usaram como arma cultural as letras de funk, que no princípio não tinham essa proposta de sexualização precoce. Letras como a de Anitta, vendem um país erótico para o resto do mundo, um país onde você pode encontrar "prazeres inesquecíveis", o Brasil seria o novo "Jardim do Éden". Vejamos o que é vendido para os americanos em sua nova música: "Vai Malandra". A música fala basicamente sobre bundas e mais bundas e sobre como toda mulher brasileira é "fácil de pegar", e na parte em inglês podemos encontrar o seguinte refrão: ""Veja meu ziper, encoste sua bunda nele, quero te dar uns tapas, acho que você aguenta, quero ver você nua, Na favela onde tudo acontece. Todo o Brasil está sentindo isso". Este é o Brasil vendido para os Europeus e Americanos.

    Quando você vende este tipo de mensagem para o mundo, obviamente, isso terá uma consequência para o país. A consequência podemos encontrar em uma reportagem da BBC Brasil[1] sobre o aumento da prostituição infantil no país. São crianças, muitas vezes viciadas em drogas, que estão atendendo uma demanda crescente de estrangeiros que vêm para o Brasil em busca de sexo fácil e barato. - Eles chegam especialmente no Nordeste em vôos fretados. A matéria relata o seguinte diálogo: "-"Oi, meu nome é C. Você quer fazer um programa?", ela pergunta. C. pede menos de R$ 10 por seus serviços. Uma mulher mais velha chega perto e se apresenta como mãe da menina.

    -"Você pode escolher outras duas meninas, da mesma idade da minha filha, pelo mesmo preço", ela diz. "Eu posso levar você a um motel local onde um quarto pode ser alugado por hora."

    A matéria ainda continua com o relato da pequena menina: "Todo dia eu peço a Deus que me tire dessa vida. Às vezes, eu paro, mas depois volto para as ruas para procurar homens. A droga faz mal, a droga é minha fraqueza, e os clientes estão sempre a fim de pagar."

    Conclusão
    Um retrato da degradação cultural que o Brasil sofreu, e por consequência, da destruição da social da mulher, se encontra na cultura do funk que se tornou atualmente uma convite para um bacanal consentido. Idéias tem consequência, e o Brasil é o segundo maior destino para turismo sexual no mundo, perde apenas para a Tailândia. Eu citei uma caso de exploração sexual com menores, mas isso não tira o mérito da questão quando falamos sobre mulheres adultas, à vida sofrida das mulheres adultas que atuam neste mercado será tema do meu próximo artigo. Mas o que nos deixa chocados em tudo isso é que não existe um pio dos neoliberais sobre essa relação entre ambiente cultural que é vendido internacionalmente e turismo sexual com menores que ocorre internamente.

    A destruição cultural que ocorreu no Brasil durante décadas, inclusive, com apoio de muitos liberais que defendem abertamente a liberdade de produzir músicas que degradam a mulher. Revelou um aspecto frágil da doutrina neoliberal, pois eles ignoram a cultura do estupro que se cria em todo mundo. Sim! quando falamos sobre a cultura do estupro, estamos falando sobre algo real, essa parada é real, têm mulher sendo estuprada porque a mente de um maluco foi destruída, intelectualmente, desde a infância. Mas para o neoliberal o que importa é a liberdade de produção. Afinal, os fins de uma produção justificam os meios nefastos de uma cultura destruída.

    {1} Turismo sexual estimula exploração sexual infantil no Brasil
    www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/07/100730_brasil_pedofilia_rc

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • marcela  23/01/2018 14:46
    Interessante como o texto mostra a ineficiência do estado e a solicitude do setor privado em atender as demandas da população. Mais interessante ainda é alguns minarquistas defenderem que o estado é ineficiente e não serve para cuidar de empresas, mas serve para cuidar da justiça e segurança pública, o que é no mínimo contraditório. Quando um liberaleco incoerente desses diz que não sofreria violência estatal em uma minarquia, ele na pratica está dizendo que não seria estuprado pois existe um pau tampando o seu orifício anal.
  • Daniel  23/01/2018 14:57
    Exato. Os minarquistas que defendem que o estado se ocupe apenas de serviços de segurança e do judiciário incorrem em uma incoerência atroz: segundo eles, o mesmo estado que é incapaz de gerenciar eficientemente uma escola e um hospital irá, miraculosamente, ofertar com grande eficiência serviços policiais e "manter o império isonômico da lei e da ordem" — algo que, convenhamos, é um tantinho mais difícil do que gerenciar uma escola e um hospital.
  • Julio C  23/01/2018 16:52
    Me desculpem os anarcocapitalistas, mas a ideia da justiça e da segurança interna e externa ficar na mão da iniciativa privada me assusta visto que, para estes casos, acho muito difícil uma isenção da lados.

    "..ofertar com grande eficiência serviços policiais e "manter o império isonômico da lei e da ordem" — algo que, convenhamos, é um tantinho mais difícil do que gerenciar uma escola e um hospital."

    Concordo, caro Daniel, visto que estes serviços sendo privado, vão defender que interesses?

    Obs.: Antes que me chamem de "petista", "socialista", "comunista", não sou, mas sou minarquista.
  • Andre  23/01/2018 18:45
    Então é de se supor que a justiça, segurança interna e sucateamento da segurança externa na mão estatal não assuste você.
  • Julio C  23/01/2018 19:13
    Não. Eu apenas suponho que, se o estado apenas se preocupar com justiça e segurança interna e externa, não haverá sucateamento já que toda "energia" será dedicada apenas a estres serviços.
  • Felipe Lange  23/01/2018 22:17
    Ou seja, você abre exceção do cálculo econômico do socialismo para os serviços de justiça e segurança. Se o estado não administra bem um supermercado, por que seria diferente com justiça e segurança?
  • Free Man  29/01/2018 17:33
    Se um supermercado não me agrada ou não atende minhas expectativas eu deixo de comprar neste estabelecimento e procuro um que me atenda . Como fazer com a justiça , caso ela não atenda as minhas expectativas ?
  • Andre  23/01/2018 23:11
    Então posso supor que em sua opinião o estado de violência que o Brasil vive é decorrente unicamente da falta de investimentos em segurança? O código penal brasileiro atual por não fazer intervenções diretas econômicas e pessoais na vida do cidadão não indiciado ou em flagrante delito está em pleno acordo com preceitos minarquistas.
  • Carmen Ribeiro Abreu  25/01/2018 07:11
    Nossa!!! Como pode uma pessoa querer ser contra, ou mostrar seu ponto de vista de forma täo vulgar? Acho que toda pessoa se deve auto avaliar independente do Sistema em que vive, violência verbal também é violência, deste modo você mesmo se contradiz quando fala que o Estado devende a violência, mas vc mesmo quer violência.
  • Lourenço   23/01/2018 15:00


  • Fabrício  23/01/2018 15:44
    Frequentemente somos tentados a crer que a farmácia, o restaurante, a padaria, a franquia de fast-food e o posto de gasolina são apenas coisas comuns à estrutura do nosso mundo, uma inevitabilidade do nosso meio. Mas não são.

    A decisão de abrir um comércio é algo absolutamente desgastante e inquietante, pois o risco de dar errado e fazer com que o empreendedor perca tudo é muito alto. O futuro é desconhecido tanto no sentido macroeconômico (será que a economia vai entrar em recessão e fazer com que a renda dos consumidores caia?) quanto no sentido microeconômico (talvez ninguém realmente queira comprar minhas coisas).

    Frequentemente a ideia exige que o empreendedor utilize todo o dinheiro que ele poupou — ou que ele vire refém dos bancos. Não importa qual seja a ideia do empreendimento: o ato de empreender sempre será algo amedrontador.

    E não se trata apenas de dinheiro. Você acabará comprando vários objetos e equipamentos (o seu capital) que, caso o empreendimento dê errado, não serão facilmente convertidos para outros fins; muito menos poderão ser vendidos a preços sequer comparáveis àqueles pelos quais você os comprou. Cadeiras, mesas, placas, cartazes, letreiros e outras decorações revelar-se-ão um puro desperdício caso o empreendimento não dê certo.

    E há também o problema com as outras pessoas. Você tem de contratar empregados, e estes têm de ser pagos muito antes de você vislumbrar qualquer perspectiva de lucro — se é que algum dia o lucro virá. Você repentinamente se torna o responsável por essas pessoas. [...]

    Jamais também subestime o problema dos estoques, algo que requer julgamentos empreendedoriais diários. Se você, por exemplo, está no ramo da venda de madeira compensada, e o seu primeiro mês de vendas ficou muito aquém das suas expectativas, sua batalha apenas começou. Você terá de fazer um melhor juízo acerca dos estoques do mês seguinte. Compre muito e você dissipará todos os seus lucros. Compre pouco e você perderá clientes que, ao não encontrarem um produto específico em seu estabelecimento, nunca mais voltarão.

    Suas estimações terão de estar praticamente corretas o tempo todo. Mas você não possui uma bola de cristal. E esse problema da adivinhação nunca irá deixar de lhe importunar: não importa o quão bem sucedido você tenha sido em um dado mês, você jamais terá ideia do que lhe aguarda no mês seguinte. Um pequeno descuido e sua sorte estará selada.

    E há ainda a concorrência. Qualquer um está livre para copiar e reproduzir o seu sucesso. Quanto mais bem sucedido for o seu empreendimento, mais imitadores você inspirará, os quais farão de tudo para copiar exatamente o que você faz, só que, de alguma forma, a um preço menor. Isso significa que você constantemente terá de se manter um passo à frente, sempre inovando.

    Ao mesmo tempo, você constantemente terá de saber como se autoavaliar, sempre olhando para trás. Um dia ruim de vendas pode não significar nada, mas pode também significar tudo. Pode ser apenas um ligeiro solavanco em sua jornada rumo à glória, mas pode também ser o prenúncio do desastre. Simplesmente não há como saber de antemão.

    As forças da concorrência em um mercado dinâmico estão constantemente atuando para solapar o seu sucesso futuro. Para os empreendimentos que hoje são bem sucedidos, o sistema de mercado equivale a uma gigantesca conspiração que visa a reduzir seus lucros a zero. A única maneira de resistir e contra-atacar é servindo seus clientes com ainda mais atenção e excelência.

    E, ainda assim, não importa quão bem sucedidos tenham sido seus planos até aqui, não há absolutamente nada garantido para o futuro. A qualquer dia, a qualquer hora, tudo pode se esvanecer. Os consumidores podem desaparecer. As tendências podem mudar. As preferências e os gostos da classe consumidora podem sofrer uma guinada. Você é total e completamente dependente dos caprichos subjetivos de todo o resto. [...]

    E por que, mesmo assim, alguém ainda se arrisca? Por que uma pessoa decide se tornar comerciante ou empreendedora? A resposta típica é que as pessoas fazem isso por dinheiro. Mas não há absolutamente nenhuma garantia de que tal atitude será transmutada em dinheiro. O dinheiro tanto pode vir aos montes como pode vir em quantidades escassas. E, quando ele vem, ele normalmente acaba sendo reinvestido no próprio empreendimento, para que este se mantenha viável. Então, por que as pessoas se arriscam nisso?

    Tudo tem a ver com o sonho do sucesso, a esperança de fazer a diferença, de ganhar a vida com a vocação, com a concretização da ambição de servir bem e ser reconhecido por isso. É isso que motiva e guia o empreendedor.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1035
  • Guilherme  23/01/2018 15:56
    Empreendedores ganham dinheiro servindo necessitados. Políticos ganham dinheiro criando necessitados.

    Um empreendedor pode se chamar a si próprio de chefe, mas seu objetivo é servir aos outros. Um político pode se chamar a si próprio de servidor, mas seu objetivo é mandar nos outros.
  • Gilson   23/01/2018 16:05
    Sam Walton já dizia: Existe apenas um chefe, o cliente. E ele pode demitir todos na empresa, desde o presidente, simplesmente gastando o dinheiro em outro lugar.
  • Alexandre Cunha  26/01/2018 17:02
    "Frequentemente somos tentados a crer que a farmácia, o restaurante, a padaria, a franquia de fast-food e o posto de gasolina são apenas coisas comuns à estrutura do nosso mundo, uma inevitabilidade do nosso meio. Mas não são. "

    Perfeito, Fabrício, este é o ponto principal!
  • Amarildo  23/01/2018 16:02
    No geral, as pessoas são rudes e deselegantes com os comerciantes, que os beneficiam. Porém, são amáveis e servis com membros governamentais, que os tributam. Por esses comportamentos, está o povo brasileiro numa triste situação.
  • Henrique  23/01/2018 16:09
    O brasileiro é um consumidor exigente e um contribuinte benevolente.
  • Luiz Moran  23/01/2018 16:05
    O que seria de nós sem o capitalismo?

    Segundo Marx e Engels seriamos todos irmãos proletariados vivendo no paraíso comunista sem a existência de um Estado, onde tudo é de todos, e ninguém oprime ninguém, já que, a burguesia foi extinta e o capitalismo enterrado vivo. Com ambos fora de cena, as discrepâncias, invejas, guerras e ambições, que só atrasam a bela e maravilhosa essência da humanidade, desapareceriam, e com isso, pela primeira vez na história da humanidade, todos viveriamos felizes para sempre.
  • Gil Martinelli  27/01/2018 14:56
    Luiz Moran ,voce cita Marx,mas voce pode explicar em que parte do mundo o socialismo deu certo?
    "É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
    Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que tira de outro alguém. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
    Adrian Rogers
  • Emerson Luis  04/02/2018 10:14

    "voce pode explicar em que parte do mundo o socialismo deu certo? "

    Sim! O socialismo deu certíssimo em muitos lugares!

    Venezuela, Cuba, Coreia do Norte, China, Vietnã, Camboja, URSS, Alemanha Oriental, Leste Europeu, URSS, etc. Em menor grau: Brasil, México, Bolívia, etc.

    Liberal e/ou conservador que diz "o socialismo não deu certo em nenhum lugar do mundo" está pressupondo que os líderes comunistas realmente acreditam nas próprias narrativas e querem mesmo o bem-estar da população.

    Inculquem: as narrativas esquerdistas são apenas discursos ideológicos para ludibriar as pessoas visando obter e manter o poder - de preferência totalitário. Eles sabem muito bem que é tudo mentira e que vão prejudicar profundamente a população em todos os sentidos, mas simplesmente não se importam com isso.

    Por essa ótica acurada, para o Maduro, Fidel Castro, Kim Kong e outros psicopatas o socialismo deu muito certo.

    * * *
  • Jairdeladomelhorqptras  30/06/2018 00:55
    Caro Emerson,
    Teus comentários são sempre inteligentes, breves e úteis.
    Entretanto, discordo deste: "eles (os esquerdistas) sabem bem que é tudo mentira..."
    Afirmo que é pior. Eles realmente acreditam.
    Um exemplo: se você está com um câncer agressivo, tendo todo o dinheiro do mundo. Onde escolheria se tratar? EUA, Alemanha, França, Inglaterra ou Cuba. Hugo Chaves escolheu Cuba. Deu no que deu.
    Reafirmo. A situação é muito pior. Eles acreditam nas desavergonhadas mentiras que dizem. Abraço fraterno
  • Bourdieu  23/01/2018 16:06
    Nós seríamos homens primatas, selvagens urbanos.
  • Bourdieu   23/01/2018 16:21
    não seríamos*
  • Getulio  23/01/2018 16:24
  • Andre  23/01/2018 16:39
    Estaríamos sem governo, afinal iam parasitar o que?
  • Felipe Lange  23/01/2018 17:26
    "E o estado se torna visível

    Já era noite quando saímos do shopping em busca de um bom lugar para jantar. Para nosso azar, no entanto, encontramos pela frente um enorme engarrafamento, causado por um semáforo apagado. Perdemos ali quase uma hora, graças à incompetência e ao descaso do serviço público, pois, além do problema elétrico — provavelmente causado por falha de manutenção —, não havia no local um único guarda de trânsito para colocar alguma ordem naquele tumulto."


    Kogos já dizia que o congestionamento é um choque entre os carros que são fornecidos pelo mercado e as ruas que são fornecidas pelo estado. Qualquer burocrata fica de cabelo em pé com essa constatação.
  • João Jadson Ferreira Nunes  23/01/2018 18:34
    Texto excepcional ! Mostra de maneira clara que o sistema capitalista é benéfico para ambas as partes(comprador e ofertante), e além disso, a sua descomunal concorrência origina maior qualidade na oferta de bens e serviço. Por fim, relembra a todos a precariedade do serviço público.
  • Pedro  23/01/2018 20:29
    O instituto liberal no qual ele é diretor tem algo a ver com o Instituto liberal de São Paulo? Pergunto porque se houver, é difícil de acreditar que esse artigo saiu do mesmo lugar que aquele antro socialista.
  • Cético  24/01/2018 07:16
    Acho que não, mas o ILISP é um antro de socialistas por que não apoia o seu socialista bravateiro de estimação? Ok.
  • Pedro  25/01/2018 15:00
    Não jovem, porque são contraditórios mesmo. Colocam foto de Mises, Bastiat e etc mas defendem que o estado forneça serviços "básicos" e produtos "de graça".
  • Tio Patinhas  24/01/2018 16:35
    Por qual motivo o ILISP é um antro socialista?
  • Pedro  25/01/2018 15:03
    Porque propagam posts como Mises, Bastiat e etc mas defendem um estado provedor em seus artigos. No mínimo, contraditório.
  • joao pedro  23/01/2018 22:24
    artigo interessante, valeu cada minuto de leitura
  • Gordo Capitalista  24/01/2018 00:05
    A educação pública na Finlândia é paga. Custa 330 euros. Quem não tem dinheiro, não precisa pagar.

    A saúde pública americana é paga. Quem não tem dinheiro, não precisa pagar.

    Quem tem dinheiro precisa pagar pelos serviços públicos.

    Só aqui existe essa farra de serviços grátis.

    A cobrança por serviços públicos para quem pode pagar, traria muito mais qualidade para escolas e hospitais públicos. Essa cobrança por impostos não traz concorrência e nem meritocracia. Por isso nunca vai funcionar.
  • Renegado  24/01/2018 12:06
    Na minha opinião, quem não pode pagar, não deve ser beneficiário de coisa alguma. Eu gostaria muito de ter uma Ferrari, mas não posso pagar, logo não a tenho e nem quero obrigar a terceiros, via estado, a pagar uma pra mim.
  • Gordo Capitalista  24/01/2018 12:51
    Concordo que o capitalismo é mais importante do que a educação.

    Também acho a carga tributária análoga à escravidão.

    A educação pública é bizarra, porque não prioriza o essencial.

    Porém, será que nós não corremos o risco de ter "homens primatas" cortando a educação básica ? Nós não corremos o risco de ter "homens selvagens" cortando a educação básica ?

    Acho que oferecer o básico em português, inglês e matemática, não vai custar tão caro ou destruir a economia.
  • Intruso  24/01/2018 17:20
    E como ficaria as pessoas que não possuem renda alguma, desempregados em geral, assalariados que mal dá para comer. Eles e seus filhos iriam morrer sem contar com saúde pública e políticas de vacinação em massa? E na educação iriam ser eternos analfabetos ?
  • Bruno Torres  24/01/2018 18:08
    Ué, e quem é que gerou a pobreza?

    Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

    Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

    Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

    Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

    Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

    Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

    Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

    Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

    De nada adianta querer resolver a pobreza sem atacar exatamente a instituição que a causa.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2763
  • Rafael  24/01/2018 18:08
    Para começar, libertários defendem uma radical redução do estado, o que por definição levaria a uma radical redução da carga tributária. Hoje, os pobres têm quase que metade da sua renda mensal confiscada por impostos (federais), estaduais e municipais. A outra metade é levada pela inflação, que também é causada pelo governo (Banco Central).

    Neste cenário de destruição causada pelo estado, é claro que os pobres não têm chance nenhuma. Eles próprios bancam o SUS via impostos, e vão pra lá pra morrer. E os "humanistas" dizem que qualquer outro arranjo que não seja este é totalmente desumano.

    Realmente, vivemos no mundo da moral invertida.

    Como seria em um arranjo libertário? Para começar, os pobres teriam, de imediato, um brutal aumento de sua renda disponível. Sem impostos confiscando 50% de sua renda, haveria muito mais renda disponível para eles.

    Adicionalmente, a total liberdade de entrada no mercado para seguradoras e para hospitais reduziria acentuadamente os preços e melhoria enormemente a qualidade dos serviços. Afinal, é isso o que a genuína livre concorrência sempre faz: reduz preços e melhora a qualidade dos serviços. Não há um exemplo prático em contrário; não há um exemplo de arranjo que tenha piorado ao sair de um monopólio e adotar a livre concorrência.

    Adicionalmente, vale também lembrar que, há algumas décadas, antes de o estado se intrometer na saúde, a Igreja mantinha hospitais (e escolas) de excelente nível, fornecendo vários serviços gratuitos -- serviços estes que eram financiados por doações, inclusive de ateus caridosos.

    No entanto, desde que o estado entrou em cena para mostrar todo o seu amor aos pobres, a Igreja perdeu doações, pois as pessoas pensaram: "Eu já pago muitos impostos e o estado já faz o serviço; não preciso mais contribuir para serviços caritativos".

    O curioso é que absolutamente ninguém toca nesse assunto. Ninguém comenta como os serviços caritativos da Igreja auxiliavam as pessoas no passado e hoje perderam espaço para o SUS.

    As igrejas ajudavam bastante e voltariam a ajudar ainda mais caso recebessem doações de pessoas como você, preocupadas com os desvalidos. O problema, infelizmente, é que a esmagadora maioria das pessoas querem apenas vociferar indignação e delegar tal tarefa exclusivamente ao estado (que deve tomar o dinheiro dos outros, e nunca delas próprias). Por exemplo, vá ver quantas dessas pessoas fazem doações a instituições de caridade ou mesmo para as igrejas. E ainda fazem pose superior de preocupação para com os destituídos.

    Aliás, e você? O que tem feito de prático para ajudar os mais pobres?
  • Cruzado  24/01/2018 18:19
    economia.estadao.com.br/noticias/geral,bc-quer-definir-teto-para-taxas-em-compras-com-cartao-de-debito,70002163582

    BC, mais uma vez, pretende controlar preços.
  • Emerson Luis  04/02/2018 09:42

    A doutrinação ideológica deturpa a própria percepção das pessoas. É comum indivíduos que fazem várias transações voluntárias e mutuamente benéficas todos os dias acreditarem que o capitalismo é exclusivamente predatório, um jogo de soma zero.

    "Um pensamento puxa o outro e comecei a imaginar quanto os donos daquela loja teriam investido... Concluí que foram necessários algumas centenas de milhares de reais — investidos, repito, sem qualquer garantia de retorno."

    Sim. E seria muitíssimo mais cômodo e seguro simplesmente investir esse dinheiro e deixá-lo crescer sozinho via juros enquanto trabalha como empregado ou autônomo. No Brasil, abrir uma empresa (de qualquer tipo e tamanho) é quase um crime.

    * * *
  • CLEIDISON  01/03/2018 23:42
    A miséria e a exploração infantil eram frequentes e, segundo Heilbroner (1996),
    [...] em 1828, The Lion, uma revista radical para a época, publicou a incrível
    história de Robert Blincoe, uma das oito paupérrimas crianças que haviam
    sido enviadas para uma fábrica em Lowdham. Os meninos e as meninas —
    tinham todos cerca de dez anos — eram chicoteados dia e noite, não apenas
    pela menor falta, mas também para desestimular seu comportamento
    preguiçoso. E comparadas com as de uma fábrica em Litton, para onde
    Blincoe foi transferido a seguir, as condições de Lowdham eram quase
    humanas. Em Litton, as crianças disputavam com os porcos a lavagem
    que era jogada na lama para os bichos comerem; eram chutadas, socadas
    e abusadas sexualmente; o patrão delas, um tal de Ellice Needham, tinha
    o horrível hábito de beliscar as orelhas dos pequenos até que suas unhas
    se encontrassem através da carne. O capataz da fábrica era ainda pior.
    Pendurava Blincoe pelos pulsos por cima de uma máquina até que seus
    joelhos se dobrassem e então colocava pesos sobre seus ombros. A criança e
    seus pequenos companheiros de trabalho viviam quase nus durante o gélido
    inverno e (aparentemente apenas por pura e gratuita brincadeira sádica) os
    dentes deles eram limidados! (HEILBRONER, 1996, p. 101).
    Heilbroner e Milberg (2008, p. 89) também relatam a trágica vida dos operários:
    Era um período cruel. As intermináveis horas de trabalho, a sujeira
    generalizada e o ruído pesado nas fábricas, a falta das mais elementares
    precauções de segurança, tudo combinado para conferir ao início do
    capitalismo industrial uma reputação de que jamais se recuperou na mente
    de muitas pessoas neste mundo. Pior ainda eram as favelas para as quais
    retornava a maioria dos operários após a jornada de trabalho. A expectativa
    de vida ao nascer, em Manchester, era de 17 anos – número que re?etia uma
    taxa de mortalidade infantil acima de 50%.
    Isso procede?
  • Marcos  02/03/2018 01:03
    Sim, procede tanto quanto aquelas fanfics de esquerda no Facebook.

    Para começar, entenda melhor quem é esse psicopata chamado Robert Heilbroner:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1331

    Quanto às condições de trabalho antigamente, é incrível como as pessoas têm dificuldades com a lógica básica.

    Ainda hoje, há pessoas que realmente acreditam que no século XVIII havia o mesmo tanto de riqueza que há hoje, de modo que, se os salários eram baixos (comparado aos padrões de hoje), se a segurança no trabalho era precária (de novo, comparado aos padrões de hoje) e se mulheres e crianças trabalhavam, isso só ocorria porque os malditos e gananciosos capitalistas se recusavam a prover segurança e salários altos, e obrigavam mulheres e crianças a trabalhar.

    Tais pessoas realmente acreditam que bastava apenas um decreto governamental para que um trabalhador em 1750 gozasse dos mesmos confortos, segurança no trabalho e níveis salariais vigentes hoje! É inacreditável. Para quem está acostumado a todas as comodidades e confortos do século XXI, é claro que as condições de vida do século XVIII pareciam "sub-humanas".

    Falar que a qualidade de vida era ruim nos séculos XVIII e XIX tendo por base o século XXI, e daí tirar conclusões, é vigarice intelectual. Tal postura ignora toda a acumulação de capital que ocorreu ao logo dos séculos seguintes. Era simplesmente impossível ter nos séculos XVIII e XIX a qualidade de vida que usufruímos hoje no século XXI, a segurança no trabalho, e a renda.

    Naquela época, não havia a mesma acumulação de capital que temos hoje. A produtividade era menor, os investimentos eram menores, a quantidade e a variedade de bens e serviços eram menores. Era impossível ter naquela época a mesma quantidade de comodidades que temos hoje.

    Trabalhar muito e receber pouco não era uma decisão de capitalistas maldosos. Era a necessidade da época. Quem realmente acredita que era possível trabalhar 6 horas por dia nos séculos XVIII e XIX e ainda assim viver bem não entende absolutamente nada de economia. Tal raciocínio parte do princípio de que vivemos no Jardim do Éden, que a riqueza já está dada, e que tudo é uma mera questão de redistribuição.

    Inúmeros artigos neste site sobre isso, mas recomendo estes:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2535
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1056
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1370


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