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As consequências inesperadas da criação de um imposto sobre o consumo
Quem realmente arca com o fardo

O senso comum nos assegura que um imposto sobre a renda é "justo" porque tira dinheiro apenas dos ricos ao passo que impostos sobre bens de consumo penalizam majoritariamente os consumidores pobres, pois os empresários gananciosos repassam integralmente tais impostos ao preço final destes bens. Será mesmo? 

Seria realmente possível as empresas repassarem os impostos que incidem sobre bens de consumo totalmente para os consumidores na forma de um preço final mais elevado?

O fato de impostos sobre a renda acabarem prejudicando diretamente também os mais pobres já foi devidamente abordado em outros artigos (aqui e aqui), de modo que este irá se concentrar exclusivamente na questão de impostos sobre bens de consumo. 

Para entendermos claramente o mecanismo de uma transmissão de impostos para os consumidores, e verificarmos se tal transmissão realmente é possível em termos econômicos, comecemos do início. 

A transmissão não é simples

Imagine que o mercado esteja funcionando normalmente sem um imposto sobre bens de consumo. Assim, todos os preços vigentes são aqueles determinados pela interação entre a oferta de bens — o estoque de bens disponíveis para serem vendidos — e a demanda por esses bens. 

E então vem o governo e impõe uma taxa de 20% sobre o valor de todos os bens de consumo da economia. O que irá ocorrer?

Em primeiro lugar, todos os varejistas sofrerão um imediato aumento de 20% em seus custos de vendas. Se a receita era de $100, eles agora ficarão com apenas $80. 

Eles podem aumentar integralmente os preços para compensar este custo adicional? Difícil. Afinal, os preços, em todo e qualquer momento, tendem a já estar estipulados em um valor que traga o máximo possível de receita líquida para cada vendedor. Se os vendedores pudessem simplesmente repassar integralmente o aumento de 20% em seus custos para os consumidores, então por que já não haviam feito isso antes? Por que tiveram de esperar que o governo estipulasse um imposto sobre bens de consumo para que então elevassem seus preços?

Assim, se os preços de fato forem aumentados em decorrência desta elevação dos impostos, haverá necessariamente uma queda no consumo. Afinal, as preferências dos consumidores não se alteraram em decorrência desta elevação de impostos. A demanda dos consumidores não foi alterada só porque o governo criou um imposto. Se o governo criar um imposto sobre as vendas, os consumidores não irão alterar suas curvas de demanda de modo a repentinamente aceitarem um preço maior para os bens de consumo.

Logo, se o aumento de custos for repassado aos preços, estes preços mais altos, tudo o mais constante, reduzirão o consumo.

A conclusão básica é que qualquer aumento nos custos terá de ser absorvido pela empresa; tal aumento não pode ser repassado integralmente para os consumidores.

Por isso, se as empresas repassarem o imposto para o preço final de seus produtos, elas simplesmente perderão receitas, pois menos consumidores comprarão seus produtos (assumindo aqui que a quantidade de dinheiro na economia não sofreu alterações volumosas). 

No final, os custos dos impostos serão absorvidos pelas empresas. [Isso explica por que era ingenuidade imaginar que os preços cairiam por causa da extinção da CPMF ou por causa da abolição da sacola plástica nos supermercados].

O efeito inesperado da elevação de impostos sobre bens específicos

O exemplo acima abordou a criação de um imposto uniforme sobre todos os bens de consumo da economia. Analisemos agora o que ocorreria caso este mesmo imposto incidisse apenas sobre bens específicos.

Imagine que o governo impõe uma taxa de 20% sobre um determinado bem — por exemplo, produtos cítricos. Tal imposto faria com que as empresas que vendem laranjas, limões, pomelos, sucos de laranja e limão, picolés, saladas de frutas etc. inicialmente tivessem de lidar com um aumento em seus custos de produção e, consequentemente, uma redução em seus lucros.

Como consequência, as pequenas empresas que operam marginalmente nesta indústria poderão sofrer prejuízos e falir, ao passo que as empresas mais eficientes irão cortar custos e reduzir sua produção, de modo a provocar uma redução na oferta de produtos cítricos no mercado. Ao fazerem isso, a redução na oferta levará a um aumento dos preços e a uma queda na demanda, mas os lucros não serão afetados, pois houve também uma redução na produção.  

Portanto, a taxa de 20% não pôde simplesmente ser repassada para os preços. Se as empresas fizessem isso e não alterassem seus custos de produção, o aumento dos preços levaria uma queda na demanda. E por não ter havido redução na produção, os lucros cairiam. 

Por isso, é exatamente o efeito destrutivo do imposto sobre os lucros da empresa o que afeta a relação de oferta e demanda, levando a uma redução da oferta e a um consequente aumento dos preços para os consumidores.

Adicionalmente, dado que os consumidores podem, e irão, alterar suas preferências, passando a consumir outros tipos de frutas e sucos assim que os preços dos cítricos subirem, as empresas de cítricos não poderão aumentar os preços de seus produtos em exatos 20%. Tudo vai depender da oferta de produtos da concorrência. Dependendo dessa disponibilidade de substitutos e da elasticidade das curvas de demanda dos consumidores, o aumento percentual no preço dos cítricos pode acabar sendo bem menor do que 20%.

Até aqui, essa análise austríaca é bastante semelhante à análise neoclássica padrão. O diferencial vem agora.

No longo prazo — e este é o ponto distintivamente austríaco —, o fardo do imposto será jogado para os proprietários dos fatores de produção voltados especificamente para o setor de frutas cítricas — no caso, os cultivadores de frutas cítricas e donos de pomares. 

O valor de seu capital — sua terra e sua mão-de-obra — cairá acentuadamente como consequência da queda na demanda por produtos cítricos. Os trabalhadores destes setores terão seus salários reduzidos. Caso não aceitem tal redução, serão demitidos e terão de procurar empregos em outras áreas. Esta maior oferta de mão-de-obra irá deprimir os salários destas outras áreas da economia.

E é assim que os consumidores serão prejudicados por este imposto indireto: como os cultivadores menos eficientes terão parado de produzir simplesmente porque não eram capazes de cobrir seus custos salariais, passa a haver uma maior escassez de produtos cítricos no mercado. E isso leva a um aumento nos preços para os consumidores. 

É desta forma, portanto, que impostos indiretos levam a aumentos nos preços. Eles não são simplesmente repassados; há toda uma distorção na cadeia de produção que leva a este aumento de preços. Quanto maior o imposto, maior será este efeito. 

Um famoso exemplo prático dessa teoria — e se tornou famoso justamente porque foi amplamente visível — ocorreu nos EUA no início da década de 1990, com a indústria de iates. Para combater uma queda nas receitas decorrente da recessão da época, o governo aprovou um imposto de 50% sobre 'artigos de luxo', como aviões particulares, automóveis e barcos que custassem mais de US$100.000. Mas a demanda por estes itens de luxo era tão elástica que as compras de iate despencaram de 400 unidades em 1990 (ano anterior à criação do imposto) para 10 unidades em 1992.

Quase todos os construtores de iates foram à falência e vários trabalhadores desta indústria — uma mão-de-obra muito especializada — foram demitidos e tiveram de aceitar salários muito menores como pescadores de caranguejos, pilotos de barcos de turismo etc. Os consumidores tiveram de lidar com altos preços até o imposto ser finalmente abolido em 1993.

O governo quis aumentar suas receitas mas acabou apenas gerando desemprego. 

Conclusão

Como bem explicou Frédéric Bastiat, na economia há aquilo que se vê e o que não se vê. Um economista tem de ser igualmente versado nas duas artes. Nenhum imposto é neutro ao mercado; todo e qualquer imposto gera consequências inesperadas e não-premeditadas.

 

45 votos

autor

Joseph Salerno
é o vice-presidente acadêmico do Mises Institute, professor de economia da Pace University, e editor do periódico Quarterly Journal of Austrian Economics.

 

  • Pobre Paulista  18/01/2018 14:44
    Esse exemplo dos Iates é muito bom. Deixa claro o que os progressistas se recusam ver: Esses "luxos" e "mimos" dos ricos geram milhares e milhares de empregos. Isso é que é distribuição de renda: Receber uma renda por produzir algo de valor. Ao taxar esses produtos, o rico fica com o dinheiro para si e o pobre fica desempregado.
  • Humberto  18/01/2018 18:39
    Um doce pra quem conseguir enfiar isso na cabeça de um vermelhinho...
  • Demolidor  19/01/2018 13:56
    Sem contar que nesses lugares onde há aquilo que se considera como muita ostentação, você não vê gente passando fome. Nos Estados Unidos há poucos mendigos e é comum que estes sejam obesos; nos Emirados Árabes, há camareiras, faxineiros, trabalhadores da construção civil... mas com padrão de vida de classe média alta brasileira.

    Além disso, os carros, casas, eletrodomésticos, roupas e outros itens de consumo comum e cotidiano desses povos seriam considerados de luxo no Brasil. Considerar esse estilo de vida como ostentação soa a mim como a desqualificação de Yoani Sánchez pelo governo cubano porque esta estava "ostentando" ao comprar frutas em uma feira.

    Esquerdista vive fora da realidade, num mundo de ressentimento e inveja... para não dizer que vive "fora da casinha".
  • Felipe Lange  21/01/2018 15:04
    Fato.
  • Andre Barbosa  07/11/2018 14:40
    Aí é que você se engana, nos EUA existem muitos mendigos, e eles não são esses obesos não.
    O que em nada invalida o que foi escrito, já que lá o imposto sobre a renda é muito mais pesado que o do Brasil.
  • Felipe  18/01/2018 14:56
    Perfeito o artigo. Como o varejista arca com o imposto (pois não tem como repassar tudo para o preço), ele tem de cortar custos. Logo, ele tem de fazer pressão sobre seus fornecedores, os quais acabam pagando o pato.

    Para uma explicação extremamente detalhada sobre todos os impostos e todas as suas consequências, recomendo o capítulo IV do livro Governo e Mercado, de Murray Rothbard.

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=74
  • Viajante  18/01/2018 14:58
    "O governo quis aumentar suas receitas mas acabou apenas gerando desemprego."

    Lei universalmente válida sobre governos.
  • Novato  18/01/2018 15:02
    Muito obrigado mais uma vez pela clareza e simplicidade como esses assuntos são explicados. Mesmo uma pessoa completamente leiga como eu consegue entender e repassar a ideia.
  • Daniel  18/01/2018 15:04
    Uma dúvida: assim como a empresa não pode repassar imediatamente os custos decorrentes dos impostos sobre o consumo, da mesma forma ela não reduzirá os preços no caso da diminuição de alíquota, certo? Como a empresa quer maximizar seus lucros, e como não houve alteração na demanda, ela não tem motivos para reduzir o preço. É isso?
  • Leandro  18/01/2018 15:12
    Correto. Mas valem alguns adendos.

    A empresa poderá, sim, reduzir os preços. Mas, se fizer isso, não há por que repassar integralmente a redução do imposto -- isto é, não há por que fazer uma redução integral dos preços.

    Para uma demanda totalmente elástica, qualquer redução de preços trará para aquele produto uma grande demanda. Logo, qualquer corte de impostos seria repassado em sua totalidade. Mas isso obviamente é ficção e está apenas no âmbito da teoria neoclássica, pois demanda totalmente elástica não existe.

    Na prática, o que ocorrerá será um arranjo de meio termo: uma redução de impostos será, no máximo, apenas parcialmente repassada para os preços, e isso u[]dependendo totalmente do quão concorrencial é este mercado[/u], o que inclui as tarifas de importação.

    Porém, se for um mercado com grande demanda -- e caso a economia esteja aquecida, ou mesmo caso os custos de produção estejam ascendentes --, uma eventual redução de preços pode aumentar substancialmente a demanda, de modo que os preços não apenas podem voltar a subir, como podem na verdade acabar em um nível mais alto do que estavam antes do corte de impostos.
  • Pedro Ivo  18/01/2018 18:38
    Redução nos preços por causa de redução de impostos só poderá acontecer em ambientes que há livre concorrencia. Pois, como a margem de lucro subirá, novos concorrentes ou aqueles que quiserem ganhar mercado reduzirão seus preços. Em contrapartida em ambientes cartelizados como temos no Brasil, tais reduções não refletem nos preços.
  • Luiz Moran  18/01/2018 16:48
    As 10 infelizes leis brasileiras – resultado da doutrinação marxista:
    1) O Estado é imperativo para o desenvolvimento econômico e a manutenção da ordem e da justiça
    2) Todo empresário é ganancioso e escraviza seus funcionários
    3) Impostos são justos pois são usados para ajudar os mais pobres
    4) O capitalismo gera desigualdades
    5) O Lucro é imoral
    6) As minorias são perseguidas
    7) Os sindicatos são defensores dos direitos dos trabalhadores
    8) A polícia é violenta
    9) As instituições estão cada vez mais fortalecidas
    10) A "democracia" tem que ser "defendida" a qualquer custo (inclusive através de terrorismo).
  • Maicon  18/01/2018 22:31
    Ué o capitalismo nao gera desigualdade?
  • Lucas-00  06/11/2018 21:56
    Gera. E isso é bom. Imagine um país onde todos são pobres igualmente e outro onde há uma grande desigualdade: muitos são "classe média alta", alguns são "ricos", e outros são "super ricos", qual você gostaria de morar?
  • Edujatahy  07/11/2018 09:19
    A desigualdade já é natural. Mesmo que o sistema capitalista não impere, já existe desigualdade em varias esferas e não tem como mudar isso.

    O capitalismo aumenta (não gera, aumenta) a desigualdade porque ele onde ele é aplicado ele descola o homem do seu estado natural (que é extrema pobreza e miséria) através da geração de riqueza (o que o capitalismo gera é riqueza).
    Isso faz com que desigualdades antes menores (pois todos eram pobres e miseráveis) surjam com mais força, visto que agora alguns estarão menos pobres e miseráveis (melhor ser um mendigo em um país capitalista do que um pobre em pais não capitalista), outros conseguirão um nível de riqueza maior (classe média) e alguns poucos terão muito sucesso e ganhos acumulados (os mais ricos).
    O ponto é que mesmo tendo uma gama maior de "desigualdade" com pessoas mais ricas e menos ricas, no capitalismo TODOS enriquecem, mesmo os mais pobres.

    É essencial saber a diferença entre desigualdade e pobreza. Capitalismo NÃO gera pobreza, o que ele pode fazer é aumentar desigualdade porque o capitalismo GERA riqueza.

    Desigualdade não é igual a pobreza.
  • Davi Pereira Gomes  10/11/2018 17:57
    Felizmente o capitalismo gera desigualdade, ele aumenta a desigualdade, e diminui a pobreza, pense no seguinte exemplo:
    Duas pessoas:Joao, Bruno e Marcos, Joao recebe 4 mil reais por mes, Bruno recebe 2 mil reais por mes, e Marcos recebe 500 reais.
    A partir de um tempo, por conta do capitalismo, elas passam a ser mais produtivas, e todos dobram suas rendas, Joao passa a ganhar 8 mil, Bruno 4 mil. e Marcos mil reais. A desigualdade foi extraordinariamente aumentada. E QUAL É O PROBLEMA NISSO ? O mundo se tornou mais desigual porém, a pobreza diminuiu muito, a desigualdade nao deve ser combatida( afinal nós somos desiguais, todos somos diferentes), a pobreza que deve ser combatida,e nao existe um jeito melhor de combater a pobreza do que com o capitalismo.
  • Marcelo  07/11/2018 03:33
    A polícia não é violenta, é criminosa em muitos e corriqueiros casos.
  • Andre Barbosa  07/11/2018 14:52
    1) O Estado é imperativo para o desenvolvimento econômico e a manutenção da ordem e da justiça
    2) Todo empresário é ganancioso e escraviza seus funcionários
    3) Impostos são justos pois são usados para ajudar os mais pobres
    4) O capitalismo gera desigualdades
    5) O Lucro é imoral
    6) As minorias são perseguidas
    7) Os sindicatos são defensores dos direitos dos trabalhadores
    8) A polícia é violenta
    9) As instituições estão cada vez mais fortalecidas
    10) A "democracia" tem que ser "defendida" a qualquer custo (inclusive através de terrorismo).

    1)Essa alienação dificilmente desaparecerá no curto prazo, infelizmente
    2)Esse tipo de pensamento é que cria a guerra imbecil entre empregado/empregador e força a existência de uma CLT.
    3)O pior de tudo é que vemos que eles só ajudam os mais ricos (os amiguinhos do estado).
    4)Não existe igualdade, não se pode gerar algo que já existe.
    5)Essa não é um ideia marxista em si, o lucro é visto como imoral pela igreja católica, a reforma protestante teve muita adesão da classe mercante por isso.
    6)Isso não é um mentira, as minorias são perseguidas, o único papel do estado aqui, a garantir a liberdade individual, seja de quem for.
    7)As unions até que são, sindicato no Brasil é piada.
    8)A polícia brasileira é muito violenta, fato, basta comparar com qualquer polícia civilizada mundo a fora.
    9)A força das instituições não é um mal em si, ajuda na descentralização do poder. O problema é qual instituição e o que é fortalecimento.
    10)Democracia não é perfeita, mas é o melhor que temos pro momento.
  • Leandro C  09/11/2018 22:31
    ... complicado dizer que a polícia brasileira é violenta... comparado com o que? com outras polícias de primeiro mundo onde a população é mais civilizada e os investimentos, leis, sistema jurídico e econômico etc etc funcionam todos de forma muito melhor? ou comparada com a própria população brasileira, aparentemente altamente violenta por si só?
  • Amante do Capitalismo  18/01/2018 17:11
    O problema é que o governo não suporta cidadãos ricos.

    Um PIB de 10 trilhões com 15% de imposto, é igual a um PIB de 5 trilhões com 30% de imposto. A arrecadação seria exatamente a mesma.

    O governo não suportaria ficar com apenas 15%. Ele quer que empresários sobrevivam com dinheiro do mês, formas de multar, impedir que as pessoas ganhem dinheiro, etc.

    Já está claro que o governo só quer roubalheira. O mundo ideal para o governo é um monte de escravos que não reclamam. São pessoas sem o mínimo de carácter.
  • reinaldo  18/01/2018 17:18
    O Estado é o causador de quase odos os problemas da sociedade, escravizando os cidadãos.
    E as pessoas acham normal isso, como se estivessem dependentes de uma droga, o "estatismo".
    Me lembra de um trecho de "Matrix", que Morpheu diz que as pessoas se tornaram dependentes da escravidão e farão de tudo para proteger os escravizadores.
  • Rafael Isaacs  18/01/2018 17:40
    Quem realmente sustenta os impostos? O pequeno e médio empresariado? Todos os empresários inclusive os ligados ao estado? O trabalhado assalariado ao consumir?
  • Marcio  18/01/2018 17:45
    Nós temos a obrigação de respeitar outras pessoas?
  • Barreto  18/01/2018 18:37
    A ironia cruel é que a justificativa para impostos tão elevados no Brasil é financiar os programas assistencialistas que visam auxiliar os mais pobres, sendo que são justamente estes impostos que os mantêm na pobreza.
  • Gutierrez  18/01/2018 18:50
    Por isso eu digo que os impostos mais justos são aqueles atrelados a capacidade de pagamento de cada um. Quem recebe mais, deve pagar mais; quem recebe menos, deve pagar menos. O imposto de renda progressivo, por exemplo, eu acho um dos mais justos. Já impostos sobre os itens e serviços mais populares, acho menos justos, porque acabam onerando mais aquelas pessoas de menor renda.
  • Vitor  18/01/2018 19:17
    Mas que senso de justiça é esse? Por que quem ganha mais deve pagar mais?

    Não discuto que no Brasil, país em que não há meritocracia e todos fazem conchavos com o estado, há várias pessoas que ganham muito sem fazer nada. Porém, em uma economia livre, ganha mais aquele que mais serviços presta à sociedade, aquele cujos serviços são altamente demandados por todos justamente por ser competente. Você acha justo espoliar este para repassar àqueles que não são produtivos e que pouco contribuem para a sociedade?

    Espoliar os bons e competentes para repassar aos ineptos e acomodados é o caminho certo para transformar a sociedade em uma idiocracia apologista da mediocridade.

    No mais, você diz defender o imposto de renda progressivo com base na ideia de que quem ganha mais deve pagar mais. Mas um imposto de alíquota única já faz isso. 20% de 10.000 é maior do que 20% de 5.000, por exemplo. Logo, você não quer apenas extrair mais dos mais ricos. Você quer realmente espoliá-los e viver à custa deles.

    Essa não apenas é uma postura vergonhosa, como, pior ainda, trata-se de uma confissão de inveja e de incapacidade de viver às próprias expensas. Lamento por sua situação.
  • Gutierrez  18/01/2018 19:27
    Vitor, o senso de justiça que expus é o do nosso ethos, que prega a solidariedade com o próximo e a colaboração com o coletivo segundo a capacidade de cada um. A institucionalização desse ethos humanista, que substituiu o ethos romano, este último estranhava qualquer piedade, se traduz em onerar mais quem tem mais e menos quem tem menos.
  • Vitor  18/01/2018 19:34
    A solidariedade com o próximo se traduz em espoliar? Conceito estranho esse seu de solidariedade. Sempre imaginei que solidariedade significa esforço voluntário e individual para ajudar o próximo. Já o seu conceito de "solidariedade" significa apontar uma arma para a cabeça de terceiros, tomar a propriedade deles e fazer a redistribuição.

    Você quer ajudar terceiros, mas você quer que terceiros sejam espoliados nesse processo. Você quer solidariedade mas prega a violência. Típico. Quem quer repartir o bolo quer acima de tudo manter o controle da faca.

    Quer ajudar os pobres? Ajude-os. Com o seu próprio dinheiro. Você tem uma obrigação moral em ajudar os destituídos, mas você não tem o direito de roubar terceiros neste processo. Para de defender a imoralidade.
  • Gutierrez   18/01/2018 20:58
    Se isso é espoliação, então qualquer receita tributária também é.
  • Gatuno  18/01/2018 21:24
    Bem-vindo à realidade, Gutierrez.
  • Gabriel  18/01/2018 22:01
    Descoberta do século essa.
  • Constatação  19/01/2018 11:34
    Se houvesse uma alíquota única de 10%, quem ganha R$ 100.000,00 por ano pagaria R$ 10.000,00 e quem ganha R$ 30.000,00 pagaria R$ 3.000,00. Quem ganha mais já estaria pagando mais de qualquer forma. Pra que ainda aumentar a alíquota sobre quem ganha mais?
  • TESLA  18/01/2018 20:04
    Se aumentasse os impostos dos carros a combustão e isentasse em 100% dos carros elétricos, o que aconteceria com a economia?
    Os carros elétricos iriam virar eternos e 100% da realidade?

    Eu to precisando desenvolver meu raciocínio, isso causaria investimentos errôneos, me ajudem a desenvolver

    Grato e abraços
  • Economista  18/01/2018 20:57
    1) Você inviabilizaria completamente a compra de carros novos, empurrando todos os consumidores para o mercado negro, que bombaria.

    2) Até poderia haver, de início, uma grande produção de carro elétrico, mas como seu abastecimento é complicado e caro, ele continuaria sendo inviável para as massas. Não visualizo, no longo prazo, uma explosão nem na produção e nem muito menos no consumo destes carros.

    3) Não é porque os carros a combustão interna foram inviabilizados pelo governo que o carro elétrico imediatamente passará a ser viável. Há toda uma questão de logística e engenharia que são incontornáveis, tornando este tipo de carro inviável no curto prazo.

    4) No final, apenas os milionários teriam carro. A classe média iria tentar alguma coisa no mercado negro. E os pobres voltariam a andar de jumento.
  • TESLA  19/01/2018 05:45
    Economista, veja por esse lado:

    Vamos supor um carro elétrico com o mesmo preço que o a combustão.
    Um Toyota Prius 100% eletrico e outro hibrido ou somente a combustão.
    Se taxar os a combustão ou hibrido, aumentando 50% o valor destes, logo todos irão comprar elétrico e isso gerara oferta e incentivos para que a industria foque nesse mercado

    Você parte do pressuposto que carros elétricos são mais caros, acontece que hoje em dia não é bem assim.
    Entre comprar um Tesla Model S P100D e uma Mercedes S63 AMG, você compraria qual? Obvio que a AMG, afinal é isso que acontece, poucas pessoas trocam seus BMW'S, Audis, Lexus, Infinitis e mercedes em um Tesla. Taxando isso já seria diferente.
    Eu acho que o problema seria muito maior, o mercado tem que mostrar através dos preços, se algo é rentável ou não.
    Caso contrário o preço dos carros elétricos poderia subir ou até mesmo, não cair. Isso gastaria recursos escassos pra desenvolver uma area que não necessariamente é rentável. Isso inflacionaria outros preços já que existem carros a combustão mais baratos. Todo recurso seria gasto atoa pra desenvolver e baratear algo, enquanto estes recursos não precisariam ser gastos caso os carros a combustão não fossem taxados. Isso ira fazer a economia direcionar os recursos pra área errada, iria engessar o crescimento. Simplesmente porque estes recursos poderiam ser gastos em areas realmente necessárias, mas é gasto somente para tornar algo rentável. Digo, já é rentavel porque todos comprariam só elétricos, mas rentável no sentido do desenvolvimento, pra chegar no nível de custos do a combustão.

    Não sei se estou certo, mas o efeito não seria esse? Porque os recursos estariam sendo direcionados não porque de fato é melhor que seja assim e sim porque o governo criou um incentivo artificial.
  • Emerson Luis  22/01/2018 17:27

    A demanda por jumentos aumentaria muito, não haveria jumento para todo mundo, os preços subiriam e maioria dos pobres ficaria sem jegue próprio.

    * * *
  • Jairdeladomelhorqptras  07/11/2018 14:45
    Caro Emerson
    Te excluo! Mas jumento é o que mais tem nesta terra! Jamais faltará!
    Abraços
  • Mauricio  18/01/2018 20:28
    Imposto existe de todo sempre. Estado significa imposto, sua existência depende dele. Não vejo como alterar esse status-quo.
  • Ygor  18/01/2018 22:13
    Que outras maneiras o Estado poderia se financiar que não seja impostos e títulos do Tesouro?
  • Rodrigo  18/01/2018 23:47
    Doação voluntária. Fora isso é roubo.
  • Juliano  18/01/2018 23:47
    a) Doações voluntárias.

    b) Vendendo serviços que sejam voluntariamente adquiridos pelos consumidores.

    c) Oferecendo loterias (essa a opção defendida por Ayn Rand).

    d) Para que estado?
  • Libertariozinho  07/11/2018 17:19
    Oferecer loterias estatais continua sendo anti-ético, visto que a implicação disso é o monopólio, e esse por sua vez significa coagir indivíduos para que não ofereçam loterias, ferindo seu direito a liberdade e propriedade.
    E defender a tese de que o Estado possa fazer isso sem um monopólio legal é afirmar que ele pode ser mais eficiente que a iniciativa privada.
  • Pobre Paulista  18/01/2018 23:51
    São 3 e apenas 3 maneiras, todas gerando inflação cedo ou tarde.

    1. Impostos

    2. Endividamento

    3. Emissão de moeda
  • Rangel  19/01/2018 07:21
    O que aconteceria se os impostos fossem apenas sobre a renda de pessoas físicas que ganham altos salários e trabalham para o governo ou para empresas?
  • Amante do Capitalismo  19/01/2018 14:37
    Essa não é a pergunta correta.


    Você deveria perguntar o motivo das grandes fábricas terem ido embora dos Estado Unidos.

    Também poderia perguntar o motivo do excesso de importações de produtos.

    Pesquise se a arrecadação é maior cobrando 10% de todas as pessoas ou 60% dos mais ricos.

    Também poderia perguntar se existem mais festas com pagamentos individuais, ou festas pagas por apenas uma pessoa. As festas com pagamento individual ocorrem quase todos os dias, enquanto o pagamento por uma pessoa é muito raro.

    Enfim, ame o capitalismo.
  • Vinicius Gabriel Tanaka de Holanda Cavalcanti  20/01/2018 00:12
    Faz tempo que vi um artigo que abala os meus conhecimentos por aqui. Só não entendi o exemplo da extinção da CPMF e das sacolas plásticas. Se a remoção de custos sobre o empresário aumentar seus lucros, vai haver maior oferta e consequentemente barateamento de preços não? Qual motivo de nao ter havido mudanças nos preços? O exemplo dos artigos de luxo é o inverso desse exemplo e houver aumento de preços.
  • Economista  20/01/2018 03:39
    "Qual motivo de nao ter havido mudanças nos preços?"

    Porque, como explicado no artigo, preços já estão em um valor que traga o máximo possível de receita líquida para cada empresa. Todos os preços vigentes são aqueles determinados pela interação entre a oferta de bens — o estoque de bens disponíveis para serem vendidos — e a demanda por esses bens.

    Assim, uma redução de 0,38% nos custos de produção (valor da CPMF) não tinha por que gerar redução de preços.

    "O exemplo dos artigos de luxo é o inverso desse exemplo e houver aumento de preços."

    Ué, e qual foi a consequência deste aumento de preços? Exato, queda acentuada nas vendas e falências.

    O artigo inteiro foi exatamente para explicar por que um aumento de custos não pode ser repassado para os preços, pois, se houver repasse, as vendas caem. Os produtores de iate ignoraram esse ensinamento econômico básico e repassaram os preços. Deu no que deu.

    Não existe mágica na economia. Nem atalhos.

    De novo: o governo aumentou em nada menos que 50% os custos de produção. Assim, os produtores de iate tinham duas opções: arcar integralmente com estes 50% (o que provavelmente os levaria à falência) ou repassar esse aumento para os preços (o que certamente os levaria à falência, pois era algo que a teoria já explicava que não daria certo).

    Optaram pelo segundo e se estreparam. Exatamente como previa a teoria. Mas se tivessem optado pelo primeiro provavelmente também teriam se estrepado (ninguém agüenta um aumento súbito de 50% em seus custos de produção).

    Começou a perceber agora por que impostos sempre são maléficos e destrutivos?

    Outro excelente artigo sobre este assunto é esse:
    Dica aos empreendedores: o preço já está dado. Agora, escolham seus custos
  • Antônio Galdiano  22/01/2018 11:02
    À parte a questão ideológica (imposto é roubo), qual seria o menos pior tipo de imposto? (Supondo que o valor arrecadado seja o mesmo)
  • Pobre Paulista  22/01/2018 13:48
    Imposto sobre consumo, somente. Pois isso não só incentiva a poupança (e consequentemente os investimentos) como também incide unicamente nas pessoas envolvidas em todo o processo de fabricação daquele item, sem impor ônus a terceiros.
  • FODA-SE O ESTADO  06/11/2018 19:51
    Imposto ser roubo não é questão ideológica, é fato lógico, ético e jurídico.
  • Emerson Luis  22/01/2018 17:10

    Qualquer pacote de medidas que não envolva cortes de arrecadação e de gastos do governo terá (na melhor hipótese) efeito nulo, "uma martelada no prego e outra na ferradura".

    * * *
  • Antônio Galdiano  22/01/2018 18:21
    Eu sempre achei que o melhor tipo de imposto seria o imposto sobre o lucro. O imposto sobre o consumo prejudica as demandas mais elásticas (exemplo dos iates do texto). O imposto sobre o lucro é o tipo de imposto que não intervém na administração da empresa, ao contrário dos impostos sobre o faturamento, que obrigam as empresas a ter uma margem de lucro mínima maior que os impostos sobre a receita.
  • Ludwig  22/01/2018 18:49
    Os lucros são exatamente o que possibilitam as empresas a fazer novos investimentos, a adquirir mais maquinários, a expandir suas instalações e, com isso, aprimorar sua capacidade produtiva.

    São também os lucros que possibilitam a contratação de novos empregados ou até mesmo a concessão de aumentos salariais.

    Lucros necessariamente têm de ser reinvestidos na empresa, seja na forma de reposição de estoques, seja na forma de expansão dos negócios, seja na forma de contratação de novos trabalhadores, ou até mesmo na forma de aumentos salariais. Se os lucros fossem consumidos pelos capitalistas em produtos e serviços — como fantasiam os anti-capitalistas —, as empresas simplesmente não seriam capazes nem de repor seus estoques. Consequentemente, perderiam sua fatia de mercado.

    São os lucros, portanto, que permitem que as empresas façam novos investimentos, intensifiquem seu capital produtivo, contratem mais pessoas e paguem maiores salários.

    Impostos sobre a renda e o lucro das empresas afetam diretamente todo esse processo de formação de capital.

    Tributar a renda e os lucros significa fazer com que a capacidade futura de investimento das empresas seja seriamente afetada, o que significa menor produção, menor oferta de bens e serviços no futuro, e menos contratação de mão-de-obra.

    Quando o governo tributa a renda e os lucros, ele apenas faz com que o dinheiro que seria utilizado para ampliar e aprimorar os processos produtivos seja agora direcionado para o mero consumismo do governo, ficando sob os caprichos de seus burocratas, obstruindo a formação de capital.

    A maior parte daquela fatia que é confiscada pela tributação teria sido usada para a acumulação de capital adicional. Se o governo utiliza essa receita para financiar suas despesas correntes, o resultado será uma diminuição na acumulação de capital.

    Tributar lucro é uma das medidas mais asininas que existem.
  • LEIGO  17/05/2018 19:46
    Pois é Antônio Galdian. Está aí uma questão que me intriga: "À parte a questão ideológica (imposto é roubo), qual seria o menos pior tipo de imposto? (Supondo que o valor arrecadado seja o mesmo)".

    Acrescentaria, ainda, qual a melhor proporção na distribuição destas 4 bases (renda - pf e pj, patrimônio, consumo e folha de pagamento), admitindo, sempre, como premissa, a atual carga tributária.

    Não há nada substancial para estudos.

    Há este manifesto da ANFIP e FENAFISCO:

    reformatributariasolidaria.com.br/

  • Christian Piva Franzen  20/06/2018 16:48
    Belo texto. Simples e explicativo.

    Mesmo o simples nacional traz uma lógica perversa ao aumentar os impostos conforme a empresa aumenta seu faturamento. Cada vez que ela fica sujeita a uma alíquota maior, diminui sua competitividade, restringindo sua capacidade de atender consumidores e gerar empregos.
  • Adriano Vargas  25/07/2018 17:52
    Boa tarde,

    Texto muito direto no conceito e bem esclarecedor. Parabéns!!
  • anônimo  06/11/2018 19:24
    Mas por incrível que pareça, é o menos pior dos impostos. Compare com os outros tipos de impostos existentes: imposto sobre a renda, imposto sobre a poupança, imposto sobre transações financeiras, imposto sobre o lucro, imposto sobre ganhos de capital, imposto corporativo, imposto sobre a propriedade territorial, imposto sobre a propriedade residencial, imposto propriedade rural, etc... O imposto sobre o consumo é o menos pior dos impostos. existentes..

    Se é para existir imposto, que seja um pequeno imposto sobre o consumo, inferior a 10%.
  • Marcelo  07/11/2018 03:18
    "Eles podem aumentar integralmente os preços para compensar este custo adicional? Difícil. Afinal, os preços, em todo e qualquer momento, tendem a já estar estipulados em um valor que traga o máximo possível de receita líquida para cada vendedor. Se os vendedores pudessem simplesmente repassar integralmente o aumento de 20% em seus custos para os consumidores, então por que já não haviam feito isso antes? Por que tiveram de esperar que o governo estipulasse um imposto sobre bens de consumo para que então elevassem seus preços?"

    Simples, a taxação do governo atinge todos os que você chama de vendedores, então eles fazem o de sempre: repassam o aumento para os consumidores, não fazem isso antes da taxação porque se decidissem simplesmente aumentar o preço outros não fariam para tomar mercado.
  • Henrique  07/11/2018 19:43
    "Eles podem aumentar integralmente os preços para compensar este custo adicional? Difícil. Afinal, os preços, em todo e qualquer momento, tendem a já estar estipulados em um valor que traga o máximo possível de receita líquida para cada vendedor. Se os vendedores pudessem simplesmente repassar integralmente o aumento de 20% em seus custos para os consumidores, então por que já não haviam feito isso antes?"

    Acredito que esse trecho esteja tratando do Homo Economicus que os neoclássicos e keynesianos adoram. É o empreendedor estritamente racional.

    Na realidade, vemos diferentes tipos de formação de preço de bens e serviços. Existem aqueles que, dado seu custo, colocam uma margem de X% e esse fica sendo seu valor de venda. O que impede esse preço de ser menor do que o que maximiza a receita? Nesse caso, esse empreendedor poderia sim repassar todos os custos, não?

    "Assim, se os preços de fato forem aumentados em decorrência desta elevação dos impostos, haverá necessariamente uma queda no consumo."

    Isso aqui não depende da elasticidade da demanda?

    Imaginemos um produto essencial e poucos substitutos, como a água. O consumo garantidamente irá cair? Se não, esse argumento não seria válido.
  • Economista  07/11/2018 20:35
    "Na realidade, vemos diferentes tipos de formação de preço de bens e serviços."

    Correto.

    "Existem aqueles que, dado seu custo, colocam uma margem de X% e esse fica sendo seu valor de venda. O que impede esse preço de ser menor do que o que maximiza a receita? Nesse caso, esse empreendedor poderia sim repassar todos os custos, não?"

    Não sei se entendi seu ponto, mas deixa eu tentar explicar de maneira mais popular o que diz a teoria.

    Se houve um aumento de custos, nada impede que o empreendedor repasse esse aumento aos preços. Nada. Só que, quanto mais ele repassar, mais a demanda por seu produto cairá, menos ele irá vender e menos ele irá lucrar e menos poderá se expandir e contratar trabalhadores.

    Esse é o ponto. Não tem nada de homo economicus. É apenas questão de lógica básica. Se você vende um produto cuja demanda é elástica, qualquer aumento de preços causado por fatores exógenos (impostos ou aumento inesperado dos custos) espanta consumidor.

    Por isso, se o empreendedor for do tipo inexperiente e ingênuo, que vende um produto que tem demanda elástica, e consequentemente elevar seus preços porque teve aumento de custos, ele irá enfrentar problemas. Ponto. O fato de ele ter elevado preços não é um defeito da teoria econômica. As consequências negativas que ele irá enfrentar é que são explicadas pela teoria.

    "Isso aqui não depende da elasticidade da demanda? Imaginemos um produto essencial e poucos substitutos, como a água. O consumo garantidamente irá cair? Se não, esse argumento não seria válido."

    Sim, depende da elasticidade, como frisei acima. Se for, por exemplo, gasolina e esta for ofertada por uma única empresa, como ocorre no Brasil, aí realmente não afeta tanto (embora, ainda assim, muitas pessoas estejam migrando para o etanol, o que mostra que até mesmo para produtos inelásticos a teoria se aplica).

    Já a água potável é um bem abundante (ainda) e cujo mercado tem milhões de fornecedores. Tanto é que os preços dos galões se mantêm relativamente estáveis.

    Imaginemos um produto essencial e poucos substitutos, como a água. O consumo garantidamente irá cair? Se não, esse argumento não seria válido.
  • Henrique  08/11/2018 01:30
    Meu ponto é que essa lógica de que os preços ficam definidos tais que maximizam o lucro da empresa pode não ser verdadeira em muitos casos.

    Precificar bens e serviços é algo razoavelmente difícil de se fazer. Dado que a maioria dos empreendedores está nessa posição por necessidade e não por vocação, é de se esperar que os preços nem sempre sejam definidos de forma a maximizar o lucro.

    Imagine que um produto custe X, que, por causa da má precificação, é um valor abaixo de Y, este que maximiza o lucro do emprendedor para aquele produto.

    Os indivíduos no mercado atualmente pagam X, mas não se importariam em pagar Y.

    Sendo assim, um aumento de impostos sobre esse produto poderia ser integralmente repassado aos consumidores sem causar prejuízos ao empreendedor.

    Faz sentido?
  • Economista  08/11/2018 02:08
    Faz sentido, mas apenas para casos pontuais. Não faz sentido generalizadamente.

    Ser empreendedor é exatamente ser alerta e perspicaz. É saber identificar demandas e transformar oportunidades em lucro. É um tanto inconcebível dizer que empreendedores irão, generalizadamente, sempre errar seus preços para menos, de modo que a imposição de impostos indiretos é o que fará os preços então subirem para seus valores "corretos".

    Sinceramente, não faz sentido.

    Você pode, isso sim, encontrar um ou outro caso em que isso acontece. Mas serão pontuais, a típica "exceção que confirma a regra".
  • Henrique  08/11/2018 10:53
    É, você tem toda razão :'D

    Esse é o tipo de artigo que encontro aqui que dá nó na minha cabeça...

    Muito obrigado.
  • Marcio Costa  07/11/2018 20:27
    Penso que poderia haver um sistema justo de equilíbrio e mecanismo reajuste da Economia, que cortasse aposentadorias milionárias, privilégios e despesas excessivas,que tributasse bens, produtos e serviços, caso fosse necessário mas ao mesmo tempo, multiplicasse um capital residual gerado desta equação e fizesse a distribuição para as diversas áreas por meio de um Fundo Financeiro Econômico Emergencial, de modo que no decorrer do tempo, equilibrasse a situação de demandas destas áreas, alcançasse o ponto de equilíbrio das contas públicas, promovendo uma situação de estabilidade financeira e econômica e diante de uma eventual crise futura reiniciasse o ciclo de reajuste econômico. Esta tese é possível?
  • Skeptic  08/11/2018 13:23
    Não, acabar com privilégios não faria nem cócegas no rombo estatal, e sem cortar gastos não adiantaria muito.
    Governo distribuindo e "estimulando" "setores estratégicos" é de longe o pior. Governo gerenciado a economia não tem como funcionar em hipótese nenhuma.
  • Skeptic  08/11/2018 13:16
    A teoria austríaca não leva muito a sério a elasticidade da demanda como um dado tão relevante assim, correto?

    Ainda tenho dúvidas de como um economista austríaco usa a praxeologia no seu trabalho.
    Como partindo do axioma da ação humana se chega numa TACE, por exemplo?
  • Economista  08/11/2018 13:41
    1) O indivíduo age buscando melhorar sua situação.

    2) Melhorar sua situação, em um arranjo capitalista, envolve aumentar seus retornos.

    3) Em um ambiente de juros baixos, o indivíduo terá de fazer investimentos mais arriscados para obter maiores retornos (pois os investimentos conservadores não rendem quase nada).

    4) Assim, ele irá direcionar dinheiro para várias áreas que só se tornaram atraentes por causa dos juros baixos, mas que não fariam sentido caso não houvesse juros baixos.

    5) Isso gera bolhas.

    6) Quando os juros voltam a subir, a demanda nestas áreas arrefece, e aí essas bolhas estouram.
  • Skeptic  08/11/2018 14:26
    Muito bom! Obrigado!

    Cada vez mais eu tenho a impressão que o Ação Humana é um livro introdutório sobre o assunto. Qual seria um livro mais avançado?
  • Cláudio  08/11/2018 19:43
    Artigo muito bom. Não tenho nenhuma formação para discutir o assunto, mas, e no caso de um produto como os combustíveis? Aqui me parece que não há como o consumidor escapar da transferência dos valores para o preço final, afinal posso parar de tomar suco de laranja, mas não posso parar de me deslocar. A consequência seria que eu ficaria mais pobre?
  • Leandro C  09/11/2018 22:28
    Acho que há vários aspectos sobre a questão:
    Tributar o consumo talvez seja "menos pior" na medida em que incentiva a poupança e, portanto, o reinvestimento;
    contudo, percebam que, ainda que coercitivos e ruins, a única coisa que o Estado oferta são serviços, que, doutro modo, só seriam consumidos com o dinheiro do lucro (pois quem não tem lucro não teria dinheiro para consumo), razão pela qual seria mais lógico, para qualquer um, só realizar consumo se tiver excedente (lucro), portanto, sob tal aspecto, é menos artificial (e, em tese, melhor) o imposto sobre o lucro.
    Mas... mudando um pouco o referencial... tenho comigo que em qualquer caso o valor acaba sendo mesmo repassado ao produto e, neste sentido, tenho que o imposto sobre o consumo especifica melhor as partes envolvidas, enquanto que sobre a renda ela socializa mais o tributo (o que acho ruim); exemplifico: em uma empresa que só vende um tipo de geladeira em um só local isto não faria diferença já que todo o lucro vem da venda (do consumo por terceiros) de um só produto em um só local; entretanto, em uma empresa que vende carro no Paraná e geladeira na Paraíba o lucro da empresa certamente viria de situações completamente diferentes entre si e, portanto, com rentabilidades distintas, de modo que o imposto de renda total da empresa certamente estaria sendo mais financiado ao longo do tempo ou pelos consumidores de carro do Paraná ou pelos consumidores de geladeira da Paraíba, o que causaria injustiças na medida em que, possivelmente, uma das linhas de venda produziria mais lucro que outra, ou seja, de certa forma, ou os consumidores do Paraná ou os da Paraíba estariam financiando em um percentual maior o imposto total; enfim, acho que o imposto sobre o consumo teria o potencial de alocar melhor os custos dos impostos entre as partes que efetuam a troca.


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