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Revolução silenciosa

Enquanto todo o mundo estava acompanhando a campanha presidencial americana, e a posse do novo presidente, um movimento nasceu nos Estados Unidos. Sem líder e tendo como objetivo unicamente fazer com que a constituição americana seja respeitada, defensores da autonomia das federações surgiram naturalmente, em reação ao crescimento cada vez mais vertiginoso do poder do governo federal americano, principalmente após a crise financeira que está devastando a economia americana. 

Não se sabe se foi uma ação orquestrada ou não, mas alguns congressos estaduais nos Estados Unidos resolveram votar declarações para que a décima emenda da constituição seja cumprida. A décima emenda declara que "Os poderes não delegados aos Estados Unidos pela Constituição, nem proibidos por ela para os estados, são reservados para os estados, respectivamente, ou ao povo". Por isso, as atuais medidas tomadas pelo governo americano, como o pacote de ajuda às empresas prejudicadas com a crise subprime, são inconstitucionais, assim como as centenas de agências federais. Por isso, podemos concluir que a constituição está sendo constantemente desrespeitada e foi esse o entendimento dos legisladores das diversas unidades da federação que decidiram se manifestar contra a posição federal.

Esse movimento é novo, mas as suas origens vêm da época da revolução americana. Engana-se quem acha que os americanos são adeptos do pragmatismo, que a política deles é imune a ideologias, como os cientistas políticos vivem dizendo. É inegável que a revolução americana foi uma revolução ideológica; e isso pode ser confirmado lendo os escritos de Thomas Paine ou lendo as transcrições dos discursos de Patrick Henry.

Os pais fundadores da America já alertavam para o perigo de um governo federal grande e poderoso. Sabiam que quanto maior o tamanho do governo, menores seriam as liberdades dos indivíduos. E alguns poucos políticos nos últimos anos tem nos lembrado disso, como Barry Goldwater, Ronald Reagan e recentemente com Fred Thompson e Ron Paul.

O que ninguém parece ter percebido nesse novo movimento ainda é que ele é uma contestação da União, e é ai que está o detalhe mais importante: Isso não acontece desde a guerra de secessão. Quando o confronto mais importante da história americana terminou, os estados perderam seu direito de sair da união; e sem essa possibilidade, tudo caminhou para um aumento gradativo da União e a quase extinção da autonomia dos estados.

Algumas declarações dos congressos estaduais dizem claramente que estão cansados de serem colônias de Washington. O Hawaii, por exemplo, já ameaçou convocar uma convenção constitucional e declarar independência caso a décima emenda não seja respeitada.

Alguns comentaristas acham que esse movimento não terá grandes consequências, mesmo sabendo que já são cerca de 30 estados a se posicionarem contra a posição federal em poucos mais de dois meses. O argumento utilizado é que essas moções são apenas mais uma barganha para receber dinheiro do governo federal. Contudo, há motivos para acreditar que não seja essa a motivação, e sim, o desejo de resgatar os princípios sobre os quais o estado americano foi instituído. Um movimento que consiga maioria em congressos de 30 estados não é um movimento pequeno, muito menos localizado; é nacional e com grande apoio popular porque, caso contrário, os congressistas não arriscariam suas carreiras e seus votos sendo favoráveis a estas proposições. Soma-se a mobilização em âmbito estadual a adesão de alguns deputados federais e senadores e tem-se ai, uma questão que, em breve, pode ser a grande discussão política nos Estados Unidos.

Caso o movimento seja bem sucedido, esse pacote de estímulo de um trilhão deverá ser declarado inconstitucional, agências como a CIA, FBI, FED, NASA, entre outras centenas deverão ser fechadas e alguns membros do governo serão processados, por desrespeito a constituição. Seria sem sombra de dúvida o maior acontecimento desse século. Muito utópico? Pode ser, mas é uma luz no fim do túnel para aqueles que acreditam na autonomia e liberdade vislumbrem um futuro mais próspero para a sociedade americana e para o mundo.  

Estados que já declararam

California
Texas
Arizona
Georgia
Hawaii
Michigan
Missouri
Montana
New Hampshire
Oklahoma
Washington

Estados que estão no processo

Alabama
Alaska
Arkansas
Colorado
Idaho
Indiana
Kansas
Maine
Nevada
Pennsylvania
Illinois
South Carolina 


Ver Também

Estados americanos estão aceitando ouro e prata como moeda

Secessão em Vermont

Conheça um pouco de New Hampshire

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Mais informações:

http://apps.leg.wa.gov/billinfo/summary.aspx?year=2009&bill=4009

http://www.leginfo.ca.gov/pub/93-94/bill/sen/sb_0001-0050/sjr_44_bill_940829_chaptered

http://www.azleg.gov/FormatDocument.asp?inDoc=/legtext/49leg/1r/bills/hcr2024p.htm

http://www.legis.state.ga.us/legis/1995_96/leg/fulltext/sr308.htm

http://www.legislature.mi.gov/%28S%2821rmjiv1sl0wvw55yxurwl55%29%29/documents/2009-2010/Journal/House/pdf/2009-HJ-01-22-002.pdf

http://www.house.mo.gov/content.aspx?info=/bills091/bills/hr212.htm

http://data.opi.mt.gov/bills/2009/billhtml/HB0246.htm

http://www.gencourt.state.nh.us/legislation/2009/HCR0006.html

http://www.ok-safe.com/files/documents/1/HJR1089_int.pdf



autor

Juliano Torres
é o presidente do partido Libertários, editor do portal Libertarianismo.com e autor do blog Preço do Sistema.

  • mcmoraes  30/01/2011 22:35
    Boa sorte aos vermonteses!
  • void  30/01/2011 23:19
    "Quando o confronto mais importante da história americana terminou, os estados perderam seu direito de sair da união; e sem essa possibilidade, tudo caminhou para um aumento gradativo da União e a quase extinção da autonomia dos estados."

    Uma das coisas que mais me incomodam sobre a história "oficial" dos EUA está no que dizem sobre a Guerra Civil. Não sou nenhum especialista em história americana, mas sempre me pareceu muito estranho aquele papo de "Há, seus caipiras escravocratas malvados, vamos levar a liberdade até vocês *BOOM*". É a mesma história contada pra justificar todas as invasões ou golpes defendidos por Washington, sejam na América Latina ou, hoje, no Oriente Médio. Sempre achei que foi aí que nasceu o império americano.
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  31/01/2011 00:26
    É lendo sobre fatos como estes que eu sempre me animo com os EUA.\r
    \r
    Hoje a América é uma tirania vez que o governo central esta gigantesco e super poderoso.\r
    \r
    Frise-se que os dois principais partidos estão tomados por adoradores do estatismo, com algumas honrosas exceções como o Ron Paul.\r
    \r
    Sucede, porém, que os americanos possuem os instrumentos intelectuais necessários para rejeitar os governos autoritários e gigantescos que surgirem, o que os demais países infelizmente não tem.\r
    \r
    Estes instrumentos são a Declaração de Independência, a Constituição e os pensamentos deixados pelos fundadores desta grande nação.\r
    \r
    Torço para que o passado ecoe forte na América e que todos os abusos estatais sejam contidos.\r
    \r
    Aproveitando a oportunidade faço uma pergunta: Vocês do instituto indicam algum livro que trabalhe de forma detalhada as idéias constantes da Declaração de Independência, a Constituição e os pensamentos dos fundadores da América?\r
    \r
    Abraços
  • Augusto  31/01/2011 01:51
    Erik,\r
    \r
    Complementando sua pergunta no último pergunta, seria interessante (ou "curioso") apontar os livros de autores Brasileiros discutindo das idéias constantes da Constituição de 88 e dos arquitetos da "nova república"...\r
    \r
    Lembrei-me disso por conta de um artigo do cronista Carlos Eduardo Novaes em que ele tentava entender porque o Brasil não fizera sua própria REvolução Francesa. Em dado momento ele diz,\r
    \r
    "Não fazemos uma Revolução Francesa porque, para fundamentá-la com elementos teóricos que dessem corpo aos ideais revolucionários, precisaríamos de pensadores e economistas como Voltaire, Rousseau, Quesnay, Montesquieu e, por enquanto, nós só podemos contar com Delfim, Melquior, Simonsen e Roberto Campos."\r
    \r
    (é apenas para rir, não vale a pena ficar discutindo porque ele escolheu esses autores em vez de outros. digo isso porque sei que aqui no site do mises, apontariam logo para as falhas da teoria do contrato social defendida pelos autores franceses...)
  • mcmoraes  31/01/2011 08:01
    Sua menção a Roberto Campos me fez lembrar de um outro artigo.
  • mcmoraes  31/01/2011 07:59
  • Paulo Thiago  29/06/2011 19:25
    Pessoal esses links abaixo não estão funcionando!

    "Estados americanos estão aceitando ouro e prata como moeda

    Secessão em Vermont

    Conheça um pouco de New Hampshire"
  • Pedro Ivo  29/06/2012 07:36
    Leandro:

    os links em 'Estados americanos estão aceitando ouro e prata como moeda', 'Secessão em Vermont' e 'Conheça um pouco de New Hampshire' não abrem artigos. Dê uma olhada fazendo favor.

    bom fim de semana a todos
  • Johnny Jonathan  31/07/2012 01:50
    Realmente, os links não estar pegando. Uma pena, fiquei curioso com o titulo dos textos.

    Achei interessante essa poder que a constituição dar aos americanos perante ao seu estado, por isso que digo que a unica luta politica possível é nos EUA ou em países com cultura liberal, como a Suíça.
    Aqui no Brasil raramente um movimento libertário faria barulho o suficiente pra fazer a sua "revolução francesa" e mudar a constituição.
    Creio que isso só pode acontecer, se algum países do mundo importante adotar essa politica: assim como Reagan e Thatcher influenciaram o mundo nos anos 70 e frearam o o Intervencionismo, são países como este que tem um Tradição liberal que tem que fazer as suas revoluções politicas esse aspecto. No resto do mundo que não se pode fazer essa reivindicação politica, votar com os pés e migra é o melhor, claro que isso não impede de promover o estudo da liberdade, mas sou cético com relação a via politica sem tem uma constituição pra ajudar, a não ser por influencia externa.
  • Emerson Luis, um Psicologo  28/12/2013 22:16

    Passaram-se cinco anos. Alguma novidade sobre esse assunto?

    * * *
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  18/03/2015 23:00
    O Brasil é a meta.


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