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O populismo radical foi rechaçado na Argentina. O grande risco atual é o conformismo e a inércia
Para Mauricio Macri realmente vencer, ele tem de liberar a economia

O presidente Mauricio Macri foi o grande vencedor das eleições legislativas que ocorreram neste domingo, na Argentina. A vitória foi acima das expectativas: Macri ganhou em 15 das 23 províncias do país, incluindo Buenos Aires, Córdoba, Mendoza, Santa Fe e o distrito federal da capital.

Com o resultado, sua coalizão, a Cambiemos (Mudemos), se tornou o centro do poder no país, podendo até mesmo vir a substituir o peronismo como eixo central da política argentina.

As vitórias nestes cinco grandes distritos colocam Macri em uma posição de poder inédita desde 1985, a última vez que um não-peronista, Raúl Alfonsín, conseguiu resultado arrasador nas eleições legislativas de meio mandato. A vitória do Cambiemos em Buenos Aires foi especialmente significativa, pois foi ali que a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner se apresentou como candidata ao Senado. Embora ela tenha conseguido uma vaga para o Senado, perdeu a disputa para o candidato apoiado por Macri.

O grande risco desta vitória acachapante é que ela seja interpretada por Macri como uma aprovação ao seu gradualismo. O grande risco é que o presidente interprete sua aprovação popular como um sinal de que ele deve simplesmente manter tudo como está, ou seja, continuar com suas medidas extremamente tímidas e gradualistas em vez de aprofundar e acelerar as tão necessárias reformas econômicas.

Sua vitória já havia sido antecipada pelos mercados financeiros. Após as primárias de 13 de agosto (quando os eleitores votaram para definir as candidaturas das eleições de ontem), a bolsa de valores da Argentina (Índice Merval, linha preta, coluna da direita) apresentou um furioso "rali" ao mesmo tempo em que o Risco País (linha amarela, coluna da esquerda) caía ao menor valor em uma década. O fim do populismo radical kirchnerista foi motivo de alegria para os investidores.

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Portanto, dado que o governo alcançou este grau de aprovação política e esta euforia econômica com sua estratégia "gradualista", cabe perguntar: passadas as eleições, haverá maiores reformas econômicas, ou tudo seguirá igual?

A herança maldita

Durante a segunda metade do período kirchnerista, as contas do governo argentino ficaram no vermelho. O déficit orçamentário foi crescendo aceleradamente até chegar ao insustentável valor de 7% do PIB em 2015.

Tendo decretado moratória no início da década de 2000 (e reincidido em 2014), o governo não conseguia se financiar facilmente via empréstimos no mercado financeiro.  Consequentemente, teve de recorrer à inflação monetária — isto é, colocar o Banco Central para imprimir dinheiro — para financiar seus déficits. 

A criação de dinheiro — principalmente a partir de 2009 — ocorreu a uma velocidade espantosa.

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Como consequência, os preços se descontrolaram, com a carestia chegando a alcançar os níveis mais altos do ranking mundial. No entanto, dado que, em 2012, o governo decretou que era crime divulgar as taxas reais de inflação, ninguém realmente sabia qual era a verdadeira taxa de inflação de preços no país.

Para culminar, o governo Kirchner fechou a economia ao comércio internacional e adotou um discurso mais alinhado ao governo venezuelano do que ao dos países desenvolvidos.

Os resultados foram lamentáveis: 2,3 milhões pessoas caíram na pobreza durante o último mandato de Cristina Fernández de Kirchner, com a pobreza geral alcançando 30% da população. Já segundo a Unicef, havia quatro milhões de crianças na pobreza, sendo que 1,1 milhão estava na pobreza extrema. Já nos últimos seis anos do kirchnerismo, o número de pobres aumentou 5 milhões.

E, segundo um estudo feito conjuntamente pela Universidade de Buenos Aires com a Universidade de Harvard, os argentinos estavam mais pobres em 2014 do que eram em 1998, graças à desvalorização do peso e a um crescimento econômico muito inferior às estatísticas oficiais divulgadas pelo governo.

Uma das grandes causas do desarranjo da economia argentina durante o período Kirchner foi a política de congelamento dos preços dos setores de energia, de transporte e de água — que são popularmente chamadas de "tarifas de serviços públicos".

O sistema de tarifas congeladas predominou durante os últimos 14 anos e, como não poderia deixar de ser, exigiu que o governo transferisse uma enorme quantidade de recursos para as empresas produtoras para cobrir a diferença entre receitas (congeladas) e custos (em acelerado crescimento por causa da inflação monetária).

Em 2015, somente em subsídios com energia, foram gastos 170,3 bilhões de pesos, um aumento de 4.123% em relação ao ano de 2006. Em termos do PIB, os subsídios à energia, à água e ao transporte chegaram a 5% em 2014.

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Isso gerou um ciclo vicioso. Quanto mais o governo imprimia dinheiro, mais os custos operacionais das empresas aumentavam. E como os preços estavam congelados, suas receitas não subiam. Consequentemente, mais subsídios o governo tinha de dar às empresas. Só que os subsídios aumentavam os déficits orçamentários do governo, os quais eram então financiados com mais impressão de dinheiro. 

Essa ciranda resultou em uma das maiores carestias do planeta.

E, como sempre ocorre com os controles de preços, o congelamento tarifário gerou um enorme incremento do consumo (aumentou a demanda), o qual não foi acompanhado por um aumento da produção (pois as receitas estavam congeladas). Como consequência, a oferta desses serviços se deteriorou, não conseguindo suprir a demanda. 

Em um informe publicado em dezembro de 2015, foi relatado que, de 2003 a 2015, o consumo de gás natural aumentou 41%, o de energia elétrica, 58%, e o de gasolina, 153%. No entanto, com preços congelados, a oferta não acompanhou a demanda. Consequentemente, perdeu-se um estoque de reservas equivalente a quase dois anos de produção de petróleo e a mais de nove anos de produção de gás. 

Isso gerou uma deterioração dos serviços: os cortes na oferta de gás para as indústrias, que apresentaram uma taxa de 3% em julho de 2003, subiram para 17% em julho de 2015.

Na região metropolitana de Buenos Aires, as residências ficaram, em média, 32,5 horas sem luz apenas em 2015. Em 2003, a média de horas de apagão era de 8,3. Ou seja, os blecautes quadruplicaram em 12 anos.

Por fim, também segundo os dados oficiais, de 2001 a 2012, o congelamento das tarifas fez com que o gasto total com eletricidade caísse 80% em termos reais (quando se considera toda a inflação de preços). Ou seja, na prática, o kirchnerismo praticamente obrigou as empresas a distribuir luz de brinde para os usuários.

As medidas de Macri

O governo Macri, acertadamente, decidiu abolir essa política de controle de preços, a qual estava afetando severamente os investimentos nesses setores. Além da abolição do congelamento, foi anunciada também a intenção de se acabar com os subsídios.

Consequentemente, houve um reajuste tarifário que doeu no bolso dos argentinos: após a liberação das tarifas, a inflação de preços disparou e, no início de 2016, chegou a 40% no acumulado de 12 meses.

Vale ressaltar que não foram a desvalorização cambial e o aumento das tarifas dos serviços públicos o que causou essa disparada na inflação de preços, mas sim exatamente o contrário: foi o aumento de preços gerado pelo aumento excessivo da oferta monetária, que triplicou em pouco mais de 3 anos (aumento esse feito pelo governo Kirchner para cobrir os déficits orçamentários do governo), o que desarranjou toda a economia, levando à necessidade de um realinhamento do câmbio e das tarifas dos serviços públicos.

Por algum tempo, o governo Kirchner conseguiu recorrer a medidas populistas e evitar que esse efeito chegasse a todas as áreas da economia impondo controles ad hoc. Foi isso o que o governo Kirchner fez ao criar uma taxa oficial artificial para o câmbio (o "cepo" cambial), ao congelar as tarifas dos serviços públicos, e ao determinar — por meio do programa Precios Cuidados — que os supermercados não aumentassem os preços.

No entanto, o que tais programas intervencionistas realmente conseguiram lograr foi reduzir drasticamente as exportações, desestimular investimentos e acabar com os incentivos para que as empresas produzissem cada vez mais e melhores bens e serviços.

Também no front fiscal, o governo argentino eliminou as "retenções" (taxação média de 30% das exportações) para a indústria e para os produtos agropecuários, exceto a soja, cuja tarifa de exportação foi reduzida de 35 para 30%.

Tais medidas foram feitas com o intuito de recuperar as economias regionais melhorando os incentivos à produção, tanto pela redução da carga tributária que incidia sobre o setor quanto pela abolição do "cepo cambiário".[1]

Ambas as medidas — eliminação das retenções e fim do cepo cambiário — incentivaram os produtores a desestocar seus produtos e a vendê-los maciçamente para o mercado externo, trazendo dólares para o país e, com isso, trazendo alívio para as então debilitadas reservas internacionais do Banco Central argentino, que estavam em contínuo declínio desde 2011 e que voltaram a subir, pela primeira vez desde então, em 2016. Hoje, já estão no maior nível desde 2008.

Gradualismo, nadismo ou profundismo?

Por causa destas medidas de liberação de algumas tarifas de serviços públicos, eliminação das retenções, e fim do cepo cambiário, Macri foi acusado de "neoliberal selvagem", "ajustador brutal e insensível", "inimigo do povo" e outros epítetos. Só que os críticos se esquecem de que só há ajuste porque antes houve um desajuste.

Só que tudo o que foi feito ainda é muito pouco. Todas essas medidas tomadas ainda são muito pequenas quando se considera todo o fenomenal desequilíbrio feito na economia pelos Kirchner.

Logo de início, o próprio Macri anunciou que, para evitar custos sociais e políticos, as mudanças ocorreriam de maneira gradual. E assim está sendo. Há vários desajustes que nem sequer foram atacados.

Por exemplo, apesar de ter havido um recente reajuste, a tarifa de ônibus na cidade de Buenos Aires (a mais rica do país) custa apenas 34 centavos de dólar. Isso graças aos 40 bilhões de pesos (R$ 7,2 bilhões) que todos os argentinos pagam de subsídios. Qual a necessidade de manter esse esquema?

Mas o problema não se restringiu apenas às tarifas dos serviços públicos. A companhia aérea estatal Aerolíneas Argentinas dá um prejuízo ao Tesouro de 2 milhões de dólares por dia.  Os grupos de interesse e os sindicatos não aceitam sua privatização. Igualmente, a estatal petrolífera YPF registra prejuízos trimestrais milionários, e nada de o governo se desfazer dela.

O governo, com efeito, tomou nota dessas reclamações e, para ficar politicamente de bem com todos, anunciou aumentos para os aposentados e para os salários dos professores. E nenhuma reforma do setor público.

E foi exatamente no setor púbico que o gradualismo do governo consistiu em simplesmente não fazer nada ou até mesmo em aprofundar os problemas. O déficit fiscal hoje é maior que o deixado por Cristina Kirchner; a quantidade de funcionários públicos também (há 4 milhões de funcionários públicos na Argentina, sendo que aproximadamente 280 mil são fantasmas); os gastos do governo não caem; a dívida pública não dá sinais de estabilização; a inflação monetária segue alta; a economia segue fechada; a rigidez trabalhista segue intocada; e as dificuldades para empreender seguem as mesmas (o país está na 116ª posição no ranking de facilidade empreendedorial).

Que tipo de mudança Cambiemos propõe?

Se tudo se mantiver assim, rapidamente a acabará o combustível para o otimismo econômico e para a recuperação da atividade. Pior: poderá haver brechas para um novo estancamento ou para uma eventual crise por excesso de gasto e endividamento, como o país já viveu no passado.

É por isso que é de crucial importância ver como o governo irá interpretar a mensagem das eleições. Interpretará como um apoio para avançar as reformas estruturais ou verá como um pedido de mais gradualismo e nadismo?

A Argentina tem hoje cerca de 30% da população na pobreza, 34% na informalidade e apenas 25% do PIB per capita dos países ricos. É evidente que ainda há muito a ser feito. Para começar, a economia tem de crescer de maneira sólida e fundamentada.

E uma maneira de fazer isso é melhorando a competitividade do país.

De acordo com o Foro Econômico Mundial, os pontos fracos da Argentina no que tange à sua competitividade são o ambiente macroeconômico, o desenvolvimento financeiro, a eficiência do mercado de trabalho e a eficiência do mercado de bens.

Quando o país é comparado ao Chile e à Austrália, estes são os pontos em que o país tem de melhorar com mais urgência.

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Evidentemente, isso exige reformas estruturais, o que tem de ser feito agora, após essas eleições.

Para melhorar a "macro", é crucial colocar a inflação sob controle (uma verdadeira chaga na Argentina) e começar a reduzir o déficit fiscal por meio do corte de gastos, reformando o inchado setor público. Uma inflação menor e uma carga tributária mais baixa (possibilitada pela reforma do setor público) darão a estabilidade necessária para que o mercado interno e o mercado financeiro se desenvolvam.

Para melhorar a eficiência do mercado de trabalho e de bens, a reforma trabalhista é crucial. É imprescindível liberar o mercado de trabalho para facilitar a contratação e aumentar a demanda por mão-de-obra. Apenas assim os salários podem subir sem mágicas e artificialismos. Igualmente importante, como já dito, é reduzir os impostos, pois com uma carga tributária que é a mais alta da América Latina e que está entre as mais altas do mundo, poucos terão estímulos para investir e produzir com qualidade.

Conclusão

O governo argentino saiu fortalecido politicamente das eleições deste domingo. A dúvida é se aproveitará esta maior força para encarar as reformas liberalizantes ou se acreditará que o resultado eleitoral foi uma sinalização de que o que foi feito até aqui já é o suficiente.

Que não durmam sobre os louros.


[1] O cepo cambiário implantado pelos Kirchner consistia no controle do mercado de dólares pelo governo, que dificultava a compra de dólares para importações e obrigava os exportadores a converter os dólares de suas exportações em pesos a uma taxa artificialmente valorizada, o que diminuía as receitas em peso; o Banco Central pagava aos exportadores somente 63% do valor de seus produtos vendidos para o exterior. A inevitável consequência dessa medida foi estimular os produtores a estocar sua produção e vendê-la no mercado paralelo.

20 votos

autor

Iván Carrino
é analista econômico da Fundación Libertad y Progreso na Argentina e possui mestrado em Economia Austriaca pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madri.


  • Domingo  23/10/2017 14:27
    Esse negócio de funcionário público fantasma realmente é uma desgraça e parece ser uma praga na América Latina.

    No Brasil, principalmente na esfera estadual, nas assembléias legislativas, o que mais tem é funcionário fantasma (os ñoquis argentinos). Como esquecer desse vídeo?



    Eu mesmo conheço uma pessoa que ganha a vida assim. Está há mais de 35 anos fantasma na assembléia legislativa. Não acontece nada.

    Os sindicatos dos funças simplesmente não permitem demissões. E nenhum governo tem coragem de mexer com eles.

    Vejo que a Argentina é idêntica ao Brasil.
  • SRV  23/10/2017 15:09
    Copiei este comentário de outro artigo publicado semana passada.

    Consulta pública sobre demissão de concursados por mal desempenho:

    https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=128876


    Veja a quantidade de "nãos". Como vamos mudar assim?
  • Felippe  23/10/2017 16:14
    Na América Latina o funcionalismo público é uma praga, e certamente está entre as principais causas do nosso atraso.
  • Andre  23/10/2017 17:32
    Não vamos mudar, vamos quebrar e aí sim mudar, mas não muito, esteja preparado para prover você e sua família diante da dificuldade.
  • Marcelo Boz  23/10/2017 15:15
    As reformas óbvias a serem feitas, não o são pelos mesmos motivos de sempre: Foram os mesmos que ajudaram nas eleições que cobram a garantia de que no seu status quo nada seria mudado. Assim os eleitos de esquerda têm compromissos com os sindicatos, os verdes, funças de alto escalão bem remunerados, os pendurados que recebem benesses do governo etc, etc. Os eleitos de direita geralmente têm seus compromissos com as oligarquias industriais, as FIESPs da vida e, devem assim garantir fatias de mercados para esses de forma vitalícia; razão esta que as economias não são verdadeiramente abertas para a livre concorrência. E assim caminha a América Latina na sua dança do caranguejo.
  • Hidalgo  23/10/2017 15:44
    Pois é. Os argentinos não quiseram copiar o modelo venezuelano (qualquer pessoa minimamente racional faria o mesmo), mas também não querem saber de livre concorrência e redução do estado. Houve mudança de governo, mas não houve mudança na opinião pública. Sem isso, será muito difícil que a Argentina implante as reformas de que tanto necessita. Friedrich Hayek já havia chamado a atenção para isso há mais de meio século: a única maneira de mudar o curso de uma sociedade é mudando primeiro suas idéias.
  • Henrique  23/10/2017 15:59
    A ideologia é a raiz de todos os problemas ou soluções em uma região.

    Um povo ideologicamente libertário irá sempre preferir soluções pró mercado. Um povo ideologicamente socialista irá na via contrária. Ainda não vi um exemplo prático de mudança radical na cultura de um povo que o levasse a liberdade econômica voluntária, apenas compulsória, como acontece no Brasil e nos países Ibéricos da Europa.

    Lembro-me sempre de um sábio ditado passado por um professor há muitos anos: "Há cura para quase todos os males, até mesmo para a morte, como Jesus provou. A única exceção é a burrice."
  • TrezentosE  23/10/2017 16:00
    Eu vivencio isso todos os dias, tenho loja na fronteira com a Argentina e a pobreza da população deles é escancarada! Fica a família inteira fazendo contas para pagarem R$30,00 .... R$50,00 .... é uma pobreza lascada.

    E vou contar uma conversa que tive uma vez: Estava eu fazendo uma venda de R$5,00 ... R$6,00 para uma argentina e alguém começou a falar dos governos da A.L. em geral e do governo da Cristina Kirschner (presidente na época) e comparando que um pobre americano anda de carrão enquanto a classe média brasileira/argentina não consegue comprar um gol pelado.

    Ai ela me vira e fala que a Cristina era uma pessoa muito boa, ela ajudava os pobres, fazia muito pelos pobres e etc....

    Detalhe que a mulher não tinha um dente inteiro na boca, roupa parecia que saiu de um caminhão de lixo, cabelo que parecia um gambá, não tem carro pq vi que ela veio de onibus e não tinha mais que R$20,00 na carteira.

    O que me chamou a atenção é que ela não se achava pobre, ela ainda era classe média, pq não se via como os pobres que recebiam ajuda da Cristina.

    Ai vc ve a lavagem cerebral que os peronistas fizeram na cabeça deles. Todos achando que são classe média mas não tem condições nem de arrumar um dente na boca.

    Ai vc ve tb que não é só trocar 1 presidente por outro, pq a sociedade lá está enraizada naquela pobreza miserável e achando que estão bem pq alguém falou pra eles que são classe média.

    Vai no mínimo uns 50 anos de governos fazendo tudo certo pra eles voltarem a ser grandes na A.L.
  • Marcos  23/10/2017 16:12
    Essa pode parecer uma afirmação absurda, mas a economia é o menor dos problemas da Argentina. De nada adianta um presidente que entenda a economia se ele não tiver força política para fazer o que deve ser feito. E Macri não tem essa força. A política na Argentina talvez seja pior do que a brasileira. Os espaços para trabalhar são muito curtos.

    Mas o pior mesmo é o problema cultural. Esse apego ao estatismo e populismo não cessa mesmo após décadas de fracasso. Seria necessário um trabalho cultural começando do zero, como liberais e conservadores vem fazendo por aqui. Aliás, vendo os argentinos, fico com a impressão de que os brasileiros são bem mais abertos ao liberalismo, por incrível que pareça.
  • Hernan  23/10/2017 16:42
    Os argentinos são sim mais estatistas que os brasileiros, ainda mais em uma economia menos diversificada fica mais fácil fazer dirigismos políticos. E os brasileiros serão tão estatistas quanto os argentinos no dia que chegarem a ter um pib per capita argentino, flertar com liberalismo econômico a beira da falência é fácil.
  • Henrique C.  08/03/2018 01:31
    O PIB per capita real ou o imaginário, do INDEC, que o vigarista do Macri disse que iria consertar?

    Pq o real me parece que é BEM inferior. Falo pelo que vivi lá e confirma o relato do amigo que tem loja.

    E essa relação entre ter um pib maior e antiliberalismo entra na lista das maiores bobagens que eu já ouvi.

    O que sucede é o contrário, e a própria América Latina mostra isso.



  • Hernan  23/10/2017 15:16
    É o que sempre digo quando me perguntam qual a diferença entre Brasil e Argentina, a Argentina tem conserto pois está mais adiantada no rumo da história, o Brasil ainda vai passar pelo que passamos em 2001-2002.
  • Marcelo Boz  23/10/2017 19:47
    Caro Hernan,
    Muitos país em sua história chegaram diante de uma encruzilhada em que tiveram que se decidir: Ou muda por bem ou o faz no peito e na raça.
    Entendendo.
    Muitos países mudaram o curso de sua história numa guinada positiva através de uma guerra interna, uma guerra civil mesmo. Chega um ponto que a população acorda e percebe que está sendo explorada desde sempre. Pressões populares por mudanças começam a ocorrer. Se houverem bons lideres eleitos nas eleições daquele tempo, as coisas mudam em ambiente de paz. Mas, a história mostra que isso geralmente não ocorre. Geralmente as coisas mudam para melhor após um conflito sério, onde todas as instituições são colocadas em xeque na sua legitimidade.
    Creio que a maioria dos países da América Latina só sairão dessa situação, desse Status Quo, bem claro e definido, que a riqueza gerada não serve a população, mas a uma oligarquia sanguessuga, através de uma revolta popular.
    Creio que o Brasil encaminha para tal. O rompimento desse Status Quo é preciso. E, sinceramente, uma guerra civil, nesse sentido, não vejo como algo negativo.
  • AGB  23/10/2017 22:19
    Na América Latina já houve dezenas de guerras civis. O resultado foi mais do mesmo: estatismo, patrimonialismo, mercado monopolizado sob a égide dos habituais "salvadores da pátria". Vale lembrar que o Chile sempre foi um país mais democrático em relação aos demais vizinhos. No século XIX utou vitoriosamente contra a Espanha e depois contra o Peru. Imagine o Paraguai vencendo o Brasil e ocupando o Rio de Janeiro. Se a mentalidade do povo não mudar, uma guerra civil vai acabar num regime totalitário como ocorreu na Rússia em 1917.
  • Henrique C.  08/03/2018 01:34
    O que a Argentina passou em 2001-2002 foi consequencia do populismo cambial do governo Menem, que o Brasil felizmente escapou agora.

  • Arthur  08/03/2018 02:59
  • Hernan  08/03/2018 11:07
    O Brasil irá colapsar tal qual Argentina o fez em 2001, olhe sua dívida pública grande e expandindo, déficit público que nunca tiveram em tempos de moeda estável, um sistema previdenciário em vias de quebra e conjunto de leis que impedem o corte de gastos públicos em razão do conceito deturpado de direito adquirido. Nas rodas de reunião dos ministérios de comercio e indústria e sindicatos patronais de exportadores de Argentina, Paraguay e Chile, países muito dependentes do Brasil, a falência de vocês nos próximos 2 anos é considerada certa e na melhor das hipóteses conviverão com inflação de 2 dígitos como nós argentinos.
  • Luiz  23/10/2017 15:42
    Socialista só quer saber de controle, controlar a mídia, preços, o povo, controlar a América...
    Os planos são audaciosos
  • Marcos  23/10/2017 16:04
    Uma coisa que impressiona negativamente na Argentina é como a destruição da moeda se tornou corriqueira e rotineira. Lá, uma inflação mensal de 2% é tida como natural e normal.

    www.lanacion.com.ar/inflacion-y-precios-t46867
  • anônimo  23/10/2017 16:10
    Na América Latina políticos têm carta branca para destruir a economia e jogar milhões de pessoa na pobreza, bastando para isso se apresentar como inimigo do livre mercado e preocupado com o social.
  • Salazar  23/10/2017 16:32
    Na América Latina, muitos falam do exemplo do Chile, mas poucos se lembram de outro caso de sucesso que foi o Fujishock no Peru. Feito em 1990, foi um raro exemplo de bom senso econômico neste continente.

    Com uma inflação de 7.000%, com uma economia toda fechada e engessada, com déficits orçamentários gigantescos e com todos os gastos indo para o funcionalismo público e subsídios, o governo -- utilizando um plano elaborado pelo grande economista Hernando de Soto -- reverteu tudo isso de uma vez só: zerou o déficit, acabou com os subsídios, acabou com a inflação monetária, passou a tesoura no funcionalismo público e abriu a economia para as importações.

    O negócio foi tão radical até o ministro da economia da época pediu a ajuda de Deus em cadeia nacional, e apesar de todo o peso do ajuste, a população aceitou e anos mais tarde referendou a atual constituição liberal que rege o Peru.

    Mas, desde então, foi o país que mais cresceu na América Latina, e o que mais reduziu a pobreza. Hoje o Peru é o maior caso de sucesso do continente. Um país que era paupérrimo hoje compete de igual para igual no mercado internacional. Deixou os bolivarianos de lado e hoje é aliado de Chile e Colômbia (os dois países mais sérios da América do Sul) no mercado do Pacífico.

    Mas como é um país pequeno, poucos dão a devida atenção.
  • Henrique  23/10/2017 16:43
    Os peruanos são muito bons. Simples, bem humorados em tudo que fazem, e muito, muito trabalhadores. Seja como empregado, agente de trading ou como empreendedor eles dão duro em tudo que fazem. Logo, foram eles próprios que pediram pelas reformas do fujishock.

    Já o argentino padrão criou as mesmas bases morais socialistas que o venezuelano: querem um Estado enorme, muitos direitos positivos e impostos para os ricos. Lamentável.

    Se o argentino não quer reformas, é porque ele não quer trabalhar. Não é questão de ignorância. Não estamos avisando crianças que esse ano não vai ter presente no natal. São adultos plenos, conscientes do que estão fazendo... quase duas décadas de caos. É o mesmo caso da Venezuela.

    Mas não é muito diferente daqui do Brasil não.
  • Felipe Lange S. B. S.  23/10/2017 23:59
    Muito interessante!
  • marcela  23/10/2017 18:43
    Não comemorei a vitória do Macri. Aliás acho que é por culpa desses liberais de meia tigela que o comunismo e marxismo cultural jamais serão varridos do mapa. Caso existisse no mundo apenas uma dicotomia entre nós ANCAPS e os socialistas, em breve eles seriam extintos da face da terra. Aconteceria da seguinte forma: o povo faria experiência com o Kirchnerismo, não ficaria satisfeito com os resultados e como a outra única opção seria o anarcocapitalismo, o povo iria certamente se organizar em sociedades ANCAPS, obtendo resultados satisfatórios. O problema é que tal dualismo não existe no mundo. De fato entre nós libertários e os bolivarianos, existem uma série de grupos que impedem que aconteça uma vitória definitiva sobre o comunismo no mundo. Liberais clássicos, neoliberais, sociais democratas, toda essa caterva, sem apreço por questões éticas e morais, são eles os grandes culpados por pessoas como Lula e Cristina Kirchner não serem execradas de uma vez por todas.
  • Glória  24/10/2017 00:00
    Pois é. O problema é que o mundo é muito diverso, e não se divide dessa maneira brutalista como muitos gostariam que fosse. Não é?
  • Leigo  24/10/2017 13:00
    Esses ancaps são meio loucos, não?
  • Demolidor  24/10/2017 16:50
    Embora eu não me considere um ANCAP (na verdade, acredito ser mais estável, a longo prazo, uma forma cingapuriana ou suíça de governo), eu concordo contigo. A verdade está no extremo, não no meio.

    Para quem acredita que a verdade está no meio, imagine uma legislação que estipule que o ladrão não deve levar todos os seus bens, mas apenas 50% deles durante um assalto, deixando-te com vida e documentos para que possa continuar trabalhando e produzindo. É um meio termo que atende aos interesses do ladrão e do assaltado. Seria bom para a população?

    Pois vejo esses liberais de meia tigela da mesma forma. Nem mesmo reformam o estado para o deixarem mais enxuto. Continuam, simplesmente, permitindo o esbulho. Ficamos com uma esquerda estatista e exploradora e uma direita hipócrita, que diz uma coisa e faz outra.
  • Marcelo Boz  23/10/2017 18:45
    A única vantagem do Brasil em relação aos demais países da América latina foi o esforço de industrialização. Isso fez nossa economia mais diversificada. Contudo, como se vê, isso ocorreu com imensa cartelização e controle de mercado. Assim nossa baixa competitividade é explicada, apesar dos esforços.
  • Luiz Moran  23/10/2017 19:59
    Macri é apenas menos ruim que a sua antecessora, e isso até mesmo um avestruz adestrado conseguiria, tal qual estamos vendo aqui no Brasil com o comuna do PMDB pós-impeachment, no mais, Macri segue a tradição latina de estatismo regado a populismo e "bem-estar social", uma praga que só será eliminada com uns 30 ou 40 anos de desmoralização dos agentes socialistas que impregnaram a mídia, o show business e o mundo acadêmico.

    O mesmo valerá para o Brasil em caso de vitória do Bolsonaro.
  • Dam Herzog  23/10/2017 22:07
    Enquanto o povo achar que existe almoço gratis, que o governo cria riqueza e que privilegios adquiridos são direitos que o poder publico pode tudo, nosso povo irá penar muitos anos ainda com a pobreza. Enquanto tiver empresas públicas e o estado for grande viveremos de deficit em deficits, com a desvalorização do dinheiro e acusando erroneamente os que criam riquezas de gananciosos e por isso devem ser supertaxados. A Nova Classe de politicos tomou conta dos governo e poderosa vive uma vida de prazeres as custas da ignorancia da maioria que não sabe votar. A interferencia na vida economica das pessoas cria a ineficiencia e as falacias do estatismo minam o progresso que o pais poderia ter se houvesse competitividade em nivel nacional e o direito de entrada e saida dos atores da economia. Mas as falacias economicas são deficeis de serem combatidas e o povo tem tendencia de escolher os piores que nunca mudam de direção o tem vergonha de mudanças. Assim caminhará o pais até que a situação piore. Só assim podera ter mudanças, já que a economia não mente.
  • Skeptic  23/10/2017 22:17
    Seria exagero dizer que o Macri é uma espécie de Temer na economia?
  • Realist  23/10/2017 23:26
    Temer é melhor.
  • douglas  24/10/2017 08:21
    A única maneira de fazer povos do terceiro mundo adotar ideais da direita é na marra,como o ditador Pinochet fez,(um dos poucos assassinos que deixou uma herança bendita)e mesmo assim os Chilenos gostam de brincar com fogo,elegendo esquerdistas como a Michelle,independência do estado não é para todos.
  • anônimo  24/10/2017 09:13
    Quando os desenvolvimentistas brasileiros irão entender que a economia e a tecnologia não são coisas estáticas?

    https://tecmundo.com.br/amp/mercado/123357-falencia-oi-deixar-2-mil-cidades-internet-telefone.htm

    Se uma empresa com essa reserva de mercado conseguiu falir, significa que é demasiada ineficiente. Outras empresas (que a burocracia e parasitismo público não deixam surgir) devem assumir seu lugar.
  • Ultra-Conservador  24/10/2017 11:09
    A Argentina melhorou, mas continua sendo a república do Pão-de-Mel.

    A Tina Maluca é a nossa Dilmanta.

    Os governos estão atrapalhando a vida das pessoas. Por exemplo, essa lei Roubanet é a mesma coisa que sair desligando aparelhos em uma UTI. Os caras estão trocando filmes e shows por vidas. Essa lei Roubanet é coisa de terrorista.

    Ser conservador é preservar vidas. Não ao terrorismo !!!
  • Francisco  24/10/2017 14:25
    Cirão, o jagunço vem ai!

    https://www.youtube.com/watch?v=WKmnrEx4U7w

    Esse negócio de plebiscito já me preocupou.
  • Ricardo  25/10/2017 17:46
    kkkkkkk
    Eu sei que os liberais se preocupam com o Ciro, muitas questões que vocês defendem ele defende como ortodoxia fiscal, câmbio valorizado entre outros, só que sua política é totalmente desenvolvimentista. Porém é de longe, o candidato mais preparado para assumir a presidência depois de Éneas, não vamos cometer o mesmo erro, não é mesmo?

    #Ciro2018
  • Observador  25/10/2017 18:39
    As propostas de Ciro Gomes são idênticas a todas as que foram implantadas durante o governo Dilma. Absolutamente as mesmas, sem tirar nem por.

    Ele defende empréstimos subsidiados a grandes empresas e reservas de mercado para o grande baronato industrial. Seu programa de "compras governamentais" nada mais é do que a transformação do empresariado em funcionários públicos: o baronato industrial produz, o governo compra (com o nosso dinheiro).

    O governo diz para o baronato: "produz aí pra gente um chip pra míssil teleguiado!" (Ciro tá com essa mania de grandeza agora). "Sim, patrão!", responde o empresariado. E aí o governo pega nosso dinheiro de imposto e compra.

    O consumir fica totalmente de fora desse arranjo (sendo coercivamente obrigado a dar o dinheiro, é claro). A economia passaria a ser inteiramente conduzida por um conluio entre grandes empresários e governo.

    A FIESP adoraria ter Ciro Gomes como presidente.

    Aliás, não deixa de ser curioso: o mesmo cara que vitupera tanto a "plutocracia paulista" quer implantar programas que irão favorecê-la como nunca.
  • Lel  25/10/2017 22:56
    "Aliás, não deixa de ser curioso: o mesmo cara que vitupera tanto a "plutocracia paulista" quer implantar programas que irão favorecê-la como nunca."

    Getúlio Vargas fez exatamente a mesma coisa. Não deixou SP se separar, mas as tarifas protecionistas, a imposição da CLT e de um salário mínimo igual para o território continental inteiro deu um tiro na cabeça do potencial de desenvolvimento de outros pontos do país.
    Para quê irei investir no Nordeste subdesenvolvido se os custos para empreender no Sudeste desenvolvido são praticamente os mesmos?
  • Ricardo  26/10/2017 16:16
    Você está dizendo que Vargas é o culpado pela desastre econômico do país no século passado?
    É isso mesmo? É a nova estratégia dos neoliberais culparem o intervencionismo ao invés do neoliberalismo?

    E o salário mínimo de Vargas havia discrepância entre as regiões do Brasil, foi estabelecido pela CF de 1934, apenas a partir de 1984 que o SM é unificado no País.

    Foram outras causas.

    E havia indústrias no nordeste, em SP a maioria das fábricas eram tecelagens de algodão. O que tornou o sudeste desenvolvido foi a imigração europeia.

    O resto é discurso de neoliberal.
  • Matheus G  27/10/2017 13:34
    Ricardo

    Tudo que você disse já rebati em uma matéria sobre assuntos de defesa, eu estou com muita preguiça para te responder adequadamente.

    Dá uma passada lá para ver a conversa que tive com Eparro: www.forte.jor.br/2017/10/14/plebisul-maioria-vota-pela-separacao-de-rs-sc-e-pr-do-brasil/
  • Kek  29/10/2017 08:40
    Quais foram as causas então, Ricardo? Não há outras causas responsáveis para o fracasso brasileiro que não sejam o intervencionismo, o protecionismo e o desenvolvimentismo. O Brasil sempre foi o paraíso de qualquer tipo de keynesiano.

    Aliás, e daí que o salário mínimo era diferente entre as diferentes regiões do Brasil? Qual a grande diferença entre 1 mil e 2 mil atualmente? O poder de compra era praticamente o mesmo porque o governo federal não possui a capacidade de saber qual o salário mínimo "ideal" para cada região.
    https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/190960/edvaldo.pdf?sequence=7

    E você não sabia que os holandeses se instalaram no Nordeste, enquanto os portugueses, e posteriormente italianos e alemães, se instalaram no Sudeste? É, no mínimo, muita coincidência que apenas depois da década de 30 o Nordeste simplesmente estagnou em comparação ao Sudeste e os nordestinos começaram a ir pra SP.
  • Mr Richards  29/10/2017 22:27
    Não precisa ir muito longe para saber que mesmo havendo discrepância do salário mínimo entre as regiões, esse arranjo foi totalmente prejudicial ao nordeste.

    Se eu não me engano, a diferença era de 2,63 entre o maior salário e o menor salário, vou argumentar que o menor salário era o nordeste, enquanto o maior era o sudeste. Veja que nesse ambiente, o nordeste nunca seria 2,63 menos produtivo do que o sudeste, o sudeste era muito mais produtivo do que o nordeste. Apenas para comparar, os americanos são 4x mais produtivos do que os brasileiros, se você pegar a diferença de salário brasileiro e aplicando a taxa de câmbio com o dólar, verá que o nosso salário mínimo é 4x menor do que os americanos, isso é um reflexo da nossa produtividade que é extremamente baixa, e isso porque ainda somos mais produtivos do que muitos países que se assemelham com o nordeste da década de 30, posso citar países como Bangladesh, Indonésia, Timor-Leste entre outros, se você pegar esses países e comparar com os americanos verá que a diferença entre produtividade é muito maior, e o salário da indústria que é o abordado no assunto é extremamente sensível ao nível da produtividade desse setor.

    Portanto, mesmo havendo discrepância entre os salários, o decreto do salário mínimo arruinou o potencial do nordeste, que poderia ser na década de 50-60 a China brasileira.

    O mais engraçado é que o site postado pelo Matheus G mostra no comentário do Emmanuel que ele confirma indiretamente esta história. Com o nacionalismo de Vargas, o nordeste foi quase proibido de comprar produtos importados mais baratos do que os produzidos no sudeste, com isso o Emmanuel que trabalha ou trabalhava em um setor relacionado a isso, disse que os equipamentos novos importados ficavam no sudeste - para a plutocracia paulista - enquanto que os velhos equipamentos subiam para o nordeste. haha
    E tem mais, o Eparro tem que saber que décadas de crescimento econômico mesmo com eventos políticos e econômicos em crises temporais, ainda sim é possível ter algum desenvolvimento e alguma industrialização, e isso aconteceu com o nordeste, principalmente na década de 90 e na primeira década do século 21. A questão levantada pelo Matheus G como bem disse ele, o fato é que o nordeste poderio ter se desenvolvido e industrializado ainda na década de 50-60 se transformando numa China brasileira.
  • Historiador  26/10/2017 16:34
    Aproveitando a deixa sobre Getulio Vargas, é sempre delicioso ver como o varguistas que dizem que Getulio fortaleceu o nordeste são totalmente incapazes de ver a ironia deste afirmação. Foi justamente Getulio Vargas quem tornou o nordeste totalmente dependente do governo federal.

    Vargas, ao impor seu nacionalismo e proibir a livre importação de bens, ajudou exatamente a plutocracia industrial do sudeste, concedendo-lhes uma reserva de mercado. Os nordestinos, por conseguinte, foram proibidos de comprar bens baratos do exterior, sendo obrigados a pagar caro pelos bens nacionais fabricados pela plutocracia do sudeste. Vargas obrigou os nordestinos a sustentar os barões de São Paulo.

    Mas a coisa é ainda pior: ao impor um salário mínimo nacional, Vargas retirou completamente a competitividade dos nordestinos. Afinal, se o salário mínimo é o mesmo, por que empreender no nordeste e não no sudeste?

    Vargas jogou o nordeste na miséria para beneficiar os poderosos no sul/sudeste. E os governos subsequentes, para manter este arranjo, passaram a comprar os nordestinos com assistencialismo.

    A migração nordestina em massa começou exatamente no período Vargas. E nunca mais acabou. Um patriota!
  • Leandro  26/10/2017 17:07
    Na verdade, essa política do Ciro Gomes de "compras governamentais" seria ainda pior que a da Dilma.

    Dilma tomava dinheiro do povo, repassava ao BNDES, e então emprestava a grandes empresários a juros irrisórios. No entanto, esses empresários ao menos tinham de produzir algo para vender para o povo. É claro que era uma mamata por causa dos juros baixos, mas ainda assim eles tinham de ao menos tentar agradar os consumidores. No extremo, se ninguém comprasse seus produtos, eles iriam à falência.

    Já o programa de "compras governamentais" de Ciro Gomes não só retira completamente o consumidor da equação, como ainda promete receitas garantidas para as empresas. As empresas não precisam produzir nada que agrade aos consumidores; tudo o que elas precisam fazer é produzir aquilo que os burocratas do governo determinarem. Fazendo isso, elas receberão do governo uma renda garantida (com nossos impostos).

    Isso é o sonho de todo e qualquer empresário inepto: não há necessidade de se submeter às ordens dos consumidores e as receitas são asseguradas pelo governo com nossos impostos.
  • Ricardo  26/10/2017 19:59
    Sua visão está muito limitada sobre o Ciro, Leandro.

    www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/10/ciro-gomes-nega-candidatura-mas-apresenta-plano-de-governo-7017.html
    www.jb.com.br/pais/noticias/2017/05/09/ciro-gomes-propoe-na-coppe-medidas-para-retomada-do-desenvolvimento-nacional/
    https://www.cartacapital.com.br/dialogos-capitais/o-brasil-precisa-de-um-projeto-de-desenvolvimento-9113.html
    www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/152/materia/513393/t/em-visita-a-cuiaba-ciro-defende-industria-nacional-e-agronegocio

    Eu nunca vi um candidato falar sobre tantos assuntos importantes e estratégicos para o país.

    Seu projeto é focado na industrialização para mitigar a miséria. Como?

    Complexo nacional do petróleo e gás continuando abastecendo o mercado interno e exportando parte como meio de mitigar desequilíbrios na balança comercial. Dominando blocos importantes de tecnologia como polímeros para o refino da produção entre outros.
    Outro é o complexo industrial da saúde, para tirar o país da dependência internacional de medicamentos, equipamentos, próteses, tecnologia na área de diagnósticos – muitos dos quais, segundo ele, com patente vencida. Ele propõe a criação de uma planta produtiva no Vale do Ribeira, região mais pobre do estado de São Paulo, com foco na compra governamental, com frete descontado do preço. "A escala será ganha por concorrência cooperativa. Poderemos amadurecer nos Brics um regime de preferencia comercial em alguns setores, como de fármacos."
    As importações de produtos de saúde não são exceção, mas regra, segundo Ciro. A agricultura, que somada ao agronegócio lidera a balança comercial brasileira, gasta 40% de seus custos de produção com produtos importados. "O agronegócio cresceu no País porque está em uma linha de financiamento do governo e tem uma Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] desenvolvendo tecnologia para o setor", afirma. "Apesar disso, somos um dos líderes do agronegócio mundial, mas não temos uma indústria de agrotóxico, fertilizante, implemento agrícola."
    Ciro destaca ainda o complexo industrial do agronegócio. Para ele, significa "o agronegócio mais competitivo do planeta tem 40% dos custos de produção na importação de insumos, como fertilizantes, agrotóxicos e equipamentos.
    E por último o complexo industrial da defesa. "O Brasil processa suas informações e comunicações militares por intermédio de satélites norte-americanos, o que é inacreditável. E os Brics têm chance de transferência tecnológica. Ao desenvolver tecnologia para satélites, é possível desenvolver aptidões para mil usos de microeletrônicos, de foguetes, combustíveis, além de criar mecanismos de financiamento para a garotada, nas vocações e aptidões nacionais. O navio brasileiro é guiado por sistema de GPS norte-americano. Os europeus estão fazendo, a China está fazendo. Mas para fazer GPS tem de ter domínio aeroespacial. Se um navio sair do Rio para o Amazonas e o americano desregular o GPS, vamos parar em Angola. Não quero brigar com ninguém, nem com imperialismo americano ou chinês e sim a solução pacífica dos conflitos."
    O dinheiro para o projeto, conforme ele, viria com a redução da taxa de juros, invertendo-se a atual lógica com foco na remuneração do capital, com o qual o Brasil esta gastando 45% do seu orçamento. "Assim não teremos outro objetivo senão o de crescer. Vou reduzir a taxa de juros constantemente até um patamar global. Não estou dizendo que vou ser presidente ou candidato, mas que vou propor no projeto mudança no sistema tributário que vai fazer proezas. Como metade da economia está na informalidade, fazer alguns movimentos que já fiz como governador."
    Uma das primeiras medidas, segundo ele, seria propor a revogação da "inacreditável lei de FHC que revogou a tributação sobre lucros e dividendos. De acordo com Ciro, os países da OCDE cobram sobre lucros. "Todos, menos a Lituânia e o Brasil."

    Ciro já disse que poderíamos ter uma taxa de 6% ao ano, que ela estaria acima da média mundial, e seria mais de 2% acima da inflação projetada. Ela seria atrativa para os compradores dos títulos da dívida pública e permitiria uma folga fiscal para o país se desenvolver.
    Na avaliação de Ciro Gomes, há três razões fundamentais que impedem o crescimento econômico do país. A primeira é o passivo da iniciativa privada. "As 300 maiores empresas de capital aberto do país não conseguiram gerar caixa suficiente para pagar o último trimestre de dívida vencida. A capacidade de investimento privado esgotou. A segunda é o colapso das finanças públicas brasileiras. A União disponibilizou para investimentos, em seu orçamento para 2017, o equivalente a 0,4% do PIB (Produto Interno Bruto), e eu não acredito que cumpra. O governo Lula investia 1,7% e o governo Geisel, 2,5%. Ao passo que gastaremos esse ano, 11% do PIB para pagar juros da dívida".
    O terceiro motivo apontado por Ciro é o desequilíbrio estrutural das contas externas do país. "Temos esse desequilíbrio porque estamos nos desindustrializando. A indústria voltou a representar para o PIB o que ela representava em 1910. Tivemos, em nosso último ano de crescimento econômico, 124 bilhões de dólares em déficit no comércio de produtos industrializados", lamentou.
    Para fazer frente a esses três entraves ao crescimento, Ciro propôs um igual número de medidas: "elevar a formação bruta de capital; realizar uma coordenação estratégica entre o governo empoderado democraticamente e o empresariado liberto da esquizofrenia rentista; e investir em gente, aumentando o gasto per capita em educação".

    "Um país com 8,4 mil km² de costa abriu mão de sua marinha mercante. Nossos produtos agora são fretados em embarcações estrangeiras, pagando em dólar. Destruímos também o setor de seguros e resseguros. Temos um déficit de 124 bilhões de dólares em produtos manufaturados e vamos somar a este déficit o desequilíbrio em outras rubricas. É uma prostração ideológica ao mito neoliberal. A mistificação é mistura de ignorância e desonestidade, nessa associação de plutocratas com seus órgãos de mídia", critica Ciro Gomes.
    De acordo com o ex-ministro, a espontaneidade das forças de mercado nunca resolveu as crises em lugar algum, e citou o exemplo dos Estados Unidos. "A América seria o que é sem o New Deal, uma leitura pragmática de Keynes? Sem as compras governamentais, sem trilhões de dólares investidos em pesquisa, a pretexto da defesa militar ? Temos que eleger alguém para resolver as coisas e esse alguém é o Estado, que não precisa ser corrupto, balofo, cheio de maus exemplos. Uma economia política em que o Estado seja coordenador dessa reversão de expectativas, em conjunto com a iniciativa privada".
    Segundo Ciro, o Brasil possui três importantes assimetrias econômicas que vão na direção oposta ao que acontece no mundo: as condições de financiamento, a escala produtiva e o desenvolvimento de tecnologia. Para ele, a taxa de financiamento público é pequena em comparação a outros países. Com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a taxa de financiamento chegou a 17%, porém com o ajuste fiscal o nível de investimento caiu para 14%. Em relação à escala de produção, o ex-governador salienta que no Brasil, sete em cada dez empregos vem de pequenas empresas, que produzem em pequena escala e não participam do comércio global.
    Como lembrou David Barioni, há 16 milhões de empresas brasileiras, mas apenas 20 mil exportam, sendo que destas apenas 100 empresas respondem por 70% do volume de exportações. O Brasil é a sétima economia do mundo e o sétimo país em atração de investimentos, mas apenas o 28º país na lista de maiores exportadores.
    É, contudo, a política de desenvolvimento e inovação tecnológica brasileira o que mais preocupa. "Há um aprofundamento do hiato tecnológico entre as vanguardas produtivas e a situação brasileira", afirma Ciro. Segundo ele, o Brasil possui um mercado interno robusto que importa desnecessariamente produtos industrializados que tem condições de produzir. "Por ano, compramos 15 bilhões de dólares do complexo internacional da saúde. Dessa compra governamental, 76% é patente vencida, que com engenharia reversa você monta uma fábrica e faz".
    O governo deve planejar em que ponto é interessante para o País investir e desenvolver tecnologia nesta área. "É preciso saber como o País entra na cadeia de valor de um produto e da importância do que se produz para essa cadeia. É mais importante exportar minério para eletroeletrônicos ou desenvolver softwares? Isso entra na questão de educação e de ciência e tecnologia no governo".
    Outro fator que impede o fortalecimento da indústria e os investimentos em infraestrutura no Brasil são as taxas de juros, segundo Gomes."A rentabilidade dos papeis do governo é mais alta que a rentabilidade média dos negócios e é por isso que os investimentos no Brasil estão parados", disse.
    Para ele, a manipulação dos juros para controlar a inflação ou por fins políticos gera um ambiente de investimento inseguro. "Temos inflação de custos porque manipulamos o câmbio para fins eleitorais. Como alguém vai querer exportar com um câmbio que não sabemos para onde vai? Primeiro manipulamos o câmbio para estimular o consumismo, agora é para controlar a inflação", afirma.

    Tributação do agronegócio

    Questionado se é a favor ou não da cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), além dos impostos federais que, pela Lei Kandir, são desonerados nos produtos primários destinados à exportação, Ciro Gomes defendeu que isso seja mantido e que a tributação ocorra não na produção, mas sim no lucro.

    "Se for a retenção de lucro, é possível pensarmos nisso, mas na produção, nós temos que desonerar o máximo, até porque produto destinado à exportação não se deve tributar. Não é tecnicamente correto tributar produtos destinados à exportação. E para o mercado interno, não é correto tributar comida porque isso vai direto no preço da comida do povo", explicou.

    O ex-ministro também falou da possibilidade de manter a eficiência econômica dos produtores em equilíbrio com a distribuição de renda à população. "É por um sistema tributário progressivo que permita que você estimule a produção, estimule o investimento, ajude o produtor a competir. E depois que ele tiver muito sucesso você tributa progressivamente essa rentabilidade e distribui renda, educando melhor o povo, fazendo saúde pública qualificando as estruturas pública do país", asseverou.

    Poderia incluir mais, mas por hoje acho que chega. Volto outro dia e complemento.
  • Lel  12/11/2017 10:17
    Só nesse último ponto (tributação do agronegócio) já irá matar completamente o que ele propôs no início (industrialização para mitigar a miséria).

    As propostas de Ciro Gomes são idênticas a todas as que foram implantadas durante o governo Dilma. Absolutamente as mesmas, sem tirar nem pôr.

    Ele quer aumentar a tributação sobre os lucros do agronegócio para o governo conseguir uma arrecadação maior (ao invés de cortar gastos, ele quer parasitar mais) e fazer empréstimos subsidiados a grandes empresas e reservas de mercado para o grande baronato industrial. Seu programa de "compras governamentais" nada mais é do que a transformação do empresariado em funcionários públicos: o baronato industrial produz, o governo compra (com o nosso dinheiro).

    O governo diz para o baronato: "produz aí pra gente um chip pra míssil teleguiado!" (Ciro tá com essa mania de grandeza agora). "Sim, patrão!", responde o empresariado. E aí o governo pega nosso dinheiro de imposto e compra.

    O consumir fica totalmente de fora desse arranjo (sendo coercivamente obrigado a dar o dinheiro, é claro). A economia passaria a ser inteiramente conduzida por um conluio entre grandes empresários e governo.

    A FIESP adoraria ter Ciro Gomes como presidente.

    Aliás, não deixa de ser curioso: o mesmo cara que vitupera tanto a "plutocracia paulista" quer implantar programas que irão favorecê-la como nunca.

    Getúlio Vargas queria industrializar rapidamente e integrar o país (como os militares), mas suas políticas protecionistas e desenvolvimentistas destruíram completamente o potencial de desenvolvimento das regiões pobres e mantiveram apenas o sudeste como desenvolvido. Não permitiu São Paulo se separar, mas entregou o Brasil inteiro nas mãos de São Paulo.

    É o típico político: promete uma coisa, mas faz políticas que irão trazer resultados completamente opostos.

    Aliás, é impressionante a capacidade dos brasileiros continuarem acreditando que o desenvolvimentismo irá transformar esse país em um país sério logo após o país estar completamente falido exatamente por causa de uma década de desenvolvimentismo pleno.

    Três longas experiências (Getúlio Vargas, Milicos e PT) não foram o suficiente para mostrar que desenvolvimentismo não irá levar esse país para lugar nenhum, que não seja dar os famosos "voos de galinha"?
  • anônimo  28/10/2017 21:25
    Eu amo esse país.
    https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1931082-veja-regras-e-duvidas-sobre-a-cobranca-de-multas-aos-pedestres-e-ciclistas.shtml

    Carro: R$40.000 em uma carroça de plástico.

    Ônibus/metrô: 2h em uma lata de sardinha fedorenta.

    Bicicleta ou a pé: é atropelado e depois multado.
  • Emerson Luis  26/12/2017 19:32

    Se o Macri tentar fazer o que ele deve, será que os argentinos vão apoiá-lo?

    * * *
  • Reginaldo  03/09/2018 22:53
    Com três anos de atraso, Macri reconhece que o gradualismo falhou (duh!). Será que esse cara não conhece a literatura econômica?

    www.clarin.com/politica/discurso-macri-presidente-busco-alejar-fantasmas-propios-agitar-ajenso_0_rJcVVn5DQ.html


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