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Todas as políticas governamentais são bem-sucedidas no longo prazo
Se você discorda, é porque está olhando para o lado errado

"Trata-se de uma afirmação totalmente estapafúrdia!". 

É o que você certamente está pensando após ler o título. Afinal, "políticas que não deram certo" é o tópico principal de todas as discussões e debates sobre medidas governamentais. Qualquer indivíduo, independentemente de suas preferências políticas, tem uma lista contendo aquelas que ele considera serem as mais explicitamente fracassadas políticas adotadas por um governo.

No entanto, esta maneira de ver as coisas está completamente errada.

As pessoas dizem que uma determinada política foi um fracasso porque ela não gerou o objetivo declarado. Por exemplo, políticas assistencialistas não reduziram a pobreza. Políticas de guerra às drogas não reduziram a criminalidade. Políticas educacionais não melhoraram a educação e nem a qualidade da mão-de-obra. Políticas de segurança pública não reduziram a violência e não deixaram as pessoas mais seguras. Políticas protecionistas não estimularam a indústria. Políticas de subsídios não geraram crescimento econômico. Agências reguladoras não melhoraram a qualidade dos serviços. Etc.

Qual o grande erro desta análise? Simples: ela levou a sério os objetivos proclamados de cada política. Ela se esqueceu de que praticamente tudo o que o governo faz é distribuir benefícios e privilégios para determinados grupos à custa de toda a população ao mesmo tempo em que engana essa população dizendo que tal política clientelista será boa para ela própria.

A melhor maneira de entender por que o governo na realidade possui um histórico quase que impecável de políticas de sucesso é analisar para onde está indo o dinheiro. "Siga o dinheiro" é a prática que nunca falha. Sem muita dificuldade, você sempre conseguirá chegar até os indivíduos e grupos de interesse que verdadeiramente se beneficiam com uma determinada política. 

Toda e qualquer política implantada visa a beneficiar determinados grupos, sejam eles empresariais, de funcionários públicos ou de eleitores poderosos. O governo não dá ponto sem nó. Ele sempre diz que está adotando uma determinada política "para o bem da nação e da economia como um todo", mas os reais beneficiados serão apenas alguns poucos, e sempre à custa de todo o resto. Eis alguns exemplos.

Políticas educacionais são implantadas não para estimular a inteligência e o raciocínio próprio dos alunos, e nem para criar uma população mais preparada e qualificada, mas sim para beneficiar os poderosos sindicatos dos professores.

Políticas industriais e protecionistas são implantadas não para gerar uma indústria nacional competitiva e pujante, mas sim para garantir uma reserva de mercado para essas indústrias e proibir os consumidores de comprar produtos bons e baratos do estrangeiro. São políticas que visam a proteger as empresas ineficientes, seus empresários e seus sindicatos contra as verdadeiras demandas dos consumidores.

Políticas de subsídios e de empréstimos subsidiados não têm como objetivo aumentar a oferta de produtos bons e baratos para a população, mas sim garantir privilégios e altos lucros para os amigos do regime.

Políticas assistencialistas são mantidas e expandidas não para retirar as pessoas da pobreza e torná-las auto-suficientes, mas sim para manter os pobres na pobreza e com isso garantir que eles continuarão eternamente dependentes do governo, o que sempre garante votos.

Agências reguladoras foram criadas não para proteger os consumidores e garantir bons serviços, mas sim para impor barreiras à entrada da concorrência no mercado e com isso garantir um mercado cativo para as empresas já estabelecidas. Os setores bancárioaéreotelefônicointernetelétricopostos de gasolina etc. são os exemplos mais visíveis de setores em que a livre entrada da concorrência foi abolida pelas agências reguladoras para proteger as empresas já estabelecidas e prejudicar a liberdade de escolha dos consumidores.

Universidades "públicas e gratuitas" foram criadas não para criar uma população altamente capacitada e produtiva, mas sim para açular a classe média pagadora de impostos, devolvendo-lhe um pouco de seus impostos.

Subsídios para a cultura foram criados não para realmente estimular uma suposta "cultura nacional", mas sim para obter o apoio da intelectualidade e dos artistas engajados.

Ocasionalmente, os verdadeiros beneficiados não se beneficiam na forma de um aumento de renda ou de riqueza, mas sim por meio de outras formas de recompensa.  Ainda assim, o princípio permanece o mesmo.

É tudo muito explícito

Quando comecei a estudar economia e, em seguida, a lecionar economia, ainda na década de 1960, aprendi como os mercados e o sistema de mercado como um todo funcionam. Com esta noção em mente, tornei-me capaz de identificar vários motivos pelos quais uma determinada política pode fracassar: ela pode estar baseada em informações incorretas ou insuficientes; ela pode gerar consequências não-premeditadas; ela pode receber financiamento inadequado para sua implantação; ela pode estar baseada em uma teoria equivocada ou em uma interpretação errada de algum fato histórico, e assim por diante.

Analistas que abordam a questão das políticas fracassadas exclusivamente de acordo com estas possibilidades podem ficar sossegados, pois jamais irá lhes faltar material para novas análises. Mais ainda: jamais haverá escassez de novas medidas a serem propostas para legisladores, reguladores, políticos e juízes. 

Por exemplo, se as políticas fiscais, monetárias e de subsídios do governo não lograram êxito em gerar crescimento econômico — porque elas se baseiam em uma teoria macroeconômica equivocada —, então esse analista irá tentar identificar os possíveis erros nesta teoria e, então, irá tentar formular uma teoria mais sólida, com base na qual uma nova política mais bem-sucedida possa ser implantada. 

Estas idas e vindas entre remendos teóricos e avaliações de políticas são ótimas para preencher várias páginas de artigos acadêmicos.

Porém, tudo isso é uma enorme perda de tempo no que diz respeito à consecução dos objetivos proclamados, pois estes objetivos proclamados nunca foram os reais objetivos dos criadores da política em questão. Eles eram apenas a justificativa apresentada ao público para encobrir o verdadeiro objetivo: promover o enriquecimento, o engrandecimento e o favorecimento de indivíduos e grupos de interesse politicamente poderosos e bem conectados que fizeram o lobby para a criação da política em questão. 

Estes indivíduos e grupos de interesse serão aqueles que mais garantirem doações de campanha, votos para os legisladores e, principalmente, subornos para políticos. Igualmente, serão aqueles que efetivamente conseguirem ameaçar políticos com punições tangíveis, como o fim das propinas, o cancelamento de doações financeiras para a reeleição ou a recomendação para que seus afiliados e demais membros não mais votem nestes legisladores caso seus interesses não sejam atendidos.

Conclusão

Várias pessoas, e por uma boa razão, já concluíram que a melhor maneira de saber se um político ou funcionário público está mentindo é fazer a seguinte pergunta: "Os lábios dele estão se movendo?" 

Um teste igualmente simples e eficaz pode ser proposto para determinar se uma política aparentemente fracassada foi na realidade um sucesso para os manda-chuvas da classe política. Este teste requer apenas que perguntemos: "Tal política continua vigente?"  Se a resposta for sim, podemos estar certos de que ela continua servindo aos interesses daqueles que realmente são decisivos em determinar os tipos de política que o governo estabelece e implanta.

Hoje, como ontem, "políticas que não deram certo" são um mito. Se uma determinada política continua vigorando além do curto prazo — ainda que tenha sido temporariamente interrompida (porque seus efeitos nefastos se tornaram muito explícitos) —, esteja certo de que ela atendeu exatamente aos reais objetivos buscados.

As pessoas que efetivamente comandam o governo, estejam elas dentro ou fora da máquina estatal, não comandam o governo com o intuito de dificultar a consecução de seus próprios interesses. Muito pelo contrário. 

Todo o resto do processo político é, como diria Macbeth, "uma narrativa contada por um idiota [e aumentada por economistas, advogados, lobistas e relações públicas], cheio de som e de fúria, não significando nada."



autor

Robert Higgs
um scholar adjunto do Mises Institute, é o diretor de pesquisa do Independent Institute.


  • Jeferson  24/07/2017 15:34
    Texto pequeno, conciso e extremamente contundente. Explica precisamente o porquê de nenhuma política pública jamais servir aos propósitos anunciados. Já comecei a espalhá-lo aos 4 ventos!
  • Eduardo  24/07/2017 15:36
    Excelente.

    Nunca é tarde para as pessoas entenderem os reais objetivos da política.

    Faz pouco tempo que vi uma discussão entre amigos do tipo "se o cigarro mata mais que a maconha e cria mais custos médicos, porque um é legalizado e outro proibido?"

    O erro FUNDAMENTAL dessas pessoas foi assumir como hipótese que a preocupação do governo é com a saúde da população, com a segurança contra indivíduos violentos, etc.

    Partindo dessa hipótese, até faz sentido questionar tal atitude ilógica do governo.

    Porém, como bem colocou o texto: o governo não dá ponto sem nó; e por conta dessa hipótese falsa, nunca se chegará à resposta correta.

    É preciso esquecer a hipótese que o governo pretende servir à sociedade, e partir da hipótese que o governo pretende parasitar a sociedade, enriquecer seus membros e amigos, manter o controle e poder sobre a população, etc.

    Então a pergunta da maconha e cigarro, por exemplo, não pretende mais ser respondida pela via do bem estar da população.

    Deve-se perguntar coisas como: como a maconha proibida e o cigarro legalizado/regulamentado servem aos propósitos reais do estado, e que reformas seriam feiras pra servir melhor aos propósitos reais do estado?

    Quais reformas fariam mais dinheiro de cidadãos produtivos entrar nos cofres de parasitas que não produziram nada?

    Quais reformas tirariam dos cidadãos seus direitos de propriedade e de livre associação para transferir propriedade ao estado, e pra permitir que burocratas e políticos controlem cada vez mais esses direitos mais básicos das pessoas?

    Quais reformas enriqueceriam membros do estado, amigos de membros do estado e os que compram membros do estado?

    Respondendo essas perguntas, é fácil entender, por exemplo, a política de drogas atual e por que ela é assim. Bem como entender pra onde tendem a ir quaisquer "reformas" que sejam propostas.

    Tentando responder a pergunta relativa ao bem estar e saúde da sociedade, só se ouve, no meio do silêncio, alguma voz errada alegando que "o governo falhou nessa política".
  • Rogério Fasano  24/07/2017 15:39
    A guerra às drogas -- a qual mesmo libertários costumam dizer que foi um "fracasso" -- é a mais explícita de todas.

    1) O governo americano conseguiu gastar quase 2 trilhões.

    2) O governo aumentou grosseiramente seus poderes de controlar a população (antes as pessoas tinham liberdade pra comprar a substância que elas queriam porque elas queriam e tinham dinheiro) no que ela pode produzir, consumir ou comercializar voluntariamente.

    3) O governo enriqueceu políticos, burocratas, sindicatos, carcereiros, juízes, advogados, chefes de polícia, reguladores, inspetores, lobistas, executivos de corporações etc.

    4) O governo conseguiu o poder de invadir casas, de quebrar serviços de informação confidencial

    5) O governo conseguiu aumentar drasticamente a força do Estado Policial

    6) O governo conseguiu criar calhamaços de leis que limitam os poderes dos cidadãos

    E por aí vai.

    E dizem que a guerra às drogas foi um "fracasso"?!

    Do ponto de vista de um tirano totalitário, essa política foi um sucesso desfilando ao som de fanfarras.
  • Burke  24/07/2017 16:23
    Tem conservador que fica maluco ao ler isso. Olha que gosto de muitas ideias conservadoras.
  • Historiador Honesto  24/07/2017 16:37
    Apenas os neoconservadores. Os genuínos conservadores nunca defenderam esta política.

    Existe uma diferença intransponível entre o conservadorismo genuíno e o neoconservadorismo, este último uma aberração surgida nos EUA e capitaneada por ex-trotskistas.

    Genuínos conservadores nunca defenderam a intromissão na vida alheia. Eles, por exemplo, são moralmente contra o uso de drogas e contra a homossexualidade, mas sempre se opuseram veementemente a qualquer tentativa do governo de moldar a sociedade, pois sabem que as consequências que isso gera são ainda piores do que qualquer vício (algo que, em última instância, é um problema apenas individual).

    Genuínos conservadores defendem que a melhor maneira de se resolver problemas é por meio do voluntarismo, da responsabilidade própria, da família, dos amigos e da igreja, e não por meio de um governo monolítico que miraculosamente fará com que o indivíduo passe a cuidar de si próprio e se torne uma pessoa melhor. Conservadores genuínos sabem que o governo não pode fazer com que o indivíduo se aprume e passe a seguir bons hábitos.

    Similarmente, defender a invasão militar de países estrangeiros também nada tem de conservador. Isso é uma plataforma dos neoconservadores, um movimento formado em sua quase totalidade por indivíduos ex-trotskistas que nunca abandonaram sua sanha intervencionista.

    O problema é que esse genuíno conservadorismo possui uma de suas raízes na chamada "Old Right" americana, a qual não era de raiz conservadora mas sim libertária. A "Old Right" era um movimento liderado por pessoas que passaram a ser desdenhosamente chamadas de isolacionistas, simplesmente porque se recusavam a aceitar que o estado se intrometesse em outros países. Essas mesmas pessoas também nunca aceitaram que o estado se intrometesse na vida do indivíduo dando-lhes ordens sobre como deveriam viver. Elas acreditavam que a família e a religião é que deveriam ser o norte da vida de cada indivíduo, e não os burocratas do estado.

    Sua base era o liberalismo clássico e se baseava na liberdade individual, na defesa da vida e da propriedade, na liberdade de empreendimento e de comércio. Trata-se da essência da ideia de conservação da liberdade, ideia essa oriunda diretamente do liberalismo clássico.
  • Alexandre  25/07/2017 12:28
    Historiador Honesto, perfeito comentário. Irretocável.

    Existe muito preconceito (sem vitimismo), ou melhor, uma repetição do slogan irracional: o conservador é contra as liberdades individuais quando o assunto é droga.

    O conservador nato abomina qualquer ordem pretenciosa vinda de burocratas.

    Entretanto, não romantizamos as questões, muito menos passamos a falar imprudentemente sobre os hipotéticos benefícios de qualquer vício, ou sobre os benefícios que uma regulamentação (hoje esse mercado é por conceito desregulamentado) traria para a cadeia criminal que a envolve.
  • Aprendiz  25/07/2017 12:39
    Caro Historiador Honesto,
    Fiquei interessado no seu comentário. Hoje em dia é muito confuso este embate contra os auto-denominados "conservadores" que parece ter sanha em atacar os libertários. Já fui chamado de esquerdista e marxista milhões de vezes pelos seguidores do Bolsonaro (os famosos Bolsominions, que se acham "conservadores"). Chega a ser bizarro. Eu que sou absolutamente contra praticamente tudo que o marxismo representa, em nível.

    O que fiquei curioso foi seu apontamento de ex-trotskistas terem se tornado "neocons" de hoje em dia. Se não lhe for incômodo, poderia ajudar com uma pequena compilação dos mesmos? Seria muito útil para o próximo embate que eu tiver que este pessoal.
  • Rodrigo Lopes Lourenço  25/07/2017 14:31
    Aprendiz,
    Nenhum simpatizante de Bolsonaro tem direito de alcunhar ninguém de esquerdista, sindicalista, socialista ou comunista.
    Bolsonaro defende os governos esquerdistas que infestaram o Brasil entre, pelo menos, 15 de março de 1967 e 15 de março de 1985 (deixo de incluir o governo de Castelo Branco simplesmente porque esse foi de centro-esquerda).
    Durante o regime militar:
    a) qual foi a empresa pública privatizada?
    b) quando houve decréscimo de gasto público?
    c) quando houve ampla abertura comercial?
    d) quando houve combate a reservas de mercado?
    Neste sítio, há inúmeros artigos explicando a essencialidade de reduzir-se o gasto público, abrir-se a economia e combater-se a reserva de mercado. Tudo o que os governos militares praticaram acima é defendido pela esquerda assumida. Em outras palavras: PSOL e PT defendem mais empresas públicas, mais gastos públicos "com caráter anticíclico" (concepção keynesiana que deixo a cargo dos exímios economistas deste sítio explicarem), restrições ao comércio exterior e reservas de mercado.
    Os governos militares, sob o argumento do nacionalismo, impediram a livre concorrência e garantiram ampla reserva de mercado para seus cúmplices. Não é só. Os governos militares praticaram sucessivas desvalorizações cambiais e expansões significativas da moeda, com projetos estatais megalômanos.
    Vamos agora à defesa da propriedade privada. Os militares foram eficientes nisso? Absolutamente, não! Como exemplo, lanço mão do problema da locação predial urbana. A Lei n° 6.649/1979, último diploma do regime militar sobre o tema é um primor de controle estatal sobre a propriedade privada e intervenção em contratos entre particulares. Durante sua vigência, os problemas de locação sobrecarregavam o Judiciário e - como tudo que representa a intervenção estatal na economia - elevavam o preço dos aluguéis. Em 1991, foi editada a Lei n° 8.245/1991 sobre locações, a qual revogou a Lei n° 6.649/1979. Por ser menos intervencionista (sim, como qualquer produto estatal, ela interfere nas relações privadas, mas com menor intensidade que a dos militares), ela reduziu as pendengas nos tribunais e, principalmente, o preço dos aluguéis.
    Que tal verificarmos o comportamento dos governos militares em relação aos "direitos" trabalhistas? Os defensores do regime militar - por extensão, Bolsonaro - costumam dizer que, sem o movimento que eles idolatram, o Brasil teria sido transformado numa "república sindicalista". Aceitando que isso seja verdade, no que foi que eles transformaram o Brasil? Numa república sindicalista! Os governos militares não combateram a CLT, não exterminaram a contribuição sindical (popularmente conhecida como "imposto sindical") nem se preocuparam com a estrutura sindical criada por Vargas: eles se limitaram a, mantendo todo o arcabouço de Getúlio, perseguir alguns nomes, isto é, mataram alguns comunistas.
    O atual governo, com todos os seus defeitos, já fez mais que todos os governos esquerdistas dos militares brasileiros juntos: limitou o gasto público por meio de emenda constitucional e reduziu um pouco, muito pouco, pouco mesmo, a legislação trabalhista. Também extinguiu o tal imposto sindical.
    Quanto às questões sociais, é bom lembrar: a) ninguém na História matou mais comunista que Stalin; b) Lenin tinha descriminalizado o homossexualismo, mas, com Stalin, tal conduta voltou a ser crime; c) Lenin tinha descriminalizado o aborto, mas, até pouco depois da morte de Stalin, tal conduta era crime na União Soviética; d) Stalin modificou significativamente a concepção do marxismo para criar a tal história de socialismo de um país só. Assim, ser nacionalista, contra homossexuais, contra o aborto e matador de comunista nada distingue a pessoa de um stalinista.
    Na época dos governos militares brasileiros, houve o chileno, o qual, do ponto de vista estritamente econômico, foi o mais direitista de todos (sim, houve leis interventivas, como a que garante reserva de clientela para as empresas de previdência complementar, mas, em geral, elas foram muito mais raras que as daqui). Resultado: hoje, o Chile ostenta todos os índices melhores que o Brasil.
    Em síntese: a diferença entre Bolsonaro e Jean Willys é que este é assumido. Só isso.
  • saoPaulo  25/07/2017 15:33
    Release the Kraken!
  • Bernardo  24/07/2017 15:41
    Muito interessante essa abordagem. Eu nunca havia pensado por este aspecto.
  • antonio  24/07/2017 16:11
    Parabéns
    Excelente visão, se algo for planejado é para ajudar os "cumpanheiros", nunca ajudar as pessoas.
  • Hélio Beltrão 2018  24/07/2017 16:08
    Eu assisti uma palestra do Hélio Beltrão e concordei plenamente com ele.

    Esse socialismo nutela, que quer colocar bons gestores, é um grande erro.

    Já experimentamos isso, com a destruição de coisas que estavam funcionando um pouco melhor.

    A melhor prova disso é a Lei de responsabilidade fiscal aprovando déficit primário, metas de inflação desrespeitadas, governo comprando novas empresas, dinheiro sendo criado sem aumento de poupança, preços regulados em concessões, dívidas públicas sendo roladas sem a mínima preocupação com o futuro, aprovacões de aumentos salariais durante crise, etc.

    As pessoas insitem em bons gestores, mas sempre vai aparecer um mal gestor ou alguém que quer tirar a pressão das costas.

    Isso tudo resulta no que o artigo desmonta. Como qualquer problema é resolvido com destruição e flexibilização de coisas boas, o resultado é a compra de apoio com beneces, arrêgos, bolsas, mamatas,etc.

    Em 500 anos de Brasil, eu só conheço uma pessoa que fez alguma coisa radical para mudar a cultura da irresponsabilidade da economia, que foi o Gustavo Franco. O problema é que a realidade apareceu e o povo quis voltar para o mundo da fantasia.
  • Marcos Antero do Carmo   24/07/2017 16:30
    Isso é o que mais é mostrado nas séries televisivas.

    Boardwalk Empire fala sobre a máfia do álcool nos EUA na década de 1920, centrado num tesoureiro de Condado de Atlantic.

    House of Cards mostra um político democrata que sai de líder da maioria na Câmara dos Deputados e vira presidente por meio de muita politicagem visando a benefícios próprios, como todos fazem.

    É um erro achar que políticos querem apenas dinheiro (almejar dinheiro é o objetivo apenas de deputadinhos do segundo escalão do PMDB). Políticos grandes querem poder. Querem se eternizar no poder. E para isso implantem as políticas citadas no artigo.

    Quem fica procurando conta bancária em nome de Lula não entendeu absolutamente nada do jogo político. Lula não é um político que tem como objetivo supremo desviar dinheiro pra contas na Suíça. Isso é coisa para Eduardo Cunha e Rodrigo Rocha Loures -- desconhecidos sem perspectivas duradouras de poder e que sempre foram do segundo escalão do PMDB.

    Na própria House of Cards, nenhum personagem graúdo fala de dinheiro. Todos querem é o poder (e o dinheiro vem naturalmente com o poder). As únicas personagens que só pensam em dinheiro são as prostitutas.

    Em Brasília é a mesma coisa.
  • caesar2013  24/07/2017 20:03
    Bravo, Marcos!!
  • Frank Underwood  24/07/2017 22:10
    "Veja um desperdício de talento. Ele escolheu o dinheiro em vez de poder, um erro que quase todo mundo comete nessa cidade. Dinheiro é a mansão em Sarasota que começa a cair aos pedaços em 10 anos. Poder é o velho edifício de pedra que resiste por séculos."
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  24/07/2017 16:43
    Os governos e suas leis devem ser rapidamente racionalizadas em BENEFÍCIOS das pessoas(físicas e jurídicas). Mas, isso não pode ser feito(como todos sabem) de forma a desrespeitar os DIREITOS ADQUIRIDOS das pessoas(físicas e jurídicas), pois a função dos governos e das leis é servir as pessoas(físicas e jurídicas) na forma que se legislou, se legisla e se legislará. O Estado de Direito deve penetrar, 100%, nos governos e suas leis. Os governos e suas leis estão sujeitos às pessoas físicas e jurídicas.
  • Marcos  24/07/2017 18:14
    A Lei Maria da Penha é um exemplo de desperdício: aumentou a burocracia com intimações, gratificações para os funcionários das varas, para os juízes que atuam nesta vara específica. Aumentou também número de psicólogos do estado a soldo do contribuinte, horas extras para promotores, etc...

    As varas de família já existentes poderiam resolver as picuinhas nos processos que as mulheres colocam(80%); e os casos criminais de lesão corporal, poderiam ser julgados por uma vara criminal comum, sem aumento de novas varas, diminuindo gastos...

  • Derek Ishida Bonjardim  24/07/2017 19:50
    Muito pertinente.
  • Luiz Rufino  24/07/2017 20:01
    Política pública eficiente; Livre mercado e reforma tributária.
  • caesar2013  24/07/2017 20:22
    O amigo não entendeu...política pública eficiente só beneficia o compadrio.
    Tributação jamais vai ser benéfica para pagador de impostos....nem tampouco qualquer reforma afim.
  • Bolsomito  24/07/2017 23:17
    https://youtu.be/eNQdlABL2aQ
  • saoPaulo  25/07/2017 14:10
    I cannot accept your canon that we are to judge Pope and King unlike other men, with a favorable presumption that they did no wrong. If there is any presumption it is the other way against holders of power, increasing as the power increases. Historic responsibility has to make up for the want of legal responsibility. Power tends to corrupt and absolute power corrupts absolutely. Great men are almost always bad men, even when they exercise influence and not authority: still more when you superadd the tendency or the certainty of corruption by authority. There is no worse heresy than that the office sanctifies the holder of it. That is the point at which the negation of Catholicism and the negation of Liberalism meet and keep high festival, and the end learns to justify the means.
    Lord Acton, 1887.

    Finalmente, o Messias que trará o céu à Terra!
  • Democrata  25/07/2017 00:03
    Viu só o cartel das montadoras?

    https://www.flatout.com.br/fabricantes-alemas-envolvidas-em-suposto-cartel-ford-podera-ter-injecao-de-agua-no-ecoboost-o-novo-jaguar-xjr575-e-mais/
  • Daniel  25/07/2017 20:44
    kkkkkkkkkk
    Normal para quem frequenta neste site, as montadoras operando em um ambiente altamente regulado - devido principalmente a medidas da UE - É INEVITÁVEL O SURGIMENTO DE CARTÉIS.
    Tem mais aqui: g1.globo.com/hora1/noticia/2017/02/herdeiro-e-vice-presidente-da-samsung-e-preso-na-coreia-do-sul.html
    g1.globo.com/mundo/noticia/chefe-do-grupo-samsung-e-preso-em-investigacao-de-corrupcao-na-coreia-do-sul.ghtml

    Mas isso nos leva a uma pergunta, o que irá dizer Ciro Gomes e outros nacionais-desenvolvimentistas?
    É esse arranjo que eles defendem?

    Como sempre é de praxe, não são os austríacos que precisam dar respostas, são os demais. Tá ai o resultado.
  • Bruno Feliciano  25/07/2017 21:52
    Esse cartel não faz mau algum, os alemães e o resto do mundo podem comprar americanos, japoneses e etc, caso os carros alemães ficarem um lixo, temos os japoneses, americanos, franceses, suecos e etc...

    Porque a BMW, Mercedes, Audi e VW não pioraram a respeito de tecnologia, qualidade e preço? Porque sabem que perderão pros japoneses!!!
  • Daniel  26/07/2017 15:05
    "Esse cartel não faz mau algum, os alemães e o resto do mundo podem comprar americanos, japoneses e etc, caso os carros alemães ficarem um lixo, temos os japoneses, americanos, franceses, suecos e etc... "

    Faz sim, ao povo europeu que quase é proibido de comprar produtos estrangeiros devido a regulação da UE. Por que você acha que o Reino Unido saiu da UE? Um dos principais motivos foi esse.
    Eu entendi o que você quis dizer, que o mundo não perderia por esse cartel devido a outras montadoras de outros países, mas eu não falei em referência ao mundo e sim a União Européia.

    "Porque a BMW, Mercedes, Audi e VW não pioraram a respeito de tecnologia, qualidade e preço? Porque sabem que perderão pros japoneses!!!"

    Simples, porque eles tem a concorrência de países do próprio bloco europeu como os franceses e italianos. Mas esses quase não concorrem com produtos coreanos e japoneses, porque o povo europeu são quase que impossibilitados de importarem carros de outros países devido a regulação da UE. Por isso, existe concorrência no bloco europeu, mas poderia ser melhor se permitissem importar carros com a mínima regulação possível.
  • Eliseu  26/07/2017 15:18
    Bem longe de mim defender a União Europeia, mas a tarifa de importação para carros de fora da União (japoneses, americanos etc.) é de 10%.

    Comparado aos nossos 35%, isso é quase que livre comércio.

    ec.europa.eu/taxation_customs/dds2/taric/measures.jsp?Lang=en&SimDate=20170726&Area=JP&Taric=87032319&LangDescr=en

    Logo, você dizer que o povo europeu é "quase proibido" de comprar produtos estrangeiros é uma sacação e tanto.
  • Bruno Feliciano  27/07/2017 05:04
    eu nem chamaria isso de cartel
  • André Ferris - advogado - oabrj  25/07/2017 00:29
    Nossa...sou advogado...e senti uma espetada aqui...não sei se foi de raiva ou de inveja...

    poise bem...vamos lá...

    meu primo entrou esse ano na UFRJ, economia, eu porém sou advogado, mas gostaria de perguntar pra vocês economistas...

    qual a opinião de vocês sobre a crise de 2008?

    aguardo respostas...
  • saoPaulo  25/07/2017 13:57
    Resumo:
    Do you ever get the sense that your favorite steak at that Quick Service Restaurant of your choice keeps getting thinner and thinner all while your check size at the end of the night continues getting larger and larger. Well, it is. How else are publicly traded chains going to continue to deliver margin growth to wall street in the midst of rising labor costs, rising commodity costs and shrinking customer traffic?

    E mais um monte de gente nos comentários indignada. Aparentemente eles gostariam que as empresas operassem no vermelho, vendendo os mesmos tamanhos, pelos mesmos preços, apesar dos custos maiores.
  • SRV  25/07/2017 15:08
    Uma dúvida: os índices de inflação ao redor do mundo consideram a diminuição dos tamanhos de produtos? E o caso específico do Brasil, o IPCA leva isso em consideração ou realmente pode ser uma "inflação oculta"?
  • Jorge  25/07/2017 15:42
    Não, não levam em consideração.

    E sim, esta não apenas pode como deve ser considerada uma inflação oculta.

    Há um artigo específico sobre isso:

    "E há o fato de que a inflação perene tende a deteriorar a qualidade dos produtos. Todo vendedor sabe que é difícil vender o mesmo produto físico a um preço maior do que aquele vigente nos anos anteriores. Porém, aumentos nos preços são inevitáveis quando a moeda está continuamente perdendo poder de compra. Sendo assim, o que os vendedores fazem? Em muitos casos, a salvação vem por meio da inovação tecnológica, a qual permite um modo de produção mais barato do produto, desta forma neutralizando ou até mesmo compensando em demasia a influência da inflação. Isso ocorre, por exemplo, na indústria de computadores e de equipamentos construídos com uma grande quantidade de insumos de tecnologia da informação.

    Porém, em outras indústrias, o progresso tecnológico possui um papel muito menor. Aqui, os vendedores lidam com o problema acima mencionado. Consequentemente, eles fabricam um produto de qualidade inferior e o vendem com o mesmo nome, junto com os eufemismos que se tornaram costumeiros no marketing comercial. Por exemplo, eles podem ofertar aos seus consumidores café "light" e vegetais "não condimentados" — o que pode ser traduzido como café ralo e vegetais que já perderam todos os resquícios de sabor. Podem também oferecer os mesmos produtos em menores quantidade e tamanho, como as embalagens de carne fatiada que mantêm o preço mas diminuem de peso.

    Em ambientes assim, as pessoas desenvolvem uma atitude mais desleixada em relação às palavras que utilizam. Se tudo realmente for aquilo de que passou a ser chamado, então é difícil explicar a diferença entre verdade e mentira. A inflação incita as pessoas a mentirem sobre seus produtos, e a inflação perene estimula o hábito de mentir rotineiramente."

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1991
  • Wanda  25/07/2017 16:12
    O ponto principal é que aparentemente tudo está normal, a inflação não toma sua trajetória de subida,(como se isso foi bom), num ambiente de juro zero e enorme endividamento, como na maioria dos países europeus e não só.
    Os mercados estão distorcidos.
    Mesmo com a tal inflação encapotada que não decola, o poder de compra não aumenta, como pode isso acontecer, salários estagnados por anos, e a divida cresce...

  • Baleia Vermelha  25/07/2017 16:09
    O mesmo raciocínio pode ser utilizado com relação ao socialismo.

    Socialismo é extremamente bem-sucedido em promover genocídios, escravizar nações inteiras e concentrar poder e riqueza nas mãos de uma elite governante.

    O fracasso do socialismo ocorre apenas quando os socialistas não conseguem tomar o poder.
  • Padawan  25/07/2017 17:49
    O que motivou a criação dos bancos centrais? Existem países sem BC?
  • Daniel  25/07/2017 20:33
    Leandro, por que os banqueiros brasileiros são mais ricos do que os demais? Mesmo considerando toda a regulamentação do setor, ainda assim é espantoso a riqueza desses banqueiros brasileiros, haja vista que em quase todos os países, o setor é bastante regulado, mas ainda sim os banqueiros brasileiros são os mais ricos, como explicar isso?
  • Alfredo  25/07/2017 21:43
    Para começar, essa informação não é de todo verídica. Cadê a lista comparando o patrimônio dos maiores banqueiros do mundo?

    Em segundo lugar, caso ela fosse verdadeira, até faria sentido: afinal, a concentração bancária no Brasil -- por obra e graça das regulamentações estatais -- é absurda. Ao passo que há mais de 8 mil bancos diferentes nos EUA, quantos bancos diferentes você conhece no Brasil?

    https://ilsr.org/number-banks-u-s-1966-2014/
  • Daniel  26/07/2017 15:12
    O link não abre.

    www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150323_bancos_lucros_ru
    https://achadoseconomicos.blogosfera.uol.com.br/2013/07/03/tres-bancos-brasileiros-estao-entre-os-que-mais-ganham-com-juros-no-mundo/
    www.infomoney.com.br/minhas-financas/credito/noticia/2850796/bancos-brasileiros-aparecem-ranking-dos-que-mais-ganham-com-juros
    https://oglobo.globo.com/economia/bancos-brasileiros-ganham-duas-vezes-mais-do-que-nos-eua-4646197
    www.afubesp.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1534:bancos-ganham-mais-no-brasil-que-nos-eua&catid=10:noticias&Itemid=79
    bancariosjundiai.com.br/bancos-nacionais-ganham-quase-50-a-mais-do-que-os-norte-americanos/
  • Alfredo  26/07/2017 15:34
    Espere aí. Você está se referindo a lucro de bancos ou a patrimônio de banqueiros?

    A sua pergunta original remete à última, mas as suas notícias remetem à primeira.

    São duas coisas bastante distintas.


    Eis uma lista dos 22 banqueiros mais ricos do mundo.

    www.businessinsider.com/the-richest-bankers-in-the-world-2012-3

    O mais rico de todos é o Joseph Safra (o que me surpreendeu). O segundo mais rico é um colombiano. O terceiro mais rico é um tcheco. O quarto mais rico é um árabe. O quinto mais rico é um malaio. O sexto mais rico é Aloysio Faria (que só está nessa posição porque vendeu o Banco Real). O sétimo mais rico é um indiano. O oitavo mais rico é um cingapuriano. O nono mais rico é um britânico. E o décimo mais rico é André Esteves (que, como se sabe hoje, fazia negociatas com o governo).

    Não há nenhum americano (exatamente por causa da menor concentração bancária lá). E a maioria dos que ali estão operam em países de juro baixo.

    Essa ideia de que banqueiro enriquece com juro alto atenta contra o bom senso. Com juro alto, poucas pessoas se endividam. Com poucas pessoas se endividando, menos os bancos emprestam. E bancos ganham no volume de empréstimos, e não nos juros altos de poucos empréstimos.
  • Joaquim José da Silva Xavier  25/07/2017 22:01
    https://oglobo.globo.com/economia/governo-cria-agencia-reguladora-aumenta-royalties-muda-regras-para-mineracao-21630501

    Eis as reais funções das agências reguladoras (mais uma!): extorquir as empresas no curto prazo aumentando a arrecadação do governo, criar mais cargos inúteis ao funcionalismo público, criar e estabilizar cartéis.

  • Voto Distrital  25/07/2017 23:53
    A reforma política nunca foi pra frente, porque o voto distrital poderia reduzir muito a ideologia na política.

    A eleição com o distritão (grandes regiões) e com voto proporcional(puxadores de votos) virou um zoológico de representantes de classes.

    O voto proporcional em distritão transformou a democracia em um antro com verdadeiros zumbis, onde representantes de acéfalos ficam justando votos por uma imensa região em defesa de ideologias, causas, beneces, mamatas, etc.

    Alguns chamam o voto distrital de democracia bairrista (democracia de bairo), porque ela colocaria representantes de todas as regiões, reduzindo membros de classes, seitas, tribos, sindicatos, profetas, líderes de militontos, chefes de bandos, etc.

    É uma escolha entre representantes de regiões e representantes de classes. Enquanto representantes de classes irão travar verdadeiras guerras ideológicas, representantes de regiões irão defender apenas as suas regiões.

    Enfim, alguém precisa acabar com essas guerras ideológicas, que sempre foram usadas para reduzir o poder de indivíduos.
  • Emerson Luis  08/08/2017 10:24

    O velho erro de acreditar na declaração de intenções das pessoas sem verificar se o contexto e o comportamento delas corrobora essa declaração...

    * * *


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