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Quando foi que a inveja se tornou uma política pública oficial?
Aquele sentimento que já foi um “pecado capital” se tornou hoje o pilar de várias políticas oficiais

Somos rápidos em reconhecer os malefícios do ódio racial e religioso. Suas consequências destruidoras são imediatamente visíveis. Curiosamente, quase nunca paramos para refletir sobre os efeitos insidiosos gerados pelo ódio à riqueza e ao sucesso alheio.

Pense na Venezuela. O que realmente impulsionou as políticas públicas da dupla Chávez/Maduro? O que estimulou suas políticas de confisco da propriedade privada dos mais ricos, de controle de preços, de encarceramento de comerciantes, de redistribuição de renda, e de estatizações de lojas, supermercados e hotéis (nada menos que 1.168 empresas nacionais e estrangeiras foram expropriadas na Venezuela)?

Qualquer um que tenha lido ou ouvido os discursos das autoridades venezuelanas, perceberá que há um tema onipresente: a condenação da riqueza e a recorrência ao rancor e à inveja como política pública.

Com efeito, o mesmo fenômeno aconteceu durante a Revolução Cubana: todas as políticas destrutivas implantadas pelo governo cubano foram fundamentadas no explícito sentimento da inveja à riqueza alheia.

Pior ainda: mesmo nas principais e mais avançadas democracias ocidentais, o apelo à inveja é recorrentemente utilizado por políticos em suas campanhas eleitorais para atiçar as massas. (Bernie Sanders nos EUA é apenas o exemplo mais recente e acabado).

Há duas semanas, nos EUA, um desequilibrado invadiu um treino de beisebol do time do Congresso americano e abriu fogo contra parlamentares republicanos. O atirador tinha uma página no Facebook. Antes de ela ser deletada, todos podiam ler ali seu ataques odientos aos ricos, suas condenações ao capitalismo e à cultura corporativa, seus clamores por mais impostos sobre os mais ricos e por mais redistribuição de renda e, obviamente, sua fanática obsessão para que Bernie Sanders fosse o soberano do país. Hoje, todos já conhecem a litania de queixas e reclamações que o impulsionou.

Ainda assim, não obstante todas as evidências, a mídia segue silente a respeito das motivações deste indivíduo. Todos fingem estar completamente perplexos ao tentar explicar como uma feliz, charmosa e boa alma como esta poderia recorrer à violência. Caso o atirador fosse um agitador de direita que tivesse alvejado manifestantes pró-direitos civis, ninguém teria qualquer dificuldade em explicar suas motivações.

A incapacidade de ligar os pontos em todos os exemplos acima está exatamente na perda de conscientização quanto aos efeitos destruidores da inveja.

Pergunta: qual foi a última vez que você ouviu um sermão contra a inveja nos meios de comunicação? Quando foi que você observou alguma figura da grande mídia casualmente reconhecer os malefícios deste sentimento?

A condenação da inveja como uma força motivacional que leva à destruição da vida e da propriedade praticamente desapareceu da nossa cultura. Isso provavelmente se deve ao fato de que grande parte das políticas públicas de hoje se baseiam na inveja, dependem dela e, acima de tudo, a estimulam.

Aquele sentimento que já foi um dos sete "pecados capitais" está hoje completamente arraigado em nosso espírito público.

O que é a inveja?

Voltemos à clássica definição da inveja. O que é a inveja? A inveja é parte daquele vício de se olhar negativamente para o sucesso alheio. É diferente da mera cobiça, pois ser cobiçoso significa desejar algo que não lhe pertence. Também é diferente do ciúme, que significa olhar para o sucesso alheio e desejar que você também o tivesse. O ciúme pode levar à emulação, e isso pode ser bom. Também não é o mesmo que zelo (sinônimos: impulso, fervor), que é se sentir inspirado pela boa fortuna de outrem e adaptar sua vida com o intuito de também vivenciar você próprio uma boa fortuna. (Este comentário vem diretamente de Santo Tomás de Aquino).

A inveja é diferente de todos estes sentimentos. A inveja observa a excelência de terceiros e prontamente deseja acabar com ela. A inveja vê a fortuna de outro e imediatamente quer puni-la. A inveja é ativamente destruidora, e vê na destruição do sucesso alheio um fim em si mesmo. A consumação da inveja não traz felicidade para a pessoa que quer prejudicar terceiros; a inveja meramente alcança o objetivo de satisfazer a raiva que você sente ao ver a felicidade de terceiros. A inveja corrói. Destrói. Prejudica. Estraga. Machuca. Mata. Começa com um ressentimento contra as conquistas alheias e termina na agressão pessoal direta.

Para exemplificar. Você vê uma bela mansão. Dizer "essa casa deveria ser minha" é ser cobiçoso. Dizer "quero comprar uma casa como essa" é um ciúme que leva à emulação. Dizer "almejo uma vida em que posso bancar uma casa como essa" é zelo. Dizer "quero queimar aquela casa toda" é inveja.

A inveja é um problema onipresente, mas não é sentido por todos. Imagine uma pessoa que tenha uma personalidade naturalmente ambiciosa. Ela enxerga a vida como uma trajetória de oportunidades para o sucesso; uma questão de vontade, inteligência e criatividade. Ela acredita em tudo isso. Não há espaço para inveja no coração desta pessoa. O sucesso de outros serve como inspiração e impulsiona esta pessoa ao aprimoramento, e não à destruição.

Agora, imagine outra pessoa que não tem esta mesma visão. Tal pessoa se percebe intelectualmente ilimitada, sem grandes habilidades e capacidades, sem criatividade, e amarrada por uma personalidade restritiva ou por uma falta de vontade. Neste caso, a vida parece ser apenas uma série de rotinas inalteráveis. A estagnação é a sua realidade. Tal pessoa começa a se ressentir de todos aqueles que prosperam e a superam nas realizações pessoais. Eis aí uma pessoa totalmente propensa ao sentimento da inveja, isto é, ao desejo de prejudicar aqueles outros que se sobressaem e que apresentam um desempenho melhor que o de seus pares.

Toda pessoa bem-sucedida tem de lidar com o problema da inveja de outros. Você pode começar sua carreira imaginando que sua excelência será recompensada. Em várias ocasiões, de fato será. No entanto, sua excelência também incitará a inveja de terceiros, e aí você terá de saber lidar com as apunhaladas nas costas, com as tentativas furtivas e mesquinhas de lhe prejudicar, e com todas as fofocas, tramóias e conspirações que os invejosos farão para tentar impedir que você continue progredindo. É um fato triste, mas esta é a realidade que toda e qualquer pessoa bem-sucedida terá de enfrentar.

A mitologia medieval descreveu a inveja como o "monstro dos olhos verdes", pois a inveja vê qualquer sinal de riqueza com um desejo de acabar com ela. A lenda do "mau olhado" se originou lá na antiguidade e denota o profundo temor que todas as pessoas sempre sentiram em relação à inveja. No judaísmo, os rabinos ensinam a favorecer o "bom olhado", o qual conclama as pessoas a se regozijarem com a fortuna alheia — ao passo que o mau olhado é o impulso oposto.

O mais famoso amuleto anti-inveja do mundo vem da Turquia, da Grécia e do Egito: trata-se do Nazar (também conhecido como 'pedra contra o mau-olhado' ou 'olho turco'), um olho de vidro azul, preto e branco. A ideia deste amuleto é que ele olha de volta para o mau-olhado e neutraliza sua influência sobre sua vida. Até onde se sabe, ele surgiu nos séculos XV e XVI, o que não é nenhuma surpresa quando se considera a crescente riqueza do Império Otomano à época. Os comerciantes sentiam a inveja direcionada a eles, e, à medida que a riqueza crescia, todas as outras pessoas também começaram a sentir a mesma ameaça. Essa cultura aprendeu que o ódio popular à riqueza era algo a ser temido, pois realmente ameaçava todo o pilar da vida das pessoas. Mesmo hoje, você vê o Nazar nos carros, nas casas, nos barcos e nos chaveiros das pessoas. No próprio aeroporto de Istambul há um enorme Nazar sobre a esteira de bagagens.

A política da inveja

Em algum momento do século XX, a inveja passou a ser tida como algo normal. A inveja foi normalizada como uma ideia política. Acabem com os ricos! Que o sucesso seja punido! Que o 1% seja esbulhado! Redistribuam a riqueza! Todas estas idéias remontam a uma idéia antiga que, à época, era amplamente desprezada e vista não como uma virtude ou uma boa motivação, mas sim como um pecado socialmente destrutivo.

Com efeito, há uma crescente — e apavorante — literatura acadêmica que tenta reabilitar a inveja como um grande motivador (ver aquiaquiaquiaqui, e aqui). A ideia superficial é fazer as pessoas se oporem às desigualdades e injustiças, e com isso apoiar o surgimento de todos os tipos de instituições políticas que os progressistas defendem.

Apenas para deixar claro, há bons motivos para se indignar com a imoralidade da riqueza injustamente adquirida [como ocorre no Brasil, com os grandes empresários em conluio com o governo]; mas tenhamos em mente que o problema neste caso não é a riqueza em si, mas os meios de sua aquisição (favorecimentos políticos).

A verdadeira inveja não faz distinção: trata-se de um ódio insano que termina em destruição. Pegar um pecado e convertê-lo em uma virtude política parece um objetivo implausível. Mas há uma verdade oculta que as pessoas não percebem: as modernas instituições políticas foram construídas tendo por base um vício antigo, o qual não apenas foi institucionalizado como também foi plenamente liberado, sendo hoje visto como algo plenamente normal e moral.

O que dizer daqueles agitadores que incitam as massas a conclamar pela violência do estado, exigindo que políticos saqueiem e espoliem as pessoas meramente por elas terem posses? Aparentemente, no mundo de hoje, algumas formas de violência se tornaram aceitáveis.

Quem semeia o ódio — por meio de artigos, discursos ou diatribes — e ensina às pessoas que os culpados pelas dificuldades delas são as pessoas bem-sucedidas está brincando com fogo. Em várias ocasiões, mesmo pessoas realmente bem-intencionadas podem acabar estimulando um banho de sangue.

Não sei se o Nazar adiantaria, mas é fato que precisamos de alguma proteção contra o mau olhado que a política moderna está se esforçando para normalizar.


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autor

Jeffrey Tucker
é Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Ele também gerencia a Vellum Capital, é Pesquisador Sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria.  Associado benemérito do Instituto Mises Brasil, fundador e Diretor de Liberdade do Liberty.me, consultor de companhias blockchain, ex-editor editorial da Foundation for Economic Education e Laissez Faire books, fundador do CryptoCurrency Conference e autor de diversos artigos e oito livros, publicados em 5 idiomas. Palestrante renomado sobre economia, tecnologia, filosofia social e cultura.  

  • Thiago  26/06/2017 16:17
    Decorre exatamente deste sentimento a estratégia esquerdista de colocar "nós contra eles". Esse separatismo implantado no Brasil é peçonhento e é o combustível do projeto de poder dos partidos de esquerda (de um partido em específico, pra falar a verdade...)
  • Anti-Estado  26/06/2017 16:27
    Não precisa ser politicamente correto, caro Thiago. Não se trata de um em específico, mas de TODOS os partidinhos sinistros. Enumero alguns aqui porque odeio politicamente correto: PT, PSOL, PCdoB, PSTU, PCO, etc. Todos estes pregam o ódio, contendas e "nós contra eles". Resumindo: são verdadeiros VERMES!
  • Américo  26/06/2017 17:40
    Para não assumir o real motivo, dizem que é pela igualdade, pelo bem comum, pela justiça social, para garantir direitos e proteção, mas tudo isso de um certo ponto são motivados pela inveja camuflada de solidariedade estatizada.
  • Alexandre   09/10/2018 16:58
    Exatamente! É tudo menos inveja! É busca pela igualdade, fraternidade, compaixão e amor ao próximo, justiça social,iguais oportunidades na busca pela felicidade TUDO menos inveja.
  • Dalton C. Rocha  26/06/2017 16:36
    "O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema — o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós." > conservadores.com.br/o-anticomunismo-de-fernando-pessoa/

    "Eu me pergunto sempre: "Quais são as pessoas que curtem a esquerda e, em espécie, o comunismo?" Geralmente os fracassados, aqueles que nunca iriam conseguir chegar onde sonhavam sem a ajuda de uma corrente política que precisa de acólitos. Tem gente que trabalha, estuda e ganha uma fortuna no meu pais. Esses geralmente, nem querem saber de política, na verdade não tem tempo para isso. Assim como tem gente que, não importa em que sistema eles viveriam, sempre vão se constituir no lixo da sociedade: alcoólatras sonhadores, preguiçosos, ladrões, bandidos. Toda essa a última categoria é o grosso do que se chama de "turma proletária*" mas não tem nada a ver com proletariado. É, na verdade, o esgoto da sociedade, a sujeira que fede de qualquer jeito à pobreza, ao medo e à covardia." > minutoprodutivo.com/internacional/entrevista-medico-romeno-conta-como-era-viver-num-pais-socialista

    "Porém o suprassumo da cretinice é contestar a fidelidade de Lula ao comunismo mediante a alegação de que é um larápio, um corrupto. Qual grande líder comunista não o foi? Qual não viver como um nababo enquanto seu povo comia ratos? Qual partido comunista subiu ao poder sem propinas, sem desvio de dinheiro público, sem negócios escusos, sem roubo e chantagem?" > www.dcomercio.com.br/categoria/opiniao/el_mayor
  • Arthur  26/06/2017 17:02
    MÁXIMAS E MÍNIMAS SOBRE A INVEJA
    fonte:contraimpugnantes.blogspot.com.br, "Sidney Silveira"

    * A inveja nunca morre de cansaço.
    * O invejoso adora com fervor a mediocridade alheia.
    * Não há redenção na inveja.
    * A mais pequenina e silenciosa das invejas é um ato de fúria.
    * O invejoso é o pior intérprete da realidade.
    * A inveja é o mais desastroso equívoco das pessoas que não sabem amar.
    * O invejoso precisa de uma teoria que o justifique.
    * O manipulador usa a inveja alheia em benefício próprio.
    * Toda inveja é um sistema de autojustificativas.
    * O invejoso é imoralmente apegado a detalhes.
    * A inveja é a derrota da inteligência para uma vontade hipertrofiada.
    * A inveja não é fruto do acaso.
    * Toda inveja é uma ambição desmedida.
    * Pior que a inveja só o contorcionismo intelectual de justificá-la.
    * Ninguém tem pendor natural à inveja.
    * O invejoso tem na própria inveja o seu castigo.
    * Não há inveja que não nasça duma mentira.
    * Verdadeiro milagre é um invejoso arrepender-se.
    * Desobedecer o quanto puder, eis o ofício do invejoso.
    * A inveja política é um disfarce da inveja filosófica.
    * As maiores invejas são um primor de sofisticação.
    * Ama de todo o coração, e serás invejado com fúria.
    * A pior das afrontas para o invejoso é a bondade alheia.
    * Excesso de sarcasmo é sintoma de inveja.
    * O silêncio do invejoso fala.
    * O ódio é a sinceridade do invejoso.
    * Inveja é o nome multissecular da egolatria.
    * A futilidade é irmã caçula da inveja.
  • Andrea  26/06/2017 17:42
    Até o feminismo é em última instância inveja, pois almeja derrubar os padrões de beleza (que uma minoria tem), ou seja, incluir padrões de feiura e sujeira como se fosse belo e desejável (até o Pondé escreveu sobre isso em 'A era do ressentimento').

    Se alguém é estudioso, vem um esquerdista chama de nerd e tem inveja, manda parar pra ir pra revolution. Se uma mulher quer ser recatada é careta. Trouxeram todos os problemas interpessoais e sexuais pra política pois só assim se coopta os revolucionários (sic), afinal estudar mesmo ninguém quer e quem o faz de verdade não se junta a certos tipos.
  • Gary  26/06/2017 17:46
    Toda a filosofia estatista que forma as diretrizes do Ministério da Educação, e que determina o conteúdo dos livros autorizados pelo MEC, promove expressamente as políticas públicas baseadas na inveja, e até mesmo exorta os governos a adotá-las, ensinando às crianças de que isso é o certo.

    "Não roubarás -- exceto por meio do voto majoritário". Eis o único mandamento dos progressistas.
  • Rodrigo  26/06/2017 17:51
    O filósofo austríaco Helmut Schoeck escreveu um brilhante livro sobre o tema, chamado Envy: A Theory of Social Behaviour.

    Leitura obrigatória, principalmente para aqueles que acreditam na utopia de que é possível construir uma sociedade igualitária desprovida da inveja. O autor deixa claro, com sólidos argumentos e vasta experiência empírica, que não só é impossível a construção de tal sociedade, como o motivador de seus defensores é muitas vezes a própria inveja.

    Segundo o autor: "O desejo utópico por uma sociedade igualitária não pode ter surgido por qualquer outro motivo que não a incapacidade de lidar com a própria inveja".

  • Marzagão  26/06/2017 18:59
    Ter inveja é um comportamento natural, e é algo que nenhuma religião ou moralidade podem suprimir.

    Por isso, o objetivo deve ser o de tornar o esbulho mais difícil e mais perigoso que o trabalho e a produção, de modo que o trabalho e a produção sejam a opção natural de todos.

    Esta, aliás, seria a única função do estado. Mas se o estado não consegue fazer nem isso -- ao contrário, ele próprio estimula o esbulho e desencoraja a produção e o trabalho --, então realmente o estado é um mal desnecessário que deve ser abolido.
  • Rodrigo  26/06/2017 19:03
    Discordo de sua primeira afirmação. O cristianismo sempre condenou e desestimulou a inveja. É claro que ele não conseguiu aboli-la, mas ele sempre restringiu sua expressão.

    Ademais, este é exatamente um dos pontos do livro do Schoek. Ele atribui ao cristianismo a façanha de ter suprimido a inveja ao ponto de tornar possível o desenvolvimento e a prosperidade do Ocidente. Ele mostra que nenhuma outra filosofia ou religião teve o mesmo sucesso do cristianismo no combate à inveja.

  • Etibelli  27/06/2017 01:53
    Existe uma grande distinção entre o que prega uma teoria religiosa do que se evidencia na prática.

    No passado durante o período medieval, tal afirmação é válida, uma vez que a Igreja controlova o comportamento coletivo, por meio da coerção social. Coagindo, assim, aqueles que desviavam-se da moral cristã reinante. O erro consiste em pensar que apenas a inveja era o impulso coibido. Cobiça, ganância, ambição e muitos outros impulsos positivos para a evolução economico-social do indivíduo também eram suprimidos pela Igreja Católica. Isso é explicíto tanto no contexto histórico: servos submissos, que podiam ascender, aos seus senhores, quanto na teologia de Aquino que, erigido por Platão, condena tudo aquilo que remonta aos sentidos e aos impulsos e enaltece a razão divina. Todo essa moral enraizada no coletivo só vem a ser modificada com o nascimento de outras doutrinas, que fugiam aos preceitos cristãos, as quais questionavam a Igreja Católica, como o protestantismo e o luteranismo. Protestantismo que teve importante papel no desenvovilmento econômico do Ocidente, conforme defende Weber. No fim, ao inverso da opinião de muitos conservadores e alguns liberais sobre a importância da "moral judaico-cristã" para o estágio atual que vivenciamos, é notório que a Igreja preteriu o nascimento do capitalismo, do mesmo modo que, logo após, denegriu sua existência ao vilipendiar o lucro, a acumulação, etc, como ainda faz até a atualidade.

    Não foi o cristianismo que nos trouxe até aqui, mas sim as incontáveis contestações e reformulações a eles direcionadas, bem como a contínua liberdade assegurada ao indivíduo pelo capitalismo.
  • Antonio Nascimento  24/08/2018 14:12
    Será que a inveja dos protestantes com a igreja católica não seria o motivo deles terem um motivo para não reconhecerem a mãe de Jesus como Santa venerada. Dizer que a Igreja Católica é muito rica, isto justificaria o estímulo aos pedidos de grandes ofertas e dízimos dos fieis de suas igrejas.
  • Kissol  26/06/2017 18:08
    > "Socialismo significa apenas inveja do dinheiro alheio", Paolo Mantegazza.
    > Hazlitt, autor do valioso Economia numa única lição, afirma que o núcleo do marxismo e a sua razão de ser é "o ódio e a inveja doentia do sucesso". Diz mais: "Todo o evangelho de Karl Marx pode ser resumido em duas frases: Odeie o indivíduo mais bem-sucedido do que você. Odeie qualquer pessoa que esteja em melhor situação do que a sua".
    > "O socialismo é a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação da inveja. Seu defeito inerente é a distribuição igualitária da miséria."», Winston Churchill.
  • Fernando  26/06/2017 20:14
    Artigo estupendo. Jeffrey Tucker sempre manda bem. Se isso acontece nos EUA, imagine no Brasil com PSOL, PCdoB etc. É complicado.
  • Túlio Maravilha  22/07/2017 06:08
    Em qualquer lugar está assim. Graças ao sistema educacional.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  26/06/2017 23:13
    É preciso acabar com a inveja.
  • Luciana A. Prado  27/06/2017 01:00
    Artigo espetacular e de grande importância! O uso político de um sentimento tão poderoso e maléfico é realmente um grande perigo! E quem faz isso é sempre a esquerda, porque inescrupulosa!
  • Italo  27/06/2017 01:01
    Tocaram no âmago da coisa. Mas isso infelizmente faz parte da natureza humana. Por isso é tão sedutor e arrebata as massas.
  • Luiz Moran  27/06/2017 11:23
    O ódio vem precedido da inveja e ambos são os combustíveis dos políticos esquerdistas e/ou populistas.

    Ódio & Inveja: inerente ao ser humano de alma doente.
  • Armando Costa  27/06/2017 12:47
    Não vamos generalizar. A inveja é um grande impulsionador do sucesso do capitalismo. Porque existem pessoas mais ricas e bem sucedidas, outras são motivadas pela inveja a trabalhar, empreender e tentar também ser bem sucedido. É quando os já bem sucedidos tentam barrar a ascensão dos invejosos pela via política que a ideologia de esquerda tende a aflorar. Vamos falar bem da inveja e de sua força motivadora.
  • Anti-Estado  27/06/2017 13:13
    Você claramente não leu o texto. Por favor, faça-0.
  • Primo  27/06/2017 14:54
    Seriam os anarco-capitalistas pessoas invejosas de classe politica?

    "Apenas para deixar claro, há bons motivos para se indignar com a imoralidade da riqueza injustamente adquirida [como ocorre no Brasil, com os grandes empresários em conluio com o governo]; mas tenhamos em mente que o problema neste caso não é a riqueza em si, mas os meios de sua aquisição (favorecimentos políticos)."

    Ora, mas se o socialista acredita que o lucro é imoral, não seria a inveja que motiva sua ira, mas sim o totalitarismo ideológico.
  • Tio  28/06/2017 13:36
    "Ora, mas se o socialista acredita que o lucro é imoral, não seria a inveja que motiva sua ira, mas sim o totalitarismo ideológico."

    E o que exatamente essa ignorância dos socialistas tem a ver com o fato de anarcocapitalistas desprezarem parasitismo, esbulho, e assalto à propriedade privada (exatamente tudo o que políticos fazem)?

  • Primo  30/06/2017 00:15
    São antíteses que levam ao ódio mas com atores e antagonistas opostos. Socialista odeia empresário capitalista e idolatra ações anti-economicas. Libertários odeiam ações anti-economicas e idolatram empresários capitalistas. Tratar o ódio como inveja, tanto de um lado como do outro é acreditar que o ato de odiar é involuntário e emocional, mas não é. O ódio é sustentado pela ideologia, é racional. Desmontando a ideologia o ódio desaparece. Alimentando a ideologia o ódio é aquecido. Mas libertários tem uma vantagem rumo a uma sociedade de cultura e paz, sabe que o conhecimento é limitado, sabe que é ignorante e pode deixar de odiar. Deixando de odiar os libertários podem aplicar ações anti-economicas para atingir mais liberdade política. Caso contrário o único caminho é o totalitarismo.
  • Fernandes  28/06/2017 17:35
    Acho que os invejosos sempre existiram e sempre existirão, o problema é não haver vozes contra essa corrente, quem exalte a meritocracia, a riqueza, o vencedor, etc.

    Esses grupos ditos progressistas são nojentos, uma bando de fracassados, quando não financeiramente ou sexualmente.

    Eu posso até discordar de algumas ideias do Trump e de muitas do Bolsonaro, mas dou ponto a eles pela porrada que eles dão nos progressistas. Nisso eu admiro o Partido Republicano, mesmo que no poder eles tenham agido de forma diferente, mas pelo menos no discurso ainda defendem o mérito, a livre iniciativa, a economia de mercado.
  • anônimo  20/07/2017 22:28
    texto excelente
  • Emerson Luis  25/07/2017 14:12

    Quando alguém argumenta que existe "inveja no bom sentido", quase sempre ele está se referindo a outra atitude que já possui um nome mais apropriado.

    * * *
  • socialista  12/09/2017 21:03
    Vocês não intenderam, não é inveja, quem culpa o estado por tudo são os liberais... Tipo o estado como conhecemos surgiu depois que as monarquias na europa caíram perante a revolução burguesa, no seu lugar se firmaram estados com constituições que tem base no liberalismo (tanto é que na nossa constituição o liberalismo deve ser preservado).
    Não é inveja, pois sabemos que ambos andam de mãos dadas, só quem acha que estado e propriedade são rivais, são neo liberais .

    a verdade é que sem o estado não tem como manter o capital especulativo por tanto o capitalismo.
  • Christian  13/11/2017 13:36
    O ressentimento faz parte de nossa existencia, não tem como mudar. Eu particularmente, me ressinto em relação a pessoas superiores, que me humilham. Claro que seria irracional partir pra violencia, então qual é a forma de eu colocar toda essa energia ruim pra fora? Talvez num tipo de ideologia, religião, o que for. A esquerda faz isso, colocam a extrema energia do ressentimento nos ideais deles.


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