clube   |   doar   |   idiomas
Liberalismo e bem-estar geral: um diálogo com a esquerda
O artigo vencedor do concurso IMB

Nota do Editor

O artigo a seguir foi o vencedor do concurso de artigos feito pelo IMB por ocasião de sua V Conferência de Escola Austríaca. As opiniões do autor não necessariamente refletem as opiniões do Instituto Mises Brasil.

_______________________________

Muitos pensam existir uma correlação direta e obrigatória entre ser uma pessoa boa e ser de esquerda. Segundo esse entendimento, se você é uma pessoa justa e solidária, que se preocupa com o próximo — e em especial com as minorias e os mais pobres —, você precisa pertencer à esquerda, que seria o único campo político que se fundamentaria sobre essa preocupação.

Tal correspondência entre ser "do bem" e ser de esquerda significa, ainda, a vilificação de qualquer outra posição política: quem se vê em outro campo político é porque é, no mínimo, indiferente às agruras por que passam os seus semelhantes.

Este artigo critica essa visão a partir da perspectiva do liberalismo[1]. Como se demonstrará, o liberalismo também visa ao bem dos demais, porém o faz por mecanismos distintos. Os exemplos demonstrarão, ainda, que mesmo algumas das bandeiras ditas da esquerda tornam-se, em verdade, mais bem defensáveis quando fundamentadas sobre princípios do ideário liberal.

Argumenta-se, portanto, que quem se preocupa com o bem real do próximo verá, no liberalismo, ideário mais fundamentado e mais eficiente para a consecução desse fim.

Espera-se que, com esse artigo, dirimam-se desentendimentos sobre a relação entre liberalismo e bem-estar geral; e espera-se, ainda, que pessoas que se identificam automaticamente com a esquerda possam reconhecer, no ideário liberal, maior compatibilidade com a sua visão do mundo.

Liberalismo e bem-estar

Assim como outros ideários, o liberalismo visa ao bem-estar geral; no dizer de Mises, "historicamente, o liberalismo foi o primeiro movimento político que almejou a promoção e o bem-estar de todos, e não o de grupos especiais"[2].

Não se trata de dizer, no entanto, que o liberalismo proponha um plano central para a implantação do bem-estar de todos. Em realidade, reside aqui uma das maiores distinções entre o liberalismo e o ideário de esquerda.

Duas formas de organização

As organizações e ordens que se verificam no mundo podem-se dividir, segundo Friedrich Hayek, em dois tipos[3]. De um lado, existem as organizações artificiais, aquelas que criamos deliberadamente, racionalmente, para a consecução de determinado fim. Um exemplo desse tipo de organização é uma escola, por exemplo, criada racionalmente com funções e processos para o provimento de educação a crianças.

De outro lado, existem estruturas que, muito embora sejam bem ordenadas, não são produto de um planejamento deliberado. Um exemplo disso é a linguagem. Sem dúvida, a linguagem é fruto da ação humana, sendo resultado das infinitas interações e transformações que sofreu em sua utilização diária ao longo de séculos; mas ela não deve sua ordenação ao fato de que pessoas a desenharam deliberadamente. A linguagem é um fenômeno espontâneo, que, embora seja ordenado, não conta com planejamento central.

Em sua busca pela promoção do bem-estar geral, a esquerda tende a privilegiar organizações do primeiro tipo, em que entes centrais planejam e executam planos de forma deliberada e racional. O liberalismo, por sua vez, argumenta que as ordens espontâneas são mais eficientes e trazem menos riscos aos indivíduos.

Dos princípios do liberalismo à ordem espontânea do mercado

O liberalismo inicia-se com o princípio básico da liberdade individual[4], o que inclui a liberdade de expressão, a de contratar e de se relacionar com quem bem entender (desde que com mútuo consentimento), e a de possuir propriedade privada.

Quando essas liberdades são garantidas, as pessoas começam a produzir, a inovar, a aprimorar suas propriedades, a contratar e a trocar com outros indivíduos. Logo se verifica, assim, uma dinâmica de trocas que envolve milhões de pessoas, em cidades e países diversos; e essa dinâmica é tão ordenada que pode parecer que alguém a coordena — que há burocratas, ou um computador central, que orientam todas as ações dos indivíduos na economia.

Como se sabe, no entanto, cada indivíduo está agindo conforme suas próprias preferências (sejam egoístas, sejam altruístas); a ordem que verificamos nessa dinâmica de trocas não é, portanto, resultado de criação deliberada, mas sim uma ordem espontânea, que emerge como efeito colateral das inúmeras ações dos indivíduos e de suas relações no dia a dia.

A essa dinâmica de trocas em constante movimento o liberalismo chama de mercado.

Em linhas gerais, pode-se dizer que a distinção entre o liberalismo e os ideários de esquerda refere-se, sobretudo, aos meios pelos quais o bem-estar de todos possa, e deva, ser alcançado. A esquerda costuma privilegiar ações centralizadas e planificadas, normalmente pelo uso do estado; e o liberalismo costuma preferir a ordem espontânea que emerge com a livre-interação e a livre-contratação pelos indivíduos no mercado.

Direitos naturais e o papel do estado

A esquerda costuma ver o estado como o principal promotor do bem; qualquer problema social deve ser objeto de solução pelo estado, comumente por meio de novos programas sociais e novas leis, que devem ou permitir, ou proibir, toda e qualquer ação. Essa visão implica, ainda, que os direitos dos cidadãos — como à vida, à segurança, ou à propriedade — somente existem porque são conferidos pelo estado. A esquerda faz parecer que os indivíduos devem agradecer ao estado, ou à constituição, por terem direitos.

Na perspectiva do liberalismo clássico, essa visão representa erro lógico — uma inversão entre precedente e consequente. O estado nada mais é do que uma organização social construída por cidadãos, para os propósitos definidos por estes mesmos cidadãos. As pessoas têm direitos naturais, independentemente do estado; e, se constituem o estado, é porque acreditam que essa seja uma via para a garantia desses direitos. O estado existe para as pessoas, e não as pessoas para o estado.

As ineficiências da intervenção do estado

É comum que seres humanos se revoltem com determinados problemas sociais. Veja-se, por exemplo, o caso de alguém que esteja doente, mas não tenha recursos para contratar o tratamento. Essa situação é indesejável, e indignar-se com isso não é reação exclusiva de nenhum campo político. A diferença de visão no espectro político inicia-se, no entanto, no debate sobre a maneira pela qual o problema deva ser resolvido.

A esquerda costuma justificar intervenções estatais com base nas chamadas falhas de mercado; o que raramente faz, no entanto, é cotejá-las com as falhas de estado. Note-se que o liberalismo não diz que o livre-mercado é perfeito; diz apenas que é melhor do que a ação centralizada do estado.

Em seu clássico Economia em uma Única Lição, Henry Hazlitt alerta para a consideração central de qualquer análise econômica: toda intervenção na economia provoca efeitos não-intencionais, em especial em outros grupos e ao longo do tempo.

Veja-se o seguinte exemplo. O estado brasileiro decidiu que o setor automotivo nacional fosse protegido por meio de barreias à importação. Com isso, reduzem-se as importações de automóveis; com essa redução, as empresas nacionais sofrem menos competição; com a competição reduzida, os automóveis disponíveis no mercado tenderão a ser mais caros e de menor qualidade. A política de proteção a um setor termina, assim, por prejudicar um número muito maior de pessoas, que são consumidoras no mercado, e que ganhariam com os preços baixos e a qualidade proporcionados por maior competição no setor.

Veja-se outro exemplo. Imagine-se que o estado imponha regulação obrigando empresas de telecomunicações a oferecer acesso gratuito à internet em regiões remotas do país. As antenas que as empresas deverão instalar aumentarão seu custo de operação; como elas não desejam reduzir seu lucro, farão o máximo para repassar o custo ao preço dos consumidores que pagam pelo serviço. Os consumidores — inclusive os mais pobres —, passarão a pagar mais pelo mesmo serviço, para poder bancar a cortesia oferecida pela regulação. E ainda que o estado ofereça algum tipo de subsídio para a compra das antenas, deve-se lembrar que o estado não produz riqueza; tudo o que tem é retirado dos entes privados via cobrança de impostos[5]. O estado está, assim, retirando de uns (inclusive dos pobres) para dar para outros. Acaso isso é justo?

A esquerda raramente faz análises que levem em consideração os custos e os trade-offs envolvidos; se visa a ajudar determinado setor — para, por exemplo, preservar empregos —, parece não querer acreditar ser possível que a medida possa prejudicar outro setor. A esquerda contenta-se com a pureza de suas intenções.

Afora o problema apontado, intervenções econômicas exigem que façamos considerações de ordem ética. É justo, por exemplo, que os consumidores (inclusive os mais pobres) tenham de arcar com automóveis mais caros para a proteção dessa indústria? E, principalmente: quem, no estado, deve deter o poder de fazer esse tipo de escolha entre beneficiados e prejudicados, entre vencedores e perdedores? Acaso alguém deveria deter esse poder?

A intervenção do estado na economia, quando logra amenizar um problema, o faz à custa da criação de outro problema; se melhora a situação de um, termina por prejudicar a de outro.

O liberalismo costuma ser, portanto, receoso das consequências não-intencionais de toda intervenção econômica.

A ação estatal e o risco da tirania

A esquerda aponta que indivíduos agindo no livre-mercado — como empresários — têm vícios; esses mesmos indivíduos, caso virem funcionários públicos, no entanto, sofrem metamorfose: tornam-se perfeitos. A esquerda costuma assumir que os burocratas que agem em nome do estado têm os pré-requisitos para planejar e implantar o bem-estar geral.

No dizer de Vito Tanzi, muitos assumem que "a intervenção do estado para corrigir as falhas de mercado é intrinsecamente benevolente e que o estado é capaz de corrigir essas falhas administrativamente. Os policy makers que agem pelo estado são confiáveis, sábios e competentes agentes dos eleitores. Eles têm a sabedoria de Salomão, o conhecimento do Google e a honestidade dos santos"[6].

O liberal, no entanto, é cético quanto à ação estatal, porque a implantação do bem-estar geral demandará concentração de poder e de riqueza no estado. Essa concentração reduz o poder da sociedade, e pode torná-la refém das elites que controlam o estado. E se os políticos e os burocratas voltarem-se contra nós? E se aumentarem os impostos demasiadamente? E se retirarem dinheiro das áreas prioritárias para aumentar os seus próprios privilégios? E se começarem a fechar o regime, e limitarem a nossa ação? E se implantarem censura? E se assassinarem opositores?

Por conta dos princípios de liberdade mencionados anteriormente, os liberais são cautelosos e desconfiados do poder; e, em especial, desconfiados de pessoas que querem deter poder. O liberalismo não é indiferente à pobreza e à necessidade de bem-estar; apenas entende que o estado traz riscos demasiados à liberdade individual, e por isso prefere soluções menos arriscadas, menos centralizadas, com menos regulações, ainda que pareçam sub-ótimas quando comparadas a um modelo hipotético e perfeito da realidade.

Atuação indireta pelo estado

Não há consenso entre liberais sobre o tamanho ideal do estado. Alguns defendem a sua extinção, ou ao menos a não-participação voluntária; outros entendem que o estado deva prover serviços mínimos, como segurança pública e justiça; e ainda outros defendem que o estado deva financiar alguns outros setores básicos, como saúde e educação, àqueles que não podem pagar.

Por conta das ineficiências e dos riscos trazidos pelo estado, no entanto, liberais tendem a concordar quanto à diminuição da ação direta pelo estado. Ainda que se queira que pessoas tenham acesso a determinado serviço público, isso não significa que o estado deva provê-lo diretamente.

Por exemplo, imagine-se que queiramos ofertar alimentos a pessoas em extrema miséria. Isso não significa, no entanto, que o estado deva ele mesmo produzir comida e entregar às pessoas. Pode-se proceder, por exemplo, como o bolsa-família, em que simplesmente se entrega o dinheiro diretamente nas mãos de quem precisa. Ou seja: uma coisa é o valor que queremos agregar à sociedade; e outra coisa é a forma de provimento desse valor.

Em geral, pessoas de esquerda costumam concordar com a eficiência da transferência de dinheiro no caso do bolsa-família; o curioso, no entanto, é que elas parecem não aceitar isso quando se fala em saúde e educação. Imaginemos o que seria o bolsa-família se ele seguisse a lógica da saúde, por exemplo, em que tudo — desde os prédios dos hospitais, passando pelos equipamentos e gestão de pessoal — é estatal.

Nesse caso, teríamos fazendas públicas, estoques públicos, centros de distribuição públicos; concursos para agricultores públicos, estoquistas públicos e atendentes públicos; licitações públicas para a manutenção de todos os ativos do programa; escritórios públicos de auditoria e controle; escritórios públicos de apoio (administração, contabilidade, informática) para suportar toda essa operação; e assim por diante.

Teríamos, por fim, uma enorme estrutura burocrática, ineficiente e cara.

Além disso, a entrega direta de alimentos pelo estado prejudica os mercados locais de alimentos, pois dificulta o cálculo e a previsão de demanda que os empreendedores devem fazer para planejar seus investimentos. Ao entregar o dinheiro às pessoas, no entanto, o estado evita essa distorção, e permite que as pessoas continuem agindo nas mesmas estruturas de mercado.

Deve-se considerar ainda que, com a entrega direta de alimentos, o beneficiário não tem qualquer poder; se ele não gostar da qualidade dos produtos, por exemplo, a quem irá recorrer? Como o estado monopoliza o programa social, não haveria alternativa.

No caso da transferência em dinheiro, no entanto, ocorre empoderamento do beneficiário; ele mantém o seu poder de consumidor no mercado, podendo optar pelo melhor — e mais barato — fornecedor de alimentos de sua região.

Direito de escolha e paternalismo

A esquerda costuma aprovar o modelo de provimento do bolsa-família; mas, comumente, não aceita o provimento em dinheiro quando se trata de saúde e educação. Ao liberal isso não parece racional nem justo, e entende que se deva atentar ao que prefere, de fato, a pessoa que receberá o serviço.

Será que a pessoa vivendo a aflição da doença está preocupada em ser curada em um hospital público ou privado? Será que lhe importa o que pensa o sindicato dos médicos? Será que lhe importa se tal política é "neoliberal" ou "privatizadora", de que muitas vezes se a acusa?

A visão liberal tende a responder negativamente essas perguntas; mas suponhamos que haja pessoas que prefiram, de fato, ser atendidas em hospitais estatais. Não há problema; basta que se confira, a todos, o direito de escolha. Quem preferir poderá continuar sendo atendido em um hospital estatal; mas a escolha dessa pessoa não deve obstruir a escolha de outra pessoa que, por exemplo, poderá preferir receber o valor em dinheiro e contratar um plano de saúde privado.

Por fim, o liberal apontará, na visão da esquerda, certa tendência paternalista de arrogar-se saber o que é melhor para os demais. Em vez de empoderar as pessoas e deixá-las fazer as próprias escolhas, a esquerda parece preferir que burocratas definam o que é melhor para a vida dos cidadãos.

Liberalismo e pautas da esquerda

A esquerda costuma imaginar que a defesa de certas pautas — como casamento homossexual, legalização das drogas, redução da violência policial — são de sua exclusiva preocupação. De fato, determinados grupos restringem sua adoção do liberalismo ao campo econômico, mantendo-se reacionários em pautas comportamentais. A visão do liberalismo que costuma prevalecer, no entanto, defende as pautas liberais de maneira geral, mesmo as comportamentais. Veja-se abaixo como algumas pautas comumente defendidas pela esquerda podem ser abordadas por um viés liberal:

Casamento homossexual. Na visão liberal, qualquer casamento deveria ser possível, pois o estado não deve regular nenhum tipo de casamento, nem mesmo o heterossexual. Casamento e relações sexuais são assuntos privados, e desde que ocorram entre adultos com consentimento, não há intervenção justificável por terceiros. O que o estado deve preservar é somente o contrato quanto às consequências jurídicas da união, como divisão de bens.

Legalização das drogas. O estado não deve regular o que o indivíduo faz com o seu próprio corpo. É claro que há debates sobre as maneiras de se legalizar, o gradualismo da mudança, e assim por diante. De todo modo, na visão liberal, o indivíduo deve ser sempre livre para escolher.

Redução da violência policial. A violência policial é caso grave de violação da liberdade individual; não há grande diferença de visão aqui. O que muitos liberais notam, no entanto, é que a esquerda parece preocupar-se mais com a violência policial do que com a violência em geral na sociedade. Para o liberal, o indivíduo que cometeu o ato de violência deve ser devidamente responsabilizado e punido, independentemente de quem seja.

Terras indígenas e favelas. O direito à propriedade privada é fundamental na visão liberal. A esquerda costuma ter preconceito com o conceito de propriedade privada porque costuma pensar no grande empresário; mas se esquece que esse direito vale, igualmente, para as terras indígenas e as favelas, por exemplo. Os princípios liberais valem para o rico e para o pobre, para a maioria e para a minoria. Ações do estado que visem a, por exemplo, construir hidrelétricas em terras indígenas sem o consentimento de seus donos seriam inaceitáveis numa perspectiva liberal da propriedade privada. Não há interesse nacional que se deva sobrepor ao interesse do dono da propriedade privada. De igual maneira, não há por que não conceder títulos de propriedade a moradores de favela e outras formas de "ocupação". Não é função do estado acumular propriedades.

O estado na periferia. A esquerda almeja defender a periferia, mas não leva em consideração todo o prejuízo da ação estatal nessas regiões. O estado violenta o direito à propriedade privada, com desapropriações e restrições no acesso à propriedade; fornece péssimos serviços em saúde, educação e transporte; criminaliza pessoas em relação a atos que nem deveriam ser ilegais, como uso de drogas; e age de maneira paternalista, assistencial, em vez de empoderar as pessoas por meio da redução de impostos e redução do tamanho do estado. Aqui alguém poderia objetar, referindo que o que se quer é um estado que aja com justiça e eficiência. Como se explicou acima, no entanto, o estado carrega consigo os riscos da tirania, e a melhor formar de proteger a sociedade é reduzindo o tamanho do estado.

Vendedores ambulantes. A esquerda costuma-se revoltar quando vê a polícia confiscando produtos de ambulantes. Ocorre, no entanto, que isso é apenas o resultado esperado da intervenção estatal na economia, da regulação do mercado. Como se mencionou, o estado traz esses riscos, e a opressão estatal sobre os pobres ambulantes é mais uma consequência não-intencional de sua intervenção na economia. Caso se retirem as regulações, reduzam-se as barreiras, e deixem-se livres os caminhos para o empreendedor, restaria desimpedida a livre-iniciativa dos vendedores ambulantes. O liberalismo entende que o estado não deve atrapalhar pessoas que queiram empreender, trabalhar e progredir na vida.

Direito de defesa. Infelizmente, existem pessoas que não respeitam a liberdade individual de outras. O direito de defesa, com todos os meios necessários — inclusive com arma de fogo —, é basilar para muitos liberais, ainda que muitos defendam uma regulação mínima do porte de armas. Note-se que o direito de defesa pode ser importante para a sobrevivência em meio a problemas que a própria esquerda identifica em nossa sociedade; se vivemos em uma cultura do estupro, por exemplo, é importante que mulheres tenham mais meios de defesa à sua disposição.

Educação sexual, escola sem partido e outros temas educacionais. Numa visão liberal, em que a educação não seria provida de maneira direta pelo estado (mas talvez financiada pelo estado, por meio de transferências diretas de dinheiro ou de vales-educação), esse problema nem existiria. Os pais colocariam seus filhos nas escolas que preferirem, pelos motivos que desejarem.

Legalização do aborto. Este é provavelmente o tema mais divisivo dentre os liberais. Por um lado, uns entendem ser o direito ao aborto parte do direito da mulher sobre o próprio corpo; por outro lado, outros entendem que o feto é uma vida e, portanto, ele próprio teria direito à preservação de sua vida. Há, ainda, os que entendem que o aborto deveria continuar proibido, porém com penas mais brandas. Não há consenso algum, e liberais de opiniões distintas convivem com essa diferença.

A humildade e a vantagem ética do liberalismo

Como afirmou Mises, "o liberalismo não é uma doutrina completa nem um dogma imutável"[7]. O liberalismo não propugna a perfeição, nem a realização de sonhos utópicos; apenas apresenta ideias e modelos de organização social que se provaram na prática como de menos riscos e menos conflitos à vida em sociedade.

Na ordem liberal, os riscos são menores por conta de seus princípios fundamentais e por conta da ordem espontânea do mercado, que prescinde de centralização e de autoridades burocráticas. Os conflitos, por sua vez, são reduzidos porque o liberalismo propõe o respeito absoluto à liberdade individual; o liberal não se opõe a nenhum arranjo elaborado por outros indivíduos, desde que ele não seja coagido a participar contra a sua vontade.

A visão liberal do mundo apresenta, portanto, maior tolerância e respeito à diversidade do que qualquer outra ordem; de fato, ela é tão livre, mas tão livre, que alguém pode até ser socialista dentro dela, bastando juntar os amigos em uma propriedade comunal e dividir a renda igualitariamente — só não pode coagir ninguém a sê-lo também[8]. Em vez de coação, deve-se fazer uso da liberdade de expressão para tentar persuadir os demais à sua visão de mundo — no caso, evidentemente, de as pessoas livremente escolherem ouvir.

A ordem liberal, baseada no respeito às liberdades individuais, implica que o futuro será sempre desconhecido; implica que, na maior parte das vezes, a sociedade não trilhará o caminho dos nossos sonhos. É preciso, assim, ter a humildade de aceitar que não se pode impor aos demais um plano, um projeto de engenharia social, baseado numa construção unilateral feita por uma elite ou por um partido; os indivíduos devem ser respeitados em sua subjetividade.

Ao criticar o liberalismo, ou o mercado, a esquerda costuma compará-los com um mundo socialista idealizado; tal comparação é injusta. Não se pode comparar o real de um sistema com o ideal de outro. Em sua versão idealizada, o livre-mercado também seria o mundo perfeito de riqueza plena para todos. A crítica justa deve comparar real com real, ideal com ideal[9].

A asserção conclusiva do liberalismo é que, ao se proceder com a comparação justa, real com real, nenhum outro sistema de organização social demonstra-se mais viável, mais conducente ao bem-estar geral, mais resiliente, e menos arriscado, do que aquele baseado em seus princípios. E isso ocorre não porque os liberais ocupam-se de planejar centralmente a ordem perfeita, mas porque reconhecem o valor da ordem espontânea que emerge com a liberdade de ação dos indivíduos.


[1] Em especial, a partir do liberalismo humanitário, conforme definido por Jeffrey Tucker, em "Dois tipos opostos de libertário – qual você é?".

[2] Ludwig von Mises. Liberalismo.

[3] O argumento desta seção é todo baseado na distinção proposta por Friedrich Hayek. Law, Legislation and Liberty, v1. Chicago: The University of Chicago Press, 1983.

[4] Por conta do enfoque do artigo, não me pareceu necessário estender-me aqui para, por exemplo, abordar o princípio da não-agressão.

[5] A rigor, há três formas de financiamento do estado: inflação, impostos, ou dívida.

[6] Vito Tanzi. Governments vs Markets. New York: Cambride University Press, 2011. p. 4.

[7] Ludwig von Mises, Liberalismo, p. 35.

[8] Esse argumento é de Jason Brennan. Why not capitalism.New York: Routledge, 2014.

[9] Esse argumento é desenvolvido em Brennan, já citado, e em Jean-Fraçois Revel. Last Exit to Utopia. New York: Encounter Books, 2009.

29 votos

autor

Gustavo Maultasch
é diplomata de carreira e Ph.D. Candidate em administração pública pela Universidade de Illinois-Chicago.



  • eduardo  16/05/2017 14:43
    Ótimo artigo, parabéns!
  • Um observador  16/05/2017 15:30
    Excelente texto, quisera eu ser capaz de escrever com essa clareza.

    Dois trechos em particular me chamaram a atenção por sua mensagem simples mas poderosa, e que poderão ser úteis em futuras discussões com socialistas:

    "A esquerda raramente faz análises que levem em consideração os custos e os trade-offs envolvidos; se visa a ajudar determinado setor (...) parece não querer acreditar ser possível que a medida possa prejudicar outro setor. A esquerda contenta-se com a pureza de suas intenções."

    "Ao criticar o liberalismo, ou o mercado, a esquerda costuma compará-los com um mundo socialista idealizado; tal comparação é injusta (...)"


  • Antônio Galdiano  16/05/2017 20:15
    O professor Fábio Barbieri foi o primeiro que ouvi dizer a respeito desta situação: "Ao criticar o liberalismo, ou o mercado, a esquerda costuma compará-los com um mundo socialista idealizado; tal comparação é injusta". Ele chamou essa de falácia do nirvana. Nas palavras dele: "Ao comparar a realidade com uma ideia de perfeição, a realidade sempre vai perder! Isso é a falácia do Nirvana" Grande momento! Saudades das aulas dele!
  • Luís  16/05/2017 15:56
    Texto excelente, nota-se logo de início uma pesquisa intensa e dedicada, uma cuidadosa lógica da exposição de ideias e a preocupação de manter a simplicidade na escrita e a proximidade com o leitor e seus problemas cotidianos. Não vejo como poderia ser melhorado. Parabéns!
  • Poeta Coleridge  16/05/2017 15:59
    Mas, há uma outra dificuldade estrutural da direita liberal: só acredita em economia e não acredita em ideias, por isso nunca investe nelas e considera um intelectual um animador de festa e jantares. Acredita mesmo que tudo pode ser comprado e aí apanha da esquerda, que tem uma visão mais abrangente do Sapiens, mesmo que a use para mentir ou criar mundos absurdos. Falta à direita um repertório humanista, por isso é meio tosca.

    Texto completo do filósofo Pondé :
    https://www.portalaz.com.br/blog/blog-do-murilo/380331/a-direita-nao-acredita-em-ideias-e-acha-que-intelectual-e-animador-de-fe
  • vladimir  16/05/2017 17:01
    pergunta, quem vai pagar a conta?
  • Poeta Coleridge  16/05/2017 17:49
    "No fundo, é a velha mesquinharia característica de quem vê a vida a partir do "livro-caixa da loja". Falta uma certa coragem espiritual à direita liberal, o que, reconheçamos, não falta à esquerda em geral. Não consegue entender que, se a vida é em grande parte uma cadeia produtiva sem garantia ou piedade, ela é, também, uma narrativa sobre esse sentimento asfixiante de contingência, abandono e solidão que acomete o Sapiens há milênios."

    Texto completo do filósofo Pondé :
    https://www.portalaz.com.br/blog/blog-do-murilo/380331/a-direita-nao-acredita-em-ideias-e-acha-que-intelectual-e-animador-de-fe
  • vladimir  16/05/2017 21:00
    volto a perguntar, quem vai pagar a conta?
  • Poeta Coleridge  19/05/2017 04:37
    Infelizmente os comentários e os artigos aqui corroboram o que Pondé disse...

  • Vladimir  30/07/2017 14:11
    Continuo a perguntar
    Quem vai pagar a conta do sonho da esquerda bisonha?
  • Taxidermista  16/05/2017 18:33
    "liberal só acredita em economia e não acredita em ideias, por isso nunca investe nelas"

    Além de surrado clichê neocon, isso é absolutamente FALSO.

    Dizer que o liberal clássico Ludwig Von Mises "não acreditava em ideias" é apenas externar uma profunda ignorância. Mises dedicou sua vida acreditando e investindo em ideias.

    Dizer que um Murray Rothbard "não acreditava em ideias" é, também, manifestar uma profunda ignorância. Rothbard dedicou sua vida investindo em ideias, escrevendo sobre ideias, o papel das ideias, a força das ideias, a história das ideias.

    Dizer que um Hans Hermann Hoppe "não acredita em ideias" é, também, manifestar uma profunda ignorância.


    "considera um intelectual um animador de festa e jantares"

    Ora, os três autores supracitados - e só para ficar nesses três - têm diversos textos tratando, justamente, sobre o papel fundamental das ideias e dos intelectuais: www.mises.org.br/Article.aspx?id=82

    Também: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1149

    O tal Pondé está pessimamente informado.


    "Acredita mesmo que tudo pode ser comprado"

    Com base em q o Pondé afirma isso?


    "tem uma visão mais abrangente do Sapiens"

    A esquerda tem uma visão "mais abrangente do Sapiens" em relação aos liberais clássicos e aos libertários?

    Ora, ora, seu Pondé, uma visão contrária à própria natureza humana passou a ser visão "mais abrangente" agora... O esquerdismo é uma revolt against nature, seu Pondé.


    "Falta à direita um repertório humanista, por isso é meio tosca"

    Tosco é quem afirma isso.

    O liberalismo clássico de Mises é profundamente humanista, calcado na natureza da ação humana (e não em visões tecnocráticas "maximizadoras" ou de "homo economicus" dos neoclássicos).

    Pondé, pelo visto, nunca ouviu falar em praxeologia misesiana.

    Da mesma forma, o austro-libertarianismo Rothbardiano-Hoppiano - também praxeológico - é profundamente humanista, fundado no direito natural e na natureza humana, e nos princípios da ação humana.

    Caro Pondé, "intelectual um animador de festa e jantares" é intelectual desinformado.



  • Ricardo  16/05/2017 19:30
    kra, quando crescer quero ser quem nem vc, rs, muito bem.
  • Tyler Durden  17/05/2017 12:42
    O taxidermista fez uma resposta imensa para uma frase que está fundamentalmente errada. Ninguém disse que "liberais não acreditam em ideias", mas sim a direita-liberal, e esse termo não existe. Direita e Esquerda são ambas formas de conduzir o estado para privilegiar diferentes esferas, e não liberar coisa alguma.
  • Taxidermista  17/05/2017 14:06
    "Ninguém disse que "liberais não acreditam em ideias", mas sim a direita-liberal, e esse termo não existe"


    Como "ninguém disse", meu caro?

    Você está confundindo o uso de uma expressão errônea com o conteúdo do que foi dito pelo articulista.

    O artigo do Pondé é inteiramente para dizer isso: que "liberais não acreditam em ideias". Leia lá o artigo do cara e você verá.

    O fato de não existir o termo "direita-liberal" não muda em nada o fato de que ele, Pondé, fez referência a liberais em geral.

    Se ele usou um termo que não existe - "direita-liberal" - significa que ele está ainda mais errado, mas a minha crítica permanece absolutamente de pé, pq ele, repito, fez referência aos liberais em geral.
  • Zézão Cianureto  09/11/2017 19:18
    Gente eu acho que entendi o que o Poeta quis dizer com o texto do Pondé.
    Ele quer dizer que nos, liberais, precisamos formar um discurso bonitinho para que a sociedade entenda que ela não precisa pagar um monte de burocratas para que eles contratem, superfaturado, um navio pesqueiro para nos dar o peixe.
    Basta comprarmos uma vara e pescar ou melhor ainda usar o dinheiro pago aos burocratas e comprarmos o peixe direto do pescador e ficarmos com o troco. Olha que vai sobrar muito troco!
    Só que isto tem que estar detalhado em um discurso bonitinho, cheios de minucias de como os mais pobres irão se beneficiar, para que a sociedade brasileira que viveu sempre sobre a tutela do estado possa entender plenamente o significado da palavra LIBERDADE.
  • Arthur  16/05/2017 17:40
    O dogma liberalista de pregar seu mundo perfeito foi freado duas vezes na história. E, do jeito que o mundo anda nessa lide extremista direita-esquerda, pelo jeito a história dará mais uma chance a essa 'perfeição'. Só não sei se poderão sair-se bem de mais uma derrocada.
  • Ricardo  16/05/2017 18:40
    "O dogma liberalista de pregar seu mundo perfeito foi freado duas vezes na história."

    Um "dogma" ser "freado pela história" é algo bastante interessante...

    Mas até que você acertou. Sim, o liberalismo foi golpeado duas vezes.

    Na primeira, após gerar o maior crescimento econômico da história, os estados decidiram fazer guerra entre si. Com a Primeira Guerra Mundial, acabou-se o reinado do liberalismo.

    Pouco tempo depois veio a disputa entre fascismo e comunismo. Sagrou-se campeã a social-democracia, que apenas misturou elementos dos dois regimes.

    "E, do jeito que o mundo anda nessa lide extremista direita-esquerda, pelo jeito a história dará mais uma chance a essa 'perfeição'."

    Sim, com a inevitável derrocada da social-democracia, e com a Venezuela felizmente trazendo um exemplo prático do socialismo, pode realmente ser que o liberalismo volte. Seria a primeira vez desde 1914.

    "Só não sei se poderão sair-se bem de mais uma derrocada"

    Isso é curioso. As duas "derrocadas" anteriores foram geradas inteiramente pela adoção de políticas opostas ao liberalismo. Para haver uma nova derrocada no mesmo estilo, terão de inventar novas alternativas intervencionistas para concorrer com o liberalismo.
  • Igor  10/11/2017 14:18
    Arthur, nunca li nada sobre o liberalismo que pregasse um mundo perfeito. Até onde eu sei, o liberalismo é baseado na realidade da condição humana, que, por sua vez, é imperfeita (pelo menos no ponto de vista utópico).

    Quem possui dogmas de uma perfeição são os marxistas. Você, por um acaso, não estaria confundindo?
  • Felipe Lange Souza Borges dos Santos  16/05/2017 17:53
    Tenho curiosidade em ler todos os artigos que foram enviados ao concurso.
  • anônimo  16/05/2017 18:37
    Acho que esse artigo espera muito bom senso da esquerda e ignora o igualitarismo da esquerda.

    o ideal de igualdade, que é necessariamente tirânico.

    Se todos os homens são iguais, qualquer desigualdade social ou econômica é fruto de discriminação, exploração e opressão.
    E uma revolta contra a realidade

    se negros são encarcerados, o sistema policial é racista.
    se mulheres estão pior em algum Índice social, é culpa da cultura machista.
    se alguém é pobre, é porque não teve oportunidades( ignorando que existem pessoas sem talentos e/ou preguiçosas)
    se países Europeus são mais ricos e prósperos, foi porque exploraram outras nações.

    vejo no movimento Feminista a mais nova Ilusão, a igualdade da BELEZA. Aparentemente, todas as mulheres são lindas e igualmente bonitas, sabem aquelas gordas totalmente horríveis? não é que elas tenham uma aparência biologicamente repulsiva, É a nossa cultura que estabeleceu um padrão de beleza para oprimir mulheres com determinadas aparências.

    RECOMENDO A LEITURA DO TEXTO "igualitarismo e a revolta contra a natureza" de Rothbard

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1206
  • Ernane  17/05/2017 14:45
    Exatamente, creio que é esperar bom senso da esquerda é uma ilusão em demasia.
    Parece que a história nunca nos ensina que as intenções de esquerda sempre foram as piores possíveis. De "boas intenções" o inferno está cheio.
    Por mais que o autor tenha contextualizado com referências citado algumas obras não justifica que esse liberais detenham a verdade. Preocupa-me tal compreensão pois parece que a acepção "liberal" e uma palavra que trás consigo acepções distintas conforme os fins, pode tudo ou quase isso.
    Basta uma rápida pesquisa sobre as origens do pensamento liberal para ver o quão é o desconhecimento histórico. Os que se autoproclamam liberais trazem consigo uma pauta difícil de entender ideia de que o autêntico liberalismo é aquele que defende aborto, união homo afetiva, liberação das drogas e m e por ai vai.
    Não consigo conceber Liberalismo e pautas de esquerda isso é antagônico.

    "O liberalismo progressista, como compreendido hoje, é uma invenção de John Stuart Mill (1806-1873), no século XIX. Foi Mill quem fez o liberalismo abraçar como fundamento a ideia de que cada pessoa deve buscar a felicidade a seu modo e de que a construção autônoma da personalidade de cada um, sem conhecer qualquer ordem ou limites que não a vedação da violência a outrem, é o único norte moral que uma concepção liberal pode indicar. É a partir de Mill que o liberalismo perde seu vigor filosófico e se reduz a considerações rasas sobre "direito à felicidade" ou "pluralidade de concepções de vida boa". Curiosamente, é também Mill que insere no pensamento dominante a intervenção do Estado na ordem econômica, podendo ser considerado o pai do intervencionismo do século XX. Ou seja, na verdade, a introdução do progressismo moral no liberalismo trouxe não a sua salvação, mas a sua bancarrota."

    Aqui: www.dicta.com.br/o-liberalismo-classico-e-as-tradicoes-morais/


    Ainda bem que as opiniões do auto não reflete as do IMB.
  • Manuel Messias   16/05/2017 19:17
    Se a subida da direita ao poder, sobretudo, aquela que se desalinha das ideias assistencialistas da esquerda, representa um retrocesso político e social à luz do ideário estatista, nos é lícito afirmar que o estado democrático de direito padece de falhas intrínsecas graves – já que haveria um tipo de autossabotagem; ou, que o próprio sistema democrático é ao mesmo tempo válido e inválido. É válido enquanto sistema eleitoral, pois garante o direito universal do voto, mas inválido porque permite que uma maioria cheia de ódio aos pobres chegue ao poder. Esse falha sistêmica representa uma sabotagem do estado contra o próprio estado democrático, porque representaria uma interrupção do fluxo de poder do centro para a periferia.
    Sim. Explico. A direita liberal gananciosa não seria capaz de cuidar dos interesses de todos, apenas a esquerda dona do conceito de democracia seria capaz de dar a todos uma porção de poder (fluxo de poder) fortalecendo as minorias. Não é esse o quadro ideológico de nossos dias? Assim, em última instância, um sistema que permite que pessoas tão ruins cheguem ao poder seria um sistema ruim.
    Para a esquerda marxista, esse sistema é inválido e ruim. A democracia só seria plena, se os marginalizados (inclua nesse conceito todo tipo de minorias que você poder imaginar) pudessem chegar ao centro – é a narrativa da ideologia. Tudo que disse até agora não é novidade, basta ler Marx e frequentar uma universidade. O problema reside na execução desse plano. A gente já conhece como a história acaba, o estado de direito degenera em estado totalitário (Vide: Cuba e as repúblicas sociéticas). Para impor esse tipo de democracia é necessário uma revolução – tomada do poder com uso da violência; ou, hodiernamente, uma degradação do sistema de freios e contrapesos (check and balance). Essa degradação é alcançada através de leis de cunho totalitários, restritivos da liberdade de expressão e econômica. Essas leis, a priori, sofreria algum tipo de controle (lembra dos freios e contrapesos?), mas como a ideologia da bondade e do altruísmo da esquerda encurrala todos contra ela num campo de concentração para neoliberais, neofascistas e reacionário, ninguém se sujeita a ficar contra a elas e conseguem encontrar fundamentos para a introdução dessas leis nos sistemas jurídicos. Assim, gradativamente, sem que percebamos, estamos vivendo numa ditadura. Lembra a Venezuela, né?
    A massa manobrada acredita na revolução, os intelectuais e burocratas esquerdistas acreditam nessa degradação, ou seja, na tomada do poder de dentro para fora.
  • Alexandre Fetter  16/05/2017 19:24
    Ótima leitura!
  • Daniel Sousa  16/05/2017 20:09
    Gustavo brilhante, respeitoso e elegante (como sempre).
    Vale muito a leitura.
  •   16/05/2017 23:19
    Valeu.
  • Sheyk  16/05/2017 20:33
    vocês tem um modelo de capitalismo onde tudo é perfeitinho e segue as regrinhas magicas de mercado e tudo por um passe de magica da certo, quando na verdade o capitalismo que vocês não querem ver é o capitalismo na pratica, só olhem o mundo e pensem... O capitalismo que vocês acham ser o "certo" não existe ou existiu em parte alguma na face da Terra. ACORDEM!!!

    Me fala 1 exemplo de nação capitalista que se desenvolveu sem ajuda do estado? NÃO existe até hoje! Até as nações que pregam o livre mercado ou elas usam (e fingem não usar), ou já usaram seus estados para promover desenvolvimento, procura só 1 exemplo de nação capitalista que se desenvolveu sem qualquer tipo de estado, Coreia do sul, Taiwan, japão, Eua,, países nórdicos com seus estados enormes que promovem livre mercado , até mesmo a cidade de Hon kong que só é livre mercado dentro da cidade, fora dela o estado subsidia, investe etc.

    Será que existe livre mercado? "só 1 exemplo de nação capitalista que se desenvolveu sem ajuda de algum estado por favor "
  • vladimir  17/05/2017 20:31
    tem sim os fenincios
  • vladimir  17/05/2017 23:05
    Exemplos: mesopotâmicos, fenícios, catarinenses, liga hangelica, templários, republicas italianas na renascença a Inglaterra Elizabetana, colônia unida da oceania, federação do comercio de Marte, quer mais?
  • MB  16/05/2017 21:05
    Enquanto nós ficarmos calados e sem inculcar nas cabeças de nossas crianças e jovens o ato de poupar e seus frutos no médio e longo prazo,nosso trabalho estará perdido,pois a atual geração é um caso perdido,é um povo mal-acostumado e dependente das benesses estatais e como diz o ditado"melhor um passarinho na mão do que dois voando",eles preferem se agarrar a candidatos populistas feito Lula do que encarar a realidade,portanto só fazendo poupança desde cedo é que as pessoas despertarão deste sono\pesadelo que é o paternalismo estatal...
  • Igor Diniz  16/05/2017 21:17
    Olá à todos, gostaria de pedir que se possível o IMB fizesse um artigo sobre o sistema de aposentadoria privada do Chile. Li sobre isso nessa matéria da BBC e me parece ser muito tendenciosa em reprovar este modelo. Segue o link da matéria:
    www.bbc.com/portuguese/internacional-39931826
  • Salazar  17/05/2017 00:01
    De novo? Sem problemas.

    A previdência chilena é um arranjo completamente estatista. O governo obriga o trabalhador a contribuir para um plano. O governo não dá a opção de o trabalhador manter seu salário integral e direcionar uma parte dele para onde ele quiser. O governo obriga o trabalhador a contribuir mensalmente para qualquer uma das empresas amigas do governo (um mercantilismo explícito).

    A partir do momento em que o estado garante uma clientela cativa para essas empresas, acabou a eficiência (e as taxas de administração serão altas). E é isso o que acontece lá. O ramo de previdência privada não possui uma "livre concorrência", todas cobram praticamente a mesma "taxa de administração", e além disto cobram uma "taxa de carregamento" muito elevada.

    Agora, apesar de tudo isso, um chileno que pagou a previdência ao menos consegue se aposentar. Diferentemente do que já está ocorrendo neste exato momento no Brasil (vide funcionários públicos estaduais do Rio).
  • Igor Diniz  17/05/2017 13:12
    Obrigado pela explicação Salazar.
  • Pobre Paulista  17/05/2017 11:54
    Ai ai ai, o texto estava ótimo até que...

    "Legalização do aborto: bla bla bla, mi mi mi, polêmica, sem consenso, nhem nhem nhem"

    Não tem polêmica nenhuma, aborto é assassinato e nenhum liberal defende isso. Com a palavra, Ron Paul: A questão do aborto.
  • Ex-microempresario  17/05/2017 14:30
    Menos, colega. Proclamar que algo "está certo" e que quem pensa o contrário "está errado" é o que fazem os petistas, socialistas, progressistas...

    A falta de consenso em temas complexos é normal. O debate pode ajudar a que eventualmente se chegue ao consenso, ou não. Mas com certeza declarar o consenso por decreto não é o caminho.
  • Zezim  17/05/2017 14:33
    "nenhum liberal defende isso"


    Eu concordo com você sobre esse assunto; também acho que aborto é assassinato.


    Mas dizer que "nenhum liberal defende isso" é totalmente errado.

    Eu poderia te colocar uma lista grande aqui de liberais/libertários que defendem/defendiam aborto, mas vou mencionar apenas um:


    Murray Rothbard: capítulo 14 do Ethics of Liberty:


    "The proper groundwork for analysis of abortion is in every man's absolute right of self-ownership. This implies immediately that every woman has the absolute right to her own body, that she has absolute dominion over her body and everything within it. This includes the fetus. Most fetuses are in the mother's womb because the mother consents to this situation, but the fetus is there by the mother's freely-granted consent. But should the mother decide that she does not want the fetus there any longer, then the fetus becomes a parasitic "invader" of her person, and the mother has the perfect right to expel this invader from her domain. Abortion should be looked upon, not as "murder" of a living person, but as the expulsion of an unwanted invader from the mother's body. Any laws restricting or prohibiting abortion are therefore invasions of the rights of mothers."



    Não gostou de saber que Rothbard defendia isso? Paciência, fazer o que.


    Mas agora você pode parar de falar a falsidade de que "nenhum liberal/libertário defende isso".
  • Mengele  17/05/2017 19:24
    Não considera um amontoado de célula um ser vivo relevante.
  • AGB  11/03/2018 22:24
    Exatamente. O embrião ou o feto decidiu, por seu livre arbítrio, invadir o útero da mulher. Portanto, assiste a mulher o direito de consentir com a presença desse invasor ou recusar sua permanência. O embrião ou o feto que sofra as consequências de sua ação insensata.
  • GUILHERME PIRES ARBACHE  17/05/2017 14:05
    Acho muito bom tentar um diálogo com a esquerda. As explicações sobre a diferença entre o Estado prover um serviço ou dar condições para os mais pobres utilizarem esse serviço, entre outras explicações (a mais central da ordem espontânea vs planejamento central, por ex.) tambem. Agora, o texto (e esse Instituto) pecam por uma visão muito exagerada ao meu ver, e mais próxima de right-libertarians (e portanto de conservadores também ) do que do liberalismo clássico que diz representar. Até aí tudo bem, questão de definições. Mas eu acho que aSSim como esquerdistas exageram as vantagens do Estado vocês fazem o oposto. Falta aí, aliás, uma variável importante : democracia. Tratar "Estado" como se todos fossem iguais é uma simplificação absurda. Aliás mesmo dentro da democracia existe uma diferença importante entre o estado mais suscetível ao populismo e imediatismo porque sua população é assim e aquele mais racional. Então, um Estado pode sim ser superior ao mercado. Se O o governo deu subsídio para automobilismo isso é ruim primeiro porque não traz nada muito bom. Se fosse, por exemplo, para a energia eólica ou ferrovias, que são superiores ao automóvel em praticamente tudo, por mais que houvessem defeitos iriam ser muito menores que os benefícios provavelmente. Alias a ordem espontânea e o mercado não estão separados totalmente do Estado como vocês (e os esquerdistas) parecem ver. Pode ter certeza que o lobby da indústria automobilística partiu de indivíduos. Acho que a solução está mais ao centro e se querem um diálogo real com a esquerda não adianta continuar essa dicotomia limitada Estado x mercado e exagerar os benefícios do mercado e ignorar um debate mais profundo sobre onde e como o Estado pode ser superior.
  • Martins  17/05/2017 15:54
    "Se o governo deu subsídio para automobilismo isso é ruim primeiro porque não traz nada muito bom. Se fosse, por exemplo, para a energia eólica ou ferrovias, que são superiores ao automóvel em praticamente tudo, por mais que houvessem [sic] defeitos iriam ser muito menores que os benefícios provavelmente."

    Contradição total. Se energia eólica e ferrovias de fato fossem "superiores" ao automóvel, então estaria havendo uma chuva de investimentos nestes setores, pois haveria muitos lucros a serem feitos.

    O fato de isso não estar acontecendo mostra que tais investimentos nada têm de "superiores" ao automóvel. Aliás, o fato de só serem viáveis por meio de subsídios -- isto é, pelo confisco forçado do dinheiro de quem não quer pagar por estes serviços -- mostra que tais investimentos, na realidade, representam uma grande destruição de capital.

    Se ninguém quer investir neles é porque realmente não há demanda por eles.

    Estude mais economia antes de querer comentar especificidades em público.


    P.S.: estude o que houve com a Solyndra nos EUA.
  • Guilherme  22/03/2018 21:23
    Não sei como eu vim parar Aqui de novo. Mas não tem contradição nenhuma. Essa utopia de que o superior sempre terá mais investimentos nem sempre acontece (ou não acontece a tempo de nós livrar de certos problemas ambientais por ex ).... Primeiro - transportes e energia dependem de infraestrutura, de decisões no mínimo municipais (algo que os right libertarians odeiam né ? Planejamento central).... Voce não pode sozinho decidir certos tipos de transporte. Ademais, existe uma coisa chamada lobby , crony capitalism que torna frequentemente o ideal de concorrência perfeita algo utopico. Segundo e mais importante : mesmo que todas pessoas tenham condições perfeitas para buscar o que é melhor para elas próprias nesse mundo cor-de-rosa de libertarians (de direita), e as externalidades negativas que qualquer estudante de economia do primeiro ano ouviu falar ? Como você resolve isso sem o Estado ? Espera que as pessoas se.auto regulem ? O carro, por ex. poderia ser superior em algum aspecto (na verdade ele é - dá independência para ir aonde quiser quando quiser, por ex.) para o INDIVÍDUO. Mas não só as óbvias externalidades ambientais, ele tbm produz o trânsito para outrem....mas fiquemos nas ambientais.... Me diga como você libertarian vai resolver isso?
  • Jarzembowski  17/05/2017 17:28
    Alguém já viu esse canal CPL?
    Os caras dizem ter refutado a crítica dos austríacos ao valor-trabalho:

    https://www.youtube.com/watch?v=FhhaeApb_gc
  • Comunistas Devem Fazer Fotossíntese  18/05/2017 01:02
    Dois grandes problemas da esquerda são a crença na falácia da economia de soma zero e na busca pela igualdade de resultados, ao invés de igualdade de oportunidades. Não só são ideias dominantes na esquerda como parecem ter bastante apelo popular (são de fácil assimilação). Enquanto a primeira leva a uma condução de economia desastrosa em casos de não haver uma abundância de recursos, a segunda está condenando movimentos sociais à obsolescência.
  • thony  18/05/2017 13:14
    "igualdade de oportunidades" é tão falaz quanto "igualdade de resultados".


    O que se precisa é liberdade individual. Ponto.
  • Cleidisonn  19/05/2017 14:38
    Pessoal, me tirem uma dúvida..
    Se vocês são contra as cobranças de impostos... como acontece o assistencialismo aos menos afortunados de alguns países extremamente capitalista? E não seria isso socialismo? ficarei muito agradecido se vocês puderem me esclarecer essa dúvida.
  • Wagner  19/05/2017 15:39
    Como acontece? Você faz o assistencialismo. Você dá seu dinheiro para quem você quiser.

    Tanto você quanto eu temos a responsabilidade pessoal de ajudar um destituído. Mas eu não tenho o direito de roubar de você só porque há pessoas precisando da sua ajuda. Você tem a obrigação moral e pessoal de ajudá-las; mas eu não tenho o direito de interferir nos seus direitos, roubar de você e entregar o roubo para alguém na rua, mesmo que esse alguém esteja em sérias privações.

    Portanto, a obrigação de "garantir o mínimo para a existência digna de quem quer que seja" é algo que tem de partir do indivíduo, e não de um aparato institucionalizado de coerção.

    De novo: você tem a obrigação moral de ajudar os pobres. Agora, você não tem o direito de obrigar terceiros a ajudá-los. Você não tem o direito de pedir que o governo tome dinheiro de terceiros para redistribuir aos pobres. Isso é imoral. Isso é roubo. E nenhuma sociedade justa pode ser construída tendo por base o roubo e a imoralidade.

    Aliás, hoje, com a ubiquidade das redes sociais, a coisa mais fácil que tem é você criar campanhas de doação e conscientização que levantem fundos para os destituídos. Não há desculpas para não fazê-lo.


    Quanto mais liberdade econômica, mais solidariedade e caridade - na teoria e na prática

    A maneira como ajudamos as pessoas não ajuda as pessoas

    Um pequeno teste de ética e moral
  • DTF  20/05/2017 19:55
    Gustavo,
    Gostei muito de seu artigo, mais ainda por acompanhar seu crescimento pessoal, através de viagens, pesquisas e do trabalho que levaram a você ter a possibilidade de analisar vários fatos e situações/realidades com seus próprios olhos.
    Também li vários dos comentários sobre o texto e me chama a atenção a associação da palavra Direita com o Liberalismo, como se fossem sempre idênticos.
    Não sou conhecedor do assunto, mas me parece que muitas pessoas se esquecem que o mundo não é preto e branco. Que pessoas podem ter opiniões, muitas vezes liberais e outras vezes de esquerda e que o mais importante é prevalecer o bom senso e o entendimento de que o direito de um acaba quando começa o direito do outro.
    Muitos de esquerda acreditam que pessoas, cujos pensamentos sejam diferentes, pelo menos em algum assunto, do pensamento definido como sendo de esquerda, não conseguem ver a importância do Estado, como no caso do Bolsa Família.
    Muitos de nós, empresários*, apenas divergimos do COMO o programa é estruturado, sendo que, uma frase dita por Ronald Reagan, talvez seja a melhor expressão do nosso pensamento, aqui numa tradução livre: "devemos medir o sucesso de um programa social pela quantidade de pessoas que conseguem deixa-lo e não pelo número de pessoas que entram no mesmo. "
    Nossa sociedade viverá desafios ainda maiores, com a automação de milhões de empregos e, talvez devêssemos começar a discutir como lidaremos com uma importante massa populacional sem emprego e, pior, sem ocupação.
    Não minimizando a importância da mesma, mas continuamos discutindo a diferença social entre as pessoas, muito pela perspectiva econômica (ainda que muitas vezes travestida de discussão de ideais), quando a nova diferença social se fará pela quantidade de conhecimento acumulado pelos indivíduos.
    Como melhor preparar nossas crianças? Sim, nossas crianças, por que os jovens de hoje, nós já comprometemos. Como ensina-los a ter bom senso, a se dedicarem a áreas em que senso crítico, empatia e tato serão fundamentais?
    Quando teremos a primeira manifestação por educação, com mais de um milhão de pessoas na rua em nosso país? Quando não tivermos mais empregos e, aqueles que se dizem de esquerda, começarem a defender o protecionismo contra as máquinas, nova arma dos Liberais, em vez de ter se preparado para sua chegada?

    *Não esqueçamos que este é um grupo que se estende desde o camelo até os que possuem grandes empresas e deveriam seguir a lei vigente (não quero aqui desfocar do tema, entrando na discussão dos assuntos da realidade nacional deste momento),
  • Yuri   23/05/2017 04:23
    Um artigo bem realizado, talvez o seu propósito principal tenha sido cumprido, o de tentar apaziguar as relações entre liberais e a esquerda, tentando até fazer correlações de pautas discutidas e defendidas pela esquerda são, em sua maioria, também pautas dos liberais e que isso mostra o tão justo e solidário pode ser o liberalismo.
    Mas nunca vi um liberal defender ou se posicionar em favor de qualquer minoria ou se colocar a favor de questões sociais. A lógica do mercado, isso é o lucro acima de tudo, ou até mesmo quando o autor disse que é a relação de trocas (raramente ou nunca há trocas justas) que define o pensamento liberal, como se pode esperar que as pessoas praticantes disso possam pensar no outro como uma não forma de obtenção de lucros e vantagens.
    Desde que seja vantajoso tá valendo.
    Infelizmente o estado se faz necessário para tentar manter um relação mais justas nessas situações. O indivíduo ou o que é de bem geral, como um rio, floresta, uma praia, uma estatal, uma reserva, não pode ser simplesmente vendida sendo que pertence a todos e que se for vendida certamente não trará benefícios a todos, principalmente os moradores locais, porque muitas vezes o lucro não fica nas redondezas de onde são essas coisas comumente entregue a empresas internacionais.
    Desculpa, mas mesmo com essas colocações, exemplos e citações não tem como enxergar o liberalismo como algo positivo, pelo menos não como algo que traga ou realmente se preocupe com o bem estar geral.
  • saoPaulo  23/05/2017 14:41
    A lógica do mercado, isso é o lucro acima de tudo
    Espantalho surrado.
    Esquerdistas é que resumem a experiência humana a dinheiro.
    Quem é obcecado com igualdade de renda?
    Quem reclama da miséria nos países subdesenvolvidos para, logo em seguida, exigir protecionismo contra os produtos por eles produzidos?
    Quem é a favor que um pai de família pague impostos sobre o leite das suas crianças, para que ele goze de estabilidade no seu emprego público?
    Perdi as contas das vezes que argumentei que se fulano não é capaz de produzir X, então ninguém deveria ser obrigado a lhe pagar X, sob o risco de fulano não ser empregado em primeiro lugar. Esquerdistas imediatamente distorcem o que acabei de escrever para dizerem que eu acho que a vida de fulano não vale X. E você ainda vem falar que os liberais é que só pensam em dinheiro e lucro?
    Você acha que as pessoas tenham que trabalhar para se prejudicarem?
    E mais, a imagem de uma impresa vale muito e a vontade do consumidor é soberana. Qualquer um sabe que danos na imagem podem custar milhões.
    Aposto que você tem um iPhone e reclama dos salários de fome dos chineses.

    raramente ou nunca há trocas justas
    Mais um que acredita que as pessoas têm que ser deuses e possuírem todo o conhecimento do mundo para poderem efetuar uma troca justa?
    Então se A troca algo com B, e ambos estão satisfeitíssimos, a troca só é justa se o Yuri achar que foi?
    Se a Gisele Bündchen dá um fora no Yuri, se recusando a trocar fluídos corporais com ele, obviamente o governo tem que intervir e obrigá-la ao coito, afinal o poder de barganha dela é muito superior ao do Yuri, os dois não tiveram igualdade no ponto de partida, ela acertou na loteria genética e não possui mérito algum na sua beleza.

    Infelizmente o estado se faz necessário para tentar manter um relação mais justas nessas situações.
    O Alice, em que mundo você vive? Desde quando o estado corrige injustiça alguma? Desde quando é justo um miserável pagar imposto sobre a sua comida para bancar hotéis de luxo pro Temer, seu animal?
  • Ex-microempresario  23/05/2017 15:42
    Só para completar:

    Mas nunca vi um liberal defender ou se posicionar em favor de qualquer minoria

    Os liberais e o liberalismo defendem a menor de todas as minorias: o indivíduo.


    e como algum outro comentarista já notou, a moda entre os paraquedistas agora é a de elogiar o artigo no primeiro parágrafo ("Um artigo bem realizado, talvez o seu propósito principal tenha sido cumprido..."), antes de começar a ladainha de clichês.
  • Henry William  25/05/2017 20:59
    Excelente! Já há um texto no mesmo formato sobre um diálogo com a Direita?
  • FREDERICO HAUPT BESSIL  27/05/2017 18:34
    Boa tarde! Sabe-se que o direito de transmissão de sons e imagens é uma concessão do poder público, conforme disposto na Constituição. Como seria na visão libertária? Se os detentores do capital quisessem comprar os canais de televisão e manipular a população, transmitir somente pornografia, programa violentos, informações inverídicas para que a população só adquira tais produtos das marcas dominantes e só votar nos candidatos do partido X ou Y? Escrevi uma redação sobre o tema, mas gostaria de saber a opinião, mui respeitosamente, dos nobres liberais.

    A televisão, por ser o meio de comunicação mais popular, detém um grande poder quanto à formação da opinião pública. Ao mesmo tempo em que ela informa e amplia conhecimentos, manipula e desinforma. Nesse contexto, indaga-se: é possível utilizar a tevê para construir uma sociedade justa?

    Sabe-se que a difusão de sons e imagens ocorre por meio de uma concessão do poder público, conforme preceitua a Constituição. Ocorre que no momento que uma emissora adquire os direitos de transmissão no Brasil, ela fica livre para decidir o conteúdo da programação. Desse modo, a tevê acaba, muitas vezes, servindo de instrumento para manipular a população conforme os interesses dos detentores do poder econômico que dominam a mídia. E essa elite vai se perpetuando no comando do país, seja manipulando a opinião pública ou comprando políticos corruptíveis.

    Com efeito, vem se discutindo no Brasil formas de eliminar a influência do capital nas eleições e diminuir os gastos públicos, a fim de que os candidatos mais preparados sejam eleitos. Ora, se a televisão é a mídia mais acessível e trata-se de uma concessão do Estado, por que não fazer as campanhas somente através dela, impondo-se que as emissoras transmitam os programas político-partidários por mais tempo na "telinha," sem nenhum custo adicional para o contribuinte? Nessa linha, embora alguns possam reclamar de uma possível censura, deveria ser criada uma agência reguladora para obrigar também que os canais transmitam programações mais educativas, que incutam no público a consciência social, cívica e patriótica.

    Evidencia-se, portanto, que a televisão é um poderoso instrumento para construir uma nação mais virtuosa. Contudo, a população precisa se mobilizar e exigir que o governo regule melhor a concessão para transmissão de sons e imagens, a fim de que ela seja utilizada para beneficiar a sociedade - conforme as propostas supramencionadas -, e não apenas uma casta privilegiada, mantendo a maioria manipulada.
  • Emerson Luís  16/06/2017 00:32

    Os liberal-conservadores não discordam necessariamente das metas que os esquerdistas sinceros defendem, mas dos métodos que estes querem utilizar e dos pressupostos dos quais estes partem para interpretar a realidade e propor soluções.

    * * *
  • Sandro Moreira Mattar  03/04/2018 20:59
    Ótimo texto, altamente esclarecedor, instrutivo e didático. Que privilégio seria saber escrever com tanto talento. Além disso, pude observar que os comentários de alguns participantes serviram de exemplo para uma das afirmações do autor do artigo ao declarar que "as esquerdas costumam argumentar e defender suas posições comparando o ideal com o real", uma vez que o ideal propalado pelos socialistas ainda não faz parte da nossa realidade e nunca fará.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.