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Afinal, o Fed irá elevar os juros? Sua decisão refletirá sua posição em relação a Trump
E um detalhe sobre o qual ninguém na imprensa fala

Voltemos aqui a abordar um tema que, embora seja amplamente falado na imprensa, literalmente ninguém o discute em detalhes.

Toda a imprensa fala sobre o eventual aumento de juros que o Fed irá fazer. Só que absolutamente ninguém fala sobre como exatamente isso será feito.

Comecemos pelo básico.

Um Banco Central convencional — seja ele o Fed americano ou o Banco Central brasileiro — controla uma única taxa de juros: a taxa de juros do mercado interbancário.

Nos EUA, essa taxa é chamada de "Federal Funds Rate". Idêntica à SELIC brasileira, essa taxa representa a taxa de juros que os bancos cobram entre si no mercado interbancário para emprestar (ou tomar emprestado) dinheiro que possuem em suas reservas. 

Os bancos recorrem a essas operações interbancárias diariamente porque, ao final de cada dia, precisam manter um determinado volume de dinheiro em suas reservas.  (Esse volume de reservas é o equivalente a uma determinada porcentagem do total de seus depósitos, e é determinado pelo Banco Central; chama-se compulsório).

O Banco Central, por meio de suas injeções monetárias neste mercado interbancário — ele cria dinheiro para comprar títulos públicos em posse dos bancos e destrói dinheiro ao vender títulos públicos para os bancos —, afeta a taxa de juros do mercado interbancário e, com isso, é capaz de determinar a taxa básica de juros da economia. 

Esta é a única taxa que o Banco Central de fato pode controlar. (Tanto o Fed quanto o Banco Central brasileiro também controlam a taxa de redesconto, que é a taxa cobrada de bancos que decidem pedir empréstimos ao Banco Central; mas este recurso raramente é utilizado pelos bancos.)

Só que há um problema: a demanda dos bancos americanos por empréstimos no mercado interbancário está praticamente nula.  Os bancos não estão demandando empréstimos um dos outros neste mercado.  E isso nunca havia acontecido antes.

Por quê?

As consequências de 2008

Porque o Fed, em resposta à crise financeira de 2008, tomou duas atitudes: a primeira, típica de países latino-americanos da década de 1980; a segunda, completamente inédita nos anais da teoria macroeconômica e jamais discutida nem sequer como hipótese em nenhum livro-texto de economia.

A primeira medida foi imprimir dinheiro a rodo e entregar esse dinheiro aos bancos em troca de título podres que estes carregavam.  Tratou-se de uma medida que, na prática, tinha a intenção de limpar os balancetes dos bancos.

O gráfico a seguir mostra o que ocorreu com a base monetária americana em decorrência desta medida:

basemonetaria.png

Gráfico 1: Evolução da base monetária americana

Tamanha injeção de dinheiro no sistema bancário iria, segunda a teoria macroeconômica, degenerar em hiperinflação caso os bancos decidissem emprestar todo esse dinheiro para pessoas e empresas.

Vale enfatizar que, no atual arranjo financeiro, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito). Se os bancos não quiserem despejar este dinheiro na economia, não há nenhum risco de inflação de preços.

E foi aí que o Fed teve então a sua segunda ideia, completamente inédita na história dos Bancos Centrais: para impedir que toda esta dinheirama fosse emprestada pelos bancos, ele simplesmente decidiu pagar aos bancos juros anuais de, inicialmente, 0,25% sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente deixassem parado no Fed.

Normalmente, um Banco Central paga juros aos bancos apenas sobre o valor do compulsório. Nos EUA, no entanto, o Fed criou a política de pagar juros para todo e qualquer montante que os bancos voluntariamente deixem parados no Fed.

Ou seja, de um lado, o Fed imprimiu (eletronicamente) trilhões de dólares e entregou esse valor aos bancos em troca de títulos podres que estavam em posse destes bancos; de outro, ele começou a pagar, para os bancos, juros de, inicialmente, 0,25% sobre todo este dinheiro. 

Tão logo o Fed adotou essa prática, a taxa de juros do mercado interbancário caiu para quase zero. E esta taxa de 0,25% acabou se tornando a taxa básica de juros da economia americana.

A consequência disso é que os bancos americanos estão hoje com US$ 2 trilhões de "reservas em excesso" voluntariamente estacionadas no cofre eletrônico do Fed. 

reservasexcesso.png

Gráfico 2: evolução das reservas em excesso (dinheiro que os bancos voluntariamente deixam parado no Fed, em troca de juros)

Com todo este excesso de reservas, nenhum banco tem de ir ao mercado interbancário pedir dinheiro emprestado para outro banco com o intuito de manter um determinado volume de dinheiro em suas reservas. O sistema bancário americano está hoje inundado de dinheiro na forma de reservas em excesso. Nenhum banco precisa mais se preocupar com a hipótese de não ter reservas suficientes. Nenhum banco precisa se preocupar em recorrer ao mercado interbancário para pedir dinheiro emprestado.

Consequentemente, o Fed não mais consegue controlar a taxa de juros do mercado interbancário — que é exatamente a taxa básica de juros da economia americana.

A única política monetária que o Fed realmente pode fazer é elevar a taxa de juros que ele paga sobre todas essas reservas em excesso que os bancos mantêm depositadas junto ao Fed

De 2009 até dezembro de 2015, ele pagou uma taxa de 0,25% ao ano. A partir de dezembro de 2015, ele passou a pagar 0,5%. Em seu comunicado a respeito dessa decisão, o Fed disse claramente que o colegiado havia decidido, por unanimidade, "elevar para 0,50% a taxa de juros paga tanto sobre as reservas exigidas quanto sobre as reservas em excesso, a partir de 17 de dezembro de 2015".

Essa, com efeito, tornou-se a única taxa que o Fed hoje realmente controla: as taxas que ele paga sobre todas as reservas bancárias.

De um lado, ele pode elevá-la o quanto quiser. Mas há consequências diretas.

Quanto mais juros, maior o rombo do Tesouro americano

Ao contrário de todas as outras operações de política monetária, esse dinheiro com o qual o Fed paga juros de 0,50% aos bancos não é criado eletronicamente por ele.  Esse dinheiro advém dos lucros operacionais do Fed. 

Em termos puramente contábeis, esse dinheiro é retirado do patrimônio líquido do Fed e colocado em seu passivo (as reservas bancárias representam contabilmente um passivo para o Fed).

Sendo assim, se o Fed elevar os juros de 0,50% para, digamos, 0,75% ou até mesmo 1%, não apenas os lucros operacionais do Fed serão brutalmente reduzidos, como também será reduzido o montante que o Fed repassa anualmente ao Tesouro.

Legalmente, o Fed é obrigado a repassar ao Tesouro americano todo o dinheiro que ele obteve de lucro menos o necessário para cobrir suas operações.

Se o Fed elevar os juros que paga sobre as reservas em excesso, o orçamento do governo federal americano sofrerá um baque. Cada centavo que o Fed paga sobre as reservas em excesso é um centavo a menos que não pode ser dado ao Tesouro americano ao final de cada ano fiscal. Consequentemente, se o Fed elevar os juros, o déficit orçamentário do governo federal americano irá aumentar.

O que tudo isso significa

A questão realmente importante em tudo isso é que a tradicional maneira de se fazer política monetária — com o Fed comprando e vendendo títulos no mercado interbancário como forma direta de controlar a taxa de juros do interbancário — foi abolida. A maneira como o Fed controla agora a taxa de juros do interbancário é totalmente inusitada: é uma maneira que jamais foi descrita em qualquer manual de macroeconomia.

O Fed não mais tem como manipular os juros do interbancário por meio de seus instrumentos clássicos, que é a compra e venda de títulos. O Fed não mais tem como manipular os juros do interbancário por meio de operação no mercado aberto. Na prática, todo o manual tradicional de macroeconomia foi tornado obsoleto.

A única maneira que restou ao Fed para tentar manipular os juros deste mercado é exatamente a que ele está utilizando: pagar juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente optarem por depositar junto ao Fed. Tal método nunca foi descrito em absolutamente nenhum manual de macroeconomia conhecido.

Ao pagar para os bancos deixarem dinheiro parado, o Fed inevitavelmente consegue afetar os juros do interbancário. Óbvio. Se eu pago para você deixar dinheiro parado, isso afeta os juros que você cobrará do seu vizinho caso ele lhe peça um empréstimo. Quanto mais eu pagar para você deixar seu dinheiro parado, maior os juros que você vai cobrar para emprestar para o seu vizinho.

Este método, no entanto, não apenas não é o método tradicional de se fazer política monetária, como também nunca foi descrito em nenhum manual de macroeconomia que se conheça.

Para o Fed voltar a fazer política monetária tradicional, ele teria de enxugar uma boa parte desses trilhões de dólares que estão nas reservas em excesso. Isso exigiria uma venda trilionária, pelo Fed, de títulos públicos para esses bancos. 

Obviamente, se ele fizer essa liquidação, os preços dos títulos iriam desabar, o que significa que as taxas de juros desses ativos iriam disparar. Com a disparada das taxas de juros de todos esses papeis, toda a economia americana seria pesadamente afetada.

E o governo, obviamente, não quer isso.

O que já está acontecendo

Eis o comportamento da base monetária americana nos últimos 5 anos.

amb.png

Gráfico 3: evolução da base monetária nos últimos 5 anos. Deflação desde 2014

De janeiro de 2014 até o presente momento (dezembro de 2016), a postura do Fed tem sido claramente deflacionária.

O Fed não apenas não está inflacionando, como, ao contrário, está deflacionando. Quantos artigos você já leu dizendo que o Fed está deflacionando? Não muitos.

Essa política monetária ajuda a explicar a robustez mundial do dólar, que chegou ao seu maior valor em 13 anos perante as principais moedas do mundo.

Se o Fed decidir elevar a taxa de juros que paga sobre as reservas em excesso na próxima quarta-feira, e se os bancos optarem por depositar mais dinheiro digital no Fed em troca de receber juros mais altos, eles não irão emprestar esse dinheiro para empresas e pessoas, com mais empréstimos sendo quitados do que concedidos. Isso é contração monetária.

Atualmente, o Fed já não está comprando nenhum ativo; ele não está expandindo a base monetária. Ele está estimulando uma contração da base monetária.

Todos os outros principais bancos centrais mundiais estão inflacionando suas bases monetárias. Se você quer entender por que o dólar está se apreciando perante as outras moedas, comece por esse ponto.

Se essa tendência deflacionária continuar, pode ocorrer uma depressão na economia americana — não uma recessão, mas sim uma depressão.

Normalmente, o Fed é avesso a recessões. Sempre foi no passado. Mas será que ele agirá de maneira diferente agora? Seria o Fed tão contrário a Trump, que ele estaria agora disposto a causar uma recessão?

De antemão é impossível saber. Se o Fed elevar a taxa de juros que ele paga sobre as reservas em excesso, isso seria um indicativo de um sentimento anti-Trump (que já pediu uma auditoria do Fed). Não há motivos econômicos para o Fed elevar essa taxa de juros. A inflação de preços está em 1,6% e a base monetária está em deflação. No entanto, com Trump no poder, pode ser que o Fed esteja finalmente disposto a dar um aperto maior na economia. O sentimento anti-Trump jamais deve ser subestimado.

O fato é que o Fed vem seguindo uma política levemente deflacionária há dois anos. Mas isso não está sendo comentado na imprensa. Isso não está recebendo nenhuma publicidade. Consequentemente, o Fed não recebe nenhuma crítica. Caso não faça nada na próxima quarta-feira, o Fed continuará adotando um perfil discreto. Seu comunicado sobre um não-aumento dos juros ficará nas manchetes por muito pouco tempo. Esta, em tese, é a postura mais segura: não fazer nada.

Por outro lado, se ele elevar a taxa de juros sobre as reservas em excesso, isso pode fortalecer ainda mais o dólar. Exportadores não gostam disso. Normalmente, o governo sempre gosta de agradar exportadores. É um dos lobbies mais forte de qualquer economia.

Conclusão

O Fed ainda tem munição. Na próxima recessão, ele pode voltar a aumentar a base monetária, que é o que ele sempre fez. Até lá, ele pode perfeitamente ficar à espera, sem fazer nada, como tem sido sua prática nos últimos dois anos.

Vale lembrar que estamos falando de burocratas. Burocratas sempre preferem não fazer nada enquanto não houver nenhuma crítica do público e da imprensa. O Fed tem estado totalmente fora dos holofotes desde a eleição presidencial. É exatamente isso o que ele quer: ficar nas sombras.

Os EUA hoje estão vivenciando uma política monetária rigorosa. Trata-se de algo que não ocorreu nos últimos 102 anos — desde que o Fed foi criado.

O Fed diz querer alcançar uma inflação de preços anual de 2%. Mas sua política de deflação monetária torna isso improvável. Ele não está seguindo uma política propícia a isso.

A conclusão é: ele está guardando munição. Quando a recessão vier, ele voltará a inflacionar.  Aí os preços subirão 2% ao ano, e então o Fed anunciará o sucesso de sua missão.

Talvez o Fed não eleve a taxa de juros que paga sobre as reservas em excesso nesta próxima quarta-feira. Mas, se o fizer, então isso será um indicativo de que o Fed está assumindo uma postura anti-Trump, planejando afetar seu capital político por meio de uma recessão.

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Atualização em 14 de dezembro de 2016

Exatamente como informado neste artigo, o Fed acaba de anunciar que irá pura e simplesmente elevar o valor que ele paga sobre as reservas em excesso.

Veja o anúncio na íntegra e o trecho principal abaixo:

"The Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to raise the interest rate paid on required and excess reserve balances to 0.75 percent, effective December 15, 2016."

E também como explicado neste artigo, o Fed elevou a taxa da janela de redesconto, de 0,75% para 1%. Trecho:

"In a related action, the Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to approve a 1/4 percentage point increase in the discount rate (the primary credit rate) to 1.25 percent, effective December 15, 2016."

No final, foi apenas uma medida para 'manter as aparências'. Um aumento de 0,25 ponto percentual não afetará grandemente o orçamento do Tesouro americano e também não afetará sobremaneira a economia americana. Por enquanto.

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Leia também:

Qual é a estratégia de saída do Fed? 

O que o Fed poderá fazer 

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10 votos

autor

Diversos Autores

  • Pobre Paulista  12/12/2016 14:03
    Leandro, desculpe, não entendi algo que parece ser muito básico no texto: Porquê o fortalecimento do Dólar seria algo "Anti-Trump"? Ora, isso não iria exatamente fortalecer ainda mais a economia Americana? Para o Fed realmente "sacanear" o Trump, não seria mais inteligente simplesmente passar a cobrar pelos depósitos em excesso (a famigerada taxa de juros negativa), obrigando os bancos a despejar esse dinheiro na economia e causando uma inflação sem precedentes?
  • Leandro  12/12/2016 14:23
    Não é o fortalecimento do dólar, mas sim a intensificação da deflação monetária. Deflação monetária gera recessão.

    Aliás, foi exatamente o fortalecimento do dólar desde 2014 que vem impedindo que a economia americana entre em recessão. Mas se a deflação da base monetária continuar, em algum momento a economia irá ceder. (Vide aqui no Brasil, cuja base monetária está em contração desde 2015).

    "Para o Fed realmente "sacanear" o Trump, não seria mais inteligente simplesmente passar a cobrar pelos depósitos em excesso (a famigerada taxa de juros negativa), obrigando os bancos a despejar esse dinheiro na economia e causando uma inflação sem precedentes?"

    Isso já é feito na Europa, e o efeito foi o contrário: exacerbou ainda mais a recessão, não estimulou empréstimos, piorou os balancetes dos bancos e nem sequer gerou inflação de preços.

    Há um artigo inteiro sobre isso:

    Bizarrice européia: taxas de juros negativas restringem empréstimos e afetam bancos e empresas

    P.S.: Sim, se o Fed fizer isso ele também vai afetar Trump. Só que ele também vai afetar os balancetes dos bancos. E isso nunca é algo inteligente a ser feito.
  • mauricio barbosa  12/12/2016 19:37
    Deflação monetária gera recessão por causa dos contratos rígidos de salários ou seja em uma economia de preços e salários livres a deflação é bem vinda seria isto caro Leandro?
  • William Amaral dos Santos  12/12/2016 14:44
    Se o dólar se fortalece muito, acho eu, que afasta investidores de moedas diferentes, além de que exportadores cobrarão um preço muito elevado, uma moeda forte não quer dizer necessariamente uma moeda robusta, veja o caso da China que tem uma moeda barata e isso atrai investidores para seu domínio. Posso estar errado, mas se o dólar subir muito afetará de forma negativa a economia, afastaria investidores, seria como a alta taxa de juros que empresários são obrigados a pagar aqui no Brasil, algo bem diferente, mas com resultados parecidos. E a proposta de Trump é libertar mais o mercado e não enferrujá-lo como está acontecendo com aumento na taxa de juros e perca de dinheiro para o tesouro.
  • Leandro  12/12/2016 14:59

    Errado. A moeda da China não é fraca. Muito pelo contrário: é bem forte.

    A afirmação de que os chineses desvalorizam a moeda não só é falsa, como também é exatamente oposta à realidade.

    A moeda da China, ao contrário do que afirma a imprensa e Donald Trump, está em constante valorização em relação às outras. E desde 1995.

    Isso mesmo: a China opera com um câmbio semi-fixo desde 1995: ora o renminbi se valoriza em relação ao dólar, ora se mantém fixo. Veja o gráfico.

    (Foi só em 2014 que eles deram um cavalo-de-pau na política cambial e, pela primeira vez desde 1995, desvalorizaram o renminbi em relação ao dólar. Não coincidentemente, a economia desacelerou fortemente desde então.)

    E essa política monetária de valorização da moeda é um dos grandes chamarizes para as indústrias estrangeiras ali se estabelecerem: com uma moeda em constante valorização, quem produzir na China e remeter os lucros para a matriz no exterior ganhará duplamente: alem dos lucros, ganhará também com a apreciação da moeda chinesa (a qual poderá comprar muito mais dólares quando a empresa estrangeira for remeter dólares para sua matriz).

    Moeda forte, portanto, é chamariz para o estabelecimento de indústrias estrangeiras

    Por isso o IMB insiste tanto nessa questão da moeda. Moeda forte é a chave de tudo. Não existe economia forte com moeda fraca, em contínua desvalorização em relação às outras.

    Além da moeda, o governo "comunista" da China também fornece várias incentivos fiscais. E também é bem "frugal" em sua coleta de impostos: a alíquota máxima do IRPJ é de 25%, bem menor que a da esmagadora maioria dos países ocidentais, que têm de sustentar seu estado de bem-estar social.
  • Alemão  12/12/2016 16:25
    Já perdi a conta de quantas vezes o nobre Leandro fala da importância de uma moeda forte.

    Excelente.
  • Capitalista Keynes  12/12/2016 16:58
    Concordo....esse papo pra proteger exportador incompetente em produtividade,inovação e produção de produtos que agreguem valor, desvalorizando o Real é ridículo....Com o Real forte vivemos os melhores anos na economia do país....com o Real fraco temos desemprego, inflação, economia parada.
  • interessado sincero  12/12/2016 14:14
    Essa forma inusitada de fazer política monetária é mais ou menos nociva (ou a mesma coisa)?
  • Leandro  12/12/2016 14:24
    O que é possível dizer é que tal política, com efeito, colocou uma rolha no mecanismo de transmissão entre a expansão da base monetária e o aumento da quantidade de dinheiro na economia. Esse mecanismo de transmissão foi rompido. A relação entre aumento da base monetária e aumento de M1, M2, M3 e M4 foi quebrada. Não há manual de macroeconomia que discuta essa possibilidade.

    Consequentemente, há uma nova era na economia americana no que diz respeito a práticas de Banco Centrais. Qualquer economista que queira apresentar uma teoria sobre hiperinflação nos EUA em decorrência da volumosa expansão da base monetária terá de explicar como essa hiperinflação poderá ocorrer agora que o Fed descobriu essa prática de pagar juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente depositem no Fed.

    Com essa medida de pagar juros sobre todo e qualquer depósito voluntário que os bancos depositarem no Fed, a possibilidade de hiperinflação é praticamente nula.
  • SRV  12/12/2016 14:55
    Leandro,

    Uma coisa que nunca ficou muito clara para mim. Os bancos ganham 0,25% a.a. sobre todo o dinheiro depositado no FED, mas por que não estão emprestando? Será que não existem projetos com rentabilidade maior que 0,25% (já considerando os riscos de crédito etc) ? Por que bancos preferem ganhar uma mixaria ao invés de emprestar para consumidores/empresários nos EUA ou até mesmo no exterior?

    Outro aspecto relevante. Na minha cabeça, esse dinheiro todo é uma bomba-relógio inflacionária que pode ou não explodir. Supondo que o FED mantenha-se quieto, é possível que a base monetária se ajuste em um nível "aceitável pré-crise" e suma o risco de inflação? Que outros custos o FED teria além dos fiscal (0,25% de juros a.a. sobre todo o dinheiro depositado)?
  • Leandro  12/12/2016 15:10
    Atualmente, os bancos ganham 0,50% sobre as reservas em excesso, e não 0,25%.

    É preferível ter um ganho pequeno mas seguro, do que se arriscar em um cenário econômico muito incerto, principalmente após todos os calotes que levaram com o estouro da bolha imobiliária. Apenas grandes empresas e pessoas com ótimo histórico conseguem empréstimo nos EUA a juros baixos.

    E vale lembrar que não apenas vários bancos ainda não se recuperaram de 2008, como também pessoas e empresas ainda estão se desalavancando (quitando dívidas pendentes e evitando novos endividamentos).


    Mas há também outro detalhe que quase ninguém comenta.

    Quando um Banco Central estipula a taxa básica de juros de economia, ele está, na prática, decretando um controle de preços.

    Banco Central estipular juros nada mais é do que uma agência governamental controlando o preço do crédito.

    Como ensina a teoria econômica, se o preço de algo for decretado a um valor acima do de mercado, haverá muita oferta e pouca demanda. Inversamente, se o preço de algo for estipulado a um valor abaixo do de mercado, haverá um excesso de demanda, mas pouca oferta.

    Se a prefeitura da sua cidade estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100 por mês, o que acontecerá com a demanda por imóveis? Garanto que vai explodir. Mas o que acontecerá com a oferta? Garanto que vai encolher.

    E se a prefeitura fizer o contrário, e estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100.000 por mês? Garanto que a oferta vai explodir, mas a demanda vai desaparecer.

    Com o preço do crédito ocorre a mesmíssima coisa.

    O que acontece se o preço do crédito for decretado em um valor acima do de mercado? A oferta será ampla, mas haverá pouca demanda por empréstimos. E se o preço do crédito for decretado em um valor abaixo do de mercado? A demanda por empréstimos será alta, mas a oferta será escassa.

    A correlação entre crédito farto e taxa de juros não é tão direta quanto muitos acreditam.

    É perfeitamente possível haver farra creditícia em um cenário de juros crescentes (toda a bolha imobiliária americana ocorreu em um cenário de juros crescentes, com a Selic deles indo de 1% para 5,25%; quanto mais os juros subiam, mais o crédito se expandia), bem como é perfeitamente viável não haver nenhuma expansão do crédito em um cenário de juros nulos (como o atual cenário europeu e cenário americano, em que a expansão do crédito está ocorrendo a taxas mínimas históricas; daí a total ausência de inflação de preços).
  • interessado sincero  13/12/2016 03:23
    Leandro,
    Obrigado pelos esclarecimentos
    Abraço
  • Antônio  20/12/2016 17:35
    Leandro, eu preciso confirmar se eu entendi o que o FED fez. Primeiro ele comprou muitos títulos que o governo americano já havia emitido. Se ele comprou o título, o preço do título sobe, o juro prometido cai e a base monetária aumenta. Segundo, ele não mais vendeu qualquer título, simplesmente foi ao mercado e falou: qualquer banco que queira uma rentabilidade mínima anual e x% pode depositar seu dinheiro aqui que garantiremos essa rentabilidade. É isso mesmo? Entendi corretamente?
  • Leandro  20/12/2016 17:44
    Entendeu direitinho. Primeiro o Fed entupiu os bancos de dinheiro e aniquilou o mercado interbancário. Depois, passou a pagar juros sobre todo esse dinheiro que deu aos bancos.

    Se você acha que os bancos brasileiros têm vida boa, vá ver os bancos americanos.
  • Renan Merlin  12/12/2016 15:41
    Leandro o Imperio/Republica Romano antigo poderiam ser considerados minarquias? Apesar da tirania, escravidão e ausencia de propriedade privada a tributação não ultrapassava os 5% do pib algo que nenhum pais do mundo faz hoje.
  • Yuri  13/12/2016 01:52
    Lógico que não. O Estado controlava cada aspecto da economia romana, começando pelas bases que eram o espólio militar e a escravidão.
  • Julio  12/12/2016 16:04
    Boa tarde Leandro,

    do que entendi do texto é que com a deflação que foi gerada a partir de jul/14 e aumento da reserva financeira, o dólar se fortaleceu. Existe essa relação direta?

    "Todos os outros principais bancos centrais mundiais estão inflacionando suas bases monetárias. Se você quer entender por que o dólar está se apreciando perante as outras moedas, comece por esse ponto."

    Esse ponto entre aspas que faz referência aos outros bancos centrais que por sua vez estão com uma política de inflação das bases monetárias, corrobora para o aumento relativo do dólar em comparação com as outras moedas?

    se as duas suposições acima são verdadeiras, ambas impulsionam para o aumento do dólar, fortalecendo a direção de aumento.

    faz sentido?

    muito obrigado



  • Leandro  12/12/2016 17:05
    Todas as colocações estão corretas.
  • Pedro  12/12/2016 16:29
    Se a economia dos EUA entrarem numa nova crise esses mesmos bancos, iram usar esse dinheiro guardado no fed para se salvarem, isso n geraria uma hiperinflação?
  • Leandro  12/12/2016 17:10
    A única forma de eles usarem esse dinheiro é emprestando para pessoas e empresas. Ou para o governo americano.

    Só que pessoas e empresas não tendem a se endividar durante recessões. Tampouco os bancos estão propensos a lhes emprestar dinheiro durante recessões.

    Sobra, então, apenas o governo. Mas aí o Tesouro teria de incorrer em déficits trilionários e ele teria de ser inteiramente financiado pelos bancos americanos -- algo totalmente atípico, já que todo o resto do mundo (por meio das reservas internacionais de seus Bancos Centrais) também financia o déficit americano.

    Logo, não visualizo esse cenário de hiperinflação.
  • Adriel  12/12/2016 16:47
    Ontem eu estava lendo aqui no site que uma economia altamente produtiva com uma expansão monetária nula (ou quase) gera deflação justamente porque a oferta dos outros produtos cresce enquanto a oferta monetária continua a mesma. Inclusive, como exemplo disso, foi citada a prosperidade econômica dos EUA entre 1815 e 1913 (quase um séc. de deflação como podemos ver aqui).

    Por que esse tipo de deflação mencionada aqui no artigo vai gerar uma depressão?

    (Obs.: Novato aqui)
  • Leandro  12/12/2016 17:04
    Uma coisa é deflação de preços gerada pelo aumento da produção e da produtividade. Isso é algo totalmente benéfico. Ocorre, por exemplo, no setor tecnológico. Os preços de aparelhos eletroeletrônicos -- televisores, notebooks, smartphones, tablets, câmeras fotográficas etc. -- estão em contínua queda por causa do aumento da produtividade.

    Outra coisa, completamente distinta, é deflação monetária provocada pelo Banco Central. Neste cenário, a quantidade de dinheiro na economia cai, mas os preços não se alteram. Logo, o poder de compra diminui acentuadamente.

    Isso está acontecendo neste exato momento no Brasil. As reservas bancárias (componente da base monetária) e o M1 estão em contração ao longo de todo este ano.

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/IE2-04.xlsx
    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/IE2-09.xlsx
  • Andre Fernandes  12/12/2016 17:39
    Leandro,

    Lendo a sua resposta me bateu outra dúvida. Caso a nossa economia fosse mais livre e permitisse a flutuação natural de salários (inclusive redução), este cenário de deflação causado pelo BC seria menos pior?

    Entendo que as empresas não reduzem seus preços por não terem uma redução de custos em paralelo a redução da oferta monetária. Mas e se os custos pudessem reduzir também?

    Abs
    André
  • Leandro  12/12/2016 17:53
    Foi exatamente isso o que aconteceu na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa que a de 1929, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse. Por isso, hoje ninguém se lembra dela.

    Houve uma grande deflação monetária, e o governo não apenas não tentou reflacionar, como também -- e ao contrário do que foi feito em 1929 -- permitiu total liberdade de preços e salários, os quais rapidamente se reajustaram (para baixo) à nova realidade da oferta monetária.

    Adicionalmente, o governo cortou seu orçamento em incríveis 50%, cortando impostos na mesma proporção.

    Em um ano, a economia já havia se recuperado.

    Já na crise de 1929, o governo americano fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

    Herbert Hoover aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63%. E Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%.

    Resultado: por causa da não-intervenção, dos cortes de gastos e impostos, e da plena liberdade de preços e salários, a depressão de 1921, que foi profunda, durou apenas 1 ano. O país rapidamente se recuperou e hoje ninguém mais nem sequer menciona esse episódio.
  • Murdoch  14/12/2016 01:02
    Leandro, você me confundiu nesta frase aqui: "Outra coisa, completamente distinta, é deflação monetária provocada pelo Banco Central. Neste cenário, a quantidade de dinheiro na economia cai, mas os preços não se alteram. Logo, o poder de compra diminui acentuadamente."

    No exemplo da deflação monetária, você diz que a quantidade da moeda na economia cai e os preços não alteram, mas o poder de compra diminui. Mas existe uma outra frase de um artigo que diz o seguinte:"Essa é a definição precípua de moeda fraca: é necessária uma maior quantidade de moeda para se adquirir o mesmo bem que antes podia ser adquirido com uma menor quantidade de moeda."

    Pelo que eu entendi, essas duas frases são totalmente opostas.

    Deixe-me apresentar algumas perguntas:

    Um país que produz um bem - digamos um carro - por R$1.

    Se a oferta monetária aumentar(+R$1), mas o país produzir apenas um carro, o preço do carro seria aumentado em R$2? (Desvalorização e perda do poder de compra?)

    Se a oferta monetária aumentar(+R$1) e aumentar a produção para 2 carros, o preço continuaria no mesmo patamar de R$1 para cada carro produzido? (Preços estabilizados, ou seja, não houvem mudanças?)

    E coloquemos na seguinte situação, se esse país aumentar a produção para 2 carros e não houver aumento da oferta monetária, cada carro teria seu preço em R$0,50?(Valorização e maior poder de compra?)

    Obs: Não estou levando em conta fatores que podem influenciar os preços, como produtividade, impostos entre outros.

    Esta última pergunta seria deflação monetária? Se sim, houve alteração de preços.

    Abraço
  • Leandro  14/12/2016 02:20
    "No exemplo da deflação monetária, você diz que a quantidade da moeda na economia cai e os preços não alteram, mas o poder de compra diminui."

    O poder de compra efetivamente disponível cai. Se o dinheiro sumiu, mas os preços ficaram os mesmos -- estamos trabalhando com um cenário em que há rigidez de preços (preços e salários não caem) por motivos de intervenção estatal e sindical --, então o poder de compra efetivo da população foi afetado.

    Pense no confisco do Collor. Pense no corralito da Argentina.

    "Mas existe uma outra frase de um artigo que diz o seguinte:"Essa é a definição precípua de moeda fraca: é necessária uma maior quantidade de moeda para se adquirir o mesmo bem que antes podia ser adquirido com uma menor quantidade de moeda.""

    Tal frase foi dita em um artigo que discutia a perda do poder de compra de uma moeda causada por fatores convencionais, como desvalorização cambial e forte expansão do crédito.

    É um cenário, isso sim, completamente oposto ao cenário de deflação monetária.

    Pense no Brasil de 2015. A inflação de preços subiu 10,67%. Aquilo que custava $ 100 no início do ano passou a custar $ 110,67 ao final do ano. Você precisou de $ 10,67 a mais para comprar o mesmo item.

    "Pelo que eu entendi, essas duas frases são totalmente opostas."

    Não. O cenário é oposto. Mas o efeito final é rigorosamente o mesmo: você tem em mãos menos dinheiro que o necessário para adquirir o mesmo bem.

    No cenário 1, da deflação, você tinha $ 100 no início e ficou com $ 90 no final. O preço bem -- suponhamos, $ 100 -- não se alterou (ou, como ocorre na realidade, subiu um pouco).

    No cenário 2, da inflação, você tinha $ 100 no início, continuou com $ 100 no final, mas o preço do bem subiu de $100 para $ 110,67.

    Em ambos os cenários você tem menos dinheiro que o necessário para adquirir o mesmo bem.

    Quanto às suas três perguntas, todas elas estão corretas, mas a sua conclusão final está errada. No terceiro cenário, não houve deflação monetária. Houve, isso sim, deflação de preços causada por aumento da produção. Isso totalmente distinto de uma deflação monetária, que significa redução da quantidade de dinheiro na economia.
  • anônimo  20/12/2016 22:10
    Leandro,

    Numa deflação monetária, os preços não tendem a baixar?
  • Hazlitt  20/12/2016 22:27
    Em uma economia totalmente livre, sim. Já em uma economia em que sindicatos não aceitam reduções salariais (o que impede que os custos de produção caiam) ou em uma cujo governo proíbe constitucionalmente essas reduções (como no caso do Brasil), não.

    No máximo, os preços irão crescer bem menos.
  • Sillas  10/08/2017 17:47
    Leandro,

    Então na prática o que está ocorrendo nos EUA é uma política deflacionária do FED que ao pagar juros sobre as reservas faz com que mais empréstimos sendo quitados do que concedidos e a base monetária se contraia e ao mesmo tempo há uma inflação de 1,6% (preços subindo, quantidade de dinheiro na economia diminuindo)? Num primeiro momento, ao ler que a política do FED é deflacionária, tende-se a achar que haveria uma deflação de preços na economia e não o contrário. O que causa essa inflação de preços?
  • Bruno Feliciano  12/12/2016 16:49
    Leandro, verifique meu raciocínio:

    ''Como ensina a teoria econômica, se o preço de algo for decretado a um valor acima do de mercado, haverá muita oferta e pouca demanda. Inversamente, se o preço de algo for estipulado a um valor abaixo do de mercado, haverá um excesso de demanda, mas pouca oferta. ''

    Perfeito, por isso justamente o mercado que deve estabelecer esses preços, somente o mercado consegue balancear a demanda e a oferta. Se algo da muito dinheiro porque tem muita demanda, logo todos vão querer ofertar esse bem ou serviço, isso ira reduzir os preços com o tempo, mas no futuro quando a demanda e o lucro dos ofertantes(em seguida) diminuirem , ira reduzir o numero de ofertantes balanceando com a demanda adequada.. Desculpa pela falta de expressão, mas esse artigo é bem técnico e para isso preciso rever o pensamento mais do começo, até porque curso direito e não economia.
    Portanto, por isso em um LIVRE mercado, é extremamente improvável estabelecer cartéis ou monopólios, já que a demanda esta diretamente ligada a oferta, caso algo de pouco dinheiro devida a pouca demanda, terá pouca oferta e assim nunca irão ocorrer investimentos erroneos e consequentemente crises. A oferta e a demanda em um livre mercado, ficão reais e completamente diretos e conectados, algo claro e visível. Se o governo mete a mão, ele desequilibra e acaba deturpando as reais referencias para investimentos.

    Agora, esse arranjo que o FED só controla o juros do dinheiro ''parado'', no final das contas foi bom, porque impede que o FED no futuro possa controlar diretamente a taxa de juros, correto? Ficou mais indireto o controle me parece...

    Afinal, você acha que o TRUMP consegue tirar os EUA da futura recessão?

    Abraços
  • Henrique  12/12/2016 16:54
    Já estão blindando o Trump contra futuras lambanças que ele fizer na economia? Vai ser culpa do Fed? O Trump não tem poder para indicar o presidente do Fed?


    Abraços.
  • Meirelles  12/12/2016 17:03
    Não, criança. Foi você quem chegou tarde e perdeu todos os artigos que criticam Trump e sua (almejada) política econômica. Tenha a bondade:

    Uma radiografia de Trump e Clinton: dois estatistas irresponsáveis; dois desastres deploráveis

    Trump vs. Hillary - qual o seu planejador central favorito?
  • Gabriel  12/12/2016 19:17
    Mas o problema sempre foi o FED desde 1914, não é porque o Trump assumiu que de repente o FED passou a ser um problema.
  • Dissidente Brasileiro  12/12/2016 16:56
    Bom, os teóricos da conspiração afirmam que os globalistas teriam um "plano B" para prejudicar a administração Trump a longo prazo, e assim fazer a população se voltar contra ele. Esse plano seria exatamente a desestabilização da economia americana, o que por tabela afetaria a confiança pública no Partido Republicano e nos direitistas em geral. Será essa a chave para a realização deste "plano"?
  • Engenheiro do Uber  12/12/2016 18:28
    Pode ser.
  • Andre Fernandes  12/12/2016 17:21
    Excelente artigo. Achei a estrutura ideal, apresentou conceitos pra quem não estiver familiarizado com o assunto, contextualizou o cenário e depois entrou na prática e nas suas consequências. Artigos assim facilitam muito a exposição das ideias do site, são ótimos para mostrar a quem não acompanha muito e tem interesse em saber mais. Parabéns!

    Algumas dúvidas:
    1- "Não há motivos econômicos para o Fed elevar essa taxa de juros."
    Me parece fazer todo o sentido. A dúvida é com relação ao aumento feito pelo FED em 2015. Naquele momento havia algum motivo puramente econômico para tal decisão? Na época não havia o efeito Trump, então queria entender qual seria a motivação.

    2- Existe alguma forma diferente de equalizar essas reservas que não seja via venda de títulos? Em termos leigos, isso seria trocar dinheiro eletrônico por dinheiro real as custas de uma dívida alta? Se esse dinheiro vira real e entra na economia, aí cairemos em um cenário inflacionário? Caso contrário voltaríamos para o cenário atual.

    3- Na prática essas reservas são meramente eletrônicas, certo? Os impactos REAIS delas são o pagamento de juros que afeta o orçamento do Tesouro e o encarecimento do crédito. Existe algum outro impacto perceptível para o povo?

    4- Entendi que essa situação foi gerada pelas ações do FED pós crise de 2008. Caso não tivessem "resgatado" os bancos e os deixassem quebrar, teríamos uma depressão mais forte nos EUA, ou não? Acredito ser o que o IMB defenderia (já que não apoiariam mais intervenção para curar os efeitos do excesso de intervenção). Você entende que HOJE os EUA estariam em uma situação melhor que a atual? Mesmo que no início passassem por um rearranjo mais profundo em toda a economia.

    Muito obrigado e parabéns mais uma vez!
    André
  • Ancelmo  12/12/2016 17:42
    1- Para dar a impressão de que estava "vigilante" e "fazendo alguma coisa".

    2- Não.

    3- Todos esses que você citou são bem perceptíveis.

    4- Não.
    Sim.
    Alguns detalhes pouco conhecidos da crise financeira de 2008

  • Alves  12/12/2016 17:26
    De onde vem o dinheiro que o FED usa pra pagar esses juros sobre o dinheiro que os bancos depositaram nele? Quais as fontes de receita do FED? De qualquer forma, a política de juros do FED sobre os depósitos impacta o Orçamento americano, né

    Isso gera uma tranferência de renda dos pagadores de impostos americanos para os grandes bancos.
    Veja bem, o pagamento de juros em cima desses depósitos não é resultado de uma dívida contraída pelo governo para ele gastar, é resultado de uma criação de dinheiro totalmente primária, "inicial", que em seguida foi repassado aos bancos!

    O FED criou o dinheiro a troco de nada (na verdade, a troco de salvar os bancos comprando títulos podres), repassou esse dinheiro aos bancos e paga uma remuneração em cima desse dinheiro repassado, afetando o orçamento e resultado fiscal do país!
    E ficou refém do esquema, pois: 1) se parar de pagar, corre o risco desse dinheiro "cair no sistema" e gerar hiperinflação e derretimento do dólar; 2) se continuar a pagar, ou aumentar a pagar, vai continuar comendo dinheiro dos pagadores de impostos e, consequentemente, onerando a economia real (empresários e cidadãos espoliados por impostos para pagar a conta, prejudicando a competitividade e saúde da economia americana).

    Me corrija se estiver errado
  • Auxiliar  12/12/2016 17:40
    "De onde vem o dinheiro que o FED usa pra pagar esses juros sobre o dinheiro que os bancos depositaram nele?"

    Explicado no artigo.

    "Quais as fontes de receita do FED?"

    Majoritariamente, operações com títulos do Tesouro.

    "De qualquer forma, a política de juros do FED sobre os depósitos impacta o Orçamento americano, né"

    Sim, explicado no artigo.
  • Engenheiro desempregado  12/12/2016 17:32
    OFF Topic - Boa tarde, o que vocês sugerem para minha condição particular?

    Sou engenheiro civil, tenho 27 anos, recentemente fui alvo de uma reestruturação na empresa e dispensado, aprendi muito aqui e outros sites e blogs sobre educação financeira, não tenho dívidas, tenho uma vida frugal e baixos gastos mensais, um patrimônio razoável para minha idade aplicado em renda fixa.
    As perspectivas para minha recolocação em curto e médio prazo são baixíssimas e baixas, devido a situação econômica do país. Se por um lado não tenho motivos para me desesperar, por outro estou sem chão por meu plano financeiro ter sido interrompido, gostaria de perguntar a vocês o que posso fazer para continuar minha caminhada rumo ao sucesso financeiro, já que aqui aparenta ter muitas pessoas economicamente esclarecidas e financeiramente maduras.

    Obrigado.
  • Consultor  12/12/2016 17:48
    Embora sua situação não seja desesperadora, ela é delicada. Não sei quão profundo é o seu colchão, mas você tem de ter alta liquidez e grande rendimento.

    Eis o que eu faria em seu lugar:

    Abriria uma conta bancária num banco pequeno, tipo Intermedium ou Sofisa. Esses dois bancos pagam 100% do CDI em depósitos com liquidez diária. Nenhum bancão faz isso.

    Também aplicaria em títulos do Tesouro Direto prefixados 2023. Quando as taxas de juros de longo prazo caírem, você terá altos ganhos.

    No mais, apenas continue se aperfeiçoando. Mande currículos. Converse nas redes sociais à procura de oportunidades. Saiba ser visto. Vá ao site do Catho. Na pior das hipóteses, aceite um emprego com remuneração menor. A inflação de preços dá sinais de grande arrefecimento, de modo que isso será uma preocupação a menos.

    E mais importante de tudo: corte absolutamente todos os gastos supérfluos. Feche a mão. Venda bens que você usa pouco e que gastam muito (dependendo de onde você mora, vender o carro e andar de Uber vale muito mais a pena). Saia da TV a cabo (você não precisa de TV a cabo com Netflix e YouTube). Seja frugal.
  • Andre  12/12/2016 18:08
    Fazendo as seguintes considerações de quando eu ainda era empregado nessa idade e pelo que descreveu:

    Se tinha um rendimento líquido de uns R$6.000 e sendo um autêntico pão duro de gastos mensais na ordem de R$2.000. São gastos fáceis de cobrir fazendo Uber ou empreendendo precariamente pros seus padrões como consertando bicicletas ou instalando pequenos itens de acabamento em casas e aptos, mas voltar ao aporte mensal de R$4.000 será bem complicado ou mesmo impossível até o médio prazo.
    Sugiro esperar, faça serviço voluntário para ocupar o tempo e em seguida alguma coisa para fazer algum dinheiro, infelizmente a situação do Brasil é bastante delicada, sem sinais de melhora, talvez no fim de 2017 tenhamos algumas respostas, não recomendo arriscar seu patrimônio empreendendo a sério.
    Mas se a indecisão, tédio e marasmo começarem a te afetar, imigre, essa é com certeza a melhor hora de estar do lado de fora do Brasil.

    Parabéns por não cair na armadilha de viver a vida em prestações, agora pode escolher o que vai fazer.
  • Um Cão  12/12/2016 20:02
    Olá Engenheiro Desempregado,

    O fato de que está sem dívidas e ainda faz poupança já é um grande avanço, está numa situação melhor do que a maioria da população brasileira. Com os conhecimentos que adquiriu e vem adquirindo neste site você já faz parte de uma minoria que entende o real significado do livre mercado e economia. Use isto ao seu favor. O melhor investimento que existe não é fundos, titulos do tesouro, ouro, dolar, e sim sua carreira e educação, pois estas você tem controle de 100%.

    Bons artigos para ler:
    mises.org.br/Article.aspx?id=2399
    mises.org.br/Article.aspx?id=1847
  • anônimo  12/12/2016 20:03
    Eu aproveitaria parte do montante dos investimentos e faria cursos de especialização no exterior, e tentaria lá mesmo arrumar um emprego na área (uma experiência internacional poderia ajudar no currículo). Depois, quando já com algumas qualificações a mais e com a poeira da crise já abaixada, voltaria ao país com um currículo diferenciado.
  • Henrique Zucatelli  12/12/2016 21:20
    Caro Engenheiro.

    Se por um lado o momento é de dúvida, por outro é de infinitas possibilidades!

    Mesmo que esteja em um país caindo no abismo (e não vamos sair tão cedo dele), há muitas alternativas que podem até mesmo elevar seu ganho acima do que era quando estava empregado:

    Empreenda online: Como Engenheiro Civil (e imagino que tenha o CREA), há diversas ideias que me vêm:

    - Monte um site oferecendo serviços de projetos para reformas, cálculos estrutural de pequenas edificações.
    - Abra um canal no youtube dando dicas de como construir e reformar.
    - Pode também abrir um canal dando aulas para alunos sobre as áreas que mais dominar

    Caso não queira empreender diretamente na área de Engenharia, pode separar parte do seu patrimônio e partir para o comércio eletrônico no nicho que mais te agradar. As possibilidades são inúmeras.

    Se isso não for sua cara, não desanime! Um formado em exatas sempre pode ampliar seu conhecimento para áreas como IT. Caso não tenha nenhuma certificação ainda, a Fundação Bradesco é o primeiro passo. É grátis e vai te dar uma boa noção de como esse ramo é gigante. A partir daí, invista em certificações avançadas (inglês nativo é altamente obrigatório).

    Caso queira partir para algo mais rústico, posso te recomendar que monte uma pequena empreiteira, mas sempre especializada, de preferência em acabamento ou coberturas, uma área que pouco sabe sobre a crise e pode te trazer ganhos bem mais altos que seu antigo salário.

    Existe ainda o mercado financeiro, onde pode ser day trader (separe R$ 10.000,00 para os cursos + R$ 30.000,00 para começar a brincar). Eu mesmo afora meus negócios, opero alavancado com long & short quando tenho tempo. Rende uma boa grana, mas exige um grau de concentração total. Não é um para amadores nem curiosos.

    Por fim, se estiver de saco cheio dessa vida de engenheiro, conheço um nicho que deu totalmente as costas para a crise e sempre carece de boas empresas e profissionais: funilaria e restauração automotiva. Os ganhos são altos, o custo é quase todo que de mão de obra e a demanda é certa.

    Isso são apenas algumas ideias. Poderia citar milhares delas.

    Se tiver esforço e amor pelo que vier a fazer, vai ter sucesso.

    Forte abraço,


  • Fernando  12/12/2016 18:58
    Ok, Leandro, mas isso não significa que o FED foi genial. Empurram com a barriga um problema que hora ou outra vai explodir; ou não?
  • Leandro  12/12/2016 20:14
    Não entendi o seu ponto. Em algum momento o artigo falou que essa criação heterodoxa do Fed foi genial?
  • Fernando  13/12/2016 10:16
    Leandro,

    Não; mas dá a entender para quem é leigo que o FED fez algo bom. Gostaria de conhecer eventuais consequências a longo prazo.
  • Leandro  13/12/2016 11:18
    Onde deu a entender isso?

    Sobre consequências de longo prazo, ver os dois links recomendados ao final do artigo.
  • Josélton  13/12/2016 11:23
    O ponto dele foi que o FED foi "genial" em fazer merda e ficar impune, assim como os políticos brasileiros são "geniais" em ser corruptos sem sofrer consequências.
  • Josélton  13/12/2016 11:24
    Leandro, estaria o FED longe de ferrar totalmente com o dólar como vários economistas preveem (Jim Rickards, Peter Schiff)?
  • Leandro  13/12/2016 13:14
    Muito longe.
  • Eduardo  14/12/2016 02:14
    Por que Leandro? Quando leio o que esses e outros economistas escrevem, faz sentido achar que os detentores dos bonds podem perder a confiança na capacidade dos EUA de honrarem a dívida, já que sua produtividade per capita está caindo. Única coisa é que não há outra moeda em circulação capaz de substituir o dólar, eu acho.
  • Leandro  14/12/2016 02:24
    Eu não visualizo esse cenário. Nem no futuro distante. Americanos perderem produtividade? E sendo substituídos por quem? Os investidores irão abandonar o dólar e os Treasuries e vão para onde? Qual outro ativo é tão seguro quanto e ainda rende juros positivos, permitindo uma renda passiva?

    Por enquanto, ignore essas pessoas. Normalmente elas falam isso para fazer algum terrorismo e, com isso, vender produtos que serão ótimos para as finanças delas.
  • Aluno  12/12/2016 20:18
    Leandro ou outros leitores do site,

    Por que a Effective Federal Founds Rate não está em 0%? Já que eles têm reservas em excesso, qual o sentido de continuarem emprestando uns aos outros?

    Agradeço de antemão.

  • Thomas  12/12/2016 21:37
    Porque ainda há alguma atividade no mercado interbancário (bancos menores que não foram contemplados com os QE do Fed).

    Observe, no entanto, que a atividade no mercado interbancário caiu ao menor nível da história

    https://fred.stlouisfed.org/graph/fredgraph.png?g=c7Z7
  • Marcela   12/12/2016 23:32
    Há muitas falácias que são contadas sobre a China.Uma delas é que os chineses desvalorizam o yuan para se beneficiar de uma moeda mais fraca,nada mais falso!Há mais de 20 anos a moeda chinesa tem se mantido estável,ou até mesmo se valorizado diante do dollar.Uma outra falacia é que a China depende da exportação para poder viver, o que é um outro absurdo.Um país como a China depende na verdade da produção,e caso a sua produção permanecesse na China seria até melhor para o povo chinês que iria desfrutar do fruto do seu trabalho.Para a China bastaria exportar o necessário para poder importar,ou seja,ter uma balança comercial equilibrada.Uma terceira falácia é que na China não há demanda para consumir toda a produção,pois os chineses são um bando de pé rapados.Quem tem o mínimo conhecimento de economia já deve ter ouvido falar na lei de Jean-Baptiste Say,e portanto sabe que a oferta cria demanda; O que leva os chineses a produzir é justamente seu desejo de consumir.Ou vocês acham que os chineses produzem por entretenimento?A política econômica do partido comunista chinês aficcionado por exportação e por títulos da dívida americana é prejudicial ao povo chinês,mas ,o que mais me assusta é que o Trump ao invés de agradecer a China,a tem acusado de explorar os EUA.Quer dizer, os chineses trabalham de sol a sol para vender coisas baratas para os EUA e ainda emprestam dinheiro para os americanos pagarem por essas mercadorias,e isso permite que os yankes continuem consumindo no nivel atual,e o que os chineses ganham é serem rotulados de aproveitadores pelo Trump.Tomara que esse bufão dos infernos cumpra seu plano de impor tarifas ao aço chinês e fabrique todo o aço dentro do território americano.Como o minério de ferro e o carvão americanos são de quinta categoria,os trabalhadores americanos são caros e as siderúrgicas americanas são antigas e ineficientes, o aço além de ruim será caríssimo.E além dos EUA ter que aceitar aço ruim e caro,as empresas americanas não venderão mais nada na China!Na minha opinião os EUA serão os maiores prejudicados nessa guerra comercial.
  • Nathan  13/12/2016 00:03
    Duas dúvidas

    1 ) Qual a diferença entre uma deflação causada por redução da base monetária e uma deflação causada por aumento de produtividade ? Eu entendo que a segunda opção é benéfica para os consumidores, mas por que a primeira também não seria ? Uma redução da oferta monetária não significa aumento do valor da moeda ? Por que isso seria ruim ? Ou seria ruim apenas no curto prazo ?

    2 ) Por que o efeito das taxas de juros negativas na Europa foram contrários ao que se esperava ? Em tese deveria haver maior inflação, mas não houve.
  • Luis  13/12/2016 00:17
    1 ) Não seria ruim se -- e apenas se -- houvesse ampla liberdade para que preços e salários caíssem. Aí não haveria problemas. Mas como não há essa liberdade -- por imposição sindical e por leis estatais (no Brasil, é constitucionalmente proibido reduzir salários) --, então você tem redução da quantidade de dinheiro, e preços e custos estáveis. A consequência disso é um aumento nos preços e custos reais das coisas.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=190
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=163

    2 ) Explicado em detalhes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2497
  • Rodrigo FP  13/12/2016 03:00
    "Obviamente, se ele fizer essa liquidação, os preços dos títulos iriam desabar, o que significa que as taxas de juros desses ativos iriam disparar. Com a disparada das taxas de juros de todos esses papeis, toda a economia americana seria pesadamente afetada."
    Minha dúvida neste trecho é a seguinte: por que haveria uma disparada da taxa de juros de todos esses papéis?
  • Trader  13/12/2016 11:19
    Porque, ao vendê-los em massa, os preços deles cairão. E se os preços de títulos caem, os juros deles sobem.

    Isso é matemática financeira básica. Qualquer um que opera no Tesouro Direto sabe disso.

    Um exemplo:

    Imagine que o Tesouro emitiu uma LTN cujo valor de face é $ 1.000 e seu vencimento se dê em um ano. Suponhamos que você tenha arrematado o título por $ 800. Dali a um ano o Tesouro vai pagar-lhe $ 1.000. Sendo assim, esse título está pagando juros de

    (1.000 - 870) / 870 = 15% ao ano

    Agora suponha, no dia seguinte, o preço desse título caiu de $ 870 para $ 830.

    Faça a conta novamente:

    (1.000 - 830) / 830 = 20,5% ao ano.

    Ou seja, o mesmo título agora paga juros de 20,5%.

    Isso significa que, quando for emitir novos títulos, o Tesouro agora não conseguirá vender nada que paga menos que 20,5% -- afinal, no mercado secundário seus títulos pagam 20,5%.

    Se o preço de um título cai, seus juros sobem. Se o preço sobe, os juros caem.

  • João Pedro  13/12/2016 12:10
    Eles não podem simplesmente decretar que o Fed não vai mais pagar pelas reservas em excesso? Porque o que de tão ruim pode acontecer se eles não pagarem mais por elas já que se os bancos são quem controla o dinheiro que entra na economia, não é interessante pra eles terem hiperinflação já que o dinheiro que eles vão receber dos empréstimos vai estar valendo menos, certo?

    Peço desculpas se fiz uma pergunta bosta, mas ainda sou leigo no assunto e esse ponto ficou meio sem sentido pra mim.
  • Leandro  13/12/2016 13:17
    Podem, sim. Como também podem começar a cobrar juros sobre as reservas, como faz o Banco Central Europeu.

    As consequências disso? Nada boas, como explicado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2497

    O ponto é: o Fed criou um arranjo do qual ele não mais tem como sair.
  • Igor  13/12/2016 12:49
    Leandro,

    Trazendo aqui pra baixo parte de um comentário seu lá de cima:

    Outra coisa, completamente distinta, é deflação monetária provocada pelo Banco Central. Neste cenário, a quantidade de dinheiro na economia cai, mas os preços não se alteram. Logo, o poder de compra diminui acentuadamente.

    Não consegui entender esse raciocínio. Se a base monetária diminui, a moeda se valoriza. Por exemplo, se eu tenho 100 dólares (e base monteária de 100) e a base monetária cai pra 80, meus 100 dólares não estão com maior poder de compra? O inverso ocorre no aumento da base monetária?

    Obrigado antecipadamente.
  • Leandro  13/12/2016 13:18
    Releia o trecho novamente, agora com um destaque meu:

    "Neste cenário, a quantidade de dinheiro na economia cai, mas os preços não se alteram."

    Se os preços, os salários e os custos não são flexíveis para baixo -- por imposição sindical, por lei governamental, e (no Brasil) por rigidez de contratos impingidos pela Justiça do Trabalho --, então não há nenhuma valorização da moeda. Por definição.

    A quantidade de moeda diminui, mas os custos e preços não se alteram. Onde está a valorização da moeda? Na prática, a coisa todo piorou: há menos dinheiro para pagar os mesmos preços e custos.

    "Por exemplo, se eu tenho 100 dólares (e base monteária de 100) e a base monetária cai pra 80, meus 100 dólares não estão com maior poder de compra? O inverso ocorre no aumento da base monetária? "

    Se a base cai de 100 para 80, mas os preços e custos continuam os mesmos, então você está em pior situação. Tem menos dinheiro para pagar os mesmos custos e preços de antes.

    Aliás, no mundo real é ainda pior: a quantidade de dinheiro cai, mas os preços sobem (embora mais lentamente).

    Repito pela quarta vez:

    Isso está acontecendo neste exato momento no Brasil. As reservas bancárias (componente da base monetária) e o M1 estão em contração ao longo de todo este ano. Mas como os preços e os custos não entraram em deflação (apenas subiram mais lentamente), não houve esse benefício da valorização da moeda

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/IE2-04.xlsx
    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/IE2-09.xlsx

    Como este Instituto não cansa de se repetir, o que gera valorização da moeda não é a manipulação de sua quantidade, mas sim a qualidade da instituição que a controla.
  • Rômulo  13/12/2016 19:22
    Leandro,
    Essa impressão volumosa de moeda americana (FED) e europeia (BCE) seria uma maneira de manter a qualidade de vida (sem o aumento de produtividade) dos cidadãos desses países (USA e UE), visto que, países emergentes e exportadores, como o Brasil, "bancam" essa impressão de $ pois imprimem dinheiro para manter a moeda local desvalorizada? Isso não seria uma forma de escravidão dos países emergentes, já que estes trabalham para ter dólar e euro que nada mais são do que papéis impressos?
  • Rodrigo  13/12/2016 19:54
    O artigo faz uma confusão enorme com os termos "contração monetária" e "contração da base monetária". Se o FED elevar os juros que paga sobre as reservas em excesso, haverá uma "contração monetária" dos agregados (M1, M2, M3..) mas a base monetária (M0) irá se expandir. Isso ocorrerá devido ao simples fato que de os bancos colocarão mais dinheiros nas reservas em excesso pois os FED estará pagando mais juros sobre elas. É mais vantajoso para os bancos terem mais dinheiro nas reservas em excesso se os juros que o FED paga forem de 2% do que com os juros atuais de 0,50%.
  • Auxiliar  13/12/2016 20:02
    Por favor, aponte o trecho que faz essa confusão.

    Está escrito lá, de todo o tamanho (com destaque meu).

    "Se o Fed decidir elevar a taxa de juros que paga sobre as reservas em excesso na próxima quarta-feira, isso tende a aprofundar a política de atual deflação. Se os bancos optarem por depositar mais dinheiro digital no Fed em troca de receber juros mais altos, eles não irão emprestar esse dinheiro para empresas e pessoas, com mais empréstimos sendo quitados do que concedidos. Isso é contração monetária."

    E você próprio concorda com tudo isso, pois disse que "Se o FED elevar os juros que paga sobre as reservas em excesso, haverá uma "contração monetária" dos agregados (M1, M2, M3..)".

    Ora, é isso mesmo.

    Em seguida, o artigo diz:

    "Atualmente, o Fed já não está comprando nenhum ativo; ele não está expandindo a base monetária. Ele está estimulando uma contração da base monetária."

    Isso não é questão de teoria, mas sim de prática. O gráfico da base monetária mostra isso. Ela está encolhendo. Por quê? Porque o Fed não está comprando ativos (mas sim vendendo).

    Diga então, por favor, onde foi feita uma "confusão enorme com os termos "contração monetária" e "contração da base monetária"."

    Mais cuidado, comedimento e atenção da próxima.
  • zanforlin  13/12/2016 20:14
    Meu caro Leandro:
    No artigo referido por vc numa resposta acima (www.mises.org.br/Article.aspx?id=2497) há o seguinte trecho:

    "Para coroar, vale ressaltar que qualquer movimento significativo dos bancos para converter as reservas bancárias depositadas no BCE em dinheiro vivo irá solapar o próprio objetivo do BCE, que é o de estimular novos empréstimos. Com os bancos operando com dinheiro vivo, todo o mecanismo das reservas fracionárias é interrompido".

    Ora, se os bancos agirem assim é por reação à política do BCE, e se a consequência for realmente "interromper" ou acabar com a prática de reservas fracionárias, então seria o fim de bancos centrais, por absoluta falta de função. Reservas fracionárias existem porque existe banco central. Estaria o BCE agindo para sua própria extinção? Bancos voltariam a intermediar poupança e nunca mais criariam dinheiro do nada.
    Estou errado?
    Grato.
  • anônimo  14/12/2016 01:15
    ótimo artigo
  • Gabriel  14/12/2016 05:46
    Leandro, poderia ter a gentileza de dar um exemplo explicando esse trecho aqui?:

    "Se o Fed decidir elevar a taxa de juros que paga sobre as reservas em excesso na próxima quarta-feira, e se os bancos optarem por depositar mais dinheiro digital no Fed em troca de receber juros mais altos, eles não irão emprestar esse dinheiro para empresas e pessoas, com mais empréstimos sendo quitados do que concedidos. Isso é contração monetária."

    Outra coisa, fui checar o M1 e ele segue crescendo, o que tu achas? Estão aumentando os empréstimos?
  • Leandro  14/12/2016 11:31
    "poderia ter a gentileza de dar um exemplo explicando esse trecho aqui?"

    Fed sobe os juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente deixarem parados no Fed. Quanto mais dinheiro os bancos direcionam para o Fed, menos eles emprestam para pessoas e empresas.

    Com os empréstimos pendentes sendo quitados à medida que eles vencem, e com menos empréstimos sendo concedidos (porque os bancos optaram por deixar mais dinheiro parado no Fed), o saldo líquido pode ser uma contração de empréstimos, o que significa uma redução no aumento -- ou mesmo um decréscimo -- da oferta monetária.

    Um exemplo extremo disso é a Grécia.

    Não estou dizendo que isso será exatamente o que vai acontecer nos EUA.

    "Outra coisa, fui checar o M1 e ele segue crescendo, o que tu achas? Estão aumentando os empréstimos?"

    Sim, M1 e M2 seguem expandindo sob a política atual. (Daí o PIB americano estar aumentando). A conferir o que irá acontecer no futuro.
  • Mateus  14/12/2016 09:52
    Leandro,

    Ao fazer essa política deflacionária, o FED não acaba por outro lado mantendo a tendência de valorização do dólar, aumentando o poder de compra relativo dos americanos em relação aos produtos importados? E isso não traria, pelo menos, os diversos benefícios à população obtidos com a presença de uma moeda forte?

    Ou seja, mesmo que salários e custos sejam inflexíveis para baixo, a valorização monetária não geraria certa redução de custos indireta para os americanos?

    E aí, não é possível que uma estratégia de elevar os juros para prejudicar o Trump acabe tendo um lado negativo compensado pelo lado positivo de fortalecimento da moeda e, consequentemente, não consiga de fato prejudicar o Trump?
  • Leandro  14/12/2016 11:32
    Sim, a política monetária atual -- deflação da base monetária, aumento moderado do M2 -- está fazendo isso: dólar forte. Por isso não há motivos para alterá-la. Pelo menos, não por ora. A conferir o que irá acontecer no futuro.
  • Thiago q. landi  18/12/2016 22:00
    Existem muitos motivos pra mudar a política monetária.

    Evitar que a economia americana entre em recessão.

    Acomodar os maiores deficits fiscais prometidos por trump.

    Principalmente, evitar uma subida forte dos juros de longo prazo(que já está acontecendo), evitar que os juros hipotecários subam, assim como outras taxas de juros na economia e evitar uma possível falta de liquidez de us dollar.
  • Felipe R  14/12/2016 10:31
    Gary North + Leandro Roque = combo matador em lições de economia!

    Eu tenho duas dúvidas: a primeira é se esse precedente aberto pelo FED pode ser facilmente adotado no Brasil; a segunda é se o Trump não corre o mesmo risco que Coolidge por causa dessa forte política inflacionária dos últimos anos, que agora parece serr seguida dpor uma deflação que pode se acentuar nos próximos semestres.


    Agradeço desde já
  • Leandro  14/12/2016 11:32
    "a primeira é se esse precedente aberto pelo FED pode ser facilmente adotado no Brasil"

    Tecnicamente, pode. Mas não há justificativa para isso. E não sei se o atual estatuto do Bacen permite isso.

    "a segunda é se o Trump não corre o mesmo risco que Coolidge por causa dessa forte política inflacionária dos últimos anos, que agora parece ser seguida por uma deflação que pode se acentuar nos próximos semestres."

    É um bom paralelo. Há sim essa chance, principalmente se o Fed intensificar o aperto nos próximos meses.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Igor  14/12/2016 10:43
    Prezado Instituto Mises Brasil,

    Proponho a criação no site do Instituto de um blog específico sobre economia. E, se possível, tendo o Leandro Roque e o Fernando Ulrich como editores.

    Há uma lacuna de análise econômica pela perspectiva austríaca na web brasileira.

    Abraço!
  • Luiz Henrique  14/12/2016 11:52
    END THE FED!
  • Rômulo  14/12/2016 13:44
    Leandro,
    Essa impressão volumosa de moeda americana (FED) e europeia (BCE) seria uma maneira de manter a qualidade de vida (sem o aumento de produtividade) dos cidadãos desses países (USA e UE), visto que, países emergentes e exportadores, como o Brasil, "bancam" essa impressão de $ pois imprimem dinheiro para manter a moeda local desvalorizada? Isso não seria uma forma de escravidão dos países emergentes, já que estes trabalham para ter dólar e euro que nada mais são do que papéis impressos?
  • Leandro  14/12/2016 13:50
    Correto. Há um artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1517
  • End the FED  14/12/2016 18:34
    Leandro vendo os dados eu fiquei com uma dúvida gostaria de ver ser você poderia me esclarecer melhor o que efetivamente está acontecendo.

    Porque pelos gráficos no artigo percebe-se que está havendo uma contração na base monetária americana e também uma contração nos depósitos em excesso que os bancos mantem junto ao FED.

    Ocorre que ao mesmo tempo, como inclusive já analisado em outro comentário, o M1 tem continuado evoluindo não obstante essa contração da base monetária. O que me faz chegar a conclusão de que essa contração na base monetária decorre praticamente que só da diminuição das reservas em excesso dos bancos junto ao FED.

    Agora a minha dúvida é como o FED está fazendo isso? Ele está vendendo para os bancos aqueles ativos que foram adquiridos no pós-crise 2008 para salva-los? E isso não deveria estar causando um forte aumento nos juros?
  • Leandro  14/12/2016 19:05
    "Ele está vendendo para os bancos aqueles ativos que foram adquiridos no pós-crise 2008 para salva-los?"

    Não sei se ele está vendendo especificamente estes ativos. Mas ele, com certeza, está vendendo ativos.

    "E isso não deveria estar causando um forte aumento nos juros?"

    Nos juros do interbancário? Sem a mais mínima chance. Como explicado no artigo, enquanto houve trilhões de reservas em excesso, não há como manipular os juros do interbancário por meio da venda de ativos. Só por meio dos juros pagos sobre as reservas em excesso.

    Agora, os juros dos títulos de longo prazo subiram. E muito.

    cdn.tradingeconomics.com/charts/historical.png?s=USGG10YR&v=20161214183500&d1=20150101&d2=20161231

    Se foi só o efeito Trump ou se também teve essa mãozinha do Fed, é uma boa pergunta.
  • Leandro  14/12/2016 19:17
    Exatamente como informado neste artigo, o Fed acaba de anunciar que irá pura e simplesmente elevar o valor que ele paga sobre as reservas em excesso.

    Veja o anúncio na íntegra e o trecho principal abaixo:

    "The Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to raise the interest rate paid on required and excess reserve balances to 0.75 percent, effective December 15, 2016."

    E também como previsto neste artigo, o Fed elevou a taxa da janela de redesconto, de 0,75% para 1%. Trecho:

    "In a related action, the Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to approve a 1/4 percentage point increase in the discount rate (the primary credit rate) to 1.25 percent, effective December 15, 2016."

    No final, foi apenas uma medida para 'manter as aparências'. Um aumento de 0,25 ponto percentual não afetará grandemente o orçamento americano e também não afetará sobremaneira a economia americana. Por enquanto.
  • Aluno  14/12/2016 19:39
    Leandro,

    Essa política do FED não é similar às políticas dos BC's europeus, a tal das ''linhas de crédito''. Porque ele determina uma taxa ''piso'' de juros(no caso, o que ele paga pelas reservas em excesso) e uma taxa ''teto''(o redesconto)?

    Outra: o redesconto e as operações compromissadas também são feitas via criação de dinheiro?
  • Leandro  14/12/2016 20:01
    Não. Os BCs europeus (assim como o australiano, o neozelandês e o japonês) operam majoritariamente por redesconto (ao contrário do Fed e do Bacen, que praticamente não utilizam esse mecanismo).

    Redesconto é empréstimo. O BC empresta aos bancos. Quando o empréstimo vence, o dinheiro volta ao BC e com juros.

    Isso na teoria. Na prática, o empréstimo é sempre rolado, de maneira que o dinheiro acaba não retornando ao BC.

    Mas há uma diferença básica entre janela de redesconto e mercado aberto:

    No mercado aberto, não há a criação de nenhum passivo para o sistema bancário. Dado que o BC compra títulos públicos que estão em posse dos bancos, há apenas uma troca de ativos no sistema bancário: títulos públicos são trocados por dinheiro.

    Já no redesconto, há a criação de passivos para o sistema bancário. Dado que o BC empresta dinheiro aos bancos, há a criação de um passivo para os bancos, que é justamente o empréstimo a pagar junto ao BC.

    Este artigo explica em detalhes o funcionamento do BCE:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1204


    P.S.: no mercado aberto brasileiro, ocorrem também as chamadas "operações compromissadas", também conhecidas como "operações com acordo de recompra". Nesse caso, o BC compra títulos em posse dos bancos com a condição de que os bancos irão recomprá-los em uma data futura. Na prática, isso é o mais perto que chegamos de um redesconto.
  • marcela costa  14/12/2016 19:56
    E o FED aumentou os juros.O show de conversa mole já começou na imprensa brasileira.Somente aqui no IMB somos bem informados!Somente aqui sabemos o que está acontecendo!Não havia a menor necessidade de tal medida.A ideia da Jannet Yellen é claramente contrair a base monetaria e causar uma recessão,tirando qualquer chance do Trump se reeleger.Que futuro sombrio nos aguarda!Em 2018 Marina Silva no Brasil,em 2020 Bernie Sanders nos EUA.VOLTA JESUS!
  • Josélton  14/12/2016 23:56
    Nessa passagem:

    "De janeiro de 2014 até o presente momento (dezembro de 2016), a postura do Fed tem sido claramente deflacionária.

    O Fed não apenas não está inflacionando, como, ao contrário, está deflacionando. Quantos artigos você já leu dizendo que o Fed está deflacionando? Não muitos."

    O artigo diz que o FED está contraindo a base monetária, para realizar isso o governo precisa emitir novos títulos de dívida, enxugando assim o dinheiro na economia.

    A duvida é, a emissão de novos títulos não significam que mais tarde o FED deverá restitui-los, assim aumentando o dinheiro na economia?
  • Greenspan  15/12/2016 11:36
    Não. Para o Fed contrair a base monetária o governo não tem de emitir novos títulos de dívida. Basta o Fed vender ativos que já estão em sua posse. Ou então não rolar títulos do Tesouro que vençam.

    Eis a evolução dos ativos do Fed. Perceba que não há expansão desde 2014:
    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-central-bank-balance-sheet.png?s=unitedstacenbanbalsh&v=201612041841r&d1=20110101&d2=20161231
  • Bode  15/12/2016 01:29
    O aumento dos juros são esperados ha mais de um ano. Muito barulho por nada. O FED socorreu os bancos intoxicados com títulos podres e as famílias endividadas com o afrouxamento monetário, e tava mais que na hora de enxugar um pouco. Não tem nada a ver com Trump. O FED não faz política.
  • Fernando  15/12/2016 19:32
    Olá Leandro Roque,

    O que aconteceria se o estado acabasse com o imposto de renda e outros impostos diretos ? Isso colocaria 200 bilhões nas mãos dos investidores ?

    Será que haveria um inundação de dólares no país mesmo com os juros caindo ?

    Se a repatriação de bens do governo arrecadou 50 bilhões, só o dinheiro que retorna ao país deve ser mais 200 bilhões.

    Então, a conta final seria 200 bilhões de "repatriação privada", mais 200 bilhões do imposto de renda que não seria confiscado, mais uma montanha de bilhões com a entrada de novos investimentos externos.

    Acho que essa é a única fórmula para socorrer as empresas, os bancos e a riqueza da população. Não é a resolução do problemas, mas é um "choque no coração que está parando".
  • André Marques  16/12/2016 10:07
    Duas coisas que ainda não entendo bem:

    - Como funcionam as taxas de redesconto.
    - Como o Fed deixou de poder controlar a taxa básica de juros americana aoenas vendendo títulos.
  • Giovani Facchini  18/12/2016 08:55
    Análise interessantíssima!

    O gráfico que mostra as reservas em excesso consegue explicar como o CPI não disparou nos EUA, mas visto que a base monetária está contraindo e as reservas em excesso diminuindo, não está faltando uma outra variável que é justamente o dinheiro que está circulando de verdade (ou sendo emprestado/criado pelos bancos)?

    Pergunto isso porque se estamos tendo deflação desde 2014, fica a pergunta de como o CPI (que já é uma medida que não captura toda carestia) continua subindo a taxas de quase 2%? Ou seja, não precisaríamos medir o M3 (que foi descontinuado)?

    Estaria correto afirmar que "Dinheiro no Mercado" = (Monetary Base - Excess)/alavancagem dos bancos?

    Por fim, gostaria de saber qual o mecanismo que está sendo usado para deflacionar? Não estão recomprando os títulos do governo quando eles vencem? Se sim, quem está bancando o déficit?

    Abraço e continue com o excelente trabalho!
  • Magno  18/12/2016 23:06
    O M2 vem crescendo a um ritmo nominal constante, o que implica uma taxa percentual decrescente (e baixa).

    cdn.tradingeconomics.com/embed/?s=unitedstamonsupm2&v=201611241824r&d1=20060101&d2=20161231

    Quanto à deflação da base monetária, há várias maneiras, mas o que realmente interessa é que o Fed está, lentamente, vendendo mais ativos para os bancos do que comprando deles. (Normalmente, quando um títulos o Tesouro em sua carteira vence, ele rola: ou seja, o Tesouro dá um novo prazo de vencimento e então o Fed vende esse título para os bancos).
  • Rodrigo Fernandes  19/12/2016 21:43
    Leandro,

    Qual é a bibliografia fundamental para aprofundar nesse tipo de análise que você faz tão bem? De outro modo, o que precisamos estudar se quisermos "ser um Leandro Roque"? :)
  • Leandro  20/12/2016 14:05
    Que grande exagero, prezado Rodrigo.

    Basta apenas ter paixão por aquilo que faz. E nada mais. Após vários anos de estudos diários sobre um determinado assunto, você acaba entendendo ao menos o básico sobre ele. A partir daí, basta você escrever tendo em mente apenas um objetivo: quais palavras e frases devo usar para que um leigo entenda? Como devo escrever para que um leigo acompanhe sem dificuldades meu raciocínio?

    De fato, escrever com esse objetivo é bem mais trabalhoso, mas é também mais recompensador.

    Escrever para aqueles que já dominam um assunto é extremamente fácil; o real desafio é escrever para leigos. É nisso que me concentro.

    Leia tudo sobre um assunto que lhe agrada. Inevitavelmente, você acabará entendendo algo.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Leandro  20/12/2016 14:05
    Estou assistindo à palestra do Ilan Goldfajn. Ele anunciou que o Banco Central planeja, a partir do ano quem vem, implantar exatamente esse modelo de depósitos voluntários remunerados usado pelo Fed. Será curioso.
  • Diego  20/12/2016 17:03
    Achei este fato curioso também. Você imagina porque o BC faria isto?

    Forte abraço!
  • Pedro  20/12/2016 18:13
    Leandro,

    Em novembro o Edmar Bacha tinha comentado sobre esta possibilidade:

    www.institutomillenium.org.br/artigos/crise-fiscal-o-fisco-e-a-moeda/

    Abraço!
  • Emerson Luis  26/12/2016 17:47

    As decisões inéditas do FED vão causar problemas inéditos. Ou talvez não, apenas os problemas de sempre, quem sabe?

    * * *
  • Daniel  13/01/2017 16:54
    Leandro, boa tarde.

    Gostaria de saber a respeito do texto do André Lara Resende no Valor hoje "Juros e conservadorismo intelectual", especificamente sobre o trecho abaixo:

    "O chamado Quantitative Easing (QE) praticamente replica o que seria uma experiência de laboratório para observar o efeito sobre os preços de um extraordinário aumento da quantidade de moeda. A resposta contradiz frontalmente o que sustentava a teoria monetária quantitativista e a macroeconomia ensinada nas grandes escolas até muito recentemente: nada acontece. A inflação não explode, continua estável e impassível."

    Obrigado.
  • Leandro  13/01/2017 17:11
    Tal frase mostra que o senhor Lara Resende está extremamente mal informado sobre como realmente foi o QE e sobre tudo o que o Fed fez para evitar que as reservas em excesso entrassem na economia (vide artigo acima).

    Agora, se ele não está desinformado, então ele realmente está mentindo de maneira vil e descarada ao dizer que houve "um extraordinário aumento da quantidade de moeda" (não houve, como mostram os dados do próprio Fed).

    Pelo visto, ele confundiu expansão da base monetária com expansão da oferta monetária, erro completamente amador e primário.

    Quero crer que seu texto foi editado pelo jornal.
  • Paulo Henrique  01/03/2017 19:08
    Desculpe minha ignorância, mas , essa elevação dos juros não poderia aumentar a busca por títulos do governo americano e consequentemente dar maior capacidade de financiamento ao governo? Ou eu estou fazendo alguma confusão aqui?
  • Tiago Voltaire  15/03/2017 18:19
    O FED acabou de aumentar os juros! Quais os impactos? :O
  • Leandro  15/03/2017 19:18
    Nada de diferente do abordado no artigo. Uma fatia maior das receitas operacionais do Fed deixará de ser direcionadas para o Tesouro e agora irá para os bancos na forma de "juros sobre as reservas em excesso".

    Logo, destituído destas receitas, o Tesouro terá déficits operacionais maiores. Como o mercado financeiro irá reagir a isso? Tal resposta está muito além de minhas capacidades.

    Aproveitando a deixa, chamo a atenção para a nota emitida pelo Fed sobre como ocorrerá este aumento dos juros. O IMB é o único site em língua portuguesa a falar sobre isso (vide artigo acima). Ninguém mais toca no assunto. Aliás, ninguém mais nem sequer sabe que é assim (começando por André Lara Resende).

    "The Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to raise the interest rate paid on required and excess reserve balances to 1.00 percent, effective March 16, 2017."

    Esta é a única taxa de juros que o Fed efetivamente controla agora. E isso nunca aconteceu antes com nenhum outro Banco Central na história do mundo.
  • Bruno Feliciano  15/03/2017 20:20
    Leandro, e o dolar vai ser desvalorizado de propósito?
    O TRUMP disse que quer Dolar fraco, mas e a sintonia dele com o FED não é das melhores, eai?

    Sabemos que o governo TRUMP vai sofrer um crash econômico, com essas medidas, só vai agravar o problema.
    Eu me pergunto: Será que não tem uma alma viva próxima dele pra tentar convence-lo de não fazer isso?
    Ele é tão sensato em diminuir regulamentação e impostos, mas tão insensato em cortar gastos e fortalecer o Dolar, sera que ele sabe da crise que vai enfrentar?

    Vc acha que um fim para o dinheiro impresso seria gastar com guerras?

  • Rodrigo Fernandes Moreira  15/06/2017 14:42
    Oi Leandro,

    Esse novo aumento de juros esta seguindo o mesmo padrão?
  • Auxiliar  15/06/2017 18:22
  • Pedro  15/06/2017 22:08
    Essa subida nos juros é esperado dado o aumento na inflação dos EUA.. Os bancos estavam se sentindo mais confiante e começaram a expandir a base monetária, provavelmente.
    Por isso, é díficil saber exatamente se os juros vão causar inflação baixissima afetando a economia americana ou simplesmente fazer parar esse aumento de inflação , tudo depende do comportamento dos bancos..

  • Pedro  15/03/2017 19:46
    Será que já da para julgar a postura do FED em relação ao trump? Ao que parece ele está disposto a seguir a risca as 3 altas previstas
  • Paulo Henrique  19/04/2017 05:58
    Estava olhando a expansão da base monetaria dos eua

    https://fred.stlouisfed.org/series/BASE

    Parece que ela se recuperou nos ultimos meses

    e a inflação dos eua subiu junto..

    Seria isso efeito dos bancos emprestando mais por algum aumento na confiança? Se sim, a postura anti trump Vai ser manter os juros baixos para a inflação subir e formar bolhas
  • Canivete  09/10/2017 11:07
    Ótimo texto. Não sabia disso.


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