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Mises contra Marx

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Se instados a citar o principal crítico do marxismo, a maioria dos economistas simpáticos ao livre mercado iria mencionar Eugen von Böhm-Bawerk, que em seu tratado Capital and Interest (Capital e Juro) e em seu folheto Karl Marx and the Close of His System (Karl Marx e o Fim do Seu Sistema) demoliu por completo a teoria do valor-trabalho, o sustentáculo da economia marxista.

Mas a teoria do valor-trabalho é apenas uma parte do marxismo.  E quanto ao resto do sistema?  É aqui que se faz necessário analisar a obra do maior e melhor aluno de Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises, cuja análise devastadora do marxismo é de inigualável excelência.  Sua contribuição à crítica do marxismo é encontrada principalmente em dois de seus livros: Socialismo e Teoria e História.

O Manifesto Comunista (1848) famosamente declara:  "A história de todas as sociedades existentes até hoje é a história da luta de classes".  Cada sistema social, na visão marxista, é caracterizado por uma diferente variedade de conflitos de classe.  No sistema capitalista, obviamente, o infindável conflito se dá entre capitalistas e proletários.  No decorrer da batalha social entra as classes, os membros ou amigos de cada classe elaboram teorias de vários tipos voltadas exclusivamente para a defesa daquela classe.  Essas teorias, independente do que digam, não se originaram da busca pela verdade objetiva.  Como todo o pensamento "ideológico", as teorias econômicas, sociais e políticas refletem meramente o interesse de classe.

Mises, mais vigorosamente do que qualquer outro crítico de Marx, transpôs e descortinou a essência dessa visão falaciosa.  Se todo o pensamento sobre questões sociais e econômicas se baseia na questão social, o que dizer sobre o próprio sistema marxista?  Se, como Marx orgulhosamente proclamava, sua intenção era explicar para a classe operária sua condição de espoliada, por que então qualquer uma de suas visões deveria ser aceita como verdadeira?  Mises corretamente apontou que a visão de Marx era autorefutável: se todo pensamento social é ideológico, então a proposição marxista é em si ideológica, o que faz com que seus fundamentos já nasçam naturalmente solapados.  Em sua obra Teorias Sobre a Mais-Valia, Marx não consegue conter seu escárnio em relação à "apologética" de vários economistas burgueses.  Ele não percebeu que, ao escarnecer constantemente a tendenciosidade de seus economistas contemporâneos, ele estava cavando a sepultura de seu enorme trabalho de propaganda em favor do proletariado.

Mises nunca se cansou de enfatizar um tema que ele expressou sucintamente em seu livro Liberalismo: "O homem tem apenas uma ferramenta com a qual lutar contra o erro: a razão".  Por "razão", ele se referia a um procedimento lógico de validade universal.  Aquele que nega o poder da razão cai em contradição — logo, está se refutando a si próprio.  Se a razão for subordinada a alguma outra faculdade, seja o interesse de classe, o conhecimento hermenêutico ou qualquer outra idiossincrasia não-racional que seja atraente, o resultado não será outro que não uma estultice.  Se não há lógica, qual razão pode haver em qualquer postulado?

O ataque de Mises ao marxismo não se limitou à essencial porém hermética área da epistemologia.  Ele também analisou em detalhes os principais temas da interpretação marxista da história.  De acordo com Marx, o segredo da história está nas forças da produção. (Grosso modo, as forças de produção de uma sociedade consistem na tecnologia dessa sociedade).  Essas forças, ao longo da história, apresentam uma constante tendência ao desenvolvimento.  À medida que o fazem, elas exigem mudanças nas relações de produção, isto é, no sistema econômico e social que existe em uma determinada sociedade.  Em um momento, por exemplo, o feudalismo era o sistema que melhor estava adaptado para desenvolver as forças de produção.  A partir do momento em que ele deixou de ser o sistema mais eficiente, o capitalismo o substituiu, quebrando aquilo que Marx chamou de "grilhões" que a economia senhorial do feudalismo impunha à produção.  Por sua vez, por imposição das forças de produção, o capitalismo será substituído pelo socialismo, um sistema que, como Marx antecipou, seria imensamente mais produtivo que seu antecessor.

Em seu livro Teoria e História, Mises apresentou uma simples indagação que se comprovou letal à alegada "ciência do materialismo histórico".  Como foi explicado, o crescimento das forças de produção supostamente é a causa-mor das revoluções.  É ele quem impele a sociedade a realizar mudanças drásticas em sua estrutura.  Mas o que exatamente determina esse crescimento das forças de produção?  Como Mises vivia dizendo, apenas indivíduos agem.  As classes, as "forças de produção", "as relações de produção" etc., são em si apenas abstrações.  Separadas da ação dos seres humanos, elas são nulas e impotentes.  Assim como o Geist (Espírito) hegeliano, as forças de produção de Marx são um fenômeno que se desenvolve autonomamente e que governa a vontade humana.  Marx jamais se preocupou em explicar como tais forças, elas próprias os efeitos da ação humana, podem exclusivamente determinar toda a importante ação humana.

Uma vez que se tenha entendido que são os indivíduos que agem — e não as forças de produção —, todo o esquema marxista sobre a evolução histórica cai por terra.  Se são os seres humanos que criam por seus próprios atos as forças de produção, ao invés de serem as forças de produção que determinam esses atos, então a transição de um sistema econômico para outro não é uma inevitabilidade, como Marx dizia ser.  Tais mudanças irão ocorrer apenas se as pessoas agirem para criá-las — e somente assim.  Se alguém contestar dizendo que existem leis que determinam a ação humana, esse contestador terá de ter a bondade de produzir essas leis para que possamos examiná-las.  Agora, que os resultados daquilo que as pessoas criam podem não ser aqueles esperados, isso já é outra discussão.

O marxismo, como o "filósofo" stalinista M.B. Mitin gostava de afirmar pomposamente, é "um chamado à ação".  E a ação que os marxistas têm em mente é obviamente a substituição do capitalismo pelo socialismo.  Em uma famosa passagem no volume III do Capital, Marx antevê um futuro auspicioso sob as bênçãos do socialismo, no qual as pessoas poderão dedicar a maior parte do seu tempo ao lazer.  Trabalhar pelo mero sustento se tornará simples memórias de um passado longínquo.

Tal é a promessa marxista.  Porém a realidade, como Mises demonstrou, era algo bem diferente.  Em seu argumento, Mises não se baseou empiricamente nos resultados do experimento socialista na Rússia soviética.  Ao invés disso, como aqueles familiarizados com seu método praxeológico já imaginam, Mises ofereceu a prova de que o socialismo era em sua natureza impossível.

Ele apresentou seu argumento em um famoso artigo publicado em 1920 que, com maior elaboração, foi incorporado a sua grande obra Socialismo (1922).  Como é característico de Mises, seu argumento em essência é um só (o grande economista austríaco tinha um infalível instinto para analisar o âmago de qualquer teoria por ele considerada): dada uma lista de bens a serem produzidos — sejam aqueles desejados pelos membros da sociedade (os consumidores) ou aqueles planejados por um ditador — qualquer economia desenvolvida precisa ter uma maneira de decidir como empregar seus recursos da melhor maneira possível para produzir os bens desejados.

Sob o capitalismo, esse desafio é respondido totalmente à altura das dificuldades apresentadas.  Os recursos que existem — a terra, o capital ou o trabalho — são propriedade de indivíduos. Essas pessoas irão comercializar suas propriedades no mercado.  Ao fazerem isso, elas poderão precificar os bens de produção de acordo com a eficiência com que estes podem ser utilizados para atender os desejos dos consumidores.

Os detalhes desse complexo e fenomenal processo não podem ser aqui elaborados.  Porém, em todo caso, ninguém pode seriamente negar que o livre mercado é capaz de realizar a tarefa do cálculo econômico acima descrita.  O ponto principal da acusação de Mises ao socialismo, e o aspecto mais controverso de seu argumento, é sua afirmação de que somente o capitalismo pode resolver o problema do cálculo econômico.  O socialismo, em particular, não pode.

Novamente sem entrar em detalhes, o ponto principal do raciocínio de Mises pode ser rapidamente entendido.  O socialismo por definição consiste no gerenciamento centralizado da economia, sendo que seus principais meios de produção são de propriedade "pública", ou seja, do governo.  Como pode um sistema centralizado, onde não há mercados, decidir qual é a maneira mais eficiente de se utilizar os recursos necessários para a produção de um determinado bem?  Pois se não há um livre sistema de preços para balizar a produção, a utilização de recursos passa a ser feita às cegas.  Qualquer "preço" que o planejador da economia imponha para qualquer bem será arbitrário e não terá qualquer valor para um cálculo genuíno.  (Um detalhe técnico deve ser mencionado para que o argumento não seja mal entendido: Mises afirma que um sistema socialista não tem os meios para calcular os preços dos bens de produção, o mesmo não sendo necessariamente válido para os preços dos bens de consumo ou bens de primeira ordem).

Ou seja, a explicação de Mises pode ser sucintamente resumida da seguinte forma: se os meios de produção pertencem exclusivamente ao estado, não há um genuíno mercado entre eles.  Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos.  Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços.  E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica — o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

Podemos imediatamente ver como o argumento de Mises desfere o golpe de misericórdia no marxismo.  Este sistema alega que o socialismo é uma inevitabilidade porque o desenvolvimento das forças de produção irá inevitavelmente levar à sua implementação.  Mesmo que desconsiderássemos o argumento de Mises, de que o crescimento das forças de produção não é algo inevitável, poderíamos perceber que a visão de Marx é comicamente absurda: o capitalismo não apenas é o mais eficiente sistema econômico como também é o único sistema econômico eficiente.  Se — por mais impossível que isso seja — as forças de produção de fato crescessem por conta própria, não seria o socialismo o sistema que elas iriam estabelecer.  Seria o capitalismo.

Continuando seu ataque ao marxismo, Mises explorou o porquê de Marx não levar em conta o problema da eficiência.  E nesse quesito a resposta de Mises não admite contestações.  Marx não disse nada sobre o problema do cálculo simplesmente porque ele não dedicou atenção alguma às instituições econômicas do socialismo.  Fazer isso, pensava Marx, seria o equivalente a estabelecer "modelos" para o futuro, no mesmo estilo dos socialistas utópicos, os quais ele sempre escarnecera.  Com uma completa irresponsabilidade intelectual, ele pregava a derrubada da intricada economia capitalista — que ele próprio havia admitido ser a mais produtiva da história — para poder estabelecer um sistema cujas instituições ele sequer havia se dado ao trabalho de analisar.

Entretanto, quando se considera as respostas dadas a Mises por seus críticos socialistas, pode-se pensar que talvez a política de Marx — a de desconsiderar os problemas do socialismo — acabou sendo mais sabia do que ele poderia imaginar.  Mises não teve dificuldades em refutar todas as soluções socialistas que foram tentadas em resposta ao seu problema do cálculo econômico.  Alguns correram para a matemática: um sistema de equações simultâneas permitiria que os preços necessários fossem descobertos.  Como, em um regime em constante mudança, essas equações funcionariam, é algo que os proponentes dessa idéia preferiram não responder.

A mais famosa resposta dada a Mises, entretanto, está em outra área.  O economista polonês Oskar Lange, que residiu nos EUA por um bom tempo até que, após a Segunda Guerra Mundial, a bajulação e o charme da Polônia comunista acabaram com sua resistência e imunidade ao regime, alegou que a economia socialista não precisava necessariamente abandonar o mercado.  Era possível que ambos coexistissem, embora para alguns a expressão "socialismo de mercado" tenha tanto sentido quanto um "círculo quadrado" — Lange, obviamente, não estava dentre os que pensavam assim.  Mas sua proposta, conquanto original, não teve melhor sucesso que as outras.  Mises submeteu-a a impiedosos ataques, os detalhes dos quais deixo para o leitor interessado explorar nos trabalhos de Mises.  Em particular, sua iluminadora discussão sobre seus críticos em Ação Humana deve ser consultada.

Mises expôs inúmeros, cruciais e irremediáveis erros do marxismo.  Uma leitura de suas críticas inevitavelmente fará com que se aplique ao marxismo o famoso trecho do poema "Ozymandias":

"Nada mais resta: em redor a decadência

Daquele destroço colossal, sem limite e vazio

As areias solitárias e planas espalham-se para longe."



autor

David Gordon
é membro sênior do Mises Institute, analisa livros recém-lançados sobre economia, política, filosofia e direito para o periódico The Mises Review, publicado desde 1995 pelo Mises Institute. É também o autor de The Essential Rothbard.

  • Edmar Nascimento das Neves  12/07/2009 12:51
    Sou um jovem estudante de economia e me interesso bastante pelos artigos publicados nesse site. É uma ferramenta bastante útil contra meus professores e amigos de classe que tem pé(ou o corpo todo) no marxismo ou keynesianismo.
  • E. Lima  25/04/2011 14:19
    Olá, Edmar das Neves!

    Deixe-me adivinhar: sua faculdade é pública, certo? Porque eu estudo ciências econômicas na UFF e, lá, vejo o mesmo problema. Simplesmente não há professores que sigam das escolas neoclássicas e, por consequência, é criada uma barreira neste caminho para os alunos.

    Tudo o que eu sei, busquei, incentivada por um amigo da PUC, na internet e em alguns livros que, felizmente, nossa biblioteca ainda oferece. Na PUC, o problema é, pelo que ele me contou, justamente o oposto ao nosso: faltam profissionais das demais correntes, de modo que eles raramente têm acesso, dentro da faculdade, a argumentos contrários.

    É terrível. Na minha faculdade, toda vez que a escola neoclássica é mencionada, vem acompanhada das críticas padrão. Mas eu, agora, tenho tentado incentivar os amigos mais mente-aberta a, ao menos, ler algo sobre, com a confiança de que a solidez da nossa teoria vá convencê-los por si só, e me disponho a discutir com eles e procurar sanar-lhes certas dúvidas. Vamos ver o resultado, né?
  • Augusto  25/04/2011 15:51
    No Brasil eu não sei como funciona, mas nos países (2!) onde fiz o mestrado e o doutorado, quando não havia um professor capacitado a dar uma matéria específica de interesse dos alunos, era possível estabelecer uma espécie de acordo de cooperação pelo qual um professor de outra universidade poderia organizar um grupo de estudos.\r
    \r
    Por outro lado, até bem recentemente (não sei se mudou), no Brasil você não podia sequer se matricular em uma disciplina isolada em uma faculdade qualquer...\r
    \r
    Solução-tampão: na universidade aqui da minha esquina (já de volta no Brasil), a universidade exige um número de horas-aula executados como "atividades extra-curriculares". Geralmente, são palestras, cursos de curta duração, etc. De repente vocês conseguem organizar um "Círculo de Estudos da Escola Austríaca" aí na universidade de vocês... ;-)
  • Vane  28/05/2017 02:40
    Não é só nas faculdades públicas... as particulares também estão assim! Tenho colegas da PUC com os mesmos problemas. Isso é devido á interferência do estado no ensino, se você não ensina o que eles querem não tem o reconhecimento do MEC.
  • Filipe Celeti  19/11/2009 18:56
    Gosto do Gordon. É bom ler um pouco de filosofia por aqui...
  • João Francisco Vargas  28/10/2010 22:18
    Olá. É a primeira vez que comento aqui, embora já tenha lido vários artigos por indicação de amigos, estes que carregam a ideologia libertária tanto quanto os Keynesianos, Marxistas, Corinthianos, Palmeirenses e Fiéis de Igrejas.
    Gostaria de ser mais natural nesse comentário fazendo uma analogia à feliz vida do indivíduo, mas como já disse, é o meu primeiro comentário, então serei sério, acadêmico (na medida do possível, pois sou do primeiro ano de uma graduação na área econômica), e, infelizmente, parcial, pois sou um simpatizante da ideologia conhecida como "bolsa miséria".
    Começando a ler o texto já vejo as famosas discussões sobre as teorias do valor. Sei de toda a polêmica que envolve tudo isso, mas esse não é o motivo do texto. Este que lembra do elogio de Marx ao capitalismo, como mais eficiente que o feudalismo. Poderia lembrar até que o velho barba chama a classe burguesa de revolucinária, no sentido positivo, na medida em que ela lutava contra nobreza estacionária. E poderia lembrar também de um daqueles dizeres que o aumento da classe proletária (forças produtivas) levará à revolução e isso é inevitável. Há de chegar o dia. Misses analisou a união soviética onde as bases para a revolução não estavam de fato prontas. Erraria também se fosse analisar a China camponesa, Cuba, Vietnã, Angola, ou qualquer outro país que um dia se disse socialista/comunista. Ele poderia gastar seu tempo, quem sabe analisando a capacidade de produção desses regimes como fez Paul A. Samuelson que comparou a evolução do pruduto nacional bruto americano e soviético e mostrou que ambos crescem com a mesma voracidade.
    Mais à frente o autor do texto se pergunta como um sistema planificado pode decidir qual a maneira mais eficiente de se utilizar os recursos para a produção de um bem. Às cegas que não é. E mesmo sendo arbitrárias, não tem como fim estipular os preços dos produtos e sim dar valores a eles de modo que os produtos tenham seu fim no meio da sociedade.
    No décimo sexto parágrafo do artigo, o autor parece tentar ao máximo destruir o socialismo, exautando um fato inexitente do golpe de Mises sobre Marx, ou ainda no final quando diz que a evolução das forças produtivas fortalescerá ainda mais o Capitalismo. Uma simples passada de olhos no item 7 do capítulo 24 do Livro 1 do O Capital, já faz mudar uma opinião como essa.
    Enfim, aqui é só uma tentativa de criticar o texto, não de forma a querer destruir a teoria libertária, ou ridicularizar a exautação à misses. Marx e os libertários querem, no fundo, no fundo, querem a mesma coisa: acabar com o Estado. Isso, nem eu na minha humilde condição de bixo de faculdade gosto.
    Um abraço e parabéns pelo texto e por todo o trabalho da organização.
  • Renê Marcel Oechsler  28/10/2010 23:29
    Você deveria ter lido mais textos aqui antes de fazer sua crítica.
  • Felipe Sola  29/10/2010 02:24
    Ele quer o livro da Rand!
  • Interpretação de Texto Nota 10  29/10/2010 13:08
    -Artigo: "Em seu argumento, Mises não se baseou empiricamente nos resultados do experimento socialista na Rússia soviética."
    -Você: "Misses(sic) analisou a união soviética onde as bases para a revolução não estavam de fato prontas."

    Troféu joinha pra você!
  • Praxeologia  29/10/2010 13:34
    Olá, João.

    Talvez você deva dar uma olhada neste artigo: mises.org.br/Article.aspx?id=230.
  • Rafael Fernandes  22/08/2014 13:50
    João Francisco Vargas, leia um texto do cineasta brasileiro IPOJUCA PONTES: SOBRE A MORALIDADE DE KARL MARX, e saiba quem de fato era Karl Marx. Um homem arrogante, mentiroso, cruel e oportunista. Até o russo Bakunine, que era favoravel a esculhambação e as paixões mais baixas como meio de libertação social, até ele parece um santo perto de Marx. Marx não tinha objetivo de acabar com o estado coisa nenhuma, afinal de acordo com sua teoria, os ideais e valores são apenas ideologicos, ou seja pretextos para justificar as ações de força das classes dominantes e se voçê tivesse prestado mais atenção no texto veria que nos próprios termos o marxismo é de fato uma ideologia que não tem objetivo nem substancia nenhuma, mas serve somente como grande negócio e pretexto e justificativa para levantes revolucionários, atentados terroristas e um meio do próprio Karl Marx se promover como herói romântico, pois Marx era da época e seus escritos são influenciados pelo romantismo. Eprocssa história de que marx era anarquista é um tolo feitiço ideológico e cultural, facil de DESMONTAR. Pois enquanto os anarquistas procuram meios de fugir do estado ou reduzir seu raio de influencia e sua credibilidadde através da denuncia e da ridícularização e um longo trabalho de autocrítica, Marx de forma mais pragmática acha que basta criar o estado proletário ou esperar que ele inevitavelmente venha e pronto o estado proletário mas se autodestruír.Nenhum dos outros sistemas antigos e medievais fizeram isso. Marx não explica porque o estado proletário não poderia se tornar um novo IMPÉRIO BUROCRÁTICO e a criar ideologias para justificar seus meios de DOMINAÇÃO. Claro: Marx não tinha nenhum objetivo de provar algo ou se certificar da veracidade de suas teorias. Marx era apenas um charlatão, um capitalista falido, um comerciante falido, da inveja humanas. Suas idéias são um meio terrível, uma justificativa ideológica, para enganar e arrastar para a miséria e exploração nações inteiras
  • ANARQUIZE-SE  26/12/2017 21:33
    Primeiro : Nem o nome do autor você sabe, quer dizer, ouviu falar. Quem é BAKUNINE ? Que vc sabe de anarquismo ? Vc tem coragem de discutir, argumentar usando como referência Ipojuca Pontes ?
  • Daniel Marchi  03/11/2010 15:05
    Gostaria de recomendar o artigo abaixo.

    Talvez você seja marxista
    www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/11567-talvez-voce-seja-marxista-.html

    Destaco o seguinte trecho, muito feliz ao expor a abordagem subjetivista

    O primeiro é a idéia de que o que as pessoas "precisam" é uma idéia objetiva, ao invés de subjetiva, e que pode ser determinado por terceiros benevolentes. Afinal de contas, se alguém for reordenar a sociedade e redistribuir a riqueza, não é nada mais do que "justo" que as pessoas possam receber o que elas "precisam" antes de privá-las de qualquer coisa além disto, para satisfazer as "necessidades" dos outros. Este conceito é exemplificado pela famosa frase: "A cada um segundo sua necessidade, de cada um segundo sua capacidade."

  • Henrique  28/02/2013 21:43
    o texto diz: "Mises afirma que um sistema socialista não tem os meios para calcular os preços dos bens de produção, o mesmo não sendo necessariamente válido para os preços dos bens de consumo ou bens de primeira ordem"

    não entendi isso, se no socialismo seria possível precificar os bens de consumo pq não seria possível precificar os bens de produção?
    Tentarei explicar minha dúvida: se os bens de produção são necessários para produzir os bens de consumo, pode-se dizer que a produção dos bens de consumo demanda os bens de produção, então se o socialismo pudesse precificar os bens de consumo corretamente estes ao serem consumidos demandarão por mais produção e consequentemente demandarão por mais bens de produção o que permitiria precificá-los, ou não e pq não?



    "Marx não disse nada sobre o problema do cálculo simplesmente porque ele não dedicou atenção alguma às instituições econômicas do socialismo. Fazer isso, pensava Marx, seria o equivalente a estabelecer "modelos" para o futuro, no mesmo estilo dos socialistas utópicos, os quais ele sempre escarnecera."

    penso q tal atitude apenas o tornou ainda mais utópico... me parece que a implantação do socialismo proposto por marx necessitaria de uma grandeza de espírito, de um nível de solidariedade e caridade generalizada, que a humanidade talvez nunca seja capaz de alcançar... mas quem sabe através de um estupendo e idílico progresso tecnológico, que só o capitalismo teria chance de produzir, possamos chegar a um nível de produtividade e uma abundância de bens tal que os conflitos sociais percam sua importância e o capitalismo, tendo cumprido seu papel, possa dar lugar a um sistema ainda mais avançado (quem sabe até o atualmente utópico socialismo?) - isso é apenas especulação, é claro, mas significaria que o erro de marx teria sido simplesmente o de querer forçar a marcha da história (e ao querer forçar a marcha acabou fundindo o motor =P). se fosse isso, então a única maneira de se alcançar o verdadeiro socialismo seria abraçar o verdadeiro capitalismo.
  • Randalf  01/03/2013 00:55
    Também não entendi a frase: "Mises afirma que um sistema socialista não tem os meios para calcular os preços dos bens de produção, o mesmo não sendo necessariamente válido para os preços dos bens de consumo ou bens de primeira ordem".

    Como é que um sistema socialista tem os meios para calcular os preços dos bens de consumo? Colocar um preço estipulado ao pão é uma forma eficaz de calcular preços? Não me parece. Ou então não entendi o que quis dizer com essa frase.

    Alguém que me esclareça, por favor.
  • Alan  15/05/2013 22:15
    Dá uma lida aqui:
    Mises argued that money is demanded for its usefulness in purchasing other goods, rather than for its own sake and that any unsound credit expansion causes business cycles. His other notable contribution was his argument that socialism must fail economically because of the economic calculation problem – the impossibility of a socialist government being able to make the economic calculations required to organize a complex economy. Mises projected that without a market economy there would be no functional price system, which he held essential for achieving rational and efficient allocation of capital goods to their most productive uses. If capital goods are the subject of neither rent nor exchange, as per private ownership of those means of production, then no barter terms or money prices can arise for them. Without the common nominal index of money pricing that allows comparison of costs of production to likely revenues, there can be no rational allocation of diverse capital goods in the production of diverse consumer goods whose production requires some use of scarce capital. In a socialist society, capital is not distributed according to the more efficient—thus profitable—capital structures, but rather to any use a theoretical socialist planner sees fit without the aid of monetary price signals to compare the profitability in a given use of capital.

    According to Mises, socialism must fail, as demand cannot be known without prices. Therefore, socialist waste of capital goods is as chronic as the incentives for production and retention of capital are low, while capital goods are coercively monopolised by a dysfunctional State operating with only the data pertaining to interpersonal comparisons of utility, as per democratic production. These data are not sufficient for economic calculation, and therefore are not sufficient for efficient use and allocation of capital. Capital's place in a free market is ordained by the prices set by private owners of the means of production, who keep capital where its production is remunerated best by consumers, and who liquidate it and pass it to other uses if production is bankrupt. In socialism, such means for liquidation of capital goods, and the passage or maintenance of the means of production across extremely diverse applications throughout the divisions of labour according to the expense or cheapness of bidding capital away from vital production, is simply not present.
  • Leandro  01/03/2013 01:26
    Prezados Henrique e Randalf, a definição de socialismo é: o estado é o único dono de todos os meios de produção. Sendo assim, como explicou o texto, não há um mercado para os meios de produção. Não havendo mercado, não há trocas. Não havendo trocas, não há formação de preços.

    No entanto, no socialismo, o estado não é o dono único dos bens de consumo. Roupas, objetos de higiene pessoal e até mesmo automóveis e alimentos são propriedade privada. Eles podem ser trocados entre as pessoas. Sendo assim, há um mercado para estes bens. Havendo mercado e havendo trocas, há formação de preços entre estes bens.

    É claro que, pelo fato de o mercado ser totalmente restrito, o processo de formação destes preços será altamente defeituoso. No entanto, ainda assim, é perfeitamente possível haver formação de preços para estes bens. Tanto é que o mercado negro prosperou na URSS, e foi ele quem salvou os soviéticos da penúria. Mises, em 1920, previu o que de fato viria a acontecer durante as décadas da URSS.
  • Gustavo BNG  01/03/2013 02:03
    Esta informação é bastante relevante. Obrigado, Leandro!
  • Randalf  01/03/2013 13:22
    Quando a União-Soviética colocava controlo de preços no pão, isso não era controlo de preços de bens de consumo?
  • Leandro  01/03/2013 13:37
    Sim. Mas e daí? O fato de um governo impor controle de preços sobre um dado bem de consumo não implica de modo algum que não possa haver um mercado com livre formação de preços para este bem de consumo ou para outros (tanto é que no mercado negro soviético as pessoas compravam pães, leite e até mesmo gasolina, e foi isso que as manteve vivas. Por outro lado, não havia empresários comprando máquinas).

    Insisto: o socialismo, por definição, permite um mercado de trocas para alguns bens de consumo (é claro que o governo pode tentar suprimir este mercado, mas tal supressão não está na teoria socialista). O que o socialismo não permite é um mercado de trocas para bens de capital, pois estes são monopólio do estado.
  • Cláudio A Ferigoli  09/09/2013 22:28
    Será que podemos considerar o desenrolar das teorias econômicas de maneira dialética? onde capitalismo e socialismo darão origem a uma nova síntese? abraços e obrigado por compartilhar material tão importante... (em tempo, gostaria de saber a posição do autor sobre o sistema chinês)
  • Humanista Babilonico  14/12/2013 20:36
    A crítica de Mises ao materialismo histórico é infundada. Na verdade é bem simples a refutação de sua refutação. Tão simples que estou surpreso que um argumento desses tenha saído de um intelectual tão proeminente como Mises.

    "Se alguém contestar dizendo que existem leis que determinam a ação humana, esse contestador terá de ter a bondade de produzir essas leis para que possamos examiná-las."

    Existe lei e ela é bem simples: o produtor sempre tenta maximizar a sua produção, visando o lucro e, portanto, o seu maior bem-estar. Marx adere àquele argumento de Adam Smith que diz que a sociedade de move através de interesses individuais (os interesses individuais de pessoas que estão em uma mesma posição econômica - classe - convergem, por isso que os interesses individuais acabam formando os interesses de classes).

    O modo de produção é composto por dois pilares: as forças produtivas, que envolve as tecnologias, os meios de produção, as forças de trabalho humano, enfim, a relação homem-terra; e as relações de produção, que envolve a forma como são as relações homem-homem para produzir.

    Pensando apenas em si, no seu lucro, o produtor escravista foi melhorando as tecnologias de produção até chegar uma hora que a relação homem-homem (as relações de produção) já estava tão atrasada em comparação à relação homem-terra (as forças de produção) que a mudança do sistema escravista ao sistema feudal foi inevitável, e deste ao sistema capitalista. Ou seja, o homem PODE, sim, modificar aos poucos as forças de produção (não só pode como, de fato, o faz). Novas tecnologias (novas forças de produção) estavam constantemente sendo inovadas na época de Marx, é óbvio que ele tinha a consciência de que o homem, com sua ação individual, altera as forças produtivas. O que o homem NÃO PODE fazer sozinho é modificar toda a relação homem-homem vigente na sociedade, apenas uma revolução faz isto. Um homem sozinho pode implantar uma nova máquina que maximize a produção e que comece a ser utilizada por toda a sociedade, mas não pode mudar a relação entre o burguês e o proletário. Resumindo: o homem pode, individualmente, mudar as forças produtivas mas não todo o modo de produção.

    Portando o homem está condicionado a trabalhar no modo de produção ao qual ele está inserido. As forças produtivas estão em constante mudança mas as relações de produção não. Mises, ou qualquer um que tenha formulado essa crítica do artigo ao materialismo histórico, patinou.
  • Guilherme  14/12/2013 22:33
    Se a crítica -- que não é de Mises mas sim do autor do artigo -- é infundada, a sua completamente furada. Raramente se viu um comentário em que a conclusão não se segue às premissas.

    "os interesses individuais de pessoas que estão em uma mesma posição econômica - classe - convergem, por isso que os interesses individuais acabam formando os interesses de classes."

    Balela. Isso é algo que nunca foi nem sequer observado na prática. Apenas cuspir frases de efeito, sem nenhuma argumentação, é uma postura que pode fazer de você um cara popular em meio à sua patota, mas aqui neste site você não irá conseguir nada com isso.

    "Pensando apenas em si, no seu lucro, o produtor escravista foi melhorando as tecnologias de produção até chegar uma hora que a relação homem-homem (as relações de produção) já estava tão atrasada em comparação à relação homem-terra (as forças de produção) que a mudança do sistema escravista ao sistema feudal foi inevitável, e deste ao sistema capitalista."

    Ou seja, segundo você próprio, foram os próprios interesses capitalistas -- a busca pelo lucro -- o que levou ao fim da escravidão e, depois, do feudalismo. Elogio maior ao capitalismo não há.

    "Ou seja, o homem PODE, sim, modificar aos poucos as forças de produção (não só pode como, de fato, o faz). Novas tecnologias (novas forças de produção) estavam constantemente sendo inovadas na época de Marx, é óbvio que ele tinha a consciência de que o homem, com sua ação individual, altera as forças produtivas. "O que o homem NÃO PODE fazer sozinho é modificar toda a relação homem-homem vigente na sociedade, apenas uma revolução faz isto. Um homem sozinho pode implantar uma nova máquina que maximize a produção e que comece a ser utilizada por toda a sociedade, mas não pode mudar a relação entre o burguês e o proletário."

    Não só pode, como de fato foi isso o que ocorreu. Relações individuais. Eis o ponto:

    Em seu livro Teoria e História, Mises apresentou uma simples indagação que se comprovou letal à alegada "ciência do materialismo histórico". Como foi explicado, o crescimento das forças de produção supostamente é a causa-mor das revoluções. É ele quem impele a sociedade a realizar mudanças drásticas em sua estrutura. Mas o que exatamente determina esse crescimento das forças de produção? Como Mises vivia dizendo, apenas indivíduos agem. As classes, as "forças de produção", "as relações de produção" etc., são em si apenas abstrações. Separadas da ação dos seres humanos, elas são nulas e impotentes. Assim como o Geist (Espírito) hegeliano, as forças de produção de Marx são um fenômeno que se desenvolve autonomamente e que governa a vontade humana. Marx jamais se preocupou em explicar como tais forças, elas próprias os efeitos da ação humana, podem exclusivamente determinar toda a importante ação humana.

    Uma vez que se tenha entendido que são os indivíduos que agem — e não as forças de produção —, todo o esquema marxista sobre a evolução histórica cai por terra. Se são os seres humanos que criam por seus próprios atos as forças de produção, ao invés de serem as forças de produção que determinam esses atos, então a transição de um sistema econômico para outro não é uma inevitabilidade, como Marx dizia ser. Tais mudanças irão ocorrer apenas se as pessoas agirem para criá-las — e somente assim. Se alguém contestar dizendo que existem leis que determinam a ação humana, esse contestador terá de ter a bondade de produzir essas leis para que possamos examiná-las. Agora, que os resultados daquilo que as pessoas criam podem não ser aqueles esperados, isso já é outra discussão.

    Resumindo: o homem pode, individualmente, mudar as forças produtivas mas não todo o modo de produção."[/i]

    É óbvio que pode. Não só pode, como de fato foi isso o que ocorreu. Apenas indivíduos agem, e não um misterioso ente coletivo.

    "Portando o homem está condicionado a trabalhar no modo de produção ao qual ele está inserido. As forças produtivas estão em constante mudança mas as relações de produção não."

    Por quê? Por que uma está em constante mudança, mas não a outra, se ambas são formadas por indivíduos?

    "Mises, ou qualquer um que tenha formulado essa crítica do artigo ao materialismo histórico, patinou."

    Se ele patinou, você derrapou, rodou e despencou ribanceira abaixo.

    Sugiro este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=750
  • TL  15/12/2013 15:21
    Caro Humanista Babilonico,

    seu comentário é excelente para distinguir a diferença epistemológica da Luta de Classes e da Praxeologia. O seu terceiro parágrafo é o ponto chave da divergência epistemológica.

    Existe lei e ela é bem simples: o produtor sempre tenta maximizar a sua produção, visando o lucro e, portanto, o seu maior bem-estar. Marx adere àquele argumento de Adam Smith que diz que a sociedade de move através de interesses individuais.

    Até essa passagem, se a palavra "sociedade" significa grupo de indivíduos, os Austríacos não teriam objeções. Inclusive Mises é extremamente enfático nesse ponto, ao propor a Praxeologia.

    Com o axioma da ação ("O ser humano age") mais a desutilidade do trabalho ("o trabalho não é o fim em si próprio"), todo o ser humano age com o objetivo de sair de um estado de menor satisfação subjetiva para um estado de maior satisfação subjetiva (inclusive eu e você ao escrevermos nossos comentários). Caso contrário, o indivíduo não agiria.

    Cabe salientar que nem toda ação visa o lucro. Por exemplo: as ações necessárias para a redação dos nossos próprios comentários. Aqui, não cabe enumerar, os motivos que nos levaram a escrever os comentários. O importante é que nós acreditamos (ou acreditávamos) que a escrita dos comentários nos levaria, cada qual, a um estado de maior satisfação subjetiva.

    Claro, na economia, o objetivo da ação humana é o lucro, pois o ser humano age com o objetivo de satisfazer mais vontades no futuro. De outra forma, o indivíduo, ou grupo deles, abstém seu consumo [investe] no presente para poder consumir mais no futuro [a abstenção pode, inclusive, ser a diminição do tempo de lazer].

    (os interesses individuais de pessoas que estão em uma mesma posição econômica - classe - convergem, por isso que os interesses individuais acabam formando os interesses de classes)

    Quanto a citação anterior, eu observo que esse é o ponto de ruptura [divergência epistemológica]. Sobre essa passagem, os Austríacos diriam: não existem interesses da classe de indivíduos de uma posição econômica qualquer, pois a classe é apenas uma abstração do intelecto humano: ela não existe fora da mente humana. Palavras como nação, empreendedor, capitalista, socialista, austríaco, herege, agnóstico, calvo, pobre, rico, … são apenas definições para um conjunto de atributos que algo pode ou não ter, entretanto essas palavras não definem uma entidade que tem vontade própria e age.

    Claro, muitas vezes, um grupo de indivíduos pode se organizar em volta de uma causa comum. Contudo, o coletivo é o resultado das ações dos indivíduos, e não o contrário: os indivíduos serem consequência dessa entidade coletiva. Então, para os Austríacos, todos os coletivos precedem da ação humana para existir.

    Muitas críticas a essa mentalidade de classes já foram tecidas. Muitos Marxistas afirmam que quando observado na prática um indivíduo que diverge da mentalidade de sua suposta classe, portanto uma contradição à lei, ou esse indivíduo é um alienado ou foi dominado pela mentalidade da outra classe.

    Assim, o caráter objetivo dessa lei desaparece, pois não mais existem critério objetivos para classificar os indivíduos nas suas respectivas classes. Nesse ponto, a classificações está completamente nos "olhos" do classificador.

    É importante enfatizar as consequência nos campo da ética e do direito do Individualismo Metodológico versus a Luta de Classes. No primeiro, todos os indivíduos devem ser iguais perante a lei, apesar de suas diferenças físicas, intelectuais e materiais. Já, na "Luta de Classes", haveriam diferentes grupos de indivíduos e, consequentemente, um direito não uniforme entre as classes.

    Saudações,
    TL.
  • Humanista Babilonico  22/08/2014 03:39
    Caros TL e Guilherme,

    Gostaria de dizer que passados nove meses desde esse meu comentário, dos quais passei algum tempo estudando sociologia e economia, minhas posições políticas mudaram drasticamente e, em um gira de cento e oitenta graus, deixei de ser um marxista para me tornar um adepto da escola austríaca. Na época desse comentário as minhas ilusões marxistas já estavam em processo de desmoronamento e eu, em meus últimos suspiros marxianos, estava procurando de todo jeito achar alguma desculpa para respaldar minhas crenças, e então saiu esse comentário onde eu tentei, débil e inutilmente, defender o indefensável. Mas minha honestidade e minha busca pela verdade me fizeram abandonar minhas opiniões e hoje sou um ferrenho crítico do marxismo.

    Quero agradecer ao Instituto Ludwig von Mises Brasil, que foi o principal responsável pela minha mudança. O material disponibilizado no site foi de inestimável ajuda pra mim, cada artigo que eu lia me mostrava o quanto eu estava errado. A escola forjou em minha mente uma visão completamente avessa ao capitalismo e eu, em minha ignorância e inocência, abracei tudo aquilo. Esse site faz um papel importantíssimo no Brasil na luta pela liberdade e combate ao totalitarismo, recuperando mentes jovens já levadas para o marxismo, como era o meu caso.

    Pois bem, vamos ao meu comentário. Acho que minha indagação inicial não estava de todo errada, pois creio eu que Marx realmente tenha apresentado em seu Capital a "lei" que faz com que as forças de produção se desenvolvam: por meio de inovações tecnológicas produtivas pontuais visando o lucro. Mas o problema lógico disso foi devidamente apontado por Mises: isso só acontece se os indivíduos o fizerem, e não necessariamente eles farão, pois inovar a tecnologia (desenvolver as "forças de produção") não necessariamente torna o indivíduo mais satisfeito, e a inferência de que o torna para, daí, criar uma lei universal de que as forças produtivas sempre serão aprimoradas é claramente um erro. Sem falar que a tese de relações produtivas que não acompanham as forças de produção é um total disparate.

    Saudações.
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/04/2014 19:44

    Alguns ainda dizem que o marxismo é bom na teoria e ruim na prática, enquanto o capitalismo seria o inverso. Mises refutou magistralmente essa concepção.

    * * *
  • Estevam  27/09/2014 12:54
    Este texto se completa com o artigo do polilogismo.

    O irônico é que, enquanto Marx disse que o socialismo era inevitável (profecia que demonstra seu tom religioso secular), incita revoluções: "Proletários de todos os países, uni-vos".
    Curiosamente esta inevitabilidade depende da ação humana, diga-se de passagem, consciente.

    Só não gostei do tom bajulador do autor (mesmo eu admirando Mises) e expressões como "cavando a sepultura", "letal" e "cai por terra". Apesar de concordar com o texto, isto não difere de qualquer imposição dogmática. Uma refutação requer argumentos lógicos somente.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  04/04/2015 15:32
    Marx e seus defensores são uns canalhas!
  • Felipe  26/08/2016 00:48
    tenho 13 anos, e já tenho 13 anos e gosto muito de politica, e claro, sou de direita...

    eu queria saber se há um livro de Ludwig Von Mises que desmente todas as teorias de Karl Marx, já ouvi falar que ele fez isso, mas eu gostaria de poder ler sobre.
  • Leandro  26/08/2016 01:58
    Há sim. É este:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=100

    Mas o principal anti-Marx é este:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=33


    Agora, pela sua idade, eu realmente recomendo este artigo, que explica tudo o que você precisa saber, e de maneira bem resumida. E ainda fornece links para outros artigos:

    Menos Marx, Mais Mises - tudo o que você precisa saber sobre a teoria econômica do socialismo
  • Rafael  26/08/2016 12:33
    Olá, Leandro, sugiro colocar o artigo "menos marx, mais mises" no assunto "marxismo" no site.

    Grato.
  • Felipe  15/09/2016 01:27
    obrigado pelas dicas... já vou começar a comprar os livros de Mises.
  • anônimo  26/08/2016 09:03
    Rapaz vc ainda vai encontrar tanta porcaria nessa sua vida...
    No dia que alguém chegar pra vc te chamando de AMIGUES...chuta que é macumba.
  • Irineu  15/12/2016 02:01
    Galera preciso de ajuda

    Em um comentário no youtube eu li a seguinte frase: "Tudo que o proletariado produz à ele pertence"
    Longo em seguida eu respondi: "Tudo que o proletariado produz à ele pertence" - Ok, vou gastar dinheiro com infraestrutura, equipamentos, pesquisa e etc, mas tudo que os funcionários produzirem usando dessa infraestrutura é deles.? Tá certo.

    O cara quietou e outros comentários de outros usuários foram publicados, até que eu respondi um de outro usuário: Mais-valia não faz o menor sentido, pois o proletariado está voluntariamente vendendo sua mão de obra (e não sendo coercitivamente forçado a fazer algo), e com o dinheiro que recebe consegue adquirir muito mais do que produziria sozinho e com muito menos esforço. E quanto maior a infraestrutura da empresa para qual trabalha (investimento do empresário), menor o esforço e maior o lucro, ou seja, o empreendedor está na verdade beneficiando o proletariado (e vice versa). É claro que nenhum dos dois é santinho e quer o bem do outro, é tudo um jogo de interesses, ambos estão pensando apenas em e si mesmo, mas acabam cooperando (é basicamente assim que tudo funciona no capitalismo, cooperação voluntária influenciada por interesses próprios).

    Depois de responder outros comentários, o primeiro cara retruca com o seguinte comentário: Você disse que o proletariado está voluntariamente vendendo sua mão de obra, e eu digo que você está totalmente equivocado. Na história da humanidade com o passar dos séculos o monopólio das terras e bens sempre ficou retida nas mãos da burguesia, e consequentemente a única maneira dos camponeses sobreviverem era se sujeitar a mão de obra escrava no campo, em troca de moradia e o básico na alimentação. O nosso sistema de viver hoje mesmo após tantos séculos ainda é basicamente o mesmo, com uma reforma aqui outra ali, mas a herança perpetua até hoje, então o proletariado não levanta 4 da manhã todos os dias, trabalha num serviço de merda porque querem, e sim porque é o único meio de sobrevivência.

    argumento a altura.Agora eu fiquei sem resposta, preciso de esclarecimento, sei o quão errado ele está mas não tenho como construir um argumento sem o devido conhecimento.

    Outros usuários até responderam ele, como esse: Metal 6-3-3 Entendi a ideia central do seu argumento, mas percebi que existem alguns termos/definições utilizados incorretamente. Primeiro, o termo "burguesia" só pode ser utilizado a partir da Baixa Idade Média (séc. XIII-XV) e, na acepção atual, do século XVIII em diante. Segundo, houve uma mescla de escravidão e serventia; a principal diferença é que, na primeira, o sujeito é obrigado fisicamente por alguém a realizar tal atividade (geralmente isso é fruto de guerras) em condições degradantes, em que o dono não tem obrigações com o escravo, enquanto que, na segunda, o sujeito fornece seus serviços em troca de habitação, alimentos etc., sendo forçado ou não pelas condições que lhe são impostas, tendo o "contratante" responsabilidades com o funcionário. Repito, entendi seu argumento, mas tome mais cuidado com nomenclaturas, pois elas podem lhe custar caro (em um seminário ou debate, por exemplo).?

    Mas eu queria uma resposta direta aos argumentos dele.
  • Lucas  24/04/2018 13:18
    Olá, eu gostaria de saber se vocês tem a fonte da parte do texto que afirma que Marx "havia admitido ser [a economia capitalista] a mais produtiva da história". Se alguém tiver o livro e a página em que Marx afirma isso, eu agradeço.
  • Yuri  24/04/2018 13:27
    Pode ir direto à fonte:

    Capitalism takes this division of labour and intensifies it further: on the one hand, capitalism increases the productivity of labour through ever-increasing specialisation, breaking up the productive process into smaller and smaller repetitive tasks; on the other hand, as capitalist production expands, different – previously isolated – trades and sectors are brought under a common plan of production. In a dialectical, seemingly contradictory manner, therefore, capitalism divides workers up, only to then place them alongside each other again.

    www.socialist.net/marx-s-capital-chapters-12-14-productivity-co-operation-and-division-of-labour.htm


    Leia também:

    O Marx que a esquerda desconhece - contra o protecionismo, anti-keynesiano e pró-livre concorrência


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