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Repetindo algumas lições básicas de economia - que, inexplicavelmente, seguem sendo ignoradas
Entender economia é saber reconhecer as consequências nem sempre perceptíveis de uma dada política

N. do E.: o artigo a seguir foi acrescido de temas econômicos com o intuito de torná-lo mais próximo da realidade brasileira

 

Entender de economia é saber reconhecer as consequências secundárias e nem sempre perceptíveis de uma política econômica. Entender de economia é entender as consequências gerais de tudo.  

A economia é a ciência que examina os efeitos de alguma política proposta ou existente, não apenas em relação a algum interesse especial, a curto prazo, mas também em relação ao interesse geral, a longo prazo.

Entendendo que a economia é a ciência que examina consequências, então, por definição, assim como a lógica e a matemática, a economia é a ciência que reconhece implicações inevitáveis.

Podemos ilustrar esse ponto por meio de uma elementar equação algébrica. Suponha que alguém diga que, se x é igual a 5, então x + y = 12. A "solução" dessa equação é que y é igual a 7. A equação não faz essa asserção diretamente, mas, inevitavelmente, indica isso.

O que é verdadeiro nessa equação elementar é também verdadeiro para as mais complicadas e abstrusas equações que se encontram na matemática. A resposta encontra-se na própria enunciação do problema. Ela tem de, é verdade, ser "calculada". O resultado, é verdade, pode às vezes chegar ao homem que resolve a equação como uma formidável surpresa. Pode ser ainda que ele tenha a sensação de estar descobrindo alguma coisa inteiramente nova, sensação semelhante à de "algum observador dos céus quando um novo planeta lhe surge à vista". Sua sensação de descoberta talvez seja justificada pelas consequências teóricas ou práticas da solução.  

Contudo, sua solução já se continha na formulação do problema. Apenas não fora reconhecida imediatamente, pois a matemática nos lembra que implicações inevitáveis não são, necessariamente, implicações óbvias.

Tudo isso é igualmente verdadeiro no que concerne a economia. A esse respeito, poderíamos também comparar a economia à engenharia. Quando um engenheiro tem um problema, ele deve em primeiro lugar determinar todos os fatos que com ele se relacionam. Se ele projeta uma ponte, para ligar dois pontos, ele deve primeiro conhecer a distância exata entres esses dois pontos, bem como sua precisa natureza topográfica, a carga máxima que a ponte estará destinada a suportar, a força de tensão e compressão do aço com que a ponte será construída e as vibrações e tensões a que será submetida. Boa parte dessas pesquisas factuais já foram feitas por outros.

Seus antecessores também já resolveram equações matemáticas complicadas pelas quais, conhecendo a resistência dos materiais e a tensão a que estes estão sujeitos, puderam determinar diâmetro, forma, número e estrutura das torres, cabos e vigas da ponte.

Igualmente, aquele economista a quem foi proposto um problema prático deve conhecer os fatos essenciais desse problema e as deduções válidas a serem tiradas desses fatos. O aspecto dedutivo da economia não é menos importante que o factual. Pode-se, sobre ele, dizer aquilo que George Santayana disse sobre a lógica (e que poderia, igualmente, ter dito sobre a matemática): "Ela investiga a radiação da verdade", de modo que "quando se sabe que um termo de um sistema lógico descreve um fato, todo o sistema ligado a esse termo torna-se, por assim dizer, incandescente".

Ora, poucas são as pessoas que reconhecem as necessárias implicações das declarações sobre economia que constantemente estão fazendo.  

O que é dito e o que realmente é dito

a) Quando dizem que o governo deve estimular o crédito para salvar a economia, estão na realidade dizendo que a maneira de salvar a economia é aumentando o endividamento das pessoas. Crédito e dívida são nomes distintos para a mesma coisa, vista de lados opostos.

b) Quando dizem que um pouco mais de inflação gera mais consumo e emprego, estão na realidade dizendo que um aumento no custo de vida estimula as pessoas a contratarem mais serviços (como empregadas domésticas) e a irem mais vezes aos shopping centers.

c) Quando dizem que os salários — principalmente o salário mínimo — devem ser aumentados por decreto, estão na realidade dizendo que o segredo para a prosperidade econômica é aumentar os custos de produção.

d) Quando dizem que as exportações devem ser aumentadas e as importações devem ser restringidas, estão na realidade dizendo que a quantidade de produtos à disposição da população nacional deve ser duplamente reduzida — gerando, no mínimo, mais carestia.

e) Quando dizem que o governo deve estimular a indústria nacional por meio de subsídios ou empréstimos subsidiados pelo governo, estão na realidade dizendo que o grande empresariado deve receber dinheiro de impostos do povo e, com isso, levar vantagem sobre os concorrentes menores. 

f) Quando dizem que as empresas devem ser controladas por agências reguladoras, estão na realidade dizendo que essas empresas devem operar dentro de um cartel protegido pelo estado, com preços garantidos e sem liberdade de entrada para potenciais concorrentes.

g) Quando dizem que um pouco mais de inflação gera mais crescimento econômico, estão na realidade dizendo que uma perda mais acentuada do poder de compra da moeda e uma maior incerteza quanto aos custos futuros estimulam mais empreendedores a fazerem investimentos produtivos de longo prazo.

h) Quando dizem que as tarifas de importação devem ser aumentadas e o câmbio deve ser desvalorizado, estão na realidade dizendo que o poder de compra da moeda deve ser reduzido, que o povo deve ser proibido de adquirir bens estrangeiros baratos e de qualidade, e que toda a população deve ter seu bem-estar afetado apenas para garantir uma reserva de mercado para o grande empresariado nacional.

i) Quando dizem que os agricultores devem ter os preços de seus produtos elevados por programas de compras governamentais, estão na realidade dizendo que toda a população do país deve ter sua comida encarecida.

j) Quando dizem que todos têm direito a saúde, educação e transporte gratuitos, estão na realidade dizendo que toda a população deve dar mais dinheiro para burocratas do governo, os quais irão repassar esse dinheiro (retendo para si uma fatia) para outras pessoas, as quais irão então prover esses serviços de acordo com critérios especificados por burocratas e políticos, e não pelos consumidores.

k) Quando dizem que as empresas devem utilizar mais conteúdo nacional em seus produtos, estão na realidade dizendo que os fornecedores desse conteúdo nacional têm direito a uma reserva de mercado, podendo assim elevar seus preços e reduzir a qualidade de seus produtos despreocupadamente.

l) Quando dizem que o caminho para a prosperidade é aumentar os gastos do governo, estão na realidade dizendo que o governo deve ou tributar mais as pessoas ou incorrer em déficits. A tributação retira renda (logo, capacidade de consumo e investimento) das pessoas e empresas. Déficits significam que pessoas e empresas estão emprestando para o governo, em vez de utilizarem esse dinheiro na própria economia. Significa também que os bancos, em vez de financiarem investimentos produtivos, estão financiando a folha de pagamento do governo. E, finalmente, significa também que haverá aumento de impostos no futuro para que o governo possa arcar com o serviço dessa dívida.   

m) Quando dizem que mais gastos do governo estimulam o empreendedorismo, estão na realidade dizendo que a contratação de mais burocratas e a criação de mais burocracia, mais leis e mais regulamentações incentivam a produção e levam a mais geração de riqueza.

Conclusão

Para se fazer uma verdadeira análise econômica, ambas as faces da moeda devem ser consideradas, de modo que todas as implicações de uma proposta sejam devidamente entendidas e estudadas. E isso raramente é feito.

A análise dos exemplos acima nos mostra, incidentalmente, outra lição: quando estudamos os efeitos de várias propostas, não apenas sobre determinados grupos e a curto prazo, mas sobre todos os grupos e a longo prazo, as conclusões a que chegamos correspondem às do senso comum. Não ocorreria a ninguém dizer que é economicamente estimulante ter vitrinas quebradas e cidades destruídas; que criar projetos públicos inúteis é uma boa maneira de gastar o dinheiro do povo; que as máquinas, que aumentam a produção e economizam o esforço humano, devem ser temidas; que obstruir a produção e o consumo aumenta a riqueza; que a nação se torna mais rica quando sua moeda perde poder de compra; que a prosperidade aumenta quando o comércio com os outros países é restringido; que poupar é algo prejudicial e que o consumismo e o endividamento trazem prosperidade.

"Aquilo que é considerado uma prudência na conduta de toda família em particular" — disse o bom senso de Adam Smith em resposta aos sofistas de seu tempo — "dificilmente pode ser loucura na de um grande reino." Homens menores, entretanto, perdem-se em complicações. Não reexaminam seus raciocínios mesmo quando emergem com conclusões que se evidenciam absurdas. 

Dependendo de suas próprias crenças, o leitor pode ou não aceitar o aforismo de Bacon, segundo o qual "uma pequena filosofia inclina o espírito do homem para o ateísmo, ao passo que a profundidade na filosofia conduz seu espírito para a religião". É verdade, no entanto, que uma pequena noção de economia pode, facilmente, conduzir às conclusões paradoxais e ridículas que acabamos de expor, ao passo que a profundidade nessa noção fará com que o homem retorne ao bom senso. 

A profundidade, na economia, está em procurar todas as consequências de uma política, em vez de apenas dirigir o olhar para as que são imediatamente visíveis.


49 votos

autor

Henry Hazlitt

(1894-1993) foi um dos membros fundadores do Mises Institute. Ele foi um filósofo libertário, economista e jornalista do The Wall Street Journal, The New York Times, Newsweek e The American Mercury, entre outras publicações. Ele é mais conhecido pelo seu livro Economia em uma Única Lição.



  • Gilson Moura  16/08/2016 14:18
    Olhem essa matéria e comentem:
    exame.abril.com.br/economia/noticias/tese-de-piketty-e-desmentida-por-estudo-de-brasileiro-no-fmi?google_editors_picks=true
    Todo mundo refuta o Piketty.
  • Lamentável  16/08/2016 21:25
    Pare de comentar a respeito desse cara, é um fenômeno a ser estudado: o fetichismo pelo Piketty, esqueçam esse imbecil.

    A obra dele é toda contraditória, indefinida, ele se contradiz em vários pontos.
    Ele refuta ele mesmo, é um "gênio do mainstream".
  • O MESMO de SEMPRE  16/08/2016 15:10
    O problema político não é a economia é a Democracia!

    Na democracia bananeira UM, APENAS UM SUJEITO (PGR) INDICADO pela presidência e aceito pelo snado PODE DECIDIR MONOCRATICAMENTE se vai denunciar ou não as AUTORIDADES com FORO PRIVILEGIADO.

    O PGR não foi eleito pelo povo e tão pouco o STF foi eleito.

    BANDIDOS POLÍTICOS, democraticamente, EMPOSSAM SEUS PARES em cargos de PODER DITATORIAL.

    O STF canalhosamente VIOLA até a CONSTITUIÇÃO para PROTEGER os petistas e a esquerda em geral e IGUALMENTE VIOLA A CONSTITUIÇÃO para ATACAR o ÚNICO corrupto que OUSOU ENFRENTAR O BANDITISMO PETISTA, cassando-o ditatorialmente e ainda admitindo a violação das leis.

    Isso é democracia???

    Só os imbecis acreditam em democracia:

    - A larga maioria da população é a favor de, no mínimo, redução da maioridade penal.

    ......mas democraticamente na democracia a vontade da larga maioria não se realiza porque os "REPRESENTANTES" consideram seus eleitores um imbecis (são mesmo) não merecendo serem respeitados.

    - A larga maioria da população é favorável a posse de armas, sem restrições ppara compra de munição, para cidadãos pagadores de impostos e inocentes.

    ......mas democraticamente na democracia a vontade da larga maioria não se realiza porque os "REPRESENTANTES" consideram seus eleitores um imbecis (são mesmo) não merecendo serem respeitados.

    - A larga maioria da população é contra o FORO PRIVILEGIADO e a ARBITRARIEDADE do STF e PGR...

    ......mas democraticamente na democracia a vontade da larga maioria não se realiza porque os "REPRESENTANTES" consideram seus eleitores um imbecis (são mesmo) não merecendo serem respeitados.

    - A larga maioria é contra aposentadoria PRIVILEGIADA de eleitos.

    ......mas democraticamente na democracia a vontade da larga maioria não se realiza porque os "REPRESENTANTES" consideram seus eleitores um imbecis (são mesmo) não merecendo serem respeitados.

    A maioria nem sabe que apenas UM membro da quadrilha, o PGR, pode atuar contra políticos e autoridades e este é INDICADO pela presidência e aprovado pelos corruptos do senado.

    Na democracia os bandidos eleitos "JULGAM" a si mesmos. O STF é INDICADO e APROVADO pelos BANDIDOS que SÓ ELE PODE JULGAR ...Assim o STF absolve ou ESQUECE os amigos e ataca os inimigos para chantagea-los.

    Na democracia os BANDIDOS INDICADOS decretam SIGILO nos processos e IMPEDEM a policia de INVESTIGAR.

    ÊTA democracia maravilhosa e seus IMBECIS que nela fingem crer para serem considerados "pessoas maravilhosas".

    Essa é a democracia representativa defendida pór imbecis!!!

  • patricio  16/08/2016 18:34
    O que você sugere, democracia direta?
  • anônimo  16/08/2016 22:32
    Nem direta nem indireta, e sim o FIM da democracia.

    (Antes q vc diga: fim da democracia não implica propugnar por "ditadura", ou algo do gênero)
  • O MESMO de SEMPRE  17/08/2016 13:20
    Eu sugiro LIBERDADE.

    A democracia induz que TUDO que for aprovado pela maioria dos eleitos é certo.

    Contudo, a maioria dos eleitos podem, democraticamente, censurar novas proposições e criar regras para ificultar concorrentes, sobretudo honestos, e se eternizarem no Poder.
    Familias inteiras de políticos VIVEM do Estado. Sem jamais terem pago impostos, pois que quem RECEBE IMPOSTOS não os paga.

    Portanto, não tem que haver democracia como CRITÉRIO para ESCOLHA MORAL, mas apenas para administradores da prestação de serviços à população. Onde o Estado seja apenas uma empresa prestadora de serviços à população e NÃO, como na atual realidade, o Estado É O PROPRIETÁRIO de TUDO e DE TODOS.

    Repare-se que o Estado só cumpre as leis que interessam:
    Direito adquirido SÓ VALE PARA FUNÇA ESTATAL. O direito de propriedade da sociedade civil é VIOLADO pelo Estado.
    O Estado SÓ SERVE a SI MESMO!

    A democracia não faz do errado o certo e nem do certo o errado, mesmo que a unanimidade dos eleitos assim decretem.

    LEIS OBJETIVAS e AUTO APLICÁVEIS!

    As leis NÃO PODEM SER ARBITRADAS NEM PARTICULARIZADAS. A tal democracia é um EMBUSTE:

    Militantes e candidatos podem preconizar o PRECONCEITO contra empresários, patrões, remediados, ricos, proprietários e brancos.
    Pode existir, democraticamente, propaganda e candidatos "Comunistas" (socialistas-marxistas), mas proibe-se democraticamente os Nacional-socialistas (igualmente totalitários socialistas).

    Democraticamente CENSURA-SE propaganda atacando os esquerdistas associando-os aos criminosos que estes defendem. Mas não se proibe ataques aos "loiros de olhos azuis" ou à "maldita classe média".

    Se Chaui tivesse atacado os negros ou as mulheres ela seria presa. Mas atacar a classe média é democrático. Lula vive atacando os "loiros de olhos azuis" PRECONCEITUOPSAMENTE e é louvado por isso. Já se alguém maldizer negros ou mulheres é preso e no caso da raça inafianç[ável.

    Ladrões e assaltantes são SOLTOS rapidamente ao serem presos e responde em liberdade. Contudo um atropelador é preso e tem que pagar fiança para sair. Alguém que bebeu e preso na "lei seca" tem que pagar fiança para responder em liberdade ...já assaltantes, ladrões, vandalos, assassinos e etc., esses nãom precisam pagar fiança para responderem em liberdade.


    EIS AÍ A BELEZA da DEMOCRACIA onde os eleitos são LIVRES PARA IMPOR QUALQUER LEI à sociedade.



  • Henderson Ogando  23/06/2018 21:07
    Pensamento, ou desabafo, assertivamente manifestado. Parabéns! Pela acuidade dos fundamentos, vê-se erudição e conhecimento do que manifesta. Permita-me, contudo, uma sugestão de leitura, claro, caso ainda não a tenha feito: "Profissão de fé", de Rose W.Lane! Magistral libelo à liberdade e ao libertarianismo! Pensamento tão profundo quanto assombrosamente acessível e simples ao comum dos mortais, como assim me vejo. Parabéns ao site pela promoção às reflexões políticas! Parabéns aos comentaristas pela qualidade dos comentários e, normalmente, postura respeitosa!
  • Diego Guimarães  18/08/2016 04:44
    Concordo com tudo que o senhor disse... mt bom o seu pensamento cara, tbm sou á favor de liberdades!
  • Ricardo Silva  16/08/2016 15:12
    Um estado reduzido, desburocratizado e com seus agentes públicos sem benefícios e atuando somente em áreas específicas, com todo o judiciário desvinculado politicamente, com seus membros ingressados via concurso, não por indicação política como é aqui no Brasil, e nenhum tipo de regulamentação e intervenção na economia por parte do estado, não seria uma solução mais viável para que o mercado livre não fosse subjugado pelo estado e nem o estado extinguido pelo mercado livre... necessariamente será que um tem que extinguir o outro? Ambos não podem co-existirem atuando em suas respectivas atribuições? Penso que todo extremo é prejudicial. Nem comunismo, nem anarco-capitalismo seria uma solução viável.
  • Eduardo  16/08/2016 15:15
    Você acabou de descrever como funcionária, na mais bela das teorias, uma democracia povoada por anjos e santos ínclitos e ilibados. Já a realidade, porém, nos mostra que nada disso realmente acontece: você sempre termina com um estado grande e controlador, com seus membros detendo crescentes poderes sobre o resto da população.

    Ah, e com a economia cada vez mais dizimada.

  • Ricardo Silva  16/08/2016 19:32
    Eu falei um estado reduzido, sem nenhum tipo de intervencionismo ou regulação da economia, não um estado grande e controlador da economia, como temos aqui. O comunismo também prega a extinção do estado, assim como o anarco-capitalismo, e todos nós sabemos que os dois são uma quimera, inalcançável na prática.
  • Eduardo  16/08/2016 19:35
    Estado reduzido e sem nenhum tipo de intervencionismo? Isso sim é utopia assim como o comunismo. Em qual lugar da história um estado não expandiu seu poder?

    A criação de uma entidade que detém do monopólio da justiça e violência nunca foi e nunca será a solução para nada e se tornará o maior dos problemas como a história nos mostra. Anarco-capitalismo nada mais é que a substituição do estado pelo mercado. Esse último sim não interfere nos direitos naturais dos homens e aloca recursos de maneira eficiente
  • Leandro  16/08/2016 19:37
    "O comunismo também prega a extinção do estado, assim como o anarco-capitalismo"

    Marx, de fato, profetizou que o estado desapareceria sob o comunismo. Mas ele nunca explicou como ou por que isso iria acontecer. Sua teoria era bizarra. Ele dizia que, para abolir o estado, era necessário antes maximizá-lo. A ideia era que, quando tudo fosse do estado, não haveria mais um estado como entidade distinta da sociedade; se tudo se tornasse propriedade do estado, então não haveria mais um estado propriamente dito, pois sociedade e estado teriam virado a mesma coisa, uma só entidade — e, assim, todos estariam livres do estado.

    O raciocínio é totalmente sem sentido. Por essa lógica, se o estado dominar completamente tudo o que pertence aos indivíduos, dominando inclusive seu corpo e seus pensamentos, então os indivíduos estarão completamente livres, pois não mais terão qualquer noção de liberdade — afinal, é exatamente a ausência de qualquer noção de liberdade que o fará se sentir livre.
  • O MESMO de SEMPRE  17/08/2016 13:51
    Perfeito, Leandro.

    Resumiu perfeitamente o EMBUSTE MARXISTA.

    Marx somente PROFETIZOU o fim do Estado porque as idéias liberais estavam bem difundidas mostrando o quão injusto é o Estado.

    Somente por o Estado estar fora de moda que Marx profetizou sua eliminação natural.

    Óbvio, pois havendo abundância absoluta e um NOVO HOMEM tão santo quanto São Francismo de Assis (altruísta, sem ambição, humilde e voltado para fazer o bem ao coletivo), o Estado se faria desnecessário.

    Como os EVANGELHOS MARXISTAS SÃO um EMARANHADO de DOGMAS pretensamente científicos, SUPERSTIÇÕES e EPIFANIAS MIRABOLANTES, ele se envolve em contradições (stricto sensu) e em AMBIGUIDADES nem sempre semelhantes.

    Enfim, Marx e Engels inventaram uma IDEOLOGIA que PROFETIZAVA um PARAÍSO na Terra após um "APOCALIPSE SOCIALISTA" que originaria o "MILÊNIO SOCIALISTA" que acabaria no tal PARAÍSO COMUNISTA onde o Estado seria desnecessário: ...lógico! pois um paraíso de abundância habitado pelo NOVO HOMEM numa sociedade TRANSFORMADA e sob ABUNDÂNCIA ABSOLUTA.

    pqp! ...de fato desnecessário qq lei ou polícia. ...coisa para imbecis absolutos acreditarem.
  • O MESMO de SEMPRE  17/08/2016 13:38
    Não minta Ricardo!

    O tal "comunismo" de Marx foi insopirado no Católico Tomas More que escreveu o livro "Utopia".

    Platão inspirou More, como ele mesmo admite.

    Já Marx não propunha o Comunismo, mas sim o "Socialismo científico", chamando o Socialismo Cristão de Utópico e mesmo de seita. Embora concordasse com a finalidade do socialismo cristão, advogava que o Socialismo não deveria se fundamentar no mero assistencialismo populista cristão, mas sim na mirabolante "mais valia" alardeada como científica. Contudo, cerrava fileiras com o cristianismo ao condenar o LUCRO e a ACUMULAÇÃO de TESOUROS na TERRA.

    Marx também se apoiou na LEI da USURA do cristianismo católico.

    O tal "Comunismo" não era proposto para ser implantado, mas SIM decorreria naturalmente da implantação do Socialismo "científico" na forma de DITADURA do PROLETARIADO. Pois implantado tal Socialismo científico, os representantes do proletariado seriam os ditadores DONOS de TUDO e de TODOS. Como seriam representantes, o povo seria o "DONO" indireto (quá quá quá!!).

    PORTANTO:

    NINGUÉM JAMAIS ADVOGOU A IMPLANTAÇÃO do COMUNISMO marxista e este não preconiza que não exista Estado.
    O que Marx dizia era que:

    SE DEVERIA IMPLANTAR o "SOCIALISMO CIENTÍFICO" ou DITADURA do PROLETARIADO através de seus REPRESENTANTES (só assim o trabalhador seria "dono" dos meios de produção, por tabelinha).

    IMPLANTADA a DITADURA do PROLETARIADO se teria o MILÊNIO SOCIALISTA (copiou do cistianismo essa também) e haveria então a ABUNDÂNCIOA ABSOLUTA.

    Havendo ABUNDÂNCIA ABSOLUTA proporcionada pela implantação da DITADURA do PROLETARIADO que também produziria um NOVO HOMEM (altruísta, que pensaria mais nos outros que em si e sem ganância ou ambição = santo ou São Francisco).

    Isso realizado o tal "'Comunismo marxista se imporia NATURALMENTE e o ESTADO sÓ DESAPARECERIA NATURALMENTE por ser DESNECESSÁRIO.

    Portanto, JAMAIS o tal comunismo de Marx propunha acabar com o Estado, mas apenas PROMETIA que o ESTADO se FARIA DESNECESSÁRIO APÓS a ABUNDÂNCIA ABSOLUTA decorrente da IMPLANTAÇÃO da DITADURA do PROLETARIADO.

    NÃO ENGANE OS DESAVISADOS, Ricardo!
  • Rubens Vasc  27/06/2018 03:01
    Vou complementar o que você escreveu, apenas parafraseando alguns pontos, até para lhe informar à respeito e pesquisar um pouco de um detalhe que você escreveu.

    O Socialismo cristão já era uma igreja totalmente penetrada e preparada para transformar a própria igreja em uma ferramenta socialista. Pois o cristianismo em si nunca foi socialista nem contra a propriedade privada.

    O dito cujo "cristianismo" que vemos hoje é a distorção do que é pregado na própria palavra. Se procurares, saberás da história quando começou o projeto de domínio socialista e infiltração nas igrejas, e sua distorção. Graças à Deus que ainda tive tempo de conhecer uma verdadeira igreja, onde se exemplificada o que era certo e errado, ainda com exemplos (e.g.: encontrou algo, viu de quem é, devolva!)

    Segue um vídeo à respeito e bem exemplificado:

    * O que cristãos devem pensar sobre o socialismo? John Piper

    www.youtube.com/watch?v=DIhnHHrORW4


    Uma das provas mais claras e tenebrosas você pode olhar no próprio papado. A lei papal é clara, um santo padre só deixa de ser santo padre após sua morte. Se sabe que o atual papa é um impostor socialista, que teve o intuito de tentar anular uma profecia bíblica, na qual conhecemos como operação erro. Coitado do verdadeiro Papa bento XVI, trancafiado e em cárcere privado sendo muito bem vigiado

    E olha que não sou católico nem evangélico. Abandonei a religião para seguir à Deus e Seu Filho somente. Se for pagar que seja pelos meus erros, e não pelo que os outros querem que eu faça ou seja.

    Voltando ao assunto: Se vê na cara e no jeito, que este papa Francisco não tem nenhuma pinta de papa.

    Lhe mostro mais ... Um "santo padre" já se submeteu, em toda a história da igreja, desta forma, para um tipo de gente "misteriosa", na qual você começa à se pensar o que está acontecendo e quem são esses ditos cujos?!

    * Papa Beija a mão de David Rockefeller,Henry Kissinger,e John ...

    www.youtube.com/watch?v=VnuDZfMvnlg

    Lhe apresento os "donos do mundo".

    "Conspiração não é teoria! A "agenda" está à todo vapor!"

  • Arthur  16/08/2016 15:26
    Bom dia,

    bem, sempre foi-me dito nas aulas de Engenharia que "crescimento causa inflação", que "uma inflação muito alta gera desemprego" e que devemos sempre pesar muito bem isso.

    Analisando não me parece muito sensato, até mesmo vocês aqui já escreveram como o crescimento é inerentemente deflacionário, mas não consegui achar o texto.

    Alguém poderia me explicar a visão austríaca de de inflação/crescimento?

    Obrigado!
  • Arthur  18/08/2016 11:12
    Obrigado, Auxiliar.
  • Renan Merlin  16/08/2016 16:25
    Eu gostaria de tirar uma duvida. Eu pesquisei sobre o padrão ouro e vi que uma das desvantagens do sistema Padrão Ouro é o fato de que os recursos escassos ficam muito concentrados na extração e transporte do ouro e menos em outras areas produtivas. Isso procede?
  • Leandro  16/08/2016 19:28
    Se os recursos escassos ficarem muito concentrados na extração e transporte do ouro, o volume de ouro no mercado aumentará, seu preço de mercado cairá, e todos os custos de extração e transporte tornarão a operação não-lucrativa, fazendo com que esses recursos escassos sejam então redirecionados para outras atividades.

    Trata-se de um mercado como absolutamente todos os outros.
  • LG  16/08/2016 16:54
    Uma pergunta "beeeeem" iniciante.

    Imprimir mais dinheiro = mais inflação de preços. OK!

    E qual é o "oposto" a imprimir dinheiro? Destruir cédulas? Criar lastro?
  • Leandro  16/08/2016 19:25
    No mundo real, o oposto seria "destruir dígitos eletrônicos". E quando isso ocorre? Quando empréstimos são quitados, por exemplo.

    E, para haver uma deflação monetária, empréstimos teriam de ser quitados a um volume maior do que estão sendo concedidos.

    Também haveria deflação monetária se o governo incorresse em superávit nominal e, após os títulos públicos em posse dos bancos terem sido resgatados, estes não concedessem novos empréstimos.

    Artigo sugerido:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • LG  17/08/2016 12:36
    @Leandro

    Primeiro, obrigado pela gentileza e pelas clareza da resposta.

    Vou seguir no raciocínio. Espero não te apoquentar muito:

    No caso de quitação de empréstimos haveria uma deflação por que as cédulas retornariam/ficam ao/no banco, tornando assim desnecessária a impressão de novas cédulas, está correto meu raciocínio?

    Outro ponto: qual seria o primeiro passo "realista" para mudar esse sistema? Poupar cédulas "debaixo do colchão" e não depender apenas de "dígitos eletrônicos"?
  • Leandro  17/08/2016 15:50
    "No caso de quitação de empréstimos haveria uma deflação por que as cédulas retornariam/ficam ao/no banco, tornando assim desnecessária a impressão de novas cédulas, está correto meu raciocínio?"

    Esqueça as cédulas. As cédulas não representam quase nada da massa monetária total de uma economia. Pense apenas em dígitos eletrônicos.

    Quando você quita um empréstimo, os dígitos eletrônicos em sua conta corrente são simplesmente deletados (reduzindo o M1).

    Esse valor, no entanto, continua nas reservas dos bancos (um ativo para o banco). Essa diferença entre o valor nas reservas (ativo do banco) e o valor que não mais existe em sua conta corrente (passivo do banco) é contabilizado pelo banco como um lucro, aumentando seu patrimônio líquido.

    Portanto, o M1 cai, mas a base monetária continua na mesma.

    É isso o que ocorre.

    "qual seria o primeiro passo "realista" para mudar esse sistema? Poupar cédulas "debaixo do colchão" e não depender apenas de "dígitos eletrônicos"?"

    Se você fizer isso, seu poder de compra será corroído pela inflação. Infelizmente, você tem de recorrer aos dígitos eletrônicos para poder fazer aplicações financeiras que lhe tragam uma rentabilidade acima da inflação de preços.

    No atual arranjo monetário e bancário, não há escapatória.
  • Danil  17/08/2016 19:20
    Pelo que eu saiba, a criação de novos digitos funciona assim, o banco tem 1 real,com a ajuda do BC,ele pode emprestar X amais doq ele realmente tem.
    Um exemplo: O banco tem 100 reais de reserva, ele pode emprestar 10% amais. Então o BC cria 10 reais, da para o banco, o Banco então concede 110 reais de credito para o consumidor.
    A unica formar boa seria acabar com od Banco centrais.
  • Felipe R  16/08/2016 17:32
    Henry Hazlitt mudou minha vida.
  • Felipe R  16/08/2016 18:06
    Para melhor!
  • Marcelo  16/08/2016 17:35
    Também uma lição igualmente importante, mas muito esquecida: https://descentraliza.com.br/2016/08/14/o-que-e-dinheiro-e-como-ele-funciona-hoje-uma-explicacao-simples/
  • Pobre Paulista  16/08/2016 20:37
    Com link: O que é dinheiro e como ele funciona? – Uma explicação simples

    O artigo é bem elucidativo para os não iniciados.
  • Pedro  16/08/2016 23:08
    Faltou o ":" após o https no seu link, Pobre Paulista.
  • Pobre Paulista  17/08/2016 13:45
    Na verdade não. Links com https sempre dão problema aqui...
  • Poor man  17/08/2016 01:54
    Dependendo de suas próprias crenças, o leitor pode ou não aceitar o aforismo de Bacon, segundo o qual "uma pequena filosofia inclina o espírito do homem para o ateísmo, ao passo que a profundidade na filosofia conduz seu espírito para a religião". É verdade, no entanto, que uma pequena noção de economia pode, facilmente, conduzir às conclusões paradoxais e ridículas que acabamos de expor, ao passo que a profundidade nessa noção fará com que o homem retorne ao bom senso.
    --------------------------
    Eu não entendi muito bem está parte, se alguém puder me explicar. Quanto o autor faz a citação ""uma pequena filosofia inclina o espírito do homem para o ateísmo, ao passo que a profundidade na filosofia conduz seu espírito para a religião".

    com base na segunda afirmação do autor logo depois, eu creio que quando é dito "conduz seu espírito para a religião" ele está dizendo em um sentindo de ter um bom senso, de encontrar a verdade. é isso?
  • Rich Man  17/08/2016 02:49
    Relaxe, meu pobre homem. Você pode perfeitamente ignorar tal parágrafo, sem qualquer prejuízo para a compreensão do texto.

    Antigamente, quem dava chilique ao ver a simples menção da palavra "religião" era a esquerda ativista ateia. Hoje, pelo visto, o chilique está se espalhando para outros espectros ideológicos. Queria entender.

    P.S.: sou agnóstico e não ligo a mínima para quando alguém fala bem de religião. Minha inteligência é superior a qualquer eventual incômodo que tal afirmativa possa gerar. Perturbar-se com o que outros dizem sobre matérias espirituais é para quem é pobre de espírito e de alma.
  • Poor man  17/08/2016 02:54
    ora rico homem, eu não fiz nenhum julgamento de valor sobre a citação.

    Alias eu sou católico, o que fiz foi uma pergunta, no desejo de entender a profundidade da afirmação. Se for o que acredito que seja,(agora sim julgamento de valor): é algo muito belo, parabéns para o autor.
  • O MESMO de SEMPRE  17/08/2016 15:27
    Depende!

    Se a religião se detiver no controle da vida de seus seguidores estará tudo bem. Contudo a coisa pode não ser tão inofensiva. VIDE os MANÍACOS ISLAMICOS.

    Um sujeito reforça a sua pretensa crença NO QUANTITATIVO de SEGUIDORES.

    É como se quisesse convencer-se pela opinião do meio, uma OSMOSE desejada. Assim, qualquer crítico de uma ideologia farisaica é visto como um INIMIGO que esta tentando prejudicar o desejoso de crença. Essa é a razão da VIOLÊNCIA de TODAS as IDEOLOGIAS quando seus adeptos temem perder seu APOIO COMUNITÁRIO.

    Não faz sentido um seguidor de uma ideologia religiosa se enfurecer contra um descrente. Afinal, se o religioso tem certeza de sua crença ele terá certeza de que somente o ateu ou agnóstico será prejudicado pela própria dúvida, desprezo ou descrença. Portanto, não justificaria o ódio que religiosos dedicam aos descrentes e sobretudo aos críticos.

    Não faz o menor sentido os que se dizem crentes (seguidores de uma ideologia religiosa como receita para um FIM REDENTOR) se preocuparem com críticas a suas mirabolantes religiões e Igrejas.

    Se tivessem certeza mesmo sobre sua crença, jamais se importariam com a "militância ateísta" ou com críticas a suas ideologias. Afinal, se convictos, admitiriam que os descrentes seriam os únicos a perderem algo com sua militância ou desprezo.

    Mas o fato é que os crentes, a maioria, não crê e sente vergonha em simular crenças absurdas. Daí que almejam que TODOS creiam o ninguém jamais critique as mirabolâncias nas quais desejam ardentemente acreditar ou ao menos irmanarem-se aos crentes sem se constrangerem com estórinhas inverossimeis.

    Qual a razão de não desejarem que existam críticos?
    Qual a razão para se indisporem com os "militantes ateístas ou agnósticos"?

    Se tivessem certeza, FÉ, verdadeiramente, não se importariam com quem não deseja lhes impor qualquer comportamento. São os seguidores de ideologias que almejam IMPOR suas MANIAS e DELÍRIOS a todos sob alegação de ser "A VONTADE de SEU DEUS".

    Islamicos querem impor sua verdade na atualidade. Os cristão já o fizeram em tempos passados através das mais brutais torturas oficializadas. Não diferentes os SOCIALISTAS ou "comunistas" também sonhavam em IMPOR suas MANIAS a todos.

    Os islâmicos se dizem uma "RELIGIÃO do AMOR", igualzinho dizem os cristãos sobre o cristianismo que conseguiu IMPOR-SE pelo TERROR.
  • Jailma Viana  23/06/2018 02:04
    Caro Poor man,
    Entendo a honestidade da tua pergunta. E espero que aceite estoicamente os mais exaltados. Eles, na grande maioria dos casos, possuem excelentes argumentos.
    Agora, quanto a tua dúvida: creio, e apenas creio, que o autor se referiu ao aforismo de Bacon apenas para enfatizar que uma pequena noção sobre qualquer questão nos leva a uma conclusão que, via de regra, é apressada e superficial.
    Enquanto que um aprofundamento do intelecto e do espírito sobre estas mesmas questões nos conduzem indefectivelmente a conclusões diferentes. Penso que foi apenas isto que o autor do artigo explicitou, quando se referiu ao aforisma de Bacon. Ele, me parece, não teve o intuito de incluir qualquer sentido religioso.
    Abraços
  • Anderson  17/08/2016 02:09
    Tenho três duvidas:

    Como estabelecer certa concorrência no setor de transportes? Li todos os artigos sobre isso e ainda não sei como os preços de pedágios seriam baixos se, por exemplo, uma única estrada ou estivesse ligando uma cidade à outra ou avenidas com rotas similares mais um único dono e eu não tivesse outra opção.

    Com um sistema de justiça privado, como ele se comportaria em relação ao trabalho escravo, imigração, assimetrias entre um cliente rico e outro pobre e já que o cliente pode recorrer para outros tribunais, de que forma se daria a condenação e como um cliente pobre poderia arcar com os custos de ter de recorrer quando houver decisões injustas? Li vários artigos deste site e ainda tenho esta dúvida.

    Como a privatização de trechos da Amazônia poderia evitar ou diminuir o desmatamento, já que a produção agrícola do centro-oeste e sudeste poderia ser severamente reduzida com a diminuição de chuvas e o solo amazônico é pobre em nutrientes?

    Estas são minhas dúvidas.

  • Silva  17/08/2016 02:33
    Desculpe, mas, pelo visto, você não leu todos.

    Este artigo fala exatamente sobre a questão das estradas sem concorrentes:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1614

    Sobre a preservação da Amazônia -- algo que não ocorre sob o atual arranjo estatal --, há pelo menos sete artigos sobre isso. Mas eu lhe dou a resposta:

    Somente quando algo é propriedade privada é que haverá custos inerentes ao seu uso, de modo que sua exploração será racional. Por exemplo, pense na diferença entre o que acontece quando uma madeireira é dona de sua própria terra vis-à-vis quando ela faz uma locação de curto prazo para explorar uma terra cujo dono é o estado.

    Quando uma empresa é dona de sua própria terra, ela possui vários incentivos para cuidar muito bem daquela terra. Sua preocupação é com a produtividade de longo prazo. Assim, ela vai ceifar apenas um número limitado de árvores, pois não apenas terá de replantar todas as que ceifou, como também terá de deixar um número suficiente para a colheita do próximo ano. E ela terá esse incentivo para conservar a natureza justamente porque está pensando no lucro.

    Observe que, quanto maior for o preço da madeira — isto é, quanto mais escassas forem as árvores —, maior será o incentivo para a preservação e o replantio.

    Já quando a madeireira possui um arrendamento de curto prazo sob controle do estado, seu incentivo é ceifar o máximo de árvores o mais rápido possível antes que o período de locação expire.

    Por fim, sobre tribunais, vale ressaltar que todas as suas preocupações já estão ocorrendo hoje, sob controle estatal.

    Escravidão não tem conversa: é violação direta da liberdade e da propriedade privada do escravo (seu próprio corpo).

    A da imigração eu não entendi. Imigrante só pode estar em um pedaço de terra que é propriedade privada se ele tiver sido convidado. Caso contrário, ele é um invasor como qualquer outro. Pouco importa seu país de origem.

    Sobre ricos e pobres, há todo o capítulo de um livro dedicado a isso:

    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=731

    Por fim, sempre lembrando que:

    São os estatistas, e não os defensores da liberdade, que têm de dar respostas
  • Anderson  17/08/2016 19:18
    O artigo que você colocou sobre privatização de infraestrutura foi muito questionado na parte dos comentários, por isso fiquei com dúvida, pois uma licitação competitiva não convenceu muita gente que leu. Ainda assim obrigado por responder, mas queria fazer outra pergunta: Se a imigração baixar excessivamente os salários o custo de produção também cairia, haveria como ter consequências para a renda real do trabalhador?
  • Leandro  17/08/2016 20:02
    Sim: aumento real dos salários.

    Com a queda nos custos de produção, os lucros das empresas aumentam. O aumento dos lucros atrai novas empresas para aquele setor. Mais empresas naquele setor gera aumento da oferta de bens e serviços. Mais bens e serviços sendo ofertados, maior a qualidade e menores os preços. Simultaneamente, mais empresas no setor significa mais mão-de-obra demandada, o que jogo os salários para cima.

    Se esse fenômeno da redução de custos estiver ocorrendo em todos os setores da economia, então todos os efeitos acima descritos serão generalizados. Preços em queda, salários em alta.

    Na prática, o que você descreveu nada mais é do que a essência do capitalismo de livre mercado: a busca pela redução de custos para se manter viável.

    E redução de custos gera lucros maiores, os quais atraem mais concorrência, algo que aumenta a oferta de bens e serviços, o que melhora a qualidade e reduz os preços (ou, no nosso mundo de moeda fiduciária estatal, os impedem de aumentar). Ao mesmo tempo, há mais demanda por mão-de-obra, o que gera elevação salarial.


    P.S.: as pessoas reclamaram nos comentários do artigo linkado porque queriam que o artigo defendesse que a solução para tudo era simplesmente abolir o estado. O artigo preferiu uma solução um pouquinho mais realista do que essa. Aliás, tais pessoas não conseguiram perceber que a solução da licitação também serve 100% para uma sociedade anarco-capitalista: as pessoas proprietárias das estradas poderiam recorrer ao modelo de licitação sugerido no artigo para concessionar suas estradas.
  • Trator-Pasto-Eucalipto  18/08/2016 00:30
    Parece tautologia mas não é: madeira e árvore são coisas diferentes.

    Madeira é a árvore cortada. Se o preço da madeira subir, maior será o incentivo pra cortar árvores. Então, mesmo que se tenha aquele mognozinho de estimação, o apelo para torá-lo provavelmente prevaleceria.

    Basta verificar a disparada de preços causada pela escassez artificial gerada pelo estado e o incentivo à extração ilegal. A diferença entre os dois casos é que a disparada de preços no mercado livre ocorreria no caso de escassez real.

    O que temos de informação desse mercado é que madeiras (especialmente as nobres, de difícil reflorestamento, de maturação próxima a um século) tem alto valor, ao passo que árvores tem baixo valor (basicamente ornamental, exceptuando-se frutíferas). A não ser que verificássemos uma mudança brusca de paradigma, o mercado alocaria valor na madeira. O reflorestamento provavelmente seria de eucalipto ou braquiária. Com um tempo de reflorestamento próximo de 100 anos, madeiras nobres são tratadas como recursos não renováveis.
  • Jailma Viana  23/06/2018 02:26
    Caro Trator-pasto-eucalipto,
    Creio ter entendido que o teu argumento é: madeira originária de árvores que levam séculos pra maturação ficarão extintas num regime sem Estado. É isto? Se foi isto, aqui vai um comentário ingenuo e piegas.
    Minha mãe, que sempre viveu em casinhas alugadas, plantava árvores frutíferas para receber as ironias do meu pai: para que plantas isto? Jamais vai colher?
    Realmente ela jamais colheu, mas alguém está colhendo por aí. E, pior, conheci mais pessoas como ela.
    Acredito sim, ingenuamente, que com liberdade e existindo a verdadeira propriedade privada da terra (não este sistema de aluguel estatal, que erroneamente é chamado de propriedade privada, pois o Estado expropria e te espolia quando quiser) as pessoas fariam este investimentos para os seus descendentes. É claro que é quase uma questão de fé. Não tenho como demonstrar matematicamente. Mas sigo pensando que qualquer coisa em mãos privadas é melhor do que na mão do Estado.
    Abraços
  • Matheus  17/08/2016 02:34
    "Vamos ROUBAR e MONOPOLIZAR bens e serviços para PROVER e MELHORAR bens serviços para a população!"
  • Rodrigo  17/08/2016 10:43
    Exatamente a lógica estatal.
  • Poor man  17/08/2016 03:12
    Fico pensando, diante de tantas mentiras e maneira do governo ferrar com nossa vida. me vem uma questão a mente. Como um homem normal (tipo eu), sem conexões politicas e network, faz para proteger seu patrimônio? tirando a opção do bitcoin, quais são as opções?

    Por exemplo, pensei em comprar dólar, mas por algum motivo, só se acha dólar em casa de cambio, não existe nenhuma rede social, onde pessoas compram e vendem dólar, euro, etc. Geralmente nessas casas de cambio o dólar é um absurdo.

    Para comprar ouro, também se encontra com o problema da burocracia.
  • Rodrigo  17/08/2016 13:20
    Ouro. É chato, mas depois que comprou acabou. Só toma cuidado com roubo.
  • Poor man  17/08/2016 14:18
    Obrigado, vou dar um pesquisada como comprar.
  • A boa iniciativa   09/12/2016 15:58
    Temos uma Constituição cheia de direitos, mas quase nenhuma aplicabilidade. Ninguém percebeu que nada é de graça, tudo tem seu custo. Mas graças à esquerda brasileira, temos um Estado encharcado de funcionários públicos, muita ineficiência, que exige uma alta carga tributária para financiar seu funcionamento e que se move muito lentamente por conta do emaranhado de leis e atos normativos (burocracia pura!) sem muita utilidade prática.
    Quando enxergarmos esse estado, perceberemos que trilhamos esse caminho: hospitais que se parecem matadouros; saúde pública em caos; corrupção endêmica; VIOLÊNCIA sem limites; invasões de terra que não produzem riqueza; educação de PÉSSIMA qualidade; subempregos; etc.
  • Sem Esperança  09/12/2016 23:00
    Sinceramente, não vejo luz no fim do túnel.
    O brasileiro vai sucumbir no próprio orgulho.
  • Felipe Lange   22/06/2018 19:43
    Pessoal, preciso da ajuda de vocês. O assunto muda mas continua dentro de economia.

    Hoje na minha aula de Ecologia o meu professor disse algo que de certa forma me incomodou. Baseado na cadeia trófica e no fato de que os seres humanos aproveitam muito mal a energia (por estarem no topo da cadeia alimentar), ele alega que seria inviável para 7 bilhões de pessoas consumirem carne bovina pois faltaria espaço, se baseando no caso do Japão, onde o espaço é muito mais escasso e o preço da carne é alto (segundo ele).

    De onde eles tiram isso? Como calculam? E claro, aquele alarmismo de que em 2000 e alguma coisa a população vai aumentar em progressão (como se fosse algo malthusiano) e não haverá mais espaço nem para recursos nem para quem morar. Me lembrou agora daquela conversa furada de pegada ecológica. Triste que os demais que nunca se questionaram vão sair de lá com esse terror psicológico...

    É complicado quando o cara é da área de ciências naturais e quer tentar se meter na área de ciências econômicas...

    Qual a opinião de vocês sobre?
  • Vinícius Garcia  22/06/2018 20:30
  • Felipe Lange  23/06/2018 01:02
    Isso me deixa entristecido... mas não é surpresa já que o estado controla o MEC, que controla os conteúdos...
  • lorivaldo  23/06/2018 02:12
    Felipe, também ouvi muito disso (fiz Agronomia). O próprio Japão sofre com o pouco crescimento vegetativo (e até os países do 3° mundo estão com taxas menores de crescimento). O mesmo raciocínio vale para o clima, onde não temos nem a capacidade de saber a previsão do tempo de amanhã, como poderíamos saber do futuro?
  • Jailma Viana  23/06/2018 02:43
    Caro Felipe Lange,
    Gostei da tua indagação. Infelizmente, nós quando alunos, levamos muito em conta os professores. E, ou ficamos inibidos, ou intimidados perante a "sapiência"dos mesmos.
    Você já tinha a resposta na tua cabeça: Malthus. Bastaria ter dito para o professor, que tal qual Malthus, ele estava errado. Pois a afirmação do professor nada mais é do que Malthus requentado.
    Eu sempre sofri com isto. Sou lerda para articular uma resposta. Primeiro tenho que pensar. E quando a resposta chega o momento já passou. Ainda trago entalada na garganta respostas que deixei de dar para os meus diletos professores. Especialmente para aqueles que tentaram utilizar o livre-mercado capitalista para aterrorizar.
  • Felipe Lange  23/06/2018 12:56
    Eu prefiro não questioná-lo porque eu acabo não lembrando de nenhuma resposta, além de poder ter represálias. Acho melhor gravar as besteiras e refutar em vídeo. Aí não tem o que fazer.
  • Jailma Viana  23/06/2018 03:24
    Caro Felipe Lange,
    Gostei da tua indagação. Infelizmente, nós quando alunos, levamos muito em conta os professores. E, ou ficamos inibidos, ou intimidados perante a "sapiência"dos mesmos.
    Você já tinha a resposta na tua cabeça: Malthus. Bastaria ter dito para o professor, que tal qual Malthus, ele estava errado. Pois a afirmação do professor nada mais é do que Malthus requentado.
    Eu sempre sofri com isto. Sou lerda para articular uma resposta. Primeiro tenho que pensar. E quando a resposta chega o momento já passou. Ainda trago entalada na garganta respostas que deixei de dar para os meus diletos professores. Especialmente para aqueles que tentaram utilizar o livre-mercado capitalista para aterrorizar.
  • Demolidor  22/06/2018 21:05
    "Eu acho que o Brasil não investe o suficiente em saúde e educação", eles dizem.

    Será que eles já deram uma olhada no que divulga o Portal da Transparência?

    www.portaltransparencia.gov.br/PortalComprasDiretasFavorecido.asp?TipoPesquisa=2&Ano=2017
  • Gustavo Arthuzo  23/06/2018 13:35
    Além de gastar muito, gasta muito errado. O pobre tem a educação sucateada das escolas públicas de ensino fundamental e médio. Enquanto isso, grande parte do recurso vai para as faculdades públicas para sustentar os jovens de classe média e alta (que pagariam faculdade particular) às custas do pobre que ou passa longe de qualquer universidade ou faz as uniesquinas. Genial o burocrata brasileiro, não é mesmo?
  • Felipe Lange S. B. S.  24/06/2018 00:41
    Investir ele investe, mas é diferente do investimento empresarial, onde a finalidade é obter lucro e ganhar clientes. No caso o investimento estatal nesses setores é para mera propaganda ideológica, sem contar para obter mais controle sobre o que os outros podem pensar.

    Gasta muito. Se altos gastos fossem parâmetro para qualidade, muitos estrangeiros deixariam universidades como Harvard e MIT de lado para frequentarem UNESP, USP e afins.
  • Demolidor  24/06/2018 02:37
    E esses gastos com gigantescas multinacionais do setor financeiro? Pelos ganhos de escala, será que houve um duro negociador que conseguiu grandes descontos em medicamentos, melhor que aqueles de planos de saúde privados?
  • Demolidor  24/06/2018 16:33
    E esses gastos com gigantescas multinacionais do setor financeiro?

    Cometi um lapso. A pergunta era sobre o setor farmacêutico. Mas ambos são muito relevantes.
  • Bruno Feliciano  23/06/2018 21:52
    Caros administradores e eleitores do IMB, queria fazer uma observação:

    -A melhor parte desse instituto, alem dos artigos, é a caixa de comentários. Não só pelos debates, argumentos e reflexões, mas pela dose de humor. As respostas são da forma mais inteligente e bem humorada, com uma dose de ironia genial!
    Sempre leio os comentários e confesso que com algumas repostas dos Austríacos, eu me mijo de rir!
    Deveria ter um artigo um dia só com a seleção de melhores respostas, separadas entre as mais inteligentes e as mais cômicas. Em um dos artigos mais antigos do instituto, havia uma discussão nos comentários sobre homens e mulheres e toda essa demagogia irracional das fracassadas.
    Um eleitor fez um comentário sensacional que venho destacar:

    'O feminismo atualmente está se dividindo em grupos''

    Claro que está! Esse é o pessoal que vive brigando!
    Pegue um monte de mulher e bote todas juntas e é inevitável, mais cedo ou mais tarde começa a onda de fofocas, de intrigas, de uma procurando defeito e falando mal da outra pelas costas.
    Não é à toa que as mulheres sinceras falam que preferem mil vezes trabalhar com colegas homens do que com outras mulheres.''

    Hahahahahahahahahaahaha, sensacional. Fora tantas outras que diariamente vejo, as vezes pulo pra caixa de comentários só pra dar risada e me divertir, queria ter a habilidade de elaborar respostas tão criativas e engraçadas.


    Um Forte Abraço e continuem assim, minha saúde mental agradece!
  • Emerson Luis  25/06/2018 11:02

    Para cada $10 que o governo dá para uma parte da sociedade, ele toma $100 de toda a sociedade.

    Cada "direito positivo" (privilégio) que o governo dá para um grupo de pessoas significa uma obrigação arbitrária imposta a outros grupos.

    * * *


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