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Até mesmo o “Pokémon Go” refuta Thomas Piketty

O economista francês Thomas Piketty foi a revelação de 2014 no âmbito das ciências sociais. Seu aclamado livro O Capital no Século XXI se converteu em uma obra de referência para a esquerda e para a direita, chegando ao ponto de se transformar em um livro que é comprado mas não é lido.  E, quando é lido, raramente é lido de maneira crítica.

Isso explica por que os incondicionais seguidores de Piketty se limitam apenas a utilizar trechos de suas entrevistas e não de seu livro.  E explica também por que os entrevistadores de Piketty se rebaixam ao papel de apenas lhe estender um tapete vermelho para que ele lhes desfile suas platitudes em vez de fazerem qualquer pergunta desafiadora a respeito dos problemas básicos encontrados em seu livro. 

A tese essencial da obra de Piketty é que as desigualdades mundiais estão aumentando em consequência da própria dinâmica do sistema capitalista: dado que os poupadores são capazes de reinvestir obtendo taxas de retorno superiores ao crescimento econômico, os capitalistas serão cada vez mais ricos em relação aos trabalhadores. 

Em outras palavras, os ricos se tornam cada vez mais ricos porque os capitalistas são capazes de obter, automaticamente, uma taxa de retorno sobre seu capital investido maior que a taxa de crescimento de todo o conjunto da economia (sua famosa desigualdade r > g).  Isso significa, portanto, que os ricos vão abocanhando uma fatia cada vez maior do bolo.

Nas palavras do próprio Piketty: "A desigualdade r > g implica, em certo sentido, que o passado tende a devorar o futuro: a riqueza originada no passado cresce automaticamente mais rápido do que a riqueza derivada do trabalho, mesmo quando o rentista opte por não trabalhar".

Ou seja, uma pessoa é rica hoje não em função da riqueza que gerou hoje, mas sim da riqueza que tinha ontem graças à capitalização rentista dos juros.

Em primeiro lugar, a falsidade dessa afirmação é patente.  A realidade é que a minha riqueza atual não depende essencialmente do passado, mas sim do futuro: eu não sou rico porque meus pais fizeram bons investimentos; eu sou rico porque sou capaz de continuar investindo sabiamente as propriedades que meus pais me legaram.  Se meus pais me legarem uma fortuna, mas eu não souber administrá-la corretamente, poderei ficar pobre em pouco tempo.  Não há nada de automático ou de garantido na perpetuação de minha riqueza.

Ao contrário do que afirma Piketty, nenhum ativo — real ou financeiro — possui uma rentabilidade automática ou garantida.  Ser rico hoje não é garantia de continuar sendo rico no futuro.  Mais ainda: ser rico hoje não é garantia nenhuma de que você será ainda mais rico no futuro.  Que o digam os ricaços da década de 1980: todos eles perderam mais de 50% do seu patrimônio desde então.

O fato é que, quanto mais capital você possui, menor é a sua capacidade de torná-lo rentável: a capacidade de investi-lo bem, de evitar erros e de encontrar oportunidades lucrativas de investimento que ninguém mais conseguiu encontrar é tanto menor quanto maior a quantidade de fundos que você tem de gerenciar.

Embora Piketty supostamente seja um estudioso da dinâmica da desigualdade de renda nas sociedades capitalistas, a falta de rigor teórico em seu livro é alarmante. Piketty praticamente não analisa o papel do empreendedorismo; e, nas raras vezes em que o faz, não fornece absolutamente nenhuma definição sobre o que seja empreendedorismo.  Essa total falta de rigor o permite liderar uma batalha ideológica contra os ricos, os quais ele considera serem "imerecedores". 

Surge o Pokémon Go

No início de julho, empresa japonesa de videogames Nintendo lançou um aplicativo gratuito para smartphones chamado Pokémon Go, dando continuidade à popular franquia Pokémon.

O êxito deste aplicativo gratuito tem sido estrondoso: em poucos dias, superou os usuários ativos do Twitter e apresentou mais minutos de uso diário do que o WhatsApp.  Isso permitiu ao aplicativo veicular uma potencialmente lucrativa publicidade dentro do jogo (como fazem todos os aplicativos gratuitos de smartphone).

O resultado econômico mais imediato foi uma explosão na valorização das ações da Nintendo, que mais do que duplicaram em poucos dias.

Nintendo.png

Alguns dias mais tarde, quando a própria Nintendo divulgou um comunicado alertando que o impacto financeiro gerado pelo Pokemón Go nas receitas da empresa seria menor do que o precificado pelos investidores, as ações desabaram (vide gráfico acima). 

Hoje, no entanto, ainda são 33% maiores do que eram antes do lançamento do jogo.

Tracemos agora um paralelo entre este súbito aumento na riqueza da Nintendo com a teoria de Piketty.  Em que sentido a riqueza originada no passado cresce automaticamente sem necessitar de engenho, criatividade, dedicação, satisfação dos consumidores e criação de valor?  Em nenhum. 

Se a Nintendo não houvesse investido e criado, junto com a empresa Niantic, o aplicativo Pokémon Go, sua capitalização na bolsa não teria explodido e a empresa não estaria hoje 33% mais rica.  Ou se, por sua vez, a Nintendo houvesse criado um aplicativo desastroso que ninguém quisesse usar, seu valor de mercado não teria aumentado em nada — com efeito, poderia até desabar, pois a empresa teria gasto dinheiro no desenvolvimento, mas não teria obtido receita nenhuma, o que significa que ela queimou capital.

Como é possível dizer, então, que a riqueza passada gera automaticamente a riqueza futura?  Por acaso aplicativos como Pokémon Go (ou ferramentas de busca como Google, ou redes sociais como Facebook, ou aparelhos de celular como o iPhone) são criados automaticamente? 

Não, o que cria a riqueza futura é o uso sábio dos fatores de produção atuais.  O que cria riqueza futura é saber utilizar corretamente os fatores de produção existentes (mão-de-obra, cérebros humanos, recursos físicos e tecnológicos, inteligência, ideias) e direcioná-los a projetos empreendedoriais que maximizam a criação de valor para os consumidores. 

E esses projetos empreendedoriais não são nem conhecidos a priori e nem são fáceis de ser descobertos.

Neste exato momento, ao redor do globo, há dezenas de milhões de cabeças pensando em como melhorar a vida das pessoas de uma maneira mais eficiente que o resto da concorrência.  Somente aquelas que tiverem êxito em descobrir, criar e comercializar os produtos mais estimados pelos consumidores conseguirão acumular uma grande riqueza (isso em um mercado livre; em um mercado regulado e protegido pelo estado, irão enriquecer aqueles com as melhores conexões políticas e que forem mais hábeis em espoliar a riqueza gerada pelos demais).

E, como bem mostra aquela recente queda nas ações da Nintendo, que ninguém pense que esta enorme riqueza gerada pelo lançamento de um aplicativo de celular seja algo permanente e irreversível (como também afirma Piketty).  A valorização de 33% da Nintendo reflete, pura e simplesmente, o valor presente de todos os lucros que se espera que o Pokémon Go gere no futuro.  Esse aumento da riqueza da Nintendo não decorre dos ganhos passados que ela acumulou até hoje, mas sim os ganhos que são esperados no futuro em decorrência de um bom desempenho da empresa.

Por isso, se nos próximos dias, meses ou anos o Pokemón Go não se mostrar à altura das expectativas que se formaram hoje a seu respeito — se seus usuários não mais o utilizarem por tanto tempo como o fazem hoje, se surgirem outros aplicativos mais interesses para os consumidores, se as receitas de publicidade não se mostrarem suficientes etc. —, então o valor das ações da Nintendo desabarão.  Ou seja, esse crescimento de 33% em sua riqueza serão inteiramente revertidos.

Em suma, a riqueza que a Nintendo acumulou estes dias não dependeu em quase nada da riqueza que ela acumulou no passado (o Pokemón Go teve um custo de desenvolvimento inferior a 30 milhões de dólares, os quais foram captados de diversas fontes), mas sim de como a empresa foi sábia em investir esse capital no presente e do como o seguirá investindo no futuro. 

A riqueza não olha para o passado, mas sim para o futuro: aqueles que não sabem utilizar produtivamente seu capital em prol dos consumidores ficarão, na melhor das hipóteses, estagnados e com um patrimônio volúvel (a menos, é claro, que o estado os proteja mediante o esbulho do resto da população).  De novo, que o digam os ricaços da década de 1980: todos eles perderam mais de 50% do seu patrimônio desde então.

Já aqueles que utilizarem produtivamente sua poupança em prol dos consumidores e de uma maneira mais eficaz que os demais — e que saibam como continuar fazendo isso no futuro — verão seu patrimônio se multiplicar em pouco tempo, por mais escasso que tenha sido seu capital inicial.

A desigualdade de riqueza não é fruto de sua distribuição passada, como erroneamente afirma Piketty, mas sim de como ele utilizada visando ao futuro. 

Quanto a Piketty, como já dito, em seu livro ele desconsidera o papel do empreendedor e nem sequer menciona o papel da divisão do trabalho na criação de riqueza.  Mas a divisão do trabalho é uma característica crucial (e necessária) da economia de mercado.  Com efeito, a própria existência de capitalistas ricos não é uma questão de herança ou de sorte imerecida, mas sim o resultado da "lei das vantagens comparativas".  Um capitalista bem sucedido é alguém que possui uma vantagem comparativa em alocar capital — ou seja, ele tem uma capacidade superior aos outros neste quesito — e, consequentemente, é especialista nesta tarefa. 

Em um mercado livre e desimpedido, aqueles que tendem a ser os mais ricos também tendem a ser os mais eficientes na alocação do capital.  Se sua capacidade de alocação for ruim, então os consumidores irão puni-los.  Se sua capacidade de alocação for boa, os consumidores irão recompensá-los.

A Nintendo que o diga — por enquanto.

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Leia também:

O que houve com os ricaços da década de 1980?

Thomas Piketty e seus dados improváveis

Um breve comentário sobre Thomas Piketty

As "descobertas" de Piketty estão invertidas

Piketty está errado: mercados não concentram riqueza

Os três principais erros de Piketty

A moral de Piketty - por alguém que realmente leu todo o livro

Algumas frases aterradoras contidas no livro de Thomas Piketty



autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Guilherme  05/08/2016 15:34
    Piketty é apenas mais um apologista do crime e do roubo.

    É realmente impressionante como acadêmicos marxistas conseguem sempre — sempre! — enganar a mídia e os incautos: eles são vistos como possuidores de um alto padrão moral ao mesmo tempo em que defendem a ideologia responsável que prega a chacina e a obliteração da civilização humana, e que foi responsável direta pela morte de centenas de milhões de pessoas ao longo do último século.
  • Branko  05/08/2016 15:35
    Ele é idiota ou esperto? As vezes tenho vontade de escrever umas merdas e ficar rico também. Ou defender o governo e ganhar filme, fama, status e etc... Mas passa rápido a vontade.. Mas entendo que para gente sem perspectiva seja atraente!
  • Juan Pedro  05/08/2016 15:39
    Esse é o caso de todos os "economistas", políticos, artistas, etc (parasitas que se aproveitariam da populacao com o Estado). Nunca saberemos se acreditam mesmo nessa irracionalidade ou se utilizam do povo fazendo propaganda para si.
  • anônimo  05/08/2016 15:42
    Piketty não engana a mídia, ele apenas diz o que a maioria deseja ouvir. "Os ricos são parasitas que vivem de juros e são a causa da sua pobreza."

    Se não for o Piketty, vai haver outro que diga o que desejamos ouvir.
  • O MESMO de SEMPRE  07/08/2016 13:55
    .
    O impressionante mesmo é perceber que ninguém esbraveja a mais inconstestável realidade:

    TODAS AS IDEOLOGIAS E PERORAÇÕES POLÍTICAS VISAM EXCLUSIVAMENTE DEFENDER UM PODER ABSOLUTO PARA A CLASSE GOVERNANTE HIERARQUIZADA.


    Nietzsche, atribua-se-lhe o crédito, foi o primeiro e único a expor a mais cristalina realidade:

    - O socialismo ambiciona um Poder para o governo que nem o mais sonhador dos déspotas imaginou ser possível.

    Sim, toda a arenga comovente sobre desigualdade social e sobre os coitadinhos do pobres tem por objetivo ÚNICO a reivindicação de PODER ABSOLUTO para o estamento estatal.

    A contradição é monstruosamente visivel quando a ideologia se impõe:

    - A hierarquia estatal usufruindo de todos os luxos e DESIGUALDADE não só MATERIAL como principalmente SOCIAL. Sim, o Socialismo impõe TAMBÉM a mais repgnante DESIGUALDADE SOCIAL e não apenas MATERIAL.

    Sob o Socialismo impera a "lei" vigente entre os SENHORES e SEUS ESCRAVOS. E não se trata de hipérbole ou analogia para facilitar o entendimento, mas SIM de uma CONSTATAÇÃO da forma de sociedade almejada pela hierarquia estatal.

    Os senhores de escravos se atribuiam plenos e absolutos direitos sobre a vida de seus servos. Assim arbitravam incondicionalmente sobre como deveriam se relacionar, se vestir, habitar e trabalhar. Da mesma forma o socialismo atribui aos governantes o direito de acordarem deliberarem sobre a vida de seus servos governados.

    Socialismo é O CAMINHO da SERVIDÃOou IDEOLOGIA da SERVIDÃO, onde os humanos se dividem entre DUAS CLASSES apenas:
    uma classe HIERARQUIZADA de SENHORES GOVERNANETES e seus serviçais e a classe dos SERVOS IGUALMENTE EXPLORADOS e FORÇADOS à OBEDIÊNCIA INDIGNIFICANTE.
  • Saulo Joseph  05/08/2016 15:51
    Como assim a riqueza gerada pelo Pokémon Go não dependeu de quase nada feito pela Nintendo interiormente?
    20 anos de marketing, jogos, filmes... Qualquer outro que desenvolvesse app parecido não teria o mesmo sucesso, como temos exemplos. O sucesso de Pokémon Go não se da pela inovação técnica, mas pela união dessa com uma propriedade intelectual da Nintendo gerida por anos e anos. O argumento, com esse exemplo, é completamente falho.
  • Marcos  05/08/2016 16:20
    "20 anos de marketing, jogos, filmes... Qualquer outro que desenvolvesse app parecido não teria o mesmo sucesso, como temos exemplos."

    Qual a sua base para falar isso, a não ser seu mero achismo?

    Na prática, você está dizendo que o jogo só é uma febre porque as pessoas pensam assim: "Nossa, é um jogo da Nintendo! Vou baixar! Se não fosse da Nintendo, nem olharia!"

    Se um jogo idêntico tivesse sido criado por outra empresa, ele não seria uma febre? Qual a sua base para dizer isso? Você por acaso está dizendo que toda a população mundial é fanática pela Nintendo? Nem eu conheço direito a empresa, mas sabia muito bem como era esse jogo.

    Sua pressuposição não tem sustento.

    "O sucesso de Pokémon Go não se da pela inovação técnica, mas pela união dessa com uma propriedade intelectual da Nintendo gerida por anos e anos".

    Ah, claro, claro. Bilhões de pessoas estão voluntariamente jogando um jogo, e de maneira fervorosa, apenas porque a Nintendo tem propriedade intelectual sobre Pokémons. Puxa, realmente é isso! Quando o garotinho da favela baixa o jogo em seu celular, ele o faz só porque conhece toda a história da Nintendo. Se não fosse da Nintendo, ele nem olharia.

    Gênio.

    "O argumento, com esse exemplo, é completamente falho."

    Concordo. Essa frase se aplica a você.
  • Saulo Joseph  05/08/2016 16:35
    Desculpe-me, Tulio, mas onde eu disse que pessoas não ficam milionárias por criar app ou que necessariamente precisam do capital da Nintendo para tornarem-se milionárias?

    Apenas disse que o sucesso do Pokemon Go se deve sim à riqueza anterior da Nintendo (pokemon), e não por uma pretensa inovação técnica, portanto, com esse exemplo, o argumento é completamento falho.
  • Tulio  05/08/2016 16:45
    "Desculpe-me, Tulio, mas onde eu disse que pessoas não ficam milionárias por criar app ou que necessariamente precisam do capital da Nintendo para tornarem-se milionárias?"

    Aqui:

    "Qualquer outro que desenvolvesse app parecido não teria o mesmo sucesso, como temos exemplos."

    E mais aqui:

    "O sucesso de Pokémon Go não se da pela inovação técnica, mas pela união dessa com uma propriedade intelectual da Nintendo gerida por anos e anos."

    Aí mostrei vários exemplos de pessoas comuns que ficaram milionárias por criares aplicativos -- o que dá um crescimento de riqueza muitas vezes maior que os "meros" 33% da Nintendo.

    "Apenas disse que o sucesso do Pokemon Go se deve sim à riqueza anterior da Nintendo (pokemon), e não por uma pretensa inovação técnica"

    Todos os exemplos práticos que listei refutam essa sua afirmação. Pessoas normais se tornaram milionárias -- um crescimento na riqueza muito maior que 33% -- sem qualquer riqueza anterior.

    Portanto, com esse seu exemplo, seu argumento é completamente falho. Tenta outra.
  • Saulo Joseph  05/08/2016 16:51
    Ai, ai, Tulio, te faltou interpretação textual aí.

    Como eu disse, "O sucesso de Pokémon Go não se da pela inovação técnica, mas pela união dessa com uma propriedade intelectual da Nintendo gerida por anos e anos." Isso não quer dizer que não é possível criar apps e tornar-se milionários, mas sim exatamente o que eu disse. Não existe inovação técnica no pokemon Go, o que existe é um propriedade intelectual gigantesca, Pokemon.

    "Qualquer outro que desenvolvesse app parecido não teria o mesmo sucesso, como temos exemplos."
    Exatamente o que eu disse acima, exemplos de que não é inovação técnica são outros apps exatamente iguais ao pokemon Go, com jogabilidade idêntica, como o Ingress, porém que não possuem a propriedade intelectual.

    Os exemplos que tu mandou apenas mostram que pessoas conseguem grana fazendo app e não que o sucesso do pokemon se dá por inovação :)

    Novamente digo, muda o exemplo, com esse o argumento é falho.
  • Tulio  05/08/2016 18:16
    "Os exemplos que tu mandou apenas mostram que pessoas conseguem grana fazendo app e não que o sucesso do pokemon se dá por inovação :)"

    Como é que é?! Você está dizendo que o sucesso do Pokemon Go não se deve a nenhuma inovação? Quer dizer então que criaram um app rotineiro, sem nada de diferente, igual a absolutamente todos os outros que já existiam, e ainda assim fizeram um estrondoso sucesso?! É isso mesmo?

    Desiste.
  • Saulo Joseph  05/08/2016 18:19
    Bem, então, Tulio, me diga, qual a inovação? :)
  • Tulio  05/08/2016 18:27
    Você não tem de perguntar para mim, mas sim para os bilhões de indivíduos que voluntariamente estão baixando o jogo e jogando. São esses bilhões de indivíduos que, por meio dessa preferência demonstrada, estão refutando essa sua teoria de que não houve inovação nenhuma.

    Certamente, esses bilhões de pessoas, ao contrário de você, estão vendo nesse jogo algo de muito diferente e inovador, algo que até então não existia.

    E se você diz que não houve inovação nenhuma, e que o sucesso era totalmente previsível e fácil de ser alcançado, então você tem de explicar por que você próprio não inventou um aplicativo semelhante, com a mesma jogabilidade, e não está milionário agora. Não fez essa obviedade por quê? Odeia dinheiro?
  • Saulo Joseph  05/08/2016 18:42
    Tulio, tu claramente não conhece sobre o mercado que estás falando, existem app iguais como o ingress, dá mesma empresa produtora do pokemon Go, porém, sem a skin de pokemon :)

    Usar gps e realidade aumentada não é novidade a muito tempo, novidade é a Nintendo entrando no mercado mobile, novidade é pokemon mobile, isso gera a popularidade toda, a riqueza prévia. Se anos atrás as pessoas compravam vários consoles apenas para jogar pokemon (GB,GBA,GBC), é completamente previsível que ao entrar no mercado mobile de smartphone a Nintendo teria tamanha popularidade.

    E, desculpa-me, mas associar necessariamente popularidade com inovação é um erro tremendo, nem tudo que é inovador é popular e nem tudo que é popular é inovador.
  • Rafael Lopes  05/08/2016 19:19
    "existem app iguais como o ingress, dá mesma empresa produtora do pokemon Go, porém, sem a skin de pokemon :)"

    Quer dizer então que há apps absolutamente idênticos no mercado, mas sem alcançar nem de perto a mesma popularidade? Então isso parece confirmar exatamente o que diz o artigo.

    "Usar gps e realidade aumentada não é novidade a [sic] muito tempo, novidade é a Nintendo entrando no mercado mobile, novidade é pokemon mobile, isso gera a popularidade toda, a riqueza prévia."

    Que GPS e realidade aumentada não sejam novidade é algo que todo mundo sabe. Agora, juntar essas coisas de maneira inovadora, criando riqueza e satisfazendo desejos dos consumidores, ah, isso sim é saber inovar. Isso é ser criativo. Isso é gerar riqueza.

    Ao combinar esses dois fatores de produção, a empresa soube gerar valor para as pessoas. Isso não é uma coisa automática, meu caro. Você tem de pensar para ter essa ideia. E você tem de agir para colocá-la em prática. Nada é automático.

    E é exatamente disso que o artigo fala: "O que cria a riqueza futura é o uso sábio dos fatores de produção atuais. O que cria riqueza futura é saber utilizar corretamente os fatores de produção existentes (mão-de-obra, cérebros humanos, recursos físicos e tecnológicos, inteligência, ideias) e direcioná-los a projetos empreendedoriais que maximizam a criação de valor para os consumidores. E esses projetos empreendedoriais não são nem conhecidos a priori e nem são fáceis de ser descobertos."

    Você está confirmando o artigo.

    Você diz que tudo era muito óbvio. Mas você mesmo não fez isso. O que mostra que você, como disseram acima, odeia dinheiro.

    "Se anos atrás as pessoas compravam vários consoles apenas para jogar pokemon (GB,GBA,GBC), é completamente previsível que ao entrar no mercado mobile de smartphone a Nintendo teria tamanha popularidade."

    Previsível? Então se você criar uma rede social igual ao Facebook será garantia de sucesso imediato? Ora, então faça isso. Se não fizer, é porque realmente odeia dinheiro. Ou então é porque nem você próprio é tolo o bastante para acreditar nesta ideia de "sucesso fácil e imediato".

    "nem tudo que é inovador é popular"

    Correto.

    "e nem tudo que é popular é inovador."

    Errado. Tudo que faz sucesso é, por definição, inovador. Faz sucesso exatamente por ser novo. Você pode até não concordar com a inovação que esteja fazendo sucesso. Mas é inegável que, para o público que está voluntariamente consumindo aquilo, tal coisa é inovadora.

    Mesmo aquilo que seja uma mera remodelagem de algo que já existiu antes traz em si uma inovação. Não existe remodelagem idêntica. Toda remodelagem que faz sucesso traz consigo um caráter inovador. E é aí que entra a inteligência e a criatividade da pessoa. E é isso que o enriquecerá.
  • Manuel Mamboza  05/08/2016 20:19
    A Google investiu pesado no Google Glasses e no Google Plus, a Sega no Dreamcaster, a Nokia no N Gage (a Nokia era dona do Symbian, o IO mais usado antes do Android e líder do setor dos telemóveis antes dos smartphones).

    Foram milhões jogados no lixo, por uma razão simples: não entregaram algo que o consumidor valorizou.

    Empreender é um exercício de inteligência, o capital não é uma gosma que cresce todos os anos. Só mesmo alguém que nunca esteve à frente de uma empresa acha que gerar lucro é fácil. Tudo leva ao caos, tem de haver controle acirrado, há inúmeros desperdícios a controlar e sempre sem esquecer do cliente. Eu perdoo o Piketty, ele não sabe o que diz. Também, nunca empreendeu na vida.
  • Amônino  06/08/2016 00:55
    Errado. Tudo que faz sucesso é, por definição, inovador. Faz sucesso exatamente por ser novo.

    Que o diga a pornografia...
  • Rafael  06/08/2016 04:11
    A pornografia veiculada na internet - que é praticamente um streaming on demand -
    não seria um método inovador? Os diversos sites pornográficos, cada um com uma especialização específica, não são inovadores? Permitir acesso rápido, gratuito, sem censura, sem verificação de idade, sem constrangimento (algo impossível na era das videolocadoras) e a qualquer momento não é algo novo?

    Se sua resposta é não, então o Netflix também não tem nada de inovador...
  • Amonino  06/08/2016 15:11
    Vc, Rafael, está indicando que a pornografia passou a fazer sucesso APÓS esses adventos? Ou que outras formas de apresentação de pornografia não fazem sucesso? Tenha em mente que ter uma forma mais bem sucedida de apresentação não indica que outras sejam mal sucedidas.
  • Rafael  06/08/2016 15:33
    Estou apenas dizendo o óbvio ululante: a distribuição da pornografia on demand -- uma inovação, queira você ou não --, com facilidade de acesso para todos, a qualquer hora e lugar, sem qualquer tipo de censura, elevou a popularidade desse gênero aos píncaros.

    Antigamente, o sujeito tinha de tirar o carro da garagem e ir, morrendo de vergonha, aos fundos da videolocadora. E tinha de ver escondido sem sua casa, em um videocassete. Os alugueis de fitas desse gênero eram pequenos (tanto é que não eram todas as videolocadoras que dispunham dessas fitas) e restritas apenas aos "entusiastas" do gênero.

    Hoje, qualquer um tem à sua imediata disposição um filme pornográfico no sossego da sua casa, sem que ninguém saiba. Com essa facilidade inovadora, os "entusiastas" do gênero dispararam.

    Há realmente algo de controverso ou de inverídico nisso que estou dizendo? Se sim, gostaria de saber o quê, por gentileza.
  • Amonino  06/08/2016 16:04
    Nada de inverídico. Controverso seria:

    Sugerir que a mudança na forma de consumo indica maior popularidade. Algo que deveria se apoiar em dados.

    Sugerir que novos patamares de popularidade indicam que os patamares anteriores eram impopulares.


    Advogar que só o que é novo faz sucesso, desconsiderando uma ampla gama de fenômenos como o papel higiênico, os Beatles, Michael Jackson, Beethoven, a transmissão televisiva, o rádio, os Cavaleiros do Zodiaco, o Chaves e... os Pokémon s!
  • Rafael  06/08/2016 17:21
    "Sugerir que a mudança na forma de consumo indica maior popularidade. Algo que deveria se apoiar em dados."

    Inverteu a ordem. A mudança na forma da oferta levou a um maior consumo.

    Dados? Bom, estaria você dizendo que o consumo de pornografia na década de 80 era maior que hoje? Se sim, aí eu realmente gostaria de dados.

    "Sugerir que novos patamares de popularidade indicam que os patamares anteriores eram impopulares."

    Em momento algum utilizei o termo "impopular" ou qualquer derivação dele. Não seja espertalhão. Disse apenas, e repito, que algo aumentou sua popularidade em relação à como era antes. Isso não significa que antes era impopular. Apenas ficou ainda mais popular hoje. Não recorra a truques semânticos para tentar reverter uma desvantagem no debate.

    "Advogar que só o que é novo faz sucesso, desconsiderando uma ampla gama de fenômenos como o papel higiênico, os Beatles, Michael Jackson, Beethoven, a transmissão televisiva, o rádio, os Cavaleiros do Zodiaco, o Chaves e... os Pokémon s!"

    ???
  • Amonino  06/08/2016 18:03
    O mote do Rafael Lopes (q não sei se é vc) que me parece bastante controverso é: Só o que é novo faz sucesso. E faz sucesso por ser novo.

    Logo abaixo, o Mamboza citou exemplos que, mesmo sendo novos, não fizeram sucesso.

    Citei um clássico, mesmo sendo velho, faz um sucesso danado. E vc concordou ao mencionar que já era sucesso antes das novas formas de distribuição.

    Bastante coerente se considerarmos que as pessoas não se interessam mais por pornografia por estar em streaming. Elas têm mais acesso. Essa é a grande distinção.

    Beethoven, os Beatles, o Chaves, papel higiênico, rádio e pornografia foram um sucesso antes e continuarão sendo ainda por muito tempo. As novas formas de distribuição mudarão o volume desse sucesso.

    "Não recorra a truques semânticos para tentar reverter uma desvantagem no debate.

    Se a questão for "vencer" "debates", pode pegar seu troféu, campeão! Venceu por W. O.!
  • Rafael Lopes  06/08/2016 18:10
    "O mote do Rafael Lopes (q não sei se é vc) que me parece bastante controverso é: Só o que é novo faz sucesso. E faz sucesso por ser novo."

    Nunca, em momento algum, falei isso. Falei, isso sim, de inovação. Inovar não significa "inventar algo totalmente novo". Inovar significa "renovar, restaurar, introduzir novidade em; fazer algo como não era feito antes."

    Se você se embanana até mesmo com o significado básico das palavras, então realmente faz todo o sentido você pedir W.O.
  • Saulo Joseph  05/08/2016 19:47
    Não, Tulio, exatamente o oposto, a existencia de aplicações exatamente iguais ao Pokemon Go que não possuem o seu alcance só mostra que o que torna o Pokémon Go popular é sua propriedade intelectual.

    Tulio, tu definitivamente não sabe sobre o que está falando, Pokémon Go não une as duas tecnologias de forma inovadora, isso já existe e não possuem o seu alcance.

    O artigo da a entender que a popularidade de Pokémon Go se da por essa tal inovação que tu fala, mas qualquer um da área de tecnologia pode te confirmar que não há nada inovador (tecnicamente falando)nisso, apenas a propriedade intelectual em uma nova plataforma.

    Sim, é óbvio, eu não o fiz porque não tenho a propriedade intelectual, isso não é óbvio também?

    Tulio, é uma comparação completamente abusurda, Pokémon não é uma tecnologia é uma propriedade intelectual. Se o Facebook fizer alguma outra coisa relacionada com o seu público alvo a possibilidade dela fazer muita grana com isso é muito muior do que se qualquer outra empresa menor o fizer, qual a necessidade de negar isso?

    Lógico que nem tudo que faz sucesso é inovador, Tulio, que jogada semântica besta. Vai dizer que é inovador colocar uma marca em um produto já existente apenas porque a marca faz sucesso?
  • Victor Hugo  06/08/2016 14:35
    Tanto é que já existiam outros games parecidos mas esse foi o primeiro do gênero que fez sucesso graças ao sucesso anterior graças à prioridade intelectual registrada e garantida pelo estado malvadão... Num mundo liberaloide nem existiria Pokémon go porque haveria zilhões de imitações fraudes simulares réplicas sem pagar royalties e direitos autorais né?
  • Realista  06/08/2016 16:49
    Hum, quer dizer então que todo o repentino e estrondoso sucesso do jogo se deve à "prioridade intelectual" (seja lá que diabo seja isso) sobre um desenho animado?

    Interessante. Explique-me então o sucesso de Angry Birds.

    www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2011/03/angry-birds-e-um-dos-jogos-mais-lucrativos-da-historiajogos.html
  • Amonino  06/08/2016 17:05
    Angry Birds não tem patente registrada?
  • Will  06/08/2016 15:24
    Isso é puro achismo de sua parte.
    Veja aí, franquias como a Rovio e os Angry Birds, que vieram do nada e hoje lançam filmes nos cinemas. Vieram "do nada".
    Tem também o Pou, que se tivesse se atualizado, ainda seria a mesma febre que foi há uns três anos.
    A Nintendo, junto com a Niantic, foram inovadoras no jogo. Marketing sensacional e ideia super criativa. Jogos de Pokemon existem há décadas. O sucesso de Pokemon Go foi pela criatividade e inovação!
  • Rafael  06/08/2016 15:41
    Exato, Will. E eu realmente não entendo por que é tão doloroso nêgo reconhecer esse fato simples, básico e óbvio (o sujeito acima veio até querer comparar com pornografia...). Deve ser só pelo preconceito contra o jogo.

    Mas você colocou um ótimo ponto: como eles também explicariam Angry Birds?
  • Renan Merlin  05/08/2016 15:56
    Leandro ontem você mostrou artigos do corrency board destruido na Argentina. Atualmente algum país adota o Corrency Board ou todos os paises adotam o cambio flutuante?
  • Paulo Azevedo  05/08/2016 16:25
    Perfeito artigo!

    Onde está o "filósofo da USP" e o" Capital Imoral" para falarem suas bobagens diárias a respeito do capitalismo?
  • Filósofo da USP  05/08/2016 21:46
    Estou visitando meu amigo e defensor do pobres Nicolas Maduro.
    Os "yankees malditos" estão atacando a excelente rede de comunicação e a infraestrutura energética da riquíssima Venezuela, por isso, hoje fiquei sem acesso a rede mundial de computadores.

    Amanhã estarei em Cuba fumando um charuto com meu amigo Fidel. Na segunda volto ao Brasil, tenho reunião na sede da URSAL em SP, pauta: novas articulações em favor dos pobres.
  • Andre Cavalcante  06/08/2016 03:56
    Hahahaha...
    Rindo muito.
    Fino!
    Valeu o momento :).
    Abraços
  • Paulo Azevedo  07/08/2016 18:14
    Bom, já que você vai pra Cuba, por que não fica por lá e desfruta as belezas do socialismo? Acho que é bem melhor do que viver nesse Brasil burguês capitalista.
  • Paulo Scheidegger   05/08/2016 16:27
    A riqueza só cresce "automaticamente" ao comprar títulos públicos de países altamente endividados, que pagam juros muito maiores que o crescimento da economia. E essas dívidas quase sempre decorrem da aplicação de políticas sócio-econômicas defendidas pelo próprio Piketty.
  • Analista de Bage  05/08/2016 18:18
    Paulo Scheidegger! Tchê, respira fundo e pensa um pouco mais antes de dizer que "a riqueza só cresce 'automaticamente' ao comprar títulos públicos de países altamente endividados, que pagam juros muito maiores que o crescimento da economia". Em alguns casos é possível sim ganhar dinheiro (aumentar a riqueza) "especulando" em títulos públicos de países endividados que pagam altos juros, mas você precisa ser fera o suficiente para comprar e vender no momento certo, ou seja, existe um alto risco embutido nessas operações e a riqueza não vem "automaticamente" como diz o Piketty. Qualquer vacilada sua ou má fé do governo que emite tais títulos, e a grana vira fumaça. Veja a trolha colossal que vários fundos de investimento levaram com a aquisição de títulos públicos argentinos. Vou te dar um exemplo atual: No Irã atualmente a taxa básica de juros está em 20% a.a. e a inflação anualizada em torno de 6,8% a.a. o que hoje dá um juro real de 12,35% a.a. Uma pechincha né? Mas e o risco astronômico de se expor aos títulos de um país que pode entrar em guerra de uma hora para a outra? Acho que nesse caso a riqueza não cresce "automaticamente" como diz Piketty. Eu poderia elencar diversos outros exemplos aqui como Nigeria, Egito, Bangladesh, Rússia e até mesmo o Brasil como países que possuem taxas de juros mais altas mas que possuem alto risco. A menos que você obtenha "proteção" dos governos desses países (e aí entra todo aquele lance que já conhecemos sobre a intervenção do Estado na economia), aplicar recursos financeiros em títulos públicos desses governos com esperança de ver sua riqueza crescer "automaticamente" pode se transformar numa grande furada. Talvez seja melhor ir caçar pokemons...
  • Consciente  05/08/2016 17:26
    Não sou ninguem com capacidade intelectual para fazer juizo crítico da obra de Piketty, nem mesmo a li e nem ao menos tenho vontade de perder o meu tempo com ela. Acredito que parte da tão decantada "concentração de riqueza" inclui investimentos em bens de capital, com os quais muitos trabalhadores arranjam sustento e geram benefícios para um grande número de indivíduos. Tenho certeza que ele se esqueceu de contabilizar isso.
  • Bento  05/08/2016 17:44
    Preciso ler esse livro para falar mal dele também kkkk
  • Erivam Galdino  06/08/2016 10:10
    Eu não faria isso se fosse você. Se nem os próprios socialista de esquerda e direita leram, eu mesmo não vou ler essa bosta. Leia os livros sobre liberalismo e facilmente poderá responder qualquer besteira desses socialistas.
  • CIRO GOMES 2018  05/08/2016 18:33
    UBER, POKEMON GO, WHATSAPP e querem privatizar a petrobras. ENTREGA LOGO O BRASIL PROS ESTRANGEIROS, DEPOIS O DESEMPREGO CHEGA A 11 MILHÕES E AINDA PERGUNTA O MOTIVO. Vão lá pedir emprego pros estrangeiros.
    O Estado brasileiro deveria investir em ciência e tecnologia pra que nos exportarmos esse tipo de tecnologia e não o contrario.
    Japão e Coreia do Sul fizeram isso, enquanto nos eternamente beijando as cartilhas neo-liberais sendo um mero exportador de soja.
  • anônimo  05/08/2016 20:23
    Do que você está falando ciriguete? Brasil já é um dos países fechados do mundo, a Petrobrás ainda é estatal e já investimos 4,7% do PIB em educação (a média do OCDE é 3,5%). Tudo que você deseja já existe aqui no Brasil.
  • anonimo  05/08/2016 21:34
    Você é mesmo sem noção cara. Tem que privatizar mesmo, não importa para quem seja, China, Rússia, França, EUA, Reino Unido ou qualquer outro. Temos que tirar o poder econômico do estado e assim construindo uma base para o livre-mercado.
    O desemprego de 11 milhões já chegou há tempos cara, e eu não confio nesses dados, creio eu que seja muito mais que esses 11 milhões, culpa do governo petista que só faz M.

    "O Estado brasileiro deveria investir em ciência e tecnologia pra que nos exportarmos esse tipo de tecnologia e não o contrario."

    Concordo em partes, o Brasil investe, apesar de pouco, mas o que adianta isso se não tiver um mercado para atender essa demanda. Onde o estado se mete nos principais setores da economia. Para exportar tecnologia, teremos que ter uma tecnologia avançada acima das demais nações, e como conseguimos isso? Importando amigo. O segredo é importação meu amigo, quando o Brasil comprou os caças suecos, levou engenheiros para estudar a engenharia nos caças para importar para o Brasil e é óbvio que a Embraer vai participar dessa aula. A Alemanha não exporta tecnologia, todas essas inovações tecnológicas que vem da maior parte dos EUA, é importada para a Alemanha em um período muito próximo da invenção, assim que lança uma tecnologia nova, os alemães já estão importando para aplicar no seu mercado. No Brasil leva tempos a tecnologia vir para aqui e com toda a burocracia muitas vezes deixa de vir, porque o imposto é de 60%.
    Outro exemplo seria o sistema ferroviário dos EUA, comparado com a Europa e o Japão é ridículo, até os políticos americanos já disseram que teriam que importar a tecnologia, talvez do Japão, a tecnologia do MagLev(trem bala ou trem de levitação magnética).

    "Japão e Coreia do Sul fizeram isso, enquanto nos eternamente beijando as cartilhas neo-liberais sendo um mero exportador de soja."

    Não somos meros exportadores de soja, somos os maiores exportadores de minério, limão, laranja, trigo, milho, café e outros produtos industrializados. Poderíamos ser também de potássio, mas por estar em terras indígenas não acontecerá em breve, ficamos a mercê da Rússia. Outras que poderíamos ser exportadores seria carne e leite, mas com a pobre tecnologia e decisões erradas dos agricultores e pecuaristas, não seremos em curto prazo, outros países conseguem fazer mais com menos, enquanto nós com mais fazemos menos. O rendimento do nosso gado bovino é de 3 a 10 vezes menor que a Alemanha, mesmo essa tendo poucas terras em relação ao Brasil.
    Essa é a diferença do Brasil para o resto dos países de primeiro mundo.
  • Renan Merlin  05/08/2016 18:50
    Em alguns paises jogadores POKEMON GO foi alvo de assaltos ou motoristas causaram "acidentes" caso isso venha ocorrer no Brasil teremos burocratas "preocupados" com o bem "coletivo" sugerindo.
    1)REGULAMENTAÇÃO
    2)TRIBUTAÇÃO
    3)CRIMINALIZAÇÃO
    4)ESTATUTO DO DESCELULARMENTO.
  • anônimo  05/08/2016 19:21
    A inovação por parte da Nintendo e da Niantic foi a introdução de pokemons do mundo virtual junto a Realidade Aumentada. Isso tornou inumeras pessoas com vontade de capturar bichinhos fofos, sejam eles conhecedoras ou não de pokemon ou nintendo.
    Esse jogo conseguiu atrair não só pessoas que gostam de Pokemon ou afins, mas pessoas que desconhecem totalmente isso, só querendo acrescentar mais a simples caminha matinhal por exempo
  • Consciente  05/08/2016 20:11
    O furor causado pelo jogo mostra o quanto as pessoas estão se tornando imbecilizadas e deslumbradas com a quinquilharia tecnologia.
  • anônimo  05/08/2016 22:22
    E o palhaço pra falar isso precisa usar essa mesma tecnologia.
  • Flavio Linhares   05/08/2016 20:15
    Meu primo em pessoa refutou o Piketty. Pobre, vendedor de sapato, decidiu abrir um mercado, encantou os clientes simplesmente dando balinha e atendendo muito bem e hoje tem um patrimônio bem considerável.
  • Saulo Joseph  05/08/2016 21:40
    Pow, mas aí é manobrar o argumento. Pikety não fala que apenas ricos podem gerar riqueza.
  • Ultra intelectual  05/08/2016 21:13
    Oh não!
    Milhões de pessoas estão se divertindo e voluntariamente consumindo entretenimento grátis fornecido por uma empresa privada!

    Rápido! Vamos aproveitar a oportunidade para falar mal do capitalismo e da tecnologia:

    www.dn.pt/mundo/interior/maduro-diz-que-pokemon-go-promove-cultura-de-morte-do-capitalismo-5307842.html
  • Poor man  05/08/2016 21:15
    Este artigo me lembrou do finado orkut.
    Houve uma época em que a rede social orkut, era o site mais famoso do Brasil. E viviam falando, que o Google iria dominar o mundo.

    Sem duvida o Google é ainda uma empresa poderosa, mas ninguém imaginava na época, que iria chegar o Facebook, e simplismente acabar com orkut.
  • Marco Antonio  05/08/2016 21:58
    Excelente ponto de vista o seu Juan, realmente é possível criar riqueza no futuro sem base no passado, vivemos em uma era informacional e "criar riqueza" é muito mais fácil que uns anos atrás, simplesmente porquê basta colocar um idéia em prática quando o caso são apps, e soluções do gênero... Pois em muitas das vezes só é necessário investimento do seu conhecimento, se você o possuiu basta colocar em pratica e ter a rede de contatos certa para isso acontecer. Cria-se a riqueza. Bom são pontos de vista é possível ficar rico do zero, como também é possível pegar sua herança e aplicar muito bem ela se tornando anda mais ricos, muitas pessoas herdeiras da família real, são extremamente ricas até hoje por conta de heranças e taxas que são cobradas para a familia real.
  • Comunista Cambojano  05/08/2016 23:21

    Essa valorização de 33% nas ações da empresa Nintendo após o lançamento do aplicativo de celular (por sinal uma invenção soviética) Pokémon Go só mostra que o capitalismo vive da especulação e de iludir as pessoas. Quem considera normal pessoas se dedicarem a caçar seres inexistentes mundo afora arriscando a própria vida (já houveram acidentes relacionados ao aplicativo, o que indica que uma regulação estatal se faz urgente) enquanto existem outros seres-humanos passando fome e frio graças a desigualdade que o sistema capitalista fomenta através do dinheiro e do preço? Querem maior prova de que o capitalismo aliena e escraviza as pessoas? Essa geração será lembrada como "Escravos do Pikachu".
  • CARLOS LIMA  07/08/2016 13:23
    Prezado comunista cambojano anônimo, comece a resolver o problema da desigualdade pessoalmente, repartindo seus rendimentos, seus bens pessoais, seu patrimônio, tudo que possuir, com todos aqueles que você achar que são necessitados, com todos aqueles que estiverem passando fome e frio. Mas enquanto você cria coragem pra deixar de ser um comunista apenas na teoria e passar a ser um comunista na prática, um comunista de verdade, eu vou lhe dizer uma coisa, de maneira curta e grossa: essa história de querer que todos sejam iguais é uma piada. Cada indivíduo passa a vida inteira tentando ser diferente dos demais. Ninguém quer ser igual a ninguém. Igualdade só pros outros. A esmagadora maioria dos comunistas, por sinal, só quer repartir o que é dos outros com os outros, e ponto final. O que é dele, ele fica. Fica com seus bens, seus rendimentos, seu patrimônio e, por via das dúvidas, fica também morando num país capitalista, logicamente. Just in case... Porque mudar pro Cambodja, por exemplo, isso nem pensar! Que maravilha! Só um cego não percebe que a igualdade é impossível. É impossível porque as pessoas são diferentes, pensam diferentes, as oportunidades são diferentes, e são vistas, e aproveitadas ou não, diferentemente por cada indivíduo. Repito: essa igualdade propalada não existe. E vou mais além: igualdade do jeito que você prega é uma tremenda injustiça. Tanto que aqueles que acham que ela deve existir, espertamente ficam de fora, na hora de se igualarem aos seus coitadinhos. Esse discurso em defesa de quem tem menos é uma afronta à lógica. Quem na verdade produz a desigualdade é o estado, uma organização criminosa que rouba e engana o povo sistematicamente. Só uma mente cauterizada pela fé acredita que o estado pode promover a igualdade entre as pessoas. Temos exemplos e mais exemplos mostrando exatamente o contrário. Quem tem coragem de condenar o Capitalismo deveria também ter coragem de reconhecer o desastre do Comunismo pelo mundo afora. Os exemplos da Venezuela, de Cuba, da Coreia do Norte, não são suficientes? Então, que tal darmos uma olhada no longo caminho percorrido pelas duas Alemanhas, no período que vai do final da Segunda Guerra Mundial até a queda do muro de Berlim? Será que o que aquele povo desejava claramente era alcançar a igualdade, forçada e mentirosa, imposta a ferro e fogo pelos comunistas no lado oriental? Parece que não. O que ficou registrado foram as inúmeras tentativas dos que viviam no lado oriental de passarem pro lado ocidental, em busca da "condenável" desigualdade proporcionada pelo modelo capitalista. Como um comunista de araque vê isso? Como um comunista da boca pra fora vê o fato dos alemães orientais rejeitarem a igualdade comunista e decidirem arriscar a própria vida pulando o muro, apenas para serem desiguais na Alemanha Ocidental, que vivia sob o regime capitalista? Não consigo enxergar coreanos do sul tentando ultrapassar a fronteira entre as duas Coreias pra viverem na igualdade miserável imposta pelo ditador de plantão da Coréia do Norte. Nem nunca vi também gringos arriscando a vida pra viverem em Cuba. Se você tem dificuldades de enxergar como é a vida lá fora, então olhe aqui pra dentro. Veja o que o Capitalismo de compadrio provocou na economia brasileira. Durante anos a fio, criminosos de um partido que inventou que todo mundo poderia ser igual, tomaram o poder e enfiaram goela abaixo da população que adotariam políticas objetivando por um fim às desigualdades. O que fizeram? Do que roubavam do povo, uma migalha era repartida através do "fabuloso" sistema de distribuição de renda que eu denomino de "bolsa vagabundo". O resto, a maior parte do butim, eles transferiram alegremente pras suas contas bancárias. Isso é o que? Capitalismo sério, ou Capitalismo de estado na sua pior forma? Os criminosos tiveram o poder nas mãos, poderiam ter aproveitado a oportunidade pra acabar de vez com a desigualdade, e só fizeram aumentá-la, acentuando ainda mais as diferenças entre as classes. Na opinião de um comunista de mentirinha como você, o que faltou? Tempo? Eles deveriam continuar destruindo a economia por quantos anos mais, até que todos os brasileiros virassem clones? Brincadeira! Uma igualdade dessas eu dispenso. Sinceramente, jamais seremos um país sério enquanto existirem milhões de cidadãos repetindo chavões, tipo esse da luta pra eliminar a desigualdade.
  • Gilson Moura  08/08/2016 20:14
    Eles não conseguem compreender que o socialismo e comunismo é inviável, ficam repetindo chavões que a esquerda adora criar para com o capitalismo, e o mais impressionante é que com a internet como uma ferramente de informação alternativa, eles tem a decência de dizer essas asneiras, com tanta informação para comparar e eles não aprendem. Eu fui um dos mais defendi o socialismo nessa vida, eu acreditava nessa besteira de tudo na igualdade e a promoção do bem estar social e tals. Quando eu mudei de escola e lá conheci um amigo que abriu os meu olhos, e olhando nos sites que ele me recomendava eu certamente vi que o socialismo e comunismo é inviável e vou mais longe, o mais demoníaco dos sistemas até então criado. Quando você faz a comparação entre o capitalismo e socialismo ou comunismo, a diferença é gritante, como esse site afirma, o capitalismo cria riqueza e o socialismo e comunismo destrói. Em muitos debates eu vejo pessoas dizem que o comunismo e socialismo nunca existiu baseado nos estudos de Karl Marx, é uma das maiores besteiras que eu vejo da esquerda, Coreia do Norte e Cuba são comunistas e ainda pessoas defendem essa praga, como o PCB e PCdoB, exaltando a Coreia do Norte, e ainda vem me falar de democracia. Como se ainda não bastasse as besteiras faladas pela esquerda, colocam a desigualdade como culpa do capitalismo ou do "imperialismo" americano, colocam os desastres ambientais como culpa do capitalismo, ambição de poder como culpa do capitalismo, morte dos índios e outras coisas mais.
    1º - A maior parte da pobreza vem da África e Ásia, todos os países com nível de pobreza muito alto são países que tiveram ou ainda tem um governo autoritário baseado nos ideias do marxismo, exemplos: Zimbábue(governo o ditador Robert Mugabe, um dos chefes de estado mais ricos do mundo e a população passando fome), Líbia(ditador Muammar al-Gaddafi ou Kadafi, acredito que apenas essa matéria fala por si só) epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI274925-16418,00-O+HOMEM+MAIS+RICO+DO+MUNDO+ESTA+MORTO+E+MUAMMAR+KADAFI.html, Egito( governava o ditador Hosni Mubarak, outro considerado um dos mais ricos do mundo), Guiné Equatorial(ditador é o TEODORO OBIANG, ele que financiou a Beija-Flor no carnaval e o governo brasileiro perdoou a dívida do país), Sudão(ditador é o Omar Al Bashir, pesquise como ele chegou ao poder e ainda continua no poder) e tem mais. Coloquei alguns países do Africa para não ficar sempre nesse discurso de Coreia do Norte e Cuba, quando meu amigo me alertou sobre tudo isso, eu percebi que o socialismo e comunismo é inviável e o mais triste é pessoas que ainda defende esse horror em pleno século 21.
  • Henrique Zucatelli de Melo  06/08/2016 10:38
    Professor Juan destrói mais uma vez. Esse homem é brilhante. Bem que ele poderia vir aqui para o Brasil fazer um congresso.
  • anonima das sextas  13/08/2016 03:07
    Concordo! Sempre venho comentar aqui o quão pertinentes são as suas críticas. Depois de ler o artigo com toda a calma no meu e-reader, dei um follow para o autor no Twitter.

    É melhor do que ser "ciriguete", garanto. Trabalhei com um "ciriguete" na época da faculdade e a experiência foi bem traumática. Foi um dos responsáveis por minha desesquerdização cerebral!
  • Amonino  06/08/2016 18:25
    Juan Rallo não mencionou que quem estava com os starts e stops bem ajustados ganhou (proporcionalmente) mais que a Nintendo nesse rally de ações. Ou seja, um rentista bem preparado ganhou mais que a empresa que investiu. E olha que esse rentista pode sequer ter percebido que investiu em Nintendo algum momento.
  • Clorofórmico  06/08/2016 21:20
    Quem investe em ações de empresa agora é "rentista"? Essa é nova pra mim.

    Até então, a esquerda se limitava a dizer que "rentista" era quem vivia de juros dos títulos de Tesouro. O próprio Ciro Gomes -- o campeão do uso desse termo -- chama de rentista apenas aqueles que vivem de juros do governo.

    Que acionistas de empresas -- pessoas que realmente podem perder muito dinheiro, ao contrário de quem tem títulos do governo -- também sejam agora chamados de rentistas mostra bem o descenso do nível intelectual, e do desespero, dessa gente.

    Vivendo e aprendendo.

    P.S.: quem investiu na Oi e tomou ferro também é rentista? Mas rentista não é aquele que tem ganhos fáceis e sem risco?

    Quanto desespero o seu. E tudo por causa de um único artigo. Imagine se você conhecer o resto do site.
  • Ali Baba  08/08/2016 11:18
    Olá,

    Excelente artigo, como sempre. No entanto, o autor confunde valorização na bolsa com enriquecimento da empresa. Nesse parágrafo:

    "Se a Nintendo não houvesse investido e criado, junto com a empresa Niantic, o aplicativo Pokémon Go, sua capitalização na bolsa não teria explodido e a empresa não estaria hoje 33% mais rica."

    o autor propaga uma desinformação que eu duvido que ele sustente (espero que tenha usado de uma simplificação para sua argumentação). Nenhum dólar (ou iene) desses 33% de valorização foi para a empresa. Essa valorização das ações foi para os acionistas, que tiveram a sua propriedade sobreavaliada pelo mercado. Se a empresa detiver ações em tesouraria (em geral grandes empresas de capital aberto mantêm uma ninharia de ações em tesouraria), aí podemos falar que a empresa capturou algo dessa valorização... mas na realidade o mercado está supondo um aumento de lucros no futuro, o que faz com que os acionistas tenham uma propriedade potencialmente mais valiosa hoje do que anteriormente ao advento do Pokemon Go. Se isso não se concretizar, o preço das ações cai.

    Então, a empresa não ficou 33% mais rica. Seus acionistas ficaram (desde que consigam vender suas ações a esse preço). O que ocorre é que o mercado espera aumento de lucros futuros e precifica a propriedade que terá um aumento de lucros futuros hoje.
  • Trader  08/08/2016 12:38
    Prezado, ações nada mais são do que fatias de uma empresa. Um acionista é dono de uma fatia da empresa. Se as ações sobem, os proprietários dessa empresa ficam mais ricos. Esse é exatamente o motivo de pessoas comprarem ações: aumentar sua riqueza.

    As ações de uma empresa representam seu patrimônio líquido. Isso é riqueza para as pessoas que são proprietárias dessa empresa

    Você diz que "nenhum dólar (ou iene) desses 33% de valorização foi para a empresa. Essa valorização das ações foi para os acionistas, que tiveram a sua propriedade sobreavaliada pelo mercado".

    Ora, meu caro, isso que você fez foi uma confusão extremamente básica, bastante incorrida pela esquerda. Não existe algo como "empresa ganhar dinheiro". Empresas são objetos inanimados. Elas não ganham dinheiro e nem perdem dinheiro. Pessoas ganham dinheiro, não empresas.

    A valorização das ações da Nintendo -- em decorrência do Pokémon Go -- criou riqueza para os acionistas da empresas (que são as pessoas proprietárias da empresa). A empresa em si, sendo um ente inanimado, obviamente não ganhou dinheiro nenhum. Assim como ela não ganha dinheiro nenhum quando tem lucros e não perde dinheiro nenhum quando tem prejuízos. Pessoas ganham e perdem dinheiro; não empresas.

    Portanto, quando você diz que "essa valorização das ações foi para os acionistas e não para a empresa", você está, ao mesmo tempo, falando uma obviedade e incorrendo em um erro primário de economia. Empresas são propriedade de seus acionistas; são os acionistas (proprietários da empresa) que ganham dinheiro e enriquecem, e não a empresa em si.

    Portanto, se as ações subiram 33%, os acionistas (os proprietários da empresa) ficaram 33% mais ricos. Ponto. Esse é o objetivo de um acionista: enriquecer. As pessoas se tornam proprietárias de empresas justamente para ganhar dinheiro e acumular riqueza. E foi exatamente isso o que aconteceu.

    Sim, toda essa riqueza pode se evaporar amanhã. E foi exatamente isso que o artigo falou.
  • Ali Baba  08/08/2016 16:52
    Independente do que você possa pensar sobre empresas serem entidades que não incorrem em lucros (uma bobagem infinita, mas vamos consentir isso), você não refutou nenhum centímetro do que eu disse: esse dinheiro foi para os acionistas. Se isso se converter em lucro (com venda de anúncios ou seja como for que a Niantic e a Nintendo pretendam monetizar o jogo) para a empresa, é algo a ser apreendido no futuro. Exceto se alguma dessas empresas detenham alguma fatia significativa de ações em tesouraria (algo que eu duvido, mas acerca do que confesso minha ignorância), nenhum centavo desses 33% de valorização foi para o caixa da empresa.
  • Ali Baba  08/08/2016 16:53
    Nem a mais esquerdista das entidades financeiras do mundo, o FMI, vê algo de significativo no "estudo" desse Piketty:

    www.zerohedge.com/news/2016-08-08/imf-studies-piketty%E2%80%99s-work-income-inequality-finds-there-no-empirical-evidence%E2%80%9D-supp
  • Trader  08/08/2016 17:54
    Refutar?! Ora, quem tentou fazer isso foi você, mas escolhendo o alvo errado. Eu apenas gentilmente lhe corrigi. E o faço de novo, agora de maneira ainda mais: a riqueza dos acionistas, que são os proprietários da empresa, aumentou 33%. Ponto.

    A valorização em 33% das ações da Nintendo aumentou a riqueza de seus proprietários em 33%. E foi para a isso que a empresa lançou o Pokémon Go: para gerar mais riqueza para seus acionistas (proprietários). E ela conseguiu.

    Aliás, toda função de se criar uma empresa -- seja uma padaria, seja uma multinacional -- se resume a isso: aumentar a riqueza de seus acionistas (proprietários).

    Acionistas compram ações da Nintendo para quê? Para ganhar dinheiro. E dinheiro é o que eles ganharam. Se você quiser refutar essa afirmação, boa sorte (mas terá de subverter os dados).

    Saudações.
  • Ali Baba  08/08/2016 19:07
    Eu apenas gentilmente lhe corrigi.

    Não. Não corrigiu. Você acabou de escrever: a riqueza dos acionistas, que são os proprietários da empresa, aumentou 33%. Em que isso é diferente do que eu escrevi: Essa valorização das ações foi para os acionistas, que tiveram a sua propriedade sobreavaliada pelo mercado.

    Boa sorte provar que o que eu escrevi é substancialmente diferente do que você escreveu.

    Aliás, toda função de se criar uma empresa -- seja uma padaria, seja uma multinacional -- se resume a isso: aumentar a riqueza de seus acionistas (proprietários).

    Sim. Essa é a função. Isso sempre acontece?

  • Marcos Benevides  08/08/2016 20:27
    Vou me intrometer.

    Ambos estão falando coisas tecnicamente corretas, mas o Ali Babá cometeu um erro contabilmente grave ao dizer o seguinte:

    "o autor propaga uma desinformação que eu duvido que ele sustente (espero que tenha usado de uma simplificação para sua argumentação). Nenhum dólar (ou iene) desses 33% de valorização foi para a empresa. Essa valorização das ações foi para os acionistas, que tiveram a sua propriedade sobreavaliada pelo mercado. "

    Ao dizer que a empresa não enriqueceu porque "nenhum dólar foi para a empresa", o Ali Babá está cometendo a clássica confusão entre fluxo e estoque. Na prática, Ali Babá está dizendo que a empresa só pode enriquecer se estiver entrando dinheiro físico em seu caixa. Ora, isso é uma grande inverdade. Se a empresa teve o seu valor de mercado aumentado -- e é exatamente isso o que representa uma valorização das ações --, então a empresa está sim mais rica.

    Vou ser ainda mais direto: ao se dizer que as ações de uma empresa aumentaram 33%, isso significa que, contabilmente, o patrimônio líquido dessa empresa aumentou 33%. Isso é uma questão de balancetes e contabilidade básica. Não é algo que está aberto a opiniões, a interpretações distintas ou a ideologias. É regra contábil pura.

    De novo: se as ações de uma empresa sobem 33%, então o patrimônio líquido dessa empresa subiu 33%. A empresa -- e vamos aqui nos concentrar apenas na entidade inanimada -- está sim mais rica.

    Mais: se os acionistas são os donos da empresa, e se eles estão agora mais ricos porque as ações da empresa subiram, então, por definição lógica e contábil, isso só aconteceu porque a empresa ficou mais rica. Seria contabilmente impossível acionistas ficarem ricos por causa do aumento das ações da empresa e, ao mesmo tempo, a empresa ter ficado na mesma. A conta não fecharia. Os acionistas só enriqueceram porque o capital da empresa se valorizou. Isso, de novo, é contabilidade pura.

    E vale um adendo: com um capital 33% maior, os proprietários e gerentes dessa empresa terão agora muito mais facilidades para, por exemplo, obter crédito e fazer investimentos que aumentem sua produtividade. Igualmente, com um capital 33% maior, a avaliação dessa empresa melhora. As agências de classificação de risco podem agora melhorar seu rating, trazendo junto todas as consequências positivas. Tudo isso é consequência da maior riqueza da empresa.

    Dizer que valorização de ações não traz nada de positivo para a Pessoa Jurídica, não representando mais riqueza para ela, é uma grave incorreção técnica, contábil e prática.

    Paz a todos.
  • Ali Baba  09/08/2016 04:20
    Vou ser ainda mais direto: ao se dizer que as ações de uma empresa aumentaram 33%, isso significa que, contabilmente, o patrimônio líquido dessa empresa aumentou 33%.

    Direto sim... Diretamente equivocado. Contabilidade do tipo criativa essa sua.

    Não acredito que estou tendo essa discussão em um site como o IMB. As pessoas costumavam pesquisar um pouco antes de postar aqui, sabe? Uma busca rápida no Google trouxe esse link bem interessante: www.sabe.com.br/valor-de-mercado-x-patrimonio-liquido/

    O patrimônio líquido da empresa não se moveu um centímetro com essa valorização (a menos que ela detenha ações em tesouraria). O que mudou foi o valor de mercado da empresa, o que somente se refere às novas expectativas do mercado sobre possíveis ganhos com o novo jogo. Se esses ganhos de fato representarem lucros, veremos o patrimônio líquido da empresa subir ao longo dos próximos trimestres (ou não... pode ser que ela distribua esses novos lucros, ou gaste em bônus para executivos, etc). Aí saberemos se o mercado estava certo em precificar a empresa como está fazendo.

    Trader e Marcos Benevides estão bastante equivocados em suas premissas de "contabilidade básica". Essa valorização sequer serve para, como quer o último, melhorar o perfil de crédito da empresa. Credores, em geral, exigem garantias reais, lastreadas em patrimônio. Vapor não paga dívidas...

    Que o autor original tenha se utilizado de uma simplificação (como acredito ser o caso), é perfeitamente desculpável e não compromete o argumento central do texto. Agora que comentaristas não se dêem ao trabalho de pesquisar... Por favor... Estamos no IMB. O nível aqui tende a ser diferente.

    "Clássica confusão de fluxo e estoque"... My ass.
  • Trader  09/08/2016 12:08
    O Marcos Benevides até tentou ajudar, mas só atrapalhou. Ele utilizou os termos errados.

    Se ele ao menos houvesse dito que o valor de mercado de uma empresa (valor de suas ações) é como os investidores avaliam o patrimônio líquido atual da empresa, aí ele estaria certo. E estaria certo também se dissesse que, quando as ações disparam, isso significa que os investidores melhoraram sua avaliação do patrimônio líquido atual da empresa.

    Agora, eu mantenho tudo o que eu disse: a valorização das ações representa aumento de riqueza para os acionistas da empresa. E os acionistas da empresa são os proprietários da empresa. E eles são donos da empresa porque esperam ganhar dinheiro (auferir riqueza) com ela.

    Logo, ao dispararem (em decorrência do Pokemon Go), os donos da Nintendo ficaram mais ricos.

    A valorização das ações da empresa fez justamente isso: trouxe mais riqueza para os proprietários da empresa. E é essa a função de uma empresa: gerar dinheiro para seus proprietários.
  • Falcão  09/08/2016 11:29
    Eu não entendo muito disso, mas dei uma pesquisada na internet e acho que vocês estão errados e o Ali Baba está correto. Vou tentar colocar o que entendi aqui, respondendo aos pontos do Marcos Benevides, muito embora acredite que o site dispõe de economistas muito melhores do que esse palpiteiro aqui. Adoraria ler o que o Leandro Roque tem a dizer sobre essa discussão. Vamos lá:

    Quando Ali Babá escreve:
    "o autor propaga uma desinformação que eu duvido que ele sustente (espero que tenha usado de uma simplificação para sua argumentação). Nenhum dólar (ou iene) desses 33% de valorização foi para a empresa. Essa valorização das ações foi para os acionistas, que tiveram a sua propriedade sobreavaliada pelo mercado. "

    ao contrário do que Marcos Benevides diz, ele está correto. A empresa só vê algum dinheiro através da venda primária de suas ações. Ou seja, dinheiro referente ao preço das ações só entra para a empresa em sua Oferta Pública Inicial, ou se a mesma criar mais ações e fizer uma capitalização, aumentando o número de ações no mercado. O Ali Babá ainda teve o cuidado de ressalvar o caso em que a empresa mantém ações em tesouraria. Isso por que se ela decidir vender essas ações no novo preço do mercado, certamente aumentará seu patrimônio, ou ficará mais rica.

    A confusão é perfeitamente compreensível e tem um artigo na investopedia que resume bem: www.investopedia.com/articles/investing/110613/market-value-versus-book-value.asp . Trata-se da diferença entre "Valor de Mercado" e "Valor Patrimonial" (em inglês, Market Value e Book Value). Mas nesse ponto, Trader e Marcos Benevides estão errados.

    Quando Marcos Benevides escreve "Ao dizer que a empresa não enriqueceu porque "nenhum dólar foi para a empresa", o Ali Babá está cometendo a clássica confusão entre fluxo e estoque. Na prática, Ali Babá está dizendo que a empresa só pode enriquecer se estiver entrando dinheiro físico em seu caixa. Ora, isso é uma grande inverdade. Se a empresa teve o seu valor de mercado aumentado -- e é exatamente isso o que representa uma valorização das ações --, então a empresa está sim mais rica."

    ele deixa claro essa confusão. Ali Babá está mais uma vez correto. A empresa não recebe nenhum dinheiro proveniente do aumento do seu valor de mercado, a menos que faça uma nova oferta de ações no mercado. O que normalmente chamamos de "bolsa de valores" é o local onde ocorre a negociação secundária das ações. Os investidores e/ou acionistas da empresa podem escolher realizar esse lucro e "colocar a valorização no bolso", ou podem confiar que a valorização é um fenômeno de longo prazo e manter o papel na carteira. Os acionistas sim podem ficar mais ricos. A empresa, por outro lado, tem uma percepção de aumento de patrimônio e/ou de lucros no futuro, mas ela só ficará "mais rica", como quer Marcos Benevides, se isso se concretizar. O mercado secundário antecipa as coisas e até serve como um bom indicativo: olha, essa empresa vai aumentar seus lucros. Mas isso só vira patrimônio a posteriori, quando de fato as receitas antecipadas pelo mercado das vendas relacionadas ao novo jogo se transformarem em lucro.

    Quando Marcos Benevides escreve: "Vou ser ainda mais direto: ao se dizer que as ações de uma empresa aumentaram 33%, isso significa que, contabilmente, o patrimônio líquido dessa empresa aumentou 33%. Isso é uma questão de balancetes e contabilidade básica. Não é algo que está aberto a opiniões, a interpretações distintas ou a ideologias. É regra contábil pura."

    ele comete um erro muito grave. A contabilidade lida com balancetes, com ativos e passivos. O preço de uma ação, ainda que reflita a expectativa do mercado acerca desses ativos e passivos (no caso da Nintendo, o aumento do preço reflete uma expectativa de aumento de receitas provenientes do novo ativo "Pokemon Go"), não depende dessas variáveis. O preço de uma ação é determinado pela oferta e procura por esse papel no mercado secundário (AKA Bolsa de Valores). Contabilmente, até se pode estimar o valor desse novo ativo, mas na regra estrita isso não seria contabilizado e mereceria uma nota de rodapé no balanço. Novamente há uma confusão entre "Valor de Mercado" e "Valor Patrimonial".

    Quando Marcos Benevides escreve: "De novo: se as ações de uma empresa sobem 33%, então o patrimônio líquido dessa empresa subiu 33%. A empresa -- e vamos aqui nos concentrar apenas na entidade inanimada -- está sim mais rica."

    ele reafirma esse erro, mostrando mais uma vez essa confusão. Se o preço das ações de uma empresa sobem 33%, seu patrimônio líquido não se altera. Ele pode se alterar no futuro, para um percentual maior, menor ou igual aos 33% no caso, mas dependendo de outras diversas variáveis. Ao fazer a contabilidade de uma empresa, o preço de suas ações no mercado secundário é irrelevante.

    Quando Marcos Benevides escreve: "Mais: se os acionistas são os donos da empresa, e se eles estão agora mais ricos porque as ações da empresa subiram, então, por definição lógica e contábil, isso só aconteceu porque a empresa ficou mais rica."

    ele até começa bem. De fato os acionistas que escolherem realizar esse lucro ficaram mais ricos. Os que decidirem manter o investimento podem ficar mais ricos ou mais pobres no futuro, a depender da confirmação dessas expectativas, mas não há nenhuma garantia. Aí ele descamba para uma "definição lógica e contábil" que não tem nenhum amparo na realidade. Há uma percepção que a empresa auferirá maiores lucros com o Pokemon Go e isso pode torná-la mais rica, mas isso não acontecerá por causa dos preços de suas ações, e sim a despeito deles.

    Quando Marcos Benevides escreve: "Seria contabilmente impossível acionistas ficarem ricos por causa do aumento das ações da empresa e, ao mesmo tempo, a empresa ter ficado na mesma. A conta não fecharia. Os acionistas só enriqueceram porque o capital da empresa se valorizou. Isso, de novo, é contabilidade pura."

    ele confessa toda sua ignorância do mercado de ações. Tomemos por exemplo a Telebrás, cujas ações preferenciais (TELB4) eram negociadas a R$ 0,57 no dia 8/01/2016 e no dia 12/01/2016 eram negociadas a R$ 3,47, uma alta de 510% que ocorreu por causa de uma especulação acerca de uma fusão que acabou não se concretizando (veja aqui: www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/01/1728677-possibilidade-de-fusao-faz-acoes-da-telebras-dispararem.shtml). Sabe quanto desses 510% foi para a empresa? Adivinhou: NADA, NIENTE, ZIP, ZERO.

    Se a contabilidade proposta por Trader e Marcos Benevides fosse algo concreto, que maravilha seria o mundo...

    Quando Marcos Benevides escreve: "com um capital 33% maior, os proprietários e gerentes dessa empresa terão agora muito mais facilidades para, por exemplo, obter crédito e fazer investimentos que aumentem sua produtividade. Igualmente, com um capital 33% maior, a avaliação dessa empresa melhora. As agências de classificação de risco podem agora melhorar seu rating, trazendo junto todas as consequências positivas. Tudo isso é consequência da maior riqueza da empresa."

    ele está parcialmente correto. Em geral, para conceder crédito a uma empresa, uma instituição utiliza alguma ferramenta de valuation como o fluxo de caixa descontado ou o WACC. Embora o WACC utilize o preço da ação, é apenas um dos fatores. Em geral o WACC é instrumento mais fidedigno para empresas do ramo financeiro do que para empresas que produzem bens de consumo, mas ainda assim, pode ser utilizado para conceder crédito. O que ocorre "no varejo" no entanto, é uma avaliação do patrimônio líquido e, no caso de pequenas empresas, uma avaliação do histórico de pagamentos com o próprio banco para a concessão de crédito. Para isso, o preço da ação tem zero ou nenhuma influência.

    Já quanto à classificação de risco, Marcos Benevides está bastante incorreto, ainda que não totalmente. Uma agência em geral se preocupa com a trajetória da dívida e com os antecedentes de pagamento de uma empresa para emitir uma classificação. O preço da ação em parte reflete isso, mas é consequência, e não causa.

    Quando Marcos Benevides escreve: "Dizer que valorização de ações não traz nada de positivo para a Pessoa Jurídica, não representando mais riqueza para ela, é uma grave incorreção técnica, contábil e prática."

    ele está bastante equivocado. Não vi onde Ali Babá escreveu que "valorização de ações não traz nada de positivo para a Pessoa Jurídica"; ele escreveu, isso sim, que o aumento do preço das ações não levou nenhum dólar (ou iene) para o cofre da empresa, o que - como vimos - está absolutamente correto. Tirando isso, obviamente um aumento no preço das ações de uma empresa é, sim, positivo para a empresa pq representa o quanto o mercado valoriza aquela empresa. Empresas de capital aberto publicam seus balancetes e fatos relevantes e, se o preço de suas ações está subindo é pq os agentes de mercado que leram essas informações acham elas saudáveis; o percentual em que os preços estão subindo indicam o quão saudáveis esses agentes acreditam que essas informações estão. Obviamente estou excluindo as especulações de curto prazo e estou falando em uma média de mercado. Idiossincrasias ocorrem.

    Eu seu que ficou longo, mas espero que tenha sido informativo.
  • Leandro  09/08/2016 12:17
    O Ali Baba está certo em suas colocações técnicas. Também não há nada de errado com o que o Trader disse (este, inclusive, ressaltou o ponto essencial: a valorização das ações aumentou a riqueza dos proprietários da Nintendo, e esse é exatamente o objetivo de uma empresa).

    Já o Marcos Benevides, como apontado, foi precipitado.
  • Falcao  09/08/2016 12:56
    Mas Leandro, Trader e Ali Babá não podem estar corretos ao mesmo tempo... Um defende que empresas não podem enriquecer e sim as pessoas e que, de alguma forma, os 33% de incremento no valor das ações da Nintendo representam 33% de aumento do patrimônio líquido da mesma; outro defende precisamente o oposto: que empresas enriquecem e que o aumento do preço das ações não significa aumento do patrimônio líquido da empresa.

    Ambos concordam, entretanto, que os acionistas da empresa ficaram mais ricos.

    Mais do que isso, queria saber sua opinião sobre o que o Prof. Juan Jamón Rallo escreveu sobre a empresa ter ficado 33% mais rica, que foi o estopim da controvérsia, IMHO. Acredito, como o Ali Babá, que ele usou de uma simplificação que não compromete as conclusões do texto, mas que fundamentalmente essa afirmação está errada.
  • Leandro  09/08/2016 15:09
    Pelo que entendi (li rápido os comentários, pois tenho outros afazeres), ambos estão falando a mesma coisa: a valorização das ações da empresa representa enriquecimento para os acionistas, que são os proprietários da empresa.

    E, se as ações da empresa se valorizaram, então, por definição, o valor de mercado da empresa aumentou. Nada de controverso nisso.

    Quais as consequências práticas disso para a empresa (principalmente para o seu futuro)? Diria que muito boas.

    Quanto ao Rallo, não vejo erro no que foi dito. A valorização da empresa enriqueceu seus proprietários. E esse é, como foi corretamente dito acima, o objetivo de se ter uma empresa: enriquecer por meio dela. E isso foi exatamente o que aconteceu com a Nintendo, cujos proprietários ficaram mais ricos em decorrência do Pokémon Go.

    Todo o cerne do artigo se resume a isso: os proprietários da Nintendo (não existe empresa sem proprietários) enriqueceram em decorrência de uma inovação que satisfez o mercado. E esse foi o objetivo da inovação: trazer riqueza para quem a criou.

    Sinceramente, não veja motivo nenhum para controvérsia a respeito disso. Dizer que os proprietários da empresa enriqueceram é o mesmo que dizer, ainda que indiretamente, que a empresa enriqueceu. Não há empresa sem proprietários. Não há como proprietários enriquecerem (legalmente) sem a empresa estar bem.
  • Ali Baba  09/08/2016 20:47
    Bom... obrigado ao Falcão e ao Leandro por ajudar a esclarecer o ponto. Continuo sem concordar com a ideia de que a medida da riqueza da empresa seja seu valor de mercado (em contraposição a seus lucros e patrimônio líquido) e com a noção de que empresas não enriquecem, mas os indivíduos que são seus acionistas (poderia usar o exemplo do Falcão, a Telebrás, como exemplo negativo, mas vamos pensar na Berkshire Hathaway como exemplo positivo). Mas concordo com o Leandro que é irrelevante para o ponto que o autor original quer provar, tratando-se, como escrevi no primeiro comentário, de uma simplificação. Qualquer continuidade dessa discussão não vai servir para trazer luz ao assunto... meus pontos são os que escrevi acima.
  • Paulo Bezerra  09/08/2016 22:53
    Gostaria de expor uma dúvida:

    Quando o livro diz que "dado que os poupadores são capazes de reinvestir obtendo taxas de retorno superiores ao crescimento econômico, os capitalistas serão cada vez mais ricos em relação aos trabalhadores", não há uma fundo de verdade? Por exemplo, se temos um Tesouro Direto que paga seis por cento acima da inflação na taxa de juros de longo prazo, não seria bem acima do crescimento econômico médio de 2 a 3 por cento do Brasil? E, desta forma, grandes investidores de renda fixa não seriam beneficiados por estas taxas, concentrando renda, já que o crescimento econômico não seria tanto?

    Poderíamos argumentar que isto seria uma distorção gerada pelo próprio governo, o que é verdade. Mas isto não seria uma confirmação da tese de Picketty, quando afirma que a concentração de renda só tende a aumentar?

    Agradeço se puderem me responder, para meu próprio aprendizado (não sou economista).
  • João Carlos  10/08/2016 00:40
    "Por exemplo, se temos um Tesouro Direto que paga seis por cento acima da inflação na taxa de juros de longo prazo, não seria bem acima do crescimento econômico médio de 2 a 3 por cento do Brasil?"

    Em primeiro lugar, os juros no mundo desenvolvido estão em zero. Aliás, em vários casos, são negativos. E estão assim desde 2008. E foi nesse período que, segundo Piketty, a desigualdade mais aumentou. Logo, esse argumento se esfacela.

    Em segundo lugar, antes de Dilma, o Brasil crescia entre 4 e 7% ao ano, uma cifra condizente com países ainda em desenvolvimento. Logo, crescimento médio de 2 a 3% é algo tristemente recente.

    Terceiro, como disse o leitor Paulo acima, "a riqueza só cresce "automaticamente" ao se comprar títulos públicos de países altamente endividados, que pagam juros muito maiores que o crescimento da economia. E essas dívidas sempre decorrem da aplicação de políticas sócio-econômicas defendidas pelo próprio Piketty."

    "Poderíamos argumentar que isto seria uma distorção gerada pelo próprio governo, o que é verdade."

    Perfeito.

    "Mas isto não seria uma confirmação da tese de Picketty, quando afirma que a concentração de renda só tende a aumentar?"

    E qual a solução que Piketty sugere? Mais gastos do governo e mais programas sociais, exatamente o que eleva a dívida dos governos e gera esses juros que fazem a "alegria dos rentistas".

    Ou seja, o sujeito critica as conseqüências nefastas de uma determinada política e, em seguida, sugere exatamente as mesmas políticas que geraram essas conseqüências nefastas.

    O sujeito é uma contradição ambulante.
  • Giovana Depicoli  10/08/2016 16:14
    Daí fica a minha dúvida, alguns libertários acreditam que não existe propriedade intelectual, e se uma marca que não fosse a Nintendo lançasse o Pokémon Go, não foram eles que fizeram milhões de pessoas amarem o desenho e serem eternos fãs, eles teriam roubado personagens. Por favor, algum libertário poderia me dar bons argumentos para a propriedade intelectual não ser uma propriedade? Essa é uma das únicas partes que eu não concordo com o libertarianismo.
  • Hans  10/08/2016 16:22
    A ideia de direitos de propriedade intelectual não apenas é errada e confusa, como também é muito perigosa. Ideias — receitas, fórmulas, declarações, argumentações, algoritmos, teoremas, melodias, padrões, ritmos, imagens etc. — certamente são bens (na medida em que são bons e úteis), mas não são bens escassos.

    Tão logo as ideias são formuladas e enunciadas, elas se tornam bens não-escassos, inexauríveis.

    Suponha que eu assobie uma melodia ou escreva um poema, e você ouça a melodia ou leia o poema e, ato contínuo, os reproduza ou copie. Ao fazer isso, você não expropriou absolutamente nada de mim. Eu posso assobiar e escrever como antes. Com efeito, o mundo todo pode copiar de mim e, ainda assim, nada me foi tomado. (Se eu não quiser que ninguém copie minhas ideias, tudo que eu tenho de fazer é mantê-las par mim mesmo, sem jamais expressá-las.)

    Agora, imagine que eu realmente possua um direito de propriedade sobre minha melodia de tal modo que eu possa proibir você de copiá-la ou até mesmo exigir um royalty de você caso o faça. Primeiro: isso não implica, por sua vez, que eu também tenha de pagar royalties para a pessoa (ou para seus herdeiros) que inventou o assobio e a escrita? Mais ainda: para a pessoa (ou seus herdeiros) que inventou a linguagem e a criação de sons? Quão absurdo é isso?

    Segundo: ao impedir que você assobie minha melodia ou recite meu poema, ou ao obrigá-lo a pagar caso faça isso, estou na realidade me transformando em seu proprietário (parcial): proprietário parcial de seu corpo, de suas cordas vocais, de seu papel, de seu lápis etc. porque você não utilizou nada exceto a sua própria propriedade quando me copiou. Se você não mais pode me copiar, então isso significa que eu, o dono da propriedade intelectual, expropriei de você a sua "real" propriedade.

    Donde se conclui: direitos de propriedade intelectual e direitos de propriedade real são incompatíveis, e a defesa da propriedade intelectual deve ser vista como um dos mais perigosos ataques à ideia de propriedade "real" (sobre bens escassos).

    Propriedade intelectual é, na prática, um monopólio sobre bens não-escassos garantido pelo estado.
  • Taxidermista  10/08/2016 17:11
    Cara Giovana, aqui vc tem o que precisa:

    mises.org/library/against-intellectual-property-0


    Aqui um resumo:

    mises.org/library/case-against-ip-concise-guide


    E esse artigo aqui também vale a leitura:

    mises.org/library/goods-scarce-and-nonscarce


    Abço.
  • Emerson Luis  16/09/2016 20:54

    Picketty entregou aos seus consumidores aquilo que estes queriam, gerando valor para eles e sendo recompensado.

    Apenas a primeira edição no Brasil vendeu 50.000 unidades.

    O preço médio hoje é de R$47,20.

    50.000 x 47,2 = R$2.360.000,00.

    Se Picketty recebeu apenas 10% disso, ele faturou R$236.000,00 apenas com a primeira edição no Brasil.

    Escrever e falar contra o capitalismo pode ser muito lucrativo, desde que você viva em um país capitalista.

    * * *


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