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A busca pelo lucro é uma benção para a humanidade - mas há uma ocasião em que a crítica é aceitável

O que é o lucro?  E por que ele é tão importante para todos, não só para empreendedores e comerciantes?

Comecemos pelo básico: quando você gasta $ 300 em um par de sapatos, o proprietário da loja fica com esses $ 300 integralmente para ele?

A resposta óbvia é não.

Esse comerciante tem de pagar por todos os custos do seu empreendimento: os salários e os encargos sociais e trabalhistas de seus empregados, o aluguel da loja, seus fornecedores, seus estoques, o frete da transportadora que traz seus produtos, que todos os impostos, a faxineira, a conta de luz, a conta de telefone, aluguel das máquinas de cartão de crédito e de débito etc.  Aquilo que sobrar depois de tudo isso é o seu lucro.

O lucro seria a remuneração pelo tempo e pelo dinheiro que ele gastou, bem como o risco em que incorreu, para manter seu empreendimento funcionando.

Desnecessário enfatizar que, se ele não tivesse lucros, não haveria como ele reinvestir na empresa: não haveria como ele expandir seus negócios, contratar mais pessoas, ofertar mais bens no mercado, ou mesmo conceder aumentos salariais aos seus funcionários.  Não houvesse lucros, nenhum novo emprego assalariado seria criado.

Como surge o lucro

A definição dada acima sobre o lucro foi intencionalmente simplista.  Em termos puramente econômicos, a definição de lucro é mais sofisticada.  Economistas veem o lucro de uma maneira mais profunda. 

O que possibilita o surgimento do lucro é a ação empreendedorial em um ambiente de incerteza.  Um empreendedor, por natureza, tem de estar sempre estimando quais serão os preços futuros dos bens e serviços por ele produzidos.  Ao estimar os preços futuros, ele irá analisar os preços atuais dos fatores de produção necessários para produzir estes bens e serviços futuros.  Caso ele avalie que os preços dos fatores de produção estão baixos em relação aos possíveis preços futuros de seus bens e serviços produzidos, ele irá adquirir estes fatores de produção.  Caso sua estimação se revele correta, ele auferirá lucros.

Portanto, o que permite o surgimento do lucro é o fato de que aquele empreendedor que estima quais serão os preços futuros de alguns bens e serviços de maneira mais acurada que seus concorrentes irá comprar fatores de produção a preços que, do ponto de vista do estado futuro do mercado, estão hoje muito baixos. 

Consequentemente, os custos totais de produção — incluindo os juros pagos sobre o capital investido — serão menores que a receita total que o empreendedor irá receber pelo seu produto final.  Esta diferença é o lucro empreendedorial.

Por outro lado, o empreendedor que estimar erroneamente os preços futuros dos bens e serviços irá comprar fatores de produção a preços que, do ponto de vista do estado futuro do mercado, estão hoje muito altos.  Seu custo total de produção excederá a receita total que ele irá receber pelo seu produto final.  Esta diferença é o prejuízo empreendedorial.

Assim, lucros e prejuízos são gerados pelo sucesso ou pelo fracasso de se ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores.

Lucros e prejuízos são fenômenos que só existem constantemente porque a economia está sempre em contínua mudança, o que faz com que recorrentemente surjam novas discrepâncias entre os preços dos fatores de produção e os preços dos bens e produtos por eles produzidos, e consequentemente haja a necessidade de novos ajustes.

Ao contrário do que pensava Marx, o capital não "gera lucro".  O capital empregado, por si só, não garante lucro nenhum. Bens de capital são objetos sem vida que, por si sós, não realizam nada.  Se eles forem utilizados de acordo com uma boa ideia, haverá lucros.  Se eles forem utilizados de acordo com uma ideia equivocada, haverá prejuízos ou, na melhor das hipóteses, não haverá lucros. 

É a decisão empreendedorial o que cria tanto lucros quanto prejuízos.  É dos atos mentais, da mente do empreendedor, que os lucros se originam, essencialmente.  O lucro é um produto da mente, do sucesso de se saber antecipar o estado futuro do mercado.  É um fenômeno espiritual e intelectual.

Um empreendimento sem lucros é socialmente destrutivo

Imagine que você adquiriu um material que, em seu estado bruto e inalterado, vale $100.  Ato contínuo, você altera essa matéria-prima, adiciona sua criatividade e sua mão-de-obra, e gera um produto final que as pessoas irão voluntariamente querer adquirir por $150.  Você gerou valor para a sociedade.  Você acrescentou valor para a sociedade e auferiu um lucro por causa disso. 

Agora, imagine que você adquire esse mesmo material, que em seu estado bruto e inalterado vale $100, altera-o à sua maneira e gera um produto final valorado em apenas $50 pelas pessoas.  Você não apenas não auferiu lucro nenhum, como na realidade subtraiu riqueza da sociedade.  A sociedade ficou mais pobre por sua causa. Como isso pode ser considerado algo virtuoso? 

É exatamente por isso que empresas que geram prejuízos são deletérias para uma sociedade.  Elas consomem recursos e não entregam valor.  Elas, na prática, subtraem valor da sociedade.  Uma empresa que opera com prejuízo é uma máquina de destruição de riqueza. 

Adicionalmente, condenar qualquer lucro como sendo 'excessivo' pode levar a situações tão absurdas quanto aplaudir uma empresa que, outrora muito lucrativa, passou a desperdiçar capital e a produzir ineficientemente a custos mais altos. Esta redução na eficiência e, consequentemente, nos lucros logrou apenas fazer com que os cidadãos fossem privados de todas as vantagens que poderiam usufruir caso os bens de capital desperdiçados por esta empresa fossem disponibilizados para a produção de outros produtos.

Os lucros são uma bênção

Os lucros são uma bênção para a humanidade.  Os lucros motivam as pessoas a trabalharem mais, a serem mais criativas, a mais bem servirem seus clientes, e a realmente se preocuparem com o bem-estar destes.

Sem o incentivo dos lucros, por que alguém iria querer se arriscar, gastar sua poupança ou se endividar, trabalhar arduamente horas a fio, e enfrentar todas as incertezas do mercado apenas para fornecer um bem ou serviço às pessoas?  Ninguém faria isso.

Pense em um pecuarista interiorano que enfrenta condições inclementes de temperatura para alimentar seu gado, mantê-lo protegido e bem cuidado, fazendo enormes sacrifícios pessoais apenas para que as pessoas da cidade grande possam se sentar confortavelmente em um restaurante e comer uma suculenta picanha.

Por que o pecuarista se presta a isso?  Será que é porque ele ama aqueles metropolitanos que ele nunca viu na vida?  Óbvio que não.  O pecuarista faz todo esse esforço porque ele quer ter mais recursos para si próprio e para sua família.  Ele quer aumentar seu padrão de vida.  Ele, em suma, quer lucros.

Igualmente, você pode ir a um supermercado a qualquer dia da semana à procura de carne e você encontrará.  Se você quer batatas, também encontrará.  Ovos, açúcar, sal, morangos, laranjas, bananas, pasta de amendoim — tudo estará nas prateleiras.  Esse é um conforto que todos nós já consideramos como corriqueiro, uma comodidade que consideramos um fato consumado e garantido.  E, ainda assim, deveríamos nos maravilhar com isso. 

Cada um desses itens está nas prateleiras graças a uma coisa: a busca pelo lucro.

O mesmo é válido para o aparelho em que você está lendo este artigo — seja um computador, um notebook, um smartphone ou um tablet.  E o mesmo também é válido para todos os componentes que formam esses aparelhos. 

Com efeito, apenas olhe ao seu redor, neste local em que você está agora.  Se você está dentro de um imóvel, observe o mobiliário à sua volta, o próprio edifício em que você está, o computador (ou o tablet ou o smartphone) que você está utilizando, a internet que está lhe permitindo acesso ao mundo, as roupas que você está utilizando.  Você realmente acredita que todos esses itens surgiram e estão à sua disposição porque alguém queria perder dinheiro (ou aceitou trabalhar em troca de nada) apenas para tornar a sua vida mais confortável?  Perdoe-me a sinceridade, mas você não é tão importante assim para o resto do mundo.

Tudo isso só existe e está à sua disposição porque alguém imaginou que poderia lucrar ao inventar todas essas coisas.  As pessoas que produziram essas coisas não acordaram cedo, trabalharam diuturnamente e se sacrificaram apenas por algum impulso caritativo.  Elas fizeram isso porque queriam melhorar a vida delas próprias.  E, para melhorar a vida delas próprias, elas buscaram o lucro.  E, ao buscarem o lucro, elas melhoraram a sua vida e a vida da sua família.

Acabe com o lucro e tudo deixará de ser produzido.

Quando o lucro realmente pode ser condenado

Quando uma determinada empresa surge no mercado com um produto novo ou altamente aprimorado, satisfazendo desejos e demandas dos consumidores, os lucros que ela passa a auferir com esse produto podem, à primeira vista, parecer enormes.  Só que, quanto maiores forem esses lucros, mais eles atrairão novos concorrentes, os quais aumentarão a oferta desse produto.  Ato contínuo, a maior oferta fará com que os altos lucros da empresa se evaporem. 

Olhando em retrospecto, torna-se evidente que os altos lucros funcionaram como um sinal enviado aos outros produtores: "Ei, olhem para cá!  As pessoas realmente querem esse produto; querem mais desse produto!".

E é exatamente para evitar o surgimento dessa concorrência — a qual reduz os lucros — que várias empresas já estabelecidas recorrem ao governo para que este restrinja o mercado e impeça o surgimento de novos concorrentes por meio de burocracias e regulamentações onerosas. 

É daí que surge o capitalismo de estado ou o capitalismo de compadrio, em que o governo fornece subsídios e privilégios especiais para as empresas já existentes ao mesmo tempo em que impõem regulamentações e burocracias que inviabilizam o surgimento de concorrentes. 

Um exemplo clássico dessa ação estatal em prol de empresas já estabelecidas e contra o surgimento de concorrentes pode ser visto na criação de agências reguladoras.  E também quando o governo concede subsídios ou empréstimos subsidiados para determinadas empresas.  Ou quando ele simplesmente impõe tarifas de importação para impedir que produtos estrangeiros entrem no mercado nacional e concorram com as empresas já estabelecidas no país.

Ter o governo ao seu lado — por meio de regulamentações especiais, protecionismo, subsídios — significa que uma empresa pode ser muito menos dedicada aos desejos dos consumidores.  O governo poderá mantê-la operante mesmo que isso vá contra a vontade dos consumidores. 

Os lucros auferidos desta maneira podem, e devem, ser condenados. 

Curiosamente, este arranjo protecionista e intervencionista — que garante altos lucros para as empresas protegidas — é exatamente aquele defendido pela esquerda, que ao mesmo tempo condena os lucros.  Não dá para entender.

Conclusão

A hostilidade direcionada ao lucro, seja ela motivada ou pela inveja ou pela ignorância ou pela demagogia, é irracional.  Ela só é aceitável quando uma determinada empresa aufere seus lucros em decorrência de suas conexões políticas com o governo — que garante a ela subsídios, ou que a protege da concorrência externa via tarifas protecionistas, ou que impede o surgimento de concorrentes via agências reguladoras.

Fora isso, em um mercado livre, lucros representam muito mais do que a saúde financeira de uma empresa: eles indicam que a empresa está utilizando recursos escassos de maneira sensata e está satisfazendo os desejos dos consumidores; indicam que a empresa está genuinamente criando valor para a sociedade e está aprimorando a qualidade de vida e o progresso.

Lucro é aquilo que todos nós buscamos quando, ao tentar melhorar nosso bem-estar, acabamos por melhorar o bem-estar de terceiros por meio de transações comerciais pacíficas e voluntárias.

Lucro não é evidência de comportamento suspeito.  Comportamento suspeito, isso sim, é fazer acusações infundadas contra o lucro.

Atualmente, há no mundo um regime voltado exclusivamente para se certificar de que nenhum indivíduo esteja auferindo qualquer tipo de lucro: a Coreia do Norte marxista.  Como consequência, não há nem sequer luz elétrica para a sua população.

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Ludwig von Mises, líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".

Lawrence W. Reed, presidente da Foundation for Economic Education

Walter Williams, professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros.  Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.



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Diversos Autores

  • Analista de Bage  03/08/2016 15:47
    Tchê! Meu MUITO OBRIGADO a todos empreendedores deste Brasil por colocarem seu capital em risco para nos fornecer produtos e serviços! Tomara que sempre exista um ambiente mínimo para a ocorrência de lucros de forma que a sociedade possa se servir do trabalho desses empreendedores. Muito antes de ler este artigo, eu sempre agradecia quando ia a uma padaria ou a um supermercado pela facilidade de apenas poder estacionar meu carro em frente a um estabelecimento e me servir a vontade de bens e "apenas" pagar por eles em dinheiro. Em outros tempos, meus ancestrais aqui nos pampas, precisavam camperear para eu comer carne, capinar a terra no sol quente para colher vegetais e legumes, e hoje eu preciso ir apenas no supermercado. Salve a liberdade!
  • Livre Mercado  03/08/2016 16:15
    Obrigado, não vou nunca te abandonar, a despeito de todos os desafios vou sempre fazer o meu melhor para atender você consumidor, e mesmo se as coisas ficarem muito ruins meu irmão Mercado Negro continuará ofertando os produtos e serviços que queira comprar, e nosso pai Escambo vai sair da aposentadoria para lhe dar tanto poder de compra quanto for possível.
  • Felipe  03/08/2016 16:00
    O artigo é sensacional e merece ser lido várias vezes.
  • Renan Merlin  03/08/2016 16:06
    Eu vejo estatais estrangeiras com exemplo de sucesso como a petrolifera norueguesa Statoil, japonesa nikkon e a sul-coreana hiunday? Porque tem autonomia administrativa e tem como objetivo o lucro e não "função social"?
  • Ciro  03/08/2016 16:19
    Renan, Nikon e Hyundai não são estatais. De onde você tirou isso?

    Quanto à Statoil -- essa sim estatal --, a gasolina da Noruega é a mais cara do mundo. E isso num país que literalmente bóia sobre petróleo. Prefiro ser um americano: não é autossuficiente, mas paga uma das gasolinas mais baratas do mundo, pois há livre concorrência (com liberdade de importação) nesse setor.
  • Ariel Carvalho  03/08/2016 16:12
    É aquele ditado antigo: o padeiro não acorda às 4 da manhã só porque ele gosta que você coma um pão quentinho.
  • Will Tapajero  03/08/2016 16:19
    Eu estava no Japão no ultimo grande terremoto e tsunami. Vi mercados e conveniências esgotarem seus estoques, sem aumentar ou regular nenhum produto e sem nenhum aumento oportunista. Sou a favor do livre mercado, da livre iniciativa e do lucro, mas vejo o buraco brasileiro muito abaixo de analises normais/ convencionai. Esse país precisa de muitas mortes e prisões perpétuas antes de querer parecer normal!
  • Leandro  03/08/2016 16:23
    Os estoques acabaram, as prateleiras ficaram vazias, houve desabastecimento e você considera isso algo positivo? Não pode ser verdade.

    E as pessoas que não conseguiram comprar nada porque os estoques acabaram? Estas não contam?

    De que adianta ter preços congelados e as coisas serem vendidas baratinho se não tem nenhum produto nas prateleiras? No Brasil do Plano Cruzado era assim: os preços eram congelados e tudo era baratinho; só não tinha nada nas prateleiras.

    Eis uma historinha que ilustra bem esse ponto.

    Você é o prefeito de uma cidade que acabou de sofrer um desastre natural. A cidade ficou ilhada e todo o suprimento de bens essenciais foi interrompido. Logo, todo o estoque de alimentos tornou-se repentinamente escasso, pois agora há apenas uma quantia fixa. E não há data para reabastecimento.

    Aí você, como prefeito, demonstrando todo o seu amor pela humanidade, decreta congelamento de preços.

    Ato contínuo, as pessoas de bom poder aquisitivo e munidas de bons meios de transporte correm para os supermercados e mercearias, e compram absolutamente tudo o que podem, enchendo seus porta-malas, pois sabem que não há nenhuma previsão de normalização do abastecimento. Outras comprarão também tudo o que podem, mas mais por capricho. Afinal, pra que perder uma ida ao supermercado? Por que não comprar o máximo de água e leite possível, já que tudo está uma pechincha mesmo?

    Estas pessoas irão entupir seus carros de gasolina, enchendo inclusive vários galões, e viajarão para seus retiros e casas de campo. Sem gasolina nos postos, ambulâncias e outros serviços de pronto atendimento não mais podem operar, e as pessoas morrem em suas casas, sem nenhum socorro.

    Os mais pobres, que só andam a pé e que estavam dispostos a comprar apenas o mínimo necessário, descobrem que os supermercados e mercearias já fecharam, pois todo o estoque já foi vendido para os mais ricos munidos de bons meios de transporte. As crianças começam a morrer de inanição e por falta de atendimento médico (afinal, médicos não podem ir voando para as casas destas pessoas).

    Aí quando uma mãe vai reclamar com você do desabastecimento, da falta de serviços médicos e da consequente morte de seus filhos, você apenas põe a mão no ombro dela e fala: "Mulher, você é realmente incapaz de perceber que algo muito mais sublime ocorreu? EU (batendo no peito) consegui fazer com que os malditos empresários não tivessem lucros maiores! EU fiz isso! Por que não dá valor ao meu visionário ato de justiça social?"
  • Ricardo SI  03/08/2016 17:21
    Boa explicação... Mas nesse exemplo que citou, se os preços não fossem congelados... Os pobres teriam morrido de fome da mesma forma.

    O comerciante, sabendo que seu produto se tornou escasso, poderia otimizar seus lucros da forma que quisesse... Nesse caso, de qualquer forma, o pobre não teria como comprar o produto... E o rico, poderia inflacionar o mercado e comprar quanto pudesse/quisesse...

    A única diferença nesse cenário... É que o comerciante ficaria mais rico ou menos rico, mas o pobre morreu do mesmo jeito...

    Não me entendam mal... Eu sou a favor do comerciante vender por quanto ele achar justo... Mas não tem como afirmar que isso evitaria que os pobres morressem de fome. Certo?
  • Leandro  03/08/2016 17:42
    "Mas nesse exemplo que citou, se os preços não fossem congelados... Os pobres teriam morrido de fome da mesma forma."

    Por quê?

    "O comerciante, sabendo que seu produto se tornou escasso, poderia otimizar seus lucros da forma que quisesse... Nesse caso, de qualquer forma, o pobre não teria como comprar o produto..."

    Por quê?

    "A única diferença nesse cenário... É que o comerciante ficaria mais rico ou menos rico, mas o pobre morreu do mesmo jeito..."

    Por quê?

    Entenda esse básico: os preços irão subir? Sim. Isso será chato para os pobres? Com certeza. Seria melhor que os preços ficassem inalterados? Nem me diga.

    Agora, os mais pobres, justamente por terem de satisfazer estas suas necessidades mais prementes, terão de abrir mão de todos os outros gastos, supérfluos ou não. Por exemplo, a cerveja terá de ser sacrificada. O filé mignon também. As luzes terão de ficar menos tempo acesas. O banho terá de ser mais curto. Todo o dinheiro terá de ser temporariamente direcionado para garrafas d'água, arroz, feijão, e medicamentos básicos. Em vez de picanha, apenas frango, bacon e miojo.

    Isto é agradável? Nem um pouco. Mas entre ter de fazer sacrifícios para comprar bens necessários ou simplesmente não ter o que comprar (e morrer), garanto que a primeira opção é preferível.

    Ademais, passado algum tempo, esse preço mais alto atrairia vários empreendedores de outras localidades, que agora poderiam vender ali seus produtos, aumentando a oferta e acabando com o desabastecimento.

    Um exemplo disso ocorreu durante o desastre do furacão Katrina: pessoas de áreas não afetadas pegaram seus carros, encheram de água, combustível e comida, e foram para Nova Orleans vender a preços "abusivos" no local devastado. A oferta imediatamente se normalizou.

    No entanto, e como não podia deixar de ser, os humanistas de plantão denunciaram o "abuso" à polícia, que apreendeu tudo e, assim, o abastecimento ficou ainda pior.

    Nunca falha: controle de preços é igual a escassez.
  • O MESMO de SEMPRE  04/08/2016 13:50
    Como é de costume odiar o lucro dos empreendedores o Estado, como fez no plano cruzado de Sarney, vai aumentar impostos antes do congelamento e vai "fabricar" dinheiro para pagar aqueles que recebem impostos.

    ENTÃO: aqueles que recebem impostos sem a necessidade de qualquer contrapartida em bens e serviços em valor correspondente (maioria inúteis por nada produzirem de útil), irão às compras com o "dinheiro novinho" e CONSUMIRÃO os bens e serviços disponíveis ANTES daqueles que efetivamente produziram algo.

    Ora, os ricos que acumularam poupança (não consumiram) poderão consumir, agora, mais do que produzem por terem poupado consumo anterior. Se ainda não produzem além do que consomem.

    Porém, os RECEBEDORES de IMPOSTOS (larga maioria de SOCIALMENTE INÚTEIS), além de TOMAREM parte da produção da sociedade tomando-lhe o dinheiro trocado por seus ben e serviçops, ainda possuirão "DINHEIRO NOVO" fabricado do NADA (sem origem em bens ou serviços prestados) e poderão obter os produtos disponíveis com esse dinheiro sem origem na produção. Ou seja, consumirão aquilo que faltará como oferta àqueles que trabalharam e produziram.

    SIM, os preços também sobem para homogenizar o consumo desvalorizando o dinheiro falso fabricado pelo governo. Algo um pouco parecido com o cachorro correndo atras do rabo, pois o governo fabricará mais para repor o consumo dos recebedores de impostos e ainda irá diminuir os bens e serviços contratados da sociedade para manter a remuneração dos PARASITAS ESTATAIS.

    No caso da escassez por motivos naturais, não será diferente: a elavação dos preços aumentando o LUCRO NOMINAL dos empreendedores lhes permitirá o INVESTIMENTO MAIS RÁPIDO para mais rapidamente ampliar a PRODUÇÃO.

    Um gravador de CD (4X) em 1996 custava em torno de R$400,00 permitindo uma margem de lucro fabulosa aos fabricantes.
    Esta margem de lucro fabuloso permitiu uma rápida produção e evolução do produto, permitindo que mais consumidores pudessem se atendidos em sua demanda e a preço menor.

    Sem esta margem de lucro fantástica, que permitiu rápidos investimentos na produção para o LUCRO pela ESCALA e não pela unidade, atualemente um gravador de DVD não estaria custando R$ 54,00.

    Os ricos que pagaram mais caro nos primeiros gravadores de CD foram os financiadores dos investimentos altamente lucrativos que permitiram a ampliação da OFERTA de gravadores de melhor capacidade e a preços baixíssimos na atualidade.

    Fosse corrigir tal preço e um gravador de CD ou DVD custaria hoje mais de R$ 3000,00. Mesmo que estivesse congelado o preço do fabricante, operadores que comprasem primeiro revenderiam a preço elevado.

    BOM LEMBRAR que no PLANO CRUZADO do SARNEY os CARROS COM UMK ou DOIS ANOS DE USO CUSTAVAM MAIS CARO do QUE OS CARROS NOVOS (0 Km).

    Afinal, não seria politicamente viavel tabelar preços de carros usados e mesmo tabelar o cidadão comum. Isso para não falar da impossibilidade.
  • Trader Carioca  03/08/2016 16:52
    Will Tapajero,

    Completando a excelente resposta do Leandro, o aumento dos preços numa situação dessas, mais do que "oportunismo" do empresário, é o sinal para que todos poupem ao máximo os recursos escassos.

    Se o preço da comida dispara durante uma catástrofe como estas, é sinal de que as pessoas afetadas não devem esbanjar. Pelo contrário. Devem poupar ao máximo os bens que agora se tornaram muito mais escassos como água, comida, remédios, combustível.
  • Ricardo SI  03/08/2016 21:05
    Leandro,

    Discordo dos seus comentários... Meu comentário anterior, referia-se a historinha do prefeito, que você contou. Não ao congelamento de preços como foi feito no plano cruzado (onde não havia escassez real de produto, isso foi gerado pela desastrosa medida da época).

    Em uma situação de escassez real...

    O grupo de pessoas muito ricas, poderá estocar produtos da mesma forma... Não importa se a água/gasolina é vendida a R$1, R$10 ou R$100 (se a pessoa tem muito dinheiro, ela poderá comprar no preço definido pelo comerciante, se ela não puder comprar, os pobres também não poderiam).

    Se/quando o pobre chegar ao mercado, se existir algum produto ainda (não há garantia que haveria) e o produto custar R$100, ele eventualmente não terá esse dinheiro para comprar. Ou ainda, quando ele chegar ao mercado, dado que o produto se tornou ainda mais escasso... Ele pode estar valendo R$1000 naquele momento. E de qualquer forma, ele não poderia comprá-lo.

    Sobre a atração de empreendedores para a local... Havia entendido que o local estava ilhado (se não tivesse, não haveria porque os ricos correrem para os supermercados, pois mesmo um eventual desabastecimento de produtos básicos seria reposto de alguma forma). Se empreendedores podem chegar ao local (e agora vou ser apedrejado) o tão odiado Estado também poderia chegar lá, e garantir o mínimo à população. (uma vez que água e comida ainda seria um bem abundante no restante do país).

    Eu sou contra o congelamento de preços... O que quero dizer é que em uma situação de escassez real (ou ameaça de escassez real) de produtos básicos, não vai ser o livre mercado que vai impedir as pessoas de morrerem por falta do produto. Se naquele curto espaço de tempo , ela não tiver nada valioso para trocar por água... Ela morrerá de sede ou ficará a mercê de alguém lhe doar um pouco de água (o que também poderia ocorrer quando se optasse por congelar preços).

    Além disso, em um cenário com congelamento de preços e escassez real de produtos, o mercado paralelo iria nascer naturalmente. (ou seja, as coisas se auto-regulam, mesmo com a intervenção estatal).
  • Leandro  03/08/2016 21:37
    Não é uma questão de você discordar ou não, meu caro. Estou apenas relatando como as coisas são, pois isso é o empiricamente observável. Estou recorrendo à teoria para explicar algo que se observa na prática. Isso não é questão de discordar. Dizer que o sol é amarelo não é uma afirmação que está aberta a discordâncias.

    Quando há catástrofes naturais e o governo decreta congelamento de preços, há escassez e os pobres ficam sem nada (nunca houve exceção a isso). Já quando os preços são livres, tudo dispara, mas os pobres ao menos ainda têm uma chance de comprar alguma coisa.

    Você diz que, se os preços subirem, os ricos compram tudo e os pobres ficam sem nada. Isso é um contra-senso econômico. Os preços sobem exatamente para impedir que os ricos comprem tudo e, consequentemente, possa sobrar algo para os pobres.

    Na prática, você está dizendo que, quanto mais os preços subirem, mais os ricos irão querer comprar tudo, e mais os pobres ficarão sem nada. Isso é totalmente destituído de lógica econômica. Significa dizer que, quanto mais os preços subirem, mais os ricos se sentirão estimulados a comprar, algo que vai contra a mais elementar lógica econômica.

    Os preços sobem exatamente para garantir que os ricos comprem pouco e os pobres possam comprar o essencial.

    Esse é o único arranjo que ao menos pode garantir que todos consigam algo.

    Na prática, o que você quer é que, durante uma situação de total anomalia (como a gerada por uma catástrofe natural), as coisas continuem operando normalmente, como se nada houvesse acontecido. Querem que os preços continuem inalterados e que a oferta continue plena e abundante. Isso é viver na fantasia.

    No mundo real, logo após uma catástrofe natural, os comerciantes não apenas não sabem quando poderão receber novas remessas de fornecedores, como também não sabem nem se ainda terão fornecedores no futuro -- algo que, por si só, já tem de gerar um aumento nos preços, exatamente porque o suprimento futuro é totalmente incerto.

    Querer revogar essa realidade é querer um mundo onírico.

    Aí você diz que:

    "Se/quando o pobre chegar ao mercado, se existir algum produto ainda (não há garantia que haveria) e o produto custar R$100, ele eventualmente não terá esse dinheiro para comprar."

    Ora, é claro que ele tem. O que você na verdade está querendo insinuar é que "não é certo" cobrar R$ 100 num galão de água. Mas, ora, as circunstâncias são totalmente atípicas, e esse galão de água pode representar sua sobrevivência. R$ 100 nele significa que gastos com outras amenidades terão de ser cortados. Paciência.

    Agora, dizer que não terão R$ 100, aí já é forçar demais.

    E aí você completa dizendo que:

    "O que quero dizer é que em uma situação de escassez real (ou ameaça de escassez real) de produtos básicos, não vai ser o livre mercado que vai impedir as pessoas de morrerem por falta do produto."

    Ao contrário: é exatamente o livre sistema de preços que vai impedir que haja escassez do produto. Isso é economia básica: se algo se torna extremamente escasso, então o preço tem de disparar para poder equilibrar oferta (baixa) e demanda (altíssima). Isso é tão óbvio que confesso surpresa por isso ainda causar algum espanto.

    Agora, se você conhece uma maneira de evitar escassez, manter preços baixos e estoques acessíveis a todos, por favor compartilhe com o mundo. Seria uma descoberta revolucionária.

    Observe que eu estou aqui apenas falando obviedades. São vocês que estão inventando novidades, como a possibilidade de haver abastecimento pleno e preços baixos em meio a catástrofes naturais.


    P.S: agora, se você está trabalhando com um cenário em que o próprio governo pode prontamente enviar mantimentos, bom, então convenhamos que nem sequer há qualquer motivo para essa discussão sobre preços.
  • Ricardo SI  03/08/2016 22:25
    "Você diz que, se os preços subirem, os ricos compram tudo e os pobres ficam sem nada. Isso é um contra-senso econômico. Os preços sobem exatamente para impedir que os ricos comprem tudo e, consequentemente, possa sobrar algo para os pobres."

    Os preços sobem, não para evitar concentração... Os preços sobem, porque a demanda é maior que a oferta, e o comerciante maximiza seus lucros... O comerciante não precisa se preocupar se quem está comprando sua mercadoria é rico ou pobre.


    "Na prática, você está dizendo que, quanto mais os preços subirem, mais os ricos irão querer comprar tudo, e mais os pobres ficarão sem nada. Isso é totalmente destituído de lógica econômica. Significa dizer que, quanto mais os preços subirem, mais os ricos se sentirão estimulados a comprar, algo que vai contra a mais elementar lógica econômica.

    Os preços sobem exatamente para garantir que os ricos comprem pouco e os pobres possam comprar o essencial."
    Não, estou dizendo, que quanto mais houver risco de escassez do produto essencial, mais a pessoa que tem muito dinheiro estará disposta a pagar pelo produto. Quanto mais as pessoas estiverem dispostas a pagar, mais o comerciante poderá cobrar pelo produto. E eu não estou dizendo que isso é ruim ou errado...


    "Esse é o único arranjo que ao menos pode garantir que todos consigam algo. "
    Não existe arranjo que garanta que todos consigam algo, em um cenário de escassez verdadeira.


    "Na prática, o que você quer é que, durante uma situação de total anomalia (como a gerada por uma catástrofe natural), as coisas continuem operando normalmente, como se nada houvesse acontecido. Querem que os preços continuem inalterados e que a oferta continue plena e abundante. Isso é viver na fantasia."
    Eu nunca falei isso, eu falei que mesmo o livre mercado, não pode garantir que todos consigam algo. Se existe escassez real... Alguns terão o produto e outros não... O congelamento de preços pode agravar a situação.


    "No mundo real, logo após uma catástrofe natural, os comerciantes não apenas não sabem quando poderão receber novas remessas de fornecedores, como também não sabem nem se ainda terão fornecedores no futuro -- algo que, por si só, já tem de gerar um aumento nos preços, exatamente porque o suprimento futuro é totalmente incerto.

    Querer revogar essa realidade é querer um mundo onírico."
    Eu não quero revogar essa realidade... Nunca disse nada nesse sentido.

    "Ora, é claro que ele tem. O que você na verdade está querendo insinuar é que "não é certo" cobrar R$ 100 num galão de água. Mas, ora, as circunstâncias são totalmente atípicas, e esse galão de água pode representar sua sobrevivência. R$ 100 nele significa que gastos com outras amenidades terão de ser cortados. Paciência.

    Agora, dizer que não terão R$ 100, aí já é forçar demais."
    Você quer me dizer, que todas as pessoas, de classe baixa, se precisarem de R$100 da noite para o dia, conseguirão esse dinheiro? Em uma situação de catástrofe, onde eles eventualmente não poderão ser socorridos por amigos que gastaram suas reservas comprando água... Sinceramente... Não acho que eu esteja forçando a barra não. Além disso, falamos de R$100, mas poderia ser R$1.000, R$10.000... Quanto o comerciante achasse justo (de acordo com o quanto esse produto estivesse faltando).



    "Ao contrário: é exatamente o livre sistema de preços que vai impedir que haja escassez do produto. Isso é economia básica: se algo se torna extremamente escasso, então o preço tem de disparar para poder equilibrar oferta (baixa) e demanda (altíssima). Isso é tão óbvio que confesso surpresa por isso ainda causar algum espanto. "
    Se houve corte de abastecimento de um produto básico, a oferta está baixa, mas a demanda mínima vai existir, não importa quanto ela custe. Mesmo se a água custar R$100,00/Litro as pessoas continuarão sentindo sede.


    "Agora, se você conhece uma maneira de evitar escassez, manter preços baixos e estoques acessíveis a todos, por favor compartilhe com o mundo. Seria uma descoberta revolucionária."
    Essa fórmula não existe, o que estou dizendo é que mesmo o livre mercado não conseguiria garantir isso.

    "Observe que eu estou aqui apenas falando obviedades. São vocês que estão inventando novidades, como a possibilidade de haver abastecimento pleno e preços baixos em meio a catástrofes naturais."
    Eu não falei isso em nenhum momento.


    "P.S: agora, se você está trabalhando com um cenário em que o próprio governo pode prontamente enviar mantimentos, bom, então convenhamos que nem sequer há qualquer motivo para essa discussão sobre preços."
    Se o governo não pode enviar água, os tais empreendedores também não poderiam, certo?

    Leandro, eu sou contra o congelamento de preços... E concordo que ele só agrava uma situação de caos... Mas também o livre mercado não salvaria os pobres em uma situação extrema...

  • Max Rockatansky  04/08/2016 15:06
    "Mas também o livre mercado não salvaria os pobres em uma situação extrema"


    Ninguém disse isso aqui; pessoas morrem, meu caro. É um fato inexorável. O que se disse é que apenas a economia de mercado tem o condão de beneficiar o maior número de pessoas numa situação de catástrofe.

    A questão está nas alternativas que se colocam numa situação de catástrofe relativamente aos preços das mercadorias: livre mercado ou racionamento/congelamento pelo governo.

    Ninguém aqui está dizendo que o mercado tem o poder milagroso de evitar que pessoas morram, cidadão.

    Se o seu "ponto" é só "chamar a atenção" para isso, na verdade vc não tem "ponto" nenhum a acrescentar, com a devida vênia.
  • Taxidermista  03/08/2016 22:57
  • Ricardo S. I.  04/08/2016 00:10
    Taxidermista, boa noite, excelente artigo. Que mostrou como o congelamento de preços é nocivo. Mas eu nunca duvidei disso... O que quis dizer nos meus outros posts, e acho que não fui claro... É que se faltar água, o livre mercado não vai impedir que as pessoas morram de sede. (e os mais pobres serão os primeiros)

    O congelamento de preços pode causar mais mortes. O não congelamento não impedirá que as pessoas morram por falta de água. (num eventual isolamento da história contada pelo Leandr)

    O interessante é que o próprio artigo que citou mostra a solução. O segredo estará na capacidadedo povo se organizar e ajudar uns aos outros. A sugestão dada pelo texto é que as pessoas compartilhassem o carro. Mas note que isso seria possível fazer mesmo com o racionamento imposto pelo governo. (mas as pessoas não fizeram isso a ponto de evitar filas de 3 horas)

    Gostamos de culpar o governo pela ineficiência das suas ações, mas são as ações do povo que realmente podem fazer uma crise ser crítica ou não. Na minha opinião (e é aqui que penso diferente dos libertários) O governo é um agente de um ecossistema maior. Dependendo de suas ações o Estado pode atrapalhar ou beneficiar esse ecosistema.
  • Taxidermista  04/08/2016 13:48
    Caro Ricardo SI,

    com todo respeito, mas vc incorre em confusões.

    Perceba o seguinte:

    você começa dizendo que "nunca duvidou de que o congelamento de preços (ou racionamento pelo governo) é nocivo" numa situação de catástrofe natural; mas, logo no seu terceiro parágrafo, vc diz que a "sugestão dada pelo texto é que as pessoas compartilhassem o carro. Mas note que isso seria possível fazer mesmo com o racionamento imposto pelo governo"; ou seja, passou a dizer que considera racionamento imposto pelo governo como algo indiferente (é dizer, passou a dizer que racionamento não seria algo nocivo), muito embora tenha afirmado também que "o congelamento de preços pode causar mais mortes".

    Vc acha ou não acha congelamento/racionamento governamental nocivo? Decida-se, meu caro. Se vc acha que congelamento de preços pode causar mais mortes, não há como vc, ao mesmo tempo, achar que congelamento de preços é indiferente relativamente a prejuízos causados pela catástrofe.


    "A sugestão dada pelo texto é que as pessoas compartilhassem o carro. Mas note que isso seria possível fazer mesmo com o racionamento imposto pelo governo"

    Meu caro, acho que vc não leu bem o artigo do Reisman.

    Veja:

    " (...) O desabastecimento pode desaparecer rapidamente, em questão de horas. Bastaria apenas o governo revogar a ameaça de processo criminal contra os proprietários de postos de gasolina — bem contra todos os outros empreendedores que trabalham na cadeia de suprimento de gasolina — que aumentarem seus preços até um nível que reduza a quantidade de gasolina demandada, de modo que a demanda se ajuste à reduzida oferta disponível. (...). O que causou o desabastecimento e o que impede que o desabastecimento seja contornado da maneira sugerida acima é o fato de que o necessário aumento nos preços é ilegal. É contra a lei. De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg no dia 9 de novembro de 2012, "A legislação de Nova Jersey define extorsão como sendo um 'aumento excessivo de preço', de 10% ou mais, durante um declarado estado de emergência." O mesmo artigo também relata que "a legislação de Nova York proíbe a venda de bens ou serviços por um 'preço inescrupulosamente excessivo' durante um 'distúrbio anormal do mercado.'"

    Então, meu caro, a solução dada pelo texto não é o compartilhamento do carro independentemente do racionamento imposto pelo governo, ao contrário, portanto, do que vc diz.


    "Gostamos de culpar o governo pela ineficiência das suas ações, mas são as ações do povo que realmente podem fazer uma crise ser crítica ou não"

    Meu caro, o congelamento/racionamento imposto pelo governo interfere, justamente (e diretamente), nas ações das pessoas relativamente à crise causada por catástrofe. Então como vc pode insistir que congelamento/racionamento imposto pelo governo seria indiferente numa situação dessas, meu caro?

    As "ações do povo" no âmbito econômico não têm como ser independentes das ações do governo que interferem no âmbito econômico. Essa sua dissociação entre uma coisa e outra não existe, meu caro.

    Vc pode chegar em Caracas e revelar o seu segredo lá: "o segredo estará na capacidade do povo se organizar e ajudar uns aos outros". O povo lá pode se organizar e ajudar uns aos outros como nunca na história dos povos, mas a comida não vai voltar a aparecer por força dessa "ajuda mútua", meu caro. Sem (um nível mínimo de) economia de mercado, nada feito.


    "O governo é um agente de um ecossistema maior. Dependendo de suas ações o Estado pode atrapalhar ou beneficiar esse ecosistema"

    A única maneira de o governo "beneficiar" o "ecossistema maior" é, justamente, não atrapalhando (ou seja, não interferindo na economia).















  • Ricardo SI  04/08/2016 17:20
    "Vc acha ou não acha congelamento/racionamento governamental nocivo? "
    Acho nocivo sim... Um arranjo de livre comércio é mais eficiente que um arranjo com congelamento de preços.

    Só não acredito que o livre comércio seja mais decisivo para driblar uma crise, do que a capacidade da sociedade se auto-organizar VOLUNTARIAMENTE para resolver um determinado problema. (Quero dizer, o livre comércio é um excelente arranjo, mas as crenças das pessoas é que farão a diferença).

    Diante de uma crise dessas... Uma sociedade que culturalmente aprendeu a pensar no melhor para o todo (e veja, não tem nada a ver com o governo ou o socialismo, mas com a capacidade das pessoas se ajudarem DE FORMA VOLUNTÁRIA)... Com ou sem um governo atrapalhando o equilíbrio econômico, na minha opinião, teria mais chances de êxito. E não é uma crítica ao livre mercado... Eu apenas acredito, que a cultura de um povo pode suplantar essas falhas do governo... Ou potencializá-las.

    Eu acredito sim, que um excesso de intromissão coercitiva do governo, pode criar, ao longo do tempo, hábitos insalubres no seu povo... Gerando uma cultura individualista e pouco colaborativa... Porém, um governo que direcione as pessoas para um caminho sustentável, pode gerar um bom resultado...
  • Roberto  04/08/2016 17:36
    "Só não acredito que o livre comércio seja mais decisivo para driblar uma crise, do que a capacidade da sociedade se auto-organizar VOLUNTARIAMENTE para resolver um determinado problema."

    Meu caro, auto-organização voluntária [b]é[/u] livre comércio.

    O que é livre comércio? Dois lados transacionando de maneira voluntária e pacífica. Se os dois lados concordarem em transacionar de acordo com regras próprias (mutuamente estabelecidas e acordadas), isso continua sendo livre transação.

    Auto-organização voluntária é um princípio que todo e qualquer libertário defende.

    Agora, só de curiosidade, gostaria muito de saber como é que essa sua sugestão específica faria surgir magicamente produtos nas prateleiras.

  • Ricardo SI  04/08/2016 19:45
    Roberto,

    A opção de transacionar livremente em comum acordo, da forma que lhe convier, e de forma pacífica e voluntária é livre comércio... A escolha de se fazer isso pensando no próximo, vai além disso...

    Um povo que verdadeiramente se preocupe uns com os outros (como uma família), irá dividir a água de forma a otimizar seu uso (não estou dizendo que será de forma igual, estou dizendo que será de forma otimizada para o todo). Independe do formato que o comércio será feito, com essa mentalidade a chance de salvar um maior número de pessoas de morrerem de sede, seria maior (havendo ou não congelamento de preços).

    A água não iria aparecer nas prateleiras, mas não iria sumir... Ou sumiria, tanto faz... Pois quem tivesse muito, doaria por livre e espontânea vontade para quem não tivesse. De forma a tentar manter todos vivos.

    E esse arranjo das pessoas quererem ajudar ao próximo, funcionaria, havendo ou não congelamento de preços. De forma, que o congelamento, em uma sociedade com esse nível de maturidade, seria irrelevante.

    A próxima pergunta seria... O povo pensa dessa forma? Eu acredito que alguns povos sim... É comum as pessoas que têm muito, doarem para as pessoas que têm pouco ou nada (e, claro, poder fazer isso por que querem, e não porque foram obrigadas por um terceiro, é o paraíso na Terra).

    Eu gosto do liberalismo econômico e creio que a mentalidade de cooperação é um fator mais decisivo. (com a mentalidade de cooperação, mesmo com um governo "ATRAPALHANDO", as pessoas sobreviveriam... Sem a mentalidade de cooperação, mesmo sem um governo atrapalhando, acho que viraria um caos... O problema é quando o governo destrói/sabota a cultura da cooperação... E isso acontece muito, mas não sempre, eu acho).
  • Taxidermista  04/08/2016 20:21
    "Com ou sem um governo atrapalhando o equilíbrio econômico, na minha opinião, teria mais chances de êxito"

    Ricardo SI, meu caro, vc continua insistindo no erro, com o devido respeito.

    Preste atenção: não existe essa dissociação entre ações do governo destruindo a coordenação econômica e ações das pessoas para se ajudarem no âmbito econômico. Uma coisa não é independente da outra.

    Peguemos, de novo, o exemplo da Venezuela: por maior que seja a ajuda mútua do povo venezuelano - e isso mesmo que esse povo tenha aprendido "a pensar no melhor para o todo" - a comida não vai voltar a aparecer nas prateleiras por força dessa "ajuda mútua" caso a economia de mercado continue a ser destruída (e/ou se mantenha destruída) pelas ações do governo venezuelano.

    Se o governo destruir o sistema de preços e destruir a propriedade privada, não há "ajuda mútua" entre as pessoas que resolva o desabastecimento. Ou por outra: não há "ajuda mútua" que possa resolver o problema do desabastecimento como se não existisse uma destruição do sistema de preços e da propriedade privada por força das ações do governo.

    De resto, vc continua dizendo coisas incompatíveis:

    se vc acha que "um arranjo de livre comércio é mais eficiente que um arranjo com congelamento de preços" não tem como vc achar, simultaneamente, que "com ou sem um governo atrapalhando o equilíbrio econômico, na minha opinião (...) ".

    Na primeira frase vc diz que o governo atrapalhando faz a diferença (para pior); na segunda frase vc diz que "tanto faz" a intromissão do governo. São duas proposições incompatíveis.





  • Ricardo SI  04/08/2016 21:32
    Pegando o caso da Venezuela, se o melhor para o todo, for destituir o governo atual... E as pessoas chegarem a essa conclusão... E se unir (de novo o fator cooperação presente). O governo será derrubado, as fronteiras serão abertas, e a economia volta ao normal em pouco tempo...

    Se as pessoas, chegarem a conclusão que não precisam destituir o governo, mas apenas alterá-lo... Ok, que saiam às ruas e lutem unidos por reformas na política econômica... Ou ignorem as leis, e criem um mercado paralelo (e de novo a cooperação das pessoas, permitirá que o façam a salvo do governo atual).

    Se as pessoas, chegarem a conclusão, que esse é o formato correto de conduzir a economia, se fechando para o restante do mundo... Elas ficarão atrasadas em relação ao resto do mundo, mas podem desenvolver formas de sobreviverem de forma sustentável. Não vão gerar riqueza como poderiam e aos olhos dos que estão de fora serão pobres. Mas e se eles estiverem confortáveis com isso?

    Se parte do povo pensar diferente da outra parte do povo, mas eles tiverem espírito de cooperação elevado o suficiente, apesar das diferenças, poderão chegar a um consenso ou optar por se separar de forma pacífica. E fundar povoados menores...

    E por que as pessoas não fizeram nada disso lá? Porque infelizmente não atingiram a maturidade necessária.

    Existem meios de um povo com uma cultura de cooperação elevada escapar ou enfrentar um governo ruim.

    Creio que os libertários compartilhem de algumas das idéias das frases acima...

    Eu pessoalmente acredito, que fortalecer o espírito de cooperação e visão de causa e efeito das pessoas poderia trazer um resultado mais efetivo (focando nesse ponto), pois seria muito mais fácil atrair mais adeptos e traria resultados surpreendentes.

    Mas ok, acho que não estou convencendo ninguém aqui... As posições do que postam aqui parecem estar muito consolidadas... (E isso não é uma crítica, é uma constatação... Eu desisto! Fico muito tenso escrevendo aqui...)
  • O MESMO de SEMPRE  04/08/2016 14:02
    .
    Os ricos são mesmo malvadões. certamente por isso que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que ir para o reino dos ceus.

    Essa moral esta incutida nas mentes, pois tal estratégia política foi usada no ocaso do Império Romano para antipatizar antagonizar de forma maniqueísta POBRES x RICOS de quem o governo almejava explorar cobrando impostos e mesmo acusar pela elevação de preços. Daí também o pecado da AVAREZA, inventado para antipatizar os não pródigos. Até mesmo a volta do filho pródigo faz parte dessas fabulas politiquiras moralóides.

    Mesmo um rico que não se tolherá nas compras, e sobretudo as classes médias, não se entregarão AO DESPERDÍCIO.

    Considerando-se que os ricos não são COMILÕES COMPULSIVOS e que MESMO se FOSSEM, dado sua pequena quantidade, não consumiriam a ponto de causar grande falta.

    O que efetivamente valerá é que as classes MÉDIAS e mesmo POBRES tentarão POUPAR o MAXIMO em seu consumo, não se permitindo DESPERDÍCIOS e com menos desperdício mais sobrará para todos.

    Qdo bens estão demasiadop baratos há tendencia ao excesso de consumo e mesmo desperdício em varioas formas. Até os pobres se importam menos com as sobras. Num caso de escassez o elevado custo induzirá a maior cuidado com estoque e USO.

    Congelar preços no caso do tal prefeito teria que se fazer acompanhar de RACIONAMENTO para uma divisão mais igualitária. Daí fiom pleno da Liberdade. Sem contar que os que IMPÕEM os RACIONAMENTOS não os IMPÕEM a SI MESMOS.

    É ESSA A IDÉIA de JUSTIÇA do nobre bonzinho tão apiedado dos pobres e raivoso contra os ricos????
  • Amônino  03/08/2016 21:43
    Vejam bem:

    O preço é um mediador de equilíbrio de INTERESSES entre oferta e demanda. Elasticidade da oferta (ou da demanda) é outro fator.

    Nos exemplos de escassez apresentados, alguns fatores merecem ser considerados:


    Se os consumidores de alto poder aquisitivo podem usar combustível pra ir pra casa de campo, o espaço não está, de fato, ilhado. Se estes tiverem a mobilidade sugerida, não comprarão no mercado local inflacionado. Utilizarão seus veículos para buscar bens em outro local. Este seria provavelmente o patamar de preço de mercado: pouco acima do valor de outra praça+ frete. Tanto em New Orleans quanto em Governador Valadares, os ricos fizeram, sim, seus estoques com bens adquiridos nos pólos mais próximos. Quem amargou os preços inflacionados foi quem não podia comprar em outro lugar, (exceptuando-se os casos puramente logísticos) os mais pobres.

    Se o local estiver, de fato, ilhado, os consumidores de alto poder aquisitivo continuarão tão dispostos a concentrar todos os seus recursos em bens de primeira necessidade quanto mais pobres. Se os ricos considerarem a situação realmente preocupante e acharem que vale a pena efetuar as substituições sugeridas (luz, filé mignon), vão poder comprar em grandes quantidades e enviar uma mensagem para o mercado aumentar ainda mais os preços (afinal, mesmo com os aumentos,a demanda continua alta).

    Quanto mais altos os preços, mais pobres ficam abaixo curva de consumo, pois nem todos conseguirão pagar os preços de mercado, mesmo efetuando substituições.

    Isso não é um cenário apocalíptico. Mercados de luxo são assim. Como o produto é altamente valorizado, só compra quem pode pagar muito. Mercados de luxo não são disponíveis pra pobres.

    O ouro não se torna menos escasso por ser caro. E quem menos compra são os mais pobres.

    Retornando ao início, a oferta tenta maximizar seus ganhos através do preço, considerando a capacidade de fornecer que tem. Não tenta maximizar sua capacidade de fornecer através do preço.

    Clássico caso: búfalos ganham, ursos perdem. E, nesse caso, os ursos são pobres.
  • Intruso  03/08/2016 22:14
    "Se os consumidores de alto poder aquisitivo podem usar combustível pra ir pra casa de campo, o espaço não está, de fato, ilhado. Se estes tiverem a mobilidade sugerida, não comprarão no mercado local inflacionado. Utilizarão seus veículos para buscar bens em outro local."

    Nesse caso, a situação para os pobres fica extremamente melhor. Se os ricos foram comprar em outros lugares não-inflacionados, então sobrou mais para os pobres.

    "Tanto em New Orleans quanto em Governador Valadares, os ricos fizeram, sim, seus estoques com bens adquiridos nos pólos mais próximos. Quem amargou os preços inflacionados foi quem não podia comprar em outro lugar, (exceptuando-se os casos puramente logísticos) os mais pobres."

    Em compensação, eles ao menos tinham bens disponíveis para compra. Esse é todo o ponto.

    "Quanto mais altos os preços, mais pobres ficam abaixo curva de consumo, pois nem todos conseguirão pagar os preços de mercado, mesmo efetuando substituições. Isso não é um cenário apocalíptico."

    É sim. Totalmente apocalíptico. Você está dizendo que, mesmo efetuando todas as substituições, os pobres não terão dinheiro nem para comprar uma garrafinha de água mineral. Isso está além do apocalíptico.

    É claro que terão dinheiro. Mas terão de abrir mão, por algum tempo, de outras coisas, como sucos, cervejas, refrigerantes biscoitos e várias outras coisas.

    Só que, na prática, ninguém está disposto a isso; ninguém aceita a perda repentina e inesperada desse luxo. Daí os apelos por controle de preços. É natural do ser humano.

    "Mercados de luxo são assim. Como o produto é altamente valorizado, só compra quem pode pagar muito. Mercados de luxo não são disponíveis pra pobres."

    Nada a ver. Um colar da Bulgari nunca teve um "preço popular", como uma garrafa de água mineral. Mais ainda: um colar da Bulgari nunca esteve fartamente disponível, como garrafas de água mineral.

    Não força a barra.
  • Ordnave  04/08/2016 08:02
    E se os próprios comerciantes não aumentassem o preço e simplesmente colocassem um pequeno aviso limitando o número de unidades a serem compradas?
    Não resolve o problema muito mais facilmente do que toda essa tentativa de explicação pra uma situação tão particular?

    Compactuo bastante com várias ideias liberais, mas é triste ver como se teoriza tudo praticamente excluindo a possibilidade de pessoas agirem por outras razões que não sejam econômicas. Economics as if people mattered... por favor...

    Trabalho em prevenção e recuperação de desastres (com a ONU, atirem suas pedras) por uns 10 anos, e posso dizer tranquilamente que 90% das pessoas atingidas por desastres são pobres (ok, tenho que considerar que trabalho mais com 'global south'), mas enfim... toda essa questão de ricos comprarem todo o estoque é praticamente irrelevante, pois estes sempre arranjam um jeito de se abastecer. Um comerciante que aumenta os preços age simplesmente por própria filhadaputice, pois se alguém rico quer comprar todo o estoque vai comprar de qualquer maneira.

    Até onde lembro, no caso do Japão o desabastecimento se deu basicamente porque era uma área extremamente contaminada, e sendo tal, simplesmente ninguém queria se arriscar nem para ir vender algo. O mesmo passa em muitos casos - o desabastecimento se dá pela simples falta de acessibilidade.

    Economia não é tudo...
  • Espaçonave  04/08/2016 12:17
    "E se os próprios comerciantes não aumentassem o preço e simplesmente colocassem um pequeno aviso limitando o número de unidades a serem compradas?

    Pode fazer, ué. Sem problemas. Trata-se de um arranjo voluntário. O proprietário do estabelecimento faz o que quiser com sua mercadoria, dispondo-se dela da maneira que mais lhe aprouver.

    "é triste ver como se teoriza tudo praticamente excluindo a possibilidade de pessoas agirem por outras razões que não sejam econômicas. Economics as if people mattered... por favor...[...] Um comerciante que aumenta os preços age simplesmente por própria filhadaputice".

    Esse é o mesmíssimo argumento (sem tirar nem pôr) utilizado pelos tiranos da Venezuela e por todos os semelhantes ao redor do mundo. "Vamos adotar o autoritarismo pelo bem do povo. Vamos expropriar em nome na justiça social". E as consequências sempre serão as mesmas: desabastecimento, escassez, e gente sem absolutamente nada.

    É absolutamente incrível como burocratas como você, que nunca tiveram um trabalho de verdade na vida (nunca tiveram de satisfazer demandas e exigências de consumidores), se julgam inteiramente donos da propriedade alheia. Para você, todo o estoque do pequeno comerciante, o qual ele comprou com o dinheiro próprio, não pertence a ele, mas sim a todo mundo. O cara trabalhou a vida inteira para estocar a loja, utilizando a poupança própria e sem a ajuda de nenhum órgão governamental, e aí chega você e diz que, de agora em diante, tudo que está ali não mais é dele, mas sim de todo mundo. E sempre em nome da "justiça social".

    E o pior: você sabe, não só pela teoria mas também pela empiria, que essa medida que você defende só piorará as coisas, pois fará com que todos fiquem sem nada.

    E você ainda quer falar de filhadaputice? Essa é toda sua, meu caro.

  • Ordnave  04/08/2016 20:49
    @espaçonave
    já pelo seu 'nome' se percebe que a tua intenção não é discussão, é simplesmente atacar as outras pessoas (confirmada pelo teor da mensagem).
    se estar no 'chão' onde ocorrem desastres 80% do meu tempo é ser burocrata, ótimo, aceito a definição (outras pessoas me chamam de 'peão' mesmo).

    realmente não consegui ver relação nenhuma entre considerar outras variáveis a não ser economicas na tomada de decisão com autoritarismo, mas vai saber... acho que é minha limitações de burocrata/peão.
    Pois minha experiência diz que justamente pequenos comerciantes (que são os que mais tem risco) são os que menos se aproveitam da situação, justamente por ter uma conexão com a comunidade, enquanto grande redes de supermercado fazem o que quiser.

    E respondendo tanto a ti quanto ao @taxidermista, o fato de vocês não fazer nenhum comentário real sobre, por exemplo, a questão logística, só corrobora o meu ponto que a maioria dos comentários é muito limitado no que tange a variáveis encontradas na realidade (as if people (and other things) mattered)...

  • Taxidermista  04/08/2016 14:22
    "Compactuo bastante com várias ideias liberais, mas é triste ver como se teoriza tudo praticamente excluindo a possibilidade de pessoas agirem por outras razões que não sejam econômicas. Economics as if people mattered... por favor"

    Essa frase, no que toca à escola austríaca, é absolutamente inverídica.

    Mises escreveu um tratado de quase 900 páginas cuja premissa inicial (dentre outras) é, justamente, a defesa do oposto dessa sua afirmação aí. Leia:

    "It was necessary to make these preliminary remarks in order to
    cxplain why this treatise places economic problems within the broad
    frame of a general theory of human action. At the present stage both
    of economic thinking and of political discussions concerning the
    fundamental issues of social organization, it is no longer feasible to
    isolate the treatment of catallactic problems proper. These problems
    are only a segment of a general science of human action and must be
    dealt with as such
    " (Human Action, p. 10).


    Há também o tratado do Wicksteed (mises.org/library/common-sense-political-economy-volume-1), cuja premissa é, também, justamente a de que:

    "Accordingly, I shall try to shew that it is time frankly
    and decisively to abandon all attempts to rule out this or that
    "motive" from the consideration of the Economist, or indeed
    to attempt to establish any distinction whatever between the
    ultimate motives by which a man is actuated in business and
    those by which he is actuated in his domestic or public
    life. Economic relations constitute a complex machine by
    which we seek to accomplish our purposes, whatever they may
    be. They do not in any direct or conclusive sense either
    dictate our purposes or supply our motives. We shall
    therefore have to consider what constitutes an economic
    relation rather than what constitutes an economic motive.
    And this does away at a stroke with the hypothetically
    simplified psychology of the Economic Man which figured
    so largely in the older books of Political Economy, and which
    recent writers take so much trouble to evade or qualify.
    We are not to begin by imagining man to be actuated by
    Only a few simple motives, but we are to take him as we find
    him, and are to examine the nature of those relations into
    which he enters, under the stress of all his complicated
    impulses and desires—whether selfish or unselfish, material
    or spiritual,—in order to accomplish indirectly through the
    action of others what he cannot accomplish directly through
    his own.
    "


    Então, meu caro, tenha mais cuidado com essas suas afirmações.

    De resto, sugiro para vc uma obra com título bem sugestivo:

    mises.org/library/economics-real-people


    "Um comerciante que aumenta os preços age simplesmente por própria filhadaputice, pois se alguém rico quer comprar todo o estoque vai comprar de qualquer maneira"

    Além do disparate em si dessa frase, o que se nota aí é que vc não aplica para vc aquilo que sugere para os outros: no momento em que afirma que "um comerciante que aumenta os preços age simplesmente por própria filhadaputice" é vc quem está "excluindo a possibilidade de pessoas agirem por outras razões que não sejam econômicas"; é vc quem está negando que "economics as if people mattered".


  • O MESMO de SEMPRE  04/08/2016 14:54
    .
    Os assalariados que querem aumentar seu lucro através do aumento do próprio salário TAMBÉM agem por mera "filhadaputice".

    Qual a razão para se assentir com assalariados que formam CARTÉIS OFICIALIZADOS e LEGALIZADOS para não só acartelarem-se mas principalmente para atuarem com VIOLOÊNCIA contra os "fura greve" e se condenar legalmente os empreeendedores que se querem acartelar a fim de aumentarem seus lucros, mesmo sem uso da violência???

    A greve de assalariados e seus cartéis oficiais são não só permitidos como incentivados. Contudo a greve de empresários é considerada crime ...esse é um mundo coerente???

    Como escrevi antes, a política ANIMALIZA o animal humano que se diz racional, mas se porta como um irracional ao se entregar às emoções agindo como um ANIMAL que apenas comunica seus sentimentos ou emoções através de "CARETAS de INDIGNAÇÃO" e tom de vozs alterado sem encadear raciocínios. Faz assim para comunicar apenas posições binárias: concorda ou discorda, se esta gostando ou desgostando, se esta bom ou ruimn e por ai vai.

    Animais ditos irracionais IGUALMENTE se resumem a comunicar/transmitir suas emoções através de EXIBIÇÃO dos DENTES e ROSNADOS, grunhidos, rabo entre as pernas e variadas expressões que só servem para transmitir seu "estado de espirito", assentimento ou discordância, dor ou prazer.

    Não diferente os humanos se contagiam meramente ao transmitirem-se emoções para serem reproduzidas via contágio. Contudo, refletir racionalmente para JULGAR as questões, isso é o que há de mais raro no comportamento humano. Aliás, JULGAR é considerado "COISA FEIA" e os imbecis se enchem de SOBERBA (simulam orgulho) ao MACAQUEAREM-SE em afirmações do tipo:
    "quem sou eu para julgar, mas..." ou "não quero julgar ninguém, mas" ...na verdade JULGAR questões é mal visto, isso cabe apenas aos JUIZES legais que interpretam as leis e ARBITRAM SENTENÇAS.

    Ai ai ...HUMANOS, DEMASIADO HUMANOS!!!
  • Ordnave  04/08/2016 20:38
    @taxidermista

    acho que tu não entendeu meu comentário - em nenhum momento disse que a escola austríaca não considera isso, só disse que a maioria dos liberais, principalmente os desta seção de comentário, não considera.
    dizer que eles agem por própria filhadaputice é reconhecer que há outros fatores além dos economicos.
  • O Iluminado  09/08/2016 14:28
    O Japão é UMA GRANDE EXCEÇÃO quando o assunto é comportamento. E não é apenas em assuntos econômicos. País único quanto à cultura. São extremamente disciplinados e pensam no coletivo. Por isso não aumentaram o preço do produto, mesmo havendo desabastecimento. Já que citou o Japão, sugiro que veja o percentual deles do equivalente a nossa taxa SELIC. Lá não existe BOLSA SELIC. Não existem rentistas sugadores.
  • Alberto  03/08/2016 16:49
    Exatamente o que mais ocorre no Brasil onde as agências (des)reguladoras fazem o papel de amigo do cidadão, algumas vezes multando, advertindo, sancionando as empresas num típico caso para inglês ver. O estado quer apenas o que lhe faz bem, ou seja, dinheiro e poder. Os cidadãos podem bem se lascar como for.
  • Arthur  03/08/2016 17:21
    Perfeito Leandro! Um exemplo disso foi no caso do desastre de Mariana, houve comerciantes de água vendendo a água mais caro que o preço antes do desastre, o que mais se via na mídia em geral era o "absurdo" desse ato "imoral" de querer se aproveitar(segundo a mídia) em situações calamitosas!

    Não enxergam que as pessoas com 1 litro de água na mão que vale 1 real dão um certo valor, já esse mesmo litro valendo 10 reais o seu valor percebido pra aquele produto(água) também se altera, a tendência da ação do indivíduo é utilizar essa água da forma mais racional possível, fazendo com que um número maior de pessoas tenham acesso a uma certa quantidade de água existente no local.
  • Max Stirner   03/08/2016 17:35
    Agora explica isso para o pessoal escravizado que foi encontrado fazendo as roupas da "Brooksfield Donna" aqui no Brasil.
  • Leandro  03/08/2016 17:55
    Você está se referindo a isso? Vejamos o que está escrito ali:

    "A marca de roupas Brooksfield Donna divulgou uma nota de esclarecimento na qual diz repudiar irregularidades, após ter seu nome vinculado ao trabalho escravo pelo Ministério do Trabalho. Em seu site e em sua conta no Facebook, a marca feminina de luxo do grupo Via Veneto diz que cancelou todos os pedidos feitos à confecção que subcontratou produção e que repudia "qualquer transgressão às leis trabalhistas".

    Durante uma inspeção, auditores do MTE flagraram uma pequena oficina, no bairro de Aricanduva, com cinco trabalhadores bolivianos - incluindo uma menina de 14 anos - que viviam em condições precárias, com jornadas de trabalho exaustivas, sem carteira de trabalho assinada ou férias. Os salários dos trabalhadores bolivianos dependiam da quantidade de peças produzidas - R$ 6,00, em média, por roupa costurada. A produção era 100% destinada à marca."

    Ou seja, 5 bolivianos "viviam em condições precárias, com jornadas de trabalho exaustivas, sem carteira de trabalho assinada ou férias".

    Pelo bem debate, ignorarei a afirmação de que as condições acima denotam "escravidão" (uma total desconsideração para com os escravos de verdade) e irei direto ao ponto.

    Até onde se sabe, imigrantes não saem escravizados de seus países de origem amontoados em navios negreiros e levados a contragosto para trabalhos compulsórios. Um imigrante, por definição, sai de um lugar para ir a outro à procura de trabalho. Sua intenção sempre é melhorar de vida. Ele faz isso porque quer; porque a situação em seu país de origem não lhe é atraente. Se ele está disposto a "trabalhar dia e noite, inclusive no fim de semana", é porque ele acha que assim ficará em situação melhor do que aquela em que se encontrava até então.

    A menos que você comprove que o imigrante está sendo [u]obrigado[u] a trabalhar sob a ameaça de um chicote, sem a opção de sair do emprego quando quiser, tal escolha sempre será benéfica para o imigrante.

    E se um imigrante se sujeita a condições que para nós parecem degradantes é porque, para ele, aquilo ainda é melhor do que a situação econômica em que ele se encontrava em seu país natal. Cabe a você provar que esses bolivianos foram sequestrados para São Paulo e ali mantidos em cativeiro, contra sua vontade, sendo proibidos de parar de trabalhar. Caso isso não tenha acontecido, então a única conclusão empírica é que esses bolivianos ainda preferiam essas condições às da Bolívia.

    No mais, vale ressaltar que os imigrantes que se sujeitaram a isso são, como dito, bolivianos. Parece que o paraíso criado por Evo Morales não está funcionando como o prometido. Bolivianos preferem "ser escravos" em São Paulo a continuar vivendo lá.
  • Ricardo SI  03/08/2016 21:39
    Esse ponto de "trabalho escravo" é muito interessante... Eu vim de uma família "financeiramente pobre". Meus pais tiveram muitos filhos e para sobreviver, meus pais tentaram (e conseguiram) empreender de várias formas.

    Durante muitos anos, na nossa casa, todos os filhos trabalhavam (a partir dos 6 / 7 anos)... (inclusive em uma determinada época todos meus irmãos costuraram, em uma oficina improvisada em casa!). E desse trabalho tiramos o sustento que permitiu que todos nós tivéssemos o que comer (às vezes faltava... Mas ninguém morreu de fome, então tivemos o suficiente). Também conseguimos estudar, e conseguir melhores empregos (muito melhores... A ponto de hoje eu e meus irmãos estarmos todos BEM distantes da chamada "linha da pobreza").

    Apesar de todas as dificuldades, crescemos em um lar saudável e unido, onde aprendemos a importância do trabalho... Para sorte da nossa família, na época, não havia fiscalização relacionado a trabalho escravo... E não havia conselho tutelar forte para nos encher o saco... Não fosse isso, meus pais seriam presos ou perderiam a nossa guarda ou perderiam seus negócios.

    Tenho certeza que a criação que nos foi dada, não seria melhor se o Estado se intrometesse mais! Imaginem o que teria acontecido, se fosse constatado que trabalhávamos como escravos (e nossa situação era até mais crítica, visto que não trabalhávamos por sequer um salário, trabalhávamos para comer mesmo...)...

    As empresas seriam proibidas de comprar nossa força de trabalho... Meus pais teriam que arranjar um subemprego e tentar sustentar seus filhos pequenos (mas eles não tinham estudo, logo não seria possível conseguir um trabalho que pagasse o suficiente para se manter)... Seríamos dependentes de um bolsa-família da vida (ou da boa vontade alheia)... Talvez não morrêssemos de fome, mas jamais teríamos a veia empreendedora e/ou aprenderíamos a trabalhar... Ao invés disso, teríamos aprendidos a sermos dependentes do Estado. :(


    Essa foi a história da minha família, e de muitas famílias que viveram na mesma época/região... Essa regulação do mercado de trabalho é uma vergonha, impede as pessoas de se desenvolverem e não dão chances para os pobres subirem na vida por meios próprios.
  • O Iluminado  09/08/2016 14:58
    Muito triste a história de sua vida. E parabéns se o que você escreveu for verdade. Mas pansa bem... Aqui oh... Seria melhor que os irresponsáveis dos seus pais não tivessem sequer filho nenhum. Evitaria sofrimento para eles para você e seus irmãos. Esse que é o REAL PROBLEMA DO BRASIL. UM BANDO DE IRRESPONSÁVEIS PROCRIANDO QUE NEM RATO E CACHORRO, SEM TER A MÍNIMA CONDIÇÃO DE SUSTENTO PRÓRIO. Uma das funções do Estado deveria ensinar essa cambada a não ter filho. Simples assim! Tenho dito.
  • Tulio  03/08/2016 17:59
    E o mais legal é que esses bolivianos que foram "salvos" agora estão desempregados e sem renda.

    Mas, segundo os humanistas, estão melhores assim.
  • Renan Merlin  03/08/2016 18:36
    Sabe que é que "escraviza" esses bolivianos? Os Proprios bolivianos que moram no Brasil
  • Livre Mercado  03/08/2016 18:14
    Agora temos mais desempregados ainda neste país, graças ao governo.
    Bolivianos são excelente imigrantes, trabalham duro, não reclamam, fazem serviços que os brasileiros se recusam a fazer, são muito pacientes e trabalhar é coisa séria para eles.
    Faça um mochilão pela Bolívia e diga que é de São Paulo ou San Pablo, vai ver os olhos brilhando dos bolivianos pobres de lá perguntando se é verdade a lenda de que os empregos são oferecidos nos pontos de ônibus, de que há bairros inteiros dedicados exclusivamente à confecção de vestiários e que há tantos compradores nas ruas de comércio que os vendedores nunca são o bastante.

  • Renan Merlin  03/08/2016 20:16
    Diferente dos haitiano que vem tudo pra se pendurar no Bolsa Familia, integrar PCC e MST e se vitimizar e por curiosidade são os unicos defendidos pela esquerda bolivianos vem pra ganhar dinheiro e empreender. Não é atoa que estão progredindo mais que o paulistano medio.
  • TuroKxwx  03/08/2016 18:59
    Realmente, o mais interessante é ver socialistas odiando o corporativismo, mas sempre pedindo mais e mais..
  • Ricardo S. I.  03/08/2016 23:48
    " Dizer que o sol é amarelo não é uma afirmação que está aberta a discordâncias" sem querer ser chato... Mas se procurar no google, poderá ver que há quem discorde, nós o enxergamos amarelo, mas o sol emite raios azuis e verdes (então, dependendo do ponto de vista, é possível discordar sim)
  • Getúlio  04/08/2016 05:12
    É antagônico.

    O que basicamente mantêm o Governo são as empresas e empregados que pagam uma parcela de sua renda através de impostos.

    Mas o Governo quase sempre atrapalha a vida das empresas, impede sua expansão e dificulta a criação de novas. São impostos sufocantes e uma burocracia exagerada.

    E quando vem crise o que acontece? Mais impostos que na verdade não aumentam a arrecadação pois quanto mais taxação menos entes sobrevivem para continuar pagando.

    Pesquisas com universitários no Brasil indicam que a maioria deseja estudar para concurso público ao invés de empreender ou seguir carreira corporativa.

    É o quadro que enxergo hoje no país.
  • Eduardo Ancap  04/08/2016 11:21
    Pessoal do Instituto Mises

    Sempre compartilho o excelente trabalho de vcs no Twitter e queria saber pq vcs não fazem com que o link compartilhado fique mais apresentável no Twitter igual ao site Ilisp e muitos outros sites de notícias?

    Desde já obrigado, sou leia assíduo do site.

    Carlos Eduardo
  • O MESMO de SEMPRE  04/08/2016 12:21
    .
    - LUCRO, por definição e percepção axiomática, é a diferença positiva entre o montante recebido como remuneração por um trabalho executado e o custo de realizar esse trabalho.

    Se o custo da realização de um trabalho for maior que a remuneração recebido por este trabalho, o termo utilizado será PREJUIZO.

    Ou seja, qualquer trabalho que se realize necessitará da AÇÃO HUMANA previamente realizada ou no momento realizada. Mesmo que este custo seja apenas a ação e o tempo dispendido, sem a necessidade de qualquer outro insumo, ainda assim terá havido um custo, desprezível, em energia humana superior à inércia. Assim corroborando a LEI da CONSERVAÇÃO das MASSAS ou LEI de LAVOISIER: na natureza nada se perde e nada se cria, tudo se transforma (a ação consome energia).

    Desta forma se pode perceber que até um assalariado realiza LUCRO ao receber o seu salário. Este lucro será a DIFERENçA entre o SALÁRIO RECEBIDO (remuneração) e o CUSTO que teve que dispender para realizar o seu trabalho (insumos), como transporte, vestuário e, se formos ao preciosismo, um adicional de alimentação para gerar energia para sua "ação extra". CLARO QUE TAL PRECIOSISMO É DISPENSÁVEL, não só por ser irrisório, mas sobretudo por não ser mensurável e indissociavel.

    Ou seja, esse horror que se manifesta contra o LUCRO decorre não de uma avaliação racional, mas meramente por uma TRANSMISSÃO de EMOÇÃO através da ENCENAÇÃO de EXPRESSÃO de DESAPROVAÇÂO. Algo pertinente ao reino dos ANIMAIS ditos IRRACIONAIS. Pois estes tem sua comunicação praticamente restrita às TRANSMISSÕES de EMOÇÕES e não de RACIOCÍNIOS.

    O LADO EMOCIONAL do ANIMAL HUMANO, dito animal racional, prevalece exatamente na POLÍTICA. Pois nesta mais vale transmitir emoções do que razões. Desta forma ao se comunicar ATRAVÉS de uma CARETA ou EXPRESSÃO de HORROR se esta apenas transmitindo uma EMOÇÃO e não um RACIOCÍNIO.

    Emoções CONTAGIAM e por tal o PÂNICO é CONTAGIANTE. Até a alegria também pode contagioar e não por acaso sempre há um tanto de emoção nas comunicações.
    Na política a percepção do que se quer comunicar se dá pelo MINIMO DIVISOR COMUM no "REBANHO HUMANO" e este é EXATAMENTE a TRANSMISSÃO de EMOÇÕES para ANIMALESCAMENTE informar APROVAÇÃO ou DESAPROVAÇÃO sobre algo, sem a preocupação de transmitir qualquer raciocínio que embase tal conclusão. A razão para tal sentimento, aprovação ou desaprovação, passa então a ser PRESUMIDA pela platéia que SEM CONHECER o RACIOCÍNIO que levou à conclusão, IMAGINA que este EXISTA e SIMIESCAMENTE o REPRODUZ.

    Os símios IMITAM aquilo que, talvez, imaginam que o outro realiza por em tal obter algum tipo de prazer ou vantagem. Imitam, talvez, na expectativa de obter o mesmo.

    O comportamento humano ANIMALESCO se dá exatamente quando abandona a RAZÃO para assimilar EMOÇÕES em vez de RACIOCÍNIOS.

    Não por acaso a política se faz atiçando emoções em discursos patéticos, com perorações recheadas de CARETAS e GRITOS de INDIGNAÇÃO ou APROVAÇÃO para contaminar a platéia em vez de induzi-la a refletir sobre as ideias esxpostas.
  • O MESMO de SEMPRE  04/08/2016 12:32
    .
    Em continuidade ao comentario que fiz antes, segue:

    Perceba-se que na política mais vale a ALGAZARRA, a AGITAÇÃO EMOCIONAL, nunca a reflexão.

    As massas são convencidas por agitação emocional como as manifestações em grandes volumes, que "falam" aos olhos e transmitem apenas aprovação ou desaprovação em sua imagem (tamanho) para contagiar. Daí que a quantidade (tamanho), agitação e o barulho são fundamentais para atrair anuência para a causa.

    Trata-se de transmissão de sentimentos e não de idéias.

    Não é por acaso que sindicalistas se valem de carros de som onde o barulho embota a capacidade de reflexão sobre o que se esta falando. O objetivo é transmitir emoção e suprimir a razão.
    Não é por acaso que os "grandes oradores" mais transmitem emoções do que reflexões. Emoções são assimiladas imediatamente sem qualquer esforço, enquanto raciocínios exigem grande esforço de apreensão, exigem REFLEXÃO. Enquanto emoções exigem apenas a IMITAÇÃO mecânica via captação visual ou auditiva (os slogans, bandeiras abanadas, gritaria histérica e etc.) sem qualquer esforço sobre significados de palavras ou gestos. A conclusão? ...a POLÍTICA IDEOLOGICA ANIMALIZA o ser humano.
  • William  04/08/2016 14:19
    Conforme dizia minha mãe, "ninguém faz nada a troco de nada".
    Hahahaha.
  • Amônino  04/08/2016 16:20
    "Nesse caso, a situação para os pobres fica extremamente melhor. Se os ricos foram comprar em outros lugares não-inflacionados, então sobrou mais para os pobres.
    ...
    Em compensação, eles ao menos tinham bens disponíveis para compra. Esse é todo o ponto."


    Todos, ricos e pobres, teriam os produtos disponíveis o tempo todo. Bastando deslocar-se. O deslocamento, por-si, aumentaria o custo de oportunidade da aquisição. Não compensa deslocar-se 200 km para adquirir um garrafão de água, então quem só pudesse adquirir pequenas quantidades compraria a um preço maior. Como eu mencionei, o preço provavelmente se equilibraria num patamar que impedisse os estoquistas de se tornarem concorrentes. Esse preço maior, eventualmente, impossibilitaria algumas pessoas de consumir.

    "Nada a ver. Um colar da Bulgari nunca teve um "preço popular", como uma garrafa de água mineral. Mais ainda: um colar da Bulgari nunca esteve fartamente disponível, como garrafas de água mineral."

    O fato de bens de primeira necessidade terem outrora preço popular ou alta disponibilidade não interfere em nada no preço alto em caso de escassez.

    "Você está dizendo que, mesmo efetuando todas as substituições, os pobres não terão dinheiro nem para comprar uma garrafinha de água mineral. Isso está além do apocalíptico.

    "Uma garrafinha de água"[i/] não é a melhor escala para quantificar o consumo de água por famílias.

    [i]"É claro que terão dinheiro. Mas terão de abrir mão, por algum tempo, de outras coisas, como sucos, cervejas, refrigerantes biscoitos e várias outras coisas."


    Se não há pão, que comam brioches!..
  • Ricardo Bordin  04/08/2016 17:56
    Um VIVA ao empreendedorismo:

    https://bordinburke.wordpress.com/2016/07/27/joy-o-nome-do-sucesso-e-do-empreendedorismo/
  • Imposto e' roubo  11/08/2016 14:31
    https://godshotspot.files.wordpress.com/2016/07/18kxcuhyhccemjpg2.jpg?w=660

    Luz elétrica da Coreia do Norte; O link do texto está quebrado.
  • Emerson Luis  15/09/2016 20:34

    "Curiosamente, este arranjo protecionista e intervencionista — que garante altos lucros para as empresas protegidas — é exatamente aquele defendido pela esquerda, que ao mesmo tempo condena os lucros. Não dá para entender."

    A explicação é simples: existem basicamente dois tipos de esquerdistas, os iludidos e os hipócritas - ou melhor, há uma graduação entre um polo e outro. Os iludidos não percebem ou não entendem as contradições, os hipócritas fingem não perceber ou não entender.

    Quando alguém condena o lucro, podemos solicitar que defina o conceito e depois explicar como definimos. Uma mera definição simplificada de "lucro" (com uma sequência de perguntas) mostra que condenar o lucro do empreendedor como intrinsecamente mau é tão coerente, justo e moral quanto condenar o salário do empregado, como se todos devessem trabalhar gratuitamente.

    * * *
  • Raphael  27/09/2016 15:03
    Adicionalmente, condenar qualquer lucro como sendo 'excessivo' pode levar a situações tão absurdas quanto aplaudir uma empresa que, outrora muito lucrativa, passou a desperdiçar capital e a produzir ineficientemente a custos mais altos. Esta redução na eficiência e, consequentemente, nos lucros logrou apenas fazer com que os cidadãos fossem privados de todas as vantagens que poderiam usufruir caso os bens de capital desperdiçados por esta e

    mpresa fossem disponibilizados para a produção de outros produtos.


    Uma alternativa para reduzir o lucro da empresa sem precisar adentrar na situação grotesca exposta acima, de ineficiência, é simplesmente a empresa reduzir sua margem de lucro, assim ela pode continuar sendo eficiente, manter a produtividade e não ter lucros excessivos.

    Essa situação exposta por mim, anula a justificativa destacada do texto acerca da condenação de lucros excessivos.
  • Marcos  27/09/2016 15:18
    "Uma alternativa para reduzir o lucro da empresa sem precisar adentrar na situação grotesca exposta acima, de ineficiência, é simplesmente a empresa reduzir sua margem de lucro, assim ela pode continuar sendo eficiente, manter a produtividade e não ter lucros excessivos."

    É? E aí como fica a capacidade de investimento da empresa? Como ela irá expandir seus negócios? Como ela irá contratar mais gente? Como ele irá dar aumentos salariais no futuro?

    É o ápice da arrogância alguém determinar que "os lucros estão excessivos; hora de diminuí-los na marra". Todos os planejadores centrais pensavam assim. E, ao imporem essa visão de mundo, chacinaram 170 milhões de pessoas.

    São os "amantes da humanidade"; os "iluminados do bem".


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