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Alguém sabe definir o que é “justiça social”?

Você conhece alguém que saiba a definição de justiça social?

Se você perguntar a dez progressistas o que significa justiça social, você terá dez respostas diferentes.  E é assim porque "justiça social" significa qualquer coisa que seus proponentes queiram que signifique. 

O "social" é um adjetivo mustelídeo, que confere ao termo "justiça" ampla diversificação de significados.

Quase que sem exceção, sindicatos, universidades, movimentos organizados, instituições de caridade e igrejas clamam que pelo menos uma parte da sua missão é o aprofundamento da justiça social.  A própria ONU criou o Dia Mundial da Justiça Social.

Sucintamente, "justiça social" é um código que designa coisas boas em prol das quais ninguém precisa argumentar — e ninguém ousaria ser contra.

Isso incomodou imensamente o grande economista Friedrich Hayek.  Eis o que ele escreveu ainda em 1976, dois anos após ganhar o Prêmio Nobel de Economia:

'Justiça social' é uma das expressões mais enganosas (e talvez por isso mesmo mais frequentemente usada) do discurso político contemporâneo.  Com efeito, trata-se de uma miragem, uma fórmula ilusória que, por conter atrativos quiméricos, é constantemente utilizada pelos políticos para conseguir que uma determinada pretensão seja considerada plenamente justificada sem ter de dar razões morais para sua adoção.

Passei a acreditar que o maior serviço que ainda posso prestar aos meus semelhantes é o de fazer com que oradores, políticos, escritores, jornalistas e todos os pensadores responsáveis venham a sentir, para sempre, total vergonha de empregar a expressão 'justiça social'.

Por que Hayek se sentiu tão incomodado por uma expressão que possui uma conotação tão positiva e tão incontestável?  Porque ele conseguiu enxergar, como frequentemente o fazia, perfeitamente o cerne da questão.  E o que ele viu o assustou.

Hayek entendeu que, por trás do oportunismo político e da preguiça intelectual do termo "justiça social" há uma perniciosa alegação filosófica: a de que a liberdade deve ser sacrificada em prol da redistribuição de renda.

Em última instância, "justiça social" se resume ao estado acumular poderes cada vez maiores com o intuito de "fazer coisas boas".  E o que seriam essas "coisas boas"?  Tudo aquilo que os defensores da justiça social decidirem esta semana. 

Mas sempre, tanto em primeiro quanto em último lugar, está a causa da redistribuição de renda. 

De acordo com a doutrina da Justiça Social, quem tem dinheiro tem muito dinheiro, e quem tem pouco dinheiro não tem dinheiro e precisa de mais dinheiro.  E isso não é uma caricatura, não.  É exatamente assim que um relatório da ONU sobre Justiça Social define o termo:

Justiça social pode ser amplamente entendida como a justa e misericordiosa distribuição dos frutos do crescimento econômico. A justiça social não é possível sem fortes e coesas políticas redistributivas concebidas e implantadas por agências públicas.

Vale a pena repetir essa parte: "fortes e coesas políticas redistributivas concebidas e implantadas por agências públicas".

E tudo piora.

O relatório prossegue e diz que: "aqueles que hoje acreditam em uma verdade absoluta identificada com a virtude e a justiça não são companhias desejáveis para os defensores da justiça social."

Tradução: se você acredita que verdade e justiça são conceitos independentes da agenda progressista capitaneada pela esquerda, então você é um inimigo declarado da justiça social.

Assim, justiça social — ou "demonstração de compaixão" — é quando o governo toma o seu dinheiro, ganhado honestamente por meio do seu trabalho e com o suor do seu próprio rosto, e o entrega para terceiros escolhidos pelo próprio governo.  Já se você simplesmente quiser manter para si esse dinheiro, isso é uma intolerável demonstração de ganância.

Isso levou o grande Thomas Sowell a fazer sua afirmação antológica: "Nunca entendi por que é 'ganância' querer manter para si o dinheiro que você ganhou com o suor do próprio rosto, mas não é ganância querer tomar o dinheiro dos outros".

O mais curioso é que os maiores proponentes da redistribuição de renda são os primeiros a não se submeter a ela, como bem comprovou o recente caso dos "Panama Papers", em que se descobriu que proeminentes políticos defensores da redistribuição de renda enviaram seu dinheiro para paraísos fiscais, protegendo-o da própria redistribuição que defendem.

Isso deu ainda mais significado àquele antigo provérbio, que diz que "Muitos dos interessados na distribuição do bolo querem sobretudo o controle da faca".

A condenação da liberdade

Defensores da justiça social supostamente querem que todo e qualquer infortúnio, aflição ou desejo econômico seja resolvido por mais um programa governamental criado especificamente para remediar esse infortúnio, essa aflição ou esse desejo econômico.

A "justiça social" atribui ao governo e seus burocratas a responsabilidade suprema pelo bem-estar de cada indivíduo, tornando os funcionários públicos juízes supremos dos direitos individuais.  Ela coloca os políticos no centro da ordem econômica.  Legisladores aprovam leis econômicas, governantes adotam as regulações, os juízes as adjudicam, e os cobradores de impostos e a polícia as impingem.  O dinheiro assim coletado pode ser alocado tanto para a saúde quanto para universidades quanto para uma grande indústria que está em dificuldade e precisa de subsídios para "manter os empregos". 

Em cada um desses casos, a "justiça social" leva a uma expansão dos poderes do governo, dos políticos e dos funcionários públicos, tornando todos esses os principais beneficiários do sistema.

O ponto subjacente à justiça social, portanto, se resume a uma impetuosa e radical condenação da sociedade livre.  À medida que as regulamentações e os poderes do estado se expandem, e o confisco da renda aumenta, a liberdade do indivíduo encolhe.

No entanto, para os "guerreiros sociais", todo o necessário é invocar a frase abracadabra "justiça social", e tudo irá se resolver.

A invocação da justiça social sempre parte do princípio de que "as pessoas certas" — alguns poucos ungidos — podem simplesmente impor a justiça, a prosperidade e qualquer outra "coisa boa" que você puder imaginar.  E a única instituição capaz de impor a justiça social é o estado.

Os auto-declarados defensores da justiça social acreditam que o estado pode, e deve, remediar tudo aquilo que eles julgam estar errado com o mundo.  Qualquer um que discorde se torna automaticamente um inimigo de tudo aquilo que é bom e correto.  Consequentemente, o estado — ou seja, os políticos — deve coagir esses desalmados a agir de acordo com o que é "socialmente justo".  E isso, como Hayek já havia profetizado, não mais é uma sociedade livre.

É nesse tipo de sociedade que você quer viver?  Se não é, cuidado com aquilo que será feito em nome da justiça social.

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"Sem o estado, quem cuidará dos pobres?"



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Diversos Autores

  • Renan Merlin  27/07/2016 15:26
    Eu sou favoravel a privatização mas um amigo me perguntou algo que fiquei sem resposta. Suponhamos por exemplo que alguém compre a rodovia imigrantes que liga São Paulo e Interior a Santos e como nem todo mundo é movido a dinheiro e sei lá, o sujeito é anti santista e não quer que haja o jogo do Santos e simplesmente fecha a rodovia. Ele praticamente iria parar uma cidade inteira e 1/3 das exportações do pais via o porto de santos por capricho pessoal.
  • Hanke  27/07/2016 15:41
    Aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1614

    P.S.: é sempre curioso notar que os argumentos contrários sempre, e inevitavelmente, se resumem a construções imaginárias absurdas.
  • Renan Merlin  27/07/2016 15:58
    Do jeito que essas olimpiadas esta dando nojo se eu fosse dono do aeroporto do galeão eu simplesmente fechava e acabou kkkk
  • Dam Herzog  27/07/2016 17:26
    Perderia muito dinheiro e o capitalista é um comerciante e quer vender seu produto.
  • Gustavo Nunes  27/07/2016 16:05
    Ora, então vá se pela rodovia Anchieta.
  • anônimo  27/07/2016 16:36
    A Anchieta faz parte do mesmo sistema que a Imigrantes, sistema anchieta-imigrantes, administrada pelo grupo EcoRodovias.

  • Pessimista  27/07/2016 16:26
    Mas a imigrantes já é privatizada.
  • Dam Herzog  27/07/2016 17:22
    Ele nunca faria isto por perder muito dinheiro principalmente, e pela falta de credibilidade que daria a sua rodovia, e podiriam surgir competidores.
  • Henrique Zucatelli  27/07/2016 22:37
    Pessoal, vamos com calma. A pergunta do Renan é altamente pertinente, e quem é empresário sabe bem a questão moral do conceito de propriedade, e apesar do exemplo ser extremo, já vi coisas absurdas desse tipo no meio em que atuo. Eu mesmo mais de uma vez desisti de fechar negócios por não ir com a cara do cliente. Perdi dinheiro? Sim, mas e daí, o dinheiro é meu , não é verdade? Porém no meu caso o efeito danoso foi limitado a algumas dezenas de pessoas. E quanto ao caso acima?

    É por essas e outras que sou amplamente convicto do conceito de liberalismo clássico baseado no Império das Leis, onde elites naturais altamente capacitadas moralmente são responsáveis pela manutenção da ordem nessas questões macro.

    Sei que os ancaps vão espumar de raiva, mas a livre concorrência funciona em espaços de tempos diametralmente coerentes com o tamanho do investimento demandado para cada operação. Se o dono de uma rodovia simplesmente fecha-la por motivos não tão absurdos, como construir condomínios, aeroportos ou algo que renda mais que isso, não é de uma hora para outra que um concorrente irá construir uma paralela. Logo a escola clássica é a mais prudente para esta humanidade ainda muito agressiva, o que inclusive se eu não me engano foi admitido pelo próprio Rothbard em um de seus brilhantes artigos (falta citação mas vou achar aqui no site).

    Para finalizar meu caro Renan, seu amigo está certo no final das contas. Nada pode impedi-lo de fazer algo absurdo em um mundo ancap.
  • Livre Mercado  28/07/2016 00:05
    Caro Renan, as empresas com capacidade financeira de deter um empreendimento grande como uma rodovia dessas funciona com um estatuto que disporá sob quais circunstâncias esta funcionará e deixará de funcionar.
    A livre concorrência não tratará apenas do aspecto monetário e sim aspectos práticos e morais para definir o comprador de uma propriedade dessas, até porque em países desenvolvidos estas têm parte de seu patrimônio dividido em ações e são vendidos principalmente para fundos de pensão, que possuem estatutos ainda mais severos para seu funcionamento.
    Sem contar que num ambiente de livre concorrência a rodovia dos imigrantes seria apenas 1 dos modais disponíveis para transpor a serra do mar, projetos existentes hoje que o governo de SP não privatiza:

    -Duplicação da Mogi Bertioga melhorando acesso ao litoral norte;
    -Duplicação decente e não a atual palhaçada da rodovia dos Tamoios em Caraguatatuba;
    -Modernização da descida da serra pela ferrovia em Paranapiacaba e Cubatão;
    -Recuperação da abandonada ferrovia Mairinque Santos;
    -Duplicação da rodovia Régis Bittencourt na serra do cafezal permitindo acesso prático ao litoral sul pela Pedro Taques;
    -Construção da rodovia Suzano Guarujá.
    -Privatização da rodovia caminho do mar de SBC para fins turísticos e transporte por bicicletas;
    -Aeroporto do Guarujá.

    Ótimos projetos que se dividem entre nunca sair do papel e sair de maneira lenta e atabalhoada.
    Várias alternativas sem citar a velha guerreira rodovia Anchieta e sem devaneios hipotéticos.


  • Alex Ran  28/07/2016 00:32
    Respondo com outra pergunta: e se o governador é anti santista e determina o fechamento da rodovia utilizando um conceito vago como por exemplo "segurança pública"? Quem é o mais provável de tomar essa medida: o que vai perder dinheiro ou o que não perde dinheiro? Quem pode afirmar que os governantes serão mais sensatos?
  • anônimo  28/07/2016 08:25
    Se o cara tem a obrigação 'moral' de deixar aberta uma rua dentro da propriedade privada dele, essa propriedade não é privada de verdade.
  • Henrique Zucatelli  28/07/2016 14:54
    Anônimo, é justamente em obrigações morais que está baseado o princípio filosófico monocrático baseado no Império das Leis.

    - Livre Mercado puro;
    - Moeda lastreada em ouro;
    - Propriedade privada;
    - Leis simples, constantes e de fácil interpretação;
    - Um corpo composto por elites naturais responsáveis pela manutenção dos itens citados acima.

    Essas obrigações impõem a quem quiser ter uma propriedade privada de grande fluxo como estradas, de fecha-la de uma hora para outra. O sujeito que calcule bem o risco, ou não entre no negócio, pois ele será responsável pelo acesso de milhares (até milhões) de pessoas de um lugar para outro.

    Há diversas outras questões que impedem a implantação do anarquismo de livre mercado, pois esbarram em conceitos morais difusos, que podem causar distúrbios sociais de grande escala como violência doméstica, pedofilia e incesto: sendo a família propriedade privada, em uma sociedade ancap ninguém poderia arbitrar qualquer tipo de absurdo envolvendo famílias vendendo filhos pequenos a outras pessoas, abusos infantis e outras aberrações, e por aí vai.

    É para isto que o Império das Leis existe. Como régua moral, como limite para controlar o excesso de impetuosidade dos seres humanos.



  • Yuri  28/07/2016 14:07
    A resposta é simples: em um ambiente libertário, a tendência é de haver menos conglomerados fechados e mais investimentos abertos. No exemplo, a existência de uma empresa dona de uma rodovia implica duas coisas:

    Ou ela é uma S.A., formada portanto com capital de vários investidores, que nunca permitiriam isso

    Ou ela pertence a alguém muito rico, que nunca faria isso por medo de represálias em suas demais empresas.
  • Joao Cirilo  28/07/2016 23:54
    Mas isto seria impossível de acontecer - alguém comprar uma rodovia e fechá-la - porque além de ser um despropósito sob o ponto de vista econômico, seria algo impensável sob o ponto de vista legal: a propriedade é livre e protegida, desde que cumpra sua função social.

    Não cumpriria função alguma uma rodovia fechada ao tráfego de pessoas e de coisas.
  • Gunnar  04/08/2016 12:33
    Lembre-se sempre: qualquer coisa que um "capitalista monopolista malvadão" PODERIA EVENTUALMENTE fazer, o governo JÁ PODE fazer hoje, em todas as áreas onde ele é, pasmem, um monopolista. Não há qualquer motivo para imaginar que os seres humanos em postos burocráticos no comando do estado são mais bondosos ou bem-intencionados do que empresários - de fato, há motivos para crer justamente o contrário.
  • Rodrigo  27/07/2016 15:27
    Missão Integral é a leitura marxista do evangelho. A mesma coisa que teologia da libertação. Ou seja, comunismo puro e simples tentando aparelhar o cristianismo. Justiça Social provavelmente é roubar alguém pra dar uma pequena parte do butim pra outro e embolsar pra si o restante.
  • Tannhauser  27/07/2016 15:52
    Não só justiça social. Existem diversos termos que foram sendo deturpadas ao longo do caminho:

    Socialismo: é ajudar os mais pobres
    Capitalismo: é explorar os mais pobres
    Liberal: neoliberal
    Neoliberal: aquele que vende por preço barato o Capital do país
    Político de esquerda: politico preocupado com as minorias
    Negro: minoria
    Indio: minoria
    Mulher: minoria
    Sem-terra: minoria
    Homem branco,loiro, de olhos azuis e rico: maioria
    Classe média: aquele que recebe acima de 300 reais por mês
    Ditador de esquerda: revolucionário
    Partido conservador: direita radical
    Governo de esquerda que acabou de ser eleito: governo socialista
    Governo de esquerda depois de destruir a economia e matar a própria população: extrema direita
  • Dam Herzog  27/07/2016 18:41
    Definições:
    Socialismo desincentiva o trabalho, promove a fome e miséria e prejudica as pessoas.
    Capitalismo ajuda as pessoas pelas trocas voluntarias, é pacifico, o capitalista escravo dos consumidores.
    Neoliberal este termo inexistente é pejorativo para as privatizações, pois os estatistas adoram uma estatal para eles depenarem como fizeram com a petrobrás.
    Politico de esquerda pessoa interessado em muitas estatais para eles gerirem e roubarem, como os correios falido e que tem um chefe para cada dois funcionários e com fundo de pensão falido pois os políticos de esquerda investiram em papeis da Venezuela.
    Negro cidadão igual aos outros.
    Índio cidadão igual aos outros.
    Mulher cidadã igual aos outros.
    Sem Terra cidadão que não quer seguir o exemplo dos "com terra", de obter as coisas pelo trabalho e por isso cometem crime contra a propriedade privada, fazendo invasões criminosas tentando impor o socialismo a força.
    Classe média é uma classe social presente no capitalismo moderno que se convencionou a tratar como possuidora de um poder aquisitivo e de um padrão de vida e de consumo razoáveis, de forma a não apenas suprir suas necessidades de sobrevivência como também a permitir-se formas variadas de lazer e cultura.
    Ditador de esquerda Pessoas que usam a força para imporem suas ideias, socialistas, defensores da construção de um mundo justo e igualitário, longe das tentações e das amarras do consumismo – mas não abrem mão das benesses que só os cifrões do capitalismo podem bancar, a igualdade é só para os dirigentes a nova classe, não tem uma justiça. Desincetivam o trabalho pela proibição da propriedade privada e os cidadãos acabam na fome, miséria, perda de dignidade, sangue e morte.
    Extrema direita defende a manutenção das politicas que deram certo no passado e o evolucionismo social tais com privatizações, governo limitado,politica fiscal equilibrada, primado da propriedade privada e livre mercado, definição de lei como normas de conduta justa iguais para todos prospectivas no tempo e no espaço. Enfim defendem o evolucionismo social.
    Governo de esquerda; governo que tem a intenção de implantar o socialismo, desrespeito a propriedade privada, supremacia dos sindicatos, desiquilibrio fiscal dizendo que no caso de divida pública que não tem importancia pois devemos para nos mesmos.
    Governo de esquerda descreve uma posição que apoia a igualdade social.Coisa que nunca existiu no mundo e em qualquer familia Normalmente, envolve uma preocupação com os cidadãos que são considerados em desvantagem em relação aos outros e uma suposição de que há desigualdades injustificadas que devem ser reduzidas ou abolidas. Praticam a politica de justiça social que corresponde em roubar de Pedro eficiente e dar a Paulo não gosta de trabalhar.Num estado livre não existe justiça social que uma enganação.



  • Jarzembowski  27/07/2016 17:03
    Nem precisamos ir tão longe na argumentação.
    Justiça social é uma impossibilidade lógica, é na melhor das hipóteses uma metonímia.
    NÃO EXISTE justiça como definição valorativa de abstrações. Justiça ou injustiça só podem ser usadas pra definir relações concretas, entre indivíduos concretos e conscientes.
    Relações que envolvam abstrações como "sociedade", "minoria", "trabalhadores", ou entidades não-conscientes, como forças da natureza, jamais poderão ser classificadas como justas nem injustas.
  • Gunnar  05/08/2016 08:34
    O simples fato de o termo "justica social" não estar contido na definicão de "justica" na sua acepcão original (se assim não fosse, bastaria evocar justica) já o condena, pois por simples inferência lógica, implica que é preciso abdicar da justica (original) para alcanca-la, o que por si é anti-ético.
  • Ba Marques  27/07/2016 17:24
    A única justiça social que eu conheço: eu fico com o fruto do meu trabalho e você com o seu.
  • Clay Meneses  27/07/2016 17:25
    Criticar é fácil, mas como fazer justiça social sem esses efeitos colaterais?
  • Observador  27/07/2016 17:28
    A pergunta está invertida. A pergunta correta é:

    Por que atribuir ao próprio agente causador e perpetuador da pobreza a tarefa de acabar com a pobreza?

    "Sem o estado, quem cuidará dos pobres?"
  • Eurivaldo Alcântara  27/07/2016 17:31
    Acho que o senhor não entendeu. "Justiça social" é só um termo politicamente correto para justificar a expansão do poder estatal sobre a sociedade.
  • Pobre Paulista  27/07/2016 18:39
    Mas sem a Justiça Social, O que será dos Guerreiros da Justiça Social?
  • Taxidermista  27/07/2016 18:14
    Social Justice
    By Walter E. Block

    "On many university campuses, there is a push on to promote Social Justice. There are two ways to define "Social Justice."

    First, this concept may be defined substantively. Here, it is typically associated with left wing or socialist analyses, policies and prescriptions. For example, poverty is caused by unbridled capitalism; the solution is to heavily regulate markets, or ban them outright. Racism and sexism account for the relative plight of racial minorities and women; laws should be passed prohibiting their exercise. Greater reliance on government is required as the solution of all sorts of social problems. The planet is in great danger from environmental despoliation, due to an unjustified reliance on private property rights. Taxes are too low; they should be raised. Charity is an insult to the poor, who must obtain more revenues by right, not condescension. Diversity is the sine qua non of the fair society. Discrimination is one of the greatest evils to have ever beset mankind. Use of terminology such as "mankind" is sexist, and constitutes hate speech.

    Secondly, Social Justice may be seen not as a particular viewpoint on such issues, but rather as a concern with studying them with no preconceived notions. In this perspective, no particular stance is taken on issues of poverty, capitalism, socialism, discrimination, government regulation of the economy, free enterprise, environmentalism, taxation, charity, diversity, etc. Rather, the only claim is that such topics are important for a liberal arts education, and that any institution of higher learning that ignores them does so at peril to its own mission.

    So that we may be crystal clear on this distinction, a Social Justice advocate of the first variety might claim that businesses are per se improper, while one who pursued this undertaking in the second sense would content himself by merely asserting that the status of business is an important one to study.

    Should a University dedicate itself to the promotion of Social Justice? It would be a disaster to do so in the first sense of this term, and it is unnecessary in the second. Let us consider each option in turn.

    Should an institution of higher learning demand of its faculty that they support Social Justice in the substantive left wing sense, it would at one fell swoop lose all academic credibility. For it would in effect be demanding that its professors espouse socialism. But this is totally incompatible with academic freedom: the right to pursue knowledge with an open mind, and to come to conclusions based on research, empirical evidence, logic, etc., instead of working with blinders, being obligated to arrive only at one point of view on all such issues.

    This would mean, for example, in economics, the area with which I am most familiar, to be constrained to conclude that the minimum wage law is the last best hope for the unskilled, and that continually raising it is both just and expeditious; that free trade is pernicious and exploitative. It is more than passing curious that those in the university community who are most heavily addicted to diversity cannot tolerate it when it comes to divergence of opinions, conclusions, public policy prescriptions, etc.

    What about promoting Social Justice in the second sense; not to enforce conclusions on researchers but merely to urge that questions of this sort be studied?

    This is either misguided, or unnecessary.

    It is misguided in disciplines such as mathematics, physics, chemistry, music, accounting, statistics, etc., since these callings do not typically address issues related to Social Justice. There is no "just" or "unjust" way to deal with a "T" account, a quadratic equation or an econometric regression; there are only correct and incorrect ways to go about these enterprises. To ask, let alone to demand, that professors in these fields concern themselves with poverty, economic development, wage gaps or air pollution is to take them far out of their areas of expertise. It is just as silly as asking a philosopher to teach music, or vice versa.

    And it is totally unnecessary, particularly in the social sciences but also in the humanities. For if members of these disciplines are not already conducting studies on issues germane to Social Justice (and, of course, to other things as well) then they are simply derelict in their duty. If historians, sociologists, anthropologists, economists, philosophers are ignoring poverty, unemployment, war, environmentalism, etc., no exhortations to the contrary are likely to improve matters.

    Colleges and universities therefore ought cease and desist forthwith from labeling themselves in this manner, and from promoting all extant programs to this end. It is unseemly to foist upon its faculty and students any one point of view on these highly contentious issues. It would be just as improper to do so from a free enterprise, limited government private property rights perspective as it is from its present stance in the opposite direction. For additional material critical of these initiatives, see Michael Novak and Walter Williams.

    Of course, social justice may be defined in yet a third manner: as favoring justice in the "social" arena, as opposed to other venues. Here, all intellectual combatants would favor the promotion of this value; the only difference is that leftists, for example, mean by this some version of egalitarianism, while for libertarians justice consists of the upholding of private property rights. For a college to uphold social justice in this sense would be highly problematic, in that two very different things would be connoted by this phrase.
    "

    www.lewrockwell.com/2004/01/walter-e-block/social-justice/

  • Rennan Alves  27/07/2016 20:32
    Esse texto do Walter Block é sensacional.

    Lembrei dele enquanto assistia a uma entrevista na CNN de um delegado da polícia norte americana desmascarando o Black Live Matters.

    Com o detalhe de que ele era negro.
  • Rui  27/07/2016 20:21
    Justiça social é você ter que pagar impostos para sustentar parasitas públicos e privados.
  • Dissidente Brasileiro  28/07/2016 01:30
    Entendeu bem, sr. Rodrigo Pereira Herrmann? Ou quer que desenhe?
  • Ricardo Bordin  27/07/2016 20:44
    Quer ajudar os pobres? Diminua o tamanho do Estado e promova mais liberdade econômica. O resto é balela. Só o empreendedorismo em um livre mercado pode gerar e distribuir riqueza de forma sustentável e elevar o padrão de vida dos menos favorecidos, como já demonstraram países de diferentes continentes e hemisférios, tais como Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, países Bálticos, Chile, etc.

    Aliás, por milagre, hollywood produziu um filme que enaltece uma empreendedora, Joy Mengano. Redigi um artigo analisando o filme à luz do Liberalismo econômico:

    https://bordinburke.wordpress.com/2016/07/27/joy-o-nome-do-sucesso-e-do-empreendedorismo/
  • Luiz  27/07/2016 21:16
    Os próprios burocratas n gostam de burocracias, mas sim de arrecadar, malandragem não?
  • Ed  27/07/2016 23:17
    curiosidade: reportagem do jornal jerusalem post sobre os eleitores judeus americanos que optarão pelo candidato libertário (existe vida além dos republicanos e democratas):

    www.jpost.com/US-Elections/Between-Never-Trump-and-Never-Hillary-some-Jews-chose-Libertarianism-462404
  • Célio  28/07/2016 00:22
    Fugindo um pouco do assunto do tópico (ou nem tanto), estou estudando para o Enem e, como vocês sabem, os corretores da redação são bem politicamente corretos e talvez por isso eu, como liberal, não poderei expressar minhas ideias explicitamente. Um dos meus objetivos até o dia da prova, só para garantir a nota mesmo, é aprender a esquerdar e escrever coisas com que eu não concordo, como defender justiça social. Queria saber se vocês poderiam me indicar sites que seriam equivalentes ao Instituto Mises de outros campos ideológicos (marxistas, keynesianos, etc).

    Obrigado.
  • Guilherme  28/07/2016 11:37
    Use o máximo de lugares comuns possíveis e escreva exatamente o contrário do que você entende por sensato. De nada.
  • Conservador  28/07/2016 00:44
    Excelente texto.
  • pedro  28/07/2016 04:54
    A aventada hipótese de o proprietário da estrada fecha-la não tem a mínima possibilidade de se concretizar, ao menos no nosso sistema jurídico. Mesmo na hipótese de uma propriedade privada que se interpõe entre outras propriedades e uma estrada, um porto etc., não é possível ao dono fecha-la ao trânsito. Se as pessoas por ela já transitavam, entrarão com ação possessoria, ou interdito proibitório. Se não tinham, podem entrar com uma ação de passagem forçada. Está tudo previsto no código civil brasileiro. Já uma estrada tipo anchieta-imigrantes, o caso seria mais estapafúrdico ainda. Trata-se de bem público de uso especial. O fato de se cobrar pedágio não retira essa característica. Portanto a hipótese é falaciosa.
  • Consciente  28/07/2016 12:30
    Concordo que empoderar o estado para redistribuir riqueza, ou fazer justiça social, é objetivo que só pode ser alcançado com redução de liberdade e usurpação. Por outro lado, duas pessoas com capacidade intelectual semelhante podem ter chances iguais de crescer, mas na prática não é o que observamos. Aqueles que herdam patrimônio largam na frente. Sou favorável a maior taxação das heranças para equalizar o jogo. O dinheiro arrecadado deve ser todo direcionado ao financiamento de novos empreendedores.
  • ... de sua tirania  28/07/2016 15:07
    "Sou favorável a maior taxação das heranças para equalizar o jogo. O dinheiro arrecadado deve ser todo direcionado ao financiamento de novos empreendedores."

    É sempre assim que os totalitários agem: camuflando com supostas boas intenções seus atos de "tirania iluminada".

    Mas diga-me: e se meu filho quiser um empreendedor? Você tomaria dele a minha herança?

    Taxação de herança é uma ótima medida pra encher o rabo de políticos de dinheiro. Fosse eu um político ou um burocrata -- ou seja, alguém que mama nas tetas dos outros -- estaria fazendo lobby pesado para um imposto sobre a herança.

    Enquanto os otários trabalham a vida inteira para acumular algum patrimônio e legá-los para seus filhos, ficarei apenas esperando para que, no final, tudo venha para o meu bolso.

    Aliás, por que será que todas as pessoas que defendem mais impostos são justamente aquelas que nunca têm de pagá-los? Vide os nomes dos políticos na lista da Mossack Fonseca nos Panama Papers. Cheio de nêgo ali que defende estado de bem-estar social ao mesmo tempo em que mantêm seguramente seu dinheiro fora do alcance do estado.

    Aqueles que mais defendem aumentos de impostos são os que nunca arcam com eles. Defender aumento de impostos quando se está isento de pagá-los é bem gostoso.

    Aliás, você parece não conhecer a atual legislação sobre tributação de herança no país.
    Se um pai de família morre e deixa como herança uma simples casa para seus filhos, estes terão de pagar impostos antes de recebê-la.

    Sim, é isso mesmo. Antes mesmo de eles sequer receber essa casinha, eles terão de dar dinheiro para Cunha, Calheiros, Temer, Dilma, Waldir Maranhão e essa putada toda.

    E se o cara não tiver dinheiro para isso, ele terá de se desfazer de vários outros ativos. No extremo, poderá ter de passar seu ponto comercial, desempregando outras pessoas.

    É incrível a quantidade de ignorantes econômicos que pululam neste país. O sujeito realmente acha que, quanto mais dinheiro o governo confiscar dos outros (principalmente para esse nosso governo maravilhoso), melhor será para o país.

    E o mais engraçado -- para não dizer trágico -- é que o sujeito piamente acredita que o dinheiro será transferido exatamente como ele imagina, sem ser desviado para o bolso de nenhum político ou burocrata.

    E ainda há quem estranhe nossa situação.
  • anônimo  28/07/2016 21:04
    "Aqueles que herdam patrimônio largam na frente."

    E qual problema zé ruela??? Qual problema de eu acumular, deixar tudo para meu filho e facilitar a vida dele? isso vai tirar alguma coisa do seu filho?

    Te doe alguém nascer mais rico que você? sente desgosto por isso? saiba que isso é inveja.
  • Gunnar  05/08/2016 08:44
    Além da monstruosidade moral implícita na taxacão de "grandes herancas", do ponto de vista utilitarista, é simplesmente uma burrice.

    1. Antes de qualquer coisa, seria preciso definir o que é "grande". Digamos que seja os 1% mais ricos da populacão. A arrecadacão propiciada, mesmo que o imposto fosse de 100%, seria pífia perante o atual orcamento do governo.

    2. Mecanismos desse tipo desincentivam os indivíduos a acumularem riqueza, e, por mais que isso soe como música aos ouvidos invejosos do típico esquerdista sakamotiano, na prática significa empresas reduzindo sua producão, saindo do país, ou mesmo fechando. Consequencia: menos emprego, menos renda, menos produtos, menos variedade, menos concorrência, precos maiores, menos crescimento econômico.

    3. Ricos em geral são empresários. Empresas não pagam impostos, os repassam - como com qualquer outro custo. Os empresários que não sucumbiram no item 2 vão simplesmente embutir esse custo adicional nos seus produtos.

    4. Existem muitas formas de guardar dinheiro de forma a blinda-lo da sanha confiscatória do leão. Basta, por exemplo, que o empresário coloque suas empresas e bens no nome dos filhos ainda em vida.
  • Pep  28/07/2016 12:30
    Off -

    Bom dia, o pessoal do Mises sabe quando vai ser lançado em portugues o livro "ultimate foundation of economic science", ou se ainda vai sair?
  • Americano  28/07/2016 14:47
    Não existe justiça social para grupos e classes. Isso é um punhado de privilégios.

    Se isso fosse possível, poderíamos ter justiça liberal.

    A justiça precisa ser igual para todos. Se não for igual, é um amontoado de privilégios.

    A igualdade perante as leis é a única forma para acabar com os privilégios.
  • Tudo e possivel  29/07/2016 00:23
    Justiça social pode ser amplamente entendida como a justa e misericordiosa distribuição dos frutos do crescimento econômico.

    Não acredito que a justiça social deva ser possível com fortes e coesas políticas redistributivas concebidas e implantadas por agências públicas.

    Os pagadores de serviços podemos SIM estar ajudando na redistribuição da renda para que alguns consigam poder comprar, por exemplo, um lindo cavalinho ......

    dc.clicrbs.com.br/sc/colunistas/estela-benetti/noticia/2016/02/despesas-da-unimed-grande-florianopolis-provocam-indignacao-de-cooperados-4986277.html
  • Livre Mercado  29/07/2016 01:22
    Como muitos vão comentar sobre a moralidade da compra e a imoralidade da justiça social, vou apenas comentar do cavalo:

    Minha paixão, o objeto da compra foi um Mangalarga Marchador , cavalo de altura média, dorso médio e muito harmonioso, possui marcha compassada, apressada e suave, proporcionando conforto único na cavalgada, ideal para longas cavalgadas em regiões íngremes, de solo e clima instáveis, com certeza um dos melhores produtos já desenvolvidos em Pindorama, está entre os cavalos mais caros e desejados do mundo a partir dos anos 90.
    O valor de R$50 mil pode ser considerado uma pechincha, e trata-se de um bem de alta liquidez e fácil retorno em exposições, excelente gosto do comprador e um bom investimento.

    Jamais a ignorância dos pindoramenses me surpreenderá.
  • Rodrigo Amado  25/08/2016 12:49
    Já cheguei à conclusão de que a redistribuição só irá aumentar.
    Como o avanço tecnológico gera cada vez mais produtividade cada vez mais se torna fácil para a produção per capta ser grande.
    Com isso pessoas incompetentes conseguem viver e ainda por cima ter tempo livre para pensar em como usar o estado para roubar de quem produz.

    É como uma pessoa que enriquece e os seus parentes passam a lhe pedir ajuda e por pressão social essa pessoa ajuda. Mesmo sem ter nenhum obrigação.

    No fim é apenas um fenômenos social do comportamento humano em larga escala.
  • Emerson Luis  13/09/2016 23:45

    Em 1976 já existia o termo "justiça social"! Pensei que era uma invenção mais recente.

    É só eu que também considera muito esdrúxula a expressão "redistribuição de renda"?

    Como se poderia redistribuir algo que nunca foi distribuído, mas produzido pelos próprios indivíduos?

    * * *


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