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Se o objetivo é limitar os gastos do governo, há um exemplo prático a ser copiado: a Suíça
Eis as consequências

Governos em crise orçamentária e que realmente querem domar a prodigalidade fiscal legada pelas administrações anteriores deveriam se inspirar na Suíça e na eficácia da medida que ela adotou.

Em 2001, 85% dos suíços votaram em prol de uma iniciativa que efetivamente exigia que os gastos do seu governo central não crescessem mais do que a tendência de crescimento de suas receitas, obrigando que as despesas do governo fossem majoritariamente financiadas exclusivamente por impostos, e não por endividamento.

A reforma, chamada na Suíça de "freio da dívida", tem se mostrado muito exitosa — apenas o Partido Social-Democrata suíço tem feito algumas críticas, dizendo que a medida coloca muita ênfase em reduzir a dívida e pouca ênfase na melhoria da já impressionante infra-estrutura do país.

Antes de a lei entrar em efeito em 2003, os gastos do governo central suíço estavam crescendo a uma média de 4,3% ao ano.  Após 2003, passaram a crescer a uma média de apenas 1,1% ao ano, e isso em termos nominais.

Trata-se de uma taxa de crescimento incrivelmente baixa.  (Para se ter uma ideia, neste mesmo período, os gastos do governo federal brasileiro, desconsiderando as despesas com o serviço da dívida, aumentaram a uma média de 11,25% ao ano em termos nominais).

Não é perfeito, mas é o que há

O "freio da dívida" suíço não exige um orçamento equilibrado no sentido tradicional do termo.  As receitas tributárias, como bem sabemos por experiência própria, tendem a crescer rapidamente quando a economia está indo bem, e entram em queda quando a economia engasga e entra em recessão. Com o intuito de suavizar as brutais variações orçamentárias que seriam geradas por esse movimento cíclico das receitas, o freio da dívida suíço limita o crescimento dos gastos do governo central ao aumento médio das receitas ocorrido ao longo de um período de vários anos anteriores (calculado pelo Departamento Federal das Finanças da Suíça).

De um lado, essa característica agrada aos keynesianos, que gostam de déficits orçamentários quando a economia está em recessão e as receitas tributárias caem. [N. do E.: embora isso comprovadamente não traga nada de positivo]. Mas, de outro, agrada também aos defensores de uma política fiscal austera, pois os políticos não podem aumentar o gasto quando a economia está indo bem e o Tesouro está repleto de dinheiro. [N. do E.: que foi exatamente o que fez o governo Lula em seu segundo mandato e o governo Dilma em seu primeiro mandato, em que ambos quase triplicaram os gastos].

Igualmente importante, é muito difícil para os políticos aumentarem o teto dos gastos por meio de um aumento de impostos (o que geraria mais receitas). As alíquotas máximas para a maioria dos impostos nacionais na Suíça são constitucionalmente determinadas: a alíquota máxima do imposto de renda de pessoa física é de 11,5%; a do imposto sobre o valor agregado (equivalente ao nosso ICMS) é de 8%, e a do imposto de renda de pessoa jurídica é de 8,5% (sobre os lucros antes da incidência dos impostos cantonais). 

As alíquotas só podem ser alteradas por meio de um "referendo de dupla maioria": não apenas a maioria das pessoas tem de ser favorável à emenda, como também a maioria dos cantões tem de dar seu consentimento.  Na prática, isso significa que a maioria dos eleitores na maioria dos cantões tem de estar a favor.

Desnecessário dizer que, na Suíça — país onde, recentemente, os eleitores esmagadoramente recusaram uma renda mínima de R$ 9 mil para todos —, isso não tem muitas chances de ocorrer.  A história mostra que os suíços são mais propensos a votar reduções de impostos do que aumentos de impostos.

Consequências

Esse teto de gastos da Suíça ajudou o país a evitar a avassaladora crise fiscal que vem afetando quase todos os países europeus. 

Os gastos totais do governo central da Suíça hoje estão em 12% do PIB, e o gasto total, em todos os níveis de governo, está abaixo de 34% do PIB.  Em 2003, quando o "freio da dívida" entrou em efeito, os gastos totais estavam acima de 36% do PIB, o que mostra que a medida foi extremamente eficaz em manter os gastos do governo sob controle.

A situação se torna ainda mais notável quando se considera como os gastos do governo, que representam um fardo para qualquer economia, saltaram na maioria dos países desenvolvidos.  Nos EUA, por exemplo, nesse mesmo período de tempo, os gastos do governo saltaram de 36% do PIB para 38% do PIB, chegando a bater em 43% em 2009.

Mas foi em termos de dívida em relação ao PIB que o "freio da dívida" suíço mostrou realmente a que veio: a queda da dívida foi fragorosa, despencando de quase 50% do PIB em 2003 para 30% do PIB atualmente.

switzerland-government-debt-to-gdp.png

Neste mesmo período, os níveis de endividamento dos países da zona do euro saltaram de 68% para mais de 90% do PIB.

[Para efeitos de comparação, a dívida do governo brasileiro está hoje em 74% do PIB].

Conclusão

O sistema suíço, como já dito, não é perfeito. Alguns programas relacionados à seguridade social estão isentos do teto de gastos, de modo que os gastos presumivelmente irão aumentar nesta área à medida que a população vai envelhecendo — muito embora a Suíça ainda esteja em boa forma, uma vez que uma grande fatia de seus gastos com saúde e previdência é feita pelo setor privado.

Ainda assim, a adoção de uma variável razoavelmente estável para limitar os gastos do governo (como o crescimento médio das receitas nos últimos anos) é uma abordagem factível que, para a Suíça, criou uma genuína restrição ao crescimento dos gastos e da dívida do governo. [N. do E.: no caso do Brasil, por causa da prolongada recessão, as receitas nominais do governo estão estagnadas desde o início de 2014, o que praticamente obrigaria a um muito bem-vindo congelamento de gastos].

Muito ajudou também o fato de que, na Suíça, aumentos de impostos federais só podem ser efetivados por meio de um referendo de dupla maioria. Tal sistema não existe na maioria dos outros países do mundo, mas não é nada que uma emenda constitucional não possa promulgar. Aqueles que se dizem defensores da democracia não irão se opor a tal medida.

Por fim, é claro que nenhum político quer ser submetido a nenhum tipo de restrição à sua capacidade de aumentar livremente os gastos e, com isso, comprar votos com o dinheiro dos pagadores de impostos. Mas a atual situação fiscal dos governos mostra que essa prática, até então corriqueira, já está emitindo claros sinais de exaustão. 

Ou emulamos a Suíça ou viramos a Grécia.



autor

Daniel Mitchell
é membro-sênior do Cato Institute e especialista em política fiscal e o fardo representado pelos gastos do governo. É também membro do quadro editorial do Cayman Financial Review.


  • Renan Merlin  25/07/2016 15:57
    Como limitar os gastos com uma bomba relogio chamada previdência, outra chamada "estabilidade de parasitas ops de funcionarios publicos" e outra chamada constituição federal?
  • Ciro  25/07/2016 18:37
    Para a Previdência não há solução, pois se trata de uma questão demográfica e atuarial. Trata-se da única área da economia que nem sequer permite espaço para visões ideológicas distintas.

    Quanto a Previdência foi criada, havia 7 trabalhadores trabalhando para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando para sustentar um aposentado.

    Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. Logo, se não tem solução, solucionado já está.

    Quanto à estabilidade, isso não é impeditivo para o congelamento salarial dos funças. Quanto à Constituição, esta pode perfeitamente ser emendada.
  • Carlos Lima  18/07/2018 17:05
    Talvez o problema da Previdência não seja tão insolúvel assim. Tem um artigo neste site, de autoria do Leandro Roque, intitulado "Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência", cujo link é www.mises.org.br/Article.aspx?id=2589 que oferece uma possível solução.
  • Richard Stallman  19/07/2018 15:05
    www.dci.com.br/politica/servidores-querem-eleger-bancada-para-barrar-reforma-da-previdencia-1.707319
  • Demétrio  20/07/2018 11:34
    Privatizar a previdência seria uma solução. Aliás, "privatizar".

    Uma solução seria passar os "fundos" para as estatais Caixa e BB e faria em função de rendimentos (poderia, no caso, fazer uma 'ultima super impressão de dinheiro' e deixar os fundos com a liquidez equivalente a dos aposentados, criando realmente fundos de investimento, mas particularmente não seria necessário), para eles fazerem a controladoria das aposentadorias, o que faria uma previdência privada em bancos estatais. Ai vende as duas estatais e voilá! Problema resolvido. Você privatizou a previdência.
  • ricardson  25/07/2016 16:00
    Prezado Leandro,

    Segundo Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da associação AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA (www.auditoriacidada.org.br/quem-somos/ ), o sistema da dívida pública brasileiro é um mega esquema de corrupção que vem extraindo a riqueza do povo brasileiro.

    O senhor poderia fazer alguma consideração a respeito dos argumentos apresentados pela mencionada coordenadora?

    Segue o link para acesso ao vídeo:
    https://www.youtube.com/watch?v=IObR2RuhBNQ
  • Reinaldo  25/07/2016 17:23
    De minha parte, sou inteiramente a favor de toda e qualquer auditoria da dívida brasileira. Quanto mais auditoria, melhor.

    Mas tem uma coisa que os seguidores dessa tal Fatorelli vivem gritando e eu nunca entendi: o que seria uma "dívida ilegal"?

    Estaria ela dizendo que alguém, que não o governo, emitiu dívida em nome do governo?

    Ou estaria ela dizendo que o governo emitiu dívidas para privilegiar nababos?

    Se for a segunda opção (como sei que é), digo apenas: Nossa, que espanto!

    Por acaso a Fatorelli comprova que algum cidadão privado invadiu o Tesouro e emitiu títulos sem que nenhum burocrata, político ou regulador soubesse? Se é isso, estou interessado em saber.

    Se não é isso, então ela está apenas chovendo no molhado: descobriu tardiamente que o estado é uma gangue de ladrões em larga escala que existe apenas para privilegiar quem está dentro da máquina e que vive à custa de quem está fora dela e é obrigado a bancar toda a esbórnia.

    E ainda há otários que defendem governo...

    E complemento:

    Até onde sei -- e gostaria que alguém me provasse errado --, quem emite títulos para financiar seus gastos é o governo (ou seja, políticos, burocratas e reguladores) e só. Ninguém mais tem acesso ao Tesouro para, fortuitamente, emitir títulos em benefício próprio.

    E, até onde sei, o governo se endivida exatamente porque gastou mais do que arrecadou. E ele gasta mais do que arrecada exatamente para saciar os exorbitantes salários dos políticos, burocratas e reguladores, além de privilegiar seus empresários favoritos com subsídios e empréstimos subsidiados pelo BNDES (com o nosso dinheiro de impostos).

    Agora, se alguém sabe de algo mais, é bom compartilhar.
  • Dam Herzog  25/07/2016 16:27
    Acho que toda pessoas devem assumir suas próprias responsabilidade na vida real. E fato que nascemos e deveríamos ser orientados pelos nossos pais que para beneficio próprio de que é crucial nos prepararmos na adolescência para a nossa manutenção de nossas vidas e ter noções de economia da geração de riqueza e que não existe almoço grátis, e que que ninguém deve fazer sacrifícios não voluntários para outras pessoas. A noção de que sem lucro não existe progresso. Que as trocas e a compaixão devem ser voluntarias. Que o jovem deve aprimorar com capacitações que os tornem bom prestador de serviço a um mundo que esta cada vez mais pequeno e globalizado. Que os impostos são uma forma de punição aos que produzem e um desincentivo ao trabalho. Que o governo é um desperdiçador de recursos e que quanto maior mais prejudica a maioria da população. Que o governo para se tornar cada vez maior se vale do chamado progressivismo dos impostos punindo ainda mais o cidadão produtivo que ao produzir mais cresce e espalha o progresso para o maior numero.Por isso devemos sempre rejeitar no atual contexto todo aumento de impostos e apoiando sempre as reduções. Um dia ouvi do senador Jose Serra comunista envergonhado que os déficits são inevitáveis para satisfazer demandas da sociedade que devem ser aceitas. Deve haver uma camisa de força para as despesas do governo com uma receita pessimista para que não haja deficit. Dilma morreu pois acreditou que gastança é vida. O impeachment dela é um ato de legitima defesa da sociedade descontente, ressentida. Justiça social é apenas o fato de obrigatoriamente tirar de Paulo que é produtivo e dar a Pedro que quase não produz, enfim roubo legalizado pelo estado. No atual contexto devemos votar em políticos que não prometem aumento de despesas, mas a sua diminuição. Esses almoços grátis que os politicos nos oferecem não são gratis, mas pagos por nós mesmos atraves de impostos. PS nunca mais votem no PT, Lula e partidos socialistas eles destroem riquezas.
  • Pobre Paulista  25/07/2016 16:31
    A ideia é realmente boa, mas no fundo é só mais uma canetada burocrática que pode ser revogada a qualquer momento em um sistema democrático. Os Suíços ainda estão nas mãos dos políticos e burocratas, mas felizmente os políticos de lá não são tão idiotas em média.

    Acho que os exemplos do Peru ou do Panamá são mais efetivos pois impõe travas um pouco mais mecânicas ao estado. Ou, para uma solução realmente definitiva, a desestatização total do dinheiro é o caminho.
  •   18/07/2018 20:54
    Você conhece artigos explicando sobre as reformas da década de 90 no Peru (seja do IMB ou de outros lugares)? Há tempos eu procuro informações sobre e não acho em lugar nenhum. Agradeço desde já a atenção.

    (quem mais quiser/puder contribuir, também agradeço desde já)
  • Salazar  18/07/2018 23:06
    Já comentado aqui algumas vezes. Feito em 1990, o "Fujishock" foi um raro exemplo de bom senso econômico neste continente.

    Com uma inflação de 7.000%, com uma economia toda fechada e engessada, com déficits orçamentários gigantescos e com todos os gastos indo para o funcionalismo público e subsídios, o governo (utilizando um plano elaborado pelo grande economista Hernando de Soto) reverteu tudo isso de uma vez só: zerou o déficit, acabou com os subsídios, acabou com a inflação monetária, passou a tesoura no funcionalismo público e abriu a economia para as importações.

    O negócio foi tão radical que até o ministro da economia da época pediu a ajuda de Deus em cadeia nacional, e apesar de todo o peso do ajuste, a população aceitou e anos mais tarde referendou a atual constituição liberal que rege o Peru.

    Mas, desde então, foi o país que mais cresceu na América Latina, e o que mais reduziu a pobreza. Hoje o Peru é o maior caso de sucesso do continente. Um país que era paupérrimo hoje compete de igual para igual no mercado internacional. Deixou os bolivarianos de lado e hoje é aliado de Chile e Colômbia (os dois países mais sérios da América do Sul) no mercado do Pacífico.

    Mas como é um país pequeno, poucos dão a devida atenção.
  • Henrique Z.  18/07/2018 23:18
    O Fujishock funcionou porque os próprios peruanos pediram por algo assim. E isso faz toda a diferença: o povo tem de querer e apoiar (com o Plano Real foi mais ou menos assim também).

    O Fujishock e todas as reformas liberais passam pelo povo. E falo por experiência própria: peruanos adoram trabalhar. Seja como empregado, agente de trading ou como empreendedor eles dão duro em tudo que fazem. Logo, foram ELES que pediram pelas reformas.

    Por que a Suíça funciona? Porque ela tem o Estado mais servil do mundo. Lá qualquer lei pode ser referendada com 50.000 assinaturas, independente da vontade de seus políticos. Por que então não fazem leis socialistas? Porque eles tem uma virtude pouco apreciada por socialistas: vergonha na cara.

    Isso ainda não chegou por aqui.
  • Oneide teixeira  25/07/2016 16:59
    "O cristianismo, no seu verdadeiro significado, destrói o Estado." - Lev Tolstoi (1828 - 1910)
    O cristianismo é libertário?
    Deve ser por isso que os "esquerdopatas" odeiam a igreja católica.
  • Pobre Paulista  25/07/2016 17:11
    Já vi um artigo, e me arrependo demais de não ter guardado em meus bookmarks, onde o autor demonstra que ser um Cristão implica em ser um Libertário.
  • Pobre Paulista  25/07/2016 18:39
    Obrigado, Auxiliar, mas o artigo ao qual me referia não era daqui do Mises. Vou tentar uma nova busca quando tiver tempo, e se encontrar eu coloco a referência aqui.
  • Taxidermista  25/07/2016 18:58
    Caro Pobre Paulista,
    não sei qual artigo vc faz referência, mas acho q vc vai gostar desse livro aqui:


    Free is Beautiful: Why Catholics Should be Libertarian:


    www.amazon.com/Free-Beautiful-Catholics-Should-Libertarian/dp/1475130961


    Abraço.
  • João  20/07/2018 07:46
    O artigo a que você está se referindo, muito provavelmente, foi postado pelo Cristopher Chase Rachels, em seu site Radical Capitalist. Se reconhece o nome, é porque ele é o autor de um livro excelente sobre um sociedade anarco capitalista: A Ordem Espontânea.
  • Henrique Zucatelli  25/07/2016 17:03
    Suíça, meu sonho de consumo. Eu chego lá.
  • Renan Merlin  25/07/2016 17:38
    Depois que o Obama e o Politicamente Correto pisaram nos legados deixados pelos pais fundadores a Suiça é o ultimo bastião de liberdade.
  • Henrique Zucatelli  26/07/2016 13:31
    Sim, a Suíça, Singapura e alguns outros cantos no mundo hoje são os últimos refúgios realmente libertários.

    Falando em Founding Fathers, agora entendemos as sábias palavras de Thomas Jefferson: o preço da liberdade é a eterna vigilância . Você pode criar uma nação livre, mas seus descendentes podem querer o contrário, e nada pode impedi-los disso.

    Da mesma maneira que a geração passada rompeu com o Império das Leis em virtude da busca pela igualdade, a geração atual tende pouco a pouco a quebrar o status quo, indo ao encontro do indivíduo e da liberdade.

    Essa mutabilidade nos costumes de tempos em tempos me faz construir (informalmente claro) uma tese a respeito dos ciclos sociais dentro de cada cultura, e como cada aspecto de ruptura tecnológica trás mais liberdade, ao passo que mais riqueza individual cria mais indivíduos altamente dependentes e pouco produtivos.

    Mas isso é outro assunto. Abraços.
  • Tiago  18/07/2018 21:38
    HR Termocolante?
  • Pessimista  25/07/2016 17:03
    A proposta até poderia vingar no Brasil, mas em poucos anos seria "aprimorada" em prol dos políticos.
  • Regis  25/07/2016 18:58
    Como que seria aplicado isto no Brasil, por exemplo, a arrecadação aqui caiu muito. Então o governo não poderia criar mais nenhum centavo de dívida, certo?

    O que provavelmente geraria uma forte redução na expansão monetária, não?

    Isso não geraria no curto prazo um aumento no desemprego em áreas que necessitam de crédito (este crédito artificial subsidiado por todos nós)?

    No médio e longo prazo isso provavelmente se resolveria, mas como que um político poderia ter respaldo de uma população que não compreende todas estas questões e que provavelmente exerceria pressão em um governo austero?

    Pelo que eu tenho lido, meu entendimento é de que temos ou de enfrentar um aumento no desemprego no presente. Ou enfrentar uma profunda recessão no futuro. Porém, o que me pergunto é como você consegue convencer a população disto?
  • Roesling  25/07/2016 20:14
    "Como que seria aplicado isto no Brasil, por exemplo, a arrecadação aqui caiu muito. Então o governo não poderia criar mais nenhum centavo de dívida, certo?"

    Pra começar, a arrecadação caiu apenas em termos reais (ajustada pela inflação). Em termos nominais, ela se manteve relativamente estável.

    O exemplo do Brasil foi especificamente citado no artigo, inclusive com um link para um gráfico que mostra a evolução da receita. Não houve queda.

    "O que provavelmente geraria uma forte redução na expansão monetária, não?"

    Não entendi a ligação.

    Em todo caso, "uma forte redução na expansão monetária" já está acontecendo exatamente agora. E forte.

    "Isso não geraria no curto prazo um aumento no desemprego em áreas que necessitam de crédito (este crédito artificial subsidiado por todos nós)?"

    Setores da economia que só se mantêm com crédito subsidiado são destruidores de riqueza e de recursos escassos. Não devem ser mantidos.

    Empresas que só sobrevivem devido aos gastos do governo não produzem para consumidores privados; elas utilizam o dinheiro dos cidadãos, mas produzem para o estado. Elas não utilizam capital de maneira produtiva, de forma a atender os genuínos anseios dos consumidores privados: ao contrário, elas utilizam capital fornecido pelos pagadores de impostos mas produzem apenas para servir a anseios políticos. Em suma, não agregam à sociedade. Por definição, subtraem dela.

    Tais atividades só sobrevivem e só são lucrativas com a muleta do governo. São atividades econômicas insustentáveis, que não dependem da demanda voluntária do consumo privado para sobreviver. São, portanto, atividades que absorvem recursos e capital da sociedade. Elas não produzem; elas consomem.

    "No médio e longo prazo isso provavelmente se resolveria, mas como que um político poderia ter respaldo de uma população que não compreende todas estas questões e que provavelmente exerceria pressão em um governo austero?"

    Eis aí a nossa tarefa: explicar para os leigos como os políticos os espoliam ao mesmo tempo em que recorrem a uma retórica de salvação.

    "Pelo que eu tenho lido, meu entendimento é de que temos ou de enfrentar um aumento no desemprego no presente. Ou enfrentar uma profunda recessão no futuro."

    Não é essa a dicotomia. A dicotomia é: desemprego e recessão fortes no presente ou desemprego e recessão ainda mais fortes no futuro.

    "Porém, o que me pergunto é como você consegue convencer a população disto?"

    Apresentando a dicotomia acima, creio não haver grandes dificuldades.
  • Regis  25/07/2016 20:28
    Grato pelas(os) respostas/esclarecimentos e pelas indicações dos artigos.
  • IRCR  26/07/2016 05:09
    Mas isso só funciona numa democracia direta/indireta que seja realmente respeitada.
    Na democracia representativa isso nunca vai acontecer.
  • David  26/07/2016 10:49
    Eu tenho uma dúvida: como os suíços têm lidado com as taxas de juros negativas? Será que eles andam guardando dinheiro debaixo do colchão igual aos japoneses?
  • Leandro  26/07/2016 11:48
    As taxas de juros negativas são aplicadas apenas ao dinheiro que os bancos guardam no Banco Central suíço. Não há (ainda) taxas negativas sendo aplicadas aos depósitos bancários dos suíços em seus bancos.

    Também há juros negativos nos títulos do governo, mas esses geram ganhos altamente positivos, como explicado neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2445
  • Henrique Zucatelli de Melo  26/07/2016 14:36
    Leandro, bom dia. Dúvida rapida:

    Conforme o artigo citado, os bancos centrais estão forçando a utilizacão de dinheiro eletrônico, a última fronteira da perda de lastro completa. E bem sabemos o que isso quer dizer: percas contínuas de valor das moedas e com isso uma diluição na riqueza das pessoas.

    Isso não seria a longo prazo um empobrecimento geral do mundo, sendo compensado apenas pela diminuição dos custos gerado pelas novas tecnologias?

    Ou os grandes fundos de investimento e private equity estão se movimentando para trabalhar em transações paralelas com cripto moedas e títulos lastreados em ouro de modo oficial no futuro, esquecendo as moedas fiduciarias da mesma maneira como o mundo faz hoje com o bolivar venezuelano?

  • Leandro  26/07/2016 15:08
    "Isso não seria a longo prazo um empobrecimento geral do mundo, sendo compensado apenas pela diminuição dos custos gerado pelas novas tecnologias?"

    Correto. Mas tal fenômeno (perda do poder de compra da moeda compensado pela diminuição dos custos gerada pelas novas tecnologias) já vem ocorrendo desde 1971, quando se aboliu o que restava do padrão-ouro. E, ademais, as principais moedas do mundo (dólar, franco suíço, euro e iene) seguem ainda fortes. Por enquanto, e ao menos nesta seara, a tendência de longo prazo não foi alterada.

    "Ou os grandes fundos de investimento e private equity estão se movimentando para trabalhar em transações paralelas com cripto moedas e títulos lastreados em ouro de modo oficial no futuro, esquecendo as moedas fiduciarias da mesma maneira como o mundo faz hoje com o bolivar venezuelano?"

    Aí já não é comigo. Apenas um insider pode responder a isso com grande certeza.
  • Henrique Zucatelli  26/07/2016 16:10
    Obrigado grande Leandro mais uma vez.

    Abraços,
  • Surfista de internet  26/07/2016 13:56
    Esse ajuste fiscal está parecendo uma piada.

    Antes de ter ajuste fiscal, é preciso fazer a esquerda ter vergonha de existir.

    Não tem como fazer ajuste fiscal com a turma do Lenin, Mao, Saul Alinsky,Karl Marx, Antônio Gramschi, Fidel, Che Guevara, Herbert Marcuse, Chavez, etc.

    Essa turma da esquerda é composta por terroristas e amaldiçoados. A maioria dos esquerdistas radicais fizeram pacto com o diabo. Eles juraram fidelidade ao Lucifer.


    Antes de qualquer ajuste fiscal, é preciso dar uma surra moral na esquerda. Os socialistas precisam ter vergonha de sair na rua e de se olhar no espelho. É preciso acabar com qualquer tipo de amizade e respeito pelos esquerdopatas terroristas seguidores do Lucifer.

    Esses esquedopatas conseguiram acabar com um dos primeiros princípios da democracia, que era a igualdade perante as leis. Os países democráticos viraram repúblicas de privilegiados.

    A igualdade perante as leis mal começou e já foi jogada na lata do lixo.





  • Joaquim Saad  26/07/2016 15:40
    "...a dívida do governo brasileiro está hoje em 66% do PIB."

    A forma de calcular este nº é padronizada entre a maioria dos países ? O Brasil seguiria tal "norma" ?

    A conta acima pelo jeito exclui os títulos do tesouro na carteira livre do banco central, além da dívida externa, da equalização cambial, e das empresas totalmente estatais (desconsiderando portanto Petrobrás e Eletrobrás, sendo que só elas devem juntas mais de meio trilhão de reais !).
    Se o PIB está em uns R$6 trilhões, a relação da dívida pública c/ ele incluindo os itens acima chegaria a uns 75%, e a quase 85% c/ Petro e Elet !

    Ora, mas quem se importa, quando um papel (título) quanto o outro (dinheiro, p/ comprar o primeiro) são ambos gerados segundo o arbítrio de um mesmo comando ?
  • Matheus Sabadin Bueno  26/07/2016 20:25
    Me considero de esquerda e comunista. Minha convicção é que um país deve caber em seu orçamento, portanto, suas receitas devem ser maiores ou iguais suas despesas e haver rigoroso controle destas. Quando a receita for maior que a despesa, elas poderiam ser repartidas de alguma forma entre a população, ou ainda, ser gerado um lastro para eventual aumento destas em épocas de crise.

    Não podemos romantizar ou criar o dogma da visão do Estado como um ente perfeito ou um messias, como é comum ver no discurso de esquerda. Porém, o Mercado não pode ser personificado como tal.

    E esses dois, é preciso frisar, não são personagens, figuras humanas únicas. Eles representam instituições diversas, por vezes pulverizadas, que carregam as ações dos seres humanos, de um coletivo deles. E para isso carregam todos os "vícios" desta sua real natureza. O Mercado e o Estado.

    A resposta concreta e efetiva para uma solução (global), que erradicasse a pobreza e a desigualdade social, ainda não vi em prática. Elas conjecturam que o as iniciativas do livre mercado seriam capazes. E conjecturam também que o Estado seria capaz. Ambos, entretanto, são reflexos das ações humanas, ainda incapazes, pra mim.
  • Rigoberto  26/07/2016 20:34
    O computador (ou o smartphone) do qual você mandou essa mensagem é propriedade privada?
  • Matheus Sabadin Bueno  27/07/2016 12:50
    Rigoberto,

    Muito interessante sua colocação ("O computador (ou o smartphone) do qual você mandou essa mensagem é propriedade privada?") e bastante inteligente.
  • Pessimista  26/07/2016 21:06
    "Não podemos romantizar ou criar o dogma da visão do Estado como um ente perfeito ou um messias, como é comum ver no discurso de esquerda. Porém, o Mercado não pode ser personificado como tal."

    Sim, o mercado não poder ser personificado como tal porque se quer é uma entidade, é apenas um sistema baseado na propriedade privada e no livre comércio.

    Mercado não resolve nada, quem resolve são as pessoas.


    "A resposta concreta e efetiva para uma solução (global), que erradicasse a pobreza e a desigualdade social, ainda não vi em prática. Elas conjecturam que o as iniciativas do livre mercado seriam capazes."

    Ué, quem disse que o livre mercado acabaria com a desigualdade social é no mínimo um idiota.

    Livre mercado é o sistema que melhor permite que as pessoas se desenvolvam e criem valor a sociedade. Diminuir progressivamente os níveis mais baixo de pobreza é consequência desse sistema.

    Obs.: Pobreza é um termo relativo, quando você diz erradicar a pobreza você tem que estabelecer qual seria o nível de pobreza que devemos erradicar. Na Suiça ser pobre é ganhar até 14 mil reais.
  • Matheus Sabadin Bueno  27/07/2016 12:54
    Pessimista,

    Acho que na grande maioria dos pontos estamos vendo de maneira semelhante, mas discordamos num único ponto, que é chave, eu sei, mas que não se sabe exatamente "a verdade", se ela é mesmo:

    "Livre mercado é o sistema que melhor permite (...)"

    Não concordamos nisso. Porém, ok.
  • Juliana  26/07/2016 22:05
    Perfeita a ideia pode não ser, mas seria mais que ótimo se uma assim fosse aprovada no Brasil. Ela no mínimo está um degrau acima da proposta daqui de limitar qual vai ser o gasto do governo em um ano corrigindo a despesa primária pela inflação de preços, ambas do ano anterior. Mas em essência as ideias são muito semelhantes, e no final das contas colaboram com uma diminuição da dívida.

    (Sou obrigada a abrir um parêntese aqui, para dizer que o mais interessante é que uma proposta que tenha por objetivo limitar os gastos do governo pode ser muito mais eficiente em diminuir o déficit fiscal do que uma que especificamente tentasse estabelecer um limite para a dívida pública. Ano passado estava em discussão uma proposta — que era de 2007 e ganhou algum holofote no ano passado, quando o tamanho da dívida tornou-se preocupante — que buscava justamente estabelecer limites para a dívida bruta (e a líquida também) em relação ao PIB. A meta era diminuir a dívida em um período de quinze anos, sendo que nos cinco primeiros a dívida poderia aumentar chegando a 78% do PIB e nos dez restantes ela deveria seguir em uma trajetória decrescente até atingir 50% do PIB, isso para dados do ano passado. E além disso, havia muitas regras de flexibilidade caso a economia entrasse em recessão ou houvessem mudanças nas políticas cambial e monetária, alongamento de prazos caso a economia tivesse um crescimento muito baixo, etc. Pro pessoal mais keynesiano o projeto é draconiano. Pro pessoal mais esquerdista, vai engessar o orçamento público. E qualquer um com um pingo de sensatez podia ver claramente que se o objetivo era transmitir algum sinal para o mercado (e geralmente esse é o ponto), este seria de que o governo não é capaz de oferecer garantia alguma. Talvez até a suspensa presidente Dilma dissesse que este sim, não era um projeto 'rudimentar'...

    Mas é um bom exemplo de como leis que mirem um teto para os gastos são imensamente mais objetivas, inclusive para serem aprovadas, do que leis que mirem em um teto para a dívida. Principalmente porque ninguém está nem pensando em uma infinidade de outras implicações que sua aprovação certamente irá trazer.)

    Devem ser os relógios (lá vem o trocadilho), pois o timing dos suíços também foi muito bom. Aprovar uma medida dessas quando o país esta prestes a vivenciar um bom período de aumento das receitas não poderia ser melhor. Aí o que houver de "excesso" que não puder virar gasto do governo pode ser utilizado para abater a dívida. Agora pro Brasil aqui, esta muito provavelmente não é a melhor oportunidade.
    Mas é sempre um bom momento para ventilar a ideia.

    Abraços!
  • Felipe Lange S. B. S.  27/07/2016 18:41
    Pelo jeito Michel Temer e sua turma estão demonstrando muita moleza para tentarem enxugar a máquina pública e restaurar o poder de compra do real.

    E infelizmente muitos políticos brasileiros odeiam o mercado (apesar de viverem graças a ele), apesar do ministério (que nem deveria existir) ter feito alguns cortes.

    E não se esqueçam que querem arrancar ainda mais o seu dinheiro, aumentar o seu custo de vida e enxugando os choros das corporações.

    Convido os senhores políticos a lerem os artigos do Leandro Roque.

    A Suíça tem ainda resquícios de estatismo, apesar de mostrar exemplos a vários países do mundo, ao ser um país pacífico (inclusive contra terroristas) e que está fora da farsa que é a União Europeia.
  • anônimo  28/07/2016 04:32
    Esse link de 11% de imposto de renda prantearia física está certo mesmo??

    Neste site fala algo em torno de 40 % de imposto de renda

    www.tradingeconomics.com/switzerland/personal-income-tax-rate
  • Hans  28/07/2016 11:32
    Sim, 11,5% é a alíquota máxima federal, a qual se aplica a todo o país.

    Só que, assim como nos EUA, os cantões e até mesmo as cidades também cobram imposto de renda. Em alguns cantões alemães, não há. Em alguns cantões franceses e italianos, há e é salgado.

    Essa alíquota de 40% é a maior alíquota encontrada no país (provavelmente em algum cantão francês).

  • anônimo  28/07/2016 16:20
    Entendi, diferença absurda de alguns cantora para outros então né? E pq as pessoas não fogem desses cantões com maiores alíquotas?

    Uma questão, vc disse que o site mostra a alíquota máxima, somando o governo federal + cantão + cidade, assim como os EUA.

    Porém nesse msm site quando se observa imposto sobre vendas, os EUA aparecem como 0%, oque seria o mínimo, pois há estados que não cobram imposto de vendas, e o governo federal tbm não cobra.

    Um pouco falta de critério isso não é? Ou há algum motivo, que eu desconheça, para se mostrar o maior imposto de renda, e o menor imposto de vendas?

    Obrigado
  • Leandro  28/07/2016 16:58
    Sobre as alíquotas federais e cantonais na Suíça, veja aqui:

    taxsummaries.pwc.com/uk/taxsummaries/wwts.nsf/ID/Switzerland-Individual-Taxes-on-personal-income

    Aqui também há exemplos ainda mais completos:

    www.expatica.com/ch/finance/Taxes-in-Switzerland_101589.html


    Quanto ao site Trading Economics, sim, ele tem dessas inconsistências. Mas já foi pior.

    Até 2014, por exemplo, ele mostrava que o governo brasileiro havia tido superávits orçamentários em todos os anos anteriores. Aí, em 2015, ele repentinamente passou a mostrar déficits para todos os anos anteriores. O que mudou?

    Mudou que ele antes considerava apenas o orçamento primário (que era superavitário, mas que nenhum país sério no mundo usa como critério); aí, em 2015, ele corretamente passou a mostrar o orçamento nominal (em que o governo brasileiro sempre foi deficitário).
  • Emerson Luis  12/09/2016 19:58

    "...apenas o Partido Social-Democrata suíço tem feito algumas críticas, dizendo que a medida coloca muita ênfase em reduzir a dívida e pouca ênfase na melhoria da já impressionante infra-estrutura do país."

    Tinha que ser um partido socialista!

    Se a dívida pública suíça não parar de crescer, a infra-estrutura deles não só não vai melhorar como começará a piorar.

    * * *
  • Marcelo Santos  18/07/2018 22:23
    Eu quero saber como é mudar o quadro fiscal do país sem lesar a maioria dos cidadãos dependentes do estado, o mais correto é fazer uma reforma de modo que lese apenas um pequeno grupo de pessoas. A previdência é um tema central da reforma fiscal, o governante deve saber que deve fazer mas só não sabe como o fará, até mesmo por conta do congresso, dependendo do governante, a reforma seria menos danosa ou mais danosa. A questão da saúde é outro vespeiro na qual o governante certamente terá que mexer, na qual não poderá por emoções e sim com racionalidade econômica.

    Se eu fosse o governante, faria os seguintes ajustes(não me pergunte como isso será possível já que o brasileiro tem mentalidade de escravo):

    Reforma da educação: Privatizar o ensino público e desestatizar a educação
    Usar o dinheiro da privatização para abater na dívida pública

    Extinguir 90% dos ministérios
    Vender o patrimônio dos ministérios para quitar alguma obrigação financeira com os pensionistas
    Ou doar o patrimônio para os sem-tetos fazendo assim uma ampla reforma habitacional com líderes do movimento escolhidos pelo governante em exercício

    Medidas populistas:
    Usar terras em posse do governo para realizar uma reforma agrária no país
    Registrar títulos de propriedade de moradores na favela de todo o país

    Essas reformas farão ser criadas imediatamente bilhões de riqueza que estavam informalmente, mais do que compartilhar renda, estaremos compartilhando riqueza

    Continuando:

    Venderia todas as estatais em posse do governo federal, até mesmo as participações que o governo detém junto as empresas, esse dinheiro seria usado para quitar a dívida pública

    Reforma da saúde: Sou totalmente contra deixar os pobres a própria sorte quando na hora de colocar em prática essas reformas, com a extinção do ANS, a oferta privada de planos de saúde e serviços da área, os preços diminuirão podendo assim caber no bolso do trabalhador comum junto com o aumento do poder de compra com a valorização da moeda, com essas reformas o emprego aumentaria e salários no mesmo ritmo, porém faria um sistema transitório de voucher, onde o interessado no programa seria investigado pelo CPF, onde constará na receita o quanto ele recebe e se realmente pode pagar o plano de saúde com essas reformas, diria que uns 80% seriam rejeitados, aliviando assim grande parte do orçamento da saúde, até mesmo porque esses vouchers seriam um tipo idêntico ao Prouni, na qual o governo não pagaria, e sim a prestadora de serviço abateria no imposto de renda os dependentes do vouchers. Com o tempo, certo que não teria mais ninguém no programa, mas coloca um prazo longo até a extinção do vouchers.

    Extinguiria Ministério do Trabalho e outros...
    Não colocaria autoritariamente a obrigatoriedade de um diploma para exercer uma função, isso fica a critério do empregador, com isso imigrantes estariam altamente integrados na sociedade brasileira, precisaria de imigrantes para a elevação da produção industrial e serviços que teria efeito com essas reformas.

    Zeraria impostos de importação, exportação, e a maioria dos imposto federais, deixaria apenas um, o imposto de renda na alíquota única de 15% - tanto jurídica quanto física.

    Colocaria na constituição que a receita do estado fiquei 100% no estado, e a receita no município fique 100% no município.

    ...
  • Paulo Henrique  19/07/2018 00:48
    Isso não deve ser coincidência de acontecer em um país com um sistema político totalmente diferente do que o resto do mundo está acostumado, eles sequer tem um presidente.

    Essa política relativamente estável e funcional é, também, longínqua. O que se reflete no elevado padrão de vida. Enquanto a Europa afundava em ditaduras e guerras e todas as suas consequências, a suíça permaneceu neutra e estável , o que sem duvida se deve ao seu sistema político diferenciado.

    É sem duvida um dos melhores países do mundo, talvez o melhor. E não importa que não figure no topo de liberdade econômica, ela é bastante livre para os padrões mundiais, e mais importante, não adianta ser livre hoje para perder tudo daqui 20 anos , essa estabilidade a suíça soube manter muito bem

  • Felipe Lange  19/07/2018 01:39
    Vou repassar uma postagem que eu fiz no grupo do Facebook "Escola Austríaca" pois acho uma discussão interessante a ser levantada...

    Reparem na notícia: Com crise e cortes na ciência, jovens doutores encaram o desemprego: 'Título não paga aluguel'

    Resumindo o tamanho da bomba que o estado criou:

    > Primeiro ele cria uma demanda artificial por cursos de graduação (o que já existia na verdade desde que as profissões passaram a ser reguladas junto com a CLT), com gambiarras como o FIES.

    > Com a demanda artificial criada, a oferta de pessoas com tais diplomas aumenta mais do que a demanda existente por essas pessoas.

    > Como o financiamento de pesquisa continua sendo monopólio do estado (mesmo ex-alunos são proibidos de doarem para suas instituições onde frequentaram), na primeira oportunidade os parasitas vão cortar de quem tem menor poder político, ou seja, de áreas como a ciência, que sequer deveriam receber verba estatal.

    Em Cuba com certeza há vários diplomados. Há médicos que são táxis. Esse no fundo era o sonho petista. Até quando irão defender isso?

    E tem outra coisa, nem mencionei o fato do dinheiro que é desperdiçado com pesquisas que não teriam nenhuma demanda genuína no mercado (tem essa maravilha também), já que a fonte desse dinheiro é de impostos e segue critérios meramente arbitrários, burocráticos e políticos. Eu realmente não sei como o Pirula fez um vídeo de quase meia hora sobre isso e nem se deu conta da raiz do problema.

    Como eu sou da área de Biologia, já posso receber o carimbo de escravo das guildas e dos burocratas do MEC e de seus tentáculos em secretarias e departamentos inúteis.

    E pensar que séculos atrás grandes cientistas e artistas muito provavelmente foram financiados de maneira privada, isso em um mundo com uma pobreza em taxa muito maior do que hoje...
  • Leigo  19/07/2018 15:04
    "E pensar que séculos atrás grandes cientistas e artistas muito provavelmente foram financiados de maneira privada"

    Tem alguns links, fontes, etc, sobre o assunto?
  • Pobre Paulista  19/07/2018 15:36
    O mecenato era a forma padrão de financiamento no passado.

    Sempre digo que Ciências e Artes são meros hobbies da nobreza. Observe que os principais cientistas e artistas dos séculos XVI ao XIX ou eram da nobreza, ou tinham grandes mecenas patrocinando seus trabalhos.

    Foi só o governo resolver se meter que tudo deu errado.
  • Felipe Lange  20/07/2018 18:16
    Acho que vou fazer uma vaquinha para meus projetos mirabolantes.
  • Richard Stallman  19/07/2018 18:25
    www.youtube.com/watch?v=ORbw7Vi1Fbc
  • Saulo  19/07/2018 17:36
    Se fosse implantado no Brasil essa ideia de reformas de dupla maioria, o que ocorreria é uma partido progressita manobraria para passar uma projeto de referendum para aumento de imposto para os mais ricos, o aumento seria aprovado e na melhor da lá hipóteses simplesmente repassado para os mais pobres e para a classe média na forma de aumento no custo de vida, na pior das hipóteses geraria mais pobreza uma vez que o capital e a mão de obra qualificada iria embora do Brasil, novos referénduns seria feito para aumentar a base tributada uma vez que os ricos de agora são mais pobres que o de antes e esse ciclo se perpetuaria e viva a democracia e a escolha popular.
  • Eduardo  19/07/2018 18:01
    Não entendi sua lógica, Saulo. Se hoje, quando a aprovação é muito mais fácil, isso não acontecer, por que aconteceria com um arranjo que dificulta ainda mais a aprovação?
  • Natalia  19/07/2018 21:19
    OFF-TOPIC


    Achei o seguinte texto tirado de um site chamado historiazine falando sobre a história cubana, de Vinicius Cabral. Ele elogia o sistema de saúde de lá, afirma que os problemas do país se dão pelo embargo econômico e ainda que a repressão política não é tão ruim assim porque a blogueira Yoani Sánchez pode viajar pra qualquer lugar (depois de ter tido que fugir de lá ele só não comenta.)

    O que acham?

    "Gritante desigualdade, grande taxa de desemprego e sub-emprego, drogas, fome, prostituição, ruas violentas, serviços básicos de saneamento e limpeza pública acessíveis apenas às classes mais abastadas, cassinos que serviam de lavanderia para os mafiosos norte-americanos situados em praias fechadas por cercas e muros para o cidadão comum. Empresas norte-americanas que exploravam o desemprego e o sub-emprego para oferecer salários miseráveis enquanto levava de Cuba sua maior riqueza?—?a produção agrícola?—?a preço de banana.

    Esta não é a Cuba do Fidel. Essa era a Cuba do Fulgêncio Batista.

    Fidel e seus camaradas derrubaram Batista e fuzilaram todos os opositores, exceto os que conseguiram fugir. Os (agora) líderes cubanos erraram? Não somos juízes, mas podemos usar os fatos para tentar entender. Aquela parte da população que não tinha acesso ao "básico" apoiou a medida.

    Como era praticamente 90% da população cubana, podemos dizer que Fidel e seus camaradas tiveram amplo apoio popular.

    Além dos opositores, Fidel e seus camaradas acabaram também com o desemprego, a fome, a violência, a prostituição; fizeram uma ampla reforma agrária que reestatizou aquelas empresas e distribuiu suas terras para os camponeses; levou saneamento básico para toda a população, montou uma Educação universal e seu sistema de Saúde é referência no mundo todo.

    Essa foi a Cuba sonhada e realizada por Fidel. Deu certo até o colapso da antiga União Soviética, o principal parceiro político-econômico da pequena ilha caribenha.

    Teve cerceamento da liberdade de expressão do povo? Teve, mas veja só… em pleno século XXI, Edward Snowden e Julian Assange estão asilados, respectivamente na Rússia e na embaixada do Equador na Inglaterra, porque sabem que vão morrer se sair dali. Enquanto isso, a jornalista e blogueira Yoani Sánchez, famosa por criticar a "ditadura castrista", passeia pelo mundo livre à vontade, veio até ao Brasil em 2013 dar pitaco na nossa política e servir de escada pra candidato à presidência, veja só o tamanho da repressão.

    Hoje falta "tudo" aos cubanos? Até certo ponto, sim (aliás, o que é "tudo" para você, hein?). Mas boa parte da culpa é do covarde embargo movido pela maior potência econômica do planeta.

    Fidel e seus camaradas poderiam ter saído do governo e deixado os políticos mais novos e a população promoverem a abertura política? Talvez sim. Mas ao final da abertura teríamos uma Cuba realmente livre ou um novo-velho capacho dos EUA?

    Reparem que neste caso da relação Cuba-EUA a reticência é uma constante, pois estamos falando de um país que empregou um órgão de Estado (CIA) para separar cerca de 14 mil crianças cubanas de seus pais entre 1960 e 1962 (Operação Peter Pan), com a única intenção de promover um mal-estar entre cubanos e seus líderes, já que naquele turbilhão diplomático do início da década de 1960 o governo cubano cismou de não deixar seus cidadãos migrarem para o seu… maior inimigo.

    Ah, e também financiou um ataque de cubanos contra cubanos, no malfadado ataque à Baía dos Porcos. Isso sem contar as DEZENAS de vezes em que a CIA tentou matar Fidel, das mais variadas formas possíveis (não acreditem em mim, isso tá no Livro dos Recordes).

    Foto comentada

    Isso que eu chamo de "zuêra". (descrição: Fidel segura um jornal onde se lê a manchete: "Lot to Kill Castro!")

    Se nos dias 25 e 26 de setembro de 2016 você fez uma homenagem ao homem que chutou a bunda dos EUA ou comemorou a morte de um ditador sanguinário, só a tua opção política pode responder (e, quem sabe, explicar).

    Mas é uma pena que você não tente entender melhor o que aconteceu em Cuba e repete o discurso que lhe convém, seja à direita ou à esquerda. E goste do Fidel ou não, saiba que morreu o último grande nome do século XX."



    Já no Youtube, ele também indica no meio desse vídeo o livro de Thomas Piketty onde ele afirma através de um registro econômico de mais de 200 anos que só não houve luta de classes ainda porque o Estado interveio .
    A partir de 4:24:



    E para completar há mais um texto escrito por ele de 18 páginas. Extraí algumas citações para resumir:

    "E desde então a ilha sofre com um dos maiores e mais covardes
    bloqueios comerciais da História, imposto pelos EUA. Enquanto
    existia o comunismo na antiga URSS, Cuba viveu tempos de glória,
    mas quando o império comunista teve fim em 1991, a população
    deixou de ter muitas regalias.

    "Mas Fidel construiu um país onde as pessoas têm acesso gratuito à
    educação e à saúde. Cuba ainda é uma referência na área médica e na
    produção de remédios. O índice de analfabetismo do país beira o zero
    absoluto.

    Por ouro lado, Cuba sofre com a escassez de vários alimentos, entre
    outros produtos não tão essenciais, mas que ajudariam de alguma
    forma no desenvolvimento de seu povo.

    E as pessoas ganham realmente muito pouco com seu trabalho, mas
    para que você precisa ganhar muito dinheiro se o valor do aluguel
    beira o simbólico, os alimentos são baratos e sua saúde e educação
    são bancadas inteiramente pelo Estado?

    Se você é jovem, pergunte para seus pais quanto eles gastam
    anualmente com a sua educação. E quanto custa uma ida ao médico
    para uma simples consulta - sem enfrentar filas, lógico!

    E se você é um pai ou uma mãe ou é jovem mas trabalha para pagar seus estudos
    e sua saúde, tem a exata noção de quanto gasta com isso tudo. Além
    dos impostos que são cobrados e não são revestidos em melhorias.

    Além disso tudo, os mandos e desmandos de Fidel ainda acendem
    discussões acaloradas. Che teria saído da ilha por ter divergências
    quanto ao modo de Fidel governar."





  • Rigby Wilde  19/07/2018 22:10
    Suíços fazendo o que o fazem de melhor: assistir o show
  • Guilherme  19/07/2018 22:29
    Tem coisa mais ilógica do que o Brasil copiar a Suíça? Aqui estamos discutindo tabelamento de fretes, tabelamento de preços de combustíveis e setores estratégicos que devem permanecer na mão do estado, Brasil é socialista, a Suíça é praticamente outro planeta.
  • Natalia  19/07/2018 23:10
    Correção:
    Ela não fugiu, ao que parece, da ilha, mas isso não anula o fato de tantas pessoas morrerem tentando, mas por não serem figuras famosas como ela, pra esse figurão, já refuta a ditadura existente no país.
  • Che  23/07/2018 23:01
    Portugal abandonou a austeridade, aumentou salários, melhorou a previdência, e é um sucesso. Isso incomoda os austríacos?
  • Gary Prado  24/07/2018 00:26
    Oi?! O governo de "esquerda" de Portugal simplesmente aprofundou a austeridade. Eis os dados e fatos aqui. Sinta-se livre para refutar:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2700
  • Zico  24/07/2018 18:25
    Quando o IMB irá fazer um artigo sobre a real carga tributária brasileira?
  • Júnior  24/07/2018 18:31


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