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O exemplo da Venezuela mostra: precisamos de mais fronteiras e mais estados

No contexto do comércio e da imigração, fronteiras são sempre discutidas como um meio de excluir trabalhadores estrangeiros e bens estrangeiros. 

De uma forma, fronteiras fornecem uma oportunidade para os estados excluírem indivíduos privados, como trabalhadores, comerciantes e empreendedores.  Por outro lado, fronteiras também podem exercer funções bem mais estimulantes, e isso pode ser comprovado pelo fato de que fronteiras representam os limites do poder do estado. 

Ou seja, ao passo que as fronteiras podem excluir bens e pessoas, elas também, e com frequência, excluem outros estados.

Por exemplo, a fronteira da Alemanha Oriental com a Alemanha Ocidental impôs limites ao estado policial praticado pelo governo alemão oriental.  Para além de suas fronteiras, o poder da Stasi de sequestrar, torturar e encarcerar pessoas pacíficas era muito mais limitado do que dentro de sua jurisdição nativa.  A fronteira da Alemanha Ocidental atuou para conter o estado da Alemanha Oriental.

Similarmente, as fronteiras da Arábia Saudita impõem um limite à capacidade do regime saudita de decapitar pessoas acusadas de feitiçaria ou de fazer críticas aos ditadores sanguinárias da Casa de Saud.

Mesmo dentro de um país, fronteiras podem ilustrar os benefícios da descentralização.  Nos EUA, por exemplo, há o caso da fronteira entre Colorado e Nebraska.  De um lado da fronteira (em Nebraska), a polícia estadual irá lhe prender caso você esteja portando maconha.  A polícia, inclusive, pode até lhe matar caso você resista à prisão.  Já do outro lado da fronteira, no Colorado, a constituição daquele estado proíbe a polícia de perseguir usuários de maconha.  Assim, a fronteira do Colorado detém a guerra às drogas praticada pelo estado de Nebraska.

Certamente, há maneiras pelas quais um governo pode estender seus poderes para além de suas fronteiras.  Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de alianças com outros regimes dos países vizinhos.  Pode ser feito também por meio da intimidação.  Ou por meio de organismos internacionais.  Ou, como no caso dos EUA e da União Europeia, por meio da imposição de amplas e abrangentes políticas sobre vários estados supostamente soberanos.

Não obstante, graças à natureza concorrencial dos estados, vários países frequentemente terão dificuldades em projetar seus poderes sobre países vizinhos.  Desta forma, fronteiras representam um impedimento muito real aos poderes de um estado.  E isso abre as portas para uma maior liberdade, podendo até mesmo salvar vidas à medida que determinados estados vão empobrecendo ou fazendo guerras contra seus próprios cidadãos.

O exemplo da Venezuela

Esse princípio foi ilustrado mais uma vez na semana passada, quando o governo da Venezuela abriu sua fronteira com a Colômbia (sobre uma ponte) para conceder aos venezuelanos a oportunidade de comprar alimentos e outros bens no lado colombiano da fronteira

O regime colombiano, obviamente, está longe de ser perfeito; porém, não obstante todos os seus problemas, governo colombiano, ao contrário do venezuelano, não reduziu a população do país a uma situação de penúria e pobreza desesperadoras, em meio a um colapso total das instituições econômicas e sociais.

Consequentemente, é bem fácil comprar comida e itens básicos na Colômbia, ao passo que as prateleiras dos supermercados estão vazias na Venezuela.

Felizmente para os venezuelanos, o governo da Venezuela é restringido pelas fronteiras dos países vizinhos, de modo que a capacidade do regime venezuelano de encarcerar pequenos empreendedores e comerciantes por serem "traidores da classe" termina onde começa o território colombiano.

Não surpreendentemente, a fronteira venezuelana com a Colômbia se manteve fechada por um bom tempo.  Aparentemente, o estado venezuelano acreditava que havia muita liberdade acontecendo nas terras fronteiriças — onde contrabandistas e operadores do mercado negro conseguiam usar a fronteira com a Colômbia para conseguir bens de primeira necessidade e, com isso, contornar a escassez gerada pelas rígidas medidas anti-mercado do governo venezuelano.  O fechamento das fronteiras, obviamente, serviu apenas para excluir os cidadãos comuns venezuelanos do livre movimento entre os países.  Criminosos violentos, no entanto, operam livremente na área, fazendo da fronteira Colômbia-Venezuela uma região especialmente perigosa.

Apesar de tudo isso, a fronteira com a Colômbia se tornou a corda de salvação para os venezuelanos agora que ela se transformou em uma fonte para alimentos e itens de primeira necessidade — além de representar uma fuga parcial de uma vida de privação imposta à população pelas políticas socialistas de Nicolás Maduro e Hugo Chávez.

Felizmente para as pessoas da América do Sul (e do mundo), a Venezuela é apenas um país de médio porte, com uma área total aproximadamente 30% maior que o Texas.  É de se imaginar toda a miséria e o sofrimento que poderiam ser impostos a uma população muito maior caso a Venezuela fosse do tamanho do Brasil ou da Rússia — ou, pior ainda, se ela fosse um governo mundial em um mundo sem fronteiras.

O fato de a Venezuela estar fisicamente limitada em termos de tamanho e abrangência de suas políticas gera alívio para aqueles que ao menos podem se beneficiar da proximidade da fronteira e podem comercializar com estrangeiros e operadores do mercado negro.

E, como observa a Associated Press, a "proximidade" de um indivíduo com a fronteira pode ser definida de acordo com o desespero deste, como ilustrado pelo fato de que alguns venezuelanos viajam 10 horas para a fronteira para conseguir comida.

Os benefícios da descentralização e da secessão

As realidades físicas do tamanho e da distância nos mostram, mais uma vez, os benefícios da secessão e da descentralização política: aqueles que moram a apenas duas horas da fronteira terão mais oportunidades para comprar comida do que aqueles que moram a mais de 10 horas de distância.  Aqueles que vivem perto da fronteira podem também usufruir mais oportunidades para escapar fisicamente do território venezuelano caso a necessidade se imponha.

Essa situação seria aprimorada caso ainda mais descentralizações ocorressem e as províncias ocidentais da Venezuela se separassem do país, efetivamente movendo as fronteiras da Venezuela mais para o leste.

Imagine, por exemplo, se o estado de Zulia, no oeste da Venezuela, expulsasse os militares venezuelanos e abrisse completamente suas fronteiras com a Colômbia.  Bens e serviços imediatamente começariam a fluir para o recém-liberado território de Zulia, e tudo se tornaria muito mais abundante. 

Mas isso não beneficiaria apenas os habitantes de Zulia. A nova realidade também significaria que a fronteira venezuelana acabaria na fronteira leste de Zulia, tornando agora a liberdade das áreas fronteiriças mais acessíveis aos estados vizinhos de Trujillo e Mérida.  Os moradores do estado de Trujillo, que antes estavam distante várias horas da fronteira com a Colômbia, podem estar agora a apenas uma hora de uma fronteira externa, assim permitindo a mais pessoas a capacidade de viajar para a fronteira ou fazer uso mais amplo dos mercados negros ou mesmo dos mercados legais que estão fora do alcance do regime venezuelano.

Ludwig von Mises já havia entendido os benefícios desse tipo de secessão gradual, observando com grande aprovação a possibilidade de se permitir a províncias e vilarejos a oportunidade de se separar de um estado e se juntar a outro, ou permanecer independente.  Quanto maior for um estado, mais recursos ele controla, e maior é sua capacidade de impor altos custos àqueles que podem querer emigrar ou fugir do controle do estado central.

Escrevendo sobre "autodeterminação", Mises disse que não são as "nações" que têm um direito à autodeterminação, mas sim os "indivíduos".  Mises defendia o "direito dos habitantes de cada território decidirem sobre o estado ao qual desejam pertencer."  Na prática, nos relembra Mises, isso significa fragmentar os países em territórios menores:

Quando os habitantes de um determinado território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes) fizerem saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertencem, mas desejam formar um estado independente ou tornar-se parte de algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos.  Este é o único meio possível e efetivo de evitar revoluções e guerras civis e internacionais.

Certamente, a adoção desse plano de Mises a traria alívio quase que imediato àquelas várias pessoas que atualmente vivem do lado errado da fronteira venezuelana.  Infelizmente, o governo central da Venezuela — como a maioria dos governos nacionais — raramente demonstrou alguma hesitação em reprimir brutalmente os "dissidentes".  A menos que ocorra uma significativa mudança ideológica na Venezuela, é pouco provável que qualquer movimento local em prol de uma maior "autodeterminação" seja respeitado.

Mais estados = mais escolhas

Na prática, se defendemos a liberdade de escolha, de movimento e de oportunidade para fugir de regimes opressores, então a solução está na criação de mais fronteiras e mais estados.  Ao passo que fronteiras podem frequentemente inibir a movimentação de bens e seres humanos, elas também podem oferecer oportunidades para uma maior liberdade ao limitar o poder e o alcance dos governos vigentes.

Adicionalmente, dado que estados menores têm mais dificuldades em regular mercados e pessoas fora de suas fronteiras, então esses estados pequenos serão mais dependentes do livre comércio com outros estados caso queiram viver bem e prosperar.

Fosse a Venezuela menor e com mais vizinhos internacionais, o povo venezuelano teria mais oportunidades para interagir com outras áreas que estão fora do controle do regime venezuelano.  Ao mesmo tempo, terão muito mais oportunidade em termos de emigração e comércio.  Em outras palavras, o monopólio usufruído pelo estado venezuelano seria mais fraco, e os cidadãos teriam mais liberdade de escolha.

A solução realmente está na descentralização, a qual gera mais escolha e, consequentemente, mais liberdade:

A resposta prática para a atual falta de opção (ou seja, falta de "autodeterminação") não reside na abolição imediata de todos os estados (até mesmo porque nunca houve consenso quanto à maneira de se fazer isso), mas sim na fragmentação dos atuais estados em estados cada vez menores.[...]

O que Mises descreve acima refere-se a votos formais em eleições e a declarações de independência.  Porém, os mesmos efeitos, na prática, podem ser obtidos por meio dos métodos de nulificação e separação locais, tal como sugerido por Hans-Hermann Hoppe. E, obviamente, por razões práticas, a secessão de facto pode frequentemente ser o método preferível.

Alguns doutrinários e até mesmo anarcocapitalistas frequentemente argumentam, de maneira nada prática, que a secessão é uma coisa negativa porque "cria um novo estado". Entretanto, este é um ponto de vista bastante simplista, dadas as realidades geográficas do planeta Terra. A menos que alguém esteja formando um novo estado situado completamente em águas internacionais, ou na Antártida, ou no espaço sideral, a criação de qualquer estado novo terá necessariamente de ocorrer à custa de algum estado existente.

Assim, a criação de um novo estado — por exemplo, na Sardenha — seria feita à custa do atual estado conhecido como "Itália".  Por causa da secessão, o governo italiano seria privado de receitas dos impostos dos sardos e das vantagens militares do território.  Consequentemente, o estado que perde território torna-se necessariamente enfraquecido. 

Portanto, a secessão, em vez de ser vista como apenas "um ato que cria um novo estado", deve ser vista como um ato que enfraquece um estado existente.

Além de enfraquecer estados, a vantagem, pela perspectiva do indivíduo, é que ele agora tem à sua disposição dois estados para escolher, onde antes havia somente um. Agora, o indivíduo tem mais opções: ele pode, mais facilmente, escolher um lugar para viver que seja mais adequado ao seu estilo de vida pessoal, ideologia, religião, grupo étnico e assim por diante.

A cada ato de secessão bem-sucedido, as escolhas disponíveis para cada pessoa aumentam continuamente[...]

Se há algo de que o povo venezuelano precisa imediatamente é de mais escolhas.



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Diversos Autores

  • Tannhauser  21/07/2016 16:17
    Eu concordo totalmente com o texto.

    É bem mais fácil se separar do que tomar todo o país e destituir o Presidente (como constatado recentemente na turquia).

    Mas só não entendo por que não houve nenhuma secessão na Venezuela até o momento. Seria a esperança de retirar o Maduro nas próximas eleições?
  • Nilton  21/07/2016 19:25
    Não houve "secessão na Venezuela até o momento", pelo simples fatos que antes o "povo" acreditava que o governo estava fazendo o que era melhor para ele, e agora eles tem certeza que se levantar a voz pode acabar um coturno na porta. Levando em conta a democracia reinante na Venezuela deve ser mais faz ficar 12 Horas em uma fila do que correr o risco de acaba na prisão.
    É minha opinião de lego.
  • Andre  21/07/2016 16:47
    Se eu fosse um venezuelano e tivesse cruzado aquela fronteira eu não voltava mais.
    Meus pêsames para aqueles que cruzaram a fronteira e voltaram, tempos de horror estão chegando.
  • Marcelo Vasconcelos  21/07/2016 16:58
    O texto é interessante, mas discordo da forma como a secessão é vista.

    Com a secessão certamente um território poderia usufruir dos benefícios que citados, mas haveria também os problemas que isto iria gerar, tomemos como exemplo um trecho do artigo:

    Assim, a criação de um novo estado — por exemplo, na Sardenha — seria feita à custa do atual estado conhecido como "Itália". Por causa da secessão, o governo italiano seria privado de receitas dos impostos dos sardos e das vantagens militares do território. Consequentemente, o estado que perde território torna-se necessariamente enfraquecido.

    O problema é que não só a Itália ficaria enfraquecida com isso, mas o novo Estado da Sardenha também, pois teria sua receita de tributos diminuída, assim como suas vantagens militares. Não basta adquirir independência, também é preciso mantê-la.

    Para que um Estado se sustente são necessários vários fatores econômicos e sociais, tais como: a produção ampla de bens e serviços; meios de fornecer educação adequada a população, assim como serviços de saúde, ainda que privados; mecanismo de defesa, como forças armadas e equipamento bélico, entre outros.

    Acredito que a secessão pode ser muito benéfica, mas também pode ser o contrário. O ideal seria que a secessão fosse realizada não como finalidade sem sí, mas como meio de proporcionar benefícios à população.

    Por fim, cito como exemplo os movimentos de secessão do Brasil. Basta pensar no caso de separação do estado de São Paulo e comparar com a separação do estado do Acre. Qual deles teria mais condições de se manter? Qual deles possui estrutura para trazer benefícios a sua população?

    Em suma, vejo que a secessão não é um fim, apenas um meio.
  • anônimo  21/07/2016 17:22
    O governo da Sardenha teria menos dinheiro? ótimo, melhor ainda.

    Menos dinheiro na mão do governo, mais recursos nas mãos do setor privado.

    Obs.: o tamanho não interfere em nada no desempenho econômico. A Sardenha possui um território 30x maior do que Singapura e uma população 3x maior que luxemburgo.

  • Marcelo Vasconcelos  21/07/2016 18:17
    Meu caro, quando me referi a Sardenha utilizei apenas o exemplo citado no texto. Conforme me posicionei no comentário, acredito que a secessão tenha suas vantagens, desde que seja um meio, não uma finalidade.

    "Obs.: o tamanho não interfere em nada no desempenho econômico. A Sardenha possui um território 30x maior do que Singapura e uma população 3x maior que luxemburgo".

    Não mencionei a questão de extensão territorial (tamanho, conforme você disse), citei questões objetivas, tais como "a produção ampla de bens e serviços; meios de fornecer educação adequada a população, assim como serviços de saúde, ainda que privados; mecanismo de defesa, como forças armadas e equipamento bélico, entre outros".. Se a Sardenha se enquadra neste conceito é uma candidata a se tornar independente.

    Menos dinheiro na mão do governo, mais recursos nas mãos do setor privado.

    Não importa o fato do governo do ter menos ou mais "dinheiro". Quando comentei expus uma preocupação que atinge também o setor privado. Veja o exemplo do Acre. Será que através da separação o setor privado do Acre teria condições de se manter? Há empresas suficientes para gerar riqueza que sustente o novo Estado? Haveria interesse de investidores por esse novo território independente?

    Sem dúvida prevalece a máxima: "Menos Estado, mais mercado". Contudo, é necessário haver mercado!
  • Livre Mercado  21/07/2016 18:58
    Você tem razão, o livre mercado e iniciativa privada são incipientes no Acre, exceto pelos fazendeiros em grande número que trocam favores escusos, como cometer crimes e não serem investigados, com governos locais o que os torna na prática funcionários públicos.
    Tampouco há uma classe média empreendedora, ou empregada produtiva com raízes para exigir que mais de sua produção fique consigo mesma, aliás, nem mesmo há classe média naquele lugar, exceto os funças clássicos.

    É por isso que não há demanda pelo separatismo do Acre, as vantagens de estar parasitando os mais produtivos ao sul são muito maiores. Quanto ao Sul para ser breve, tem indústrias variadas, forte demanda mundial por seus produtos agrícolas, forte presença empresarial, de investidores e uma classe média empreendedora e empregada com fortes raízes locais demandando mais liberdade econômica e etc.

    A hipótese de um insipiente mercado não conseguir sustentar o estado já está sendo vivida por todos nós neste exato momento, o estado brasileiro está falido e vai arrastar o mercado consigo para o buraco, tendo consequências haitianas.
  • anônimo  21/07/2016 19:00
    Ok, tentarei ser mais objetivo na minha resposta.

    "Será que através da separação o setor privado do Acre teria condições de se manter?"

    E porque não teria? O setor privado só precisa atender os consumidores para se manter, seja locais ou externo.

    "Há empresas suficientes para gerar riqueza que sustente o novo Estado? "

    Depende do que você se refere. Algo que os sociais democratas desejam nem o Brasil consegue. Agora se partirmos para um estado mínimo, sim.

    Um bom exemplo é Singapura, quando se separou era um país muito pobre, pequeno, com baixa tributação e sem recurso natural nenhum. E no final deu certo.

    "Haveria interesse de investidores por esse novo território independente?"

    Se adotar instituições que garantam segurança jurídica aos investidores, livre comércio e respeito a propriedade privada, a resposta é sim.
  • Marcelo Vasconcelos  21/07/2016 20:26
    Anônimo, com base em seus argumentos, o Acre tem chance de se tornar um Estado independente.

    Em meu comentário citei o Acre, mas poderia ter citado qualquer outro Estado ou mesmo uma pequena região ou distrito. Poderia ter mencionado Roraima, Ceará ou mesmo a Baixada Fluminense e a Baixada Santista.

    O que eu questionei inicialmente foi a menção aos benefícios da descentralização e da secessão, sem apontar os malefícios que isto PODE acarretar.

    Conforme vc citou, "E porque não teria?, Depende..., Se adotar..." , ou seja, para que um novo Estado dê certo são necessários vários fatores que devem ser ponderados.

    Este tema é tão amplo que poderia ser desenvolvido através de vários artigos, ou mesmo de um livro, mas, em resumo, seria interessante pensar no caso de um Estado não ter sucesso com a secessão.

    Caso a criação de um novo Estado não dê certo teremo um problema internacional, posto que o país ao se tornar independente adquire soberania, portanto não poderia haver intervenação de outros países em seu território.

    Adotando novamente o Acre como exemplo (apenas como exemplo, conforme citei), se o novo Estado fracassasse as pessoas teriam que migrar para outras localidades, o que geria um problema econômico para o país ou países vizinhos.

    Para tornar o exemplo um pouco mais "paupável", pense do Brasil passar por uma secessão mantendo a dividão por regiões, como acontece hoje. O Sudeste e o Sul, provavelmente, conseguiriam se manter, mas e o Nordeste? Caso a região não prosperasse, ou pior a pobreza e a miséria aumentassem, o que aconteceria com a população? Será que imigrariam para o Sul e Sudeste? Como estas regiões (Sul e Sudeste) receberiam os imigrantes? Pense mais a frente, se esta região (Nordeste) virasse uma espécie de Colômbia, com acentuada produção de drogas? Ou mesmo como seria se estes locais comessassem a abrigar partidários do Estado Islâmico? Poderia citar muitos outros possíveis problemas, mas somente estes já são extremamente graves.

    Seria ótimo se toda secessão gerasse uma "Singapura", mas e se a secessão gerar uma Venezuela, Colômbia, Síria, Iraque, entre outros, ou seja, tráfico de drogas ou mesmo base para fundamentalistas?

    Meu caro, algumas vezes damos muito valor aos benefícios de um sistema e nos esquecemos dos problemas que ele pode trazer.
  • anônimo  21/07/2016 21:25
    Você está preocupado se um estado como o Acre viesse a fracassa em uma hipótetica secessão?

    Bom, o brasil já é um fracasso há 500 anos, sendo assim, não há muito o que piorar. Ao menos em teoria a secessão força um país a adotar instituições melhores, ou caso contrário, teríamos uma migração em massa e um empobrecimento ainda maior do país.
  • Marcelo Vasconcelos  22/07/2016 16:26
    Anônimo,

    Você está preocupado se um estado como o Acre viesse a fracassa em uma hipótetica secessão?

    Toda secessão fracassada deve gerar preocupação, mas detalhei bem isso no meu comentário, especialmente, quando citei o caso hipotético do Nordeste.

    Ao menos em teoria a secessão força um país a adotar instituições melhores, ou caso contrário, teríamos uma migração em massa e um empobrecimento ainda maior do país.

    Sim. Foi exatamente o que mencionei. O problema está exatamente no destino desta imigração.

    Meu comentário foi apenas no sentido de gerar uma reflexão sobre o tema. Sempre é bom pensar nos prós e nos contras de tudo o que vamos fazer.

    Por fim, reitero, pela última vez, a secessão não é um fim, apenas um meio.


    Abraço.
  • Tailoco  22/07/2016 13:31
    Acredito que mais estados gerem mais burocratas, logo, mais despesas públicas, necessitando de mais arrecadação.... precisamos é de mais liberdade, pois, no mundo se tem 192 países e note a pouca flexibilidade em que se tem para um venezuelano mudar-se, e ou, um norte coreano, um cubano.... Mas sinceramente, cada povo tem o governo que merece!!!
  • Tinoco  22/07/2016 13:36
    Isso no plano ideal. Já no mundo real, é tudo o que temos.

    E sempre enfatizando: como explica o artigo, cada nova secessão diminui o tamanho do estado do país que sofreu a perda de território. Se SP e toda a região sul se separam do Brasil, o governo federal brasileiro será inevitavelmente reduzido, o que significa que os estados remanescentes terão mais liberdade.
  • Edujatahy  22/07/2016 14:14
    A sua crença não corresponde com a realidade. Países menores tendem a ter economias mais livres e consequentemente um estado parasita menor e/ou de acordo com a real capacidade produtiva do país. Se um estado sufoca um pequeno país a população sai de lá, o que quebra o estado de uma vez e o obriga a reformar. Não deu para entender que a "concorrencia" entre estados é benéfica para o indivíduo?
  • Conservador  21/07/2016 17:57
    Muito bom.
  • Contestador   21/07/2016 18:12
    Caros,

    Me pergunto se utilizar exemplos extremos para corroborar sua lógica é um metodo adequado. Obviamente a população da Venezuela se beneficiaria com a fragmentação do seu Estado, simplesmente porque não há como piorar a situação.

    Para que esse texto deixe de ser ingênuo, deve abordar pelo menos a questão da "teoria dos jogos" - Estado menor significa menor poder bélico e econômico. Uma Índia fragmentada é uma oportunidade para o Paquistão conquistar cada pedaço dela, o mesmo serve para países próximos a Rússia, Coréia do Norte, China ... Na geopolítica real, uma colômbia fragmentada geraria um potencial real para a Venezuela AUMENTAR seu bolivarianismo e uma Venezuela fragmentada é espaço para as FARC ampliar seu domínio.

    Fronteiras de Estados sem expressão política e econômica simplesmente não são respeitadas no mundo real.




  • Agnaldo  21/07/2016 18:42
    "Estado menor significa menor poder bélico e econômico."

    Tipo, Suíça é fraca economicamente e militarmente? É o único país do continente europeu que nunca foi atacado militarmente.

    A Argentina é forte militarmente e economicamente? É um país grande (maior que qualquer europeu).

    Luxemburgo? Cingapura? Andorra? Holanda? Todos são fracos economicamente?

    Todo o imenso continente africano é economicamente forte?

    O México é militarmente poderoso?

    Parece que quem está sendo ingênuo é você.
  • Contestador  21/07/2016 20:35
    Obrigado pela resposta Agnaldo.

    Suíça, Luxemburgo, Cingapura e Andorra tem algum protagonismo nas decisões em fóruns mundiais como a OMC? Veja bem, não estou falando de PIB percapita ou de IDH, nem mesmo das liberdades individuais.

    Estou afirmando que um Estado com 2,3 milhões de soldados e um PIB de US$ 10 trilhões vai possuir uma capacidade de influência infinitamente maior do que Cingapura.

    Respondendo ponto a ponto:

    (a) Suíca já foi atacada. Waterloo, ja ouviu falar? 38º PIB, muito menos relevante no mundo do que o Mexico.

    (b)A argentina é superior economicamente e militarmente a maioria dos países europeus individualmente. Leia mais

    (c) Luxemburgo? Cingapura? Andorra? Sem expressão econômica mundial.

    (d) Você esta falando que a África é um só país? Estamos falando de Estados nacionais aqui, não seja tão limitado intelectualmente.

    (e) México é militarmente mais poderoso do que maior parte dos países da europa individualamente também, com certeza mais poderoso que seus vizinhos de américa central e milhares de vezes mais poderosos do que Tuvalu.


    Desconsiderando o que é gelo, os 3 maiores países do mundo são as 3 maiores potências militares e 2 dos 3 são as maiores potências econômicas.
  • anônimo  21/07/2016 22:00
    Esse "contestador" é muito fraco.
  • Guilherme  21/07/2016 21:32
    "Veja bem, não estou falando de PIB percapita ou de IDH, nem mesmo das liberdades individuais."

    Ou seja, você não está falando de nada que realmente importa. Você não está falando de padrão de vida, não está falando de criação de riqueza, não está falado de expectativa de vida, não está falando de mortalidade infantil, não está falando de nada que traga conforto para o homem.

    "Estou afirmando que um Estado com 2,3 milhões de soldados e um PIB de US$ 10 trilhões vai possuir uma capacidade de influência infinitamente maior do que Cingapura."

    E a qualidade de vida da população? Poderio bélico nas mãos de políticos e burocratas é sua máxima aspiração mundial.

    "Suíca já foi atacada. Waterloo, ja ouviu falar?"

    Pesquisei e nada encontrei sobre ataques militares que dizimaram a Suíça. Você se importaria em fornecer as fontes?

    "38º PIB, muito menos relevante no mundo do que o Mexico."

    Nossa! Então é por isso que os suíços estão fugindo em disparada para o México, cuja qualidade de vida deve ser muito mais alta que a dos suíços!

    (Não foi você quem disse que PIB não era importante? Não entendi.)

    "A argentina é superior economicamente e militarmente a maioria dos países europeus individualmente. Leia mais"

    É por isso então que todos os países europeus são submissos -- econômica e militarmente -- à Argentina. De fato, preciso ler mais, pois não sabia que o mundo estava assim.

    "Luxemburgo? Cingapura? Andorra? Sem expressão econômica mundial."

    E, exatamente por isso, suas populações fogem em manada para China e Rússia, cuja "expressão econômica mundial" garante uma altíssima qualidade de vida para sua população.

    "Você esta falando que a África é um só país? Estamos falando de Estados nacionais aqui, não seja tão limitado intelectualmente."

    Ué, o continente africano como um todo possui muita "expressão econômica mundial", além de ser muito militarizado (como você gosta). Qual o problema? Quando a coisa não é do seu agrado você muda o padrão de critérios?

    Não seja tão limitado intelectualmente.

    "México é militarmente mais poderoso do que maior parte dos países da europa individualamente também, com certeza mais poderoso que seus vizinhos de américa central e milhares de vezes mais poderosos do que Tuvalu."

    Por isso mesmo o México domina militar e economicamente quase todo o mundo, rivalizando em poderio apenas com os EUA. Né?

    É cada coitado que despenca de pára-quedas por aqui jurando que tá abafando...
  • Contestador  22/07/2016 16:25
    Guilherme, vocÊ não entendeu nada......não estou falando de qualidade de vida. Estou falando de equilíbrio de forças mundiais. Triste ver uma resposta de um economista que não sabe a diferença entre PIB e PIBpercapita e que distorce os argumentos.

    Ha duas opções, você é muito limitado intelectualmente ou é desonesto...

    Frustrado com o nível do debate....realmente
  • Mário  22/07/2016 16:55
    Prezado Contestador, desculpe-me, mas quem claramente não sabe a diferença entre PIB e PIB per capita parece ser você.

    Prova disso foi essa asneira que você disse:

    "[A Suíça é o] 38º PIB, muito menos relevante no mundo do que o Mexico."

    Ou seja, para você, o que interessa é o PIB total (o do México é mais de 4 vezes maior) e não o PIB per capita (o da Suíça é mais de 3 vezes maior). Por essa sua lógica, é preferível viver na Índia à Nova Zelândia.

    Você fala isso e ainda acusa os outros de não saber a diferença entre PIB e PIB per capita?

    Menos arrogância na próxima. Faça mais perguntas e menos afirmações acusativas.
  • Renato Souza  22/07/2016 23:27
    Entendi a questão do Contestador. Ele acredita que estados pequenos, por serem militarmente mais fracos, serão tomados por estados maiores. A história parece dar-lhe razão. Em muitos casos isso realmente aconteceu.
    Mas em outros casos, não. Estados pequenos podem formar coalizões, e assim resistir aos ataques de estados maiores.
    Vejamos dois exemplos:

    As cidades gregas eram estados muito menores que o império Persa. Ocorre que se coligaram para defender-se, e quem saiu perdendo foi aquele grande império.
    Antes da unificação de Israel, não existia uma autoridade nacional. Entretanto, para defender-se de outros povos, as cidades recorriam à figura do Juiz, que era também um líder militar que solicitava apoio de todas as cidades, das doze tribos. Venceram diversos inimigos que eram mais fortes que qualquer cidade (ou mesmo qualquer tribo) isoladamente.

    Há muitos exemplos assim na história. Se a secessão gerar desentendimentos de disputas militares entre as partes do anterior estado, então as partes poderão ser engolidas por uma potencia externa. Mas se as partes se coligarem militarmente, podem não perder nada em termos de segurança contra atacantes externos.
  • Affonso  22/07/2016 23:44
    A Liga das Nações, cujo artigo a respeito foi linkado no artigo acima, foi criada justamente tendo essa proteção como um de seus objetivos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2341
  • Oneide teixeira  21/07/2016 19:44
    Já inventaram uma solução para isso, federação com democracia direta com voto distrital puro.
    Municípios com grande autonomia, se unem formando estados que se unem formando países.
    As ligações culturais que determinaram as afinidades entre os entes federativos.

  • anônimo  22/07/2016 08:58
    Nope, é muito diferente.Em uma federação ainda existe submissão à um governo central.
  • Consciente  21/07/2016 23:16
    Esse negócio de ficar culpando o governo pelos fracassos pessoais é a pior coisa que alguém pode fazer. É atitude de fracassado, que sonha com um mundo ideal que resolva seus problemas, ao invés de lutar e se preparar para supera-los.
  •   22/07/2016 01:18
    Do que ou de quem vc está falando ou para quem está falando, cidadão?
  • Andre  22/07/2016 01:38
    Parece um pastor esquizofrênico da praça da sé.
  • Neo  22/07/2016 02:37
    O sujeito deve achar que ser miserável e passar fome na Venezuela é sinônimo de fracasso pessoal. O governo socialista que desmantelou o país não deve ser responsabilizado, o verdadeiro culpado é o esfomeado que não lutou para superar os seus problemas.

    Realmente uma postura bastante "consciente".
  • anônimo  22/07/2016 08:57
    Aprende a ler, infeliz.Ninguém está culpando o governo pelos seus 'fracassos pessoais', mas sim está culpando o governo pelos crimes que ele realmente comete, está fazendo apenas uma constatação óbvia de que quanto menos o governo se mete, mais rico é um país.
    Nada disso significa que não estamos batalhando pra ter uma vida melhor, é justamente o contrário.
  • Wesley  22/07/2016 02:19
    Eu estava vendo sobre desenvolvimentismo. Percebi que o desenvolvimentismo pode ser considerado como uma teoria fascista no campo econômico. Os desenvolvimentistas defendem que os pobres devem ser prejudicados e o povo deve ser proibido de consumir produtos importados para beneficiar o baronato nacional. O Getúlio Vargas, que era um admirador do Mussolini era um desenvolvimentista. Os ditadores militares tupiniquins também eram desenvolvimentistas. Só não sei se o mesmo pode ser dito dos fascistas e nazistas europeus. Portanto está aí uma boa forma de desmoralizar quem defende essas ideias idiotas. É só dizer que o desenvolvimentismo é a política favorita dos regimes autoritários e do baronato nacional. Não sei se vocês pensam o mesmo. Mas o desenvolvimentismo está para economia, como o fascismo para a política.
  • Torben  22/07/2016 13:38
    É isso aí.
  • Henrique  22/07/2016 12:31
    A secessão paulista faria muito bem ao Brasil e aos paulistas. Quando vejo que SP envia (via tributos federais IR, IPI, etc...) em números aproximados, 400 bilhões de reais a Brasilia e apenas 40 bilhões retornam, ou seja 10%, fico imaginando 360 bilhões de reais girando na economia paulista. Imagino a competição que geraria entre Brasil e SP por melhores produtos e serviços. Mais liberdade e possibilidade de empreendedorismo para os melhores cérebros. O federalismo atual é extremamente centralizador, uma secessão seria a melhor forma desse arranjo nefasto ser desfeito aceleradamente.
  • gilmar  22/07/2016 12:32
    Esse é o problema de muitos economistas austríacos: Porque entendem de economia, analisam tudo pelo viés econômico. A França abriu as fronteiras e olha no que deu! Análise pueril essa do artigo.
  • Rinaldi  22/07/2016 12:39
    Tipo assim, o artigo defende ainda mais fronteiras e você diz que ele defende a abolição de fronteiras, como fez a França?

    Você, sim, é pueril. E analfabeto funcional.

    P.S.: o terrorista que atropelou as mais de 80 pessoas em Nice era francês. Não entrou como imigrante ilegal.
  • Denison Ribeiro  22/07/2016 13:58
    Estava pensando em algo do tipo um dia desses, após o episódio do Brexit. Posso não estar correto e seria interessante uma contestação, mas, as duas guerras mundiais que o mundo vivenciou foram fortemente influenciadas por mentes "globalistas", pessoas que vislumbravam um mundo melhor caso seja controlado por uns poucos países. Seriam todos um só. Grande parte das guerras de menores dimensão não ficam pra trás: queriam mais território, queriam o espaço alheio para si.
    Me pergunto, por que ainda insistem nessa ideia? O caso da União Europeia é explicito: centralizar cada vez mais o comando de toda uma região de países. Em que contexto isso daria certo? Cada País tem uma história, tem cultura, tem necessidades diferentes. A inexistência de uma União Europeia da vida não induz a separação dos povos, longe disso. A meu ver, respeitar as necessidades de cada região, descentralizando o poder, é mais eficaz do que repetir o mesmo modelo que alimentou guerras e autoritarismos. Essa ideia de "união dos povos" tornando todos sob o comando de um ente soa mais prejudicial do que a ideia de "união dos povos" com o respeito às fronteiras e autonomia de cada País.
  • Roberto  22/07/2016 17:49
    A secessão é vedada pela Constituição Federal, portanto esse debate é inócuo.
  • Pessimista  22/07/2016 18:39
    Vedada por um papel rabiscado? a hora que as pessoas apoiarem a secessão ela acontecerá.
  • Capital imoral  22/07/2016 19:00
    Papel rabiscado?
    desobedeça esse papel, que um policial te prende ou te mata.
  • Marcelo Vasconcelos  22/07/2016 19:26
    Capital Imoral, você é um pândego! kkkk
  • Leandro Campos  22/07/2016 19:32
    O Brasil já estaria nesse caminho?
    Aqui temos muitas favelas, podemos dizer então que as favelas, morros ou comunidades(sendo politicamente correto), estão no caminho da criação de novas fronteiras?

    Nas favelas existe um comércio próprio, motos, celulares roubados, luz, água e até tv a cabo roubados, segurança feita por traficantes e milícias, a justiça também na mão destes.

    E aí, dá ou não para dizer que temos um estado a parte em certas regiões do Brasil?
  • Otávio de Ramalho  22/07/2016 19:41
    Muito pelo contrário: nas favelas existe um excesso de estado.

    O quê?! Sim, excesso de estado. E eu lhe provo.

    Uma área pobre de uma grande cidade, infestada de quadrilhas de traficantes e de milicianos que circulam por ali sem qualquer restrição, vendendo abertamente drogas nas ruas e becos e descarregando rajadas de metralhadora em qualquer um que apresente um comportamento suspeito está nessa situação terrível justamente porque a polícia opera ali rotineiramente e com truculência.

    Se a polícia realmente nunca se preocupasse em impor qualquer lei naquela área, então ninguém teria de se preocupar com o risco de ir pra cadeia por estar vendendo drogas.

    Consequentemente, empresas de fora poderiam ir se instalar naquele bairro, abrir lojas com janelas à prova de balas e vigiadas por seguranças muito bem armados, e vender cocaína e outras drogas para os moradores (ou, principalmente, para os clientes que vêm de outros bairros) por uma fração do preço vigente nas ruas.

    Essas empresas iriam rapidamente quebrar todas as quadrilhas de traficantes que operam na região, uma vez que os clientes iriam correr em manada para aqueles empreendimentos profissionalmente geridos, principalmente por causa de seus preços baixos e pela qualidade de seus produtos.

    Porém, por que isso não ocorre? Porque se alguns empreendedores tentassem de fato implementar o plano acima, eles seriam rapidamente impedidos pela polícia, que interromperia suas atividades (com o indisfarçável apoio dos traficantes locais).

    Mais ainda: essas empresas teriam suas contas bancárias confiscados por ordem do judiciário, inviabilizando qualquer operação. Líderes comunitários e religiosos iriam reclamar que uma farmácia não pode vender cocaína para adolescentes em plena luz do dia (embora os traficantes o façam imperturbáveis) e o chefe da delegacia encarregada da região iria concordar.

    Com efeito, nem ocorre a qualquer empreendedor tentar fazer o que foi dito acima porque - duh! - seria algo totalmente ilegal.

    Portanto, não é difícil entender que não é inoperância do governo o que permite que determinadas favelas permaneçam em um equilíbrio violento; ao contrário: é justamente o ataque do governo aos direitos de propriedade que faz com que bandidos detenham um poder permanente sobre determinadas regiões.
  • Leandro Campos  22/07/2016 20:51
    De certa forma o traficante é o empreendedor daquele local. O estado que aparece com a polícia, seria um inimigo externo daquele estado, e por isso o uso de armas por parte dos empreendedores traficantes que precisam de segurança para manter seus empreendimentos. A população que ali está, se beneficia de alguma forma, seja com o produto DROGAS ou com os produtos roubados de outros bairros que não tem imposto e chegam por valores menores, fora o uso de água, luz gratuitos. Temos ainda, mesmo que não uma maravilha, mas empreendedores dos mais diversos tipos e que não pagam impostos pela propriedade e por serem empreendedores não pagam INSS, FGTS..., afinal, basta pegar qualquer um que aceite o que é acordado.

    Ainda acho que não sendo um estado livre é algo bem próximo disso ou caminhando para isso

  • Otávio de Ramalho  22/07/2016 21:57
    Se o estado se faz presente de toda a maneira que descrevi -- sendo que na realidade é ainda pior, pois não levei em conta a figura dos milicianos, que são policiais militares --, como é possível dizer que há ausência de estado ali?

    Há muito mais estado numa favela -- em que o braço armado do estado atua -- do que no meu condomínio.
  • Leandro Campos  23/07/2016 00:23
    Então, Otávio, mas você está dizendo que milicianos são policiais do estado, só que não são, ainda que tenham policiais ativos, eles estão fazendo algo diferente do que o estado desejaria, logo, se tornam para o estado apenas mais um grupo de criminosos.

    Mas no caso de milicianos até dá para concordar, afinal eles estão roubando o direito de propriedade dos traficantes(empreendedores) até então instalados, mas no restante o que disse fica bem claro, apesar do braço armado do estado, ele é inoperante pelo tamanho e tipo de pessoas que residem ali. Pessoas essas que lutam contra o estado e tem suas próprias regras dentro das favelas, onde o estado tem grande dificuldade de arrancar grana através de alguns impostos

    Para deixar claro, eu entendi o que você quis dizer, mas o meu comentário foi referente ao artigo. Não dá para acreditar que o estado deixe de existir da noite para o dia e então as favelas passariam a ter empresas que vendam drogas e traficantes seriam expulsos e todo mundo passaria a ser feliz.

    Grato por responder
  • Pessimista  22/07/2016 20:02
    As favelas estão integradas a economia brasileira, não são um estado a parte cabeça oca.

    Sendo assim sofrem de mesma forma as consequências de uma economia burocratica, fechada e com legislações anti-drogas que beneficiam os traficantes .
  • Leandro Campos  22/07/2016 21:16
    Não sabia que ao ter alguma dúvida, alguém é imediatamente considerado cabeça oca.

    Referente ao assunto, coloquei a pergunta final de forma errada, não disse que as favelas são um estado a parte, disse se estão no caminho disso, ainda que "integradas a economia brasileira", como coloquei no começo da pergunta: estão no caminho da criação de novas fronteiras?

    Nenhum estado novo será criado por benevolência, ou apenas porque estou dizendo em um site que quero ser livre do estado
  • Pessimista  22/07/2016 23:51
    Caro Leandro Campos, como já respondido pelo camarada Otávio de Ramalho, dentro da favela há muito estado.

    Primeiro, uma guerra as drogas causada pelo estado, que por si só, já destrói qualquer segurança jurídica para alguém investir na região provocando parte das mazelas encontradas ali.

    Segundo, todos lá sofrem com as péssimas políticas adotada por Brasília, salário mínimo, protecionismo, inflação, carga tributária e etc..

    Mesmo que algum lojista lá não pague imposto, ele adquiri produtos de empresas que pagam, vende para pessoas que pagam, entende? Está tudo inserido na economia.


  • Leandro Campos  23/07/2016 02:39
    Está bem, complicado, parece que ao dizer a palavra ESTADO todo o resto se torna inútil e tudo gira em torno de o estado existe ou não. Com estado, mau, sem estado, bom. rss

    Mas agradeço a tentativa
  • Andre Cavalcante  23/07/2016 03:13

    Só alguns pensamentos:


    Centralização vs Descentralização.

    O pensamento científico atual varia entre uma e outra abordagem, em diversas áreas do conhecimento.

    O pensamento centralizado vem com a ideia de que, uma entidade centralizada pode otimizar o uso de determinados recursos. Por exemplo, imagine-se uma empresa em que há 20 departamentos produtivos diferentes, que fazem todo tipo de produto; fácil ver que, se cada departamento tivesse o seu subdepartamento de pessoal, de finanças, assessoria jurídica, os custos internos explodiriam. É mais lógico se criar um único departamento de pessoal, um único de finanças, assessoria jurídica etc., servindo a todos os demais departamentos de produção. E então, para se ter uma homogeneidade nos serviços e uma meta única, um único setor de administração, gerência e estratégia.

    Ato contínuo o defensor da descentralização, no mesmo exemplo, encara a situação da seguinte forma: cada departamento de produção é uma empresa cliente que contrata os serviços de pessoal, financeiro, assessoria jurídica etc., de outro departamento (empresa). Desse modo, apenas uma mudança de visão faz com que um pensamento mude de centralizador para descentralizador. Da mesma forma, a administração de cada departamento pode estar a cargo de um "presidente", que interage com a administração, gerência e estratégia geral, mas dessa vez não como cliente, mas como um prestador de serviço que deve realizar os pedidos do cliente administração central (a qual deve responder aos acionistas.

    Na mesma linha, em um sistema centralizado, é possível calcular com muita precisão o ponto ótimo de funcionamento de um conjunto de subsistemas.
    Por outro lado, tal abordagem pode se mostrar impraticável, quando os cálculos devam ser feitos para uma quantidade razoável destes subsistemas.
    Por outro lado, sistemas descentralizados nunca alcançam o ótimo, mas sempre perseguem-no, a cada instante de tempo e isso é possível independente do número de subsistemas envolvidos.

    Outro ponto que vale notar é que, em sistemas centralizados, há sempre um único ponto que toma a decisão final. Neste caso, se a decisão é sábia e justa, nada a temer; contudo se a decisão for ignara ou injusta, todo o sistema pode entrar em colapso. A Venezuela é somente mais um caso em que o agente central tem tomado péssimas decisões. A este ponto, chamamos de um ponto simples de falha. Sistemas descentralizados não são passíveis de tais erros, porque a informação, dispersa nos elementos que formam o sistema usam de outros métodos para se chegar às decisões (e.g., tomam suas decisões por um critério egocêntrico, isto é, verificam constantemente se suas situações podem melhorar, mudando-se a estratégia para menos cooperativa ou mais cooperativa, menos concorrencial ou mais concorrencial etc.)

    As ciências humanas, em especial a política tem perdido a noção dos benefícios da descentralização em detrimento da centralização, sem olhar os seus malefícios.
    Achar que um grupo de algumas centenas de pessoas, por mais privilegiado que seja (em termos de capacidade, métodos, tecnologias, informações disponíveis etc.), é capaz de prever a vontade de milhões, e então tomar a decisão correta (o ponto ótimo) que beneficiará a todos, ou é ingenuidade (desconhecimento), ou é má fé mesmo. Infelizmente os dois motivos tem andado quase juntos em quase todas as decisões governamentais recentes.

    Por fim, creio que o sonho libertário, em termos de execução prática, é justamente um mundo com milhares de jurisdições, isto é, governos tão pulverizados quanto os bairros ou condomínios das nossas cidades, de tal sorte que, mesmo à pé, em alguns minutos, um pessoa pode mudar de jurisdição, praticamente removendo o poder de qualquer governo central para decidir sobre sua individualidade, e tornando então o sistema para algo mais descentralizado.

  • Halysson Oliveira Abreu  25/07/2016 17:15
    Se tiver algum capixaba por ai, criei um grupo no facebook para discutir o tema separatismo

    https://www.facebook.com/groups/1638143093168282/?fref=ts
  • Leonardo  28/07/2016 06:13
    Depois de tudo o que está acontecendo na Venezuela, eu sinceramente não sei como um macaco ainda possui a coragem e a cara de pau de escrever isso:

    g1.globo.com/economia/noticia/2016/07/cinco-mitos-sobre-crise-na-venezuela-e-o-que-acontece-de-verdade.html
  • Marcelo Vasconcelos  28/07/2016 17:10
    Leonardo, a matéria é um lixo mesmo. Pelo que visualizei foi feita pela BBC Africa.

    Todo o conteúdo é realmente ridículo. A cada tópico o autor inicia seu relato com fatos e finaliza com argumentos totalmente descabidos, começando pelo título. Parece que o texto foi escrito por um alienígena (talvez seja o caso).

    Em suma o que podemos extrair do artigo:
    - As pessoas não dispõe alimentos básicos, mas tem frutas à disposição, porém estas não podem ser compradas por serem caras.
    - 90% das pessoas não se alimentam de forma adequada, mas não existe fome na maior parte do país, porém se veem cada vez mais filas e são relatados mais casos de subnutrição, com mais pessoas que comem duas ou menos vezes por dia.
    - Na Venezuela e em Cuba existem: filas para comprar produtos racionados, dualidade da economia e militarização do governo (onde a inteligência e o governo cubano têm influência). Ou seja, a Venezeula é igual a Cuba, porém é diferente.
    - Não há ditadura no país, mas... Em primeiro lugar, a oposição não tem acesso aos recursos que o partido governista, além de ter sofrido com prisões e restrições de seus representantes.
    - Em segundo lugar, existe imprensa independente na Venezuela, apesar dos problemas com a falta de papel, a pressão do governo e diversos jornalistas estarem sofrendo ações judiciais ou mesmo estarem presos. ("Ditadura???? Claro que não!")

    Se for citar todas as contradições será necessário citar a página toda, mas este é um resumo.

    A única coisa boa que li na página citada foram os comentários dos leitores do G1, pois com relação à esquerda brasileira, e especialmente ao PT, não há mais tolerância. A grande maioria deseja que esses "vermelhos" genocidas sejam exorcizados do nosso cenário político.


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