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O sistema bancário da Itália está no limiar de uma quebra sistêmica - e o que isso representa

Como várias reportagens ao longo das últimas semanas indicaram (veja alguns exemplos aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), a Itália está na iminência de vivenciar uma crise bancária sem precedentes.

Empréstimos feitos pelos bancos e que foram caloteados pelos tomadores de empréstimos já totalizam 360 bilhões de euros, o que equivale a incríveis 17% de todos os empréstimos bancários do país, e é igual a aproximadamente 20% de todo o PIB anual italiano.

Tal valor também é múltiplas vezes maior do que a quantidade de calotes sofrida pelos bancos italianos no auge da crise financeira de 2008. 

Desde o início de 2016, os preços das ações dos bancos italianos já caíram mais de 50%.  No caso do banco mais antigo e mais encrencado da Itália, o Banca Monte dei Paschi di Siena, o preço de suas ações já desabaram mais de 75%.

Em nada ajuda o fato de que a economia italiana ainda não se recuperou da crise financeira de 2008, sendo hoje 8% menor do que era em 2008, e praticamente do mesmo tamanho que era ao final do século XX.  

O governo italiano está considerando utilizar dinheiro de impostos para socorrer os bancos, em total desafio às regras da União Europeia, que, desde janeiro de 2016, proíbe resgates ("bail-outs"), permitindo somente os "bail-ins", que é quando o dinheiro dos correntistas do próprio banco é utilizado para recapitalizar o banco insolvente.

[N. do E.: em termos práticos, o dinheiro que está na sua conta-corrente, na sua conta-poupança ou em CDBs é confiscado de você e incorporado ao patrimônio líquido do banco, aumentando seu capital.  O dinheiro que até então era contabilizado como um passivo para o banco torna-se um patrimônio líquido do banco.  Foi isso o que aconteceu no Chipre em 2013].

O governo italiano está relutante em seguir as regras da União Europeia (que proíbe bail-outs e impõe bail-ins) porque quase metade dos títulos dos bancos (como os CDBs) — aproximadamente 31 bilhões de euros — está em posse de famílias e de indivíduos, e não de investidores profissionais.  Em caso de insolvência bancária, os detentores desses títulos bancários são os últimos dos credores dos bancos a serem pagos.

Em seu apelo à União Europeia para suspender sua legislação de bail-in, o governo italiano está alegando que os indivíduos e famílias que compraram esses títulos bancários representam os pequenos e ingênuos poupadores.  Mas isso não é bem verdade.  Em 2015, o governo italiano resgatou quatro bancos pequenos.  Obedecendo as regras da UE, ele jogou o ônus do resgate nos credores desses bancos (os detentores de seus títulos), e não nos pagadores de impostos.  Como resultado, 12.500 "pequenos poupadores" perderam um total de 430 milhões de euros.  Isso dá uma média de 34.500 euros perdidos por indivíduo.

Analisemos esses "pequenos poupadores" que o governo italiano está tão ávido para proteger.  Em 2013, a riqueza líquida de cada família italiana era, em média, de 145.469 euros, incluindo-se ativos reais e financeiros.  É difícil crer que uma família que foi tão sagaz e disciplinada para acumular essa quantia de riqueza líquida seria tão ingênua ao ponto de imprudentemente investir quase um quarto de sua riqueza em títulos bancários arriscados, principalmente quando se considera que o total de títulos bancários constituía aproximadamente 3% da riqueza bruta das famílias em 2013.   

Uma inferência sensata seria a de que esses títulos bancários constituem uma pequena parte dos portfólios bem mais diversificados daquelas famílias cuja riqueza líquida supera em muito a riqueza média das famílias italianas — ou seja, pertencem a famílias ricas e, possivelmente, com boas conexões políticas.

Isso explicaria por que o governo italiano está tão propenso a utilizar dinheiro de impostos para socorrer esses bancos.

De resto, o governo italiano recorre à justificativa de sempre: imputar perdas aos investidores abalaria a confiança nos bancos, aumentaria os saques dos correntistas, e, consequentemente, afetaria a capacidade futura dos bancos italianos em seguir concedendo crédito barato.  Ocorre que esta é exatamente a própria política que gerou o problema.  Ao contrário do que ocorreu na Espanha ou na Irlanda, em que o descalabro bancário esteve vinculado a uma bolha imobiliária que estourou e gerou calotes maciços, a situação italiana não decorre de nenhum boom econômico artificial: a renda per capita do país cresceu apenas 0,3% ao ano durante os últimos 25 anos.  Todo o crédito bancário que foi direcionado a famílias e empresas se materializou em investimentos de baixíssimo retorno, incapazes de gerar os fundos suficientes para amortizar as dívidas.  Daí os calotes, mesmo com os juros baixíssimos.

O problema econômico da Itália, portanto, nunca foi de escassez de crédito, mas sim de falta de oportunidades sensatas de investimento.  Isso fez com que o país crescesse exiguamente em decorrência de endividamento insolvente.  Em vez de se preocuparem com a restrição creditícia que seria acarretada pelo bail-in, seus governantes deveriam se preocupar em impulsionar um ambicioso pacote de liberalizações que multiplique as oportunidades reais de investimentos. 

No entanto, as negociações entre o governo italiano e a União Europeia podem rapidamente se mostrar inúteis caso se comprovem verdadeiros os vários rumores sobre os caixas automáticos italianos estarem sem dinheiro.



autor

Joseph Salerno
é o vice-presidente acadêmico do Mises Institute, professor de economia da Pace University, e editor do periódico Quarterly Journal of Austrian Economics.

 

  • Niuton Paganella  17/07/2016 15:18
    E pensar que o modelo italiano dos confidis foi considerado exemplo aqui no país, com a promessa de viabilizar crédito barato para projetos de micro e pequenas empresas...

    Parece que os projetos viabilizados através de taxas artificialmente baixas foram incapazes de obter o tal VPL positivo, ou seja, o problema não era a taxa de retorno, mas sim erros de premissa nos projetos. Cansei de ver isso acontecer...
  • Pedro Brito  17/07/2016 15:19
    Deus do ceu. Ainda eh seguro colocar dinheiro em bancos?
  • Marcelo Oliveira  17/07/2016 15:22
    Por que tu acha que 2016 foi o ano que os brasileiros mais sacaram dinheiro da poupança?
    Risco do governo sequestrar a grana?
    Investimentos muito mais rentáveis (CDBs, LCs, Ações)...?
    Desemprego, pagar as contas?
  • Andre Cavalcante  17/07/2016 18:12
    Não.
    Na verdade nunca foi, porque quando tu deixas o dinheiro no banco, ele pega este dinheiro e gera mais dinheiro para ele emprestar, assim, do nada. É o que se chama de reservas fracionárias. E, quando tu pensas em tirar o dinheiro eles colocam mil empecilhos. Pudera, tirar dinheiro do banco é como se faz para o banco quebrar.
  • Rodrigo Castanha   17/07/2016 15:20
    Os bancos centrais em vários países vem cobrindo o rombo de duas economias muitas vezes emitindo moedas de forma "descontrolada". EUA, Brasil e vários outros estão usando dessa artimanha para diminuir os lapsos financeiros de todo o sistema... mas essa conta vai chegar... e vai ser tenso.
  • Renan Merlin  17/07/2016 15:26
    A Italia sem duvidas é o país estatista da Europa, dos paises do primeiro mundo o que mais esta proximo de virar subdesenvolvidos creio que seja a Italia
  • Henrique Zucatelli  18/07/2016 10:24
    Praticamente todos os países Ibéricos tem essa péssima doutrina estatista.

    O caso da Itália é emblemático, posto que foi lá que surgiu o Fascismo, e pelo jeito nunca deixou as raízes econômicas e políticas do país.
  • Alex  18/07/2016 17:42
    Sempre acesso o site, parabéns aos organizadores as publicações são excelentes, sempre leio também os comentários que são de altíssimo nível, a maioria das vezes não sinto a necessidade de comentar pois alguém disse exatamente o que penso ou fez a exata perguntar que eu faria.
    Mas hoje resolvi comentar, enfim quando a união europeia (UE) entrar em colapso ou diminuir de tamanho pelos fatores já citados em diversas publicações neste site, a esquerda e a mídia em geral vai dizer que a culpa foi da Inglaterra que saiu da união e não que a união tinha problemas e do modo que é hoje nem deveria existir e se não estivermos alentas para denunciar a real razão o grande publico vai acreditar como hoje a maioria dos brasileiros com o mínimo de acesso a informação acredita que foi ruim a Inglaterra sair da UE.
  • Gabriel  17/07/2016 15:36
    Todos os acontecimentos recentes vão cada vez mais direcionando no sentido de que o Euro e a economia global como um todo vão enfrentar um período bastante turbulento, tanto politica como economicamente.
  • Capital Imoral  17/07/2016 16:07
    passando só para dizer que o capitalismo faz mal para o homem e que irá matar a humanidade.
  • Joaquim Saad  24/08/2016 01:29
    Concordo: muito melhor a vida aqui no interior ! :D
  • Rolando Silva  17/07/2016 18:35
    E agora a Inglaterra e os contribuintes de lá não têm mais que sustentar esse pessoal.
  • Gilson Moura  17/07/2016 19:52
    Ainda bem que saiu, a UE está afundando e o últimos a sair terão consequências desastrosas.
  • Economista da UNICAMP  17/07/2016 20:51
    Mais uma rodada de QE, per favore!
  • Eudes N. Junior  17/07/2016 22:39
    A desvalorização dos bancos só facilita a compra dos mesmos por bancos maiores. Fez besteira, agora a concorrência te engole e com preço baixo.
  • Luiz Felipe  17/07/2016 22:40
    Que os bancos virem ruínas e que a população comece a se concentrar em alternativas mais seguras e legítimas, como as criptomoedas, o ouro e outras commodities.
  • Diego Calabrese CYnsiros  18/07/2016 01:54
    Boa noite!

    É verdade que alguns bancos italianos estão indo de mal a pior, mas a economia italiana move cerca de 2.7 trilhões de dólares por ano, vocês acham mesmo que algum banco não vai sobreviver? Acham mesmo que todo o sistema vai ruir? O que vai acontecer é que alguns vão quebrar e outros surgirão no lugar, alguns se unirão a outros e por aí vai... Isso é normal, poderá ser a pequena próxima crise da Europa como foi a da Grécia. O problema é que a verdadeira virtude e causa da criação da UE foi desvirtuada para um socialismo populista, não me admira o crescimento do movimento 5 stelle M5S na Itália ganhando a prefeitura de cidades muito importantes como Roma, Milão e Turim que estão entre as 5 maiores cidades do país. Porém eles tem uma vantagem sobre os países socialistas mundialmente conhecidos. O parlamentarismo, a união européia e a ideia já correndo no sangue do povo em ter liberdade individual. Isso acaba inibindo quaisquer tentativa de totalitarismo político partidário e breve poderá devolver o país aos liberalistas após o fracasso socialista populista que com certeza vai acontecer como sempre aconteceu em toda história.

    Abraccio a tutti voi! ;)
  • Livre Mercado  18/07/2016 14:09
    Não ignore a capacidade de contaminação que bancos podres podem causar em bancos saudáveis.
  • FRED  18/07/2016 19:41
    "não me admira o crescimento do movimento 5 stelle M5S na Itália ganhando a prefeitura de cidades muito importantes como Roma, Milão e Turim que estão entre as 5 maiores cidades do país"

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    é impressão minha ou você esta rotulando o M5S como de "esquerda"?
  • Tomaz de aquino neto segundo  18/07/2016 06:16
    Já pode começar a fazer short em cima dos bancos?
    Já pode começar a vender a descoberto?
    Eu queria saber quanto do PIB italiano representa dentro da UE.

    Grato.
  • Henrique Zucatelli  18/07/2016 10:33
    Analisando superficialmente, é a consequência da Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos em prática.

    E como diz sempre o grande Leandro, o que deve acontecer é liquidar os ativos e não fazer com que alguém pague o prejuízo da incompetência e falta de visão dos indivíduos responsáveis.

    Agora fazendo um comentário mais profundo. Ao invés de reservas fracionárias os bancos utilizassem uma métrica segura, onde cada empréstimo fosse somente uma parte do patrimônio líquido do banco + o saldo dos investimentos dos clientes lastreado em ouro , nada disso estaria acontecendo. Seriam bancos sólidos e atrairiam cada vez mais investimentos, pois o risco de insolvência seria praticamente zero.

    Porém, existe algum banco no mundo que não trabalha com reservas fracionárias?
  • Pobre Paulista  18/07/2016 12:34
    Concordo, mas no caso de bancos não é tão simples "liquidar" os ativos, pois isso implica em confiscar o dinheiro dos depositantes.

    Não haveria nenhum problema se o mercado bancário fosse efetivamente livre - aí, o depositante que escolheu deixar seu dinheiro lá também escolheu arcar com os riscos disso, então é justo que ele arque com os prejuízos.

    Mas do jeito que o mercado bancário funciona hoje, cartelizado e extremamente regulamentado, as pessoas são "presas" no sistema bancário (Não se esqueça que o cidadão médio não possui o nível de instrução dos leitores do Mises). Apesar de ser a solução "correta", é extremamente injusto com os clientes do banco, especialmente com os menos instruídos, que acreditam que seu dinheiro está "a salvo" lá, dentro dum cofre ou coisa similar.

    Eu não sei qual seria a melhor solução para esse tipo de caso no cenário atual. (Lembrando que a solução definitiva é simplesmente desregulamentar os bancos e desestatizar o dinheiro).
  • Henrique Zucatelli  18/07/2016 13:57
    De fato. O problema da cartelização dos bancos impede a entrada de outros players que realmente queiram fazer o certo.

    Quanto a liquidação dos ativos, creio que não tem como dourar a pílula. Ou faz e expõe o erro para que a trajetória seja corrigida a longo prazo (Adam Smith), ou damos input em diversos ciclos de ajuda estatal, mantendo a criação de dinheiro fiduciário (Keynes).

    Acredito que uma maneira sensata de acabar com dois problemas com uma única solução é a adoção de Currency Board pareado em Ouro. Com ele a criação de dinheiro virtual fica inviável e eleva-se o grau de cobertura dos bancos, posto que eles vão emprestar ouro a juros, basicamente.

    To certo?
  • O MESMO de SEMPRE  18/07/2016 10:33
    Todos os bancos estão quebrados.
    Os governos consumiram quase toda poupança existente e não houve investimento produtivo capaz de gerar rendimento para pagar os encargos financeiros para os "aplicadores" nem tão voluntários assim.

    Os rendimentos são pagos com boa parte do que entra.

    É como um cassino onde a banca já gastou quase todo o dinheiro trocado por fichas e não há como pagar as fichas no caixa caso os jogadores que saem sejam em maior volume dos que entram.

    A situação esta bem próxima disso.
    Os governos consumiram a poupança sem investir em projetos rentáveis.
    Para sustentar militância safada e propaganda dispenderam recursos em excesso e isso não tem como se perpetuar se não através do empobrecimento dos consumidores.

    O calculo econômico deve ser realizado imaginando-se trocas entre bens e serviços através do dinheiro e NÃO como compra de bens e serviços através do dinheiro.

    Se o governo "fabrica" dinheiro ou cobra impostos ele ESTÁ TRANSFERINDO renda/consumo dos PAGADORES de IMPOSTOS para os RECEBEDORES de IMPOSTOS.

    Para enriquecer os recebedores necessáriamente empobrecerá os pagadores de impostos que terão menos bens e serviços disponíveis para trocarem entre si. Pois que o Estado antecipadamente toma para si parte dos bens e serviços produzidos, seja pela "fabricação" do meio de troca (dinheiro), seja através dos impostos onde o Estado impede que os produtores tenham para si o mesmo valor em meio de troca (dinheiro) do que produziram: sem impostos TODO o valor obtido com a produção poderia ser trocado através da posse de igual montante em dinheiro (meio de troca).

    O Estado não cobra imposto porque precisa de dinheiro (ele pode cria-lo do nada), mas SIM para impedir que a quantidade de dinheiro nas mãos dos produtores possam consumir tudo que produziram:

    João produz 10 cadeiras a R$100,00 cada. Recebe 100,00 e paga R$50,00 de impostos.

    Portanto João ficou com apenas 5 cadeiras para trocar por outros bens com outros produtores.
    O governo tomou de João 5 cadeiras sem que João percebesse.
  • Anderson d'Almeida  18/07/2016 13:49
    "João produz 10 cadeiras a R$100,00 cada. Recebe 100,00 e paga R$50,00 de impostos.

    Portanto João ficou com apenas 5 cadeiras para trocar por outros bens com outros produtores.
    O governo tomou de João 5 cadeiras sem que João percebesse."



    Não é bem assim... Os empresários cobrem os passivos dos impostos com um aumento no preço do produto. Por exemplo, nesse seu caso da cadeira, se o governo pusesse um imposto de 50% sobre o produto, João a venderia, cadeira, por 150 reais (isso se os consumidores estivessem dispostos a comprá-la, claro); ou seja, João continuaria vendendo seus produtos sem prejuízo direto, e o consumidor é quem levaria o prejuízo (pagaria o imposto).

    Porém, o que afeta o mercado como um todo é que João, em caso de uma tributação menor (digamos que uns 15% na cadeira), poderia vender mais e mais cadeiras, pois os preços seriam menores (115 reais, por exemplo), e menores não por perda de lucro, mas de custo com o governo. O consumidor gastaria menos, consequentemente se endividaria menos e, ainda, poderia comprar mais produtos.

    Agora, imagine esse cenário ocorrendo com os mais diversos bens e serviços...
  • Jarbas Profeta  18/07/2016 13:29
    Chegará o dia em que governos não vão mais conseguir esconder que a liberalização do mercado é a única "política" coerente para a economia. Enquanto isso, o sistema respira por aparelhos.
  • Singularidade Man  18/07/2016 17:50
    Não há, nem haverá solução. Somos e seremos cada vez mais escravos, esqueça soluções. A única saída será depois da Singularidade! Só que daí também não seremos livres, só que nossos mestres serão os robôs e não esses humanos imundos.
  • O MESMO de SEMPRE  18/07/2016 18:00
    Acho que você não entendeu o que disse.

    O grande erro da reflexão sobre economia é exatamente pensar em termos monetários somente.

    Imagine-se que em vez do governo cobrar imposto sobre o resultado da troca por dinheiro, ele cobrasse diretamente no produto. Dá na mesma:

    Quando vc troca 10 cadeiras por 100,00 e o governo te cobra 50,00 de impostos, ele esta querendo 5 cadeiras para seus integrantes e agregados. Ele não quer 50,00.

    Daí que inflação de custos gera recessão:

    Um sujeito faaz 10 cadeiras por mês e as vende por 100,00. O governo cobra 50,00 (5 cadeiras).
    Se o sujeito fica indignado e sobe o preço da unidade para 20,00 para assim obter 200,00 e pagar 100,00 de imposto, SE TODOS FIZEREM o MESMO haverá uma uma elevação generalizada de preços e como poucos venderão, porque quem ainda não vendeu não pode comprar, as vendas cairão e os produtos encalharão. Teremos recessão. A idéia de crédito excessivo via governo tenta equacionar isso. Porém são muitas as variaveis e o mercado fica distorcido e na sequência o endividamento por compras caras tende a reduzir consumo futuro.

    ...Resultado: UMA LAMBANÇA medonha!!! ...de dificil diagnóstico.

    Claro que a ideia que tentei expor é bem mais complexa, mas não dificil de se percebe-la.
    Sobretudo pelo métiodo do exagero da analogia (da matemática).

    - Se meu custo supera o meu preço eu levo prejuizo.
    - Então aumento o preço para cobrir custos e obter renda (lucro - sim, lucro é renda)

    Se o Estado que que eu lhe forneça metade das cadeiras que produzo, terei que vender (trocar) as cinco cadeiras que me sobrarem por bens e serviços que cubram o CUSTO das DEZ cadeiras.

    Isso encarece meu produto e de todos os demais. Isso leva a uma distorção no mercado e tudo fica caro demais e poucos podem realizar as trocas através do dinheiro.

    - Isso é recessão!

    Se o governo fabrica dinheiro para cobrir esses custos - nesta DISPUTA pelos bens e serviços entre PAGADORES de IMPOSTOS e RECEBEDORES de IMPOSTOS - os recebedores de impostos comprarão primeiro e haverá TENDÊNCIA a subida de preços de certos setores inicialmente. Isso leva a custos maiores na etapa seguinte ...E AÍ É O CACHORRO CORRENDO ATRAS do RABO!!!

    Por isso que fabricação de dinheiro NÃO LEVA A RIQUEZA GENERALIZADA ou aumento perene de produção.
    Afinal, trata-se de ILUSÃO e a inflação acaba sempre fazendo vitimas que não consumirão (consomem por ultimo e consomem menos). Daí a inflação de preços, seja via aumento generalizado de custos (impostos) ou via excesso de liquidez ("fabricação" de dinheiro) sempre ser um tanto recessiva e não produzir o efeito preconizado pela FALÁCIA (falsa lógica) implicita.

  • Anderson d'Almeida  18/07/2016 22:36
    Você que não me entendeu. Os impostos recolhidos são dinheiro, não bens ou serviços. Isso é básico!

    Agora, e nisso você tem razão, o efeito é a diminuição nas vendas e, consequentemente, na produção dos produtos, já que o consumidor pagará caro pelo produto, e com isso consumirá menos. Ou seja, no ambiente de alta tributação, tanto empresário como consumidor são prejudicados, o consumidor por ter que pagar mais caro(e por isso consumir menos) e o produtor por ter que vender menos.

    Perceba que o ponto do meu primeiro comentário não foi esse, aliás, não sei por que você me respondeu trazendo à tona uma outra questão. O que eu tinha anteriormente abordado é que você se equivocou ao expor, sem detalhes, a perda que o empresário tem com a tributação elevada; parecia, pela sua exposição, que o empresário não repassava o passivo dos impostos ao preço final do produto (sendo que ele passa).

    Você diz: Um sujeito faaz 10 cadeiras por mês e as vende por 100,00. O governo cobra 50,00 (5 cadeiras).
    Se o sujeito fica indignado e sobe o preço da unidade para 20,00 para assim obter 200,00 e pagar 100,00 de imposto, SE TODOS FIZEREM o MESMO haverá uma uma elevação generalizada de preços e como poucos venderão, porque quem ainda não vendeu não pode comprar, as vendas cairão e os produtos encalharão. Teremos recessão. A idéia de crédito excessivo via governo tenta equacionar isso. Porém são muitas as variaveis e o mercado fica distorcido e na sequência o endividamento por compras caras tende a reduzir consumo futuro.


    Na verdade, esse cenário, do empresário ter que aumentar o preço do produto para cobrir os impostos, já ocorre em nosso país. Por que você acha que um produto custa bem mais do que deveria? Todos os empresários embutem, no preço final, uma margem de acordo com o imposto a ser pago (um empresário chega a fazer um cálculo, por unidade, do quanto pode ser usado, por percentual, para cada coisa, até mesmo o lucro).
  • Gabriel caetano  18/07/2016 23:59
    Pessoal,antes de tusdo estou me tornando hm libertário,mas certo dia eu estava lendo uma reportagem que dizia que o México nao cresceu economicamente por conta da nafta,haja visto eles tiram as medidas protecionistas e as empresas nao poderam concorrer com as empresas Americanas,isso e verdade ou nao,valeu pessoal
  • Guilherme  19/07/2016 00:28
    Gostaria muito de saber qual foi o critério utilizado por quem afirmou isso. Eis um gráfico do crescimento do PIB mexicano. Ele mostra exatamente o contrário. (Tenha em mente que o NAFTA entrou em vigor em 1992):

    cdn.tradingeconomics.com/charts/mexico-gdp.png?s=wgdpmexi&v=201607171916n&d1=19160101&d2=20161231

    Em todo caso, sempre tenha em mente que o NAFTA está longe de ser um tratado de livre comércio, e os libertários são, por princípios, contrários a este arranjo. Ainda assim, é melhor do que nada.

    O Mito do NAFTA

    Acordos de livre comércio envolvem muito mais "acordos" do que "livre comércio"
  • Gabriel caetano  19/07/2016 03:23
    Obrigado Guilherme,vou te mandar a resportagem:

    jornalggn.com.br/noticia/o-aumento-da-pobreza-e-a-reducao-dos-salarios-no-mexico-pos-nafta

    Tavo procurando saber um pouco sobre a naft e acabei achando ele.Ele colocou alguns dados bem importante,nessa hora eu pensei,poxa vida libertárianismo nao é tao bom assim,peço a vcs que me ajudem a crer no livre mercado denovo.
  • Marcos  19/07/2016 12:04
    Li o link. Há apenas panfletagem ideológica e político partidária. Não há qualquer diferenciação entre correlação e causalidade. A reportagem apenas diz que a pobreza no México aumentou. Duh! E por que isso teria sido causada pelo NAFTA?!

    Aliás, a "reportagem" inclusive diz que os salários na indústria de transformação -- que é justamente aquela afetada pelo NAFTA -- subiram!

    O Nassif simplesmente viu uma notícia sobre a pobreza no México, se empolgou, e já saiu dizendo que era culpa do NAFTA. Um charlatão de marca maior.

    Por essa lógica, podemos dizer que o aumento da pobreza durante o governo Dilma foi causado pela ausência da ALCA?

    Várias políticas governamentais podem causar pobreza e redução do poder de compra da moeda. Nenhuma delas tem a ver com livre comércio. Aliás, gostaria de saber uma única -- uma só! -- teoria que explica por que poder comprar coisas mais baratas gera pobreza e miséria.

    Por favor, só uma.

    Se comprar barato causa pobreza e miséria, então comprar caro deve gerar riqueza e prosperidade. Deve ser por isso que o Brasil da década de 1980, com hiperinflação e importações proibidas, era uma potência econômica, com a população rica e pobreza zero.

    De resto, você leu os artigos sobre o NAFTA?
  • Gabriel caetano  25/07/2016 04:26
    Muito obrigado Marcos,agora eu estou bem mais informado.Percebi que este site e site esquerdista,É óbvio que a probreza no mexico nao é so causada pelo nafta,li tambem na The Economist um artigo que eles explicam bem isso

    www.economist.com/news/leaders/21665027-its-combination-modernity-and-poverty-mexico-provides-lessons-all-emerging

    Ele esta em ingles,desculpem nao achei eleem PT,ainda bem que existe O Instituto mises, e pessoas como vc é o Guilherme,c nao iria cair en uma falacia esquerdista.
    Obrigado a todos!
  • Matheus Penha  19/07/2016 16:53
    Simples e direto:

    Afinal, sem a expansão creditícia do Estado, é possível existir uma bolha?



  • jose  19/07/2016 23:49
    E este documentário alguém assistiu, eles jogam a culpa justamente nos bancos privados pela tonelada de crédito na economia.
    https://www.youtube.com/watch?v=XcGh1Dex4Yo&index=9&list=PLK_LKTyPwpZw1ms_xvhw5m32VJUhUbGWh
  • Evaldo  19/07/2016 23:55
    1) E quem supriu os bancos com uma enxurrada de dinheiro para que eles emprestassem a juros baixos?

    2) Quem cria dinheiro do nada e o repassa ao sistema bancário para que este então irrigue a economia com crédito barato?

    3) Quem estipula a taxa básica de juros de toda a economia?

    4) Quem carteliza e protege os bancos para que eles possam, conjuntamente, expandir todo o crédito?

    Dica: a resposta para as três perguntas é a mesma

    Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1966
  • SCCP  20/07/2016 01:34
    Palmeiras não tem mundial!
  • Mais Mises...  24/07/2016 01:56
    Tipo de comentário que poderia ser deletado.
  • Emerson Luis  05/09/2016 16:44

    O estatismo interno da Itália está descompatibilizando-se com o estatismo da UE.

    * * *


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