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A era da insanidade - um resumo das medidas surrealistas dos Bancos Centrais mundiais

A era do papel-moeda estatal não conversível em nada e lastreado apenas na confiança dos bancos centrais não para de se superar.

Iniciado oficialmente em 1971, após o fim do vínculo do dólar ao ouro, o grande experimento dos bancos centrais tem gerado excessos recorrentes nos mercados financeiros e não há sinal algum indicando que cessará em breve.

Enquanto no Brasil não conseguimos vislumbrar a mais mínima chance de uma taxa de juros de apenas um dígito, os bancos centrais de países desenvolvidos enfrentam o dilema de taxas em zero ou até negativas — juros de um dígito, jamais, isso seria suicídio.

E nesse processo, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central Europeu (BCE) e companhia descarregam munição pesada, inédita, sem precedentes e tudo sem nenhum respaldo da teoria econômica, baseada unicamente no medo da deflação, de os mercados derreterem e de o sistema eclodir.

O cataclismo financeiro que deve ser evitado a todo custo.

Janet Yellen, a presidente do Fed, não retira nenhuma opção de cima da mesa; juros negativos podem ser adotados nos EUA sim. Mario Draghi, do Banco Central Europeu, promete fazer "tudo o que for necessário". Haruhiko Kuroda, do Banco Central do Japão, jura combater a deflação até as últimas consequências.

E o restante dos banqueiros centrais dança conforme a música: juros abaixo de zero, quantitative easing, compra de diversos ativos em larga escala.

A extraordinária liquidez injetada no sistema de alguma forma acaba se manifestando. Cedo ou tarde, aparecem os sintomas decorrentes das políticas monetárias não-convencionais implantadas, especialmente, desde a crise financeira de 2008.

As distorções nos preços dos ativos abundam. A magnitude das ações dos bancos centrais assombra cada vez mais. As economias patinam e o mercado laboral preocupa. Mas, a despeito de tudo o que foi feito, os índices de preços ao consumidor não registram aumentos expressivos. O que é pior — na visão dos banqueiros centrais —, em vários países o fantasma da deflação teima em não sumir.

Mas não se preocupem, defendem eles, está tudo sob controle. Eles sabem o que estão fazendo. Será que sabem mesmo?

Vejamos alguns fatos surreais da economia mundial atual que talvez nos façam, pelo menos, levantar alguns pontos de interrogação.

As políticas não convencionais: taxa básica de juros, QEs e balanços dos bancos centrais

1) Há 35 países com taxas de juros abaixo de 1%. Isso inclui todos os países do G8 e toda a Zona do Euro. Quase 50% do PIB mundial com juros nesse patamar inédito.

2) Com taxas abaixo de 3%, existem 50 países atualmente.

3) Há 5 bancos centrais que já adotaram alguma forma de taxa de juros negativa, ou 23 países submetidos a esse experimento inusitado (Japão, Dinamarca, Suécia, Suíça e todos os membros da Zona do Euro).

4) O Federal Reserve está com juros entre zero e 0,5% há 90 meses, ou 7,5 anos. Quase uma década. Isso nunca ocorreu na história. No último meio século, os juros situaram-se ao redor de 1% por, no máximo, não mais do que 6 meses. E, segundo eles, ainda é cedo para mais elevações da Federal Funds Rate (a taxa básica de juros americana).

5) Faz mais de duas décadas que o Banco do Japão (BoJ) mantém os juros em zero.

6) Após as diversas rodadas de QE, o Fed multiplicou seu balanço por 5 em questão de seis anos, alcançando US$ 4,5 trilhões.

7) Já o Banco da Inglaterra aumentou em 5 vezes os seus ativos desde o estouro da crise de 2008.

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8) Desde o início do chamado "Abenomics", em 2013, o Banco do Japão inflou o seu balanço em cerca de 200%.

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9) O BoJ já está na nona rodada de QE.

10) O Banco Nacional da Suíça (BNS), na tentativa de sustentar um piso para o euro, expandiu seus ativos na ordem de 5,5 vezes desde 2008, ultrapassando 668 bilhões de francos, o que equivale a mais de 100% do PIB.

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11) Já o BCE de Mario Draghi praticamente triplicou o balanço nos últimos seis anos.

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12)  A magnitude da expansão monetária perpetrada pelos BCs de países desenvolvidos é comparável a de países que enfrentaram alta inflação ou hiperinflação, como o Brasil da década de 80, o Zimbábue nos anos 2000, a Argentina na era Kirchner e a Venezuela nos últimos anos.

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E o resultado disso tudo? Rendimentos dos títulos (taxa de juros, ou yield), índices de ações, e outros ativos

13)  Os rendimentos dos bônus soberanos estão no menor patamar de toda a história financeira do mundo.

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14) Os juros implícitos nos títulos da Holanda, cujos registros de dívida soberana datam de 500 anos atrás, nunca estiveram tão baixos.

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15)  O endividamento de grande parte dos governos também está em níveis recordes. Um paradoxo das finanças pós-bancos centrais.

16)  Você se lembra da crise de dívida soberana de 2010/11 dos chamados PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Espanha e Grécia)? À exceção da Irlanda, todas as demais nações estão com um endividamento maior que quando da eclosão da crise. Mas o custo do refinanciamento das dívidas despencou, a despeito de tudo. 

17)  O German Bund de 10 anos (bônus da Alemanha) está sendo negociado a quase 0%, um recorde. Por sinal, está prestes a adentrar território negativo.

18) A Inglaterra realizou um leilão de títulos de 30 anos com cupons de 2,095%, algo inédito para o país. O Gilt de 10 anos também registra as menores taxas de juros da história. 

19) O corolário de juros em níveis irrisórios é o custo de refinanciamento baixíssimo para os governos. Em virtude disso, o Tesouro da Inglaterra resgatou em 2014 os primeiros títulos perpétuos — os quais pagavam um cupom de cerca de 5% e não tinham data para amortização — emitidos durante a bolha do South Sea Company, durante as guerras Napoleônicas e da Crimeia, e durante a Primeira Guerra Mundial.

20) A curva de juros da Suíça (yield curve) está negativa até 20 anos. Um recorde absoluto — e surreal — da história financeira mundial. O bônus com vencimento em 30 anos está em 0,07% ao ano. É possível que, no momento em que este artigo for publicado, a curva inteira já esteja abaixo de zero.

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21) Já a curva de juros do Japão apresenta rendimentos negativos até 10 anos. Vender JGBs (japanese government bonds) a descoberto segue fazendo viúvas (widowmaker trade), há décadas. E o governo deve 250% do PIB.

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22) Se o Bund de 10 anos ultrapassar a barreira do zero, toda a curva de juros da Alemanha também registrará taxas negativas até 10 anos.

23) Até meados de 2014, era desprezível a quantidade de títulos soberanos sendo negociados com rendimento abaixo de zero.

24) Há pouco mais de um ano, quase US$ 2 trilhões de bônus estavam sendo negociados com rendimentos abaixo de zero. 

25) Em janeiro deste ano, já havia um total de US$ 5 trilhões de dívida soberana com juros negativos.

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26) Um mês depois, esse montante subiu para US$ 7 trilhões.

27) E, em junho, ultrapassou nada menos que US$ 10 trilhões.

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28) Quase 90% do mercado global de dívida soberana, cerca de US$ 22 trilhões, rende não mais do que 2% ao ano.

29) O Banco do Japão detém hoje 35% da dívida pública do governo. Há 3 anos, isso não passava de 11%.

30) Nos EUA, o Fed carrega 15% da dívida pública federal. Em 2008, os Treasuries no balanço do Fed representavam apenas 5% do total emitido.

31) Quase US$ 1,8 trilhão é o valor das hipotecas no balanço do Fed. Sim, as notórias mortgage-backed securities (MBS, títulos lastreados em hipotecas) que quase quebraram o sistema bancário americano em 2008. O real valor de mercado desses ativos? Só Deus sabe.

32) Imagine o BACEN entrando pesado no mercado e comprando ações da Petrobrás, Gerdau, Ambev, Vale etc.  Kafkiano, não? Pois é exatamente isso o que anda ocorrendo na terra do sol nascente. Como resultado dos estímulos agressivos do "Abenomics", o Banco do Japão é hoje um dos grandes acionistas em mais de 90% das empresas no Nikkei 225. Não, não é um erro de digitação. Leia novamente. São cerca de 200 empresas em que o BoJ é um grande acionista. Na Mitsumi Electric, o BoJ detém mais de 11% das ações.

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33) Mais de 55% de todo o mercado de ETFs (Exchange Traded Funds) pertence ao BoJ.

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34) Agora imagine o BACEN acumulando títulos de dívida emitidos pela Petrobrás, Gerdau, Ambev, Vale. Inacreditável, não? Pois o Banco do Japão também está fazendo isso. Em decorrência da crise de 2008, o BoJ passou a intervir no mercado para socorrer empresas com dificuldade de financiamento e hoje possui um portfólio de ¥ 5,5 trilhões (aprox. US$ 52 bi) de bônus corporativos e comercial-papers.

35) Consegue imaginar o BACEN comprando debêntures da Ambev? Nem precisa imaginar, basta olhar para o BCE, que já adquiriu papéis da AB Inbev no mercado europeu, como parte do recém-expandido Programa de Compras de Ativos (APP, Asset Purchase Programme). Depois de inundar o mercado com liquidez para cumprir a meta de € 60 bilhões em compras de títulos soberanos por mês, Mario Draghi agora ampliou o escopo da versão europeia do QE e, juntando-se ao BoJ, passou a "diversificar" o portfólio da autoridade monetária da UE, prometendo acrescê-lo com alguns bilhões de dívida corporativa a partir de junho.

36) Quando feito o anúncio, em março, apenas dívida com "grau de investimento" seria elegível ao programa do BCE. Mas, como Draghi definiu um piso aos rendimentos dos títulos a serem adquiridos — não menos que a taxa da deposit facility, atualmente em 0,40% negativos —, e uma boa parte dos bônus corporativos europeus já está sendo negociada abaixo de zero, o BCE se viu obrigado a ceder e logo na primeira intervenção no mercado comprou, além de AB Inbev, também dívida da Telecom Italia, classificada como "grau especulativo" pela Moody's e S&P.

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37) Fixada inicialmente em -0,10%, a taxa da deposit facility logo teve de ser reduzida para - 0,20% e depois -0,40% — como previsto neste artigo — porque o BCE restringiu a si próprio ao impor tal taxa como piso à compra de ativos. O problema é que, tão logo as compras começaram, Draghi acabou achatando e reduzindo toda a curva de juros na Europa. Resultado? Sobraram poucos títulos elegíveis para o QE. Reduzir ainda mais a taxa da deposit facility era inevitável.

38) Toda a curva de juros da Alemanha até 5 anos está com rendimentos abaixo de -0,40%.  Isso significa que Draghi necessariamente trabalhará na ponta mais longa da curva e/ou comprará mais títulos de países periféricos como os do PIIGS.

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39) Assim como o Fed, o BCE não tem intenção de reverter o seu balanço após as intervenções do QE. Quando do vencimento dos títulos, Draghi vai rolar ou reinvestir — mesmo se algum bônus virar "lixo" (junk). As empresas já têm se antecipado e emitido dívidas pensando no BCE como potencial comprador — as emissões neste primeiro semestre explodiram —, o que é lógico e inevitável, pois nada mais natural que aproveitar essa "janela de mercado" em que o único ente com "recursos ilimitados" (impressora de dinheiro) garante intervenções mensais bilionárias e sem data para expirar.

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40) No escopo ampliado do Programa de Compras de Ativos (o APP) do BCE, a meta quantitativa passa a ser de € 80 bilhões por mês. Isso equivale à produção anual do Uruguai. Considerando um total de € 960 bilhões por ano, o APP é 40% maior que o PIB da Holanda, ou do tamanho do PIB da Espanha, ou um 1/3 do PIB da Alemanha. Mas ao contrário da produção anual de um país, produzir € 80 bilhões não custa praticamente nada ao BCE. Veja que lindo este didático vídeo sobre o APP:

41) Dos 616 bilhões de francos suíços detidos pelo Banco Nacional da Suíça na forma de investimento em moeda estrangeira, 20% correspondem a ações de empresas — ou CHF 123 bilhões —, o equivalente a 25% do valor de mercado de todas as empresas listadas na Bovespa. O Banco Central da Suíça é um dos grandes acionistas da Apple, da Exxon Mobil, da Johnson & Johnson. Além disso, o BNS ainda possui CHF 74 bilhões de bônus corporativos em seu balanço.

42) Bancos Centrais são hoje um dos major players do mercado de ações. 

43) Obviamente, nos últimos 5 anos, diversos índices de ações bateram recordes históricos. A esmagadora maioria das bolsas de países desenvolvidos ou alcançou as máximas de toda a história (muitos se mantêm e seguem testando novos picos) ou estão no maior patamar desde a crise de 2008. Vejam o Dow Jones (mais de 18.000 pontos em 2015), o S&P 500 (mais de 2.100 pontos em 2015), a Nasdaq (mais de 5.200 pontos em 2015), o DAX (mais de 12.300 pontos em 2015), o Nikkei 225 (mais de 20.700 pontos em 2015). A lista é extensa.

O que tudo isso significa? Quais as implicações desse grande experimento? A resposta a essas perguntas será o foco da continuação deste artigo.

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OBS: Devido à constante quebra de recordes, procurarei manter este post atualizado à medida que surjam novos eventos.

Desde que este artigo foi publicado, tivemos as seguintes ocorrências:

44) Conforme previsto, o German Bund de 10 anos adentrou território negativo momentos após este artigo ser publicado. Agora toda a curva e juros da Alemanha até 10 anos está abaixo de zero. E, devido às incertezas do Brexit, o Bund já está sendo negociado a -0,11%. O Bund de 15 anos está quase negativo. Toda a curva de juros até 5 anos está menos 0,5% negativos. Dados de 27/06/16.

45) Também conforme previsto, a curva de juros da Suíça até 33 anos adentrou território negativo. Os temores do Brexit acentuaram os juros negativos. Uma verdadeira façanha dos bancos centrais. Toda a curva até 8 anos está com juros abaixo de 0,8% negativo. Dados de 27/06/16

46) Pela primeira vez na história, o bônus de 10 anos do Reino Unido baixou de 1%. Está atualmente em 0,94% (dados de 27/06/16). Isso tudo depois de o Reino Unido ter sua classificação de risco rebaixada pela S&P, caindo para AA. Os yields caíram como se nada houvesse acontecido, quebrando esse recorde histórico. Esse é o "new normal" dos mercados financeiros, em que os fundamentos já não importam bulhufas.

47) Os rendimentos dos títulos de 10 anos da França e da Holanda estão em 0,30% e 0,16%, respectivamente. Mais um empurrãozinho e adentram território negativo também. Dados de 27/06/16.

48) A curva de juros do Japão agora está negativa até 15 anos. Mais uma proeza. (Dados de 27/06/16).]

49) Depois do Brexit, o total de títulos soberanos com juros negativos ultrapassou US$ 11,7 trilhões.

50) "A média dos rendimentos dos bônus corporativos com grau de investimento na Europa chegou a mero 0,93%. Mais um recorde histórico. Os investidores têm encarado esses títulos como um refúgio de segurança. Por quê? "Draghi é o driver chave disso," afirmou Fraser Lundie, da Hermes Investment Management in London, que supervisiona U$32,5 bilhões de ativos. "Há um comprador significativo abocanhando uma grande quantidade de bônus nesse mercado. Isso é visto como um porto seguro."

51) O bônus da Suíça com vencimento em 50 anos (sim, cinquenta) está com rendimento negativo. Se você segurar esse papel por cinco décadas, receberá menos do que o principal investido.

52) Ainda na Suíça, toda a curva de juros até 5 anos está com taxas abaixo de 1% negativo.

53) Os títulos de 10 anos do Reino Unido chegaram a 0,78%, mais baixo da história.

54) O Treasury de 10 anos também quebrou recorde, sendo negociado abaixo de 1,40%.

55) E no Japão, o título de 20 anos está quase negativo, bateu a mínima histórica chegando a 0,03%.

56) Mais um bônus da Alemanha adentra território negativo. Desta vez são os Bunds com vencimento em 15 anos.

57) Bônus de 10 anos da Holanda ficaram negativos pela primeira vez na história. Mais um recorde.

58) Na primeira semana de julho de 2016, Walt Disney vendeu ao mercado títulos de 30 anos com juros 3% e de 10 anos com juros de 1,85% — o menor cupom da história corporativa dos Estados Unidos. Não foi do ano, nem da década. Foi o menor cupom de toda a história corporativa dos EUA.

59) Nos últimos seis meses, o título de 40 anos do governo japonês deu um retorno de 48%. Exato.

O papel rende apenas 0,22%, mas como os rendimentos vêm caindo sistematicamente, o que significa que o preço do título sobe, quem comprou o ativo seis meses atrás e viu o juro dele cair, conseguiu revendê-lo agora e realizar um belo ganho

Quem investiu no Treasury de 10 anos também teve um retorno excelente nos últimos seis meses, 22%. Estamos falando de seis meses. Não é ao ano, é em 0,5 ano.

Outro dado interessante: bônus de longo prazo do governo da Alemanha emitidos há quatro anos, hoje estão sendo negociados a 200% sobre o valor de face.

60) Na quarta-feira, dia 13 de julho, a Alemanha entrou para história financeira mundial mais uma vez: emitiu o primeiro bônus de 10 anos com cupom de 0%. Sim, o cupom do título pagará zero por cento nos próximos 10 anos. Nada. Nichts. Keine Zinsen.

Dado o momento atual, em que seus títulos com vencimento em 10 anos são negociados no mercado secundário, o governo de Merkel aproveitou a janela para testar o apetite dos investidores (e do Banco Central Europeu) e realizou um leilão com tais títulos de 0% de cupom.

E qual foi o resultado? A fome do mercado foi tanta que os títulos foram arrematados com um juro implícito de 0,05% NEGATIVO. Como a enorme demanda, os investidores se dispuseram a pagar mais do que o valor de face, o que significa que receberão de volta menos do que investiram (rendimento negativo).

61) Banco da Inglaterra reduz a taxa de juros em 25pbs, para 0,25%. A menor da história. Decidiram também aumentar o QE em mais 60 bilhões de libras para comprar dívida do governo e 10 bilhões para dívidas corporativas. O rendimento do título de 10 anos da Inglaterra bateu 0,65%, o menor de toda a história. (Dados de 04/08/2016).

62) O Banco Nacional da Suíça detém US$ 1,5 bilhão de ações da Apple. É um dos maiores acionistas da empresa. No primeiro semestre, o BNS aumentou em 50% o total de ações americanas no seu balanço, ultrapassando US$ 62 bi.

63) Mais um recorde: títulos da Inglaterra adentraram território negativo hoje. Bônus com vencimentos em 2019 e 2020, caíram para 0,015% abaixo de zero. E o Gilt de 10 anos chegou perto de 0,50% ao ano. Antes do Brexit esse título era negociado a 1,40% a.a. (Dados de 10/08/2016).

64) A empresa alemã Henkel realizou a primeira emissão de bônus corporativos europeus com juros negativos. Foi a primeira de uma empresa não estatal na Zona do Euro. Com um juro implícito de 0,05%, a companhia levantou EUR 500 milhões no dia 5 de setembro. O rendimento médio dos títulos de dívida corporativa seguem fazendo novos recordes.



autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Tiago Sattin  14/06/2016 14:37
    bom dia. Por que essa quantidade tão grande de recursos liberados no sistema não provocou, até agora, aumento na inflação?
  • ANDRE LUIS  15/06/2016 12:54
    Leandro, vejo com otimismo seu entusiasmo pelo BTC. Sua visão sobre o papel da cripto-moeda é perfeita e muito importante nessa era dos QEs. Infelizmente os argumentos econômicos não estão sendo suficientes para reverter a situação, como vc mesmo reconhece. Eles não atingem o coração das pessoas pois não têm potencial de "virar notícia". A solução porém pode estar mais perto do que se imagina.

    A plataforma que sustenta o bitcoin são as redes abertas ponto a ponto (P2P). Elas permitem uma infinidade de aplicações além do BTC, inclusive há soluções P2P até mesmo para eleições! Por favor faça uma visita ao site da ethereum.org e confira algumas delas. Há ainda uma proposta que até faz uma ponte entre as soluções P2P e a nossa Constituição Federal. https://www.facebook.com/Parlamento-Virtual-131996433806411/

    O BTC tem potencial para deixar os banqueiros centrais falando sozinhos, e esse é o caminho! Afinal de contas Bill Gates não tentou mudar o mundo se infiltrando no sindicato dos datilógrafos, certo? Ele apenas lançou um produto novo e não se preocupou com o mainstream. Nem precisou fazer propaganda contra! O UBER jamais falou mal de taxistas publicamente. Apenas lançou um produto novo. A pergunta é: Quando iremos lançar um produto realmente novo na política, com potencial de transformar políticos em máquinas de escrever?



  • Infiliz  15/06/2016 19:56
    Enquanto eles tiverem os exércitos, nunca...
  • anônimo  15/06/2016 20:03
    Andre, se vc gosta do mundo cripto, pesquise tbm sobre Maidsafe.

    A ideia é fazer um P2P de espaço virtual. É como se fosse possível ter um HD virtual na internet, espalhado por infinitos pedacinhos encriptados, sendo que o conteúdo estaria disponível apenas para o usuário.

    Os caras criaram uma moeda virtual (Bitcoin). Agora estão querendo criar uma commodity virtual com essas Maidsafes.

    Ao lado das impressoras 3D, essas tecnologias cripto vão revolucionar o mundo, estou certo disso!
  • Helio Angelo JR  14/06/2016 14:40
    Creio que os BCs ao redor do mundo estão orquestrando uma fraude gigantesca seque recedentes na economia mundial. Pois, qual o valor real do dinheiro? No fim todos irão perder, aliás já estamos perdendo. O fim da poupança e o estímulo ao consumo irá ter suas consequências.
    Creio que o único refúgio será o Ouro, pois mantém seu valor intrínseco.
  • Diego  14/06/2016 14:52
    Resumo da ópera, quebraram o sistema monetário global, nem com juros no chão as economias se recuperam e chegamos ao ponto em que dólar, libra e franco já não são mais segurança de nada, só resta correr pro ouro e cia.
    O objetivo desses canalhas é acabar com o dinheiro físico e confiscar o patrimônio das pessoas, onde todo o seu dinheiro será resumido a um número numa tela, e ficaremos reféns desses maravilhosos burocratas, cartéis bancários e políticos. Sem o papel físico será o paraíso para ditadores e populistas poderem confiscar todo o "dinheiro" da população com um simples toque e ninguém poderá reagir.
    Espero que os britânicos saiam da UE, derrubem aquele circo dos globalistas e parem de receber aquela escória de refugiados bandidos, restabelecendo a soberania nacional e deixando que países falidos e irresponsáveis iguais a Portugal, Itália e Grécia se afundem sozinhos.
    Pena que os alemães são bananas e não têm a mesma atitude.
  • Elder Leandro De Araújo  15/06/2016 02:49
    Bitcoin é um ótima solução para proteção de capital, não vou entrar muito em detalhes pois é um assunto longo, mas fica a dica.
  • Mendonça  15/06/2016 03:00
    O autor do artigo tem um livro inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=99
  • Renan  14/06/2016 15:11
    Uma duvida aos econômistas do site. Em um sistema de livre mercado de moedas em qual moeda operaria o estado? Pois deveria ser apenas uma pra padronizar as contas.
  • Pobre Paulista  14/06/2016 17:23
    Não sou um econômista nem sou do site, mas vou responder mesmo assim.

    Operaria na moeda que quisesse, podendo ser inclusive uma moeda própria.
  • Eduardo  15/06/2016 02:31
    Por que você assume a existência de um Estado?

    Mas bom, nesse caso, provavelmente não haveria uma única moeda adota pelo Estado, ou, caso houvesse, seria paralela a outras adotadas por outros setores, da mesma forma que você pode comprar hoje em dia todo tipo de software (jogos, VPS, VPN, contas em sites, publicidade, etc) com Bitcoin ou com Dólar, assim como pode converter um no outro. Um caso em que diferentes mercados usam diferentes moedas não seria muito diferente do caso atual do mercado de software oferecendo compras em Bitcoin ou em Dólar, enquanto que outros mercados oferecem compras exclusivamente em Real, e outros em Dólar ou Real, apesar de que a tendência é para a padronização, dada a maior facilidade.

    Também não sou do site, diga-se de passagem.
  • Tiago Silva  14/06/2016 15:18
    Todos esses activos adquiridos pelos bancos centrais podem implicar num curto prazo uma quebradeira geral,se sim quais as suas consequências mais abrangentes,crise do dólar como avança o Peter Shiff?
  • Primo  14/06/2016 15:26
    Gostaria de parabenizar ao autor e ao instituto pela exposição de magnifico artigo. Fica claro o plano estratégico de implantação do socialismo fascista em nível mundial por meio dos banco centrais. Não há mais refúgio para a liberdade individual. Na esfera politica as ideologias libertárias se confundem cada vez mais com as ideias ultranacionalista direitistas. Na esfera econômica o meio de troca está monopolizado e controlado de forma inelástica sem qualquer indignação social. A desapropriação dos meios de produção está sendo implantado de forma gradual, resta saber quem está agindo conscientemente nesse processo.
  • anonimo  01/10/2018 19:42
    Os JESUÍTAS.

    Pesquise sobre o assunto.
    Eles é que estão por trás do estabelecimento de um governo mundial.
    Eles controlam indiretamente as sociedades secretas, que estão ativamente e secretamente trabalhando pra isso.
  • Joao  14/06/2016 15:48
    Essa bolha pode desinflar controladamente ou será um colapso mundial?
  • robson wesley  14/06/2016 15:51
    Onde aperta o botão de emergência?

    Está claro que estamos diante da maior cirse da história da humanidade, quem viver verá.
  • Capital Imoral  14/06/2016 16:02
    Eu gostaria só de deixar claro, que isso não tem nada haver com socialismo. vocês poderiam usar o argumento que isso também não tem nada haver com os ensinamentos da escola austríaca. pois bem é verdade, mas quem disse que o pai dos bancos centrais intervencionistas, John Maynard Keynes, tem algo haver com socialismo?

    você poderia utilizar o argumento simplista: Há mais Keynes é intervencionista, logo ele é socialista. Mentira, logo se percebe nesse argumento, a falta de conceitos sobre o que de fato é o socialismo. Keynes é um estatista, que utiliza o estado para sustentar um sistema instável que mistura estado com capitalismo. Não se pode dizer que isso é socialismo, pois o capitalismo sempre está presente.

    Sobre o que é socialismo
    Vou utilizar o dicionário para não dizerem que sou mal caráter: Socialismo é uma doutrina política e econômica que surgiu no final do século XVIII e se caracteriza pela ideia de transformação da sociedade através da distribuição equilibrada de riquezas e propriedades, diminuindo a distância entre ricos e pobres.

    Pois bem temos a definição do dicionário, alguém que não tenha o pensamento filosófico, logo poderia ler "distribuição" e logo julgar, que um estado grande, junto com um capitalismo instável é a unica maneira de distribuição. argumento falso, pois o socialismo é uma conversa sobre equilíbrio social, e a busca para este equilíbrio, não necessariamente requer uma intervenção estatista, mas com certeza requer o fim do capitalismo, pois o capitalismo gera desiquilíbrio no convívio social.

    Eu gostaria de incrementar que o capitalismo, não gera somente desiquilíbrio social, mas acrescentaria também que gera desiquilíbrio psicológico, vemos duras criticas com relação a isso quando consultamos filósofos cristãos, que alias são contra o mercado desregulamentado.

    Socialismo de fato é uma conversa sobre equilíbrio da sociedade, e somente uma sociedade intelectual pode ter este equilibro.Tudo no fim vai levar para o socialismo, pois a sociedade um dia ou outro vai ter que se equilibrar.

  • David  15/06/2016 01:08
    Ui ele está baseando a definição de socialismo pelo dicionário.

    É a mesma coisa que aprender ciência pela super interessante amiguinho.

    Faz o seguinte leia o panfletário "Manifesto Comunista" a "Ideologia Alemã" e pra coroar leia "O capital" e faça a transformação dos valores em preços de produção para sustentar a "teoria do valor trabalho"

    Depois avisa pros socialistas que nunca chegarão a lugar algum lendo Marx não serem ditadores e matarem mais de 100 milhões de pessoas.

    Talvez assim elas precisem de um dicionário.

    Valeu imoral
  • Ronaldo  15/06/2016 01:14
    Sim amigo, e como o socialismo vai "redistribuir as riquezas" de forma sustentável e igualitária? Usando da intervenção estatal né amigão!!! Cara falar que Capitalismo causa desordem mental e defender o Socialismo...falo mais nada.
  • Adalberto  15/06/2016 01:18
    O custo desse equilíbrio é muito alto e eu equipararia a de um equilibrista com elefantes em cada vara. E não tem como, pra se atingir a tal redistribuição apenas uma intervenção estatal forçando os individiuos a abrirem mão de suas decisões pessoais e entregarem a um Planejador Central, me pergunto quem seria esses Iluminados que iriam decidir pela minha vida de forma mais incisiva.
  • Daniel Flores  14/06/2016 16:34
    No aguardo da continuação. Isso não cheira nada bem.

    Vai durar mais 1-2 décadas ou estoura agora?
  • Um Cão  14/06/2016 16:56
    Excelente artigo, muito bem elaborado com muitos dados e fontes.
  • Renato  14/06/2016 17:17
    Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email é galenoeu@gmail.com
  • Fernando Ulrich  14/06/2016 17:44
    UPDATE: Conforme previsto, o German Bund de 10 anos acaba de adentrar território negativo. Agora toda a curva e juros da Alemanha até 10 anos está abaixo de zero.
  • Fernando Ulrich  16/06/2016 19:16
    UPDATE: A curva de juros da Suíça até 33 anos adentrou território negativo. Uma verdadeira façanha dos bancos centrais.
    blogs.wsj.com/moneybeat/2016/06/16/from-1-month-to-33-years-almost-the-entire-yield-curve-for-swiss-bonds-is-negative/
  • Nelio  14/06/2016 18:42
    OFF -

    Li de um Socialista essa semana que o Haiti "era o país mais liberal do mundo"

    Segundo ele lá quase não existia Estado

    O que tem de verdade nisso?
  • Brandt   14/06/2016 20:20
  • Pessimista  14/06/2016 22:02
    Haiti liberal?

    Liberdade econômica não se resume ao estado fornecer algum serviço. liberdade se resume a direitos de propriedade, que se mede em diversas variáveis: Tributação, regulação sobre as atividades empresarias, facilidade para abrir uma empresa, segurança jurídica, moeda forte, economia aberta, legislação trabalhista e etc.


    Para avaliar o Haiti basta procurar os diversos institutos que medem a liberdade econômica, eis alguns: Heritage, Doing Bussiness, Open market index, economic freedom of the world.

    E eis o resultado do Haiti:

    Heritage - 150° de 178 países
    Doing Bussiness - 182° de 188 países
    Open Market Index - não é medido pelo ranking.
    Economic Freedom - 90° de 152 países

    Como se vê, em 3 rankings que mediram o haiti, ele ficou mal qualificado.

    Agora, o fato da esquerda qualificar liberdade com base no que o estado fornece só demonstrar como pessoas com essa ideologia são ignorantes no assunto.
  • Nelio  15/06/2016 12:24
    Obrigado pelo esclarecimento

    Já desconfiava disso mesmo, mas a canalhice esquerdista precisa ser desmascarada com dados

    Valeu
  • Felippe  14/06/2016 18:52
    Imaginando que você tivesse uma bola de cristal e soubesse o dia "D", aquele exato dia do colapso desse sistema, o que faria para se prevenir e/ou lucrar com a ocasião?
  • Joaquim Saad  14/06/2016 22:57
    long:
    XAU
    XAG
    XBT
  • Joaquim Saad  14/06/2016 23:28
    Ops, faltou o XAR-15 ! :(
  • FTX  14/06/2016 19:00
    Alguma teoria de porque estão fazendo isso?
  • Economista da UNICAMP  14/06/2016 19:05
    Em tempos de crise é necessário agir, e não apelar para uma fé cega no mercado.

    Graças a discricionariedade dos banqueiros centrais o sistema financeiro não entrou em um processo de derretimento.
  • Vinicius Vidigal  14/06/2016 19:51
    Se acontecer mesmo a iminente quebra das moedas mundiais é melhor prepararmos para o cataclismo que vai acontecer tipo, procurar viver em grupo, fazer amigos engenheiros de diversas áreas,encontrar um local bem afastado das cidades para sobreviver e o mais importante está bem armado, porque é óbvio que quem comanda estes estados são esses grupos de esquerdas que ama o fascismo e o comunismo e claro vão querer impor uma ditadura estilo dos moldes desses ilustres ditadores "companheiros" que passaram ao longo da historia.
    Conclamo o pessoal do mises a pensar nisso e se preparar e se ajuntar, porque o que vocês falam sobre economia, acontece,então será uma super crise que vai deixar a crise 1929 fichinha.
  • Brunoalex4  15/06/2016 00:58
    O jeito é começar a estudar tecnicas de sobrevivencialismo.
  • Bruno  15/06/2016 11:58
    Olha, eu acho que vc tem razão em termos.

    As pessoas de países desenvolvidos devem sofrer muito mais com essa próxima crise, inclusive recorrendo a essas técnicas que vc descreveu. Aqui em Banânia, historicamente o Estado tem formado um know-how de grande dominação. Praticamente, todas as revoltas foram controladas nestes 500 anos.

    Quero dizer que o Brasil não deve passar por maior desordem, dada a força do Estado em manter o status quo. Sobrevivemos à substituição de importações dos anos 1980s sem conflitos armados.

  • brunoalex4  17/06/2016 13:01
    Bom dia.

    Prazado xará,

    Repeito sua opinião. Mas dê uma olhadinha nesse post de um site de sobrevivencialismo. Não sou praticante (ainda)mas estou prestes a mudar de ideia

    Abraços.
  • brunoalex4  17/06/2016 13:26
    Segue o link:

    sobrevivencialismourbano.blogspot.com.br/2016/04/o-que-aprender-com-o-colapso-na.html
  • Andre  17/06/2016 14:06
    Passa o link aí, gosto dessas coisas preppers.
  • brunoalex4  17/06/2016 15:21
    Esse é um dos melhores: https://plus.google.com/+GuiadoSobrevivente, sobrevivencialismourbano.blogspot.com.br/

    Administrado pelo Batata um dos maiores especialistas em preparação da internet.
  • Gabriel  14/06/2016 20:36
    Quando os juros começarem a subir novamente, e um dia eles irão obrigatoriamente voltar a subir, a tendência é que o mercado financeiro exploda definitivamente.

    Definitivamente tudo isso que está sendo feito é uma sandice das mais absurdas.
  • Patti LuPone  14/06/2016 20:47
    Apesar de todas essas imprudências e medidas inusitadas, os EUA, o Japão, o UK e a Zona do Euro continuam tendo moedas fortes e estáveis. E conseguiram a façanha de se libertar da causa das recessões segundo a "teoria austríaca dos ciclos econômicos". Com uma moeda forte deflacionando (ou com inflação baixíssima) não há como haver uma subida de preços intensa nos recursos utilizados para se produzir bens de consumo e bens de capital. Sendo assim, as empresas de bens de consumo e as empresas de bem de capital podem continuar produzindo normalmente, já que o valor dos recursos utilizados por ambas não será inflacionado significativamente.
  • Gabriel  14/06/2016 21:11
    Com base em que você faz essas afirmações? Tirou elas do "fantástico mundo de bob"? O Banco Central americano para evitar a crise apenas criou uma crise maior ainda, pois teve que adquirir praticamente todos os ativos tóxicos que estavam em posse dos bancos americanos. E a consequência não desejada disso foi as taxas de juros em 0.

    Eles aumentaram os juros, depois mataram os juros para evitar a depressão, e agora estão com medo de subir os juros, mas porque será? Porque eles estão todos morrendo de medo de aumentar os juros e estourar a bolha maior ainda que eles criaram para evitar uma depressão após o estouro da bolha de 2008.

    Eles evitaram uma depressão após o estouro de uma bolha criando outra bolha maior ainda.
  • Patti LuPone  14/06/2016 21:23
    Faço essas afirmações baseada no bom senso. Neste site já li diversas vezes que não há inflação alta com moeda forte, suponho que isto se aplica aos recursos utilizados na produção de bens de consumo e de bens de capital, sendo assim enquanto a moeda for forte(e ainda é) não há como o preço destes recursos aumentar abruptamente. E que bolha é essa que criaram? Conversa fiada. O preço de qualquer ativo financeiro é subjetivo. Nada impede que amanhã a ação da Petrobras passe a valer R$50,00 ou R$1,00.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  14/06/2016 22:05
    Subjetivo?!
    os fundamentos da empresa e a projeção econômica não valem nada, então?

    ações de empresas com bons fundamentos e boas perspectivas têm alta procura e o preço sobe. ações de empresas endividadas e alavancadas, operando num mercado com perspectivas ruins, têm baixa procura e o preço cai. isso é o básico do básico do mercado de bolsa de valores.
  • Guilherme  14/06/2016 22:22
    Valorações são subjetivas, preços são um fenômeno objetivo decorrente das valorações dos agentes no mercado e na escassez relativa. Não confunda os dois.
  • Gabriel  15/06/2016 02:40
    Inflação está relacionada à expansão da base monetária (no caso dos Estados Unidos houve uma hiperinflação), agora aumento de preços já é outra coisa bem diferente, quem lê os artigos aqui do IMB já não faz mais (ou não deveria) a associação direta de inflação com aumento de preços.

    Alias, há um artigo bem interessante aqui falando especificamente sobre o caso americano, que a nova politica monetária do FED inverteu completamente as relações de causa e efeito, tu podes ter uma hiperinflação da base monetária mas não necessariamente terá um aumento monstruoso nos preços (no caso o aumento de preços foi bem pequeno).

    O artigo tem o título "Na política monetária dos EUA, as relações de causa e efeito deixaram de ser previsíveis" e está disponível nesse link: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1707
  • Roberto  15/06/2016 02:54
    "Inflação está relacionada à expansão da base monetária"

    Inflação, por definição, é o aumento da oferta monetária (e não apenas da base monetária). A oferta monetária abrange M1, M2, M3 e M4.

    Já o aumento de preços é consequência da inflação.

    Sobre a definição de inflação:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1779


    Gráfico da evolução dos agregados monetários (estou copiando da resposta dada pelo Leandro no início desta seção de comentários):

    EUA:

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-money-supply-m2.png?s=unitedstamonsupm2&v=201605202212n&d1=20000614&d2=20160614

    Zona do Euro:

    cdn.tradingeconomics.com/charts/euro-area-money-supply-m3.png?s=emuevolvmonsupm3&v=201606062017n&d1=20000614&d2=20160614

    Japão:

    cdn.tradingeconomics.com/charts/japan-money-supply-m2.png?s=japanmonsupm2&v=201606141212n&d1=20000614&d2=20160614


    Reino Unido:

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-kingdom-money-supply-m2.png?s=unitedkinmonsupm2&v=201606102212n&d1=20000614&d2=20160614



    Artigo sobre a situação monetária dos EUA:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2213
  • Gabriel  15/06/2016 21:43
    Bom, na minha opinião inflação tem haver com a base monetária, o aumento dos preços já está mais relacionado a oferta monetária. De fato sem explicar ficou meio estranho, mas como eu coloquei o artigo que tratava da questão não achei necessário ter sido mais detalhista.
  • Joaquim Saad  14/06/2016 20:51
    Outro brilhante artigo do Ulrich, mas sabemos que no final a resposta será esta.

    Parem a Terra que eu quero descer !

  • Ronaldo  15/06/2016 01:15
    https://www.youtube.com/watch?v=c5ZRjdlLMEM
  • JOSE F F OLIVEIRA  14/06/2016 20:56
    Os Verdadeiros "ALQUIMISTAS MODERNOS DAS FINANÇAS PÚBLICAS", tudo em NOME DE UM ESTADO e que é NECESSÁRIO as devidas INTERVENÇÕES. Outorgamos uma PROCURAÇÃO VITALÍCIA, as consequências sais lastimáveis possíveis.
  • Conservador  14/06/2016 21:41
    Ótimo artigo.
  • Joao Ernesto  15/06/2016 02:15
    Imagino que o Brasil é dos poucos países onde impera a normalidade: juros positivos, nenhum risco de deflação, e dívida pública em trajetória explosiva mas controlável. Vejo nossos ativos pouco inflados, Bovespa dolarizado pouco acima do pico de 2006, cerca de 14k pontos, e alguma racionalidade de volta ao governo e na política econômica. Me pergunto, seria momento para estar comprado em Bovespa? O que diria um economista adepto da escola austríaca?
  • Andre  15/06/2016 11:43
    Comprado em empresas de ativos reais, mineradoras de metais preciosos, incorporadora de imóveis rurais, com a inevitável desgraça do mundo empresas de segurança e fabricantes de armas vão prosperar.
  • Eduardo   15/06/2016 04:25
    Bitcoin é a única esperança.
  • Conservador  15/06/2016 14:40
    Sim, mas não a única, trata-se de uma esperança, precisamos experimentar, sem perder de vista e nunca esquecendo que os governos estão aparelhados, e cada vez aparelhando-se, para tomar conhecimento onde, como e quando está sendo feito o garimpo.
  • Andre Cavalcante  15/06/2016 13:58
    Calma pessoal

    A turma dos BCs são insanas mas não são bobas em perder dinheiro.
    Tudo está sendo feito justamente para se tentar manter o status quo.
    Enquanto eles puderem vão segurar.

    Por exemplo: hiperinflação -> não vai acontecer.
    Quebradeira de moedas -> não vai acontecer.
    Ascensão do bitcoin como nova moeda de troca mundial -> se for, só beeeeem no looooongo prazo (aliás, o último rush já é um reflexo da entrada massiva de dólares, o que faz com que os investidores arrisquem em qualquer lugar, inclusive num experimento que, por mais que eu apoie, a bem da verdade não está nem na versão 1.0 :))

    O que deve acontecer, segundo a teoria austríaca:

    A bolha da vez é a bolha dos títulos soberanos. É a mãe de todas as bolhas e uma hora ela vai estourar (ou talvez só murchar, se os BCs levarem tudo isso bem prá frente).

    Como essa bolha alimenta um monte de outras bolhas menores (as dos ativos), muita gente vai perder dinheiro, mas provavelmente mais a classe média e a classe produtiva (os banqueiros sempre dão um jeito :( ).

    Abraços
  • Reginho  16/06/2016 18:50
    como faço pra saber qual % desse dinheiro criado pelos BCE/FED está na bolsa brasileira?
  • Rhyan  15/06/2016 20:09
    Não entendi nada dessa imagem...

    www.mises.org.br/images/articles/2016/Junho/Ulrich/12.png
  • Auxiliar  15/06/2016 22:25
    Trata-se de um gráfico absolutamente idêntico aos contratos de DI brasileiro.
    A linha azul clara mostra qual era a previsão, no ano passado, para a evolução dos juros dos títulos alemães até os 30 anos seguintes.

    Títulos com vencimento de 5 anos pagariam 0,158% de juros ao ano.

    Títulos com vencimento em 10 anos pagariam aproximadamente 0,8% ao ano.

    Títulos com vencimento em 15 anos pagariam aproximadamente 1,2% ao ano.

    Títulos com vencimento em 20 anos pagariam aproximadamente 1,45% ao ano.

    Títulos com vencimento em 30 anos pagariam aproximadamente 1,5% ao ano.

    A linha vermelha mostra essa mesma previsão, mas agora feita mês passado.

    E a linha azul escura mostra essa mesma previsão, só que feita agora.
  • Rhyan  16/06/2016 16:45
    Ahhh, em 5 anos, tava pensando que os números eram referentes ao 30Y. Achei que tinha algum erro.

    Obrigado!
  • Helio Angelo JR  20/06/2016 14:18
    Como comentei no inicio, os BCs estão orquestrando a maior fraude da história do capitalismo. Pagar juros negativos a longo prazo é taxar os poupadores do dinheiro em espécie.
    Com isso, os poupadores continuam a financiar os Estados falidos.
    Devemos seguir a equação: Trabalho, Poupança, Investimento e Produção.
    Atualmente a equação não fecha! Por isso, as economias patinam...
    O Ouro e a Prata serão os últimos refúgios.
  • Gustavo  23/06/2016 17:21
    Leandro, Fernando, ou qualquer outro que estiver disposto a responder, tenho duas dúvidas referentes à títulos e sistema bancário:

    1 - O título se valoriza quando os juros caem. Ok. Mas isso vale também para os pós fixados? Como determinar a valorização de um título via queda de juros sem um FV? (Já que no pós o rendimento é variável, então não seria possível prever o valor futuro dele como base de cálculo).

    2 - No livro "Bancos comerciais e múltiplos" de Edward W. Reed e Edward K. Gill, consta o seguinte:

    "Depois do desaparecimento do Segundo Banco dos EUA houve um aumento substancial no número de bancos estaduais. Em muitas instâncias, predominavam práticas insólitas, incluindo a emissão excessiva de títulos bancários e pouca ou nenhuma provisão para o resgate de títulos. Comentando sobre as fraquezas do nosso sistema monetário, o senador John Sherman afirmou: "Em 1862, havia 1500 bancos, sendo que os títulos de 253 não foram falsificados. A variedade de imitações era de 1861; de alterações, 3039; de títulos falsos, 1685"

    Isso não seria uma evidência do desequilíbrio de um sistema bancário livre? Já que no séc. XIX não existia o FED. Mesmo sem um controlador monopolista de moeda, a grande maioria dos bancos fraudava títulos.

    Gostaria da opinião de vcs. Grato.
  • Leandro  23/06/2016 19:04
    1) Há dois tipos de pós: os atrelados à taxa básica de juros e os atrelados à inflação.

    O primeiro, obviamente, varia em estrito acordo com a taxa básica de juros (a nossa SELIC). Já o segundo possui um componente pré-fixado: eles pagam a inflação do período mais uma taxa pré-fixada.

    Com esses últimos também é possível ganhar com a queda dos juros.

    2) Esse trecho se refere a uma prática bancária que vigorou por um período nos EUA antes da Guerra Civil. Eram os "wildcat banking". Como sempre, ninguém conta a história completa.

    a) Os governos estaduais não só permitiam como estimulavam que os bancos locais operassem -- criando dinheiro de papel, emprestando e cobrando juros -- sem jamais serem obrigados a restituir em espécie (ouro) quando fossem cobrados por isso. Ou seja, o governo garantia aos bancos o privilégio de operar sem ter de pagar suas obrigações. Eles podiam criar dinheiro e crédito à vontade, sem se preocuparem em restituir as cédulas em ouro quando fossem instados a isso. É claro que a coisa ia degringolar.

    b) Além desse protecionismo estatal, havia uma lei federal que proibia filiais bancárias interestaduais (essa lei durou até 1995). Isso, adicionado a um sistema de transporte ruim (estamos falando da primeira metade do século XIX), impedia que os bancos de um estado prontamente exigissem que outros bancos mais distantes restituíssem em ouro as cédulas que criaram e puseram para circular no mercado. Ou seja, o governo incentivava e protegia a fraude.
  • Auxiliar  28/06/2016 02:47
    A quem interessar possa, foram acrescidos cinco itens ao final deste artigo.
  • Emerson Luis  04/07/2016 11:33

    O futuro está cada vez mais imprevisível... ou talvez não.

    * * *
  • Republica de Curitiba  03/10/2016 14:23
    Fernando Ulrich,

    Uma dúvida, caso possa me solucionar:

    Afinal, qual a vantagem em se colocar seu dinheiro em algo com Juros Negativo? Não seria nesse caso mais interessante deixá-lo fora dos bancos?
  • Auxiliar  03/10/2016 14:37
    Não é tão simples assim. Não dá pra simplesmente sacar o dinheiro e colocá-lo embaixo do colchão. Como é que você vai sacar centenas de bilhões de euros dos bancos em papel-moeda?

    No mais, há grandes possibilidades de ganhos com juros negativos.

    Ambos esses pontos foram explicados em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2445
  • Republica de Curitiba  03/10/2016 19:12
    O Artigo parece que foi escrito exatamente para minha dúvida;

    Obrigado Pessoal.
  • Aluno Austríaco  03/10/2016 14:44
    O juro negativo é só no mecado interbancário. Ou seja, um banco pode pegar dinheiro do outro sem pagar nada ou até pagando menos. Isso é uma implosão dos bancos.

    O objetivo é transformar os bancos em meros burocratas do dinheiro. Eles viraram apenas emprestadores de dinheiro. Agora os bancos não possuem nenhum controle sobre o dinheiro, já que suas reservas podem ser sacadas por outros bancos.

    É como se houvesse comunismo nas reservas dos bancos.
  • Republica de Curitiba  03/10/2016 19:54
    Certo, mas me parece (me corrija se eu estiver errado) que o juro negativo está apenas no Mercado Interbancário simplesmente porquê em outros mercados ainda existe a possibilidade de se sacar o dinheiro - uma opção melhor do que se manter a juro negativo ou então como correntista, considerando o risco.

    Então, me parece que, se os BCs realmente conseguirem consolidar o fim do papel-moeda, estaremos entrando na era dos Juros Negativos - em que será mais benéfico gastar o dinheiro, porquê poupá-lo não será uma boa opção.

    Faz sentido?
  • anônimo  08/02/2018 21:24
    Se uma crise sem precedentes está se aproximando, os senhores entrariam no mercado acionário? O que fariam para proteger seu capital?



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