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Keynes tem que morrer para que a economia sobreviva

Nas eleições presidenciais americanas de 2012, Barack Obama alertou que os Estados Unidos mergulhariam numa profunda depressão se o plano de Ron Paul de cortar $ 1 trilhão do orçamento federal fosse posto em prática.

Opa, perdão. Não foi Obama quem alertou que os cortes orçamentários levariam à depressão.

Foi Mitt Romney.

Romney acabaria se tornando o candidato do Partido Republicano, o autointitulado "partido pró-livre mercado".

Uma ideologia se torna vitoriosa quando ambos os lados da "opinião respeitável" tomam suas ideias básicas como algo natural e inquestionável. Eis o quão completa foi a vitória keynesiana.

A bem da verdade, o keynesianismo já havia se tornado a ideologia prevalecente uma década antes de Romney sequer ter nascido.

A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, o influente tratado de John Maynard Keynes, surgiu durante a Grande Depressão, uma época em que um grande número de pessoas começava a duvidar dos méritos e da resiliência do capitalismo. Era uma obra de teoria econômica, mas seus propagandistas insistiam que ela oferecia também respostas práticas para questões contemporâneas urgentes, como: como ocorrera a Depressão, e por que estava sendo tão duradoura?

A resposta para ambas as perguntas, segundo Keynes e seus seguidores, era a mesma: falta de intervenção estatal.

No entanto, como demonstrou Murray Rothbard em seu livro de 1963 A Grande Depressão Americana, assim como Lionel Robbins e outros também já haviam escrito à época, a Depressão certamente não fora causada por falta de intervenção estatal.  Ela foi causada pelas políticas de expansão de crédito orquestrada pelos bancos centrais em todo o mundo, e foi prolongada por causa da imposição de várias soluções burlescas que os governos seguiam improvisando e implantando.

Para começar, Herbert Hoover aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931.  Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%). 

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).  Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Contudo, a tese de que, durante uma recessão — e, principalmente, durante uma depressão — os governos nada deveriam fazer, não agradava aos próprios governos.  Políticos não gostam de inação; eles gostam de serem vistos como "pessoas que fazem".   Consequentemente, era bem mais atraente às autoridades a mensagem que lhes transmitia Keynes: o livre mercado gera depressões, e para que haja prosperidade é necessário aumentar os gastos e intervenções do governo.

Discorramos brevemente sobre o livro que deu início a essa revolução ideológica. Para ser eufemista, a Teoria Geral não era exatamente o tipo de texto que alguém imaginaria que pudesse ter um poder avassalador.

Paul Samuelson, que viria a se tornar um dos mais notáveis propagandistas mundiais do keynesianismo, admitiu em um momento de rara sinceridade que, quando leu o livro pela primeira vez, não conseguiu ter "a menor ideia do que se tratava".  "Acho que não estou revelando nenhum segredo", disse ele, "quando afirmo solenemente — com base em lembranças pessoais vívidas — que ninguém em Cambridge, Massachusetts, realmente conseguiu entender o que estava escrito no livro, até mais ou menos doze ou dezoito meses após a publicação."

A Teoria Geral, prosseguiu ele:

É um livro mal escrito e mal organizado; qualquer leigo que, ludibriado pela reputação passada do autor, comprasse o livro, teria sido lesado em cinco xelins. Não é adequado para uso em sala de aula. É arrogante, rancoroso, polêmico e pouco generoso em seus créditos. É cheio de mistificações e confusões. ... Em suma, uma obra de gênio.

Murray Rothbard, que após a morte de Ludwig von Mises passou a ser considerado o decano da Escola Austríaca de Economia, escreveu vários textos críticos importantes sobre Keynes, bem como um longo e revelador ensaio biográfico sobre o cidadão. O primeiro desses textos veio na forma de um ensaio escrito quando Murray tinha apenas 21 anos de idade: Spotlight on Keynesian Economics. O segundo surgiu em seu tratado de 1962, Man, Economy, and State, e o terceiro compôs um capítulo de seu livro Por uma Nova Liberdade.

Murray não mediu palavras, referindo-se ao keynesianismo como "o embuste mais nocivo e bem-sucedido da história do pensamento econômico". "Toda a lógica keynesiana", acrescentou, "é um amálgama de distorções, falácias e premissas drasticamente fantasiosas."

Além dos problemas do sistema keynesiano, havia os lamentáveis traços de Keynes como pessoa, dissecados nesta mini-biografia sobre Keynes. Deixarei Murray descrevê-los:

O primeiro era sua presunçosa vaidade, que lhe assegurava que pudesse lidar com todos os problemas intelectuais de forma rápida e acurada, e que o levou a desprezar qualquer princípio geral que pudesse limitar seu ego desenfreado. O segundo era seu forte sentimento de que não apenas havia nascido na elite britânica dominante, como também era predestinado a liderá-la. [...]

O terceiro elemento era seu profundo ódio e desprezo pelos valores e virtudes da burguesia, pela moralidade convencional, pela poupança, pela frugalidade, e pelas instituições básicas da vida familiar.

Quando ainda estudante na Universidade de Cambridge, Keynes integrou um grupo exclusivo e secreto denominado Os Apóstolos. Fazer parte desse grupo alimentou sua vaidade, sua egolatria e seu desprezo pelos outros. Em uma carta pessoal, ele escreveu: "Seria monomania esta avassaladora superioridade moral que sentimos? Tenho a sensação de que a maior parte do resto [do mundo além dos Apóstolos] nunca percebe absolutamente nada.  São ou muito idiotas ou muito corrompidos."

Em sua juventude, Keynes e seus amigos se tornaram o que ele próprio denominava "imoralistas". Em um texto de 1938 intitulado "My Early Beliefs", ele escreveu:

Repudiávamos absolutamente qualquer obrigação pessoal nossa de obedecer a regras gerais. Tínhamos o direito de julgar cada indivíduo em seus méritos, e tínhamos a sabedoria para fazê-lo com êxito. Este era um componente muito importante da nossa crença, e a defendíamos com violência e agressividade. Para o mundo externo, essa era a nossa característica mais evidente e perigosa. Repudiávamos totalmente quaisquer formas de moralidade, convenção e sabedoria tradicionais. Éramos, em suma, e no sentido mais exato do termo, imoralistas.

Keynes tinha 55 anos quando publicou esse texto.  E, mesmo naquele estágio já avançado de sua vida, ele afirmou que o imoralismo "ainda é, no fundo, a minha religião. [...] ainda sou e sempre serei um imoralista".

No campo da economia, Keynes exibiu o mesmo tipo de abordagem que adotara em relação à filosofia e à vida em geral. "Tenho medo de 'princípios'", disse ele a uma comissão parlamentar em 1930. Essa, naturalmente, é a atitude de qualquer pessoa que ambiciona influência, prestígio e o exercício do poder; ter princípios apenas obstruiria seu caminho.

Dessa maneira, Keynes inicialmente defendia o livre comércio, depois virou a casaca em 1931 e se tornou um protecionista, voltando depois a defender o livre comércio durante a Segunda Guerra Mundial. Como disse Rothbard: "Nunca qualquer exame de consciência ou até mesmo uma simples hesitação refrearam suas mudanças vertiginosas."

Seu livro a Teoria Geral dividiu a população mundial em vários grupos, cada um com suas características próprias. Aqui Keynes pôde dar vazão a seus ódios crônicos.

Primeiramente havia uma grande massa de consumidores, estúpidos e robóticos, cujas decisões de consumo eram fixas e determinadas por forças alheias, de forma que Keynes pôde reduzi-los a uma simples e matemática "função de consumo".

Depois havia um subconjunto de consumidores, os poupadores burgueses, por quem Keynes tinha um particular desprezo. No passado, tais pessoas eram louvadas por seu hábito de poupar, que era o que possibilitava os investimentos que elevaram o padrão de vida de toda a população.  Mas o sistema keynesiano rompeu o vínculo entre poupança e investimento, alegando que os dois não tinham qualquer relação um com o outro. A poupança era, na verdade, um entrave ao sistema, dizia Keynes, e podia gerar recessões e depressões.

Assim, Keynes vituperou a burguesia, os hábitos burgueses e a respeitabilidade moral de se levar uma vida frugal e tradicional. Poupar era tolice, não sabedoria.

O terceiro grupo eram os investidores. Em relação a estes, Keynes era um pouco mais favorável. As atividades dessas pessoas não podiam ser reduzidas a uma mera função matemática.  Elas eram dinâmicas e livres. Porém, e infelizmente, elas também eram dadas a oscilações selvagens e irracionais em seu comportamento e em sua visão de mundo. Essas oscilações irracionais faziam da economia uma montanha-russa.

Finalmente, chegamos ao quarto e último grupo. Esse grupo é supremamente racional, economicamente sábio, e indispensável à estabilidade da economia. Esse grupo não apenas é capaz de invalidar as decisões tolas de todos os anteriores, como também é perfeitamente apto a impedir a economia de cair em depressões ou excessos inflacionários.

Você provavelmente não ficará espantado ao descobrir que os oniscientes e perspicazes peritos que integram o quarto grupo de Keynes são os políticos e as autoridades do governo.

Para compreender exatamente o que Keynes esperava que os políticos fizessem, analisemos brevemente o sistema econômico desenvolvido por ele em seu livro a Teoria Geral. Sua argumentação básica é que a economia de mercado tende a um estado crônico de subutilização dos recursos. Para que não se caia na depressão e nela se permaneça para sempre, é necessária a sábia supervisão e intervenção da classe política.

De novo, podemos tranquilamente rejeitar a possibilidade de as classes políticas do mundo ocidental terem abraçado o keynesianismo porque os políticos fizeram um profundo estudo das obras de Keynes. Pelo contrário: o keynesianismo soube apelar às duas maiores motivações dos políticos: sua necessidade de parecer indispensáveis e sua gana por exercer o poder.

O keynesianismo apenas brandiu essas ideias diante da classe política, a qual, então, reagiu como um cão salivante.  Lamento destruir sonhos romantizados e idílicos, mas o que houve foi apenas isso e nada mais do que isso.  Nenhum político fez qualquer estudo aprofundado das obras de Keynes para então adotar suas idéias.  Aliás, como o próprio Paul Samuleson confessou, nem ele próprio conseguiu entender Keynes.

[N. do E.: o keynesianismo é a teoria econômica favorita dos políticos simplesmente porque ela lhes concede um passe livre para fazer tudo aquilo que eles mais gostam de fazer: gastar dinheiro.

O keynesianismo diz que os gastos do governo impulsionam a economia; que expandir o crédito (melhor ainda se for subsidiado) gera crescimento econômico; que os déficits do governo são a cura para uma economia em recessão; que inchar a máquina estatal, dando emprego para burocratas, é uma medida válida contra o desemprego (quem irá pagar?); e que regulamentações, se feitas por keynesianos, são propícias a estimular o espírito animal dos empreendedores.

Qual político resiste a isso?]

Contudo, no início dos anos 1970, a economia keynesiana sofreu um golpe devastador; ou, para usar a expressão mais ilustrativa de Rothbard, "morreu do pescoço para cima".

O keynesianismo não era capaz de explicar — e nem muito menos de resolver — a estagflação, ou recessão inflacionária, vivida pelos EUA e pela Inglaterra nos anos 1970.

Supostamente, era a função dos planejadores keynesianos conduzir a economia de modo a impedir as ameaças gêmeas: de um lado, uma economia superaquecida e inflacionária; de outro, uma economia deprimida, com deflação, e com desempenho abaixo do ideal. Durante um boom econômico, os planejadores keynesianos deveriam "enxugar o excessivo poder de compra" da população elevando impostos e, com isso, diminuindo o consumo. Durante uma depressão, os keynesianos deveriam diminuir os impostos e aumentar os gastos do governo para injetar consumo na economia.

Porém, quando ocorreu uma recessão inflacionária com alto desemprego [como a atual do Brasil], toda essa abordagem teve de ser descartada. O componente inflacionário sugeria que os gastos tinham de ser reduzidos.  Já o componente recessivo e do alto desemprego sugeria que os gastos tinham de ser aumentados. Como poderiam os planejadores keynesianos fazer ambos simultaneamente?  Como poderiam eles pisar no acelerador e no freio ao mesmo tempo?

Obviamente, isso não era possível, o que explica por que o keynesianismo entrou em declínio no final dos anos 1970, tornando-se uma teoria obtusa.

Em seu livro Man, Economy, and State, Rothbard demoliu o sistema keynesiano em todos os seus alicerces, mostrando que as relações entre os grandes agregados econômicos pressupostos pelos keynesianos, e essenciais a seu sistema, são completamente destituídos de lógica e não se sustentam. Ele implodiu os principais conceitos empregados nas análises keynesianas: função de consumo, multiplicador e acelerador, só para começar.

Bem, por que isso importa hoje?

Os erros de Keynes acabaram por conceder poder a classes políticas sociopáticas ao redor de todo o globo, e privaram o mundo do progresso econômico que, sem o keynesianismo, teríamos tido.

O Japão é um grande exemplo de ruína keynesiana: o índice Nikkei 225, que atingiu 38.500 em 1990, ainda não conseguiu chegar a sequer metade desse valor desde então. Um quarto de século atrás, o índice de produção industrial no Japão era de 96,8; após 25 anos de uma política keynesiana agressiva que deu ao Japão a maior dívida em relação ao PIB em todo o mundo (229,2% do PIB), o índice de produção industrial atual... continua em 96,8.

Enquanto isso, os Estados Unidos tiveram dezesseis anos de estímulo fiscal e taxas de juros absurdamente baixas, tudo encorajado pelos keynesianos. O resultado?  O número de empregos realmente capazes de sustentar uma família de classe média é hoje dois milhões a menos do que quando Bill Clinton deixou a presidência.

[N. do E.: já a devastação do keynesianismo no Brasil faz com que os resultados nos países acima pareçam um sonho adolescente.  Veja os detalhes aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.]

Nenhuma quantidade de estímulo parece ser suficiente; e, quando o estímulo fracassa, a visão tacanha do establishment keynesiano só consegue pensar em dobrar a aposta [exatamente como sempre fez o governo Dilma], sem jamais questionar a política em si.

Mas há uma alternativa, e é aquela defendida por Murray N. Rothbard e Ludwig von Mises: a Escola Austríaca de Economia e sua análise da economia de mercado pura.

Contra todo o edifício da opinião predominante, o Instituto Mises sempre se posicionou e se impôs como um crítico ferrenho das políticas predominantes. Para os dissidentes, os intelectualmente curiosos, os propensos a duvidar dos ditos especialistas que não produziram nada além de ruína, o Instituto Mises tem sido um farol.

Formamos toda uma geração de austríacos no meio acadêmico, jornalístico e financeiro. Nosso trabalhamos duro fez com que, quando uma catástrofe como a crise de 2008 ocorreu, a explicação austríaca já estava pronta.

Mas, com a sua ajuda, podemos realizar muito mais. Os keynesianos estão fingindo ter tudo sob controle, mas sabemos que isso é uma fantasia. Uma oportunidade ainda maior que a de 2008 nos aguarda, e queremos ajudar a conduzir a opinião pública e formar um quadro de jovens e brilhantes acadêmicos e eruditos para esse dia. Com a sua ajuda, podemos, enfim, acordar do pesadelo keynesiano.

Como disse um tradutor coreano de um texto austríaco: "Keynes tem que morrer para que a economia sobreviva." Com a sua ajuda, podemos acelerar a chegada desse glorioso dia.

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Leia também:

Quanto mais o keynesianismo fracassa, mais ele é ressuscitado sob novas promessas de prosperidade 

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade



autor

Lew Rockwell
é o chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.



  • Pobre Paulista  27/05/2016 15:01
    "No longo prazo estaremos todos mortos". Pena que esqueceram de enterrá-lo.
  • Leonardo  27/05/2016 15:31
    O keynesianismo entrou em crise nos anos 70 por causa da crise do petróleo?
  • Leandro  27/05/2016 15:40
    Não. Foi majoritariamente por causa da súbita perda do poder de compra das moedas causada pela abolição do que restava do padrão-ouro.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2308

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055
  • Gustavo   20/08/2016 21:33
    Lenadro, o fato de o preço do barril de petróleo ter subido cerca de 10 vezes na década de 1970 não justificaria essa crise? No caso, o preço do barril subiu por causa da moeda fraca, ou o contrário?

  • Leandro  20/08/2016 22:45
    Por causa do dólar fraco.

    Respondi ainda ontem a essa mesma pergunta, de maneira mais completa:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1992&comments=true#ac179391
  • Lel  27/05/2016 15:57
    Marx é um anjinho perto de Keynes.
  • Pessimista  27/05/2016 16:01
    Políticos já aplicavam essas ideias antes de Keynes e muito provavelmente continuariam aplicando mesmo sem Keynes. A teoria do Keynes só serviu para dar um suporte intelectual para algumas decisões políticas.

    O problema é muito maior que Keynes. O senso comum que se tem sobre o estado e seus deveres, sobre a propriedade privada e o mercado. Isso influencia muito mais as escolhas dos políticos, e não uma teoria que só meia dúzia já estudaram.


  • Paulo  27/05/2016 17:35
    Colocação perfeita.
  • Berry  27/05/2016 18:41
    Os intelectuais que dão sustentação a medidas absurdas podem não ser responsáveis pela implantação inicial das mesmas, mas contribuem imensamente para a perpetuação dessas ideias na sociedade. O caso de Keynes é emblemático: sua teoria caiu como uma luva para auxiliar políticos a perpetuar, por meio da academia, a ideia de que o governo é o resolvedor de problemas e o motor do crescimento.
  • anônimo  27/05/2016 16:13
    E sobre a recuperação econômica americana da crise de 2008?
  • Leandro  27/05/2016 16:25
    Recuperação, não. "Recuperação".

    Facílima de explicar.

    Em primeiro lugar, saiu o pavoroso Bernanke, um dos piores chaiman do Fed da história. Isso, e apenas isso, já bastou para fortalecer o dólar.

    Mas houve muito mais.

    O primeiro mandato de Obama foi pavoroso. Foi tão ruim quanto o segundo mandato de Bush. Em agosto de 2011, o dólar chegou ao seu menor valor no mercado mundial. Tão ruim era o governo Obama, que até mesmo o real sob Dilma conseguiu a façanha de se fortalecer perante o dólar.

    Não é à toa que, mesmo sendo venerado pela mídia americana e pela mídia mundial, e mesmo tendo disputado a reeleição com um republicano que não contava com nenhuma simpatia da sua base, Obama passou aperto para se reeleger, tão ruim estava a economia.

    Mas aí aconteceu algo maravilhoso: o governo federal americano, a partir de 2013, ficou totalmente paralisado. Obama perdeu toda a sua base de apoio na Câmara e no Senado. O governo federal entrou em gridlock.

    Com o Congresso travado, sem novos gastos serem aprovados, o orçamento do governo apresentou uma fantástica melhora, saindo de um déficit de 12% do PIB para um de meros 2,5%.

    Desde 2012, o que Obama fez? Nada. Absolutamente nada. Ele nunca mais conseguiu aprovar nenhuma lei. Sua almejada reforma do sistema de saúde paralisou-se por completo, e nenhuma outra medida intervencionista foi aprovada. O máximo que Obama hoje consegue fazer é mudar nome de montanha, conceder entrevistas a talk shows de comediantes para falar sobre sua rotina na Casa Branca (se ele faz sanduíche ou anda de cuecas), e dizer se sentir frustrado por não conseguir impor leis mais rigorosas sobre a venda de armas.

    Só.

    Em suma: desde que o governo americano ficou travado, começando em 2013, a economia automaticamente começou a melhorar. Sem o governo para atrapalhar, o dólar se fortaleceu e a bolsa de valores americana (que sempre se dá bem quando o dólar está forte) se valorizou.

    O próprio Fed hoje possui em seu alto escalão pessoas mais sensatas que na época de Bernanke, como é o caso de Stanley Fischer, vice-presidente do Fed, que abertamente faz declarações em prol de um dólar forte. O atual secretário do Tesouro, Jack Lew, também fala abertamente sobre as vantagens de se ter uma moeda forte.

    E, como este site nunca se cansa de repetir, moeda forte e governo em retração é o segredo para qualquer recuperação econômica. A economia americana é apenas mais um exemplo prático disso.

    Sendo assim, posso dizer apenas -- jocosamente, é claro -- que Obama nos leu. Faz 6 anos (desde nossa criação) que insistimos aqui que uma moeda forte é o segredo. Sem moeda forte não há economia forte. A moeda forte pode não ser tudo, mas sem moeda forte, tudo vira um nada.

    E o que aconteceu com os EUA? Bastou o governo ficar travado, sem nenhuma chance de inventar novas intervenções, que o dólar ficar forte. Consequentemente, a economia americana se recuperou. Praticamente como mágica.

    (Ah, sim: o fato de o mercado de trabalho nos EUA ser bem mais flexível, também ajuda bastante, principalmente nos índices de desemprego.)
  • Pedro Henrique Dantas Dias  27/05/2016 16:53
    Leandro Rocks!
  • Andre Henrique  27/05/2016 18:10
    Leandro,
    Lamentável vc esquecer de listar (além das participações em talk show, etc) uma das grandes façanhas do Obama em seu governo nos últimos anos: embocar um putter (jogando golfe) de 40 pés.

    abcnews.go.com/Politics/video/president-obama-sinks-40-foot-chip-18th-hole-35910191

    Seguindo sua linha, traço uma paralelo com a realidade brasileira: esses dias um amigo externou preocupação com o fato do Senado estar "parado" em decorrência do impeachment... olhei para ele e perguntei: "Mas isso é algo ruim?"

    Abç,
    AHR
  • Leandro  27/05/2016 18:21
    É verdade. Dizem que o homem é fera no golfe. Joga 15 horas por dia.

    E, quando não está jogando golfe, está gravando esquetes cômicas.

    youtu.be/NxFkEj7KPC0?t=23m47s

    Exatamente o tipo de coisa que um presidente deve fazer em tempo integral, em vez de ficar regulando a economia, controlando nossas vidas e tentando salvar o mundo.

    Bill Clinton, aliás, seguia a mesma linha. Mas, no caso dele, não havia nem golfe e nem vídeos cômicos. E, embora toda a ação se concentrasse no Salão Oval, ela não envolvia nem pacotes econômicos e nem planos para mudar o mundo, mas apenas charutos e estagiárias. Exatamente como tem de ser.
  • Lucas  27/05/2016 19:58
    Leandro, sua resposta foi na verdade outro grande texto explicativo de sua autoria. Meus parabéns, tu é fera.
    Leandro Roque, para ministro da economia!!!!
  • Leandro  27/05/2016 22:28
    Essa pergunta já foi feita tantas vezes, que sempre dou a mesma resposta.

    Obrigado pelos elogios exagerados, mas dispenso completamente essa sua sugestão (ou seria convocação?) empregatícia .

    Grande abraço!
  • Rhyan  27/05/2016 20:08
    Leandro, por que o Peter Schiff continua tão pessimista? Ainda por cima diz que a moeda chinesa vai ser mais importante que o dólar.
  • Nobre Nobre  30/05/2016 01:01
    Sarcasmo e ironia genial.
    Leandro Roque, não tenho o que falar do artigo completo e irrepreensível, assim como os sábios comentários.

    Vou rir desse comentário até 2059.
    Fantástico.

    P.s.: Esqueçam esse papo de ocupar posição dentro do aparato estatal, ninguém aqui, acretido EU, aspira isso para sua vida.
  • Berry  27/05/2016 18:55
    Leandro, o que você acha das análises do Peter Schiff com relação ao momento atual dos EUA?
    Ele sugere que na verdade a crise nunca acabou, e que todo o otimismo atual se deve somente à manutenção artificial das baixas taxas de juros, que o FED sempre diz que vai aumentar, mas nunca aumenta exatamente por medo de que a economia não seja saudável o suficiente para se sustentar sem essas taxas. Um dos aspectos que ele usa como base é o aspecto qualitativo da taxa de desemprego, que apesar de numericamente baixa tem apresentado um crescimento dos números jobs part time de baixa qualidade e redução dos trabalhos de boa qualidade full time.
    Você acha o dólar em si pode constituir uma bolha, ou que Peter Schiff está exagerando (o que seria compreensível, afinal um dos ramos de negócio dele é vender ouro)?
  • Leandro  27/05/2016 21:55
    Desde que ele abriu um banco para vender ouro, ele começou a confundir um pouco as coisas. Suas análises até 2008 eram extremamente sólidas. Depois, elas passaram a ficar, digamos assim, mais "comerciais". Afinal, se você está no ramo da venda de ouro, você inevitavelmente terá interesse em convencer as pessoas a se livrar do dólar para comprar ouro.
  • Julio Heitor  30/05/2016 15:00
    Leandro,

    isso não significa que o Peter Schiff esteja errado. Sabemos que uma nova crise está às portas. Sabemos que a economia americana não se recuperou e ainda patina. Sabemos que o FED não irá aumentar os juros por lá (qual politico quer arcar com o onus de uma recessão em seu mandato?).

    Sabemos também que, em toda recessão americana, o valor do ouro sobre como forma de proteção.

    O que ele nunca irá dizer é quando a nova crise irá eclodir. Até porque seria puro achismo.

    Todos os indicios que ele mencionou estão se confirmando (até agora).

    Porque eu iria ignorar os sinais que ele mostra (e seu chamado para comprar ouro) apenas porque ele tem um banco e lucra com venda de metais preciosos?

    Abraços!
  • Leandro  30/05/2016 15:14
    Opa, mas eu seria a última pessoa a dizer que as pessoas devem ignorá-lo. Cada um deve ter a liberdade de fazer o que quiser.

    Eu, de minha parte, simplesmente não vejo bases para dizer que haverá uma hiperinflação nos EUA, que o dólar sumirá, e que só o ouro pode proteger os americanos. E o porquê de não ver esse cenário foi explicado neste artigo.

    Haverá uma nova recessão nos EUA? Ora, é claro que sim. Qualquer país cuja política monetária e fiscal esteja sob o controle de burocratas e políticos está continuamente sujeita a ciclos econômicos. Ela será profunda? Aí dependerá do quão hands-off serão os políticos e burocratas: quanto mais eles interferirem, maior e mais profunda será a recessão.

    Mas recessões são uma recorrência normal em economias reguladas por governos. Acontecerá de novo nos EUA? Pode apostar.
  • Julio Heitor  30/05/2016 17:54
    Oi Leandro,

    Li o artigo que você indicou. Também não acredito em uma hiperinflação. Mas acredito que uma perda de confiança no dólar pode ser uma possibilidade mais concreta.

    Pelo que li (não apenas de Peter Schiff), se o FED lançar um novo Quantitative Easing (acho que seria o QE4), os emprestadores dos americanos , em sua maioria Chineses, chegariam a conclusão de que os EUA não tem a menor intenção de pagar a dívida contraída nas ultimas décadas.

    Assim, os chineses parariam de comprar titulos do governo americano (perda de confiança). Neste contexto, esse seria o estopim para a nova crise anunciada desde 2008.

    E, ai sim, o ouro ganharia força pois todos os investidores, numa tentativa de vender seus papéis cada vez mais desvalorizados, comprariam cada vez mais ouro.

    Esse raciocinio procede?

    Abraços!
  • Leandro  30/05/2016 19:01
    "se o FED lançar um novo Quantitative Easing (acho que seria o QE4), os emprestadores dos americanos , em sua maioria Chineses, chegariam a conclusão de que os EUA não tem a menor intenção de pagar a dívida contraída nas ultimas décadas."

    Não consigo entender por que haveria esse temor. Se chegarmos ao ponto em que o governo americano não irá honrar suas dívidas, então nenhum governo mais terá capacidade de fazê-lo.

    Como já expliquei em outras ocasiões, nenhum governo minimamente racional dá calote em seus títulos (nem mesmo o governo da Venezuela fez isso). E o motivo é muito simples: hoje, os governos só conseguem se manter porque pegam dinheiro emprestado. Sem pegar dinheiro emprestado, os governos não fecham as contas. Sem dinheiro emprestado, não conseguiriam sequer honrar a folha de pagamento.

    Sendo assim, os governos precisam se endividar continuamente simplesmente para continuar funcionando.

    Ao darem um calote, os governos estariam fechando exatamente aquela fonte que lhes permite continuar funcionando. Estariam fechando exatamente aquela fonte de financiamento que sempre lhes esteve disponível. Você não mata quem sempre lhe empresta dinheiro e permite fechar suas contas.

    Os governos farão de tudo, menos fechar a única coisa que os mantém funcionando.

    Sim, haverá calotes. Mas os calotes não serão nos títulos da dívida. Os calotes ocorrerão sobre aqueles grupos que têm menos poder político (aposentados, pensionistas, dependentes de assistencialismo).

    Mas antes disso ainda haverá cortes na saúde e na educação. Haverá vendas de ativo na bacia das almas (no Brasil, aliás, isso já está acontecendo na Petrobras). Haverá privatizações. Em última instância, o governo preferirá vender todas as suas estatais a calotear a dívida pública (e há muitas estatais a serem vendidas).

    Isso vale para qualquer governo.

    "Assim, os chineses parariam de comprar titulos do governo americano (perda de confiança)."

    Aí os juros desses títulos subiriam até chegar ao ponto que voltariam a ser totalmente atraentes para o resto do mundo. E, acredite em mim, juros americanos "atraentes para o resto do mundo" são um valor muito baixo.

    "Neste contexto, esse seria o estopim para a nova crise anunciada desde 2008."

    Ok, essa elevação dos juros geraria uma recessão. Nada mais do que a mecânico do ciclo econômico em funcionamento. Nada de novo, nada de diferente.

    "E, ai sim, o ouro ganharia força pois todos os investidores, numa tentativa de vender seus papéis cada vez mais desvalorizados, comprariam cada vez mais ouro. Esse raciocinio procede?"

    Não muito. Se os títulos americanos estão sendo desovados pelos chineses, os juros estão subindo. Se os juros americanos estão subindo, então não haverá dificuldade nenhuma em se encontrar compradores para eles.

    De resto, e como sempre diz o Gary North, todos os Bancos Centrais do mundo -- e especialmente o chinês -- são mercantilistas. Eles alegremente compram dólares (e aplicam esses dólares em títulos do Tesouro americano) para manter suas respectivas moedas nacionais desvalorizadas em relação ao dólar (eles acham que isso é bom para as exportações). Enquanto prevalecer essa mentalidade mercantilista, não visualizo a China desovando títulos americanos. Não faz muito sentido.
  • George  30/05/2016 20:31
    Só uma coisa, Leandro, com novos QE's o mundo ficaria tão inundado de dólares que perderia o valor, como qualquer moeda. Lembrando que o FED está tentantdo há muito tempo, ainda sem sucesso elevar sua inflação a 2%, salvo engano, o que exigiria mais injeção de dólares no mercado.

    Além do mais, China e Rússia estão adquirindo quantidades galopantes de ouro para se livrarem do domínio do dólar. Não afirmo saber de nada, mas se grandes players como a China e a Rússia, esta, inclusive, maior produtora e exportadora do petróleo consumido na Europa, estão se livrando de seus títulos americanos para comprar ouro, é porque estão aguardando uma queda considerável da moeda americana.
  • Leandro  30/05/2016 20:55
    Com o único detalhe de que os QEs passaram longe de "inundar o mundo de dólares". O que eles realmente fizeram foi elevar substantivamente as reservas bancárias dos bancos americanos, que estão mantendo todo esse dinheiro depositado junto ao Fed, que está pagando juros sobre essas reservas bancárias.

    Tudo isso já foi explicado em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2213

    Não houve nenhuma enxurrada de dólares no mundo (tivesse havido, o dólar estaria extremamente desvalorizado). Houve apenas aumento das reservas bancárias dos bancos americanos.
  • Julio Heitor  31/05/2016 11:42
    Bacana Leadnro,

    concordo com tudo que você disse. Apenas ainda não consegui ligar os seus argumentos com os de Peter Schiff e Cia com relação a consequncia que poderia ser disparada ao se lançar um novo QE.

    Quais as consequencias negativas que poderiam ocorrer ao se lançar um novo QE, considerando que não faz sentido os Chineses perderem confiança nos EUA e continuarem comprando titulos do governo?

    Desculpe se estou te "alugando" :)

    Abraços.
  • Leandro  31/05/2016 12:53
    Um QE -- aos moldes de como foi feito nas outras três vezes -- teria como consequência um enfraquecimento do dólar (exatamente como ocorreu nas outras três edições) e, como consequência, uma debilitação da economia americana.

    Isso é tudo o que se pode prever.
  • Rhyan  01/06/2016 01:02
    Leandro, isso de que os EUA não têm como aumentar os juros é baseado numa avaliação de curto/médio prazo, longo ou algo muito pior?
  • Leandro  01/06/2016 01:16
    O Fed tem sim como elevar os juros: os juros que ele paga sobre as reservas em excesso dos bancos. Esses se tornaram os únicos juros cujas taxas ele controla.

    O Fed não mais controla os juros do mercado interbancário (que é o que ele sempre fez, assim como todos os outros Bancos Centrais do mundo). Ele agora controla apenas os juros que ele paga sobre as reservas em excesso dos bancos.
    O próprio Fed deixou isso bem claro em seu anúncio.

    Isso nunca aconteceu antes na história de nenhum Banco Central do mundo.

    Em tese, o Fed pode elevar o quanto quiser esses juros que ele paga sobre as reservas bancárias. Só que há uma encrenca: esses juros que o Fed paga sobre as reservas em excesso advêm de seus lucros operacionais.

    Cada centavo que o Fed paga sobre as reservas em excesso tem de ser retirado de seus lucros operacionais.

    E daí?

    E daí que, por lei, os lucros do Fed, após serem deduzidas as despesas operacionais, são repassados ao Tesouro. Consequentemente, cada centavo a mais que o Fed pagar sobre as reservas em excesso dos bancos representa um centavo a menos que ele repassa ao Tesouro.

    Isso significa que o déficit do governo americano irá aumentar nessa mesma quantidade.

    Logo, e por definição, o tanto que o Fed pode aumentar os juros está inteiramente restringido por dois fatores: seus lucros operacionais e o orçamento do Tesouro. Quanto mais ele elevar os juros, menor será seu lucro líquido remanescente. Consequentemente, menor será a quantidade de dinheiro que ele repassará ao Tesouro. Consequentemente, maior será o déficit orçamentário do Tesouro.

    Isso é algo que nenhum veículo da mídia está levando em consideração.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2213
  • brunoalex4  30/05/2016 12:15
    Os textos e comentários do Sr. Leandro são simplesmente fantásticos!
  • Brant  27/05/2016 16:42
    Eu me lembro que já na época escolar haviam alguns alunos arruaceiros que quando eram repreendidos por jogarem lixo no chão respondiam com um sorrisinho malicioso:
    "Se eu não sujar a escola, os zeladores não vão ter o que fazer e vão perder o emprego.

    Acho pouco provável que eles tivessem qualquer conhecimento das teorias econômicas de Keynes, e mesmo assim já se comportavam como veradeiros keynesianos.

    Keynesianismo antes de ser uma teoria econômica falaciosa, é um desvio moral e de caráter que seduz pessoas soberbas e com sede de poder.
  • Fernando  27/05/2016 16:47
    Não tinha como isso dar certo. Isso parece mais tentativa de implosão. Parece mais uma sabotagem em todo o sistema de preços, poupança e empreendimentos.

    Essa pilhagem na economia nunca funcionou e nunca vai funcionar.

    Tudo começou com essa coisa de dívida bruta. É como seu eu tivesse uma dívida, contando que sempre vou estar empregado, sempre vou ter renda, e minha renda nunca vai diminuir.

    Depois, eles colocam bloqueios e dificuldades nas importações, achando que nós podemos produzir tudo com qualidade, sem perda de poder de compra, sem perda de matéria prima e insumos, sem perda de máquinas, e sem perda de tecnologia.

    Se isso não era suficiente, eles resolvem taxar em 6% os empréstimos feitos em bancos de outros países, achando que se financiar com custo menor é ruim se entrar dólar no país. Ou que alguém use empréstimos estrangeiros para investir em títulos com alto rendimento e garantir segurança à quem corre riscos.

    Se essas coisas não foram capazes de resolver, eles colocam barreiras trabalhistas, achando que não tem impacto na produção, na concorrência, nos investimentos das empresas, no custo dos produtos, e no treinamento dos empregados competentes.

    Como tudo isso não resolveu, eles resolvem restringir e fazer monopólios nos mercados de energia, transporte, telecomunicações, saneamento, etc.

    Com tudo indo para o buraco, eles acham necessário produzir dinheiro para aumentar o consumo, achando que isso não eleva os preços, não traz perda do poder de compra, não destrói o câmbio, não causa aumento de preços, etc.

    Por fim, contando que o povo é facilmente enganado, eles tentam aumentar impostos, achando que retirar dinheiro de quem produz não tem problema, não tem impacto na produtividade, e não tem impacto na concorrência.

    Essa parece ser a teoria do apocalipse keynesiano brasileiro.


  • Pedro Henrique Dantas Dias  27/05/2016 16:49
    Rolou uma lágrima. Esse artigo é que deveria ter ido na sonda espacial New Horizons como uma mensagem de alerta dos humanos a qualquer ser extra-terreno.
  • Patti LuPone  27/05/2016 17:28
    "Os keynesianos estão fingindo ter tudo sob controle, mas sabemos que isso é uma fantasia. Uma oportunidade ainda maior que a de 2008 nos aguarda[...]"

    A que isto se refere exatamente? Se refere a bolha dos títulos publicos americanos? Ao período excessivamente longo de juros baixos que os EUA estão passando e que está gerando incontáveis investimentos equivocados?

    As críticas dos artigos deste site a uma moeda desvalorizada(moeda "fraca") deixam uma enorme margem para uma interpretação errônea. Tem-se a impressão de que quando uma moeda desvaloriza em relação a uma outra, ou em relação ao ouro, isto é algo ruim por si só. Só é "ruim" se a moeda for desvalorizada devido a uma ação do Banco Central de comprar a moeda estrangeira por um preço acima do preço de mercado, caso a desvalorização tenha sido feita naturalmente pelo mercado não há problema algum. Estou querendo dizer que desvalorizações ocorridas devido a uma política monetária frouxa são naturais. É diferente o Real se desvalorizar porque a Selic caiu do que o Real se desvalorizar porque o Banco Central começou a comprar dólar por R$5,00.
  • Leandro  27/05/2016 17:56
    "A que isto se refere exatamente?"

    A todos os keynesianos, sem exceção. Você, por acaso, não viu os burocratas do ex-governo brasileiro, que diziam a todo o momento que tudo estava sob controle, e que "crise" era papo de "pessimildos"?

    "As críticas dos artigos deste site a uma moeda desvalorizada(moeda "fraca") deixam uma enorme margem para uma interpretação errônea."

    Apenas para quem eventualmente tenha dificuldades de leitura e interpretação.

    "Tem-se a impressão de que quando uma moeda desvaloriza em relação a uma outra, ou em relação ao ouro, isto é algo ruim por si só."

    E é. Por definição. Se o real fica mais fração em relação ao dólar ou ao guarani paraguaio, isso significa, por definição, que o brasileiro ficou mais pobre. Sua moeda perdeu poder de compra. Não tem perhaps.

    "Só é "ruim" se a moeda for desvalorizada devido a uma ação do Banco Central de comprar a moeda estrangeira por um preço acima do preço de mercado, caso a desvalorização tenha sido feita naturalmente pelo mercado não há problema algum."

    Dica para você: quando a desvalorização é feita pelo mercado, isso significa que o mercado está vendo que o governo -- que é o monopolista da moeda -- está fazendo besteira na economia.

    O mercado não decide, do nada, "ah, vou desvalorizar uma moeda!", e puf, desvaloriza. Não é assim que funciona.

    De novo: a moeda é monopólio do governo. O governo está no completo controle da moeda. Sendo a moeda um monopólio do governo, a qualidade do governo que a gerencia influencia diretamente a qualidade desta moeda.

    Se o governo tem uma política fiscal ruim, se ele não gera nenhuma confiança na população, se ele trava os investimentos, se sua política creditícia é ruim, e se ele é visto como relutante em atacar seu déficit e estancar o crescimento da dívida, então sua moeda será fraca e, consequentemente, o poder de compra dela será declinante.

    Se o governo for o contrário disso (pense na Suíça), sua moeda será forte.

    "Estou querendo dizer que desvalorizações ocorridas devido a uma política monetária frouxa são naturais."

    Sim. São naturalmente causadas pelas políticas do governo. Mas parece que nem esse básico você entende.
  • Andre Henrique  27/05/2016 18:15
    Pena que tem cada vez menos "Patti LuPones" comentando no site... Caso contrario todo dia eu compraria pipoca, um pack de 6 biras (ou mais), iria correndo do trabalho para casa e me divertiria lendo as respostas do Leandro.
    Abç
  • Patti LuPone  27/05/2016 18:18
    Acho que não expliquei muito bem meu ponto de vista. Se daqui um ano a quantidade de dinheiro circulante na economia fosse o dobro da atual e o valor do dólar daqui a um ano fosse o dobro do atual, isso seria ruim? Com uma oferta monetária crescente uma desvalorização no câmbio não é necessariamente ruim se esta desvalorização não exceder a taxa de crescimento da oferta monetária.
  • Leandro  27/05/2016 18:48
    "Se daqui um ano a quantidade de dinheiro circulante na economia fosse o dobro da atual e o valor do dólar daqui a um ano fosse o dobro do atual, isso seria ruim?"

    Ruim, não. Péssimo.

    Em primeiro lugar, o aumento na oferta monetária não aconteceu de forma homogênea. Você dá a entender que cada indivíduo do Brasil -- de Abílio Diniz ao mendigo embaixo da ponte -- aumentou a quantidade de dinheiro em sua posse na mesma proporção.

    Isso não acontece. O dinheiro não entra na economia de forma uniforme e homogênea. O dinheiro sempre entra, primeiramente, na conta bancária de alguém. E, quando isso ocorre, esse alguém é privilegiado em detrimento de todo o resto da população.

    No atual sistema monetário e bancário, o dinheiro é criado monopolisticamente pelo Banco Central e é em seguida entregue ao sistema bancário. O sistema bancário, por sua vez, por meio da prática das reservas fracionárias, se encarrega de multiplicar este dinheiro (eletronicamente) por meio da expansão do crédito.

    Falando mais diretamente, o dinheiro criado pelo Banco Central é multiplicado pelo sistema bancário e entra na economia por meio do endividamento de pessoas e empresas.

    Essa expansão da oferta monetária feita pelo Banco Central e pelo sistema bancário de reservas fracionárias é o que realmente gera a inflação de preços e, por conseguinte, um declínio na renda das pessoas em termos reais.

    Quando os preços aumentam em decorrência de uma expansão da oferta monetária, os preços dos vários bens e serviços não aumentam com a mesma intensidade, e também não aumentam ao mesmo tempo.

    A quantia adicional de dinheiro que entra na economia não vai parar diretamente nos bolsos de todos os indivíduos: sempre haverá aqueles que estão recebendo esse dinheiro antes de todo o resto da população.

    As pessoas que primeiro receberem esse novo dinheiro estão em posição privilegiada: elas podem gastá-lo comprando bens e serviços a preços ainda inalterados. Se a quantidade de dinheiro em seu poder aumentou e os preços ainda não se alteraram, então obviamente sua renda aumentou. Essas são as pessoas que ganham com a inflação.

    À medida que esse dinheiro é gasto e vai perpassando todo o sistema econômico, os preços vão aumentando (afinal, há mais dinheiro na economia). Porém, começa aí a haver uma discrepância: vários preços já aumentaram sem que esse novo dinheiro tenha chegada às mãos de outros grupos de pessoas. Essas são as pessoas que perdem com a inflação.

    Somente após esse novo dinheiro ter perpassado toda a economia -- fazendo com que os preços em geral tenham subido -- é que ele vai chegar àqueles que estão em último na hierarquia social. Assim, quando a renda nominal desse grupo subir, os preços há muito já terão subido.

    Houve uma redistribuição de renda: aqueles que receberam primeiro esse novo dinheiro obtiveram ganhos reais. Com uma renda nominal maior, eles puderam comprar bens e serviços a preços ainda inalterados. Já aqueles que receberam esse novo dinheiro por último tiveram perdas reais. Adquiriram bens e serviços a preços maiores antes de sua renda ter aumentado. Houve uma redistribuição de renda do mais pobre para o mais rico.

    E é exatamente esse o perverso mecanismo de redistribuição de renda gerado pelo estado. Infinitamente pior para os pobres do que o mecanismo de aumento da desigualdade em decorrência do mérito — o qual, aliás, é impossível ser prejudicial para os pobres.

    "Com uma oferta monetária crescente uma desvalorização no câmbio não é necessariamente ruim se esta desvalorização não exceder a taxa de crescimento da oferta monetária."

    Espero que agora tenha ficado claro por que é sim péssimo para a economia. Alguns estarão em melhor situação, outros estarão em pior situação. E, como um todo, a moeda valerá menos, o que irá prejudicar exatamente quem tem menos moeda (os mais pobres).

    Aliás, o problema não se resume ao aumento artificial da desigualdade. As distorções nos preços relativos causada pela expansão monetária é a causa primária dos ciclos econômicos, como explicam em detalhes os vários artigos deste site dedicados a esse assunto.
  • Anderson  27/05/2016 17:56
    Mas e a chamada "era de ouro"(1947-1973) do capitalismo? Os keynesianos reclamam para si o crédito pelo alto crescimento do ocidente nesta época.
  • Leandro  27/05/2016 18:10
    Em primeiro lugar, a era de ouro foi de 1865 a 1913.

    Em segundo lugar, no período que vai de 1944 a 1965, que também foi de boa expansão econômica nos países ricos, todas as taxas de câmbio eram fixas (o dólar tinha um valor fixo em relação ao ouro, e as outras moedas tinham um valor fixo em relação ao dólar) e os déficits governamentais eram nulos.

    As moedas eram fortes (a inflação mal chegava a 2%), os gastos governamentais, contidos, e os déficits, quase inexistentes. Não é exatamente algo keynesiano.

    O keynesiano só foi veio com tudo mesmo a partir do governo de Lyndon Johnson e a guerra do Vietnã, em 1965. A partir de 1971, com a abolição do que restava do padrão-ouro, o keynesianismo foi total. Durou até 1980.

    Para sobreviver à débâcle da década de 1970, o keynesianismo foi desmembrado em novas correntes — os keynesianos clássicos, os neo-keynesianos e os pós-keynesianos —, cada uma acusando a outra de ter deturpado Keynes.

    (Os pós-keynesianos se autoproclamam os verdadeiros keynesianos. Consideram os keynesianos clássicos muito pueris e os neo-keynesianos muito ignorantes e "chicaguistas" demais. Apenas eles, os pós-keynesianos, realmente leram e entenderam Keynes — ou é o que eles próprios dizem).

    Contendas teóricas à parte, o fato é que desde então o keynesianismo jamais foi abandonado. Ele apenas se reinventou. Na prática, desde a década de 1970, varia apenas a intensidade de sua aplicação. Há apenas aplicações mais brandas, há aplicações mais agressivas, e há aplicações mais extremas (como a que foi feita no Brasil por meio da Nova Matriz Econômica).

    Normalmente, um período de políticas mais moderadas é seguido por um período de políticas mais agressivas, o que gera crises e, consequentemente, a necessidade de um retorno às políticas mais moderadas, reiniciando o ciclo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2308

    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=678

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=687
  • Anderson  27/05/2016 19:12
    Obrigado pela resposta. Mas ainda tenho uma dúvida: um déficit na balança de pagamentos não seria algo ruim para uma economia com uma moeda valorizada?
  • Auxiliar  27/05/2016 22:40
    Por que seria?

    Eu tenho um déficit em conta-corrente (ou na balança comercial) com o restaurante em que almoço. E não estou em pior situação por causa disso.

    Qual o déficit na balança comercial entre São Paulo e Bahia? Entre o Morumbi e o Itaim-Bibi? Ninguém se preocupa com esses balanços simplesmente porque não existem agentes da alfândega monitorando tais trocas e, portanto, fazendo tais balanços.

    Ainda estou à espera de um -- um mísero -- argumento contra déficits em conta-corrente (ou na balança comercial). Todo mundo fala disso, e todo mundo dá por garantido que isso é ruim. Ninguém nunca explicou por quê.

    Na atual era do papel-moeda (dinheiro fiduciário), déficits comerciais são totalmente sem significado, pois o ouro já não mais é um "item de equilíbrio." Um país que tem déficits comerciais não perde moeda nacional.

    De resto, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, além de EUA, são países que têm setores externos deficitários há 40 anos. E suas moedas são fortes. Qual foi o problema? Nenhum.

    O que interessa não é e nem nunca foi a balança comercial (e nem a balança de serviços). Mas sim a conta capital, que determina se está havendo investimentos estrangeiros. É isso que irá determinar a saúde de uma economia.
  • Leandro  27/05/2016 22:44
    Pegando carona em tudo o que disse o auxiliar, faço o seguinte complemento:

    Imagine um pequeno e pobre país isolado no meio do Pacífico, com uma economia baseada predominantemente na pesca e na agricultura de subsistência.

    Um belo dia, uma excursão de geólogos descobre vastas reservas de petróleo nesse país. Imediatamente após essa descoberta, os investimentos estrangeiros começam a afluir em massa para esse lugar.

    Como o país até então não possuía uma infraestrutura avançada, esse investimento estrangeiro terá de construir basicamente tudo: poços petrolíferos, refinarias e oleodutos. Terá também de construir estradas para escoar a produção, bem como um porto, onde embarcar o produto.

    Para fazer todas essas construções, toneladas de equipamentos e materiais de construção terão de ser levados a esse país, bem como quantidades substanciais de bens consumo para prover os trabalhadores dessas construções. Todos esses materiais, todos esses bens, constituem importações.

    Mais ainda: eles representam a contrapartida física de todo o dinheiro que está entrando na conta capital e financeira. O aumento do investimento estrangeiro possibilitou um aumento das importações.

    A pergunta é: teria como esse país evitar um déficit na balança comercial? Ou, como gostam de dizer economistas tarados por exportações, teria como esse país evitar uma balança comercial "desfavorável"? Nem se ele exportasse todos os peixes, verduras, cocos e vacas que seus habitantes possuem.

    E o principal: ele não teve de exportar absolutamente nada para pagar por essas importações — o petróleo só começará a jorrar daqui a vários anos, quando tudo isso estiver construído e operante. Logo, essa balança comercial deficitária ("desfavorável", segundo economistas) e todo o investimento estrangeiro que a gerou representaram na verdade um desenvolvimento econômico extremamente favorável para a economia local. Difícil imaginar algo mais favorável do que esse arranjo.

    Porém, um economista desenvolvimentista olharia para os números e lamentaria o déficit na balança comercial. "Puxa, se ao menos vacas, peixes e cocos estivessem sendo mandados para fora para atenuar esse déficit comercial...". O genuíno desenvolvimentista realmente acredita que os habitantes desse país estariam em melhor situação caso abrissem mão de suas vacas, peixes e cocos, mandando-os para o estrangeiro e, em troca, alimentando-se, não sei, talvez de capim. O que importa é a balança comercial. Quanto menor o déficit, melhor.

    Já um economista um pouco mais sensato reconheceria que o atual arranjo econômico desse país realmente é benéfico para sua população; ele reconheceria que investimentos estrangeiros produtivos necessariamente geram déficits na balança comercial, pois investimentos precisam da importação de bens de capital — se não precisassem da importação de bens de capital, então poderiam ser realizados por nativos. Investimentos estrangeiros e o déficit na balança comercial que eles geram representam acumulação de capital para o país em questão.

    Artigo sugerido:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1087
  • Anderson  27/05/2016 23:54
    Eu não entendo. Se está tão nítido até pra mim que não sou especialista, por que a grande maioria dos economistas aqui no Brasil insistem de que o problema do Brasil está na balança comercial, no câmbio, em proteger a indústria nacional e fechar o país para o mundo?
  • Skaf  28/05/2016 00:14
    Porque são mercantilistas e estão a soldo do grande baronato industrial, que não quer saber de concorrência de produtos estrangeiros.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2321
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1332
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1517
  • anônimo  28/05/2016 14:31
    Skaf, correto ! A inflação é causada pelo interesse de várias classes.

    Os políticos querem gastar sem parar. Os rentistas querem inflação para ganhar mais com juros. A indústria quer proteção contra importados. Os bancos querem emprestar dinheiro sem limites. O mercado financeiro compra dólares sem parar quando existe suspeita de alta. O governo coloca IOF para empréstimos realizados no exterior.


    Enfim, muita gente ganha com a inflação. Combater a inflação é ir contra interesses de grupos com forte pressão sobre o governo.
  • anônimo  27/05/2016 23:23
    Se o dólar está desvalorizado, os caminhões para transportar as exportações ficam mais baratos, os navios ficam mais baratos, o diesel fica mais barato, os insumos agrícolas ficam mais baratos, o preço do transporte do conteiner fica mais barato porque é cotado em dólar, etc.

    O preço do transporte influencia muito as exportações de matéria prima.

    A vantagem da moeda desvalorizada não é tão grande. No geral, ela traz mais prejuízos do que benefícios, porque o comércio exterior(importação e exportação juntas) tem menos de 20% de participação na economia do Brasil.


    O problema é a responsabilidade fiscal, injeção de dinheiro pelo BC, facilidade para empreender, infraestrutura, inflação, custo de produção baixo, etc.



  • anônimo  29/05/2016 13:15
    Não, o problema é o curso forçado dessa porra.
  • Primo  28/05/2016 22:07
    Porque quando a moeda era atrelada ao ouro a balança comercial era importante?
  • Leandro  29/05/2016 15:15
    Não era.

    A balança só era importante quando a moeda era o ouro -- isto é, quando o meio de troca em si era o ouro -- ou quando era ancorada ao ouro. Nesse caso, quando havia déficits comerciais, o país literalmente perdia ouro.

    Quando a moeda deixou de ser o ouro, e quando ela deixou de ser lastreada em ouro, tornando-se um mero papel pintado (ou, mais realisticamente, dígitos eletrônicos), a balança comercial perdeu qualquer significado.

    No entanto, e valendo especificamente para os EUA, até 1971, o país era o único do mundo que tinha sua moeda ancorada ao ouro. Uma onça de ouro valia 35 dólares. Sendo assim, quando havia déficits na balança comercial americana, os exportadores estrangeiros (que exportavam para os americanos) tinham o direito de exigir que seus dólares fossem restituídos em ouro. Consequentemente, os EUA perdiam ouro para o estrangeiro.

    A intensificação deste processo levou à suspensão do que restava do padrão-ouro, pelo governo americano, em 1971.

    Tudo foi resumidamente descrito aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2308
  • Patti LuPone  29/05/2016 20:06
    "Quando a moeda deixou de ser o ouro, e quando ela deixou de ser lastreada em ouro, tornando-se um mero papel pintado (ou, mais realisticamente, dígitos eletrônicos), a balança comercial perdeu qualquer significado."

    Ué, tem algo esquisito neste raciocínio. Abaixo destaco alguns pontos:

    1) Levando em consideração que o que determina o câmbio é a PPP, se um país proibir a importação e eliminar qualquer barreira para a exportação, segundo esta teoria este país deve ter uma moeda extremamente valorizada. Ao proibir a importação é como se o preço de todos os bens ofertados no mercado externo fosse infinito, isso diminuiria a demanda pela moeda estrangeira (já que não há como importar) e a demanda pela moeda nacional continuaria sendo significativa (visto que ainda há exportações). A única forma dos preços do mercado interno se ajustarem aos preços do mercado externo seria a valorização da moeda nacional tendendo ao infinito, para que os preços do mercado interno (precificados na moeda estrangeira) também tendam ao infinito.

    2) Como as importações são de fato pagas (já que não se "exporta" ouro como se "exportava" no padrão-ouro)? Caso o deficit no balanço de pagamentos não seja "neutralizado" pelos investimentos estrangeiros na conta capital, haverá uma desvalorização na moeda nacional para se atingir o "equilíbrio"? É óbvio algum ajuste deve ocorrer, achar um bem virá da Alemanha para o Brasil sem que o Brasil exporte um bem de valor equivalente para lá ou para outro lugar, ou sem que algum estrangeiro invista no Brasil um valor equivalente, é ilusão.

  • Leandro  29/05/2016 21:44
    "se um país proibir a importação e eliminar qualquer barreira para a exportação, segundo esta teoria este país deve ter uma moeda extremamente valorizada."

    Vejamos a sua explicação para tão escabrosa lógica.

    "Ao proibir a importação é como se o preço de todos os bens ofertados no mercado externo fosse infinito"

    E isso, por si só e por definição, significa que o poder de compra da moeda nacional no mercado global caiu a zero. Por essa lógica, o país está em hiperinflação, pois sua moeda não vale mais nada no mercado global.

    Com apenas uma frase, você se contradisse e acabou auto-refutando seu despautério anterior.

    Com isso, todo o restante do seu devaneio perde todo o sentido.

    Quanto ao item 2, a resposta é: pelo ajuste do câmbio (em um sistema de câmbio flexível) ou pelas reservas internacionais (em um arranjo de Currency Board, no qual, por definição, as reservas internacionais são iguais ou maiores que a base monetária). Qualquer outro arranjo que não esses dois não é um arranjo de livre mercado, o que significa, por definição, que o país está sujeito a crises cambiais.
  • Patti LuPone  30/05/2016 04:41
    "E isso, por si só e por definição, significa que o poder de compra da moeda nacional no mercado global caiu a zero. Por essa lógica, o país está em hiperinflação, pois sua moeda não vale mais nada no mercado global."

    Ué, continua tendo algo muito estranho neste raciocínio.

    Então se um país proibir as exportações e deixar as importações livres a moeda nacional deve se valorizar abruptamente. Se (segundo você) proibir importações faz o valor da moeda no mercado global cair a zero, então fazer o oposto (proibir exportações) fará o valor da moeda nacional ir para o infinito.

    Ou vai dizer que proibir as exportações e deixar as importações livres tem o mesmo efeito de deixar as exportações livres e proibir as importações? Obviamente nem as exportações nem as importações devem ser proibidas, é só um exercício mental pra ver até onde essa magnifica teoria da PPP se sustenta. O mais engraçado desta teoria é que ela considera que tudo pode ser exportado/importado e sequer é considerado que o preço de várias matérias primas e insumos básicos são precificados em dólar.
  • Leandro  30/05/2016 12:24
    "Se (segundo você) proibir importações faz o valor da moeda no mercado global cair a zero,"

    Ora, foi você quem disse isso!

    Você, no exemplo que você próprio criou, disse que "ao proibir a importação é como se o preço de todos os bens ofertados no mercado externo fosse infinito". Ora, se o preço dos bens ofertados é infinito, então, por definição, a moeda tem poder de compra nulo.

    Cenário que você próprio criou.

    Você cria o cenário e acha ruim quando alguém aponta as consequências dele.

    "então fazer o oposto (proibir exportações) fará o valor da moeda nacional ir para o infinito."

    Dado que o cenário anterior foi você quem criou, dizer que "fazer o oposto" gerará o efeito oposto também irá depender do totalmente do cenário que sua fantástica mente irá criar. Qual será o cenário de agora? Que os preços todos tendem a zero? Se o cenário for este, então sim, a moeda se valoriza. (Resta agora apenas você citar um exemplo factível de como isso poderia ocorrer).

    Estou apenas respondendo a cada cenário que você próprio inventa. Não esperneie com as análises. Esperneie contra sua mente criadora.

    "Ou vai dizer que proibir as exportações e deixar as importações livres tem o mesmo efeito de deixar as exportações livres e proibir as importações?"

    Eu não irei "dizer nada". Deixo essa tarefa para você. Como dito, estou apenas analisando os cenários que você próprio está criando.

    Agora, se você quer realmente uma resposta, ei-la: ambos os cenários trariam consequências desastrosas, pois se está proibindo a mais básica transação econômica que há, que é a liberdade de comprar e vender. Se você tolhe importações ou exportações, você está proibindo uma volumosa quantidade de transações econômicas que seriam voluntariamente empreendidas. Isso não tem como gerar conseqüências positivas. E nem muito menos tem como isso ser positivo para a moeda.

    "Obviamente nem as exportações nem as importações devem ser proibidas, é só um exercício mental pra ver até onde essa magnifica teoria da PPP se sustenta."

    O que foi realmente "magnífica" foi a sua teoria de que, se os preços tendem ao infinito, então a moeda é forte. Essa foi a mais sensacional que já vi.

    "O mais engraçado desta teoria é que ela considera que tudo pode ser exportado/importado e sequer é considerado que o preço de várias matérias primas e insumos básicos são precificados em dólar."

    Viu como você nem sequer entende o básico? A teoria da PPP leva em conta o poder de compra de cada moeda. Essa é a definição básica de câmbio. Falando em termos bem grosseiros, pega-se o "nível de preços" vigente no interior de um país e divide-se pelo "nível de preços" vigente em outro país e então tem-se o câmbio. Dado que o nível de preços é reflexo direto do poder de compra da moeda, dividindo-se um pelo outro tem-se o câmbio.

    Ou seja, a taxa de câmbio de longo prazo é a razão entre os preços internos de cada país.

    E, se você acha que não é assim, então, na prática, você está dizendo que uma moeda forte, que apresenta preços estáveis, pode se desvalorizar acentuadamente em relação a uma moeda fraca, cujos preços só fazem aumentar. Na prática, você está dizendo que o franco suíço pode se desvalorizar continuamente em relação ao bolívar venezuelano.

    Quanto ao fato de as commodities serem precificadas em dólar, isso nos permite ver um exemplo prático da teoria da PPP em ação.

    Sim, todas as commodities (de minério de ferro a petróleo) são precificadas em dólar. Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. Sempre.

    Isso é questão básica de economia: se uma moeda está fraca, você precisa de mais dessa moeda para comprar o mesmo tanto de um bem. Se o dólar está fraco, você precisa de mais dólares para comprar o mesmo tanto de antes. Se o dólar se fortalece, você precisa de menos dólares para comprar o mesmo tanto de antes.

    O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 deu-se majoritariamente por causa do enfraquecimento do dólar. E o atual arrefecimento das commodities também está ligado ao fortalecimento do dólar.

    Ou seja, a tal "explosão" das commodities nada mais foi do que o encarecimento delas em dólares. Como o dólar se enfraqueceu, e como as commodities são precificadas em dólar, o enfraquecimento do dólar gerou uma explosão nos preços das commodities.

    Sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. O preço das commodities é ditado pela robustez do dólar.

    Quando o dólar estava se enfraquecendo continuamente (período 2004-2011), o preço do minério estava subindo continuamente. Esta subida contínua do preço do minério induziu as mineradoras a fazerem vários investimentos voltados para expandir sua capacidade de produção, pois elas acreditaram -- enganadas pela fraqueza do dólar -- que havia uma demanda contínua e infinita por minério.

    Porém, tão logo o dólar voltou a se fortalecer, o preço do minério desabou, e todo aquele investimento na capacidade de produção acabou se revelando errôneo. Tais investimentos levaram a um aumento da oferta em um momento em que os preços do minério já estavam desabando.

    Consequência: as mineradoras estão tendo de cortar custos, demitir e rever vários de seus projetos expansivos.

    Volte quando tiver dominado o básico.

    Abraços.
  • Primo  29/05/2016 21:17
    A questão de 'perder ouro' era problemática pois afetava significativamente o multiplicador das reservas fracionadas?
  • Leandro  29/05/2016 22:00
    No padrão-ouro clássico sim. No padrão ouro-câmbio, em que o Fed já estava plenamente estabelecido e operante, a questão já era outra: quanto mais o Fed inflacionava, mais dólares iam parar nas mãos de estrangeiros, e mais eles demandavam restituição em ouro, e mais ouro o governo americano perdia.

    Ou seja, a perda de ouro representava uma punição às políticas inflacionistas.

    Abolindo-se esse resquício do padrão-ouro, o governo americano se viu livre para inflacionar impunemente.
  • Diego  30/05/2016 13:56
    Leandro, uma dúvida básica:

    O poder de compra de uma moeda no longo prazo é terminado pela razão do nível geral de preços de dois países. Perfeito.

    Isso significa que os impostos sobre os bens tem impacto no poder de compra da moeda também?

    Digamos que existam 2 países onde nenhum deles imprime moeda. Eles mantêm sua base monetária absolutamente estável.
    Mas um dos países têm preços em média 2 vezes maiores devido à alta carga tributária.

    O câmbio de um será 2x o câmbio do outro neste cenário hipotético?

    Obrigado! E grande abraço!
  • Leandro  30/05/2016 15:08
    O valor nominal do câmbio será de dois para um. Mas isso não quer dizer absolutamente nada. O que interessa é como esse câmbio irá se comportar no longo prazo. Valor nominal, por si só, não diz nada.

    Por exemplo, a taxa de câmbio entre o real e o iene japonês é de 31 ienes por real. Ou seja, um real compra 31 ienes. Isso por acaso significa que o real é mais forte que o iene? Claro que não.

    Em primeiro lugar, em agosto de 2008, um real comprava quase 70 ienes. Hoje compra 31. Isso mostra que o iene tem um comportamento muito mais sólido que o real, não obstante em termos de câmbio nominal o real aparente ser muito mais forte que um iene.

    Então por que um real compra muitos ienes? Simples. O valor nominal das cédulas do iene japonês é extremamente alto por causa de uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.

    Ao passo que o real foi criado em 1994, o iene existe de 1871.

    Em 1972, imediatamente após a dissolução de Bretton Woods e a adoção dos câmbios flutuantes, um dólar comprava 305 ienes. Então o iene começou a se valorizar continuamente até que, em outubro de 2011, um dólar comprava apenas 75 ienes. Isso dá uma apreciação total de 306%.

    O iene é mais sólido que o dólar? Sem dúvida. A inflação de preços no Japão é baixíssima, e muito menor que a dos EUA.

    Uma das definições de moeda forte é que sua unidade monetária valha cada vez mais em termos das principais moedas do mundo (a outra definição é que, obviamente, seu poder de compra em território nacional seja relativamente constante).

    Artigo sobre câmbio:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2402
  • Assaltado pelo PT  30/05/2016 14:46
    Leandro,

    Você não acha que essa guerra cambial, é uma guerra de criação de dinheiro ?

    O BC criou 2 trilhões de reais nos últimos anos, que é uma quantidade parecida com a criada pelo FED.

    Como esses caras são protecionistas, eles sempre vão querer gerar uma desvalorização artificial da moeda.

    Seria impossível o BC criar só uns 10 bilhões, com o FED criando trilhões de dólares.
  • Primo  04/06/2016 15:39
    Auxiliar 27/05/2016 22:40:31 Qual o déficit na balança comercial entre São Paulo e Bahia?

    Nesse caso, simplificando o raciocínio entre os dois agentes, se temos déficit na balança comercial entre São Paulo e Bahia, com a balança comercial sendo positiva para São Paulo, a Bahia deverá receber investimentos de São Paulo para equilibrar a conta capital.

    Se São Paulo não investir na Bahia, Bahia tende a pedir dinheiro emprestado.

    De alguma forma, para que esse arranjo comercial continue, esse dinheiro que sai da Bahia para comprar bens em São Paulo deve retornar a Bahia, caso contrário Bahia não terá dinheiro para comprar de São Paulo, pois Bahia não consegue criar moeda.

    Esse seria o comercial nacional, feito na mesma moeda. O comercio entre paises entra outro fator, a possibilidade de criar moeda.

    Auxiliar 27/05/2016 22:40:31 "Na atual era do papel-moeda (dinheiro fiduciário), déficits comerciais são totalmente sem significado, pois o ouro já não mais é um "item de equilíbrio." Um país que tem déficits comerciais não perde moeda nacional. "

    Leandro 29/05/2016 22:00:09 "Abolindo-se esse resquício do padrão-ouro, o governo americano se viu livre para inflacionar impunemente.
    "

    Para não nos preocuparmos com uma balança comercial deficitária devemos nos preocupar com investimento estrangeiro, empréstimos ou inflacionar a moeda?

    Se temos um ambiente adverso a investimento, se empréstimos só são obtidos com altos juros e qualquer processo inflacionário da moeda tem um alto desgaste do seu valor a única alternativa que nos resta não seria nos preocupar em manter a balança comercial superavitária?

    Em um padrão-ouro caso você tenha a balança comercial deficitária mas tenha a conta capital equilibrada, qual seira o problema?

    Penso que nenhum. Realmente não consigo entender essa quebra de paradigma da balança comercial com relação ao padrão ouro e moeda-fiduciária.
  • Andre Henrique  27/05/2016 18:17
    Concordo com 99% do artigo, somente discordo que Keynes tem que morrer para a economia sobreviver... seria a mesma coisa que matar um traficante de uma boca de fumo com o intuito de acabar com o comércio de drogas, ou seja, o problema está no consumidor (sociedade) que acredita nesse monte de falácia.
  • Douglas  28/05/2016 15:36
    Isso que você disse tem uma base ótima na frase do grande Thomas Sowell:"O fato de que muitos políticos de sucesso são mentirosos, não é exclusivamente reflexo da classe política,é também um reflexo do eleitorado. Quando as pessoas querem o impossível somente os mentirosos podem satisfaze-las".

    Abraços!
  • Ali Baba  28/05/2016 17:57
    @Andre Henrique 27/05/2016 18:17:58

    somente discordo que Keynes tem que morrer para a economia sobreviver... seria a mesma coisa que matar um traficante de uma boca de fumo com o intuito de acabar com o comércio de drogas, ou seja, o problema está no consumidor (sociedade) que acredita nesse monte de falácia.

    Exato. E já temos o sucessor prontinho para assumir o lugar de Lord Keynes: Thomas Piketty.
  • Berry  27/05/2016 18:23
    Quando as pessoas não entendem determinado fenômeno, o primeiro idiota que aparecer com alguma teoria razoavelmente aplicável naquele momento agudo acaba ganhando crédito.
    Foi assim no período pós-revolução industrial, com Marx dividindo o mundo em "burguesia" e "proletariado" (sem enxergar que graças à própria revolução indistrual no futuro, eventualmente um poderia se tornar outro e vice-versa, ao contrário da idade média, período no qual a aristocracia/nobreza era hereditária, permanente e estática) e foi assim com Keynes após a crise de 1929 (que foi entendida, erronemanete, como uma "falha do capitalismo", e não uma consequência de anos de erros e intervenções do banco central americano).
    Tanto Marx quanto Keynes causaram (e continuam causando) estragos à humanidade, mas suas ideias permanecem mais vivas do que nunca, visto que são um prato cheio para políticos da pior espécie (que constituem maioria absoluta).
  • Taxidermista  27/05/2016 20:27

    Para quem tem interesse em entender pq o keynesianismo é equivocado:

    Cap. 7 do tratado do Jesus Huerta de Soto:

    mises.org/library/money-bank-credit-and-economic-cycles


    Cap. 18 do tratado do George Reisman:

    mises.org/library/capitalism-treatise-economics


    Esse livro do Ramón Rallo:

    www.amazon.com/Los-errores-vieja-econom%C3%ADa-refutaci%C3%B3n/dp/8472095614?tag=viglink123805-20


    E esses dois livros do William Hutt:

    mises.org/library/theory-idle-resources-0

    mises.org/library/rehabilitation-says-law
  • Joaquim Saad  27/05/2016 22:27
    O quão "keynéscios" foram os governos de Ronald Reagan (1981-1989) e Margareth Thatcher (1979-1990) relativamente a seus predecessores e sucessores ?
  • Renato  28/05/2016 01:29
    Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email NOVO é galenoeu@gmail.com
  • Lopes  28/05/2016 04:03
    É uma iniciativa.

    Mas através dos meios sugeridos você não conseguiria a atenção de no máximo uma centena de pessoas?

    Enquanto isso postagens quaisquer do Mises não diretamente pertinentes a um debate do dia, por exemplo, já têm menos de 1200 curtidas no Facebook até o fim do dia e substancialmente mais leitores.

    Canais do Youtube como o Ideias Radicais têm mais de 130 mil inscritos.

    Não creio que é necessário inventar a roda. Acredito que usar as redes sociais (em especial tentar conseguir uma conversa com alguém já consolidado como formador de opinião) seja mais eficiente do que criar um modelo pago, especialmente em tempos de vacas magras para boa parte das empresas (vide as taxas de falências). Teoria econômica fundamentada não é o que falta. O que precisamos é de gente que saiba explicá-la de forma acessível, divertida e para o maior número de pessoas. Não precisa dar aulas. Faça a análise de alguma mídia pertinente sob uma perspectiva austríaca. É fácil encontrar falácias econômicas em séries, filmes, livros e afins. Há também um público enorme disposto a queimar horas para debater sobre eles.

    São somente algumas anotações bem básicas. Não vou partir confiante achando que você ainda não pensou nisso.
  • Renato  31/05/2016 03:35
    Sim, mas o Mises, os ideais radicais, e outros, só chegaram a esse número de acesos devido a divulgação.

    Eu mesmo desde que conheci o mises.org.br, há uns 3 anos mais ou menos, o que mais fiz foi divulgar o site. Pretendo fazer a mesma coisa com o meu empreendimento.

    A maior parte da população infelizmente ainda se "informa" pela mídia picareta e por pessoas de esquerda ditas "engajadas"; sem falar que ainda o pensamento esquerdista domina o sistema educacional, o jornalismo e até mesmo o empresariado brasileiro.

    O próprio Rafael Lima do ideias radicais em um vídeo, disse, quase que se culpando, não ter tido a ideia de divulgar com folhetos - coisa que eu já venho dizendo aqui a mais de 7 meses - informações para as pessoas nas ruas:

    www.youtube.com/watch?v=Ptto0k9yQFE

    Se você acha que somente sites como o mises ou canais no youtube como o ideias radicais são o suficiente, paciência.
  • Rhyan  28/05/2016 17:28
    Dizem que os austríacos exageram na caricatura do Keynes, que ele era muito menos inflacionista e estadista que os seus seguidores e políticos, pois defendia uma política anti-cíclica. Hayek comenta que os seguidores de Keynes foram muito pior que ele.
  • Ezequiel Alves  28/05/2016 23:37
    Trabalho voluntario sozinho on com uma equipe a nivel de recursos humanos, somente pessoas semi envolver nenhuma troca em dinheiro, so trabalho humano conta como aumento de produtividade de um povo de uma cidade de 25 mil habitantes?
  • Pilates  29/05/2016 00:49
    Nos últimos anos no Brasil tivemos o uso intensivo de ações baseadas em Keynes. Os resultados são excepcionais: 11,5 milhões de desempregados, perda de grau de investimento de três agências de risco, segundo ano de recessão profunda, empresas nos mais diversos setores fechando as portas, etc. etc.
  • anônimo  29/05/2016 01:38
    Quando alguém escrever isso que está abaixo, de imediato, acuse-o de keynesiano, inflacionista, comunista, socialista, leninista, stalinista, participante do foro de São Paulo, amante do Che Guevara, apoiador do fuzilador Fidel Castro, escravagista, louco, depravado, etc.

    Artigo retirado da legislação do IOF:

    ingresso de recursos no País, inclusive por meio de operações simultâneas, referente a empréstimo externo, sujeito a registro no Banco Central do Brasil, contratado de forma direta ou mediante emissão de títulos no mercado internacional com prazo médio mínimo de até cento e oitenta dias:

    [link=www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Decreto/D8325.htm[/link]


    Ainda existem loucos que acreditam que entrar dólar no país é ruim.
  • Assaltado pelo PT  29/05/2016 16:16
    A melhor solução seria mudar de "República Federativa do Brasil" para "Condomínio Empresarial e Residencial Brasil".

    Nós precisamos parar com essa sociopatia e começar a entender que o país é um condomínio.

    Em um condomío tradicional, o dinheiro não é usado para fazer reformas em apartamentos privados. Também não existem bolsas para moradores que ganham menos.


  • Ricardo Bordin  29/05/2016 17:59
    A intervenção estatal na economia gera prejuízos dos mais diversos, afetando até mesmo o numero de acidentes do trabalho:
    https://bordinburke.wordpress.com/2016/05/28/o-gigante-que-mata-mutila-e-humilha/
  • David  29/05/2016 21:11
    Pela lei brasileira, eu posso negociar as mercadorias em Dólar, outra moeda estrangeira ou Bitcoin que não seja real ? Digo isto porque esta seria uma boa forma de acabar com o poder keynesiano.
  • Miranda  29/05/2016 21:48
    Não, é proibido. E, obviamente, se você firmar um contrato em moda estrangeira, os tribunais não irão impingi-lo -- o que significa, que se você levar um calote, nada poderá fazer legalmente.
  • David  29/05/2016 22:12
    Então o Bitcoin é ilegal ?
  • David  03/06/2016 13:41
    Eu posso ir para cadeia se negociar em dólar ou a pena seria apenas não ser ressarcido se levar um calote ?
  • Alfa BR  30/05/2016 19:13
    Dando uma pesquisada na internet me deparo com isso, quase passei mal... de tanto rir.

    informadordeopiniao.blogspot.com.br/2014/11/os-chistes-sobre-indices-de-liberdade.html
  • Daniel Souza  02/11/2016 00:32
    Qual seria o problema do artigo informadordeopiniao sobre o índice de liberdadae econômica?
  • Matheus Penha  31/05/2016 11:47
    Pessoal, dúvida de alguém que cada dia mais se converte ao libertarianismo, mas que ainda tem várias dúvidas.

    A poupança não é apenas feita por pessoa física, mas jurídica também, que, acredito, inclusive é a maioria. Se o consumo diminuir e as pessoas passarem a poupar mais, não ocorreria um retrocesso econômico, já que impediria um ciclo de se concluir e os investimentos em poupança estariam em mãos de quem não tem tanta habilidade para investimentos quanto a indústria?

    Aguardo resposta e parabéns pelo site tão esclarecedor.
  • Pobre Paulista  31/05/2016 12:45
    Quando você poupa, você não deixa seu dinheiro embaixo do colchão, e sim em algum banco, em alguma aplicação. Este dinheiro não é mais seu, é do banco, e este o utiliza para realizar empréstimos - sobre os quais ele cobra juros e ainda te dá uma merreca - e estes empréstimos são tomados pelas empresas para realizar novos investimentos, que irão maturar em um tempo futuro, gerando mais bens para serem consumidos.

    Ainda que vc guarde seu dinheiro no colchão (fenômeno do "entesouramento"), vc está retirando papel-moeda da economia, forçando uma redução generalizada de preços (de bens de consumo e de capital), tornando assim mais atrativo tanto o consumo quanto o investimento.

  • Leandro  31/05/2016 12:49
    Quanto mais poupança, maior a quantidade de fundos a serem emprestados. Quanto maior a quantidade de fundos a serem emprestados, menores os juros. Quanto menores os juros (e os juros serão baixos por uma consequência de mercado, e não por manipulação de um Banco Central), mais economicamente viáveis serão os investimentos de longo prazo, que são os que realmente enriquecem uma economia e geram maiores salários.

    Simultaneamente, quanto maior a poupança, maior a capacidade de consumo futura da população. Mais demanda haverá para os investimentos de longo prazo iniciados hoje.

    Sim, tão logo a população deixe de ser consumidora e passe a ser poupadora -- isto é, deixe de ser imediatista e passe a ter uma visão mais voltada para o longo prazo --, haverá um reajuste de toda a estrutura do capital da economia. Investimentos de curtíssimo prazo, voltados para bens de consumo imediato, poderão sofrer o baque, pois, exatamente por estarem voltados para o consumismo presente, não mais terão grande demanda por parte dos consumidores. Tais investimentos terão de se adaptar ao novo padrão de consumo e poupança da população.

    Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=552
  • Taxidermista  31/05/2016 22:18
    Caro Matheus Penha:

    além do que foi dito pelo Leandro Roque (e do artigo por ele citado), vale dar uma conferida nesses três artigos:

    Esse do Rothbard:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1526


    Esse do Hoppe:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=370


    E esse do Reisman:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=647


    Abço.


  • PedroF  31/05/2016 20:14
    Vocês falam mal de Keynes porque não conhecem o Beluzzo...
  • Leonardo Santos  06/06/2016 02:13
    Leandro, boa noite
    Estive lendo alguns artigos de Rothbard sobre o sistema financeiro de reservas fracionárias e a proteção dos governos aos bancos privados através dos bancos centrais.
    Uma dúvida me apareceu: não seria prejudicial à população uma dissolução total e rápida dos bancos centrais? Pois, uma vez que o compulsório é apenas de 28% e a dissolução do BC faria a população correr aos bancos, os mesmos não teriam liquidez para atender à população. Os que conseguiriam este atendimento seriam aqueles que já saberiam de antemão o que iria acontecer (os grandes donos das corporações). Não quero ser pessimista, mas uma vez para implantar uma estrutura de capital suficiente para poder resistir à queda de um banco central seria necessário também a impressão de muitas moedas, ou seja, inflação catastrófica. Pelo menos foi o que eu entendi. Tal arranjo geraria fome, pobreza e, no pior cenário, guerra. Já começamos bem em retirar o PT do poder, isso já é um grande avanço, mas a dissolução do BC não seria melhor através de medidas graduais que tirassem o poder do mesmo? Ensinando a população a poupar e a não correr grandes riscos em busca de regalias e luxo? As instituições, uma vez parcialmente limpas do jogo de poder sujo dos comunistas, não são necessárias para que tal arranjo (dissolução do BC e fim das reservas fracionárias) seja possível?
    Espero que alguém possa me ajudar nestas dúvidas.
  • Thomas  06/06/2016 12:36
    O Jesús Huerta de Soto apresentou um plano detalhado para uma transição estável:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1553
  • Emerson Luis  02/07/2016 14:02

    Quem se considera conservador, mas (sabendo ou não) defende ideias keynesianas, precisa urgentemente rever os seus conceitos.

    * * *
  • Andrius  07/09/2016 03:06
    Desculpa mas...
    https://jlcoreiro.wordpress.com/2016/09/05/keynes-versus-hayek-a-batalha-de-itarare-no-pensamento-economico-do-seculo-xx-revista-economistas-n-21-setembro-de-2016/
    "No longo-prazo Keynes ainda está vivo."
  • Marius  07/09/2016 13:00
    "O problema é que esse debate nunca aconteceu. A tão esperada crítica de Hayek a Teoria Geral de Keynes nunca foi escrita. [...]Dessa forma, o duelo entre Keynes e Hayek se converteu na batalha de Itararé do pensamento econômico do século XX.

    Quais as razões que teriam levado Hayek a recuar do que poderia ter sido o confronto decisivo com Keynes?"


    Isso comprova que, além de não saber absolutamente nada de economia, keynesiano também não sabe absolutamente nada de história.

    Por que Hayek não escreveu o livro refutando Keynes? Ora, porque o próprio Keynes reconheceu que estava errado.

    Quando Hayek contou para Keynes (ambos eram amigos) que estava escrevendo um livro voltado exclusivamente para desmontar toda a teoria keynesiana, Keynes lhe respondeu: "Esqueça aquilo tudo. Nem eu mais acredito naquilo".

    Sendo assim, quem perderia tempo escrevendo um tomo para rebater um autor que publicamente se reconheceu errado?

    No entanto, material produzido por Hayek devastando Keynes é o que não falta. No capítulo 4 dessa compilação - mises.org/library/prices-and-production - tem um ensaio em que Hayek desmonta Keynes de uma forma absolutamente demolidora.

    E o que fez Keynes? Escreveu uma "review" do "Prices and Production" recheada de ataques ad hominem rasteiros. Bem ao seu estilo. Ou seja, nem fez menção ao referido ensaio do Hayek.

    Leituras adicionais:

    www.amazon.com/Economics-Coordination-Problem-Contributions-Friedrich/dp/0836206630/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1472562658&sr=1-1&keywords=economics+coordination+o%27driscoll

    www.amazon.com/Hayek-Keynes-Debate-Lessons-Business-Research/dp/0773479708


    Por fim, quer um livro que rebate cada linha da Teoria Geral de Keynes?

    Ei-lo:

    The Failure of the 'New Economics'
  • Andrius  07/09/2016 17:10
    Sim, esse texto foi retirado dessa revista ->www.cofecon.org.br/index.php?option=com_docman&view=docman&Itemid=975
    Edição de 21 de setembro, o texto tá na pág 32 do pdf {63 da revista}, depois desse texto tem o comentário do Prof. Ubiratan Jorge Iorio sobre o mesmo livro, o que diz faz muito mais sentido :)
  • Taxidermista  07/09/2016 20:41


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