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A questão do aborto
Não há nada de libertário em querer liberdade individual sem responsabilidade própria

A questão do aborto sempre dividiu amargamente populações de vários países.  É um triste espetáculo, principalmente quando consideramos que o fato de uma política social ficar a cargo do estado, principalmente em nível federal, já é uma violação das liberdades individuais de qualquer cidadão.  É igualmente triste perceber que um grande número de indivíduos acredita que sua liberdade depende exclusivamente de leis estatais, seja do Supremo Tribunal ou de qualquer outra instância pública.

Não há qualquer argumento que justifique haver um "direito ao aborto" patrocinado pelo governo.  A federalização da lei do aborto, permitindo-o ou proibindo-o, baseia-se unicamente nas idéias sociais e políticas criadas pelos tribunais estatais.

Portanto, o governo federal não tem qualquer autoridade para regular a questão do aborto.  Por que ao menos não deixar a cargo das legislaturas estaduais ou municipais decidirem sobre política social?  Certamente as pessoas em ambos os lados do debate sobre o aborto sabem que é muito mais fácil influenciar o governo em níveis estaduais e municipais.  

A federalização das questões sociais, originalmente propugnadas pela esquerda, mas hoje amplamente adotadas pela direita, simplesmente impede que os estados aprovem leis que reflitam mais de perto as visões de seus cidadãos.  Ao aceitarmos a federalização da lei do aborto — bem como de qualquer outra lei — perdemos a capacidade de aplicar os padrões da comunidade local às questões éticas.

Aqueles que defendem uma cultura pró-vida têm de aceitar que nunca conseguiremos convencer toda uma nação a concordar conosco.  Uma cultura pró-vida pode ser construída apenas de baixo para cima, começando em nível local e dali aumentando seu escopo de influência, de pessoa para pessoa.  Há muito temos encarado a batalha como sendo algo puramente político, mas nenhuma vitória política pode mudar uma sociedade já degradada.  Nenhuma decisão do Supremo Tribunal, contra ou a favor, pode instituir o respeito pela vida.  E nenhum juiz de um Supremo Tribunal pode salvar nossas liberdades se nós mesmos não estivermos dispostos a lutar por elas.

Uma postura libertária contra o aborto

Minha posição pró-vida foi fortalecida pela minha própria experiência como obstetra.  Creio sem qualquer sombra de dúvida que um feto é uma vida humana merecedora de proteção legal, e que o direito à vida é a base de qualquer sociedade moral.  A questão do aborto forjou minha crença de que a lei e a moralidade devem se cruzar para proteger os mais vulneráveis entre nós.  E se há alguma função para o estado, esta deveria ser a proteção dos direitos naturais dos indivíduos.

Mas será que ter essa postura anti-aborto é inerentemente inconsistente com a filosofia libertária?  Muitos libertários parecem acreditar que sim.  O aborto, de acordo com eles, é uma moralidade legislativamente forçada e defendida por conservadores pró-estado que querem impor sua fé e sua moral sobre o resto de uma sociedade avessa a isso.  E mais: eles dizem que essa postura é estatista e totalitária, pois invalida o direito da mãe em terminar sua gravidez.  Sendo assim, o estado estaria sobrepujando os direitos dos pais e decidindo pela mãe — contra sua vontade — que ela deve sim trazer uma criança ao mundo.

Mas seria isso mesmo? Sustento que não, em absoluto. Em vez de ser uma emancipadora manifestação da liberdade de escolha pessoal contra a intrusão governamental, o "direito" ao aborto é em si uma medida estatista totalmente consistente com a ideologia esquerdista que pretende ditar como a sociedade e o governo devem funcionar.  Essa postura em nada ajuda a promover a causa da liberdade. Ao contrário, ela faz com que os princípios da liberdade e da responsabilidade pessoal fiquem anos-luz atrasados.  A postura pró-vida é muito mais consistente com o ideal libertário do que a postura alternativa acima delineada.

Dado que muito material já foi escrito debatendo quando a vida de fato começa, seria tolice gastar tempo sobre o assunto neste espaço. Direi apenas que aqueles que argumentam que um feto em desenvolvimento não é de maneira alguma um ser humano têm muita evidência científica contra eles. Já está bem documentado que há um coração batendo após 18 dias de fertilização e que a formação de ondas cerebrais já ocorre após um mês e meio (tenha em mente também que a maioria dos abortos ocorre bem depois desses desenvolvimentos). 

Longe de ser apenas uma "bolha de carne" ou um acessório sem vida dentro de uma mulher, os defensores do aborto cada vez mais estão sendo confrontados com a inerente humanidade do feto em desenvolvimento. Tentar determinar um tempo preciso para o início da vida ignora várias evidências científicas que mostram justamente que todos os ingredientes necessários para isso já são apresentados logo no início da gravidez. 

A idéia comumente aceita para se decretar o status de vida é aquela que compara o feto a um humano completamente desenvolvido (ou, utilizando o argumento mais extremo dos pró-aborto, que a vida começa realmente apenas quando o bebê já saiu completamente do corpo da mãe durante o parto).  Isso é uma irresponsabilidade. Longe de ser apenas uma bolha de carne, ou uma simples forma de vida análoga a uma bactéria ou a uma fruta em crescimento, uma abordagem moral e filosófica mais responsável seria ver aquilo que está dentro do útero como sendo aquilo que realmente é: um ser humano em desenvolvimento.

Considerando-se tudo isso, a sanção estatal do aborto nada mais é do que uma troca de direitos. Lembre-se que, como foi dito, o aborto é defendido por alguns como um caminho para a liberação da mulher. O argumento é que nem o estado nem qualquer outro ser humano (especialmente os homens) têm o direito de dizer a uma mulher o que fazer com seu próprio corpo.  Parece correto, certo?  Nem tanto.

Tal postura convenientemente ignora o fato de que dentro da mãe jaz uma entidade que é completamente distinta dela. (O argumento de que o aborto é legítimo porque a criança depende da mãe para sua sobrevivência não precisa ser limitado ao útero; ele pode facilmente ser estendido a crianças recém-nascidas e até mesmo a incapacitados e idosos).  Portanto, está havendo uma troca de liberdades e direitos.  A mãe está ganhando direitos e privilégios especiais ao mesmo tempo em que a criança está perdendo seus direitos. Um lado está ganhando à custa do outro. Esse arranjo em nada difere das várias outras invenções esquerdistas e estatistas que prejudicam alguns para o benefício de outros.

É de se pensar como exatamente esse arranjo é libertário e pró-liberdade. Ao dar às mulheres o direito aprovado pelo estado de terminar uma gravidez está-se ignorando os direitos e interesses das outras partes envolvidas na questão. Primeiro, essa medida anula completamente o poder de decisão do homem na questão (ainda que reconhecidamente a maioria dos homens que engravidam essas mulheres nada mais são do que "doadores de esperma", por assim dizer, mas esse nem sempre é o caso). Segundo, há uma anulação completa da vida da criança em gestação, em meio a evidências cada vez mais conclusivas de que aquilo que está no útero é de fato uma vida.  Mas como esse bebê foi concebido em um momento inoportuno, azar o dele. Ele simplesmente não tem direitos.  Esse não parece ser um conceito muito libertário.

E quanto à liberdade pessoal e à responsabilidade?  Mais uma vez, percebe-se que aqueles que defendem o aborto em termos da liberdade pessoal estão vendo apenas um lado da história.  Eles não têm qualquer problema em negar o direito à vida e à liberdade da criança que está no útero — baseando-se, atenção, não em filosofia, ciências biológicas ou na razão moral, mas apenas em argumentos políticos e sociológicos.

Já é hora de os defensores da liberdade e da responsabilidade pessoal colocarem mais pressão sobre as pessoas promíscuas e sexualmente irresponsáveis para que elas tomem medidas adequadas para evitar a gravidez. Um feto não surge magicamente em um útero como uma acne brota na testa. Querer liberdade individual para se fazer o que quiser, mas sem ter de arcar com as consequências disso é libertinagem. Querer exterminar uma vida que surge em consequência de um ato impulsivo é a negação máxima da responsabilidade individual. É a irresponsabilidade hedonística levada ao paroxismo.

É moral e intelectualmente injusto fazer com que uma criança indesejada carregue o fardo pelas ações irresponsáveis de terceiros. Ao passo que os libertários diriam corretamente que não é função do estado tentar corrigir o comportamento e as atitudes equivocadas dos outros, também não faz sentido que o estado sancione leis agressivas e contra a vida que irão punir inocentes pelos erros de seus pais.  Isso não é nada libertário.  Trata-se de uma liberdade seletiva, que utiliza agressão contra crianças indefesas.

Isso nos leva à consideração final: o aborto viola o princípio da não-agressão.  A mãe (ou os pais), normalmente como resultado da própria irresponsabilidade, toma (tomam) a decisão unilateral de acabar com uma vida. A criança obviamente não tem voz nessa questão.  Os pais abortistas e o estado tomam a decisão pela criança, e prematuramente terminam sua vida, sem qualquer chance de defesa para ela. 

De novo, não é uma atitude muito libertária.

A questão política

Entretanto, esse embate não deve se dar no campo político.  Sabemos que a moralidade é algo que deve ser intrínseca às leis, não importa o que os secularistas digam.  Mas a moralidade não é intrínseca à política. A política nada mais é do que um mecanismo de se obter poder sobre as vidas das pessoas por meio do poder estatal. A política é a rejeição da santidade da vida. 

Assim, é um erro supor que uma cultura pró-vida possa ser implantada por meio da persuasão política ou do poder governamental. O respeito pela vida humana se origina de indivíduos agindo de acordo com sua consciência. A moralidade não é algo que pode ser imposto. Uma consciência pró-vida é estimulada pela religião, pela família e pela ética, não pelo governo.  A história já nos ensinou que os governos esmagadoramente violam a santidade da vida humana; eles nunca a defendem.

A idéia de que um estado todo-poderoso e centralizado deva fornecer soluções monolíticas para os nossos dilemas éticos é completamente descabida e equivocada. As decisões, como foi dito, devem ser tomadas descentralizadamente, em nível local ou, no máximo, estadual.  Entretanto, atualmente estamos sempre procurando uma solução federal para todo e qualquer problema social, ignorando os saudáveis limites que devem ser impostos a um governo central, solapando assim nossas liberdades.  O resultado é um estado centralizado que crescentemente vai tomando decisões ao estilo "tudo ou nada", alienando grandes segmentos da população.

Como libertário, defendo a causa pela vida não apenas em termos morais e espirituais, mas também filosoficamente, utilizando os princípios da não-agressão e da liberdade individual.  Um governo que sanciona o aborto sanciona a agressão (não à toa, o aborto foi a política de todos os países comunistas), dando direitos e privilégios a alguns (as mães) enquanto agride e tira os direitos de outros (as crianças não-nascidas).  Essa troca de direitos, bem como a agressão patrocinada pelo estado, não é algo libertário, como a maioria dos libertários convencionais presume.  Trata-se unicamente do modelo-padrão estatista que determina como a sociedade e o governo devem funcionar.  Tal postura é, em última análise, injusta, imoral e destrutiva.

Esse conceito tem muito mais em comum com a filosofia da esquerda intervencionista do que com a filosofia da liberdade.  E não há nada de libertário nisso.

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Leia também: Como nos tornamos donos de nós mesmos


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autor

Ron Paul
é médico e ex-congressista republicano do Texas. Foi candidato à presidente dos Estados Unidos em 1988 pelo partido libertário e candidato à nomeação para as eleições presidenciais de 2008 e 2012 pelo partido republicano.

É autor de diversos livros sobre a Escola Austríaca de economia e a filosofia política libertária como Mises e a Escola Austríaca: uma visão pessoal, Definindo a liberdade, O Fim do Fed – por que acabar com o Banco Central (2009), The Case for Gold (1982), The Revolution: A Manifesto (2008), Pillars of Prosperity (2008) e A Foreign Policy of Freedom (2007).

O doutor Paul foi um dos fundadores do Ludwig von Mises Institute, em 1982, e no ano de 2013 fundou o Ron Paul Institute for Peace and Prosperity e o The Ron Paul Channel.


  • LUIZ OLIVEIRA  02/08/2010 16:51
    Excelente artigo de Ron Paul! O mesmo deveria ser reproduzido no maior número possível de sites e blogs. Ontem a Rede Globo, por meio do programa Fantástico, veiculou uma matéria sobre clínicas clandestinas de aborto, mas de uma forma enviesada, de modo a estimular a opinião pró-aborto, a fim de favorecer a aprovação de leis que tornam o aborto "um direito" das mulheres. Ron Paul, por meio deste seu artigo, põe por terra essa argumentação favorável ao aborto como "um direito" das mulheres. E ainda há os que se dizem libertários que comungam com essa perspectiva esquerdista e totalitária. A criação de novos "direitos" é um dos instrumentos pelos quais se dá ao Estado a capacidade de intervir na vida dos cidadãos. A matéria do Fantástico foi cretina, distorcendo e manipulando fatos, considerando opiniões pessoais, baseadas em ideologias esquerdistas e estatizantes, como argumentos científicos. De modo sub-reptício deu a entender que se o Estado já tivesse instituído uma lei favorável ao aborto todos os problemas relacionados a essa questão teriam sido resolvidos. Sobre esta matéria vale a pena ler o excelente artigo do jornalista Reinaldo Azevedo: veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-fantastico-e-o-aborto-assim-nao-companheiros-ou-nao-se-compensa-penuria-etica-com-numeros-fabulosos/

    Saudações a todos.
    Luiz Oliveira
  • WASHINGTON SOARES CAMPOS JUNIOR  02/12/2016 14:06
    Parabéns.
  • Assis Utsch  02/12/2016 17:22
    "Já foi estimado que 50% de todas as concepções humanas terminam em aborto espontâneo, em geral sem que a mulher sequer perceba que estava grávida. Na verdade, 20% de todos os casos de gravidez reconhecidos terminam em aborto espontâneo. ... se Deus existe, ele é o mais prolífico de todos os praticantes de abortos". (p.46 - do livro Carta a Uma Nação Cristã - do filósofo e neurocientista Sam Harris)
    Embora o aborto seja proibido no Brasil, ocorrem mais de 800 mil abortos por ano no País, segundo dados oficiais, o que mostra a insensatez de sua criminalização. O dogma do aborto é uma questão religiosa, e sendo o Estado laico - pelo menos constitucionalmente - este Estado então não deveria interferir na questão. A propósito, ninguém é a favor do aborto, e o que muitos defendem é que a mulher que seja compelida ao aborto - por suas próprias circunstâncias - não seja criminalizada por fazê-lo; nem seu médico. Se os países da vanguarda civilizatória descriminalizaram, o aborto, por que nós, um povo muito menos moral, teríamos a pretensão de ser mais humanistas do que aqueles?
  • frederico  02/12/2016 19:12
    Assis, o problema para essas pessoas é entender a imagem completa. Só conseguem ver a parte da "vida sendo eliminada"....
    É lamentável, o buraco é muito mais embaixo. Ter uma sociedade realmente pró-vida passa muito longe de discutir criminalização do aborto. Na verdade creio que com um pouco de capacidade crítica, uma pessoa já percebe que existe algo errado nessa ideia tão superficial e de generalizada de se criminalizar o aborto.
  • Priscilla  06/12/2016 00:41
    assim é fácil né?"belo argumento"
  • frederico  06/01/2017 19:51
    não entendi. Resuma sua posição sobre o assunto para que eu saiba o que você está falando.
  • Iêda  01/06/2018 03:03
    Vc um homem discutir sobre o aborto, vais me convencer que o SUS dará tratamento digno as mulheres que forem abortar kkkkk ridículo, nem pra às que vão ganhar tem tratamento descente, sabes a taxa de suicídios depois que as mulheres praticam aborto, porque vcs homens tão intelectuais não ensinam seus filhos usarem preservativo e que "chupar bala com papel" é necessário pra não se por uma vida neste mundo, e porque não fazer aula ensinando técnicas de contracepção em jovens a partir dos 10anos junto com seus país em postos de saúde??? Queremos legalizar clínicas pro governo gastar com a matança desenfreada pós carnaval ou algum outro evento.... NÃO eu não sou religiosa e nem frequento igreja alguma... Só acho que a grande maioria dos abortos são feitos por falta de opção de escolha da mulher EXEMPLO: Namorado come e dá no pé...ela é muito nova e tem vergonha de da família e provavelmente não terá apoio deles ou quer entrar na faculdade ou finaliza lá enfim tenho 34anos e não quero ter filhos já me casei separei tive e tenho parceiro mas me cuido estamos no século 21 e hoje temos informações de mais para estar nos sujeitando a sermos verdadeiras açogueiras! E homens quando puderem sentir algo latejar(um coração dentro do seu ventre) além do pênis aceitarei a opinião.
  • Pobre Paulista  02/12/2016 19:31
    Certo, criminalizar assassinato é dogma religioso. Você deve adorar o ISIS então.
  • frederico  06/01/2017 19:47
    Pobre Paulista pare de delirar em seu mundo cristão perfeito. Só me dê algo que eu não consiga refutar, porque não consegui ler nada que justifique a discussão sobre criminalização de abortos. Abortos devem ser regulados, e isso não quer dizer que temos que apoiar esquerdalhas e feministas que usam deste tema para se promover, como se abortar fosse um orgulho para quem realmente passou por isso.
    O pior de tudo é que você é um "abortista" quando se trata de "casos especiais". Nestes casos você libera o esquartejamento de fetos. Você é o clássico cristão sádico! Lamentável!
  • Leandro Alves  03/12/2016 21:34
    Sou ateu e sou completamente contra o aborto, a mulher tem seu corpo e o feto tem o dele que é extramente dependente da mãe. Comparar uma aborto espontâneo com um aborto provocado pela mulher é descer ao nível mais baixo, isso não é argumento. Uma coisa é a gravidez não acontecer naturalmente, outra é ela ser provocada, é a mesma coisa comparar a morte natural de um adulto e um homicídio, sua lógica é essa.
  • frederico  21/01/2017 21:35
    Lógico que minha lógica não é essa. A realidade está aí para você ver, é só enxergar os números e me dizer aonde que sua visão de simplesmente criminalizar o aborto funcionou ? Em qual ilha fantástica a simples criminalização do aborto alterou alguma coisa nos dados importantes da sociedade em questão?
    - Como definir se foi causa de cada aborto foi aceitável ou não?, como saber se foi "naturalmente" abortado? como investigar isso? quanto custa garantir todo um sistema justo de análise das mulheres grávidas a fim de garantir que os abortos serão necessários somente como 'última opção"? Como definir e garantir o respeito a esta "ultima opção'? Como penalizar a mulher ou o casal abortista criminoso? Como garantir o direito a uma vida minimamente decente para os nascidos rejeitados na mesma proporção e garra com que você defende o direito ao nascimento dos mesmos ? Você aceita o esquartejamento do feto se houver algum laudo médico alegando alguma "má formação"? Novamente, você conhece alguém que passou por essa experiencia ( aborto ) e está junto das feministas e esquerdalhas bradando aos 4 cantos o orgulho de te passado por isso? Você REALMENTE acha que a questão da não aplicação rígida da lei de criminalização do aborto no Brasil é VITAL para que nossa SOCIEDADE se sinta mais EVOLUÍDA?
  • Gunnar  05/12/2016 09:40
    Partindo da mesma lógica, poder-se-ia então utilizar as estatísticas de mortalidade infantil para justificar o assassinato de criancas?
  • frederico  06/01/2017 19:49
    é sempre assim, quando começam as peguntas, esses fanáticos religiosos e pseudo-defensores de um conceito totalmente limitado de vida simplesmente somem.
  • FREDERICO HAUPT  03/03/2017 18:42
    Vocês são contra o aborto? Então não comam nunca mais carne de qualquer animal!
  • Barney  03/03/2017 19:03
    Mas que lógica estupenda! Que prodígio de inteligência! Um verdadeiro portento!
  • FREDERICO HAUPT   06/04/2017 18:02
    Os animais sofrem? Sentem dor? Tem sistema nervoso central e sentimento? Tem alma ou espírito? Há religiões que dizem que sim, inclusive na Índia há pena de morte para quem matar uma vaca. Em que momento a alma ou espírito humano se liga ao corpo? Segundo o Livro dos Espíritos de Alan Kardec:
    346. Que acontece ao Espírito, se o corpo que ele escolheu morrer antes de nascer?

    — Escolhe outro.

    346 – a) Qual pode ser a utilidade dessas mortes prematuras?

    —As imperfeições da matéria, na maioria das vezes, são a causa dessas mortes.

    347. Que utilidade pode ter para um Espírito a sua encarnação num corpo que morre poucos dias depois de nascer?

    — O ser ainda não tem consciência bastante desenvolvida da sua existência; a importância da morte é quase nula; freqüentemente, como já dissemos, trata-se de uma prova para os pais.

    348. O Espírito sabe, com antecedência, que o corpo por ele escolhido não tem possibilidade de viver?

    — Sabe, algumas vezes; mas, se o escolheu por esse motivo, é que recua ante a prova.

    349. Quando falha uma encarnação para o Espírito, por uma causa qualquer, é ela suprida imediatamente por outra existência?

    — Nem sempre imediatamente; o Espírito necessita de tempo para escolher de novo, a menos que a reencarnação instantânea decorra de uma determinação anterior.

    350. O Espírito, uma vez unido ao corpo da criança, e não podendo mais retroceder, lamenta algumas vezes a escolha feita?

    — Queres perguntar se, como homem, ele se queixa da vida que tem? Se desejaria outra? Sim. Se lamenta a escolha feita? Não, porque não sabe que a escolheu. O Espírito, uma vez encarnado, não pode lamentar uma escolha de que não tem consciência, mas pode achar muito pesada a carga. E, se a considera acima de suas forças, é então que recorre ao suicídio.

    351. No intervalo da concepção ao nascimento, o Espírito goza de todas as suas faculdades?

    — Mais ou menos, segundo a fase, porque não está ainda encarnado, mas ligado ao corpo. Desde o instante da concepção, a perturbação começa a envolver o Espírito, advertido, assim, de que chegou o momento de tomar uma nova existência; essa perturbação vai crescendo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado é mais ou menos o de um Espírito encarnado, durante o sono do corpo. A medida que o momento do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam, assim como a lembrança do passado se apaga desde que entrou na vida. Mas essa lembrança lhe volta pouco a pouco à memória, no seu estado de Espírito.

    352. No momento do nascimento, o Espírito recobra imediatamente a plenitude de suas faculdades?

    — Não: elas se desenvolvem gradualmente com os órgãos. Ele se encontra numa nova existência; é preciso que aprenda a se servir dos seus instrumentos; as idéias lhe voltam pouco a pouco, como a um homem que acorda e se encontra numa posição diferente da que ocupava antes de dormir.

    353. A união do Espírito com o corpo não estando completa e definidamente consumada, senão depois do nascimento, pode considerar-se o feto como tendo uma alma?

    — O Espírito que deve animar existe, de qualquer maneira, fora dele. Propriamente falando, ele não tem uma alma, pois a encarnação está apenas em vias de se realizar, mas está ligado à alma que deve possuir.

    354. Como se explica a vida intra-uterina?

    — E a da planta que vegeta. A criança vive a vida animal. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal, que completa, ao nascer, com a vida espiritual.

    355. Há, como o indica a Ciência, crianças que desde o ventre da mãe não têm possibilidades de viver? E com que fim acontece isso?

    — Isso acontece freqüentemente, e Deus o permite como prova, seja

    para os pais, seja para o Espírito destinado a encarnar.

    356. Há crianças natimortas que não foram destinadas à encarnação de um Espírito?

    — Sim, há as que jamais tiveram um Espírito destinado aos seus corpos: nada devia cumprir-se nela. É somente pelos pais que essa criança nasce.

    356 – a) Um ser dessa natureza pode chegar ao tempo norma! De nascimento?

    — Sim, algumas vezes, mas então não vive.

    356 – b) Toda criança que sobrevive tem, portanto, necessariamente, um Espírito encarnado em si?

    — Que seria ela, sem o Espírito? Não seria um ser humano.

    357. Quais são, para o Espírito, as conseqüências do aborto?

    — Uma existência nula e a recomeçar.
  • Luis Francisco  25/04/2017 15:01
    Nem animais e nem seres humanos possuem espírito. No feto humano, o sistema nervoso central começa a se desenvolver a partir dos 2 meses de gestação.
  • Luis Francisco  25/04/2017 15:02
    Eu não entendo porque toda a discussão conservadora sobre a remoção do feto vem acompanhada da foto de uma criança.
  • Maria   07/05/2017 01:43
    Deve ser porque de um feto, origina-se uma criança. Ou estou enganada?
  • Sultão  07/05/2017 02:08
    O estado moral de um feto não é tão diferente, senão ainda mais assegurado, do que o do coma. O feto vai nascer assim como o paciente de coma provavelmente acordará. A diferença é que o feto tem hora marcada e tudo que importa é que ele saia do útero. Fora do útero, a sociedade arbitrariamente decide que matar o feto vira infanticídio.

    O ponto é que a agência moral (o que nos dá a ética) não é um pontinho na cronologia. Em toda nossa vida existirão espaços de tempo em que nós não teremos a capacidade de agir racionalmente.
  • Luciana  24/09/2018 14:44
    Muito bom seu comentário Assis!
  • Felipe Bleichvel  19/10/2018 02:16
    Amigo, é errado querer liberdade apenas onde lhe convém.

    Legalizar o aborto não é garantir um novo direito.

    É se livrar de uma algo que está proibido...

    E tu só pode ter tara por "esquerda"... não para de falar disso. Despolariza um pouco esse cerebrozinho.


    Olha... abortos acontecem.

    Com óbito... 4 por dia. Sem óbito? Muito mais.

    Clínicas que fazem isso ilegalmente ta cheio. Cobrando valores exorbitantes. Aí sim há interesse econômico. Porque dá lucro pra muita gente o aborto continuar proibido. Quem não pode pagar? Mães solteiras e sem dinheiro, que acabam matando a si mesmo ao tentar o procedimento.
    Não é mais uma questão de opinião, mas uma questão de salvar vidas.
    A lei não deve restringir as necessidades da sociedade por reles costumes, por reles moral religiosa.

    Nos países onde o aborto é legalizado, as mulheres que desejam faze-lo são encaminhadas para psicólogos. Que conversam com elas, tentando convence-las de uma opção melhor. Nessa etapa muitas desistem. Mas, se ainda sim persistir com a ideia, é obrigada a esperar 5 dias úteis antes de fazer o procedimento... para "refletir sobre".

    Se o aborto fosse legalizado, muitas mulheres não abortariam.

    Considero que o termo mais correto para a prática do aborto não é 'conduta criminosa'... Mas 'conduta clandestina'


    Aliás, se você comparar o número de abortos de alguns países onde o mesmo é legalizado com o número de abortos do Brasil... verá que há mais abortos no Brasil que nestes países.
    Como eu disse, é uma necessidade da sociedade. Legaliza-lo, é uma questão de salvar vidas.

  • Thomas  19/10/2018 02:53
    Aborto nada mais é do que homicídio de um inocente indefeso. Se esta é, como você diz, uma proibição que tem de ser abolida, então o homicídio e o roubo também estão nesta mesma categoria de intolerável proibição. Por que deveriam continuar proibidos?

    Aborto não é, e nem pode ser, um direito. Existem apenas três direitos que um indivíduo inocente possui pelo simples fato de ser um humano, e todos estes direitos são negativos:

    1) não ter a sua vida retirada;

    2) não ter confiscada a sua propriedade honestamente adquirida;

    3) não ter sua liberdade empreendedorial tolhida.

    O aborto atenta contra o primeiro.

    Ademais, não existe isso de direitos exclusivos (privilégios) para abortistas. Com efeito, nem para gays, negros, transexuais, pansexuais, pedófilos etc.

    Por fim, você não é liberal, você é intervencionista: quer que o estado conceda privilégios para assassinos.
  • Gustavo Boscolo Nogueira da Gama  02/08/2010 17:13
    E ainda há os que se dizem libertários que comungam com essa perspectiva esquerdista e totalitária.

    Pior que é verdade...
  • Joel Pinheiro  02/08/2010 17:43
    Sendo sincero, é preciso dizer que é possível ser libertário e defender o aborto. O Rothbard, por exemplo, defendia o direito da mulher de retirar de si o feto invasor.

    Discordo diametralmente dele; acho uma posição imoral, embora possa ser defendida em termos libertários.

    Talvez mais importante do que discutir se é uma posição libertária ou totalitária, é discutir se é boa ou má.

    Ótimo artigo o do Ron Paul, by the way. E que dá muito o que pensar. Acho que a maioria dos pro-life, contudo (e eu estou nessa maioria), ficaria muito reticente se t