clube   |   doar   |   idiomas
Redistribuição de riqueza e liberdade de empreender - conceitos eticamente opostos

"Justiça social" e "distribuição justa de riqueza" são expressões que já se tornaram parte do vernáculo.  Praticamente não há intelectuais, jornalistas e políticos que não pontifiquem, com desinibição e segurança, a respeito destas expressões, e quase sempre em tom de aprovação e louvor. 

Tais expressões, aliás, se tornaram o "fundamento ético" de todos os movimentos sociais (de natureza "socialista" ou "social-democrata"),

Mas há um enorme problema: essas duas expressões têm sua origem — e são baseadas — em uma visão de mundo que vê a economia como sendo algo totalmente estático, em vez de dinâmico.

Mas a culpa não é exclusiva dessas pessoas.  Elas estão apenas se baseando em um modelo econômico muito utilizado nas universidades, que sempre foi o dominante.

Quando era universitário, minha primeira aula de economia foi com um professor que começou sua explanação com a seguinte e espantosa frase: "Suponhamos que todas as informações sejam conhecidas".  E logo em seguida ele se pôs a encher o quadro-negro com funções, curvas e fórmulas. Esta é exatamente a hipótese sobre a qual se fundamentam os modelos econômicos convencionais: todas as informações são conhecidas e nada se altera; tudo é estático. 

Mas esta hipótese é radicalmente irreal.  Ela vai contra a característica mais típica de uma economia de mercado: a informação nunca é conhecida por todos; ela está dispersa pela economia.  Ela não é um dado constante que está ali para ser consultado a qualquer momento.  O conhecimento dos dados surge continuamente em decorrência da atividade criativa dos indivíduos: novos fins são almejados, novos meios são criados e utilizados. 

Logo, qualquer teoria econômica construída a partir deste pressuposto irreal está fatalmente errada.

Com efeito, o paradigma da teoria econômica predominante se baseia, em maior ou menor escala, em considerar que a informação econômica é algo objetivo e se encontra "dada" — ou seja, é conhecida por todos (tanto em termos exatos quanto probabilísticos).

Esta concepção estática inexoravelmente leva à suposição de que, em certo sentido, os recursos escassos da economia também já estão dados e são conhecidos por todos. 

A consequência inevitável deste raciocínio é que o problema econômico da distribuição dos recursos é considerado distinto e totalmente independente do problema de sua produção.  Com efeito, se os recursos já estão dados e são conhecidos, então o que resta a ser feito é definir como eles serão distribuídos entre os diferentes seres humanos, quem ficará com os meios de produção e quanto bens eles terão de produzir.

Tendo por base este arranjo, quaisquer considerações sobre "redistribuição" e "maximização de utilidade" se tornam totalmente independentes dos aspectos morais, de modo que moralidade, redistribuição e maximização de utilidade se tornam coisas que podem ser combinadas livremente, nas mais variadas proporções.

A visão real

Felizmente, todo este arcabouço errôneo foi demolido pela nova concepção dinâmica dos processos de mercado e pela nova teoria econômica da função empresarial, ambas capitaneadas pela Escola Austríaca de Economia.

Para começar, as teorias da Escola Austríaca jamais partiram do princípio de que "todas as informações já estão dadas e são conhecidas por todos".  Ela sempre considerou que o processo econômico é impulsionado por indivíduos empreendedores que continuamente incorrem em transações e descobrem novas informações. 

A informação com que lida os indivíduos empreendedores no mercado não é objetiva; não é como a informação que se encontra impressa em um catálogo.  A informação empreendedorial possui uma natureza radicalmente distinta; ela é uma informação subjetiva, e não objetiva.  Ela é tácita, por assim dizer.  Ela é do tipo "sabemos algo, temos a técnica, a prática e o conhecimento, mas não sabemos no que tudo isso consiste detalhadamente."  

Nós seres humanos somos dotados de uma inata capacidade criativa.  Continuamente descobrimos coisas "novas", almejamos objetivos "novos", e escolhemos meios "novos" para alcançá-los. 

Todo ser humano possui uma inata capacidade criativa que lhe permite avaliar, estimar e descobrir as oportunidades de lucro que surgem ao seu redor, e agir em conformidade para aproveitá-las. 

O empreendedorismo, portanto, consiste na capacidade tipicamente humana de continuamente criar e descobrir novos fins e novos meios para se alcançar tais fins.

Por esta concepção, além de os recursos não estarem dados e nunca serem conhecidos por todos, tanto os fins quanto os meios para se alcançar estes fins são continuamente descobertos e criados por indivíduos empreendedores desejosos de alcançar novas realizações que eles julgam ter um maior valor. 

E se os meios, os fins e os recursos nunca são dados e conhecidos por todos, mas são continuamente criados em consequência da ação empreendedorial de seres humanos, então resta claro que o fundamental problema ético não mais é o de como distribuir equitativamente tudo aquilo "que já existe", mas sim o de como promover a criatividade e a coordenação empreendedorial.

Por isso, no campo da ética social, chega-se à conclusão de que, se o ser humano é um agente criativo, então é axiomático reconhecer o quão irrefutável é o princípio ético que diz que "todo ser humano tem o direito natural de manter para si os frutos da sua própria criatividade empresarial". 

Ou seja, a apropriação privada dos frutos da sua descoberta e da sua criação empreendedorial é um princípio autoevidente das leis naturais.  E é assim porque, se um indivíduo empreendedor não pudesse reivindicar para si aquilo que ele criou ou descobriu, ele simplesmente não teria incentivos para colocar em ação sua criativa perspicácia empresarial inerente à sua condição de ser humano. 

A sua capacidade de detectar oportunidades de lucro estaria completamente bloqueada, e seu incentivo para agir desapareceria. 

Adicionalmente, este princípio é universal no sentido de que ele pode ser aplicado a todos os seres humanos em todas as circunstâncias concebíveis.

Considerando-se, portanto, a economia como um processo dinâmico do tipo empreendedorial, o princípio ético que deve regular as interações sociais deve se basear na consideração de que a sociedade mais justa será aquela que, de maneira mais enérgica, promova a liberdade e a criatividade empresarial de todos os seres humanos que a componham, sendo que, para isso, é imprescindível que cada um deles possa ter de antemão a segurança de que poderá usufruir os resultados de sua criatividade empresarial (os quais, antes de serem descobertos ou criados por cada agente, simplesmente não existiam na sociedade), e de que não será expropriado total ou parcialmente por ninguém, muito menos pelo governo.

O caráter do intervencionismo

Esta análise torna evidente o caráter imoral do intervencionismo, o qual deve ser entendido como "todo e qualquer sistema de agressão institucional e sistemática contra o livre exercício da função empresarial".

O intervencionismo se manifesta de várias maneiras e intensidades: vai desde a proibição direta de alguém empreender em alguma área, passando pela obrigatoriedade de alguém se submeter a todos os tipos de regulações, burocracias e impostos para empreender em uma determinada área, chegando até ao confisco de uma fatia da renda obtida com o seu trabalho.

Não importa quão supostamente nobres sejam os objetivos do intervencionismo: o fato é que intervenções coercitivas provocarão distúrbios nesse processo de cooperação social. 

A coerção consiste em utilizar a violência para obrigar alguém a fazer algo ou a deixar de fazer algo.  Quando a coerção é aleatória, não sistemática, o mercado tem, na medida do possível, seus próprios mecanismos para definir direitos de propriedade e defender-se da criminalidade.  Porém, se a coerção é sistemática e advém institucionalmente de um estado que detém todos os instrumentos do poder, a possibilidade de se defender destes instrumentos e evitá-los é muito reduzida. 

É neste ponto que o intervencionismo manifesta sua realidade em toda a sua crueza. A coerção ao indivíduo impede que ele desenvolva aquilo que lhe é intrínseco por natureza: sua inata capacidade de almejar novos fins e conceber novos meios para alcançar estes fins, sempre agindo em conformidade para lograr este objetivo. 

Na medida em que a coerção do estado impede a ação humana do tipo empresarial, sua capacidade criativa estará limitada e ele não descobrirá e nem surgirão as informações ou conhecimentos necessários para coordenar a sociedade.

(Exatamente por isso, o tipo mais extremo de intervencionismo, que é o socialismo, é um erro intelectual, pois ele impossibilita que os seres humanos gerem as informações de que o órgão planejador necessita para coordenar a sociedade por meio de suas ordens coercivas.)

Todo o sistema que se baseia no intervencionismo, no dirigismo, na regulamentação e na expropriação de riqueza — por mais supostamente humanitária que seja a redistribuição dessa riqueza expropriada — é intrinsecamente imoral, pois ele se resume a impedir pelo uso da força que os vários seres humanos incorram nas atividades empreendedoriais que mais lhe apetecem e que se apropriem dos resultados de sua própria criatividade empresarial. 

Desta forma, o intervencionismo e o redistributivismo podem ser vistos como sendo não apenas sistemas teoricamente errôneos e economicamente ineficientes, como também, e ao mesmo tempo, sistemas essencialmente imorais, pois vão contra a mais íntima natureza do ser humano, impedindo que este se realize e usufrua livremente os resultados de sua própria criatividade empresarial.

A caridade

Por fim, é válido ressaltar que o ímpeto humano à criatividade empresarial também se manifesta no âmbito da ajuda aos mais desvalidos e na busca sistemática por situações em que terceiros, por estarem em situação de privação, precisam de ajudas. 

No entanto, a coerciva intervenção estatal, por meio dos mecanismos típicos do chamado "estado de bem-estar social", neutraliza e, em grande medida, obstrui o esforço empreendedorial de se ajudar um semelhante que está passando por dificuldades.  Quando se é obrigado a pagar impostos para o governo para que ele forneça serviços assistencialistas para os necessitados, não apenas a capacidade das pessoas de continuar fazendo caridade é reduzida, como também elas inevitavelmente se sentem absolvidas da responsabilidade moral de ajudar os outros necessitados.

Além de os incentivos para o auxílio ao próximo serem tolhidos e a tarefa ser transferida para o aparato estatal, este, justamente por funcionar fora de um ambiente de eficiência dinâmica, simplesmente não tem como agir de maneira correta.

A consequência é que a solidariedade e a colaboração voluntária, que são ímpetos naturais do ser humano e que tanta importância possuem para a maioria dos seres humanos, acabam sendo reprimidas e absorvidas pela burocracia estatal, que nada tem de humana e solidária.



autor

Diversos Autores

  • Andre Cavalcante  19/04/2016 15:34
    Olá a todos.

    Não entendi uma coisa:

    (do texto:)
    "Por isso, no campo da ética social, chega-se à conclusão de que, se o ser humano é um agente criativo, então é axiomático reconhecer o quão irrefutável é o princípio ético que diz que "todo ser humano tem o direito natural de manter para si os frutos da sua própria criatividade empresarial".

    Ou seja, a apropriação privada dos frutos da sua descoberta e da sua criação empreendedorial é um princípio autoevidente das leis naturais. E é assim porque, se um indivíduo empreendedor não pudesse reivindicar para si aquilo que ele criou ou descobriu, ele simplesmente não teria incentivos para colocar em ação sua criativa perspicácia empresarial inerente à sua condição de ser humano."

    Não me parece que seja "autoevidente" que se o indivíduo não tiver posse daquilo que criou para si ele não teria incentivos para colocar em ação a sua criatividade. Há inúmeros casos em que a propriedade é comunal e mesmo assim a ação criativa do ser humano se processa (o caso mais recente é do desenvolvimento de hardware/software open source).
    Nem tampouco me parece que seja autoevidente que a ação e a criatividade humana seja resultado de incentivo, como faz o texto transparecer (a criatividade, com incentivo ela pode fluir melhor, mas, mesmo sem o incentivo, ela também ocorre no ser humano, pois é algo inerente ao tipo humano e não ao ambiente externo (qualquer sistema) a ele).

    Achei um salto grande no pensamento. Além disso, esse ponto é chave, pois todos os demais argumentos do texto decorrem dessas premissas "autoevidentes". Alguém me ajuda com o texto?

    Abraços
  • Magno  19/04/2016 16:22
    "Não me parece que seja "autoevidente" que se o indivíduo não tiver posse daquilo que criou para si ele não teria incentivos para colocar em ação a sua criatividade. Há inúmeros casos em que a propriedade é comunal e mesmo assim a ação criativa do ser humano se processa (o caso mais recente é do desenvolvimento de hardware/software open source)."

    A diferença básica é que, neste caso, não houve coerção e nem confisco. Quem fez o open source queria exatamente que ele fosse assim.

    Isso faz toda a diferença, tanto no campo ético e moral, quanto no dos incentivos.

    "Nem tampouco me parece que seja autoevidente que a ação e a criatividade humana seja resultado de incentivo, como faz o texto transparecer (a criatividade, com incentivo ela pode fluir melhor, mas, mesmo sem o incentivo, ela também ocorre no ser humano, pois é algo inerente ao tipo humano e não ao ambiente e)"

    Essa sua parte eu não entendi.
  • Rafael CT  19/04/2016 18:16
    Pegando um gancho nesse mesmo trecho, "todo ser humano tem o direito natural de manter para si os frutos da sua própria criatividade empresarial", podemos dizer que as patentes entrariam aqui (obviamente não estou falando de uma invenção guardada em casa)? Uma vez que o produto "patenteado" entrasse no mercado como haveria a proteção para que os frutos ficassem somente com criador?

    Talvez minha concepção de liberdade para esse tema esteja errada, mas gostaria que não houvesse proteção para as patentes. Eu as vejo como qualquer produto, seria uma concorrência saudável por inovação.
  • Taxidermista  19/04/2016 18:57
    Meu caro, se vc é contra aquilo que se chama "propriedade intelectual", sua concepção de liberdade está afinada com aquela defendida pelo austro-libertarianismo:

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=23
  • Henrique Zucatelli  20/04/2016 09:52
    Eu sou totalmente contra propriedade intelectual.

    Segredo industrial é uma coisa. Reserva de mercado Estatal por patente é outra.

    Estou migrando aos poucos do produtivo para o mercado financeiro, está ficando quase impossível exportar para países com demanda como os EUA, onde está tudo patenteado e fechado para concorrência, e em países pobres como o nosso não há quase demanda para produtos de alto valor agregado.

    Acho que o último ambiente realmente capitalista é a bolsa, onde vence o melhor.

  • Taxidermista  20/04/2016 12:40
    Caro Zucatelli:

    Também sou contra, claro.

    Estou de pleno acordo com o libertário Stephan Kinsella a respeito do assunto:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=29

    mises.org/library/against-intellectual-property-0

    Abço.
  • Didi  19/04/2016 15:38
    Felicitaciones Jesús por su artículo muy aclarador!

    Segundo o adágio popular: de boas intenções o inferno está cheio.

    No Brasil, o que tem de cabra pilantra encalacrado no estado ou que orbita nele para levar vantagens não tem precedente na história.

    Por trás da suposta caridade "progressista, socialista, comunista,safadista,satanista, demonista" invariavelmente impera o crime, por exemplo:A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta manhã (19/04/2016) a Operação Pecúlio, com o objetivo de desarticular um grupo de pessoas que desviava dinheiro em processos licitatórios municipais envolvendo verbas públicas federais em Foz do Iguaçu, no Paraná. A investigação começou há dois anos e constatou que gestores do município, de forma direta e indireta, atuavam para direcionar quantias milionárias de recursos públicos federais, como do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e em empresas contratadas para prestar serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os investigados responderão pelos crimes de peculato, corrupção passiva e corrupção ativa, prevaricação, crimes à lei de licitações e organização criminosa.

    www.valor.com.br/politica/4529935/pf-deflagra-operacao-para-investigar-desvios-em-foz-do-iguacu
  • Renan  19/04/2016 15:53
    O Sistema nordico não seria o ideal? Misturar a liberdade de mercado + bem estar social?
  • Calheiros  19/04/2016 16:35
    Quer copiar a Dinamarca? Certifique-se de que sabe exatamente como ela funciona:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2211

    Quer copiar a Suécia? Certifique-se de que sabe exatamente como ela funciona:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2210
  • Pobre Paulista  19/04/2016 16:35
    Já estava preocupado, fazia quase uma semana que ninguém aparecia para falar dos países nórdicos.

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=34
  • fernando lage  19/04/2016 16:41
    Muito elucidativo e compreensível o artigo, nos faz sonhar a voltar a empreender no Brasil.
  • Renato  19/04/2016 17:05
    Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email NOVO é galenoeu@gmail.com
  • Taxidermista  19/04/2016 17:41
    "Felizmente, todo este arcabouço errôneo foi demolido pela nova concepção dinâmica dos processos de mercado e pela nova teoria econômica da função empresarial, ambas capitaneadas pela Escola Austríaca de Economia"

    Infelizmente, esse arcabouço errôneo - focado em "redistribuição de renda/riqueza" - continua pautando os arranjos político-econômicos em todo o planeta.

    Por exemplo: Dani Rodrik, tido como uma grande "estrela" do momento (ou uma das "estrelas", ao menos), economista de Harvard, em entrevista à última edição de Exame, disse o seguinte: "precisamos de um novo New Deal: precisamos de mais ousadia para atacar a desigualdade social".



  • Emerson Luis  20/04/2016 14:13

    mais um artigo muito bem elaborado!

    Existem dois tipos básicos de "desconhecidos": o desconhecido cognoscível (que pode ser conhecido) e o desconhecido incognoscível (que não pode ser conhecido). A economia não pode ser planejada e controlada porque a maior parte da informação necessária não é simplesmente desconhecida, é incognoscível. Mais que isso, ela nem sequer existe, pois é insondavelmente criada a cada momento pelas interações entre as pessoas.

    Porém, mesmo que alguma forma de socialismo pudesse ser tão eficiente quanto o livre mercado genuíno (não este mercantilismo que chamam erroneamente de "capitalismo"), ainda assim ele seria um sistema imoral e anti-humano.

    * * *
  • João Ernesto  21/04/2016 11:55
    Como a escola austríaca explica a existência de monopólios em diversos setores da economia apesar de haver espaço para a livre concorrência? A título de exemplo cito dois setores de grande importância dominados por duopólios: aviões de grande porte e chips para computadores. A Intel x AMD e a Boing x Airbus seguem dando as cartas no mercado e não existe nenhuma ameaça no horizonte, exceto uma chinesa recem chegada que lançou um grande avião, diga-se de passagem uma típica estatal de regime comunista.
    Será que os postulados do livre mercado só funcionam nas feiras livres, no comércio varejista e serviços? Nos setores dominados pela alta tecnologia e muito intensivos de capital sempre veremos a concentração e os oligopólios?
  • Thiago  21/04/2016 13:51
    Como a escola austríaca explica a existência de monopólios em diversos setores da economia apesar de haver espaço para a livre concorrência?"

    Não existe nenhum exemplo de monopólios em setores livres de regulamentação e de subsídios do estado. Vejamos a que exemplos você vai recorrer.

    "A título de exemplo cito dois setores de grande importância dominados por duopólios: aviões de grande porte e chips para computadores. A Intel x AMD e a Boing x Airbus seguem dando as cartas no mercado e não existe nenhuma ameaça no horizonte, exceto uma chinesa recem chegada que lançou um grande avião, diga-se de passagem uma típica estatal de regime comunista."

    Zoou, né?

    Airbus e Boeing não apenas recebem fartos subsídios dos governos europeus e americano, como ainda usufruem generosos contratos de fornecimento para com esses governos. A Boeing, por exemplo, possui fartos contratos com o Departamento de Defesa dos EUA, e a Airbus é campeã dos subsídios.

    Quanto à área de chips, nunca houve monopólio. Intel e AMD sempre tiveram concorrentes:

    Desde o 8080 (primeiro da série x86) havia os seguintes competidores (só para citar alguns):


    -Fujitsu
    -Harris/Intersil
    -OKI
    -Siemens AG
    -Texas Instruments
    -NEC
    -Mitsubishi

    Não é à toa que, à simples ameaça de novos entrantes (lembre-se: a concorrência existe a partir do momento em que há liberdade de entrada e o estado nada proíbe) fez com que os preços desabassem. Veja esses links especializados:

    www.pcworld.com/article/2600307/amd-reminds-the-world-that-it-has-8-core-cpus-too.html

    adrenaline.uol.com.br/tecnologia/noticias/19880/intel-reduz-em-ate-25-precos-de-31-processadores.html

    www.hardware.com.br/comunidade/amd-queda/752034/

    Copio abaixo os comentários de algumas pessoas no fórum do último link:

    - "É o desespero, já que a AMD não tem nada que preste no segmento high-end e estão precisando concorrer utilizando o preço como estrategia novamente, sem contar que a Intel esta vendendo seus processadores a preços baixos, provavelmente pela primeira vez na historia."

    - "Os preços dos CPUs estão absurdamente baixos já que a Intel (mais rica e não depende somente do mercado de CPU) abaixou d+ seus preços comparando com outras épocas para sufocar a AMD. Nunca os Intel custaram tão pouco..."

    - "A queda de preços da AMD, beneficia e muito o consumidor final.Mas nem por isso torna o produto dela muito mais competitivo, infelizmente.Com os E4300 e Pentium E da Intel no mercado, a AMD perdeu boa chance de se recuperar, mesmo com quedas milagrosas de preços."

    Ou seja, a Intel se mantém como líder do mercado porque é a melhor, reconhecidamente. A AMD simplesmente não faz produtos nesse setor que satisfaçam tanto os consumidores quanto os produtos da outra empresa. E ainda assim, a Intel não pode cobrar o que quer sempre, porque senão os consumidores acabam se contentando com uma versão inferior, mas bem mais barata dos seus produtos e ela perde lucro.

    Bem igual aos textos que a gente vê aqui no Mises.
  • Joao Ernesto  23/04/2016 22:03
    Você não respondeu a pergunta. A Intel é lider isolada e monopolista em um mercado completamente aberto. Onde falha o livre mercado? Mesma coisa com os aviões. Seu argumento dos subsídios é aplicável a Airbus, que sem eles nem mesmo existiria como empresa e a Boeing reinaria absoluta nos ares.
  • Dominic  24/04/2016 02:15
    Monopólio da Intel?! Como assim, Brasil?

    Pra começar, a definição precípua de monopólio é: proibição da entrada de concorrentes no mercado.

    Quem proíbe a entrada no mercado de microchips? Que eu saiba, ninguém. Sendo assim, e por definição, não existe monopólio da Intel.

    Ademais, qualquer pessoa é totalmente livre para comprar microchips e processadores de outras marcas. Por que não o fazem? É simples: porque voluntariamente preferem a Intel. Porque reconhecem a eficiência, a qualidade e o preço.

    Dizer que há um monopólio da Intel -- além de demonstrar ignorância e desprezo pelo mais eficiente -- faz tanto sentido quanto dizer que há um monopólio da Google no setor de ferramentas de busca (dica: há mais de uma dúzia de concorrentes do Google; você não usa só porque não quer).

    Quanto à Airbus e Boeing, que parte você não entendeu -- da resposta acima -- de que o grosso do lucro da Boeing advém de contratos com o governo? E que a Boeing só e grande e dominante por causa de seus contratos privilegiados com o governo americano (majoritariamente via Departamento de Defesa)? Isso é tudo, menos mercado livre e desimpedido.

    Volte quando dominar o básico e tiver argumentos substantivos.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.