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O capitalismo pode destruir a si próprio?

Joseph Schumpeter memoravelmente previu que as sociedades capitalistas seriam destruídas pelo seu próprio sucesso.  Para Schumpeter, o capitalismo "inevitavelmente" se transforma em socialismo.

Seu argumento, de maneira resumida, é o seguinte: uma economia de mercado, com indivíduos fortemente empreendedores, gera um grande crescimento econômico e aumenta acentuadamente o padrão de vida das pessoas.  Ironicamente, no entanto, a sociedade se torna tão próspera e tão inovadora, que passa a ignorar a fonte de toda a sua riqueza, dando-a como natural, corriqueira e automática.  Pior ainda: torna-se abertamente hostil a ela.

O empreendedorismo e o mercado enriquecem tanto a sociedade, que as pessoas se esquecem do quão necessária e do quão frágil a economia de mercado realmente é.  Elas até mesmo começam a acreditar que os mercados — e a ordem social e cultural que mantém os mercados funcionando — são inferiores à burocracia estatal e ao planejamento centralizado. 

Com o tempo, a sociedade acaba abraçando o socialismo.

Nas palavras de Schumpeter:

Os padrões crescentes de vida e, sobretudo, o lazer que o capitalismo moderno põe à disposição das pessoas que têm emprego e renda. . . bem, não há necessidade de terminar esta sentença e nem de elaborar aquele que é um dos argumentos mais verdadeiros, antigos e enfadonhos. O progresso secular, o qual é visto como algo natural e automático, em conjunto com a insegurança individual, que alimenta a inveja, é naturalmente a melhor receita para alimentar a inquietação social.

Entretanto, todo esse processo de transformação requer mais do que apenas a acumulação de riqueza: alguém tem de ativamente insuflar hostilidade às instituições da economia de mercado.  Esse papel é desempenhado pelas classes intelectuais, que frequentemente abrigam um profundo ressentimento em relação às instituições empreendedoriais.

Os intelectuais incitam descontentamento entre um crescente número de pessoas cuja riqueza, em última instância, depende da produtividade do empreendedorismo, mas que, na prática, vivem majoritariamente fora da concorrência do mercado.  Pessoas mais jovens são particularmente mais vulneráveis a esse preconceito anti-mercado, o qual é normalmente instilado por meio de escolas e faculdades.  Entretanto, embora seja verdade que há uma ideologia explicitamente anti-mercado na educação superior, há também outras e mais sutis maneiras de fazer com que as mentes mais jovens, ao longo de todo o período escolar, se voltem contra os ideais de uma sociedade livre.

Quando o ensino superior se mostra incapaz de transmitir o conhecimento e as habilidades necessários para que uma pessoa seja bem-sucedida no mercado, isso acaba fazendo com que os estudantes adquiram uma forte desconfiança em relação a todo o sistema econômico, o qual eles acreditam estar subestimando seus talentos e no qual eles não conseguem se inserir.

[N. do E.: Eis como funciona: o estado determina que você tem de ter um diploma caso queira seguir uma determinada carreira.  Você, então, passa a ser obrigado a perseguir um curso superior.  Uma vez na faculdade, sua esperança é que, dali pra frente, o futuro será promissor, uma vez que sua reserva de mercado estará garantida. 

E então o futuro chega e, decepção, a coisa não é nada auspiciosa. 

As regulamentações e burocracias governamentais criaram um mercado de trabalho fechado e rígido.  A alta carga tributária e todos os encargos sociais e trabalhistas não permitem que os salários sejam altos. Você, no máximo, encontra um emprego que paga um pouco melhor que um estágio, porém que exige muito mais; e, na maioria das vezes, você descobre que não é bem aquilo que queria.  Você se sente enganado. 

Começa então a gritar por "direitos".  Começa a pensar que, só porque cursou faculdade e tem um diploma, tem "direito" a emprego e salário bons.  Porém, assim como você, há vários outros na mesma situação.  E o mercado de trabalho é regulado demais para conseguir absorver toda essa mão-de-obra.]

Schumpeter explica de maneira sucinta e brilhante:

O indivíduo que passou por uma faculdade ou universidade torna-se, com muita facilidade, intelectualmente inempregável em ocupações manuais.  Para conseguir emprego em ocupações manuais, ele tem antes de adquirir experiência prática nesse setor.  Sua incapacidade de obter esse emprego pode ser devida à falta de habilidade natural — perfeitamente compatível com a aprovação nas universidades — ou a um ensino deficiente.

E ambos os casos ocorrerão, de maneira absoluta ou relativa, com mais frequência à medida que um número cada vez maior de pessoas tiver acesso à educação superior e à medida que volume de coisas a serem ensinadas aumentar sem levar em conta o número de verdadeiros eruditos que a natureza pode produzir.

Se a educação superior não levar em conta a oferta de e a demanda por habilidades práticas e úteis, ela irá produzir formandos que naturalmente irão engrossar o coro da classe intelectual, trazendo consigo sentimentos de alienação e insatisfação:

Todos aqueles que estiverem desempregados, ou que estiverem insatisfatoriamente empregados, ou que forem inempregáveis tenderão a buscar emprego naqueles ofícios em que os padrões são menos definidos ou em que aptidões e conhecimentos de outro tipo têm mais valor.  

Estes frustrados irão engrossar as fileiras de intelectuais, no exato sentido do termo, cujos números crescem desproporcionalmente. Eles entram nessas fileiras com um estado de espírito absolutamente antagonístico. O descontentamento dá origem ao ressentimento, o qual, muitas vezes, racionaliza-se e transforma-se em crítica social. Essa crítica, como vimos acima, é uma demonstração da atitude típica do intelectual (que se transforma em um mero expectador) em relação a pessoas, classes e instituições, especialmente em uma civilização racionalista e utilitarista.

Com efeito, o argumento de Schumpeter faz ainda mais sentido em um contexto de intervencionismo do que em uma sociedade genuinamente livre.  Quando o setor público se expande, empreendedores são, ao mesmo tempo, expulsos do mercado e culpados pelos problemas econômicos criados pelo estado.

[N. do E.: quanto maior for o governo, maiores serão seus gastos.  Quanto maiores forem seus gastos, maiores terão de ser os impostos e o endividamento do governo.  Quanto maiores forem os impostos, menores serão os incentivos ao investimento e à produção.  Quanto maior for o endividamento do governo, maiores serão as oportunidades perdidas em investimentos que não puderam ser feitos (porque o governo se apropriou desse dinheiro que poderia ter sido emprestado para o setor privado), maiores serão os gastos com juros, e maior terá de ser a carga tributária para arcar com esses gastos com juros.  Veja detalhes neste artigo].

Ainda mais importante, à medida que o intervencionismo e o escopo do estado se expandem, as "virtudes burguesas" que sustentam uma sociedade livre desaparecem.  Por que você vai abrir uma padaria, um restaurante, um comércio ou uma atividade de serviços se você pode se tornar um burocrata bem pago trabalhando em uma repartição pública?  Por que uma pessoa qualificada vai querer fazer algum estágio em uma firma de engenharia se o governo abriu vários concursos públicos que prometem salários nababescos e estabilidade no emprego?  Enfim, por que se arriscar no setor privado, sofrendo cobranças e tendo de apresentar eficiência, se você pode simplesmente ganhar muito no setor público, tendo estabilidade no emprego e sem ter de apresentar resultados?

Com um estado inchado, a acumulação de riqueza passa a ocorrer por meio de privilégios legais (rent-seeking, na linguagem da Escola da Escolha Pública), de parasitismo e de redistribuição, e não por meio da genuína satisfação dos consumidores.  Empreendedores, agora protegidos pelo estado das vicissitudes do mercado, blindados contra o sistema de lucros e prejuízos imposto pelo mercado, perdem contato com a divisão do trabalho e sua filosofia de inovação e criação de riqueza.

Esse caminho leva ao desastre.

No entanto, ao contrário do que diz Schumpeter, o socialismo não é inevitável.  Como Mises nunca se cansou de argumentar, a liberdade pode triunfar, mas, para isso, é necessário vencermos a batalha das idéias.  Porém, essa batalha só pode ser vencida por meio da lógica cuidadosa, da exposição clara do pensamento e de um firme compromisso para com a difusão pacífica da verdade, mesmo que outros sejam hostis a ela.  Isso significa conceder aos opositores da liberdade a mesma tolerância que eles frequentemente negam aos defensores da liberdade. 

Nas palavras de Mises:

Contra tudo o que é estúpido, absurdo, errôneo e mau, o liberalismo luta com as armas do pensamento, não com a força bruta e a repressão.



autor

Matt McCaffrey
é professor de economia na Auburn University e editor do Libertarian Papers.


  • Edimar  09/12/2015 14:13
    É a doença que abrange o mundo desenvolvido e emergente. Uma nova Guerra Fria, só que não temos mais EUA versus URSS, por que essa guerra começa de dentro do país com a população dividida entre o bem e o mau disfarçado de bem. assim como Estado hoje em dia se torna um enter formado pelos maiores bandidos, terroristas, assassinos, mentirosos... de nossa sociedade que vivem de privilégios que dar assistencialismo ao pobre.
  • Sebastião Fabiano  09/12/2015 14:23
    É importante frisar que os problemas relatados por Schumpeter são criados pelo próprio ESTADO. Basta deixar as escolas livres, enfim: sem regulamentação; exterminar os sindicatos estatais e eliminar a necessidade de "diplomas" para exercer profissões. Pronto: estarão fechadas as fábricas de "estudantes de fábulas", os quais inevitavelmente ficam ressentidos quando descobrem que a vida não tem nada a ver com o que ele viu durante décadas nas frias cadeiras escolares.
  • Douglas Hosoda  09/12/2015 15:13
    Exatamente Sebastião, o objetivo do Estado é influenciar as pessoas contra o livre mercado, para justificar o aumento do seu tamanho. É exatamente o que ocorre hoje no Brasil.
  • WDA  18/12/2015 22:16
    Falso. O problema relatado é causado por PESSOAS de mentalidade anticapitalista, as quais podem estar ou não inseridas na máquina estatal.

    Muitos intelectuais que fazem propaganda anticapitalista não trabalham diretamente para o Estado, muitos dos frustrados que clamam por uma "redistribuição" que possa favorecê-los estão desempregados, muitos dos que pressionam por mais regulação e barreiras à livre concorrência são empresários, que levando suas empresas a destacar-se perante as demais, querem garantir as vantagens competitivas adquiridas, afastando a concorrência.
    E mesmo que já vivêssemos em uma sociedade sem Estado (algo muito longe da realidade) nada impediria, em linha de princípio, que um Estado se iniciasse. É isto o que fazem as milícias, por exemplo: pessoas armadas e organizadas, capazes de intimidar as demais propõem-se a "prover" algo a quem elas intimidam. Hoje eles oferecem inernet-gato e algumas facilidades como pretexto, mas fundamentalmente o que eles oferecem é "proteção", em geral basicamente contra eles mesmos. "Criam dificuldade para vender facilidade".
    O Estado sempre pode surgir onde: 1) haja pessoas de mentalidade anticapitalista - que não valorizem, portanto, a propriedade privada (o que inclui a propriedade dos outros), o trabalho, a livre concorrência, a liberdade em geral, a cooperação, e outras características e pressupostos do capitalismo; 2)que tenham meios de impor aos outros a sua vontade; 3)e pessoas que aceitem ou sejam incapazes de reagir eficazmente a essa situação.
    Portanto, o problema é mais profundo do que você indicou.
  • Anonimo  19/12/2015 10:21
    E como é que as pessoas adquirem mentalidade estatista, gênio? Não é culpa da propaganda feita pelo próprio estado (através da mídia comprada, do MEC etc) ou seja, em última instância culpa do próprio estado?
  • Emerson Luis  09/12/2015 14:45

    É sempre assim: o capitalismo é responsabilizado pelas consequências do intervencionismo e isso é usado como pretexto para ainda mais intervenções.

    A liberdade e a isonomia podem vencer, mas sua vitória nunca é definitiva e requer constante vigilância.

    * * *
  • Aprendiz  09/12/2015 15:08
    O que estamos vivenciando é a derrocada da sociedade atual. Muita ideologia, muito estatismo. O que é ensinado nas escolas é como o mundo enfrenta uma crise ambiental, uma crise social (guerras, fome), mas de maneira alguma quer falar como aquele lápis que está não mão do estudante foi parar ali. Tem produtos que as pessoas transparecem um sentimento de ilusão, magia, por não pensar como aquele produto foi parar em sua mão.

    O tanto de pessoas envolvidas para que um simples lápis chegue aos estudantes é algo maravilhoso de se pensar, todavia (nos impõe) esquecemos que estamos vivendo um sistema de cooperação - parece, sinceramente, que ensinam que cooperação só existe com o sentimento de afeição entre os indivíduos envolvidos.
  • Batista  09/12/2015 15:15
    Observemos o trecho abaixo:

    "[...] Ironicamente, no entanto, a sociedade se torna tão próspera e tão inovadora, que passa a ignorar a fonte de toda a sua riqueza, dando-a como natural, corriqueira e automática. Pior ainda: torna-se abertamente hostil a ela.[...]"


    E comparemos a esse trecho do livro de Maquiavel, O Príncipe, capítulo VIII:

    "[...]As injúrias devem, pois, fazer-se todas de uma só vez, para que, durando menos, ofendam menos e os benefícios aos poucos, para durarem mais. (46) Cumpre, outrossim, a um príncipe manter com os seus súditos relações tais, que nenhum acontecimento bom ou mau faça variá-las. Se assim não for, quando os tempos adversos trouxerem a necessidade imprevista, ele não terá mais tempo para praticar o mal, e o bem que fizer de nada servirá, (49) porque será considerado como uma imposição das circunstâncias e ninguém lho agradecerá. (50)[...]"

    "(46) Engana-se. É mister fazer-se temer e amar. Toda a questão reside aí. (Cristina da Suécia)
    -- Quando os distribuímos a mãos cheias, recebe-os muita gente que é indigna deles, e os outros não os agradecem. (Napoleão em Elba)

    (49) E então, por mais que se dê e prometa, de nada valerá, porque o povo permanece naturalmente insensível diante de quem cai por motivo de falta de previsão e longanimidade. (Napoleão em Elba)

    (50) Os homens dificilmente esquecem as ofensas, mas facilmente esquecem os benefícios. (Cristina da Suécia)
    "
  • Rene  09/12/2015 15:36
    Um intelectual falando contra o capitalismo é como um alpinista cortando a corda que o prende a um paredão de pedra, e faz isto justamente porque não foi ele quem teve que subir no paredão usando somente as mãos e perfurar a rocha para fixar um parafuso forte o suficiente para segurar a corda. Por isso que esta classe sempre foi a primeira a ser exterminada quando regimes totalitários como o Khmer Vermelho subiram ao poder.
  • Thiago Teixeira  09/12/2015 18:54
    Excelente analogia
  • Sebastiao Mendonça Ferreira  09/12/2015 16:13
    Marx, meio século antes de Schumpeter, fez esse mesmo raciocinio, com conclusões parecidas. Porem, essa lógica linear nao considera a complexidade dos fenómenos nem inclui as mudanças qualitativas.
    O mercado como mecanismo de inteligencia coletiva, o direito a iniciativa empresarial, o respeito à propriedade privada, o livre acesso à informação, os mecanismos democráticos, e varios outros avanços dos últimos séculos nao estão retrocedendo, mas reafirmando-se.
    A disputa de riqueza como forma principal de enriquecimento dominou a vida da humanidade por milhares de anos, até a revolução industrial inglesa. Esta forma de enriquecimento, sem geração de riqueza, é o paradigma natural dos socialistas, dos burocratas, e de grandes setores da população, em todas as classes sociais. A desqualificação ética da atividade empresarial é o recurso principal de todas as correntes parasitárias. Nao deveria surpreender-nos que a influencia deles ainda seja tão extendida.
    A globalização dos mercados e a expansão da clase media e alta na escala global estão criando incentivos extraordinarios à inovação e à iniciativa empresarial. Os motores do capitalismo estão hoje mais forte que nunca.
    É com a continuidade da revolução digital e da inteligencia artificial que podem vir perturbações maiores a essas perspectivas.
    Nao é na primeira parte do século 20 que vamos encontrar os códigos do futuro, mas nas tendencias emergentes do século 21.

  • anônimo  09/12/2015 16:29
    Marx teve a mesma conclusão, mas teve um raciocínio completamente oposto de Schumpeter.

    Marx achava que o Capitalismo iria colapsar e o Socialismo seria inevitável porque o Capitalismo seria um fracasso em trazer prosperidade para os trabalhadores.
    Já Schumpeter diz algo completamente diferente.

    Marx está completamente errado, já Schumpeter não sei dizer.
    A revolta contra o Capitalismo que vemos hoje é por causa da doutrinação nas escolas e por causa das mídias social-democratas como The Guardian, BBC, New York Times, etc, etc, não pelo que Schumpeter diz. Mas mesmo assim não sei se Schumpeter está certo ou errado.
  • Auxiliar 4  09/12/2015 17:11
    A revolta contra o Capitalismo que vemos hoje é por causa da doutrinação nas escolas e por causa das mídias social-democratas, (...), não pelo que Schumpeter diz


    Se você verificar com mais cuidado - notadamente, as transcrições que o McCaffrey faz de excertos do Schumpeter -, perceberá que a "doutrinação nas escolas" e "as mídias" estão incluídos na explicação do processo cujo resultado corresponde à "revolta contra o capitalismo".

  • Marcelo  14/12/2015 14:24
    Puxa... Por que será que o artigo me lembrou tanto "A revolta de Atlas" de Ayn Rand? :)
  • Enaldo Soares   09/12/2015 17:03
    Todo estudante universitário deveria tomar conhecimento do raciocínio exposto, e, quem sabe, deixar de ser manipulado por seus professores universitários
  • Taxidermista  09/12/2015 17:04
    "o argumento de Schumpeter faz ainda mais sentido em um contexto de intervencionismo do que em uma sociedade genuinamente livre"


    Sobre intervencionismo (estatal na economia) à luz da Escola Austríaca, a obra de Sanford Ikeda - "The Dynamics of Mixed Economy":


    www.libertarianismo.org/livros/dotmesi.pdf
  • Dissidente Brasileiro  09/12/2015 17:24
    Falando em fim do capitalismo:

    Capitalismo dará lugar à economia colaborativa, prevê autor de best-seller

    Então pessoal, o que acham? Eu tenho a minha opinião, mas quero saber a de vocês.
  • Auxiliar 2.1  09/12/2015 17:58
    A tese do sujeito (Rifkin): "enquanto o mercado capitalista baseia-se no interesse próprio e é guiado pelo ganho material, os bens comuns sociais são motivados por interesses colaborativos e guiados por um profundo desejo de se conectar com os outros; (...)"

    Ou seja, o sujeito contrapõe "busca do interesse próprio" no mercado à "motivação por interesses colaborativos", como se não fosse a busca do interesse próprio aquilo que dá ensejo à cooperação consistente na divisão social do trabalho.
    E ainda conclui pela "vitória" dos "bens compartilhados" sobre a "propriedade privada", tudo em virtude da "concretização do sonho de uma qualidade de vida sustentável"...

    100% bullshit: um simples verniz "modernoso" para dizer a mesma cantilena de sempre.

    É alguém que certamente ignora Mises, Rothbard e Hoppe.
  • Tiago silva  09/12/2015 18:03
    Oi Dissidente,na minha opinião pelo que eu pude ler na reportagem da folha,o cara tem um discurso parecido com o profeta barbudo,a condenação moral do lucro,e tal como o artigo de hoje descreve,ainda enche a boca para criticar o capitalismo,enfim mais um babaca metido a intelectual.
  • Tiago silva  09/12/2015 18:34
    Exactamente,Auxiliar 2.1,a mesma cantilena do profeta barbudo mas sob um capa de verniz nova.
  • Típico Universitário  09/12/2015 18:47
    Meus professores passaram mais de 35 anos na universidade estudando e lecionando em luta pelo fim do capitalismo e por um arranjo mais sensato e prudente, liderado por políticos ao invés de indivíduos falhos e corruptíveis. Só por experiência, eles entendem muito mais de emprego, produção e preços do que qualquer "produtor". Graças a eles, o Brasil conheceu a carne, a demanda agregada e o povo parou de entesouras riquezas e descobriu em massa durante o plano Sarney, por exemplo. Mas aqui só falam de prateleiras vazias.

    Depois de tanta militância, comícios, socializações, greves, chapas e outros intensos estudos eu ainda preciso ficar aguentando neanlibertais comentando sobre. Não é segredo para ninguém, quem já passou por qualquer DCE sabe: Schumpeter estava certo no prognóstico.

    Só que ele foi bonzinho demais em assumir a tolice dos sistemas de produção que só sabem consumir. Para um nugget é só ignorância dos intelectuais. Para nós é revolução.
  • Thiago Teixeira  09/12/2015 18:53
    É muito comum vermos a frase: "a educação é o principal fator que leva ao desenvolvimento".
    Pura falácia.

    Quem leva ao desenvolvimento é a riqueza, e quem gera riqueza é a producao de excedente e o livre-comércio.
    A producao de excedente ocorre quando a produtividade é alta, e a produtividade depende da divisao do trabalho.
    O livre comércio se favorece muito de uma moeda estável.

    A atividade produtiva alcança mais lucro quando a análise do mercado é acertada, e quando a administracao da producao é competente.

    A insegurança é o maior freio do enriquecimento: se produzo e sou roubado, produzirei menos; se tenho o simples medo de ser roubado, por indivíduos pu pelo estado, produzo menos.

    Onde entra educacao? Como um mero subfator da especializacao do trabalho...



    Essa estória de o governo dizer que vai te prover e vai te guiar é embromação, ele quer que você aceita dar-lhe mais poder, e portando mais oportunidade de roubar e controlar.



    Esse mimimi inconformado dos intelectuais não passa de uma recusa em aceitar a realidade; ou ao menos em admitir que é um incompetente, malsucedido.
  • Edujatahy  09/12/2015 19:58
    Verdade Thiago Teixeira.
    Uma certa vez quase fui "linchado" porque afirmei que liberdade econômica é muito mais importante do que educação para o desenvolvimento de uma nação.
    Algumas pessoas (ironicamente associadas à Universidades Federais) me chamaram de louco, fascista e por aí vai. Mas isto apenas me mostrou o quanto o livre mercado assusta as pessoas acomodadas. A dura realidade é que a liberdade econômica mostraria definitivamente que a grande parte deste "intelectuais" para nada servem.
  • anônimo  09/12/2015 20:08
    Ta sem argumento e quer ofender alguém(de forma ''intelectual'')? Chama de fascista!

    Impressionante como o que tu propuseste é completamente oposto ao fascismo, no entanto te chamaram de fascista hahaha.
  • Taxidermista  09/12/2015 20:21
    E vale complementar, caro Edujatahy, com o seguinte:

    "Conceitua-se educação como um instrumento procedimental sem valor intrínseco, baseado em um acordo de vontades verbal ou escrito, gratuito ou oneroso, segundo o qual um educador, direta ou indiretamente, transmite um conhecimento a um aluno, buscado em virtude de valores e interesses subjetivos deste último. É importante delimitar o conceito de educação para demonstrar cabalmente que a educação é, por sua natureza instrumental, desprovida de valor material, um mecanismo segundo o qual pessoas trocam informações relevantes para suas vidas. É uma atividade absolutamente espontânea na vida em sociedade e independe de qualquer regramento para ocorrer. No momento em que duas pessoas conversam e trocam informações, elas são, simultaneamente, educadores e alunos uns dos outros, sobre ilimitados temas. O ato educacional é eminentemente livre.": www.mises.org.br/Article.aspx?id=1137
  • Vera Teixeira  09/12/2015 20:24
    Desenvolvimento?
    O que é isso exactamente?
    Riqueza?
    Ter muito dinheiro?
    Sei que estamos a falar em economia, mas acho que desenvolvimento deverá ser também a nível pessoal, a riqueza devera vir de dentro de si.
    Mas........ não sou uma utópica, precisamos de dinheiro para viver, a questão é que este capitalismo apela-nos ao consumo, para a sua sobrevivência. E nós tontos, queremos mais, precisamos de mais dinheiro, temos mais disponibilidade para trabalhar, baixando o nosso valor como recurso.
    O conhecimento, deve levar a uma coisa, felicidade, entendimento, compreensão de si.
  • Edujatahy  10/12/2015 11:19
    O que eu acho interessante é o seguinte. Toda vez que se mostra que o desenvolvimento é alcançado através da liberdade econômica, respeito à propriedade e etc.. As pessoas em vez de entenderem e aceitarem preferem tergiversar e querer mudar o conceito de "desenvolvimento".
    Ué? Mas não é a esquerda que defende a distribuição de "riqueza"? Não é a esquerda que defende crédito subsidiado para incentivar... Olha só... O "consumo" dos mais pobres?
    Entenda Vera. Os "consumistas" não são os defensores do capitalismo livre, e sim a esquerda.
    Mas a tática é, estou sem argumentos vou apelar para o sentimento e emoção.

    A busca pela felicidade é algo pessoal, que pode OU NÃO, envolver educação. Para muitos a felicidade se encontra na fé, para outros no conhecimento, para outros no trabalho. Mas qualquer felicidade pessoal é mito mais fácil em um sistema capitalista do que em um socialista. O ponto é: cada indivíduo é LIVRE para buscar sua felicidade desde que não agrida terceiros inocentes.

    Mas voltando à economia. Será que é o "capitalismo" que estimula este "consumismo"? Apenas co
    O um exemplo, Será que a partir do momento que o estado tirou a responsabilidade individual das pessoas de pouparem (INSS, FGTS) para o futuro (previdência social) isso não afeta em nada o comportamento das pessoas no presente? Você realmente acha que o consumo desenfreado e inconsequente seria comum se as pessoas soubessem que se não poupassem por si próprias poderiam sofrer no futuro? Acho que seria bom rever seus conceitos antes de culpar o "capitalismo" por tudo.
  • Aprendiz  10/12/2015 11:22
    Desenvolvimento?
    O que é isso exactamente?

    Veja aqui.

    Riqueza?
    Sim.

    Ter muito dinheiro?
    Se necessário, sim.

    Sei que estamos a falar em economia, mas acho que desenvolvimento deverá ser também a nível pessoal, a riqueza devera vir de dentro de si.
    Então você deveria ver sobre desenvolvimento humano no site da ONU. De resto, o que você acha de "riqueza vir de dentro de si" é algo subjetivo e cada pessoa vai tratar disso de maneira diferente, não tenho como entender essa opinião.

    Mas........ não sou uma utópica, precisamos de dinheiro para viver
    Verdade, tens razão.

    a questão é que este capitalismo apela-nos ao consumo, para a sua sobrevivência.
    É, as propagandas estão aí para confirmar isso; obviamente tem de haver consumidores. Mas sigamos adiante para vermos onde você quer chegar...

    E nós tontos, queremos mais, precisamos de mais dinheiro, temos mais disponibilidade para trabalhar, baixando o nosso valor como recurso.
    Sim, quando áreas carentes são supridas criamos outras necessidades, o ser humano é assim. Não somos tontos. Tontería (espanhol) seria alguém comprar um celular de 800 reiais e estar passando fome em casa, isso sim é tolice. Mas cada um age como acha que deve agir, não posso culpar o capitalismo por haver alguns tontos. E ligando com a frase anterior, a função da propaganda é atrair o cliente, fazer com que ele gaste com determinado produto/serviço, mas ninguém está a obrigar ele a fazer nada.
    Ah sim, deve ser a tal da "coesão social" que faz o indivíduo ser consumista. Mas a culpa é somente dele. "Mas ele não quer sentir-se excluído de determinado grupo", mas se ele compra coisas para participar do grupo, então ele tem consciência do que faz. Não devemos esquecer, primeiramente a culpa é dele!

    o conhecimento deve levar a uma coisa, felicidade, entendimento, compreensão de si.
    Aí sim uma boa palavra: dever. Mas infelizmente você a usou mal. O conhecimento não deve nada, nem é garantia que buscá-lo leve à felicidade. Me disseram que é DEVER do estado me dar saúde, educação, segurança, tudo de qualidade, mas não vejo isso. Sei que o conhecimento é algo maravilhoso, mas nem todos buscam a felicidade por esse meio.

    Devemos parar de criticar o capitalismo apoiado na educação hoje oferecida, que distorce a realidade para manter o poder do estado sobre o indivíduo.
  • Aprendiz  10/12/2015 11:29
    Gente, não quero ser chato, mas das vezes que vi mulheres nas discussões, a maioria delas ia de contra o texto e no sentido de crítica ao capitalismo. Não quero supor nada, por favor, mas é muita coincidência eu me deparar com esse padrão. Eu queria saber se outros leitores do IMB estão na mesma situação.

    E se o padrão que estou vendo for verdade, quero saber por que isso acontece.
  • Fernando  10/12/2015 11:49
    Deve ter algo a ver com elas serem maioria nas universidades federais.

    Obs: não sou o infeliz daqui de baixo.
  • Jorge  10/12/2015 12:04
    Falando por mim (por minha experiência pessoal):

    sim, é muito raro ver alguma mulher defendendo economia de mercado. Todas as que conheci (inclusive na universidade), quase em sua totalidade, defendem o estatismo, e fazem "críticas" ao capitalismo, geralmente com a mesma cantilena de sempre.

    Mas não me arrisco a esboçar uma explicação.
  • Universitário Genérico  10/12/2015 12:52
    Seu comentário foi absolutamente machista e opressor, fruto da educação reacionária e patriarcal à qual você foi criado.
  • Rennan Alves  10/12/2015 12:16
    Pessoalmente, formulei uma teoria (certamente outros também, mas desconheço) acerca desta inclinação das mulheres contra o capitalismo.

    É bem simples: mulheres, em sua maioria, são emotivas demais por natureza. Pode parecer presunção, mas a pouca presença de testosterona tende a influenciar o julgamento emocional delas.

    Exemplificando: quando pensamos em capitalismo, temos que ter a frieza de que as pessoas precisam arcar com suas responsabilidades, que a pobreza sempre existirá, e que a desigualdade é algo inerentemente natural. O oposto a isso (social-democracia, socialismo, comunismo, etc.) prega uma sociedade igualitária, o fim da pobreza, e todos se ajudando.

    Agora pense: dado o forte apelo emocional das propostas e a forte carga emotiva inerente às mulheres, qual das duas opções será a escolhida? A que enxerga o mundo com "crueldade" (primeira opção), ou, um sonho a ser seguido (segunda opção)?
  • Tom  10/12/2015 13:07
    As mulheres precisam ler Ayn Rand.
  • Aprendiz  10/12/2015 15:09
    Pessoal, só foi eu mencionar isso e logo agora, eu aqui lendo o artigo "A injustiça da justiça social", me deparei com uma tal de Marcela nos comentários, que ao parecer concorda com as ideias expostas no IMB. Grata surpresa!
  • Mendigo  10/12/2015 15:25
    Marcella, cadê você??

    Apareça aí por favor!
  • Taxidermista  10/12/2015 12:00
    este capitalismo apela-nos ao consumo

    Do que você está falando? Do "capitalismo de estado" à moda keynesiana? Ah, esse sim "apela ao consumo", ignorando que a produção antecede ao consumo; os defensores desse modelo estatista é que não se cansam de defender o parasitismo como fonte de "prosperidade".

    Vera, o que causa miséria é, justamente, é a ignorância das noções de "produção" e "consumo":

    Quando nada da realidade se adapta à sua causa, o consumista é exímio em apontar causas totalmente imaginárias que, segundo ele, levarão a inevitáveis catástrofes econômicas. Invariavelmente, a solução defendida é fazer com que aqueles que nada produziram possam consumir à custa daqueles que produzem. O objetivo sempre será o de demonstrar a necessidade e os efeitos benéficos do parasitismo — apresentar o parasitismo como uma fonte de prosperidade geral: www.mises.org.br/Article.aspx?id=850
  • Thiago Teixeira  10/12/2015 21:53
    Fico com a teoria do Rennan Alves
  • Gunnar  11/12/2015 18:59
    Confesso que nunca entendi esse fetiche pela tal da "educação". De marxistas a conservadores, de funças a gerentes de multinacionais, de petistas a PSDBistas, em uma coisa todos concordam: o segredo para o desenvolvimento de um país está na educação. E geralmente vão além: a responsabilidade e o dever por essa "educação" seria do estado. Basta navegar as redes sociais para verificar que 90% do atual descontentamento com a gestão Dilma se deve a promessas não cumpridas, principalmente no quesito "investir em educação".

    Alguém arrisca uma explicação para a origem da correlação entre educação e desenvolvimento, que não encontra respaldo na teoria ou na prática, ou na História?

    Particularmente, creio que tenha muito a ver com o fato de que a disseminação desse mito favorece políticos e pretensos políticos, pois junta a coisa linda e nobre e fofa que é a imagem de uma sala de aula cheia de criancinhas uniformizadas e bem-alimentadas com a necessidade do estado (e conseqüentemente, dos impostos, ministérios, cargos, etc envolvidos).
  • Fernando  09/12/2015 19:10
    Vou fingir que acredito que o capitalismo e toda essa ideologia pregada por vocês fazem os patrões se tornarem bonzinhos, que fará com que as pessoas não se tornem avarentas, mesquinhas, exploradoras de mão de obra. Vou fingir, ok?
  • Thiago Teixeira  10/12/2015 02:23
    Não, o capitalismo em si não faz o patrão ficar "bonzinho".
    A queda de braço entre os funcionários de uma determinada ocupaçao e o patrão são quem determina o valor do salário e as condicoes de trabalho; além da variedade de opcoes de empregos para os funcionarios em outras empresas.
    É a disputa com concorrentes que leva o produtor a melhorar qualidade e/ou baixar o preço. É a disputa constante pelos consumidores que faz o produtor ficar alerta.

    O livre-mercado genuíno é magnífico: adestra os gananciosos para se voltarem às preferencias do consumidor, recompensa os diligentes, deixa de prover os preguiçosos e incompetentes...
    Quero ver qual ideologia utópica logra esses exitos.
  • Auxiliar 3  10/12/2015 11:47
    Vou fingir que acredito que o capitalismo e toda essa ideologia pregada por vocês fazem os patrões se tornarem bonzinhos, que fará com que as pessoas não se tornem avarentas, mesquinhas, exploradoras de mão de obra. Vou fingir, ok?

    Cidadão, aproveite e finja, também, que a ausência de capitalismo (ou seja, de economia de mercado) faz os planejadores/burocratas se tornarem bonzinhos; finja, também, que a ausência de capitalismo faz com que as pessoas não se tornem avarentas, mesquinhas, exploradoras de mão de obra.

    Assim você deixar sua vida de fingimento mais completa.
  • Aprendiz  10/12/2015 12:51
    Muito bom Auxiliar 3! Manda ele fingir também que trabalha pra sustentar o estado, e que os políticos estão aí para melhor servir a sociedade.

    Palhaçada, até o Típico Universitário consegue ir mais longe que você.
  • Tiago silva  09/12/2015 19:19
    Os posts do típico universitário são cada vez mais engraçados,eheheh!!!
  • Paulo  09/12/2015 20:27
    Schumpeter visualiza corretamente que a riqueza é fonte de "corrupção", lembremos o ensinamento de nosso Senhor Jesus Cristo: "É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus".

    Estudando a vida dos Santos Padres vemos como eles sempre exortaram a todos, ricos e pobres, a terem uma vida baseada no jejum, na oração e na caridade, seguindo os ensinamentos de Cristo.

    Mas a Igreja sempre ensinou que é possível o rico entrar no reino dos céus, e como consequência lógica também é possível o livre-mercado não se tornar socialismo. Mas para isso a sociedade deve se esforçar para se manter numa vida de virtudes e não hedonista na busca desequilibrada do prazer. Eis a lição de Schumpeter, o livre-mercado por si só não resolve, ele necessita de um substrato para se manter vivo, a vida virtuosa.
  • Adelson Paulo  10/12/2015 11:24
    Pena que o Vaticano e a maioria das igrejas evangélicas não pensem assim...
  • Paulo  10/12/2015 13:24
    Adelson Paulo

    Só posso dizer que aprendi isto da Igreja Católica, com sede no Vaticano e aprendi um pouco mais de escola austríaca com os padres escolásticos da Igreja Católica. Lembremos que atacar o amigo, não ferirá o inimigo, até onde sei o Cristianismo é ponto chave na criação de um ambiente favorável ao livre-mercado.
  • Thiago Teixeira  10/12/2015 21:58
    O ambiente economico pré-capitalista era tudo aqui que Marx dizia: economia como jogo de soma zero, exploracao, liberdade restrita.

    Os ricos desse tempo geralmente o eram por herança, ou por conquista militar (roubo), ou por boa-vontade do rei... Essas duas últimas formas são execráveis.
    Como o livre-mercado nos entregou outra espécie de rico, creio que os ricos honestos bem-sucedidos no livre-mercado de hoje não contariam com a desaprovação de Jesus.
  • Paulo  11/12/2015 14:02
    Thiago,

    Se Marx estava certo, por qual destes três fatores foi formada a burguesia pré-capitalista? De qualquer forma Thiago herança não é imoral, boa-vontade do rei é caridade então não é imoral e conquista militar (roubo) sempre existiram tanto antes quanto depois do capitalismo, só que lembremos que o conceito de guerra justa foi definido e consolidado pela Igreja Católica, com pensadores como Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, e dentro deste conceito você vai para a guerra para libertar um povo e não para explorá-lo.
  • Thiago Teixeira  12/12/2015 21:57
    Bons contrapontos.

    Na minha fala, nao falei mal da herança... "Essas duas ultimas formas", que são a boa-vontade do rei e o roubo. Por que falo mal da caridade do rei? Porque o déspota era o estado, e havia adquirido o patrimônio de forma imoral; nao era dele para ele escolher a quem favorecer.

    Bem lembrado sobre a burguesia pré-capitalista. Contemplei ela no "quase sempre", nao esmiucei a título de simplificacao.
    Na verdade, os mercadores eram agentes proto-capitalistas.
    Sobre eles, creio que Jesus falou mal apenas uma vez, na ocasiao da explusao do Templo, por estarem profanando um local que deveria ser exclusivamente religioso.
  • Paulo  14/12/2015 20:27
    Thiago, acho que chamar os reis de déspotas, é muito simplório, os reis até onde sei possuíam um direito legítimo sobre a sua propriedade, como os demais súditos tinham sobre a sua. Para questionar a formação da riqueza de um rei devemos olhar cada um individualmente, pois o patrimônio pode ter sido adquirido por alianças entre famílias, pela compra, pela reparação de uma guerra que ele não começou, pelo capital acumulado no uso de sua terra, etc. Por que o rei tinha terras não significa que ele roubou, como também se o súdito tinha terras não quer dizer que ele roubou. Esta é uma visão, no meu pensar (então posso estar erado), fruto do socialismo, de querer imputar a toda pessoa que tem muitas posses o adjetivo de ladrão, ainda mais porque figuras como o Papa, os Reis, e os Pais de família, representavam um sistema patriarcal que deveria ser destruído na visão dos pensadores iluministas e socialistas.
  • Tiago silva  09/12/2015 21:06
    Oi Paulo,desculpe-me mas isso está parecendo um pouca da "teologia"da libertação.

    O buraco é bem mais em baixo,a maior fonte de corrupção,é o governo,seja a nível económico,quer seja no plano moral,essa instituição criminosa já matou mais 200 milhões de pessoas,assim como quem toma um gole de água,essa sim é a maior fonte de corrupção.
  • Paulo  10/12/2015 13:16
    Não é teologia da libertação, a teologia da libertação associa a pobreza somente no plano material, ela é incapaz de dizer que alguém rico, pode alcançar a Santidade, ao contrário do ensinamento da Igreja Católica e do testemunho de inúmeros santos que foram ricos no plano material mais pobres no plano espiritual.

    A maior fonte de corrupção é inerente ao ser humano, somos propensos a nos deixarmos guiar por nossos desejos, por isso é importante uma vida de virtude. O estado pode auxilia na formação de pessoas desregradas, mas quem comete ou consente com o desregramento é o individuo, o estado cresce com a pequenez do individuo.
  • Paulo Roberto Bezerra  09/12/2015 21:29
    Tenho procurado ler bastante sobre o liberalismo, mas tenho um ponto onde minha dúvida não cessa: ele se refere à automação. Supondo que a automação e a tecnologia avancem continuamente, o que é provável, poderíamos vislumbrar um mundo de desemprego crescente. Por exemplo: a substituição de operários por robôs levaria a uma queda da demanda por mão de obra. Por sua vez, os donos dessas fábricas teriam lucros crescentes, concentrando renda de forma progressiva.

    O ponto que me surge é: à medida que as pessoas perdem empregos, quem compraria os produtos produzidos por aquela fábrica automatizada? Vocês acham que isto levaria a uma situação de equilíbrio? Ou a tendência seria uma concentração de renda infinita, com colapso do sistema e uma revolução social posterior? Alguém já escreveu sobre isto?

    Sei que empregos novos surgem à medida que outros desaparecem, mas não haveria um limite em que a automação engoliria a maior parte dos empregos?

    Se puderem me responder, agradeço. Sei que a pergunta é bastante utópica, mas não impossível no longo prazo. E também, não deixa de ter relação com este texto.
  • Taxidermista  09/12/2015 22:01
  • anônimo  10/12/2015 03:38
    Esse negócio de robô inteligente dominando tudo é historinha inventada pelos maconheiros de hollywood, gente que mal sabe fazer uma raiz quadrada, se é que sabem, e querem se meter a entender de inteligência artificial.
    Nunca forme opinião assistindo as porcarias de hollywood.Esse dia que vc teme nunca vai chegar, sabe por quê? Nem tudo é automatizável.Fale com um engenheiro de automação e ele vai te dizer isso, nem tudo é automatizável, e tem muita coisa que pode até ser,mas não vale a pena.
  • opinador  10/12/2015 11:15
    Realmente é um pouco de exagero.

    Mas eu acredito que inteligencia artificial irá avançar muito.

    Mas com certeza pelo menos a uns 500 anos a gente não irá ver esses robôs de filme...rs
  • Andre Cavalcante  10/12/2015 14:17
    Olá

    "Mas com certeza pelo menos a uns 500 anos a gente não irá ver esses robôs de filme...rs"

    Na verdade nós NUNCA iremos ver robôs iguais aos do filme, porque quando a tecnologia estiver suficientemente avançada para produzir tais, NÓS SEREMOS os robôs....
    When Will We Become Cyborgs?

    Abraços
  • Thiago Teixeira  10/12/2015 22:19
    Esse futuro extremo que o cidadão imaginou é um questionamento interessante...
  • Aldo Anizio Lugao Camacho  24/12/2015 22:49
    Paulo, confesso que compartilhava da mesma preocupação que você e acabei notando que esse não é um fato apenas isolado na robótica.

    O conceito de automação e máquinas substituindo humanos estará presente em todos os setores da cadeia produtiva. É um conceito bem amplo e não se resume apenas à robôs con inteligência artificial.

    Eu dou por exemplo algumas áreas da informática (é apenas um entre inúmeros exemplos). Hoje vejo muitos profissionais reclamando que o preço da formatação de computadores caiu vertiginosamente mas não se deram conta que a demanda também caiu, hoje os sistemas operacionais são cada vez mais automáticos, os smartphones tomaram conta do mercado e suprem muito bem o papel de um computador para uso básico e com a chegada do Windows 8 em que o mesmo se formata sozinho esse serviço está fadado a morte. Abstraindo o conceito vemos claramente que temos pequenos robos (celulares e computadores) substituindo o trabalho de seres humanos.

    Eu por exemplo sou desenvolvedor web e muitas tarefas que há cerca de 1 ano eu teria de fazer manualmente hoje eu faço com poucas linhas de código. O próprio Google tem uma politica interna em que 70% do que é feito hoje deve se tornar automatizado daqui 1 ano.

    Olhando por essa ótica vemos que varias pessoas perderiam o emprego mas essa automação nos traz a vantagem de produzir mais rápido, com menos erro e podendo focar em tarefas mais avançadas que requerem a interação humana. É algo que força o profissional a estar sempre se especializando.

    Hoje a unica preocupação que tenho é com a velocidade que a sociedade entende esse processo e absolve a necessidade de estar em constante evolução e capacitação.
  • Jonas Corpes  09/12/2015 21:34
    É estranho o que Schumpeter afirma, pois o capitalismo não tem um fim último; em si ele já é um fim, pois significa livre-mercado, prosperidade, igualdade, IDH lá em cima...logo, o que J.A.S. previu só poderia acontecer em uma classe de ignorantes ou de corruptos
  • Mendigo  09/12/2015 22:03
    Você não confundiu aí "fim" no sentido de "finalidade" com "fim" no sentido de "término"?
  • Tiago silva  09/12/2015 22:07
    Mesmo num mudo de alta automação,robôs precisam ser construídos,reparados,desenhados aprimorados,sem contar com a revolução tecnológica permitida pelas impressoras 3 d que vão baixar imenso os custos de produção contando que governos não interfiram,a despeito das estúpidas leis de copyright,os pobres estarão numa situação bem melhor.

    Além disso é possível que os ordenados caiam em termos relativos,mas o rendimento real aumentará,visto que há uma quantidade de bens maiores,o único empecilho é o governo,que gasta demais,e que vive desvalorizando a moeda.
  • anônimo  09/12/2015 23:12
    Esse otimismo do Mises, ele não mudou de idéia quanto a isso no fim da vida?
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  09/12/2015 23:14
    Podem esquecer as esperanças ou medos: o Capitalismo venceu.
  • Tiago silva  09/12/2015 23:34
    Não anónimo,Mises era inteligente demais para isso.
  • Marcelo Simoes Nunes  09/12/2015 23:53
    Schumpeter, em sua explicação, é simplesmente brilhante.
    Discordo, no entanto, do autor ao final do texto:"No entanto, ao contrário do que diz Schumpeter, o socialismo não é inevitável. Como Mises nunca se cansou de argumentar, a liberdade pode triunfar, mas, para isso, é necessário vencermos a batalha das idéias. Porém, essa batalha só pode ser vencida por meio da lógica cuidadosa, da exposição clara do pensamento e de um firme compromisso para com a difusão pacífica da verdade, mesmo que outros sejam hostis a ela. Isso significa conceder aos opositores da liberdade a mesma tolerância que eles frequentemente negam aos defensores da liberdade."
    Um único comentário: todo isso faz sentido no que se refere a fazer a cabeça de que é vítima do estado. Não se ensina lobos a comer alface. E essa batalha pelas mentes, uma vez vencida, terá de confrontar-se, inevitavelmente com o inimigo, não no plano das idéias, já conquistado, mas no plano físico da força bruta. Esquecer isso é ser ingênuo, no mínimo. Quem discordar que apresente melhor argumento.

  • A Presidente que Roubava Eleições  10/12/2015 01:05
    Não, sô. Que isso. Para o estado burrar tudo não é passo em falso, é caminho mesmo. Gosto muito do Mises (e até do Schumpeter, apesar de ele não ser um dos austríacos), mas não acho que vai ter batalha de ideias. Porque não é com ideias que se ganha, é com mentiras e comprando as pessoas com generosidades (de exportadores, de sindicatos, de intelectuais, dos funças e por aí vai), criando gado ("sou do Levante, tô com maduro" / jornalistas) e se prostituindo ao menor denominador comum (classe política), que em nenhum estado do mundo é um libertário. Tudo isso enquanto você xinga até a morte e expulsa os "coxinhas" pouco a pouco enquanto chama isso de justiça.

    Ideias importam mais em uma lanchonete do que no estado. A lanchonete perde dinheiro se fizer mau feitos, o estado ganha uma desculpa para pegar mais, especialmente se culpar as pessoas certas para comprar os interessados. Se ideias realmente fossem importantes, acho que o IMB nem precisaria existir. Metade "dos grandes" que justificam as intervenções dos autores daqui estaria embaixo de uma pedra xingando o mundo e a outra metade só ficaria dando razão.

    É só o que eu penso, só isso... É que tem um cachorro sempre atrás das crianças.
  • Professor Comunismo & Doutor Geografia  10/12/2015 01:17
    Vou fingir que acredito que o capitalismo e toda essa ideologia pregada por vocês fazem os patrões se tornarem bonzinhos,

    A legislação governamental e os impostos protegem os vigaristas que usam o estado para fugir de competição e aumentar as barreiras para a criação de negócios, o que gera competição e dá motivos aos empresários para oferecer serviços melhores. Só olha para as campeãs de reclamações do consumidor no Procon: quase sempre são oligopólios protegidos pelo estado. O melhor exemplo é o setor de telecomunicações, que é um lixo.

    gizmodo.uol.com.br/unicel-acusa-anatel-e-operadoras/ e www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/02/1234847-empresa-acusa-anatel-de-negociar-decisoes.shtml

    Ser libertário ou o que for não é ser pró-empresário. É justamente no livre mercado em que os mais eficientes prosperam e incompetência vira chance de investimento, quando há plena liberdade para competir.

    que fará com que as pessoas não se tornem avarentas, mesquinhas, exploradoras de mão de obra. Vou fingir, ok?

    O estado vai. Olha como funciona atualmente. Os políticos em especial são excelentes exemplos de seres divinos que até esquecemos que nós podemos odiá-los, mas na verdade o estado é feito deles.

    A ganância dos outros só me fere se eles querem colocar a mão no meu bolso. Felizmente, sem o estado, eu tenho o direito de meter bala em quem fizer. O positivo do mercado é que se você quer dinheiro, você vai ter que produzir algo que as pessoas querem mais do que tudo que o próprio dinheiro delas pode comprar; tem que fazer algo que elas querem.

    E sobre os salários, a vida é curta demais para falar sobre isso pela milésima vez. Só digo uma coisa: não é a bondade do patrão nem a necessidade do empregado que dizem quem ganha quanto. Se você quer melhorar a vida dos outros, não é chorando no IMB. É produzindo alguma coisa que torne a vida delas mais fácil e mais barata
  • Leonardo  10/12/2015 03:37
    E se o capitalismo na verdade estiver passando por uma transformação?
    Estou lendo "sociedade com custo marginal zero" de Jeremy Rifkin, tem me parecido bem lógico e em certos momentos me parece ser alguém que consegue pegar o que há de melhor do liberalismo e do socialismo (relação bizarra?) dando exemplos práticos da transformação de nossa economia com a redução dos custos de se produzir coisas (alimentação, energia, transporte, etc.). Gostaria muito de encontrar por aqui visões a respeito das ideias de Jeremy Rifikin.
  • Rennan Alves da Costa  10/12/2015 11:16
    Leia a resposta mais acima do Auxiliar 2.1 ao leitor Disidente Brasileiro.
  • Taxidermista  10/12/2015 17:13
    Leonardo, por favor não se deixe enganar.

    Leia:

    "Alterações sutis na terminologia começaram a ganhar força desde o início da crise financeira, e só se intensificaram de lá para cá. Hoje, é corriqueiro vermos filósofos, sociólogos e até mesmo economistas clamando por um "socialismo de mercado", ou por um "mercado socialmente regulado", ou por um "capitalismo comunitário", ou por um "capitalismo social", ou por um "empreendedorismo mais includente". Igualmente comuns são os apelos para se acabar com algo que chamam de "capitalismo excludente" ou "capitalismo selvagem".

    Superficialmente, tudo isso parece inofensivo, até mesmo positivo. Com efeito, para muitas pessoas, inclusive líderes empresariais, essas novas categorias de pensamento representam um passo inteligentemente progressista na direção correta, em que as finalidades produtivas do capitalismo são respeitadas ao mesmo tempo em que alguns elementos de fiscalização social são incluídos no arranjo. Como benefício adicional, dizem seus defensores, a palavra 'capitalismo' fica purificada de suas conotações depreciativas.

    Mas é aí que jaz o perigo. Na raiz deste linguajar sutil está a filosofia de que o cerne do sistema capitalista — o indivíduo e seus ganhos individuais, sua busca pelo lucro, seu interesse próprio, sua distinção pessoal e até mesmo a sua glória — é algo na melhor das hipóteses reprovável; na pior, inerentemente e irremediavelmente criminoso e corrupto.

    Simultaneamente, de acordo com tal pensamento, somente uma mentalidade grupal/comunal/social possui um objetivo econômico legítimo e, por extensão, moralmente superior. Esse modismo recorre ao truque baixo de equiparar o genuíno capitalismo ao atual arranjo corporativista em que uma pequena elite que tem boas relações com políticos é beneficiada com subsídios, com políticas protecionistas e com regulações específicas que lhe garantem reservas de mercado. Recorre também ao truque baixo de equiparar capitalismo com o gangsterismo de alguns bancos que, justamente por saberem que serão socorridos pelo estado caso façam apostas mal sucedidas, fazem lambança, se tornam insolventes e derrubam economias inteiras. O objetivo é solapar e difamar o conceito de capitalismo.

    A premissa do capitalismo é dessa maneira revertida: os fins passam a ser a coletividade, e a redistribuição passa a ser uma ética suprema, mais importante do que a proteção aos meios fundamentais de produção, que são o indivíduo, sua mente e sua capacidade. O igualitário se torna o objetivo a ser almejado ao passo que o aristocrático — os tradicionais padrões éticos e morais, o planejamento de longo prazo e a perpetuação da geração — se torna o objeto de desprezo.
    ": www.mises.org.br/Article.aspx?id=1840
  • Leonardo  11/12/2015 02:07
    Valeu taxidermista, eu me policio para saber a posição política dos autores que leio. No caso do Rifikin independente da visão política dele vejo que os livros focam em estudar algum fenômeno que ocorre na sociedade, por mais que se encontre termos que possam parecer apoiar algum tipo de socialismo, vejo também muitos termos apoiando liberalismo, no final das contas ele me parece estar mais preocupado em analisar o que está ocorrendo na sociedade do que evangelizar pessoas para seu posicionamento político. Acho até que as ideias dele mais apoiam do que discordam do liberalismo, posso estar enganado, mas espero ainda poder encontrar uma reflexão do liberalismo sobre as ideias dele, valeu!
  • Taxidermista  11/12/2015 13:10
    Prezado Leonardo,
    eu não pretendo ser um "estraga-leitura"; se você está gostando do Rifkin, vá em frente.

    Mas não há como defender "socialismo" e economia de mercado (capitalismo laissez-faire) ao mesmo tempo, nem utilizando eufemismos ou floreios retóricos. É algo self-defeating, o que prejudica qualquer "análise a respeito do que está acontecendo na sociedade".

    E essa separação que você faz (ou tenta fazer) - "analisar o que está ocorrendo na sociedade" em contraposição a "apoiar liberalismo ou socialismo" - é artificial no caso do Rifkin, pq ele se propõe a (supostamente) analisar "o que está ocorrendo na sociedade" para extrair conclusões a respeito do sistema econômico.

    Perceba, Leonardo: o Rifkin afirma que o "mercado capitalista" estaria indo para um caminho de "superação" por um sistema de "bens compartilhados" (ele diz que o "capitalismo dará lugar a uma economia compartilhada"); assim, ele propugna uma "vitória" dos "bens compartilhados" sobre a "propriedade privada", tudo em virtude da "concretização do sonho de uma qualidade de vida sustentável", dizendo ele o seguinte:

    "Enquanto o mercado capitalista baseia-se no interesse próprio e é guiado pelo ganho material, os bens comuns sociais são motivados por interesses colaborativos e guiados por um profundo desejo de se conectar com os outros."

    Agora me diga, sinceramente: você já não ouviu essa conversa antes?
    E, em relação à sua frase de que "espero ainda poder encontrar uma reflexão do liberalismo sobre as ideias dele", eu te coloquei ali a reflexão crítica sobre esse tipo de "ideia" a respeito do capitalismo laissez-faire. Leia ali de novo (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1840). Seja como for, a literatura libertária sobre esse tipo de "ideia" é interminável (consulte os artigos do Mises, do Rothbard e do Hoppe aqui no site).

    Destarte, e sendo direto: sob o viés do libertarianimo (e da EAE) essas ideias do Rifkin são furadas.

    Leonardo, volto a dizer: minha intenção não é ser um "estraga-leitura"; mas como você insistiu, a título de colaboração te repasso dois artigos de um libertário (e economista da escola austríaca) a respeito dessas "ideias" do Rifkin:

    https://mises.org/blog/rifkins-folly


    https://mises.org/library/we-do-not-live-post-scarcity-world


    Tem uma versão em espanhol de um deles:

    www.miseshispano.org/2014/04/no-vivimos-en-un-mundo-post-escasez/


    Leonardo, o que Rifkin pretende defender com essa conversa de "Zero Marginal Cost Society (the Eclipse of Capitalism)" é que estaríamos adentrando num mundo de "pós-escassez"; mas isso é uma bobagem, conforme exposto nesse artigo do site:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2214


    Leonardo, acho que agora você tem material para fazer uma nova reflexão crítica.

    Abraço cordial.









  • Leonardo  11/12/2015 20:29
    Valeu Taxidermista! Eu estava procurando contra-pontos as ideias deles para ter uma opinião, obrigado pelas dicas!!
  • Adelson Paulo  10/12/2015 11:44
    Tenho identificado que o argumento principal das forças de esquerda hoje em dia não é mais contra o capitalismo como gerador de riquezas, pois neste campo o socialismo foi fragorosamente derrotado. As forças de esquerda hoje atacam o capitalismo pela geração de desigualdade. A todo momento aparecem estatísticas (muitas inconsistentes e manipuladas) mostrando a desigualdade no mundo, em que poucos detém e maior parte da riqueza. A partir disto evocam-se os "bons sentimentos" das pessoas na luta por uma sociedade "mais justa", em que todos possam viver com dignidade. Este argumento contra a desigualdade, por basear-se na inveja e no ressentimento contra o sucesso alheio, é muito mais forte e mobilizador, e qualquer defensor do livre mercado é facilmente tachado de insensível e ganancioso, quando não de "fascista".
    Esta luta contra a "desigualdade" fornece a justificativa para a ampla intervenção do Estado para corrigir estas "injustiças" e, se necessário, desapropriar os bens e o patrimônio que não "cumprem a função social". Além disto, inserem-se neste arcabouço a mobilização das "minorias" excluídas, sempre caracterizadas como "exploradas pelos detentores do capital", e a luta contra as "nações imperialistas" (que coincidentemente são as nações baluartes da Civilização Ocidental).
    Esta "luta contra a desigualdade" tem ampla repercussão na mídia, nos meios artísticos e intelectuais, que sempre buscam o discurso politicamente correto que agrade à maioria inerte do público consumidor. Os discursos pela "justiça social" e o voto "nas esquerdas" funcionam como um bálsamo para as consciências culpadas.
    Esta minha argumentação já foi bastante desenvolvida em artigos aqui no Mises. Apenas ressalto que este me parece ser o maior catalisador do apoio às forças intervencionistas e anti-capitalistas: o discurso pela "justiça social".
  • Taxidermista  10/12/2015 12:37
    Sobre isso, meu caro, vale lembrar o artigo do Ben O'Neill:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=931


    E também o volume II ("The Mirage of Social Justice") do "Law, Legislation, and Liberty", do Hayek:

    www.libertarianismo.org/livros/lllfh.pdf

  • Economista Libertario  10/12/2015 13:23
    Prezado Adelson Paulo,

    Parabéns pelo comentário escrito de forma brilhante.

    Quero agradecer por enriquecer o debate neste fórum.
  • Batista  10/12/2015 15:56
    E o Capitalismo segue sendo taxado de culpado, conforme pode ser lido nessa matéria:

    "Es verdad que Maduro y su equipo vienen en un curso cada vez más a la derecha y capitulador. Entre 2014 y 2015 pagaron 27.000 millones de dólares a los usureros internacionales, a costa de las privaciones que sufre el pueblo de Venezuela."
  • Juan Domingues  10/12/2015 16:51
    Tendo a concordar com Schumpeter mas não me arrisco a dizer que um livre mercado "inevitavelmente" se torna o socialismo. Acho sim que o livre mercado inevitavelmente sustenta os socialistas (não que isso seja um argumento contra o livre mercado, é apenas uma constatação) e tenho um dado a mais que ele não tinha: os dias atuais.
    A mera existência do pensamento de esquerda/coletivista/socialista por 150 anos e a radicalização de partidos como o partido Democrata nos EUA por exemplo (antigo berço do liberalismo clássico e hoje um país já bem mais coletivista e interventor) é um sinal claro de que o mercado não acaba com o socialismo, pelo contrário, o alimenta.
    O mercado é tão bom, mas tão bom em produzir riqueza que fatalmente ele chega a um ponto no qual os indivíduos menos atentos se esquecem de um fato básico da natureza: a escassez.
    E para quem não acredita em escassez (caso dos socialistas), tudo passa a ser uma questão de "como dividimos melhor as riquezas".
  • Andre Cavalcante  10/12/2015 18:13
    Juan Domingues,

    Você inicia dizendo que tende a concordar, mas que de fato não concorda com o texto, entretanto você usa exatamente as mesmas considerações do autor...

    Mais atenção na próxima...

    Abraços


  • Paraninfo  10/12/2015 19:35
    A igualdade social é impossível.

    É possível igualdade de salário de 30 mil reais por mês, com salários iguais aos dos parlamentares ?

    Como alguém pode ter a cara de pau de falar em igualdade ganhando 30 mil por mês ?

    Um senador pode ganhar 2,4 milhões em 8 anos de mandato.

    Esses socialistas só querem igualdade para os outros.
  • WDA  18/12/2015 21:40
    Ele só esqueceu de mencionar os que, tendo ficado muito ricos em um ambiente capitalista, procuram criar reservas de mercado, monopólios ou, pelo menos, oligopólios em seu favor, buscando pressionar os governos para que criem regulações e legislação capazes de reduzir a concorrência e manter fora do mercado possíveis entrantes que poderiam ameaçar sua hegemonia.
  • WDA  19/12/2015 01:14
    Educação é fundamental! Portanto, discordo de você.

    É verdade que muitos abusam deste termo. Alguns tomam o termo educação por "educação formal" e muitos esquerdistas o tomam por "doutrinação esquerdista". Na primeira acepção, a educação pode ser ineficaz, na segunda é francamente prejudicial. Logo, não surpreende que com este tipo de "educação" o resultado seja tosco.

    Mas educação transmite a idéia de formação, e ela é essencial para a vida em sociedade e para os seus resultados profissionais. Dependendo da sua formação você será mais apto a conviver em sociedade ou menos, você será mais culto ou menos culto, mais competente ou menos competente.

    Essa educação pode ser formal ou autodidata, mas é necessária. Se vc se acomodasse e não se preocupasse com sua educação/formação, vc ficaria preso às suas limitações iniciais, sem nunca se aprimorar. Com isso sua produtividade ficaria estagnada.

    De fato, uma das acepções da palavra educação é: "aplicação dos métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano; pedagogia, didática, ensino", o que confirma o que eu disse.

    Vc falou em excedente, divisão de trabalho, etc. mas tudo isso pressupõe algo: o próprio trabalho. E para realizar algum tipo de trabalho vc precisa de algum tipo de aprendizado, algum tipo de formação. Se vc não aprender a fazer algo, vc será incapaz de produzir. Sem aprimorar suas habilidades, você não poderá se tornar mais eficiente, e sem maior eficiência sua produtividade não poderá aumentar, logo você não poderá gerar excedente. E sem um esforço intencional no sentido de educar-se/formar-se, nada disto seria possível.

    Achei curioso você começar falando de riqueza e da produção de excedente, sem antes falar claramente do trabalho. E sem ter notado que para realizá-lo é fundamental a educação. Certamente isso é verdadeiro para o ser humano, pois o desenvolvimento humano pressupõe a transmissão intencional de informações e o desenvolvimento da sociedade pressupõe um ser humano minimamente desenvolvido.

    Além disso, a educação também promove um tipo de riqueza de difícil apreciação econômica: a riqueza espiritual. Ou seja, aquela que é imaterial. O conhecimento, o caráter, a habilidade possuem um valor óbvio para quem os têm. Há vezes em que se consegue traduzir isso economicamente: um sujeito habilidoso pode cobrar mais caro por um serviço, um sujeito confiável também. Mas mesmo que você não as esteja aplicando num contexto de troca econômica, estas qualidades têm um valor inegável para que as possui.
  • Anna  24/06/2016 17:39
    É exatamente o que está acontecendo nos EUA. Estão abraçando o socialismo após décadas e mais décadas de prosperidade e riquezas, por estarem acostumados e não compreenderem de onde veio isso tudo.
    Triste.


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