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Um Banco Central é incompatível com uma economia livre

Controle de preços é algo vilipendiado quase que universalmente pelos economistas.  As consequências negativas de se impor preços mínimos e preços máximos são numerosas e muito bem documentadas.  Por outro lado, os economistas não só aceitam normalmente, como também debatem entusiasmadamente, a mais importante, porém menos compreendida, manipulação de preços que ocorre no mundo atual: a manipulação das taxas de juros.

Ao determinar a taxa básica de juros - que nada mais é do que a taxa à qual os bancos fazem empréstimos entre si no overnight com a intenção de manter os níveis de reservas bancárias (compulsório) determinados pelo Banco Central - o Banco Central assume o lugar dos participantes do mercado, que é quem teoricamente deveria determinar os juros através de suas ações, compatibilizando a oferta de poupança com a demanda por ela.

O Banco Central e o governo federal não ousam fixar os preços da madeira, do aço, dos automóveis e dos imóveis.  Entretanto, quando o Banco Central determina a taxa de juros - e pelo fato de esta ser o preço do dinheiro para aquele que contrai empréstimos, o que afeta toda a demanda por dinheiro -, ele está afetando os preços de toda a economia de uma maneira menos explícita porém tão deletéria quanto um controle direto de preços.

O exemplo da União Soviética já deveria ter nos ensinado que nenhum indivíduo, nenhum grupo de pessoas, não importa sua capacidade científica, pode arbitrariamente determinar preços sem que isso gere caos econômico.  Somente a interação espontânea dos participantes do mercado pode levar ao desenvolvimento de um sistema de preços que funcione corretamente e que permita que as necessidades e desejos de todos os participantes sejam satisfeitas.  A sensação que fica quando se lê as atas do Banco Central é que a taxa de juros é frequentemente determinada de acordo com os caprichos e fantasias dos diretores da instituição. Os defensores dizem que há critérios científicos por trás de cada escolha.  Entretanto, mesmo explicações mecanicistas como a Regra de Taylor dependem de estatísticas que ficam totalmente a critério dos burocratas do Banco Central: qual o PIB potencial, qual índice de inflação será utilizado, qual segmento deve ser desconsiderado (alimentos, energia, educação), etc.  No fim, o que temos é uma economia centralmente planejada.

Quando os agentes de mercado são obrigados a gastar boa parte de seu tempo tentando descobrir a próxima jogada desses fixadores de preços, analisando cada frase das declarações e das minutas do Comitê de Política Monetária, eles necessariamente se afastam das atividades econômicas produtivas.  Eles deixam de ser atores econômicos e forçosamente se tornam prognosticadores políticos.  Este não é um problema econômico isolado, uma vez que as empresas também têm de levar em consideração outras intervenções estatais, como aumento de impostos, isenções fiscais expirantes, tarifas de importação, subsídios aos concorrentes, etc.  Entretanto, como a taxa de juros determina o custo dos empréstimos e, consequentemente, determina se investimentos de longo prazo devem ou não ser empreendidos, essa manipulação estatal tem um impacto muito maior do que outras políticas governamentais.

É a manipulação dos juros que causa os ciclos econômicos. Quando os juros se tornam artificialmente baixos, o mercado é distorcido e os empreendedores são levados a fazer maus investimentos - investimentos que não fazem sentido à luz dos recursos presentemente disponíveis (que parecem maiores do que realmente são).  Esses investimentos irão ocorrer nos estágios mais remotos da estrutura do capital, isto é, nos estágios da produção mais afastados dos bens de consumo final.  Porém esses investimentos não serão sustentáveis a longo prazo, pois não há poupança real disponível para tal (os juros foram diminuídos artificialmente).  Quando o padrão normal de consumo for readotado, esses investimentos revelar-se-ão inúteis e a recessão será a consequência.  Esses investimentos errôneos não teriam acontecido caso o banco central não tivesse brincado com os juros e tivesse permitido que eles informassem o preço e a quantidade real dos recursos disponíveis.

Até entendermos os resultados que essas ações do Banco Central provocam, a economia estará fadada a repetir esses períodos abruptos de expansão e recessão.  É imperativo que se entenda que não pode existir livre mercado enquanto houver um banco central.  Se o preço do dinheiro, que é preço mais importante da economia, é determinado pelo governo, então estamos vivendo sob uma economia planejada.

 


autor

Ron Paul
é médico e ex-congressista republicano do Texas. Foi candidato à presidente dos Estados Unidos em 1988 pelo partido libertário e candidato à nomeação para as eleições presidenciais de 2008 e 2012 pelo partido republicano.

É autor de diversos livros sobre a Escola Austríaca de economia e a filosofia política libertária como Mises e a Escola Austríaca: uma visão pessoal, Definindo a liberdade, O Fim do Fed – por que acabar com o Banco Central (2009), The Case for Gold (1982), The Revolution: A Manifesto (2008), Pillars of Prosperity (2008) e A Foreign Policy of Freedom (2007).

O doutor Paul foi um dos fundadores do Ludwig von Mises Institute, em 1982, e no ano de 2013 fundou o Ron Paul Institute for Peace and Prosperity e o The Ron Paul Channel.


  • Yasmin Thuanny  05/02/2010 12:35
    Gostei muito da matéria publicada, inclusive gostaria que mandassem mais informações sobre para meu e-mail.
  • CR  28/07/2010 12:15
    Na mosca! O dinheiro não pertence ao governo, muito menos aos bancos, e sequer à Nação. Ele não é objeto. É meio. Em perfídia dialética a terra pode até se confundida como meio-de-produção, mas é objeto. O mais claro e distinto de todos. E o dinheiro pode até representar o objeto. Mas ele é apenas e exclusivamente meio de produção, forma de fazer tudo germinar. O preço do aluguel a ser pago pelo uso do meio para atingir o objeto não pode ser maior, e muito maior, umas vinte vezes maior, do que o preço pago pelo uso do próprio objeto, durante igual tempo. Algo está desconforme. Enquanto um bem imóvel no valor de R$100 mil arrecada R$1 mil de aluguel mensal, seu representante móvel cobra no taxímetro uma estupenda corrida de R$20 mil! E isso só é possível porque o próprio meio se transformou em objeto.
    O Banco Central trata o dinheiro como mercadoria, mas só alcança o mais alto preço pelo objeto que inventou porque detém o monopólio de sua industria e comércio.
  • Carlos Santos  28/07/2010 12:50
    Leandro, se puder gostaria que você respondesse...\r
    \r
    Se o Banco Central passasse a estipular o compulsório em 100% dos depósitos e parasse de tabelar o preço do dinheiro, se dedicando apenas a estabelecer normas de concorrência e obrigações para o setor bancário, tal como as agências reguladoras fazem com as concessionárias de serviços públicos, ele ainda assim seria ruim ou passaria de vilão a mocinho?
  • Bernardino  28/07/2010 13:28
    Fruto de sequencia historica de erros e acertos, de uma evolução necessària a esta atual organização, o sistema bancario tende muito mais à um controle mais strito de certas atividades financeiras que de retentar à cometer os mesmos erros ou agradar utopias tais quais estas pregadas neste artigo.\r
    \r
    Todos sabemos que mesmo a tentativa de Hayek de criação de um sistema de Moedas paralelas e concorentes no seu "Denationalisation of Money" (onde se criam marcas monetarias) é fadado ao echec devido aos custos ligados à proteção das marcas monetarias privadas pertencendo à cada banco, assim como à insatisfação da garantia dos direitos de propriedade dos detentores de moedas. \r
    De maneira legal ou arbitraria os bancos reviriam à um sistema de convertibilidade ao par.\r
    \r
    Para assim concluir, Hayek cai em sua propria contradição assim como tal artigo, seu plano assim como a maioria dos planos utopicos presentes em artigos do calibre deste que vem de ser publicado, cai na armadilha do construtivismo.
  • anônimo  28/07/2010 21:58
    Eu acho que deveria ser tema de seu próximo artigo se no padrão-ouro puro ocorreria ciclos econômicos. Como explicou Mises, no Império Romano, não havia tecnologia de impressão e isso não impedia o governo de manipular a economia monetária.
    Outra coisa: Mises defende que no Novo Sistema Monetário, a moeda seja cunhada por uma "Agência de Conversão". Gostaria de saber quem organizaria e administraria esta agência de conversão???O governo???Mas aí seria vulnerável à manipulação, como foi demonstrado no caso do Império Romano.
  • Fernando Chiocca  29/07/2010 11:33
    Anônimo, este foi exatamente o tema de um recente artigo do Bob Murphy: Pode o ouro provocar ciclos econômicos?

    E não, não foi isso que ocorreu no Império Romano. A quantidade de ouro nas moedas só pode diminuir e não coincidir com o valor estampado devido a um recurso que os governos usam até hoje, a moeda de curso legal.

    Uma agência que cunha moeda seria fiscalizada pelo próprio mercado, podendo ou não ser fiscalizada por um órgão fiscalizador também do mercado. Qualquer fraude encontrada seria amplamente espalhada e a credibilidade do cunhador ou do fiscalizador (que se envolvesse em alguma fraude)iria por água abaixo, e, nomercado, principalmente de moedas, credibilidade é tudo.
    Mas o usual num sistema de padrão ouro não seria moedas de ouro, e sim lastreadas em ouro.
  • Mário Fernandes  29/07/2010 13:51
    sabe que dia o Bacen vai acabar? :-|
    ...
  • analisando...  29/07/2010 16:24
    Vamos analisar o artigo do Sr. Murphy.

    Ele diz:

    "se aceitarmos que a renda nominal desse mineiro - mensurada em ouro - é tão "legítima" quanto a de todos os outros indivíduos, então se ele decidir poupar 9,5 toneladas desse novo ouro, emprestando-as no mercado, é perfeitamente correto dizer que a quantidade de poupança na comunidade aumentou."

    Este argumento também é usado por inflacionistas. Eles também argumentam que a inflação é "legítima" primeiro receptor do dinheiro da inflação (geralmente bancos) que decidem guardar e disponibilizar o dinheiro adicional para o mercado de crédito, também representa um ato "voluntário" de poupança. Afinal, nenhum governo dita (em circunstâncias normais) que os bancos devem emprestar esse dinheiro novo.
    Portanto, há um problema aqui.
    A Escola Austríaca normalmente desafia os inflacionistas sobre esta questão, alegando que o dinheiro da inflação adicional não é realmente "legítimo", já que não é determinado pelo mercado e, portanto, a alegação de que este é um ato voluntário de poupança por parte daqueles que recebem o novo dinheiro torna-se falsa e semântica.
    Ele se torna ainda mais difícil para o inflacionista se a posição austríaca traz à tona o fato de que se uma mineiradora escava uma mina de ouro, então fica muito difícil defender o tratamento da descoberta de uma nova onça de ouro e a descoberta de 10 toneladas de ouro, como iguais uma poupança. Se imaginarmos dois garimpeiros, e assumimos cada um tem custos aproximadamente iguais de produção, então o inflacionista pode incidir sobre a possibilidade de que um garimpeiro pode fazer lucro de 1 onça de ouro (o que significa uma onça é adicionado ao suprimento da economia de dinheiro líquido), considerando que o outro garimpeiro poderá fazer lucros de mais 10 toneladas de ouro. Se assumirmos que o primeiro garimpeiro gasta 1 onça de ouro no seu próprio consumo, e que o segundo mineirador também consumiu 1 onça de ouro, mas também poupou o restante que é disponibilizado para o mercado de créditos, nós realmente podemos dizer que o segundo garimpeiro "sacrificou mais consumo e, assim, disponibilizou mais recursos para um estágio de produção maior", enquanto o primeiro mineiro não? Nem estamos disponibilizando mais nem menos recursos reais, por suas ações. Ambos consumiram no valor de 1 onça de mercadorias. Ambos estão restringindo e colocando a mesma quantidade de recursos reais à disposição. Então, isso significa que não haverá nenhuma diferença relevante das ações dos dois garimpeiros no resto da economia? Não, não haverá uma diferença. Um garimpeiro, por suas ações, afetou o mercado de empréstimo, que será superior ao que ele poupou (embora pequena no sentido de que uma onça de ouro foi adicional sobre a taxa de juros de mercado). As ações da mineração de ouro do segundo irá resultar em uma pressão sobre a taxa bruta de juros bruta do mercado.

    Sob um padrão-ouro em reservas 100% a taxa de aumento na quantidade de moeda de ouro tenderá a ser positivo, naturalmente, e se assumirmos que um valor positivo da crescente quantidade de dinheiro entra no mercado de ouro o primeiro empréstimo, em seguida, a taxa bruta de juros do mercado (ou seja, a distribuição das taxas de juros variáveis) vai ser habitualmente "deprimida" em relação à taxa de mercado que vai existir se o aumento na quantidade de dinheiro e, consequentemente, aumento na quantidade de empréstimos foram mais modestos. Então, o que temos é que, em teoria, o dinheiro da produção de ouro é capaz de lançar um "boom" (temporário). Mas será um boom que o que vai implicar? Aqui reside a confusão para a maioria dos austríacos. A "quase-permanente" redução das taxas bruta de juro do mercado sob um padrão-ouro é susceptível de afetar a economia de modo a que, posteriormente, entra em uma explosão de deflação?

    Ludwig von Mises responde que não:

    "O raciocínio cataláctico pode mostrar-nos apenas que uma suave mas contínua pressão sobre a taxa bruta de juro do mercado - provocada pelo contínuo aumento da quantidade de ouro assim como pelo moderado aumento da quantidade de meios fiduciários - que não seja superada e intensificada por uma política intencional de dinheiro fácil pode ser contrabalançada pelas forças de acomodação e ajuste inerentes à economia de mercado. A adaptabilidade da atividade econômica, desde que não seja sabotada por forças estranhas ao mercado, é suficientemente forte para anular os efeitos que possam ser provocados por ligeiras perturbações do mercado de crédito." (Ação Humana, pp 799 e 800).

    Mises argumenta que pode haver um boom induzido em um padrão-ouro, mas o mercado não vai falir pela sua natureza, o mercado é capaz de se adaptar aos efeitos da infusão monetária de ouro. O processo contínuo de reajuste irá atenuar qualquer ruptura "imperfeita" devido a alguma volatilidade ocorrendo na mineração de ouro. Eu acho que existem duas maneiras de interpretar este argumento:

    1) Haverá um boom econômico, ainda sem falência , generalizada de deflação. Isso ocorre porque o mercado quase que imediatamente após reajustar o dinheiro do ouro novo espalhado por toda a economia, e assim qualquer capital mal investido durante a fase de boom será liquidado novamente. Além disso, o aumento da quantidade de moeda de ouro é mais ou menos permanente e, portanto, ao contrário do dinheiro em reservas fracionárias, a quantidade de dinheiro na economia não vai cair de repente, se a dívida está inadimplente. A despesa total continuará a ser uma função da oferta total de moeda de ouro. A receita total não cai porque a quantidade de moeda de ouro não cai se a dívida está em inadimplência.

    2. A taxa bruta de juro do mercado não será afetada de forma precisa, e na mesma medida, como a teoria austríaca assume. Poderíamos postular que os empresários irão ajustar-se saber como lidar com a descoberta ocasional de novas minas de ouro Poderíamos dizer que durante os períodos de produção de ouro "normal" , a taxa bruta de mercado representaria aproximadamente a preferência temporal da sociedade. Haverá alguma volatilidade, é claro, mas é perfeitamente possível que os empresários aprendam a entender a relação entre poupança e produção de ouro para as taxas de juros. Se, então, deve haver um aumento súbito de ouro, e assumirmos o extremo de dizer que todo esse dinheiro entra no mercado o primeiro empréstimo, em seguida, os empresários só não podem ter "enganado". A grande descoberta de ouro vai ser notícia pública, e eu não vejo como qualquer investidor racional ou empreendedor irá concordar que prorroga o prazo médio de produção apenas por causa de um evento de um tempo de alguns mineiradores escavando. Podemos imaginar alguns empresários se aproveitando da descoberta, e "tempo" do mercado, por assim dizer, mas cada austríaco sabe que isso só vai acelerar a atenuação da infusão de ouro e trazer o crescimento a um fim muito rapidamente.

    O fator crucial com reserva fracionárias é que o processo de reajuste do mercado e maus investimentos contém em si as sementes de mais dor. Isso acontece porque quase sempre inclui reajuste de renegociação da dívida e inadimplência, bem como aumentos na exploração de caixa, os quais reduzem a quantidade de dinheiro e volume de gastos. Isto agrava o processo de reajuste, porque um dado processo de reajuste também tem que reajustar ao reajuste anterior, por assim dizer. A economia é um castelo de cartas, onde um cartão a ser removido tem o potencial de infligir danos maiores. Como foi visto anteriormente, segundo um padrão-ouro, esta espiral é atenuada. Enfim, eu acho que é uma resposta à pergunta do texto do Prof. Murphy. Sim, pode haver ciclos econômicos sob um padrão-ouro, mas vai ser tão pequeno e ineficaz que quase certamente irá parecer com o dia-a-dia reajustes que ocorrem em qualquer economia de mercado livre, com recursos ser realocado daqui para lá, as empresas vão à falência, enquanto outras empresas bem-sucedida. Certamente quase não veremos, de modo geral, período de crises, que vemos ocorrendo em nosso atual sistema monetário. Afinal, as mineiradoras não podem fantasiar apenas à existência de mais ouro para protelar o período de reajuste, que terá lugar em resposta a sua infusão de ouro anterior.
  • segue a pergunta  29/07/2010 16:45
    No Império Romano, as moedas eram de ouro e prata. Como explicou Mises em "As Seis Lições", naquela época "anterior à invenção da máquina impressora", os imperadores desvalorizavam a moeda, misturando à prata quantidades cada vez maiores de cobre, até que a cor das moedas se alterava e o peso se reduzia consideravelmente, assim enfraqueciam o teor das ligas metálicas com que se cunhavam as moedas, especialmente as de prata.

    Portanto, segue pergunta: quem vai organizar a Agência de Conversão? Se for o Estado, pderá ser manipulada.
  • Fernando Ulrich  29/07/2010 17:10
    Sabe a quanto tempo bancos centrais existem?\r
    Sabe a quanto tempo ouro é utilizado como moeda?\r
    Qual a vida média de um papel moeda? \r
  • segue a resposta  30/07/2010 00:37
    será o mercado.
  • Frank  06/07/2013 17:20
    O Liberalismo no Brasil é um tabu. Levará muitas décadas até que um dia os ideais de Adam Smith aportem por aqui. Até lá, os políticos "sociais" e seus eleitores irão mandar e desmandar na economia na forma como lhes convém, ou seja, contra os reais interesses do povo, que é a prosperidade.

    Só queria entender por que até nos EUA existe Banco Central?
  • anônimo  23/08/2013 01:14
    Por que com a criação do FED, em 1913, a desigualdade social diminuiu, ao invés de aumentar (tendo em vista que os grandes banqueiros estariam protegidos)?

    inequality.org/inequality-data-statistics/
  • Leandro  23/08/2013 01:29
    Pelo gráfico, a desigualdade aumentou, principalmente durante a década de 1920, que foi a década da grande expansão monetária que levou ao crash de 1929.

    A partir daí a desigualdade caiu porque, até meados década de 1940, o governo impôs um tributo de 98% sobre os ricos.

    E em 1973, como esperado (abolição do padrão-ouro e início da estagflação), a desigualdade dispara. Tudo estritamente dentro da teoria.
  • anônimo  31/08/2013 00:25
    E antigamente, antes da revoluçào francesa, quando não existia nenhum banco central, planejamento centralizado, os impostos eram mais baixos que os atuais e a economia era bem mais livre? Disso vocês não falam...
  • Leandro  31/08/2013 01:11
    Como não falamos sobre isso?!

    Não apenas publicamos hoje um podcast sobre isso, como também temos vários artigos sobre o assunto. Recomendo dois:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=82

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1287

    Sugerimos aos nossos haters que ao menos se deem ao mínimo trabalho de confirmar previamente suas acusações (e não tomarem meu precioso tempo.)
  • anônimo  29/10/2013 13:01
    Vocês falam do Banco Central, contudo, ele não é una instituição privada e independente e, portanto, os problemas dele decorrentes não seriam causados pelo mercado?
  • Leandro  29/10/2013 13:15
    O Banco Central brasileiro é totalmente estatal.

    O Federal Reserve é misto. O presidente do Fed é apontado pelo presidente americano e a autoridade do Fed é derivada do Congresso americano, o qual tem poderes de supervisão sobre o Fed -- embora não tenha (em tese!) -- poderes sobre a política monetária que este adota.

    Ademais, o presidente do Fed, após ser escolhido pelo presidente americano, precisa ser aprovado pelo Congresso.

    É também o governo quem determina os salários de alguns dos funcionários do alto escalão do Fed.

    Nesse sentido amplo, o Fed é estatal.

    Agora, o Fed é "privado" em dois sentidos:

    1) Suas 12 sucursais (Boston, Nova York, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e San Francisco) são geridas privadamente (é como se as sucursais do Banco Central no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza etc. tivessem gerência privada). Mas elas apenas obedecem às ordens do Fed de Washington, que é quem manda em todo o sistema.

    2) O Fed como um todo não sofre qualquer auditoria política. Trata-se de uma caixa-preta mais impenetrável que a CIA.

    Por fim, vale ressaltar que a autorização para o Fed funcionar foi concedida pelo congresso americano no Federal Reserve Act de 1913. Logo, tecnicamente, a existência legal do Fed também depende do governo. Mas seu controle acionário se dá através de instituições privadas.

    E é daí que surgem as teorias de que grandes famílias como os Rothschild e os Rockefeller estariam no controle do sistema bancário mundial (e quem controla a moeda, controla o mundo), pois seriam eles que genuinamente mandam no Fed.

    Artigo sobre as reais causas da crise americana:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1696
  • Emerson Luis, um Psicologo  02/07/2014 18:03

    O analfabetismo econômico é epidêmico.

    Até economistas não sabem que os juros são um preço, o preço do dinheiro.

    * * *


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