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Ao contrário do que tenta mostrar “Jornada nas Estrelas”, sempre haverá escassez

Com o sucesso de alguns recém-lançados filmes de ficção científica, como "Perdido em Marte" e "Interstellar", além de novas encarnações de "Jornada nas Estrelas" e "Guerra nas Estrelas", não se pode negar que o ser humano anseia as novidades do futuro e exercita a imaginação sobre o que a tecnologia avançada pode realizar.

Muitos olham para o exemplo destes mundos fictícios como uma indicação de como a vida futura poderá ser quando a tecnologia se tornar capaz de prover soluções para resolver todas as nossas necessidades básicas — uma condição que alguns chamam de "pós-escassez".

Normalmente, as pessoas que anseiam por esse futuro são as mesmas que exortam o governo a fazer intervenções para garantir que cada indivíduo ganhe um "salário digno" sempre que robôs e a automação passam a dominar toda uma linha de produção. São as mesmas que dizem que as condições da "pós-escassez" irão solapar completamente as economias e até mesmo a própria ciência econômica.

No entanto, a escassez jamais poderá ser eliminada, pois as nossas infinitas e insaciáveis necessidades humanas sempre superarão os finitos meios disponíveis neste finito universo. A escassez existe até mesmo nos seriados e filmes que supostamente representam mundos sem escassez.

Um perfeito exemplo do que se seria a "pós-escassez" e seu contraste com o conceito de escassez nos dias de hoje é apresentado na série "Jornada nas Estrelas: A Nova Geração"[1].

No último episódio da primeira temporada, a nave Enterprise[2] se depara com uma "antiga" nave espacial flutuando pelo espaço. O tenente-comandante Data e o Oficial de Segurança Worf encontram três seres humanos da Terra, congelados em câmaras criogênicas há 400 anos, o que fornece à tripulação do século XXIV a oportunidade de interagir com pessoas da época dos telespectadores.

Um desses seres humanos do final do século XX, Ralph Offenhouse, estava preocupado em readquirir o controle sobre aquilo que ele esperava ser uma gigantesca fortuna: uma carteira de ações da bolsa de valores, a qual teria então 400 anos de idade. Com efeito, uma das primeiras coisas que ele pediu depois de ser descongelado e ressuscitado foi uma cópia do The Wall Street Journal.

O Capitão Picard[3] informou-lhe, então, que "Muito mudou nos últimos 300 anos. As pessoas não são mais obcecadas com a acumulação de "coisas". Nós eliminamos a fome, o desejo e a necessidade de posses. Nós trabalhamos para melhorar a nós mesmos e ao resto da Humanidade. Crescemos e saímos da nossa infância".

A série apresenta uma abordagem marxista de como os humanos passaram a ser capazes de navegar através do espaço com replicadores de alimentos, aparelhos que emitem raios, e diversos tipos de tecnologia que tornariam até mesmo a nossa atual busca por recursos escassos uma mera curiosidade.

Durante os séculos que separam a tripulação da Enterprise e seus visitantes congelados na cápsula do tempo, a tecnologia mudou de tal forma, que passou a fornecer meios abundantes para as necessidades materiais das pessoas. Consequentemente, a sociedade humana suplantou o capitalismo e o comércio e entrou para a fase do socialismo, como Karl Marx havia previsto em sua teoria da história.

A economia presente no universo de Jornada nas Estrelas é o tema de um livro a ser publicado por Manu Saadia, intitulado "Trekonomics". Saadia propõe que devemos levar o gênero sci-fi a sério e nos preparar para a era da "pós-escassez".

Segundo o autor:

Uma boa ficção científica, como Jornada nas Estrelas, pode ser muito divertida. Mas é, ao mesmo tempo, algo muito sério. Seu objetivo central é explorar as mudanças que estão à nossa frente. Quais são as consequências econômicas, sociais e até mesmo psicológicas das mudanças tecnológicas? O que vai acontecer aos seres humanos em um mundo que funciona com autômatos?

Noah Smith faz um prognóstico similar:

O surgimento de novas tecnologias significa que todas as questões econômicas irão mudar. Em vez de termos um mundo definido pela escassez, viveremos em um mundo moldado aos nossos desejos. Seremos capazes de decidir o tipo de pessoas que queremos ser e o tipo de vida que queremos viver, em vez de o mundo decidir isso por nós. A utopia de Jornada nas Estrelas nos libertará dos grilhões desta "ciência lúgubre", que é a economia.

Ambos argumentam que os mercados e o comércio se tornariam desnecessários tão logo alcançássemos as supostas condições de "pós-escassez". O próprio estudo da ciência econômica será uma coisa do passado, assim como videocassetes e toca-fitas.

A escassez é fundamental no universo.

No entanto, e infelizmente para todos nós, a escassez sempre continuará a existir. E a única maneira de maximizar a satisfação do ser humano que vive em meio a um conjunto limitado de recursos é por meio de mercados livres: propriedade privada e o livre sistema de preços. A escassez é um fato fundamental de nosso universo — estamos irrevogavelmente vinculados a ela pelas leis da física e pela lógica.

Mesmo no mundo imaginário de Jornada nas Estrelas, não apenas escassez ainda está presente, como também a propriedade privada (ou auto-propriedade) é uma constante. No mesmo episódio citado acima, o Capitão Picard e a tripulação têm um tenso confronto com os Romulanos[4], que invadiram o espaço da Federação[5]. Ambos os lados estavam investigando a destruição de alguns dos seus postos avançados na chamada "Zona Neutra"[6]. Neste caso, vemos que o espaço não apenas não é a fronteira final, como também, aparentemente, possui fatias que são propriedade de alguém. No episódio, vemos que tanto os postos avançados dos romulanos como os da Federação também são escassos e também são propriedade.

Outro exemplo ocorre quando Ralph Offenhouse estava vagando pela ponte principal da Enterprise durante este confronto com os romulanos.  O capitão Picard ordena aos agentes de segurança: "Tirem esse cara da minha ponte!"

Ou seja, não podemos conceber nem sequer um universo fictício sem escassez. Não é possível haver tempo, espaço, ou qualquer coisa que tenha capacidades ilimitadas de satisfazer nossos desejos. Tal universo seria eterno, atemporal, abstrato e com a capacidade de agradar e satisfazer a todos. É difícil imaginar um programa de TV com base em tal universo, simplesmente porque não haveria conflitos para os personagens terem de superar.

O que Manu Saadia e Noah Smith querem dizer com "pós-escassez", portanto, é apenas que algumas coisas serão mais abundantes do que antes. Mas esta perspectiva não significa o fim da economia e da ciência econômica, pois mesmo hoje vários bens são mais abundantes do que eram no passado.

Não importa o que aconteça, os indivíduos ainda terão de continuar fazendo escolhas sobre como utilizar de maneira mais eficiente os recursos escassos. Podemos, no máximo, fazer as coisas ficarem relativamente menos escassas, mas nunca poderemos revogar a escassez como condição fundamental de nosso universo.

Vencer a "subsistência" não é o mesmo que vencer a "escassez".

Suponha que todas as famílias do mundo tenham todas as suas necessidades biológicas abundantemente satisfeitas. A comida é fornecida por replicadores, como aqueles que existem na Enterprise. Todo mundo tem a quantidade exata de abrigo de que necessitam. Super-medicamentos e todos os serviços de saúde são prontamente fornecidos com o toque de um botão em sua própria casa.

O que isso significa?  Significa apenas que as pessoas poderiam perseguir outros objetivos que não a mera sobrevivência; objetivos como a arte, o entretenimento, a aprendizagem ou o simples relaxamento. Nossa demanda por bens e serviços não acaba tão logo ultrapassamos o nível mínimo do consumo voltado exclusivamente para a subsistência. Isto é o óbvio ululante para qualquer um com os meios para ler este artigo.

No que mais, é perfeitamente possível haver demanda por alimentos e outros bens especificamente feitos por mãos humanas, mesmo que os robôs ou replicadores possam fazer algo idêntico ou mais preciso e a um custo menor. Vemos isso hoje e estamos longe do mundo de Jornada nas Estrelas.

Há ocasiões em que gostamos de saber que alguma coisa foi feita de uma determinada maneira, e isso se traduz em uma demanda por bens quem têm um processo de produção peculiar, geralmente intensivo em trabalho. Feiras de artesanato são muito comuns, mesmo quando muitos dos itens oferecidos em tais feiras são produzidos maciçamente em outros lugares.

Já ao final do episódio citado, quando Ralph Offenhouse está em uma crise existencial, ele pergunta ao capitão Picard qual o propósito da vida no século XXIV, já que não é "acumular riqueza":

Capitão Jean-Luc Picard: Necessidades materiais não existem mais.

Ralph Offenhouse: Então qual é o desafio?

Capitão Jean-Luc Picard: O desafio, Sr. Offenhouse, é melhorar a si mesmo. Para enriquecer a si mesmo. Aproveite.

O que Picard não percebeu é que melhorar e enriquecer a si mesmo — ou a própria missão da Enterprise: "explorar novos mundos, pesquisar novas vidas e novas civilizações, audaciosamente ir aonde nenhum homem jamais esteve" — envolve o uso de recursos materiais escassos, tais como naves espaciais, tripulações, planetas a serem explorados, comunicadores, máquinas de teletransporte, phasers, dobra espacial etc.

Picard também não percebeu o quão rico ele é. Riqueza é a capacidade de satisfazer as necessidades, e seu posto na Enterprise faz dele um humano imensamente rico, com  todos os replicadores, o holodeck (simulador de ambiente) e o acesso instantâneo a cuidados médicos de primeira categoria. Para alguém que rejeita a acumulação de riqueza, ele próprio acumulou uma grande quantidade dela.

Embora as necessidades biológicas possam ser abundantemente satisfeitas, os desejos humanos superam o número de estrelas. Sendo assim, a escassez é inevitável da mesma maneira que a gravidade é inevitável.  Assim como também inevitável é o "fluxo contínuo do tempo", nas palavras de Mises.

O nosso objetivo é a alocação ótima desses recursos escassos, e apenas com mercados livres poderemos "assim fazê-lo"[7].

 

Tradução de Pedro Borges Griese



[1] Original: Star Trek: The Next Generation

[2] N.T.: Famosa nave espacial de Jornada nas Estrelas. Na série "A Nova Geração" o capitão Picard e sua tripulação viajam pela galáxia a bordo da Enterprise NCC-1701-D.

[3] N.T.: Jean-Luc Picard é o capitão da nave estelar Enterprise e um dos protagonistas da série.

[4] N.T.: Espécie alienígena do universo de Jornada nas Estrelas. São um império galáctico, expansionista, cuja estrutura social se assemelha do Império Romano. Um dos principais rivais espaciais da Federação de Planetas Unidos.

[5] N.T.: A Federação dos Planetas Unidos, na maioria das vezes chamada simplesmente de "Federação", é um corpo governamental ficcional. Nas séries e filmes, a Federação é descrita como um Estado federal interestelar que abriga mais de 150 plantas-membros. Uma espécie de ONU da galáxia, cujo planeta Terra é um dos principais, sendo os humanos uma das principais raças.

[6] N.T.: No universo ficcional de Jornada nas Estrelas, antes do século XXIV, os romulanos e a Federação entraram em uma imensa guerra espacial. Com a extensão da guerra causando enormes perdas para ambos os lados, um armistício foi negociado cessando as agressões. Estabeleceu-se uma "área espacial" entre as "fronteiras" destes dois estados, onde nenhuma nave, de nenhum lado, poderia avançar. Caso contrário, seria uma violação ao tratado e considerado ato de guerra. Isso resultou em um período de relativa paz, uma espécie de guerra fria. A área entre os estados ganhou o nome de Zona Neutra.

[7] N.T.: Do original "make it so". Frase de comando muito utilizada pelo Capitão Picard.



autor

Jonathan Newman
leciona economia na Universidade de Auburn, Alabama.


  • Thiago Teixeira  02/11/2015 09:15
    Para quê tanta contestação da realidade pelo marxismo? Para mudar o mundo e então "pela manhã ordenhar vacas, a tarde cuidar de jardins e a noite fazer poesia".

    Vão se lascar!
  • Tiago silva  02/11/2015 09:36
    A utopia marxista chegou,pena mesmo é não passar de utopia,heheheh.
  • Tibuda  02/11/2015 11:18
    a primeira lei da termodinâmica é restrição orçamentária a nível cósmico
  • anônimo  02/11/2015 13:27
    Com certeza! Esses cara aqui veio com este 'papo furado' (www.politicalivre.com.br/artigos/entropia-politica-e-poder/), entre aspas:

    "Nesse contexto, a saída também pode vir da termodinâmica. Ou seja, em sistemas abertos existe sempre a possibilidade de reversão de um processo entrópico (entropia negativa), desde que se consiga o suprimento de informações ou ferramentas adicionais do meio ambiente que sejam capazes de repor perdas, reintegrar elementos e reorganizar o sistema."

    Isto é verdade mas eles, convenientemente, esquecem que o manutenção ou redução da entropia em um sistema aberto particular dá-se, necessariamente, pelo aumento da entropia de um sistema mais abrangente e fechado. E, neste caso, estamos falamos do próprio universo.

    Boa! Mais um argumento contra o Marx, e Keynes, que ignoram completamente o princípio entrópico. Não fosse os inúmeros outros argumentos contrários poderíamos até usar uma 'muletinha' pra corrigí-los, bastando admitir a existência de outros universos e que os mesmo são capazes de trocar matéria e energia entre si. Mas ficamos no campo especulativo... Hehehe.
  • Pobre Paulista  02/11/2015 13:50
    Não seria a segunda?
  • W.K.  02/11/2015 12:07
    Eu lembro deste capitulo do Jornada nas Estrelas, assisti quando tinha cerca de 10 anos de idade.

    Já naquela época eu percebi que havia alguma furada na lógica da "economia" do futuro...
  • Anonimo  02/11/2015 14:04
    Na mídia de hoje a visão de mundo socialista está incrustrada em tudo, algumas vezes isso é mais evidente como nesse Star trek, outras é mais sutil, como no batman do christopher nolan.
    Hollywood é esquerdista até a alma.É triste ver tanta gente, até entre os libertários, que não se dá conta disso.
  • PESCADOR  03/11/2015 16:10
    Que visão de mundo socialista poderíamos entrar no Batman de Nolan?
  • anônimo  03/11/2015 17:09
    Várias, pra resolver o problema da criminalidade bastou a canetada de um burocrata, o 'Dent's act', e o Batman ficou obsoleto.Ou seja, pra acabar com o crime o Batman nunca foi necessário, bastava ter um governo bonzinho.
    Inclusive a fé no governo está em tudo naquela triologia, no segundo filme chega a ser irritante a babação de ovo que tem com aquela bosta daquele Harvey Dent,e a mensagem subliminar: esse é o funça bonzinho que vai resolver todos os problemas.
    O próprio Batman foi avacalhado infinitamente, pra quem não sabe o que o Nolan fez foi pegar uma história dos anos noventa chamada 'a queda do morcego' e usar como base pra fazer um Batman fraco, sem testosterona, acabado...o herói perfeito pra essa geração de palermas sem testosterona de hoje.Na revista o Bane só consegue vencer ele porque solta todo mundo do Arkhan e deixa o Batman exausto, no filme não, ele vence na maior facilidade porque o Batman virou um bagulho lento e preguiçoso.
    O cara vai brigar com o Bane, apanha, vai de novo, apanha de novo e no final se mata.Quem mata o Bane é a mulher gato, uma feminazi sapata que só está lá pra agradar os idiotas politicamente corretos.Como é que pode alguém gostar de uma bosta dessas?
    E essa conversa de que 'qualquer um pode ser o Batman'? Ridícula. Isso e a avacalhação de rebaixar o cara que vai de maior_detetive_do_mundo (na revista) para um_cara_que_descobre_as_coisas_porque_tem_as máquinas_que_a_polícia_não_tem mostram bem a visão socialista de mundo em que todo mundo é igual, a única diferença é que uns são donos dos meios de produção e outros não.A diferença?'I'm not using hockey pants' e só. Determinação, talento e meritocracia? Isso não existe.
  • Rodrigo Sena  01/09/2016 15:58
    Caraca! Eu tinha uma mínima noção disso e não tinha me fragado! Pior é que sou Trekker e tenho vários amigos socialistas-comunistas que são fãs de Star Trek e resolvi pesquisar qual a relação entre tudo: NADA!
    Socialistas e Comunistas pegaram esta idéia de que o trabalho pelo trabalhoe não pelo salário (capital) e tentam deturpar tudo como sempre!!

    E esta do Batman, maior detetive e lutador do mundo, fraco e burro que fizeram do Nolan (o novo do Snider é igual, não percebeu o plano do Luthor!)... Achava o filme médio, e tinha tanta babação de "foda, filmaço" e não entendia...

    PQP! \\\ mind blow ///
  • anônimo  02/11/2015 14:09
    'The needs of the many outweights the needs of the few'
    https://www.youtube.com/watch?v=v1mE_lyVKRQ

    De novo, é triste ver que muita gente só nota o esquerdismo de Hollywood quando ele é óbvio.
  • Silvio  03/11/2015 19:57
    O terceiro filme existe justamente para provar que essa máxima veiculada no segundo filme é uma furada.
  • Fabio  02/11/2015 14:13
    Sobrou até para Jornada nas Estrelas.
    Neste episódio o Capitalista se deu mal. Para quem assistiu talvez tenha sentido uma certa solidão. O músico era mais adequado ao que o Picard pregava.
    Uma pergunta que sempre me fiz era qual o sistema vigente neste mundo. Não havia muita explicação. E mesmo que houvesse seria alguma particula nova que solucionaria o problema da escassez!

    Ontem assisti ao Expresso do Amanhã. Realidade bem oposta.
  • Alguem  02/11/2015 14:27
    E se for como o filme Vanilla Sky ou matrix? Não é necessariamente mudar o mundo no âmbito físico, mas haver tecnologia o bastante, para criar um mundo aparte para cada um,
    mais ou menos como algo controlado por computador, dentro da mente de um usuário.

    o mundo poderia ser programado para ser como no socialismo, sem escassez, sem dor, sem sofrimento, e conectar essas mentes via internet criando uma realidade perfeita.
  • Vinicius  02/11/2015 17:03
    Deu errado até na ficção, no matrix reloaded o arquiteto descreve com precisão a reação humana perante um mundo "perfeito" idealizado pela primeira versão da matrix.
    A reação real do mundo perfeito pode ser conferida em valas comuns na Polônia, Ucrânia, Belaurus e outros.
  • anônimo  02/11/2015 21:17
    Perfeito o seu 'insight'.
  • Renzo  02/11/2015 16:06
    Sobre Guerra nas Estrelas é um belo exemplo de como o Estado pode "virar a casaca" de um dia para o outro e virar uma ditadura sanguinária, e o Império é tudo aquilo que os ditadores da vida real sempre quiseram. Dentro do universo expandido da franquia existem várias estórias mostrando que as pessoas tem que lutar contra a opressão estatal com certa frequencia. Mas não dá pra pegar um episódio dos mais de 600 de ST e dizer que "Ao contrário do que tenta mostrar "Jornada nas Estrelas", sempre haverá escassez" - por exemplo, cristais de dilithium tem vida útil, isso é mostrado em vários episódios.

    "Muito mudou nos últimos 300 anos. As pessoas não são mais obcecadas com a acumulação de "coisas". Nós eliminamos a fome, o desejo e a necessidade de posses. Nós trabalhamos para melhorar a nós mesmos e ao resto da Humanidade. Crescemos e saímos da nossa infância"
    Na minha opinião, quando um personagem afirma que as pessoas não estão mais obcecadas com a acumulação de 'coisas' no século XXIV, não há uma abordagem marxista, comunismo, etc. Obtemos aqui apenas a informação de que as pessoas não são mais obstinadas por adquirir objetos, isso não quer dizer que não haja mais o desejo pela acumulação de bens, ou a ambição de se tornar Capitão de uma nave espacial. O que entendo de ST é que, ao invés de levar bens para o túmulo, as pessoas preferem viver uma vida plena e cheia de realizações, com trabalho duro e reconhecimento pelo que fez, e não pelo que acumulou. Na Frota Estelar, por exemplo, a meritocracia é manifesta. Penso que é uma questão de escolha, uma perda de valor para itens hoje considerados valiosos: pra que é que vou ter uma casa cheia de talheres de prata, joias, etc, se posso conhecer a galáxia? Qual é a utilidade de se ter itens como esses dentro de um universo em que você pode experimentar coisas absurdamente novas e fantásticas a cada dia? Lembrando que mesmo em um ambiente limitado os personagens tinham seus itens pessoais, e que a Terra nunca foi mostrada de forma plena.

    "A série apresenta uma abordagem marxista de como os humanos passaram a ser capazes de navegar através do espaço com replicadores de alimentos, aparelhos que emitem raios, e diversos tipos de tecnologia que tornariam até mesmo a nossa atual busca por recursos escassos uma mera curiosidade."
    Substâncias complexas não podem ser replicadas. E são diversos os exemplos de colônias de mineração, ajuda humanitária, etc. O universo de ST não é essa maravilha toda não.

    "Consequentemente, a sociedade humana suplantou o capitalismo e o comércio e entrou para a fase do socialismo, como Karl Marx havia previsto em sua teoria da história."
    Não há um único episódio em que isso é falado. O máximo são alusões ao que aconteceu, como o fim da televisão ou do dinheiro (no século XXII). Não há uma única e simples menção sobre como relamente funciona a economia dos séculos XXIII e XXIV. Em Deep Space Nine, há personagens que possuem Latinum, uma espécie de ouro da época; o irmão do Capitão Picard tem uma vinícola; o pai do Capitão Sisko tem um restaurante. Alguns exemplos:
    - When preparing to fight the Klingons on Organia in 2267, Kirk said "Well, the Federation has spent a lot of money on our training..." (TOS: "Errand of Mercy"). Mas em outras passagens o próprio Kirk diz que no século XXIII não existia dinheiro.
    - In 2267, Cyrano Jones, after giving her one for free, told Lieutenant Nyota Uhura that "a tribble is the only love that money can buy." (TOS: "The Trouble with Tribbles")
    - In 2285, Leonard McCoy wanted to pay a smuggler to transport him to the Genesis Planet. (Star Trek III: The Search for Spock)
    - In 2364, Beverly Crusher bought a roll of cloth and had her account on the USS Enterprise-D billed. (TNG: "Encounter at Farpoint")
    - Four Starfleet starships rally at a planet called Dytallix B, which is said to be owned by the Dytallix Mining Corporation. Dytallix is apparently in Federation space (TNG: "Conspiracy").
    - The Federation bids a sum of 1,500,000 Federation credits for the Barzan Wormhole (TNG: "The Price", offer depicted in STTNG: The Continuing Mission).
    - It becomes obvious that Dr. Apgar's reason for developing the Krieger wave generator was to sell it to the highest bidder (TNG: "A Matter of Perspective").
    - Federation officers have to and are able to pay for drinks and for holosuite usage in Quark's bar (DS9).
    - Yanas Tigan owns a mining company on New Sydney. Although the planet may not be under Federation jurisdiction, Trill is clearly supposed to be a Federation member (DS9: "Prodigal Daughter").

    Prefiro muito mais essa abordagem: Even if the Federation economy somehow managed to go without a currency, an equivalent would be needed to trade goods with other civilizations. It is possible that the Federation credit is not much different than gold-pressed latinum in this field.
    We cannot and we should not compare the economy of the Federation to 20th century communism, even if there are certain parallels in the ultimate goals (that were never close to be reached in any implementation of communism). Communism was an ideology to liberate exploited workers by expropriating the capital owners in an act of revolution. Quite contrary to that, the Federation economy may have developed in a slow process, owing to a tendency in which money became unable to keep up productivity any longer. The reasons may be twofold. Firstly, it is already visible now that Western industrial (secondary) societies are turning into service (tertiary) economies and ultimately into financial (quaternary) economies. Automation has largely replaced human power. Hardly anyone is still "productive", in a way that his workforce would be needed to produce new values. The quaternary economy we are facing would just shift around assets, which would gradually lose its equivalent in the form of industrial goods. Secondly, the availability of plenty of energy may give the death blow to the idea of money as a driving force. There is clearly no money equivalent to something ubiquitous.
  • Limão  03/11/2015 19:38
    Vi muito Star Trek, e a visão anticapitalista é gritante, por exemplo os Ferenguis, são abominados por serem capitalistas e satirizados em toda a série, sempre fui fã desde pequeno da franquia, mas dizer que ela não tem uma visão socialista é querer forçar um pouco
  • Renzo  03/11/2015 22:20
    Limão, se vc viu muito ST, posso dizer que vi quase tudo da franquia. Repito o que escrevi antes: não há em nenhum episódio ou filme uma explicação sobre como funciona a economia da Federação.
    Na Frota Estelar todos são respeitados e tem as mesmas chances de crescimento, desde que trabalhem duro. E a meritocracia domina as promoções para oficiais, o que não combina com socialismo.
    Definição da Wikipédia para os Ferengis: "A cultura ferengui é caracterizada por uma obsessão mercantil com o comércio e o lucro e pelos seus esforços constantes em trapacear. Também se caracterizam por seu machismo em relação às fêmeas da sua espécie. Estas não têm direito de usar roupas, não podem falar com estranhos e/ou convidados, não podem obter quaisquer lucros nem sair do seu planeta natal, entre outras limitações."
    Obsessão, trapassa, machismo, etc, é por isso que eles são abominados em ST. E acredito que essas características não sejam necessárias para se definir capitalismo...
  • Limao  04/11/2015 11:39
    O que a série faz com os Ferenguis é mostrar uma caricatura do capitalismo, e menosprezar dela, fazendo com que o espectador faça a ligação entre um e outro. Se você pegar a descrição de um capitalista feita por um esquerdista é um ferengui, agora claro que a série não iria deixar claro isso, mas ela tende a mostrar essa visão ao espectador.

  • RR  02/11/2015 16:14
    E para se criar toda essas maravilhas tecnológicas? Não iriam gastas mais e mais recursos? Nínguém ainda inventou um jeito de se criar metal do nada? Isso é muita doideira. Tentam prever algo baseado em ficção científica! Vamos ficar só com os filmes mesmo! E Eu acho que vamos presenciar muita falta de alimentos e catástrofes nesse mundo. O ser humano tem é muito que evoluir ainda. Mais uns 10.000 anos, quem sabe?
  • Rhyan  02/11/2015 19:39
    Concordo com a crítica ao Star Trek, mas é exagero dizer que a escassez jamais será superada pela tecnologia. Talvez seja impossível em sua totalidade abolir a escassez, mas, pra citar um exemplo, a internet acaba com a escassez de músicas (mp3), filmes e séries (mp4 e outros), e imagens de uma maneira completa. Algo que só não é totalmente aproveitado por causa de leis de copyrights que são primitivas e irracionais.

    Os transhumanistas falam de possíveis tecnologias e tempos de total abundância de energia elétrica, tecnologias como Esfera de Dyson, Nanomontadores, Névoa Útil, e Materiais Programáveis.

    Enfim, é difícil saber o que vai surgir na tecnologia do futuro. Pode surgir coisas que "pegam" átomos e transformam em outros tipos de átomos.

    Uma boa lista lista muito discutida de tecnologias emergentes: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_emerging_technologies
  • anônimo  03/11/2015 11:08
    "é exagero dizer que a escassez jamais será superada pela tecnologia"

    Certos bens podem, obviamente, se tornarem super abundantes.

    Mas outros bens sempre serão escassos, como o próprio tempo e o seu corpo. E sendo esses recursos escassos, o problema da escassez sempre existirá em qualquer época.
  • Rhyan  03/11/2015 14:11
    O tempo talvez não seja uma escassez eterna, há ideias de vencer as doenças e a morte através da tecnologia futura, e viagens espaciais para evitar problemas de extinção gerada por causas astronômicas. Isso não seria a eternidade porque o Universo um dia vai acabar mas daria para esses seres a possibilidade de viver por bilhões de anos, trilhões talvez.

    Sobre o corpo, tem aquela ideia de "upload de mente", colocar a consciência das pessoas em mundos virtuais.

    O filme Transcendence fala um pouco sobre essas coisas.

    Enfim, pessoas que viveram no século XIX não teriam como imaginar ou entender um smathphone. Como eu disse, não dá pra saber o que pode surgir da tecnologia e revolucionar tudo, a Rev. Industrial foi isso.
  • anônimo  02/11/2015 19:41
    'According to his wife Magel Barrett, his last wife, Gene's political leaning was communist. She said at a local convention that the Chinese model of communism was his ideal.'

    979litefm.com/ten-things-you-didnt-know-star-trek-creator-gene-roddenberry/
  • Adelson Paulo  02/11/2015 21:05
    No recente livro "Sapiens: uma Breve História da Humanidade", que tornou-se um best-seller mundial, o professor israelense Yuval Harari descreve a evolução humana de um ponto de vista biológico. Ao final do livro, Harari apresenta um inquietante questionamento: a humanidade está no limiar de superar seus limites biológicos, através de drogas para alteração do comportamento e do metabolismo, da interação da mente com o mundo cibernético e a realidade virtual, do controle de doenças pela nanotecnologia, do intenso aumento da longevidade, e de forma ainda mais imprevista pela manipulação genética.
    Harari comenta que nossas obras de ficção científica apresentam os seres humanos no futuro praticamente iguais a nós mesmos, com as mesmas demandas e reações, e a mesma forma física. Mas há uma grande probabilidade de que a espécie humana seja totalmente transformada, física e mentalmente, pelas novas tecnologias. Seria o fim do Homo sapiens como conhecemos.
    Harari termina seu livro com um pequeno capítulo intitulado "O animal que se tornou um deus", concluindo com uma advertência: "Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?"
  • Tales  03/11/2015 00:49
    Sugiro para todos a leitura de Neuromancer, de Willian Gibson. Gibson é o precursor do Cyberpunk, tendo introduzido muitos conceitos considerados 'comuns' nos dias atuais. A própria trilogia do Matrix é baseade neste livro, inclusive o termo Matrix. Introduzindo o conceito da biotecnologia aumentando a longevidade dos indivíduos.

    Pra quem quiser conferir na wikipédia:

    https://en.wikipedia.org/wiki/Neuromancer

    Ou estas resenhas:

    https://www.youtube.com/watch?v=ESNovDPqTgY

    https://www.youtube.com/watch?v=BQkkffvxhko

    https://www.youtube.com/watch?v=yRBZGBnk0iE

  • Mr. Anderson  02/11/2015 22:05
    Até pra eu levantar do chão e pegar uma maçã na árvore, gasto energia e realizo trabalho/esforço.
  • Fernando  02/11/2015 22:17
    Falam tanto do poder estatal mas só ele é capaz de garantir que os livres mercados funcionem. Sem o poder estatal quem pode aplicar sanções àqueles que transgridem as normas sociais, ou que cometem crimes econômicos?
  • Mr Citan  03/11/2015 16:05
    Numa economia de livre mercado, esta penalidade já existe, e funciona muito bem quando não há envolvimento estatal na economia. Se chama Falência. ;)
  • Alexandre Oswald  02/11/2015 23:27
    Eu sempre fui fã de Jornada nas Estrelas, bem como dos livros de Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, principalmente pela visão utópica e otimista da humanidade, mas depois que conheci Robert A. Heinlein, percebi que este escritor conhecia muito melhor a natureza humana em relação aos outros.

    Para a minha felicidade, achei este artigo em inglês do Instituto Mises, que de certa forma, confirmou as minhas suspeitas:
    https://mises.org/library/was-robert-heinlein-libertarian


    Segue abaixo alguns trechos bem interessantes do livro "Amor Sem Limites" e corroboram este artigo.

    ...

    "Ira, eu não sabia do que ele estava falando. Isso foi em janeiro de 1930. Essa data significa alguma coisa para você?"
    — Receio que não, Lazarus. Apesar de muito estudo da história das Famílias, tenho que converter aquelas datas antigas em padrão galáctico a fim de senti-las.
    — Não sei se isso seria mencionado nos registros das Famílias, Ira. O país... Bem, todo o planeta havia acabado de dar um mergulho numa flutuação econômica. Chamavam-nas de "depressões". Não havia nenhum emprego disponível... pelo menos não para um jovem sabichão que não sabia nada de útil. Vovô compreendia isso, porque passara por várias dessas fases. Mas não eu. Eu estava certo de que podia agarrar o mundo pela cauda e pendurá-lo em cima do meu ombro. O que eu não sabia era que engenheiros formados estavam aceitando empregos de porteiro e advogados estavam conduzindo carroças de leite. E ex-milionários estavam pulando das janelas. Mas eu estava ocupado demais, indo atrás das moças, para perceber.
    — Sênior, li sobre as depressões econômicas. Mas nunca compreendi o que as causava.
    Lazarus Long começou a rir.
    — E, apesar disso, você é responsável por todo um planeta.
    — Talvez não devesse ser — admiti.
    — Não.seja tão humilde! Vou contar-lhe um segredo: naquele tempo, ninguém sabia o que as causava. Até a Fundação Howard poderia ter falido se Ira Howard não tivesse deixado firmes instruções sobre como o fundo devia ser administrado. Por outro lado, todo mundo, até os varredores de rua e os professores de economia, estava certo de que conhecia tanto as causas como as curas. Assim, quase todos os remédios foram tentados... e nenhum funcionou. Essa depressão continuou até o país tropeçar numa guerra... que não curou o que estava errado, simplesmente mascarou os sintomas com uma febre alta.
    — Bem... o que estava errado, vovô? — insisti.
    — Será que pareço bastante esperto para responder a isso, Ira? Fiquei muitas vezes sem nada. Algumas por motivos financeiros, outras por abandonar minha bagagem para salvar a pele. Hum... Diabos me levem se eu der alguma explicação rebuscada, mas... O que acontece quando você controla uma máquina por realimentação positiva?
    Fiquei espantado.
    — Não tenho certeza de havê-lo compreendido, Lazarus. Não se controla uma máquina por realimentação positiva... pelo menos não consigo lembrar-me de nenhum caso. A realimentação positiva faria com que qualquer sistema ficasse fora de controle.
    — Vá para a frente da classe, Ira. Desconfio dos argumentos por analogia... mas, pelo que vi durante os séculos, parece não haver nada que um governo possa fazer com uma economia que não atue como realimentação positiva, ou como um freio. Ou ambos. Talvez algum dia, em alguma parte, alguém esperto como Andy Libby imagine uma maneira de consertar a Lei da Oferta e da Procura para fazê-la funcionar melhor, em vez de deixá-la seguir seu próprio caminho cruel. Talvez. Mas nunca vi isso. Embora Deus saiba que todo mundo tentou. Sempre com as melhores intenções.
    "As boas intenções não substituem o conhecimento de como uma serra circular funciona, Ira; os piores criminosos da história estavam carregados de boas intenções. Mas você me desviou do assunto, levando-me a fazer um discurso quando eu estava lhe contando como terminei não me casando.

    ...

    Abençoado não estaria na minha rota senão por motivos comerciais. O comércio interestelar é limitado economicamente ao básico. Não se pode ganhar dinheiro ganhando dinheiro, porque o dinheiro não é dinheiro a não ser em seu planeta de emissão. A maior parte do dinheiro é papel-moeda de curso forçado; toda carga de papel-moeda de uma nave é papel sujo em outra parte. O crédito bancário vale ainda menos; as distâncias galácticas são grandes demais. Mesmo o dinheiro que tilinta deve ser considerado como mercadoria — não dinheiro —, ou você se enganará a si mesmo até à fome.
    Isto dá ao comerciante do céu uma compreensão de economia raramente conseguida por banqueiros ou professores. Ele está engajado nas trocas, e nada de bobagens. Paga os impostos que não pode sonegar e não se importa se eles são chamados de "imposto de consumo", "dízimo do rei", "extorsão" ou subornos diretos. É o bastão, a bola e o quintal do outro garoto; portanto, joga-se pelas regras dele — nada por que suar. O respeito às leis é uma questão pragmática. As mulheres sabem disto instintivamente; é por isso que todas elas são contrabandistas. Os homens muitas vezes acreditam — ou fingem acreditar — que a "Lei" é alguma coisa sagrada, ou pelo menos uma ciência — presunção essa sem fundamento, muito conveniente para os governos.
    Fiz pouco contrabando; é arriscado, e a gente pode terminar com dinheiro que não se atreve a gastar onde ele é moeda legal. Simplesmente tentei evitar os lugares onde a extorsão era alta demais.
    Pela lei da oferta e da procura uma coisa tem valor tanto por onde está como pelo que é — e é isso que um comerciante faz; transporta as coisas de onde são baratas para onde valem mais. Uma porcaria malcheirosa num estábulo é um fertilizante valioso se você o transportar para o sul quarenta. Seixos num planeta podem ser pedras preciosas em outro. A arte de escolher a carga está em saber onde as coisas valerão mais, e o comerciante que puder calcular certo pode ganhar a fortuna de Midas numa viagem. Ou calcular errado e falir.
    Eu estava em Abençoado porque tinha estado em Aterragem e queria ir para Valhalla a fim de voltar para Aterragem, porque estava pensando em me casar e constituir outra família. Mas eu queria ser rico o suficiente para ser proprietário de terras quando me casasse — o que eu não era na ocasião. Tudo quanto eu tinha era a nave de reconhecimento que eu e Libby havíamos usado{33} e uma pequena quantia em dinheiro local.
    Assim, era tempo de comerciar.
    As rotas comerciais para uma troca nos dois sentidos apresentam um lucro mínimo; elas abastecem tudo depressa demais. Mas um comércio triangular — ou números mais altos — pode apresentar altos lucros. Da seguinte forma: Aterragem tinha certa coisa — digamos queijo — que era luxo em Abençoado, ao passo que Abençoado produzia algo — digamos giz — muito procurado em Valhalla.... ao passo que Valhalla fabricava objetos pequenos de que Aterragem precisava.
    Trabalhe nisto na direção certa e ficará rico; trabalhe de trás para diante e ficará sem a camisa.

    ...
  • Thiago Teixeira  03/11/2015 08:44
    Excelente
  • Estranho numa terra esquisita  04/11/2015 15:27
    Tinha lido uma vez no meio de minhas navegações aleatórias pela internet que o romance mais libertário de Heinlein era "The Moon Is a Harsh Mistress", o que, obviamente, deu-me grande curiosidade de lê-lo. No entanto, como a última edição para o português foi lançada nos anos 60, encontrar essa obra no nosso idioma foi tarefa acima de minhas capacidade$. Assim sendo, se alguém tiver acesso a essa obra (digital ou fisicamente), dê um sinal de vida.
  • Rennan Alves  04/11/2015 16:42
    Lembro que, no ano passado, a editora Aleph informou que publicaria 3 novas edições de algumas obras do Robert A. Heinlei: Tropas Estelares(Starship Troopers), Um estranho em uma terra estranha(Stranger in a strange land) e Revolta na lua(The Moon is a harsh mistress).

    Sei que o Tropas Estelares(meu favorito do autor) já foi lançado, então é bem provável que a editora trará os restantes. O jeito é esperar, ou encontrar os antigos 2 volumes(o livro foi publicado em dois na língua portuguesa) pela internet.
  • Estranho numa terra esquisita  04/11/2015 17:08
    Muito obrigado pela boa notícia, Renan.
  • Tales  03/11/2015 00:55
    A antítese do Star Trek. O futuro distópico do Cyberpunk, vale a leitura:

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Cyberpunk
  • Andre Cavalcante  03/11/2015 01:56
    Caraca, mexeu com uma das minhas séries favoritas, mexeu comigo.... :)

    Mas vamos aos fatos.
    Roddenberry era comunista. Ele tentou de várias formar colocar alguns dos princípios maxistas na série. Mas como os EUA estavam no auge da "guerra contra o comunismo" ele não poderia fazer isso explicitamente, então ele o fez sutilmente: ele inseriu os princípios da chamada economia baseada em recursos (um marxismo com robôs para os detratores :) ) na séria. Por diversas vezes ele fez transparecer na série que a economia do futuro seria uma espécie de economia baseada em recursos.

    Todavia, a coisa é tão ruim mesmo teoricamente, que ele caia em contradição quase todo episódio e não conseguia dar um norte sobre como era a economia no século XXIV. Em STNG The first contact, uma das cenas sutis é o diálogo de Picard com Lily:

    LILY: It took me six months to scrounge up enough titanium just to build a four-metre cockpit. ...How much did this thing cost?
    PICARD: The economics of the future are somewhat different. ...You see, money doesn't exist in the twenty-fourth century.
    LILY: No money! That means you don't get paid.
    PICARD: The acquisition of wealth is no longer the driving force in our lives. ...We work to better ourselves ...and the rest of humanity. Actually we're rather like yourself and Doctor Cochrane.

    Mas, ao final do filme, quando Picard resolve destruir a Enterprise (o que significaria que eles permaneceriam na Terra no século XXI) ele orienta:

    PICARD: If you see Commander Riker or any of my crew, give them this.
    LILY: What is it?
    PICARD: Orders to find a quiet corner of North America and ...stay out of history's way.

    Porque North America eihm?!...

    Abraços trekkers a todos...


  • Renzo  03/11/2015 18:44
    Andre Cavalcante, Primeiro Contato é de 1996, e o Gene morreu em 1991. Mesmo que o Gene tenha sido comunista, ST está acima de seu criador, a maioria dos episódios foram feitos após sua morte. O que ficou é uma visão positiva da humanidade.
    A questão principal desse artigo é mostrar o fato de que esses autores estão usando ST para justificar o comunismo é o futuro, tentando manipular a opinião pública mais uma vez.
  • Fabio  03/11/2015 22:57
    Teoria da conspiração?
    Jornadas nas estrelas a nova geração sofreu de falta de roteiristas para se dizer haver alguma tentativa conspiratória de doutrinar as pessoas.
    Mas não se pode descartar a influência da época destes ideais nos vários roteiristas que se passaram. A séria original foi feita em plena época que a realidade alternativa era o outro lado comunista, como bem sabe. Talvez devido a isto Pavel Chekov existiu, apesar da ideia ser que no futuro não haveriam 'povos opostos'.
  • Elson Junior  03/11/2015 07:16
    Este artigo obviamente não leva em consideração a quinta dimensão. Isso é um absurdo.
  • anônimo  03/11/2015 17:17
    Só o fato de ter naquela nave romulanos, vulcanos, terráqueos e o diabo a quatro, todo mundo vivendo harmoniozamente e sem conflitos já dá pra ver como o cara (Gene Rodenberry) era comunista.
    E aqui no mundo real o multiculturalismo é uma das bandeiras do marxismo cultural.Coincidência?
  • Spock  03/11/2015 20:05
    Não necessariamente. Gene Roddenberry era um admirador de Ayn Rand, autora que nenhum socialista de que tenho notícia suporta.

    Para mais detalhes: www.solopassion.com/node/8805
  • Emerson Luis  21/03/2016 11:32

    "Só o fato de ter naquela nave romulanos, vulcanos, terráqueos e o diabo a quatro, todo mundo vivendo harmoniozamente e sem conflitos já dá pra ver como o cara (Gene Rodenberry) era comunista. E aqui no mundo real o multiculturalismo é uma das bandeiras do marxismo cultural.Coincidência?"

    Em países onde há um mínimo de liberdade econômica, pessoas de diferentes etnias, crenças, origens geográficas, etc. negociam e se relacionam pacificamente, cada um exercendo sua cultura dentro de seu âmbito e respeitando as regras compartilhadas do liberalismo (respeito à vida, propriedade e liberdade) nessas interações.

    Voltaire já tinha observado esse fenômeno no século 18.

    Mesmo no Brasil, judeus e palestinos convivem pacificamente , fazem negócios e até se casam.

    Multiculturalismo não é a mera aceitação pacífica da existência de diferentes culturas. O liberalismo faz isso. O que os multiculturalistas querem impor é que, visto não haver verdade e tudo ser relativo, não podemos dizer que uma cultura é superior a outra em nenhum aspecto, que devemos aceitar tudo sem pensar, pois pensar é "preconceito".

    Contraditoriamente, os multiculturalistas afirmam ou dão a entender que a cultura ocidental, de base judaico-cristã e greco-romana, é a pior de todas, a causadora de todos os males da Humanidade, e deve ser dissolvida para dar lugar à Nova Ordem.

    Só falta combinar com os russos. E chineses. E muçulmanos. E...

    O multiculturalismo é um jogo de poder dissimulado dos neomarxistas. Não confunda o relativismo moral e niilismo do multiculturalismo com a tolerância racional do liberalismo.

    * * *



  • Anomalous  03/11/2015 18:26
    Muito bom este artigo. Compartilhado.
  • Vinicius  03/11/2015 18:36
    Achei apropriado o nome do tradutor "Borges", quase Borgs. Que, na minha opinião, são a representação do mundo Marxista na série.

    Os Borgs sim, são socialistas de verdade, não existe desigualdade. Os humanos, que possuem visão muito boa, a têm substituído pela Borg, muito pior (ver o filme em que eles voltam no tempo), e tudo o mais. E, além disso, no mesmo filme vemos que existe um(a) governante que possui muito mais poder e concentra toda a decisão e riqueza. Perfeita analogia socialista.

    No resto, só mudou as preferências. Dinheiro como conhecemos não faz mais sentido, mas ainda existe riqueza. Se não existisse escassez cada ser senciente seria capitão de sua própria FROTA estelar e dono de diversos sistemas planetários. Afinal, se não existe escassez eu quero pelo menos uma galáxia pra mim.

  • Renzo  03/11/2015 22:08
    Concordo plenamente! Os Borgs são o comunismo em seu maior grau: eles destroem toda a individualidade presente nas espécies conquistadas e buscam uma perfeição ilusória.
  • Pedro Borges Griese  04/11/2015 05:04
    Vinicius,
    Sim, diria que os Borgs são a caricatura dos comunistas.
    Diria eu que os comunistas é que são a caricatura dos Borgs. Um bando de zumbis ideologizados, cuja individualidade é arrancada. E que acreditam no materialismo dialético histórico. Ou seja, a evolução histórica, que levaria via luta de classes os sistemas sociais até o comunismo!
    Nessa visão, "resistir seria inútil"!

    Como bom capitalista desejo a todos LLAP!
  • Vinicius  04/11/2015 18:29
    Exato.

    E isso, além dos outros argumentos aqui apresentados, me faz achar que a série nada tinha de viés esquerdista. Eu GOSTO do futuro apresentado lá.

    Um futuro onde necessidades básicas sejam tão facilmente atendidas que ninguém precisa fazer NADA por obrigação iria liberar a criatividade e a mente inventiva humana para explorar limites nunca imaginados. Eu gostaria de ver o quanto de valor poderia ser produzido dessa forma.

    Como iremos fazer trocas nesse futuro? Não sei, pode até ser que não exista dinheiro per se, mas alguma coisa será trocada. Seja influência, conhecimento, tempo, sei lá. Algum recurso escasso vai ter valor (semi) universal a ponto de ser usado como moeda de troca, e pode ser algo completamente novo e transcendente pra gente.
  • Juliana  05/11/2015 13:52
    E essas coisas todas — como comida, abrigo, medicamentos e todos os serviços de saúde — seriam oferecidos assim, de graça, nessa nossa "pequena Enterprise" com seus aproximadamente 7 bilhões de habitantes? Sim, porque somente quando chegarmos a esse estágio, a escassez no que diz respeito às necessidades básicas humanas terá sido completamente superada. Sem contar que tudo isso seria uma dádiva da tecnologia e das inovações, sem necessidade nenhuma de um acordo ou decreto mundial e nenhuma política de redistribuição para garantir esse suprimento a todos. E isso tudo é o que iria liberar o ser humano para escolher, moldar a realidade como desejar e explorar limites nunca antes imaginados...

    Eu leio essas coisas e percebo que minha mente é mesmo muito tacanha, porque não consegue de maneira nenhuma alcançar esse tipo de imagem mental. Mas nem duvido que tudo isso seja possível. Estou inclusive pleiteando a eternidade para ver acontecer.

    Mas como o próprio artigo ressalta, felizmente sempre haverá escassez e não há fim para a possibilidade e a capacidade de desejar e criar do ser humano. Pois se dependesse da tecnologia, poderíamos ficar entediados no nosso "paraíso na Terra".

    Abraços!
  • André  04/11/2015 01:46
    Apenas eu lembrei de Duna e do Melánge ao ler esse artigo?
  • Andre Cavalcante  05/11/2015 02:07
    Série de livros/filmes excelentes, mas ao contrário de star trek, é toda capitalista/estadista
  • Felipe Vieira  05/11/2015 15:32
    Eu só gostaria de obter opiniões de libertários de verdade, uso a falácia do escocês referindo a mim mesmo como um libertário-não-de-verdade, porque sou contra a liberação das drogas, a respeito de como fica a questão da ALOCAÇÃO dos recursos, uma vez que a tecnologia cubra o conceito de TELETRANSPORTE, com praticidade, como em star trek. Mesmo com escassez, a IMEDIATA REALOCAÇÃO fortaleceria ou enfraqueceria o livre mercado?
  • Renzo  05/11/2015 17:10
    Felipe Vieira, o teletransporte de ST foi criado nos anos 60 simplesmente por ser mais barato do que colocar pequenas naves de transporte indo e voltando da Enterprise. Além disso, dentro do universo da série, há um limitação para seu uso em termos de distância (o que se vê no filme de 2009 é meio que um exagero em relação ao restante do seriado). Há um episódio em DS9 em que o Capitão Sisko afirma que na Terra havia uma quantidade limitada para o uso do teletransporte por pessoas que não eram da Frota Estelar.
  • Felipe  05/11/2015 17:22
    Suponho que não entendi direito sua pergunta...

    Sendo o teletransporte apenas uma tecnologia para movimentação de matéria, sem qualquer efeito regulatório ou coercitivo, então não pode ser ruim para o livre mercado.
  • Massa  05/11/2015 18:09
    Só por curiosidade: se você é contra o fim da regulação estatal sobre as drogas, como você poderia ser libertário?
  • Luis Gustavo Prado  12/11/2015 12:12
    E sem um motivo econômico, qual o sentido de gastar muitos bilhões, ou mesmo trilhões em material e mão-de-obra, para lançar imensas naves estelares?
  • Renzo  12/11/2015 22:15
    Luis Gustavo Prado,
    Nem tudo na vida precisa de um motivo econômico. Ver as maravilhas do espaço não tem preço. Descobrir novas coisas, desenvolver novas tecnologias, vencer novos desafios também fazem parte da natureza humana. Mas admito que é uma questão de gosto.
    Imagina se Van Gogh, Bach ou Tolkien (e muitos outros que só ficaram famosos após a morte) tivessem pensado: ah, não vou ganhar dinheiro mesmo, não há motivo econômico, vou ficar na minha e ao invés de fazer a minha arte vou vender pão ali na esquina...
    Infelizmente somos de uma época em que a exploração espacial tem menos apelo que um reality show, e aí os governantes mundo afora aproveitam pra desperdiçar dinheiro com armamentos e guerras sem fim. O pior é que a maioria acha normal pagar pra que o governo exploda coisas por aí...
    Já que o governo vai gastar de qualquer jeito, se for pra escolher entre guerras ou exploração espacial, prefiro a segunda opção.
  • Luis Gustavo Prado  01/12/2015 22:43
    Mas 'motivos econômicos' não é só dinheiro, é o acumulo de qualquer coisa, de tampinhas de garrafa a conhecimento sobre o universo. Sem um motivo 'acumulador', nada tem sentido...
    E mesmo quem 'distribui' (cria algo sem pensar no ganho financeiro) um pouco de si, ele está acumulando mais conhecimento sobre sua própria obra...
    Não existe diferença (pra mim) entre o acumular posses hoje do acumular conhecimento de Star Trek.
    O universo evoluí, as necessidades mudam...
  • Paulo Henrique  29/08/2016 04:11
    O artigo diz que a tecnologia não gera desemprego , ao contrário, cria eles. Isso talvez seja verdade atualmente. Mas se radicalizarmos o desenvolvimento tecnológico,coisa que não foi feita nem no exemplo do Star Trek, pq ''explorar novos mundos, descobrir novas vidas'' ainda é uma tarefa que requer humanos. Ignora que podemos chegar ao ponto da singularidade tecnológica. Um nível onde a IA progride por conta própria e melhora a si mesma sem depender dos seres humanos para seu desenvolvimento e novas descobertas. Como se fosse uma "espécie nova", mas superior em tudo.

    Leia-se, tudo o que fazemos ou poderíamos fazer, tal IA faria melhor..Não está limitada ao fator biológico.

    Onde haveria emprego humano para todos em tal cenário. Mesmo que você crie empregos, os novos que surgiriam seriam simplesmente melhor feitos por essa IA utópica. Limitar a utilização dessa inteligência seria uma ação anti-produtiva e contra a eficiência, mas poderia preservar alguns empregos.

    É verdade que a tecnologia não cria desemprego hoje e nem no exemplo do Star Trek. Mas será que isso seria verdade se radicalizarmos o desenvolvimento a um nível que a IA nos supere em praticamente tudo o que imaginemos fazer? É claro que isso é só conjectura e ficção. Mas é interessante para testar os limites das teorias econômicas . Como esse artigo tenta fazer, mas que eu acho que faltou um pouco mais de exagero no lado tecnológico
  • Pobre Paulista  29/08/2016 11:47
    "Um nível onde a IA progride por conta própria e melhora a si mesma sem depender dos seres humanos para seu desenvolvimento e novas descobertas"

    "tudo o que fazemos ou poderíamos fazer, tal IA faria melhor"

    Isso é ficção científica. Não misture ciência econômica com histórias da carochinha.
  • Capitalista liberal  30/08/2016 13:54
    Existe duas coisas que a IA jamais será capaz de fazer, empreender e expandir o conhecimento.

    Ambas requerem pensar o que ninguém pensou, e é impossível para uma máquina fazer algo além do que ela foi programada para fazer. Criar e imaginar são exclusividades da menta humana.

    Por isso, fique tranquilo, o ser humano nunca será dominada por máquinas.
  • Andre Cavalcante  30/08/2016 15:50
    Olá,

    Pelo visto vc não viu o link acima. Tudo bem, eu fui lá vi que se trata de um livro, que já li.
    Então busquei algo mais rápido e direto. Segue abaixo com meus comentários:

    "Existe duas coisas que a IA jamais será capaz de fazer, empreender e expandir o conhecimento.
    Ambas requerem pensar o que ninguém pensou, e é impossível para uma máquina fazer algo além do que ela foi programada para fazer. Criar e imaginar são exclusividades da menta humana."

    Não é bem assim.

    Há um paper do Turing em que ele aponta uma série de coisas que os detratores da computação falavam em seu tempo. Ele faz assim: "Os detratores geralmente começam assim: 'As máquinas jamais irão realizar X', onde X é:" e aí ele segue com uma relação de coisas que achava-se seriam exclusividade humana. Da relação dele, pouca coisa restou como tal exclusividade e praticamente ninguém na comunidade científica se espantaria em que as máquinas passassem a realizar tais atividades.

    Por definição, IA trata exatamente dos algoritmos que permitem às máquinas aprender e tomar decisões sem a intervenção humana, justamente indo bem além da sua "programação". Então é possível sim você criar algoritmos que permitiriam máquinas imaginar, empreender e expandir o conhecimento. Não há nada que limite isso, em teoria. O fato de não termos hardware e/ou software que ainda não faça isso é mera questão de tempo/esforço no desenvolvimento, não uma limitação da natureza (e isso deve ficar claro nesta discussão: há diversas coisas que são impossíveis ao seres humanos e quaisquer artefatos que venha a construir, por uma questão das leis físicas, isto é leis naturais, entretanto não há nada na natureza que impeça a inteligência de se desenvolver em qualquer criatura, natural ou artificial, ou, como queiram alguns, criaturas feitas por Deus ou pelo homem, respectivamente).

    Veja-se que o próximo passo da IA é justamente permitir a fusão do artificial com o biológico. Essa fusão do tecnológico com o biológico, nos seres humanos, chamado de trans humanismo, já começou. É um processo lento, contudo, ininterrupto e tem se acelerado e é, por conseguinte, "fatal".

    Veja detalhes sobre o trans humanismo em:

    Communication, Technology, and the Planetary Creature


    "Por isso, fique tranquilo, o ser humano nunca será dominada por máquinas."

    Fique tranquilo, quando isso for acontecer, nós seremos as máquinas.

  • anônimo  03/09/2016 10:59
    'Veja-se que o próximo passo da IA é justamente permitir a fusão do artificial com o biológico.'
    BS.Allan Turin está se remoendo no túmulo.
  • saoPaulo  02/09/2016 12:27
    Onde haveria emprego humano para todos em tal cenário.
    Você está invertendo as coisas. As pessoas trabalham para poderem consumir. O trabalho em si é um meio, não um fim.
    Pergunta: E se as máquinas produzirem tudo, onde os humanos trabalharão?
    Responta: Se isto um dia acontecer, os humanos já terão tudo. Por que precisariam trabalhar?
  • vladimir  03/11/2016 18:05
    respondendo a todos
    Quanto a exploração e colonização do espaço profundo não vai ser como nos filmes, vai ter luta entre governo vs iniciativa individual é só ler o livro avatar que explica bem a esta situação, ainda vai ter ekochatos dizendo para deixar os planetas com estão, em que a humanidade de jeito nenhum deve colonizar o sistema solar e o universo, que deve ficar na Terra em harmonia com a mãe natureza sofrendo cataclismos naturais e sem reclamar, além disso a administração deve ser descentralizada porque devido a distancia entre os corpos celestes fica difícil administração centralizada, gestão socialista nem pensar, os colonos morreriam de fome e para calar a boca dos ekochatos a Terra talvez tenha recursos finitos mas o univero não é só ir procurar se tiver inteligência/criatividade para tanto.
  • Luciano Andrade  01/10/2017 01:34
    Treckonomics, a economia de Star Trek e o fim do capitalismo.

    Já faz quase 50 anos que a nave Enterprise se aventurou pelo espaço sideral, com o capitão Kirk e sua tripulação dedicados a explorar novos mundos e encontrar novas civilizações. "Jornada Nas Estrelas" gerou cinco séries para a TV (seis, contando o desenho animado), uma dúzia de longas-metragens, livros, discos, DVDs, e muitos milhões de fãs ao redor do mundo. O universo de Star Trek é cada vez mais familiar e próximo de nosso cotidiano.

    Uma série de ficção-científica singular em muitos aspectos, Star Trek é o tema de vários estudos sérios escritos ao longo de décadas por cientistas políticos, sociólogos, físicos, engenheiros e até teólogos. Vários executivos e pesquisadores do Google (um ninho de fãs da série) dizem que o objetivo da empresa é criar tecnologias similares às da nave Enterprise para aumentar o conforto e facilitar a vida das pessoas. O Dr. Martin Cooper da Motorola declarou que se inspirou no comunicador usado por Kirk e Spock para criar o primeiro telefone celular. Várias tecnologias que usamos hoje também são inspiradas por objetos fictícios da série ou dos filmes de Star Trek.

    Acima de tudo, Star Trek se passa em um universo onde a guerra, a fome e a pobreza foram eliminadas, bem como outras mazelas sociais, incluindo a discriminação e o racismo. É uma utopia audaciosa, onde a abundância gerada pela tecnologia eliminou também o capitalismo e outros modelos econômicos — e até mesmo o dinheiro (o "capital" continua existindo, mas definido de outro modo).

    A ideia de uma sociedade não-monetária, ou "anumismática", é dos maiores destaques da saga de Jornada nas Estrelas. É um elemento mais relevante que as ideias tecnológicas na narrativa, como o teletransporte, o tricorder, os torpedos fotônicos, e as naves que voam mais rápido que a luz.

    Foi justamente esse aspecto do ambiente de Jornada nas Estrelas despertou o interesse de Manu Saadia, que está escrevendo um livro chamado "Trekonomics", para discutir a economia e a sociedade humana do século 23. A ideia para o livro surgiu a partir de conversas entre Saadia e Chris Black, que foi roteirista da série "Star Trek: Enterprise", e de textos publicados sobre o assunto no site Medium. O livro será publicado pela plataforma Inkshares e pode ser pré-encomendado pelo site. Saadia disponibilizou a introdução e o primeiro capítulo do livro.

    Em "Trekonomics", Saadia examina a "pós-economia" do universo da Federação Unida de Planetas, onde o dinheiro é desnecessário porque tudo pode ser produzido em "replicadores", máquinas que convertem energia em matéria e sintetizam desde alimentos até peças para naves espaciais. E de graça. A Terra do século 23 eliminou a escassez através da tecnologia.

    A "ausência de escassez" produz uma sociedade onde dinheiro, preços ou mercados são irrelevantes. E também não existe lucro. Num mundo assim, por que as pessoas dedicariam suas vidas a projetos, carreiras e invenções, sem a expectativa de retorno material? Como avaliar as opções e mensurar os resultados do trabalho sem uma unidade monetária quantificável?

    Saadia admite que é um grande salto de otimismo, mesmo para o fã mais devotado de Jornada nas Estrelas neste começo do século 21, imaginar que um mundo assim pode emergir de nossa sociedade obcecada pelo consumo e pela acumulação de bens.

    O livro de Saadia pretende avaliar as possibilidades de chegarmos a esse mundo utópico, usando os enredos de episódios das séries e dos filmes de Star Trek como ponto de partida para estimular a discussão, bem como ideias de pensadores como Adam Smith e Jeremy Bentham. Talvez o resultado não seja um tratado fundamental de economia ou política financeira, mas deve ser uma leitura interessante.

    Saadia observa que os roteiristas de Jornada nas Estrelas foram cuidadosos ao estabelecer que embora a economia interna da Federação seja não-monetária, essa união de planetas se relaciona com outras civilizações e sociedades que são monetárias, e que mantém regras de valor e preços em suas relações comerciais.

    Saadia disse que na sociedade de Star Trek, a natureza do trabalho não dependerá mais do consumo, ou a mera subsistência. A chave para isso é dissociar o trabalho do pagamento, da recompensa monetária. Essa é a mensagem da série, disse Saadia.

    Em entrevista ao Washington Post, Saadia disse que em vez de trabalhar para aumentar sua riqueza ou acumular bens, as pessoas em uma sociedade "anumismática" do futuro se esforçarão para aumentar sua reputação. A recompensa do trabalho será o prestígio. Para conquistar esse prestígio, você vai se esforçar para ser o melhor capitão de espaçonave da galáxia, o melhor médico, o melhor cientista, o melhor artista, etc. E vai competir com outros pela mesma distinção. Seria uma meritocracia em sua expressão mais pura, sem as desigualdades sociais de hoje.

    Gene Roddenberry, o criador de Star Trek, reconhece que se inspirou nas histórias do escritor de ficção-científica Isaac Asimov para criar muitos dos elementos que se tornaram famosos na série. Mas Roddenberry era um visionário também, e sua visão humanista do futuro venceu até os preconceitos que eram os valores dos anos 1960. Muitas ideias "políticas" que estavam nos roteiros da série original foram vetadas, mas para horror dos executivos da rede NBC, Gene insistiu em colocar na ponte da Enterprise uma tenente negra, um jovem russo e um alienígena em papéis de protagonistas. As tecnologias de Star Trek estão se tornando realidade, uma a uma. Talvez a sociedade sem dinheiro sonhada por Gene não esteja tão distante assim.

    Refutem se puder! Uma sociedade sem escassez não precisa de ciência econômica!
  • anônimo  22/07/2018 01:28
    ou mais provavel eles vão atrás de algo tangivel
  • Paulo Henrique  01/05/2018 04:58
    ''Há ocasiões em que gostamos de saber que alguma coisa foi feita de uma determinada maneira, e isso se traduz em uma demanda por bens quem têm um processo de produção peculiar, geralmente intensivo em trabalho. Feiras de artesanato são muito comuns, mesmo quando muitos dos itens oferecidos em tais feiras são produzidos maciçamente em outros lugares.''

    Eu não vejo como esses exemplos poderiam suprir toda a demanda por emprego na sociedade. É como dizer que apenas uns 20 setores da economia empregariam toda uma sociedade.

    O argumento não precisa ser um desemprego geral, mas sim um desemprego de uma parte relativamente grande da sociedade, que ficaria marginalizada

  • Paulo Maggessi   28/10/2018 05:35
    é triste ver que muita gente só nota o esquerdismo de Hollywood quando ele é óbvio.


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