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A livre iniciativa e a felicidade - quem quer ser genuinamente feliz deve empreender

N. do E.: o artigo a seguir é um trecho de uma apresentação verbal da Prager University.  Daí seu tom mais coloquial.

 

Quando você ouve a expressão "livre iniciativa", qual a primeira ideia que vem à sua mente?

Para quase toda a população, na melhor das hipóteses, livre iniciativa remete a "ganhar dinheiro".

Mas há outro aspecto da livre iniciativa que é bem mais importante do que apenas "ganhar dinheiro": a livre iniciativa é importante não apenas por causa de sua excepcional e imbatível capacidade de gerar prosperidade e benefícios materiais, mas também por causa de seus inigualáveis benefícios morais.

Isso pode parecer contra-intuitivo, principalmente se você passou muito tempo da sua vida ouvindo lições de professores universitários, os quais, ao longo das últimas décadas, pontificavam com segurança e desenvoltura que a livre iniciativa não passava de um esquema para saciar desejos cúpidos, egoístas e gananciosos.

Entretanto, com a queda do Muro de Berlim e o colapso da URSS e das economias comunistas, até mesmo a esquerda, relutantemente, passou a reconhecer a utilidade da livre iniciativa.  Mas apenas como um mal necessário.

"É óbvio", diz a esquerda, "que a livre iniciativa nos traz benefícios materiais.  Mas o custo simplesmente não compensa.  As pessoas se tornam materialistas demais.  As empresas se tornam poderosas demais.  Os lucros corrompem as pessoas.  E surgem muitas desigualdades materiais".

Seria essa uma avaliação justa?  Não, claro que não é. E eis o motivo

O imperativo moral

A livre iniciativa não é apenas materialmente gratificante; ela também é um imperativo moral.

E um dos principais motivos de ele ser um imperativo moral é que somente a livre iniciativa nos capacita para sermos genuinamente felizes

Por quê? 

Porque é a livre iniciativa o que nos permite alcançar o nosso sucesso de maneira ética e moral, fazendo por merecê-lo.

O que tudo isso significa?  Ao termos sonhos e ao trabalharmos duro para concretizá-los, a satisfação e a felicidade ao sermos bem-sucedidos é única. O sucesso conquistado de maneira ética e moral, por meio do esforço próprio e da criação de valor para nossos consumidores, produz a inigualável satisfação e a felicidade da conquista: tivemos sonhos, trabalhamos duro para realizá-los e fomos bem-sucedido nesse processo. 

Esse sentimento só é possível de ser obtido em um sistema cujas recompensas são baseadas no mérito próprio e no valor criado para seus consumidores, e não em conexões com poderosos e em agrados a políticos.

Pense nas coisas da sua vida que o deixam feliz.  Provavelmente você pensará na sua família, nos seus relacionamentos pessoais, nos seus amigos e, talvez, no seu emprego.  Em outras palavras, você irá pensar em todas as coisas que representam virtudes pessoais, conquistas e trabalho. 

Sim, é claro que todos nós queremos coisas boas e legais.  Queremos um carro bom, uma moradia boa, roupas bonitas, aparelhos eletroeletrônicos legais, viagens para exterior etc.  Mas se tais coisas forem simplesmente dadas para nós sem contrapartida, se nós não fizermos por merecê-las, se nós não nos esforçarmos para obtê-las e partirmos do princípio de que temos o direito a recebê-las sem esforço, então elas não nos farão realmente felizes.

Ganhar na loteria

Você provavelmente já pensou no que faria caso ganhasse na loteria, correto?  Todos nós já tivemos essa fantasia.  Talvez você tenha pensado em comprar uma mansão, um carro esportivo, reformar todo o guarda-roupa e fazer aquela longa viagem ao redor do mundo.  É bem provável que fosse possível fazer tudo isso.

Mas a realidade é que, segundo estudos de pesquisadores da Universidade de Michigan, você está mais propenso a ser menos feliz após ter ganhado na loteria do que antes de ter comprado o cartão e feito a aposta. Você obviamente ficará muito feliz ao ganhar o prêmio; porém, com o tempo, suas frustrações aumentam.

Segundo esses estudos, pessoas que ganham na loteria normalmente saem comprando variadas coisas de que não precisam, arrumam "amigos" interesseiros e, em alguns casos, até mesmo se tornam alcoólatras. 

Por que isso ocorre?  Por aquele mesmo motivo que seus pais provavelmente sempre lhe ensinaram: o dinheiro não pode comprar a felicidade.

E, ainda assim, as pessoas da esquerda nos dizem que, se ao menos o governo decretasse que todas as pessoas tivessem a mesma renda, toda a sociedade seria muito mais feliz.  Isso simplesmente não é verdade.

O que traz a felicidade

A felicidade não é algo que pode ser concedido por terceiros.  A felicidade é algo que conquistamos; a felicidade é algo que alcançamos por meio de ações próprias. 

Apenas veja os empreendedores, principalmente os pequenos.  As pessoas que são donas do próprio negócio se consideram muito mais felizes do que aquelas que estão em qualquer outra posição no mercado de trabalho.  (Veja mais aqui).

Por quê?  Qual é o segredo delas?

Elas não estão trabalhando menos.  Ao contrário, pequenos empreendedores trabalham muito mais horas do que os assalariados.  Elas também não estão ganhando rios de dinheiro.  Empreendedores, na média, ganham muito menos do que funcionários públicos do alto escalão. 

O segredo é que seu empreendimento as permite alcançar seu próprio sucesso, como sempre sonharam.  É esse sucesso alcançado pelo esforço próprio, e não concedido pela caridade de terceiros, o que torna essas pessoas mais felizes.  E isso realmente só é possível por meio da livre iniciativa.

O governo nos dar benesses que não merecemos e as quais não nos esforçamos para conseguir não é uma medida que pode nos fazer felizes.  É realmente simples assim.

Não é à toa que os Pais Fundadores do EUA foram cuidadosos ao escrever, na Declaração de Independência, que as pessoas tinham "o direito à vida, à liberdade e a procurar a felicidade".  Essa foi a grande constatação: procurar a felicidade.  Eles não disseram que as pessoas tinham o direito de ser felizes.  Eles deixaram claro que as pessoas apenas têm o direito de perseguir a própria felicidade.

E é isso o que a livre iniciativa faz.  E é por isso que ela é crucial.  Somente a livre iniciativa nos permite decidir o que nos fará felizes, somente ela nos permite ir em busca dos nossos sonhos, e somente ela nos permite concretizá-los de maneira ética e moral.

A busca da felicidade só pode ocorrer se tivermos a oportunidade de alcançar e fazer por merecer nosso sucesso.  A felicidade não está no materialismo ou na redistribuição de renda feita pelo governo.  A felicidade está na maneira como definimos nossas vidas e nossos objetivos; acima de tudo, a felicidade está na concretização dos nossos sonhos por meio do esforço próprio.

Essa é o potencial moral da livre iniciativa.



autor

Arthur Brooks
é o presidente da American Enterprise Institute.


  • Tiago silva  07/10/2015 14:27
    Só pode haver esperança num mundo livre de maracutaias.
  • anônimo  07/10/2015 14:49
    "os Pais Fundadores do EUA foram cuidadosos ao escrever, na Declaração de Independência, que as pessoas tinham "o direito à vida, à liberdade e a procurar a felicidade""

    Já aqui no Brasil: "Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados"
  • cmr  07/10/2015 15:02
    Ou seja, devemos rasgar essa constituição lixo que temos.

  • Anomalous  08/10/2015 11:31
    O Art 5º começa bem, mas depois não sei não

    "XXII - é garantido o direito de propriedade;

    XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;

    XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;"

    Precisa ser corrigido, mas com os políticos que temos aí...
  • Raquel Luz  07/10/2015 15:42
    Quanto mais eu leio artigos, mais eu me identifico com o livre mercado e a livre iniciativa. Tudo faz muito mais sentido.
    Inclusive, estou aprendendo bastante desses assuntos com A Revolta de Atlas.
    Obrigada mais uma vez por um artigo excelente! E parabéns. :)
  • Trader Carioca  07/10/2015 18:56
    Raquel Luz,

    Desejo sorte em seus estudos e descobertas sobre a Escola Austríaca.

    Contudo, tenha cuidado com as leituras de Ayn Rand. Ela não é libertária/liberal. Há uma grande polêmica em torno dela e sobre seu alinhamento filosófico, mas ela certamente é contra a Escola Austríaca.

    O livro "A Revolta de Atlas" (Atlas Shrugged) tem uma forma interessante de falar sobre individualismo e, neste sentido apenas, pode ser uma boa leitura para o Libertário. Mas cuidado com o resto do material.

    Como referências:
    aynrandlexicon.com/ayn-rand-ideas/ayn-rand-q-on-a-on-libertarianism.html

    www.zerohedge.com/contributed/2012-11-29/ayn-rand-was-not-libertarian



    Abraços.
  • anônimo  08/10/2015 09:45
    Ela não era economista, como pode ter alguma coisa contra a escola austríaca?
    Vc que está confundindo tudo, a filosofia dela é no máximo incompatível com o libertarianismo, não com a escola austríaca.
  • anônimo  08/10/2015 12:03
    A Ayn Rand pegava pesado com os libertários :
    "hippies of the right"
    "That's worse than anything the New Left has proposed"

    Vale lembrar que a Rand tinha problemas com indios, algo que a esquerda faz questão de lembra constantemente. Além de tudo, ela também era atea e anticristã.

    Não vejo a Ayn Rand como liberal, tava mais para uma conservadora ateísta.
  • Evo Morales  08/10/2015 14:48
    "Contudo, tenha cuidado com as leituras de Ayn Rand. Ela não é libertária/liberal. Há uma grande polêmica em torno dela e sobre seu alinhamento filosófico, mas ela certamente é contra a Escola Austríaca.

    O livro "A Revolta de Atlas" (Atlas Shrugged) tem uma forma interessante de falar sobre individualismo e, neste sentido apenas, pode ser uma boa leitura para o Libertário. Mas cuidado com o resto do material."

    Ayn Rand politicamente, ao que me parece era minarquista. O que pode ser dito é que sua visão era incompatível com a Escola Austríaca. Mas sendo minarquista, pode se dizer sim, que era libertária.

    Escola Austríaca é livre de valor, Libertarianismo não.
  • Felipe  08/10/2015 14:55
    Mas o objetivismo da Rand não seria incompatível com a escola austríaca?
  • Evo Morales  08/10/2015 15:17
    Sim, mas não com o Libertarianismo. É simples.

    Libertarianismo é um filosofia politica que advoga "x". Ayn Rand advogava "x". Logo Ayn Rand é libertária.
  • Felipe  08/10/2015 15:52
    Mas a própria Ayn Rand criticava os libertários, dizia que eram Hippies de direita.

    E também disse que a tomada de terra dos índios era justificável. Algo que para mim vai contra o PNA.
  • Trader Carioca  24/11/2015 20:49
    Amigo Evo Morales (que paradoxo)

    Desculpe apenas ter visto seus comentários agora, tanto tempo depois. Normalmente não responderia a uma discussão dessas com tanto tempo de atraso pois dificulta a sua resposta, mas achei importante colocar isto aqui.

    Ayn Rand não é libertária, e nem está ligada com a escola austríaca. O fato de algumas de suas idéias terem similaridade com o libertarianismo ou com a escola austríaca não são suficientes para classifica-la como tal.

    Em primeiro lugar, Ayn Rand era contra o que chamava de "primitivismo". Povos ou civilizações primitivas culturalmente poderiam ser subjulgadas por outras mais avançadas. Ela diz que os europeus colonizadores poderiam expulsar os nativos americanos, pois este segundo grupo era primitivo. Isso é diretamente contra o princípio da não-agressão defendido pela moral libertária.

    Falando em PNA, Ayn Rand acreditava que o PNA não é um axioma que surge do direito à propriedade privada e da propriedade do indivíduo sobre seu corpo. Na visão de Ayn Rand, o PNA deriva do objetivismo. Em linhas gerais, ela argumentava que a capacidade do ser humano de sobreviver depende de sua racionalidade e capacidade de criar e usar conceitos que estão além dos sentidos simples, percepções ou instintos. E que o propósito da vida de um ser racional seria o bem. Tudo o que fosse contra este conceito ou que o destruísse, seria considerado mal.

    Dentre outros aspectos, para Ayan Rand os direitos dos homens derivam do contexto social, e não seriam vistos como diretos natos.
  • Trader Carioca  25/11/2015 15:05
    ERRADO - Ayn Rand era contra o que chamava de "primitivismo"
    CORRETO Ayn Rand era A FAVOR o que chamava de "primitivismo"
  • Anonimo  25/11/2015 15:43
    O original estava certo, amigo.
  • Renato Arcon Gaio  07/10/2015 16:06
    Muito bom o artigo, mas no Brasil a livre iniciativa fornece felicidade para quem o faz no inicio, pois o estado espolia tanto os empreendedores que logo caem em depressão.

    Viva o livre mercado!
    Abraços
  • Dede  07/10/2015 16:30
    Isso pode até valer para a sociedade americana.

    Eu já tive lan house, lanchonete e loja de material de construção. Ganhei uma boa grana e experiência, mas não tinha vida. Entrei como sócio de um amigo numa lan house quando ainda estava na faculdade. Pegamos o boom das lan house e chegamos a ter 3.
    Perdi a conta de quantas vezes fomos assaltados. Tanto nas lan house, quanto na lanchonete quanto na loja.
    Fora furto de funcionários, pedintes de todo tipo, gente toda hora querendo fiado. Trabalhar de domingo a domingo, pagar taxa e imposto para tudo, inclusive para poder pendurar uma placa com o nome da loja. Eu fiz a placa, a loja é minha, mas poder pendurar precisa de autorização da prefeitura e tem que pagar taxa.
    Reclame quem quiser, grite quem quiser gritar, no Brasil somos compelidos a virar servidores públicos.
    E não impede de ter um pensamento critico e saber o que tá errado na nossa sociedade e o que precisa mudar.
    O Brasil precisa mudar urgentemente, ter um ambiente mais favorável ao empreendedor, reduzir a burocracia, estabilizar a moeda e reduzir os juros (não de forma artificial). É necessário que se reduzam os encargos trabalhistas e também reduzir os impostos sobre importação. Precisamos tanto importar e o governo coloca tantas barreiras para quem quer importar.
    O texto é muito bom e eu concordo em parte. Tente empreender com pouco capital no Brasil e veja o quanto será feliz.
    Tenho vários amigos donos de pequenos negócios, lojas de roupa, material de informática, restaurante de comida a quilo. Não vejo ninguém feliz e sim preocupado com a crise e com as contas para pagar e ainda tendo que driblar a inflação.
  • anônimo  07/10/2015 17:09
    Sim claro.

    O texto fala no cenário ideal.

    Mas como vc disse, nossa realidade é outra...rs

    É por isso que o Brasil é assim.

    Quantos tem coragem de encarar o que você encarou.

    Os mediocres iriam correr pra prestar algum concurso publico e ter estabilidade...

    Mas já pensou se todo mundo trabalhasse pro governo ?

    Ou se ninguém empreendesse ?

    Nem emprego haveria... e nem governo







  • Murillo Augusto  10/10/2015 05:41
    Muito bom o texto. Animal!

    O Brasil, com previdência compulsória e contribuições trabalhistas obrigatórias criou uma sociedade de pensionistas... O objetivo das pessoas é se aposentar e desfrutar suas pensões. Nada de errado com elas agirem no seu auto-interesse conforme as regras do jogo.
    O problema são essas regras do jogo. Em um discurso de campanha em um frigorífico no começo da expansão econômica americana Abraham Lincoln falou que a virtude daquela nação era que todos trabalhadores, após anos de trabalho, teria know-how em sua atividade e capital acumulado suficiente para poder sair e concorrer com o antigo patrão, ou empreender de alguma forma diferenciada.
    Se vc tira dinheiro para FGTS, INSS, IR, dos trabalhadores, passando pra uma poupança na mão do estado para dá-los renda futuramente, vc acabou de dificultar muito a poupança e a factibilidade de virem a concorrer com seu patrão, ou empreender da maneira que acharem adequada. Além de colocar outro horizonte em suas perspectivas.
    Além disso, é bem mais fácil pra uma empresa grande e já estabelecida arcar com estes pesados ônus do que para empresas dando seus primeiros passos, mesmo porque para aquela é mais fácil receber crédito e benesses estatais. O mesmo vale pra tudo quanto há de ônus(mesmo que para o bem dos afetados).... direitos trabalhistas, restrições ambientais, impostos, ainda que ditos progressivos (ou vc acha que que se tributar mais o imposto de renda de grandes empresas o Pão de açúcar, a Seara, etc não havia repasse nos preços?)
    Intervenção estatal já tem lógicas complicadas. No Brasil ainda, que nem se estuda as formas de intervir em condutas e aplica-se quase que apenas o proibir, o licenciar e o fazer pela hierarquia estatal, o cenário fica muito pior. Pessoal é cego das consequências. Aquilo que não se ve.
  • mauricio barbosa  07/10/2015 17:11
    Dede apesar do tom dramático ainda assim ser dono do próprio nariz traz felicidade,e junte-se a nós e brade por liberdade...
  • Rogério Celso Hansen  07/10/2015 16:43
    Texto maravilhoso, daqueles que você mergulha e se vê dentro do contexto ao qual o mesmo se refere. Realmente me sinto feliz por ter escolhido o caminho da livre iniciativa e da independência dependendo o mínimo de terceiros. E me emociono a cada conquista, a cada aquisição de algo que almejo e planejo. É realmente um sentimento diferenciado.

    Parabéns ao Mises por essa abordagem com este viés filosófico/sociológico de grande relevância.
  • Marcius Haurus Madureira   07/10/2015 16:45
    Ou nosso sistema muda, tornando-se mais liberal e capitalista com menos intervenção do Estado e menos influência dos políticos, ou nunca seremos verdadeiramente felizes!
  • Tiago silva  07/10/2015 17:03
    (Off topic) Leandro voc~e tem alguma previsão sobe quando a bolha irá finalmente rebentar?
  • Leandro  07/10/2015 17:45
    Sim, em 2012, como anunciado aqui já à época.
  • mauricio barbosa  07/10/2015 19:22
    Leandro por que a bolha imobiliaria americana foi estrondosa(quebra do lehman Brothers)enquanto a nossa tem sido uma marolinha?
  • Leandro  07/10/2015 20:19
    Porque o crédito imobiliário nos EUA alcançou proporções gigantescas na carteira do sistema bancário, de modo que, que começaram os calotes, os bancos se estreparam.

    Já aqui no Brasil, embora tenha havido uma forte expansão do crédito imobiliário, este nunca chegou a ocupar uma fatia significativa do sistema bancário. Adicionalmente, a esmagadora maioria do crédito bancário no Brasil é feita por bancos estatais, os quais contam com suporte direto do Tesouro. Aquilo que a esquerda criticou (e com razão) nos EUA -- o Tesouro socorrendo bancos -- é o que ocorre no Brasil com frequência. Os bancos privados brasileiros, mais sólidos, não participaram da farra do crédito imobiliário.
  • mauricio barbosa  07/10/2015 20:33
    Obrigado Leandro pela resposta, e é sempre bom receber suas explicações em primeira mão,visto sofrermos de desatualização em alguns temas em que você responde com paciência e brilhantismo de sempre.
  • Fernando  07/10/2015 17:22
    Gostaria de saber quando o site do MISES BR sera disponibilizado para celular (Windows Phone)
  • luis  07/10/2015 19:00
    Você fala de ter um aplicativo pra isso ou de ter versão para celular? Pq eu sempre abro o site pelo navegador do Windows Phone sem nenhum problema.
  • Juan Domingues  07/10/2015 18:56
    Creio que o texto exagera um pouco.
    O empreendedorismo é sem dúvida salutar para a sociedade pois beneficia não só o empreendedor e seus clientes, mas toda a cadeia de produção antes e depois. Entretanto, do ponto de vista filosófico, não há sentido em se dizer que empreendedorismo é, necessariamente, a única forma de atingir a felicidade do ponto de vista individual.
    A pessoa pode ser um empregado de outra e ser profundamente satisfeita com o que faz e feliz. Da mesma forma que um empreendedor dono do próprio negócio pode ter uma vida terrível e frustrante.
    Empreendedorismo não é, por si só, sinônimo de felicidade para todo ser humano. Há pessoas que simplesmente não tem a coragem ou o estômago para enfrentar todos os riscos inerentes á atividade empresarial. E não há nada de errado com isso, para esses pessoas existem os postos de trabalho convencionais, mais rotineiros e com risco (e consequentemente ganhos) menores.
    É preciso ter cautela ao se vender a ideia de que "todo mundo deve ser um empreendedor" (algo que os livros de auto-ajuda tem feito nas últimas décadas), porque dai o sujeito vai, investe todas suas economias de anos e compra uma franquia de paleteria mexicana que vai à falência no inverno seguinte. Em um mercado livre todo mundo pode ser um empreendedor se quiser, não significa que todo mundo deve ser um empreendedor. A diferença entre poder fazer algo e dever fazer algo é enorme.
    Agora se for extender o conceito de empreendedorismo para "a forma como você lida com as questões do dia a dia buscando otimização e melhoria contínua", ai não há muito problema. O sujeito pode utilizar conceitos empreendedores saudáveis em suas atividades diárias, mesmo como um empregado de outrém.
  • Luiz henrique  07/10/2015 23:55
    Concordo em gênero, numero e grau. Parabéns pela lucidez
  • Renato Arcon Gaio  08/10/2015 11:28
    Juan creio que o texto se baseou na livre iniciativa em empreender, a pessoa realizar tarefas de acordo com o seu talento e com liberdade, não ficar preso em um "emprego" e sim trabalho, coisas totalmente diferentes. Pois empregos podem faltar, mas trabalho sempre existirá.

    Abraços
  • Juan Domingues  08/10/2015 16:27
    O texto é motivador. Entretanto há afirmações categóricas que podem ser interpretadas de maneira perigosa. Como essa:
    "somente a livre iniciativa nos capacita para sermos genuinamente felizes.
    Por quê?
    Porque é a livre iniciativa o que nos permite alcançar o nosso sucesso de maneira ética..."
    Caso se resuma o conceito de livre iniciativa a empreendedorismo per se, como muitos fazem, esse tipo de afirmação dá a entender que é preciso ser empresário para ser feliz, e do ponto de vista filosófico, como comentei acima, não acho isso de forma alguma válido. Ser dono do seu negócio não te garante felicidade, muito menos é a única forma de conseguir ter uma vida melhor.
    O mundo precisa dos empreendedores e eles sempre existirão, mas do ponto de vista individual, cada um sabe de suas necessidades e há pessoas que são profundamente felizes trabalhando para outras o resto da vida. Elas simplesmente podem não ter o know how, a capacidade ou mesmo a vontade de assumirem uma autonomia maior no exercício de sua função, por isso optam por vender seu trabalho com um tipo de contrato menos arriscado. E esse é um arranjo que sempre existirá: haverá pessoas que venderão sua força de trabalho por um risco menor e estabilidade maior para ter um salário fixo, e pessoas que aceitarão os os riscos e benefícios inerentes ao mercado e empreenderão. Há médicos, advogados e arquitetos que trabalham para outros em troca de um salário relativamente fixo, e há os que optam por começar seus consultórios e escritórios do zero e assumir o risco de ganhos maiores ou menores (além da burocracia de administrar as contas, impostos e funcionários).
    Agora, conforme também comentei, se você ao dizer "livre iniciativa" não se limitar ao conceito de empreendedorismo, ai tudo bem. Livre iniciativa de fato pressupõe a liberdade de empreender se quiser ou de se escolher trabalhar para outro empreendedor.
  • Roberto Cláudio  08/10/2015 16:43
    Meus parentes se dividem entre funcionários públicos e pequenos empreendedores (quase não há assalariados no setor privado).

    Os pequenos empreendedores, embora sejam muito mais ocupados e trabalhem muito mais, levam uma vida mais feliz e mais dinâmica. Ao passo que os funças passam a semana fazendo contagem regressiva para o sábado, e ficam deprimidos nos domigos à noite, os empreendedores têm muito mais prazer de viver e quase sempre torcem para que a segunda-feira chegue logo.

    É um estilo de vida muito menos depressivo. Há mais alegria de viver e suas semanas não são um tormento.

    Quanto aos assalariados da iniciativa privada, não imagino que a motivação deles seja muito maior que a dos funças.
  • Dissidente Brasileiro  08/10/2015 17:16
    Tem uma época do ano em que qualquer pessoa, seja empreendedor ou não fica triste: durante o período de declaração do Imposto de Renda. Isso sim é de causar até depressão.
  • Renato Arcon Gaio  08/10/2015 20:52
    Livre iniciativa de fato pressupõe a liberdade de empreender se quiser ou de se escolher trabalhar para outro empreendedor.

    é a ideia do texto, ele não esta fazendo afirmações categóricas sobre a questão, esta somente constatando uma ideia libertária em um mundo onde a felicidade das pessoas serão recompensadas através da livre iniciativa. Atualmente as pessoas não o fazem pois o sistema não os motiva.

    Abraços
  • Emerson Luis  10/03/2016 10:37

    Concordo, Juan Domingues: as ideias do texto são corretas, apenas precisam ser compreendidas com ressalvas.

    Talvez fosse melhor dizer "autonomia" em vez de empreendedorismo. Mesmo os empregados americanos dispõem de mais autonomia pessoal do que os empregados brasileiros

    Isso ocorre não só por disporem de maior liberdade (e renda), mas também porque os empregados americanos possuem mentalidade empreendedora/liberal/capitalista, enquanto os empregados brasileiros possuem uma mentalidade servidor/socialista.

    Assim, o que contribui para a satisfação pessoal não é tanto a "situação empreendedor", mas principalmente a "mentalidade empreendedor". São dois elementos independentes, podemos ter um sem ter o outro, ou ambos, ou nenhum.

    E viver em um país de baixa liberdade econômica dificulta tanto a mentalidade quanto a situação empreendedora.

    A alegria do brasileiro ostentada em carnavais, novelas, etc. é só um verniz para sua infelicidade produzida pela mentalidade socialista: todo o barulho que muitos brasileiros fazem para se divertir encobre um silencioso desespero.

    * * *
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  07/10/2015 20:17
    Lindo...
  • ANDRE LUIS  08/10/2015 12:40
    "Sim, é claro que todos nós queremos coisas boas e legais. Queremos um carro bom, uma moradia boa, roupas bonitas, aparelhos eletroeletrônicos legais, viagens para exterior etc. Mas se tais coisas forem simplesmente dadas para nós sem contrapartida, se nós não fizermos por merecê-las, se nós não nos esforçarmos para obtê-las e partirmos do princípio de que temos o direito a recebê-las sem esforço, então elas não nos farão realmente felizes."

    O artigo enaltece o caráter empreendedor sim, mas este a meu ver é só uma desculpa para chegar (mesmo que de forma oblíqua) ao ponto que realmente interessa: Deslegitimar os ganhos de quem não gera riqueza.

    Este sim é um argumento poderoso contra tais pessoas. Elas não merecem usufruir das benesses produzidas por aqueles que geram riqueza, pois não participam do sistema de trocas. Se algo assim entra no imaginário popular, tais pessoas serão constantemente "lembradas" disso cada vez que forem a um restaurante ou a um teatro ou cinema. A cura do parasitismo estatal está portanto ao alcance de todo cidadão de bem deste país, basta "lembrar" cada membro do Estado que aquele ambiente não lhe pertence, mas sim aos cidadãos que geram riqueza, e estão ali desfrutando do pouco que lhes restou, após grande parte de seus ganhos irem para bolso do membro do Estado ali presente.

    O custo portanto de se tornar um sanguessuga precisa ser elevado à milésima potência. Se querem ganhar dinheiro fora do sistema de trocas, que gastem-no também fora dele.
  • Dissidente Brasileiro  08/10/2015 17:11
    Pessoal, gostaria de saber o que vocês acham disso aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2197&comments=true#ac153677

    Tem coisas que só o estatismo brazilêro faz por você.
  • Fernando  08/10/2015 17:31
    Caro Dissidente, acho que você está misturando as coisas...

    Todos aqui provavelmente concordam que moralmente o dinheiro de impostos é "roubado" da população. Mas não é isso que a lei diz, hoje. O tal delegado faz parte do sistema como é hoje, mas não está fazendo nada ilegal. Roubar um chocolate, pela lei, é ilegal (sem entrar na moralidade da história).

    Aplicando a sua lógica, todo e qualquer funcionário público, policial, bombeiro ou aposentado pelo INSS deveria ser preso hoje? Todos estão recebendo "dinheiro roubado através de impostos na forma de salário", certo? Vamos chamar a polícia para prender eles mesmos?
  • Dissidente Brasileiro  10/10/2015 18:23
    Pretendia lhe dar o benefício da dúvida, mas pelo seu comentário vi que é um sujeito mal-intencionado que usa de falácias e argumentos capciosos, portanto sua "pergunta" ficará sem reposta. Tire bom proveito dos frutos do seu roubo!
  • RICARDO LUIZ   08/10/2015 18:46
    Na constituição norte americana o cidadão tem o direito de procurar a felicidade, que vale lembrar que algo individual e praticamente impossível de se coletivizar. Enquanto isso no Brasil nos temos a já aprovada PEC da Felicidade de Cristovam Buarque. Seria cômico se não fosse trágico. Segue link:
    www.progresso.com.br/politica/comissao-aprova-a-pec-da-felicidade
  • anônimo  15/10/2015 16:59
    O artigo só esquece de dizer que nem todos podem ser empreendedores de sucesso. Por uma questão de lógica econômica, apenas uma minoria ocupará este cargo, logo apenas uma minoria das pessoas serão genuinamente felizes.
  • Pedro  20/10/2015 02:13
    Sou servidor público e sou "felizão".

    Já fui pra minha amada Europa 2 vezes esse ano. E fim do ano vou de novo, passar com uma de minhas "amigas" europeias lindas e maravilhosas que tive a oportunidade de conhecer. Friozinho... Comer bem... Beber bem... Comer bem rs... Passeios... Amor... Sem preocupações com funcionários, impostos, estoque e os cambau... tá chegando!

    Mesmo com esse euro nas alturas.

    Tenho tempo de sobra pra mim.

    Como e bebo do bom e do melhor.

    Nunca vou ser rico, claro... Mas sou desapegado, me contento com "pouco". Gosto do hoje.

    Tudo através de meu belo subsídio que nunca atrasa.

    Vivo rindo à toa. Aparento bem mais novo do que sou.

    Se isso não é ser feliz, pohann... o que é?

    Fiquei até curioso pra saber o que é essa vida de empreendedor no Brasil, deve ser mesmo um paraíso. Será esse o tal paraíso das 40 virgens?

    Mas tudo bem, me conformo com pouco. Só me aposento com 60 anos, veja só que coisa. Integral, claro.
  • Andre Henrique  04/05/2016 17:20
    Pedro,
    Imagino que você esteja nos trolando, mas caso a remota chance de ser verdade se concretize, é importante teres consciência que grande parte de suas regalias são bancadas pelo cara que trabalha de fato... de quem realmente agrega valor à sociedade.
    Meu sonho máximo, é que de alguma forma o mundo fosse dividido em duas parte (sem qualquer tipo de interação física) na qual uma fosse plenamente socialista/comunista (cheia de funcionários públicos como vc) e a outra seguisse à risca os preceitos da escola austríaca.
    Imagina que gratificante ver lado socialista (que escolheu por livre e espontânea vontade estar la), enquanto passa fome, babando enquanto assiste a qualidade de vida do lado capitalista/materialista crescer exponencialmente.
    Não vou para o ceu em decorrência desse desejo, mas seria justiça sendo feita.
    Abç,
    AHR


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