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O dólar está caro? Até onde vai o câmbio?

"Vai quebrar a cara quem apostar numa disparada do dólar", disse Guido Mantega em outubro do ano passado, em uma entrevista à Folha de São Paulo. Palavras proféticas. À época, o câmbio rondava os R$ 2,43. Passados dez meses, a moeda americana saltou para cerca de R$ 3,50, uma alta de mais de 40%.

Mais uma previsão furada para o currículo do magnânimo ex-ministro da Fazenda.

Mas teve gente que apostou. E, contrariando Mantega, apostou pesado. Gente que — como dizem os americanos — tem "skin in the game". Gente cujo sustento depende de "estar certo na hora certa".

O famoso gestor Luís Stuhlberger, atualmente na Verde Asset Management, foi um dos que abraçaram a tese de valorização do dólar. E se deu bem. Assim como seus clientes, que, definitivamente, não têm do que reclamar. Este ano está sendo espetacular e tem tudo para terminar com altos retornos.

Já quem esteve sob a gestão da Mantega Asset Mismanagement — eu, você e os demais brasileiros — viu seu dinheiro derreter nos últimos anos. De julho de 2011 — quando o câmbio chegou a R$ 1,54, o menor patamar desde 1999 — a agosto de 2015, a moeda americana subiu 125%. Cento e vinte e cinco por cento!

Isso quer dizer que o real perdeu nada menos que 55% do seu valor em quatro anos. Os mercantilistas não abominavam um câmbio abaixo de R$ 2? Pois bem, devem estar felizes agora. Porque, ao que tudo indica, estamos prestes a dobrar a meta.

A valorização global do dólar é inquestionável, e nada melhor que o Dollar Index (DXY) para visualizar esse fato — o índice subiu 18% no último ano. Mas a grande verdade é que o efeito foi duplo: de um lado, o greenback se apreciando, e, do outro, o real se desvalorizando frente a grande parte das moedas do planeta.

DXY.png

Para mensurar a magnitude da depreciação global da moeda brasileira, desenvolvi há alguns anos um índice chamado BRDX (Brazilian Real Index), seguindo a mesma lógica do DXY, mas com duas versões: o BRDX1, cuja composição inclui as moedas mais negociadas mundialmente, e o BRDX2, composto pelas moedas dos 11 principais parceiros comerciais do país. A série se inicia em março de 1999, dois meses após o fim da banda cambial do real.

E como o BRDX evoluiu nos últimos anos? Vejamos abaixo.

BRDX.png

Se em julho de 2011 o Brasil estava claramente "perdendo" a guerra cambial — quando o BRDX1 ultrapassava o patamar de 92 e o BRDX2 pairava em 113 —, hoje estamos "ganhando" de goleada.  Com o BRDX1 em 48,2 e o BRDX2 abaixo de 65, a vitória é acachapante. Estamos perto das mínimas históricas do final de 2002, quando a ascensão de Lula ao poder era temida pelo mercado.

Analisando a variação do real em relação a cada moeda individualmente, a queda absoluta da nossa moeda fica ainda mais evidente. De dezembro de 2012 — quando o índice foi atualizado pela última vez — ao presente, o real depreciou-se em relação a todas as moedas do índice, à exceção do rublo e do peso argentino. Mas convenhamos que ganhar da Argentina nesse quesito não é nenhum grande feito.

Real_vs_StrongCurr.png

 

Real_vs_BalComCurr.png

Que o real foi fortemente desvalorizado perante o mundo todo, é inegável. Mas isso quer dizer que nossa moeda está barata? Ou que o dólar está muito caro? Não necessariamente. Então, como aferir o quão caro ou barato está o câmbio?

A análise da paridade do poder de compra é uma forma de avaliar o quanto uma moeda pode ou não estar longe de seu valor "correto", isto é, dissociada de seus fundamentos. O que determina o câmbio é a paridade do poder de compra entre duas moedas. Assim, no longo prazo, o câmbio de equilíbrio nada mais é do que a razão entre o poder de compra relativo de duas moedas.

Tudo o mais constante, uma inflação de preços mais acelerada no Brasil tende a depreciar o real em relação à moeda de um país em que a inflação de preços é mais comedida. Uma política monetária expansionista tende a desvalorizar o câmbio em relação às moedas de países com política monetária conservadora.

Com objetivo de aferir justamente a paridade do poder de compra e o câmbio de mercado entre diversas moedas, a revista britânica The Economist publica o índice BigMac desde a década de 1980. É certo que há inúmeras ressalvas ao índice, mas, apesar de qualquer defeito, observar a sua evolução pode ser bastante ilustrativo.

BigMacIndex2010-15.png

Quando o dólar caiu para R$ 1,54, em julho de 2011, o índice apontava para uma sobrevalorização do real de mais de 50%. À medida que o câmbio foi subindo, o índice BigMac refletia a normalização da paridade do poder de compra. Agora, com o dólar em R$ 3,50, nossa moeda estaria subavaliada em quase 20%. De acordo com o BigMac, o câmbio de equilíbrio situa-se ao redor de R$ 2,80.

Contudo, o índice da The Economist não é a única forma de mensurar o desvio do câmbio de mercado do "correto". A taxa de câmbio real (TCR) serve ao mesmo propósito do índice BigMac; é uma alternativa para quantificar o quão sobre ou subvalorizada está uma moeda. Na TCR, porém, utiliza-se uma cesta de produtos ou simplesmente um índice de inflação. Assim, a TCR ajusta a taxa de câmbio nominal ao diferencial de variação de preços interno e externo.

Mensalmente, o Banco Central divulga a taxa de câmbio real da moeda brasileira com relação ao dólar, euro, iene e peso argentino. Pode-se, inclusive, escolher por qual índice de preços analisar a TCR (IPCA, IPC, IPA ou INPC). As séries têm como período-base junho 1994, o mês que precedeu o início do real.

Utilizando o TCR do real em relação ao dólar pelo IPCA — o qual considero o mais fidedigno e menos suscetível a grandes oscilações e, além disso, mais próximo do CPI americano —, é possível notar uma enorme semelhança com o índice do BigMac. Observem as variações do índice no gráfico abaixo.

TCR.png

Quando o índice se distancia de 100, isso quer dizer que o câmbio praticado no mercado está desalinhado com a paridade do poder de compra das moedas. Dito de outra forma, quer dizer que os preços domésticos e externos não variaram tanto para justificar a oscilação no câmbio vigente. Quanto mais distante de 100, mais em desequilíbrio está o câmbio.

Com o início do Plano Real, nossa moeda permaneceu durante um bom tempo sobrevalorizada (TCR abaixo de 100). Quando o real passou a flutuar livremente — início de 1999 —, a TCR fez o movimento oposto, alcançando 120 e indicando uma subvalorização da moeda. Com os temores da vitória de Lula, a TCR disparou para mais de 200 no final de 2002.

Após o governo do PT conquistar a confiança do mercado, a TCR normalizou-se, chegando inclusive a sinalizar o oposto de 2002: uma forte sobrevalorização cujo ápice ocorreu justamente em julho de 2011, quanto o índice despencou para 61,56, o menor valor desde 1994. 

Mas desde o estouro da crise de 2008, nossa moeda vem sendo desvalorizada pela inflação monetária oriunda das políticas do governo — bancos públicos e déficit fiscal, para citar dois exemplos apenas —, ilustrada pelas elevações registradas nos diversos índices de preços. Esse estado de coisas cedo ou tarde se reflete na taxa de câmbio. Findo o primeiro semestre de 2015, a TCR encontra-se ao redor de 100, indicando que o câmbio está alinhado com a paridade de poder de compra entre o real e o dólar.

Se a TCR sinaliza o quão distante da paridade do poder de compra está o câmbio entre duas moedas, podemos usá-la para algo mais interessante: calcular qual seria, então, o câmbio "correto".

Vejamos o gráfico abaixo, em que destaco três momentos distintos: máxima histórica do dólar, em outubro de 2002; mínima do dólar, em julho de 2011; e junho de 2015.

USDBRL Correto.png

Esse gráfico é bastante ilustrativo e nos permite chegar a dois insights importantes:

1) Tudo o mais constante, a tendência do câmbio é sempre de deterioração: se nossa meta de inflação de preços é de 4,5% ao ano — com generosa tolerância para cima —, ao passo que a do dólar é não mais do que 2%, não há milagre que fará o real se apreciar no longo prazo. Enquanto nossa política monetária for a de desvalorizar o real mais do que o fazem os bancos centrais desenvolvidos, a moeda brasileira será sempre relativamente enfraquecida. Dólar em ascensão é tão natural quanto inevitável.

2) Por ser um mercado bastante dinâmico, os players antecipam futuras e possíveis deteriorações na economia, fazendo o câmbio disparar no curto prazo, a despeito dos fundamentos. Incertezas políticas influem diretamente na cotação do dólar vigente.

Quando o dólar de mercado diverge do que seria o câmbio "justo", podemos concluir que aumenta a "pressão" para que ocorra um realinhamento logo mais adiante. Analisando as contas públicas, as estatísticas nacionais, além de outros dados conjunturais domésticos e externos, investidores conseguem visualizar esse gráfico e mensurar o quão desalinhado está o câmbio de mercado. Com essa informação em mãos, podem montar posições e apostar na direção do dólar.

Stuhlberger certamente monitora de perto esse gráfico e por isso vem apostando contra o real há alguns anos. Verdade seja dita, amargou alguns meses de resultados ruins por ater-se à sua tese no primeiro semestre do ano passado. Nas suas próprias palavras, "apanhou mais que cachorro vira-lata". Mas ele via algo que muitos investidores — e o próprio Mantega, é claro — não percebiam ou ignoravam: o câmbio estava em um patamar insustentável; as pressões para uma apreciação da moeda americana eram evidentes.

Aferir a situação do câmbio pelo índice BigMac ou pela TCR não é uma ciência exata. Obviamente, há inúmeras ressalvas. Em que pese tais imprecisões, porém, a evolução dessas estatísticas pode ser bastante útil, especialmente quando há divergências consideráveis, pois sinalizam, no mínimo, que algo errado está em curso.

Mas não terminaremos este artigo sem responder às perguntas do título: o dólar está caro? Onde o câmbio vai parar?

Considerando a cotação atual ao redor de R$ 3,50, é plausível deduzir que o dólar esteja de fato acima de seu preço justo, pela ótica tanto do BigMac quanto da TCR. Mas o desequilíbrio não é tão pronunciado, pois, se considerarmos mais 12 meses de inflação a quase 10% ao ano, pode-se concluir que o câmbio hoje está apenas antecipando o dólar "justo" de 2016.

E onde ele vai parar? Veremos o dólar chegar a R$ 4 ainda neste ano?

Primeiro, vamos aos fundamentos econômicos domésticos. Se levarmos em conta o nível das reservas internacionais (US$ 370 bi) e a dívida externa pública bruta (US$ 345 bi e com um perfil alongado), a situação atual não é comparável à do ano de 2002. Externamente, o Brasil não "quebra".

Com os juros em 14,25% ao ano e o fim da farra creditícia dos bancos públicos, os agregados monetários estão estancados ou em queda. Desde abril deste ano, o crescimento anual do M1 é negativo. Em suma, a inflação de preços tende, sim, a cair em 2016.

O déficit fiscal é grande e preocupa. Olhando o lado positivo, as políticas públicas inconsequentes foram contidas, mas o buraco é enorme e é estrutural. O ajuste não será simples. Porém, o nível de juros atual já reflete a piora do endividamento do governo — assim como o câmbio, que já está precificando o rebaixamento da classificação do Brasil pelas agências de risco.

Portanto, arrisco afirmar que os fundamentos econômicos não justificam uma maior desvalorização do real. O câmbio já está em um patamar razoável.

Tratemos agora do segundo fator condicionante: a normalização da política monetária pelo Federal Reserve. Dediquei dois longos artigos para explicar como o Fed não tem saída e não normalizará a política monetária tão cedo. Não replicarei os artigos aqui, mas vale contextualizar e sintetizar o argumento: se Janet Yellen de fato elevar os juros, serão incrementos módicos (25 pontos-base ou 0,25 ponto percentual), nada que configure uma real normalização de volta à política monetária pré-crise.

Mas acredito que essa possível elevação de juros já esteja em larga medida precificada pelo mercado. A alta global do dólar dos últimos meses deveu-se, em grande parte, à expectativa de uma conduta relativamente mais hawkish (linha-dura) do Fed. Se houver alguma subida na taxa de juros americana, não creio em um cenário de forte valorização do dólar.

Dito isso, resta-nos o terceiro e último aspecto a considerar: a incerteza política no Brasil. Nos próximos meses, as pressões no câmbio devem vir majoritariamente da intensificação da crise política. Sai ou não sai impeachment? Se ocorrer, o que virá depois? Como evoluirá a Operação Lava Jato? Quais serão as repercussões? A única certeza é que abundam as incertezas.

Dólar chega a R$ 4? Não acho provável, mas tampouco descartaria essa hipótese.

Em 2002, as contas estavam ajustadas internamente, mas um tanto vulneráveis no front externo. Ao contrário daquele ano, hoje o desajuste está nas contas internas. Mas de forma semelhante àquele ano, o câmbio virou novamente um termômetro da desgovernança política brasileira.



autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Mais um  18/08/2015 14:17
    Que o dolar chegue a R$ 4,00 R$ 5,00...

    Quem se antecipou investindo em pa?eis atrelados ao dolar ou em fundos cambiais, está rindo a toa!!!

    E o povo que está pagando juros de 14%? Aprendam a votar!!!

    Bora dolarizar, eurolizar, logo esse BraZil pra ver se melhora!!!
  • Funcionário público  18/08/2015 14:19
    Essa foto do artigo está incoerente. Deveria ter mais notas de Real e menos notas de Dolar.
  • Editor  18/08/2015 14:35
    Êta funça chato! Já troquei...
  • Funcionario publico  18/08/2015 14:51
    Não é ser chato. É que ficou melhor assim.

    Mas deixa outra foto com menos notas de Real "na agulha" porque logo, logo, vai precisar mudar de novo... quem sabe algumas moedinhas...
  • Daniel Moreno  18/08/2015 15:01
    Rs...o cara quer regulação até em ilustração de site.
  • Funcionario publico  18/08/2015 15:18
    Daniel, regulação que nada. É o dolar subindo mesmo, meu amigo. Dei apenas uma sugestão...

    Esse comentarista "Mais um" deve estar realizando seus lucros na subida do dolar. Pena que nem todo mundo prestou atenção quanto a isso e ficou prestando atenção na televisão.
  • Julio  18/08/2015 14:51
    O dolar esta rodando 0.6 do PPP, mais ou menos a media histórica, portanto não esta mais desvalorizado que o normal, esta dentro da media, e para efeito de curiosidade a contrario do senso comum mesmo quando estava 1 pra 1 o real esta subvalorizado.

    O grafico da conversão PPP www.google.com.br/publicdata/explore?ds=d5bncppjof8f9_&hl=en_US&dl=en_US#!ctype=l&strail=false&bcs=d&nselm=h&met_y=pa_nus_pppc_rf&scale_y=lin&ind_y=false&rdim=region&idim=country:BRA&ifdim=region&hl=en_US&dl=en_US&ind=false
  • Ronaldo Nardo  18/08/2015 15:02
    Eu via no mantegão uma vantagem: tudo o que ele falava, eu apostava no inverso. Era fácil demais com ele. Com certeza vamos ter o dólar batendo 3.70 fácil esse ano.
  • Thiago Teixeira  18/08/2015 16:48
    Boa!
  • Thadeu Avancini   18/08/2015 15:03
    Não vamos estabelecer uma meta pro dólar...
  • Mais um  18/08/2015 15:21
    Para os Roraimados. Lá na capital mais longe de Brasilia: RORAIMA.
  • Anomalous  18/08/2015 15:50
    Deixa a meta em aberto, aí quando a gente atingir a meta nós dobramos a meta.
  • Matheus  18/08/2015 15:12
    Essa foi a primeira vez que leio algo nesse site no diretamente ligado a investimentos.

    Como a escola austríaca avalia a obra do Benjamin Graham?
  • Neto  18/08/2015 17:28
    Como estudei tanto Graham quanto Mises (mais o primeiro do que o segundo), vou dar a minha opinião pessoal.
    Graham tem algo de austríaco, afinal, ao contrário de muitos, ele não tem a pretensão de tentar adivinhar o futuro. Ao contrário, ele admite que o futuro é incerto e tenta apenas encontrar ativos que parecem estar desvalorizados e possam se valorizar mais à frente.
    O maior discípulo de Graham, Buffett, não segue essa fórmula passivamente. Buffett criou um modelo próprio: ele começou a empreender ainda quando criança e aprendeu a ser um empresário bem sucedido. Ele aplicava seu método de gestão nas empresas que adquiria, por isso o método dele é ativo. Ou seja, ele procura ativos onde ele possa interferir e melhorar a gestão posteriormente (de forma geral). Nem sempre Buffett procura comprar ativos baratos, na visão de Graham.
    Mas ambos desconsideram os fundamentos da economia como um todo. Eles acreditam que isso é menos importante, pois, no longo prazo, todo ciclo de baixa será superado.
    Talvez eles estejam corretos, talvez não, mas vale lembrar que esse fórmula somente faz sentido em prazos muito longos. Alguns ciclos de baixa podem ser muito grandes, dependendo de qual é seu objetivo com o investimento.
    Nesse sentido, vejo diferenças entre Graham e Escola Austríaca. Mas acho que é possível misturar as coisas e fazer algo ainda melhor.
    Você pode ganhar com os ciclos. Se você percebe que o país foi pelo caminho fácil keynesiano, você pode investir em setores que irão crescer em cada momento do ciclo.
    Dessa forma, você pode, com um exemplo simplista, ganhar com a bolsa na alta e com o dólar na baixa.
    Caso queira saber mais da minha visão, tenho um canal no youtube chamado Meu Bolso Cheio.
    Um abraço,
    Alcides Maciel
  • Matheus  18/08/2015 21:10
    Obrigado por sua resposta. Vou ver seu canal do YouTube.
  • Wesley  18/08/2015 15:50
    O engraçado que você fala para os keynesianos/estatistas que se deve valorizar o câmbio para se obter um poder de compra elevado, eles riem da sua cara, afirmando que o certo é desvalorizar para estimular as exportações e proteger os empregos. Essas criaturas são tão prepotentes, que se você mostrar o site do Mises, eles ficam com aquele ar de superioridade e ignora o assunto. Teve uma criatura que disse que é melhor pagar R$2400 num PS4 fabricado no Brasil, para gerar emprego, do que pagar R$400 caso o câmbio estivesse valorizado e a par com o dólar no mesmo produto importado. Quando você vê que pessoas desse tipo dominam no meio político e acadêmico, se entende o nosso fracasso atual.
  • Mais um  18/08/2015 16:39
    O cara que vc disse que tenta convencer alguém a comprar algo mais caro na desculpa de ser "produto nacional" é o mesmo que pede ao amigo que está viajando para Miami para trazer um "Play baratinho" um "Iphone na promoção" uns "perfumes de grife" ou algum "Mizuno, Nike, Asics" lá pra ele. Ou seja, o discurso dele só engana os PTrouxas.

    Pega e esfrega na cara dele um produto importado de qualidade mais barato do que algum CCE da vida...
  • Wesley  19/08/2015 05:52
    Nem adianta discutir com gente assim. São pessoas ideologizadas, que não raciocinam na base do real, e sim de acordo com aquilo que agrada sua ideologia. O que se tem que fazer é desmascará-las e mostrar as demais pessoas que não são ideologizadas que esses caras são uns ignorantes e não merecem nenhuma credibilidade. O que preocupa é que gente desse tipo domina as universidades, a mídia, tendo um enorme poder de influência ditando o que é feito no poder público. Deve-se mostrar as pessoas que essas pessoas são ignorantes e que não merecem credibilidade. Além de ganhar espaço nas universidades e mídia para difundir o conhecimento verdadeiro, mostrando que esses caras são responsáveis por nosso atraso.
  • Alexei Dimitri Diniz Campos  19/08/2015 03:41
    Digamos que um PS4 "nacional" - que não existe, na verdade, pois atualmente é importado - só sai R$ 2.400,00 porque nós preferimos deixar os outros inventarem as coisas para comprarmos.

    É mais lucrativo cobrar um preço astronômico de países subdesenvolvidos e importar de nações como China e Coréia. Só que o lucro não fica aqui, ele volta para as sedes das multinacionais.

    E depois não sabem porque o Brasil só se dá bem economicamente quando a economia global está se dando bem.

    Quando vocês estiverem importando os carros chineses no mesmo patamar que a nossa indústria "produz", sou eu que irei rir de vocês. Vai demorar um pouco, mas vai acontecer.

    Quando os planos chineses de transportar a mercadoria deles, usando o Chile, Equador e outros países do Pacífico Sul, inutilizar todo o capital investido no litoral do atlântico, aí que o bicho vai pegar.
  • Michael  18/08/2015 16:08
    No comeco do ano a Fitch deu a indireta direta que eles querem o dolar a no $3,75, e eu acho que pra nao perder o grau de investimento, o Levy e Tombini vao fazer exatamente isso...

    www.infomoney.com.br/mercados/cambio/noticia/3916035/dolar-tornaria-exportacoes-brasileiras-competitivas-avalia-fitch
  • Osilavio  18/08/2015 16:08
    Parabéns!Sensacional o artigo!Sem dúvida o melhor que já li sobre câmbio!Sempre achei muito complexo o câmbio.Onde poderia me aprofundar mais?E onde encontro esses gráficos(Bigmac e TCR)atualizados?Obrigado!
  • Fernando Ulrich  18/08/2015 17:46
    Oi Osilavio,

    Os dados da TCR estão com link no próprio artigo.

    O do BigMac está aqui:

    www.economist.com/content/big-mac-index

    Abs.
  • Yonatan Mozzini  18/08/2015 17:50
    "A análise da paridade do poder de compra é uma forma de avaliar o quanto uma moeda pode ou não estar longe de seu valor "correto", isto é, dissociada de seus fundamentos."

    Caro Fernando Ulrich, sem querer ser impertinente, mas numa economia de mercado e com câmbio flutuante não existe isso de câmbio correto. Nem mesmo colocando aspas nesse termo. Quem faz isso são os keynesianos e desenvolvimentistas; a ala intelectual que pensa que consegue fazer "sintonia fina" na macroeconomia, como esta se fosse uma antena parabólica sujeita a qualquer momento ser movida do ponto certo pelos ventos do mercado...

    Ora, em primeiro lugar, o câmbio é um preço, como todos os demais preços da economia; e como em todos os preços da economia, não existe preço certo ou preço errado. Milhões de agentes econômicos atuando num mercado pelas forças da oferta e demanda conseguem chegar a um preço que satisfaça a maior utilidade e o maior bem estar dos consumidores. Interferências estatais só servem para atrasar os ajustes dinâmicos e naturais do câmbio.
    (É o mesmo que dizer: o preço correto do tomate é R$ 3. Se for R$ 10 ou se for R$ 0,50 está errado. Ora, se o preço de mercado do tomate está em R$ 10, este é o preço correto. Não fosse assim, haveria escassez.)
    Ora, se um brutal controle de capitais fosse imposto, fazendo o câmbio disparar para cinco reais – que é a proposta imbecil dos keynesianos –, isso não irá tirar o câmbio do lugar correto. Tecnicamente, o câmbio estará no lugar correto: a demanda por reais cairia vertiginosamente. Seria o preço de uma escolha estúpida que aumentará a pobreza.

    Em segundo lugar, por que o mês de junho de 1994 é a base para dizer que o câmbio está correto? Ora, nem de longe isso é verdade. Se o país vivia em hiperinflação e a demanda da moeda já era baixa até no mercado negro, quanto mais no mercado internacional. Se o câmbio precisa estar "correto", certamente não é baseado num período em que a moeda é uma verdadeira batata quente na mão dos agentes econômicos. Assim – se o câmbio estivesse correto –, certamente os interceptos deveriam ser alterados para baixo. "Quanto mais distante de 100, mais em desequilíbrio está o câmbio." Não. Acho que – já que é para estipular algum valor e chamar de "correto" – no lugar da base 100 deveria estar uns 120, ou seja, a primeira parte do Plano Real deveria estar constando uns 90 e poucos, não 70 e poucos...

    Em terceiro lugar, dado que câmbio real é poder de compra, a conclusão é óbvia: quanto mais apreciada uma moeda – que por definição, maior é o poder de compra internacional dela – melhor é para os seus detentores. Isso é que deveria ser buscado por todos os governos: criar um ambiente de modo que a demanda internacional pela moeda nacional fosse altíssima - e com uma oferta monetária contida -, para que os cidadãos atingissem um maior poder de compra sem precisar trabalhar a mais por isso.

    Quanto ao restante da sua análise, com relação às tendências de depreciação do real, Fernando, é bastante explicativa e útil.

    Parabéns e abraço.
  • Alcides Maciel  18/08/2015 18:53
    Bom comentário, Yonatan.
    Se extrapolamos essa visão, pode chegar até à seguinte conclusão: se os estrangeiros de repente acharem o Real uma moeda feia e não quiserem aceitá-la como forma de pagamento, de repente o Real não vale nada.
    O exemplo esdrúxulo serve só para mostrar que, no fima das contas, as decisões econômicas estão nas mãos de pessoas comuns que não necessariamente tomam decisões racionais. Podemos aprender isso com Kahneman, por exemplo.
    Sendo assim, qualquer tentativa de previsão será imprecisa, uma vez que é impossível colocar as decisões de bilhões de pessoas dentro de uma fórmula estatística.
    Podemos tentar aproximar através do comportamento usual das pessoas, mas jamais podemos esquecer que é só uma aproximação e que cada pessoa tem vontade própria.
    .
    Aliás, nesse sentido, penso que a própria teoria de Mises deveria ser em algum momento revista nesses pontos onde ele assume que o ser humano é racional. Talvez tenha alguns pontos onde a teoria possa ser aprimorada, considerando estudos mais recentes em psicologia comportamental.
  • Leandro  18/08/2015 19:15
    "Aliás, nesse sentido, penso que a própria teoria de Mises deveria ser em algum momento revista nesses pontos onde ele assume que o ser humano é racional"

    Não entendi o que isso tem a ver com as suas premissas.  O fato de os agentes repentinamente perderem a confiança em uma moeda é uma decisão racional. Ela pode não ser uma decisão "justa" ou até mesmo "sensata". Mas do ponto de vista dos agentes, ela é racional.

    É por isso que o próprio Mises defendia um arranjo de Currency Board (que ele chamava de "agência de conversão" -- vide "The Theory of Money and Credit, versão da década de 1950): com uma moeda plenamente conversível a uma taxa de câmbio estritamente fixa, não há como os agentes perderem a confiança nesta moeda.

    Quanto à metodologia de dividir o IPCA brasileiro pelo IPCA americano, eu também sou adepto dela, mas reconheço uma grande falha: o IPCA americano é excessivamente leniente, desconsiderando as variações nos preços dos alimentos e da energia. 

    E ambos desconsideram as variações nos preços dos imóveis.

    Durante toda a década de 2000, a grande inflação de preços americana -- que se traduziu nessa desvalorização do dólar perante o real citada no artigo -- foi concentrada no setor imobiliário dos EUA.

    A taxa de câmbio refletiu isso de imediato; os índices oficiais de inflação não.
  • Alcides Maciel  18/08/2015 19:34
    Olá, Leandro.

    Eu preciso aprofundar em Mises nesses pontos para poder afirmar que existe realmente alguma divergência entre Mises e Kahneman, e se esses pontos poderiam ser melhor trabalhados. Posso estar enganado. Mas acho que vale a pena estudar esses pontos e aprofundar na psicologia do comportamento humano.

    Vejo que alguns dos seguidores de Mises focaram em algumas áreas que não contribuem muito para facilitar ou mesmo expandir suas ideias pelo mundo.

    Infelizmente alguns inclusive se aventuraram por campos polêmicos e que não trazem benefícios para o estudo da Economia, pelo menos não em um momento em que o próprio Mises ainda é pouco estudado.

    Nesse sentido, acredito que esse campo, que está em alta, seria um ponto interessante de aprofundamento.

    Quanto ao assunto do comentário, concordo que podemos calcular por diversas metodologias, como o IPCA/IPCA americano, ou por alguma outra modalidade, mas sempre com riscos maior ou menor de errar, uma vez que essas metodologias tem suas falhas, etc. Nesse sentido concordo também que a própria taxa de câmbio é mais rápida e precisa. O problema dela é a volatilidade. Quando estudamos análise técnica/gráfica aprendemos que um ativo tende a valorizar ou desvalorizar mais do que "deveriam" por conta de efeitos como o Comportamento de Manada, por exemplo. Daí eu reforço a importância de se estudar a psicologia do comportamento humano, para entender e incluir esses fenômenos nas análises.

    Reforçando, isso são só opiniões pessoais baseado em um estudo superficial de Mises.
    Pretendo me aprofundar mais para melhorar minha opinião no futuro.

    Abraços


  • Henrique Zucatelli  18/08/2015 21:09
    Só um ponto que talvez não tenha notado Alcides. As teorias economicas de Mises são apenas uma parte de toda uma obra maior, que aliás foi onde me tornei liberal... Mises é jurídico.

    O global em Mises está baseado na simplicidade de Leis que estabeleçam acordos de não agressão e troca voluntária. E tudo isso só pode ser fato se for acordado de modo público, isto é, baseado em Leis, obviamente aceitas por determinado povo.

    É aí onde Mises entra através da esfera política, economica, social, educacional, etc.
  • Fernando Ulrich  18/08/2015 22:11
    Leandro,

    O CPI americano não desconsidera os preços de alimentos e energia, isso seria o Core CPI. O CPI mesmo contém tudo.

    É fato que ambos (IPCA e CPI) desconsideram os preços dos imóveis. Mas enquanto nos EUA os preços dos imóveis subiam, aqui a bolsa pós 2004 também subiu muito. Demais. Se analisarmos as variações da oferta monetária (tanto M1 quanto M2) verá que o real foi mais inflacionado que o dólar.

    Não poderia afirmar que a bolha imobiliária foi uma das grandes razões pela desvalorização do dólar perante o real. Até porque o dólar caiu perante diversas moedas globais durante essa década. Acho que foi muito mais um reajuste de expectativas do mercado a respeito da política econômica interna do Brasil do que um maior enfraquecimento relativo do dólar diante do real.

    Enfim, a análise do PPP não é perfeita. Mas é muito ilustrativa. Ela, por si só, não fornece respostas objetivas. Mas acompanhada de outras análises pode ser muito útil sim.

    Como muito bem sabemos, a perda de poder de compra de uma moeda reflete em toda a economia e em diversos produtos e ativos. Se tivéssemos um índice que contemplasse uma gama maior de bens e ativos, a análise da PPP certamente seria igualmente ilustrativa.
  • Leandro  18/08/2015 22:49
    "O CPI americano não desconsidera os preços de alimentos e energia, isso seria o Core CPI. O CPI mesmo contém tudo."

    Sim, essa é uma distinção importante, mas como a maioria dos cálculos feitos com o índice de inflação americano utiliza justamente o Core, que é o único que o Fed leva em consideração, o deflator utilizado nesses cálculos – e não disse que esse era o seu caso -- quase sempre acaba sendo o Core.

    E a diferença entre ambos chega a ser substantiva. Por exemplo, ao final 2011, enquanto o core estava em 2%, o CPI beirava os 4%. Diferença de 100%.

    "Não poderia afirmar que a bolha imobiliária foi uma das grandes razões pela desvalorização do dólar perante o real. Até porque o dólar caiu perante diversas moedas globais durante essa década. Acho que foi muito mais um reajuste de expectativas do mercado a respeito da política econômica interna do Brasil do que um maior enfraquecimento relativo do dólar diante do real."

    Estatisticamente, o dólar começou realmente a se enfraquecer no início de 2003, com a guerra do Iraque. Antes disso, ele seguia robusto, não obstante os baixos juros vigentes nos EUA.

    Eu inclusive tenho a teoria de que o sucesso econômico de Lula está ligado à guerra do Iraque: por causa da guerra, o dólar se enfraqueceu (guerras sempre são ruins para as moedasdos países envolvidos); o dólar fraco tornou a apreciação cambial do real mais fácil; com o câmbio mais apreciado, as políticas de expansão de crédito puderam durar por muito mais tempo sem gerar grandes pressões inflacionárias.

    Aliás, o próprio boom das commodities está intimamente ligado ao dólar fraco. Como as commodities são precificadas em dólar, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa.

    Lula deve à guerra do Iraque uma boa parte de sua popularidade. Estivesse o dólar forte como estava nos governos Reagan e Clinton, não haveria a menor chance de as políticas de expansão do crédito terem durado o tempo que duraram.

    "Enfim, a análise do PPP não é perfeita. Mas é muito ilustrativa. Ela, por si só, não fornece respostas objetivas. Mas acompanhada de outras análises pode ser muito útil sim."

    Não apenas concordo, como eu próprio sou um seguidor dela, como expliquei no início deste artigo. Apenas alertei para não utilizarem o core CPI no cálculo.

    "Como muito bem sabemos, a perda de poder de compra de uma moeda reflete em toda a economia e em diversos produtos e ativos. Se tivéssemos um índice que contemplasse uma gama maior de bens e ativos, a análise da PPP certamente seria igualmente ilustrativa."

    Perfeito.
  • Felipe  18/08/2015 20:22
    "se os estrangeiros de repente acharem o Real uma moeda feia e não quiserem aceitá-la como forma de pagamento, de repente o Real não vale nada."

    Sem sentido. Real tem seu valor como moeda de curso forçado. Ele pode comprar em território brasileiro qualquer bem. Portanto, é irracional falar que as pessoas poderiam simplesmente deixar de aceitar uma moeda que tenha um poder de compra bens e serviços. Seria o mesmo que supor que as pessoas poderiam jogar dólar fora.

    Essa serve para o Yonatan Mozzini,

    O valor de uma moeda é simplesmente o que ela pode compra. Sendo assim, é racional concluir que sua paridade com outra moeda será uma relação de poder de compra. Não quer dizer que exista uma preço exato, mas obviamente existe uma tendência a um preço que equivale a essa paridade.

    Não faria sentido dizer que 10 reais podem valer 1 dólar se a coca-cola em ambos os países custarem 1 real e 1 dólar. Ainda que não exista um equilíbrio e ainda que haja flutuações, haverá sempre uma tendência a uma paridade equivalente ao poder de compra das moedas.

    E se o governo está manipulando uma moeda, é correto concluir que o valor do câmbio saíra do seu valor de mercado.
  • Leandro  18/08/2015 20:46
    Faz sentido, sim.

    Se uma moeda nacional deixa de ser demandada por estrangeiros, a taxa de câmbio dispara. Consequentemente, a carestia vai junto.

    Todas as moedas do Brasil, antes do real, passaram por isso (com os mais ricos se dolarizando), mais evidentemente nas décadas de 1980 e início da década de 1990.
  • Felipe  18/08/2015 20:56
    Leandro,

    Mas a moeda nacional só deixou de ser aceita internacionalmente porque internamente mesmo já não tinha valor.
    Que estrangeiro aceitaria uma moeda cuja valor se deteriora diariamente?

    Agora não faz sentido dizer que hoje, de repente, os estrangeiro não aceitariam mais o real porque acham ele feio, sendo que o real pode compra qualquer bem aqui. Seria o mesmo que jogar dinheiro fora.
  • Leandro  18/08/2015 23:01
    "Mas a moeda nacional só deixou de ser aceita internacionalmente porque internamente mesmo já não tinha valor."

    Aí é o enigma do ovo e da galinha. O que veio primeiro: o câmbio se depreciava porque a carestia estava crescente ou a carestia estava crescente porque o câmbio se depreciava diariamente?

    Eu mesmo não sei a resposta com absoluta certeza.

    O que é fato inconteste é que, a partir do momento em que a confiança dos estrangeiros em uma moeda se deteriora, fim de papo: não tem mais como conter a derrocada do câmbio. Só com Currency Board.

    "Que estrangeiro aceitaria uma moeda cuja valor se deteriora diariamente?"

    Exato. Mas, novamente, o que veio primeiro: a carestia galopante ou a desvalorização cambial? Se você disser que a carestia veio primeiro, e que o câmbio se deteriorou como consequência, então tem de ter havido um período de tempo em que a carestia estava alta mas o câmbio estava relativamente estável.

    Isso aconteceu, por exemplo, em 2014. Mas não se verifica algo semelhante na década de 1980 e nem durante a década a primeira metade da década de 1990. Naquele período, era tudo pari passu, inflação e câmbio se moviam quase que de maneira sincronizada.

    "Agora não faz sentido dizer que hoje, de repente, os estrangeiro não aceitariam mais o real porque acham ele feio, sendo que o real pode compra qualquer bem aqui. Seria o mesmo que jogar dinheiro fora."

    Colocando desta maneira pitoresca, de fato não faz sentido. E eu mesmo não creio nessa hipótese. Mas que ela pode acontecer a qualquer país, isso pode.
  • Alcides Maciel  19/08/2015 02:15
    Opa, como eu disse lá, o exemplo é esdrúxulo, só fiz por motivos didáticos. Na prática eu uso uma abordagem "técnica" (gráfica) para analisar o dólar.
    .
    Mas é só pensar em algo mais fácil de enxergar nesses termos. Como um tênis. De repente um tênis qualquer vira moda e passa a custar caro, pela demanda maior. Ou então todo mundo para de usar e ele cai de valor. Ou seja, a demanda depende também do que se passa na cabeça do ser humano.
    Evidentemente que para uma moeda isso não é verificável.
    Mas ser humano é assim, se eu posso fazer isso só porque eu quero (não aceitar uma moeda porque acho feia, ou porque não gosto de americanos), posso inferir que todo mundo também pode.
    Daí a fazer são outros quinhentos.


  • Renato  19/08/2015 20:01
    "se os estrangeiros de repente acharem o Real uma moeda feia e não quiserem aceitá-la como forma de pagamento, de repente o Real não vale nada." - Alcides Maciel

    Desculpa eu me intrometer, MAS... mesmo que fosse proibido que dinheiro cruzasse a fronteira, mesmo que as notas se auto-destruíssem ao sair do território do seu país de emissão, mesmo que o comércio internacional fosse 100% em forma de escambo, ainda assim existiriam as taxas de câmbio.
  • Patriota  19/08/2015 22:07
    Renato, o que ele quis dizer ao que me parece, é que sem demanda pela moeda ela não vale nada, no sentido que ela não pode ser vendida a nínguem se ninguem a quiser.
    Não é assim uma constatação tão nova ou reveladora. Claro que é uma suposição hiperbolica e não deve ocorrer no mundo atual, mas logicamente é exatamente isso.
  • Eduardo  18/08/2015 19:41
    Creio que o sentido de "câmbio 'correto'" é justamente o de preço de mercado.

    Você coloca, corretamente, que:
    "Ora, se o preço de mercado do tomate está em R$ 10, este é o preço correto. Não fosse assim, haveria escassez"

    Obviamente que não há uma tábua sagrada de "preços corretos" determinando o preço do tomate em 10$. Em algum momento, inúmeras transações comerciais em um dado local colocaram o preço do tomate em torno de 10$.

    Por "preço correto" entendo justamente aquele que está próximo desta realidade do mercado.

    Se o câmbio real é por definição a razão entre o poder de compra de duas moedas, e em 1 ano uma moeda tem aumento de 10% num índice geral de preços, e outra moeda tem aumento de 100% num índice similar, e o câmbio segue artificialmente em torno de 1:1 por conta de especulação e política cambial, é evidente que logo isso se ajusta e converge para aproximadamente a razão do poder de compra (sem estabelecermos um valor X que representasse exatamente qual seria esse preço, e este creio que seja o erro ao falar de preços).

    Você mesmo diz que "Interferências estatais só servem para atrasar os ajustes dinâmicos e naturais do câmbio".
    Mas ajustar para onde? Para o preço de mercado, que o autor colocou como câmbio "correto", entre aspas.
    Se não houvesse tal câmbio "correto", não haveria propósito em ajustar.

    De qualquer forma, acho que todos concordamos nas idéias, mas discordamos nos termos. Abraços!
  • Fernando Ulrich  18/08/2015 21:55
    Yonatan,

    Permita-me esclarecer melhor esse ponto. Talvez o termo certo nem seja "câmbio correto", mas "câmbio teórico". É claro que o preço correto é o preço de mercado, não temos dúvida disso e não está em discussão.

    O ponto é analisar o câmbio sob o prisma da teoria do PPP de Mises (dos Escolásticos Espanhóis, na verdade): o que determina o câmbio é a razão entre o poder de compra entre duas moedas.

    https://mises.org/library/human-action-0/html/pp/789

    Na prática, é impossível verificar isso. É uma lei econômica, impossível de se verificar em laboratório. Leia este artigo: https://mises.org/library/next-generation-austrian-economics-essays-honor-joseph-t-salerno/html/p/534

    No entanto, é possível estimar qual "deveria" ser o câmbio segundo à teoria do PPP. Isto é, elimine todos os efeitos e as demais variáveis e considere apenas a variação do poder de compra das moedas por algum índice de preções (no caso o IPCA e CPI) e chegarás ao "câmbio teórico", o qual chamei de câmbio justo ou correto. CETERIS PARIBUS, o câmbio é determinado pela PPP. Na prática, há inúmeras variáveis que afetam o câmbio como inclusive comentei e deixei bem claro.

    Agora, analisando esse "câmbio teórico" é possível aferir o quão distante o câmbio atual está da "normalidade". Ok que a PPP jamais se verificará na prática com precisão cirúrgica. Mas quando há uma divergência tão alta, é possível intuir que há algum problema ou pressões além do que seria razoável, dado a variação dos PP de cada moeda.

    E qualquer investidor utiliza essa ótica para lucrar no mercado. O bom investidor ou empreendedor vislumbra essas discrepâncias entre o que seria o fundamento do ativo (na sua ótica) e o preço vigente no mercado e monta posições de acordo com essa possiblidade de arbitragem. Assim muitos investidores, como George Soros, ganharam rios de dinheiro apostando na desvalorização de moedas. Como no caso específico da libra esterlina nos anos 1990. Estude esse exemplo e verá que é uma aplicação prática do que foi exposto neste artigo.

    www.investopedia.com/ask/answers/08/george-soros-bank-of-england.asp

    Por que junho de 1994 é o período base? Porque foi precisamente quando começou a nova moeda: o real brasileiro. Quer começar em 120? 200? Não tem problema, é um índice. Esse seria o período inicial e aí veríamos a evolução do índice conforme a variação do PP de cada moeda. Não mudaria a análise aqui feita. O importante é a evolução. E não apenas um ponto estático no gráfico.
  • Thiago Teixeira  19/08/2015 01:36
    Discussão top!
  • Yonatan Mozzini  19/08/2015 13:12
    Fernando Ulrich,

    Obrigado pelos esclarecimentos.

    Quanto ao ponto índice correto, novamente afirmo que não vejo sentido em utilizar a data base de junho de 1994 para a data correta no qual o câmbio real, em teoria - e ceteris paribus -, deveria orbitar.

    Bem, o real foi implantado no dia 1 de julho. Junho ainda era o mês da hiperinflação e com ela todas as outras variáveis e elementos que deixaram alterado o câmbio real. Ou seja, em junho, com a hiperinflação, o câmbio real estava claramente depreciado. Sendo assim, a linha vermelha do sétimo gráfico – isto é, o câmbio correto, ou teórico – deveria estar abaixo do que está plotado, isto é, deveria estar mais valorizado. E isso é tão importante quanto a evolução dos dados. A interpretação fica alterada. O que você plotou dá a entender que em todo o período de 94-98 e 2007-2014 o câmbio estava bastante errado (sobrevalorizado) de acordo com a teoria misesiana. Mas, se alterado o intercepto para uma data base mais realista, o câmbio real desse período certamente não é tão apreciado assim. Nesse caso, o câmbio real de maio/2015, o último ponto numerado desse gráfico, está depreciado em relação ao câmbio real correto, não obstante esteja idêntico ao câmbio real do último mês da hiperinflação.
  • Reflexao  20/08/2015 03:53
    Resumindo, você quer dizer que do seu ponto de vista, no final do gráfico, na linha vermelha, faria mais sentido se ela acabasse em 2,60 (tomando por base 120)?
  • Lucas C  20/08/2015 12:16
    Não sei o que está melhor: o artigo ou a discussão!

    E não sei se terei uma resposta porque estou chegando atrasado.

    Mas pensar em paridade do poder de compra como melhor método de se pensar o valor "justo" de câmbio também não seria bem errado uma vez que no Brasil os custos de importação e os impostos para produção e serviços internos são maiores e a eficiência da indústria e dos serviços menores do que nos EUA (e basicamente no resto do mundo)? Assim sendo, o mesmo produto deveria custar mais no Brasil do que nos EUA mesmo se fosse vendido em dólar aqui.
    Logo, quando vejo o real com um bom poder de compra no resto do mundo (como aconteceu nos últimos anos), tenho certeza de que ele está sobrevalorizado. Mas quando acontece o contrário e observo que a compra de bens e serviços no exterior está mais cara para mim, aí não consigo saber se estamos no valor "correto" ou se o real está subvalorizado.
    Faz sentido?

    Abraços pessoal. E parabéns à turma do Mises Brasil pelas novidades. Mesmo sendo apenas um participante passivo do instituto, fico com o maior orgulho de vê-lo crescendo.
  • Yonatan Mozzini  20/08/2015 12:34
    Reflexao, acho que a linha vermelha do sétimo gráfico deveria correr entre vinte a trinta centavos para baixo. Nesse caso, em meados de 1996, quando o dólar estava cotado a R$ 1, acho que a linha vermelha deveria estar entre R$ 1,20, e não perto de R$ 1,50, conforme consta no gráfico. No último ponto do gráfico, em maio/2015, deveria estar por volta de R$ 2,80, ao invés de R$ 3,12. Isso já bastante significativo para a economia internacional e para o conceito do câmbio, em teoria, correto.
  • Hugo  27/08/2015 02:03
    O problema Yonatan é que em 1994-95 a inflação no BR ainda acumulava algo em torno de 25% ao ano,enquanto a inflação dos EUA permanecia em no máximo 2%, e a inflação brasileira só caiu abaixo de 10% a partir de 1996. Note que o "câmbio ideal" vai subindo cada vez menos enquanto o IPCA brasileiro foi convergindo para o americano até o fim de 98.
  • Yonatan Mozzini  27/08/2015 11:52
    Bem, Hugo, sobre o que você dizendo, é justamente o que foi "corrigido", não é mesmo? Esse processo de midesvalorizações da moeda – que é chamado de crowling peg --, em teoria, é justamente pra isso: fazer com que o câmbio real, durante o processo de estabilização, não se aprecie acentuadamente. Mas, o interessante é que, como a depreciação cambial tem impacto sobre a inflação de preços devido aos bens tradeables, o próprio ato de depreciar o câmbio já é um fator que atrasa o processo de estabilização. Talvez seja por isso também que a inflação aqui demorou bem mais tempo pra cair durante o processo de estabilização do que na Argentina, por exemplo, em que o câmbio nominal era fixo.

    Mas outro fato que não foi falado, nem pelo Ulrich, é que o dólar, em relação às outras moedas do mundo, estava mais forte desde 1994 até ao fim da estabilização brasileira do que em 2007 até 2011. Sendo assim, esse câmbio teórico – do qual eu considero pouco útil --, se insistentemente fosse utilizado, deveria ser calculado a partir de uma cesta das principais moedas do mundo, e não apenas do dólar.
  • Andre  18/08/2015 18:52
    Excelente análise!
    Um dia ainda vou fazer meus próprios indicadores também.
  • Didi  18/08/2015 19:33
    Felicitações pelo artigo, deveras providencial diante o cenário interno e externo. Situação complicada na bolsa chinesa, desvalorização do Yuan, etc. Aqui nesse impicha não espicha, ora no TCU, ora no Cunha, juros escorchantes, etc. Em meio ao bumba-meu-boi é imprescindível inteirar-se do que se passa e o IMB é hors concours no metiê.
  • Rhyan  18/08/2015 19:53
    Ótimo artigo!

    Cambio é assunto do momento mesmo.

    "Considerando a cotação atual ao redor de R$ 3,50, é plausível deduzir que o dólar esteja de fato acima de seu preço justo, pela ótica tanto do BigMac quanto da TCR."

    Não entendi muito bem, os gráficos baseados no TCR não mostram que o câmbio está muito perto do equilíbrio (pra não dizer exatamente equilibrado)?

    Obrigado!
  • Fernando Ulrich  18/08/2015 21:29
    Sim, Rhyan. Mas o gráfico da TCR vai até junho apenas, quando o câmbio estava ao redor de 3,10 e não 3,50 como está agora. Quando saírem os dados atualizados até julho, veremos isso no gráfico.
  • judeu anarco-primitivista  24/08/2015 15:06
    Ulrich, o artigo será atualizado de acordo com os acontecimentos? Acho que seria interessante.
  • Raphael  18/08/2015 21:35
    Correção: o Real se desvalorizou, não o dólar.
  • Michelangelo  18/08/2015 23:51
    Correção da correção: o real e o dólar se desvalorizaram, ou melhor, o dólar se desvalorizou, o real caiu num abismo.
  • Raphael  18/08/2015 21:38
    Note que o último gráfico retrata a situação de maio de 2015, quando o dólar ainda estava cotado a 3,11. De lá pra cá o real já se desvalorizou, ou seja, não há mais aquela situação de equilíbrio.
  • .  18/08/2015 22:04
    Não se preocupem: o dólar irá valer R$ 20,00 em 2015. O castigo do Brasil está só começando.
  • William Bedene Jr  18/08/2015 23:05
    Mantega foi bom numa coisa: tomou o troféu de piores do Bresser e do Delfim Neto!
  • Leandro  18/08/2015 23:10
    Quero-me o crítico número 1 de Mantega, mas dizer que ele tomou o troféu do Bresser, aí não. Bresser e seu antecessor Dilson Funaro ainda reinam supremos no altar dos mais atrozes.

    E Delfim empata com Mantega e Zélia.
  • William Bonner Jr.  18/08/2015 23:42
    E sobre o outro lado do espectro, ou seja, quem foi o melhor (ou melhores) ministro da fazenda, se é que teve algum bom?
  • Felipe  19/08/2015 12:24
    Fernando Henrique, Pedro Malan e Palocci foram bons ministros da fazenda (comparativamente!).
  • Fernando Ulrich  19/08/2015 13:19
    Olha, é muito difícil comparar os ministros porque todos entram no cargo já herdando uma bagunça de seu antecessor. Acho que a Zélia ainda tá na frente do Mantega. Se bem que o Mantega pegou a casa arrumadinha. Talvez isso tenha mitigado o estrago que ele fez...
  • Gunnar  19/08/2015 17:02
    Impressionante a quantidade de asneira por parágrafo que o vovô consegue cuspir.
  • Vinicius  19/08/2015 01:32
    Fim da farra dos bancos públicos? Vamos ter uma retomada da nova matriz econômica assim que minimamente possível:
    exame.abril.com.br/economia/noticias/governo-escala-bancos-publicos-para-socorrer-setores
  • Filipe  19/08/2015 14:20
    Da onde irão tirar dinheiro pra isso? Só consigo imaginar que vão incorrer em déficits primários, isso iria aumentar a dívida e também aumentar os agregados monetários, aumentando a inflação de preços.

    Faz sentido?
  • Vinicius  19/08/2015 14:57
    Para mim também não faz, mas está em todas as manchetes econômicas hoje: "governo retoma medidas da era Mantega"

    www.valor.com.br/financas/4184910/caixa-dara-credito-mais-barato-empresa-que-nao-demitir

    www.valor.com.br/financas/4186222/apos-caixa-bb-faz-acordo-com-setor-automotivo-para-facilitar-credito

    Além da já citada, Dilma não sabe fazer outra coisa economicamente, ela simplesmente é incapaz de ver o dano que causa, é por isso que sua saída é tão urgente.
  • Amorim  20/08/2015 19:21
    Sendo keynesianos, faz todo sentido.
  • Fernando Ulrich  20/08/2015 01:29
    Putz, mas aí é fogo. Realmente, é como diz o ditado: errar é humano, insistir no erro é burrice.
  • Eduardo  19/08/2015 02:27
    Parabéns ao autor do artigo. Na minha opinião, dotado de extrema sensatez. Não é possível determinar exatamente qual será o dólar para uma data futura, mas pelo menos é palpável traçar uma rota para ele analisando a conjuntura macroeconômica.
  • Adelson Paulo  19/08/2015 11:34
    Durante o governo Dilma eu fiz péssimos investimentos financeiros no mercado de ações, e perdi mais da metade do meu capital investido, adquirido em mais de 20 anos de trabalho.
    Mas por outro lado fiz um grande investimento: viajei todo ano para o exterior, em alguns anos até duas vezes. Quando verificava que uma diária de um hotel quatro estrelas em Roma estava mais barata que um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro, que almoçar em Berlim estava mais barato que comer em uma churrascaria em Copacabana, não tinha dúvidas: preparava as malas e partia. Estava claro e evidente a excessiva valorização do real.
    Mas é isso que se leva desta vida: o que não se pode carregar.
  • Kardico  19/08/2015 12:19
    'Dólar chega a R$ 4? Não acho provável, mas tampouco descartaria essa hipótese'.


    Depois de escrever tudo que escreveu e me fazer ler tudo... Mais em cima do muro impossível !

    Tem que colocar o seu 'na reta', mermão ! Sobe ou não sobe ? As doletas...
  • Vinicius  19/08/2015 17:56
    Se chega a 4 Dilmas, depende das decisões fiscais do governo do Gran Haiti, o qual nem mesmo ele sabe o que fará.
  • Lucas C  20/08/2015 12:59
    Kardico, mermão doente.
    Se o autor fosse categórico em afirmar que o dólar vai subir ou descer, ele seria um idiota prepotente que se acha capaz de compreender todas as infinitas variáveis de um sistema tão complexo como a economia mundial. Assim, só um tolo ou um mal intencionado colocaria o dele "na reta" de graça assim. Se você quer uma resposta fácil, vá ler os relatórios da empiricus, conversar com o gerente de seu banco, dar ouvidos ao Mantega, ao Tombini etc. E saiba que, com frequência eles irão errar. Alguns menos, outros mais.
    O autor está te fornecendo um monte de informação relevante e pertinente ao câmbio. Como você vai usar isso, é problema seu, e não dele.
  • Ricardo Z.  19/08/2015 20:53
    Parabéns pelo artigo Fernando.

    Seu livro, sobre o BTC, é excelente. Estou num empenho grande pra fazer um encontro entre os "guerreiros" do BTC e do livre comércio aqui da minha cidade, e estou usando partes do seu livro (pra sintetizar algumas mensagens, pois, o livro além de muito rico em detalhes é muito didático) e outros clássicos; vamos expandir esse universo (tão obscuro nessa terra). Viva o livre comércio e morte na forca para os petistas.

    Att.
  • Fernando Ulrich  20/08/2015 01:27
    Obrigado pelas palavras, Ricardo. Um abraço!
  • Alexei Dimitri Diniz Campos  19/08/2015 21:16
    Creio que o dólar vai subir mais ainda nos próximos seis meses, já que as agências de risco estão diminuindo as notas do Brasil como um todo e de maioria das empresas. A tendência é o capital sair daqui para se proteger.

    É só prestar atenção na disparada do dólar há três meses, próximo da época que a S&P junto com a Moody's e Fitch começaram a dar seu parecer. Gerou uma especulação gigantesca. Como o mercado percebeu que todo mundo queria dólar, geraram essa "estabilidade" que temos essa semana, mas só para viabilizar a compra de dólares para o final do ano.

    Apenas aqueles que protegeram seu capital, tal como a Embraer transferindo o Phenom para os EUA, é que foram poupados. E que sofrerão menos perdas no decorrer da crise.

    Já que o Governo Central apresentou um deficit na época que mais arrecada, a meta para o superavit primário não vai ser atingida, e creio que há um sério risco de default.

    O RS já está incorrendo em desobediência fiscal, tanto que estava com dificuldades de pagar seus funcionários e não conseguia pagar a dívida com a União, que congelou suas contas.

    Já pensou, São Paulo e Rio de Janeiro fazendo a mesma coisa, que efeito catastrófico iria gerar?
  • Alcides Maciel  20/08/2015 01:13
    O dólar pode subir a R$ 4,00 se houver alguma novidade, ou seja, algo inesperado. As agências de risco costumam sinalizar seus passos com antecedência, então os grandes players antecipam essas mudanças. Portanto, se for uma mudança de nota já esperada, isso não deve pressionar mais o dólar.
    Agora, se algum fato novo ocorrer, aí sim pode subir além.
    .
    Outra coisa, se os EUA resolvessem de fato subir os juros internos, isso poderia trazer grandes consequências. Mas são poucos que apostam nisso. Mais fácil surgir um novo QE do que uma mudança significativa na política de juros, já que a economia interna deles não está tão bem assim.
    .
    Relembrando: quando as agências mudaram o patamar de Brasil de especulativo para Grau de Investimento, a bolsa parou de subir. Porque isso já era esperado. Ou seja, a alta aconteceu após surgir a expectativa.
    Não recomendo operar baseado em notícia, geralmente elas chegam para nós reles mortais tarde demais.
  • Lucas C  20/08/2015 12:24
    "Outra coisa, se os EUA resolvessem de fato subir os juros internos, isso poderia trazer grandes consequências. Mas são poucos que apostam nisso. Mais fácil surgir um novo QE do que uma mudança significativa na política de juros, já que a economia interna deles não está tão bem assim."

    Sei não, Alcides. Acho que não apostar na subida dos juros pelos EUA e em um novo QE é coisa de poucos, como a turma daqui (eu me incluo) e dos poucos americanos fãs da Escola Austríaca. O main stream mesmo acredita piamente que os juros podem subir em setembro (cerca de 60% dos analistas consultados, se não me engano), ou então em dezembro. Assim como eles acreditavam que seria em março, depois em junho...
  • Andre  20/08/2015 13:31
    Sempre que está chegando uma nova reunião do banco central americano pipocam as notícias dizendo que "muito provavelmente agora os juros vão subir"!!!

    É engraçado ver as pessoas ficando ansiosas com isso de tempos em tempos.
  • Alcides Maciel  20/08/2015 17:19
    Olá, Lucas.
    .
    Realmente o mainstream pensa diferente dos austríacos.
    Mas vale lembrar que muito tubarão tem personalidade própria, ou seja, mesmo que não seja austríaco, entende melhor o funcionamento da economia. Como o George Soros e outros como ele.
    .
    O que eu aprendi com o grande Jonas Fagá (graças a ele conheço o Mises e a Escola Austríaca) é que o melhor que podemos fazer é não tentar adivinhar movimentos, podemos até nos posicionar para tentar ganhar mais em um cenário que acreditamos ser mais provável. Mas utilizar uma alocação de ativos que nos proteja e nos permita ganhar em qualquer cenário, caso estejamos enganados. Uma espécie de seguro.
    Sendo assim, quando o dólar chegou a 3,50, eu me desfiz boa parte de minha posição, porque passei a acreditar que o movimento para cima já era incerto.
    Mas não me desfiz totalmente porque isso iria contra minha estratégia de Alocação.
    E, considerando os governantes que temos aqui, acho que é uma boa prática ter dólar e ouro, por exemplo, como uma espécie de seguro.
    Nunca devemos subestimar a capacidade de um governo de fazer besteira.

  • Pobre Paulista  20/08/2015 18:46
    Saudades do "O ponto base". Gostaria de ter salvo os artigos do Jonas sobre alocação, apesar de já ter entendido 100% do conceito.
  • Alcides Maciel  20/08/2015 19:56
    Não seja por isso, alguém salvou. Tenta esses links:

    https://web.archive.org/web/20140623233534/opontobase.com.br/ouro-dolar-euro-e-ibovespa-analise-tecnica-02092013/

    https://web.archive.org/web/20140516201040/opontobase.com.br/

    Caso não consiga, eu salvei os artigos sobre Alocação, é só me mandar um e-mail: alcides@gestaoessencial.com.br
  • Pobre Paulista  21/08/2015 13:15
    Tinha esquecido do webarchive! Muito obrigado!
  • Juliana  20/08/2015 15:21
    Mas é mesmo o mais "correto" avaliar qual seria um preço "justo" para o câmbio, sem levar em conta o que pensam as autoridades monetária e governamental? Porque teoricamente (e bem teoricamente) não seria muito difícil colocar o real em uma trajetória de apreciação, por meio de uma abertura comercial e econômica, ausência de controle de capitais, etc., se as autoridades considerassem esse um caminho "correto".

    Porém, acontece que — por um lado — o governo "tem que" desvalorizar o câmbio para tornar os produtos nacionais "competitivos", gerar um superávit comercial e diminuir o déficit na conta corrente. Por outro lado, o câmbio muito desvalorizado leva a uma inflação alta, além de significar que os investimentos internacionais não estão fluindo, desequilibrando o balanço de pagamentos. Então, esse câmbio "correto", para nossas autoridades, deveria estar em um nível que garantisse um valor razoável na conta corrente, ao mesmo tempo que permitisse um ingresso constante de capital internacional. Então, uma outra pergunta interessante de ser feita, seria: "Conforme cada situação que for acontecendo, qual será o valor do câmbio que irá garantir esse equilíbrio?". Considerando isso, e nesse ano de recessão e evidente apreciação do Dólar, até mesmo a "Mantega Asset Mismanagement" já teria revisto seus conceitos e previsto essa imensa desvalorização do Real.

    Vixe Maria! Quantas aspas nesse comentário. Fica até difícil saber se alguma coisa nele é séria. O jeito mesmo é por toda a culpa nas incertezas, e então assistir para ver o que acontece. O que não desmerece em nada o ótimo presente artigo.

    Abraços!
  • Fernando  23/08/2015 16:14
    O dólar vai subir bem mais.

    A perda do grau de investimento será o principal fator. Apenas um país europeu, não sei se é a Noruega ou Dinamarca, já está retirando 1,8 bilhões de dólares do Brasil. Sem grau de investimento, podemos esperar a desvalorização do real, mais inflação e mais recessão. Isso até pode ser bom em alguns aspectos, como vender o patrimônio público na porrada, mas seria muito melhor fazer as coisas sem conflitos.

    Se não fosse a exportação de alimentos, com certeza o país iria quebrar. Iremos exportar nossas picanhas e iremos comer coxão-mole, mas a exportação de alimentos deve nos segurar antes do fundo do poço.






  • Patrick Wiens  24/08/2015 14:14
    O que é mal para a economia são as flutuações, pois trazem incertezas, logo desmotivam investimentos. Porém, intervir tentando se chegar em uma estabilidade é ainda pior, é como forçar uma mola para baixo: no começo até é possível, mas quando soltamos, seja por mudar de idéia ou por não conseguir mais, ela vai voltar com velocidade e passará do seu limite natural - fora a demora para se estabilizar novamente.
  • Leandro  24/08/2015 14:22
    O problema é que, em países ainda em desenvolvimento e com governos avacalhados, o câmbio não flutua; ele afunda.

    E com ele vai o nosso padrão de vida.

    Qual a solução para países em desenvolvimento? Currency Board, como fizeram vários países do Leste Europeu (Estônia, Letônia, Lituânia, Bulgária), Hong Kong e Cingapura (em seus primórdios).
  • Observador do Mercado  26/08/2015 23:55
    Bom, já chegamos lá:

    Casas de câmbio já vendem dólar a R$ 4

    A moeda norte-americana ultrapassou a marca no cartão pré-pago, com IOF mais caro; dólar em espécie é vendido na casa dos R$ 3,80

    No atual cenário da economia brasileira, as coisas funcionam assim: por mais pessimista que seja a sua previsão, ela ainda está otimista.

    Essa palestra do Leandro Roque, por exemplo, é um caso clássico: quando a vi pela primeira vez, achei que ele havia exagerado. Revendo-a agora, vejo que ele foi até otimista.


  • Investidor  02/09/2015 14:34
    Minha nossa, já passou dos 3,70 !!!

  • Observador do Mercado  21/09/2015 15:45
    Chegou a R$ 4 hoje.

    Como eu disse acima, no atual cenário da economia brasileira as coisas funcionam assim: por mais pessimista que seja a sua previsão, ela ainda está muito otimista.

    Cuidem-se e apeguem-se a alguma coisa. Se você é místico, chegou a hora de invocar espíritos.
  • Observador do Mercado  22/09/2015 15:45
    R$ 4,04.

    Repito pela terceira vez: por mais pessimista que seja a sua previsão, ela ainda está muito otimista.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  22/09/2015 17:01
    GAME OVER, Brésil.
  • Emerson Luis  09/12/2015 15:41

    Se a Dilma continuar:_ _ _ dólar a R$4,50 ou mais;

    Se a Dilma sair:_ _ _ _ _ _dólar a R$3,00 ou menos.

    * * *
  • Mark  03/01/2019 06:30
    Boa noite,

    Tentei acessar o link para o gráfico da TCR mas não cconsegui. Busquei no site do BCB e não encontrei também. Saberia informar onde posso obter tal número?
  • Tulio  03/01/2019 12:06
    É que o BACEN mudou todo o seu website. Eis o novo link:

    www.bcb.gov.br/content/estatisticas/Documents/Indicadores_consolidados/IE5-32.xlsx


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