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Sete obras e gastos do governo brasileiro que custaram mais que a viagem a Plutão

Se você está vivo e tem acesso à internet ou a uma televisão, deve ter se deparado em algum momento desta semana com as sensacionais fotos tiradas pela sonda americana New Horizons.

Lançada em 2006, ela carrega sete instrumentos científicos de nomes criativos — entre eles, os telescópios RALPH e LORRI, o detector de vento solar SWAP e os espectrômetros ALICE e PEPSSI.

No último dia 14 de julho, apontou todos esses equipamentos para Plutão e seus cinco satélites, gerando uma quantidade enorme de fotos e de análises a respeito do planeta-anão. O que foi divulgado até agora é apenas a ponta do iceberg: devido ao grande volume de dados coletados e à enorme distância entre Plutão e a Terra, só conheceremos todas as informações obtidas pela nave no final de 2016.

O provável próximo passo da sonda é a visita a pelo menos um dos objetos do Cinturão de Kuiper, uma área formada por centenas de milhares de corpos celestes remanescentes da formação do Sistema Solar. Dois deles são atualmente cogitados pela equipe que cuida da nave: os objetos 2014 MU69 e 2014 PN70.

A essa visita se sucederá uma jornada rumo ao infinito: juntamente com as sondas Pioneer 10 e 11 e Voyager 1 e 2, a New Horizons é a quinta nave espacial na história da humanidade a atingir velocidade suficiente para sair do Sistema Solar.

Não bastasse a exploração de Plutão e do cinturão de Kuiper, a New Horizons ainda conseguiu fotografar de passagem o pequeno asteróide 132524 APL e, de quebra, deu um pulinho em Júpiter — onde, em setembro de 2006, obteve dados inéditos a respeito dos anéis e luas do planeta, além de observar sua magnetosfera e suas condições meteorológicas. Nada mau, não?

plutao.png 

Obviamente, uma viagem rumo ao infinito com escalas em Júpiter e Plutão não custa pouco. A passagem só de ida custou US$ 700 milhões, ou R$ 2,2 bilhões — esse valor, de acordo com a NASA, inclui todo o desenvolvimento da nave, seu lançamento, monitoramento, análise de dados e divulgação da missão.

É um valor sem dúvida enorme, e caro mesmo quando comparado a outras missões espaciais — só para se ter uma ideia, as sondas Voyager gastaram juntas US$ 865 milhões (US$ 432,5 milhões por missão) para visitar quatro planetas, esticar a viagem até o espaço interestelar e transmitir quase 50 anos de dados para a Terra (de 1977 até 2025, aproximadamente).

Mas, e se compararmos o custo da New Horizons a outras coisas?

Resolvemos investigar o quão caro é lançar uma sonda como essa comparando-a a alguns gastos que vemos de quando em quando na imprensa. No fim das contas, talvez explorar Plutão seja algo até relativamente barato.

A seguir, 7 coisas mais caras que a New Horizons pagas pelo seu bolso.

1) UM DIA DE IMPOSTOS BRASILEIROS

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No período entre 1º de janeiro de 2015 e a elaboração deste texto, os cidadãos brasileiros pagaram ao governo (federal, estadual e municipal) mais de R$ 1,091 trilhão  os dados são do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo.

Isso totaliza, por dia, R$ 5,369 bilhões de impostos pagos ao governo. Com essa arrecadação, se o Brasil enviasse uma nave a Plutão por dia, ainda sobrariam R$ 1,155 trilhão ao final do ano — um pouco menos que o PIB do México.

Para ficar em outra comparação astronômica: considerando que atualmente a New Horizons está a aproximadamente 4,8 bilhões de quilômetros da Terra, para se chegar à arrecadação tributária de um dia no Brasil teria sido necessário cobrar da nave um pedágio de R$ 1,12 a cada quilômetro percorrido. Proporcionalmente, uma tarifa dessas seria 11 vezes maior do que a dos pedágios pagos por um cidadão que viaja de São Paulo ao Rio de Janeiro (R$ 0,10 por quilômetro).

O Impostômetro também estima que a arrecadação total do estado brasileiro em 2015 será de R$ 2.086.204.685.685,00 — isso mesmo, mais de dois trilhões de reais.

Se você acha que o Brasil é um país em que os impostos são estratosféricos, reveja seus conceitos. Eles são praticamente interplanetários.

2) CORRUPÇÃO NA PETROBRAS

petro.jpg 

Você quer saber qual exatamente o valor que o país perdeu com o esquema de corrupção na Petrobras? Boa sorte tentando descobrir.

Uma pesquisa no Google revela estimativas que variam dos R$2,1 bilhões a um valor dez vezes maior, R$21 bilhões

Para fugir da polêmica, vamos ficar aqui com o cálculo da própria Petrobras, lançado no balanço auditado divulgado em abril de 2015: de acordo com a informação disponibilizada na época, as perdas com corrupção apenas no ano de 2014 totalizaram R$ 6,194 bilhões.

Com esse dinheiro daria para lançar a New Horizons, as duas Voyager e ainda sobraria 1 bilhão de reais para comprar eventuais souvenirs interplanetários.

3) BRASÍLIA FUTEBOL CLUBE X GAMA

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Você já sabe: não se faz uma Copa do Mundo com hospitais. Também não se faz uma Copa do Mundo em Plutão — infelizmente, já que a baixa gravidade local tornaria o jogo bem mais interessante. Ainda assim, é mais caro fazer Copa do que ir até o planetóide — e de longe.

Enquanto a New Horizons custou R$ 2,2 bilhões, os doze estádios da Copa, somados, custaram R$ 8,4 bilhões.

A New Horizons também custou menos que os R$ 2,5 bilhões da diferença entre o custo inicial estimado dos doze estádios (R$ 5,9 bi) e o custo final (R$ 8,4 bi).

Mas a coisa fica pior se pensarmos em dólares.  O valor acima é de 10 de junho do ano passado, data em que o dólar custava R$ 2,22. Pela cotação da época da Copa, os doze estádios saíram por US$ 3,819 bilhões — o suficiente para mais de cinco New Horizons.

Somente o Mané Garrincha custou US$ 630 milhões. É um pouco menos do que a nave, fato. Mas, como vimos, é mais do que o valor gasto na Voyager 1, que transmite dados ininterruptamente desde antes da Copa de 1978 e atualmente se encontra a quase 20 bilhões de quilômetros do Sol.

Só os três grandes "elefantes brancos" da Copa — Mané Garrincha, Arena Amazônia e Arena Pantanal — custaram R$ 2,716 bi, ou US$ 1,223 bilhões. É isso mesmo: chegamos a um ponto em que a sede do Campeonato Brasiliense é mais cara do que uma viagem aos confins do Sistema Solar.

4) FERROVIA NORTE-SUL

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Sabe aquela ferrovia que permite transportar cargas do Maranhão a São Paulo?  Eu também não — até porque essa ferrovia atualmente não existe.

Embora o projeto original seja do governo Sarney (1987), tudo o que havia até 2014 era um trecho entre o Maranhão e o Tocantins, expandido no início deste ano. Espera-se a conclusão dos trabalhos para o final de 2015 — ou seja, mais de 28 anos após seu início.

Somente o trecho entre Anápolis (GO) e Palmas (TO), de 855 km, custou R$ 3,1 bilhões. Somando-se a ele o trecho entre Palmas (TO) e Açailândia (MT), tem-se 1.574 km de ferrovia que custaram R$ 5,7 bilhões — em valores não atualizados.

Esse custo se refere apenas aos trechos já operacionais da ferrovia. Somando-se a eles os trechos ainda em construção (lembrando que o projeto original é de 1987) e atualizando-se os valores, chega-se a um investimento total de R$ 25,8 bilhões — o dado é do próprio Governo Federal.

5) VLT DE CUIABÁ

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Nessa aqui os custos empatam. Se você tiver R$ 2,2 bilhões no bolso, pode escolher entre explorar um pedaço de pedra e gelo nos confins do Sistema Solar ou implantar um metrô de superfície de 22 km em Cuiabá.

A diferença é que a New Horizons foi executada em menos de cinco anos — a ideia original da nave foi submetida à NASA em abril de 2001, e seu lançamento se deu em 19 de janeiro de 2006. Já o VLT de Cuiabá está sendo discutido desde 2011, e sua conclusão está sendo prevista para 2018 — o que ocorrerá com muita sorte, dado o número enorme de escândalos de corrupção e propinas que acompanham a obra desde a licitação.

6) OLIMPÍADAS

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Uma das ideias por trás da criação dos Jogos Olímpicos modernos foi a de reviver o espírito das competições realizadas na Grécia na Antiguidade. Se esse objetivo será cumprido ou não no Rio de Janeiro em 2016 é uma boa pergunta — mas, ao menos no que diz respeito a gastos públicos, com certeza o ideal de imitar os gregos já foi realizado em toda sua plenitude. Até o momento, o custo das Olimpíadas brasileiras é estimado em R$ 38,2 bilhões.

Dentro desse valor, estima-se que R$ 6,6 bilhões serão gastos com obras em arenas esportivas, e R$ 7 bilhões serão desembolsados pelo Comitê Organizador com a logística do evento, cerimônias etc.

Cada uma dessas rubricas por si só já seria suficiente para pagar três viagens a Plutão.

7) O MAIOR PRECATÓRIO DO PAÍS

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"Precatórios" são dívidas do estado com empresas e cidadãos reconhecidas pelo Judiciário. Em um resumo bem simples, a coisa funciona assim: se você considera que o estado tem alguma dívida com você (salários atrasados, indenização etc.), pode entrar na Justiça e pedir o seu reconhecimento. Se ganhar a causa, será emitido em seu favor o tal do "precatório", que basicamente é um papel que coloca o credor na enorme fila de débitos públicos existente no país.

Entre o ajuizamento da ação e o pagamento (período esse que leva décadas, no plural mesmo), o valor é acrescido de juros e corrigido monetariamente, podendo chegar  a quantias milionárias.

Atualmente, a maior dessas dívidas é de R$ 5 bilhões, devida pela União Federal ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Rondônia (SINTERO). Seu pagamento foi suspenso pelo CNJ em 2012.

Caros professores rondonienses, fica aqui uma dica: se um dia vocês conseguirem esse pagamento (o qual, naturalmente, virá do bolso de todos os demais cidadãos brasileiros), aproveitem parte da grana para montar uma sonda espacial. Será uma experiência inesquecível para as aulas de Ciências.

 

Artigo originalmente publicado no site do Spotniks



autor

Erick Vizolli

  • Marcio Katayama  19/07/2015 14:22
    O brasileiro já foi para o espaço sem precisar de foguete.
  • Levão  19/07/2015 14:28
    E a corja continua numa boa.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  19/07/2015 14:27
    Brasileiro é burro.
  • Felipe Sampaio   19/07/2015 14:39
    O pior que quem é mais prejudicado com isso tudo são os mais pobres, já que estes poderiam estar com essa grana toda no bolso, decidindo suas prioridades.
  • Danilo Bernardo  19/07/2015 14:42
    Não faz sentido manter um ESTADO que não favorece a população, um ESTADO autoritário, um ESTADO a contramão do povo. Torço por um boicote no imposto, a população não é obrigada a pagar imposto se nao quiser.
    "ESTADO sem dinheiro é político na fila de emprego."
  • Perdido  19/07/2015 16:27
    Concordo com você em gênero, número e grau.

    E, por favor, não me interpretem mal, mas na minha e opinião artigos com este tema, apesar de ter uma linguagem clara e direta não agregam mais valor pois já é uma assunto que todo brasileiro sabe e já possui farto material inclusive aqui no próprio site.

    Acredito que devemos sim tentar achar soluções para parar de alimentar o monstro estatal, pois como você disse eles são financiados pela riqueza que nós produzimos.

    Algo que pode acredito poder nos ajudar a alcançar este objetivo são as cripto moedas inclusive a criação de cartões de débito, como o bitplastic, são um passo importante.

    https://bitplastic.com/

    O que os colegas do site acham?







  • Achado  19/07/2015 17:04
    Tradução: dado que o governo rouba e desvia dinheiro, e dado que "todo mundo" sabe que ele faz isso, não é pra ficar publicando artigos como esse, que relembram o povo da roubalheira estatal. Isso é contraproducente.

    O certo é se calar e não falar nada sobre isso.

    Interessante a lógica.
  • Perdido  19/07/2015 17:39
    Desculpe amigo achado,

    Em que momento disse que não era pra não se falar mais sobre o assunto?

    O que disse é que este assunto de desvios, roubo e corrupção já conta com bastante material. inclusive nas mídias impressas e digitais diariamente.

    E ainda acrescento que este artigo ainda faz uma pessoa pensar que basta colocar pessoas corretas ou santos abnegados nos cargos públicos para que estes problemas se resolvam.

    Acredito que faria mais sentido uma artigo que, por exemplo, comparasse os custos de uma obra de asfaltamento, saneamento,tratamento de água ou segurança contratada por um grupo comum e outra contratada pelo estado já que esta é uma das dúvidas das pessoas que ouvem falar do estado mínimo pela primeira vez.

    Menos ironia, por favor, meu caro.



  • Gentili Bianca  19/07/2015 16:43
    Na realidade, não faz sentido manter qualquer estado.
  • Rondoniense  19/07/2015 15:13
    Olá.. sou de Rondonia e é verdade isso mesmo.
    Aqui geralmente vejo pessoas com empregos publicos com salários pequenos que vira e mexe recebe 200 mil reais de indenização de algo irreal.
    Não sei a realidade de outros estados, mas em rondonia é assim.
  • Guilherme  24/07/2015 12:45
    A Austrália vai realizar uma copa em 2022 e tem estádios a serem construídos que vão de US$ 900 Milhões a 2,5 Bilhões.

    Relativizar é fácil, difícil é ficar dentro da realidade.
  • Luiz Afonso  19/07/2015 15:52
    este texto prova que somos ricos e poderíamos ter ido a Plutão e até fora do Sistema Solar se não fosse o Estado e suas obras públicas inúteis e corrupção e ineficiência da máquina estatal pública.
  • Paulo Afonso  19/07/2015 16:50
    Não podemos nos esquecer de que a NASA é uma estatal também. Desse modo, seguindo a lei de Friedman*, se essa missão para Plutão fosse desenvolvida pela iniciativa privada, teria custado US$ 350 milhões.

    *Because anything government does, on the average -- there are some things that are more, some less -- on the average anything government does costs twice as much as if it were being done by private enterprise.
  • Erick V.  19/07/2015 18:35
    Eu sinceramente duvido muito que teria havido uma New Horizons desenvolvida pela iniciativa privada. Embora eu e grande parte dos terráqueos possamos até considerar missões como as Pioneer, as Voyager e a NH algo sensacional, fato é que no fundo elas são um grande desperdício de dinheiro, com um retorno em tecnologia (e em conhecimento útil) muito inferior ao capital nelas aplicado.

    De forma alguma tais missões podem ser consideradas um "investimento" lucrativo, ao menos em termos financeiros, e exatamente por isso dificilmente atrairiam particulares interessados no seu custeio - excetuando-se, é claro, algum bilionário fanático por exploração espacial... Tanto é assim que a iniciativa privada que existe atualmente nesse campo se restringe a atividades que de fato possam trazer algum retorno a médio/longo prazo - principalmente turismo e transporte de cargas.

    De resto, a New Horizons só existe porque os Estados Unidos, sendo um país economicamente livre e com um enorme capital acumulado, podem se dar ao luxo de queimar parte desse capital (ou enviá-lo para fora do Sistema Solar, que seja) sem prejuízos significativos para sua população. Em um país com uma situação completamente inversa como o Brasil, isso é algo que sequer deveria ser cogitado.
  • Thiago  19/07/2015 19:36
    Pelo visto, você nunca ouviu falar da SpaceX, de Ellon Musk:

    https://pt.m.wikipedia.org/wiki/SpaceX
  • Erick V.  19/07/2015 20:24
    "Tanto é assim que a iniciativa privada que existe atualmente nesse campo se restringe a atividades que de fato possam trazer algum retorno a médio/longo prazo - principalmente turismo e transporte de cargas."

    Não me consta que Elon Musk esteja projetando uma sonda para investigações científicas em Plutão.
  • Alcides  19/07/2015 20:50
    Se não está, ainda bem. Isso significa que ele não está desperdiçando recursos escassos em atividades totalmente inúteis e improdutivas (tanto é que só o governo achou por bem fazê-la). Espero que ele mantenha esse bom senso.
  • bruno  19/07/2015 23:57
    Algo melhor para fazer? Eu amo a ciência como um todo,astronomia principalmente. Não acho desperdício algum,uma coisa e certa. Tudo que é demais faz mal. Pra que juntar tanta grana e morrer sem conhecer nosso universo ? Eu quero ainda ver o que ha la fora,e o que essa sonda ira nos revelar. E acho impossível o U.S.A ser um pais totalmente livre, isso tornaria o país fraco e os terroristas iriam facialmente dominar.
  • Opinador  20/07/2015 10:45
    Fraco e alvo de terroristas ?

    Por acaso Cingapura, Hong-Kong, Suiça ou Monaco são alvo de terroristas ?

    Que eu saiba não...
  • Ronaldo  20/07/2015 12:56
    Parece que nem todos sabe o que é ciência de base, eu trabalho em taxonomia de plantas, uma ciência de base que não da lucros imediatos, mas sem essa base simplesmente não existe ciência biológica, como vão estudar uma planta se nem sabem a diferença dela para as outras?
    É a obrigação dos governos investirem em ciência de base, a ciência aplicada essa sim cabe a indústria.
  • Caiado  20/07/2015 13:20
    E o que você chama de "lucro imediato"? A maioria dos investimentos vultosos não traz lucro imediato. Aliás, a maioria dos investimentos vultosos é de longo prazo, e só gera lucro (se gerar) no longuíssimo prazo.

    Construir uma fábrica de automóveis é um investimento que só traz lucros (se trouxer) no longo prazo. Primeiro, há todos os gastos com a construção das instalações. Depois, há os gastos com a compra de todo o maquinário. Depois, há os gastos com a contratação da mão-de-obra. Depois, há os gastos com os projetos dos automóveis. Depois, há os gastos com a construção dos automóveis. Depois, há os gastos com a logística de distribuição e propaganda. E então, só então, começam a vir as receitas.

    Ou seja, os eventuais lucros só surgem no longo prazo. Tal empreendimento está longe de ser algo de "lucro imediato". Pela sua lógica, portanto, a fabricação de carros deveria ser estatizada.

    Ciência financiada pelo livre mercado versus ciência estatal
  • Ronaldo  20/07/2015 13:37
    Logo se vê que você não entende de ciência, imagina o seguinte, existe uma planta na natureza, alguém estuda os compostos dela e publica os resultados, essa foi a ciência de base e até o momento não teve lucro, alguém usa os compostos para fazer um remédio e o remédio gera $$$. Isso pode levar 1 ano ou 100, não tem absolutamente nada a ver com a economia do mercado, só na parte final com o composto em forma de remédio entrando no mercado e gerando imitações e concorrência.
  • Caiado  20/07/2015 14:48
    O artigo que eu linkei acima fala justamente sobre isso. Se você ao menos o tivesse lido (em vez de se entregar a essa ânsia de achar que já sabe tudo sobre o mundo), o debate seria ao menos mais produtivo.

    Entenda ao menos isso: eu já sei o que você pensa (esse tipo de "desafio" que você veio aqui lançar é totalmente rotineiro por aqui). Portanto, não precisa se alongar em seus argumentos. Acredite: eu já os ouvi amiúdes. Agora, será que você sabe o que eu penso? Ou melhor: será que você sabe que há contra-argumentos aos seus argumentos?

    Pois é, eles estão no artigo acima. E eu, obviamente, não irei repetir todos os argumentos do artigo em uma mera seção de comentários. Se você estiver interessado em saber que há ideias contrárias às suas, o artigo está lá. Se não quiser, apenas passar bem.
  • Ronaldo  20/07/2015 18:14
    Amigo você está tão obcecado com o seu ponto de vista que vê inimigos em todos os lugares, entenda uma coisa: NÃO EXISTE CIÊNCIA APLICADA SEM CIÊNCIA DE BASE.

    Ninguém aqui está contra o livre mercado.

    Qual a empresa vai financiar a filogenia de um caramujo nos confins do mundo? Ou sobre a acidez do riacho na sítio da vovó Carminha? Qual a empresa que vai financiar um maluco igual o Einstein que só fica fazendo cálculos o dia todo? A ciência de base NECESSARIAMENTE precisa de um patrono que não espera o lucro imediato da pesquisa, justamente porque ele sabe que essa pesquisa vai ser a base da tecnologia futura.
    Entendeu? Ninguém está dizendo para estatizar nada, mas pesquisa de base, seja na biologia, na física, na astronomia, etc, PRECISA do apoio dos governos.

    Por exemplo, eu sou botânico, taxonomista de briófitas, se sabe desde a muito tempo que briófitas tem uma concentração muito alta de antibióticos, mas existe pouco investimento na área, resultado? A pesquisa aplicada avança muito pouco porque os poucos cientistas e os recursos são aplicados na base, para descrever, analisar a ecologia, fenologia, interações, etc, sem esse arcabouço ninguém vai conseguir fazer nada.
  • Andre Cavalcante  20/07/2015 21:00
    Por essa sua lógica, o comunismo nunca teria saído da mente doentia de Marx, afinal, que empreendedor iria pagar para um cara fazer uma teoria justamente contra o capitalismo?

    Pois é, a realidade é um pouquinho diferente do que a gente costuma pensar sobre!

    Abraços.
  • anônimo  20/07/2015 23:08
    Ronaldo, ninguém é contra a ciência de base.O que você não entendeu é que se ela tem importância,mesmo que seja remota, é claro que num mundo livre alguém vai querer financiá-la voluntariamente.
    Várias das grandes universidades americanas tem financiamento privado, vc acha que elas não fazem ciência de base?


  • Arnaldo  23/07/2015 14:07
    Quem acredita que o Governo deve investir nessas ciências de bases ignora o fato de que as maiores descobertas foram financiadas pela iniciativa privada.
    Você não acha a monsanto produz produtos de ponta sem conhecer exatamente as plantas?

    O fato é que com o gasto excessivo do Estado retirasse o capital do setor privado que poderia estar financiando projetos de forma muito melhor e mais produtivas para a sociedade.

    Não existe essa de que o setor privado não investe em projetos de longo prazo, aliás o planos do governo dificilmente passam de 4 anos por conta das eleições, e os planos a longo prazo dificilmente são seguidos pelos sucessores.
    Então na realidade a iniciativa privada tem muito mais incentivo para investir em projetos de longo prazo que os governos.
  • Ailton  20/07/2015 01:42
    Então o que adianta sermos seres com uma consciência/inteligência?
    Se o único investimento que temos que fazer é o que busca retorno financeiro?
    Missão espacial é sim um investimento válido e essencial, e não visa retorno financeiro (exceto nos tempos da corrida espacial entre US x URSS), apenas o retorno cientifico.

    Se o investimento e a busca por conhecimento é inútil, "evoluir de macacos a humanos" foi só uma perda de tempo.
  • Opinador  20/07/2015 16:42
    Meu amigo.

    Isso pode ser também fruto do livre mercado.

    O problema é que nossa "mente estatizada" atribui somente o ganho financeiro aos empreendedores.

    E que as atividades mais desprendidas e altruístas devem ser função do governo.

    Ledo engano.

    Um grupo de empreendedores pode financiar ciência sem desejar ganhos imediatos.

    Lembre-se que as maiores universidades do mundo como Harvard e MIT e que possuem os maiores ganhadores de Nobel são privadas.

  • André Neves  20/07/2015 17:08
    Não defendo os gastos estatais em nenhum tipo de pesquisa, mas vamos aos fatos:

    1. A existência da NASA se deve apenas à necessidade de oposição ao "imperialismo" soviético. Sabe-se bem que as missões soviéticas eram completamente militares e o objetivo era a criação de mísseis intercontinentais. O acabamento era aquele sonho de conhecer o universo. Bom, por mais que deteste os gastos públicos com militarismo, foi esse gasto que impediu minimamente a URSS de cobrir o planeta de vermelho. Se está ruim como está, imagine se os EUA tivessem cruzado os braços.

    2. A NASA é sim uma estatal, mas não segue o modelo de gestão comum às estatais (principalmente as brasileiras). Não dá pra mandar um funcionário público medíocre para o espaço só porque ele é filiado ao partido que está no poder. Astronautas não são apenas pilotos e engenheiros. Astronautas são os melhores pilotos e melhores engenheiros ao mesmo tempo. Meritocracia RULES!

    3. A NASA é sim uma estatal, e apesar das cifras parecerem absurdas, o investimento estatal na NASA é inferior ao que se investe em jardins em Washington/DC. Jardins não trazem nenhum benefício, não agregam valor e se fossem arrendados para empresas privadas, não mudariam nada.

    4. A pesquisa espacial que parece inútil para leigos nos permitiu avanços muito grandes em diversas áreas. Só pra citar algumas: a. engenharia de materiais, o KEVLAR, ligas metálicas e a fibra de carbono não nascem na natureza; b. engenharia de combustíveis e propulsão; c. previsão de fenômenos climáticos, parte da observação de outros planetas serve para observar fenômenos que podem ocorrer aqui, por exemplo o efeito estufa.

    5. A NASA esteve quase falida uns anos atrás, vocês devem lembrar. Desde então a NASA divide seu espaço e infraestrutura com empresas privadas. Isso diminui o monopólio estatal que tente a ficar apenas na gestão do espaço aéreo. Isso reduz os custos pagos por impostos já que a NASA tem suas próprias fontes de renda, independente do Estado administrativamente e financeiramente, a NASA pode se tornar uma Estatal não Estatal.

    6. Na entrada do Kennedy Space Center na Flórida há uma placa dizendo que o KSC não depende de impostos para funcionar. Existem várias consequências da intervenção estatal no mercado, mas não gastar dinheiro que surgiu "do nada" diminui drasticamente o raio dessas consequências. Acima de tudo, não reduz o poder de compra do cidadão pagador de impostos.

    7. Pode ser melhor? Pode! Se a NASA se tornar completamente independente do estado, se houver abertura para outras empresas explorarem o espaço e etc...

    8. Alguns disseram que pesquisa é inútil porque não gera lucro. Capitalistas de discurso. Computadores e robôs aumentam a produtividade e por consequência, aumentam os lucros. O mais importante, para agregar valor à natureza (um conceito essencial ao liberalismo), é essencial a pesquisa. Com a escassez (pressuposto essencial para o liberalismo) precisamos cada vez mais de pesquisa para melhorar a eficiência da produção, produzir novos produtos (e novos valores) e etc.

    9. Alguns "filósofos" socialistas compartilhava da opinião de que pesquisa é inútil. Por isso, defendiam que o cidadão comum deveria trabalhar nos campos forçadamente enquanto os verdadeiros intelectuais pensavam por ele. Se pesquisa é inútil não é da conta de ninguém, apenas de quem financia ela. Querer acabar com a pesquisa é alem de muita burrice, muita intromissão. É bom rever a bibliografia!

  • Vinicius  21/07/2015 02:24
    Chovendo no molhado mais um pouco aqui:

    - A NASA é estatal e por isso consome recursos escassos que estariam disponíveis caso não existisse;

    - Projetos particulares espaciais (como o do Bill Nie e outros) teriam mais recursos e poderiam ser mais ambiciosos, portanto iriam acabar ocupando o lugar dos da NASA;

    - Esses projetos podem ser lucrativos, só que devem demorar décadas pra gerar frutos, assim como uma das primeiras aplicações lucrativas, em produtos para consumidores finais, das teorias de Einstein foram os satélites GPS, ou seja, demoraram quase 8 décadas para começarem a dar lucros;

    - Sobre o amigo Ronaldo que acha que não existiria Ciência de base sem governos, como já disseram, as melhores universidade do mundo são privadas e fazem ciência de base;

    - Ciência de base gera lucros MUITO mais rápido que ciência teórica (como a de Einstein), e eu conheço, pessoalmente, empresas que investem em ciência teórica, inclusive no Brasil.


    Ou seja, o governo continua sendo um empecilho para a Ciência. E uma das maiores frustrações da minha vida é ver cientistas e divulgadores de ciência fazendo propaganda Marxista/Socialista/Gramcista. Pessoas inteligentes que não entendem que sem o Estado estariam melhores, teriam mais recursos e a ciência estaria anos-luz à frente.
  • Silvio  21/07/2015 03:43
    É lamentável ver pessoas que defendam o roubo para financiar pesquisas científicas (bem como qualquer outra coisa). Não importa quão nobre seja o fim pretendido; se forem utilizados meios espúrios, não haverá mais nobreza no ato.

    Sobre o computador, se não fosse pela iniciativa privada, fato é que esse não existiria. A idéia básica do computador surgiu por conta dos fabricantes de tecidos que desejaram mecanizar a produção de tecidos estampados (https://en.wikipedia.org/wiki/Jacquard_loom).

    Mesmo essas tecnologias que se originaram a partir de pesquisas governamentais, fato é que se não fosse pela força criativa da iniciativa privada, elas não passariam de caríssimas inutilidades (ou o que é pior, monstruosos instrumentos de destruição). Em muitos aspectos, a URSS estava à frente dos EUA na corrida espacial. No entanto, que benefícios reais o programa espacial soviético trouxe à população soviética? Se não fosse pela iniciativa privada dos EUA, essas tecnologias governamentais (financiadas com o dinheiro da iniciativa privada) dificilmente se reverteriam em benefícios reais para a população, constituindo apenas de brinquedos diabólicos destinados a exacerbar o orgulho nacional, a aumentar o poder policial do estado ou mesmo a espalhar a morte e a destruição.
  • anônimo  19/07/2015 18:21
    Não gosto muito desse tipo de artigo que já tem uma resposta pronta dos matrixianos: ora, então é só tirar o PT e botar PSDB/PRONA/PP/PSTU no lugar
  • Diego Sousa  19/07/2015 18:51
    Realmente revi meus conceitos.

    Os impostos brasileiros não são estratosféricos, eles são interplanetários!

    Agora percebo melhor como seria a vida aqui no Brasil sem esta carga toda que temos
    para sustentar Brasília e seu establishment.

    Sem estes impostos exorbitantes, não haveria miséria no Brasil.
  • Henrique  19/07/2015 19:42
    Curioso o artigo citar o caso da sonda New Horizons...
    Algum investimento privado mandaria um sonda para Plutão?


    Abraços
  • Meirelles  19/07/2015 20:24
    Depende. Há lucro? Se sim, mandará. Pergunte a Ellon Musk e sua empresa SpaceX. Ele já faz isso (só que você não se informa).
  • Andre  19/07/2015 22:09
    mas antes de conseguir contratos com a iniciativa privada, Elon Musk precisou da credibilidade de ter acordos para lançar satélites para a NASA.
  • Tannhauser  19/07/2015 22:42
    Alem disso, existe a planetary resources, que vai minerar asteróides em busca de água, que pode ser usada para produzir combustível para foguetes, e metais nobres, como ouro. Estima-se que um único asteróide pode conter mais ouro que todo ouro já minerado na terra. A empresa lançou recentemente uma sonda para testes em prospecção. Só não sei se os USA deixarão a empresa privada "roubar" o ouro espacial.
  • Tannhauser  20/07/2015 12:15
    Errata: Um único asteróide pode possuir mais PLATINA que toda a PLATINA já minerada na Terra. Errei por um próton...
  • patricio  26/07/2015 01:49
    Salvo engano, há uma convenção espacial que veda este tipo de coisa como também a militarização do espaço. Segue a mesma ideia de não minerar na Antártida. TF
  • Occam's Razor  19/07/2015 22:23
    Complementando o que o Meirelles disse acima, a Planetary Resources já está fazendo a prospecção de corpos celestes nas proximidades da terra, visando performar a mineração de asteroides (em busca de, dentre outras coisas, os metais conhecidos como "terras raras") já nas próximas décadas.

  • Opinador  20/07/2015 10:41
    Isso responde a sua pergunta:

    super.abril.com.br/ciencia/a-pedra-de-r-5-trilhoes
  • Flávio  19/07/2015 20:56
    E por falar em espaço, iniciativa e lucro...
    Não era hoje que um meteoro com toneladas de platina, avaliado em 5 trilhões de dólares ia passar perto da terra?
  • Dam Herzog  19/07/2015 22:14
    Pelo que eu saiba o E.U.A não é uma economia livre, mas são o que chamamos de economia mista, e pode por ter acumulado muito capital quando quase foi livre de 1815 até 1914,pode se dar ao luxo de destruir este capital em coisas que a livre iniciativa não ousaria fazer por haver alternativas melhores para fazer. Por isso os E.U.A estão perdendo posições no ranking dos economicamente mais livres. Os políticos pensando em vantagens para si próprios afundam a economia dos países. Será que a Dilma vai abrir licitação para o trem bala, novamente?
  • Matheus   19/07/2015 22:31
    O PT criou no Brasil uma completa inversão de valores, onde o "progresso" é feito de forma extremamente estranha. Copa do Mundo, estádios, ferrovias, trens urbanos e outras coisas supérfluas são mais importantes que as próprias garantias da Constituissaum Federau. Uma verdadeira destruição do juízo moral e instauração de uma corrupção sistémica desses vermelhos mentecaptos. Como diria Mises: "Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão".
  • Luis  20/07/2015 00:10
    O custo do projeto foi o divulgado. Mas antes, houveram outros custos, em outros projetos, que levaram ao aprendizado que permitiu a viagem a Plutão por esse custo.
    Para ilustrar o ponto sobre a utilidade destas pesquisas,
    technology.nasa.gov/patents
  • Freedom  20/07/2015 12:23
    O governo brasileiro possui um programa espacial.

    Logo teremos a bolsa "Minha Lua, Minha Vida".

    Está mais barato ir para a lua do que cruzar uma cidade em transporte público.
  • Anderson Oliveira  20/07/2015 13:25
    Artigo interessante para avaliar a dimensão de certos gastos, mas tem outra questão interessante.

    Hoje no Brasil (até porque nosso dinheiro é muito mal gasto), mesmo que disponibilizássemos 5 bilhões de dólares para nossa agencia espacial, duvido que conseguissem construir algo que pelo menos sai da Terra, quanto mais ir a Plutão. Falta capital intelectual, infra estrutura, etc. Sem contar a quantidade de dinheiro que seria perdida no processo em propinas e corrupções diversas.


    O outro ponto é a questão publico/privado nessa historia, será que se deixassem esse tipo de ação em mãos privadas elas aconteceriam (mandar uma nave para Plutão, sem grandes chances de retorno financeiro, mas bom de propaganda)?
  • Andre Cavalcante  20/07/2015 14:21
    Olá a todos. Vou pegar essa questão para comentar, mas não é direcionada a ninguém em especial. (Obs.: sempre coloco esse adendo porque sempre aparece alguém que acha porque falamos diretamente sobre as bobagens alheias somos "brutos" e "arrogantes"...)

    "O outro ponto é a questão publico/privado nessa historia, será que se deixassem esse tipo de ação em mãos privadas elas aconteceriam (mandar uma nave para Plutão, sem grandes chances de retorno financeiro, mas bom de propaganda)?"

    Essa é uma confusão normal. Acham que a nave que chegou a Plutão foi por obra e graça do estado norte-americano e sua agência espacial, a NASA, que já chegou a ter 4% do PIB americano em seu orçamento...

    Nada mais falso. A nave chegou lá por obra e graça da iniciativa privada. Cada parafuso, cada computador, cada equipamento de medição, cada motor foi desenvolvido por agentes privados em conluio com a entidade estatal, consumindo muito mais recurso que seria usado se tivesse sido feito somente por mãos privadas.

    Governo nada produz. Cada ponte, cada estrada, cada drone interplanetário criado e enviado por "agências governamentais" o foram feito pela iniciativa privada e/ou com o dinheiro da iniciativa privada.

    Outra confusão é que se trata apenas de propaganda. Não! A propaganda vem naturalmente com um projeto deste e é um bem imaterial buscado por qualquer governo, mesmo muito antes dos americanos... Mas o objetivo maior é simplesmente fazer a máquina da extração e gasto do dinheiro "público" correr.

    Veja bem, há sempre ganhadores e perdedores quando se trata de relações com o governo. Os ganhadores foram todas as inúmeras empresas, universidades (privadas ou estatais) e funcionários da NASA envolvidos no projeto. Os perdedores foram os demais contribuintes americanos. É claro que alguma ciência foi feita - as descobertas da sonda sobre os confins do sistema solar tem sua importância quanto ciência - e esta é a justificativa moral de se fazer projetos deste tipo.

    Outra questão: a iniciativa privada se interessasse em projetos desse tipo não fosse a NASA? Claro que se interessaria. Universidades privadas com uma folga grande no orçamento, empresas de tecnologia, também com algum caixa (caixas estes mole-mole de serem conseguidos não fosse a sanha devoradora do governo), se interessariam em desenvolver e mandar sondas pelo sistema solar, bastaria que o governo não atrapalhasse.

    Além do óbvio desenvolvimento tecnológico que acaba chegando em nossas casas, tais empreitas também geram ganhos em ciência pura, o que, quando há sobras no orçamento, sempre acontecem. Isso além do igualmente óbvio ganho em propaganda que as empresas privadas teriam quando se envolvessem em um projeto como esse.

    Mas, o mais provável é que uma forma de "spacefaring civilization" fosse construída nas proximidades da Terra antes que nos aventurássemos mais longe.

    Abraços
  • Antônio Carlos  20/07/2015 14:50
    Perfeita a sua colocação, Andre. Aliás, devo confessar que sou fã dos seus comentários aqui. Acho que você deveria nos brindar com mais frequência (sim, eu sou um confesso free rider da inteligência alheia).

    Grande abraço!
  • Edujatahy  20/07/2015 21:39
    Bom comentário Andre. Eu já me vi em discussões onde me questionaram se eu acreditava que teríamos chegado tecnologicamente até aqui sem os ditos "investimentos públicos" em ciência e tecnologia pelo estado. Ora, não apenas acho que teríamos chegado até aqui, mas teríamos ido além! Sabe-se lá onde estaríamos se a liberdade tivesse vencido no século 20 em vez do corporativismo estatal. Digo e repito. Já teríamos colônias lunares, já estávamos muito mais avançados. O setor aeroespacial não crecsceu mais devido ao monopólio dos governos, com certeza..
  • Rafael  20/07/2015 18:12
    Acho que ficou faltando a divida publica, já que está um pouco maior que a arrecadação,daria boas viagens também.
  • Sandro lima  20/07/2015 19:40
    Por mim, não aos impostos, já disse outras vezes e repito:
    Se todas as empresas, parassem de pagar impostos durante uns 6 meses, queria ver do que esse governo sobreviveria...
  • Paulo Henrique Martinello  21/07/2015 19:42
    veja.abril.com.br/blog/mercados/economia/o-paper-sobre-economia-que-esta-chocando-quem-o-le/

    É meus caros, temos tudo para piorar. Infelizmente.

  • Leandro  21/07/2015 20:59
    Realmente apavorante.

    Nesta palestra do Gustavo Franco, ele diz que uma parte dos títulos que o Tesouro põe a leilão já não está conseguindo ser vendida, pois os juros ofertados não são atrativos o bastante.

    Consequentemente, os títulos que sobram são repassados ao Banco Central, que em seguida os utiliza para fazer operações compromissadas.

    Segundo ele, essa situação "é pior que a da Grécia; mas como a Grécia não tem um Banco Central autônomo, seu governo não tem esse privilégio de poder repassar ao seu Banco Central os títulos não-vendidos".

    Conclusão: com esse panorama fiscal, não há grandes chances de a SELIC voltar a um dígito tão cedo.


    P.S.: Chamou especial atenção esse trecho do texto:

    "Um ponto essencial do nosso argumento é o entorpecimento que a arrecadação excepcional entre 2000 e 2010 produziu na sociedade e nos analistas," diz Pessôa. "Nós 'congelamos' um setor público que somente se sustenta se a arrecadação crescer acima do PIB para sempre."

    Infelizmente, ele não cita a real causa dessa "arrecadação excepcional", dando a entender que foi algo um tanto milagroso. A real causa foi a expansão do crédito. Quanto mais dinheiro é jogado na economia via expansão do crédito bancário, maior é a arrecadação nominal do governo, o que propicia maiores gastos.

    Os gastos do governo -- e o consequente inchaço estatal -- aumentam de acordo com a criação de dinheiro, algo que está sob o controle do Banco Central.

    O gráfico deste artigo mostra como os gastos crescem pari passu com o aumento das receitas (lembrando que não houve elevações significativas de impostos no período 2004-2014).
  • Lopes  21/07/2015 21:51


    Peço perdão pela pergunta antecipada e pelo desconhecimento, é que fui pego de surpresa: ainda tenho de assistir à palestra. Mas como funciona tal sistema de repasse de títulos de dívida ao banco central? A lei da responsabilidade fiscal não estabelece que o BACEN não pode comprar diretamente os títulos do tesouro?

    ---
    Sobre a situação fiscal, já estava ciente que era catastrófica. Agora sei que é apocalíptica.
    Como eu já havia comentado em um artigo do Hélio sobre prognósticos para a economia brasileira, um corte de gastos nem mesmo tangencia a agenda do legislativo:

    www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/07/20/interna_politica,670197/legislativo-e-tribunais-de-contas-passam-ao-largo-da-crise.shtml (Legislativo se torna mais caro. Abre mais vagas e gabinetes)

    www.jb.com.br/pais/noticias/2015/07/01/dilma-reajuste-para-servidores-do-judiciario-e-insustentavel/ (Enquanto o governo "tenta" reduzir gastos, o legislativo surge com um gasto de 4 bilhões ao ano em aumento salarial a funcionários do judiciário)
  • anônimo  21/07/2015 23:17
    Não sei se como presidente do banco central, mas o Gustavo Franco não é bom de aula. Uma palestra do Leandro com os mesmos dados seria bem melhor.
  • Leandro  22/07/2015 00:54
    "Mas como funciona tal sistema de repasse de títulos de dívida ao banco central? A lei da responsabilidade fiscal não estabelece que o BACEN não pode comprar diretamente os títulos do tesouro?"

    Correto. O BC não monetiza esses títulos. O Tesouro apenas os repassa ao BC, sem contrapartida monetária (e fica sem conseguir o dinheiro). O BC então utiliza esse título para fazer política monetária (na forma de operação compromissada).

    Veja entre os minutos 12:00 e 14:00 no vídeo acima.
  • Lopes  22/07/2015 00:59
    Por mero susto, perguntei antes de assistir ao vídeo. Obrigado, Leandro.
  • Primo  21/07/2015 23:43
    A arrecadação excepcional nao tem uma relação com a implantação da nota fiscal eletronica? E a tal da substituição tributaria?
  • Auxiliar  22/07/2015 00:42
    A nota fiscal eletrônica sem dúvida nenhuma ajuda na arrecadação, mas sua implantação traz um aumento único (de uma só vez) na arrecadação, e não esse incremento gradual e contínuo que se observa ao longo de 15 anos. Isso é efeito de expansão monetária.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  23/07/2015 18:05
    A cereja do bolo é um déficit de 8% pib já neste ano (a conta de juros, com a selic neste patamar e os prejuízos do BCB com swaps cambiais, explodiu).

    Para complicar ainda mais, o PIB encolherá 1,5%.

    Se não bastasse, IED e IEC recuarão bastante em relação a 2014, o que significa menos cobertor pro déficit de transações correntes.

    Por fim, o dólar, que já beira os R$ 3,30, deve acelerar mais um pouco, diante do quadro acima e do famigerado refluxo de capital estrangeiro quando da elevação da taxa de juros americana.

    A situação brasileira tende a ficar dramática nos próximos anos.
  • Eduardo  23/07/2015 23:47
    Leandro, pelo que entendi, o fato de termos nosso próprio Banco Central é uma vantagem em relação à Grécia, já que podemos fazer operações compromissadas? Eu pensava que por termos uma moeda mais fraca que a dos gregos nós estaríamos piores...
  • Leandro  24/07/2015 00:27
    "o fato de termos nosso próprio Banco Central é uma vantagem em relação à Grécia, já que podemos fazer operações compromissadas?"

    Para o governo é uma grande vantagem, sem dúvida nenhuma. O Banco Central, como explicado neste artigo, foi criado com dois objetivos: financiar o governo e proteger o setor bancário.

    Se você parte do princípio de que o que é bom para o governo e para os bancos é também bom para a população, então nada posso fazer.

    "Eu pensava que por termos uma moeda mais fraca que a dos gregos nós estaríamos piores..."

    Não entendi essa conclusão. O fato de não estarmos conseguindo rolar um terço da dívida -- problema esse não enfrentado pela Grécia -- significa que estamos melhor?

    A nossa inflação de preços, beirando os 10%, enquanto a deles está em zero, significa que estamos melhor?

    Outro bom indicador da solvência de um governo é a taxa de juros que os investidores cobram para emprestar para o governo a longo prazo. Na Grécia, os títulos de longo prazo (10 anos) estão em 12,05%. No Brasil, fecharam hoje em 13,10%.

    Ou seja, no longo prazo, até o governo grego sem Banco Central é mais confiável que o governo brasileiro com Banco Central.

    Defina "piores".
  • Eduardo  27/07/2015 20:40
    Caro Leandro,
    não soube me expressar claramente mas vc me respondeu de qualquer forma. Obrigado
  • Emerson Luis  26/08/2015 17:12

    Pelo menos a sonda chegou até Plutão e deu algum resultado interessante...

    * * *


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