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A encíclica “Laudato Si´”: bem intencionada, mas economicamente insensata

Nos dias posteriores à publicação da nova encíclica do papa Francisco, Laudato Si' (Louvado Seja), a maioria dos comentários abordava as possíveis implicações da mesma para o debate sobre as mudanças climáticas.

Um esforço para influenciar esse discussão — sendo que boa parte dela, como Al Gore, já desapareceu das manchetes dos noticiários e se confinou a organizações internacionais, ONGs, burocratas governamentais e lobistas profissionais — é claramente parte da intenção imediata da encíclica.

Ademais, apesar das incursões ocasionais do texto em temas muito técnicos — como, por exemplo, o impacto do ar condicionado (55) —, a importância mais profunda desse documento longo (e, em partes, muito mal escrito) certamente será a de como ele moldará a reflexão teológica católica a respeito do relacionamento do homem com o mundo natural.

Embora a maior parte das reflexões do texto esteja centrada na questão do meio ambiente, um tema subjacentee que se torna claramente visível de tempos em tempos — é a visão profundamente negativa da encíclica com relação aos mercados. Isso confirma que a reação desse pontificado aos respeitosos questionamentos que várias pessoas fizeram a ele sobre as análises econômicas contidas na exortação apostólica de 2013, Evangelii Gaudium, foi simplesmente a de reciclar (sem trocadilho) alguns dos argumentos comprovadamente falhos contidos naquela exortação com relação aos efeitos da economia de mercado.

Apenas para deixar claro, existem muitos aspectos da economia global que merecem críticas. A encíclica enfatiza corretamente o problema de socorrer bancos com o dinheiro público (189). Alguém por acaso duvida que, se o mundo passar por outra série de falências bancárias, os governos se comportarão exatamente da mesma forma, reforçando assim o problema do risco moral que está na raiz de grande parte da disfuncionalidade do setor financeiro?

A encíclica também sugere, corretamente, que apesar dos eventos de 2008, houve um grande fracasso na reforma do sistema financeiro global (189).  Igualmente, as duras palavras do papa em relação àquelas pessoas que consideram o crescimento demográfico prejudicial ao meio ambiente e um obstáculo ao desenvolvimento econômico são certeiras (50).

Não obstante, a visão dessa encíclica sobre a realidade econômica contemporânea sofre de vários problemas conceituais, além de fazer uso de alegações que são empiricamente questionáveis.  

Em termos de degradação ambiental, Laudato Si' parece ignorar o fato de que a poluição mais significativa ligada à atividade econômica no século XX ocorreu como resultado dos esquemas de industrialização estatal centralmente planificada das antigas nações comunistas (ver aqui e aqui). Qualquer pessoa que tenha visitado a antiga URSS ou o Leste Europeu durante a vigência do comunismo, e testemunhando aquela paisagem frequentemente devastada, rapidamente atestará a validade dessa constatação.

E há também, na encíclica, o uso da dicotomia "norte e sul" para descrever algumas das dinâmicas da economia global (51). Essa terminologia tem sido ocasionalmente utilizada por papas em um passado recente. Mas ela também reflete o aparato conceitual daquilo que é chamado de 'teoria da dependência': a noção de que os recursos — especialmente os recursos naturais — fluem da "periferia" (países pobres) para o "centro" (países ricos), beneficiando os ricos em detrimentos dos pobres.

De acordo com os economistas adeptos da teoria da dependência, isso significava que as nações periféricas deveriam restringir o comércio com os países desenvolvidos e dificultar a entrada de investimentos externos. O objetivo seria o de reduzir a dependência de exportação de matérias-primas e de produtos agrícolas, consequentemente promovendo (magicamente) o surgimento de uma indústria doméstica forte. 

Essa caracterização da economia global, em grande parte formulada por economistas latino-americanos nos anos 1950, foi há muito desacreditada.  Nem mesmo muitos economistas de centro-esquerda estão dispostos a defendê-la.  Qual o país que enriqueceu dificultando o comércio e afugentando investimentos estrangeiros?

No que mais, existem, por exemplo, países do "sul" — tais como Chile, Austrália e Nova Zelândia — que são formalmente classificados como países desenvolvidos.  Eles se tornaram ricos parcialmente (a) por causa da exportação de minerais e commodities agrícolas e (b) porque optaram voluntariamente por se integrar à economia global em vez de utilizar barreiras protecionistas e de recorrer a políticas ineficientes de proteger a indústria nacional por meio de subsídios governamentais.

Adicionalmente, vale a pergunta: onde algumas economias do "hemisfério norte" — tais como a corporativista Rússia ou as petrolíferas economias do Oriente Médio — se encaixam nesse eixo econômico global "norte-sul"? A resposta é simples: elas não se encaixam.

Em suma, se o paradigma "norte-sul" é como a Santa Sé entende o cenário geopolítico global, então ela está decididamente apegada a uma determinada perspectiva da economia mundial cujas profundas falhas e limitações já eram aparentes ainda no início da década de 1970.

Outro problema com a Laudato Si' — também já manifestada em Evangelii Gaudium — é a simplificação leviana que ela faz ao comentar a visão daqueles que acreditam que o livre mercado é a melhor solução econômica, tanto para uma nação quanto para o mundo. Eis um exemplo:

Em alguns círculos, defende-se que a economia atual e a tecnologia resolverão todos os problemas ambientais, do mesmo modo que se afirma, com linguagens não-acadêmicas, que os problemas da fome e da miséria no mundo serão resolvidos simplesmente com o crescimento do mercado. (109).

O crescimento econômico é, obviamente, indispensável para salvar as pessoas da pobreza. Não existe solução de longo prazo contra a pobreza sem crescimento econômico, e as economias de mercado têm a incomparável capacidade de produzir esse crescimento.

Mas quem quer que sejam esses "círculos", não há nenhum defensor do livre mercado que acredite que o crescimento econômico, por si só, seja a resposta para a miséria e a pobreza. Muitas outras coisas têm estar no lugar certo, mais notavelmente as bases morais, culturais e institucionais apropriadas.

Essas vão desde algo tão fundamental como o estado de direito (amplamente ausente em grande parte dos países latino-americanos e sobre o qual a Laudato Si' — como a Evangelii Gaudium — nada dizem) até sociedades civis vibrantes. A maioria dos defensores do livre mercado vem argumentando nesse sentido há décadas. (Ver aqui e aqui).

Em seguida, a Laudato Si' afirma que:

Eles estão menos preocupados com certas teorias econômicas, as quais hoje praticamente ninguém ousa defender, do que com seu funcionamento no desenvolvimento concreto da economia. Eles podem não afirmar tais teorias com palavras, mas as defendem com os seus atos ao não demonstrarem nenhum interesse em níveis de produção mais equilibrados, uma melhor distribuição da riqueza, um cuidado com o meio ambiente e com os direitos das gerações futuras. Seus comportamentos mostram que, para eles, o objetivo da maximização dos lucros é o suficiente. Mas o mercado, por si só, não garante o desenvolvimento humano integral nem a inclusão social. (109)

Deixando de lado a demasiada imprecisão da primeira sentença (quem são "eles" e quais "teorias econômicas" estão necessitando de defesa?), não é difícil ver sinais de uma linguagem que beira ao populismo. A alegação nada dissimulada de que as pessoas que favorecem o livre mercado estão sendo insinceras é muito séria, e é insustentável perante uma simples análise rápida dos escritos e das ações de muitos pensadores liberais, desde Wilhelm Röpke até o próprio Adam Smith.

É errôneo afirmar, por exemplo, que ser a favor do livre mercado significa que você é necessariamente indiferente para com o meio ambiente e obcecado pelo lucro. Muitos defensores do livre mercado têm dedicado suas vidas a inventar formas de alinhar incentivos econômicos à conservação ambiental (ver aqui, aqui e aqui).

Tampouco é justo dizer que os defensores do livre mercado não têm interesse nas gerações futuras. Em grande parte, são justamente as pessoas que apóiam o livre mercado que criticam o crescente endividamento de governos ocidentais — uma maneira de evitar reformas fiscais duras, porém necessárias —, endividamentos estes que estão colocando em risco o futuro das próximas gerações. Pessoas com uma postura mais intervencionista ou keynesiana são normalmente silenciosos quanto a isso, ou não creem que o endividamento dos governos — o qual será inteiramente arcado pelas gerações futuras — seja realmente um problema.

Por fim, é provavelmente possível contar nos dedos de uma mão o número de defensores do livre mercado que acreditam que a liberdade econômica, por si só, garante o total desenvolvimento humano. Considere, por exemplo, Adam Smith. Nem tudo no pensamento de Smith é compatível com a visão católica do homem. Contudo, a visão de Smith, no que diz respeito ao comércio e às transações de mercado, está arraigada em uma visão amplamente civilizacional, a qual destaca não apenas a necessidade de a sociedade civil ser íntegra, como também enfatiza que, para uma economia prosperar e beneficiar a maioria — em vez de somente elites privilegiadas que usufruem laços estreitos com a classe política —, é fundamental que a sociedade possua virtudes clássicas e judaico-cristãs.

O que é tristemente irônico sobre tudo isso é que a mesma encíclica que faz declarações tão impetuosas sobre o livre mercado e seus defensores é também marcada por diversos clamores por um debate amplo e racional (16, 61, 135, 138, 165) sobre como devemos tratar os problemas ambientais e econômicos.  

Laudato Si' enfatiza que a Igreja não detém o monopólio da sabedoria nas questões ambientais e econômicas.  Entretanto, o uso de frases como "mercado divinizado" (56) e "concepção mágica do mercado" (190); o fato de associar o relativismo moral à "mão invisível" (123) de Adam Smith; o fato de estabelecer uma ligação cruel entre materialismo e consumismo (nenhum dos quais teve qualquer dificuldade de florescer em economias planificadas); sua incapacidade de criticar os regimes populistas de esquerda que têm trazido destruição econômica e aumento da pobreza em países como a Argentina e a Venezuela; e sua atribuição de motivos suspeitos àqueles que defendem o livre mercado vão contra a esse apelo por um debate "aberto e respeitoso".

É verdade que, para uma parte do clero católico e de ativistas políticos, "diálogo com o mundo" significa ouvir apenas o que a esquerda política (crescentemente ateísta e anticatólica) pensa sobre qualquer assunto.

Isso, todavia, não é uma justificativa para estigmatizar a posição daqueles que argumentam, de maneira clara e difícil de ser negada, que o maior e mais rápido redutor da pobreza na história humana — em níveis local, nacional e global — tem sido a economia de mercado, bem como e os hábitos, a cultura e as instituições sobre as quais depende o empreendedorismo, o livre comércio e o crescimento da acumulação de capital (a qual possibilita os investimentos que irão gerar empregos, aumentar a produção de bens e serviços e, consequentemente, elevar o padrão de vida).

Nada disso serve para negar que algumas críticas feitas por conservadores ao papa Francisco desde 2013 beiram ao absurdo. Um olhar rápido nos escritos do papa mostra que Jorge Mario Bergoglio não é um seguidor da Teologia da Libertação. É igualmente absurdo descrever esse papa como um marxista.  Com efeito, a sua defesa inflexível da vida inocente, desde a concepção em diante, sua condenação aberta da eutanásia, e suas críticas crescentemente ferozes àquele mundo de fantasia conhecido como "teoria de gênero" contradizem as mais básicas ortodoxias da esquerda contemporânea.

Por tudo isso, no entanto, e apesar da incontestável autenticidade do amor e da preocupação do papa Francisco para com os pobres, é lamentável que esse pontificado pareça tão indisposto a se engajar em discussões sérias sobre os méritos morais e econômicos da economia de mercado em relação às alternativas.  É fato que o bem-estar da sociedade não pode ser reduzido à eficiência e ao crescimento econômico; tampouco o livre mercado salvará nossas almas.  

Porém, havendo os ambientes ético, social e institucional propícios, a liberdade econômica e um setor comercial vibrante são de inestimável ajuda na luta contra a pobreza, contra as doenças e contra a estagnação econômica que marcou grande parte da história europeia antes da publicação de A Riqueza das Nações e a qual ainda flagela grande parte do mundo em desenvolvimento.

Ao que parece, essa é uma lição que boa parte do mundo católico ainda precisa ouvir.

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Leituras recomendadas:

O papel crucial da religião no desenvolvimento da ciência econômica 

A doutrina social da Igreja Católica e o capitalismo 

O papa Francisco, a desigualdade de renda, a pobreza e o capitalismo



autor

Dr. Samuel Gregg
é o diretor de pesquisas do Acton Institute.  Seu campo de atuação engloba política econômica, história econômica, ética nas finanças, e teoria do direito natural.  Possui mestrado em filosofia política na Universidade de Melbourne e doutorado em filosofia moral e economia política na Universidade de Oxford.

É o autor de vários livros, dentre eles Morality, Law, and Public Policy (2000), Economic Thinking for the Theologically Minded (2001), The Commercial Society (2007), The Modern Papacy (2009), Becoming Europe: Economic Decline, Culture, and How America Can Avoid a European Future (2013), and Tea Party Catholic: The Catholic Case for Limited Government, a Free Economy and Human Flourishing (2013).



  • PESCADOR  26/06/2015 14:22
    Esse Papa é um asno em matéria de Economia. Um socialista enrustido.
    Pena que muitos católicos gostem dele.
  • José Saud Abdala  26/06/2015 15:30
    Conceitualmente certo ou não, economicamente falho ou não, é assim que Pedro nos pede para pensar e agir. É necessário para a salvação estar sujeito ao Romano Pontífice (Unam sancta, 1302) e não devemos ouvir o Papa somente quando se pronuncia ex cathedra, mas sempre acolher seu ensinamento (Humani generis, 20).
  • Andre Cavalcante  26/06/2015 19:27
    Para alguém com nome árabe é interessante ver que o argumento: "Conceitualmente certo ou não, economicamente falho ou não, é assim que Pedro nos pede para pensar e agir. É necessário para a salvação estar sujeito ao Romano Pontífice (Unam sancta, 1302)" é de um farisaísmo medonho: onde estava Pedro (assumindo aqui o Apóstolo) em 1302 para jurar que os católicos deveriam seguir o Papa, figura essa que nem existia na época de Pedro, declarado primeiro Papa, sei lá quantos anos depois de sua morte?

    Faço minhas as palavras do articulista: "Ao que parece, essa é uma lição que boa parte do mundo católico ainda precisa ouvir".



  • João Inocêncio Jr.  26/06/2015 15:31
    É a conversa fiada de que o socialismo é melhor que o capitalismo, mas os países socialistas demonstram quem são uns poluidores sem peias; e é só nos países de livre mercado que há respeito ao meio ambiente por causa da democracia e da liberdade de informação.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  26/06/2015 18:51
    A Igreja não tem de se meter nisso. Simples.

    A economia no mundo de César, deixa pra o mundo de César cuidar.

    Isso é vício esquerdista da teologia da libertação, de quem foi criado na AL.
  • anônimo  29/06/2015 13:26
    De onde você tirou isso?

    A visão de mundo de um cristão baseada nas Escrituras abrange todas as áreas da vida. Para um cristão, não é possível separar a vida religiosa da vida secular. É justamente essa a ideia quando o Apóstolo Paulo diz: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus."

    No Primeiro Fórum Nordestino de Cosmovisão Cristão, por exemplo, se falou justamente sobre a relação do cristão com o estado:
    https://www.youtube.com/watch?v=B3Y-tuuWiF4
  • Emerson Luís  26/06/2015 19:47

    Trocaram a Teologia da Libertação pela Teologia da Melancia: verde por fora, vermelho por dentro.

    * * *
  • Peter Racz  26/06/2015 19:56
    A idéia de que Deus gosta de pobreza vem dos evangelhos e que para seguir Jesus deve se dar tudo que temos e segui-lo - embora nos evangelhos também seja possível encontrar uma apologia ao trabalho e ao enriquecimento.

    O que porém está errado é querer forçar alguém a ser pobre ou a fazer caridade, porque todas estas coisas só tem valor se vem do coração do devoto, e não quando são uma imposição do estado.

    João Paulo II, por ter vindo de um país que viveu sob o comunismo/socialismo, tinha uma melhor compreensão do assunto enquanto que o Papa atual é um sul americano que jamais sentiu na pele o que é uma tirania comunista.
  • anônimo  26/06/2015 21:45
    Um pobre daquele tempo passava fome, morava junto com animais e tinha uma muda de roupa, que usava praticamente a vida toda.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  26/06/2015 21:58
    Pergunto: Desde quando a igreja católica ou qualquer outra religião adquiriu autoridade moral para discutir assuntos não-religiosos? Graças às religiões, o mundo está nesse atraso econômico e, por consequência, tecnológico. Pensem o quanto a Humanidade teria ganho se não houvesse perdido tanto tempo dando ouvidos a políticos e pregadores. FIM DAS RELIGIÕES JÁ!
  • anônimo  26/06/2015 22:40
    Eu acharia é muito estranho se ele viesse a defender o livre mercado, por uma questão estatística. Não espero mais do que uma média de pensamento econômico nesse caso, para questões católicas é que esperaria um pensamento excepcional (como não sou católico não espero muita coisa do papado). Ele está apenas alinhado com o pensamento econômico dominante no mundo hoje queiramos ou não.

    Mas seria mesmo um grande avanço se uma autoridade desse gabarito se pronunciasse apoiando essa liberdade.
  • Carlos Wesley   26/06/2015 23:00
    Só uma pergunta boba : O que aconteceria se um governo resolve monetizar a dívida pública, proibindo o estado de fazer novas dívidas com os tais títulos da dívida pública. Além disso fazendo um profundo corte de gasto público, proibindo as reservas fracionadas, extinguindo o BC e a casa da moeda só repondo as cédulas danificadas.
  • Thiago  26/06/2015 23:30
    Monetizar a dívida significa imprimir dinheiro para comprar os títulos da dívida. Isso é completamente hiperinflacionário. Era exatamente o que fazia o governo brasileiro na década de 1980 e 1990.
  • Carlos Wesley  26/06/2015 23:42
    Vc deve ter ignorado completamente o restante da minha pergunta, e a inflação no caso do Brasil seria de 70% já que a dívida pública brasileira representa isso em relação ao pib. Mas e depois ?
  • Ricardo  27/06/2015 00:24
    "e a inflação no caso do Brasil seria de 70% já que a dívida pública brasileira representa isso em relação ao pib."

    Quê?! Que lógica é essa?! Cada 1% do PIB gera 1% de inflação?! De onde você tirou isso?

    70% do PIB são R$ 3,87 trilhões. Enquanto isso, o M2 está em "apenas" R$ 2,1 trilhões. Se esses R$ 3,87 trilhões forem jogados na economia, a inflação seria de apenas 70%?!
  • Ivan  27/06/2015 00:03
    A tática de Gramsci está funcionando certinho: "se infiltrar nas Igrejas para promover a causa do Comunismo".

    Esse Papa nada mais é do que um dos milhares de líderes religiosos formados todos os anos sob a Teologia da Libertação.
  • Alguem  27/06/2015 14:00
    O que tu esperavas? O cara é argentino... hehehehe
  • Letícia   27/06/2015 15:34
    Nossa, vocês são muito burros, meu Deus! O papa não é um comunista, não é um marxista, e nem renunciou à economia de mercado. Está muitíssimo claro que ele apenas critica a defesa do mercado como solução de todos os problemas, fazendo, assim, um apelo à caridade e à preocupação com o ambiente. Ele não disse em momento algum que prefere o socialismo ou qualquer coisa lixo do gênero. Ele só quer que a moral se sobreponha ao desejo de lucro. Ele também não disse que quem defende o livre mercado necessariamente é obcecado por lucro e não está nem ai pra meio ambiente. Ele disse que existem pessoas que, apesar de não dizerem, com as suas práticas acabam por demonstrar que estão nem ai pra caridade. E falar assim do papa (me refiro aos comentários e não ao texto que está deveras respeitoso) ainda é pecado capital, queris.
  • Luiz Afonso  30/06/2015 11:40
    "Ele só quer que a moral se sobreponha ao desejo de lucro. "

    Então ele é contra o livre mercado sim. Qualquer restrição ao lucro não é economia de livre mercado e sim intervencionismo. No livre mercado não existe restrição ao lucro, ninguém precisa dizer quanto tenho que cobrar pelo meu produto ou lucrar, o mercado é que vai estar disposto a pagar por isto.

    Qual o problema do lucro?

    O lucro é que faz com que os capitalistas produzam bens cada vez melhores e mais baratos para a sociedade, a busca do lucro pelo capitalista é quer torna acessível tecnologias e bens de consumo aos mais pobres. O seu discurso Senhora letícia é Socialista a partir do momento que mitiga o conceito de lucro e cria um espantalho e demoniza este conceito.

    O que seria da humanidade e seu desenvolvimento econômico e tecnológico sem o lucro capitalista? Não é por caridade que Bil Gates criou programas que facilitaram o acesso de milhares de pessoas a computadores. Foi a busca do lucro. O lucro não é um mal, ele é um bem. Este pensamento Socialista que você repete sem pensar é que tem que acabar. Eu não conheço nenhuma sociedade humana evoluída que não tenha se baseado no lucro, no proveito pessoal em primeiro lugar.

    Sim, o ser humano é individualista, ele não é coletivista para desagrado de pessoas como você. Graças aos céus que o ser humano é individualista, não significando que ele seja egoísta. Mas é a busca do lucro e da satisfação pessoal quem movimenta a economia e o desenvolvimento. E este individualismo humano permite que o coletivo se aproveite disto. No capitalismo o sujeito só é rico porque fez um bem a uma grande quantidade de pessoas, ou seja, ele tornou a vida das pessoas melhor do contrário as pessoas não iriam dar dinheiro para ele. Esta é a maravilha do capitalismo e do individualismo humano que pessoas ignorantes insistem em distorcer e achar que isto é um mal a humanidade.

    O mundo seria muito melhor sem Socialistas e sem religiosos como este Papa. O mundo seria melhor com uma economia de livre mercado sem estes ranços Socialistas.
  • MARCOS  30/06/2015 12:47
    Não creio que o lucro seja o problema; aliás é a solução para a grande parte dos males do mundo - notadamente a miséria.
    Entretanto, também creio que a moral é que o salvaguarda o caminho para alcançar o lucro com a observância do princípio da não-agressão.
    A moral, portanto, não é o fim, mas o meio pelo qual o objetivo, lucro, é alcançado sem que seja vilipendiado o princípio da não-agressão.
  • Edujatahy  30/06/2015 12:41
    Ad hominem à parte.
    Caridade no meio cristão sempre existiu. E tende a aumentar caso o Estado deixe de atrapalhar, pois a sociedade produzirá mais riqueza, e mais pessoas terão condições de realizar caridade (tanto em quantidade de pessoas quanto em valores absolutos). Este é o ponto. Qualquer medida que estimule o livre mercado irá invariavelmente estimular a caridade no longo prazo.

    O que eu acho irônico é um papa com tendências socialistas não enxergar que ao defender qualquer aumento de poder do Estado ele diminui o poder da sua própria Igreja.
    Sim, pois a Igreja seria maior (em valores absolutos), com mais caridade proveniente de seus próprios seguidores, em um arranjo de livre mercado. Pense nisso Leticia antes de chamar os outros de burros.
  • Adelson Paulo  27/06/2015 20:42
    Diante do vácuo moral e de liderança que vivemos no Mundo Ocidental, o Papa está exercendo um hiper ativismo político, tentando se posicionar sobre vários temas sobre os quais a instituição que representa, a Igreja Católica, e ele próprio, não está suficientemente preparada e embasada. Mas ele tem obviamente o direito de se posicionar, e nós de discordar eventualmente de suas posições.
    Nestes temas, ele apenas repete o discurso comum, mesclado com muito sentimentalismo. O maior inconveniente é que suas posições têm uma repercussão muito ampla, e assim o Sumo Pontífice deveria ser um pouco mais cuidadoso em suas intervenções. Além disto, deveria considerar que, diante de tantos ataques e desafios que a civilização ocidental está enfrentando, como principal baluarte da liberdade individual, atacar nossos amigos pode fortalecer nossos inimigos.


  • Lucas Souza  28/06/2015 04:42
    Perdoem-me a ignorância, mas fiquei interessado em conhecer economias planificadas onde o consumismo floresceu. Podem me indicar algo?
  • Dalton C. Rocha  28/06/2015 20:00
    É engraçado se ver que nos últimos 75 anos, a qualidade dos papas, em todas as épocas, foi igual ao dos presidentes do Estados Unidos na mesma época. O grande Pio XII reinou sob os igualmente grandes Roosevelt, Truman e Eisenhower. Os fracos papas João XXIII e Paulo VI foram papas, na mesma época em que os fracos Kennedy, Lyndon Johnson, Nixon, Ford e Carter foram presidentes dos Estados Unidos. João Paulo II foi eleito papa na mesma época em que Reagan foi eleito presidente dos Estados Unidos. Este papa Francisco e Obama estão, no mesmo (baixo) nível.
  • Luiz Afonso  29/06/2015 11:53
    Virou mania defender pobres e despossuídos e ser Socialista e contra o livre mercado. O livre mercado para pessoas que não conhecem o seu funcionamento é como um sistema que privilegia apenas uma elite, eles não falam que o livre mercado é produzir riqueza e também distribuir ela, mesmo que com desigualdades, mas o importante é que todos tenham possibilidade de acesso aos bens materiais e a conforto que outrora somente os nobres e aristocratas tinham este privilégio.

    Ainda vou ver um Papa e um padre que não tenha esta discurso manjado e durado Socialista. Mas para ser simpático ao povão manipulado por líderes Socialistas, tem que criticar o capitalismo e o livre mercado mesmo que indiretamente ou nem tão a fundo.
  • Eduardo  29/06/2015 12:28
    Veja os vídeos do Padre Paulo Ricardo.
  • Luiz  30/06/2015 03:58
    Este fenômeno do discurso socialista no clero é um fenômeno latino americano. Com um papa argentino, o discurso mudou-se também para Roma. Porém, fora da america latina o clero, na maioria, não pensa e nem se expressa com esta ideologia. O fenômeno é essencialmente latino pois aqui o gramcianismo é um sucesso estrondoso na educação, na mídia, e nas instituiçoes em geral.
  • Luiz Afonso  30/06/2015 11:50
    A pergunta que tem que ser feita quem é que fez mais pelos pobres?? A Igreja, as instituições de caridade ou os "malvados capitalistas"?

    A resposta é os "malvados capitalistas". É graças aos malvados capitalistas gananciosos que só pensam no lucro a qualquer custo que a vida de milhares de pessoas, incluídos os mais pobres se tornou melhor e mais confortável. Ou alguém vai negar que os avanços tecnológicos produzidos em uma economia de escala e capitalista, as benfeitorias materiais, o conforto de um pobre de hoje não tornou a vida de um sujeito humilde e do povo melhor que a de um aristocrata e um nobre da época medieval?

    Então eu digo mais capitalismo e menos instituições religiosas. Fé, caridade, não enchem barriga de ninguém e não tiram o ser humano da condição de pobreza que ele se encontra. É o capitalismo malvadão que cria riqueza para o pobre e melhora sua condição de vida.

    Mais capitalismo, menos caridade, mais liberdade, menos religião.

    Neste ponto eu concordo com Karl marx, a religião é o ópio do povo.
  • Henrique Zucatelli de Melo  01/07/2015 01:22
    Vou pela máxima: "A humanidade em seu estado primário é naturalmente miserável".

    E posto que em minha visão, em parte essa súmula apela ao velho e vencido paradigma da distribuição de renda, sabe-se lá Deus por que...

    Já que em primeiro lugar, o Vaticano é um dos maiores beneficiados do livre mercado e do Estado de Direito que protege a propriedade privada em termos mundiais, como cito as fontes abaixo:

    O básico...

    exame.abril.com.br/mundo/noticias/os-numeros-do-vaticano


    www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/01/1218976-vaticano-e-dono-oculto-de-imoveis-caros-em-londres.shtml

    www.diarioliberdade.org/mundo/reportagens/29843-o-banco-do-vaticano-é-o-principal-acionista-da-maior-indústria-de-armamentos-do-mundo,-a-pietro-beretta.html

    exame.abril.com.br/negocios/noticias/banco-do-vaticano-o-banco-de-6-bilhoes-de-euros-do-papa

    mundoestranho.abril.com.br/materia/e-verdade-que-o-vaticano-tem-varias-riquezas-secretas

    E para quem estiver com toda paciência do mundo para ler o artigo e pesquisar as fontes do mesmo...

    gospelbrasil.topicboard.net/t3333-em-nome-de-deus-o-vaticano-conseguiu-amealhar-a-maior-fortuna-do-globo-e-hoje-e-dono-do-hemisferio-ocidental


    Só esses dados acima impugnam a maior parte da encíclica, pois se quer distribuir a riqueza alheia, primeiro distribua a sua própria. Ou corre mesmo o risco de ser taxado de comunista.


  • PAULO EDUARDO  02/07/2015 15:49
    Parabéns pelo artigo, respeitoso e verdadeiro, um verdadeiro convite ao diálogo. Sou Católico e sei que o Papa não possui infalibilidade em matéria econômica, O Catolicismo não é socialismo, mas certos documentos se escritos de maneira subjetiva pode deixar margem para interpretações para aqueles que são contrários a Liberdade.
  • anônimo  03/07/2015 03:48
    Também sou católica e gostei muito do artigo. Após ter conhecido as teorias liberais e libertárias, confesso que fiquei com um pouco de vergonha de minha própria religião, fato que foi superado quando conheci padres e instituições católicas dedicadas ao estudo do liberalismo, além de ter lido alguns artigos do IMB baseados em passagens bíblicas famosas.

    Concordo contigo quando dizes que o Papa não é infalível em matéria econômica. Aliás, li um ensaio do Acton Institute dizendo que esta encíclica foi fruto de um abaixo-assinado promovido pela "intelligentsia" europeia exigindo do "Papa Pop" uma opinião contundente sobre o assunto meio ambiente.

    Por fim, não consigo entender o porquê de tantos católicos abaixarem a cabeça para o estatismo. Foi lamentável ver, em uma Missa de Lava-Pés da paróquia que frequento, o padre lavando os pés dos "servidores públicos que tanto fazem para servir a nossa comunidade". Neste ano em que faço Iniciação Cristã de Jovens e Adultos, um dos livros bíblicos que mais gosto de ler é o Atos dos Apóstolos, que mostra uma Igreja contrária aos mandos e desmandos do Estado. A Igreja que a Bíblia retrata parece ser muito mais interessante e rica em ensinamentos que essa estrovenga advinda da Teologia da "Libertação" e da Doutrina Social da Igreja (DSI).
  • PAULO EDUARDO  06/07/2015 21:16
    Quero compartilhar com vocês uma percepção cada vez mais aguda, quanto a expansão do materialismo entre os defensores do livre-mercado; veja só os artigos sobre a Caridade e sobre a liberação das Drogas aqui no site (www.mises.org.br/Article.aspx?id=2122 e www.mises.org.br/Article.aspx?id=2034). Talvez esta seja a chave de leitura para entender o Papa Francisco, é como se ele estivesse, mesmo que de maneira imperfeita, tentando nos alertar sobre esta situação de que muitos defensores do livre mercado são materialistas (não se trata aqui de não acreditar na existência de Deus, mas de um modo de vida em que as coisas materiais são mais importantes que as espirituais). O autor nos lembra que existe um substrato em que o Capitalismo deve florescer: "...não há nenhum defensor do livre mercado que acredite que o crescimento econômico, por si só, seja a resposta para a miséria e a pobreza. Muitas outras coisas têm estar no lugar certo, mais notavelmente as bases morais, culturais e institucionais apropriadas". Lembremos que as bases morais vem da religião, no ocidente do Cristianismo; se implementarmos uma economia "livre", sem este substrato, estaremos construindo uma "Torre de Babel", símbolo do orgulho, discórdia e divisão, dando margem para socialistas exigirem a partilha dos bens produzidos. É interessante que os próprios pensadores socialistas identificaram que sem a moral Judaico/Cristã, toda a economia liberal no momento certo pode ser alterada em socialismo. Lembro que o próprio Papa emérito Bento XVI, no seu livro "Jesus de Nazaré" nos ensina que Deus é a Justiça, e ele pensou um mundo com pessoas diferentes, com capacidades diferentes, com vocações diferentes, se tirarmos Deus do caminho podemos mudar esta realidade e começarmos a pregar que todos são iguais em tudo (A Igreja ensina que somos iguais em dignidade), e devemos ter todos o mesmo padrão de vida. Mesmo que escrito de forma imperfeita a encíclica nos remete a este problema: o capitalismo pensado e executado por materialistas.
  • Mauá  10/07/2015 14:19
    www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/07/10/na-bolivia-papa-critica-capitalismo-e-exige-mudancas/
  • Renan  20/07/2015 14:55
    É difícil no presente existirem critérios acertados acerca do expressado na mídia sobre a fé católica - então, se de certos relativistas religiosos associados ao modernismo ou a esquerdistas, caso dos padres da TL - à exceção dos ensinamentos conservadores da Igreja e ratificados no Vaticano II ou expressos em seus documentos oficiais; por sinal. foi um Concilio tão válido quanto os outros.
    Certo é que os maquiavélicos ideologistas, experts dos laboratórios de engenharia social penetraram a tal ponto nas mentes via Marxismo Cultural na mídia globalista - A IMPRENSA É A MAIS PODEROSA ARMA DE NOSSO PARTIDO -Stálin - que estamos imersos nelas, muitas vezes sem dar conta: são eximios falsários, experts em fraudarem a verdade e repassarem ideologias sob forma de verdade de fé católica, de forma quase imperceptível, exigindo bastante pericia, e as tramas contidas não são captadas pelo público em geral.
    O caso da Laudato Sì, por ex., nas redes conservadoras, mais na questão temporal, está bastante criticada, idem o papa Francisco, ao conter certas restrições a economias de mercado - de certa forma se privilegiaria o estatismo vermelho, comprovado gerador do "igualitarismo da miséria" - menos para os donos do poder, caso da Corte dos irmãos Castro.
    É o caso da martelo e foice e fortemente escravagista Cuba - idem perseguidora formal da Igreja até então - imensa favela a ceu aberto, depois de mais de 50 anos de intenso comunismo!
    Aliás, Cuba é idolatrada pelo marxi-revolucionário PT, gerador de miseráveis e alienados, como modelo ideal dessa paranoia para o Brasil e toda a já tão oprimida América Latina, tendo como exemplo o inferno em que se tornou a Venezuela após o golpe e atualmente sob as patas dos comunistas!
    Acrescentam-se mais ressalvas posteriormente pela recente visita à Bolivia do papa Francisco que deveria se opor à entronizada "PATRIA GRANDE" comunista, ao esquerdista Pe L Espinal, aos projetos do Foro de S Paulo-Lula/Fidel Castro; assim, estaria apoiando essas vertentes.
    Na questão de suposto aquecimento por atividade industrial, sem criticar os países comunistas, como a China e os ex da URSS, até hoje, os maiores devastadores e poluidores do planeta por terem a mídia censurada; nunca se saber de nada real, ponto principal em termos de degradação ambiental por meio dos esquemas de industrialização estatal centralmente planificada das antigas nações comunistas, além de fortemente opressoras.
    Quem visitou a antiga URSS ou o Leste Europeu durante o comunismo da Cortina de Ferro via a paisagem devastada o constatava!
    No entanto, tem pontos interessante como não dar socorros a bancos, que o crescimento demográfico não prejudica o meio ambiente, dentre mais.
    O reprovável é em varios sites conservadores frequentados, o papa Francisco estar em maioria severamente criticado com inverdades, caluniado com palavrões, tratado como do mesmo nível, como colega de time!


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