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Quando moradia deixou de ser mercadoria: o desastre soviético
Se o sistema de preços é abolido, escassez e irracionalidade imperam

Blocos habitacionais da URSS, provavelmente da metade do século 20. Foto: mvstang @ Flickr

"Moradia não é mercadoria" é uma frase muito repetida entre ativistas em defesa da moradia popular.

Entendo aqui 'moradia' como unidades de habitação, principalmente casas e apartamentos. Já 'mercadoria' é algo produzido para ser vendido no mercado, destinado ao comércio, e que não é uso do produtor.

A vasta maioria das moradias hoje em dia pode ser considerada mercadoria, dado que é produzida e vendida por incorporadoras e imobiliárias que não moram nos edifícios que produziram. Assim, a proposta por trás dos ativistas que repetem essa frase é a de fazer com que a moradia deixe de ser produzida e vendida pelo mercado imobiliário, passando a ser planejada e distribuída pelo poder público. O objetivo seria torná-la mais acessível dado o atual déficit de moradias, que é uma das causas dos altos preços do mercado imobiliário.

Só que essa proposta não é nova. Moradia já deixou de ser mercadoria durante um momento muito peculiar da nossa história, e de forma bem documentada, na União Soviética (URSS), abrangendo várias cidades da Europa Central e Oriental durante a maior parte do século passado.

Hoje, é possível entender quais foram as principais consequências dessa política.

Várias cidades da antiga URSS aboliram o sistema de preços e implementaram uma economia planejada durante um período que durou entre 45 e 75 anos. Nesse espírito, também foi abolido o mercado imobiliário. Consequentemente, o que determinava a alocação de densidades e de usos residenciais, comerciais e industriais não eram as demandas dos moradores na condição de consumidores imobiliários, mas sim decisões burocráticas feitas com o intuito de minimizar os recursos investidos em imóveis com o objetivo de prover "moradia universal".

É difícil entender este sistema, tão diferente ele era do que estamos acostumados atualmente. Deixando de ser mercadoria, imóveis e terrenos não tinham preços. O planejamento se iniciava com estudos técnicos que determinavam a quantidade de terra necessária para construir apartamentos e fábricas. Ato contínuo, uma vez que a terra fosse alocada para um determinado uso, ela não mais podia ser vendida ou alugada para um terceiro, apenas devolvida para o governo caso nada fosse construído.

Esse princípio teve um grande impacto em indústrias que sofriam mudanças tecnológicas: fábricas se expandiam, mas não podiam se realocar, pois teriam um custo de mudança de terreno que não podia ser compensado por uma venda da fábrica original.  Afinal, fábricas também não podiam ser tratadas como mercadorias.

Mesmo quando problemas tecnológicos e operacionais obrigavam administradores a mudar de local, os terrenos deste anel industrial não eram reciclados, mas sim mantidos industriais, só que com menos empregos e atividade industrial. A política industrialista da União Soviética levou a uma extrema concentração de indústrias dentro da região urbanizada.

Por exemplo, em Moscou, 32,5% da cidade construída é usada para fins industriais (embora parte esteja abandonada atualmente, pois a cidade ainda não conseguiu se regenerar).  Em Paris, Seoul e Hong Kong são apenas 5%.

O mesmo processo era feito na determinação do uso comercial. É importante lembrar que, na verdade, não deveríamos chamar tal atividade de "comércio", mas simplesmente de "serviços", pois o comércio (pelo menos nas vias formais, já que o chamado "mercado negro" funcionava de forma abrangente) não existe quando se abole o conceito de mercadoria. Assim, muitos serviços como bancos, corretoras de imóveis, seguradoras etc. simplesmente não existiam nessas cidades. Adicionalmente, muitos serviços de educação, saúde e distribuição de alimentos eram feitos dentro de instalações industriais e não necessitavam de uma alocação específica de uso do solo na cidade.

A alocação de moradia também seguia a mesma lógica, mas com um pequeno detalhe: a quantidade de terra alocada para uso residencial foi mudando ao longo do período soviético de acordo com o desenvolvimento de tecnologias que permitiam um melhor aproveitamento da terra: a verticalização. Sistemas pré-fabricados de construção, que se tornaram universais para a construção de moradia nos países da Europa Central e Oriental dos anos 1960 em diante, permitiram blocos de apartamentos mais altos, diminuindo a necessidade de terra do ponto de vista dos planejadores e gerando cada vez densidades mais altas.

Os planejadores soviéticos avaliavam apenas quantitativamente as necessidades de moradia da população, sem se importar com a localização das construções na cidade. Ao mesmo tempo, os grandes terrenos em que ainda não haviam sido feitas construções eram encontrados mais facilmente nas periferias. Isso fez com que as zonas residenciais mais recentes — e mais distantes do centro — normalmente tivessem densidades mais altas por causa das alturas mais altas de edifícios que foram possibilitados ao longo do tempo.

O resultado urbano final em cidades nas quais isso teve maior impacto é o caminho oposto ao da cidade europeia tradicional, que possui maior densidade próximo do centro histórico — de maior demanda por moradia e por serviços — e que vai gradualmente diminuindo à medida que dele se distancia.

Moscou, onde essa política teve maior impacto, apesar de ainda possuir um centro histórico que concentra empregos e serviços, é uma das únicas cidades do mundo que possui periferias mais densas que as áreas centrais.

Ineficiência urbana

Uma das consequências urbanísticas deste tipo de planejamento foi o aumento das distâncias de deslocamento, uma vez que os moradores das periferias são obrigados a se deslocarem à área central onde se concentram os serviços. Se a maioria dos moradores se concentra nas periferias, o resultado agregado será pouco eficiente.

Se compararmos Moscou a Paris, a qual teve uma alocação espontânea de moradia e de serviços durante a maior parte do seu desenvolvimento urbano, a primeira possui 75% da área da segunda, mas com uma distância de deslocamento dos moradores 5% maior. Brasília, que também teve um planejamento totalmente centralizado, tem um desempenho ainda pior neste indicador: a distância de deslocamento dos seus moradores é semelhante à de Nova York, mas a capital brasileira tem uma área construída 10 vezes menor.

O custo de oportunidade de se manter terrenos abandonados ou subutilizados em regiões centrais da cidade — principalmente industriais, no caso de Moscou — também é muito significativo, contribuindo para a escassez de terra para moradia. Citando a economista Emily Washington, "Não faz sentido o uso industrial em terrenos onde as pessoas estão dispostas a pagar um prêmio para ter moradias".

O trabalho do urbanista Alain Bertaud mostra que, em 1991, quando o mercado imobiliário foi gradualmente sendo reintroduzido na Rússia após o fim da União Soviética, os preços de moradias próximas ao centro foram aumentando, mostrando uma clara falta de oferta de moradia nestes locais.

Escassez, burocracia e mercado negro

A falta de um sistema de preços — que é crucial para transmitir informações sobre oferta e demanda — também levou a uma grande escassez de moradias, principalmente durante a primeira metade do período soviético.

Durante a era Stalin, entre 1927 e 1955, a URSS não aumentou os baixíssimos índices de área construída per capita que já existia em 1917, de 4m2. A coabitação era frequente e necessária, com cerca de 35% da população vivendo em apartamentos compartilhados até o final da URSS. As filas de espera para se conseguir moradia levavam em torno de 10 anos. Era tanta burocracia envolvida no processo, que o governo russo identificou 56 tipos diferentes de moradia que poderiam ser conseguidos por 120 procedimentos distintos.

Dado que a compra, venda e troca de moradias era proibida (pois, lembremos, deixaram de ser mercadoria), estabeleceu-se um mercado negro de sublocação, que alguns autores estimam ter abrangido 10% de todas as unidades da cidade.

Também era frequente a transferência ilegal de endereço, já que também era necessário esperar alguns anos nas filas de registro para formalizar a troca. Apesar de não existirem estatísticas oficiais a respeito de moradores de rua, relatórios secretos da URSS reportam cifras em torno de 500 mil pessoas.

Mesmo assim, as principais cidades, como Moscou, eram símbolos para o resto do país e para o resto do mundo, recebendo um investimento desproporcionalmente maior em moradia quando comparada às demais cidades soviéticas. A quantidade e a qualidade da moradia produzida, por exemplo, em zonas rurais e industriais na Sibéria eram muito inferiores às dos centros urbanos. No entanto, para piorar a situação, o controle quantitativo de moradia e a constante escassez nas cidades devido à rápida industrialização criaram a política da propiska, uma espécie de passaporte migratório interno, que proibia os moradores de zonas rurais de migrarem para os centros urbanos.

O fim da arquitetura

Uma das propostas da política de moradia da URSS era promover a habitação coletiva e a igualdade de moradia para todos. Nesse sentido, havia um modelo de bloco habitacional a ser seguido durante cada época, e que não levava em conta as preferências e particularidades dos cidadãos. Isso resultou na pasteurização modernista da cidade soviética, a repetição de projetos assépticos visando à redução numérica do déficit habitacional — o qual, mesmo assim, não foi resolvido.

No contexto soviético, pode-se dizer que isso decretou o fim da arquitetura residencial, dado que uma única solução era escolhida para resolver a necessidade de todos.

Muitos podem criticar as "selvas de concreto" de cidades como São Paulo ou Nova York, nas quais há uma variação radical no tamanho, forma e estilo de cada projeto arquitetônico.  Mas o fato é que sua variabilidade de edifícios — mesmo que dentro das legislações estabelecidas — permite que cada cidadão possa escolher a arquitetura de sua preferência. O mercado imobiliário, neste cenário, visa a atender as diversas preferências de seus consumidores, as quais também mudam de forma dinâmica junto com os hábitos e com as tecnologias existentes a cada época.

Um forte indício disso é que, com o fim da vontade de se morar longe das regiões centrais — tendência essa que impulsionou o espraiamento urbano até os anos 1980 —, hoje existe uma tendência forte entre incorporadoras de produzir apartamentos menores, bem localizados e com um relacionamento mais conectado entre a edificação e a cidade. Tanto Nova York quanto São Paulo são protagonistas em seus respectivos países em liderar este movimento de transição.

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Vista da parte sul de Manhattan, em Nova York, do 102o andar do Empire State. Foto: luvi @ Flickr

Moradia é mercadoria

O relato sobre moradias na União Soviética mostra empiricamente algumas das consequências negativas de se fazer com que a moradia deixe de ser tratada como mercadoria. É importante ressaltar que os problemas observados não foram resultado de falhas técnicas no planejamento ou de um conceito errôneo de moradia adotado, mas sim da eliminação do sistema descentralizado de preços, o qual, quando funciona livremente, gera feedbacks constantes de informação entre oferta e demanda.

Por meio do sistema de preços, cada cidadão, ao voluntariamente alugar, comprar, desenvolver (ou não) um determinado imóvel em uma determinada localização, e fazer dele o que mais lhe aprouver, está fornecendo ao mercado informações cruciais sobre sua preferência.  E, ao fazer isso, ele envia aos outros indivíduos e empresas informações instantâneas sobre a situação deste mercado.

Tentar abolir novamente o mercado imobiliário com o intuito de planejar a cidade de uma forma diferente — e ao gosto de planejadores e burocratas — gerará problemas da mesma natureza do modelo imobiliário soviético, pois tal medida arbitrária não responde às demandas da população de forma dinâmica. Imóveis vazios ou subutilizados continuarão existindo, embora dispersos pela cidade em vez de estarem concentrados em uma região inteiramente zoneada.

O déficit habitacional e os altos valores das moradias, alvos da luta pela moradia popular, deveriam ser atacados em sua raiz, sem alterar a característica dinâmica de preços. O que, afinal, torna nossos imóveis tão caros? Um estudo realizado em 2005 pelos economistas Edward Glaeser e Joseph Gyourko intitulado "The Impact of Zoning on Housing Affordability" aponta forte correlação entre regulação do uso do solo e acessibilidade à moradia, podendo resultar em um aumento de até 50% no valor imobiliário de uma determinada região.

São inúmeros os motivos que contribuem para elevar os preços de moradia, desde restrições artificiais de oferta (limites de densidade; de altura de edificações; recuos de ajardinamento; leis de zoneamento) a alterações nos projetos (como número obrigatório de vagas de garagem e leis que incentivam a subutilização dos térreos), passando por custos na atividade de incorporação (custos legais de passar pela aprovação dos órgãos públicos; custo do risco legal de legislações que não deixam claro o que pode ou não ser feito em um determinado terreno; custo de oportunidade do tempo entre a compra do terreno e espera de um determinado projeto ser efetivamente aprovado na Prefeitura; impostos e encargos trabalhistas).   

[Nota do editor: além de todos esses fatores, é crucial também ressaltar, para o Brasil, a política de crédito fácil do governo federal voltada para o setor imobiliário.  Um financiamento de imóveis feito por bancos estatais — Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil — paga juros muito abaixo da SELIC. Trata-se de um banquete para os especuladores imobiliários, e uma tragédia para os mais pobres, que sofrem as consequências do aumento dos preços. Veja todos os detalhes aqui].

Tudo isso contribui para um aumento significativo no preço dos imóveis em centros urbanos altamente demandados.

O resultado do estudo de Glaeser conclui que as cidades norte-americanas que possuíam menos restrições do uso do solo tinham seus preços mais próximos dos seus custos de construção, dado o equilíbrio de mercado entre oferta e demanda por moradia. Em um centro urbano inserido em uma economia de mercado é contraditório lutar contra uma grande oferta imobiliária e, ao mesmo tempo, a favor de preços acessíveis.

Enfim, para termos uma cidade eficiente, diversa, dinâmica e, ao mesmo tempo, acessível, não devemos fazer com que a moradia deixe de ser mercadoria, mas sim que ela seja uma mercadoria acessível a todos.


Texto originalmente publicado no site Caos Planejado


autor

Anthony Ling
é formado em Arquitetura e Urbanismo pela UFRGS,

  • Samuel Alvez   28/05/2015 14:59
    Quando você usa algo "gratuito", significa, na verdade, que VOCÊ é a mercadoria a ser negociada.
  • Humberto Morais Pereira  28/05/2015 15:00
    "Não pago, nem pagaria, transporte público não é mercadoria!" - Lema gritado pelos Movimentos Passe Livre espalhados pelo Brasil...

    Acham que existe almoço grátis. Como se o Estado produzisse riquezas de alguma forma.
  • Matheus  28/05/2015 15:16
    Muito bom. Mas o texto me trouxe uma dúvida. Nas cidades planejadas, ou mesmo bairros planejados, os deslocamentos e a distribuição dos serviços não funcionam melhor?
  • Marcelo  28/05/2015 15:46
    Matheus, não funcionam.
    As cidades planejadas são uma réplica miniaturizada dos governos socialistas.
    Eles tentam ordenar as relações humanas, tentando adivinhar onde haverá necessidade de comércio, industrias, escolhas, etc.
    só que no fim, acabam criando o caos, principalmente na locomoção das pessoas, já que todo esse planejamento faz as pessoas viajarem todos os dias de casa para o trabalho, ao invés de poderem morar ao lado dos locais onde exercem suas principais atividades.
    é impossível ordenar a atividade humana, ainda mais por um período tao longo como pregam os planos diretores.
  • Lucas Macedo  03/06/2015 12:40
    O texto parte de um pressuposto enganoso, sendo este a ideia de que o mercado trabalha respondendo a demanda de consumo, como se o teórico econômico de ponta ainda fosse Adam Smith.

    Ora, é evidente que não é isso que acontece, muito pelo contrário, o mercado, ainda mais imobiliário, tende a impor determinadas formas de consumo que melhor lhe convém. Daí vem fenômenos como a gerentrificação. Não fosse esse o caso, as periferias estariam repletas de de comércio e serviços formais e organizados como no centro, já que é o local onde maior parte da massa trabalhadora e consumidora reside.

    O texto acerta ao falar sobre a falta de percepção social, antropológica e burocrática do socialismo soviético, mas não entende que o mercado imobiliário leva em si uma tendência ao cartelismo e ao lobby e não à concorrência que supõem as teorias liberais puras, daí surgem os valores tão igualmente elevados e arquitetura tão comum nas edificações de São Paulo. O resultado é o que acontece no centro de São Paulo, em que se tem diversas edificações vazias pela especulação imobiária, impedindo a utilização do espaço por pessoas, que consomem e nutrem positivamente o espaço urbano.

    Aqui tem um exemplo de moradia puramente como mercadoria: gizmodo.uol.com.br/cidade-fantasma-ordos-china/

    Em sua conclusão, o artigo propõe que as pessoas deveriam ter renda para consumir moradia e assim nutrir o mercado. A proposta soa contraditória quando outro artigo se mostra contra a distribuição de renda. É evidente que uma faxineira que não consegue pagar um aluguel de R$300,00 nunca vai conseguir morar no centro e é obvio que uma pessoa que mora na periferia e trabalha no centro (conforme o mercado aloca os negocios, serviços, etc), por perder quatro horas de seu dia em transporte público não tem as mesmas oportunidades que um morador do centro.

    Por fim, dizer que um bairro planejado não é melhor que um bairro sem planejamento é força a barra demais. O urbanista não imprime suas impressões sobre um projeto com fez a URSS, ele estuda as necessidades reais e mercadológicas das pessoas que moram lá.
  • Gustavo  10/11/2017 16:31
    o que permite a formação de carteis senão a regulação?
    o que me impede de entrar no mercado e desarraigar essas construtoras malvadas que impõe o que os consumidores nao querem?
  • Renan  16/11/2017 11:45
    Em preriferias como favelas no Brasil o comercio nao se desenvolve mais por conta do trafico
  • Felipe Naltchadjian  14/11/2017 14:34
    Essa matéria tinha tudo pra ser boa, mas acabou caindo no vazio ideológico, graças ao ódio gratuito às teorias socialistas. Acho que quem escreve um texto desses apontando o dedo para os programas habitacionais da união soviética deveria olhar pro umbigo sujo do Brasil favela, onde os problemas vão muito além do morar longe do centro produtivo ou da monotonia de um paredão modernista como sugere a foto. Talvez fosse conveniente ou intelectualmente honesto adicionar umas fotos de condomínios de torres (desses que são feitos a exaustão aqui em São Paulo por exemplo) e aí todos terão a exata noção de que tanto o socialismo quanto o capitalismo se apropriam da lógica racionalista para alcançarem seus resultados. Por que motivo os teóricos liberais desse instituto não escrevem também uma matéria séria sobre o abuso de poder econômico de quem corrompe o poder público para legalizar suas propriedades em sítios de preservação ambiental e/ou locais de usufruto coletivo ? Esse é um país injusto onde uma minoria tem o poder de destruir a oferta para aumentar a demanda.
  • mário  14/11/2017 18:02
    "Essa matéria tinha tudo pra ser boa, mas acabou caindo no vazio ideológico, graças ao ódio gratuito às teorias socialistas."

    Seu comentário tinha tudo para ser construtivo, mas acabou caindo no vazio da crítica figadal, sem fundamento e, acima de tudo, desesperada -- típica daqueles que, por não conseguirem refutar o que leram, resolvem apenas xingar.

    O tema era o mercado imobiliário da URSS e as consequências da abolição do sistema de preços neste mercado (demanda antiga de vários movimentos aqui no Brasil). Só.

    "Acho que quem escreve um texto desses apontando o dedo para os programas habitacionais da união soviética deveria olhar pro umbigo sujo do Brasil favela, onde os problemas vão muito além do morar longe do centro produtivo ou da monotonia de um paredão modernista como sugere a foto"

    Ah, você quer saber sobre o mercado imobiliário brasileiro, por que os preços são altos e por que há uma proliferação nas favelas? Sem problemas, era só ter usado a ferramenta de busca do site. Daria muito menos trabalho do que escrever esse lamurio desconexo e convoluto. Aqui vai para você:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2781

    "Talvez fosse conveniente ou intelectualmente honesto adicionar umas fotos de condomínios de torres [...] e aí todos terão a exata noção de que tanto o socialismo quanto o capitalismo se apropriam da lógica racionalista para alcançarem seus resultados."

    Lógica completamente ininteligível. Estaria você chegando à brilhante conclusão que o mercado imobiliário brasileiro -- dominado pelo corporativismo e por subsídios de bancos estatais -- possui semelhanças com o soviético? Parabéns, campeão. Mais um pouquinho e você finalmente começa a entender o básico.

    Pode começar pelo artigo linkado acima.

    "Por que motivo os teóricos liberais desse instituto não escrevem também uma matéria séria sobre o abuso de poder econômico de quem corrompe o poder público para legalizar suas propriedades em sítios de preservação ambiental e/ou locais de usufruto coletivo ?"

    Ah, você quer artigos que mostram como os grandes fazem conluio com o governo para beneficiar a si próprios? Ora, é que o mais. De novo, era só você ter usado a ferramenta de busca. Só que seu desespero o impulsionou ao xingamento e não à jornada intelectual. Mas sem problemas. Como bom socialista, dar-lhe-ei na mão o que você quer:

    "Para impedir que os ricos influenciem a política, temos de aumentar o estado!". Faz sentido?

    O estado agigantado gerou o estado oculto, que é quem realmente governa o país

    Odebrechts, Eikes e Joesleys: como surgem os bilionários no Brasil?

    Precisamos falar sobre o "capitalismo de quadrilhas"

    Explicando todo o problema com o nosso sistema político - em 2 minutos

    "Esse é um país injusto onde uma minoria tem o poder de destruir a oferta para aumentar a demanda."

    Aumentar a demanda? Explica aí como é que alguém (minoria) tem o poder de aumentar a demanda? Destruir a oferta até seria possível (completamente estúpido, mas possível). Agora, aumentar a demanda?

    Explica aí o segredo. Aliás, já que você sabe, por que não ganha dinheiro com isso? o que não falta é empreendedor doido pra saber como aumentar a demanda por seus produtos.

    É cada ser bizarro que despenca aqui.
  • Rodnei Cardozo Moreira  28/05/2015 16:01
    Conheça Brasília, o mimo dos planejadores.

    Qualquer coisa que envolva sair de seu apartamento, seja pra almoçar, comprar um bombom ou ir trabalhar envolve tirar o carro da garagem e dirigir no mínimo 5km até uma "quadra comercial".

    E sempre num trânsito intenso, apreciando a linda vista daqueles canteiros gigantescos entre as pistas onde só pode ter grama
  • Leandro   28/05/2015 17:15
    Rodnei, Brasília foi planejada primordialmente por Oscar Niemeyer, um comunista assumido, logo ele não pensa na pessoa como individuo e sim num conjunto de indivíduos. Esse é o efeito dos planejamentos arbitrários, fica muito bonito ( as vezes) de ser ver, mas funcionalmente é horrível. Brasília é o exemplo clássico disso.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  28/05/2015 18:38
    Leandro,

    O planejamento urbanístico de BSB é do Lúcio Costa (que teve inspiração socializante apesar de não se declarar socialista). O Oscar (baita comunistão) é o arquiteto das edificações, principalmente daquelas localizadas no eixo monumental.

    Mas é inegável que se trata de uma cidade excessivamente artificial e opressora. E onde o automóvel tem primazia sobre as pessoas.
  • Gustavo  10/11/2017 16:35
    tem um livro chamado "Ideal Communist City" de Alexei Gutnov, Brasília é inspirada nela.. do ponto de vista econômico a construção foi tão racional que chegaram a transportar tijolos de avião
  • Antonio  28/05/2015 18:06
    Mas São Paulo não é muito diferente.
  • Marconi  28/05/2015 17:00
    Mais ou menos.. o governo deveria determinar e fazer cumprir algumas diretrizes. Distância mínima do lote pra rua, por exemplo, tamanho dos lotes.. enfim, poucas coisas pra não virar aquela zona, sem calçada, ruas apertadas, nenhum verde.. o problema é definir bem as poucas atribuições. O estado sempre quer mais e não cumpre o mínimo, aí avacalha tudo.
  • Gabriel L.W.  28/05/2015 17:22
    Marconi, mas o livre mercado não pode regular isso? Você, como consumidor, não prefere comprar um imóvel com calçadas, paisagismo etc? Os demais também. Eis o livre mercado atuando e regulando.
  • aspone  28/05/2015 19:17
    Pô, Marconi, vc sempre nesses de governo...

    Lógico que tem que ter regras. E é por isso que condomínios fechados são sempre mais organizados que os bairros estatais. Eles tem regras e quando a regra é privada, é muito mais fácil cumprir e fiscalizar.

    O certo, então, era privatizar as ruas todas, transformando os bairros em condomínios fechados.

    Quanto mais der pra fazer isso, melhor.

    Vai ter lugar que vai ser mais difícil pq o estado já zoou a bagaça toda...
  • Um observador  28/05/2015 17:42
    Matheus,

    Isso vai depender do tipo de planejamento.

    Se for apenas um macroplanejamento, tipo "vamos reservar um espaço para permitir que esta rua vire uma avenida no futuro", "vamos prever um espaço aqui para permitir no futuro a passagem de uma rodovia, linha férrea, ou coisa assim", então este planejamento certamente irá ajudar na mobilidade e no crescimento da cidade.

    Mas um microplanejamento, tipo "aqui será o bairro residencial, aqui será o bloco das farmácias, aqui serão os hotéis, etc", não vai dar certo. É impossível prever como será o desenvolvimento da cidade e o comportamento das pessoas. Então um planejamento nos mínimos detalhes invariavelmente dará errado.
  • anônimo  28/05/2015 18:02
    Alphaville (Barueri) foi um bairro planejado e deu certo. Então é possível sim.
  • Anônimo  28/05/2015 18:32
    Alphaville é privado e atende a somente uma demografia que VOLUNTARIAMENTE foi morar lá porque sabia que atendia às suas demandas. Se eu construir um condomínio com um determinado arranjo e conseguir vendê-lo, é porque o planejamento deu certo; se um estatista fizer um planejamento urbano para 3 milhões de pessoas em uma cidade de mais de 300 anos, ele nem mesmo perderá dinheiro se o processo inteiro não funcionar - na realidade, não há nem um critério objetivo e geral para determinar se funciona ou se não funciona; somente o que o planejador quiser e ele costuma ter poder para realizar diretamente seu objetivo, como proibir o tráfico de vários tipos de veículos caso seu objetivo seja diminuir o engarrafamento em uma via.

  • Adriano  28/05/2015 18:59
    Caro anônimo,

    Alphaville foi planejado por uma empresa PRIVADA, não pelo estado. Se o planejamento fosse mal feito, não haveria compradores. Empresas privadas são sensíveis às demandas do consumidor, do contrário quebram, diferentemente de governos.
  • Yuri  29/05/2015 03:19
    Mas foi planejado. Sinal que o problema não é em planejar, mas em ineficiência do governo. O governo não tem como ser eficiente, portanto resta a ele fazer atividades inerentes de governo: Defesa Territorial, Justiça, Polícia (que deve seguir as leis ditadas pelos cidadãos em regime de votação aberta, não por representantes).
  • aspone  29/05/2015 19:56
    E onde está escrito qeu planejar é ruim?

    Planejamento é bom. Só não pode ser feito pelo governo, ou seja, de forma centralizada e impositiva.
  • anônimo  30/05/2015 12:22
    Quando um empresário planeja um bairro isso não é necessariamente bom, é um tiro no escuro, se tiver consumidores ótimo, se não tiver, azar o dele.
    Totalmente diferente de um bairro planejado pelo governo onde meia dúzia de engenheiros sociais define como os outros devem viver.
  • Douglas  28/05/2015 19:26
    Em Alphaville só moram milionários. O movimento "moradia para todos" não quer que os mais pobres tenham moradias?

    Além de que foi um bairro planejado por uma empresa privada chamada Albuquerque & Takaoka.
  • anônimo  28/05/2015 19:46
    Não, vc está falando de uma coisa muito diferente.Um bairro planejado pelo governo numa economia centralizada vai depender do uso da força pra encher de gente alí.
  • Felipe Naltchadjian  25/06/2019 10:22
    Alphaville deu certo ? Isso aqui por acaso é um ninho bolsonarista ? Aliás, diga-se de passagem, o próprio presidente habita um não lugar como Alphaville, só que no caso dele, trata-se de um condomínio à beira mar na Barra da Tijuca. É a própria expressão do vazio ideológico como ele mesmo prega. Uma série de construções desordenadas com baixo aproveitamento fundiário, sem nenhuma relação com o entorno e alto poder de destruição das áreas naturais que o acercam. No entanto, voltemos a Alphaville.

    Alphaville nada mais é do que um subúrbio para ricos. A exemplo do que foi Lapa city, Butantã, Pinheiros, mas com requintes de cidadela medieval, com muros, portões e vigilância privada. Não há nada de interessante ali, nenhum conjunto arquitetônico ( expressivo ou não) no máximo casas de catálogo ou edifícios isolados no terreno que podem ou não ter a assinatura de um arquiteto famoso. Dinheiro por dinheiro, não há troca com o lugar, muitas quadras inclusive estão situadas em locais próximos à várzea do Tietê que independente de ser poluído ou não está dentro do domínio do bairro e não podem ser aproveitadospara a constituição de orla parque por moradores da região ou visitantes. É uma tragédia que se espalha como praga pelo interior de São Paulo, prática que tem cativado a pobre e inculta burguesia em outros rincões Brasil adentro. Será que é a ideia do bairro que deu certo é análoga a ideia do cidadão que deu certo ? Seria Alphaville um criadouro de bolsonaristas, cidadãos de bem ? Apenas conjecturando.......
  • Adelson Paulo  28/05/2015 17:31
    Excelente artigo. Mas uma importante contribuição do Instituto Mises para combater as visões "bem intencionadas" (?!) de planejamento centralizado da economia, guiado pelo Estado e seus funcionários, que sempre criam mais distorções e escassez do que o "capitalismo selvagem" e seu regime de livre troca ente indivíduos.
  • Adgefeson rodrigues dos santos  28/05/2015 19:38
    Excelente visão de mercado.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  28/05/2015 22:30
    É preciso ESCLARECER, de uma vez para sempre, que tudo no Planeta Terra é uma mercadoria, que possui dono, mesmo que esteja na "mão do governo". É preciso entender isso e respeitar isso, para o bem e segurança de todos.
  • Douglas  28/05/2015 22:52
    Texto excelente, o autor somente se esqueceu de enfatizar que na maioria dos condomínios da imagem, moravam dezenas de família NUM MESMO APARTAMENTO. O governo soviético fazia isso, pois havia muito demanda, mas não tinha apartamentos para todo mundo nos centros urbanos.
    Foi na década de 60 que a política da Propiska começou a proibir de verdade cidadãos do campo irem para as cidades (essa política começou na década de 30, mas não proibia quase ninguém ir para as cidades).

    Deveria ter enfatizado isso para mostrar o fracasso que é uma economia planejada para os leitores.
  • Magno  29/05/2015 02:07
    Isso foi falado:

    "Durante a era Stalin, entre 1927 e 1955, a URSS não aumentou os baixíssimos índices de área construída per capita que já existia em 1917, de 4m2. A coabitação era frequente e necessária, com cerca de 35% da população vivendo em apartamentos compartilhados até o final da URSS. As filas de espera para se conseguir moradia levavam em torno de 10 anos."
  • Douglas  29/05/2015 02:22
    Eu sei que foi falado, só disse para enfatizar isso.
  • Lucas Fernando  29/05/2015 01:05
    Eu já acompanho o blog Caos Planejado do Anthony Ling e ja havia lido o referido artigo quando foi publicado, recomendo tambem o artigo "Moradia na União Soviética" do blog Arquitetura da Liberdade para complementar este artigo. Aliás, o autor deixou de comentar o aspecto mais importante nestes projetos centralizados de moradia popular: os arquitetos e urbanistas de esquerda. Le Corbusier, o frances, deu uma passadinha na URSS nos anos 30/40 e lá deixou as suas marcas, pois a maioria dos projetos de apartamentos da URSS são dele, inclusive um projeto megalomaniaco chamado Palacio dos Sovietes. Recomendo o "Le Corbusier e a URSS" com atenção para os projetos idealizados pelo cara, projetos megalomaniacos financiados por farto dinheiro público, o que me fez lembrar Niemayer, o nosso arquiteto comunista com projetos megalomaniacos responsavel pelo novo Oasis de Ramsés no sertão goianio onde residem os faraós tupiniquins.
  • IRCR  29/05/2015 01:19
    Mas a explosão dos preços nos USA e Europa tb não deu por conta da expansão de crédito farto e fácil ?
  • Edujatahy  29/05/2015 11:48
    mises.org.br/Article.aspx?id=1696
  • Henrique Zucatelli  29/05/2015 02:03
    Parei de ler o artigo para comentar:

    São Paulo também é uma cidade onde a densidade demográfica é beeem maior na periferia que no centro. Tanto é que o caos nas marginais e avenidas é regra e rotina da maioria para aqueles que, como eu, tem de se locomover constantemente (e as vezes mais de uma vez por dia) da zona leste a sul, da sul a norte, etc. Não sei se foi por planejamento estatal ou simplesmente por questões que envolvem o período da ditadura militar, onde o termo "favela" era o lar doce lar da maioria.

    Falando sobre ditadura, tenho uma importante pergunta a fazer (e cabe um ótimo artigo, procurei e não encontrei nada sobre esse assunto profundamente), e a despeito de eu ser leigo em história, por ser Engenheiro e Químico, quero e preciso saber:

    - É fato corrente que a ditadura militar foi um período de trevas sobre o Brasil; embargos, fechamento de fronteiras, substituição de importações e toda sorte de medidas estatais centralizadoras, comum a todos os governos com tendencias comunistas e socialistas.

    - E também é fato corrente que a maioria dos presos políticos eram acusados de serem comunistas, e aliás, faziam parte de grupos armados, extremistas, totalmente embasados no ideal revolucionário de Trotsky, Lenin, etc.

    Aí vem o paradoxo: Se os militares tomaram todo tipo de decisão de um governo comunista, por que raios prendiam e matavam comunistas? Qual o sentido disso? A quem eles estavam servindo (além deles mesmos, óbvio) para tomar posições tão contrárias, e por que ninguém fala sobre isso na mídia, e nem aqui no portal, pois é um assunto importantíssimo, dado que sentimos os reflexos desses anos de chumbo até hoje na economia.
  • Mr A  29/05/2015 04:35
    Os militares, apesar de não existir provas(?), consideravam-se de "Direita" e achavam que protegiam o país derrubando os grupos terroristas de esquerda. Sabe aqueles imbecis, que têm tara por fascismo/nazismo, que pensam que Direita é pertencente à laia totalitária? Bom, era mais ou menos isso. Ao abraçarem o discurso nacionalista/populista eles, militares, mergulharam na onda estatizante (junta isso ao ego militar...).

    Infelizmente, o trabalho de iludir o mundo dizendo que o nazifascismo é uma "extrema-direita" deu certo em boa parte do mundo ocidental, poucos são os que têm coragem para bater de frente e desmascarar essa mentira. E o pior é que isso, de certa forma, nos atinge, pois, ao tentar abordar algum assunto economicamente liberal, o sujeito acaba sendo taxado de "CAPETAlista", que é de "Direita", "Direita raivosa fascista". As coisas ficam um pouco complicadas no clima turvo que é o Brasil. E se for levar essa discussão para o mundo acadêmico, pronto!


  • Observador  29/05/2015 07:22
    Da mesma forma que o governo socialista da Alemanha atacou (entrou em guerra) com o governo socialista da Rússia. Fez sentido? não fez mas entraram em guerra mesmo assim kkkkk essa é a magia do poder centralizado :)
  • kalleldf  29/05/2015 11:26
    Amigo, em trevas estaríamos agora se não houvesse a intervenção militar, e sim, os presos políticos eram acusados de ser comunistas por que eram comunistas e o Brasil de hoje é reflexo disso, todos esses presos políticos hoje estão no congresso, inclusive nossa presidente, que roubava bancos e sequestrava pessoas em prol da instalação da ditadura do proletariado.
  • Maconha Capital  29/05/2015 17:11
    Como dito em outros artigos, o que o socialista quer não é a implantação do socialismo, mas sim que o socialismo seja implantado por ele próprio e seus partidários.
  • Marcelo Simoes Nunes  30/05/2015 00:38
    Henrique, pelo visto você não sabe quase nada sobre esse período. Esqueça esse papo furado de anos de chumbo. Isso é Rede Bobo. Vou tentar explicar como vejo sua pergunta principal, mas isso pode ser procurado em muitas fontes. O único elo de ligação entre a ação dos militares e o comunismo é o fato de que o regime militar estatizou o Brasil. Ao deixarem o poder cerca de 70% da economia estava em poder do Estado. Hoje é um pouquinho menor. Para você ter uma ideia, ao final do regime militar, o jornal O Estado de São Paulo lançou um série de reportagens sobre o Estado brasileiro, repetida por meses a fio, cujo título era "A República Soviética Socialista do Brasil". Com isso, o jornal se engajava na luta pelo fim do regime. Com a abertura política a esquerda perseguida (PSDB-PT) acaba assumindo o governo e encontra o Estado brasileiro hipertrofiado, bem ao gosto das esquerdas. Mas os militares não inflaram o Estado por serem de esquerda. Na verdade, esse fenômeno, em certa medida ocorreu em toda América Latina, e não foi invenção dos militares. A fonte de inspiração para isso foi o enorme sucesso econômico dos EUA, uma nação jovem como os demais países da América. Essa "inveja" suscitou uma série de textos conhecidos como "teorias do desenvolvimento". Eram trabalhos teóricos tentando explicar as causas que poderiam levar um país a se industrializar e tornar-se desenvolvido. Eram em suma análises históricas que remetiam a projetos de desenvolvimento. O próprio presidente e professor Fernando H. Cardoso é autor de uma dessas teorias. Todas essas teorias tinham em comum a ideia de que se poderia alavancar o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos através da ação do governo (isto é do Estado). O Estado seria o promotor de desenvolvimento. A própria Dilma enveredou por esse caminho. No Brasil isso se inicia com Getúlio Vargas construindo Volta Redonda e a Petrobrás etc. etc. Anos mais tarde os militares dariam continuidade a esse projeto de Brasil grande. O curioso é que Getúlio caiu basicamente pela mão militar. Coisas da história. Os militares brasileiros em toda nossa história foram intervencionistas e autoritários, com forte influência do pensamento de Augusto Conte. Quando se analisa detidamente todos esses projetos nacional/estatizantes/desenvolvimentistas, percebe-se que seu princípio e seus meios encontram-se embasados em teorias socialistas. Mas os militares brasileiros com certeza não tinha consciência disso, talvez por não entenderem muita coisa de economia.
  • Adelson Paulo  30/05/2015 14:43
    Boa análise. Cabe acrescentar, como exemplo, o conceito de "industrialização dependente" de Celso Furtado, que só poderia ser superada com forte intervenção estatal.
  • Douglas  31/05/2015 04:46
    Marcelo, é o que sempre digo, se os militares tivessem aberto economicamente o Brasil Antes de terem o aberto politicamente, o Brasil não seria esse país tão estatista que é hoje.

    Bom, menos mal ter militares desenvolvimentistas do que comunistas/socialistas no poder. Pelo menos a propriedade privada não é aniquilada completamente no primeiro caso.

    Os soviéticos foram os maiores responsáveis pelo fato da maioria dos países do mundo, principalmente na Europa, terem aumentado consideravelmente seu Estado para se prevenirem de possíveis investidas e invasões soviéticas.
  • Henrique Zucatelli  01/06/2015 03:51
    Pessoal, muito obrigado pela resposta elucidante.

    Realmente não sei quase nada sobre o período, tenho 30 anos e não sou historiador, mas ainda bem que temos aqui especialistas no assunto como voces.

    Então fica claro como água que a estatização é algo não exclusivo dos movimentos comunistas, bem como pode ter como pretexto outros fins além da igualdade social, como cita Marcelo sobre essa inveja do crescimento americano na época.

    Estatizar é algo que acontece quando o poder está nas mãos do burocrata, seja ele civil ou militar, pois além de trazer benefício próprio, faz bem ao ego e traz popularidade, uma massa de gente servil e o controle da mídia.

    Sobre os anos de chumbo Marcelo, não é papo de TV, é que a única coisa que sei através de meus pais é que eles sempre disseram que um disco saia la nos EUA e demorava 5 anos para chegar aqui, isso que meu pai trabalhava em uma gravadora, rs. Que tudo aqui era fechado, e que se um militar encarnasse em voce, pronto, estava morto.

    Mesmo assim agradeço novamente, e vamos as próximas pautas!
  • Pedro  29/05/2015 16:40
    Tenta vender uma casa em Alphaville, para ver o que e' bom! Tenta morar la e trabalhar em Sao Paulo, apra ver o que 'e bom! Leiam "Falacias" de Thomas Sowell, no capitulo que trata do tal planejamento urbano. As experiencias americanas dao bem a dimensao do problema. Leiam um autor serio e culto que escreveu sobre o tema para melhor tirar conclusoes.
  • JBALL  01/06/2015 03:42
    Poderia explicar melhor o ponto de vista de Sowell?
  • Emerson Luis  09/06/2015 16:05

    Moradia não é mercadoria.

    Educação não é mercadoria.

    Saúde não é mercadoria.

    Transporte não é mercadoria.

    Mercadoria não é mercadoria.

    Os planejadores centrais não aceitam a escassez e acabam por aumentá-la.

    Também não reconhecem a complexidade do mundo.

    * * *
  • MasterSodomizer  17/10/2016 15:43
    Não concordo, apesar da construção de um imóvel demandar a necessidade da tecnologia, de serviços e materiais a terra deveria ser uma garantia fundamental dos seres humanos. É desumano privar um qualquer pessoa do direito de construir sua própria moradia éramos mais felizes no tempo da caverna. Pelo menos nesse quesito.
  • Emerson  10/11/2017 18:00
    Eu construí minha própria moradia através do livre mercado... E sim, minha moradia é uma mercadoria, o fato de eu tê-la construído não faz com que ela deixe de ter o potencial de uma mercadoria.
  • Ironduke  11/11/2017 10:48
    pergunta quem vai pagar a conta?
  • Gold Currency  30/10/2016 02:14
    Lendo isso me veio a seguinte duvida:

    Como era o mercado de trabalho na União Soviética? O trabalho era compulsório? Você nascia (em um hospital público), crescia com sua família (e outras) nesses cubículos fornecidos pelo governo, estudava em uma escola pública (obrigado pelo Estado, para que fosse adequadamente doutrinado) e te "arranjavam" (vá trabalhar ali camarada!) um emprego em algum setor?
  • Mídia Insana  10/11/2017 13:59
    Por que tantos artistas são apologistas do socialismo? Um giro pelas utopias socialistas mostra que a primeira coisa que morre no socialismo é a beleza. Nem precisa ir à Europa Oriental para provar a tese. Só vá até a DCE mais próxima. Tudo que é bonito está manchado de preto grafite e coberto de lixo.
  • Anti-Estado  10/11/2017 14:52
    Cara, verdade! Sem falar que esquerdopata é tudo destrambelhado e se veste igual a mendigo, hehehe
  • Coelho  10/11/2017 19:15
    Por que eles fazem apologia ao socialismo? Não só eles, mas a maioria dos intelectuais também faz apologia ao socialismo.
    A resposta é simples, porque o socialismo é lindo e não precisa ser provado que está errado, quando algo dá errado a culpa cai em cima do capitalismo e dos egoístas dos capitalistas que fazem o capitalismo.
    Faz parte da tática do socialismo mudar quantas vezes for necessário o discurso para as massas, ao passo que eles não ficam sem um capitalismo nem que seja meia boca para sobreviverem.
  • Pobre Paulista  10/11/2017 14:41
    Estou achando sensacional o Mises Brasil publicar e republicar artigos definitivos contra o socialismo para comemorar os 100 anos da Revolução Russa.
  • Eleitores não pensam  10/11/2017 15:09
    [OFF TOPIC]

    https://www.freesociety.com/

    Já ouviram falar ?

    [/OFF TOPIC]
  • Enxugando Gelo  10/11/2017 19:48
    A esquerda quer ajudar os pobres, mas não abre mão de sítio em Atibaia, Triplex no Guarujá, 9 milhões em previdência privada, dezenas de conteiners em galpão, acúmulo de salários, etc.

    Enfim, socialismo bom é aquele feito com o dinheiro dos outros.
  • MB  10/11/2017 22:38
    Liberdade é melhor do que Comunismo autoritário.Perguntem aos russos.
  • anônimo  11/11/2017 00:57
    Dr. Rey Presidente!
  • anônimo  11/11/2017 01:03
    https://www.youtube.com/watch?v=DSzbd8Nn9Pg
  • Renato  11/11/2017 01:56
    Caramba!

    Percebesse como são parecidos a arquitetura dos apartamentos residenciais da extinta URSS com a arquitetura dos apartamentos residenciais do Brasil.

    Nossos arquitetos parece que tem fetiche pela arquitetura horrenda dos países socialistas!

  • anônimo  11/11/2017 04:10
    [https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2017/11/08/interna_politica,915180/apos-pre-candidatura-dr-rey-matou-aos-8-julgado-como-adulo.shtml]
  • anônimo  11/11/2017 04:11
    [https://www.youtube.com/watch?v=DSzbd8Nn9Pg]
  • anônimo  11/11/2017 14:42
    O mercado é desumano. Encarece os bens no momento em que as pessoas mais precisam.

    Imagine que ocorra um furacão, e centenas de milhares de famílias pobres perdem suas casas. A demanda por moradia aumenta. Neste caso, é legítimo que as hospedarias aumentem o custo de hospedagem em 200%?
  • Miscelânea   11/11/2017 15:39
    Óbvio. A alternativa é não haver moradia para ninguém, e todos ficarem nua rua, ao relento. Isso sim seria bastante humanista, né?

    Aliás, aqui vai um exercício de lógica.

    Você é o prefeito de uma cidade que acabou de sofrer um desastre natural. A cidade ficou ilhada e todo o suprimento de bens essenciais foi interrompido. Logo, todo o estoque de alimentos tornou-se repentinamente escasso, pois agora há apenas uma quantia fixa. E não há data para reabastecimento.

    Aí você, como prefeito, demonstrando toda a sua sapiência e todo o seu amor pela humanidade, decreta congelamento de preços (na verdade, tenho a certeza de que você aboliria os preços e decretaria que tudo teria de ser dado de graça, mas vou aqui dar uma canja e superestimar a sua inteligência).

    Ato contínuo, as pessoas de bom poder aquisitivo e munidas de bons meios de transporte correm para os supermercados e mercearias, e compram absolutamente tudo o que podem, enchendo seus porta-malas, pois sabem que não há nenhuma previsão de normalização do abastecimento. Outras comprarão também tudo o que podem, mas mais por capricho. Afinal, pra que perder uma ida ao supermercado? Por que não comprar o máximo de água e leite possível, já que tudo está uma pechincha mesmo? Diabo, por que não comprar todos os tipos de carne e fazer um churrasco em um local sossegado para descarregar suas tensões?

    Estas pessoas irão entupir seus carros de gasolina, enchendo inclusive vários galões, e viajarão para seus retiros e casas de campo. Sem gasolina nos postos, ambulâncias e outros serviços de pronto atendimento não mais podem operar, e as pessoas morrem em suas casas, sem nenhum socorro.

    Os mais pobres, que só andam a pé e que estavam dispostos a comprar apenas o mínimo necessário, descobrem que os supermercados e mercearias já fecharam, pois todo o estoque já foi vendido para os mais ricos munidos de bons meios de transporte. As crianças começam a morrer de inanição e por falta de atendimento médico (afinal, médicos não podem ir voando para as casas destas pessoas).

    O mesmíssimo raciocínio se aplica a quartos de hotéis disponíveis.

    Aí quando uma mãe vai reclamar com você do desabastecimento, da falta de serviços médicos e da consequente morte de seus filhos, você apenas põe a mão no ombro dela e fala: "Mulher, pare de reclamar de barriga cheia! E daí que seus filhos morreram de fome? Você é realmente incapaz de perceber que algo muito mais sublime ocorreu? EU (batendo no peito) consegui fazer com que os malditos empresários não tivessem lucros maiores! EU fiz isso! Por que você é tão ingrata assim? Por que não dá valor ao meu visionário ato de justiça social? Comparada a esta minha façanha igualitária, a morte de seus filhos é algo completamente secundário e desimportante! Aprume-se, minha senhora, pare de chorar e vá fazer algo de útil! Vá roubar alguém, pois eu não posso fazer toda a justiça social sozinho! Que povo mais encostado..."

    Você de fato está qualificadíssimo para ser político. Sem dúvidas reelegeria Sarney.

    P.S.1: ajuda espontânea e caridade são exatamente as duas coisas que os libertários defendem, pois sabem ser as únicas medidas que realmente serão efetivas em trazer alívio e ajuda.

    Já estatistas e intervencionistas defendem controle de preços em nome do "amor aos destituídos", medidas essas que simplesmente tornarão os destituídos ainda mais destituídos.

    Grande amantes da humanidade que vocês são!

    P.S.2: veja toda a caridade privada efetivamente realizada após o furacão Harvey devastar o Texas. Quem dependeu do governo, como você defende, está sem nada até agora:

    fee.org/articles/the-private-sector-is-coming-to-texass-rescue/

    Abraços.
  • anônimo  13/05/2018 17:31
    Tem algum artigo no site sobre o encarecimento das moradias no Brasil?
  • Carlos  13/05/2018 22:47
    Sim, é bem detalhado:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2781
  • Felipe Naltchadjian  24/06/2019 22:17
    Quando vejo essa crítica direta e oportunista ao modernismo Russo eu fico perplexo pelo simples motivo de que é muito difícil rebater esse argumento com um breve parágrafo ou uma simples frase. Eu que sou arquiteto e urbanista leio e releio a minha Bíblia de cabeceira - A história da Arquitetura Moderna - de Leonardo Benevolo e sempre saio com mais dúvidas do que certezas. O Benevolo usa um termo incrível que define esse tipo de iniciativa onde as cidades se desenvolveram sob a batuta de regimes totalitários. Daí nasceu a expressão "totalitarismo racionalista" e de fato foi quando a arquitetura se perdeu. Não se pode esquecer que em um período de cem anos antes à explosão do modernismo Russo, Hausmann revolucionava as cidades europeias com a reforma de Paris, influenciando governantes das principais capitais do continente a seguirem seu modelo de cidade industrial que nada têm a ver com esse modelo cartesiano adotado pelo comunismo. Os primeiros capítulos do livro de Benevolo inclusive, descrevem a destreza de Hausmann em contornar os devaneios especulativos que por pouco não mudaram o destino urbanístico e arquitetônico da cidade Luz, portanto não é a intromissão do Estado que traz prejuízos ao futuro das cidades, mas políticas equivocadas, apenas. O Estado não precisa estar presente em todas as etapas de conclusão das obras de uma cidade, não precisa ser o dono do imóvel, mas pode negociar a terra, por exemplo. Vejamos o caso brasileiro, onde o Estado só aparece quando a coisa pegou fogo e tudo se concentra nas mãos do setor privado. Surgem absurdos por todos os lados. Onde a lei não permite verticalização, surgem condomínios com casas de catálogos. Do lado de fora, exclusão social, cinturões de pobreza, problemas na infraestrutura, etc. Onde o Estado se mostra ausente, surgem favelas, grilagem, ocupações irregulares dos mananciais, miséria, violência e problemas ambientais generalizados. Há também os modelos de conjuntos habitacionais do tipo torre, que quanto à essência, em nada se diferem desse modelo Russo de super quadras como estampado no artigo original. Em nada ! O que existe de fato como alternativa ao modelo totalitário depende de um conjunto de fatores e uma vontade política capaz de superar os obstáculos rasos criados pelo sensacionalismo barato em torno do comunismo. A forma realmente é muito ruim, o autor acerta a mão em criticá-la, mas não se deve atribuir a culpa ao Estado sem antes monitorar resultados igualmente desastrosos praticados por políticas liberais inconsequentes. No Brasil, sobretudo na cidade de São Paulo, podemos encontrar inúmeros exemplares de tecidos urbanos adoecidos por erros sequenciais cujo efeito não apenas se abate sobre os cidadãos diretamente, mas por criarem raízes cada vez mais profundas, tendem a continuar sua propagação predatória em outras localidades. O vício gera outros vícios !


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