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Explicando o básico sobre as taxas de juros negativas vigentes na Europa

Um recente artigo publicado no jornal britânico The Telegraph, pelo colunista financeiro Jeremy Warner, vem recebendo considerável atenção. 

O artigo aborda a questão das atuais taxas de juros negativas dos títulos dos governos europeus.  O autor corretamente identifica esse fenômeno como sendo historicamente singular.

Eis um trecho do artigo:

Aqui vai uma estatística estupefaciente: mais de 30% de todos os títulos da dívida pública na zona do euro — aproximadamente € 2 trilhões em títulos emitidos pelos governos — estão sendo transacionados a taxas de juros negativas.

Com o advento do programa de afrouxamento quantitativo (quantitative easing) implementado pelo Banco Central Europeu, aquilo que havia começado quatro meses atrás, quando os títulos de 10 anos do governo suíço entraram em terreno negativo pela primeira vez na história, transformou-se em uma bola de neve e em seguida em uma avalanche de taxas de juros negativas, as quais estão hoje em todos os principais mercados de títulos da dívida dos governos europeus.

Em sua busca por "ativos seguros", os investidores abandonaram toda a cautela e coletivamente se tornaram determinados a pagar aos governos pelo privilégio de emprestar a eles.

Pois bem.

Há quem diga que o fato de haver taxas de juros negativas é um fenômeno "espantoso" e que refuta todas as teorias econômicas que afirmam que os juros denotam uma preferência temporal.  Afinal, quem em sã consciência irá voluntariamente emprestar dinheiro ao governo hoje e receber um valor menor amanhã?  Quem irá emprestar $ 100 e receber apenas $ 95 daqui a 5-10 anos?  Muito melhor seria simplesmente deixar o dinheiro guardado embaixo do colchão.

O problema dessa afirmação é que ela ignora o que realmente está acontecendo.  Se tudo se resumisse a apenas "poder deixar o dinheiro guardado embaixo do colchão em vez de emprestá-lo", aí sim teríamos um problema com a teoria.  Só que a realidade é outra.  E um pouco mais pavorosa.

Para começar, não há nada de espantoso em relação a taxas de juros negativas.  Em um sistema bancário que não operasse com reservas fracionárias, qualquer banco que recebesse um depósito de um correntista e que não aplicasse a esse depósito uma taxa de juros negativa seria considerado fraudulento.  Nesse mundo, nada é de graça: se levarmos dinheiro — seja na forma de ouro, prata ou meros dígitos eletrônicos — a um banco e pedirmos para o banco custodiar esse nosso dinheiro, teremos de pagar por esse serviço. 

Pessoas que utilizam os cofres particulares dos bancos para guardar seus bens valiosos pagam por esse serviço.  Isso é uma taxa de juros negativa.  Se não houvesse a prática das reservas fracionárias, isso seria o normal.  A invenção das reservas fracionárias criou juros positivos sobre os depósitos bancários; em troca, gerou também a contínua inflação de preços e os ciclos econômicos.

Portanto, taxas de juros negativas, por si sós, não são nada de excepcional.  O que é realmente excepcional, e que nunca havia acontecido antes na história do mundo é isso: os governos estão pagando taxas de juros negativas.

O jornalista do artigo acima está correto em sua explicação dos motivos que levaram a isso: os investidores "coletivamente se tornaram determinados a pagar aos governos pelo privilégio de emprestar a eles".  O que está incorreto, no entanto, é sua afirmação imediatamente anterior: "Em sua busca por "ativos seguros", os investidores abandonaram toda a cautela. . . ."  Ora, por que isso seria abandonar toda a cautela?  Ao menos no que tange a títulos governamentais de curto prazo, essa é uma resposta racional às atuais condições econômicas europeias.

A zona do euro pode começar a se desfazer nos próximos quatro meses.  De um jeito ou de outro, a Grécia vai descarrilar o arranjo.  Se o país permanecer na zona do euro, ele só ficará por causa de um perdão de sua dívida, a qual será ocultada por algum esquema de rolagem.  Se a Grécia receber um empréstimo sob as atuais condições, de modo que ela não mais terá de quitar sua dívida com os bancos alemães, então os governos de Portugal, Espanha e Itália também quererão o mesmo tratamento.  E aí o que irá acontecer com a estrutura bancária da Europa Ocidental?

Nesse cenário, os investidores estão fazendo exatamente o que fazem em épocas de grande incerteza.  Eles tentam manter seu principal.  Eles querem receber de volta o máximo possível do valor total de que eles inicialmente abriram mão em troca de custódia.

E por que então eles simplesmente não deixam o dinheiro embaixo do colchão em vez de aplicá-lo a juros negativos?

Essa pergunta é típica de quem não conhece o atual sistema bancário.  A esmagadora maioria do dinheiro (mais de 85%) está na forma de dígitos eletrônico; apenas uma quantia mínima (não mais do que 10%) está na forma de cédulas e moedas metálicas. 

Sendo assim, simplesmente não há como investidores que gerenciam bilhões de euros — ou até mesmo aqueles que gerenciam "apenas" milhões de euros — irem até o banco da esquina e sacaram tudo em espécie.  Os bancos não restituem em espécie esses valores.  Eles são legalmente isentos, pelo governo, de fazerem isso.  O dinheiro eletrônico está "preso" nos bancos e não há como esses dígitos serem convertidos integralmente em cédulas e moedas metálicas.  Tudo o que os investidores podem fazer é transferir dígitos eletrônicos de uma conta bancária para outra conta bancária.  E só.

O Banco Central da Suíça, por exemplo, já anunciou que os bancos não mais têm de fornecer cédulas para nenhum fundo de investimento que queira sacar dinheiro.  Uma empresa de seguros tentou fazer isso, mas o banco se recusou.  O Banco Central da Suíça, portanto, fez uma declaração ao mundo: ele deixou claro que não há como fugir do dinheiro eletrônico digital.

E, mesmo que fosse perfeitamente possível esses grandes investidores irem aos seus bancos e sacar integralmente todos esses bilhões de euros e francos suíços em espécie, eles ainda assim teriam de guardar todo esse montante em algum cofre.  Ou seja, eles pagariam por isso.  E essa não seria uma atitude muito sensata ou segura.  E se você fosse assaltado quando estivesse levando os bilhões para um cofre?

Portanto, dado que não há como fugir desse arranjo monetário e bancário, a única maneira de grandes investidores preservarem seu principal é aplicando-o justamente naquilo que é considerado essencialmente um ativo livre de riscos. 

E só há um ativo que seja oficialmente considerado livre de risco: títulos da dívida de um governo considerado financeiramente sólido (alemães e suíços são os que mais se destacam nesse quesito, mais ainda que os americanos).  Quanto mais curto for o prazo do título da dívida de um governo, mais livre de riscos ele se torna. 

Adicionalmente, como explicado em detalhes neste artigo, em uma situação em que as taxas de juros estão em queda, é possível obter elevados ganhos de capital ao se comprar títulos de longo prazo: à medida que os juros vão caindo, os preços de mercado desses títulos vão subindo.  Ou seja, se você comprar um título por $ 100, e os juros caírem, você pode revender esse mesmo título por, digamos, $ 102.  Isso é uma taxa de retorno muito positiva, e nada negativa.

As pessoas acreditam quando os políticos e burocratas do governo afirmam que o governo não irá jamais dar um calote em sua dívida.  Praticamente todo mundo acredita nisso atualmente.  Toda a estrutura do mercado mundial se baseia nessa premissa.  Por exemplo, mercado futuro de commodities utiliza como colateral (garantia) títulos de 90 dias do governo americano (os chamados Treasury Bills ou T-Bills). 

Sendo assim, não faz sentido o jornalista dizer que "os investidores abandonaram toda a cautela".  Muito pelo contrário: eles estão abraçando totalmente a cautela, e com os braços bem apertados.  Eles estão colocando seu dinheiro na única forma de investimento que hoje aparenta gerar uma taxa de retorno positiva no futuro: títulos da dívida governamental de longo prazo.  Isso sim é ter cautela.  Isso sim é ser sensato.  Infelizmente, é assim que se ganha dinheiro nas atuais economias do Ocidente quando há uma fuga de capital do setor privado (totalmente deprimido na Europa) para o setor público.

Enquanto isso, o Banco Central Europeu segue seu programa de comprar, mensalmente, 60 bilhões de euro em títulos públicos e privados em posse do sistema bancário.  E, à medida que ele compra títulos da dívida dos governos da zona do euro, os preços desses títulos sobem.  Isso significa que os juros desses títulos caem.  Trata-se de uma lei econômica: aumento da demanda em face de uma oferta relativamente estável. 

E isso é especialmente válido para os títulos da dívida do governo alemão.  O governo alemão está tendo um superávit em seu orçamento, o que significa que oferta de títulos do governo alemão não está aumentando. 

Sendo assim, se você quiser comprar o título mais seguro de todos, você terá de pagar um prêmio por isso.  E, dado que um número cada vez maior de pessoas quer comprar títulos do governo alemão em vez de vendê-los aos preços vigentes hoje, a conseqüência é que o preço dos títulos alemães continua subindo.  Ou, colocando de outra forma, a taxa de juros dos títulos alemães continua caindo, e hoje está negativa.

Isso é perfeitamente racional. 

Quando se considera essa louca corrida por ativos seguros, combinada à atual política do Banco Central Europeu de irrigar o mercado de títulos com liquidez, e tudo isso em conjunto com o fato de que é impossível os investidores converterem seus dígitos eletrônicos em cédulas de dinheiro, a taxa de juros dos ativos mais desejáveis e de risco praticamente zero tem de se tornar negativa.

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Para ver as prováveis consequências desse arranjo, recomenda-se os seguintes artigos:

A abolição da usura pelos bancos centrais 

A tempestade perfeita criada pelo Banco Central Europeu 

O que é e quais efeitos tem um programa de "afrouxamento quantitativo" 

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Autores:

Gary North, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. 

Carmen Dorobat, pós-doutoranda em economia na Universidade de Angers e professora na Bucharest Academy of Economic Studies.

Leandro Roque, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.



autor

Diversos Autores

  • Bruno Borsatto  11/05/2015 14:57
    E quando o Banco central parar de comprar esses títulos, se os juros subirem e o governo alemão não conseguir pagar a dívida? BC fodendo tudo como sempre.
  • BubbleObserver  11/05/2015 15:08
    Aos poucos vai ficando evidente para todos que o sistema de reservas fracionárias é potencialmente explosivo. O mesmo tenderá a ocorrer com a percepção da dívida pública de diversos países, especialmente quando cresce muito mais rápido do que o PIB e a tendencia da população economicamente ativa é decrescente ... As finanças públicas e privadas terão de mudar mais cedo do que se imagina ...
  • Diego  11/05/2015 16:35
    Nenhum texto sobre o massacre dos conservadores? Nem tudo ainda está perdido na Europa.
  • James  11/05/2015 16:52
    O massacre não foi nem na Europa e nem mesmo no Reino Unido (os Tories não ganharam absolutamente nenhum assento no País de Gales e nem na Irlanda do Norte, e ganharam um mísero assento na Escócia).

    A lavada foi apenas na Inglaterra, que nem sequer se considera parte da Europa. Tanto é que os ingleses, quando perguntam se alguém vai viajar para fora do Reino Unido, perguntam se tal pessoa "está indo para a Europa".
  • Luciano  12/05/2015 01:56
    Estás enganado. Os Tories ganharam 11 cadeiras no País de Gales. Seu melhor resultado desde 1983.

    Em relação à Irlanda do Norte, os Tories realmente não vencerem em um único distrito, porém o partido que obteve o maior número de assentos em Westminster foi o Democratic Unionist Party. Um partido conservador.
  • Ricardo Gomes  11/05/2015 16:36
    Tem um argumento aí que o dinheiro em espécie também não é livre de risco: incêndios, roubos, desastres naturais no cofre.....
  • Marco Aurelio Oliveira Gonzalez  11/05/2015 16:37
    Ou seja, mais poder para os governos fazerem porcaria.
  • Andre  11/05/2015 17:28
    "Enquanto isso, o Banco Central Europeu segue seu programa de comprar, mensalmente, 60 bilhões de euro em títulos públicos e privados em posse do sistema bancário. E, à medida que ele compra títulos da dívida dos governos da zona do euro, os preços desses títulos sobem.".

    Ou seja, o BCE é que está gerando essa situação "estranha".
  • Bruno Celestino  11/05/2015 17:50
    Qual é a diferença em porcentagem entre pessoas empregadas em setor público e em setor privado no Brasil ?

    O que aconteceria se a maioria das pessoas fossem funcionárias públicas ?O setor privado conseguiria sustenta-las ?

    Por que comprar Ps4 No Brasil é mais caro do que compra-lo no E.U.A e voltar ?

    Se a expansão da oferta monetária é ruim para a população,poque o governo continua a imprimir dinheiro ?


    Qual a sério o preço de uma ferrari se não existissem impostos?
  • Marrone Angelical  11/05/2015 18:24
    "Qual é a diferença em porcentagem entre pessoas empregadas em setor público e em setor privado no Brasil ?"

    O setor público, em seus três escalões emprega, entre contratados, comissionados, indicados e terceirizados, aproximadamente 20% da população economicamente ativa.

    "O que aconteceria se a maioria das pessoas fossem funcionárias públicas ?O setor privado conseguiria sustenta-las ?"

    Até seria possível, mas ele teria de ser extremamente produtivo para arcar com a imensa carga tributária que isso exigiria. E os salários, obviamente, seriam completamente achatados -- como já estão hoje.

    "Por que comprar Ps4 No Brasil é mais caro do que compra-lo no E.U.A e voltar ?"

    Tarifas de importação, custo Brasil e o fato de que o brasileiro aceita pagar tais valores (se não pagassem tais valores, estes não estariam sendo cobrados; se estão sendo cobrados é porque há otario pagando)

    "Se a expansão da oferta monetária é ruim para a população,poque o governo continua a imprimir dinheiro ?"

    Porque ele se beneficia enormemente disso.

    À medida que a quantidade de dinheiro na economia aumenta, as receitas tributárias do governo aumentam. O aumento das receitas tributárias permite que os gastos do governo também aumentem. À medida que os gastos do governo aumentam, o tamanho do governo aumenta.

    À medida que o tamanho do governo aumenta, o número de leis, regras e regulamentações que ele cria também aumenta. À medida que o número de leis, regras e regulamentações aumenta, o número de transgressões e violações involuntárias também aumenta.

    À medida que o número de violações e transgressões aumenta, o número de cidadãos "criminosos" também aumenta, o que gera a necessidade de mais agentes estatais para regulamentar, fiscalizar, repreender e, em última instância, encarcerar os "transgressores". À medida que aumenta o número de funcionários do governo, aumenta também o controle e a influência do governo sobre todo o mercado.

    O crescimento estatal alimentado pela inflação da oferta monetária se torna um ciclo perpétuo.

    "Qual a sério o preço de uma ferrari se não existissem impostos?"

    Pegue o preço da Ferrari na Europa, converta para reais e acrescente uns 5-10% como custo de frete.

  • Felipe  11/05/2015 18:43
    "se estão sendo cobrados é porque há otario pagando"

    Não gosto desta afirmação que parte da culpa dos preços altos é dos brasileiros.

    Qual é a escolha que um brasileiro tem na hora de comprar?

    Cito o caso dos carros, qual é a escolha de carro barato que o brasileiro tem? Hoje qualquer popular 2015 custa a partir de 30 mil reais.

    E como faço para adquirir um carro e não ser "otario"? deixo de comprar e uso o transporte público que mais parece um inferno?


  • Leandro  11/05/2015 19:28
    Vou me intrometer.

    "Qual é a escolha que um brasileiro tem na hora de comprar? Cito o caso dos carros, qual é a escolha de carro barato que o brasileiro tem? Hoje qualquer popular 2015 custa a partir de 30 mil reais."

    Compre usado, ué.

    Enquanto tem gente pagando R$ 40 mil em golzinho zero pelado (só com ar e direção), há verdadeiras preciosidades em ótimo estado de conservação no mercado de usados.

    Eu tenho um Fiat Bravo T-Jet, modelo 2011, comprado em julho do ano passado (2014) em excelente estado e com vários itens de luxo (que você só encontra de série no mercado europeu). Preço: R$ 44 mil.

    Esse mesmo carro, com os mesmos itens, só que zero, não sai hoje por menos de R$ 80 mil.

    Um Palio 1,6 zero não sai por menos de R$ 49 mil. E um Palio 1.0 básico e zero não sai por menos de R$ 39 mil.

    Compare esses carros e esses valores a um Bravo T-Jet completo e em ótimo estado por R$ 44 mil. Há alguma discussão?

    Enquanto tem gente pagando quase R$ 55 mil pra ter um Palio zero completo, o mesmo carro, mais velho, pode ser facilmente encontrado por R$ 25 mil no mercado de usados.

    E se o seu objetivo é apenas ter um meio de transporte, então por R$ 10 mil você encontra muito golzinho arrumado.

    Dá trabalho pesquisar? Dá, sim. Mas compensa. E muito.

    Quem compra carro zero no Brasil ou é muito rico ou está meio sem noção em relação ao mundo real.
  • Douglas  12/05/2015 12:03
    Perfeito.

    Vejo de mais pessoas reclamando do valor dos carros, mas a cada ano estão la fazendo as contas pra pegar um 0.
  • Felipe  12/05/2015 15:37
    "Compre usado, ué. "

    Até é uma opção, mas paliativa diante do problema.

    Enquanto você paga 44 mil num carro usado (com muita pesquisa), os americanos pagam metade.

    E você, como economista, deve saber que se todos optarem por carros usados os preços iriam disparar, levando sua solução para o brejo.

    Agora meu ponto é que vocês acabam deslocando a origem do problema com essa coisa de dividir a culpa.

    Pois veja bem o que vocês acabam dizendo. O governo é quem cria as barreiras, mas é o brasileiro quem deve levar parte da culpa por não pesquisar direito na hora de comprar.
  • Leandro  12/05/2015 16:12
    "Enquanto você paga 44 mil num carro usado (com muita pesquisa), os americanos pagam metade."

    Correto, e isso nunca esteve em contestação. Não entendi o ponto.

    Por outro lado, R$ 44 mil é o equivalente a US$ 14 mil. Dar US$ 14 mil em um Bravo T-Jet completo, um carro genuinamente europeu e em ótimo estado de conservação, e no Brasil, é um grande um negócio.

    [i]"E você, como economista, deve saber que se todos optarem por carros usados os preços iriam disparar, levando sua solução para o brejo."


    Também isso não está em contestação. Apenas disse que eu recomendo o mercado de carros usados como forma de encontrar produtos bons a preços baixos. Se você e nem ninguém mais me derem bola, acharei ótimo. Mais carros bons e baratos para mim.

    "Agora meu ponto é que vocês acabam deslocando a origem do problema com essa coisa de dividir a culpa. Pois veja bem o que vocês acabam dizendo. O governo é quem cria as barreiras, mas é o brasileiro quem deve levar parte da culpa por não pesquisar direito na hora de comprar."

    Uma coisa não exclui a outra.

    Sim, o governo encarece sobremaneira os preços dos carros no Brasil. As montadoras brasileiras operam em um mercado protegido pelo governo. A importação de automóveis novos é tributada por uma alíquota de 35%. Já a importação de automóveis usados é proibida. Ou seja, por causa do governo, as montadoras brasileiras operam em um regime de mercado semi-fechado, sem sofrer nenhuma pressão da concorrência externa. Elas praticamente usufruem uma reserva de mercado criada pelo governo. O brasileiro é praticamente proibido de importar carros (e ele nem mais tem moeda para isso).

    Por outro lado -- e essa é a parte que as pessoas têm dificuldades para aceitar --, o indivíduo consumidor, ao continuar consumindo, está deixando claro que aceita pagar caro por produtos medianos. O indivíduo consumidor, ao voluntariamente continuar comprando carros caros, está mandando um claríssimo sinal de mercado: os preços ainda estão bons.

    A lógica é simples: qualquer empresa — seja uma montadora de automóveis ou uma padaria — vai cobrar para os seus produtos o maior preço que puder, que seja consistente com o maior lucro possível. Duas coisas colocarão um teto nesse preço máximo: a concorrência e a disposição dos consumidores em aceitar os preços praticados (fenômeno esse chamado de 'valoração subjetiva dos consumidores').

    Para todo e qualquer empreendimento que lide com a venda de produtos não essenciais (como automóveis de passeio), são os consumidores que irão decidir o preço máximo que estão dispostos a pagar por estes produtos.

    No caso brasileiro, as montadoras aparentemente ainda não chegaram a esse preço máximo para seus carros, pois os preços continuam subindo, os carros continuam sendo comprados e os lucros (ao menos até 2012) eram altíssimos -- o que significa que os consumidores de uma determinada faixa de renda continuam deixando claro que estão dispostos a continuar pagando os preços vigentes.

    Sendo assim, que incentivo haveria para se reduzir preços?

    Enquanto isso, o mercado de usados ainda se mantém como um mercado razoavelmente desregulamentado: a oferta é enorme, a qualidade é alta (desde que você procure, é claro), os preços são muito mais realistas, e a negociação desses preços é totalmente livre (você pode comprar um carro do seu vizinho ou de um parente seu).

    Quem é genuinamente adepto do livre mercado é entusiasta do mercado de carros usados.
  • Mr Citan  12/05/2015 13:45

    "Qual é a escolha que um brasileiro tem na hora de comprar?"

    "E como faço para adquirir um carro e não ser "otario"? deixo de comprar e uso o transporte público que mais parece um inferno?"

    Não é a toa que as montadoras e as importadoras (antes dos altos tributos) deitam e rolam em cima do bananense na hora de vender um carro.

    Pois o bananense, assim como é apaixonado por carro (segundo aquela famosa propaganda), é também apaixonado pela sensação de comodismo, conformismo e pau-molismo.

    E ao invés de usar a força que o livre mercado lhe dá, prefere ficar com dívidas a perder de vista, e receber de bom grado carroças a preços irreais, comparado a outros países.

    "Não gosto desta afirmação que parte da culpa dos preços altos é dos brasileiros."

    Esqueci de mencionar o coitadismo, mais uma qualidade bananense, ocasionada por décadas de populismo.
  • Diego  11/05/2015 18:32
    Espero que o Reino Unido caia fora da União Europeia e imploda aquilo.
    A Europa tem inúmeras diversidades econômicas, culturais e políticas pra reunir países completamente distintos numa mesma moeda e num único bloco.
    Praticamente é a Alemanha que sustenta aquilo ali e acaba pagando caro, vai ser a mais prejudicada agora no calote da Grécia. A mesma coisa vale pra falidos que adoram flertar com o socialismo como é o caso de Portugal, Espanha, França(berço da esquerda caviar), Itália...
    Adoraria ver o fracasso da Escócia caso se separem do Reino Unido com aqueles socialistas do SNP.
  • Marconi  11/05/2015 19:50
    Esse artigo foi escrito pra mim. rsrsrs

    Eu já falei, repeti e vou repetir novamente.

    A explicação de que juros é preferência temporal está derrubada.

    Sim, é até compreensível que, diante do cenário, a taxa de juros esteja no terreno negativo devido a especulação somente. Se for esse o caso, talvez, talvez, talvez, a teoria de preferência temporal ainda respire por aparelhos mas continue viva.

    Mas o que parece é que estão protegendo o principal, como diz o texto. E isso derruba de vez a teoria.

    Segundo a teoria, todo mundo quer consumir hoje. Logo, quem empresta pra outro abre mão desse luxo atual por um ganho maior no futuro. Essa é a teoria e ela está furada.

    Foi criada para dar uma justificativa moral aceitável para os juros. "Juros é quando um coitado abre mão de um benefício presente para um ganho maior no futuro"..balela! Hoje o caboco tem tanto, mas tanto dinheiro, que ele não abre mão de p. nenhuma na atualidade, ele só vive de juros, ou seja, sugando o produto do trabalho dos outros enquanto ele não produz nada. É como um político.

    Juros como preferência temporal é justo. Mas quando a diferença de renda muda para patamares não-humanos, como é o caso, o juros vira simples dominação.

    Aceitem a realidade que é melhor. Estão todos convidados a serem monetaristas como eu. :-D
  • Carlos Garcia  12/05/2015 12:28
    Não vi argumentos seus ainda pra desbancar o artigo.

    Na verdade, forneço ainda mais argumentos (e em um formato bem resumido e fácil de entender) pela teoria austríaca:

    https://mises.org/sites/default/files/2_2_4_7.pdf

    No artigo linkado acima, o atual cenário de juros negativos seria explicado pela justificativa número 5 (como pagamentos em troca de segurança futura). Os atuais investidores, prevendo um cenário de riscos futuros, preferem [menos dinheiro + maior segurança] do que a alternativa [mais dinheiro + maiores riscos].

    Além do mais, vale lembrar que toda essa bagunça atual advém da interferência do governo na economia, e não é fruto do livre mercado. Mises classificava todas essas consequências na chamada "insegurança causada pelo sistema". Se você acha natural existirem taxas de juros negativas apenas porque os governos ferraram tanto com a economia que os mercados foram obrigados a aceitá-las, então você também deve achar bem naturais os ciclos econômicos e bolhas causadas pelos governos e bancos centrais.

    tl;dr: vá manjar pra cima de quem não entende
  • Felipe  12/05/2015 18:19
    Marconi, vamos trabalhar com a lógica.

    Seu ponto:
    "A explicação de que juros é preferência temporal está derrubada."

    Seu motivo:
    "o que parece é que estão protegendo o principal"
    "E isso derruba de vez a teoria. "

    O que de fato a teoria diz (E não o que você acha):

    'A preferência temporal se manifesta no fenômeno do juro original, isto é, no menor valor de bens futuros em relação a bens presentes.' (A ação humana)

    'Entretanto, essas taxas brutas não exprimem apenas o nível do juro originário.' (A ação humana)

    Portanto algumas conclusões :
    1) Juro bruto é influenciado pela preferência temporal, mas não é equivalente. Como a própria teoria afirma, existe outros fatores que afetam os juros nominais, como riscos, inflação e custos.

    2) Preferência temporal é valorizar menos um bem no futuro do no presente (Algo para mim autoevidente). Para comprovar basta partir para a pergunta, você prefere ter 1 milhão agora ou daqui a 10 anos?

    Se você diz sim a pergunta, e obviamente dirá, então você comprava a existência da preferência temporal, e assim, por dedução lógica, não há como negar que ela influência na hora de emprestar algum bem, o que está de acordo com a teoria.


    Agora, com as conclusões em mente vamos confrontar seu argumento:

    Seu motivo:
    "o que parece é que estão protegendo o principal"

    Assumimos que esta afirmação está correta. Então perguntamos, de que maneira isso invalida a preferência temporal?

    Se tenho 1.000.000 de euros hoje e quero que no futuro ele esteja protegido, tendo em vista fatores como depreciação monetária ou até roubo, ou seja, inflação e risco, então não há nenhuma refutação a teoria de preferência temporal.

    Posso preferir aceitar receber 999.999 daqui um ano colocando 1.000.000 porque considero o risco de roubo e inflação maiores do que a taxa que tenho que pagar para manter meu dinheiro guardado. Em outras palavras, assumo que não guardar no lugar X representará uma perda maior para meu dinheiro, e portanto, a teoria de preferência temporal não está sendo invalidada.
  • Marconi  13/05/2015 15:45
    você prefere ter 1 milhão agora ou daqui a 10 anos? Se você diz sim a pergunta, e obviamente dirá, então você comprava a existência da preferência temporal

    Eu prefiro 1 milhão hoje, mas alguns super-ricos preferem, acredite, 1 milhão daqui a 10 anos. Eles já tem tudo quer querem hoje, estão preocupados só em ter amanhã.

    A questão é que agora a realidade do que são os juros está exposta. O argumento moral pra se viver de juros ("Estou fazendo um sacrifício agora pra um benefício maior no futuro" - diz o rentista) foi por água abaixo.
  • Leandro  13/05/2015 16:19
    "mas alguns super-ricos preferem, acredite, 1 milhão daqui a 10 anos. Eles já tem tudo quer querem hoje, estão preocupados só em ter amanhã."

    Isso é um saque total de sua parte. Cadê as estatísticas que comprovem isso? Se é pra citar um fenômeno totalmente atípico, que vai contra o bom senso, você tem de substanciá-lo com fontes. Onde elas estão?

    E, ainda que você encontre um ou outro indivíduo exótico que porventura siga esses preceitos insensatos, isso não basta para refutar todo um arcabouço teórico.

    "A questão é que agora a realidade do que são os juros está exposta."

    Qual realidade? O que foi exposto? Boiei.

    "O argumento moral pra se viver de juros ("Estou fazendo um sacrifício agora pra um benefício maior no futuro" - diz o rentista) foi por água abaixo."

    Em primeiro lugar, isso nunca foi um argumento moral, mas sim apriorístico, sem juízo de valor.

    Em segundo lugar, sigo no aguardo de estatísticas que comprovem que há um número considerável de pessoas emprestado $100 para receber $90 no futuro. Até o momento, isso não está ocorrendo -- nem na Europa, onde a taxa de retorno para quem compra e revende é positiva.
  • Felipe  13/05/2015 20:45
    Cara, a preferência temporal existe, goste você ou não. O futuro é sempre algo distante e incerto, e por isso sempre será valorizado de forma menor que o presente.

    A questão é entender corretamente o conceito.

    A preferência temporal implica dizer que toda poupança é um sacrifício, e assim, por lógica, todo objetivo da poupança tem que ter um valor maior que seu sacrifício.

    Eu renuncio 100 reais (sacrifício) hoje para ganhar 103 daqui 1 ano (objetivo)

    O erro que muitos comentem é não vê que nem sempre esse valor do objetivo da poupança será visto de maneira numérica.

    Isso por que o valor que o individuo dá para avaliar sua decisão não é algo objetivo, mas sim subjetivo.

    Por exemplo, alguém que guarda para se prevenir de eventuais risco no futuro ou garantir uma aposentadoria.

    Como o caso de uma velhinha que guarda dinheiro no colchão.

    Eu renuncio 100 reais (sacrifício) hoje para garantir contra eventuais riscos no futuro (objetivo)
  • Ali Baba  15/05/2015 03:53
    @Marconi 13/05/2015 15:45:52

    você prefere ter 1 milhão agora ou daqui a 10 anos? Se você diz sim a pergunta, e obviamente dirá, então você comprava a existência da preferência temporal

    Eu prefiro 1 milhão hoje, mas alguns super-ricos preferem, acredite, 1 milhão daqui a 10 anos. Eles já tem tudo quer querem hoje, estão preocupados só em ter amanhã.

    A questão é que agora a realidade do que são os juros está exposta. O argumento moral pra se viver de juros ("Estou fazendo um sacrifício agora pra um benefício maior no futuro" - diz o rentista) foi por água abaixo.


    Você ignora ainda outra coisa... Alem do q o Leandro e o Felipe já explicaram, você ainda pode argumentar q emprestar 100 para receber 99 em 5 anos (algo que está acontecendo com os títulos a juros negativos) é suficiente para derrubar por terra o argumento da preferencia temporal. Mas veja que uma quantidade muito grande de especuladores estão atuando nesse mercado de olho na valorização antes da maturidade.

    É simples: um titulo só paga a promessa (no caso os 99) na data de vencimento (no caso, em 5 anos). Mas o valor dele no mercado vai mudando nesse período baseado na sua oferta/procura. Ou seja... É muito frequente você comprar a 100 com a promessa de receber 99 em 5 anos e vender no ano seguinte a 105. Você embolsou uma taxa de juros de 5% em um ano... De forma alguma um mau negocio... E perfeitamente compatível com a teoria da preferencia temporal.
  • Jorge  15/05/2015 08:33
    Exato. O Marconi genuinamente acredita que fundos de investimento e especuladores estão comprando títulos de longo prazo a juros negativos e estão ficando com esses títulos em sua carteira até o vencimento, perdendo dinheiro.

    Ele simplesmente não aceita a realidade de que tais títulos são revendidos no curto a preços maiores do que foram comprados (daí os juros em queda; preços maiores, juros menores), gerando um retorno positivo para especuladores e investidores.

    Coitado, ele parece não entender como funciona o mundo (acha que especuladores e investidores são imbecis). E, quando você tenta alertá-lo, ele fica bravo. Deixe-o, então.
  • Marconi  15/05/2015 14:39
    Segundo a preferência temporal, eu prefiro um casaco novo hoje, que tá um calor do caramba, do que daqui a dois meses, quando estiver frio.

    Segundo a preferência temporal, eu prefiro ter dez maças hoje, do que comer uma hoje e outra amanhã e assim por diante. Portanto, segundo a preferência temporal, pelo jeito eu prefiro comer maça estragada a boa.

    A preferência temporal foi usada como a base da explicação do que são os juros na teoria austríaca. Ela não aceita juros reais - muito menos nominais - negativos.

    Aceitem e favor alterar o nome do instituto. Sugiro Adam Smith, mas aceito Milton Friedman. Quem sabe Silvio Gesell? rsrsrs
  • Leandro  15/05/2015 14:48
    "Segundo a preferência temporal, eu prefiro ter dez maças hoje, do que comer uma hoje e outra amanhã e assim por diante. Portanto, segundo a preferência temporal, pelo jeito eu prefiro comer maça estragada a boa."

    Totalmente errado. Segundo a preferência temporal, você prefere ter dez maçãs hoje a ter as mesmas dez maçãs em futuro distante.

    Essa sua comparação entre dez maçãs hoje e comer uma amanhã é totalmente ilógica. Pior ainda foi a sua conclusão de que você prefere comer maçã estragada em um futuro distante.

    "Segundo a preferência temporal, eu prefiro um casaco novo hoje, que tá um calor do caramba, do que daqui a dois meses, quando estiver frio."

    Errou de novo. E feio. Você violou a regra do "tudo o mais constante". Preferir casaco no inverno a casaco no verão não tem absolutamente nada a ver com preferência temporal, mas sim com realidade climática. (Nem acredito que estou tendo de dizer isso).

    Sério, por que você insiste em falar sobre algo do qual você obviamente não entende nem o básico? Será que é tão difícil assim uma pessoa ter a humildade de reconhecer que não domina um determinado assunto, e, logo se conter e não palpitar sobre ele? Isso não é vergonha nenhuma. Eu, por exemplo, me policio para jamais falar sobre algo do que não entendo. É por isso que não palpito nem sobre futebol
  • Marconi  15/05/2015 16:34
    Tudo bem que eu tenha falado besteira sobre o casaco no inverno e no verão.

    Mas sobre as maças, é claro que a teoria não trata da exata mesma coisa, mas sim da coisa equivalente. Não se trata da exata mesma maça hoje e amanhã, mas sim de uma maça hoje e outra de mesma qualidade ("igual") no futuro.

    Suponha uma banana verde hoje. Você prefere comê-la hoje verde ou daqui 10 dias quando estiver madura? Concordo que a teoria trata de banana verde hoje e a mesma banana verde no futuro. Como isso é impossível, já que ela vai amadurecer, creio que vai concordar que nunca poderá ser exatamente a mesma banana, mas sim uma equivalente.

    Em relação ao casaco, suponha que você tenha um número mais que suficiente pra se proteger do frio. Aí você decide emprestar o seu casaco hoje pra alguém e, naturalmente, segundo a preferência temporal, vai pedir uns juros, pois não faria sentido você receber o mesmo casaco no futuro. Não é mesmo?

    Não. O casaco, mesmo no armário, vai se depreciando, danificando. Se você emprestá-lo pra alguém, já que não tem interesse nele hoje, em troca de um mesmo casaco (idêntico) no futuro, valerá a pena. Você não precisa do juros, como supõe os austríacos.

    A preferência temporal "funciona bem" na parte de quem pega emprestado. Ele realmente prefere hoje a amanhã e vai pagar por isso. Só que a preferência temporal supõe "um sacrifício" da parte emprestador que não existe ou, pelo menos, nem sempre é.

    Parte dos juros ou, pelo menos, a maior parte dele tem a ver não com a preferência temporal, mas sim com o fato do dinheiro, ao contrário dos demais bens, não se depreciar com o tempo. Essa vantagem do possuidor do dinheiro frente ao produtor de bens/serviços (ou seja, frente aos reais criadores de riqueza) é injusta e explica a maior parte do que são os juros.

    Eu não sei do assunto, mas eu discuto justamente pra ir entendendo melhor e aprendendo.




  • Felipe  16/05/2015 13:49
    Marconi, sei que foi para o Leandro, mas já é possível identificar 4 erros que você comete.

    1) Erro no entendimento do conceito.

    Preferência temporal não é eu quero ter tudo agora.
    Preferência temporal é valorizar mais o presente do que o futuro.

    Se eu tenho uma pedra em casa não quer dizer que eu tenho que consumir ela, porque ela não vale nada para mim nem no presente e nem no futuro.

    2) Erro sobre a implicação do conceito.

    Preferência temporal não implica que irei cobrar juros de qualquer coisa que emprestar.
    Preferência temporal implica que toda poupança de algo que poderia me dar alguma satisfação imediata será um sacrifício, e assim, seu objetivo tem que ter um valor maior

    Se eu empresta minha pedra não preciso cobra nada dela, porque não é nenhum sacrifício para mim

    3) Erro sobre o conceito de valor

    Valor do objetivo da poupança e do sacrifício é algo subjetivo.

    Posso emprestar sem pedir nenhum juros porque considero a satisfação de ajudar aquela pessoa mais valiosa

    Outra implicação, posso guardar 100 reais no banco para receber 99 reais porque meu objetivo era apenas proteger meu dinheiro para o futuro e não ganhar juros.

    4) Emprestador não é igual a poupador.

    No livre mercado eles se confundem, já que para emprestar tenho que captar de algum poupador.
    Mas no mundo real não. O governo pode inundar os bancos de dinheiro e assim baixar os juros sem alguma relação com a preferência temporal
  • Marconi  18/05/2015 12:44
    Olá Felipe, eu entendi o que disse. Eu falei umas bobagens sobre preferencia temporal, mas a questão principal é que isso aqui que você disse

    Preferência temporal implica que toda poupança de algo que poderia me dar alguma satisfação imediata será um sacrifício, e assim, seu objetivo tem que ter um valor maior

    Não é a base da explicação do que são os juros. A maior parte dos juros é explicada pela vantagem do dinheiro frente ao demais bens. Se eu empresto meu dinheiro, vale a preferência temporal / sacrifício pra explicar os juros positivos. Se o Bill Gates empresta o dinheiro dele, não.
  • Felipe  18/05/2015 15:51
    E por que o Bill Gates seria diferente?

    A preferência temporal existe para todos, pois o futuro é algo distante e incerto.

    Podemos apenas assumir que para o Bill Gates emprestar 1.000.000 seja um sacrifício baixíssimo, quase nulo.

    Seria nulo apenas no caso de 1.000.000 não valer nada para ele, assim como ter uma pedra em casa. E mesmo nesta hipótese maluca não invalidaríamos a preferência temporal, pois ela lida "apenas" com que tem valor.

    Vale novamente lembra que ao emprestar não necessariamente irei cobrar juros. Pode ser que me objetivo seja só ajuda alguém ou proteger meu dinheiro.

    E se concordamos que a preferência temporal existe para todos, então é contraditório afirmar que juros não é influenciado por este conceito.

    E negar a preferência temporal é irracional, pois é impossível se quer imaginar alguém que prefira o distante ao próximo, o incerto ao certo.
  • Felipe  15/05/2015 15:05
    "Segundo a preferência temporal, eu prefiro um casaco novo hoje, que tá um calor do caramba, do que daqui a dois meses, quando estiver frio."

    Um casaco hoje vai atender alguma satisfação minha? Se não, então não tem nada haver com preferência temporal.

    "Sendo iguais as demais circunstâncias, o homem prefere uma satisfação em período mais próximo do que em período mais longo; esperar é uma desutilidade." ( A ação humana)
  • Carlos Garcia  15/05/2015 15:51
    Marconi mostrando que gosta de dar opiniões sobre assuntos que desconhece. Já disse Rothbard:
    "It is no crime to be ignorant of economics, which is, after all, a specialized discipline and one that most people consider to be a 'dismal science.' But it is totally irresponsible to have a loud and vociferous opinion on economic subjects while remaining in this state of ignorance."
  • Andre Cavalcante  11/05/2015 20:50
    "O dinheiro eletrônico está "preso" nos bancos e não há como esses dígitos serem convertidos integralmente em cédulas e moedas metálicas. Tudo o que os investidores podem fazer é transferir dígitos eletrônicos de uma conta bancária para outra conta bancária. E só."

    Quando li isso, me veio a mente quase imediatamente que há um "dinheiro eletrônico" que está "fora" desse rolo todo: o bitcoin (ou qualquer outra cryptocurrency). Eles podem simplesmente transferir o dinheiro para a conta de uma exchange e comprar o ativo. O problema (e sempre há um problema): as cripto-moedas ainda não tem aceitação universal e com essa apertada dos reguladores do governo a coisa ficou um pouco pior... mas, em teoria, seria possível movimentar o dinheiro para um ativo eletrônico.

  • Andre  11/05/2015 22:55
    Mas seu um desses bilionários for converter o dinheiro dele em Bitcoin ele teria que criar pequenas ordens de compra ao longo do tempo. Se ele tentar comprar de uma vez só vai fazer o preço subir muito.
    Pelo menos na atual faixa de preço do Bitcoin é isso que ocorreria.
  • Thiago Cardoso  12/05/2015 12:06
    Tenho algumas dúvidas. O superávit do governo alemão em 2014 e no 1T15 foram de 0,1% e 0,7%, respectivamente. Isso é muito pouco para justificar que ele possa realmente comprar muitos títulos. Além disso, o governo francês tem apresentado déficits superiores a 4% junto com Portugal, Espanha e outros países da Zona do Euro.
    Isso sem falar de que muita gente que está comprando os títulos da divida está vendendo logo em seguida quando o BCE baixa novamente os juros. Eu tenho a impressão de que o sistema parece mais uma bolha do que realmente "pagar pelo privilégio de um ativo livre de riscos".
  • Andre Cavalcante  12/05/2015 14:04
    Se um governo faz superavit, mesmo que muito pequeno, significa que o referido governo não precisa tomar dinheiro emprestado para fechar as suas contas, logo, não emite títulos de dívida. Assim, os títulos que já foram emitidos no passado, e que ainda não maturaram, ou seja, ainda estão no mercado, sofrem um majoração em termos de preço, porque a procura por eles aumenta, mas não a oferta (o governo não emitiu mais títulos).

    E, como fartamente ilustrado neste site, sim, o que os BCs por todo o mundo desenvolvido estão fazendo é alimentar um bolhão, talvez o maior de toda a história. O problema com toda bolha é que, em um momento que ninguém sabe qual é ela vai estourar e ninguém também sabe na mão de quem. Por enquanto estão ganhando muito dinheiro com isso.
  • Andre Cavalcante  18/05/2015 18:24
    Xara,

    O problema não é nem o preço, mas o volume. USD10.00/BTC ou USD1,000.00/BTC não faz diferença se o volume de BTCs no mercado for suficente para atender uma demanda de bilhões de USD. E, novamente, como disse acima, em teoria seria possível transferir dólares para um ativo eletrôncio (uma vez que os bancos centrais estão proibindo a conversão em dinheiro vivo - cédulas e moedas metálicas). Mas sei que isso não é exequível no momento (ao menos no momento).
  • IRCR  11/05/2015 21:15
    Leandro,

    Não seria possivel deixar o dinheiro "parado" na conta corrente ??? Pois assim não pagariam para emprestar e nem pagariam pela custodia.

    Outra forma não poderia ser os investidores comprarem titulos de paises q possuem taxas de juros positivas como a do Brasil ? Mesmo que seja em tese menos seguras.
  • Leandro  11/05/2015 22:01
    Podem. Mas ainda não estão fazendo isso porque, como dito, ainda dá para ganhar dinheiro comprando e vendendo títulos.

    No entanto, em última instância, nada impede que o governo obrigue os bancos a cobrar juros pelo dinheiro parado na conta. E como não há como sacar todo o dinheiro, não haverá escapatória.

    O artigo linkado no texto fala exatamente sobre isso. Recomendo a leitura:

    www.forbes.com/sites/francescoppola/2015/04/25/the-swiss-have-eliminated-the-zero-lower-bound/
  • Meirelles  11/05/2015 22:17
    Fora que nenhum grande fundo de investimento pode se dar ao luxo de apenas deixar dinheiro parado em uma conta-corrente. Clientes exigem retorno. Se tudo que um fundo tem para oferecer é "deixar o dinheiro parado em uma conta-corrente", então, por definição, ele é inútil. Qualquer cidadão comum pode fazer isso, e sem pagar taxas de administração para o fundo.
  • Tulio Lopes  11/05/2015 22:25
    Ou seja, na prática, tudo não passa de uma engenhosa articulação para direcionar todo o capital para o financiamento dos governos via compra de títulos.
  • IRCR  12/05/2015 00:03
    Leandro,

    Okay. Obrigado.

    Mas sobre comprar títulos de governos com o brasileiro ? Nem digo de governos da Venezuela ou Argentina. Digo daqueles menos propensos a calote e quem possuem taxa de juros mais elevadas.
  • Leandro  12/05/2015 01:03
    Eles são perfeitamente livres para aplicar em títulos do governo brasileiro. Falta apenas combinar com a taxa de câmbio: se o câmbio se desvalorizar, no período da aplicação, mais do que o rendimento da aplicação, eles perdem dinheiro.

    Por exemplo, em maio de 2014, a taxa de câmbio entre euro e real era de aproximadamente 3,05. E a SELIC estava em 11%.

    Logo, se um investidor europeu trouxesse 100 euros para aplicar em títulos do governo, ao converter ao câmbio de 3,05, ele teria R$ 305 para aplicar a aproximadamente 10% ao ano (não se esqueça que ele também paga imposto de renda sobre os ganhos).

    Aí, 12 meses depois, em maio de 2015 (hoje), tendo ganhado 10%, ele teria R$ 335. Só que, em maio de 2015 (hoje), a taxa de câmbio entre euro e real já está em 3,41.

    Logo, ao converter R$ 335 em euros, ele terá apenas 98 euros.

    Ou seja, ele veio com 100 euros, aplicou a 10% ao ano, e ainda assim ficou com apenas 98 euros. Um grande prejuízo. Isso sim é taxa de juros negativa.

    Entendeu a encrenca?
  • Marconi  12/05/2015 12:05
    Se um país fizer o básico pra atrair investimentos no mundo atual, vai enriquecer da noite para o dia.

    Tem um mundo de capital dando sopa por aí, doido pra um investimento que dê, sei lá, 2% de juros reais anuais garantidos...

    Os banco centrais do mundo rico criaram um ambiente tão moleza para os países pobres e em desenvolvimento e nada deles aproveitarem.. O Brasil então.. pqp..

    Nunca foi tão barato atrair dinheiro.
  • Rud  13/05/2015 13:41
    Leandro...e o hedge cambial, não entra nesta estória ?
  • Leandro  13/05/2015 14:42
    Nunca saiu dela.

    Como explicado neste artigo:

    O máximo a que um país de moeda instável pode aspirar é utilizar para fins de curto prazo o capital puramente especulativo (o chamado "hot money") que entra no país à procura de ganhos rápidos com arbitragem. Os melhores cérebros do país abandonarão as profissões voltadas para o setor tecnológico e irão se concentrar no mercado financeiro, especialmente no setor de hedge.


  • Joao  07/02/2016 19:16
    Se compra imóveis e contribui com a inflação do setor. Dinamarca e Suíça já tiveram grande alta no valor dos imóveis. Mais intervenção, mais desequilíbrio.
  • anônimo  11/05/2015 21:50
    Mais uma,Tem um economista Brasileiro que propõe um projeto na ONU;A ideia é taxar as grandes transações financeiras no mundo,para que possam distribui-las entre os pobres e o governo assim diminuindo a desigualdade e a pobreza.
    www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/05/11/interna_vidaurbana,575836/claudio-guedes-fernandes-por-um-mundo-menos-desigual.shtml

    Qual seria o impacto na economia se as coisas feitas do modo que esse cara propõe ?
  • André  11/05/2015 22:02
    Vários políticos e ditadores encheriam as burras de dinheiro, como sempre ocorre quando esse tipo de política "redistributiva" é implantada. O dinheiro sempre vai para eles. Sempre. Todos as ajudas externas destinadas à África acabaram na conta bancária dos ditadores daqueles países.

    Como diz o provérbio, muitos dos interessados na distribuição do bolo querem sobretudo o controle da faca.

    Ou, na mesma linha, todo mundo é especialista em distribuir propriedade alheia e propor uma adequada repartição do bolo, desde que esteja no controle da faca.
  • Analista de Bage  12/05/2015 00:21
    Uma pergunta: porque o preço do ouro não está aumentando (mais) no mercado internacional? Nesse contexto de grande expansão monetária eu estaria (estou) me expondo ao ouro (que consiste, na minha opinião, no lastro mais confiável para uma aplicação financeira, muito mais do que qualquer título público desses governinhos democráticos vagabundos). Mesmo pagando uma custódia de 1% ao ano, mais vale ter ouro na mão do que títulos públicos.
  • Magno  12/05/2015 00:33
    Porque as principais economias do mundo estão vivenciando deflação de preços. E, como explicado no artigo, ainda é possível ganhar dinheiro aplicando em títulos.

    Nesse ambiente de deflação de preços e que ainda permite ganhos reais com títulos públicos, não é uma boa investir em ouro, que é uma commodity cuja principal função é a proteção contra a inflação e que não traz nenhum ganho com juros (e, como você bem disse, ainda há a taxa de custódia).
  • Analista de Bage  12/05/2015 00:48
    Bom Magno, o que você escreveu é verdade: "ainda é possível ganhar dinheiro aplicando em títulos". Com informações privilegiadas alguns conseguirão sair primeiro dessa roleta russa que se transformou o sistema financeiro mundial. Quando a vaca for pro brejo continuo achando que só irão sobrar os ativos reais (ouro, alguns metais preciosos e em menor escala imóveis). Como os bancos não são mais obrigados a fornecer cédulas, ao menos vamos nos livrar da sujeira das ruas, com cédulas amontoadas nas sarjetas (como aconteceu na Alemanha pós 1ª guerra)...
  • IRCR  12/05/2015 16:47
    Leandro,

    As bolsas podem estar artificialmente infladas ??? Ja q nao ha ganho nos titulos publicos os investidores podem estar estar alocando boa parte de seus recursos nas bolsas, fazendo com q elas se inflem artificialmente ??? Mesmo q seja um investimento mais arriscado.
  • Joao  07/02/2016 19:25
    Estão, não há dúvida. Toda expansão monetária resulta em bolha de ativos, invariavelmente. Os juros negativos já levaram os preços dos imóveis para cima, na Dinamarca e na Suíça, muitos % acima da inflação.
  • tOBIAS  14/05/2015 12:55
    Muito esclarecedor esse artigo, simplesmente esclarece uma realidade enxergada por poucos.
  • anônimo  14/05/2015 22:05
    Se o problema é o futuro incerto por que eles simplesmente não compram ouro? Ou comodities?
  • JBALL  17/05/2015 15:48
    Porque um aumento da demanda por títulos faz os juros cair? Não está muito claro para mim.
  • Leandro  17/05/2015 17:49
    Se a demanda sobe, o preço do título sobe. Logo, por definição, o juro dele cai.

    Por exemplo, imagine que o Tesouro emitiu uma LTN cujo valor de face é R$ 1.000 e seu vencimento se dê em um ano. O preço de compra desse título vai ser definido pela oferta e demanda. Suponhamos que o Banco A tenha arrematado o título por R$ 800. Dali a um ano o Tesouro vai pagar-lhe R$ 1.000. Sendo assim, esse título está pagando juros de
    (1.000 - 800) / 800 = 25% ao ano

    Agora, suponha que o Banco Central resolveu fazer uma operação de mercado aberto, expandindo a base monetária. Ele, portanto, vai comprar títulos públicos em posse dos bancos. Ao fazer isso, está havendo um aumento da demanda por títulos. Aumento da demanda significa aumento do preço desses títulos. Assim, um título que foi comprado por R$ 800, agora está sendo negociado a, digamos, R$ 850. Substitua 800 por 850 na equação acima e você verá que os juros caem para 17,64%.

    Ou seja, um aumento da oferta monetária levou a um aumento dos preços dos títulos, o que gerou uma queda dos juros. Guarde essa regra: se o preço de um título sobe, seus juros caem
  • Anônimo  07/02/2016 22:41
    Em um sistema SEM política monetária:

    Recurso escasso = gente querendo emprestar dinheiro para o governo.
    Juro = preço do recurso escasso.

    Quanto mais gente querendo emprestar dinheiro para o governo menor será o preço do tal recurso escasso, que é o juro.
  • Emerson Luís  28/05/2015 19:32

    "Quem irá emprestar $100 e receber apenas $95 daqui a 5-10 anos?"

    Depende: se 100 dólares hoje valem 200 reais e daqui a 5-10 anos 95 dólares valerem 3000 reais, pode valer a pena aceitar esses juros negativos em vez de pagar o preço da inflação e/ou instabilidade política e social.

    * * *
  • Felipe R  10/02/2016 17:37
    Alguém ouviu a coluna da Monica de Bolle na CBN Brasil de hoje? Ela comentou (tentou) sobre o fenômeno de juros negativos no Japão.

    cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/economia-de-quarta/2016/02/10/UM-NOVO-CHOQUE-CHINES-E-RECESSAO-NOS-EUA-SAO-OS-DOIS-MEDOS-DO-MERCADO.htm

    Basicamente a colunista disse que os bancos comerciais que deixam depósitos nos Bancos Centrais, além do compulsório, estão "pagando" por isso, e esta seria a definição do juro negativo. O objetivo dessa política, segundo ela (e o Sardenberg) é estimular o mercado com mais crédito etc. Além disso, ela diz que isso é um sinal que a economia japonesa está "cambaleando". Uma pena eles não informarem ao público que essas medidas de estimulo estatais são tiros no pé, que alimentarão um crash maior ainda no futuro próximo.
  • Gustavo  14/02/2016 15:55
    Leandro, empaquei num ponto.

    Os governos Europeus estão endividados devido à suas políticas monetárias, assistencialistas e etc. Ou seja, a dívida pública está alta. Creio que para financiar essa dívida eles vendam títulos. Teoricamente isso não deveria fazer pressão nos juros para eles subirem??

    No caso do governo brasileiro não seria isso que acontece?? Dívida alta, financiada por títulos públicos, estes que ficam com juros mais altos para atrair interesse dos compradores.

    Por que na Europa é o contrário?
  • Leandro  14/02/2016 20:06
    1) A dívida é alta, mas a riqueza desses países também é alta, bem como a produtividade da população;

    2) Seus governo (ainda) são vistos como confiáveis, sem propensões a calotes;

    3) Todos os países de primeiro mundo estão com juros zero; logo, não há para onde fugir (dentro do grupo de países de primeiro mundo);

    4) Mais importante de tudo: a inflação nestes países é zero. Dado que boa parte do componente das taxas de juros embute um prêmio inflacionário, e dado que o risco de inflação alta nestes países é de praticamente zero (aliás, o "temor" atual é de deflação), investidores não exigem prêmio inflacionário nas taxas de juros.

    No Brasil, com a carestia acima de 10%, com a acentuada desvalorização cambial, com o descontrole orçamentário, com um governo completamente avacalhado, e sem nenhuma perspectiva de alteração de curso, não há um mísero motivo para que as taxas de juros não sejam, no mínimo, 10 pontos percentuais acima das americanas e européias. Aliás, dado esse cenário, devo confessar que 14,25% está até bem baixa.
  • Tulio  24/02/2016 14:31
    O que eu não consigo entender é:

    Beleza, comprei um titulo com taxa negativa por R$100 e em 5 anos terei R$90.

    Mas agora, o que acontece no caso contrário?

    ex: quero pegar um empréstimo de R$100. Terei que devolver só R$90?


    Juros negativos é para estimular o consumo?
  • Fernando Ulrich  24/02/2016 14:43
    Tulio,

    Isso ainda não ocorreu, pelo menos não há notícia de algum banco que esteja "pagando" para conceder empréstimos.

    No entanto, a Alemanha já emitiu bônus de 5 anos com juros em zero no ano passado, porém, como a demanda foi grande, a taxa efetiva de emissão ficou negativa. Foi o primeiro caso da história, salvo engano. Mas não é algo frequente.

    www.ft.com/intl/cms/s/0/a02fc6da-8dfb-11e5-a549-b89a1dfede9b.html#axzz4163NpYWV
  • Lincoln Ribas   07/10/2016 02:29
    como explicar matematicamente a vantagem dos juros negativos?
  • Carlos  26/07/2017 01:55
    A hipótese principal do texto é na Europa estava em momento de "tensão e incerteza". Portanto, o melhor investimento, já que não é possível guardar o dinheiro "debaixo do colchão", seria investir no título do governo, porque eles ainda são confiáveis.

    Mas isso tudo não fecha muito bem pra mim. Primeiramente, com o QE americano, japonês e europeu, muito dinheiro foi adicionado no mercado, isso já deveria ter pressionado a inflação, mesmo que não seja uma hiperinflação (sei que boa parte da grana tá nos cofres dos bancos e as bolsas deram uma subida boa, mas mesmo assim, me é muito estranho). A própria subida das ações já contradiz um pouco essa hipótese de que o fluxo para ativos mais "seguros".

    Além disso, a tensão da zona do euro já deu uma boa esfriada. Algum "bounce back" dessas taxas deveria ter sido refletida.

    Enfim, não consigo enxergar muita racionalidade nesse comportamento (tá, bancos centrais afetam a dinâmica, mas mesmo assim não há muito sentido...)
  • Marcos  26/07/2017 03:22
    Sentido não faz mesmo, não. Mas nada faz muito sentido quando se tem bancos centrais manipulando as economias.

    Eis um artigo mais completo sobre o assunto:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2445


    Leia também os outros dois recomendados ao final dele.
  • Thames  26/07/2017 03:28
    E o dinheiro de fato não entrou na economia. Ao menos não na quantidade imaginada. Veja a evolução do M2 para a zona do euro. Absolutamente nada fora do padrão histórico:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/historical@2x.png?s=EMUEVOLVMONSUPM2&v=20170704202800&d1=19170101&d2=20171231


    Igualmente válido para os EUA:

    https://d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-money-supply-m2@2x.png?s=unitedstamonsupm2&v=201707211959v&d1=20000726&d2=20170726


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