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O alto custo de se planejar centralmente o clima global

Dado que não sou um indivíduo que acompanha rigorosamente o debate sobre "mudanças climáticas", costumo evitar discussões sobre medições de temperatura, nível dos oceanos, mudança do tempo ou tendências climáticas.

Por outro lado, considero uma péssima ideia deixar a ciência econômica e a economia política nas mãos de cientistas climáticos e de seus amigos políticos, os quais tendem a ser irrecuperavelmente obtusos no que tange ao conhecimento de como economias funcionam e de como os bens escassos podem ser preservados, obtidos ou manufaturados.

Para o lobby do aquecimento global, todo o necessário para fazer com que tudo fique bem é entregar o controle da economia mundial para os planejadores centrais dos governos. Na mente deles, basta o governo acionar suas engrenagens e elas automaticamente farão tudo com assombrosa precisão para preservar o status quo climatológico.  Dentre suas propostas, as duas que mais chamam a atenção é o encarecimento da energia e a redução da atividade econômica. [Nota do IMB: por essa lógica — energia cara e atividade econômica zero — o Brasil está na vanguarda.  Somos um dos países mais verdes do mundo].

Os custos de tal empreendimento — sejam eles mensurados em dinheiro, vidas humanas ou conforto humano — seriam irrelevantes, pois, segundo eles próprios, a única alternativa é a total destruição do planeta Terra.

Essa postura de "faça o que eu digo ou você vai morrer" é obviamente o sonho de todo e qualquer propagandista.  Só que, no mundo real, onde cabeças mais racionais tendem (ocasionalmente) a prevalecer, os custos de qualquer ação governamental devem ser comparados aos custos das alternativas.  Mais ainda: o ônus da prova recai sobre aqueles que querem a intervenção estatal, já que seus planos dependem do uso da violência do estado para impingir o cumprimento das ordens propostas.

Mas, pelo bem debate, vamos assumir, hipoteticamente, que realmente estejam ocorrendo mudanças climáticas globais e que o nível dos oceanos esteja subindo. Isso ainda deixa várias questões que devem ser prontamente respondidas pelos entusiastas do aquecimento global:

1) Qual é o custo do seu plano para as várias populações do planeta, em termos de vidas humanas e de padrão de vida?

2) Os custos do seu plano são maiores ou menores do que os custos de outras soluções, como a realocação gradual de populações que vivem em áreas costeiras?

3) Você seria capaz de demonstrar que o seu plano tem uma alta probabilidade de dar certo? Se a resposta for negativa, por que deveríamos implantar o seu plano em vez de usar os mesmos recursos em outras soluções mais práticas e em necessidades mais imediatas, como água potável, alimentos, e necessidades básicas?

Com grande frequência, a resposta a perguntas como essas consistem de bravatas e diatribes que nos exortam a agir agora.  Mas essa postura é similar à de uma pessoa que, vendo que o inverno está se aproximando, exige que todos construam imediatamente abrigos e sigam estritamente suas ordens. "Vocês não estão vendo que está ficando frio?" diz ele. "Se vocês não construírem os abrigos como estou mandando, todos nós iremos congelar."  E quando alguém questiona se esse seu plano de construir abrigos é realmente a melhor maneira de agir, ou ao menos sugere que há outros tipos de abrigo com um melhor custo-benefício, ou, ainda, que é melhor permitir que cada um seja livre para construir seu próprio abrigo, ele se enraivece e dispara que "vocês egoístas ignorantes não se importam se todos nós morrermos!"

Mas se o grupo decidir seguir os planos de abrigo desse cidadão beligerante, eles podem descobrir, no final de tudo, que o abrigo não possui isolamento suficiente contra o frio ou que é estruturalmente instável. Nesse caso, o grupo estará em uma situação pior do que antes, pois desperdiçou uma grande quantidade de recursos escassos e valiosos que deveriam ter sido aplicados em outros investimentos.

Os verdadeiros custos da regulação climática global

Eis um parágrafo bem característico de uma publicação que alega refutar o "mito" de que controles econômicos terão um impacto negativo sobre a economia:

No longo prazo, a menos que reduzamos drasticamente a taxa à qual estamos emitindo gases causadores do efeito estufa, é muito provável que tenhamos de pagar um preço enorme em decorrência da mudança climática.  Uma parte desses custos será apenas para a adaptação e para as inevitáveis desordens. Os custos subirão devido a instabilidades e incertezas no mundo econômico. Também existirão custos que não podem ser quantificados, particularmente quando tentamos precificar uma vida humana e a perda da mesma.

O que são esses "enormes custos?" Quantos deles virão da "desordem" e quantos virão da "adaptação"? Se examinarmos com mais profundidade os planos propostos, descobrimos que as tentativas de se estimar tais custos são baseadas em modelos computacionais extremamente especulativos.  Há apenas a suposição de que seu plano de ação é superior ao procedimento preferido por terceiros.  Há apenas a suposição de que os custos de implantar medidas regulatórias são menores do que os custos da alternativa, que é deixar como está. Mas, novamente, o ônus da prova está com aqueles que querem aplicar a coerção estatal sobre os outros.

No que mais, mesmo as pesquisas convencionais (pró-regulação) reconhecem que os cortes de emissões propostos, como cortar "emissões de CO2 para 80% dos seus níveis de 1990", são puramente arbitrários.  Com efeito, eles têm de ser arbitrários, pois as próprias pessoas que defendem tais medidas não fazem a mais mínima idéia de em quanto as emissões de gás carbônico devem ser cortadas para atingir suas metas, ou mesmo se existe um nível de cortes que seja suficiente para atingi-las.

O que nós realmente sabemos, por outro lado, é que a energia gerada pelo uso de combustíveis fósseis é a responsável pela maior parte do enorme progresso alcançado nos países em desenvolvimento.  Os combustíveis fósseis tornaram possível a mecanização, o transporte e a própria existência de economia industrial.  Foi o surgimento de fábricas e de outras operações industriais que retirou milhões de chineses (apenas para citar um exemplo) da pobreza do trabalho agrícola de baixa produtividade e os alçou para dentro das fábricas nas quais eles ganham mais de dez vezes o que ganhavam. Esses trabalhadores enviam dinheiro para os membros mais idosos de suas famílias idosas e assim possibilitam as enormes taxas de poupança que alimentam a economia chinesa.

Trata-se de um trabalho mais seguro, mais produtivo, e que dá acesso a mais alimentos de melhor qualidade, melhores cuidados médicos e melhores moradias do que o trabalho agrícola.

A energia oriunda dos combustíveis fósseis é a responsável por tudo isso. Propor que se puxe o tapete que está sob os pés dessas pessoas demonstra uma falta de preocupação com a humanidade que é realmente revoltante.

No entanto, argumenta o lobby do aquecimento global, "os efeitos do aquecimento global irão afetar essas pessoas." Talvez.  E, se for esse o caso, os aquecimentistas ainda têm de provar que os custos do aquecimento global serão mais altos do que os custos de tornar essas pessoas menos produtivas, mais pobres, e possivelmente indigentes.

Menos energia significa menos água limpa

Um segundo fator de extrema importância é a necessidade de energia para a produção e distribuição de água limpa. A atual seca na Califórnia (e em várias regiões do Brasil) nos lembrou de que água potável é um recurso escasso, mesmo que o governo goste de tratá-la como se não fosse.  

Ainda assim, mesmo com a crescente demanda originada por populações cada vez maiores, água limpa e potável pode ser produzida por meio do uso de energia intensiva, como dessalinização e aquedutos com bombeamento.

Hoje, esses métodos ainda não são economicamente viáveis porque o problema da escassez de água pode ser resolvido por meios mais baratos, como transposição de rios e o uso de aquedutos que trabalham com a força da gravidade.

No futuro, no entanto, à medida que a população for crescendo e a água for se tornando cada vez mais escassa, a resposta mais prática para o problema terá inevitavelmente de passar por soluções que requerem um uso mais intenso da energia.

Só que, ao defender o planejamento centralizado e ao limitar artificialmente o uso de energia, o que o lobby do aquecimento global quer fazer é elevar o custo do processamento de água e, ao mesmo tempo, inibir o progresso tecnológico que resultaria da experiência prática na produção e processamento de água potável.

Bizarramente, várias dessas pessoas alegam que a regulação estatal da água é necessária porque, caso contrário, "os ricos" irão entesourar toda a água disponível.  Só que, com suas políticas que levam a um aumento do custo do processamento e tratamento de água, o lobby ambientalista está apenas garantindo um maior controle monopolista da água e preços mais altos para todos.  Ou seja, na prática, está garantindo que a água ficará menos acessível.

"Mas o aquecimento global está causando secas!", alguns dirão. Talvez. Mas essas pessoas ainda não provaram que o seu plano irá acabar com as secas e produzir água suficiente para todos.  Elas ainda não conseguiram sequer provar que secas como a da Califórnia (e do Brasil) foram causadas pelo aquecimento global.

E, desnecessário dizer, a afirmação de que controles globais sobre o uso de energia farão com que a água jorre abundantemente do topo das colinas em um futuro distante é pura especulação.  Nesse meio tempo, temos a certeza de que o efeito sobre o custo de vida das pessoas comuns será enorme.

Em outras palavras, o lobby do aquecimento global quer que a humanidade troque um pássaro real na mão — o desenvolvimento de tecnologias para a produção de água — por dois pássaros totalmente teóricos — um futuro sem secas — voando.

Um experimento construído às expensas das populações mais vulneráveis

Dessa maneira, um mundo com controle de emissões de gás carbônico e outros planejamentos centralizados com o objetivo de evitar o aquecimento global é um mundo de preços mais altos para todos quando se trata de comida, água e qualquer necessidade básica que envolva o uso de energia. Ou seja, quase tudo.

Naturalmente, as pessoas nos países mais pobres e menos industrializados sofrerão mais. O lobby do aquecimento global gosta de alegar que as suas políticas são voltadas principalmente para os países ricos. Mas, se eles acreditam que isso irá poupar o mundo subdesenvolvido, isso  só comprova que eles não entendem o funcionamento de uma economia globalizada. Esmagar a atividade econômica e o consumo no mundo desenvolvido fará apenas com que os salários e o crescimento econômico nos países em desenvolvimento seja reduzidos.

Assim como aquele indivíduo que exige histericamente que os outros construam um abrigo da sua maneira ou morram, o lobby do aquecimento global acredita que seus planos altamente especulativos, não comprovados, não testados, maciçamente caros, e geradores de pobreza representam a solução fácil para tudo.  Naturalmente, eles querem utilizar os poderes coercivos do estado para forçar todos a entrarem na linha e se conformarem aos seu planos; e caso um bilhão de pessoas pobres tenham que pagar um alto preço, bem, esse é um preço que acadêmicos e ativistas de classe média-alta para cima estão perfeitamente dispostos a deixarem os pobres pagarem.

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Um adendo do IMB

O mais poderoso sinal de mercado não acredita no aquecimento global

Aqueles que acreditam no aquecimento global gostam de citar a estatística de que 97% dos cientistas climáticos acreditam que os humanos são os causadores do aquecimento global.  Supostamente, esse altíssimo percentual de aderência seria uma confirmação irrefutável do fenômeno.

Muito embora a validade desse número já tenha sido questionada, vamos aqui, pelo bem do debate, partir do princípio de que ela esteja correta.  O que isso significa?

Cientistas climáticos são, por definição, uma ínfima minoria da população mundial.  Presumidamente, não alcançam nem 1% da população mundial total.  Fazendo uma adaptação da lei dos grandes números, cientistas climáticos podem realmente ser as pessoas mais inteligentes, preparadas e sábias do mundo, só que todas as outras pessoas do mundo são, em conjunto, mais inteligentes, espertas e sábias do que os cientistas climáticos.

E daí?

Segundo os cientistas climáticos, o nível dos oceanos irá subir substancialmente nas próximas décadas em decorrência do derretimento do gelo da Groelândia.  Alguns, inclusive, chegam a afirmar que 80 das maiores cidades do mundo ficarão totalmente submersas.

Só que, se houvesse alguma verdade nessa previsão apocalíptica, as pessoas que moram em todas as cidades litorâneas do mundo já estariam saindo de lá em revoadas.

Segundo o The Wall Street Journal, nada menos que 44% da população mundial vive no litoral.  Ou seja, nada menos que 44% dos seres humanos que habitam esse planeta (quase 3 bilhões de pessoas) morrerão submersos caso não saiam de suas atuais moradias.

O comportamento das pessoas e local onde elas vivem representa o mais poderoso e mais irrefutável sinal de mercado dentre todos.  Nada chega perto.  Fatos são teimosos.  Se a contagem de cabeças é vista como algo perfeitamente válido pelos aquecimentistas quando o objetivo é enfatizar quantos cientistas acreditam no aquecimento global, então o fato de que quase metade da população mundial não está abandonando o litoral significa que esses bilhões de pessoas estão deixando cristalino que as previsões apocalípticas sobre aquecimento global não passam de muito barulho por nada.

Este é um sinal de mercado extremamente poderoso.

Você pode ser a pessoa mais esperta da sua cidade, mas todas as pessoas da sua cidade, quando somadas, são infinitamente mais espertas do que você.  Similarmente, cientistas climáticos podem ser as pessoas mais espertas do mundo, mas, conjuntamente, todas as pessoas do mundo são mais espertas do que os cientistas.

Se o aquecimento global realmente existisse e fosse um risco, então estaríamos testemunhando uma debandada de pessoas que moram em todas as cidades litorâneas do mundo — afinal, essas são as que mais serão atingidas pelas inundações.

Os litorais eram para estar se esvaziando. Mas não estão.  Nem na Califórnia, nem na costa leste americana, nem no México, nem na Europa, nem na Austrália, nem no Brasil e nem em toda a América do Sul. Por enquanto, esse potente sinal do mercado — o comportamento das pessoas — mostra que não há crença nenhuma em aquecimento global.

Dado que absolutamente ninguém está fugindo dos litorais, então temos que todas essas pessoas — por mais crentes na ciência que sejam — não acreditam realmente em aquecimento global.



autor

Ryan McMaken
é o editor do Mises Institute americano.


  • Dalton  05/05/2015 14:34
    Vale também ressaltar os preços dos imóveis nas cidades litorâneas. Normalmente eles são os mais caros do país. Houvesse realmente o risco de elevações dos oceanos e de as cidades ficarem submersas, tais imóveis estariam hoje uma pechincha.
  • Um observador  05/05/2015 15:12
    Com relação ao adendo do IMB:

    "Se o aquecimento global realmente existisse e fosse um risco, então estaríamos testemunhando uma debandada de pessoas que moram em todas as cidades litorâneas do mundo — afinal, essas são as que mais serão atingidas pelas inundações."

    Discordo. O aquecimento global poderia existir e ser um risco enorme (não estou dizendo que existe). Mas se as pessoas não enxergam ou não acreditam no risco, então ninguém iria debandar. Logo, a falta de pessoas fugindo não serve como argumento para dizer que o aquecimento global não existe.

    "Dado que absolutamente ninguém está fugindo dos litorais, então temos que todas essas pessoas — por mais crentes na ciência que elas sejam — não acreditam realmente em aquecimento global."

    OK, perfeito!

  • Reynolds  05/05/2015 15:30
    Se nem os próprios ambientalistas ricos que moram em Malibu saem dali, então eles próprios não acreditam no que propagam.

    Igualmente, se uma pessoa diz que acredita em Bitcoin, mas não compra Bitcoin, então ela na realidade não acredita em Bitcoin. Ela pode até dizer que acredita, mas ela não está disposta a utilizar seu dinheiro nessa crença. (Ou seja, ela não acredita).

    Raciocínio idêntico se aplica à questão do The Big One, que seria o terremoto supremo que iria devastar completamente a Califórnia. Desde que sou criança escuto geólogos falando sobre isso. No entanto, esse poderoso sinal de mercado -- o comportamento dos residentes da Califórnia -- sempre ignorou essas ameaças, e não houve nenhuma debandada da Califórnia. E não houve Big One. O que mostra que as pessoas estavam certas e os cientistas estavam errados.
  • Um observador  05/05/2015 16:26
    Reynolds,

    Concordo com tudo o que você disse.
    No meu post anterior eu só chamei a atenção para o fato que de o comportamento da pessoas do litoral serve para indicar que elas NÃO ACREDITAM no aquecimento global. Não serve como argumento para indicar que o aquecimento global NÃO EXISTE. Quem insistir nisso usando este argumento (como ficou implícito naquela frase que contestei) estará fazendo uma falácia ad populum.

  • Reynolds  05/05/2015 16:40
    Discordo que seja ad populum por um motivo muito simples: a falácia do ad populum se baseia meramente na quantidade de pessoas que emitem uma opinião (algo por definição gratuito, sem custos e sem consequências).

    Totalmente diferente é você analisar a quantidade de pessoas quem agem de acordo com o que pensam. Isso muda tudo.

    Não há nenhum ad populum em dizer que o Toyota Corolla (o carro mais vendido do mundo) é o carro que mais agrada às pessoas em todo o mundo, pois as pessoas de todo o mundo voluntariamente o compram. Isso é mercado, não é argumento ad populum.

    Igualmente, uma coisa é dizer que acredita em aquecimento global (uma mera opinião sem qualquer consequência); outra coisa é agir de acordo com essa crença (algo que envolve vários custos).

    Se eu digo que vai chover, mas saio de casa sem guarda-chuva, então eu realmente não acredito que vá chover. Se eu aconselho investir em imóveis, mas eu próprio não faço isso, então eu realmente não acredito que se deve investir em imóveis. Se várias pessoas não agem para escapar do aquecimento global -- embora digam que acreditam --, então elas não acreditam realmente em aquecimento global.

    E, sendo este um sinal de mercado (comportamento das pessoas e "votação com os pés"), ele deve ser analisado com atenção.
  • Guilherme  05/05/2015 18:14
    O mesmo raciocínio, aliás, pode ser aplicado aos moradores da cidade de São Paulo.

    Quantos acreditaram que a cidade ficaria sem água? Em tese, quase todo mundo dizia acreditar nisso. Mas quantos realmente se mudaram dali baseados nesta crença? Uma fatia ínfima da cidade, se tanto. Ou seja, a esmagadora maioria acreditava que haveria seca, pero no mucho.

    E o fato é que esses que optaram por ficar na cidade se comprovaram corretos. E acertaram a previsão, ao contrários dos cientistas climáticos.
  • Guilherme  05/05/2015 19:47

    Se os cientistas que acreditam no aquecimento global e que moram no litoral não fogem de lá, pode não ser por que não acreditam em aquecimento global. Eles podem acreditar sim. Mas a questão é: o fato de alguém acreditar realmente no aquecimento global e morar no litoral faz com que ela mude de residência?

    Essa pessoa pode muito bem imaginar que o aquecimento global faz com que os mares aumentem de volume, mas demoram muito para afetaram o lugar onde estão. Se as pesquisas falarem que o mar demoraria 300 anos para chegar até a sua casa, você mudaria ,agora, por isso? Se eu me sentisse bem onde eu estou, e não houvesse nenhuma outra razão para se mudar, eu não mudaria.
  • O primeiro Guilherme  05/05/2015 20:14
    "Mas a questão é: o fato de alguém acreditar realmente no aquecimento global e morar no litoral faz com que ela mude de residência?"

    Se ele acredita no aquecimento global nos moldes como este é propagado -- que a situação já é irreversível é que as marés irão subir --, sim.

    Já se ele acredita em uma versão bem mais amena do aquecimento global, então não.

    Mas, ora, se ele acredita numa versão bem mais amena -- que não é a versão oficial, que é bem mais catastrofista -- então, por definição, ele não acredita na versão oficial do aquecimento global.

    Simples assim.


    "Essa pessoa pode muito bem imaginar que o aquecimento global faz com que os mares aumentem de volume, mas demoram muito para afetaram o lugar onde estão. Se as pesquisas falarem que o mar demoraria 300 anos para chegar até a sua casa, você mudaria ,agora, por isso?"

    300 anos?! Em 2006, Al Gore disse que em 2050 já não haveria mais cidades litorâneas! Já os mais moderados dizem que em 2100 tudo acaba. Isso é bem menos que 300 anos.

    Em 2100 seus filhos estarão plenamente vivos. Aliás, com o avanço da medicina, é bem provável que você próprio ainda esteja vivo. Melhor começar a pesquisar imóveis no sertão...

    E vou repetir: se o cidadão realmente acredita que só daqui a 300 anos as coisas vão começar a se manifestar, então, por definição, ele não acredita na versão oficial do aquecimento global.

    "Se eu me sentisse bem onde eu estou, e não houvesse nenhuma outra razão para se mudar, eu não mudaria."

    Ué, isso apenas comprovaria que você, em seu íntimo, não acredita em nenhuma ameaça à sua vizinhança. Assim como eu.
  • Hudson  05/05/2015 15:48
    E assim que o "alagamento global" se inicie, veremos movimentos em massa de êxodo do litoral rumo ao interior. As pessoas não são burras, elas percebem quando a água do mar diminui a faixa de areia da praia ou invade a avenida Atlântica, no Rio.

    O próprio mercado dará a sinalização de que o aquecimento global é um problema.
  • Henrique  05/05/2015 15:56
    "Cientistas climáticos são, por definição, uma ínfima minoria da população mundial. Presumidamente, não alcançam nem 1% da população mundial total. Fazendo uma adaptação da lei dos grandes números, cientistas climáticos podem realmente ser as pessoas mais inteligentes, preparadas e sábias do mundo, só que todas as outras pessoas do mundo são, em conjunto, mais inteligentes, espertas e sábias do que os cientistas climáticos."

    Podemos dizer, então, que a esmagadora maioria dos acadêmicos e, de certo modo, dos eleitores que favorece a intervenção governamental tem razão, enquanto a minoria de fundamentalistas do livre mercado estaria errada?
  • Meirelles  05/05/2015 16:07
    Errado. Em primeiro lugar, "esmagadora maioria de acadêmicos" não forma nem 1% da população nacional.

    Em segundo lugar, pessoas que defendem a intervenção estatal ganham ao se apossarem da propriedade alheia. Quem defende a intervenção estatal está colocando a propriedade de terceiros em jogo e está se beneficiando isso. Tal pessoa está ganhando à custa do patrimônio de terceiros

    Já quem "vota com os pés" não está agredindo ninguém e não está ganhando nada à custa de terceiros. Está apenas tentando melhorar sua própria situação, mas sim agredir ninguém.

    A diferença é abissal.

    O mesmo raciocínio, aliás, vale para a democracia. Na democracia, a propriedade de terceiros passa a estar em jogo; passa a ser de livre reivindicação. Na democracia, as pessoas escolhem, sem custo nenhum, aquilo que será bom para elas, mas cujo ônus será arcado por terceiros. É um arranjo muito gostoso.

    Já "votar com os pés", de novo, é algo não agride ninguém, e que não esbulha a propriedade de terceiros. A diferença, repito, é abissal.
  • Guilherme  05/05/2015 19:51

    Errado. Muitas pessoas acreditam que a intervenção governamental é necessária, e que o socialismo é melhor, sem nem pensar em tomar para si a propriedade dos outros. Elas simplesmente acreditam que aquilo é melhor e querem fazer isso acontecer.

    Até mesmo há milionários socialistas, que têm dinheiro sobrando e, por isso, nem sonham em "tomar a propriedade dos outros", mas são socialistas porque acreditam nisso.
  • Magno  05/05/2015 20:03
    "Muitas pessoas acreditam que a intervenção governamental é necessária, e que o socialismo é melhor, sem nem pensar em tomar para si a propriedade dos outros. Elas simplesmente acreditam que aquilo é melhor e querem fazer isso acontecer."

    Impossibilidade prática. Quem quer "fazer o socialismo acontecer", mas ao mesmo tempo não quer tomar nenhuma propriedade alheia está querendo a quadratura do círculo.

    Logo, na prática e por definição, tal pessoa não está tomando atitude nenhuma. Ou seja, a teoria se mantém.

    "Até mesmo há milionários socialistas, que têm dinheiro sobrando e, por isso, nem sonham em "tomar a propriedade dos outros", mas são socialistas porque acreditam nisso."

    Não entendi nada. Se um cidadão tem dinheiro de sobra para fazer uma ação, mas não faz, então ele simplesmente nem esquenta cabeça com ela. Ele tem apenas uma opinião, mas nem ele próprio acredita na eficácia dela.

    Ou seja, a teoria dos grandes números se mantém impávida.
  • Felipe  05/05/2015 20:53
    Uma pessoa que de fato acreditasse no socialismo, e não apenas propagasse utopias e sentimentos de inveja, deveria fazer 3 coisas para atua com coerência:

    1) Partilhar todas as suas propriedades com os outros, sem nunca reclama que alguém lhe tomou. Já que a propriedade privada é a base de toda crítica socialista (Ver Rosseau e Marx).

    2) Não desfrutar de nada que vem das grandes empresas, nada de Iphone, coca-cola e etc. Pois a produção em massa é fruto do capitalismo.

    3) Jamais contratar uma diarista em sua casa, já que segundo Marx, você estaria apenas explorando a pobreza dela.

    É obvio que ninguém segue isto, pois as pessoas que criticam o capitalismo não acreditam de fato no socialismo (Lá no fundo não acreditam).

    Os motivos pelos quais odeiam o capitalismo é porque querem apenas viver bem sem trabalhar (políticos e estudantes) ou porque invejam os ricos (sindicalistas e professores) ou porque são burros (Artistas e jornalistas).
  • Zero  05/05/2015 15:57
    Talvez eu não tenha entendido o raciocínio do adendo, mas me parece um argumento falacioso. Supondo, por ora, que "aquecimento global" seja um conhecimento que poucas pessoas dominam. Se essas pessoas trazem uma conclusão contraintuitiva, o resto do mundo vai achar que eles estão errados. Se essa conclusão se concretizar apenas após um tempo, porém rapidamente, seria "tarde demais" para as pessoas perceberem e agir. Não estou ignorando o resto do texto e não acho que o aquecimento global seja uma situação dessa que usei no exemplo, estou questionando apenas a linha de raciocínio. Esse adendo prova apenas que as pessoas não acreditam no aquecimento global, não que elas estão certas ou erradas.
  • Infinito  05/05/2015 16:17
    "Supondo, por ora, que "aquecimento global" seja um conhecimento que poucas pessoas dominam."

    Já começou errado. Todo o mundo, literalmente, sabe sobre aquecimento global. Aquecimento global está longe de ser um "um conhecimento que poucas pessoas dominam".

    As pessoas podem não saber os detalhes, mas todo o mundo sabe que "aquecimento global" significa temperaturas em ascensão, calotas polares derretendo, e nível dos oceanos subindo. Isso já até virou sabedoria popular.

    "Se essas pessoas trazem uma conclusão contraintuitiva, o resto do mundo vai achar que eles estão errados."

    Errado de novo. Não há nada de "contraintuitivo" na teoria do aquecimento global. Muito pelo contrário, aliás: é justamente por ela ser muito intuitiva, que possui vários adeptos.

    Não há nada de contraintuitivo em dizer que temperaturas mais altas levam a derretimento do gelo e à elevação dos oceanos.

    "Se essa conclusão se concretizar apenas após um tempo, porém rapidamente, seria "tarde demais" para as pessoas perceberem e agir."

    Isso está fora do escopo. O que está em análise é que, se o sujeito acredita em aquecimento global, mas cria sua família no litoral, ele está sendo incoerente. Afinal, se ele acredita em aquecimento global, no mínimo seus herdeiros morrerão afogados.

    "Esse adendo prova apenas que as pessoas não acreditam no aquecimento global, não que elas estão certas ou erradas."

    E, pela lei dos grandes números, é muito maior a probabilidade de elas estarem certas do que os cientistas climáticos (muitos dos quais, inclusive, moram em cidades litorâneas).
  • Andre  05/05/2015 17:44
    Há várias situações que o aquecimento global pode levar além de elevar o nível dos oceanos
    que é contraintuitiva.
    Invernos mais rigorosos é uma delas. Desertificação da amazônia também não é algo tão intuitivo.
    Eu não sou cientista climático, mas já estudei um pouco de sistemas dinâmicos, caos, e assisti alguns seminários bastante técnicos com cientistas do IPCC. A ciência climática é extremamente complexa e como qualquer ciência exata, não se baseia em verdades universais mas em evidências empíricas.

    Uma característica de sistemas muito complexos, como o clima na terra, é que sob certas condições, pequenas mudanças nas variáveis (como por exemplo, concentração de CO2), pode causar grandes mudanças no sistema todo após um período de tempo não muito grande. Esse é o principal fator para não sermos capazes de saber se daqui 30 dias fará sol ou fará chuva, pois uma pequena alteração na medição da pressão ou temperatura atmosférica muda completamente o comportamento do clima.

    Portanto vêm a pergunta: o quão confiável são as previsões do IPCC (ou de climatologistas em geral)? Cientistas trabalham com modelos do clima que basicamente se apoiam nas leis de Newton (Equações de Navier-Stokes) e consomem milharem de horas nos melhores supercomputadores do planeta. São sistemas alimentados por informações coletadas em milhares de cidades e leituras de satélite. Mas não deixam de ser modelos e os cientistas não deixam de ser humanos. Ser um modelo significa que é necessário assumir uma série de premissas e hipóteses simplficadores. Cientistas serem humanos significa que são bastante tentados a fazer uma pequena (ou grande) alteração aqui ou acolá para aumentar o seu prestígio de maneira desonesta. Tudo isso pode ser usado para tirar a credibilidade do aquecimento global, mas para negar o aquecimento global é necessário um esforço semelhante.

    Talvez os modelos façam simplificações demais, se tornando catastróficos demais, e os efeitos do aquecimento global serão rapidamente assimilados pela população. Ou talvez não, e estejamos caminhando para uma situação que em poucos anos tornará a maior parte da terra estéril, com um absurdo aumento no preço dos alimentos condenando a maior parte da população à perecer por fome.

    Um dos alicerces da teoria austríaca, a grosso modo (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1112), é dizer que as pessoas numa situação desconfortável irão agir para suprimir o desconforto. Mas isso obviamente não acontecerá se elas morrerem antes de fazerem isso. Daí que vem a principal pergunta: O quão catastrófico é o aquecimento global? Haverá tempo para a sociedade por meio do livre mercado se adaptar? Para mim é óbvio que uma negação da última frase não significa que o planejamento central é capaz de cumprir a tarefa.

    Lembrando que o liberalismo não se alicerça apenas no livre mercado, mas também no PNA, até que ponto queimar gasolina ou sustentar hábitos que liberam grandes quantidades de CO2 não é uma forma de agressão? Alguém pode falar que não devemos levar em conta modelos matemáticos que contém incertezas em seu formulamento e portanto não são 100% fiáveis. Daí vem outra questao: até que ponto podemos arriscar em função de uma dúvida? Sinceramente, não acredito que governo nenhum será capaz de evitar qualquer coisa escrevendo em pedaços de papel coisas para as pessoas seguirem. A mudança vem quando as pessoas mudam seus hábitos de consumo, forçando as empresas a respeitarem o meio ambiente ou verem seus clientes irem embora. Quanto mais informações corretas as pessoas têm, melhores decisões irão tomar. Nesse sentido pessoas que não são cientistas climatologistas e vêm a público dizer que o aquecimento global é mentira ou verdade apenas atrapalham o funcionamento do mercado. A minha mensagem final é: escutem com atenção o que climatologistas falam e pensem a respeito sob seus hábitos de consumo e os riscos envolvidos, não será governo nenhum que salvará o mundo (caso esse esteja em risco), mas indíviduos conscientes em trocas voluntárias.
  • Nilo BP  06/05/2015 01:36
    André, existe a possibilidade (significativa) de que um corpo celeste substancial se choque com a Terra, causando um "pouquinho" mais do que uma mudança climática. Existe a possibilidade de que um vírus mutante se espalhe pela Terra e transforme a humanidade em zumbis violentos, escravos dos seus instintos.

    O que fazemos sobre esses perigos? Colocamos em órbita uma rede de satélites armados com baterias de mísseis nucleares para tentar desviar possíveis ameaças? Mandamos a polícia em trajes hazmat tirar as pessoas doentes (e todos que possam ter sido expostos) de casa e colocá-las em quarentena em prisões especiais? Ou talvez incinerar a vizinhança inteira com bombas de napalm jogadas bem de longe?

    Provavelmente o autor é cético quanto à "mudança climática antropogênica", mas esse não é o ponto do artigo. A acusação dele contra o lobby do aquecimento global é que estão pouco se lixando para os custos de suas políticas.

    Nos exemplos que eu dei acima, o problema com as "soluções" apresentadas está óbvio: elas são muito caras, economicamente, e totalmente loucas, moralmente. No caso do aquecimento global (desculpe, "mudança climática"), os custos e os problemas morais são camuflados por várias camadas de omissões, mentiras, e doutrinação.

    Isso permite que melancias vociferem as vantagens da regulação como se os custos não fossem importantes, ou como se apenas os marvados capitalistas fossem pagá-los. É essa atitude que o texto ataca.

    Sobre o fato de que as minhas emissões afetam o clima, que afeta outras pessoas, não nego. Da mesma forma que eu chegar em casa de moto tarde da noite pode incomodar alguém que está tentando dormir, ou alguém soltar um pum em um elevador lotado pode piorar o dia de muita gente.

    Proteger, e mesmo definir, direitos de propriedade são atividades que requerem recursos escassos. Em alguns casos, o benefício simplesmente não justifica o custo... mas isso depende da situação, é claro. Mesmo que vivêssemos na Libertopia, poderíamos ter, por exemplo, atitudes diferentes em relação às emissões de veículos: os donos das ruas de uma cidade grande poderiam permitir apenas veículos de baixa emissão, certificados regularmente; enquanto o dono de uma estrada rural poderia permitir tranquilamente a passagem de um Fusca da década de 1960, queimando mais óleo do que gasolina.

    Então sim, o controle de emissões em uma sociedade sem governo dependeria da consciência das pessoas. Mais precisamente, dependeria da vontade dos prejudicados de correrem atrás de restituição, do sentimento de culpa dos poluidores, e em geral dos costumes daquela sociedade em particular.

    Hoje em dia, como diz o artigo, nem mesmo os propagandistas do aquecimento global conseguem demonstrar convincentemente que as emissões humanas causam estragos climáticos fora do normal. Poucos, até mesmo entre os aquecimentistas, estão dispostos a pagar quantias substanciais para "salvar o planeta", quando o planeta parece estar indo muito bem, obrigado.

    Por isso, a única maneira de as melancias conseguirem o que querem é apelar para o lado irracional das pessoas com retórica apocalíptica, dizendo que o planeta será destruído se as emissões não diminuírem.

    Se parasse por aí, não seria motivo de preocupação. Charlatões não duram muito em um mercado saudável - dinheiro de trouxa é um recurso escasso. O problema é quando a irracionalidade se torna institucionalizada e enraizada através do Estado, forçando todos a participarem do esquema, e criando uma barreira à volta da sanidade.
  • Jarzembowski  06/05/2015 11:27
    Excelente, Nilo!
  • Matemático  05/05/2015 16:27
    Um método ainda melhor do que a lei dos grandes números é analisar a quantidade de pessoas dispostas a colocar dinheiro em uma aposta.

    Existia um site de apostas nos EUA -- chamava-se Intrade, e foi fechado recentemente pelo governo -- em que as pessoas apostavam dinheiro no resultado de vários eventos. Se você acreditava que o resultado seria A, você colocava dinheiro em A. Se você acreditava que o resultado seria B, você colocava dinheiro em B.

    Pessoas do mundo inteiro participavam e, de acordo com as votações, estabelecia-se uma previsão dos eventos. Por exemplo, se 65% das pessoas apostavam em A, e 35% em B, as chances eram de 65% de dar A e de 35% de dar B.

    O que era realmente impressionante é que absolutamente todas as previsões se concretizavam. Desde resultado de futebol americano até as eleições presidenciais americanas, passando por todos os ganhadores do Oscar.

    Ao passo que todos os palpiteiros da grande mídia erraram as previsões das eleições americanas em 2012, as previsões do Intrade, todas elas baseadas nas opiniões de pessoas que realmente colocaram dinheiro em suas apostas, acertaram em cheio -- inclusive os resultados em cada estado.

    A explicação para isso é óbvia: palpitar é algo gratuito, sem custo nenhum. Já quando você coloca seu dinheiro na sua aposta, aí o cenário muda totalmente: você não está mais agindo de acordo com a emoção, mas sim com a razão. As análises se tornam muito mais precisas e científicas, e bem menos emotivas.
  • Nilo BP  06/05/2015 04:07
    Genial!
  • Gafanhoto  05/05/2015 17:10
    Esse argumento apresentado no adendo do IMB utilizando a lei dos grandes números me pareceu equivocado.

    O fato de a maioria das pessoas não acreditarem no aquecimento global não é um argmento válido para provar a sua inexistência.

    Quando Copérnico formulou a teoria do heliocentrismo, o fato de a maioria das pessoas na época acreditarem que o sol girava em torno da Terra não poderia ser tomado como argumento para refutar o heliocentrismo.



  • Beija-Flor  05/05/2015 17:41
    Argumento idêntico já foi rebatido três vezes aqui mesmo nesta seção de comentários. Tenha a bondade de ler os comentários antes de postar, para não poluir a seção.

    No entanto, farei a caridade de repetir a resposta: uma coisa é emitir uma opinião (algo totalmente sem custos); outra coisa, completamente distinta, é agir de acordo com essa opinião, empregando seus meios financeiros no sustento dessa ideia.

    A diferença entre ambas as atitudes é abissal.

    Dizer que o sol gira em torno da terra é uma mera opinião (palavras ao vento), algo sem custo nenhum. (Eu mesmo posso ter essa ideia hoje, e nada acontecerá nem comigo nem com ninguém). Essa opinião (sol gira em torno da terra) só poderá ser levada a sério se o autor dessa opinião passar a empregar seus meios na defesa dela. Aí sim a coisa muda de figura.

    Quantas pessoas na terra realmente agiram (empregaram seus meios financeiros) de acordo com a crença de que o sol girava em torno da terra? A maioria ou a minoria?

    Mais ainda: para elas, tal referencial fazia alguma diferença? Até hoje não faz.

    Ainda hoje, se você partir do princípio de que o sol gira em torno da terra, isso não muda absolutamente nada nas leis básicas da física. Isso não afeta o movimento de nenhum objeto no mundo. Isso não altera o cálculo da física newtoniana. Um físico pode perfeitamente partir desse princípio, e seus cálculos sobre mecânica continuarão totalmente corretos.

    É o perfeito exemplo de uma opinião sem nenhum custo e sem nenhuma consequência.

    Igualmente, se eu digo que as pessoas devem investir em imóveis, mas eu mesmo não faço isso, essa minha opinião não é séria. Nem eu mesmo não acredito nela.

    Dê-me um exemplo em que a maioria das pessoas empregou seus recursos financeiros na defesa de uma ideia, e tal ideia se comprovou errada.
  • Um observador  05/05/2015 19:05
    Não, você está equivocado. Essa explicação não rebate nada.

    O que você está dizendo é que um argumento do tipo:
    "A maioria das pessoas não toma atitudes para se prevenir do problema X. Logo, X não existe".

    E esse argumento é falacioso. É bem diferente de dizer:
    "A maioria das pessoas não toma atitudes para se prevenir do problema X. Logo, as pessoas não acreditam em X". (correto)

    "Dê-me um exemplo em que a maioria das pessoas empregou seus recursos financeiros na defesa de uma ideia, e tal ideia se comprovou errada."
    Para se manter fiel ao que você defende, você deveria ter escrito: "Dê-me um exemplo em que a maioria das pessoas NÃO empregou seus recursos financeiros na defesa de uma ideia, e tal ideia se comprovou certa."

    Exemplos:
    - Tsunami de 2011 no Japão: ninguém evitou os locais atingidos. Isso mostra que as pessoas não acreditavam que um tsunami era iminente. Isso não prova que o tsunami não ocorreu.
    - Cigarro nos EUA: entre 1944 e 1954 a população fumante dos EUA aumentou (logo, não houve um debandada de fumantes no período). Isso mostra que as pessoas não consideravam o cigarro como um grande risco para sua saúde. Isso não prova que o cigarro não fazia mal.
  • Atento  05/05/2015 19:42
    Errou nas duas, caro Um observador.

    "Tsunami de 2011 no Japão: ninguém evitou os locais atingidos. Isso mostra que as pessoas não acreditavam que um tsunami era iminente. Isso não prova que o tsunami não ocorreu."

    O argumento está invertido. Um Tsunami daquela proporção naquela região não apenas não era um fenômeno previsto, como ninguém jamais alertou para aquilo. Tanto é que os japoneses construíram reatores nucleares naquela região. Jamais foi previsto um Tsunami daquelas proporções naquela região. Foi um evento totalmente atípico.

    O que está em debate, isso sim, é a maneira como pessoas reagem após saberem da probabilidade de um evento. Isso faz toda a diferença. Um evento inesperado e totalmente atípico não entra nesse raciocínio.

    "Cigarro nos EUA: entre 1944 e 1954 a população fumante dos EUA aumentou (logo, não houve um debandada de fumantes no período). Isso mostra que as pessoas não consideravam o cigarro como um grande risco para sua saúde. Isso não prova que o cigarro não fazia mal."

    Errou de novo. Pegou um comportamento puramente local e o utilizou para explicar um fenômeno totalmente mundial. Não é assim que se faz.

    O cigarro é um fenômeno mundial. Literalmente todo o mundo já ouviu falar sobre as consequências do cigarro. Sendo assim, a sua amostra deve ser a população mundial, e não apenas a população americana.

    E então, a população mundial aumentou ou diminuiu o consumo de cigarro?
  • Um observador  05/05/2015 20:52
    "O que está em debate, isso sim, é a maneira como pessoas reagem após saberem da probabilidade de um evento."

    Não. Eu estava apenas falando sobre estrutura de argumentação e dizendo que qualquer argumento que tenha como base o formato abaixo é falacioso:
    - A maioria das pessoas não toma atitudes para se prevenir do problema X. Logo, X não existe.

    (eu acusei o adendo do artigo de ter cometido essa falácia em um pequeno trecho. O que de forma alguma invalida o restante do texto, com o qual eu concordo plenamente)

    Se você acha que essa estrutura de argumentação não é falaciosa, aí sim podemos ter um debate. Caso contrário estaremos estaremos apenas falando de assuntos diferentes.


  • Marcio Cajado  05/05/2015 17:25
    Se o Estado grita uma coisa, não é difícil pensar, ignoremos os burocratas controladores, e podemos esperar diminuição da liberdade e expropriação de riqueza, o que mais?

    Se os aquecimentistas falassem sobre algum fenômeno de aquecimento LOCAL eu até aceitaria, mas global? Como pode o CO2 do Brasil aquecer o clima na Nova Zelândia? O CO2 está em tudo na vida e é liberado principalmente pelos oceanos, se eles alegam que o CO2 está ligado a aumento de temperatura nas suas análises deveríamos abolir os oceanos da terra, e também é necessário provar que o CO2 tem alguma relação com aumento de temperatura.

    O estado dá a ordem e a mídia, a academia, os investimentos todos forçam a barra para a ideia do aquecimento global, os menos avisados aceitam esse fantasma e o mundo vive essa mentira

    Segue a grande farsa:

    www.youtube.com/watch?v=L18k0Y5MMok
    www.youtube.com/watch?v=r68nSt2fMPY
    www.youtube.com/watch?v=KNtvuA-D_O8
    www.youtube.com/watch?v=7QojxAG_rd8
    www.youtube.com/watch?v=0mZSKRDDBFE
    www.youtube.com/watch?v=atYTQ3soxZo
    www.youtube.com/watch?v=KI6_1ndsTFg
    www.youtube.com/watch?v=OBd8_cgLYek
  • Wellington Kaiser  05/05/2015 17:55
    Sobre catastrofismo. Todos tem absoluta certeza de um terremoto no Japão, mas não houve uma tentativa de evacuar o solo japonês, não houve uma coordenação mundial tentando tomar medidas para evitar terremoto. No entanto os japoneses desenvolveram engenharia de ponta com prédios que resistem a tremores, criaram protocolos de segurança e treinamento. Ainda assim eles tem estragos, morrem, mas no geral, o Japão parece ir muito bem.

    Outro exemplo são as encostas. Aqui no RJ o governo tenta regular moradias em encostas, pois é cientificamente comprovado o risco de se construir em encostas e já vimos tragédias acontecerem. Entretanto, alguns empreendedores se arriscaram e conseguiram construir paredes de contenção que resistem a décadas, fundações resistentes e etc.

    Aquecimento global é a mesma coisa, deixa o povo se virar.
  • Skol  05/05/2015 18:07
    Japonês nem trisca com terremoto. Eles já desenvolveram a tecnologia para isso. O que arrebenta é tsunami. Só que, curiosamente, ninguém previu o tsunami de 2011.
  • Wellington Kaiser  05/05/2015 18:43
    Pois é! Imagina se viessem ingleses, alemães e americanos querendo barrar a construção de prédios altos no Japão com a desculpa de catastrofismo. Eles nunca iriam colocar a prova essas belas tecnologias, se desenvolveriam mal, seriam menos ricos, teriam menos qualidade de vida do que tem hoje.
  • Carlos Marcelo  05/05/2015 18:45
    Acho que o IMB se expressou mal no adendo. Permitam-me explicar com outras palavras:

    Se as pessoas não estão saindo do litoral, é porque a tal inundação não aconteceu até agora. Se o aquecimento global fosse verdadeiro, a água já teria começado a tomar conta e as pessoas já estariam fugindo para outras áreas mais ao interior. Não é o que se tem visto em NY e RJ.
  • Tio Patinhas  05/05/2015 18:48
    Pode ser que eu tenha um dúvida muito ignorante, mas gostaria que alguém me explicasse como o derretimento das geleiras no Ártico e Antártica vai elevar o nível dos oceanos?

    Se eu tenho um copo com água e gelo, quando o gelo derrete o nível da água não sobe, por qual motivo seria diferente com as geleiras? Se alguém souber pode me explicar didaticamente?

    Obrigado.
  • André  05/05/2015 19:10
    A maior parte do gelo está sob terra firme,
  • Marcelo Corghi  05/05/2015 19:24
    Com seu próprio exemplo: nele, o gelo está dentro da agua, logo, quando ele derreter, o volume se manterá o mesmo (na verdade diminuirá, vide as propriedades anômalas da agua).
    No caso das geleiras derreterem, elas estão FORA da água, logo, elas acrescentarão volume ao sistema, dai se dá a elevação no nível dos oceanos.
  • Critico  05/05/2015 19:39
    Não é o derretimento do gelo que causa a elevação dos mares, é o coeficiente de dilatação térmica da água. Com temperaturas maiores, o volume dos mares se expande e, como existe um volume enorme de água nos oceanos, isso se reflete em um grande aumento de volume do mesmo e causa elevação dos mares.

    Além disso, apesar do volume da água se expandir quando congela, a grande maioria do volume extra fica acima do nível do mar, sendo que o volume submerso é praticamente igual ao volume da água da geleira em estado líquido. Portanto, se derreter uma geleira, o normal é que o volume total se mantenha o mesmo dada uma temperatura constante.

    Faz bastante tempo que estou afastado da física, mas acredito que esta é a resposta para a tua pergunta. Se algum físico tiver alguma ressalva fique a vontade para me corrigir.

    Abrs
  • Dunga  05/05/2015 20:54
    aaronsenvironmental.com/wp-content/uploads/2012/11/AlGoresNewHouse.jpg
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  05/05/2015 21:50
    O estado é uma praga, simplesmente.
  • Pedro  05/05/2015 23:25
    OBSERVADOR: Observe bem. E lõgico, e crível que vários dos tais cientistas devem morar em cidades letoraneas. Quais deles, aproveitando os preços altos dos imóveis na cidades costeiras, já os venderam e foram morar nas montanhas. Da uma lidazinha no livro CLIMATE CHANGE - THE FACTS, escrito por vários cientistas. Vale a pena. Conversa com grandes climatologistas brasileiros. Também vale a pena.Depois de fazer esse dever de casa, conversamos. Ah! Por que, tendo os maiores cientistas do mundo, os Estados Unidos ainda não pensaram em elaborar qualquer plano de começar uma gradativa e planejada evocuacao das áreas litorâneas (as mais importantes!), inclusive Washington que, além de estar em área baixa, esta próxima do mar.
  • Um observador  07/05/2015 13:46
    Pedro,

    E por que você está me dizendo essas coisas? Acho que essa sua fala deveria ser direcionada para os defensores da ideia do aquecimento global.
  • Douglas  06/05/2015 08:19
    Ambientalismo, Movimento Feminista, Movimento Negro e Desarmamentismo. As novas facetas e desculpas da Esquerda para conseguir aumentar o poder do Estado para ele controlar tudo.
  • Rhyan  06/05/2015 11:53
    Péssimo artigo. A pesquisa do consenso climático não é uma opinião e nem uma democracia. Queriam que considerassem quem nas estatísticas? Programadores? Manicures?

    Mudança climática está afetando o planeta, vários biólogos estão estudando as consequências para a biosfera. Há uma lista de evidências e uma lista de resposta aos negacionistas. Negacionistas que não produzem quase nada de artigo científico sobre o tema, é extremamente desproporcional a produção científica confirmando as mudanças climáticas.

    Não é o fim do mundo, mas também não é algo que deve ser ignorado. A solução não é mais estado, é menos estado, principalmente no corporativismo e subsídios às empresas de petróleo e outras poluidoras. Deixe o mercado e tecnologia solucionar esse e outros problemas ambientais.

    Se 99% da população diz que não acredita na Teoria da Evolução não significa nada, ela não deixa de ser verdadeira.

    Esse tipo de artigo queima o filme do site que é tão importante na área econômica.
  • Emerson Luís  06/05/2015 19:27

    Mudaram estrategicamente o termo do específico "aquecimento global" para o amplo "mudanças climáticas". E como saber onde terminam as grandes ciclagens naturais do clima e começa de fato a ação humana? A Grécia tinha um clima quente 2000 anos atrás, o Saara já foi uma floresta, etc.

    Ouvi dizer que na década de 1970 o temor era o resfriamento global causado pelo ser humano, alguém confirma?

    * * *
  • Marcos  06/05/2015 21:16
    Exato. Viria uma nova Era do Gelo. E histeria foi total. Apenas veja esse vídeo (é curtinho, tem um minuto e meio)




    A revista Time Magazine disse que o resfriamento global era inevitável e que estávamos entrando em uma nova Era do Gelo

    Eis um trecho de uma outra reportagem da Time

    Whatever the cause of the cooling trend, its effects could be extremely serious, if not catastrophic. Scientists figure that only a 1% decrease in the amount of sunlight hitting the earth's surface could tip the climatic balance, and cool the planet enough to send it sliding down the road to another ice age within only a few hundred years.


    Já a Newsweek fez coro e disse que todo mundo ia morrer congelado se ninguém tomasse providências. E foi mais longe:

    Climatologists are pessimistic that political leaders will take any positive action to compensate for the climatic change, or even to allay its effects. They concede that some of the more spectacular solutions proposed, such as melting the Arctic ice cap by covering it with black soot or diverting arctic rivers, might create problems far greater than those they solve. But the scientists see few signs that government leaders anywhere are even prepared to take the simple measures of stockpiling food or of introducing the variables of climatic uncertainty into economic projections of future food supplies. The longer the planners delay, the more difficult will they find it to cope with climatic change once the results become grim reality.


    Entendeu? Os caras chegaram até a pensar em derreter o gelo do Ártico com fuligem!
  • Fernando  10/05/2015 15:27
    Planejar o clima é um erro.

    Nessa semana eu vi uma calçada com grades no chão. Ou seja, para não concretar o piso da calçada, o proprietário colocou grade no chão, possibilitando que a água entre na terra e não tenha aquecimento do solo. Os próprios indivíduos podem fazer melhor do que o governo.

    Quando a gente vê um governo taxando com ICMS os painéis solares de energia, podemos concluir que vivemos em um país totalitário.


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