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A tempestade perfeita criada pelo Banco Central Europeu

Quase dois meses após o presidente do Banco Central Europeu, o italiano Mario Draghi, anunciar o novo programa de quantitative easing na Europa, os primeiros efeitos previstos por este site já começam a aparecer.

À época, havia mais de € 2 trilhões de títulos sendo negociados com rendimentos negativos; agora, há quase € 5 trilhões de títulos com rendimentos abaixo de zero. Mais da metade de todos os títulos governamentais globais rendem 1% ou menos. "Sta funzionando!", é o que pensa o presidente do Banco Central Europeu (BCE).

NegativeBonds.jpg

Isso é o que estão pensando também os investidores e traders do mercado. Acompanhem comigo.

Na semana do anúncio do QE europeu, os German Bunds de 10 anos — títulos do governo alemão —, rendiam cerca 0,40%; atualmente são negociados por 0,15%, tendo chegado ao mínimo histórico de quase 0,05% nesta semana.

GermanBund10Yr.png

Quem surfou essa onda em pouco mais de um mês conseguiu realizar um belo de um lucro. Agradeça ao Mario Draghi por essa. É nesse contexto que o famoso investidor americano de títulos, Bill Gross, afirmou no Twitter, no início da semana, que os vender a descoberto [short] os German Bunds de 10 anos é "uma oportunidade única"

4.png

A única questão, porém, é o timing e o QE do BCE, como bem apontou Gross.

Não custa lembrar outro "short of a lifetime", o notório "widowmaker trade" — vender a descoberto a dívida do governo japonês (to short JGBs), que segue fazendo viúvas desde 1990.

E nesse quesito, concordo com o site ZeroHedge, os German Bunds não são ainda o "short of a lifetime", apenas o serão quando tocarem o piso de 0,20% negativo, imposto pelo próprio BCE no programa de compra de títulos públicos, o PSPP. Enquanto a curva de juros dos Bunds estiver acima desse piso, haverá espaço para os rendimentos caírem ainda mais.

BundCurve.jpg

Assim, os investidores têm o incentivo — e a garantia firme do BCE, até o momento — para acumular mais dívida soberana alemã, já que Bunds com rendimentos de 0,05% ainda são atrativos — contrariando qualquer bom senso.

A lógica vale para os demais países da Europa cujos títulos públicos seguem a mesma tendência dos Bunds alemães. E se baixarem de zero? "Non c'è problema", afirma Draghi. O BCE seguirá adquirindo títulos públicos do mercado até o limite de 0,20% negativo.

Não é exagero concluir que estamos vivendo uma verdadeira insanidade nos mercados financeiros — façanhas que somente os bancos centrais podem perpetrar. Não indefinidamente, é claro. Mas por alguns anos mais, sem dúvida alguma.

No caso da Europa, dados os fluxos de resgates e emissões de dívida programadas para o ano de 2015, é provável que Draghi precise rever seus objetivos mais cedo do que pensava. Das duas uma: ou testemunharemos a curva de juros de diversos países europeus perto ou abaixo de zero, ou o chefe do BCE jogará a toalha — como o fez o Banco Nacional da Suíça há poucos meses, ao decretar subitamente o fim da política de piso para cotação do franco suíço — e puxará o tapete dos investidores, contendo a sandice dos programas de QE e privando o mercado de novos estímulos monetários.

Continuar surfando essa onda poderá render um bocado. Mas não é uma onda livre de risco, apesar de grande parte dos títulos soberanos assim serem qualificados. Quando o Bund alemão de 10 anos chegar perto do piso de 0,20% negativo, é bastante provável que ele venha a ser o "short of a lifetime". Não podemos prever, contudo, por quanto tempo mais ele ficará nesse nível. É o velho problema do timing.

Mas se chegarmos de fato a esse estágio, a magnitude das distorções nos mercados será tão descomunal que talvez seja melhor assistir a esse jogo arriscado da arquibancada. Uma coisa é o título suíço ter um rendimento de 0,20% negativo; outra coisa bem diferente é um German Bund ter um rendimento nesse patamar, considerando que o estoque de dívida da Alemanha no mercado é quase dez vezes maior que o da Suíça. Haja afrouxamento quantitativo para turbinar os Bunds.

Resumo da ópera: os bancos centrais não têm tudo sob controle. Mario Draghi não tem superpoderes. E as leis de mercado e da economia não podem ser revogadas para sempre.

Se estiver correta a tese de que estamos testemunhando a formação da maior bolha de ativos que o mundo já viu — e acho que está —, logo surgirão diversos "shorts of a lifetime" (França? Itália? Espanha?) nessa bolha de títulos soberanos.

Quantos trilhões de euros mais estaria Mario Draghi disposto a despejar nos mercados? Por quanto tempo seguirá o BCE firme na sua estratégia? Essas respostas valem trilhões de euros.

Ganham aqueles que souberem ler e antecipar bem as ações das autoridades monetárias. Mas arrisco-me a dizer que a maioria sairá chamuscada desse mercado eufórico e insano. A tempestade perfeita segue sendo gestada justamente por quem promete combatê-la: os próprios bancos centrais.



autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Rud  23/04/2015 14:39
    "deja vu " ....uma espécie de japão nas 2 ultimas decadas....outro excelente artigo do Fernando.
  • Thiago Cardoso  23/04/2015 15:04
    Recentemente, o governo alemão proibiu a venda a descoberto de títulos de sua dívida. Parece um sinal de desespero.
  • Pobre Paulista  23/04/2015 15:11
    Mas poxa, eles estão estimulando a demanda agregada, não é mesmo?
  • Diego  23/04/2015 15:31
    Fernando,

    Será que você poderia manter este post atualizado com o decorrer dos eventos?
    Excelente artigo!
  • Fernando Ulrich  23/04/2015 19:43
    Diego,
    Desejaria algo mais? Fritas para acompanhar? Hehehe... esse é um assunto que acompanho de perto. Então fique tranquilo que novos artigos virão no decorrer dos acontecimentos.
    Abs.
  • Vinicius  23/04/2015 15:43
    10 anos de recessão?
  • vinicius  23/04/2015 15:45
    Confesso que já li uns 4 ou 5 artigos sobre esse assunto e ainda não compreendi exatamente como funciona essa historia de ganhar dinheiro com juro negativo. Poderiam me apontar mais alguns artigos, até de fora do Mises pra eu entender melhor?
  • Magno  23/04/2015 16:05
    Pense num milionário russo que vivenciou a iminência de um esfacelamento do rublo e decidiu comprar francos suíços para se proteger.

    Agora pense que o franco se apreciou 30% em um único dia quando o BC suíço liberou o câmbio. Repito: o franco suíço se apreciou 30% em um único dia quando o BC suíço deixou o franco flutuar em relação ao euro.

    Em um cenário assim, o magnata russo irá alegremente pagar 0,20% ao ano em troca de uma apreciação de 30% em um dia. Aliás, pagar 0,20% ainda está uma pechincha.

    Os europeus só podem se dar ao luxo de taxas de juros negativas porque há investidores de todo o resto do mundo fugindo da desvalorização de suas respectivas moedas.
  • Vinicius Zucareli  23/04/2015 18:37
    Pelo que você está me dizendo então esses trilhões de Euros são, na verdade, a conversão de muitos mais trilhões de 'dinheiros' fracos de outros países? E que, se eu já tiver euro na mão, não vale a pena eu comprar esses títulos? A parte da valorização cambial eu entendi, até porque teve um artigo recente aqui falando disso, mas não entendi como sendo fuga de capitais de países com moeda frágil (como o Brasil).
  • Trader Carioca  23/04/2015 22:01
    Vinicius Zucareli e Vinicius (são a mesma pessoa?)

    Deixa eu tentar explicar de uma forma didática como funciona essa história de ganhar dinheiro com taxas de juros negativas no mundo real:

    Imagine que existe um título do governo, no qual você paga $ 100 e recebe $ 110 em 1 ano. É fácil perceber que este título paga 10% ao ano.

    Imagine que, pela manhã de um dia qualquer, você compra um desses títulos. Na hora do almoço, o governo anuncia que, a partir de agora, os títulos novos que o governo emitir vão render 5% ao invés de 10%. Ou seja, a partir de agora quem investir $ 100 só leva $ 105 após 1 ano.

    Quem quiser entrar na brincadeira agora terá uma rentabilidade menor. Os detentores de títulos, que já compraram os títulos de 10% no passado, sabendo que agora não existe mais a chance de nenhum investidor novo receber 10%, podem cobrar um ágio sobre os seus títulos. Por exemplo, se você vender na hora do almoço por $104 o seu título que paga $110 no vencimento, você terá ganho $ 4 em apenas algumas horas. O comprador vai desembolsar $104 e receber $110, uma rentabilidade de 5,77%, um pouco acima dos 5%. Ou seja, você ganhou um valor, uma espécie de adiantamento da sua rentabilidade.

    Portanto, se você é detentor de um título público ou privado PRÉ-FIXADO, e as taxas de juros caem, você ganha dinheiro se resolver vender o título.

    Agora vamos na situação inversa. Se você vender um título pré-fixado a descoberto, e a taxa de juros sobe, você ganha também. Usando o exemplo acima. O governo está pagando 5% de juros. Você acredita que os juros irão subir e, portanto, vendeu um título pré-fixado a descoberto, para entregar em 1 semana. Este título, que vai pagar $ 105, foi vendido por $100. Você colocou $100 no bolso, mas ainda precisa comprar o título no mercado para entregar no prazo final de 1 semana. No final do dia, o governo voltou atrás sobre os juros e resolveu subir os novamente, de 5% para 10%. O título que você prometeu entregar, que antes custava $100 para render $105, agora terá um preço ajustado de $ 95,45. Desta forma, os 10% de juros farão o valor de $95,45 render $105 no vencimento. Ou seja, você recebeu $100 por algo que agora só vale $95,45. Quando você comprar o título para entregar, gastará $95,45 dos $100 recebidos, lucrando a diferença.

    No mundo real, o que temos é a promessa do BCE de limite de taxa de juros de -0,20%. Ou seja, os juros não irão cair abaixo desse patamar. Se por acaso os juros chegarem nesse valor, um especulador que acredite que o BCE vai honrar a palavra pode vender caminhões de títulos a descoberto, pois o único caminho para os juros serão a manutenção ou a subida. Se os juros subirem, o especulador vai ganhar. Multiplicando isso por bilhões de Euros e pela garantia de taxa de juros mínima de -0,20%, há o cenário perfeito para se lucrar muito com pouco risco.

    Espero ter sido didático o suficiente.

    Abs.
  • patricio  23/04/2015 16:05
    O yield do titulo e seu valor de face tem movimentos contrarios. Então se o yield encontrar um piso , o valor de face encontrou um teto. Então é só shortear o titulo. Capiche? Como diria o super Mario.
  • Trader Carioca  24/04/2015 13:58
    Patricio,

    Exatamente, você resumiu bem. Eu apenas quis ser mais didático pois nosso amigo Vinicius parece ser leigo no tema "renda fixa".

    Você trabalha no mercado?

    Abraços.
  • Fernando Ulrich  23/04/2015 19:42
    Vinicius,
    Resumidamente, é assim que se ganha dinheiro com juros negativos.
    1) O investidor compra um título alemão de 10 anos, com juros pré-fixados, que rende 0,5% e paga X por ele. Se segurar o título até o vencimento (10 anos depois), ele terá um retorno de 0,5% ao ano.
    2) Como os títulos de dívida são negociados no mercado secundário, os preços deles variam. Se o preço aumenta, o rendimento implícito cai, chegando, hipoteticamente, a 0,15%.
    3) O investidor acima então decide revender o título no mercado -- já que o preço aumentou -- e embolsar um lucro rapidamente, em vez de segurá-lo até o vencimento.
    4) Como o juros é pré-fixado (o coupon do título já está definido quando da emissão), se houver tanta demanda por um título e o preço aumentar enormemente, é possível que o juros implícito fique negativo, uma vez que o investidor vai pagar uma soma maior do que o valor do principal e dos coupons do título. Ou seja, vai acabar recebendo depois de 10 anos, um valor menor do que pagou. Daí os juros negativos.
    5) E por que alguém compraria um título com juros negativos? Simplesmente porque espera que haverá uma demanda maior ainda, aumentando o preço do título e, consequentemente, reduzindo ainda mais o juro já negativo.

    Para entender melhor o funcionamento de preço do título e rendimento implícito, veja esse artigo do Leandro Roque:

    mises.org.br/Article.aspx?id=344

    Abs.

  • Eduardo  27/04/2015 21:42
    Fernando, então nesse caso de juros negativos, você espera o ganho só baseado na ideia de que alguém vá comprar o título depois? Se ninguém comprar o título, o dono desse título vai ter um prejuízo, entendi corretamente?
  • Pobre Paulista  28/04/2015 00:44
    Por isso a insistência que a moeda fiduciária é apenas uma grande pirâmide financeira. O último que entrar paga o lucro dos primeiros.
  • Fernando Ulrich  28/04/2015 03:15
    Isso mesmo, alguma hora a festa acaba e alguém vai segurar a batata quente.
  • Simplório  04/05/2015 18:37
    Pense numa gangorra (aquelas mesmo de praças de criança brincando).

    Um lado da gangorra senta o juros, no outro lado senta o preço do título.

    Simples assim. Quando um lado sobe o outro desce! Então enquanto tu compra um título com juros caindo o preço dele vai estar subindo, ninguém aí quer levar esses lixos até o vencimento, ninguém!
  • Tio Patinhas  23/04/2015 17:44
    E como se proteger dessa situação? Ouro e prata?

    Obrigado.
  • Fernando Ulrich  23/04/2015 19:46
    Tio Patinhas (primeira vez que me dirijo ao "Tio Patinhas", um tanto estranho),

    Essa decisão faz parte de uma estratégia mais abrangente de investimento. Ouro e prata devem fazer parte de uma carteira de investimento, na minha opinião. Mas há muitos outros ativos que podem ser atrativos nesse cenário.

    No caso de títulos governamentais, como eu falei no artigo, talvez o menos arriscado é nem participar dessa euforia. Ou então se concentrar em títulos com curta maturidade, para não ficar tão exposto ao risco de juros.

    Mas enfim, isso é uma análise mais profunda e depende também do perfil de cada investidor.

    Abs.
  • Jarzembowski  23/04/2015 18:10
    Segundo o Paul Krugman o problema da imoralidade do peso do endividamento do governo sobre as gerações futuras tá resolvido: pra ele é mais imoral permitir que pessoas sofram com a crise e fiquem sem emprego agora do que os problemas que a dívida pública causará no futuro.
    É isso que os keynesianos dizem pra todas as gerações conforme as desgraças que eles causam vão se acumulando.
    Isso é muito mais wishful thinking do que ciência econômica.
  • Pobre Paulista  23/04/2015 19:11
    Ele tem razão. No futuro estaremos todos mortos.
  • Andre Cavalcante  27/04/2015 02:08
    Mas meus filhos e netos estarão vivos... Me diz, quer deixar riqueza ou dívida de herança?
  • Pobre Paulista  28/04/2015 01:52
    Foi uma ironia. Esta frase é do grandioso Keynes.
  • Lucas  23/04/2015 22:02
    Eu li o artigo e não entendi nada, li os comentários e entendi menos ainda, não há artigos aqui explicando como funciona o mercado financeiro nem sobre uma visão austriaca de como deveria funcionar, então eu que sou meio leigo fico boiando.
  • Bruno Celestino  23/04/2015 22:37
    Sei que não tem haver com o artigo,mas o "estado minimo" significa ele se limitar área de segurança(civil e militar)e justiça ?

    Pretendo fazer economia na UFPE,é verdade que fazem a gente ler livros Marxistas e Keynesianas ?
  • Padawan capitalista  23/04/2015 22:51
    Caros amigos do IMB, sou um jovem de 17 anos e a algum tempo acompanho o site e as ideias que ele propõe, resultado: deixei de ser comunista, algo que abomino hoje em dia que meus pensamentos foram "clareadas" por este site. Porém e infelizmente meus amigos não compartilham de meus ideais liberais e capitalistas, pior, a maioria é comunista ou de esquerda. Vou debater com um colega sobre comunismo x capitalismo no próximo final de semana e preciso de argumentos fortes para convencer a plateia (composta de maioria esquerdista) de nosso ideal. Peço encarecidamente que respondam rápido para que eu possa me preparar. Lembrem-se que são os jovens que mais devemos atingir. Desde já grato.
  • Eduardo  23/04/2015 23:19
    Como o debate vai ser? Você sabe os tópicos que vão ser tratados? Dê mais alguns detalhes, quem sabe te ajudo.
  • Jedi cataláxico  23/04/2015 23:23
    É muito simples, jovem padawan. Basta achar um artigo que trate sobre um tema que esteja em voga (como o recente do Bernardo Santoro sobre terceirização, p. ex.) e vá até a seção de comentários. Nessa seção há sempre esquerdistas esquerdando e sempre recebendo porradas de teoria econômica.

    Vida longa e próspera (é que gosto mais do outro).
  • anônimo  24/04/2015 00:04
    Tentarei ajudar, mas o tempo é curto e eu não sei o quão familiarizado você está com esse assunto.

    Seria bom pelo menos ler 'As seis lições' do Mises:
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=16

    Esse também é recomendado por ser sucinto sobre Escola Austríaca:
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=103

    Se por acaso sobrar tempo e seus debatedores realmente são conhecedores dos detalhes do socialismo, esses livros simplesmente os destruirão:
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=31
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=66
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=33
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=102

    Tem uma seção inteira de artigos sobre o socialismo aqui:
    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=21

    Assista vídeos do Milton Friedman, como esse: https://www.youtube.com/watch?v=RWsx1X8PV_A

    Sempre é bom lembrar que o mais próximo de um experimento capitalismo vs socialismo foi na Alemanha após a segunda guerra e a divisão das Coreias. Em ambos os casos os países mais liberais se saíram bem melhor (Alemanha ocidental e Coreia do Sul).

    Ademais, alguns embustes são esperados como:

    -Culpar o capitalismo pela pobreza na África (ou qualquer outro lugar pobre). Deve-se lembrar que muitos países africanos passaram por regimes socialistas como Somália e Etiópia.

    -Vão tentar te colocar como defensor dos EUA e de tudo de ruim que o país fez. Diga apenas que defende o sistema econômico e não um país em especifico.

    -Tentarão glorificar, por exemplo, a educação de Cuba citando o baixo analfabetismo. É só citar que os dados são do governo, não há testes internacionais como o PISA, nenhum Nobel, nenhuma medalha Fields, nada. Além do que, qual a vantagem de saber ler se só é possível ler jornal do governo e livros aprovados pelo governo?

    -Deixe claro que há uma diferença entre intenções e ações. Esquerdistas geralmente apelam pra retórica de que só querem o bem dos pobres. Mas isso são intenções, o socialismo falhou miseravelmente tanto na prática quanto no campo teórico. Veja esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=KMU8FidIkgM

    -Há inúmeros outros, a maioria dos argumentos socialistas são falaciosos ou de apelo ao emocional. Nada de racional.

    Depois do debate volte neste artigo e nos conte como foi!

  • Lopes  24/04/2015 00:07
    Deixe-me ajudá-lo, Padawan. Para começar, listarei alguns jargões recorrentes e respostas simples a eles.

    Tópicos Gerais

    Alimentos Transgênicos (trata-se de um assunto em alta entre os brasileiros que nada sabem sobre a produção de alimentos e que infelizmente discutem o assunto e formam políticas a respeito)

    Nenhum alimento é transgênico por capricho. Às vezes o fazem para evitar pragas que comprometem a produção e podem criar escassez de alimentos, às vezes o fazem para produzir em ambientes áridos (as primeiras sementes nitrogenadas salvaram inúmeros agricultores do Meio-Oeste Americano em uma de suas piores secas); às vezes o fazem para resolver uma falência em vitaminas da dieta de algumas populações e salvam muitas vidas, como é o caso do Golden Rice na Indochina: www.goldenrice.org/

    Nenhum fazendeiro fica por aí pensando em como matar seus consumidores.

    Destruição da Natureza (Argumento extremamente recorrente)

    Se eu sou um agricultor e produzo excessivamente no meu solo, a depressão laminar o consome e agora eu tenho um pedaço de terra inútil; vou à falência e nem posso mais lucrar da minha terra. Se eu sou um lenhador e raspo toda a vegetação das minhas terra e não faço replantio, também terei prejuízos absurdos à margem de quem o faz. Se eu sou um pescador e mato todos os peixes da minha fish farm, não há mais reprodução dentro dela e eu tenho um prejuízo colossal ou vou até à falência. É isto o que acontece quando direitos à propriedade são garantidos: você quer lucrar ao máximo e pelo maior tempo possível. Você não vê companhias de papel, por exemplo, reclamando da falta de árvores como pescadores reclamam da falta de peixe em mar aberto (eles não são donos do mar).

    O que acontece no mar e muito na natureza (gado criado em terra comunal também) é o chamado problema dos comuns: se eu não for ao mar e pegar todos os peixes que conseguir, outro o fará. Você é incentivado a eliminar o mais rápido possível toda a população de peixes e o primeiro que o fizer será o mais recompensado. O mesmo não acontece em bens privados como fish farms porque são suicídios empreendedoriais. Isto não tem nada a ver com empreendimento e nem há direitos de propriedade sobre isto. Acontece com o terreno baldio perto da tua casa, por exemplo, em que todo mundo joga lixo apesar da birra - é pura consequência da falta de propriedade sobre algo.

    Bancos [i](o cartel bancário [dealers] é fundamental para a gastança [e sua regulamentação] do estado brasileiro após a lei de responsabilidade fiscal. O esquerdista médio entende absolutamente NADA de bancos ou sobre o efeito do gasto estatal sobre a economia; você pode facilmente surpreender qualquer um com o mínimo de conhecimento aqui exposto.


    Bancos 'dealers' detém o direito da criação de dinheiro garantido pelo estado e em caso de sofrerem corrida aos bancos, o Banco Central corre para salvá-los. O estado também garante a eles o direito de emprestar dinheiro sem nem tê-lo através do sistema de reservas fracionárias e o Bacen ainda se compromete a emprestar dinheiro faltante custando a Selic caso um banco tenha emprestado muito em um dia e não consiga fechar sua própria fração.

    Estes bancos também são capitalizados justamente quando o governo incorre em déficit, pois compram os títulos de dívida do tesouro federal e então, têm estes títulos de dívida comprados pelo Bacen à vista - e são capitalizados por ele, assim, juros são reduzidos artificialmente e o cenário que eu expus no meu primeiro comentário se realiza. Ninguém vai à agência local de crédito para pedir dinheiro só para farrear - os juros são na faixa de 18%+, justamente porque não há a forcinha do estado capitalizando os bancos; as pessoas só pedem crédito independente quando realmente acham que sua renda aumentará por causa daquele dinheiro.

    Problema da Usura (O esquerdista médio não é suficiente conhecedor para expor argumentos alheios à mesmice universitária. Entretanto, expô-lo-ei por via das dúvidas dado que ele requer um pensamento extenso para a resposta)

    Empréstimos são fundamentais. Suponhamos que você é dono de uma olaria e passou um furacão. Os preços dos tijolos foram ao alto e as pessoas precisam deles para construir suas casas de novo. O problema é que você não tem os insumos em mãos e nem o capital para comprá-los. Nesta situação, você pede um empréstimo para comprar os insumos e produz os tijolos requisitados pela população. O que aconteceu aqui é que o banqueiro e seus poupadores se absteram de gastar dinheiro no passado para que você pudesse gastar no futuro em uma situação de necessidade, sendo eles recompensados pelos juros. Se você e o banco não tivessem existido, o preço do tijolo teria ficado altíssimo (só as olarias que tinham insumos sem usar 'por acaso' é que estariam produzindo tijolos) e a reconstrução teria sido mais custosa e demorada após o furacão.

    Se você se refere ao problema da usura, em que os juros inerentemente requisitariam um contingente de dinheiro que não existe para ter os empréstimos quitados, basta você pensar no que acontece quando você não tem dinheiro para efetuar uma troca: vocês negociam entre serviços e bens. Fazemos isto o tempo inteiro na forma de bens hipotecados, bens penhorados e até balinhas de açúcar; em que na falta do pagamento, mesmo que não seja por "inexistência de dinheiro", é sanada por algum outro bem e a conta fecha. Se esta falta de dinheiro for constante em um padrão ouro, por exemplo, perguntar-se-á: o que é que vale o equivalente para sanar esta dívida? Dado constante, o ouro gradualmente será substituído por este outro bem utilizado para trocas comerciais devido à sua escassez; já aconteceu com o sal, que foi substituído pelo ouro no Império Romano. No padrão fiduciário, como eu apontei nas hipotecas e penhoras, a mesma relação de troca entre dinheiro, bens e serviços continua existindo para fechar a conta.

    Propaganda [i](é o perfeito coração de toda a retórica esquerdista)

    [i]Você não comprou a Jequití ou qualquer coisa que consome só porque havia propaganda no SBT, comprou? Por que assume que outras pessoas o fariam? Você usaria força para impedi-las caso quisessem comprá-la?
    o argumento da propaganda é recorrente porque apela ao heroísmo do tirano pois lhe concede uma massa incapaz para que proteja através da violência. Ao propor tal reflexão, trata-se de uma estratégia para atacar a base argumentativamente falida de um jargão onipresente entre os estatistas que é a maldade da propaganda.

    Propaganda não só não convence ninguém por conta própria, como é ela mesma irritantemente regulada pelos próprios orgãos de propaganda como o Conar, pela opinião pública e pelo estado. Se eu por exemplo, quero investir em uma escola nova em uma cidade que não conhece meu sistema de ensino, eu preciso fazer propaganda para garantir que as pessoas saberão que meu empreendimento existe e eu não tenha prejuízo - o conhecimento é limitado. Se as pessoas comprassem tudo

    [b]Política, Clientelismo e Palhaçada
    [i](aos ignorantes que acusam o capitalismo pela corrupção)

    Política não precisa funcionar para continuar existindo. É troca de favores e corrupção aqui no Brasil, nos EUA, na Venezuela, na Alemanha, na URSS ou em qualquer lugar que exista. O sistema, como é muito bem exposto em Tropa de Elite, não precisa funcionar para continuar sendo financiado pelos impostos. A forma como você ascende na política, então, não é sendo eficiente e produtivo - já que ambos aspectos em nada lhe valem -, mas sim através da troca de favores, da corrupção e da dissimulação das pessoas. O Estado não vai à falência porque seus serviços são uma gigantesca porcaria ou porque vivem em greve (a USP passa 100 dias em greve e é impensável conceber uma empresa que tenha balancete para sobreviver perfeitos 100 dias sem funcionar para uma quantia substancial de consumidores); ele continuará angariando seus impostos. O sistema só precisa trabalhar para si mesmo; manda quem pode e obedece quem tem juízo (e não quer ser miserável). Sempre foi assim no Brasil justamente porque há uma burocracia que precede até Lima Barreto e você precisa de contatos para conseguir burlá-la e sobreviver; se um policial tenta extorqui-lo, por exemplo, ou você afina e concede a gorjeta ao caríssimo guardião das gentes ou chama teu amigo policial que é um superior em hierarquia.

    ====
    Pacote de Fatos

    Esta é uma compilação de links que venho coletando há um ano para fins de acelerar debates. Não estão, infelizmente, organizados entre os muitos tópicos que abordam (desde dialise até preconceito a asiáticos); entretanto, para um estudo prévio e apresentação, pode ser soberbo:

    https://www.google.com/stars/yc5mogf7xjcqq/profile/folio/ssf_e422b1b8667e1657?hl=pt-BR

    ====
    Minha disponibilidade de tempo para melhorar a qualidade dos textos acima não é grande, infelizmente. Gostaria de passar uma lista de argumentos ofensivos (do fracasso do planejamento central, o cálculo econômico sob o socialismo, dos prêmios dados pela incompetência da gestão estatal, a distorção de incentivos, da função dos preços e o que ocorre quando são controlados, da ideia das leis como tecnologias ou condição para a vida em sociedade, etc); entretanto, o mais importante talvez seja o seguinte:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=863

    É íntimo, simples e expõe uma verdade intransponível aos indivíduos tolos e / ou megalomaníacos da academia. Você está fazendo um bom trabalho e se não for por você, os jovens do qual fala poderão levar mais 20 anos para ver outro opositor do agressão a inocentes expor argumentos.

    Boa fortuna!
  • anônimo  25/04/2015 13:15
    Essa questão da propaganda é estúpida como argumento da esquerda. Afinal ideologias e a própria esquerda faz propaganda de si mesma e ao estarem ali questionando o "capitalista" e acusando-o para embelezar-se, na verdade estão fazendo propaganda de si mesmo.

    Só não faz propaganda de nada quem fica calado, não fala nada.

    A esquerda faz propaganda de si mesma, de suas porcas teorias que levarão seus líderes ao exercício pleno e totalitário do Poder estatal e ISSO É DO INTERESSE DESTES LÍDERES IDEOLÓGICOS E PARTIDARIOS QUE ALMEJAM OCUPAR O PODER.

    TUDO É PROPAGANDA.

    Então o argumento da propaganda capitalista que induz ao consumo não difere da propaganda ideológica que induz à submissão da população a um partido e ideologia que exercerão o Poder sobre todos e se custearão expropriando os recursos econômico s do trabalhador.

    Simples, a mais fácil resposta ao questionamento sobre propaganda capitalista para fazer as pessoas comprarem ou adotarem um produto oferecido, sejam bens e serviços ou uma pagar pelo Poder de outros.
  • Yoda  24/04/2015 05:44
    Leia o livro das 6 lições de Mises. É pequeno e de fácil leitura. Dá uma bagagem de conhecimento liberal extraordinária para pouco tempo investido
  • anônimo  24/04/2015 10:36
    Dois temas que com certeza vão 'cair':
    1 A mentira de que o capitalismo prejudica os pobres. Procure artigos que mostram que tudo que melhora a vida do pobre veio do mercado e não do governo, e como o governo criando inflação recessão e leis trabalhistas ferra com a vida dos pobres
    2 Socialismo possível como o dos países nórdicos. Procure artigos que mostram como eles ficaram ricos com o livre mercado e só depois tiveram o estado inchado, e quando o estado inchou, o crescimento econômico estagnou
  • Alexandre  24/04/2015 12:57
    Lembrem-se todos quando participarem de algum debate:

    "A necessidade de defender uma proposição por meio da argumentação é inversamente proporcional ao teor da sua verdade implícita".
  • Padawan capitalista  25/04/2015 15:34
    Sinto informar que o debate foi cancelado, mas gostaria de agradecer a todos que responderam e tentaram me ajudar a propagar as ideias da liberdade. Sei que agora estarei bem mais preparado quando debater com um esquerdista. Obrigado a todos.
  • Carlos  26/04/2015 01:17
    Ainda que o debate tenha sido cancelado, aqui vai um pequeno relato com algumas experiências que tive na vida com esquerdistas - comunistas na sua maioria:

    Eles são, geralmente, imunes à lógica. É sofrível argumentar com relações de causa e efeito, eles tendem a inverter uma pela outra, no melhor dos casos, no pior deles é uma constante busca por chifre em cabeça de cavalo. Dentro do arcabouço mental em que eles vivem, isso é compreensível: no materialismo dialético qualquer coisa pode ser qualquer coisa; absolutamente tudo se encaixa na tríade daquele silogismo pueril deles.

    Um dos argumentos mais frequentes que me foram direcionados é o "anarquismo" do capitalismo - como se isso fosse algo ruim. Eles, por óbvio, não leram Hayek, não fazem a menor ideia do que é a ordem espontânea, etc. O problema aqui, como acerca de qualquer tema que você vier a debater com um marxista, é que tudo se torna "emoção". Corte-os imediatamente quando usarem desse artifício.

    Exemplo que tive debatendo com outros advogados (marxistas): quando você argumenta que uma agência reguladora inevitavelmente ocasionará a cartelização do mercado que supostamente deve regular e que, portanto, haverá uma alta de preços irreal por conta disso, piorando a situação daqueles que, em tese, deveria melhorar, eles não vão falar nada contra. Vão simplesmente dizer que a) você está viajando (ad hominem) ou b) que você é um desalmado por não partilhar da moralidade intrínseca do fim buscado pela legislação que defendem. (ad hominem) ou, também muito recorrente, c) que você não é um "expert" no assunto e deveria se calar e deixar que os "entendidos" falem e decidam por você (ad verecundiam)

    São só falácias argumentativas, pois o marxista não está nem aí para debater. Ele não debate porque não quer enxergar nada além daquilo que a sua mentalidade simplista está pronta para aceitar.

    Todas as "conversões" de marxistas praticantes para outras linhas de pensamento, pelo menos as que tive notícia, foram obra do indivíduo em si mesmo. Foi alguém que abriu a cabeça para a possibilidade de que existam outras explicações, que a realidade não é um maniqueísmo entre os "capitalistas" e os "proletários", etc. Fazer com que tenham contato com a EA é bom, mas não ache que isso vai convencê-los. Eles precisariam ser tolerantes para que isso acontecesse e a maioria é de uma intolerância atroz. Afinal, tudo se encaixa perfeitamente naquela tríade, não é mesmo? Já está tudo explicado.

    De outro modo, você pode perguntar-lhes o seguinte: você segue os escritos de uma pessoa que era: estuprador (estuprou a acompanhante da esposa), pai ausente (do estupro resultou um filho, que ele nunca reconheceu), escravagista (tal acompanhante viveu a vida inteira na família de Marx e nunca recebeu nada por isso), vagabundo (nunca realmente trabalhou na vida), emocionalmente retardado (quando a amante de Engels morreu Marx mandou uma carta para o comparsa, não para oferecer condolências - mas para pedir mais dinheiro). Você acha, realmente, que o que ele escreve presta? Afinal, se você é um moralista - e Marx era um, afinal sua obra inteira é dar pitacos em como as pessoas deveriam agir - você não deveria seguir o que prega? Se todos fizéssemos o que Marx fez, o mundo seria uma enorme penitenciária. Se fizermos, como de fato fizeram, o que ele argumenta, morte e miséria serão as consequências.

    Ou ainda: se o capitalismo é tão ruim assim, por quê Engels não coletivizou sua fábrica em Manchester assim que se converteu? Porque ele optou por continuar a ser um opressor, segundo sua própria lógica? Por quê ele continuou a caçar raposas (esporte de ricos ingleses)?

    Te garanto que em uns cinco segundos ou menos eles vão achar uma resposta que é plausível só na cabeça deles e que justifica todas as contradições apontadas acima.
  • Ricardinho  24/04/2015 01:00
    Padawan capitalista não sou a pessoa certa para dar conselhos sobre o seu questionamento, até mesmo porque eu também acompanho o site a pouco tempo. Mas uma dica que posso te dar é continuar lendo sempre os artigos do site até chegar um dia onde você terá pleno domínio sobre o assunto. Isso aqui é uma escola. Depois se muito tempo terá o dominio do assunto em sua plenitude e assim terá o dom para ensinar os seus colegas comunistas. Parabéns por sua atitude em querer compartilhar dessas idéias com os outros.
  • Mr. A  24/04/2015 03:14
    Padawan, não vou lhe indicar artigos, livros, vídeos e outros materiais, os colegas acima já realizaram essa bonança (destaque para o Lopes, que é um dos principais comentaristas do site, muito prestativo). Mas vou dar umas dicas:

    1 - Mantenha a calma - É fundamental se apresentar calmo, não ter pressa, não querer falar tudo em uma única vez.

    2 - Fique atento ao jogo sujo - Sim, esquerdistas jogam sujo na maior parte do tempo, então fique ligado nas falácias (nesse site portalconservador.com/nao-cometeras-nenhuma-dessas-24-falacias-logicas/ , tem um artigo interessante sobre isso).

    3 - Faça seus opostos, no debate, expôr os argumentos, sempre que eles falarem algo não perca a oportunidade e mande-os se explicarem pedaço por pedaço, peça que conceituem o que foi falado (geralmente os esquerdistas não sabem do que falam, ao trazê-los para o mundo da clareza, eles se perdem).

    Ex: O fulano esquerdista diz: "O bolo deve ser distribuído a todos". Aí, o senhor do livre mercado rebate dizendo: "Que bolo? E porque deve ser distribuído?". O provável é que ele, o fulano esquerdista, se enrole nas próprias falas, pois pode misturar bolo com dinheiro, bens de consumo, bens de capital e etc., e os motivos da distribuição vai ser um argumento bem infantil, fácil de ser rebatido.

    Foi um exemplo básico e curto. Você pode se alongar nas perguntas, esmiuçar os argumentos do outro para que tudo fique claro.

    4 - Não perca tempo discutindo os fins, será mais produtivo se você debater causas, inícios. Puxar a raiz!

    Bom, espero ter ajudado um pouco.

    E, se não for lhe for incômodo, faça o que o anônimo disse, aparecer para nos contar a experiência.
  • angelo  24/04/2015 03:15
    Aproveitando, eu gostaria de me aprofundar mais sobre a cultura das pessoas em acharem que apenas os esquerdistas estão a favor dos pobres. Li artigos daqui como capitalismo para ricos e socialismo para os pobres, mas seria bom fatos para mostrar como o pensamento esquerdista está sempre prejudicando o pobre. Sei que a Venezuela é um exemplo e o que mais?
    Não se esqueça que isso é dos principais fatores que leva o povo brasileiro a votar nesses partidos de esquerda, alguns que conheço acreditam que eles diminuem a diferença entre ricos e pobres.
  • anônimo  24/04/2015 10:42
    https://www.youtube.com/watch?v=fLIf1gVc67s
  • Rud  24/04/2015 15:21
    Lendo os comentários, dou os parabens novamente ao Fernando Ulrich que não recomenda operações de curto prazo com titulos de governo pelo enorme risco....e ele está certinho.....esse tipo de operação na verdade e " um trade com titulos do governo " .....e fazer trade é uma atividade somente para profissionais, gente que estudou muito, que vivencia o dia a dia do mercado, que possui um manejo de risco super calculado, que sabe conviver com as perdas que certamente virão, que possui um capital alocado a risco somente para estes tipos de operação.....tais operações não são ideais para investidores iniciantes, como muitos analistas imprudentes de TV , jornais, revistas, blogs, etc incentivam as pessoas a fazerem ....lembrando que esse modinha de fazer trade com titulos do governo aqui no Brasil já triturou muitos iniciantes quando em 2012 e 2013 os juros baixaram de 12,5 % para 7 %...os profissionais ( minoria ) ganharam muito...mas maioria que entrou depois literalmente se ferrou.
  • Marconi  24/04/2015 19:44
    Eu já falei 10 mil vezes, mas não custa repetir.

    Juros negativos existirem é uma prova cabal que a teoria de juros austríaca está errada.

    Juros não é - ou não é só - preferência temporal.
  • Leandro  24/04/2015 20:48
    "Juros negativos existirem é uma prova cabal que a teoria de juros austríaca está errada".

    Por quê? Tenho curiosidade de saber. Como bem explicou o Ulrich aqui na seção de comentários, é perfeitamente possível você ganhar dinheiro com juros nominais negativos. Gostaria de saber como isso invalida a teoria da preferência temporal.

    E como bem complementou o leitor Magno, pagar juros de 0,25% para utilizar uma moeda que se apreciou 30% em um dia está longe de ser uma refutação da teoria da preferência temporal. Aliás, é uma batia de uma confirmação.

    Por fim, também já falei 10 mil e uma vezes: juros fixados por uma instituição que tem o poder de criar moeda, e consequentemente de fixar o preço dos juros, não invalidam em nada a teoria da preferência temporal.

    Mas esse é um diálogo de surdos.
  • Marconi  27/04/2015 19:28
    Então tá bom. O cara pega 100 euros hoje pra pagar daqui um ano 90 euros. É óbvio que a teoria de preferência temporal foi pro espaço.

    E mais, se o dinheiro-papel for proibido, deixando apenas o eletrônico, as taxas de juros nominais negativas serão a nova regra, não exceção.
  • Leandro  27/04/2015 20:12
    Se você encontrar um indivíduo que realmente compra a 100, espera até o vencimento de 10 anos, e então o revende a 90, aí realmente a teoria estará refutada.

    O problema é que o que está acontecendo é exatamente o oposto disso: como explicado tanto no artigo quanto aqui nessa seção de comentários, o indivíduo compra a 100, o juro cai (ou seja, o preço do título sobe), e ele revende a 101, antes de o título maturar.

    A meu ver, ele está auferindo um juro perfeitamente positivo.

    Insisto: onde está a refutação?
  • Carlos  26/04/2015 00:27
    Não invalida a perspectiva austríaca, pois a premissa desta se mantém intacta.

    Pela perspectiva austríaca não há a imposição de uma taxa de juros ao mercado; pelo contrário, este é quem a determina.

    Assim, é um contra-senso dizer, no mundo atual, que "existem" taxas de juros, negativas ou não. Quando estas são determinadas por um comitê de "virtuosos" o que se pode afirmar é que existe uma percentagem que é ditada e imposta por esse comitê e que tem o nome de "taxa de juros", mas não é em nada parecida com a taxa de juros tal como definida pela EA.

    É um caso típico do "Se parecer com um pato, nada como um pato, e berra como um pato, então, provavelmente não é um pato."

    Não confunda o nome que se dá a algo, com o que ele é.
  • Jojo  25/04/2015 20:27
    Artigo muito bom. Considerava-me um bom entendedor de títulos públicos, mas vi que sou uma sardinha. Obrigado, Fernando.

    Ah, há algum outro artigo aqui sobre isso? Vou procurar.

    Abs,
    Jojo
  • JBALL  25/04/2015 23:40
    Alguém poderia me passar algum livro onde eu possa dar uma estudada nessa parte específica de finanças internacionais?
  • Juliana  26/04/2015 15:00
    Então. Eu sei que esse é um artigo com o foco mais em títulos e investidores. Mas ele não deixa de fazer pensar sobre outras coisas.

    Mas antes, eu gostaria de recapitular alguns pontos técnicos relativos ao arranjo monetário na zona do euro, para ver se o meu entendimento está de acordo com a realidade:?

    1) Apesar de não servir a um único país, nem por isso o BCE compra títulos diretamente dos governos - e inclusive compra títulos da dívida privada -, ele compra no mercado secundário, acrescentando dígitos nas contas-correntes que os bancos têm junto a ele, assim como é aqui no Brasil;?

    2) Além disso, em comparação com o política monetária brasileira, o BCE determina metas para a taxa básica de juros, atualmente estando em 0,05%, e também metas de inflação, atualmente em 2%;
    ?
    3) As operações do BCE no mercado secundário influenciam a rentabilidade dos títulos partindo da premissa que, quando ele começa a comprar os títulos da dívida soberana, ele aumenta a demanda por esses títulos fazendo com que seu preço suba - o que equivale à (ou é representado pela) queda em sua rentabilidade;?

    4) Os bancos também são obrigados a manter diariamente uma quantidade de dinheiro no BCE, o chamado depósito compulsório, como forma de conter a expansão monetária - é o que dizem;?

    5) Não esquecendo de citar que a taxa básica de juros é a taxa que os bancos utilizam para emprestarem o dinheiro entre si, para manter o depósito compulsório;?

    6) Entretanto, o mais importante é que o objetivo do BCE, ao fazer o QE, é melhorar a liquidez dos bancos, para que eles possam oferecer, com juros mais baixos, empréstimos a empresas (ah sim: o setor produtivo também é importante) e famílias, e assim estimular o crescimento e espantar o fantasma da deflação.

    Aí, depois desse último item, eu percebo que é melhor eu parar por aqui mesmo, porque já estou vendo que estou indo pelo o caminho errado. Não se trata mais disso. Tanto que nem se fala mais nas taxa de juros, que estão em praticamente zero, mas ainda não estão negativas. O negócio agora é a rentabilidade dos títulos soberanos e suas variações de até onde investir neles é arriscado ou lucrativo, ou até onde não é. Fica até parecendo que o BCE encontrou uma nova maneira de financiar ainda mais diretamente os governos.

    Mas o que eu estava pensando mesmo é em o que significa isso tudo para os contribuintes dos países da zona do euro, que é inclusive quem vão pagar essas dívidas. Melhor dizendo: que interesse um cidadão da zona do euro teria em comprar títulos da dívida soberana? Um alemão que queira, por exemplo, investir no médio prazo para dar uma festa daqui há alguns anos, ou investir em algo seguro no longo prazo para complementar uma aposentadoria, não pode nem pensar nos títulos soberanos (o que não seria de todo o mal). Somente bancos, investidores e especuladores têm interesse e poderiam lucrar com esses títulos soberanos, o pagador de impostos não. Se for assim mesmo, isso é mais um caráter perverso dessas políticas monetárias, e que já deveria ser categorizado como inaceitável.

    Mas, eu só escrevi essas coisas na esperança que me expliquem direito, porque eu devo estar entendendo tudo errado. Por outro lado, como estamos diante de um cenário em que o BCE não tem interesse em uma taxa de juros abaixo de zero, mas não faz objeções à rendimentos dos títulos negativos, então as coisas realmente estão ficando muito diferentes. Não dá nem para imaginar onde isso vai parar.

    E bom, não é o tipo de conhecimento que desperte algum entusiasmo, mas é ótimo o artigo - assim como o outro, o da usura. Ainda que levante mais dúvidas do que esclareça alguma coisa, parabéns ao autor e muito obrigada.

    Abraços!
  • Tiago RC  26/04/2015 16:17
    Não sei se isso já foi postado aqui, mas bancos na suíça estão recusando o direito de saque de grandes fundos justamente para poder manter essa política de juros negativos: www.zerohedge.com/news/2015-04-25/war-cash-migrates-switzerland
  • Emerson Luís  27/04/2015 16:13

    Os governos montam castelos de cartas para as pessoas morarem e os bancos cobram o aluguel.

    * * *
  • Fernando  10/05/2015 15:38
    Os bancos poderiam trabalhar com URV para fazer o câmbio de moedas. Ou seja, quando você deposita reais, dólares ou euros na sua conta, esse valor seria convertido para URV. Isso possibilitaria uma concorrência entre moedas. Nós iríamos pagar nossas compras com a moeda que possui maior poder de compra. Não teríamos que usar uma moeda desvalorizada. Se o real fosse inflacionado pelo governo, nós poderíamos pagar com outra moeda. Isso é importante haver impressão desenfreada de moeda nacional, além de facilitar o comércio exterior.


    Hoje, o máximo que podemos fazer é ter investir em câmbio na bolsa, pois não iremos guardar dólares em casa ou em um armário dos bancos.
  • Pobre Paulista  10/05/2015 22:39
    Mas isso não seria análogo a um câmbio fixo?
  • Enrico  10/05/2015 23:10
    E como seria definida essa URV? Um valor fixo em relação às moedas? Se é o que eu e o Pobre Paulista estamos pensando, eis o resultado: en.wikipedia.org/wiki/Gresham%27s_law


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