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A lógica da ação e o ciclo da prosperidade

Uma das principais discussões da filosofia se concentra no debate sobre até que ponto a mente humana é apenas um subproduto da realidade objetiva e, consequentemente, até que ponto devemos confiar na razão para a busca de conhecimento.

A visão predominante afirma que é na realidade objetiva que devemos buscar e comprovar todo o tipo de conhecimento acessível à mente, mesmo nas ciências sociais, de forma que qualquer teoria ou hipótese sobre o mundo ou sobre a mente deve estar amparada em dados empíricos.  

Assim, os empiristas e positivistas argumentam que os racionalistas, por apresentarem elaborações a partir de conceitos e noções sem qualquer vínculo evidente com a experiência, seriam dogmáticos, sendo suas elaborações incapazes de constituir um conhecimento cientificamente válido.

A seguir, algumas objeções a esse raciocínio.  O enfoque é mostrar que:

1) o "motor do conhecimento" se encontra na mente humana, sendo ele obtido, primordialmente, a partir do uso da razão;

2) é a realidade que se conforma com a mente a partir da ação humana; e

3) não há limites para o conhecimento humano e para o progresso, desde que sejamos livres para agir.

Epistemologia

Na história do pensamento, Platão nos traz a divisão entre o reino da mudança, que é aquele que trata do mundo das coisas sensíveis, e o reino do ser, que é aquele que trata do mundo das coisas puramente inteligíveis, imateriais, representadas na mente humana, local onde se processam as ideias, formas, categorias e conceitos derivados da realidade objetiva.

O que em comum têm esses dois mundos? E o que eles têm de diferente?

De diferente, notamos que o reino da mudança se processa na forma da estabilidade e regularidade das leis da natureza — pelo menos, é o que percebemos pelos nossos sentidos até o presente momento da história humana na terra —, ao passo que o reino do ser se processa na mente humana de forma irregular e abstrata.

Em comum entre esses dois reinos, nota-se a forte presença da noção de movimento, seja pela percepção da regularidade dos eventos naturais, ou, no caso das coisas inteligíveis da mente, pela nossa capacidade de escolher e de compreender a intencionalidade da ação humana.

Não cabe aqui entrar na discussão sobre como surgiu a capacidade da mente de compreender a intencionalidade da ação humana. O fato é que ela existe e é uma verdade autoevidente[1].

Essa foi a grande contribuição de Ludwig Von Mises: a sistematização do fato de que a nossa mente funciona a partir da percepção de categorias da ação humana. Mises observou que:

Ação humana é comportamento propositado.  Também podemos dizer: ação é a vontade posta em funcionamento, transformada em força motriz; é procurar alcançar fins e objetivos; é a significativa resposta do ego aos estímulos e às condições do seu meio ambiente; é o ajustamento consciente ao estado do universo que lhe determina a vida.  Estas paráfrases podem esclarecer a definição dada e prevenir possíveis equívocos.  Mas a própria definição é adequada e não necessita de complemento ou comentário.

Mises compreendeu que a "ponte" entre a mente e a realidade está na compreensão da ação humana proposital e, portanto, na noção de movimento. Isso porque compreendemos o mundo a partir dos efeitos advindos de nossas ações propositais, que são motivadas pelas mais diversas intenções ou vontades humanas, chamadas de causas finais.

Essas causas finais são processadas na mente como categorias da ação humana, de forma que o funcionamento da mente é indissociável da percepção dessas categorias.

Perceba que todo objeto criado pelo homem está associado a alguma categoria da ação. Exemplo: dinheiro -> comprar e vender; cadeira -> sentar-se; talheres -> comer; quadros -> olhar, contemplar, refletir etc.

É impossível negar esse fato sem entrar em contradição. Podemos dizer, de forma resumida, que a mente funciona em termos de categorias da ação humana, que por sua vez são derivadas a partir da interação com a realidade.

Nesse sentido, não cabe falarmos que o conhecimento humano é independente da realidade objetiva ou da experiência sensível, isso porque a ação humana, desde os primórdios, sempre se deu na realidade objetiva.  E, se a mente apresenta categorias e conceitos derivados da ação, o conhecimento e a razão humana não podem ser completamente independentes dessa realidade — o que, como veremos, está bem distante de dizer que todo o conhecimento vem da realidade objetiva, e que, portanto, estaria eternamente limitado por ela.

Mente x realidade

Para aprofundar o entendimento sobre a relação entre mente e realidade, é necessário buscar semelhanças entre esses dois "reinos" a partir da análise de categorias do entendimento. Podemos identificar que as categorias 'espaço', 'tempo' e 'causalidade' são perceptíveis pela mente humana tanto a partir do entendimento das regularidades dos eventos naturais do mundo externo (realidade objetiva), quanto a partir do entendimento sobre ação humana proposital.

Senão vejamos:

 - Espaço: o movimento de objetos, a regularidade dos eventos da natureza e a ação humana proposital ocorrem no espaço da realidade objetiva, porém o entendimento sobre essa regularidade e sobre a intencionalidade da ação somente pode ser processado pela mente;

 - Tempo: confunde-se com a percepção do movimento de objetos e da regularidade dos eventos naturais (exemplos: movimento dos astros, relógio do sol, movimento dos ponteiros de um relógio) e também com a passagem da ação humana intencional (exemplos: a percepção de presente se confunde com a ação realizada no momento, o passado é a lembrança da ação realizada, e o futuro é a consciência sobre a ação ainda não realizada);

- Causa e efeito: toda alteração ou movimento de um objeto na realidade objetiva pressupõe uma causa inicial, e toda ação humana pressupõe uma intenção ou causa final, concebida subjetivamente na forma de categorias da ação.

Como a realidade objetiva surgiu antes da mente humana, essas categorias foram incorporadas pelo homem a partir da interação da mente com a realidade ao longo da história da ação humana na terra.

Mas, se a mente funciona em termos de categorias da ação humana derivadas a partir da realidade, por que ela não está limitada pela realidade, mas ao contrário, é a realidade que está limitada pela mente humana?  Simples: porque conseguimos imaginar situações e contextos que não existem na realidade, apesar de serem construídos a partir da combinação de conceitos originalmente extraídos da realidade objetiva — como, por exemplo, a possibilidade de o sol não nascer amanhã, de sairmos voando por aí como o "Super-Homem", de voltarmos e de avançarmos no tempo etc.

Todas essas são situações construídas a partir das regularidades da realidade objetiva, de categorias de ação pré-existentes, processadas e combinadas pela mente em torno da noção de ação intencional — ou seja, em torno da capacidade humana de transformar intencionalmente a realidade objetiva em que vive.

Assim, conseguimos materializar conhecimentos e conceitos, antes inexistentes na realidade objetiva, por meio da ação humana proposital, tendo, como ponto de partida, combinações mentais de categorias da ação previamente existentes no mundo externo (realidade objetiva).

Outra forma de constatar esse fato é refletirmos sobre as coisas à nossa volta, criadas pelos humanos. Antes de se tornarem realidade, elas tiveram, necessariamente, de ser constituídas na forma de uma ideia. Neste sentido, podemos dizer que foi a realidade objetiva que se conformou com a mente por meio da ação humana intencional, no momento em que essa realidade foi alterada pela ação.

Porém, como tudo aquilo que é modificado deve ter a capacidade de ser algo além do que era, uma nova realidade objetiva é criada. Essa nova expansão da realidade pela ação agora apresentará novos conceitos, significados e, portanto, novas categorias da ação, que, se novamente absorvidas e combinadas pela mente humana, darão origem a novos conhecimentos e ações que possibilitarão uma outra nova expansão da realidade, num processo de retroalimentação sucessiva entre mente, ação e realidade.

Se analisarmos resumidamente o processo de surgimento do automóvel, por exemplo, podemos perceber que sua origem se encontra na vontade humana de se locomover e de transportar objetos de forma mais eficiente. Para isso, a partir de elementos da realidade objetiva (animais, árvores e formas presentes na natureza), o homem agiu, domesticou animais, criou a roda e as carroças. Com a combinação e evolução desses conceitos e com o surgimento de outras novas soluções, como a pavimentação de superfícies, surgiram as carruagens. A partir da combinação de carruagem e de máquina a vapor — concebida originalmente no séc. XVIII para retirar com maior eficiência a água acumulada nas minas de ferro e carvão e para fabricar tecidos —, chegou-se ao conceito inicial de automóvel.

Note que as causas finais que deram origem à carruagem e à máquina a vapor são distintas, e que, a partir delas, uma nova realidade foi criada. Esse é apenas um dos incontáveis exemplos de como se dá a evolução material humana a partir de conceitos criados pela ação proposital, ou seja, a partir do entendimento e da combinação de categorias da ação previamente presentes na realidade objetiva.

Obviamente, o grande catalisador desse processo de expansão da realidade é o empreendedor. É ele quem cria novos conceitos, aplicações, soluções e produtos que darão origem a novas relações de causa e efeito, num processo cíclico de inovações potencialmente ilimitadas ao longo do tempo, possibilitando a evolução do bem-estar material de uma sociedade.

É por isso que intervenções governamentais que atrapalhem a possibilidade da ação empresarial, como regulamentações, controles de preços, burocracia, leis de propriedade intelectual e seus monopólios artificiais, entre outras mazelas estatais, irão distorcer a realidade objetiva e as possibilidades de ação empreendedorial, atrasando ou impedindo a evolução material de uma sociedade.

Disso tudo decorre que, além da fonte de conhecimento estar na mente, não há limites ao conhecimento e ao progresso humanos.  Eventuais limites seriam apenas contingentes, podendo suas fronteiras ser ampliadas conforme se materializem as possibilidades de alteração da realidade pelo homem — as quais são infinitas.

Assim, podemos entender a evolução do conhecimento como o resultado da transformação da realidade em camadas, expandidas pela mente por meio da ação humana proposital.

Conclusão

Para que o mecanismo acima funcione em direção ao progresso, existe uma condição necessária a ser preenchida: a capacidade humana de agir conforme as suas intenções.

Em outras palavras, é preciso que a categoria da ação "liberdade" esteja presente em nosso dia-a-dia, sem obstáculos e barreiras artificiais impostas pelo governo.  São essas barreiras que impedem que novas realidades possam existir, quebrando assim o ciclo da prosperidade. 

 



[1] O "axioma da ação humana", postulado por Mises, é irrefutavelmente verdadeiro.  Trata-se de uma proposição autoevidente cuja veracidade lógica não pode ser negada.  Qualquer tentativa de negá-la resultaria em uma insolúvel contradição intelectual, pois dizer que "humanos não podem agir" já é em si uma forma de ação humana.  

Igualmente, ele se baseia na proposição autoevidente de que os humanos agem propositalmente para sair de uma situação de desconforto. Todo indivíduo que tentar negá-la por meio de qualquer ação entrará em contradição, acabando por confirmá-la. Por exemplo, ao tentar negar "o axioma da ação", um indivíduo necessariamente estará se utilizando de argumentos (ação meio) para atingir um objetivo ou um fim desejado, qual seja: refutar o axioma da ação. Porém, ao tentar refutá-lo, entrará em contradição, pois estará empreendendo uma ação humana proposital para sair de uma situação de desconforto.



autor

Tullio Bertini
é mestre em economia e finanças pela UFSC e membro do Instituto Carl Menger, em Brasília.


  • Magno  08/04/2015 14:21
    Artigo denso e exigente, mas extremamente recompensador. Ótimos insights.
  • Ludwig von Marx  08/04/2015 14:33
    Sei que é algo meio fora do contexto, mas gostaria de perguntar sobre um argumento que vem crescendo na defesa das trincheiras do socialismo e que realmente fico sem resposta quando vejo:

    "A URSS levou 20 anos para formar uma economia de potência mundial, partindo de um país totalmente subdesenvolvido, semi-feudal e sem ter nenhuma colônia, já Holanda, França e Inglaterra levaram 200 anos para tal feito"


    Isso é verdade ou tem algum fundamento ou é só desonestidade intelectual com fatos não verdadeiros?
  • Socrates  08/04/2015 15:01
    "...e sem ter nenhuma colônia"

    oi? a URSS escravizou metade da Europa e você acredita em alguém que diz isso?

    De resto é só balela, basta pergunta como está a URSS hoje. URSS nunca foi potência econômica, apenas militar, e olhe lá.
  • Maverique  08/04/2015 15:36
    Ludwig von Marx, mas te pergunto a que preço? Se olharmos o contexto da Holanda, França e Inglaterra como tu mesmo citou esses países sofreram mudanças sociais, políticas e econômicas com o passar dos anos, se adequando as necessidades vigentes de cada época (com seus acertos e erros) e claro que hoje desfrutam de uma estrutura bem mais sólida que a da Rússia. Já essa mesma teve um sistema "empurrado", cuja as adequações foram forçadas "garganta abaixo" pelo estado, que sabia o que era melhor para seu cidadão.
  • Sawyer  08/04/2015 15:42
    Nem isso. Qual foi a "potência econômica mundial" da URSS?

    Todos os países citados influenciaram positivamente no estilo de vida e na cultura do resto do mundo, e suas ideias e invenções trouxeram progressos para todo o mundo.

    Já a URSS, o que fez? Qual foi o progresso que ela trouxe ao mundo? O que ela fez de positivo? Quais das suas invenções geraram progresso e são utilizadas até hoje?
  • Roberto  08/04/2015 16:13
    Nunca ouviu falar da "corrida espacial" ou Yuri Gagarin?
  • Carlos  08/04/2015 17:32
    Aquela empreendida e consolidada pelos americanos?
  • Adelson Paulo  11/04/2015 19:16
    Apenas complemento que a Rússia pré-soviética não era um país tão atrasado assim. Era um país semi-feudal, onde ainda se utilizavam regimes de servidão para os agricultores, mas que possuía uma elite intelectual bem desenvolvida (como atestam as contribuições russas na música, teatro, balé e literatura), um sistema educacional elitista mas eficiente, uma agricultura próspera e vários ramos industriais em intensa atividade, como mineração, siderurgia e metalurgia. A Rússia czarista era ainda uma das maiores potências militares da Europa dos séculos XVIII e XIX.

  • Jarzembowski  08/04/2015 16:44
    Isso aí é só mais uma vigarice dessa corja.
    Na próxima vez não perca a chance de esfregar na cara do sujeito a resposta.
    Segue uma explicação minha e uma do Leandro à essa mesma pergunta em outro post.


    Jarzembowski:
    Então a prova de que o modo de produção socialista/comunista funciona é a duração e prosperidade(ignorando os 50 milhões de cadáveres) do regime soviético.
    Você realmente acredita que a industrialização soviética se deve ao modo de produção socialista?
    Então vou te dar a mesma dica que dou pra todo mundo que fala do que não sabe:
    Pare de dar palpite e vai estudar.


    The best enemy money can buy

    Red cocaine - how international drug trade financed the soviet bloc

    Wall Street and the Bolshevik Revolution

    Western Technology and Soviet Economic Development, 1917 to 1930


    ----------------------------
    Leandro:
    A economia socialista soviética sobreviveu artificialmente graças a três expedientes, em ordem:

    1) A abertura do mercado, feita por Lênin, que atraiu investimentos estrangeiros em quantidade;

    2) a Segunda Guerra Mundial, que, além de ter destruído todas as potências da Europa Ocidental, deu à Rússia (com as bênçãos de Churchill e Roosevelt) o controle de todo o Leste Europeu, o que lhe permitiu espoliar todo o capital destes países, ajudando assim a manter o regime socialista.

    Não fossem estes satélites europeus servindo de vaca leiteira para o comunismo, fornecendo "gratuitamente" (sob a mira de uma arma) bens de capital e mão-de-obra capacitada para a Rússia, não teria como o socialismo russo durar tanto tempo (daí a desesperada invasão do Afeganistão na década de 1980: o capital do Leste Europeu estava exaurido, e a Rússia precisava de novos recursos).

    3) A existência de um mercado negro que vendia ilegalmente de tudo, desde comida e roupas até gasolina e carros (foi desse mercado que surgiram "magicamente" os vários milionários russos após o fim da URSS).

    Mesmo com tudo isso, o cidadão soviético comum da década de 1980 consumia menos proteínas do que um súdito do Czar em 1913, e tinha um padrão de vida, sob muitos aspectos, inferior ao dos negros da África do Sul sob o apartheid.


    Quanto ao "poderio militar", até hoje estou à espera da confirmação desse fato. Que "poderio bélico" foi esse que até hoje ninguém sabe aonde foi parar? Os neoconservadores dizem que a URSS tinha 40 mil armas nucleares, as quais foram adquiridas pela máfia russa e por separatistas chechenos após a dissolução da URSS Nenhuma nunca foi usada até hoje.

    Já os mais realistas simplesmente dizem que estas 40 mil "armas nucleares", que eram repetidamente exibidas nos desfiles militares russos, eram todas de papelão.

    ---------------------------
  • Nelson do Vale  14/04/2015 20:30
    Meu irmão uma vez usou um conceito interessante para ilustrar como tiranos podem dar a ilusão de desenvolvimento: ele falou em uma sociedade "oca".
    Um tirano devidamente equipado ideológica e militarmente pode drenar recursos da sociedade pouco visíveis e utilizar tais recursos para construir uma obra visível. Assim, ao destruir a riqueza do povo russo e usar tais recursos para construir uma máquina militar a União Soviética faz parecer que tirou tal máquina "do nada".
    O fato é que é mais difícil ver que o povo perdeu sua maquiagem, seus sofás, seu lazer e até mesmo seu alimento, do que ver que o governo construiu naves espaciais e campos de concentração.

    A maior obra da União Soviética, de fato, não foi a corrida espacial: foi transformar a sociedade russa (e várias outras nações) em sociedades ocas, nada além de uma casca governamental sobre um vazio (vazio de riquezas, mas repleto de miséria, claro).

    O governo americano, claro, fez o mesmo (em menor escala) durante a corrida espacial: drenou recursos de seu povo para construir foguetes. Imagine quanta riqueza as pessoas nos EUA e na Rússia não teriam gerado se todo seu trabalho e esforço não estivesse sendo drenado por essas máquinas de matar chamadas estado.
  • Emerson Luis  17/04/2015 15:09


    blogs.estadao.com.br/carlos-orsi/2010/12/06/os-numeros-potemkin/

    "Uma expessão que o autor adota no livro é a de "Número Potemkin", a partir da lenda de que o ministro russo Grigori Potemkin teria construído cidades cenográficas para enganar a imperatriz Catarina, durante uma visitra da monarca à Crimeia.

    Diz a lenda que, à beira das estradas percorridas pela imperatriz, foram erigidas fachadas coloridas que imitiavam vilas e cidades reais. O objetivo era apresentar a Catarina uma ideia falsa do nível de desenvolvimento da região.

    "Números Potemkin", de acordo com Seife, funcionam da mesma forma: dão uma impressão de solidez científica e precisão, mas são ocos e, muitas vezes, induzem a acreditar em bobagens."

    * * *
  • Felipe  17/04/2015 17:37
    Muito bom esta notícia, vale dizer que o livro citado já tem tradução: www.saraiva.com.br/numeros-nao-mentem-os-4713229.html?PAC_ID=25371&
  • Emerson Luís  17/04/2015 20:09

    Que bom, vou colocar na minha de livros para ler!

    Não conhecia esse livro, procurei uma explicação do termo "Aldeia Potemkin" que tinha lido uma vez e não encontrei, então coloquei esta. Santa serendipidade, Batman!

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    * * *
  • tiago silva  08/04/2015 14:34
    O meu comentário parece estar off topic,mas eu penso que se relaciona ,na medida em ainda há que tente desacreditar a metodologia austríaca,e pior muitos deles são anti- razão,anti-lógica,o que obviamente não procede,visto que uma pessoa que abandona lógica não conseguiria sobreviver por muito tempo.

    Gostaria que comentassem esta tentativa de refutação do individualismo metodológico,de um "economista" português,como podem ler um proponente do colectivismo metodológico.

    Esta é apenas uma parte da (tentativa)de de desacreditar a metodologia Austríaca.


    Em ciência, a adequação à realidade é mais importante do que a simplicidade.

    Existe uma abordagem muito comum, aliás dominante, à análise e ensino dos fenómenos económicos que assenta na modelização dos problemas à escala individual e posterior generalização para a escala da sociedade. Por outras palavras, que assenta na redução dos fenómenos económicos - que são intrinsecamente sociais - a fenómenos individuais em condições simplificadas, a fim de deduzir conclusões que são depois extrapoladas novamente para a escala da sociedade como um todo.

    A chamada economia de Robinson Crusoé constitui um exemplo paradigmático deste tipo de abordagem. Nesta experiência conceptual, Robinson está só na ilha deserta e tem de optar por dedicar o seu tempo ao lazer ou à recolha dos côcos de que depende a sua sobrevivência - problema típico da teoria neoclássica do consumidor, nomeadamente quando se assume adicionalmente que Robinson é perfeitamente racional e que as suas preferências são dadas à partida.

    Ler mais: expresso.sapo.pt/esquecam-o-robinson-crusoe=f918853#ixzz3WjDOkOha

  • Socrates  08/04/2015 15:58
    O tal português falou falou e nada, basta te perguntar, o que você de fato entendeu do comentário dele? qual o motivo não devemos usar o individualismo metodológico?

    Esse pessoal pouco entende que a única forma de se tratar economia é reduzindo ao indivíduo e criar axiomas que depois se desdobram para criar teoremas.

    Um exemplo clássico, vê um país crescendo com altos impostos, como saberá se ele cresceu por causa dos impostos ou apesar dos impostos? A matemática não te responde, o critério ficará apenas na opinião do pesquisador. Mas tendo a teoria como base, por exemplo a austríaca, você saberá que impostos reduzem crescimento, portanto o país cresceu apesar dos impostos.
  • Platão  08/04/2015 18:46
    E repare o erro do português "e assume adicionalmente que Robinson é perfeitamente racional e que as suas preferências são dadas à partida"

    A teoria austríaca nunca disse que Robison é perfeitamente racional e sua preferências são dadas. Ele criou seus próprios espantalhos e fica batendo neles.
  • anônimo  08/04/2015 19:39
    Com um país só você não conclui nada, mas se num país você ver como setores com menos interferência estatal são os mais prósperos, e se olhar como os países deixam de crescer quando o estado incha, e como voltam a respirar aliviados quando (um pouco) de governo sai...aí são vários casos, daí acho que já dá pra concluir alguma coisa
  • Socrates  08/04/2015 20:28
    Infelizmente ainda não provará nada.

    Pegue como exemplo a abertura comercial, existe estatísticas que mostram uma alta correlação entre prosperidade e abertura comercial. E o que os esquerdinhas respondem? que eles são ricos apesar da abertura e se beneficiaram do protecionismo em alguma período muito antigo.

    E novamente como você provará isso matematicamente? Não provará, ficará um coletando evidências históricas que sua tese está correta.

    Podemos inverter também, os esquerdas adoram utilizar os países escandinavos para demonstra que é possível o Brasil ficar rico com altos impostos. E o que os liberais respondem? Que eles são ricos apesar dos impostos e o que sustenta seus crescimento é o bom índice de liberdade interna.

    O como a esquerda prova que a direita está errada? Tenta argumentar que no país X há muita liberdade e não há riqueza ou simplesmente não acredita no tal índice da liberdade, e ai o jogo começa, cada um falando uma coisa

    Dados não provam nada sem teoria, liberais precisam conhecer mais a teoria.
  • Carlos  08/04/2015 14:58
    Poderiam comentar sobre esse projeto absurdo de terceirização.
    Isso vai ser o golpe final contra o trabalhador. Ainda mais pela forma e no momento em que isso está sendo discutido.
    E ainda tem que aguentar aquele Levy sendo chamado de "liberal".
    Não passa de mais uma farsa da anta e da mídia.
    Cria um "ajuste" fiscal onde 2/3 são via aumento de impostos e o governo segue aumentando gastos como se nada tivesse acontecendo.
    Se isso é ser liberal, eu sou keynesiano.
  • anônimo  08/04/2015 17:07
    Minha opinião pessoal: É só mais um exemplo do governo tentando consertar um problema que ele mesmo criou.

    Pra quem tem um pequeno empreendimento, as leis trabalhistas, impostos e tantas outras regulações são um verdadeiro inferno. Muito do que se é criado no país, principalmente nas regiões pobres ou serviços justamente para a população carente, é obrigado a existir fora de tudo isso.

    Um pacote verdadeiramente liberal raramente é um proposta isolada. Liberais sempre defendem impostos mínimos - para que cada real compre mais produtos do que se pague impostos-, e que o empreendedorismo seja facilitado justamente para quem tem menos recursos.

    Ora, as pessoas atacam medidas liberais sempre criticando que favorecerá os "empresários gananciosos" - que é quem cria emprego e riquezas-, mas esquecem que pagam quase 50% do que ganham em impostos para o estado. Quem é que está realmente os fazendo pobres?

    Na prática chegamos ao absurdo de que os empresários reclamam que gastam muito com empregados e os empregados reclamam que ganham pouco. E ambos tem razão.
  • Pobre Paulista  08/04/2015 16:42
    Ainda não compreendo essa birra da escola de Vienna contra os empiricistas. Racionalidade e Empiricismo se complementam, não se opõem. Como por exemplo determinar a massa de um próton sem empiricismo? Como deduzir que a velocidade da luz é constante em todos os referenciais utilizando apenas a razão, sem apelas à nenhuma observação da realidade? Enfim, como se evidencia qualquer coisa a respeito de uma teoria sem recorrer à pelo menos uma medição de algo? Como sequer se cria uma teoria sem querer estar explicando algum fato?

  • Socrates  08/04/2015 17:43
    Por isso você deveria saber sobre o conceito de dualismo metodológico, o que se aplica as ciências naturais não se aplica as ciências humanas. Isso está bem claro para os austríacos.

    Ciências humanas não pode ser estudada com dados históricos e testes em laboratórios, apenas com o uso da razão.
  • Raphael  08/04/2015 17:03
    Concordo com praticamente tudo, menos que a ação humana não possa estar protegida por leis.

    Isto porque, na minha opinião, todos os grandes inventos são motivados por sua exploração econômica, vide lei de propriedade industrial, assim, o progresso é catalizado por algumas proteções, como forma de escapar da pirataria.

  • Anomalus  08/04/2015 18:26
    A melhor coisa contra a pirataria que já inventaram foi a inovação.
  • Vban Vitor  08/04/2015 17:36
    Belíssimo texto. Um "VIVA!" à liberdade de ação e ao empreendedorismo!
  • TOBIAS  08/04/2015 18:15
    Sobre esse mesmo tema temum artigo bem interessante publicado a algum tempo neste site e que deveria ser lido por todos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=810
  • Douglas Silva Rodrigues  08/04/2015 18:38
    Olá, alguém poderia me dar um ajuda? Esse ano estou fazendo cursinho, quero fazer Economia, porém como todos sabem, o pensamento esquerdopata domina o ensino superior neste país. Moro em São Paulo, sonho em fazer na FGV, mas como é particular e o custo é alto penso numa pública, tenho que ajudar em casa e não tenho uma boa condição financeira, por isso se passar irei fazer na FEA-USP, queria saber o que vocês fariam? Qual instituição indicariam e optariam? Sei que tem excelentes instituições, Insper, FAAP, FECAP, já pensei até no MACK; quero ter uma boa formação, mas existe algumas dificuldades, penso que tenho que me adaptar ao sistema que está ai.
  • Felipe  08/04/2015 19:34
    Acho que não há escapatória, uns tem mais esquerdista outros menos, em geral vai ser assim:


    Microeconomia - economia clássica, verá sobre a tal concorrência perfeita e as tais falhas de mercado.

    Macroeconomia - Keynes puro, te ensinara como os clássicos eram burros e keynes deu a "luz" para a economia

    Historia do pensamento econômico - Marxista , te obrigará a lê o capital.

    Historia do pensamento econômico 2 - Keynesiano , louvará keynes.

    Historia econômica - Marxista, você irá lê Robsbawn

    Sociologia - Haverá marx em todos os cantos, falte o máximo que puder.

    Economia internacional - Verá a teoria neoclássica de Paul Samuelson e bastante aula sobre como o neoliberalismo dos anos 90 causaram crises.

    Economia Brasileira - Louvará Vargas e JK, irá descobri que a hiperinflação brasileira teve mil e uma explicações, todos serão culpados menos a simples máquina de impressão do governo.

    Economia monetária - Aprenderá sobre a importância do Banco Central.

    Econometria - Fará acreditar que pode prever o futuro através da matemática.

    Metodologia econômica - Aprenderá que só o que tiver matemática no meio é cientifico.

    Desenvolvimento econômico - A parte mais rasoável, aprenderá com formulas matemáticas a teoria do Sollow, onde descobrirá que poupança gera crescimento (Uau!)

  • Aline  08/04/2015 20:58
    Felipe, esse foi exatamente meu currículo em uma universidade privada em Curitiba. Pura tristeza.
  • anônimo  08/04/2015 20:21
    Para um aluno bom, esforçado e interessado a universidade apenas servirá para lhe dar um certificado (diploma) para comprovar conhecimentos que ele adquiriria de qualquer forma.

    Para um aluno oposto ao que foi citado acima, a universidade apenas servirá para lhe dar um certificado (diploma) que deveria servir para comprovar seus conhecimentos. Você vai logo perceber, mesmo cursando uma boa faculdade, que é possível se formar sabendo muito pouco, decorando conceitos para a prova e esquecendo tudo logo em seguida.

    Fiz engenharia - um curso livre de doutrinação- e a partir de um certo ponto percebi que o que era ensinado não me seria útil nem como empregado na indústria nem para empreender. Até mesmo para fins acadêmicos aquilo já seria bem datado.

    Como acredito que não há como fugir muito do esquerdismo no que você pretende fazer, minha dica (talvez um pouco óbvia) é tentar entrar num curso que seja compatível com sua condição financeira e que tenha uma boa reputação (perante o mercado de trabalho). Aprenda por conta própria, tente encontrar grupos de estudos não-esquerdistas tanto presenciais como pela internet.
  • Douglas Silva Rodrigues  13/04/2015 13:46
    Muito obrigado, de fato, a situação atual é bem complicada, penso que uma formação boa seria na FGV e Insper, mas como nao tenho condição financeira, talvez eu tenha que fazer UNIP ou UNINOVE.
  • Emerson Luis  17/04/2015 14:54

    "Fiz engenharia - um curso livre de doutrinação-"

    Tem certeza? A doutrinação pode ser muito sutil. Um leitor do IMB comentou que no curso de engenharia se aprende sobre a "função social da propriedade".

    * * *
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  08/04/2015 20:31
    Texto claro e sincero de como as coisas realmente funcionam neste mundo. Pena que os governos distorcem tudo. A liberdade deve ser a meta de qualquer pessoa. Isso requer a capacidade de assumir a responsabilidade por tudo o que acontece em sua vida: tanto os lucros como as perdas devem, num mundo livre, ser merecimento ou culpa unicamente dela, sem ninguém ajudando ou atrapalhando. Só assim, podemos "medir", com mais justiça a real capacidade de alguém.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  08/04/2015 22:45
    Como disse Mises: "Para quem reclama da injustiça do sistema de mercado, cabe somente um conselho: se quiser enriquecer, tente satisfazer o público oferecendo-lhe algo mais barato ou de que ele goste mais. Tente superar a Pinkapinka fabricando uma nova bebida, A igualdade perante a lei lhe dá o poder de desafiar qualquer milionário. Será — num mercado não sabotado por restrições impostas pelo governo — culpa exclusivamente sua se você não conseguir sobrepujar o rei do chocolate, a estrela de cinema e o campeão de boxe."(Livro A Mentalidade Anti-Capitalista).
  • Lopes  08/04/2015 21:39
    (Off-Topic)

    Traduzi três artigos do Mises Institute e os mandei a contato@mises.org.br; infelizmente, o botão de formulário de contato parece não estar funcionando. Gostaria somente de saber se os senhores receberam os textos ou se a forma com que estou a enviá-los está correta.
  • Antonio  08/04/2015 23:01
    Muito bom, Túlio... Na primeira metade, tive de refletir mto pra acompanhar, mas do meio pra frente a leitura ficou mais fluida. No final, não fica dúvida que o mercado desobstruído e livre é condição para o avanço rápido dos padrões materiais de uma sociedade!
  • Juliana  09/04/2015 20:00
    Olha, é inegável que a mente humana tem a capacidade de admitir e considerar um conhecimento como cientificamente verdadeiro, apenas pelo uso da razão. Mas, às vezes não há nada melhor que a boa e velha experiência para mostrar, com todos os detalhes, a comprovação de uma teoria.

    Por exemplo: se de um lado uns dizem que os preços são um sinalizador importante, e que devem ficar livres para variar de acordo com a oferta e a demanda - assim como o mercado, que deve ser aberto para permitir a competitividade -, mas do outro as pessoas dizem que não, que tem que regular, que tem que segurar os preços, etc., como resolver essa dúvida? Aí, somente a experiência real pode trazer a luz do conhecimento, para que não haja mais dúvidas. Vide o que estamos vendo atualmente com os preços da energia elétrica, cujo "ajuste" está vindo com todos os juros e correção monetária, e sendo cobrado de todas as formas possíveis os custos dessa administração governamental. Só a teoria jamais permitiria-nos assistir - como gostam de dizer por aqui - essa verdadeira 'delícia'. Já que não dá pra fazer muita coisa, abençoado seja o conhecimento que deriva da experiência.

    Mas o importante mesmo é que o presente artigo é daqueles que dá vontade de emoldurar e colocar na parede, de tão bom e inspirador que é, gostei demais. Parabéns ao autor!

    Grande abraço!
  • Emerson Luís  17/04/2015 14:51

    Concordo em parte.

    1- Empirismo e positivismo são filosofias distintas: o primeiro propõe que o ambiente preenche e molda a cognição e que teorias devem ser testadas pela experiência; o segundo pressupõe que o intelecto humano pode compreender a realidade o suficiente para aprimorá-a e gerar um progresso planejado e controlado.

    2- Kant unificou o empirismo e o racionalismo; Hegel complementou Kant; Marx deturpou Hegel; Mises, Hayek e outros refutaram Marx.

    3- A mente humana pode imaginar novas realidades, mas a capacidade de materializar algo imaginado é limitada pelas leis da natureza.

    4- Menos Platão, Mais Aristóteles.

    * * *

  • Felipe  20/04/2015 02:22
    Posso estar errado, mas eu diria que a diferença entre empirismo e positivismo é que o primeiro refere-se a um método para se obter conhecimento, e o segundo refere-se a uma filosofia política.
  • Emerson Luís  20/04/2015 13:44

    É isso mesmo: o empirismo é tanto um método quanto uma filosofia.

    Diferentemente dos empiristas, os filósofos racionalistas (ou inatistas) acreditavam - e ainda acreditam, existem versões modernas de ambos - que o indivíduo já nasce com conhecimentos esquecidos que são relembrados pela experiência e pelo raciocínio.

    As duas linhas filosóficas tinham sua parcela de razão. Por exemplo, já nascemos com a capacidade inata de aprender a falar, mas o aprendizado de um idioma se dá pela experiência. Essa basicamente foi a síntese de Kant.

    O "positivo" do positivismo tem o sentido de "criado pelo ser humano" e contrapõe-se a "natural". Um bosque selvagem é "natural", um jardim é "positivo". Como disse, ele parte do pressuposto de que o intelecto humano pode compreender a realidade o suficiente para aprimorá-a e gerar um progresso planejado e controlado.

    Tanto a razão teórica quanto a experiência prática demonstraram que o positivismo está errado.

    * * *
  • Felipe  30/04/2015 14:24
    Alguém aceitaria a tarefa de refutar este artigo?

    https://libertarianismoedarwinismo.wordpress.com/2014/06/21/contra-a-praxeologia-a-favor-da-ciencia/



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