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Um país chamado favela

Nota do IMB

O fenômeno das favelas no Brasil é complexo e não pode ser explicado de maneira completa em um simples parágrafo introdutório.  No entanto, Mario Henrique Simonsen, em seu livro 30 Anos de Indexação, fez um excelente compêndio dos fenômenos.  Tudo começa com a destruição do poder de compra da moeda.

Com a inflação monetária e a consequente carestia se tornando galopantes ainda no fim da década de 1950, a contabilidade das empresas e dos bancos tornou-se extremamente distorcida (fenômeno detalhado neste artigo).  Por causa do rápido aumento dos preços, as receitas se tornavam nominalmente maiores em um curto período de tempo e, consequentemente, prejuízos operacionais se transformavam em lucros ilusórios, os quais eram pesadamente tributados.  Simultaneamente, o próprio custo de reposição de ativos aumentava acentuadamente.  Isso foi aniquilando o capital de empresas e bancos.

Como consequência, os bancos reduziram a oferta de crédito, principalmente para a aquisição de moradias, chegando ao ponto de, em 1963, a concessão de um financiamento para a compra de um pequeno apartamento pela Caixa Econômica Federal depender da expressa autorização do presidente da República. 

Com isso, os edifícios residenciais passaram a ser construídos por meio do autofinanciamento dos condôminos, fenômeno que se manteve até meados da década de 1990.  Nesse arranjo, os prazos de término das obras eram continuamente esticados, o que encarecia seus custos.

Para completar, o incentivo ao investimento em imóveis residenciais para aluguel foi destruído pelas sucessivas leis do inquilinato, que prorrogavam por prazo indeterminado os contratos de locação residencial, determinando o congelamento ou o semicongelamento dos alugueis. 

O resultado foi a atrofia da indústria da construção civil e a proliferação das favelas, como manifestação ostensiva da crise habitacional.

O artigo a seguir, embora não aborde este assunto, mostra um relato extremamente interessante sobre o empreendedorismo das pessoas que foram prejudicadas por essas políticas estatais e que, por total falta de opção, foram empurradas a morar em favelas

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Uma das características dos socialistas é oferecer provas contra si mesmos, seja por meio de seus governos, seja por meio de seus discursos e livros.

Eles próprios se encarregam de deixar bem claro o quanto são incompetentes, delirantes e contraditórios, muitas vezes evidenciando o quanto são incapazes de enxergar que muitos dos fenômenos sociais que eles enaltecem fazem parte, na verdade, do argumento liberal, não do discurso socialista.

Acabei de ler Um País Chamado Favela, livro escrito por Renato Meirelles e Celso Athayde.

Não perderei o meu tempo falando sobre as primeiras 25 páginas (o livro tem 167) dedicadas à tentativa de implantar no leitor adjetivos elogiosos ao livro antes mesmo dele o ler. Não perderei meu tempo debochando das apresentações assinadas por "grandes intelectuais brasileiros", tais como Preto Zezé, MV Bill e... Luciano Huck! Também não perderei tempo enumerando as distorções na leitura da história recente do Brasil. Comprei o livro por causa das estatísticas que os autores oferecem.

Resumidamente, para 96% dos moradores das 63 favelas pesquisadas, não foram políticas públicas as responsáveis pela melhoria da qualidade de vida. Para 14%, a família foi a causa, para 40% foi Deus o responsável e para 42% a melhoria de suas vidas foi obra tão somente de seus próprios esforços, ou seja, aquilo que os liberais gritam todos os dias — a potência do indivíduo!

Além de dados, a pesquisa que gerou o livro também oferece relatos de empreendedorismo dentro de comunidades distantes das ações estatais, salientando que foi justamente a distância entre indivíduos e governo que os tornaram fortes e criativos:

Os jovens, em particular, são filhos e netos daqueles cidadãos abandonados e maltratados pelo Estado. Criados a partir dessa memória familiar recente, não enxergam o governo, qualquer que seja, como provedor de bem-estar. Não raro treinados em modelos espartanos de sobrevivência, convertem-se em homens e mulheres particularmente resilientes que aprendem, enfrentam preconceitos e fazem acontecer.

O que pode ser mais libertário do que isso?

A despeito dos dados e testemunhos que comprovam que o pobre não é nenhum incapaz, os autores se esforçam em tentar nos fazer crer que a melhoria na qualidade de vida nas favelas foi obra do PT, chegando a afirmar, por exemplo, que seus moradores só puderam planejar melhor suas vidas quando começaram a receber contracheques impressos.

Segundo eles, não foi o fim da inflação e a estabilidade econômica que possibilitou que pessoas de baixa renda tivessem acesso ao crédito, mas sim um pedaço de papel.

Num dos capítulos, Renato Meirelles assume a narrativa para falar sobre a trajetória de seu parceiro, Celso Athayde, começando com a seguinte frase: "Ele não aprendeu com Keynes ou com Amartya Sen, mas com a vida, tocando pequenos negócios no vasto universo de excluídos e daqueles em processo de inclusão".

Sim, ele cita dois gurus do socialismo para ilustrar a trajetória liberal de uma pessoa que abre caminho por si mesmo na sociedade e que, voluntariamente, direciona seu trabalho para os interesses das comunidades mais pobres, explicitando, portanto, que os socialistas não conseguem sequer distinguir socialismo de liberalismo.

Darei um ajuda: oferecer seu tempo, seu trabalho, seu dinheiro ou apenas seu interesse aos pobres não faz uma pessoa socialista. Uma pessoa se torna socialista quando ela passa a cobrar que o Estado obrigue outras pessoas a fazer caridade, exigindo que os mais ricos, apenas por serem mais ricos, devam aceitar que o governo lhe tome dinheiro para supostamente dar aos pobres apenas por estes serem pobres.

A trajetória "social" de Athayde, relatada por Renato, culmina na criação da Favela Holding, iniciativa responsável pela criação de um shopping center dentro do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, empreendimento de R$ 22 milhões.

Os autores desconhecem que isso se chama iniciativa privada e voluntária, o pilar do liberalismo. Ignoram que qualquer iniciativa desse tipo, se fosse empenhada pelo estado, custaria 10 vezes mais e ofereceria serviços ruins. Ignoram que o sucesso de empreendimentos como os citados no livro se deve principalmente por serem iniciativas de pessoas comuns e que, por isso, têm mais condições de saber o que pessoas comuns precisam — o que o estado nunca conseguirá saber.

No livro, constam também outros casos, como o de Elias Tergilene, que começou a vida vendendo esterco e que hoje tem diversos empreendimentos comerciais em regiões degradadas de Belo Horizonte. A despeito do discurso "social", Elias apenas pensou empresarialmente, o que lhe possibilitou descobrir um novo nicho de mercado. Pergunto: ele foi obrigado pelo governo a investir seu trabalho e seu dinheiro na favela? Não. Foi ele, por iniciativa própria, que enxergou as oportunidades comerciais que essas regiões guardam e que criou um modelo de negócio adequado ao perfil de seus moradores. Isso não é socialismo. Isso é capitalismo.

Em vez de esperar pela ajuda do estado, o indivíduo tratou de, ele mesmo, fazer o que acreditava que deveria fazer. Livre iniciativa. A mesma livre iniciativa da também citada Vai Voando, empresa de venda de passagens aérea que, a exemplo de Elias, costurou um modelo próprio de negócios que, visando o lucro, possibilitou que dezenas de milhares de pessoas tivessem oportunidade de viajar de avião.

A mesma pergunta: foi o estado que obrigou essa empresa a oferecer produtos e serviços mais baratos aos mais pobres? Não!

Reconhecendo o potencial das favelas — a despeito da ausência do estado —, os autores chegam a escrever: "Ali, portanto, por necessidade e vocação, funcionam alguns dos melhores laboratórios do país em termos de prática empreendedora". Quando um liberal fala isso, ele é tachado de maluco — "Impossível um favelado se erguer sozinho!", gritam os socialistas —, porém, quando são os próprios socialistas que atestam essa realidade, a pobreza deixa de ser vista como uma condenação e passa a ser vista como uma situação reversível a partir do conjunto de esforços individuais.

O erro, contudo, está na insistência dos socialistas em pregar que o estado deveria ajudar os esforços individuais. Não, não deveria. Todas as vezes que o estado estende sua mão, ele retira do indivíduo a necessidade de ser forte e criativo, empurrando-o na direção da dependência e da subserviência. Qualquer ação de caridade deve vir de indivíduos, nunca do estado.

Apenas pessoas (espontaneamente associadas entre si ou não) têm condições de avaliar a necessidade e o merecimento de outras pessoas e de acompanhar os desdobramentos de cada ação. O estado não tem esta condição.

Outra passagem interessante do livro é aquela em que os autores citam a solução encontrada pelos salões de beleza quando o governo (sempre ele!) restringiu o funcionamento dos bailes funk. "A solução foi diversificar os serviços. Quem fazia chapinha passou a oferecer também depilação. Aos poucos, as melhores profissionais venceram a crise e passaram a colecionar também clientes do asfalto, gente moradora de Laranjeiras ou da Gávea".

E ainda há quem diga que o mercado não se autorregula, que o mercado não tem capacidade de, por si mesmo, resolver seus problemas.

O livro também nos mostra o ponto de vista dos consumidores pobres, desfazendo a imagem de "coitadinhos humildes" que os socialistas pintam constantemente. Os moradores das favelas calculam o custo-benefício de tudo; muitas vezes optam pelos produtos mais caros e têm especial prazer em ostentar marcas famosas por reconhecerem o valor agregado de seus produtos. Os dados expostos no livro comprovam que o "desapego material" e a busca pela "vida simples" não passa de um fetiche existencial da burguesia socialista. O pobre quer ser patrão. O pobre quer ser independente. O pobre gosta de luxo e quer passar férias nos Estados Unidos, não em Cuba.

Vale ressaltar também que um favelado só tem o poder de escolher o que consumir porque existe uma complexa rede de interesses individuais que sustentam incontáveis empresas que brigam entre si pela preferência até dos mais pobres.

Sem perceber, os autores reconhecem que, enquanto a "benevolência" do estado não chega a esse grupo de pagadores de impostos, os favelados, o "capitalismo opressor" sobe o morro com suas farmácias, supermercados, serviços de internet e de TV a cabo, lojas de eletrodomésticos, de computadores, de celulares e de material de construção.

Os autores do livro chegam a registrar casos de megacorporações internacionais, como a P&G, que, voluntariamente, vão à favela oferecer produtos e serviços gratuitos como estratégia de divulgação de suas marcas — "Malditos capitalistas!".

A infelicidade do livro é a insistente interpretação ideológica da realidade — a capacidade dos indivíduos de se levantarem por si mesmos —, tentando nos fazer crer que a favela precisa de estado, muito estado, estado em tudo; e que essas comunidades devem ser protegidas, vejam só, dos interesses dos capitalistas.

Este livro é um ótimo documento sobre o autobloqueio de grande parte dos socialistas em reconhecer a potência humana; fazem questão de não enxergar que o único papel que o estado assume é o de tornar a vida das pessoas mais cara, complicada e perigosa.

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Leia também:

Contra o Homo Proletarius - a ascensão dos pobres pelo empreendedorismo

A dignidade se dá por meio da produção 

A coragem se dá por meio do empreendedorismo

Capitalismo para os ricos, socialismo para os pobres 


5 votos

autor

João César de Melo
é arquiteto, artista plástico e escritor. Escreveu o livro Natureza Capital.


  • Wellington Kaiser  31/03/2015 15:24
    Eu nasci e fui criado em uma favela. Quando comecei a ler sobre escola austríaca e teorias libertárias, eu pensava "Brother! Essas coisas já ocorrem na favela."

    A favela é propagandeada como algo a ser evitado, como um lugar ruim de se viver e muitos não entendem o motivo delas serem cada vez maiores e surgirem com mais frequência. Entretanto, as pessoas não entendem que a favela proporciona o crescimento do mais necessitado, justamente por não ter muita interferência do Estado.
  • Marcelo Corghi  31/03/2015 15:49
    cara, por favor, conte mais sobre sua realidade!
    mostre como funciona o livre mercado ai onde tu mora.
    precisamos bater nesses socialistas/petistas/estatistas.
  • Wellington Kaiser  31/03/2015 16:49
    Eu faço isso. Se você mora (ou morou) em uma favela, automaticamente sabe disso. Sabe que não precisa de alvará da prefeitura para abrir um restaurante ou qualquer outro estabelecimento, não precisa emitir nota fiscal, não paga iptu, constrói casa sem registrar (nem pagar taxa) nada, no máximo um contrato de posse.


    Minha mãe trabalhava em salão de beleza "no asfalto", montou seu próprio salão na favela, ganhou muito mais com isso. A grana que não demos pro estado nos possibilitou pagar um curso de informática (atualmente sou programador).

    Meu pai foi líder comunitário de uma favela relativamente nova (tem menos de 20 anos). A galera juntou e comprou um terreno gigante que não era utilizado por ninguém, dividiram em lotes, ele fez o desenho dos acessos (o que me faz lembrar que existem pessoas que acham impossível existir uma rua particular). A própria favela financiou parte da infraestrutura, seja por grana ou por mão de obra. Somente quando estavam em um nível avançado de construção, que o governo cedeu alguma coisa.

    Algumas vilas os moradores fecharam o acesso com portões (algumas até com portão eletrônico), funcionando como condomínio. A manutenção da rede de esgoto dentro dessa favela até hoje é feita única e exclusivamente por moradores.

    Morei nessa favela desde sua concepção, sei muito bem como funciona quando não se tem estado interferindo. Te digo mais, tem muita gente que é libertária, sem nem ao menos conhecer nenhuma teoria. :)
  • Candido  31/03/2015 18:14
    Também resido em uma região de periferia, que só não é mais favela, devido ao esforço dos moradores. É uma pena que boa parte da população "direitista" só enxergue o "favelado" como um sugador de dinheiro dos outros, quando na verdade, o dito favelado paga duas vezes pela maioria dos serviços e sem direito a escolha de fornecedor na maioria dos casos. Acredito que aqui na periferia somos na maioria liberais e libertários, mas o discurso que chega até aqui é estadista e socialista, o que faz muita gente boa achar que esse é o caminho.
  • anônimo  31/03/2015 20:55
    Tem como a gente checar essa informação?
    Dá para mandar o nome/localização dessa favela?
    Daria insumo para um belo artigo.
  • Wellington Kaiser  31/03/2015 23:22
    Favela conhecida como "sem terra" (por que muitas famílias compraram terreno, mas a princípio se alojaram em barracos de madeira).

    Rua Magno Martins, 386 - Ilha do Governador - Rio de Janeiro - RJ

    Anônimo, não sei como faria pra você checar todas as informações que passei. Tem documentação de compras e planejamento na associação, mas não tenho acesso. É possível entrevistar moradores, e certamente darão uma versão coerente com a minha, tendo em vista que a favela é recente e grande parte dos moradores que fundaram ainda permanecem lá.
  • Julio  01/04/2015 03:08
    Excelente relato!
    Fica a sugestão para os administradores da página publicarem o texto do Wellington Kaiser (que pode ser ainda mais desenvolvido). Será uma ótima oportunidade de mostrar como boa parte da população mais pobre, na verdade, é libertária e não sabe.
  • joshinha  02/04/2015 16:13
    Por algum motivo Wellington eu imaginei que tu morasse em algo próximo a Ilha do Governador, já vi relatos similares ao teu. Realmente, um antigo amigo meu tem namorada por aí e disse que quando passou uns dias no local a interferência do estado era mínima em diversas áreas da comunidade, interessante
  • Paulo  13/12/2017 07:04
    Realmente nunca morei em lugares carentes, mas já procurei muitos serviços oferecidos neles. E fazia isso porque saía (ainda sai) mais barato, e na maioria das vezes, com a mesma qualidade ou melhor ainda.

    Aliás, contribuo com outro exemplo: anos atrás, dois conhecidos montaram uma lan-house (lembra-se delas?) cada um. Um deles se instalou num shopping localizado numa zona de classe média. Já o outro resolveu operar num bairro mais pobre.

    Já começou que o empreendedor do bairro mais rico demorou um bom tempo para abrir em razão da burocracia, que se não fosse cumprida, implicaria fiscalização, multas etc. E em razão de toda essa besteirada, foi obrigado a cobrar bem mais caro pelo serviço oferecido.

    Por outro lado, o empreendedor do bairro humilde, não: alugou um espaço a preço módico, colocou o material dentro, contratou um serviço de internet e começou em coisa de uma semana, haja vista que não havia burocracia e fiscalização para "encher a a paciência". E ao contrário do cara acima, como não estava sufocado por tributos, pôde oferecer os serviços a preços bem mais baixos.

    Em que pese a questão do "saber trabalhar" de cada um e os dois não estarem mais no ramo, quem você acha que lucrou mais? Errará caso pense que foi o cara da área nobre...
  • atorres1985  01/04/2015 02:16
    Ancapistão is coming!
  • Mr. M  31/03/2015 15:34
    Excelente, talvez até compre o livro sabendo que posso tirar algo de útil nele.

    Fico só pensando se o livro tivesse sido escrito por um liberal. Por um lado teríamos uma análise muita mais rica, mas por outro o livro seria classificado como mera propaganda ideológica.
  • anônimo  31/03/2015 16:39
    Olá pessoal, tenho ainda muitas dúvidas sobre como as coisas funcionariam com menos Estado, principalmente sem Estado algum.
    Aproveitando a deixa do comentário e o tema relativamente recente da queda do avião da Germanwings, e pensando em um cenário anarcocapitalista, fico imaginando...
    Seria possível, por exemplo, fazer buscas e apreenções na casa do copiloto, como a polícia tem feito, caso não tivesse o consentimento dos seus pais
    (em Montabaur ele morava com os pais), e sem violar o PNA e o direito à propriedade (os pais não iniciaram a agressão e são os proprietários da casa)?
    Ou, quem sabe, esse procedimento seria desnecessário em função de novo arranjos da sociedade? (Quais seriam?)
    Desculpe-me se estou fugindo ao tema do artigo, mas é uma dúvida autêntica que tenho.
    Acompanho o IMB a alguns meses e tenho aprendido muito e mudado muito minhas posições ultimamente em função dos excelentes artigos.Parabéns!
  • Mr. M  31/03/2015 17:39
    Me diz, qual foi o motivo para invadir a casa de outra pessoa sendo que o agressor (co-piloto) já morreu? Os pais tiveram alguma relação no atentado? Se não, então não há motivo para invadir a sua propriedade. Pois uma agressão só pode se justificada a uma pessoa se houver uma agressão anterior desta pessoa.
  • anônimo  31/03/2015 20:37
    Foi mal aí Mr. M, acabei respondendo em cima do comentário errado.
    Era para ser no do Thiago Valente (logo abaixo), que foi quem deu a deixa ancap.

    Também acho que os pais não têm nada a ver com o fato e não deveriam ter sua casa invadida (acho que ficou claro na minha pergunta). Mas é fato que a investigação dentro da casa trouxe alguma luz para o entendimento do ocorrido. Por isso queria saber se em um cenário anarco-capitalista essa investigação poderia não ser viável. O comentário do Pobre Paulista, encerrou o assunto para mim.
  • Pobre Paulista  31/03/2015 18:56
    Lembrando que a polícia, ou no cenário anarco-capitalista pintado por você, a "agencia de investigação privada", poderia simplesmente pedir com educação para que os pais os ajudassem a esclarecer este evento, e em caso de recusa poderiam tentar negociar algum valor ou condição com os pais.

    No fim, tudo ficaria circunscrito à quanto os familiares das vítimas e demais interessados estariam dispostos a pagar para saber o que "realmente aconteceu".

    Desnecessário dizer que se ninguém quisesse pagar, nada seria descoberto. Ou seja, estaríamos num cenário de alocação ótima de recursos: Nenhum recurso teria sido gasto para uma demanda inexistente.
  • anônimo  31/03/2015 20:09
    Perfeito Pobre Paulista.
    O cenário que descrevi foi justamente supondo "caso não tivesse o consentimento dos pais".
    Para mim, faz todo o sentido o que você escreveu.

    Aliás, agora, acho que dificilmente os pais se negariam a permitir as investigações, seja por vontade de ver tudo esclarecido, seja para não sofrer represália pela sociedade.
  • Mohamed Attcka Todomundo  01/04/2015 12:48
    acho q e empresa tenderia a ter contratos com seus funcionarios estabelecendo, previamente, condiçoes em q eles aceitariam ser investigados, processos de investigação e prova; uma agencia de investigaçao responsavel, e outra de lei para dirimir o caso. uma seguradora para pagar as indenizaçoes no caso de acidente; valor do seguro ja embutido no bilhete aereo, e um contrato com o cliente, anexo a cada compra de passagem, sobre aquilo q a empresa se responsabiliza, tipos/valor de indenizaçao conforme o acidente ou incidente, e aquilo q o passageiro assume como risco proprio.

    tudo contratual, p/ resumir
  • Pobre Paulista  31/03/2015 15:35
    Falar mal do Capitalismo é lucrativo, deixa os caras lucrarem com o negócio deles!
  • Thiago Valente  31/03/2015 15:48
    Fez lembrar de uns comentários ontem ou antes de ontem, aqui no Mises, sobre a suposta utopia de um lugar sem estado e como a favela seria um exemplo ou não. Esse livro responde a todas essas perguntas e deixa claro que o anarcocapitalismo é viável e a melhor solução.
  • Hudson  31/03/2015 18:11
    Mas é uma utopia.

    O estado está lá também, você é quem pensa que não só porque não precisa de alvará pra abrir um comércio no morro. Além disso, o tráfico (ou a milícia) se comporta como o estado, cobrando taxas e mensalidade, regulando atividades e punindo "infratores". E muitas vezes a punição beira a barbárie. Critique o gatonet dentro da comunidade pra você ver como funciona o sistema judiciário da quebrada rs

    É utópica a visão de que a favela é um pedacinho da sociedade que vive o anarcocapitalismo. O estado está lá presente, e da mesma forma que o estado oficialmente instituído. Aqueles que detém o monopólio da violência na comunidade formam o estado.
  • Wellington Kaiser  31/03/2015 18:33
    O texto não nega a presença do estado na favela, mas de fato ele se faz POUCO presente, e isso torna as coisas melhores.

    A pequena presença do estado na favela gera muito problema. Imagina como seria se a polícia não estivesse presente na favela, teríamos menos inocentes morrendo por bala perdida, teríamos mais segurança, não haveria necessidade de traficante contratar "menó" para ficar "plantado de fuzil". Aliás, imagina como seria se não existisse estado proibindo comércio de drogas, teríamos um empreendimento a mais pro pobre tentar subir na vida.
  • anônimo  31/03/2015 18:48
    Mas esses caras tem muito menos poder, se basta a favela se libertar de uma gangue supepoderosa e ficar só com as ganguezinhas pequenas pra já ter isso tudo de resultado, imagina se eles fossem 100% livres.
  • Lopes  31/03/2015 16:03
    Compram eletrodomésticos elegantes, são mercado consumidor e produtores de serviços cobiçados e podem ter de tudo que o restringido "capitalismo à brasileira" oferece. Eles mesmos constroem domicílios na favela e garantem seus direitos de propriedade - vá a qualquer favela e há gente construindo, alugando e vendendo casas ilegalmente bastando uma conversa com os locais para ter ciência da identidade de proprietários - oferecem moradia a quem quer começar uma nova vida (casas que são violados pelo Estado mais tarde por interesses paralelos pois não possuem seus documentos oficiais - e ainda há aqueles que têm a audácia de responsabilizar o estado pelo respeito à propriedade privada - para quem mora por lá, agentes do estado são bárbaros aos portões).

    E os próprios habitantes de lá tentam se defender do estado: www.instituto-atlantico.org.br/pt/projetos/cantagalo/apresentacao (O projeto Cantagalo vem tentando regularizar os imóveis da favela para evitar invasões do leviatã).

    Podem comprar e oferecer todos os serviços do cidadão de baixo. Porém não podem ter água encanada e nem limpeza da prefeitura de seus suprimentos d'água. Responsabilizar o Estado pelo sucesso destas pessoas é um ultraje - por ele, ninguém de lá tomaria banho.
  • Tio Patinhas  31/03/2015 16:38
    Mas tem muita favela que começou com invasão de propriedade.
  • Wellington Kaiser  31/03/2015 17:22
    Existe sim! Mas grande parte foi invasão de espaço público (cujo dono é o Estado), algumas outras por usucapião (tem dono, mas o dono nem usa e as vezes nem sabe que é dono).
  • Candido  31/03/2015 18:29
    Aqui na cidade a maioria é fruto de loteamento de áreas rurais, vendidas em pequenas porções a pessoas que precisam de um lugar para morar, mas não podem pagar pelos lotes urbanizados e com infraestrutura pronta.
  • Lopes  01/04/2015 02:23
    Patinhas, não posso falar por SP ou pelo Sul. Mas a tendência ao menos no Rio de Janeiro é que favelas tenham surgido após desapropriações em massa de propriedades em locais táticos para obras do interesse da prefeitura (os clássicos exemplos foram as desapropriações das moradias ao centro para a emulação de um Boulevard parisiense que hoje trabalha durante a noite como cidade-fantasma chamado de centro do Rio e também a retirada de várias moradias para a construção de um caís e de uma avenida perimetral [ambos foram demolidos ou transformados pelo mesmíssimo interesse estatal].

    Entretanto, os primeiros assentamentos pouco dizem sobre o processo de favelização porque ele possui inúmeras gerações de assentadores. Posso ratificar, porém, o que fora dito pelo Wellington.
  • Dundee  01/04/2015 03:01
    Prezados,

    Se alguém souber de caso semelhante que ocorra em alguma área de "preservação ambiental" (área de proteção permanente), deixe saber.

    Sabemos bem que as ações do Estado não conseguem suprir as nossas expectivas de excelência no que diz respeito aos serviços básicos. No que diz respeito à preservação do meio, nos chamados "mananciais" isso não é diferente. A interferência desse Estado entende por "preservação do meio ambiente", nada fazer. Isto é: "não faça nada, deixa a natureza ser a natureza e não interfira no meio em que vive, pois assim estaremos conservando as áreas de proteção permanente". Ora, é justamente essa "inação compulsória", a qual é submito o cidadão, que faz com que o meio (i.e o bem) NÃO seja perservado. Portanto, como é que o Estado preserva o meio? Não preservando o meio. Para o Estado, preservar é não preservar.

    Exemplo. A própria natureza que provê meios de existência ao homem, pode também deixar de provê-los. Um lento processo de assoriamento faz com que um fluxo de água que abastece uma represa se torne cada vez mais escasso. Ou uma súbita tempestade faz uma parte do morro desabar sobre um córrego acabando por formar uma área de várzea, ambiente bem inóspito para vida humana, tamanha a úmidade, mas não para os sapos. A conseqüência desse exemplo é clara: a água (um bem escasso) não é perservado. Enquanto represas secam, outras áreas tem sua população de sapos aumentada. Tudo isso porque é mandatório NADA fazer para a preservação do meio (do bem). Caso contrário, todos aqui já devem saber a conseqüência, agentes do Estado mal educados (alguns biólogos, incampazes de fazer distinção entre monocotiledônia e dicotiledônia) "monitoram" a área procurando motivos para a aplicação da MULTA. A multa pode envolver o pagamento de mudas para plantio a serem compradas na estufa da "prefeitura", ou envolver o pagamento de arquitetos, geógrafo, assistente do geógrafo... Já deu pra entender o quadro. A conseqüência: as condições de vida vão ficando cada vez piores, já que além de não preservar nada, o Estado ainda inventa multas e tira o dinheiro dos moradores. Em uma área como essa é bem fácil dar uma prova definitiva de que o Estado não liga para a preservação de coisa alguma: as ruas (os meios de acesso) vão ficando cada vez piores, impedindo o livre trânsito dos moradores. Algumas ruas, os moradores têm que subir a pé, pois uma forte chuva abriu um buraco que nem caminhão passa, e vai continuar assim. Em outra rua, só a caminhonete da prefeitura pode desfilar, todo o mais tem que desviar dos buracos.

    Moro em uma área, que com relação ao centro de São Paulo, conta-se cinco periferías. A ela não se aplica o termo usado no título desse artigo. E vejo como a ação coercitiva do Estado impede que a vida humana possa prosperar. Por isso, se alguém souber de caso semelhante ao citado que ocorra em uma área semelhante a essa, deixe saber. Como é possível escapar do Estado e empreender por conta própria em uma área de enorme biodiversidade seguindo padrões internacionais?

    Saibam todos, enquantos alguns em São Paulo contam gotas d'água para tomar banho, os sapos estão fazendo a festa nas várzeas aque agora impedem o abastecimento da represa. Tudo isso porque o Estado parece preferir sapos a homens.

    Como o mercado reagiria à carne de sapo?
  • Lopes  01/04/2015 11:40
    No Rio perdura o exemplo da Floresta da Tijuca, Dundee, que está sendo invadida crescentemente por comunidades próximas apesar da construção de muros por parte da prefeitura. Atualmente, está em expansão o Morro da Formiga:

    www.sidneyrezende.com/noticia/78827+parque+nacional+da+floresta+da+tijuca+sofre+com+crescimento+de+favelas

    Grande parte das favelas de morro no RJ foram edificadas sobre prévias zonas de mata atlântica e/ou preservação ambiental.
  • Dundee  02/04/2015 02:48
    Lopes, obrigado pelo retorno. Ocorre que meu caso é um pouco diferente. Moro em um lugar que seria equivalente a alguma periferia de Vargem Grande aí no Rio. Uma área de aspecto rural. Sendo distante do centro urbano, ao contrário da FLoresta da Tijuca. Em locais próximos à cidade, as ocupações acabam por ser inevitáveis. Já em áreas mais remotas, os atrativos são escassos. No Rio, só de estar no Rio, já basta para muita gente. Ocorre que por aqui faz muito frio no inverno, é úmido, celular não dá sinal e telefone não funciona direito, eletricidade é instável. Bem, o atrativo? Silêncio. Céu vasto. Água pura. 1 hora de SP. Por aqui há escritura dos terrenos. O que impede a prosperidade é a intervenção nociva do Estado com seu aparato que pune os moradores por intervirem no meio, pois eles supõem que isso atenta contra a lei. Quando um fiscal disse pra mim que minha casa poderia correr o risco de ser demolida porque estava a menos de trinta metros de um curso d'água, eu ri sarcásticamente na cara dele, como quem não se intimida com agentes públicos. Eu gostaria muito de entrar com um advogado na parada. Primeiro, para meter processo por danos morais, motivo: pressuposor minha ignorância no que diz respeito ao cuidado de si e da natureza; segundo: declarar o conhecimento de parâmetros internacionais de sustentabilidade; terceiro: sendo a prefeitura incapaz de promover soluções eficientes para o desenvolvimento da região, visto que o mais elementar cuidados com as vias não consegue ser feito, que páre de atrasar a vida daqueles que têm condições para fazê-lo. Eu ainda não encontrei um advogado ambiental para isso. Se alguém souber de um, avise.

    Vale dizer: a região da periferia de New York (ok, estou exagerando demais na referência) é super valorizada. Seu aumento no valor econômico se deu pela preservação das fontes que fornecem água para a metrópole. Óbvio. A lógica é muito simples: quanto melhor forem as condições de vida das regiões periféricas à Nova Iorque, tanto melhor será o fornecimento de água para a capital. Essas áreas preservadas oferecem produtos variados, a maioria insumos alimentares para Nova Iorque, é através do mercado que se preserva o meio, pois há interesse mútuo entre o centro e a periferia. O fornecimento de água melhorou em Nova Iorque depois que as regiões periféricas tomaram mais parte (share) com o mercado da capital. Economia de mercado.

    Mas aqui não. Aqui tem que ter paciência com o pessoal que ainda engatinha no pensamento. Eu aqui fazendo planos para a instalação de painéis solares e rede wireless para cobrir distância de 60km, enquanto o fiscalzinho da prefeitura pede propina para não inventar uma multa.

    Então é isso, se alguém souber de algum advogado que tope a parada, avise. Senão, serve a referência de alguma bruxa pra amaldiçoar as futuras gerações dos fiscais da prefeitura e dos vagabundos da Sabesp. Quem sabe assim, essa gente não se alastre por essa terra e não atrasa a vida dos cidadãos de bem.

  • victor  31/03/2015 17:40
    Estudei com o Renato Meirelles na faculdade de publicidade da FAAP, Pouco burguês. ( formados em 2003 ).

    Em meu primeiro contato com ele, no primeiro dia de aula, no cafe copernico, dentro da faculdade privada mais cara do brasil, ele, fez questão de me dizer, de cara sem, ser perguntado, que seu maior ídolo, era o grande Jose Dirceu. O cara ! em suas palavras.

    Depois dessa não tive grandes expectativas sobre o colega Renato, conhecido na classe como Renato Bunda ou mr. tv senado.

    Muito mais velho que o resto da classe ele sempre tinha 02 perguntas para os professores e palestrantes, nunca 01 sempre 02.

    Fico feliz em ver o estatus de guru da classe C que ele atingiu, pois para Renato Bunda a maior alegria é ser reconhecido.

    Qualquer um da classe confirma minhas informações.
  • Wellington Kaiser  31/03/2015 18:08

    Existem pessoas que tem receio das teorias libertárias por não enxergar um exemplo prático, aí que entra a favela.

    Quem constrói casas na maioria dos casos são pessoas onde o aprendizado da função se deu de forma totalmente informal, sem regulação do estado. Ou seja, é pedreiro por conta própria. Nem por isso as favelas se desmoronam, e se acontecer um caso do tipo, o autor da obra tem sua vida profissional condenada.
    Então temos uma certificação de 2 lados, onde o bom pedreiro vai se qualificar e tomar cuidado para não fazer um trabalho ruim, pois sabe que isso pode condenar seu negócio. E o cliente, que sabendo que se trata de um empreendimento de alto risco, busca certificar que o profissional é bem qualificado, se já construiu outras casas antes, busca recomendação de amigos e etc.


    Outra questão é sobre lei e ordem. Alguns perguntam como seria o caso de um lugar sem uma polícia, sem lei, sem um poder absoluto para organizar as pessoas. Na favela você não pode ligar para a polícia para denunciar o som alto do seu vizinho, então não existe o Estado com suas leis. Nem por isso a favela é cheia de caloteiro, assassinos e estupradores. Óbvio que existem conflitos, impasses e contendas, mas tudo é resolvido internamente.

    Antes que pensem em traficantes substituindo a polícia nessa função:

    1- Traficantes tem poder coercitivo não legitimado pelos moradores
    2- Traficantes buscam proteger seu negócio, quanto menos interferir em outras questões, melhor pra eles
    3- Traficantes não oferecem auxilio gratuito, quem pede ajuda fica em dívida (que é cobrada de forma arriscada). Logo a maioria da população evita negócios com traficantes, e evitam quem tem negócios com traficantes.


    Infelizmente a favela não é um lugar 100% sem estado, seria muito melhor se fosse.







    Outro ponto interessante é que muitos olham a favela como um lugar onde a qualidade de vida é ruim, e dependendo de quem estiver olhando, realmente não é desejável. Mas é uma análise errada, para ver o benefício da favela, tem que analisar em quais condições o indivíduo estava ao chegar na favela e quais foram as condições que ele chegou após se estabelecer nela.
  • Mauricio  31/03/2015 19:25
    "Reconhecendo o potencial das favelas — a despeito da ausência do estado —, ..."

    Tem tanto potencial, que se não for dominada por traficantes, será dominada por milicianos. Não existe essa liberdade empreendedora em toda parte. Onde existe, é porque o autoritarismo voluntário, também anti-estado, ainda não se instalou. O texto é excelente, mas parece que não aborda a falta de segurança nestes ambientes, e os "impostos" que sõa cobrados na boca do fuzil.


  • Wellington Kaiser  31/03/2015 19:58
    Gostaria de complementar esses dois assuntos.

    1- Segurança

    O grande problema de segurança na favela vem de confronto entre polícia e traficante (ou entre facções rivais), ou o poder autoritário das milícias (que são compostas por militares e políticos). Outros tipos de problema de segurança são iguais ou até menores que em lugares onde o estado é mais presente (furto, assalto, brigas, bate-boca, calote, estupro...). O que destrói o argumento de pessoas que acreditam que necessitamos de estado para vivermos em sociedade.

    2- Imposto

    Traficante não tem o hábito de cobrar nenhuma taxa aos moradores. Miliciano cobra taxa e regula alguns serviços, mas ainda assim é muito menos intrusivo que o estado (em sua totalidade), o que faz com que o mercado seja mais livre que fora da favela.
  • Hudson  01/04/2015 00:04
    Quanto ao 2, preciso discordar. Miliciano impõe o gatonet, impõe que o morador compre o gás do fornecedor que ele indicar, impõe determinados comportamentos, como a não contestação de sua autoridade.

    Quanto ao tráfico não cobrar nada, isso se deve ao fato de que a simples venda de drogas sustenta o sistema. Não tenho dúvidas de que, cessando o comércio de drogas (seja por liberalização do mercado ou por um virtual sucesso da política de guerra as drogas, até hoje não visto), estes nobres agentes de entretenimento instituiriam cobrança de taxas. Procurar emprego ou empreender tenho absoluta certeza de que não é alternativa que passe pela cabeça desta gente.

    Dizer que a vida na favela é boa, e que isso é decorrente da ausência do estado, como alguns estão dizendo aqui, não é verdade.
  • Wellington Kaiser  01/04/2015 12:56
    Ninguém está querendo pintar um quadro onde favela é uma maravilha de se viver. O que estamos dizendo é como as pessoas conseguem evoluir sem a necessidade do estado. Quando você cita "milícia" e "tráfico de drogas", está destacando um problema que foi gerado pelo estado, e que atrapalha a comunidade.

    E você não está discordando do item 2, eu disse que eles regulam algumas atividades, mas ainda assim é menos que o estado.
  • Mauricio  01/04/2015 12:23
    Wellington, obrigado pelos comentários. Acredito que cada favela tenha suas leis, então não é adequeado generalizar.
  • de Souza  01/04/2015 01:01
    Não, pois isso já foi feito em outros artigos específicos. Recomendo este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=836
  • Wade  31/03/2015 20:28
    João, uma pergunta de quem provavelmente não entendeu o texto: pela descrição e citação dada, não me parece que os autores do livros propoem mais intervenção do estado ou socialismo, ou criticam o capitalismo. Pela sinopse dada pela livraria cultura também não. Talvez deixei passar algo despercebido? Há algumas citações do livro que mostre isso?

    (É uma dúvida honesta. Não sou estadista, socialista, etc. Sou só mais um que saiu do subúrbio carioca sacrificando muitos fins de semana estudando e trabalhando, ficou desempregado várias vezes e nunca foi pedir o seguro, que descobriu a escola austríaca assistindo Peter Schiff explicar o que acontecia nos USA. Digo essas coisas porque já vi bastante animosidade quando questionam textos aqui)
  • anônimo  01/04/2015 11:12
    Wade, encontrei dois trechos no artigo que podem te ajudar:

    "A despeito dos dados e testemunhos que comprovam que o pobre não é nenhum incapaz, os autores se esforçam em tentar nos fazer crer que a melhoria na qualidade de vida nas favelas foi obra do PT, chegando a afirmar, por exemplo, que seus moradores só puderam planejar melhor suas vidas quando começaram a receber contracheques impressos."

    "A infelicidade do livro é a insistente interpretação ideológica da realidade — a capacidade dos indivíduos de se levantarem por si mesmos —, tentando nos fazer crer que a favela precisa de estado, muito estado, estado em tudo; e que essas comunidades devem ser protegidas, vejam só, dos interesses dos capitalistas."

    Mas para você ter certeza, só lendo o livro mesmo.

    Quanto à animosidade do pessoal por aqui, concordo plenamente com você, tanto que tenho postado como anônimo. Mas tenho percebido uma mudança no tom à medida que o liberalismo ganha o "main stream".
  • anônimo  01/04/2015 11:25
    A opinião do Rodrigo Constantino parece com a do autor deste artigo.

    Um país chamado Favela: entre o glamour e o preconceito

    veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/tags/renato-meirelles/
  • Marcelo Simoes Nunes  31/03/2015 22:12
    Tempos atrás vi num programa de TV (não me lembro qual) que numa cidade do interior paulista (não lembro o nome) a sociedade civil resolveu atuar na reintrodução do ex presidiário na vida comunitária da cidade. Juntaram-se empresários e outras pessoas e passaram a oferecer emprego e apoio aos egressos do sistema prisional que havia no município. O resultado foi um altíssimo índice de recuperação, algo espantoso quando comparado com o que acontece com o resto do país.
    Quando o Estado entra a sociedade civil sai.
  • IRCR  31/03/2015 23:34
    Não gosto da ideia de usar como "exemplo" favelas como lugares com pouca intervenção estatal.
    Imagina explicar para um cidadão comum as vantagens de um estado menos intervencionista e vc utilizar o exemplo de uma favela ?. Acho que não vai trazer boas conotações.

    Ademais, concordo com o colega que disse que as favelas estão longe de estarem totalmente livres da intervenção estatal. Além do mais, as próprias milicias e traficantes agem como um estado paralelo lá dentro.
  • ICMS  01/04/2015 01:04
    O artigo não fala isso. Não nesse sentido. Gentileza não fazer essas desvirtuações.

    O problema das favelas no que tange à segurança é justamente o excesso de estado.

    Além dos problemas bem apontados na "Nota do IMB" no início do artigo, vale enfatizar outro ponto:

    Uma área pobre de uma grande cidade, infestada de quadrilhas de traficantes que circulam por ali sem qualquer restrição, vendendo abertamente drogas nas ruas e becos e descarregando rajadas de metralhadora em qualquer um que apresente um comportamento suspeito está nessa situação terrível justamente porque a polícia opera ali rotineiramente e com truculência.

    Se a polícia realmente nunca se preocupasse em impor qualquer lei naquela área, então ninguém teria de se preocupar com o risco de ir pra cadeia por estar vendendo drogas.

    Consequentemente, empresas de fora poderiam ir se instalar naquele bairro, abrir lojas com janelas à prova de balas e vigiadas por seguranças muito bem armados, e vender cocaína e outras drogas para os moradores (ou, principalmente, para os clientes que vêm de outros bairros) por uma fração do preço vigente nas ruas.


    Essas empresas iriam rapidamente quebrar todas as quadrilhas de traficantes que operam na região, uma vez que os clientes iriam correr em manada para aqueles empreendimentos profissionalmente geridos, principalmente por causa de seus preços baixos e pela qualidade de seus produtos.

    Porém, por que isso não ocorre? Porque se alguns empreendedores tentassem de fato implementar o plano acima, eles seriam rapidamente impedidos pela polícia, que interromperia suas atividades (com o indisfarçável apoio dos traficantes locais).

    Mais ainda: essas empresas teriam suas contas bancárias confiscados por ordem do judiciário, inviabilizando qualquer operação. Líderes comunitários e religiosos iriam reclamar que uma farmácia não pode vender cocaína para adolescentes em plena luz do dia (embora os traficantes o façam imperturbáveis) e o chefe da delegacia encarregada da região iria concordar.

    Com efeito, nem ocorre a qualquer empreendedor tentar fazer o que foi dito acima porque - duh! - seria algo totalmente ilegal.

    Portanto, não é difícil entender que não é inoperância do governo o que permite que determinadas favelas permaneçam em um equilíbrio violento; ao contrário: é justamente o ataque do governo aos direitos de propriedade que faz com que bandidos detenham um poder permanente sobre determinadas regiões.
  • Rivotril  01/04/2015 03:24
    Cara, podes crê. E aquele maluco brasileiro na Indonésia eu acho, tipo o cara foi fuzilado porque entrou com uns vinte quilos de pó. Imagina, uns cinco saacos de arroz sóo com pó. Tudo dentro dos tubos da asa delta! Aí, tipo vai o Estado da Indonésia e fuzila o cara porque o Estado tem uma política rigorosa com relação às drogas. Mas o que isso quer dizer? Significa que só o Estado pode operar no mercado? Sabe por que? Eu vi várias fotos de baladas na Indonésia, balada comum, tipo de sexta feira à noite, que se vai com os amigos depois do trampo. Mano, não tem como não ter droga forte nas baladas tão abertas como se facilmente vê. Procura na net. Aí fica a pergunta, o Estado fuzila o cara porque só ele pode operar no mercado? É essa a política de combate ao tráfico? Eu nunca fui pra lá, mas tipo tem droga à beça circulando por lá. Várias raves e tals. Quem souber fala mais.
  • Thiago Valente  01/04/2015 14:04
    indonesiaexpat.biz/featured/sex-drugs-and-other-diversions/
  • Ed  02/04/2015 01:24
    Aconteceria muita coisa. Tudo muito lógico. O problema é esse futuro do pretérito, que identifica uma abordagem utópica do problema. Não leva em consideração as consequências indesejadas ou imprevistas.

    Como já perguntei em posts anteriores, o que, de fato, ocorreu? Isso já aconteceu em algum outro lugar do mundo antes?
  • Anônimo  03/04/2015 15:48
    Por favor, vamos colocar as devidas aspas e citar a fonte original do pensamento e da ideia do "seu texto", certo.

    O cidadão vem em defesa da ideia do liberalismo e do direito de propriedade, mas não respeita a autoria da ideia de outra pessoa.

    A sociedade brasileira não muda por causa, em grande parte, disto. As pessoas falam vamos ser todos socialistas (mas não são socialistas); outros dizem vamos ser liberais, livre mercado, respeito às propriedades, mas não são e não se comportam assim.

    Só para constar:

    Artigo original (que concordo) do grande Robert Murphy

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=836
  • Ricardo  03/04/2015 16:09
    O IMB não defende a propriedade intelectual e tem vários artigos sobre isso. Seus leitores, portanto, são livres para citar trechos de nossos artigos onde quiserem. E, no caso do leitor ICMS, ele fez isso em na própria propriedade do IMB.

    Não há motivos para esse chilique de sua parte, anônimo. Atenha-se ao debate das ideias, não importa de onde vieram as ideias.
  • Anonimo  05/04/2015 14:46
    Por favor, se possível, esclareça minha confusão. Alguém desenvolve uma ideia original e cria, por exemplo, um novo medicamento. Tanto o produto físico em si como a ideia do produto (o conhecimento intelectual produzido) não são propriedades privadas? (e aqui não consigo fazer esta distinção entre propriedade intelectual e privada).

    Quero deixar claro que não tenho pretensão alguma. Sou somente um novato no site e novato com as ideias do site e da escola austríaca. Que, por sinal tenho concordado com boa parte delas e por isso fico voltando ao site sempre, tanto para ler os novos artigos como para me atualizar com os textos antigos. Por isso o porque do comentário, pois já vi em artigos (aqui do site) a defesa acalorada da propriedade privada.Por isso, não defender a propriedade intelectual é um ponto de confusão para mim.

    De toda forma, vou ler os textos sugeridos da seção indicada por você. Talvez seja apenas uma lacuna de informação que tenho, mas se puder responder educadamente agradeço.
  • Hans  05/04/2015 14:54
    Não existe algo como propriedade privada sobre idéias. Propriedade se aplica sobre bens escassos, sobre bens que duas pessoas não podem possuir ao mesmo tempo. Esse não é o caso de idéias. É perfeitamente possível nós dois termos a mesma idéia ao mesmo tempo e utilizá-la. Um não está subtraindo do outro.

    A ideia de direitos de propriedade intelectual não apenas é errada e confusa, como também é muito perigosa. Ideias — receitas, fórmulas, declarações, argumentações, algoritmos, teoremas, melodias, padrões, ritmos, imagens etc. — certamente são bens (na medida em que são bons e úteis), mas não são bens escassos. Tão logo as ideias são formuladas e enunciadas, elas se tornam bens não escassos, inexauríveis. Suponha que eu assobie uma melodia ou escreva um poema, e você ouça a melodia ou leia o poema e, ato contínuo, os reproduza ou copie. Ao fazer isso, você não expropriou absolutamente nada de mim. Eu posso assobiar e escrever como antes. Com efeito, o mundo todo pode copiar de mim e, ainda assim, nada me foi tomado. (Se eu não quiser que ninguém copie minhas ideias, tudo que eu tenho de fazer é mantê-las par mim mesmo, sem jamais expressá-las.)

    Agora, imagine que eu realmente possua um direito de propriedade sobre minha melodia de tal modo que eu possa proibir você de copiá-la ou até mesmo exigir um royalty de você caso o faça. Primeiro: isso não implica, por sua vez, que eu também tenha de pagar royalties para a pessoa (ou para seus herdeiros) que inventou o assobio e a escrita? Mais ainda: para a pessoa (ou seus herdeiros) que inventou a linguagem e a criação de sons? Quão absurdo é isso?

    Segundo: ao impedir que você assobie minha melodia ou recite meu poema, ou ao obrigá-lo a pagar caso faça isso, estou na realidade me transformando em seu proprietário (parcial): proprietário parcial de seu corpo, de suas cordas vocais, de seu papel, de seu lápis etc. porque você não utilizou nada exceto a sua própria propriedade quando me copiou. Se você não mais pode me copiar, então isso significa que eu, o dono da propriedade intelectual, expropriei de você a sua "real" propriedade. Donde se conclui: direitos de propriedade intelectual e direitos de propriedade real são incompatíveis, e a defesa da propriedade intelectual deve ser vista como um dos mais perigosos ataques à ideia de propriedade "real" (sobre bens escassos).
  • Hudson  01/04/2015 12:39
    Aqui um exemplo bem recente de que a ausência do estado "oficial" não significa ausência de algum tipo de estado.

    Sem fiscalização, cresce número de ocupações irregulares no entorno do Arco Metropolitano
    Alguns loteamentos seriam comandados por milicianos. Estrada inaugurada há nove meses tem acessos criados por moradores
    oglobo.globo.com/rio/sem-fiscalizacao-cresce-numero-de-ocupacoes-irregulares-no-entorno-do-arco-metropolitano-15740375

    Existe, sim, um estado na favela ou em qualquer local em que o estado legal não esteja presente.

    Uma outra observação que eu gostaria de fazer diz respeito à forma como este estado paralelo age. Muitas vezes, de modo semelhante ao estado em seu sentido original.

    Vejam: odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-03-03/traficante-playboy-reune-multidao-em-festa-no-dia-do-aniversario-do-rio.html

    "Na véspera do evento, sexta-feira, uma troca de tiros entre bandidos rivais no Morro da Pedreira deixou uma menina de 3 anos ferida na coluna por bala perdida. A PM informou que não fez operação na região. Tido como assistencialista, mas impiedoso com rivais, Playboy controla com mãos de ferro as comunidades da Pedreira e Lagartixa. Dali, ele promove a venda de drogas e roubos de cargas e veículos em bairros vizinhos"

    E aqui conhecemos outra atividade da criminalidade que toma conta da quebrada. O roubo de cargas. Liberalizemos as drogas, isso não está em discussão aqui. O crime se adapta e passa a exercer outra atividade.

    www.portalrcr.com.br/noticias/geral/64008-como-e-a-vida-de-playboy-bandido-mais-procurado-do-brasil/pagina/21

    "Também guarda a sete chaves o faturamento da quadrilha, que, segundo a polícia, ultrapassa 1 milhão de reais mensais. Na região da cidade onde ele reina, faltam luz, água, escola e sobram lixo e pobreza. É o cenário ideal para angariar simpatia, apoio e poder à base de assistencialismo. Ao estilo de outros chefões de favelas cariocas, Playboy distribui mensalmente centenas de cestas básicas e botijões de gás. Em datas festivas, acrescenta ao pacote caixas de brinquedos. E, nas bocas de fumo que comanda, faz vigorar uma regra: qualquer um que apresenta receita médica leva no ato dinheiro para comprar o remédio, sistema que ele batizou de "caixa eletrônico". Todas as normas no morro é ele quem dita. Uma enorme faixa anuncia que carro roubado, por exemplo, não pode mais circular naquelas bandas. Estava atraindo a atenção da polícia. Na lógica peculiar da bandidagem, Playboy se define como um "mal necessário""


    É EXATAMENTE O QUE O ESTADO BRASILEIRO FAZ.

    Dizer que a ausência de estado na favela caracteriza anarcocapitalismo no local é um erro crasso.
  • Wellington Kaiser  01/04/2015 14:45
    "Dizer que a ausência de estado na favela caracteriza anarcocapitalismo no local é um erro crasso."

    Mas ninguém disse isso.
  • Renato  01/04/2015 01:08
    Fugindo um pouco do assunto do texto, mas hoje saiu uma notícia de que o estado de Indiana nos EUA aprovou uma lei de liberdade religiosa que dá aos indivíduos a liberdade de não querer vender um determinado produto a uma pessoa por conta da religião.

    Como a EA veria isso?
  • Hermes  01/04/2015 10:50
    A EA não faz juízo do valor, e fala exclusivamente sobre economia. A pergunta correta é: como a filosofia libertária vê isso?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=914
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=885
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=320
  • Lopes  01/04/2015 13:34
    A não-venda deliberada a um indivíduo por sua orientação religiosa era inverificável para começar. Não creio que mudará os padrões de consumo da população.

    Quanto à prestação de serviços, é justamente em um arranjo de mercado em que há maior incentivo para a omissão de preconceitos. Pois há um custo real em não vender a um potencial consumidor por ele ser muçulmano ou judeu e um prejuízo constante para lojas de varejo que já não costumam deter margens de lucro vastas. Além disso, gera uma analogia de problema dos comuns entre os varejistas pois o primeiro a suspender tal proibição estúpida abocanhará a maior fatia de mercado entre os transgressores. Ou seja: há um incentivo absurdo em ignorar esta lei. Pense agora em um arranjo de serviço estatal / "altruísta": o consumidor é somente uma existência paralela; o sustento do funcionalismo público não advém da satisfação dele. Há ampla capacidade de negligência ou até mesmo de prejuízo a indivíduos por razões quaisquer com ínfimos riscos ou custos - se Indiana fosse uma sociedade racista e regida por um sistema "altruísta" / estatal, a situação destes religiosos seria dramática pois não haveria quaisquer incentivos para procurar interações com eles.

    E ainda ao tópico: mesmo se todos FOSSEM zelotes em Indiana e nenhum transgressor ganancioso e/ou tolerante surgir, ainda haverá uma oportunidade de lucro em um mercado que está sendo irracionalmente ignorado pelos varejistas atuais na forma de quem for por eles discriminado.
  • anônimo  01/04/2015 15:34
    'Liberdade de não querer vender'!? Que coisa sem sentido, se você NÃO QUER vender então você não quer oras.Ninguém tem obriga a aceitar o emprego de vendedor.E a sua liberdade NÃO vem dos governos.
  • Jose Roberto Baschiera Junior  01/04/2015 11:23
    Wellington Kaiser, palestrante do proximo seminário de Escola Austríaca?
  • Doutor Mr Chefe Austríaco   02/04/2015 15:26
    Sim, claro.
    Está convidado/contratado.
  • Wellington Kaiser  06/04/2015 03:04
    Rs
  • Robert Moog  01/04/2015 15:16
    Engraçado (e contraditório) que sempre que algum morador de favela tem espaço para expor suas ideias na "grande mídia" é sempre adotando o discurso de vitimização e dizendo que o estado não chega lá em cima com os serviços básicos e que eles são esquecidos pela esfera pública e blá blá blá.... Ou seja, eles clamam por estado... Eles querem, eles pedem... A postura é de quem apenas empreende para poder sobreviver sem a ajuda do estado... Se esse pessoal é beneficiado pelo estado mínimo, acho que eles ainda não possuem essa noção...
  • Mr Citan  02/04/2015 20:24
    A "Favela" não tem NADA A VER com algum formato ideal de Anarco-Capitalismo que tantos desejam.
    A Favela nada mais é do que a incompetência do Estado em prover os cidadãos com suas necessidades, e deixa isto acontecer com uma espécie de "Compensação".

    Em muitos casos, a favela se origina de um terreno em que pertence ao Estado, mas que antes, era uma propriedade privada, e que foi tomada a força pelo Estado, seja por n motivos. Já começa aí a contradição.
    Para o Estado, principalmente o bananense, imóvel tem "função social", ou seja, até o Estado aceita perder propriedade para colaborar com este ideal.
    Sem contar que, quanto mais indivíduos, mais eleitores, e maiores chances de se perpetuar o poder dominante, não importa os embustes pra isto.

    O morador da favela quer usufruir os mesmos benefícios do morador do "asfalto", mas como o Estado ainda não vai oferecer este serviço, muitos vão obter seja pelo roubo chamado "gato", socializando os prejuízos com os pagadores deste serviço, seja por coerção, como por exemplo, ameaças para uma extensão de luz ou água, vindas de um morador do "asfalto".

    Quando o Estado finalmente consegue oferecer os serviços básicos, o morador usa a "vitimização social" para conseguir preços mais baixos, socializando novamente os prejuízos.
    É conseguido também, algumas melhorias estruturais, e diante de alguma tragédia, socorro e assistência imediata, todos vindo do Estado, todos socializados pelos pagadores de impostos.

    Ou seja, anarco-capitalismo mesmo, somente em trocas voluntárias, e olhe lá, pois dependendo da favela, a milícia ou o tráfico impõe restrições dignas de capitalismo de Estado.
  • Senhor A  04/04/2015 11:10
    Pois é...

    Ainda bem que alguém pensa diferente sobre o assunto, aqui. Eu não acho que favela é exemplo de sociedade libertária, aliás, não vejo favela como exemplo de quase nada de bom...

    As vilas/cidades que mais se parecem com comunidades libertárias são as do interior dos EUA, principalmente do Alaska. São locais em que as pessoas são auto-suficientes, possuem um pensamento de "independência" ao estatismo, preservam suas tradições (não colocam suas histórias e costumes nas mãos de burocratas) e etc.

    Infelizmente, os ambientalistas estão a rondar aquelas regiões com o intuito de converter os moradores do Alaska a se tornarem verdinhos, mas, ainda bem, eles parecem não obter êxito nessa jornada maligna, já que é impossível viver no Alaska e deixar a caça de lado.
  • Wellington Kaiser  06/04/2015 03:28
    Uma curiosidade sobre os "gatos", geralmente ocorrem em atividades que o governo impossibilita ou atrapalha o empreendimento, como energia elétrica ou distribuição de água. Tirando o gatonet, todos os gatos são em monopólios estatais. Mas até nesses quesitos o pessoal ainda se vira sem fazer gato, até pq a qualidade é péssima, então tem que comprar água mineral engarrafada, furar poço, comprar no carro-pipa.

    Novamente falando sobre a favela que conheci desde o começo.

    Quando o pessoal se instalou na favela, o mercado oferecia pão e o favelado comprava, o mercado oferecia material de construção e o favelado comprava, o mercado oferecia mobília e o favelado comprava. Fizeram petição para instalar relógios na casa do pessoal, o governo levou anos para instalar, enquanto isso a solução foi puxar gato msm.


    Consegue entender que não tem um alto índice de calote/inadimplência/furto no mercadinho, na padaria, no material de construção, mas tem nos serviços ofertados pelo governo?






    E só deixando bem claro, ninguém está citando a favela como um exemplo de comunidade libertária, mas é bem nítido que ela é um exemplo de que as pessoas conseguem se virar sem a presença do estado, e nas áreas que ele está totalmente ausente, as coisas costumam ir bem melhor.
  • Mr Citan  08/04/2015 18:51
    Wellington,
    obrigado pela breve explicação sobre os tais "gatos".
    Mas nem precisava, pois conheço muito bem este tipo de roubo apelidado de "jeitinho", afinal eu sou vizinho de várias favelas, algumas das quais eu presenciei a ocupação de um terreno particular de milhares de metros quadrados, que foi invadido, ocupado, e no mesmo dia demarcado, tudo porque o terreno estava em disputa familiar, e devia IPTU para a prefeitura.

    Não sei se a prefeitura pagou um valor de "reparação" destes acres, mas desde jovem eu já desconfiava que "propriedade privada" na banânia é algo bonito só no papel, até ser algo nulo para atender "políticas sociais" que vão gerar um bom curral eleitoral.

    Mas voltando ao assunto, não importa se os monopólios do Estado dificultam a obtenção de items como água e energia.
    Se alguém esta pegando sem pagar, é o puro e simples ROUBO, que vai ser repartido com os demais "tontos" que pagam por estes serviços em dia.
    Afinal na banânia existe a impunidade, não respeito pela propriedade privada, e também a boa e velha "Lei de Gerson", ajudando a banânia a ficar lá atrás em índices de liberdade econômica.

    Existem geradores a diesel, caixas d'água e serviço de caminhão pipa pra suprir necessidades como energia ou água, e usar o "gato" para justificar ingerência do Estado, é justificar roubo.

    As pessoas conseguem se virar na favela para obtenção de items que o estado não dispõe, pena que em alguns deles tem que ser pelo método errado.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  02/04/2015 21:14
    O socialista é uma pessoa naturalmente mentirosa. Além de distorcer completamente a realidade em que "observa", tenta por todos os meios possíveis convencer pessoas ignorantes a defender o seu distorcido ponto de vista. Além disso, o socialista tem mania de ditadura, o que faz dessa pobre pessoa uma amante do estado e, consequentemente, do atraso geral da sociedade.
  • Emerson Luís  10/04/2015 19:28

    Tem um vídeo da Marilena Chauí em que ela expressa indignação pelo fato de que muitos brasileiros acreditarem que sua situação econômica melhorou devido aos seus próprios esforços e não devido aos programas governamentais.

    A ideologia definitivamente possui o poder de fazer as pessoas enxergarem o oposto do que estão vendo... Ah, não! Esqueci que, segundo os marxistas, o marxismo não é uma ideologia, apenas o liberalismo e o conservadorismo!

    * * *
  • Emerson Luis  10/04/2015 19:33

    Outras livrarias para comprar esse livro:

    www.buscape.com.br/prod_unico?idu=1857312939&ordem=prec#precos

    * * *
  • Luciano Andrade  26/09/2017 05:48
    O Professor Doutor em neurociência, Carl Hart, apresenta sólidos resultados experimentais sobre como o capitalismo brasileiro promove apartheid social. Duvido que vocês libertários possam refutar os resultados do professor Hart com argumentos aprioristicos!

    www.bbc.com/portuguese/brasil-40039961
  • Alberto  26/09/2017 12:26
    Ah, ainda bem que você especificou: "capitalismo" brasileiro.

    É óbvio que nossa mescla de intervencionismo estatal, clientelismo, protecionismo e keynesianismo fiscal e monetário gera apartheid social. Há inúmeros artigos neste site falando exatamente sobre isso. E o curioso é que quanto mais esse mercantilismo gera desastres sociais, mais ele é louvado pela esquerda como sendo imprescindível.

    Quer entender como e por que nosso arranjo intervencionista gera desigualdades? Vou recomendar apenas estes dois artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2763

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2117

    Bem-vindo à luz.
  • Somente mais um  29/09/2017 13:31
    Como o Alberto já explicou, o tal "capitalismo brasileiro" pelo fato de ser a mescla bizarra de intervencionismo estatal, clientelismo, protecionismo, e keynesianismo fiscal e monetário vai gerar o tal apartheid social mesmo.

    Mas é sintomático que o apelo à autoridade ainda esteja tão em voga entre os comentadores: "professor", "doutor", "professor doutor", "professor doutor em neurociência", minha nossa. O pessoal deve ter alguma frustração quanto a isso.

    Sabe o quê isso me parece? Parece argumento de petralhas frustrados com a adjetivação que os coxinhas de 1989 davam ao político molusco nas eleições presidenciais daquele ano, de "analfabeto", em contra-oposição à formação do seu sacrossanto candidato, o carateca piloto de jet ski, Fernando Collor (aliás, um baita "doutor", hein? Economista, formado, com diploma e tudo. Pena que não serviu para nada). Aí, o quê acontece? O petralha frustrado passa sua vida em busca de "heróis" esquerdistas que advoguem suas pautas e depois vem com a mesma empáfia dos coxinhas colloridos daquelas épocas vomitar sua "autoridade": "o doutor fulano falou isso", "o professor doutor ciclano comentou aquilo outro", putz. Isso é tão demodê, tão Guerra Fria... parece discurso da Marilena Chauí...

    E, de mais a mais, difícil levar a sério um cidadão que se envolveu com crimes e drogas (coisas tão caras aos coxinhas que ficam sambando na Av. Paulista), e ainda teve um filho que nem sabia que tinha - e que também se envolveu com crimes e drogas (aliás, nisso os petralhas e coxinhas vão concordar - enquanto os coxinhas vão usar isso como um demérito, os petralhas vão elencar o mesmo fato como uma prova inconteste de alguém que conseguiu "vencer as agruras do capitalismo fascista burguês racista neoliberal e se tornar um professor doutor em neurociência"...), complicado isso...

    O quê o pessoal deveria entender é que o cidadão pode ser o ganhador da Medalha Fields, mas se ele disser que 2 + 2 = 5, isso NÃO será verdade porque ele tem a "autoridade" do título.

    Será que é tão difícil de entender isso?

    No mais, dane-se o apartheid social: a gente já vive "apartado" de qualquer jeito mesmo. Graças ao "capitalismo brasileiro" que o "professor doutor em neurociência", oh, descobriu que gera esse fenômeno e o Alberto aí explicou exatamente o porquê.

    Cada um que aparece...


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