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Estatal não é público
Se usamos uma só palavra para nomear duas coisas diferentes que às vezes aparecem juntas, essas duas coisas acabam se tornando uma só no imaginário popular. É o caso do termo "público".

Público opõe-se a privado. Só que há dois tipos de "privado": aquilo que é do uso exclusivo de poucos, e aquilo que é propriedade privada.

E há dois tipos de "público": aquilo que muitos usam livremente, e aquilo que pertence ao estado. Sob um mesmo termo, "do estado" e "para todos" viram sinônimos. Mas o estado não é, nem nunca será, para todos.

Essa confusão serve muito bem aos interesses do próprio estado, que se aproveita da aura positiva que o termo "público" confere. Ele, de alguma maneira, é de todos, por todos, para todos.  Representa a vontade geral, tem um pouquinho de cada cidadão, é uma força ordenadora que paira sobre a sociedade — diferente do setor privado, onde impera a ganância, o lucro (esse pecado capital) e o interesse... privado.

Muita gente nem percebe que "estado" e "sociedade" não são a mesma coisa.

Ao dizermos que o estado é público repetimos mantras espirituais de um passado em que se acreditava que o estado tinha algo de divino, numa verdadeira mística do poder. Tirou-se o Deus transcendente da jogada e colocou-se o deus-povo em seu lugar, como se houvesse um povo além e acima dos indivíduos que o compõem.

Hoje em dia, nosso estado é laico, mas apenas com relação às religiões que competem com a sua. Quanto a si mesmo, não há ficção espiritual, mentira piedosa ou hagiografia de que ele não faça uso para perpetuar seu poder onde ele mais importa: nas mentes dos fieis/súditos/cidadãos/contribuintes. Uma dessas santas artimanhas é justamente a ilusão de que se trata de um "setor público", representante e servidor do povo.

Algumas das posses do estado são, de fato, públicas. Ele tem o monopólio quase absoluto, por exemplo, do tipo mais básico de espaço público: a rua. Mesmo as ruas, contudo, nem sempre são públicas: em São Paulo, muitas vilas têm portões que impedem a entrada de não moradores. Estradas estatais cobram pedágio. Por outro lado, praças, parques, museus e bibliotecas, que também são espaços públicos, nem sempre são do estado. E ainda outros espaços públicos como bares, restaurantes e shoppings são quase sempre propriedades privadas.

Muito do que o estado tem ou faz, ademais, é exclusivo, é para poucos. Poucos podem usar a frota de carros oficiais ou cursar o Instituto Rio Branco ou mesmo receber um diploma da USP. São do estado, mas impõem severas restrições ao acesso.

Pensemos no ensino estatal; ele é "gratuito". Mas há escolas privadas que também oferecem vagas gratuitas; e outras, filantrópicas, que atendem apenas gratuitamente; e nem por isso as chamamos de "públicas". Ao mesmo tempo, instituições de ensino estatal podem cobrar, como fazem as universidades estatais nos EUA e na Inglaterra. Ser chamado de "público" não tem nada a ver com a real abertura, gratuidade ou universalidade; é apenas um termo que se aplica ao que vem do estado. E um termo nada neutro.

O estado, por ser o "setor público", goza de uma prerrogativa de benevolência ou generosidade. No entanto, a ideia de que os bens e serviços do estado "servem a todos", ao interesse comum ou ao bem público — em oposição a empresas que buscam o bem privado — é uma fórmula retórica vazia. Por acaso empresas que produzem e distribuem comida não servem ao interesse público? E as que produzem e vendem serviços de cultura e entretenimento? Tudo que tem uma demanda é um interesse público.

Empresas como Google e Facebook servem — gratuitamente — a muito mais pessoas do que o estado brasileiro.  Qual o sentido de dizer que os interesses deste são "públicos" e os delas "privados"?

Outra faceta do mito estatal diz que o estado é público porque é seu, meu e de todos nós; ou ao menos que ele representa o coletivo. Isso também não é verdade. O estado é uma organização entre outras, e ele não é mais "nosso" do que qualquer empresa. O mecanismo do voto, nosso meio de agir sobre ele, é mais tênue e ineficaz do que o poder do consumidor sobre qualquer empresa ao comprar e deixar de comprar (poder do qual o estado se blinda por meio dos impostos e da emissão de dinheiro).

Ademais, o poder dos políticos eleitos é limitado, pois eles constituem uma fina camada do estado. O grosso dele é composto de funcionários cuja atividade independe do voto popular e sem o apoio dos quais nenhum político pode governar. Já no famigerado setor privado, ao menos no caso das empresas negociadas em bolsa (que também são chamadas, à sua maneira, de públicas), aí sim você pode se tornar dono de uma parte delas; e pode inclusive vendê-la depois.

Por acaso temos direito de vender a parcela do estado que supostamente nos pertence? Não, e por quê? Dica: ele não é nosso.

O estado não é mais público do que tantas outras instituições que são propriedade privada. Quem de fato o controla são poucos e não tem como ser diferente. Muitos de seus serviços e benefícios são direcionados a poucos (pensemos agora no BNDES ou nas aposentadorias dos servidores públicos, esses heróis da pátria). Ele também não está mais voltado ao serviço do público do que outras organizações. Seus agentes, por fim, não são mais virtuosos ou altruístas do qualquer outra pessoa; respondem aos mesmos exatos incentivos que todos os pobres mortais.

Assim, ao falar das coisas do estado, evite o adjetivo "público"; ele engana. Utilize "estatal" em seu lugar. Funcionário estatal, escola estatal, rua estatal, interesse estatal, setor estatal. Reserve o "público" para praças e bares, que podem ser estatais ou não. A perpetuação da mística do poder do estado só nos afasta da realidade crua: o estado não é você, o que é dele não é seu, não há uma vontade coletiva por trás dele e ele não conhece e nem serve a seus interesses melhor do que qualquer outra organização.

Na verdade, o estado — esse ente de razão — nem existe; são só pessoas como você e eu, que não sabem mais e não são melhores do que você e eu, mas cuja vontade recebe — de nossa parte — a permissão tácita para se impor à força. No dia em que essa verdade realmente penetrar nossa consciência, ele estará em maus lençóis.


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autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com." Siga-o no Twitter: @JoelPinheiro85

  • Dam Herzog  29/03/2015 16:20
    Se quiserem entrem neste link; https://www.youtube.com/watch?v=B7DVlC3kXrM
  • Dalton C. Rocha  29/03/2015 18:59
    Cuba é o futuro da Venezuela.
    A Venezuela é o futuro da Argentina.
    E a Argentina é o futuro do Brasil.
    Dilma é Lula. E Lula é Sarney.
    Dei-me um país que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre. O petróleo é dos árabes. E a Petrobrás é dos políticos e de seus funcionários.
  • João Henrique Rodrigues  29/03/2015 19:08
    Parabéns Joel Pinheiro pelo excelente texto. Muito bem pensado, contextualizado, esclarecedor e didático.
  • thiago lemos  29/03/2015 19:13
    Este artigo deveria ser lido por todos os brasileiros, principalmente na área de educação. Sou a favor da privatização do ensino público. Mas vai dizer isso em uma faculdade de educação quase que completamente dominada por admiradores de Paulo Freire....
  • KKR  01/04/2015 13:06
    Tenho uma aula esse semestre no prédio de pedagogia da minha universidade e é desgostante passar nos corredores e ver o Paulo Freire em todos trabalhos, artigos e TCC's
  • Gustavo Nunes  29/03/2015 19:40
    É a velha farsa da democracia que leva a tal confusão de palavras.
  • Wesley  29/03/2015 20:39
    Obviamente os pelegos da CUT que defendem as estatais. O problema é higienizar a cultura e a sociedade do estatismo que afeta até a direita política. Muitos políticos evangélicos querem ditar os costumes da sociedade. É necessário desestatizar a sociedade, parece que vivemos num regime fascista.
  • Snipes  29/03/2015 22:54
    "Parece que vivemos num regime fascista". Parece? Como assim parece? Você por acaso acredita mesmo que não vivemos num regime de fortes conotações fascistas?
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  29/03/2015 22:18
    Só tolos acreditam em coisas públicas.
  • Nathan  29/03/2015 22:20
    Sei que não tem relação com o texto, mas tenho uma dúvida sobre inflação. Se alguém puder saná-la pra mim nos comentários, ficaria agradecido. Eu entendo que a inflação é resultado do aumento da oferta monetária. Mas por exemplo, não seria apenas a inflação contínua e intensa que geraria desconfiança nos consumidores e a queda do setor produtivo? Se a inflação for comedida, ainda com a questão do efeito Cantillon, não seria razoável supor que os preços e os salários iriam se estabilizar sob uma lenta expansão da oferta monetária? Como diriam os monetaristas. Me sinto tentado a dizer que sim, mas não conheço a fundo o argumento austríaco a respeito.
  • Ali Baba  30/03/2015 10:37
    @Nathan 29/03/2015 22:20:40

    Sei que não tem relação com o texto, mas tenho uma dúvida sobre inflação. Se alguém puder saná-la pra mim nos comentários, ficaria agradecido. Eu entendo que a inflação é resultado do aumento da oferta monetária. Mas por exemplo, não seria apenas a inflação contínua e intensa que geraria desconfiança nos consumidores e a queda do setor produtivo? Se a inflação for comedida, ainda com a questão do efeito Cantillon, não seria razoável supor que os preços e os salários iriam se estabilizar sob uma lenta expansão da oferta monetária? Como diriam os monetaristas. Me sinto tentado a dizer que sim, mas não conheço a fundo o argumento austríaco a respeito.

    O problema é que não tem como parar. No momento em que o estado adquire permissão para inflar a moeda (no passado através da impressão de dinheiro, atualmente através da manipulação do crédito), surge a certeza estatística de que essa permissão vai cair no descontrole. Não tem jeito e não tem escapatória.

    Para que o cenário que você prega (e que os adeptos da escola de Chicago foram tão eficientes em disseminar) se consolide, precisamos de um estoque ilimitado de anjos morais, que mantenham esse arranjo indefinidamente. Mesmo que uma primeira geração de economistas engajados e que entendam fortemente que a inflação monetária deve ser controlada a todo o custo, nada garante que uma segunda geração não sucumbirá aos encantos da sereia monetária.

    Só existem duas maneiras disso não acontecer: atrelar a uma commodity (como o ouro, a prata), ou criar um Currency Board lastreado em uma moeda de reserva mundial (como o Leandro Roque vive lembrando) que tenha uma inflação baixa... no entanto, a segunda maneira nos deixa reféns de um governo estrangeiro no que tange a política monetária (inflação lá significa inflação aqui, dependendo da exposição ao mercado global).

    Veja a que absurdo chegamos: atualmente, ser refém monetário de uma nação estrangeira é muitas ordens de magnitude melhor que ser refém dos políticos brasileiros...
  • Nathan  30/03/2015 13:23
    Entendi. Obrigado pela resposta! Sem dúvida alguma que no caso do Brasil, ainda mais com o nível dos políticos e burocratas que temos, um currency board seria de enorme ajuda.
  • TOBIAS  30/03/2015 14:14
    Na visão da escola austriaca, como seria feito o dinheiro? Como seria controlado a criação ou não de dinheiro? Como a criação de moeda poderia não ser monopolizada?
  • Aguiar  30/03/2015 14:37
    Não existe isso de "visão austríaca". Há apenas medidas mais radicais e mais modestas.

    As medidas modestas já foram mencionadas pelo Leandro ao longo da seção de comentários deste artigo.

    Já mais radicais estão aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=710

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1505

  • Lucas Sukeyosi  29/03/2015 22:35
    "A perpetuação da mística do poder do estado só nos afasta da realidade crua: o estado não é você, o que é dele não é seu, não há uma vontade coletiva por trás dele e ele não conhece e nem serve a seus interesses melhor do que qualquer outra organização."

    Perfeito.
  • Ricardo  29/03/2015 23:51
    Assim, ao falar das coisas do estado, evite o adjetivo "público"; ele engana. Utilize "estatal" em seu lugar. Funcionário estatal, escola estatal, rua estatal, interesse estatal, setor estatal. Reserve o "público" para praças e bares, que podem ser estatais ou não.


    Então eu posso chamar o lugar a que, infelizmente, me dirijo todos os dias de "Ministério Estatal"?

    Com relação à "aura positiva que o termo 'público' confere", de minha parte digo que o autor tem toda a razão. Promotores de Justiça (veja esse nome!) têm a mais firme convicção de que são eles próprios anjos iluminados caídos do céu na Terra, com a missão de mostrar à humanidade o caminho em direção ao paraíso terreno.
  • Estagiario de Direito  30/03/2015 19:11
    youtube.com/watch?v=28qRPq0stI0

    Nesse link, a digníssima atuação de uma funcionária pública federal. Pois é, in vino veritas.
  • Adelson Paulo  30/03/2015 12:15
    Excelente texto, uma reflexão necessária e obrigatória a todo cidadão.
    Mas no Brasil há também uma distorção ainda mais grave, que poderia ser aprofundada em artigos posteriores: as empresas estatais. Um funcionário publico "de Estado", como um juiz, um militar ou um professor, são "estatutários", sujeitos a uma legislação específica bastante restritiva, inclusive sobre salários e exercício de outras atividades remuneradas. As autarquias "de Estado" também têm várias limitações no uso de recursos financeiros, contratações, licitações, órgãos de controle, etc.
    Já os funcionários de empresas estatais são "celetistas", regidos pela mesma legislação dos demais trabalhadores, mas bastante protegidos por seus empregadores, com uma estabilidade no emprego quase que plena, além de planos de saúde e previdência complementar (com grandes aportes das empresas), e muito menor controle sobre rendimentos e vantagens pecuniárias, com dirigentes recebendo em alguns casos salários comparáveis a grandes empresas multinacionais. Como exemplo, a ex-presidente da Petrobras Graça Foster recebia em torno de 150 mil reais mensais de salário. O tesoureiro do PT João Vaccari Neto é membro do Conselho de Administração da usina Itaipu Binacional desde 2003, com uma remuneração mensal por participação nas reuniões do Conselho de R$ 20.800.
    Estas empresas estatais usufruem de uma liberdade muito maior na contratação de funcionários e administração de recursos financeiros, e seu gerenciamento propõe manter uma "eficiência" similar à iniciativa privada. Todavia, são administradas com grande ingerência política e, quando sofrem prejuízos por má gestão, são prontamente socorridas pelo Estado, e seus dirigentes nunca são punidos. Temos hoje o exemplo mais gritante destas distorções neste imenso escândalo de corrupção da Petrobras. Funciona como uma empresa privada na assinatura de contratos e gerenciamento de recursos, mas funciona como uma empresa pública na nomeação dos dirigentes e na socialização do prejuízo.
    Isto causa ainda mais confusão na mente do pobre cidadão. Ele vislumbra o Banco do Brasil, a Petrobras e a Sabesp como órgãos públicos, quando na verdade são empresas cujo maior acionista é o Estado.
  • Robson Santos  30/03/2015 12:27
    Explanação perfeita que desmorona com as crendices populares de que o Estado existe para promover o bem coletivo do povo. Na teoria geral é esta a função do Estado, mas na prática criamos e alimentamos com nossos impostos e votos o Leviatã que, insaciável, acabará por nos devorar.
  • Wolmar  30/03/2015 15:32
    Somente alguns adendos ao excelente texto:
    1) Ruas e praças são públicas. Nem o estado é dono. É um dos únicos exemplos de bens que realmente são de todos.
    2) Vilas são propriedade privada e funcionam como um condomínio. Se os moradores quiserem ninguém entra além deles.
    3) Estradas (federais ou estaduais) também são públicas. Cobrança de pedágio é para financiar obras e serviços de manutenção
    4) Rios e mananciais, confesso que não tenho certeza, se são bens públicos como os anteriores ou se são propriedade do estado. O mesmo para parques nacionais e para a floresta amazônica, mas creio que sejam considerados propriedade estatal.
    5) Transportes públicos são propriedade privada. Se o transporte é feito por uma empresa pública (estatal), é propriedade do estado.
    6) Prédios "públicos" como sedes administrativas, hospitais e escolas também são propriedade do estado. Ninguem pode invadir ou entrar na hora que bem quiser. Universidade "pública e gratuita" idem.
    7) Bares, restaurantes e shopping-centers são sempre propriedade privada (shopping estatal? Nunca vi). Esse negócio de "rolezinho" não passa de abuso. Existem regras de comportamento que podem ser impostas (pelos lojistas) e devem ser cumpridas (pelos clientes) dentro destes espaços

    No final o texto mandou muito bem o recado de que ESTATAL?PÚBLICO?GRATUITO
  • Alceu  30/03/2015 16:57
    1) Errado. Se fosse assim, qualquer um poderia fazer obras de recapeamento. No entanto, experimente fazer isso. Você vai em cana.
  • Wolmar  30/03/2015 18:57
    Não entendi o ponto nem nunca vi isso acontecer. Do que é que você está falando, que é proibido fazer obras de recapeamento?
  • Alceu  30/03/2015 19:23
    Se eu quiser recapear a rua em que fica meu prédio, por minha própria conta, escolhendo a empreiteira que eu quiser, e sem comunicar nada à prefeitura, serei preso por distúrbio da ordem pública e depredação de bem público, o que significa que a rua "pertence" ao estado, e não ao povo.

    Esse argumento do "nunca ouvi falar, logo não existe" é típico dos ignorantes arrogantes.
  • Wolmar  30/03/2015 19:46
    Não precisa apelar para xingamentos. Isso é típico de gente grosseira.

    Você pode contratar quem você quiser desde que comunique a intenção. E é justamente porque a rua é de todos, que você não pode interromper o trânsito das pessoas mesmo que seja para o bem dos demais.

    E você mesmo se traiu: Depredação de BEM PÚBLICO. Pelo visto seus neurônios faltantes impediram você de entender que público não significa propriedade do estado
  • Alceu  30/03/2015 21:09
    Não, Zé Gotinha. Eu utilizei o termo "bem público" em sua acepção convencional: propriedade do estado, mas usufruído livremente por todos (como os postes de iluminação). Obviamente, você desconhece esses jargões econômicos. (Mas é arrogante o suficiente para palpitar com segurança e desenvoltura sobre todos eles).

    De resto, folgo em saber que sou livre para mexer nas ruas. Devem ter alterado essa legislaçãnesse madrugada passada. Um parente meu, que tem uma fazenda dentro da qual passa uma estrada de terra, decidiu asfaltar essa estrada de terra. Ao contratar a empreiteira, qual não foi a sua surpresa ao descobrir que não poderia fazer isso, pois a estrada de terra -- uma simples faixa de barro que passa dentro da sua propriedade -- é uma estrada estadual, sobre a qual apenas o governo detém o direito de intervir.

    Mas o grande Wolmar jura que, se eu quiser remendar um buraco na Paulista, sou livre para isso...
  • Wolmar  30/03/2015 22:41
    Eu utilizei o termo "bem público" em sua acepção convencional: propriedade do estado, mas usufruído livremente por todos (como os postes de iluminação).

    Poste apagado. Me diz aonde você viu esta definição? E os postes iluminados não são propriedade do estado. São propriedade das companhias de iluminação. São instâncias diferentes sabia?

    Obviamente, você desconhece esses jargões econômicos. (Mas é arrogante o suficiente para palpitar com segurança e desenvoltura sobre todos eles).

    E você ainda tem a pachorra de me chamar de arrogante? Tudo bem. Eu devo estar sendo esculachado por um ser iluminado dono de um saber superior, sapiente de termos econômicos herméticos que a vulgata ignara desconhece. Estou sendo pedante desta forma apenas pela fútil tentativa de ganhar algum respeito de ser tão superior.

    Pois eu vou te dizer uma coisa que eu aprendi na minha vida profissional. Existe propriedade pública e privada. E a propriedade pública se divide em bens dominiais e bens de uso comum do povo. Logradouros públicos se encontram nesta última categoria. Qualquer livro de direito urbanístico você vai te dizer isto.

    Mas se você se acha no direito de interromper a passagem dos demais, ou de modificar o calçamento já existente, mesmo que seja para asfaltar, eu sinto muito em te informar: a rua é de todos. Não sua.

    E vai tentar você modificar a portaria do seu prédio ou fazer alguma modificação no piso da garagem. Você acha que o síndico vai deixar?
  • anônimo  30/03/2015 19:36
    Considero diferente, propriedade privada significa que o dono pode decidir o que fazer com ela, nesse sentido tudo que está dentro das linhas imaginarias de um país é propriedade privada do estado que o comanda.
    Nem eu mesmo sou propriedade privada minha (talvez a única excessão sejam meus pensamentos) já que posso ser alocado para o exercito por exemplo a qualquer hora. (Na pratica basta decisao dos donos - o estado - via alguma lei), meus bens podem ser todos tomados ou restringidos (na pratica já são restritos, tenho q que pagar ipva para manter minha casa, não posso decidir regras para meus estabelecimentos comerciais)
    Propriedade privada é um ótimo conceito, mas nunca vi ser aplicada em totalidade nesse mundo
  • flor  30/03/2015 15:52

    Parabéns pelo texto Joel! Ótima avaliação sobre quais são os reais interesses do Estado. Hoje, ainda permeia aquela falsa ideia de que o Estado representa nossos interesses. Em um dos princípios implícitos da administração pública está a "soberania do interesse público sobre o privado" e vários autores dissertam sobre. Dizendo que tudo deve ser feito em prol da sociedade e o bem comum que assim justifica essa "soberania" entre os setores. Ledo engano! Uma falácia! Os políticos, estão lá, mas para representar seus próprios interesses, dos seus partidos e de quem os apoiam.
  • Felipe R  30/03/2015 16:31
    Olá,

    Eu gostaria de comentar que os serviços da Google ou do Facebook não são de graça. Aliás, nem todo ganho é primariamente em dinheiro. Elas cobram dados e informações de seus clientes. Aí sim, de posse desses dados, eles vendem informações trabalhadas para outros interessados, em troca de dinheiro.

    Vejo nada de errado nisso, mas as pessoas devem ter consciência de como o mercado funciona.

    "Não existe refeição grátis" (eu acho)

    Abraço.
  • William  31/03/2015 00:10
    Olá,

    Por favor, olhem esse horror, entrevista com o terrorista-mor, Pedro Stédile (MST) falando sobre o que o governo deveria fazer. O cara é um analfabeto econômico. Poderiam escrever um artigo comentando a entrevista? Seria demais

    www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/2015/03/1610289-dilma-vai-na-direcao-errada-diz-stedile-lider-do-mst.shtml
  • anônimo  31/03/2015 12:55
    Analfabeto nada, esse pessoal SABE que mente de propósito.Ele principalmente, que sabe que o MST não produz nada, depois que eles ganham a terra lá ainda ficam recebendo esmolas do governo.
  • Guibro  31/03/2015 16:33
    Joel Pinheiro da Fonseca e Leandro Roque. Cada artigo desses dois é um mini-"sábado à noite" no meio do meu dia.
  • Estevam  02/04/2015 20:17
    Para facilitar a didática eu costumo separar privado de público (propriedade) e individual de coletivo (uso). Mas substituir público por estatal é uma excelente sugestão. Inclusive o texto é excelente, sempre tento fazer as pessoas distinguirem nação, estado, partido, ideologia, povo e etc.

    É importante salientar que o estado é uma república quando de fato o povo está no poder (hipótese), e para isto seria no mínimo necessário a substituição de impostos por taxas voluntárias, ausência de imposições (como a moeda de curso forçado), e o direito de secessão coletiva e individual. A força seria usada apenas em legítima defesa.

    Pra completar, há uma passagem muito boa no livro de Gustave de Molinari, Da Produção de Segurança, falando sobre a livre competição no serviço de segurança:

    "Por um lado, isso seria uma monarquia; e, por outro, uma república; mas seria uma monarquia sem monopólio e uma república sem comunismo."

    www.mises.org.br/files/literature/MisesBrasil_Pocket_ProducaoSeguranca_12x18cm.pdf
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  03/04/2015 01:09
    Recomendo a todos a leitura do livro "A Anatomia do estado", do Instituto Ludwig Von Mises, para que saibam (os iniciantes) o que realmente é o estado e seus "públicos" bens. Só me arrependo de não ter tomado conhecimento do excelente trabalho que o Instituto Mises promove. Teria me poupado muito trabalho.
  • anônimo  09/04/2015 19:22

    Ótimo artigo, muito esclarecedor. O socialismo/estatismo é uma religião secular; substituíram a Igreja Católica da Idade Média pelo Estado nos dias de hoje.

    * * *
  • Emerson Luís  16/04/2015 14:43

    Ótimo artigo, muito esclarecedor. O socialismo/estatismo é uma religião secular; substituíram a Igreja Católica da Idade Média pelo Estado nos dias de hoje.

    * * *
  • Anarco  12/09/2015 16:26
    ESTADO E RELIGIÃO É A MESMA MERDA AUTORITÁRIA!!!
  • anônimo  15/08/2017 17:36
    "Desestatizar" se parece com "Desratizar"


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