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Sobra petróleo e falta água. Por quê?

A água é um recurso renovável, fácil de captar e muito mais abundante que petróleo.  Mas então por que as represas estão vazias e os tanques de petróleo transbordam?

Não só o Brasil ou países pobres sofrem com a seca. Faltou água nos Estados Unidos em 1999, quando uma seca de verão atingiu a costa leste. Na Austrália, em 2007, a falta de chuvas levou à ruína produtores de frutas à base de irrigação.

Já as reservas de petróleo só crescem — e o preço do barril está em queda porque a produção está alta demais em relação à demanda mundial. De vez em quando o petróleo encarece; mas faltar, não falta.

A resposta para esse mistério é uma simples palavra: preço.

A beleza do mercado de petróleo, onde há concorrência e preços livres, é que a escassez leva à abundância. Se a oferta de petróleo diminui, o preço sobe. Com preço alto, há incentivo para a economia de gasolina entre os consumidores e para a pesquisa de fontes alternativas, novas reservas e processos de extração.

Foi o que aconteceu de 1973 para cá. A crise do petróleo empurrou o mundo para motores mais econômicos, etanol, carros elétricos, pré-sal e petróleo de xisto. O resultado é abundância e preços baixos em 2015.

O petróleo confirma o que economistas já sabem há algum tempo: o mecanismo de informação e de incentivos criado pelos preços é o melhor sistema de alocação de recursos existente.  Não é exagero falar em beleza, como fiz ali acima, pois esse fenômeno é dos mais bonitos da economia.

O mecanismo de preços funciona todo dia no setor de alimentação, o mais essencial de todos.  Se falta tomate, o preço sobe.  É como se emitissem um alerta a todos os envolvidos, desencadeando uma série de mudanças de atitude.  No supermercado, a dona de casa se assusta com o preço e coloca menos tomates na sacola.  O dono do restaurante reduz o desperdício de tomates e sobe o valor do espaguete ao sugo, empurrando clientes para a pizza quatro-queijos.  O importador aumenta o pedido de tomates enlatados da Itália.  O agricultor brasileiro percebe que lucraria mais se destinasse parte da fazenda à plantação de tomates.  De repente há tomate demais para uma demanda menor.  Pronto: a varinha de condão dos preços livres transformou a escassez em abundância.

O chato é que o mercado de água não é assim. A concorrência entre sistemas de água encanada é difícil, pois é caro demais haver empresas com encanamentos paralelos competindo entre si. [Nota do IMB: isso não é necessariamente verdade, como mostra este artigo.  Para um relato histórico sobre como havia concorrência nesse mercado, veja este artigo.]

Por isso empresas de água geralmente são monopólios públicos ou privados. Para evitar abusos da empresa dona do monopólio, o preço é regulado ou tabelado pelo governo.

Com o tabelamento, os superpoderes do preço desaparecem.  Ele perde a capacidade de distribuir informação e incentivo.  As pessoas utilizam demais o recurso mesmo quando ele é escasso.  Fornecedores não têm incentivos para pesquisar novas fontes, pois a água é barata demais.  No caso dos tomates, é como se a dona de casa continuasse comprando como antes, sem que ninguém se interessasse em aumentar a produção.  Uma hora todos percebem que há uma crise de tomates no país.

Nos anos 80, o congelamento de preços deixava prateleiras vazias no mercado. Em 2015, a regulação do preço da água resulta em torneiras secas. Nos anos 80, o mercado negro vendia, com ágio, a carne e o leite que ninguém encontrava no mercado. Em 2015, serão os caminhões-pipa, vendendo a preço livre, que vão nos livrar do desabastecimento causado pela seca — e pela regulação do preço da água.

Três mitos sobre a Sabesp

Muitas falhas podem ser atribuídas à Sabesp, a estatal de saneamento de São Paulo.  Mas entre acusações justas há equívocos que exalam pura ignorância econômica. Vejo muita gente dizer, por exemplo, que a seca em São Paulo se agravou porque a Sabesp, ao vender parte de suas ações na Bolsa, "passou a seguir a lógica do mercado", "maximizando lucros e reduzindo investimentos", para "privilegiar acionistas em detrimento do interesse público".

Há nesse raciocínio pelo menos três equívocos graúdos.

Mito 1: "Seguindo a lógica do mercado, a Sabesp reduziu investimentos"

Se a lógica do mercado levasse empresas a reduzir investimentos e privilegiar o lucro dos acionistas, o mundo viveria uma escassez generalizada. Enfrentaríamos falta de Coca-Cola, pois a empresa teria transferido dividendos a acionistas em vez de construir novas fábricas.  Supermercados seriam lugares tristes repletos de prateleiras vazias, porque a Nestlé, a Ambev, Unilever e os produtores de frutas e verduras embolsariam lucros em vez de investir o necessário para atender o aumento da demanda.

É verdade que investir em novas tubulações para evitar vazamentos não é tão rentável quanto uma nova fábrica de refrigerantes.  No entanto, pela lógica da "maximização de lucros" no longo prazo, a pior coisa que pode acontecer a uma empresa é não ter o que oferecer aos consumidores, como é o caso da Sabesp hoje em dia.  A melhor é crescer e conquistar mercados.  Por isso previsões de demanda, aquisições, estudos de ampliação e análises do "capex" (o capital destinado a investimentos) são parte do dia a dia de empresas que buscam lucro.

Quem acompanha o mercado financeiro sabe que toda a semana o preço de ações cai porque empresas anunciam projetos e aquisições. Como investimentos geralmente significam menos lucros ou dividendos nos meses seguintes, acionistas interessados no gráfico de curto prazo se livram dos papéis. Isso aconteceu recentemente com ações do Facebook, da Intel, da Microsoft, da Vale, da Lenovo, da Tim, entre muitas outras. O preço da ação costuma se reerguer depois de algumas semanas. Os acionistas mais ligados ao longo prazo entendem que, se a empresa está investindo, terá melhores fundamentos no futuro.

Mito 2: "A Sabesp enriqueceu os acionistas"

Só existe um motivo para uma empresa evitar investimentos e privilegiar os acionistas: se o principal acionista for o próprio governo.  No caso de empresas estatais, uma distribuição maior de dividendos resulta em caixa mais gordo aos políticos no poder.  E o que político gosta de fazer é gastar dinheiro o mais rápido possível.  Diferentemente de donos de empresas, políticos têm um objetivo de curto prazo: a próxima eleição. Poucos resistem à tentação de sacrificar o futuro de estatais ou das contas públicas para gastar em obras ou propaganda.

Foi esse o caso da Sabesp?  Se a empresa não sofreu da lógica do mercado, teria sido vítima da lógica da política? Difícil dizer.  Segundo esta reportagem da Exame, a Sabesp é uma das empresas de saneamento que mais pagam dividendos no mundo. O governo de São Paulo, dono de 50,3% das ações, é o maior beneficiário desses repasses.

No entanto, entre 2008 e 2013, de acordo com a consultoria Economática, a Sabesp ficou em 28º lugar entre as 30 maiores pagadoras de dividendos do Brasil. O retorno médio aos acionistas foi de 4,9%. É uma boa média, mas bem inferior à Eletropaulo (23%) ou estatais administradas pelo governo federal, como o Banco do Brasil (6,9%).

Sem contar o rendimento das ações, que depende da sorte, os acionistas da Sabesp ganharam de dividendos menos do que se tivessem investido na poupança. "A Sabesp é uma boa pagadora de dividendos, mas não é um caso excepcional", me disse Gianmarcelo Germani, da MoneyMark. "Outras estatais, como a Copel ou a Cemig, pagam dividendos muito superiores."

Mito 3: "Distribuir dividendos vai contra o interesse público"

Se você tem uma empresa e precisa de dinheiro para ampliar o negócio, é geralmente mais barato lançar ações na Bolsa que emprestar no banco. De um dia para o outro, investidores jogam milhões de reais na sua mão. Em troca, esperam uma remuneração anual que, segundo a lei, precisa ser no mínimo 25% dos lucros que você conseguir. As empresas costumam pagar um pouco mais do que manda a lei, para ficar em paz com os acionistas e poder captar mais dinheiro da próxima vez que precisarem.

Se o governo paulista quisesse manter a Sabesp 100% estatal e se recusasse a vender ações, teria que emprestar do BNDES ou de bancos internacionais, ou bancar do próprio bolso investimentos para a ampliação de represas e da rede de abastecimento. Isso significa tirar dinheiro de hospitais e escolas para colocar numa empresa que poderia andar com as próprias pernas. Diversas estatais de saneamento dão prejuízo no Brasil: o rombo que elas causam acaba sendo pago com o imposto dos cidadãos.

É tentador imaginar um acionista milionário nadando no dinheiro enquanto o povo morre de sede, mas isso não passa de ficção marxista. Se a empresa é bem administrada, a participação de investidores provoca melhoria e ampliação de serviços.

É uma tremenda loucura legar a uma estatal algo tão importante quanto o abastecimento de água. Água potável só será abundante quando arranjarmos um jeito de haver concorrência nesse setor, pois monopólios legais (públicos ou privados) sempre vão decepcionar.

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Este artigo foi originalmente publicado no blog do autor hospedado no site da Revista Veja.

Leia também: A solução para a escassez de água



autor

Leandro Narloch
é jornalista e autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, e do Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, além de ser co-autor, junto com o jornalista Duda Teixeira, do Guia Politicamente Incorreto da América Latina, todos na lista dos livros mais vendidos do país desde que foram lançados. Escreve para a Folha de S. Paulo.


  • Yoda  01/02/2015 01:06
    Perfeito o artigo. Parabéns ao autor.
  • Victor  01/02/2015 01:13
    Clap clap clap! Belo texto!
  • cristian william  01/02/2015 09:57
    Olá pessoas

    Excelente artigo: didático, bem estruturado e enfático.

    Aplausos
  • Henrique  01/02/2015 14:13
    Gostei do artigo, mas fiquei um pouco confuso neste trecho "A beleza do mercado de petróleo, onde há concorrência e preços livres, é que a escassez leva à abundância."

    O mercado do petróleo não tem ampla participação de empresas estatais? E a OPEP? Sei que o mercado petrolífero é mais livre que o mercado de fornecimento de água, mas o mesmo não é livre de fato, certo?
  • Meirelles  01/02/2015 14:35
    A entrada no mercado energético mundial é livre, vide a revolução do xisto nos EUA. O fato de haver empresas estatais operando neste segmento não implica que a entrada seja proibida. (Na Nova Zelândia, há uma empresa estatal de Correios, mas a entrada de empresas privadas no segmento é liberada).

    Já no mercado de água encanada, há um monopólio protegido pelo governo, de modo que a entrada de empresas concorrentes é proibida (ou pesadamente regulada).
  • bruno d  01/02/2015 15:08
    é impressionante como uma coisa tão obvia é uma questão quase que tabu tanto na grande imprensa quanto em conversas com amigos,

    Esse artigo é munição de primeira,
  • eduardo martinez neto  01/02/2015 18:10
    De maneira teórica o texto é simples de ser compreendido,ocorre que na pratica`` pelo menos na falta de água em SP`` a realidade é outra.se não esclareçam as seguintes questões,por que os acionista da empresa de água de SP ganharam muito com as ações e não ouve a mesma recíproca em relação a investimentos para épocas de estiagem,
  • Ribeiro  01/02/2015 22:34
    Eduardo, você está inventando fatos. Entre 2008 e 2013, de acordo com a consultoria Economática, a Sabesp ficou em 28º lugar entre as 30 maiores pagadoras de dividendos do Brasil. O retorno médio aos acionistas foi de 4,9%. É uma boa média, mas bem inferior à Eletropaulo (23%) ou estatais administradas pelo governo federal, como o Banco do Brasil (6,9%).

    Sem contar o rendimento das ações, que depende da sorte, os acionistas da Sabesp ganharam de dividendos menos do que se tivessem investido na poupança.

    De resto, a época de estiagem foi em 2014. Os acionistas ganharam muitos dividendos em 2014?

    Outra coisa, por que você ignorou a parte do texto que fala justamente sobre a relação entre dividendos, preços das ações e investimentos?
  • Ali Baba  02/02/2015 03:20
    MAV detectado.

    De maneira teórica o texto é simples de ser compreendido,ocorre que na pratica`` pelo menos na falta de água em SP`` a realidade é outra.

    Essa é uma frase típica de um discurso MAV começando. Ela pode ser traduzida da seguinte forma: "eu vou usar de um argumento emotivo a seguir para fazer você parecer um idiota". É muito interessante ver a tática que ensinam nos núcleos MAV se desenrolando... vamos às próximas etapas...

    se não esclareçam as seguintes questões

    Veja a estrutura da frase: "se eu estou incorreto, me responda o seguinte". Catequizar usando retórica e método socrático chega a ser uma blasfêmia... e de qualquer forma, não é 8 ou 80... O MAV não está correto automaticamente, caso a resposta a sua pergunta não seja atendida.

    por que os acionista da empresa de água de SP ganharam muito com as ações e não ouve a mesma recíproca em relação a investimentos para épocas de estiagem,

    Só existe uma questão, na realidade, e não questões. (E "ouve" é do verbo ouvir, acredito que o proto-MAV em questão queria ter escrito "houve", do verbo haver).

    A questão é colocada com uma falsa premissa tomada como verdadeira. Em primeiro lugar, os acionistas da Sabesp não ganharam esse rio de dinheiro todo. Como está no texto (em um trecho propositalmente ignorado), ganharam apenas um pouco acima da poupança. O MAV ou não leu o texto, ou escolheu ignorar a informação mais relevante.

    A seguir, a pergunta real: por que a Sabesp não investiu o que deveria se preparando para tempos de estiagem? A resposta, caro MAV, é lógica. Porque os controladores da Sabesp não o quiseram. Esse controlador é o governo. Então tenho algumas teorias acerca do que possa ter ocorrido:

    (1) O governo não tinha caixa e precisou dos dividendos da Sabesp para compor, esgotando a sua capacidade de investimento.

    (2) O governo prefere uma obra emergencial, onde o limite de gastos é infinito e a possibilidade de desviar e embolsar dinheiro público também, do que uma obra que passe pelos tramites legais.

    (3) O governo é inepto.

    A resposta, caro MAV, pode ser qualquer uma das três acima, e muito provavelmente uma combinação das três.
  • Silvio  01/02/2015 19:10
    O pré-sal contribuiu para a queda do preço do petróleo tanto quanto eu contribuí para a queda do Império Romano.
  • Eloy Seabra Jr  02/02/2015 11:04
    Bem observado, mas o pré-sal é um outro tabu, é normal que o Narloch não tenha compreendido isso.
  • Matheus  02/02/2015 12:17
    Eu acredito que ele quis dizer que a crise do petróleo nos anos 70 empurrou a exploração do pré-sal, não que a última tenha derrubado o preço dessa commoditie. Leia de novo, apesar de parecer realmente um pouco dúbia creio que essa é melhor interpretação.
  • Silvio  02/02/2015 16:53
    Caro Matheus, Gostaria de fazer essa interpretação, mas vamos ao trecho:

    Foi o que aconteceu de 1973 para cá. A crise do petróleo empurrou o mundo para motores mais econômicos, etanol, carros elétricos, pré-sal e petróleo de xisto. O resultado é abundância e preços baixos em 2015.

    Se o autor tivesse parado no "xisto" e não colocado a última frase, concordaria 100%, pois realmente o aumento dos preços serviu para que muitas alternativas fossem trabalhadas, mesmo que algumas dessas alternativas fossem bem imbecis. Mas veja que ele não para por aí e acabou forçando uma conclusão. Segundo o autor, por causa desses fatores apresentados, temos abundância e preços baixos em 2015. O que não é necessariamente verdade.

    Na realidade, os únicos fatores que contribuíram mesmo para abaixar os preços foram os motores mais eficientes (viva o capitalismo!) e o petróleo de xisto (mais um viva!). E agradeço pela sua réplica, pois me dá a oportunidade de falar um pouco sobre como os demais fatores, não apenas o pré-sal, não contribuíram para a diminuição dos preços, muito pelo contrário:

    -etanol: por ser subsidiado, só serviu para piorar as coisas. É necessário encarecer a gasolina para tornar essa porcaria viável. Ademais, desperdiçam-se terras boas para o cultivo ao destiná-las à produção de álcool combustível. Se não fosse o governo queimando dinheiro para manter esse programa nacionalista imbecil, poucos perderiam seu tempo para a produção desse combustível caro e ineficiente;

    -carros elétricos: os presentes automóveis elétricos são absolutamente irrelevantes. Além disso, governos do mundo inteiro enterram bilhões para a pesquisa de "tecnologias verdes", dentre as quais a tecnologia dos carros elétricos. A conta dessa brincadeira sem graça vai toda para os consumidores dos "combustíveis fósseis", isto é, essa é outra porcaria que só contribuiu para encarecer a gasosa.

    -pré-sal: tal como o Eike Batista, muita propaganda e nenhum resultado. O pior é que a PTROUBRAS despejou uma grana nessa palhaçada e, mais uma vez, a conta foi passada para o consumidor. Sem contar a pegadinha do Mallandro que o governo fez com os investidores por causa desse pré-sal. Mas isso é outra história e, de mais a mais, quem aposta suas fichas numa empresa do governo tem mais é que se lascar mesmo.
  • Leandro  02/02/2015 17:35
    Não é tão simples assim.

    No mercado de commodities, especialmente no de petróleo, um simples comunicado sobre a descoberta de reservas -- e a subsequente autorização ambiental para a exploração dessas reservas -- já é o suficiente para gerar uma pressão baixista nos preços.

    Sendo assim, a divulgação, pelo governo brasileiro, de que estava autorizada a exploração de petróleo na camada do pré-sal é sim um elemento que pressiona os preços do petróleo para baixo.

    É claro que toda a queda do preço do petróleo não pode ser creditada ao pré-sal (e ninguém disse isso). Mas o anúncio de exploração do pré-sal -- algo que consequentemente aumentaria a oferta de petróleo -- é sim um fenômeno que gera pressão baixista nos preços.

    O autor está correto.
  • Silvio  03/02/2015 14:32
    Também não é tão complicado assim.

    Segundo o próprio governo, o petróleo só começará a sair daquele buraco em 2020. Ou seja, embora concorde com a idéia apresentada pelo senhor(até porque nem vejo porque discordar), creio que ela não se aplica ao caso em questão. Não consigo imaginar nenhum produtor de petróleo no presente momento pensando "o pessoal da PETROBRAS disse que em 2020 (mas provavelmente será bem depois disso) estará começando a extrair petróleo do pré-sal, sendo que o pico de extração se dará em 2024 ou 2025 (o que muito provavelmente se dará bem depois disso), portanto, em razão disso, convém desde já baixar meu preço". Tudo bem que o valor é subjetivo e pode variar em razão das expectativas dos agentes econômicos, mas isso aí já é loucura.

    O autor disse que o pré-sal foi um dos fatores responsáveis pela "abundância e preços baixos em 2015". Pela abundância todos sabemos que não é e não consigo conceber como essa estrovenga se reflete em preços mais baixos no presente. Não entendo como algo que é bem capaz de nem chegar a sair do papel (e, mesmo que saia, demorará uns bons anos) possa ter qualquer impacto na atual queda do preço do petróleo.

    O que pude perceber é que o anúncio do pré-sal apenas criou uma onda de euforia que se refletiu no preço das ações da empresa, mas não no preço do petróleo em si.
  • Sergio Henz  05/02/2015 04:39
    Atualmente, segundo a propria Petrobras, já são extraídos cerca de 700 mil barris/dia. É cerca de 1/3 da producao diaria da empresa no Brasil. Como alguém que quer ser levado a sério pode postar um comentário dizendo que a producao so comeca em 2020?
  • Silvio  05/02/2015 16:58
    Querido Sérgio, tenha a bondade de ver no meu comentário anterior que a expressão "em 2020" está em azul e faça a gentileza de clicar nela. Agora leia a matéria.

    Bjus.

    PS: sobre o ser levado a sério, você já deve ter notado que não faço muita questão disso.
  • Primo  01/02/2015 22:27
    Vou dar meu palpite. Vejo que no mercado de petróleo tem lobby de produtores e consumidores que não necessariamente estão alinhados. A curto prazo a petrobras pode regular o mercado interno, mas a longo prazo sofrerá consequências diretas e indiretas do preço externo que podem ser benéficas para ela e maléficas para o consumidor e vice-versa. Pois o petróleo, de forma direta ou indireta, esta envolvido na formação de preço de quase tudo que consumimos hoje em dia. Não vejo ninguém no ramo de petróleo com força de 'mercado' para definir o preço do mesmo. E aí que está a grande sacada da economia, a formação de preço. Penso que talvez seja mais simples criarmos mecanismos de formação de preço no setor publico do que tentar eliminá-lo. Para isso poderíamos implantar a coexistência de vários estados no mesmo espaço físico, estimulando a livre concorrência e a formação mais natural dos preços.
  • Ali Baba  02/02/2015 03:32
    @Primo 01/02/2015 22:27:41

    Vou dar meu palpite.

    Você devia guardar seus palpites para quando for um pouco mais versado no assunto.

    Vejo que no mercado de petróleo tem lobby de produtores e consumidores que não necessariamente estão alinhados. A curto prazo a petrobras pode regular o mercado interno, mas a longo prazo sofrerá consequências diretas e indiretas do preço externo que podem ser benéficas para ela e maléficas para o consumidor e vice-versa. Pois o petróleo, de forma direta ou indireta, esta envolvido na formação de preço de quase tudo que consumimos hoje em dia.

    Espero, para o seu bem, que a afirmação acima seja pura desinformação da sua parte. Percebeu que vc está falando de petrobras como se ela fosse a detentora do petróleo mundial? O autor está falando do mercado internacional de petroleo, e não do doméstico.

    Não vejo ninguém no ramo de petróleo com força de 'mercado' para definir o preço do mesmo.

    Então você nunca ouviu falar em Arábia Saudita. O custo de extração de petróleo dos sauditas é irrisório. Se não me engano, cada barril custa menos de 5 dólares para ser extraído (o pré-sal custa em torno de 67 dólares). Além disso, a Arábia Saudita já tem a capacidade de extração instalada e ociosa. Então, eles ditam o preço. Se eles quiserem cobrar 40 dólares o barril, todo mundo vai ter de seguir sua liderança pq se alguém cobrar mais caro não vai vender nada. E petróleo não pode ser estocado... uma vez produzido, tem de ser vendido.

    Isso é "força de mercado" suficiente para você?

    E aí que está a grande sacada da economia, a formação de preço. Penso que talvez seja mais simples criarmos mecanismos de formação de preço no setor publico do que tentar eliminá-lo.

    Impossível. Qualquer tentativa nesse sentido será pura ilusão. Isso foi explicado diversas vezes em diversos artigos aqui mesmo. A informação necessária para formar o preço está dispersa no mercado, é atualizada em tempo real. Não está disponível na riqueza necessária para um ente qualquer, ainda que esse ente seja o governo (A respeito disso, leia Rothbard). Os preços em economias socialistas/comunistas terminam por ser meras cópias dos preços de economias de mercado.

    Para isso poderíamos implantar a coexistência de vários estados no mesmo espaço físico, estimulando a livre concorrência e a formação mais natural dos preços.

    Como gostam de inventar. A sua solução é mais um experimento heterodoxo? A menos que você esteja se referindo a uma secessão de fato (tipo, que o Brasil se quebrasse em diversos pequenos países - nesse caso estamos falando de espaços físicos diferentes), sua solução vai dar em nada.

    Só existe uma maneira de sabermos quanto de fato custa alguma coisa: liberar o mercado daquela coisa. Qualquer outra coisa é puro bla bla bla.
  • Primo  02/02/2015 20:38
    Ali Baba 02/02/2015 03:32:14

    A ideia do meu comentário era uma resposta para Henrique 01/02/2015 14:13:18, não era de abrir um novo "tópico".

    Você devia guardar seus palpites para quando for um pouco mais versado no assunto.
    Prefiro dar o palpite e deixar o moderador decidir.


    "Isso é "força de mercado" suficiente para você?"

    O preço do petróleo é tabelado? Quanto ele vai custa daqui a um ano? Quem decide isso é a Arabia Saudita? Em qualquer mercado, quem consegue produzir a um custo baixo tem alto poder de barganha mas não necessariamente define preço. Bem vindo ao livre mercado de "estado" meu caro.

    "Como gostam de inventar. A sua solução é mais um experimento heterodoxo? A menos que você esteja se referindo a uma secessão de fato (tipo, que o Brasil se quebrasse em diversos pequenos países - nesse caso estamos falando de espaços físicos diferentes), sua solução vai dar em nada."

    Não sugeri a secessão tradicional. Sugeri desregulamentar o setor público. O ideia de abolir o estado é politicamente impraticável e, como dizem, a existência de um estado é economicamente ineficiente. Porque existe apenas um presidente? Apenas um prefeito?
    Porque não temos dois, três presidentes? Porque o setor é altamente regulamentado.
    Imagine sermos governados por Dilma e Aécio ao mesmo tempo, não seria emocionante?
  • Ali Baba  03/02/2015 10:31
    @Primo 02/02/2015 20:38:08


    Você devia guardar seus palpites para quando for um pouco mais versado no assunto

    Prefiro dar o palpite e deixar o moderador decidir.


    "Isso é "força de mercado" suficiente para você?"

    O preço do petróleo é tabelado?

    Não.

    Quanto ele vai custa daqui a um ano?

    Não sei.

    Quem decide isso é a Arabia Saudita?

    Sim.

    Em qualquer mercado, quem consegue produzir a um custo baixo tem alto poder de barganha mas não necessariamente define preço. Bem vindo ao livre mercado de "estado" meu caro.

    Não é verdade. Quem consegue produzir ao custo mais baixo, tem o maior estoque e produz algo que em nada se diferencia de qualquer outro produtor (ou seja, produz uma commodity) sim, define preço.

    Agora, você tem razão. O "capitalismo de estado" pode distorcer isso um pouco nos casos locais. Por exemplo, a Petrobras, por ser uma estatal controlada pelo estado e não ter compromisso com o sistema de lucros e prejuízos, pode continuar produzindo petróleo a custo mais elevado do que a aquisição do mesmo. Perceba que a distorção é local: os brasileiros vão pagar mais pelo petróleo pq têm de comprar da Petrobras e a alternativa é ilegal. O que a Petrobras deveria fazer é parar a produção até o preço subir e superar o custo, importando petroleo de quem vende a preços menores enquanto isso, mas seus controladores não farão isso de forma alguma...

    "Como gostam de inventar. A sua solução é mais um experimento heterodoxo? A menos que você esteja se referindo a uma secessão de fato (tipo, que o Brasil se quebrasse em diversos pequenos países - nesse caso estamos falando de espaços físicos diferentes), sua solução vai dar em nada."

    Não sugeri a secessão tradicional.


    Ou seja, sugeriu algo heterodoxo.

    Sugeri desregulamentar o setor público. O ideia de abolir o estado é politicamente impraticável e, como dizem, a existência de um estado é economicamente ineficiente. Porque existe apenas um presidente? Apenas um prefeito?
    Porque não temos dois, três presidentes?


    É sério que você está sugerindo isso. Dois (três, quatro, etc) presidentes para o território inteiro, com a mesma jurisdição?

    Não vou nem comentar o custo que seria manter essa estrutura administrativa. Vou só dizer que "cachorro com dois donos morre de fome". :-) Aumentar o número de burocratas não reduz o tamanho do problema... Pense melhor se ao invés de uma Dilma você quer uma Dilma, um Lula e um José Dirceu, todos com o mesmo poder e a mesma jurisdição...

    Essa sua solução é muita heterodoxia para minha cabeça.

    Porque o setor é altamente regulamentado.
    Imagine sermos governados por Dilma e Aécio ao mesmo tempo, não seria emocionante?


    Não. Seria o caos. Na teoria, teríamos uma queda de braço infinita e a paralisação do governo (o que, admito, não é uma má perspectiva). Mas na prática, os dois (três, quatro, etc) tomariam um cafezinho juntos no final do dia se vangloriando da quantidade de riqueza cada vez maior que subtraem da população produtiva.

    Você não resolve os problemas criados pelo governo com mais governo. É como querer curar o câncer estimulando mais câncer. Não tem solução por essa via... governo e sociedade produtiva são naturalmente antagônicos: um cresce em detrimento do outro. Sempre. Não há meio termo. Não há exceções. Para a sociedade produtiva crescer, o governo tem de diminuir. Se alguém aqui no site ainda não compreendeu isso, deve ler muito mais... Mas muito mais mesmo.
  • Indignado  01/02/2015 23:31
    E, para completar nossa miséria, no mundo inteiro o preço da gasolina e do óleo diesel está em queda. No Brasil, cujo setor petrolífero é dominado por uma estatal que ama os pobres, o preço da gasolina e do óleo diesel está em alta.

    Nos EUA, cujo setor petrolífero é dominado por empresas privadas malvadas e gananciosas, o preço da gasolina caiu e voltou ao mesmo valor nominal de 2004 (dez anos atrás!). No Brasil, cujo setor petrolífero é controlado por um governo que ama os pobres, o preço da gasolina está hoje no maior valor da história do real.
  • Gustavo  02/02/2015 20:59
    Indignado, não é a Estatal que ama os pobres, são os pobres que amam e que defendem a estatal (e de quebra sonham com um empreguinho via concurso). Ademais, se o petróleo (e tudo o mais que existe no subsolo brasileiro) é nosso (com garantias constitucionais) do que adianta manter uma empresa de exploração ineficiente e (agora temos certeza) corrupta?
  • Injuriado  04/02/2015 17:09
  • Leandro  04/02/2015 18:32
    Todas as leis e regulamentações no Brasil -- todas, sem exceção -- são feitas sob ordens de grupos de interesse, e são implantadas para aumentar os lucros desses grupos de interesses.

    Da simples exigência de que botecos devem oferecer canudinho plastificado (lobby das empresas produtoras de canudinhos), passando pela obrigatoriedade de novos modelos de extintores nos carros (lobby das fabricantes de extintores), e terminando na porcentagem de álcool na gasolina (lobby dos usineiros), tudo é resultado da pressão de grupos de interesse.

    (Aliás, quem se dispuser a investigar vai descobrir que a lei seca foi imposição de empresas que vendem bafômetros).

    Sobre essa questão do álcool na gasolina, há um efeito bem malandro, sobre o qual ninguém está falando: quanto maior a porcentagem de álcool na gasolina, maior é o consumo (por causa das propriedades específicas do etanol). Quanto maior for consumo, maior será o dinheiro que você dará para a Petrobras, e maior será a arrecadação do governo via CIDE.

    Isso sem falar no fato de que o álcool gera maior corrosão do motor e dos dutos nos carros que não são flex.

    Aí, quando a gente tenta alertar sobre os problemas de um capitalismo regulado em nossos artigos (como esse e esse), somos xingados de radicais e socialmente insensíveis.
  • cesar a giometti  02/02/2015 00:51
    Não há como negar que a Sabesp, por alguma razão muito forte, não fez as obras necessárias para a reservação de água. o Cantareira dava a impressão de ser o manancial inesgotável, que hoje sabemos não ser, infelizmente. O Rio Atibaia que passa por onde moro ficou o ano todo com as pedras do seu leito exposta a um sol escaldante, enquanto a água estava verde de algas e cheirando mal. Por alguma razão, talvez a existência de poços fundos, não presenciamos a morte de peixes como aconteceu no Piracicaba. As chuvas que falharam em 2014 estão mais fracas em 2015, e isso me parece indicar, caso fevereiro não se mostre pródigo em pluviosidade, que o calvário nosso vai continuar. A imprensa trata o problema com luvas de pelica, temendo ferir suscetibilidades políticas, mas quais serão as alternativas se este mês e março também forem secos? Aonde vamos buscar água? A Billings e a Guarapiranga serão capazes de bancar o consumo da grande São Paulo e penalizar menos a região do PCJ que tem a sua vazão abaixo do que é garantido pela lei? Tempos nublados e muita chuva... É o que aguardamos ansiosamente, não precisamos de culpados, precisamos de água.
  • RR  02/02/2015 01:53
    IMB as instituições liberais do Brasil (acredito que sejam poucas) poderiam achar brechas e começar a mobilizar a sociedade sobre os benefícios da privatização de todos os orgãos e empresas do governo que dão prejuízos e/ou não apresentam os resultados desejados à população. O governo tem que ser um mero regulador contra os abusos e práticas ilícitas, não o dono de todo o processo, administrando todo o monopólio a seu favor. Veja o que aconteceu com a Petrobrás. Tá explicado o dificuldade que colocaram quanto o FHC defendia privatizar as estatais. Deveria ter privatizado a Petrobrás, Eletrobrás, a saúde, os presídios, e tudo mais que o Estado não tem como controlar direito.
  • RR  02/02/2015 02:14
    Refleti sobre o meu comentário anterior, e li outros artigos do IBM e entendi: não precisamos do Estado para regular e/ou controlar nada; contra os abusos, existe o PROCON. Um poder maior à Instituição da Justiça para lidar com os casos de abusos e/ou atos ilícitos contra o usuários dos serviços seria interessante. Livre mercado, mas com respeito ao consumidor e cumprimento dos serviços que são prometidos. Isso sim, seria o ideal. Cada dia mais penso que governo não serve para nada mesmo, nós é que nos acostumamos com o papel dele de ser a "mãe de todos".
  • Soares  02/02/2015 15:55
    PROCON... é cada uma que vejo. Continue refletindo sobre seus comentários, porque ainda não está 100%.
  • RR  03/02/2015 00:25
    Está rebaixando meu comentário, mas não fala porque, nem mostra sua opinião. Só atacou minha opinião. Pelo visto é você que não aprendeu que dos princípios libertários a liberdade de expressão é um dos mais importantes. Leio tanto coisa tonta na internet, mas nem por isso saiu escrevendo quase em tom ofensivo e debochante. Estou aprendendo sobre o assunto, me fale qual a forma correta de resolver a situação então. E adiantando, não estou de mi mi mi não.
  • Soares  03/02/2015 11:40
    Por favor, pare com essa choradeira, isso é viadagem pura e simples. Além disso, mostrei o problema do seu comentário na primeira palavra de minha réplica. Só porque fui sucinto não significa que não fui ao ponto.
  • Emerson Luis  02/02/2015 10:59

    É sempre assim!

    O livre-mercado é responsabilizado pelas consequências do intervencionismo;

    O intervencionismo assume os méritos do livre-mercado;

    As "soluções" intervencionistas de ontem causam os problemas de hoje;

    As "soluções" intervencionistas de hoje causam os problemas de amanhã;

    E o círculo vicioso se repete.

    * * *
  • Tannhauser  02/02/2015 11:24
    Parabéns pelo artigo.

    O autor menciona que os caminhões pipa nos salvará da falta d´água.

    Mas o mercado de caminhões pipa é liberado? Não seria mais um cartel com controle de preços?

  • Fernando  02/02/2015 11:41
    O monopólio estatal do fornecimento de água já chegou a um nível tão absurdo que, em São Paulo, é mais barato comprar água de um caminhão-pipa do que do encanamento da Sabesp.

    Isso mesmo: o uso de um caminhão-pipa, o pagamento do motorista, da gasolina e do pedágio, e a compra da água em alguma fonte próxima — tudo isso sai mais barato do que o transporte por canos.

    E não podemos ignorar o custo extra do mercado negro, pois, como a Sabesp possui o privilégio monopolístico no fornecimento de água, é ilegal concorrer com ela na venda de água para imóveis. No entanto, ainda assim, centenas de imóveis em São Paulo enchem suas caixas d'água todas as noites com caminhões-pipa em vez de comprarem a água da Sabesp pelo encanamento.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1708
  • Babooska  02/02/2015 12:06
    Sem romantismo ambiental socialista, a água encanada, chegando com conforto aos lares, nada mais é que um puro negócio que todo mundo ganha. Tal conforto não é um presente da natureza igual é a água. Toda essa ''logística hídrica'' é a beleza de uma invenção maravilhosa. Para termos autonomia em abrir ou fecharmos a torneira dependemos dessa engenharia, ou iremos captar água (sem tratamento) cada um e por conta própria no rio. Concordo com o autor quando cita ''beleza'' numa coisa que não estamos acostumados a admirar.
  • Rodrigo  02/02/2015 14:31
    Mas se a água fosse livremente explorada pela iniciativa privada, a partir do momento que existe uma escassez e os preços subissem, os mais pobres nao sofreriam de forma devastadora as consequencias? Apesar de limitadas, existem opções de substituição do petróleo, como o próprio artigo mencionou, mas e a água? Ou as pessoas simplesmente aprenderiam a consumir menos sem sofrer com queda de qualidade de vida? Isso é realmente uma dúvida minha, não estou tentando defender monopólios ou socialismo.
  • Garcia  02/02/2015 15:19
    Aí, nesse seu cenário, há apenas duas alternativas:

    1) A mesma oferta de água a preços maiores;

    2) Nenhuma oferta de água a preços baratinhos.

    Não há terceira alternativa.

    Por algum motivo inexplicável, você acha que o segundo cenário, no qual os pobres simplesmente ficam sem água nenhuma, é mais socialmente sensível do que o primeiro, no qual os pobres têm pleno acesso a água, só que a preços maiores.

    Em caso de aumento de preços em períodos de seca, não há por que dizer que os pobres seriam afetados. E o motivo é simples: maior preço gera menor demanda (não é esse o objetivo dos conservacionistas?). Se a tarifa de água subir, todas as pessoas irão reduzir seu consumo. Com um consumo reduzido, não há aumento na conta a ser efetivamente paga.

    Ou seja, os pobres não serão afetados por um aumento nos preços porque preços altos estimulam a redução do consumo; e, ao serem estimulados a reduzir seu consumo, o valor final de sua conta não será aumentado.

    Sim, haverá uma queda na qualidade de vida, pois eles estarão utilizando menos água pelo mesmo preço. Mas isso não é melhor do que uma total escassez do produto?

    Gostaria de maiores explicações sobre o motivo de sua preferência pelo segundo cenário.
  • Nill  02/02/2015 22:09
    Sobre o atual momento de petróleo barato isto acontece devido ao xisto. Que fez que as reservas de petróleo fossem aumentadas em trilhões de barris. Já se conhecia o xisto há muito tempo,mas só agora se conseguiu uma tecnologia capaz e eficiente para tirar o petróleo das rochas de xisto. Essa tecnologia foi desenvolvida pelos americanos e seu nome é fratura hidráulica. O nome é inglês esqueci. Como se aprendeu como usar a tecnologia para retirar petróleo de xisto,agora vai sempre retirar petróleo de xisto. Não tem como desaprender a fazer isto.

    A questão da falta de água na grande São Paulo e outras grandes regiões do Brasil como grande Rio,BH,Recife.
    Sobre São Paulo até agora ninguém tocou no assunto da demografia. Pois segundo estimativas populacionais, a Grande São Paulo tem hoje 20 milhões de habitantes.
    Vejam as populações das 10 maiores regiões metropolitanas do Brasil. https://www.youtube.com/watch?v=j4QBNLXeRE4 Atualmente cinco das maiores regiões metropolitanas estão com crise no abastecimento de água. São Paulo,Rio,BH,Recife e Campinas. E ainda o Espirito Santo.
    Todos sabem que resolver o problema de abastecimento de água de uma cidadezinha de 2000 habitantes é fácil,um posto artesiano ou 2 ou 3 caminhões biba resolve a crise hídrica. Uma cidade de 20000 habitantes agrava bem,mas é possível contornar sem dificuldades enormes. Cidade de 200000 habitantes complica bastante. Cidade de 2 milhões de habitantes o problema é enorme e dificílimo. Uma população de 20 milhões as soluções são tremendas e super complexas. Uma população de 200 milhões em uma região metropolitana seriam de uma complexidade inimaginável para ser abastecida com água.

    Note que comecei exemplificando primeiro com o problema muito simples de uma cidadezinha de 2000 mil pessoas para ser abastecido com água,depois foi multiplicando a população por 10. 20,200 mil,2,20 e 200 milhões de habitantes. No último caso duzentos milhões de habitantes ,embora não exista região metropolitana no mundo com essa população pensar como se existisse uma nos ajuda a pensar numa complexidade inimaginável para nós.
    Tem visto que os brasileiros veem o problema da falta de água nas grandes cidades de uma maneira muito simplista,tudo se resume a se chover e tudo se resolve. E não é tão simples assim. Nesta hora me lembro de como é complexo tirar petróleo de xisto,só agora conseguiram dominaram a tecnologia. Mas ! Enfim conseguiram e colhemos os frutos,o petróleo mais barato.
    A crise da água nas grandes cidades brasileiras é extremamente complexa para se resolver ,mas o cérebro humano é capaz de encontrar solução para problemas de complexidade inimaginável. Deus nos deu essa capacidade.
  • Caminhão biba  03/02/2015 23:55
    Só algumas observações pontuais:

    -o nome do procedimento em inglês é fracking;

    -ninguém tocou no assunto demografia porque ele não importa. É muito mais fácil fornecer água para uma população que se encontra concentrada ao invés de fornecer para uma que se encontra dispersa. Entenda que o problema tem uma só causa: estado. Tire o estado da jogada e as faltas d'água se tornarão cada vez menos presentes. Além disso, assumindo que a alta densidade demográfica ou uma grande população seja um problema, o que você sugere para resolvê-lo: regulação ou mesmo total impedimento da liberdade de ir e vir? Esterilizações em massa? Assassinatos pura e simplesmente? Em suma, você sugere socialismo?

    -o correto é "caminhões-pipa". Pipa, se você não sabe, além de ser o nome daquele singelo brinquedo voador utilizado por crianças e vagabundos, é nada mais do que um barril grande, utilizado para armazenar bebidas, especialmente vinhos. Assim, caminhão-pipa nada mais seria do que um caminhão-barril. Biba, por outro lado, é coisa bem diversa. Sobre o significado de "Caminhão biba", posso apenas especular. Seria um caminhão cheio de campineiros, pelotenses e são paulinos, um trio-elétrico a ser usado na parada gay, ou então um caminhão equipado apenas com a marcha a ré.





  • Francisco Seixas  04/02/2015 13:34
    Talvez eu esteja mostrando notícias de anteontem, mas, pelo menos, nunca é demais lembrar.

    Abraço.


  • Nill  05/02/2015 01:12
    Caro Caminhão Biba, Você disse: " Além disso, assumindo que a alta densidade demográfica ou uma grande população seja um problema, o que você sugere para resolvê-lo: regulação ou mesmo total impedimento da liberdade de ir e vir? Esterilizações em massa? Assassinatos pura e simplesmente? Em suma, você sugere socialismo? "

    Caro Caminhão Biba! Eu creio que a alta densidade demográfica ou uma grande população é um problema muito sério no que se refere ao abastecimento de água ou (mesmo outras coisas). Lógico ! È infinitamente mais difícil abastecer uma metrópole com dezenas de milhões de pessoas do que uma pequenina cidade. E se você acha que é fácil,você age como os nossos governantes que ficam dormindo e não correm atrás para suprir a metrópole de água (ou outra necessidade) e quando abre o olho a coisa já está perdida. Tá na cara que os governantes,autoridades responsáveis,companhias de água ficaram dormindo,cheios de incompetência,moleza,falta de sabedoria seja em SP,BH,RIO,etc. Vai ver acham muito fácil abastecer de água esse povão todo e não se apavoram com o tamanho do serviço. Calma de mais as vezes atrapalha.
    Mas ! Como disse ! Acredito na capacidade humana para superar os maiores e mais tremendos obstáculos. Tanto ! Que sugeri o desafio colossal de como faríamos para abastecer uma população de uma metrópole de 200 milhões de habitantes. Não existe uma metrópole deste tamanho no mundo. Mas ! Imaginar tal metrópole é um ótimo exercício de raciocínio lógico.

    Sobre suas outras palavras Caro Caminhão Biba . "o que você sugere para resolvê-lo: regulação ou mesmo total impedimento da liberdade de ir e vir? Esterilizações em massa? Assassinatos pura e simplesmente? Em suma, você sugere socialismo?"

    Eu não sugiro nada do que você mencionou, só digo que regiões atraentes para populações imigrantes podem como o tempo se tornarem também regiões problemáticas e desagradáveis que repelem sua população para outros lugares. Isto é uma ordem natural das coisas.

    Agora aprendi o certo é dizer caminhão pipa. Me atrapalhei e saiu caminhão biba. Agora não erro mais.
  • Nihil  06/02/2015 19:41
    Para o abastecimento de água, a alta densidade demográfica é algo vantajoso. E não precisa pensar muito para se perceber isso.

    É óbvio que é mais fácil abastecer uma pequena cidade do que uma grande metrópole. Mas a população já está toda aí e o governo não tem legitimidade de mexer nesse número nem na sua distribuição, portanto, o problema deve ser resolvido levando-se em conta esse fator.

    Ademais, não disse que fornecer água para milhões de pessoas é fácil, disse apenas o óbvio ululante, isto é, que é mais fácil fornecer água para uma população que se encontra concentrada do que para uma que se encontra dispersa. É mais fácil fornecer água para uma população de 10 milhões de pessoas que vive numa única cidade do que para uma população de 10 milhões que se vive em 20 ou 30 cidades.

    Sobre seu exercício de "raciocínio lógico", ele é meio despropositado, pois acho q ainda demorará umas boas centenas de anos para que uma cidade ou região metropolitana chegue aos 200 milhões de habitantes. Se é que chegue a esse número um dia.

    Por fim, você se esqueceu do hífen. O certo é "caminhão-pipa".
  • Paulo Mb  05/02/2015 01:23

    ''O sistema de preços tem como verdadeiro papel transmitir informação. É maravilhoso como, em um caso de escassez de um determinado bem, sem que ninguém tenha que dar uma ordem, e talvez com apenas um punhado de indivíduos conhecendo as causas, dezenas de milhares de pessoas cuja identidade não se poderia determinar em meses de pesquisa, começam a utilizar esse material com mais cuidado, ou seja, se movem na direção correta. Cquote2.svg
    - Von Hayek''

    Infelizmente poucas pessoas entendem a importância dos preços como agente de transmissão de informação, e como manipular preços é manipular essa informação que os agentes recebem e consequentemente suas atitudes perante essa informação
  • Rafael  05/02/2015 17:07
    A nova moda agora é culpar a indústria e o agronegócio como verdadeiros causadores da crise hídrica. Eles sempre arranjam um jeito de poupar políticos e demagogos populistas e jogam o abacaxi na iniciativa privada. O pior é que PSTU e PSOL vem ganhando espaços na opinião pública através de lorotas econômicas. É preocupante. Vejam só que lindeza:

    https://www.facebook.com/zemariapstu/photos/a.207921306028576.1073741828.206961979457842/426922464128458/?type=1


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