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Qual é a estratégia de saída do Fed?

Segundo os especialistas, o Federal Reserve — o Banco Central americano — irá subir os juros ainda neste ano. A política monetária será normalizada em 2015. Esse é o consenso do mercado.

O que ninguém explica, contudo, é qual taxa de juros será elevada: a federal funds rate (equivalente à nossa SELIC), a taxa do redesconto ou alguma outra? Tampouco demonstram como o Fed irá normalizar a política monetária. Quais ferramentas serão usadas? De que forma conseguirão elevar os juros?

A verdade é que poucos entendem de fato o que se passa com os bancos centrais nessa fase pós-crise de 2008. Nem sequer os próprios banqueiros centrais sabem ao certo como "normalizar" a política depois de tantas ações inéditas, surpreendentes e em dimensões inimagináveis. O modus operandi atual é "aprender com a prática" (learn by doing), como cunhou o ex-presidente do Fed Ben Bernanke, em 2012.

Em síntese, estamos submetidos a um processo explícito de tentativa e erro — uma espécie de voo cego monetário.

A era das políticas monetárias não-convencionais e acomodatícias trouxe inúmeras incertezas. Mas trouxe também algumas certezas, dentre elas, a de que política monetária do Fed não será normalizada tão cedo — ao contrário do consenso de mercado financeiro. Aliás, é necessário, antes de tudo, definir o que significa "normalizar" a política do banco central americano.

Se "normalizar" consiste em retornar a conduta da política monetária à sua forma consagrada antes do estouro da crise — quando o Federal Reserve estabelecia e perseguia uma meta para a federal funds rate (FFR) com o intuito de atingir o seu duplo mandato de estabilidade de preços e máximo emprego —, melhor esperar sentado, pois tal normalização não será alcançada em um futuro breve. E por um motivo bem simples: por sua própria culpa, o Fed está impossibilitado de manipular a FFR porque ele mesmo aniquilou o mercado interbancário americano ao jorrar liquidez no sistema por meio de suas rodadas de quantitative easing (QE).

Exatamente como isso aconteceu e quais as implicações para o futuro do banco de Janet Yellen é o que procuraremos expor neste artigo. Logicamente, nos aventuraremos também em prever os possíveis desdobramentos às economias americana e mundial.

Pela premência e complexidade do tema, este texto será um pouco mais longo e profundo que o usual. Para quem está operando no mercado financeiro, é fundamental entender o que está acontecendo com o banco central americano e como suas ações futuras impactarão os mercados.

Dito isso, recomendo lê-lo na íntegra — possivelmente, este será o artigo mais importante sobre Fed que você lerá em 2015. Bear with me.

O óbito da federal funds rate

Desde 1995, a federal funds rate (a taxa básica de juros dos EUA, equivalente a nossa taxa SELIC) é o pilar da política monetária americana. Para perseguir sua meta de estabilidade de preços, o Fed define um alvo para a FFR e busca atingi-lo por meio de injeções de liquidez no mercado interbancário, aumentando ou reduzindo o nível de reservas dos bancos (para entender com detalhe como funciona esse mecanismo, recomendo o livreto "Federal Reserve System: Purposes and Functions" e este excelente artigo do Leandro Roque).

O racional por trás dessa política é que as demais taxas de juros no mercado são influenciadas pela FFR — uma taxa de curtíssimo prazo —, assim, qualquer alteração no nível da taxa básica será sentida ao longo de toda a economia, afetando o preço de diversos ativos, inclusive os juros dos títulos de dívida do Tesouro americano, os do crédito bancário, e assim por diante.

Entretanto, após a quebra do Lehman Brothers, a federal funds rate efetivamente morreu. De que forma? Em essência, a FFR é a taxa utilizada pelos bancos para emprestarem dinheiro entre si no mercado interbancário visando à manutenção dos níveis de reservas mínimos estabelecidos pelo Fed (equivalente ao "compulsório" definido pelo Bacen). Mas no momento em que Bernanke decidiu adotar as medidas extraordinárias, resgatando instituições insolventes e injetando bilhões de dólares no sistema bancário, o nível de reservas dos bancos foi às alturas.

Na prática, isso significa que a demanda por reservas despencou. Com reservas em excesso — muito além do mínimo exigido pelo Fed —, os bancos não precisam recorrer ao mercado interbancário. A abundância de dinheiro no sistema fez a FFR desabar. Não foi o Fed que estabeleceu a FFR em zero; a taxa de juros chegou a esse patamar porque o Fed inundou o interbancário com liquidez.

Quando Bernanke definiu a taxa de juros básica entre 0% e 0,25%, ela já estava nessa condição; o chairman do Fed apenas oficializou o alvo da FFR em um nível ao qual ela já havia chegado — no gráfico abaixo, é possível verificarmos a taxa efetiva da FFR e o alvo estipulado pelo Fed. A partir da segunda metade de 2008, notem como a taxa efetiva despenca para próximo de zero antes do alvo para a FFR ser fixado em 0%.

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Enquanto os bancos mantiverem reservas em excesso, o FOMC (Federal Open Market Committee, o COPOM do Fed) pode dizer e divulgar o que quiser, mas não conseguirá elevar a FFR. Ela continuará no chão. As rodadas posteriores de QE amplificaram ainda mais a magnitude do problema.

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É importante compreender um ponto fundamental: o Fed não controla a FFR. Ele tem o poder, sim, de manipulá-la, injetando e removendo liquidez no interbancário, mas não pode determiná-la por decreto. Por isso, o FOMC estabelece um alvo para FFR; a taxa efetiva, porém, sempre diverge, pois ela é resultado da oferta de reservas e da demanda por elas entre os próprios bancos comerciais no interbancário.

As medidas excepcionais de Bernanke fizeram as reservas bancárias transbordar, decretando, na prática, o óbito da federal funds rate.

É possível normalizar e reverter o tamanho do balanço do Federal Reserve?

Então, como normalizar a política monetária e ressuscitar a FFR? Simples: eliminando as reservas em excesso. De que forma? Revendendo ao mercado todos os Treasuries (títulos do Tesouro) e hipotecas adquiridos via QE ou deixando os bancos emprestarem às empresas e famílias americanas, migrando, com o decorrer do tempo, o volume de reservas em excesso para reservas compulsórias[1] — na última parte deste artigo, analisaremos as outras alternativas que a chairwoman do Fed tem na mesa.

Agora, seria plausível esperar que o Fed revenda grande parte dos quase US$ 4 trilhões de ativos acumulados desde outubro de 2008? Antes de responder a essa pergunta, faz-se necessário analisar o próprio balanço do banco de Janet Yellen.

As rodadas de "afrouxamento quantitativo" (QE) foram mais do que apenas uma questão de quantidade. Em realidade, as compras maciças de ativos pelo Federal Reserve deveriam ter sido qualificadas como "afrouxamento quantitativo e qualitativo".

Por quê? Historicamente, o banco central americano — assim como qualquer autoridade monetária de países avançados — somente poderia adquirir ativos de ótima qualidade. Como o famoso jornalista e economista inglês do século XIX Walter Bagehot há muito tempo cunhou: "Bancos centrais, em tempos de crise, devem emprestar livremente a instituições solventes, sob a entrega de bons colaterais, a taxas penalizantes".

De 2008 até agora, Bernanke e Yellen acumularam mais de US$ 1,7 trilhão de hipotecas de qualidade no mínimo questionável — fossem elas bons ativos, não precisariam ter sido adquiridas do sistema bancário. O QE foi, essencialmente, uma política para remover do balanço dos bancos americanos uma boa dose de lixo financeiro, devolvendo-lhes a condição de solvência da noite para o dia.

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Além disso, historicamente, o ativo do Fed era majoritariamente composto por títulos de curto prazo do Tesouro dos EUA, os Treasury Bills — tais títulos são usados na condução da política monetária no mercado interbancário para influenciar a FFR. Com a série de QEs, Bernanke alongou o prazo médio do ativo do Federal Reserve sobremaneira, absorvendo do mercado Treasurys de 10, 20 e 30 anos em uma proporção preocupante.

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Nunca o balanço do Fed esteve tão exposto ao risco de juros. Hoje, T-Bills não correspondem a nem sequer 1% do ativo do banco — no passado, essa proporção era de 30%. Mais da metade dos Treasuries em carteira tem vencimento acima de cinco anos.

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Caso os rendimentos dos Treasurys revertam a tendência e se elevem, o Fed poderá incorrer em perdas vultosas quando revender esses ativos ao mercado — o mesmo fenômeno ocorrerá com as hipotecas no balanço do Fed, já que têm um prazo médio de mais de 30 anos.

Isso é, também, um potencial complicador à normalização da política monetária, porque em um cenário de juros crescentes, a liquidez injetada pelo Fed quando da compra do ativo não poderá ser retirada no mesmo volume, pois o valor do ativo agora é menor.

O balanço do banco de Janet Yellen não está apenas maior, como também a qualidade do seu ativo se deteriorou seriamente. O Fed, assim, tornou-se o arquétipo do banco que ele próprio tentou resgatar: repleto de ativos tóxicos de longo prazo, com uma alavancagem total acima de 70 vezes — talvez a maior do planeta — e, possivelmente, insolvente. Mas ele é o banco central, essa é a diferença; não precisa marcar a mercado o valor dos ativos que carrega no seu balanço e detém o monopólio de impressão do dólar.

Analisado o ativo do Federal Reserve, podemos responder à pergunta: seria plausível o Fed despejar no mercado trilhões de hipotecas de valor duvidoso, levando muitos bancos ao limiar da falência novamente? Da mesma forma, será que o Fed recolocaria no mercado trilhões de dólares em Treasuries, pressionando o rendimento dos títulos soberanos e elevando, assim, o custo de refinanciamento e o déficit orçamentário do governo americano?

Não consigo prever nenhum chairman do Federal Reserve tomando a decisão de retroceder o balanço do banco. Não agora. E talvez nem por alguns bons anos mais.

O que o Fed pode fazer então?

Antes de especularmos sobre as possíveis estratégias no jogo de Janet Yellen, é imprescindível considerar alguns dados do cenário econômico atual, bem como os efeitos das políticas monetárias acomodatícias em diversas classes de ativos.

O mercado e os indicadores econômicos

A economia americana está se recuperando apesar do Federal Reserve. Reitero: apesar das medidas extraordinárias adotadas desde 2008, a economia dos Estados Unidos mostra sinais de melhora. Destaco esse ponto porque muitos analistas costumam relacionar causa e efeito entre as políticas acomodatícias do Fed e a recuperação da economia dos EUA. Mas esta ocorre não por causa, e sim a despeito das ações de Bernanke e Yellen.

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Porém, o crescimento da economia e a redução do desemprego não são homogêneos. Há duas economias claramente distintas na América do Norte: a economia relacionada ao setor de energia — leia-se gás de xisto e petróleo — e o resto — este ainda não saiu da crise.

A revolução do setor de petróleo e gás nos EUA é de fato impressionante. A sua pujança é tão notável que ela acaba ofuscando o restante da economia, a qual permanece, para todos os efeitos, tépida e cambaleante. Não fosse a geração de emprego oriunda do petróleo e gás, o desemprego americano estaria em níveis ainda preocupantes.

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Embora haja inovação tecnológica e crescimento real nesse setor, não podemos ignorar as consequências da política acomodatícia do Fed. Com tanto crédito barato e emissão de dívida corporativa a juros irrisórios, é inegável a possibilidade de inúmeros investimentos equivocados no setor de petróleo e gás, o que os economistas austríacos chamam de malinvestments. Isso não significa que o setor em si é uma bolha, mas sim que pode haver sido superdimensionado, gerando uma capacidade ociosa não desprezível.

No entanto, toda a liquidez injetada no sistema pelo Fed não resultou em aumentos expressivos da inflação de preços ao consumidor. O Consumer Price Index (CPI, equivalente ao nosso IPCA) registrou alguns picos após 2008, mas desde 2012 ele tem se mantido ao redor de 2%, sendo que nos últimos meses caiu consideravelmente, fechando 2014 com apenas 0,8% de incremento anual — a queda vertiginosa do petróleo foi a grande responsável pelo menor nível do CPI dos últimos cinco anos.

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Estariam os austríacos errados nas suas previsões? Por um lado, sim, pois a grande maioria dos economistas da Escola Austríaca esperava um aumento de preços mais relevante. Isso não aconteceu. Mas por outro, os austríacos estão repletos de razão, pois todos sabem que um excesso de liquidez no mercado — inflação monetária — não impacta os preços uniformemente nem com a mesma intensidade. Todos sabem que crédito barato e emissão de moeda causam distorções na economia, podendo gerar bolhas em diversas classes de ativos mesmo com um CPI baixo e estável. Inflação de preços baixa e estável não é — jamais! — garantia de estabilidade financeira.

E não é preciso vasculhar muito para encontrar indícios de bolha nos EUA; basta olhar para o mercado acionário — o S&P 500 e o Dow Jones bateram recordes sucessivos nos últimos anos — e para o gigantesco mercado de bonds e dívida corporativa — para muitos, é onde já está formada a mãe de todas as bolhas.

Um breve adendo: a bolha dos bonds soberanos

Sejamos francos: os bancos centrais nunca engendraram tamanha impressão de dinheiro como o fizeram após 2008. Os balanços das principais autoridades monetárias do planeta triplicaram ou quadruplicaram em questão de poucos anos. A maior parte dos países injetou liquidez maciça no sistema em conjunto com o Federal Reserve depois do estouro da crise — embora esse tema mereça um artigo à parte, deixaremos aqui alguns pontos fundamentais para reflexão.

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De meados de 2009 até o momento, fixaram as taxas de juros em zero ou muito próximo a zero o Federal Reserve, o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra, o Banco do Japão, o Banco Nacional da Suíça e o de todos os demais países do G8.

Há 37 países com taxas de juros abaixo de 1% e 64 países com taxas de juros abaixo de 3%. As principais moedas internacionais estão com juros em níveis irrisórios. Não há nada semelhante na história do mundo, nem por tempo tão prolongado.

Seria plausível esperar que taxas de juros em zero, rodadas infindáveis de QE e alavancagem excessiva no mercado financeiro não gerassem nenhum efeito colateral? É claro que não.

Grande parte da liquidez do sistema inflou justamente o preço dos títulos soberanos — apesar das situações fiscais ainda calamitosas na maioria dos países da Europa, dos EUA e do Japão. Os yields dos títulos soberanos já se encontram próximos aos níveis mais baixos de toda a história. De fato, desde o ano da derrocada de Napoleão Bonaparte, em 1815, os yields não chegavam a um patamar tão miúdo.

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Yields em 26/jan/2015. Fonte: Bloomberg.com

Após o anúncio de QE pelo Banco Central Europeu, diversos países da Europa apresentaram yields negativos nos títulos com vencimento em um ano. Inclusive a França, considerada por muitos analistas — e com razão — um dos piores quadros fiscais da Zona do Euro.

E superando todas as expectativas e a mais kafkiana das previsões — e de quebra entrando para a história mundial das finanças —, a curva de juros dos títulos soberanos da Suíça conseguiu a façanha de apresentar rendimentos negativos até 15 anos.

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Sim, exatamente. Se você comprar um título suíço com vencimento em 2030, você irá receber de volta menos do que investiu, já considerando os juros embutidos — uma verdadeira proeza dos bancos centrais modernos. Mais uma anomalia do mundo financeiro do século XXI. Mais um episódio sui generis da conjuntura ímpar pela qual o mundo financeiro atravessa.

Houve um tempo em que o rendimento dos títulos de dívida transmitia uma informação deveras importante: a qualidade do emissor e sua capacidade de pagamento. Hoje essa informação não existe. Os rendimentos não são um preço de mercado, são preços controlados e adulterados. Um preço manipulado perde a própria definição de preço, passando a ser apenas um dado econômico com informação de mercado quase nula. 

Por isso, há um descasamento entre o preço dos ativos e o risco subjacente. Os preços dos ativos refletem já não os fundamentos, mas na verdade a vontade dos banqueiros centrais. Os fundamentos foram solapados pela injeção de liquidez. O yield dos Treasurys não está alto ou baixo, ele está onde a Janet Yellen quer que esteja. O que guia os mercados são os discursos do Fed e BCE.

Não importa mais se a dívida está aumentando. Importa apenas se o Fed está injetando mais liquidez. Importa apenas se há mais impressão de dinheiro. Originariamente prestamistas de última instância, os bancos centrais tornaram-se, agora, os market-makers de primeira instância.

Como muito bem afirmou Andy Haldane, diretor executivo de Estabilidade Financeira do Banco da Inglaterra, em uma audiência do Comitê do Tesouro, em 2013: "Sejamos claros, nós inflamos intencionalmente a maior bolha de títulos soberanos da história. Se eu tivesse que destacar qual o maior risco à estabilidade financeira global neste momento, eu diria que é uma reversão desordenada dos rendimentos de títulos governamentais globais".

O rally do dólar

Os mercados estão sempre nos surpreendendo. Expectativas realmente são capazes de afetar os preços dos ativos, embora, muitas vezes, os fundamentos permaneçam essencialmente inalterados. Quem teria previsto esse rally do dólar depois de QE1, QE2 e QE3? Quem teria previsto que o índice do dólar (Dollar Index) ultrapassaria as máximas dos últimos dez anos? Como imaginar que o euro se enfraqueceria perante o dólar, depois de o Fed ter despejado $ 1,7 trilhão no mercado durante o QE3 — um aumento de 60% dos seus ativos —, enquanto o Banco Central Europeu reduziu o seu balanço em € 1 trilhão no mesmo período — uma redução de 33%?

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Enquanto o Fed simultaneamente injetava liquidez no sistema e declarava ao mercado que logo cessaria, o BCE retirava dinheiro da economia, mas era taxativo ao afirmar que logo lançaria a sua versão de afrouxamento quantitativo. Esse é o cerne de uma das ferramentas usadas na política monetária pós-2008: forward guidance (orientação futura).

O discurso dos bancos centrais tornou-se um pilar da política monetária moderna. Ele influencia as expectativas dos investidores quanto às possíveis intervenções do Fed. Influenciando as expectativas, os investidores ajustam suas previsões e atuam de forma diferente, muitas vezes desprezando os fundamentos subjacentes. Isso resume o que ocorre com o dólar e o euro nos últimos anos.

Não há como negar, o dólar ainda detém o status de reserva mundial, e ao menor sinal de turbulência, os investidores ainda fogem do resto em busca da moeda americana. E quando o forward guidance do Fed destoa nitidamente do BCE e do Banco do Japão — Yellen sinaliza elevação dos juros, enquanto a dupla Draghi e Kuroda promete impressão de moeda ilimitada, custe o que custar —, a decisão dos mercados fica fácil.

A renovada força do dólar não significa, porém, que se trata de uma moeda fundamentalmente sólida. Longe disso. E, como demonstrado acima, a política do Fed tem minado a saúde da moeda americana. Mas neste estágio da guerra cambial, é o dólar que aparentemente será menos depreciado do que o euro e o yen. Nessa corrida ao fundo do poço, fortalece-se — ou se enfraquece menos — aquela moeda cujo banco central é mais comedido ou promete sê-lo a partir de agora.

Depois de compreendermos o porquê do óbito da federal funds rate e de analisarmos o balanço do Federal Reserve e alguns dados econômicos e do mercado financeiro, podemos, finalmente, examinar as possíveis estratégias do banco central americano e traçar algumas previsões.

Esse será o tema da segunda e última parte deste artigo.



[1] O nível de reservas é determinado pelo Federal Reserve; os bancos não debitam nem creditam essa conta, apenas o Fed. Assumindo como premissa que a postura do banco central americano e o nível do compulsório permaneçam inalterados, quando os bancos começarem a emprestar ao público, o volume total de reservas seguirá igual; a única diferença é que agora parte das reservas será considerada reserva compulsória, reduzindo o nível de reservas em excesso. Reduzir ou aumentar o volume total de reservas (compulsórias e em excesso) é algo que somente o Federal Reserve pode fazer. Os bancos não emprestam reservas ao público; na verdade, eles criam novos empréstimos contra novos depósitos à vista, elevando o agregado monetário M1, mas não a base monetária (papel moeda + reservas bancárias).



autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Marconi  27/01/2015 14:07
    Não bastaria o FED exigir agora uma reserva bancária enorme? Assim, a SELIC deles passa a funcionar de novo.
  • pirozelli  29/01/2015 00:26
    Posso estar errado mas acredito que mesmo com uma maior exigência de compulsório o problema continuaria, senão pioraria. Através de políticas de Open Market o FED adquiriu muitos títulos que rondavam no mercado e está com uma quantidade enorme... Caso os juros fossem elevados por um compulsório maior, todos esses títulos em poder do FED perderiam valor(os pré-fixados). Sei lá, se duvidar eu viajei, esperaremos pelo Leandro.
  • Marconi  29/01/2015 12:44
    Sim, mas o que não entendo bem é porque existe alguma preocupação com a saúde financeira do FED.

    Ele tem uma máquina de imprimir dinheiro. Se faltar dinheiro pra um cafézinho, ele imprime ali 1 dólar e toma café. Bricadeiras a parte, para quem tem uma máquina de dinheiro, não importam os dados contábeis. Sempre haverá dinheiro em caixa.

    Assim, se o FED simplesmente deletar seus títulos, não acontecerá nada. Apenas ele perderá a capacidade de enxugar o dinheiro que injetou nos bancos.

    Mas, e daí? Ele injetou tanto que isso nem importa mais.

    Creio que o dólar ainda existe porque esses banqueiros aí devem ser meia dúzia, e devem se reunir de vez em quando para colocar regras a fim de não detonar todo mundo (eles principalmente) com uma hiperinflação.

    Estou viajando? rsrsrs
  • Lucas C  27/01/2015 14:16
    Mais uma vez, Fernando Ulrich sensacional.

    Realmente não está lá nada fácil entender o que se passa atendo-se aos fundamentos. Contudo, aí está!

    Aguardo ansiosamente a segunda parte.
  • PESCADOR  27/01/2015 15:42
    Que venha a segunda parte do artigo!
    Acho que até 2020 virá também uma gigantesca crise mundial, só menor do que a Grande Depressão da década de 30.
  • Márcio  27/01/2015 15:57
    Para um sistema monetário fiduciário, a situação do sistema americano está excelente. Não há o risco de insolvências generalizadas e os bancos estão em condições de conceder empréstimos.

    A perda do poder de manipulação da FFR pelo FED foi algo bom. Os bancos tem a competência e o interesse para regular os juros dos empréstimos que concedem, de forma em que deixam a "inflação de preços" em níveis "aceitáveis" para o padrão histórico americano. Que banco comercial quer despejar dinheiro "a rodo" na economia e criar uma "inflação de preços" galopante, que corrói o valor real dos empréstimos que serão quitados?

    O FED perdeu parte do seu poder como agencia de planejamento central e o mercado ganhou mais autonomia para arbitrar os juros. Aplausos.
  • Leonardo  27/01/2015 20:04
    O erro na previsão de inflação de preços não poderia ser por uma mudança na demanda por moeda física ou velocidade de circulação?
  • Leandro  27/01/2015 20:38
    Não muito.

    As pessoas acharam que o simples fato de o Fed estar entupindo os bancos com reservas faria com que esse dinheiro automaticamente vazasse para a economia. Eles se esqueceram do pequeno detalhe de que, para que esse dinheiro realmente entre na economia, as pessoas e as empresas têm de estar dispostas a se endividar.

    No atual arranjo financeiro, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito).

    Se as pessoas e empresas não estiverem com essa propensão ao endividamento, esse dinheiro não entra na economia. Se os bancos estiverem mais rigorosos na concessão de empréstimos (que é o caso nos EUA, dado que os bancos ficaram assustados após os calotes que levaram à crise de 2008), este dinheiro também não entra na economia, e consequentemente os preços não são pressionados.

    Mais ainda: para haver hiperinflação, empresas e pessoas têm de pegar empréstimos como se não houvesse amanhã, na ordem dos trilhões ao mês (e os bancos, é claro, têm de ser loucos a ponto de abrir as torneiras assim), e o governo tem de incorrer déficits orçamentários maciços. Não há outra hipótese de haver hiperinflação -- a menos que o estatuto do Fed seja mudado e ele possa monetizar diretamente todos os gastos do Tesouro.

    Ainda assim, devo enfatizar que não é do interesse dos bancos gerar hiperinflação. Imagine que você é um banqueiro. Você sabe que, se você gerar uma hiperinflação, os empréstimos que você conceder serão quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, e isso destruiria o real valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido.
  • Marconi  27/01/2015 20:48
    Os banqueiros são verdadeiros sanguessugas inteligentes do pessoal que produz, assim como os políticos. Quando o hospedeiro ameaça morrer, aí ele alivia e para de sugar um pouco pra não morrer junto.
  • Diego  28/01/2015 00:18
    Leandro,

    Digamos, por exemplo, que o Bacen não tivesse as reservas internacionais que tem hoje. Isso tornaria o real vulnerável a um ataque especulativo, correto? Pois bem, um ataque especulativo faria nossa moeda perder muito valor. Uma perda violenta e repentina não poderia gerar uma hiperinflação em um cenário como este, mesmo os bancos não tendo expandido a concessão de créditos de forma absurda?

    O que aconteceria neste cenário?

    Obrigado!
  • Leandro  28/01/2015 01:48
    Perfeitamente. Aliás, este é um assunto do qual keynesianos e monetaristas fogem como o gato da água.

    Se uma moeda, por um motivo qualquer, deixar de ser demandada por investidores estrangeiros e por especuladores, seu valor irá despencar e, consequentemente, a taxa de câmbio irá disparar. E não haverá subida de juros que restrinja isso.

    Um exemplo em pequena escala está acontecendo com a Rússia: justamente após uma pancada nos juros (de 11,5 para 17%) o rublo se desvalorizando acentuadamente. O dólar foi de 55 para 70 rublos em um dia no dia 16 de dezembro; no final de junho, o dólar valia 34 rublos. Desvalorização de 50% em seis meses.

    (Venezuela e Argentina passam por um fenômeno ainda pior, pois, além de suas moedas não serem demandadas, seus respectivos bancos centrais (que lá podem financiar diretamente o governo) seguem expandindo a oferta monetária como se não houvesse amanhã.)

    O fenômeno, aliás, que pode assaltar qualquer país em desenvolvimento. Quando uma economia ainda em desenvolvimento — como a brasileira — adota uma taxa de câmbio flutuante, sua moeda estará diariamente sujeita aos humores dos especuladores, dos investidores internacionais e de todos os traders que atuam no mercado financeiro.

    Se eles perderem a confiança no governo, a taxa de câmbio poderá se desvalorizar acentuadamente, e permanecer se desvalorizando por um bom tempo.

    É por isso que há grandes economistas que defendem Currency Boards para economias em desenvolvimento. Segundo eles, deixar a moeda de um país ainda em desenvolvimento flutuar de acordo com a percepção que os agentes externos têm em relação à solidez do governo nacional é loucura.
  • Leonardo  30/01/2015 11:17
    Leandro, você está querendo dizer que o efeito multiplicador foi da base monetária foi freada pela baixa taxa de concessão de crédito, certo? essa hipótese pode ser observada pela alteração do balanço do FED não acompanhada em mesma proporção pela expansão dos meios de pagamento?
  • Leandro  30/01/2015 12:55
    Correto.
  • Rafael  27/01/2015 21:33
    Estou com uma dúvida. Em um sistema capitalista genuíno, o dinheiro que o banco empresta para pessoas ou empresas advém da poupança de seus clientes. O dinheiro fica disponível novamente quando as dívidas são sanadas e todo dinheiro tem dono.

    Agora, quando o governo injeta dinheiro nos bancos e eles emprestam, de quem é o dinheiro, do banco? Pergunto pois, quando estes empréstimos forem recuperados, o dinheiro fica imediatamente disponível para outro empréstimo? Este dinheiro nunca vai ser de ninguém, já que não advém dos poupadores?
  • Leandro  27/01/2015 22:52
    Bom, como eu não sei exatamente qual é o seu grau de conhecimento sobre o sistema bancário (está familiarizado com o fato de que bancos criam dinheiro do nada?), recomendo antes de tudo ler este artigo.

    Depois, só depois, continue lendo o que está escrito abaixo, que faz uma explicação mais aprofundada:


    "Agora, quando o governo injeta dinheiro nos bancos e eles emprestam, de quem é o dinheiro, do banco?"

    Na verdade, os bancos primeiro criam os dígitos eletrônicos do nada, e depois, só depois, vão ao mercado interbancário (ou ao BC) para buscar reservas.

    No entanto, para efeitos de explicação teórica, utiliza-se a explicação mais fácil, que é a de que o BC dá dinheiro aos bancos e então os bancos emprestam um valor múltiplo dessa quantia inicial.

    Sobre a pergunta em específico, o dinheiro é um passivo do Banco Central, o qual foi criado pelo BC e dado aos bancos em troca de títulos públicos. O dinheiro será em definitivo dos bancos se tiver havido uma venda de títulos. Mas se tiver havido apenas uma operação compromissada, em que o BC compra o título dos bancos mas se compromete a futuramente revender o título para os bancos, então o dinheiro voltará para o BC. Ao menos em tese.

    "Pergunto pois, quando estes empréstimos forem recuperados, o dinheiro fica imediatamente disponível para outro empréstimo? Este dinheiro nunca vai ser de ninguém, já que não advém dos poupadores?"

    Quando o Banco A concede um empréstimo para João, o Banco A cria dígitos eletrônicos do nada e coloca esses dígitos eletrônicos na conta de João, que então está livre para gastar esse dinheiro.

    Ao gastar esse dinheiro, os dígitos eletrônicos vão parar na conta de Pedro, e o banco de Pedro, que é o Banco B, vai exigir que o Banco A lhe repasse esse valor (isso vai ocorrer via mercado interbancário, com intermediação do Banco Central, e toda a transação será majoritariamente com dígitos eletrônicos)

    Em termos contábeis, funciona assim:

    Imediatamente após o banco A criar o crédito para João (por exemplo, $1.000), haverá duas entradas em seu balancete: $1.000 no lado dos ativos (crédito concedido) e $1.000 no lado do passivo (conta-corrente aberta).

    Porém, assim que João gastar seu dinheiro e ele for parar no Banco B, os $ 1.000 criados na conta-corrente de João (passivo) caem para zero e o total de reservas (ativo) deste banco será subtraído deste mesmo valor, o qual agora está com o Banco B.

    Ou seja, no Banco A, haverá agora apenas uma entrada na coluna de ativos escrita "ativos a receber".

    Quando o empréstimo for quitado, o principal ($1.000) volta para as reservas bancárias e os $100 de juros cobrados (supondo juros de 10%) vão para o capital do banco.

    No entanto, o que realmente ocorre na prática, é que o banco vai apenas deletar $ 1.100 (supondo juros de 10%) da conta-corrente de João.

    Ou seja, o banco criou $1.000 na conta-corrente de João e depois retirou $1.100 dessa sua mesma conta. No final, houve uma redução de $100 no seu passivo, o que significa que seus ativos ficaram $100 maiores que o passivo. Esses $100 sãoacrescidos ao patrimônio líquido (capital) do banco.

    Abraço!

    P.S.: na prática, a perda de reservas do Banco A para o Banco B raramente ocorre, pois ao mesmo tempo em que o Banco A expande o crédito e perde reservas para o Banco B, o Banco B expande o crédito e perde reservas para o Banco A.

    P.S.2: raramente há participação de dinheiro físico (cédulas e moedas metálicas). É tudo digital.

  • Rafael  28/01/2015 02:55
    Muito obrigado pela resposta e pelo artigo recomendado, excelente leitura. Até sabia que os bancos criam dinheiro do nada, mas não imaginava que a função dos bancos hoje está tão distante da intermediação entre investidores e poupadores.

    Com essas notícias recentes de que o banco europeu vai injetar 1,1 trilhão de euros na economia e que o brasil também não vai ficar atrás, estou buscando compreender ao máximo a lógica do processo que só vai causar (ou piorar) as crises. Então também estou lendo bastante os artigos sobre ciclos econômicos. É no mínimo fascinante que os governos sempre cometem o mesmo erro, mas ao mesmo tempo é bem preocupante. Chego a duvidar que eles não sabem que isso só vai piorar a situação a longo prazo.
  • Dorival Hartung  28/01/2015 12:41
    Eles sabem muito bem que a situação só vai piorar, o que acontece é que eles simplesmente não podem voltar atrás. Quem vai ter a paciência e a coragem de explicar para o mundo inteiro a lambança que eles fizeram? Quem vai ser o idiota em assumir que eles não sabiam o que estavam fazendo ao implantar tais medidas e criar tanto dinheiro do nada. Nem essa massa de gente alienada teria paciência para ouvir o pronunciamento.No mundo a grande maioria das pessoas não se importa em ser controladas.

    O ego destes caras é muito grande, eles jamais vão assumir que estavam errados e que todo o modelo econômico que eles seguem e disseminam é uma furada. Fazer isso é jogar fora tudo o que eles sempre acreditaram. Fazer isso é encarar de frente o ser humano medíocre que eles são, ninguém quer encarar quem realmente é, as pessoas preferem viver uma ilusão. E é assim que a gente vive hoje. O mundo vive pensando que saímos de uma crise quando na verdade têm uma muito maior vindo por aí. Há males que vem para o bem é o que dizem, acredito que da próxima crise esse sistema econômico podre não sobrevive ou no mínimo vai ter de ser repensado desde sua base.

    A verdade é que eles pouco se importam com o que está acontecendo, o que é deles está garantido pra vida toda. As pessoas costumam taxar os liberais de muitas coisas, inclusive costumam dizer que um mundo nos moldes liberais não pode existir pois ninguém se importaria com os menos favorecidos, como se elas já vivessem em um mundo que alguém se importa.
  • Lopes  27/01/2015 22:03
    Excelente artigo. Aguardo ansiosamente por sua continuação.

    Entendo como pode não haver, a um banco altamente capitalizado, investimento mais plausível que títulos da dívida de rendimento miúdo.

    Sei que há a incerteza sobre a legislação trabalhista nos EUA que pode aumentar em grande quantia o custo da mão de obra e transformar o emprego da população menos qualificada em um prejuízo; entendo também que há insegurança sobre o setor energético, pois não se sabe se ocorrerá algum tipo de penalidade ambiental em brinde aos amigos de ofício do Partido Democrata - também há o endividamento privado; mas não haveria qualquer tipo de risco do investimento também no título da dívida dos EUA - dado que a procura por eles também está relativamente mais alta também no âmbito internacional? O cenário não seria de se esperar que o rendimento continue caindo?

    Ao menos, ao governo federal dos EUA, é tempo de vacas abundantes.

    ______________________________________________________________________
    Alguns dados sem grande relevância para colaborar com o artigo:

    Veja 2011: 4.bp.blogspot.com/-HH233VHsvho/Tt5BJ5j81TI/AAAAAAAAEvs/J6aOLMauwu0/s1600/preliminary-major-holders-us-governnent-debt-fy2011-end.png
    Repare que a quantidade de títulos de dívida em posse internacional é quase 30%.

    4.bp.blogspot.com/-TmWDzp6szDI/UPTIujerWuI/AAAAAAAAHV8/gu7jK8d5_d4/s1600/preliminary-fy2012-to-whom-does-the-us-government-owe-money.png
    Em 2012, repare que a quantidade de títulos da dívida em posse internacional cresce até tornar-se 40% de tudo.

    Agora compare com 2014: www.ritholtz.com/blog/wp-content/uploads/2014/04/Tax-Day-2014-To-Whom-Does-US-Govt-Owe-Money.png
    Em 2014, a quantidade de títulos da dívida em posse internacional se torna quase 35%.
  • Antonio  27/01/2015 23:05
    Só não entendi a parte que o Fernando Urich disse q o FED pode, para acabar com o excesso de reservas, permitir que os bancos emprestem ou pode subir o compulsório . Bem, os bancos não estão emprestando atualmente pq não querem (possuem excessos de reservas). Demanda sempre existiria por parte das empresas, mas, pelo jeito, não numa taxa de juros que compense para os bancos. A uma taxa próxima a zero, certamente haveria demanda. Como o artigo é longo, não achei o trecho do texto para colar aqui.

    Em suma, mto bom e pertinente o artigo, mas não entendi apenas essa parte.
  • Marcos  27/01/2015 23:39
    Leandro, vc sabe informar se o Clube de Vienna está ainda em atividade?

    Agradeço antecipadamente pela informação.
  • Ed  28/01/2015 00:08
    Pensando aqui e me fiz uma pergunta.

    Qual a entidade mais canalha do país? Receita Federal ou Banco Central?
  • Emerson Luis  28/01/2015 10:13

    Como sempre, as "soluções" intervencionistas de ontem causando os problemas de hoje e as "soluções" de hoje causando os problemas de amanhã.

    ________________

    "Há 37 países com taxas de juros abaixo de 1% e 64 países com taxas de juros abaixo de 3%. As principais moedas internacionais estão com juros em níveis irrisórios. Não há nada semelhante na história do mundo, nem por tempo tão prolongado."

    O Brasil NÃO faz parte desses 101 países. Quer dizer que ele está ainda pior que a maioria?

    * * *
  • Tannhauser  28/01/2015 10:45
    Leandro,

    o artigo não está considerando a China e o resto do mundo que detêm muitas reservas em dólares.

    Caso os países passem a considerar que o dólar irá se desvalorizar no longo prazo, começariam a vendê-los e seria um salva-se quem puder, quem vendesse mais rápido suas reservas perderia menos. O artigo não teria que considerar esse cenário?

    Agora uma dúvida lendo o artigo e comentários: podemos entender que o FED perdeu seu poder de controlar a base monetária e agora quem manda efetivamente são os bancos? Isso seria ótimo para os USA, não?

  • Leandro  28/01/2015 13:53
    Os governos desses países não têm interesse nenhum em desvalorizar o dólar, muito menos em acabar com ele. Lembre-se de que eles são mercantilistas. Eles querem dólar forte para alegrar suas indústrias exportadoras. Um colapso do dólar aniquilaria as exportações chinesas.

    Outra coisa: o governo chinês tem trilhões de dólares em títulos do tesouro em suas reservas internacionais. Por que eles iriam querer acabar com o dólar após terem acumulado trilhões? Não faz sentido. É como você construir uma mansão e depois queimá-la. Uma desvalorização do dólar acabaria com as reservas do governo chinês.

    Sobre controlar a base monetária, o Fed pode, em última instância, revender baratinho para os bancos os títulos que estão em seu poder. É claro que isso representaria uma disparada nos juros, mas é possível de ser feito. Não que ele vá fazer isso, mas o controle da base monetária ele ainda tem.
  • leandro90  28/01/2015 11:49
    Cara, como eu era extremamente ignorante, na condição de funcionário público, antes de conhecer este site. Como fui enrolado durante 42 anos da minha vida com idéias keynesianas e marxistas. Como vejo no meu trabalho pessoas que só repetem o que é dito na TV e como as faculdades demonizam o liberalismo.
    Hj fico envergonhado de ter dito que deveríamos proteger nosso mercado. Que idiotice. Com argumentos deste site realmente me convenceram da minha burrice anterior.
    Sem querer descobrir o site. Realmente a liberdade individual de escolha é fantástica.
    Obrigado
  • leandro90  28/01/2015 12:25
    Poderia explicar melhor este ponto? Não possuo fundamento em economia e tive dificuldade em entender estas partes abaixo:
    ''Caso os rendimentos dos Treasurys revertam a tendência e se elevem, o Fed poderá incorrer em perdas vultosas quando revender esses ativos ao mercado — o mesmo fenômeno ocorrerá com as hipotecas no balanço do Fed, já que têm um prazo médio de mais de 30 anos''.
    Isso é, também, um potencial complicador à normalização da política monetária, porque em um cenário de juros crescentes, a liquidez injetada pelo Fed quando da compra do ativo não poderá ser retirada no mesmo volume, pois o valor do ativo agora é menor.
  • Rhyan  28/01/2015 14:31
    Excelente! Quais os últimos artigos do Peter Schiff sobre isso? Em que site ele escreve?
  • Ed  28/01/2015 22:10
    Nao sei se eu entendi direito, mas na pratica isso significa que o fed vai ficar um bom tempo sem fazer politica monitaria, certo? Se o FFR nao e mais manipulavel o fed ta de maos atadas... Ate q os bancos desovem essa grana.. Mas oq vai fazer com os titulos podres que ele pegou pra salvar os bancos? Repassar pros bancos a preços menores? Comprar com dinheiro novo?
    Na pratica o fato de o fed n estar fazendo politica monetaria nao e algo bom?
  • Manoel  29/01/2015 02:52
    Parabéns Ulrich, excelente artigo! Estou ansioso pela continuação!
  • Hugo  30/01/2015 16:14
    Leandro o que poderia acontecer caso o FED,na tentativa de pelo menos dar uma diminuída em seus ativos não circulantes começasse a vender pelo menos parte dos títulos de médio prazo (especificamente os de maturidade de 1 a 5 anos),qual seria o efeito dos juros?
  • Leandro  30/01/2015 16:28
    Os juros dos títulos da dívida subiriam, justamente o que o Tesouro não quer que aconteça, pois isso não apenas encareceria seus futuros endividamentos (algo que governo nenhum quer), como também encareceria o serviço da atual dívida.

    E também poderia provocar uma recessão.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  29/03/2015 23:08
    Tudo o que os políticos aconselham é o oposto da realidade.
  • Thiago q. Landi  24/07/2015 22:15
    Pessoal do site, Leandro, por que esse nao é o assunto numero um do mises? Vcs estao subestimando o evento que vai acontecer.

    Se o Fed realmente quisesse ele poderia subir os juros, vendendo trilhoes em titulos ao mercado ou subindo o compulsorio por exemplo, porem o Fed NAO vai fazer isso, pois isso resultaria no estouro das bolhas e no calote do governo, um aumento na taxa de juros e uma consequente queda no valor dos titulos da divida e titulos hipotecarios faria com que todos os bancos falissem novamente, dessa vez mais espetacularmente, quebra espetacular das bolsas,falencia das seguradoras, implosao no mercado imobiliario, falencia de novo de fannie mae e freddie mac, nova falencia das montadoras americanas, falencia de multiplas empresas, Dessa VEZ NAO existe dinheiro PARA BAIL OUT,
    Por causa das falencias dos bancos
    DESSA VEZ os DEPOSITANTES perdem dinheiro. Milhoes perdendo toda sua fortuna.

    Caso o governo americano tivesse que pagar um juros de 4, 5 % sobre sua divida, isso seria na casa dos 1,5 a 2 trilhoes de JUROS por ano, mais do que tudo que eles coletam em impostos, impossivel, eles teriam que decretar o calote, seria um catastrofe um pandemonio.
    Porem na cabeca dos curandeiros do Fed essa bolha é muito grande pra estourar.

    Nao, apesar dessa dor de curto prazo essa seria a coisa certa a se fazer, permitiria uma restruturacao na economia americana, mas nao eles nao vao fazer a coisa certa.


    O Fed esta all-in na sua atual politica monetaria, o Fed vai manter o juros em 0%, vai lancar QE4, QE5, o governo vai continuar com deficts orcamentarios trilhonarios, o defict na balanca comercial vai continuar gigante, a divida vai continuar aumentando, a economia composta por 80% setor de servico vai continuar, ate o dia que que os chineses perceberem que nunca vao ser pagos de volta e que eh melhor perder 4,5 trilhoes de dolares do que perder 15, 20.

    Espiral de desvalorizacao, todos que tem dollar tentam gasta-lo o mais rapido possivel antes que ele perca ainda mais valor, o Fed pra evitar o calapso dos mercados imprime dinheiro como louco, os paises da opep param de aceitar dolares, a demanda por dolares desaba a oferta explode HIPERINFLACAO!!!!
  • Morete  28/08/2015 19:25
    Leandro, boa tarde.

    Com relação ao "excess reserves depository institutions", não ficou claro pra mim. Os bancos podem usar estas reservas no interbancário, porém não podem usar para fazer empréstimos as famílias, por exemplo?
  • Leandro  28/08/2015 19:44
    Podem utilizar para absolutamente tudo o que quiserem.
  • Morete  29/08/2015 13:29
    Obrigado Leandro.

    E existe algo que impede os iluminados do governo brasileiro tomarem medida similar com rodadas de QE?
    Se isso fosse adotado por aqui (QE), quais poderiam ser as consequências?
  • Leandro  29/08/2015 14:55
    Não há argumentos teóricos que justifiquem um QE no Brasil. O QE foi adotado, na prática, para socorrer os balancetes de bancos; e na teoria, para impedir uma deflação de preços.

    Nenhum desses dois cenários está se manifestando no Brasil atualmente.

    No que mais, caso um QE fosse realmente adotado no Brasil, com a SELIC indo pra perto de zero, o real iria se esfacelar de vez no mercado de câmbio. Qual estrangeiro iria investir em uma moeda que se desvaloriza mensalmente e cuja aplicação renderia zero de juros?

    Um QE no Brasil destruiria de vez o real.
  • John Maynard Keynes  29/08/2015 15:16
    "Um QE destruiria de vez o real."

    Não sei se você entendeu, mas o problema é que tudo está parado. Carros estão parados em pátios, peças estão apodrecendo em armazéns, funcionários estão parados em casa e sua mentalidade está parada no tempo (isso já desde os anos 1930).

    O problema é a falta de demanda para reviver o mercado. Deixe todo mundo gastar.
    Que mal pode fazer?

    Na China, onde até mesmo as cidades estão paradas - e agora o stock market, a solução é idêntica: mais demanda do governo e mais direcionamento do setor privado. Que mal fará mais algumas cidades fantasma para tirar mais cimento parado? Pense nos empregos que gerarão e nos recursos que usarão; a China só já consumiu mais cimento em três anos do que os EUA em toda sua história - isso que é uma vitória do pensamento econômico prudente e da alocação de recursos. E você ainda chama isso de seguir adiante com "malinvestment".

    Menos Levy, mais Mantega. Menos Mises, mais Keynes.
  • Gustavo  29/08/2015 16:36
    Quando um título em posse do FED vence, ele repassa o principal e os juros deste título ao tesouro, e perde este ativo que poderia ser vendido aos bancos para enxugar liquidez?
  • Leandro  29/08/2015 17:59
    Correto. O Fed retém uma fatia que é para custear suas despesas. O restante ele repassa ao Tesouro (ou seja, na prática, o dinheiro saiu do bolso dos pagadores de impostos, foi para o Tesouro, dali para o Banco Central, que reteve uma fatia, e que devolveu o restante para o Tesouro).

    E é assim em todos os países do mundo.

    O título quitado, obviamente, é retirado do mercado.
  • Thiago q. Landi  16/09/2015 19:39
    Quando um titulo em posse so FED vence ele rola essa divida. Quando ele recebe juros sobre esses titulos ele reinveste 100%. Seu balancete esta em us$ 4,5 trilhoes.
  • Leandro  16/09/2015 20:04
  • Gustavo  18/09/2015 02:36
    Caso o FED não faça nada com os títulos que estão em sua posse, seu ativo irá se reduzindo à medida que seus títulos forem vencendo? E por isso será mais dificil, no longo prazo, "normalizar" a política monetaria?
  • Leandro  18/09/2015 03:02
    Se os títulos forem vencendo e não forem rolados, eles serão quitados e este dinheiro irá para o Fed.

    Não, o que dificulta a política monetária do Fed é o simples fato de que os bancos estão entupidos de reserva, fazendo com que os juros do interbancário sejam quase zero. Para fazer com que esta taxa de juros volte a níveis "normais" (tipo 3, 4 ou 5%), o Fed terá de retirar toda essa dinheirama do interbancário. E, para fazer isso, ele terá de vender trilhões de dólares em título que estão em sua posse. Para fazer isso, só vendendo estes títulos a um preço muito baixo, o que implica uma elevação acentuada de seus juros.
  • austriacos.com  18/09/2015 21:20
    Amigos,

    Publiquei recentemente 3 artigos no austriacos.com , traduzidos pelo Lopes. São eles:

    A nova ilusão de prosperidade dos EUA - Por Frank Hollenbeck
    [link=www.austriacos.com/topic/6-artigo-quando-o-banco-central-vai-finalmente-deixar-as-pessoas-inovarem-por-edin-mujagic/]] Quando o Banco Central vai finalmente deixar as pessoas inovarem? - Por Edin Mujagic [/link]
    Moeda Fiduciária e Desigualdade Econômica - Por Mark Thornton
  • Sábio austríaco   15/10/2017 03:43
    O Fed fez uma política monetária inteligente ao não deixar os bancos quebrarem com o estoque de subprime,afinal boa parte destas hipotecas foram renegociadas e as que não foram renegociadas estão fechadas,desocupadas a espera da hora em que a demanda por elas serem aumentadas,enfim o Fed tem capital de giro suficiente para suportar estas perdas temporária no médio prazo,concordo que no curto prazo ele ficou refém do mercado e de mãos atadas para fazer política monetária ortodoxa,mas discordo que esta política seja tão nociva assim,repito a TACE é uma teoria que eu respeito,mas essa heterodoxia do Fed não é suicida e até o momento tem sido bem sucedida,pois acalmou o mercado financeiro,segurou a inflação,a recessão não virou depressão e os únicos perdedores foram os mutuários inadimplentes que em alguns casos viraram sem-tetos,enfim como em toda decisão governamental tem ganhadores e perdedores e repetindo assim que o mercado imobiliário reaquecer o Fed se livrará desse estoque indigesto de hipotecas subprime adquirido para não causar um craque de bancos insolventes igual em 1929.
  • Ricardo  15/10/2017 13:51
    Errado. O Fed premiou o comportamento imprudente dos bancos ao mesmo tempo em que puniu os poupadores, os quais estão há 10 anos sem receber nada sobre suas poupanças. O Fed premiou os temerários e puniu os frugais e prudentes.

    Ao mesmo tempo, ele destruiu o mercado de crédito. Hoje, por causa dos juros artificialmente baixos, apenas grandes empresas conseguem empréstimos. Micro e pequenos empresários nada conseguem, pois, para os bancos, não compensa correr tamanho risco (emprestar para mico e pequenos) em troca de juros artificialmente ínfimos.

    https://www.cato.org/publications/commentary/fed-again

    https://www.financialsense.com/financial-sense-newshour/steve-hanke/fed-policies-making-credit-crunch-worse

    https://www.cato.org/publications/commentary/its-money-supply-stupid

    thelendingmag.com/banks-not-lending-to-small-business/

    https://www.fundivo.com/small-business/business-finance/why-are-banks-no-longer-lending-to-small-businesses

    "Banks are making less on small business loans Interest rates have stayed at record lows for over a decade now. This is great for borrowers because they pay less to get a loan. But, for banks that means they make less on each loan. This makes them reluctant to issue small loans especially to newly established small businesses."

    https://www.lendgenius.com/blog/why-small-businesses-dont-get-loans-from-big-banks/

    "In fact, the Small Business Association (SBA) estimates that 80 percent of small business loan applications are rejected."

    Para se aprofundar melhor, pesquise no google:"why banks don't lend to small businesses"

    Ou seja, além de ferrar os pequenos poupadores, o Fed também ferrou os pequenos empreendedores.

    Quanto a 1929, o problema foi completamente diferente. Ali, o governo aumentou impostos, aumentou gastos, e implantou políticas de controle de preços, de controle de salários, e de aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história). Para piorar: ele estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.
  • Complementando  15/10/2017 13:54
    E é fácil entender por que juros excessivamente baixos restringem o crédito para os pequenos. Quando um Banco Central estipula a taxa básica de juros de economia, ele está, na prática, decretando um controle de preços.

    Banco Central estipular juros nada mais é do que uma agência governamental controlando o preço do crédito.

    Como ensina a teoria econômica, se o preço de algo for decretado a um valor acima do de mercado, haverá muita oferta e pouca demanda. Inversamente, se o preço de algo for estipulado a um valor abaixo do de mercado, haverá um excesso de demanda, mas pouca oferta.

    Se a prefeitura da sua cidade estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100 por mês, o que acontecerá com a demanda por imóveis? Garanto que vai explodir. Mas o que acontecerá com a oferta? Garanto que vai encolher.

    E se a prefeitura fizer o contrário, e estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100.000 por mês? Garanto que a oferta vai explodir, mas a demanda vai desaparecer.

    Com o preço do crédito ocorre a mesmíssima coisa.

    O que acontece se o preço do crédito for decretado em um valor acima do de mercado? A oferta será ampla, mas haverá pouca demanda por empréstimos. E se o preço do crédito for decretado em um valor abaixo do de mercado? A demanda por empréstimos será alta, mas a oferta será escassa.

    A correlação entre crédito farto e taxa de juros não é tão direta quanto muitos acreditam.

    É perfeitamente possível haver farra creditícia em um cenário de juros crescentes (toda a bolha imobiliária americana ocorreu em um cenário de juros crescentes, com a Selic deles indo de 1% para 5,25%; quanto mais os juros subiam, mais o crédito se expandia), bem como é perfeitamente viável não haver nenhuma expansão do crédito em um cenário de juros nulos (como o atual cenário europeu e cenário americano, em que a expansão do crédito está ocorrendo a taxas mínimas históricas; daí a total ausência de inflação de preços).

    Portanto, eis algumas conclusões:

    1) Se as taxa de juros sobem, mas os empréstimos se expandem, então está claro que o preço do crédito ainda não encareceu o bastante para desestimular a demanda, mas já está alto o bastante para estimular sua oferta.

    2) Se as taxa de juros sobem, e os empréstimos se contraem, então está claro que o preço do crédito já encareceu o bastante desestimular a demanda (nada se sabe sobre a oferta).

    3) Se as taxas de juros caem, e os empréstimos se expandem, então está claro que o preço do crédito ainda está alto o bastante para estimular a oferta, mas já está baixo o bastante para também estimular a demanda.

    4) Se as taxas de juros caem, mas os empréstimos não se expandem, então está claro que o preço do crédito já está baixo o bastante para desestimular sua oferta (nada se sabe sobre a demanda).


    Só por aí já dá para você entender por que é absolutamente impossível colocar uma agência governamental para decretar o preço do crédito e imaginar que ela irá acertar exatamente qual é o valor que equilibrará todas essas variáveis e levará a economia a um perfeito ponto de equilíbrio.

    Juros excessivamente baixos significam que é extremamente arriscado (e nada rentável) fazer empréstimos de riscos (para os pequenos). Logo, os grandes e poderosos conseguirão algo.


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