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Um breve comentário sobre Thomas Piketty

É realmente impressionante como acadêmicos marxistas conseguem sempre — sempre! — enganar a mídia e os incautos: eles são vistos como possuidores de um alto padrão moral ao mesmo tempo em que defendem a ideologia responsável que prega a chacina e a obliteração da civilização humana, e que foi responsável direta pela morte de centenas de milhões de pessoas ao longo do último século.

O mais recente "herói" entre os acadêmicos marxistas é Thomas Piketty, um economista marxista francês que escreveu aquele que ele próprio considera ser uma versão atualizada de Das Kapital, de Karl Marx.  Seu livro, O Capital no Século XXI, recebeu elogios rasgados de ideólogos esquerdistas de todos os cantos do mundo, especialmente de seu fã mais delirante, Paul Krugman.

O roteiro é sempre, e inacreditavelmente, o mesmo: a "desigualdade" de renda é horrível, e por isso o estado deve confiscar mais dinheiro da classe produtiva para redistribuí-lo à classe parasítica — ao mesmo tempo em que, obviamente, deve pagar polpudas comissões a consultores econômicos como Piketty, que fazem o trabalho de "justificar" a necessidade de todo esse esbulho.

As ideias de Piketty podem ser resumidas no seguinte silogismo:

1) O socialismo sempre se revelou um colossal desastre em todos os locais do globo em que foi implantado;

2) praticamente todas as pessoas do mundo sabem disso;

3) por isso, precisamos de ainda mais socialismo, pois o socialismo que foi tentado não foi o correto.

Piketty diz que o "problema" do capitalismo é que o capital investido gera retornos mais altos do que os ganhos do trabalho.  Se esse é o problema, eis então uma solução libertária para esse "problema": corte radical de impostos, desestatização, abolição de tarifas protecionistas e desregulamentação de todos os setores da economia.  Essas quatro medidas imediatamente criariam mais liberdade econômica, mais liberdade de entrada, mais concorrência e, por conseguinte, menores lucros e uma menor taxa de retorno sobre o capital investido. 

Haveria mais liberdade para que trabalhadores comuns se tornassem empreendedores e capitalistas, gerando uma necessária concorrência para os setores já estabelecidos.

Se o mundo for inundado por mais empreendedores capitalistas, a taxa de retorno do capital — que é o grande pecado do capitalismo, segundo Piketty — seria instantaneamente diminuída.

Quando isso ocorrer, pode contar com o futuro surgimento de um novo Thomas Piketty, que agora escreverá um livro de mil páginas sobre como os malefícios do capitalismo levaram a uma diminuição da taxa de retorno dos empreendedores, que agora estão com dificuldades para ter lucro.  E como o governo deve intervir para aumentar a taxa de retorno dos empreendedores.

 

Nota do IMB: o governo francês recuou e aboliu a recém-implementada alíquota de 75% do imposto de renda após as receitas adicionais — contrariamente ao que foi previsto por Piketty — terem se revelado ínfimas.  Não prenda a respiração na expectativa de que isso abalará a credibilidade de Piketty.




  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  04/01/2015 13:59
    O capitalismo deve ser liberado em todo o mundo já!
  • Fabio Milan  06/01/2015 01:17
    Nao entendi nada.

    O q ha de errado com esses parágrafos abaixo?

    "Piketty diz que o "problema" do capitalismo é que o capital investido gera retornos mais altos do que os ganhos do trabalho. Eis a solução para esse "problema": corte radical de impostos, desestatização, abolição de tarifas protecionistas e desregulamentação de todos os setores da economia. Essas quatro medidas imediatamente criariam mais liberdade econômica, mais liberdade de entrada, mais concorrência e, por conseguinte, menores lucros e uma menor taxa de retorno sobre o capital investido.

    Haveria mais liberdade para que trabalhadores comuns se tornassem empreendedores e capitalistas, gerando uma necessária concorrência para os setores já estabelecidos.

    Se o mundo for inundado por mais empreendedores capitalistas, a taxa de retorno do capital — que é o grande pecado do capitalismo, segundo Piketty — seria instantaneamente diminuída."

    Se vc eh alguem q acredita no trabalho, no livre mercado e na concorrência -- o q eh o meu caso -- não vera nada de errado.

    Mas esse conceito ainda eh problematico e não resolvera o problema. O q ocorreu nos últimos ciclos de crescimento e recessão foi q, diferentemente dos ciclos anteriores, a fase de crescimento econômico requer cada vez menos empregos. Portanto, o período de alto desemprego das economias centrais esta se alongando mais e mais.

    Eu vivo nos EUA a mais de 10 anos, sou engenheiro qualificado, nunca realmente senti os efeitos da grande recessão (como eh chamada aqui). Portanto não estou me referindo aos debates recentes da política brasileira, de fato, sei muito pouco deles; estou aqui falando da realidade econômica americana.

    Apesar da economia ter crescido de maneira moderadamente forte nos últimos anos, a taxa de desemprego continua persistentemente alta, acima dos 5%. So agora, apos varios anos com taxas de juros nulas e crescimento economic razoavelmente forte começamos a ver uma normalizacao das taxas de desemprego. Mesmo assim, a percentagem da população economicamente ativa da população adulta nunca foi tao baixa.

    Existe um novo fator q explica essa nova realidade de "jobless recovery" nos ciclos de crescimento e recessão. Esse novo fator eh a technologia da automacao. Esse fator eh forte hoje, mas nada comparado ao q sera capaz de fazer num futuro não muito distante. Imagine a quantidade de empregos q serão destruídos quando existirem caros auto-conduzidos? Quando houver tradução sofisticada de todos os idiomas, quando as tecnologias de produção de energia forem tao eficientes q vc podera produzir sua própria energia e se desconectar da rede eletrônica? Imagine o q ocorrera com os empregos dos setores de transporte quando for possível existirem fabricas comunitarias q produzirao qq coisa usando tecnologias de impressoras 3D? E quando existirem inteligências artificiais capazes de programar 10X mais rapido q o mais competente programador humano? -- E nesse momento eu, q sou um engenheiro de software bem competente, ganhando um bom salário de classe media, perderei meu emprego.

    Vc sabe o q acontecera? Eu nao sei de todas as ramificacoes, mas posso adiantar q a poderoza classe media americana corerra um grande risco de colapso. Sem classe media, teremos apenas os pobres incapazes de planejar o futuro e os ultra ricos, q usufluirao dos beneficios do capital investido. Existira uma pequena classe media, q talvez me inclua, d pessoas tecnicamente capazes cuja inteligência eh alta o suficiente para serem uteis.

    Essa seria uma situação completamente insustentável. Esses individuos seriam os novo pobres, q incluiriam muitas pessoas educadas e capazes e q gostariam de trabalhar, mas simplesmente não poderiam, pois os meios de produção simplesmente não precisam mais delas. Eles seriam parasitas? Duvido. Eu facilmente trabalho 70hrs por semana, sou muito competente no q faco. Mesmo eu não me considero seguro, acredito q o processo de automação (q contribuo com meu trabalho para construir) destruira minha posição eventualmente.

    Por outro lado, sou totalmente contrario a ideia proposta por muitos de congelarmos o progresso tecnologico. Isso, alem de impraticável, eh totalmente imbecil. Devemos progredir na direção q estamos, mesmo q isso destrua 95% dos empregos em 50 anos.

    Entao qual eh a solução? Na minha opiniao não eh somente desregulamentacao, incentivo ao empreendedorismo, invocao, educação, etc, mas tb sera o enforco de todos nos no sentido de proteger a classe media. Warren Buffet ja propos um imposto sob grandes fortunas -- no caso dele sob fortunas bilionárias -- mas isso não sera suficiente.

    Por enquanto não ha clima politico para isso, mas quando o processo de declinio da classe media se tornar evidente a ideia de uma imposto de renda negativo se tornara inevitável -- especialmente quando se considera q 70% da economia americana eh diretamente dependente de uma classe media saudável empreendedora, educada e inovadora,

    Nao havera outro jeito.
  • Guilherme  06/01/2015 11:50
  • Fabio Milan  07/01/2015 02:13
    Me acostumar a isso?

    Eu pulei de cabeca no meio disso. Deixei o mercado brasileiro e fui trabalhar no mercado mais concorrido do mundo. Na empresa onde trabalho, um engenheiro com quem trabalho eh sueco, outro inglês, meu chefe eh indiano, outro eh chines. E so eu sou brasileiro, no departamento d engenharia. Existem muitos outros brasileiros, mas geralmente estão na administração ou ocupam cargos d pouca qualificação --- isso tudo somente confirma uma impressão meio preconceituosa minha, d q brasileiro não eh muito chegado a engenharia e as ciências exatas, q eh muito místico e fascinado pela ideia da segurança do posto publico.

    Alias, foi justamente minha desilusão com o mercado de trabalho brasileiro, tao avesso a inovação, e tao interessado nas facilidades do emprego publico, q me empurraram para o exterior.

    Mas so agora, q vivo fora, pago muito menos imposto e recebo muito mais serviços pelo imposto pago, so agora q percebo a extensão da inépcia do estado brasileiro.

    Agora eu me acostumei a poder estacionar meus carros na frente de minha casa sem me preocupar se serão roubados, não tenho mais a preocupação constante do assalto na minha cabeça, ando pela cidade e mesmo nas areas mais problems as pessoas vivem com uma dignidade q seria considerada de classe media no Brasil.

    E pq isso eh possível? Pq 90% dos americanos são classe media, pq existe uma cultua de empreendedorismo, pq ha garantias individuais, pq todos prosperam sem com isso levar outros a miséria, pq o jogo economico jogado nos EUA não tem a lógica do zero-sum-gain.

    E como isso eh possível? Pq ha uma classe media. E sempre votarei pela proteção da classe media. E a meu ver, muito em breve, a classe media tera uma queda forte, q alias ja vem se manifestando desde os anos 80. Enquanto os ganhos d renda da classe media foram poucos, os ganhos dos ricos foram enormes. E com isso, a desigualdade so aumentou e a classe media contraiu.

    Eu ja me acostumei demais a viver numa sociedade sem desigualdades brasileiras para aceitar o risco de acabar num EUA "brasilificado", onde novamente tenha q por grades nas minhas janelas e construir cercas no meu quintal para me proteger dos miseráveis.

    Nao da mesmo.
  • Pobre Paulista  06/01/2015 12:59
    Não entendo essa tara pelo desemprego.

    Cada um é responsável por achar sua posição no mundo. Não é obrigação do estado pegar na mão de cada um e dizer o que fazer. Muito menos roubando dinheiro dos outros para fazer isso.

    Agora, acha ruim isso? Ótimo, abra uma ONG, colete dinheiro daqueles que se preocupam com isso e use esse dinheiro para "qualificar" essas pessoas que não "acham" emprego. Isso sim que é liberdade, empreendedorismo e livre iniciativa. Se realmente existe tantas pessoas no mundo preocupadas com o "desemprego", você não terá dificuldades em levantar dinheiro para isso.

    Mas por favor, não coloque o estado sequestrando bens de pessoas honestas e produtivas para conseguir isso, não é correto nem justo.
  • breno  07/01/2015 02:55
    Pobre Paulista.


    Realmente!

    Claramente algumas pessoas, preferem ver o próximo continuar a levantar paredes, cortar cana, lavar carros, carregar caixas, etc.

    Do que ver amanhã esses mesmos indivíduos concorrendo com ela na engenharia de software, biotecnologia, no marketing, logística. Imagina o quanto seria degradante?

    Considerações:


    Mesmo eu não me considero seguro, acredito q o processo de automação (q contribuo com meu trabalho para construir) destruirá minha posição eventualmente.

    Rapaz, quando um computador conseguir escrever um programa de outro computador, não existira mais pobreza ou mazela no mundo.

    Afinal basta eu comprar um robô, que ira fazer outro robô que atenda determinada necessidade futura. E assim consecutivamente.

    Observação: Ele é um robô com domínio da lógica e da razão, com certeza já vira de fabrica com soluções para suprimentos e reciclagem de materiais.


    especialmente quando se considera q 70% da economia americana eh diretamente dependente de uma classe media saudável empreendedora, educada e inovadora,

    Corrigindo, qualquer economia.


    imposto de renda negativo

    Que raios seria isso?

    Abolindo o imposto, para min já esta bom!

    mas tb será o esforço de todos nos no sentido de proteger a classe media. Warren Buffet já propôs um imposto sob grandes fortunas -- no caso dele sob fortunas bilionárias -- mas isso não será suficiente.

    Certo fortunas bilionárias, ficam presas paradas na Bolsa Colchão Mijado.

    Ela não fica por ai circulando de mão e mão da classe media, auferindo os juros sobre o lucro do produzido. Juros estes que seriam menores, caso o proposto pelo autor do artigo fosse implementado.


  • MSR  08/01/2015 04:03
    Fábio, esse mesmo discurso de desemprego já houve no passado. Acredito que a uns 10 mil anos atrás quando um homem inventou a agricultura e a pecuária, onde poucas pessoas passaram a produzir muito mais alimentos do que os caçadores da época.
    Com certeza esses caçadores devem ter reclamado da nova "tecnologia" que estava tirando os "emprego" deles.

    E quando inventaram a roda, deve ter sido uma choradeira de desempregados também.
  • Edson Jr  04/01/2015 14:10
    Desculpe-me a ignorância, mas o termo Capitalismo não foi cunhado e sistematizado por Karl Marx? Dessa forma, não seria mais coerente seguirmos a definição marxista sobre o que vem a ser Capitalismo? Por qual razão utilizar uma palavra cujo conceito original não tem nada a ver com os ideais liberais?
  • Guilherme  04/01/2015 15:32
  • Francisco Seixas  04/01/2015 21:36
    Prezado Edson Jr.

    O próprio Ludwig von Mises responde sua questão no livro "As Seis Lições":

    O "capitalismo" foi assim batizado não por um simpatizante do sistema, mas por alguém que o tinha na conta do pior de todos os sistemas históricos, da mais grave calamidade que jamais se abatera sobre a humanidade. Esse homem foi Karl Marx. Não há razão, contudo, para rejeitar a designação proposta por Marx, uma vez que ela indica claramente a origem dos grandes progressos sociais ocasionados pelo capitalismo. Esses progressos são fruto da acumulação do capital; baseiam-se no fato de que as pessoas, por via de regra, não consomem tudo o que produzem e no fato de que elas poupam – e investem – parte desse montante.
  • Edson Jr  05/01/2015 15:08
    Obrigado pelas respostas, Guilherme e Francisco.
  • Gonçalo Graça Moura  04/01/2015 14:11
    tirando a conclusão do parágrafo, este parece ser o sonho de qualquer liberal: "iketty diz que o "problema" do capitalismo é que o capital investido gera retornos mais altos do que os ganhos do trabalho. Eis a solução para esse "problema": corte radical de impostos, desestatização, abolição de tarifas protecionistas e desregulamentação de todos os setores da economia. Essas quatro medidas imediatamente criariam mais liberdade econômica, mais liberdade de entrada, mais concorrência e, por conseguinte, menores lucros e uma menor taxa de retorno sobre o capital investido."
  • Mohamed Attcka Todomundo  04/01/2015 14:21
    o povão entende tanto de economia quanto eu de astrofísica; mas economiastas comp piquety sabem exatamente oq estao fazendo
  • Gustavo Nunes  04/01/2015 14:24
    É eminentemente deplorável que pessoas como Piketty ainda existam.
  • Alberto close  04/01/2015 15:14
    Uma pergunta, na realidade.
    Não será que o capital acaba sendo melhor remunerado por que são tão poucas as Economias que conseguem realmente gerá-lo?
    Penso no caso do Brasil: será que nosso nível de poupança não é insuficiente justamente por que o Estado sequestra tanto de nossa renda e que ainda estamos longe de ser uma Economia Capitalista?
  • Elivaldo Bandeira   04/01/2015 19:16
    Na verdade, o pensamento Piketty preconiza o fato de que os rendimentos do capital, quando maiores que a taxa de crescimento da economia, levam a uma maior concentração de riqueza no longo prazo. Esse mecanismo é agravado pela redução da taxa de natalidade de um país, o que aumenta o peso da herança na riqueza em detrimento do trabalho duro de uma vida inteira, e pelo alto nível da taxa de poupança. Concordo que a diminuição da regulamentação estatal traria mais competitividade aos mercados e, certamente, reduziria a taxa de lucro das empresas. Entrementes, em alguns nichos de mercado, há "barreiras naturais" à entrada de novos concorrentes, tais como os setores automobilístico, bancário, petrolífero etc. Além disso, pesam as fusões e aquisições das empresas pequenas pelas maiores, em franca contradição com as condições de concorrência perfeita. Assim, provavelmente, em mercados específicos, o monopólio de regulamentação seria transferido do Estado para as grandes empresas que ditariam inevitavelmente os rumos do mercado.
  • Manoel Bandeira  04/01/2015 19:47
    Barreiras naturais?! Isso nunca existiu na prática:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1309

    O único ente que cria barreiras à entrada no mercado é o estado, seja por meio de regulamentações, de impostos (que prejudicam os pequenos e, consequentemente, ajudam os grandes), e de burocracia.

    A prática já demonstrou (vide link acima) que, quando o estado não cria barreiras, há concorrência até na distribuição de água encanada.
  • Elivaldo Bandeira  04/01/2015 20:50
    Prezado Manoel Bandeira, disse que é mais difícil ingressar em determinados mercados do que em outros, e não de que haveria barreiras eternas em todos os mercados. Provavelmente, nem todo mundo tem recursos suficientes para montar um banco ou indústria automobilística de uma hora para outra. E, apesar de toda a regulamentação estatal, é evidente a formação de oligopólios em determinados segmentos do mercado que exigem grandes quantidades iniciais de capital físico e financeiro dos novos concorrentes. Obrigado pela indicação de leitura.
  • Guilherme  05/01/2015 04:14
    Ué, então cite exemplos de oligopólios formados sem intervenção do governo.

    Aliás, olhe para o seu próprio país. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios que você conhece estão em setores altamente regulados pelo governo, como o setor bancário, o setor aéreo, o setor de transportes terrestres, o setor de transportes aquaviários, o setor de telecomunicações, o setor elétrico, o setor energético (petróleo, postos de gasolina), o setor minerador, o setor farmacêutico etc.

    Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam, seja por meio da burocracia que desestimula todo o processo de formalização de empresas, seja por meio da imposição de altas tarifas de importação que encarecem artificialmente a aquisição de produtos importados (pense nas fabricantes de automóveis).
  • Antonio Henrique  05/01/2015 01:14
    Sr. Elivaldo,

    responda: és comunista?

    A herança, que o Sr. diz concorrer em condição de desigualdade com o trabalho de uma vida inteira, também é o resultado do trabalho de vidas inteiras.
    Por qual motivo o Sr. acha que a herança é um fator injusto de aumento de desigualdade?
    Por acaso acha que a herança deveria ser entregue ao Estado?

    O patrimônio é um direito secundário, podemos chamá-lo de direito derivado. Descende do direito à personalidade.
    Qualquer ofensa ao direito ao patrimônio e à herança é uma ofensa ao direito à personalidade.

    Só quem ofende o direito à personalidade são os comunistas e outros ditadores.

    Quem o sr. é?
  • Elivaldo Bandeira  05/01/2015 21:14
    Caro Antonio Henrique, desde quando o rentismo é sinônimo de "trabalho duro durante uma vida inteira"? Talvez eu esteja cego ou louco, mas acho que não defendi o confisco de todas as heranças, das menores às maiores, pelo Estado. Somente citei aquilo que li em "O capital no século XXI", o que não significa que eu concorde com tudo que nele esteja escrito.Não sei dizer se é justo ou não tributar as grandes fortunas, mas de acordo com Piketty o peso da herança impacta negativamente justamente naquilo que os colunistas e leitores deste site (inclusive eu)tanto prezam: a livre concorrência. Ou você acredita que o pobre saído da favela, geralmente analfabeto funcional, pode concorrer com o herdeiro rico, mesmo durante uma vida inteira?
    Ah, não, não sou comunista. O que te faz achar que um comunista teria estômago para ler os artigos deste site?
    Quem eu sou? Tudo, menos radical. Procuro entender antes de criticar prematuramente.
  • Ricardo  05/01/2015 22:17
    "Caro Antonio Henrique, desde quando o rentismo é sinônimo de "trabalho duro durante uma vida inteira"?"

    Você, pelo visto, nem sabe a definição correta de rentismo. Rentismo é viver de juros pagos pelo governo sobre seus títulos públicos. Já um sujeito que vive de uma herança que foi acumulado pelos pais à custa de muito suor e trabalho duro não vive de rentismo nenhum, pois ele não vive à custa de ninguém. Ninguém está sendo espoliado para pagar essa herança. Já o mesmo não ocorre com os juros que o governo paga sobre os títulos do Tesouro.

    Ao fazer essa confusão básica, você mostrou que nem sequer sabe distinguir trabalho de parasitismo.

    "Não sei dizer se é justo ou não tributar as grandes fortunas,"

    Meu avô trabalhou como pequeno comerciante a vida inteira, mas, graças a bons investimentos (feito com um excelente "timing"), conseguiu legar às suas filhas alguns imóveis. No entanto, vem um escroque e diz "não saber" se seria justo tomar esses imóveis (no caso, o valor de suas vendas) e dar o dinheiro para Sarney.

    Como sequer respeitar alguém assim?

    "mas de acordo com Piketty o peso da herança impacta negativamente justamente naquilo que os colunistas e leitores deste site (inclusive eu)tanto prezam: a livre concorrência."

    Como, por favor me diga, a situação que eu narrei acima impacta na livre concorrência? E como é que o confisco do meu dinheiro e sua subsequente entrega a Sarney melhora a livre concorrência?

    "Ou você acredita que o pobre saído da favela, geralmente analfabeto funcional, pode concorrer com o herdeiro rico, mesmo durante uma vida inteira?"

    O materialismo da esquerda é realmente asqueroso. Para vocês, é tudo 8 ou 80. Ou sujeito é um maldito milionário que não precisa de trabalhar ou ele é um miserável. Qualquer padrão de vida entre esses extremos não existe.

    Se um "pobre saído da favela, geralmente analfabeto funcional" não tem condições de alcançar o padrão de vida de um herdeiro de Antonio Ermírio de Moraes, então o governo tem de tomar providencia e tomar todo o dinheiro de Moraes, pois é inaceitável que um favelado não consiga ter helicópteros, jatinhos, mansões e banheiras de hidromassagem.

    Que coisa nojenta esse materialismo da esquerda.

    Ah, sim: eu também não tenho a mais mínima condição de ser tão rico quanto os herdeiros de Moraes. E, curiosamente, ninguém nunca derramou nenhuma lágrima por mim.

    "Procuro entender antes de criticar prematuramente"

    Acho que você tem de se esforçar mais.
  • Elivaldo Bandeira  05/01/2015 22:57
    Ricardo, você talvez não sabe o significado POR EXTENSÃO de rentista (rentier), que é aquele que vive de renda exclusiva da posse de capital. Os exemplos extremos que citei não têm a finalidade de reduzir os vários estratos da sociedade a dois tipos, mas de apresentar um exemplo empírico. Em oposição a você, sabe o que me enoja? Um monte de pseudointelectuais (de esquerda ou de direita) concordando em absolutamente tudo sobre o mesmo assunto e sem analisar outros pontos de vista. E quando alguém os questiona ou mostra opinião diferente é tratado como pária. E sim, vou me esforçar mais.
  • Ricardo  05/01/2015 23:18
    O cidadão vem aqui dizer que é certo tomar o dinheiro de quem trabalhou uma vida inteira e o legou para seus filhos, e que é ainda mais correto dar esse dinheiro para políticos. Aí quando ele é devidamente esculachado como o imoral que é, ele sai posando de vítima, com sua santidade ofendida, e diz que quem o esculachou é um desalmado que não aceita uma "opinião diferente".

    Por essa lógica, se alguém defender que você seja vítima de violência (assaltado na rua ou que sua casa seja tomada pelo governo), tal pessoa estará apenas defendendo uma "opinião diferente"; e se você reagir a ela de alguma outra maneira que não seja com beijinhos e abraços, você a estará tratando injustamente como uma pária.

    Certo?

    Não quer ser ofendido? Não ofenda. Não venha aqui dizer que acha que a propriedade dos outros deve ser confiscada e redistribuída de acordo com caprichos políticos. Não quer brincar, não puxe o cabelo.
  • Elivaldo Bandeira   06/01/2015 13:23
    Ricardo, mostre-me onde defendi inescrupulosamente a expropriação da propriedade de quem trabalhou a vida inteira. Sinceramente, não sabia que citar Piketty implica em defender o confisco dos bens de alguém. Se fosse generalizar a questão, tal como você, e trazê-la para o lado pessoal, seria infinitas vezes contra perder a propriedade de minha casa. Agora, conforme escrevi, e você não compreendeu bem, na verdade nem tentou, o assunto deve ser discutido. E considerando que o Estado provavelmente não será eliminado de nossas vidas e que todos os cidadãos do Brasil estão sob a mesma égide e devem pagar impostos, nada mais correto que o peso das maiores contribuições recaia sobre os mais ricos, sobretudo os rentistas. Não me preocupo com a tua indignação moral, pois quem vai decidir pela imoralidade ou não do assunto não será você nem eu. É bom que não confunda indignação com ofensa. Rebata minhas ideias ferrenhamente, mas tome cuidado para não exceder na descortesia. Aliás, sempre tive em mente que os excessos eram exclusividade da esquerda. Enganei-me por completo.
  • Ricardo  06/01/2015 20:16
    "Ricardo, mostre-me onde defendi inescrupulosamente a expropriação da propriedade de quem trabalhou a vida inteira".

    Aqui: "Não sei dizer se é justo ou não tributar as grandes fortunas, mas de acordo com Piketty o peso da herança impacta negativamente justamente naquilo que os colunistas e leitores deste site (inclusive eu)tanto prezam: a livre concorrência. Ou você acredita que o pobre saído da favela, geralmente analfabeto funcional, pode concorrer com o herdeiro rico, mesmo durante uma vida inteira?"

    Se você quer dizer que o trecho acima não contém uma defesa da expropriação da propriedade acumulada durante uma vida de trabalho, então você não deveria ser tão ambígua. Apenas diga de maneira indubitável que você é contra toda e qualquer forma de tributação da herança. Faça isso e eu venho aqui retirar o que eu disse.

    "o assunto deve ser discutido."

    Nova defesa explícita da espoliação. Depois reclama quando é chamado na chincha.

    "E considerando que o Estado provavelmente não será eliminado de nossas vidas e que todos os cidadãos do Brasil estão sob a mesma égide e devem pagar impostos, nada mais correto que o peso das maiores contribuições recaia sobre os mais ricos, sobretudo os rentistas."

    Então se dê por satisfeito. Qual a alíquota do IR para um rico? 27,5%. Para um pobre? Zero.
  • Elivaldo Bandeira  06/01/2015 21:24
    Concordo que a frase é ambígua se você interpretar minhas palavras como convicções inabaláveis, o que não é o caso. Entretanto, expus fatos e evidências que você interpretou como ferrenha defesa da espoliação dos mais ricos.
    De forma alguma vou afirmar que sou "...contra toda e qualquer forma de tributação da herança.", pois há casos e casos. Concordo contigo, integralmente, no repúdio à expropriação do patrimônio derivado do trabalho de uma vida inteira, especialmente quando se começa do zero. Entretanto, no tocante aos rentistas (não somente quem vive exclusivamente de juros da dívida pública, mas quem depende integralmente de alguma forma de renda advinda do capital sem trabalhar), não tenho tanta convicção, mesmo sendo contra, obviamente, à tributação total.
    Diga-me, você acha justo quem ganha POUCO acima de R$ 4.463,81 pagar o mesmo, em termos relativos, que o milionário ou bilionário? Não seria melhor uma progressividade maior nos impostos? E onde você leu ou ouviu falar que os pobres pagam "zero" de impostos? Só se forem os diretos, porque os indiretos consomem parcela substancial da renda de quem ganha menos.


  • saoPaulo  06/01/2015 22:05
    Se alguém que ganha 10.000 por mês paga 2.500 de imposto de renda, alguém que ganha 1.000.000 paga 250.000, considerando a mesma taxa. Nos dois casos, ambos são obrigados trabalhar 3 meses para o governo manter sua "ajuda social". Explique-nos, por que seria justo o rico ser obrigado a trabalhar mais para o governo? Qual seu critério ao definir por quanto tempo o rico será escravo dos demais?
  • Elivaldo Bandeira  06/01/2015 22:55
    Explique-nos, por que seria justo o rico ser obrigado a trabalhar mais para o governo?

    Porque ele é beneficiado direta e indiretamente pelos bens e serviços ofertados pelo Estado (nem questiono a qualidade, senão seria digressão)e, como mais idôneo contribuinte que os mais pobres, deve receber o maior peso dos impostos. Ademais, os 25% tirados pelo leão fazem mais falta a quem ganha R$ 4.000,00 do que ao milionário. Se bem que a sensação de perda seja idêntica em ambos os casos.

    Qual seu critério ao definir por quanto tempo o rico será escravo dos demais?

    Quem sou eu para definir critérios, apenas opino. Considerando-se o fato de que jamais haverá igualdade no mundo, talvez os ricos tenham de contribuir mais até o fim dos tempos, a não ser que o Estado seja extirpado de nossa sociedade.
  • Magno  06/01/2015 21:47
    "Diga-me, você acha justo quem ganha POUCO acima de R$ 4.463,81 pagar o mesmo, em termos relativos, que o milionário ou bilionário? Não seria melhor uma progressividade maior nos impostos?"

    Tá vendo só?

    Por que é que, em vez de querer mais confisco sobre os ricos, você não pede menos confiscos sobre os pobres?

    Você tem duas opções para corrigir essa situação: zeros os impostos sobre os mais pobres, ou aumentar os impostos sobre os mais ricos.

    Você escolheu a segunda, e ainda acha ruim quando é criticado como espoliador.

    Por que é que em vez de pedir ainda mais aumento dos impostos você não pede uma redução dos impostos?

    Por que, afinal, você está tão interessado em dar ainda mais dinheiro para o governo, o qual será usado para remunerar esses rentistas que você tanto despreza?

    Seu raciocínio simplesmente não fecha, e todas essas críticas que você está atraindo sobre si próprio são merecidas.


    E onde você leu ou ouviu falar que os pobres pagam "zero" de impostos? Só se forem os diretos, porque os indiretos consomem parcela substancial da renda de quem ganha menos.
  • Elivaldo Bandeira  06/01/2015 22:34
    Por que é que em vez de pedir ainda mais aumento dos impostos você não pede uma redução dos impostos?

    R: A redução de impostos é um axioma e seria a eliminação do mal pela raiz. Entrementes, essa seria a saída mais difícil e quase impossível em virtude do Estado perdulário. Esclareço que isso não deve ser incentivo ao comodismo e resignação.

    Por que, afinal, você está tão interessado em dar ainda mais dinheiro para o governo, o qual será usado para remunerar esses rentistas que você tanto despreza?

    R: De maneira alguma estou interessado em "dar ainda mais dinheiro para o governo" (como se esse fosse o objetivo dos impostos), e sim nos benefícios da boa aplicação desses recursos, adquiridos de forma mais equânime, na saúde, educação, infraestrutura etc., o que beneficiaria a todos. A palavra "rentista", como já expliquei acima, está no sentido por extensão e abrange, dessa forma, tanto os parasitas do Estado quanto os do capital. E para eliminar os primeiros, o que é bem difícil, basta que o governo gere sucessivos superávits por décadas.

    Em suma, os remédios ortodoxos contra as distorções geradas pelo Estado são de conhecimento de todos nós. Nesse ínterim, tais medidas encontram barreiras na politicagem.
  • Victoria  05/01/2015 01:23
    Oi Elivaldo. Bem, sobre os nichos que tem certas restrições naturais a entrada de concorrentes, é bom se lembrar que esses são poucos e, em geral, as restrições são causadas por regulação governamental. Um exemplo: os bancos, que não são um monopólio natural. A prova disso? O fato da agiotagem existir, e ser lucrativa. Obviamente, os métodos utilizados pelos agiotas - intimidação física, violência - são inaceitáveis, mas é bem provável que com menos regulamentação sobre a atividade bancária, haveria a proliferação de pequenas casas de empréstimo de alto risco, que, por atuarem legalmente, não se utilizariam de tais métodos violentos na cobrança dos empréstimos e que, depois de reunirem o capital necessário, passariam a tornar-se bancos regulares (prova disso é que o sistema financeiro moderno nasceu das bancas de pequenos emprestadores judeus e protestantes na Idade Média e no Antigo Regime). E baixa natalidade não aumenta o peso da herança - pelo contrário, o diminui, pois possibilita que pais, mesmo que pobres, possam, por ter poucos filhos, dar a eles uma educação de qualidade, que possibilita que construam seu próprio capital. Quanto à poupança, também é uma coisa excelente, pois mais poupança = mais investimento privado (a não ser em casos de dívida alta do governo, que suga a poupança nacional), que é igual a mais empregos e, consequentemente, mais satisfação do consumidor. O que causa a desigualdade atual são duas coisas, na verdade: A inflação e os impostos sobre o consumo que boa parte dos governos impõem aos seus cidadãos. Esses dois impostos (pois a inflação é um imposto) prejudicam desproporcionalmente os pobres, fazendo com que sua carga tributária efetiva seja bem maior que a dos ricos, que muitas vezes recebem desonerações fiscais e empréstimos a juros baixos no setor bancário (especialmente quando fazem parte dos setores favoritos do governo) e também possuem a possibilidade de esconder seu dinheiro da tributação em paraísos fiscais, coisa que não existe para o cidadão pobre. Ou seja, o ideal para diminuir a desigualdade seria desregular várias áreas da economia, e diminuir a inflação e os impostos sobre o consumo. O oposto, aliás, do que os governos gostam de fazer.
  • Elivaldo Bandeira  05/01/2015 20:41
    Prezada Victoria, quanto à baixa taxa de natalidade aumentar o peso das heranças e o fato de a poupança, combinada com baixo crescimento, intensificarem a concentração de riqueza (só para citar alguns dos vários argumentos que explicam tal fenômeno),sugiro-te que leia o livro de Piketty e tente entender os seus argumentos, mesmo que não concorde.
    Com relação somente à taxa de natalidade, teu pensamento é uma das faces da moeda. No entanto,basta você lembrar que em uma família com 10 filhos o peso da herança será menor que outra com apenas um filho.
    Já os impostos (tributos e inflação), realmente agravam as desigualdades, sobretudo porque a alíquota de imposto sobre a renda não é progressiva. Porém, tais fatores explicam apenas parcialmente esse problema, pois o maior obstáculo à ascensão social das classes mais pobres é a inexistência de igualdade de oportunidades na educação.
  • Eduardo R., Rio  04/01/2015 20:29
    A revista Época realizou uma entrevista com Thomas Piketty.
  • paulo  04/01/2015 23:37
    O "controle" do estado sobre a economia capitalista é apenas um mecanismo de sobre vida do sistema, tirando-o da condição de extremo predador, para a de predador, sem o qual o capitalismo não seria um sistema de crises, mas sim um sistema de aniquilação a curto prazo, certamente nos aspectos sociais e ambientais, pois para os capitalistas o que conta é sua vontade de lucrar e acumular, e a essa vontade deve-se submeter tudo mais, fazendo da existência um mero curso dos objetivos capitalistas. O marketing do livre mercado contrasta com a realidade do mercado, que minimamente controlado mostra seu rastro, e o estado é a única força (a medida do possível com esse modelo de "democracia") que os "fracos" "tem" para se protegerem do darwinismo social e do darwinismo natural forçado que o capitalismo e seu mercado impõe. Duas crenças ou ilusões passadas pelos capitalistas em plena urgência das crises sociais e sobre tudo ambiental, que o mercado resolvera os problemas da economia, e que as tecnologias resolveram os problemas do mercado.
  • Jalaska  05/01/2015 14:19
    "e o estado é a única força (a medida do possível com esse modelo de "democracia") que os "fracos" "tem" para se protegerem do darwinismo social e do darwinismo natural forçado que o capitalismo e seu mercado impõe."

    Esse aí acabou de sair de uma reunião do DA de sua faculdade.

    Não apenas não há uma única frase original em todo o seu amontoado de palavras (com perolas como "sobre vida" e "sobre tudo"), como há a mais pura ignorância sobre quem realmente causa o "darwinismo social".

    O sujeito diz que a mesma entidade que aumenta a pobreza (o estado) é, na verdade, a única força "que os "fracos" tem"[sic] para se protegerem[sic] do darwinismo social e do darwinismo natural".

    Iria recomendar vários artigos, mas como sei que seriam pérolas aos porcos, vou listar apenas e tão-somente um:

    O estado gera as desigualdades sociais que ele próprio alega ser o único capaz de resolver
  • Leonardo  05/01/2015 00:32
    O que eram as montadoras japonesas há 40 anos? O que eram as montadoras chinesas há 10 anos? Não fosse o governo, a GM teria quebrado.
  • Inácio  05/01/2015 04:21
    Exato. Ela deveria ter quebrado. Aí seus ativos seriam adquiridos por administradores mais competentes, os quais não mais estariam amarrados pelos enormes passivos sindicais que sufocam a empresa.

    (Tem gente que acha que, quando uma empresa quebra, seus ativos -- suas máquinas e bens de capital -- viram fumaça e desaparecem; não sabem que falência é uma mera questão contábil, e que resulta em uma simples mudança na propriedade dos ativos)

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=303

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=256
  • Robson Wesley  05/01/2015 00:54
    Mas o que Piketty preconiza não é o que o liberalismo pregam ou melhor, não é o que queremos?

    :

    " . . . corte radical de impostos, desestatização, abolição de tarifas protecionistas e desregulamentação de todos os setores da economia . . ."

  • Forever  06/01/2015 13:29
    Mais atenção a leitura, ''corte radical de impostos, desestatização, abolição de tarifas protecionistas e desregulamentação de todos os setores da economia'' são soluções que o artigo defende, e não o Piketty.

    Piketty está bem longe de defender isso.


  • Marcelo  05/01/2015 02:47
    Assim, provavelmente, em mercados específicos, o monopólio de regulamentação seria transferido do Estado para as grandes empresas que ditariam inevitavelmente os rumos do mercado.

    E o que te faz pensar que um monopólio estatal é melhor do que um monopólio privado?
  • Felipe R  05/01/2015 11:20
    Bom dia,

    Fiquei sabendo desse livro (O Capital no Século XXI) em julho do ano passado e consegui uma versão em inglês. Eu ainda não conhecia os trabalhos de Mises e cia. Confesso que o livro do Piketty foi desestimulante em suas proposições (alta carga tributária incidente sobre ricos), e, na verdade, tinha pouco ou nada de novo em termos de dados e informações (leio muito os relatórios publicados por bancos de investimentos a respeito das nações e a distribuição de riqueza de cada uma).

    Sei que a escola austríaca tem uma característica praxeológica, mas afirmo há dados para comprovar que a liberdade econômica (inclui-se aqui redução tributária) está positivamente relacionada ao bem-estar econômico de uma população.

    Por fim, Algo que devemos aprender com esquerdistas é fazer barulho quando alguma publicação é realizada (ou republicada). E temos a vantagem dos números e da realidade a nosso favor.

    Abraço.
  • Felipe R  05/01/2015 14:20
    Preciso revisar melhor meus textos... corrigindo último parágrafo:

    "Por fim, Algo que devemos aprender com esquerdistas é fazer barulho quando alguma publicação austríaca é realizada (mesmo sendo republicação). E temos a vantagem dos números e da realidade a nosso favor.
  • Gunnar  05/01/2015 12:00
    Esse parágrafo ficou confuso. Fica parecendo que a solução descrita é a proposta de Pikkety: "Piketty diz que o "problema" do capitalismo é que o capital investido gera retornos mais altos do que os ganhos do trabalho. Eis a solução para esse "problema":(...)"
  • Myrdal  05/01/2015 13:50
    Gunnar, é porque talvez você não conheça a teoria de Piketty.

    O cidadão diz que o grande mal do capitalismo atual é que o dinheiro que os ricos investem aumenta de tamanho a um ritmo muito mais acelerado do que o crescimento dos salários dos trabalhadores.

    Todo o livro dele se resume a essa afirmação (o que significa que o coitado é um ignorante matemático, pois ele aparentemente desconhece o básico sobre juros compostos).

    Já o autor deste artigo diz o seguinte: se o problema do capitalismo realmente é esse, então a solução não é tomar o dinheiro dos ricos, mas sim fazer com que os pobres também enriqueçam. E isso deve ser feito com desregulamentação, redução de impostos, e com a criação de um ambiente que facilite o empreendedorismo.

    Essas medidas iriam, numa só tacada, gerar mais concorrência para os ricos (o que diminuiria a taxa de retorno deles), e aumentar a renda dos mais pobres.

    Acho que não dá pra ser mais claro do que isso.
  • Gunnar  06/01/2015 20:33
    Acho que você é que não entendeu minha crítica. Conheço Pikkety e compreendi perfeitamente o texto, inclusive o trecho em questão. Estou apenas dizendo que, da forma que foi redigido, o parágrafo pode dar a entender que a solução que vem após o "Eis a solução para esse "problema":" seria a solução que Pikkety está propondo em seu livro. Só isso. :O)
  • Marconi  05/01/2015 12:43
    Se a solução que ele propõe é essa:

    corte radical de impostos, desestatização, abolição de tarifas protecionistas e desregulamentação de todos os setores da economia. Essas quatro medidas imediatamente criariam mais liberdade econômica, mais liberdade de entrada, mais concorrência e, por conseguinte, menores lucros e uma menor taxa de retorno sobre o capital investido.

    Então as críticas a ele são só de rentistas safados.
  • Tory  05/01/2015 14:59
    Não, essas soluções são propostas do artigo. A "solução" do Pikaretty é o item 3 do silogismo apresentado logo acima.
  • Marconi  05/01/2015 15:41
    ah bão! É pq ficou parecendo que a solução para o "problema" era do Piketty e não do autor do texto austríaco.

    Sugiro trocar a parte

    Eis a solução para esse "problema":

    para

    Eis a solução austríaca (ou liberal) para esse "problema":
  • Emerson Luis  05/01/2015 16:20

    "...precisamos de ainda mais socialismo, pois o socialismo que foi tentado não foi o correto."

    Qual a novidade? Desde o primeiro fracasso do socialismo dizem isso!

    O artigo dá a entender que Piketty defende o corte de gastos, a desestatização, a abolição do protecionismo e a desregulamentação. Seria assombroso se, em nome do socialismo, um socialista defendesse medidas liberais (eles invertem os significados das palavras, mesmo).

    * * *

  •   05/01/2015 18:23
    youtu.be/JKsHhXwqDqM

    Pelo que entendi até agora, ele só levantou dados e demonstou que a concentração de riqueza está aumentando muito, recentemente. O mundo vai ter que resolver isso, mas não se sabe como ainda.

    Concentração de riqueza coíbe a concorrência, sem concorrência o capitalismo não presta. Basicamente esse é o problema.
  • DiAbreu  05/01/2015 20:06
    Não, não é só isso.

    Ele não apenas quer confiscar o dinheiro dos "ricos" (a França tentou e quebrou a cara), como ainda se utiliza de dados falsos e forjados para justificar esse esbulho.

    Sobre as frases, ver aqui. Sobre os dados forjados, aqui.
  • Vander  05/01/2015 21:14
    Piketty diz que o "problema" do capitalismo é que o capital investido gera retornos mais altos do que os ganhos do trabalho.

    A realidade é que esse 'problema' à que Piketty se refere, é quase sempre oriundo de capitalistas que encontraram em governos corruptos (geralmente socialistas) uma ótima parceria e fonte de renda para aplicarem seus capitais, seja na forma que for (monopólios, especulação financeira com informações privilegiadas, subsídios fiscais, suborno, comissões, etc).

    Ou seja, para Piketty, o 'problema' é somente o malvado capitalista, mas ele ignora completamente que é justamente o governo que proporciona a base para a criação desse 'problema'.
  • Ricardo Winter  10/01/2015 05:07
    O que é classe parasítica?
  • John Summers  10/01/2015 12:44
    A classe que é sustentada com dinheiro público: vai desde gente que recebe esmola do governo até grandes empresários que recebem subsídios, passando por todas as classes de funcionários públicos, bem como, é óbvio, todos os políticos e seus asseclas.
  • Vban Vitor  14/01/2015 12:18
    As leituras dos artigos deste site me fizeram entender que quando é possível exercer o capitalismo sem interferências governamentais, a não ser no sentido de fiscalização e proteção das atividades comerciais, é alcançado um estado de natural desenvolvimento e competição que é economicamente auto-regulável e, talvez, democrático.

    Tal percepção me faz crer que tal sistema permitiria uma globalização muitíssimo maior, mais rápida e mais justa.

    Considerando meu entendimento, pergunto: como ficaria a questão do patriotismo perante tal sistema? Ele se tornaria irrelevante se o mundo todo aderisse a tal formatação? E considerando que esse sistema é o ideal e ele é irrelevante, pode-se dizer que ele é um impecílio, um distração ou uma armadilha para manter o Estado com poderes?
  • Vban Vitor  14/01/2015 15:27
    A última pergunta ficou incoerente. Reformulo:

    E considerando que esse sistema é o ideal e que o patriotismo é irrelevante, pode-se dizer que o patriotismo é um impecílio, um distração ou uma armadilha para manter o Estado com poderes?
  • Jiban Júnior  14/01/2015 16:18
    "empecilho"

    E não vejo problema algum para um libertário amar sua terra. No meu entender, o patriotismo não é um problema em si. O problema é quando, aí sim admito que seja uma armadilha, esse amor é subvertido pelo estado e se transforma em nacionalismo, ou seja, quando o sentimento de patriotismo é usado para justificar e legitimar políticas socializantes.

    Em suma, o problema é quando o patriotismo se transforma em nacional-socialismo.


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