clube   |   doar   |   idiomas
Déficits orçamentários não devem ser corrigidos com aumentos de impostos

Alguns economistas, como o ganhador do Nobel Paul Krugman, afirmam que, durante uma recessão econômica, o governo tem de aumentar os gastos e incorrer em déficits orçamentários.  Segundo eles, tal ativismo governamental ajudaria a economia a voltar a crescer.

Por trás dessa teoria está a noção de que o que realmente governa o crescimento econômico é a "demanda agregada".  Sendo assim, se a demanda geral enfraquece em decorrência de uma menor propensão das pessoas a gastar com bens de consumo, então o governo deve intervir e turbinar seus gastos para impedir que a demanda geral caia.

Por isso, tais economistas, dentre eles Krugman, afirmam que um aumento dos déficits do governo em decorrência de maiores gastos governamentais é uma ótima notícia para a economia.

No que mais, esses economistas afirmam que há poucas evidências empíricas de que os déficits orçamentários afetem o crescimento econômico.  Mais ainda: eles dizem que os déficits só podem gerar benefícios caso a economia esteja crescendo abaixo do seu potencial.

[Nota do IMB: o aumento no déficit orçamentário do governo brasileiro não apenas não ajudou a aditivar a economia, como, ao contrário, aumentou as incertezas, reduziu a confiança dos empreendedores e reduziu o investimento privado.  Afinal, um aumento nos déficits significa mais inflação monetária, mais carestia e futuros aumentos de impostos.]

O grande problema é que, além da inflação e de um iminente aumento de impostos, um aumento nos gastos e nos déficits orçamentários do governo também gera o efeito do "crowding out", um termo técnico que significa que o setor privado está sendo suplantado pelo setor público.  E isso é fácil de entender.

Se o governo aumenta seus gastos, os incentivos para o empreendimento privado são reduzidos.  Por que você vai abrir uma padaria, um restaurante, um comércio ou uma atividade de serviços se você pode se tornar um burocrata bem pago trabalhando em uma repartição pública?  Por que uma pessoa qualificada vai querer fazer algum estágio em uma firma de engenharia se o governo abriu vários concursos públicos que prometem salários nababescos e estabilidade no emprego?  Enfim, por que se arriscar no setor privado, sofrendo cobranças e tendo de apresentar eficiência, se você pode simplesmente ganhar muito no setor público, tendo estabilidade no emprego e sem ter de apresentar resultados?

[Nota do IMB: Quanto maiores os gastos do governo, mais atraente se torna o setor público, e menos recompensador é o setor privado.  E é justamente o setor privado quem tem de sustentar a farra do setor público.  Daí os baixos salários pagos na iniciativa privada.  Toda a carga tributária existente no Brasil, que impede aumentos salariais na iniciativa privada, existe justamente para sustentar o setor público e seus funcionários que ganham salários magnânimos e vivem à custa dos trabalhadores da iniciativa privada, os quais ganham pouco justamente porque têm de bancar os membros do setor público.]

Tendo em mente todos esses fenômenos, é essencial que um governo genuinamente preocupado com uma retomada do crescimento econômico não caia na tentação de aumentar seus déficits.  Mais ainda: ele não deve contrabalançar eventuais aumentos nos déficits elevando impostos. 

Por isso, muito embora um orçamento equilibrado seja importante, ainda mais essencial é não haver aumento de gastos.  E isso não é bem compreendido nem mesmo por economistas liberais, que se concentram mais na exigência do equilíbrio orçamentário do que na redução de gastos.  E esse é o ponto: o objetivo de se equilibrar o orçamento do governo pode ser uma política errônea.

O que realmente importa para uma economia não é o tamanho do déficit orçamentário do governo, mas sim o total dos gastos do governo — ou seja, a quantidade de recursos que o governo retira do setor privado e desvia para suas próprias atividades.  Se for para escolher entre um déficit grande com um gasto pequeno ou um déficit pequeno com um gasto grande, a primeira opção causa menos danos.  Um aumento nos gastos do governo é a notícia genuinamente ruim para a economia.

Dado que o governo não é uma entidade geradora de riqueza, quanto mais ele gasta mais recursos ele retira das atividades que genuinamente geram riqueza.  Consequentemente, isso solapa todo o processo de geração de riqueza da sociedade.  Sendo assim, o que realmente importa para a economia é o total de gastos do governo. 

Por exemplo, se o governo planeja gastar $3 trilhões e planeja financiar esses gastos por meio de $2 trilhões em impostos, haverá um déficit de $1 trilhão.  Considerando que todos os gastos do governo têm de ser financiados de alguma maneira, isso significa que, além dos impostos de $2 trilhões, o governo terá de arrumar outros meios para financiar o $1 trilhão restante, e ele normalmente o fará por meio de endividamento (o que gera inflação).

Dado que o governo certamente irá obter esse $1 trilhão restante, pode-se concluir que o que realmente importa são os gastos de $3 trilhões, e não o déficit de $1 trilhão.

Se o governo elevar impostos e consequentemente conseguir obter receitas de $3 trilhões, isso o deixaria com um orçamento equilibrado.  Mas isso seria positivo?  Isso por acaso alteraria o fato de que ele ainda está se apossando de $3 trilhões em recursos do setor produtivo? 

Um aumento nos gastos do governo desencadeia um aumento no confisco de recursos do setor produtivo, desviando esses recursos para as atividades não-geradoras de riqueza do governo.  Isso gera empobrecimento econômico.

Por isso, um aumento nos gastos do governo com o intuito de estimular a demanda é uma péssima notícia para o setor produtivo da economia.  Consequentemente, é uma péssima notícia para toda a economia.

Contrariamente às recomendações de Krugman — que quer mais déficits — e do FMI — que quer menos déficits via mais impostos —, o que realmente seria uma boa notícia para o setor produtivo da sociedade é uma redução nos gastos do governo.  Tal notícia, no entanto, seria péssima para todos os empregos artificiais e improdutivos que surgiram em decorrência de um aumento nos gastos do governo.



autor

Frank Shostak
é um scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do Mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais.


  • Gustavo Nunes  22/12/2014 13:48
    Sempre achei estranho as notícias do ciclo econômico e pra mim isso não fazia sentido numa economia capitalista até ver a explicação da mesma com vocês.

    Desde então sempre acompanho os artigos publicados neste instituto, abrindo-me muito a mente, e portanto gostaria de agradecer os colaboradores por estar veiculando estas informações ao público.

    Porém com todas estas informações ainda quero ser empreendedor mas acabo me desanimando quando temos que sustentar tais burocratas e usurpadores da economia genuína do livre mercado. Será que temos, ainda, uma luz no fim do túnel ?
  • Ismael  22/12/2014 16:29
    E a análise dos ciclos econômicos pela Escola Austríaca é mesmo imbatível. A título de exemplo, como trazido à tona em 28 outubro passado em artigo por Mary Anastasia O'Grady sobre a tentativa estatal de "... conter a carestia congelando preços incorreu ao setor sucroalcooleiro severos prejuízos".
    Nesta segunda (22/12) numa grande rede de supermercados aqui no oeste do paraná vejo o racionamento de máximo 6 pacotes de açúcar por cliente.
  • Gerson  22/12/2014 13:57
    Concordo com esta abordagem, trabalho no setor público e é evidente que alguns servidores, inclusive com salários acima dos 10 mil, dada a proteção, ou paternalismo do setor público via estabilidade, passam a ter uma postura retrógrada pensando apenas na aposentadoria e trabalhar o mínimo possível. Não vou generalizar, pois existem muitos servidores comprometidos com sua função.

    Mas tem os dois lados da questão, também quando o setor público contrata empresas privadas para fazer determinados trabalhos percebe-se pouco compromisso com redução de custos, ou seja, o objetivo principal é o lucro, quanto mais melhor. Neste caso está enraizada a ideia de tirar o máximo de vantagem o mais tempo possivel.

    Dada essa questão, gostaria de sua opinião Leandro, se um dos nossos principais problemas é cultural ou de cunho educacional, a ideia perniciosa de astúcia nos negócios e manipulação para tirar vantagens. Não que eu seja contra o lucro, sou contra a ineficiência sob pretexto de manter vantagens e lucros no longo prazo.

    Obrigado
  • Leandro  22/12/2014 14:40
    Essa é a postura mais economicamente racional a ser seguida.

    Se eu tenho uma empresa e o governo me contrata para fazer serviços, vou cobrar o máximo possível. Por que não? Os recursos do governo são enormes e ele não é guiado pelo sistema de lucros e prejuízos. Ele não está preocupado com controlar custos e nem em apresentar eficiência (um conceito alienígena ao governo). Ele não trabalha com dinheiro próprio e nem está preocupado em gerir esse dinheiro alheio de maneira a trazer algum retorno. Ele não tem de se preocupar com retornos e nem com escassez de fundos.

    Sendo assim, seria até irracional eu não cobrar a mais pelos meus serviços.

    Isso foi abordado nesses artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=265

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1993
  • Gerson  22/12/2014 17:03
    Acho que compreendi um pouco melhor esta questão do livre mercado. Seguindo esse conceito entendo que até mesmo serviços básicos hoje prestados pelo governo estariam sujeitos a iniciativa privada, tal como saúde, transporte.. Até mesmo segurança. Neste contexto tudo teria um custo, nada seria de graça. Não haveriam privilégios.

    Nesse arranjo, como vivemos em uma sociedade com oportunidades distintas, que não são uniformes, e mesmo com recursos humanos com capacidades diversas, supõe-se que o livre mercado se encarregaria de alocar esses recursos conforme sua capacidade produtiva, até mesmo "excluindo" da cadeia de consumo os recursos humanos que não se adaptassem as demandas de outros consumidores.

    Me parece que a questão central não seria abolir o estado ou governo, mas sim torná-lo menor, menos intervencionista. Fazer com que ele atuasse como regulamentador e aplicador de leis que garantam a livre concorrência de modo salutar, evitando assim que as divergências de interesses fossem resolvidas por meio da força.

    No livre mercado a desigualdade das riquezas continuaria existindo, o que é natural, dada as capacidades individuais e o fator sorte em nascer numa família abastada, o que muda é que em tese, na média, todos terão uma vida melhor, proporcional à sua capacidade de gerar riqueza. Neste cenário, as grandes fortunas teriam um papel fundamental, pois teriam ambientes mais estáveis para serem investidas e gerar mais riqueza para todos.

    A grande dificuldade de implantar esse modelo continua sendo o fator humano, como já é hoje, o ser humano quando usa de meios improdutivos e desonestos para alavancar riqueza, gera distorções. E essas várias distorções praticadas por muitas pessoas é que refletem quão rica ou pobre é uma sociedade.

    Favor avaliarem meus comentários, se estão alinhados com a visão da escola austríaca, favor pontuar os erros.
    Obrigado
  • Brenner  23/12/2014 00:29
    O mais importante é acabar com o estado sim. Mas não com o governo, afinal, a atividade administrativa não pode ser abolida.

    Sobre a eficiência no governo, não seja contrário aos seus colegas que recebem dinheiro para não fazer absolutamente nada. Esses são, de longe, os melhores funcionários públicos do Brasil. Apesar de eles serem parasitas que sobrevivem do produto de roubo, eles pegam seu dinheiro e param de encher o saco.

    Se você conhece a comparação de Spooner entre o estado e o ladrão de estradas, perceberá que esses funcionários são tão nobres quanto o ladrão de estradas, que tem a decência de tomar o dinheiro do cidadão de bem e ir embora. Por outro lado, os bons funcionários públicos segundo a sua visão (e sei que você se enquadra nessa categoria) são, na realidade, seres mais desprezíveis do que o simples ladrão. Os bons funcionários, além de expropriar o cidadão de bem de seus bens, usa parte desses recursos roubados para tornar a vida desse mesmo cidadão um verdadeiro inferno.
  • italiano  23/12/2014 02:12
    Fui funcionário publico e sei bem como é isso. Na repartição jurídica da prefeitura de minha cidade, talvez por ter sido cristão à época, eu era quem mais trabalhava, e cheguei a ser elogiado por deixar em dia os processos que eu tinha que atualizar. Eu era comissionado. Mas os concursados eram pessoas das mais preguiçosas. Por isso, da má reputação do serviço publico. As pessoas realmente eram pagas para não fazer nada. Absolutamente. O procurador geral que era o meu superior imediato, eu percebi só estava ali para barganhar juntamente com o secretário adjunto causas que favorecessem os seus próprios interesses. Mas mesmo eu tendo ficado por 2 anos trabalhando nesta repartição, eu não consegui desprezar o que faziam. Talvez por ter sido cristão à época.
  • anônimo  23/12/2014 10:03
    Ser cristão não tem nada a ver com isso, pare de falar besteira e misturar as coisas.
    A Bíblia deixa bem claro: NÃO ROUBARÁS. Se vc não olha pra um parasita público e vê um ladrão, o problema está em vc. Mas é isso que ele é, o salário nababesco dele vem do povo ser obrigado a pagar e não do maravilhoso 'serviço' dele.
  • Italiano  23/12/2014 17:27
    Você está contextualizando errado a história, mesmo porque eu jamais disse que alguém roubava. Eu só disse que a leseira é pratica do ambientalismo do serviço publico, e que mesmo por eu ter sido cristão à época eu não consegui mudar nada daquilo. No serviço publico não há preocupação com a eficiência, e também não há constrangimento por parte dos próprios funcionários públicos por nada disso.
  • anônimo  26/12/2014 15:33
    'mesmo porque eu jamais disse que alguém roubava'

    Mas é o que acontece, vc falando ou não, simplesmente porque o salário de todo funça, sem exceção, vem da coerção.Um sujeito aponta uma arma pra sua cabeça e fala: ME PAGUE. No meu dicionário isso é roubo.
  • Flávio  26/12/2014 12:54
    Olá Brenner.
    A ineficiência de um funcionário público só é bom quando ele tenta te roubar e prejudicar, como um funcionário da Receita Federal. Mas se o funcionário público está tentando te ajudar, como um juiz em um processo no qual você tem a razão; é preferível que ele seja eficiente e profissional, mesmo que pago com dinheiro expropriado dos cidadãos. Você é obrigado a ir para um tribunal e ainda quer um funcionário ineficiente? Que demore 1 anos para fazer algo que poderia realizar em 2 semanas?
    Um abraço.
  • OLIVEIRA  22/12/2014 14:15
    Com a queda da LRF e da não existência do amanhã, ocorre nessas IMBECILIDADES caras e de uma cultura míope. Estadismo foi para o léu. Uma NAÇÃO sem limiar no horizonte, gerações sem perspectivas de progresso e moral. Quem são os nossos cooperadores ? Itamaraty ? Relações comercias saudáveis ? Parafraseando o DITADOR russo, levará 2(dois) anos e sim décadas...
  • Claudionor  23/12/2014 01:13
    Uma das informações presentes em artigos do IMB, que nunca encontrei a comprovação de serem verídicas, foi a que os títulos do governo são majoritariamente comprados pelos bancos, e que são comprados pelos bancos utilizando recursos provenientes das reservas fracionárias. Onde posso encontrar um levantamento dos principais compradores dos títulos públicos?

    Em recessões/depressões ocorre, de fato, uma redução na demanda agregada. Ocorre também, de fato, abandono de empreendimentos(se são errôneos ou não, só Deus sabe). Ambos fenômenos são capazes de gerar o outro. Como saber qual deles acontece primeiro, sendo este o verdadeiro causador dos ciclos econômicos?

    Existe alguma lei na economia, ou tudo são só teorias? Como a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos? Aliás, por que esta teoria, em especial, é só uma teoria e não uma lei?

    Ao discutir com um professor universitário sobre a teoria do parágrafo anterior, ele a refutou cabalisticamente. Como a TACH afirma, empréstimos bancários feitos com juros distorcidos, são o cerne dos ciclos econômicos. Mas existem lugares habitados, onde não existem bancos, que sofrem com as flutuações da atividade econômica. A Ilha de Páscoa é o melhor exemplo disto, ninguém lá consegue fazer empréstimos bancários pois não existe absolutamente nenhuma agência bancária na ilha. Existem apenas caixas eletrônicos. Ou seja, todo investimento feito lá, é feito lastreado em poupança real. Além disso, se o continente estiver em recessão e turistas deixarem de ir lá, a ilha entrará em recessão. Comprovando assim que a queda da demanda agregada é a causa das recessões.
  • Constance  23/12/2014 02:15
    Esse comentário era pra ser sério ou foi escrito com a pena da galhofa? A Ilha de Páscoa tem 5 mil habitantes e pertence ao Chile. Na prática, é como se fosse um bairro de Viña del Mar. Os ciclos econômicos na Ilha estão totalmente ligados à economia chilena.

    Sobre a operação dos bancos, todas as instituições financeiras que são dos tipos Banco Comercial e Banco Múltiplo com Carteira Comercial operam com multiplicação de depósitos. Sempre que eles adquirem um ativo, eles também criam um passivo.  O ativo é o papel que eles compram criando dinheiro eletrônico; o passivo são justamente os dígitos eletrônicos que eles acrescentam na conta da pessoa ou entidade de quem eles compraram o ativo.

    Caso queira ler o relato de uma fonte insuspeita explicando exatamente esse processo, em todos os seus detalhes, pode ler esse papermde ninguém menos que o Banco da Inglaterra.

    www.bankofengland.co.uk/publications/Documents/quarterlybulletin/2014/qb14q1prereleasemoneycreation.pdf
  • Paulo Henrique  22/12/2014 14:59
    O que aqueles que gostam de elevar impostos não percebem, ou parafraseando Bastiat, o que eles não veem, é que um setor produtivo em crescimento resulta em maior arrecadação mesmo sem aumentar a porcentagem de impostos. Vou alem, reduzir impostos pode resultar em maior arrecadação no longo prazo. Economia mais rica como um todo gera maior arrecadação. Exemplificando, um país pobre que cobre 40% de impostos não vai arrecadar o mesmo que um país rico que cobre 15% de impostos. E muito dessa pobreza se deve a elevada taxa de impostos.

    A relativa liberdade do passado dos EUA resultou em um estado poderoso, mesmo que os impostos lá sejam, por porcentagem, mais baixos que os nossos, isso não representa menor arrecadação.

    Me corrijam por qualquer equivoco que eu tenha cometido, eu agradeço
  • Senhor A  22/12/2014 21:40
    Sim, o governo/Estado arrecadaria mais, numa perspectiva de longo prazo.

    Só que devemos lembrar o seguinte, por quais motivos o Estado deve receber (sugar) dinheiro dos outros? Ora, os seguidores da Escola Austríaca, de acordo com a corrente misesiana, acreditam que intervenções estatais geram distorções, como também não é justificável que indivíduos sejam obrigados a custear a máquina pública. Então, como deves ter observado no site, deixar que o Estado tome e mexa com nosso dinheiro não é algo correto moralmente e economicamente (e também não é correto em outras áreas).

    E a partir do momento que o Estado aumenta seu orçamento, o provável é que ele cresça seu poderio em vários setores/esferas.

    Há de se lembrar de que políticos e partidos, em sua maioria, não estão interessados em apenas tornar o Estado melhor num futuro próximo ou distante. O que eles querem é Poder, e para obter autonomia sobre outros, o caminho é o da expansão da "coisa pública".
  • mozar  26/12/2014 14:05
    Sempre que entro neste site eu encontro besteiras. Eu sempre leio todos seus artigos e tenho um senso crítico de que o liberalismo não é perfeito como a escola austriaca afirma. Por exemplo aquele artigo sobre pobres serem pobres por que eles querem ser pobres é rídiculo. Me considero mais keynesiano do que liberal. Exatamente por isso faço a seguinte afirmação; A ineficiencia do aumento dos gastos públicos para aumentar o produto agregado não é causado por que o aumento dos gastos públicos causam uma desestimulação ao setor privado, isso é causado pela taxa de juros alta praticada pelo Brasil. Engraçado que em toda os comentarios sobre "liberalismo" e sobre a "praga do setor público" ninguém sequer comentou sobre a taxa de juros, um conceito básico de economia. O efeito "crowding out" acontece quando a taxa de juros está tão alta que a eficiencia marginal do capital (conceito keynesiano) é menor que a taxa de juros, ou seja, é mais vantajoso você aplicar o dinheiro do que investir, OU SEJA, o setor privado em vez de investir ele compra titulos publicos, o governo arrecada esse dinheiro e o usa para financiar investimentos. O efeito "crowding out" só acontece em economias onde a taxa de juros é alta e só é possivel sair dele através da manutenção da politica monetaria, uma vez que a politica fiscal é ineficaz. Em economias como os Estados Unidos e Japão onde a taxa de juros é quase negativa acontece o chamado "armadilha pela liquidez", outro conceito keynesiano, onde a taxa de juros está tão baixa que qualquer efeito de uma politica monetaria é nulo, e o unico jeito de sair da "armadilha" é atraves da politica fiscal, ou seja, aumento do gasto público.

    Não estou dizendo que sou a favor do aumento do gasto público e nem do aumento do chamado "empreguismo". Concordo com muitos conceitos liberais e discordo de outros. O problema do brasil foi o erro da manutenção da politica monetaria para conter a inflação causa pelo aumento da politica fiscal. Ou seja, o governo aumentou a taxa de juros para conter a inflãção de gastos gerada por ele mesmo. A politica fiscal deveria ser usada com resposabilidade, para o objetivo que foi proposto por keynes; Aumentar a demanda agregada em tempos de recessões economicas geradas pelos ciclos das economias de mercado, causado pelo liberalismo em tempos de euforia e especulações. Acredito na teoria da instalibidade financeira proposta por Minsky.

    Um bom dia a todos.
  • Beethoven  26/12/2014 15:29
    E eu, sempre que leio os comentários de pessoas contrariadas, encontro besteiras.

    Você foi apenas mais um nesta desanimadora estatística.

    "Eu sempre leio todos seus artigos e tenho um senso crítico de que o liberalismo não é perfeito como a escola austriaca afirma."

    Já começou triunfantemente, afirmando uma besteira monumental, o que mostra que você desconhece até mesmo os mais básicos conceitos daquilo que você critica.

    A EA austríaca não faz nenhum juízo de valor. Ela é uma ciência positiva e não normativa. A EA se limita a explicar como a economia funciona, e quais seriam as eventuais consequências de uma determinada medida econômica. E só. A EA não faz juízo de valor acerca dessas medidas econômicas. A EA não faz pontificações a respeito da desejabilidade de tais medidas.

    Quem faz juízo de valor é a filosofia libertária e não a ciência econômica. Já começou bem.

    "Por exemplo aquele artigo sobre pobres serem pobres por que eles querem ser pobres é rídiculo."

    Se de fato houvesse um artigo que diz que "pobres são pobres porque querem ser pobres", aí realmente ele seria ridículo. Como não há nenhum artigo que sequer se aproxime de tal definição, você já deixou claro seu caráter calunioso logo na segunda frase. Ótimo começo.

    "Me considero mais keynesiano do que liberal."

    Talvez venha daí sua propensão à calúnia e à ignorância. Deve ter aprendido com o mestre Krugman, inimitável nesta arte.

    "A ineficiencia do aumento dos gastos públicos para aumentar o produto agregado não é causado por que o aumento dos gastos públicos causam uma desestimulação ao setor privado, isso é causado pela taxa de juros alta praticada pelo Brasil."

    A frase já começa dúbia, o que mostra seu despreparo intelectual. De um lado, você parece concordar com a teoria de que um aumento dos gastos é ineficiente. (No entanto, você próprio vai discordar disso mais abaixo, entrando em contradição). Logo em seguida, você diz que o problema todo está nos juros altos, que seriam uma prática exclusiva do Brasil.

    Curiosamente, até onde se sabe, quem estabelece as taxas de juros é o Banco Central, um órgão estatal. Mas prossigamos.

    "Engraçado que em toda os comentarios sobre "liberalismo" e sobre a "praga do setor público" ninguém sequer comentou sobre a taxa de juros, um conceito básico de economia."

    Para quem afirmou, logo no começo, que "sempre leio todos seus artigos", aqui você próprio se desmascarou. Um dos temas mais abordados neste site é sobre a manipulação da taxa de juros pelo Banco Central. Você vir aqui e dizer que "ninguém comenta sobre a taxa de juros" mostra bem que você é um rematado mentiroso. Você é apenas um recém-chegado a este site e completamente desinformado sobre o que é aqui abordado. Mas, charlatão que é, quis dar a impressão de que é um veterano daqui.

    Tente melhor da próxima.

    "O efeito "crowding out" acontece quando a taxa de juros está tão alta que a eficiencia marginal do capital (conceito keynesiano) é menor que a taxa de juros, ou seja, é mais vantajoso você aplicar o dinheiro do que investir, OU SEJA, o setor privado em vez de investir ele compra titulos publicos, o governo arrecada esse dinheiro e o usa para financiar investimentos."

    Tá por fora, hein, cidadão? Tanto na Europa quanto nos EUA, que estão com juros quase zero, as pessoas e as empresas estão preferindo aplicar nos títulos do governo a investir.

    Aliás, se formos olhar o que houve de 2009 pra cá, a taxa de investimentos no Brasil, com juros siderais, sempre foi maior do que na Europa e nos EUA, com juros zero. Isso essa sua teoria não explica.

    E a auto-humilhação se intensifica.

    "O efeito "crowding out" só acontece em economias onde a taxa de juros é alta e só é possivel sair dele através da manutenção da politica monetaria, uma vez que a politica fiscal é ineficaz."

    De novo: EUA e Europa com juros zero e política monetária extremamente ativista não saíram da estagnação em 6 anos.

    Só uma palhinha: veja como foi o investimento nos EUA, após 6 anos de juros zero e política fiscal pra lá de expansiva.

    research.stlouisfed.org/fred2/graph/?g=VtX

    O investimento está nos mesmos níveis de 2002! Mas, pela sua "teoria", era pra estar bombando.

    "Em economias como os Estados Unidos e Japão onde a taxa de juros é quase negativa acontece o chamado "armadilha pela liquidez", outro conceito keynesiano, onde a taxa de juros está tão baixa que qualquer efeito de uma politica monetaria é nulo, e o unico jeito de sair da "armadilha" é atraves da politica fiscal, ou seja, aumento do gasto público."

    Gozado. A política fiscal para sair dessa tal "armadilha da liquidez" não funcionou durante os últimos 24 anos no Japão. E, como vemos no link acima, nem nos últimos 6 anos nos EUA.

    E sabe por que não funcionou? Porque essa tal "armadilha da liquidez" é um conceito imbecil inventado por quem não entende como realmente funciona o sistema bancário.

    Juros zero não incentivam empréstimos simplesmente porque os bancos (japoneses, americanos e europeus) ficaram tão descapitalizados após o estouro de suas respectivas bolhas imobiliárias, que não há como eles emprestarem. Bancos com balancetes no vermelho não expandem o crédito. Ao contrário: eles retraem o crédito. Elas passam a demandar que os empréstimos pendentes sejam quitados.

    Os bancos japoneses em especial, após o estouro da bolha imobiliária, levaram tantos calotes que seus balancetes foram pro vermelho. Os bancos japoneses, que se tornaram conglomerados mundiais na década de 1980, hoje viraram zumbis. E como seu capital (patrimônio líquido) foi dizimado por causa do estouro da bolha imobiliária, eles não podem expandir o crédito. Por uma questão contábil, bancos descapitalizados não expandem o crédito. Bancos descapitalizados não fazem empréstimos para pessoas e empresas.

    Aliás, em relação ao início da década de 1990, houve uma deflação no crédito. Pode conferir aqui.

    E na zona do euro também.

    E você, pelo visto, desconhece esse básico sobre o sistema bancário.

    E ainda diz que isso se chama "armadilha pela liquidez". É dose.

    "O problema do brasil foi o erro da manutenção da politica monetaria para conter a inflação causa pelo aumento da politica fiscal. Ou seja, o governo aumentou a taxa de juros para conter a inflãção de gastos gerada por ele mesmo."

    Simplesmente não procede. Os juros ficaram todo o ano de 2014 em 11%. De 2004 a 2008, anos do crescimento chinês, eles sempre estiveram (muito) acima de 11%. E o crescimento foi estrondoso. Aliás, em 2012, quando os juros caíram para 7,25%, o crescimento foi de 0,8%.

    Essa sua teoria simplesmente não procede, e você não tem a mais mínima ideia do que está falando.

    "A politica fiscal deveria ser usada com resposabilidade, para o objetivo que foi proposto por keynes; Aumentar a demanda agregada em tempos de recessões economicas geradas pelos ciclos das economias de mercado, causado pelo liberalismo em tempos de euforia e especulações. Acredito na teoria da instalibidade financeira proposta por Minsky."

    Pobre Minsky. Certamente se remexeria no túmulo ao ver seus interessantes insights completamente distorcidos por imbecis.

    Em primeiro lugar, a descrição das causas dos ciclos econômicos minskyanas é muito semelhante à austríaca. Eles só divergem muito nas receitas da cura, que é quando Minsky pede mais déficits (e, justiça seja feita, ele pede déficits, e não necessariamente aumento dos gastos; ele pede déficits oriundos de uma redução de impostos).

    De resto, até onde se sabe, "aumentar a demanda agregada em tempos de recessões econômicas" foi exatamente o que fez o governo brasileiro. E o que isso logrou? Estagnação, aumento da incerteza, aumento da imprevisibilidade.

    Uma teoria brilhante, sem dúvida.

    "Um bom dia a todos".

    Um bom ano pra você.
  • Bruno Celestino  19/05/2015 22:48
    TURN DOWN FOR WHAT !
  • Eduardo  22/12/2014 16:51
    O que nos indigna, não é o fato da carga tributária ser elevada, varios paises possuem carga tributária mais elevadas do que o Brasil, mas sim o fato de o retorno para os cidadãos desse montante tributado no Estado ser nulo, pagamos tributos de paises de primeiro mundo para obtermos serviços de paises africanos. Entendo o ponto do IMB à respeito da livre iniciativa, que mesmo paises desenvolvidos deveriam reduzir suas cargas tributárias para que o setor privado possa tomar suas própias direções de acordo com as necessidades de mercado, porém mesmo que esse seja um ponto a ser discutido, o fato é que não temos absolutamente nenhum retorno, ou melhor além de não termos benefícios, ainda surgem esses esquemas dignos de terroristas que deixariam máfias italianas no "chinelo". Sinceramente, não acredito mais que esse país tenha solução, espero que algum dia esteja errado.
  • Bruno  22/12/2014 20:32
    Eduardo,

    Não interessa se temos retorno ou não. O imposto é um ato violento contra pessoas pacíficas. O retorno/benefício que deseja será objeto de roubo, sim, roubo no sentido jurídico da palavra: "Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência".
    Eu não quero caridade com dinheiro roubado. E você?
  • Mars  23/12/2014 00:05
    Simples e direto, parabéns. Mas gostaria de fazer um breve adendo.

    Embora essa seja a nossa definição de roubo, isso é errado independentemente do texto legal. Na verdade, se formos levar em consideração apenas nossas leis, apesar da cobrança de impostos poder ser enquadrada no tipo penal, como a própria CF, norma superior ao Código Penal, prevê a cobrança de impostos, essa atividade poderia ser considerada como uma exceção legal ao tipo e, portanto, perfeitamente legítima (se formos olhar a questão apenas pelo aspecto puramente legal).

    A fundamentação do repúdio ao imposto/roubo deve partir de uma fonte exterior ao estado, uma vez que o próprio estado é ilegítimo per se. Mas é interessante notar que o estado veda uma conduta (roubo) que ele mesmo pratica diariamente.

  • Luis  24/12/2014 22:01
    A tributação via impostos não obriga o Estado a dar retorno para os recursos tomados da sociedade, como definido pelo direito tributário. Ess vinculação direta não exista em lugar algum do mundo.
    O que ocorre nos paises a que você se refere é que mesmo com a carga tributária elevada, a liberdade econômica, cultura, a estabilidade jurídica de contratos e um escopo deifinido, embora grande, do estado permite que alocação dos recursos tributados seja mais eficiente que visto aqui. Todavia, não há engano que menos estado é melhor que mais estado.
  • Anonimo  22/12/2014 18:04
    Com o tempo, mesmo aumentando os impostos, a arrecadação diminui porque as pessoas produzem menos, e as que produzem precisarão sonegar.
  • LUCIANO SILVA  24/12/2014 13:36
    Anônimo,

    Com o tempo as empresas quebram, mas o Leviatã não acha que 40% ou mais de impostos e a excessiva burocracia sejam elementos desanimadores, mas sim desafiadores. Por isso, sempre criam ou aumentam os impostos esmagando aqueles que realmente produzem e empregam.

    Vejo muitas empresas Zumbis aqui em minha cidade, aquelas que estão mortas, mas que ainda não sabem do fato. Quando os donos dessas empresas percebem que estão pagando para trabalhar eles têm mais surpresas na hora de enterrar o do de cujus. É que a burocracia estatal se estende ao post mortem de uma empresa. Não basta morrer, tem que passar pelo purgatório ( baixa, cancelamentos, taxas, obrigações acessórias, certidões, muitas paciência e o diabo)

    www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/fecharempresa.htm


  • Ricardo  22/12/2014 21:12
    Gostaria de fazer uma pergunta aos leitores e ao Leandro.

    Se a democracia se baseia em que os governados concordem em efetivamente serem governados. O que traria de consequências se nos deixassemos de reconhecer o governo.

    Parariamos de pagar impostos e estes não teriam mais como se financiar. O que vocês acreditam que aconteceria?

    Obrigado ao Leandro os leitores e o Instituto.
  • Italiano  23/12/2014 02:35
    Instigante sua pergunta. Desafiadora.
    Eu sustento que nada e, ao mesmo tempo, tudo aconteceria. Nada porque o governo como o conhecemos hoje, procuraria meios de reaver e digerir esta situação. E tudo porque eu acho que mesmo um novo governo adviria de um momento como este, um governo que fosse cotado apenas para gerir causas substancias à nação, como por exemplo o serviço de saúde. Também acho possível de nós evoluirmos para melhor. Sei que neste momento eu pareço um tanto utópico, mas acredito piamente que este novo governo poderia ser algo semelhante ao sistema parlamentarista.

    Dizem que com os erros que se aprende. Nós temos muitos.
  • Eduardo  23/12/2014 04:31
    Depende do quem está incluído na frase "todos pararem de pagar impostos". Todos mesmo? Incluindo os membros do exército e a polícia? O estado desaparece por completo, não é mais financiado e não possui força coercitiva para obrigar o pagamento. O território fica fragmentado, e dezenas de estados menores surgem, com conflitos constantes para definir fronteiras.

    Num aspecto um pouco mais crível, caso um enorme número de pessoas parassem de pagar impostos, por exemplo uma região inteira, provavelmente visando a secessão, as coisas tenderiam para uma guerra civil.
  • Gabriel L.W.  23/12/2014 12:13
    Eduardo,

    Creio que a guerra civil só aconteceria se a federação tentasse impedir a fragmentação. Veja por exemplo os Estados Confederados da América, nesse caso os estado auto declarados independentes se uniram para combater um inimigo comum que os impedia de serem livres, não houve conflito entre eles, mas sim uma aliança. A causa da guerra civil foi a tentativa de dos Estados Unidos da América de impedir que estes estados se desligassem da união. O separatismo só leva à guerra se o governo central impede que suas partes se libertem, vide a separação de alguns países do leste Europeu, que foi pacífica quando não houve impedimento do estado.
  • Eufrásia Teixeira Leite  23/12/2014 00:30
    Bem, um artigo como esse é sempre muito oportuno, tem validade para todas as ocasiões e deve ser apoiado incondicionalmente por qualquer pessoa que tenha alguma decência.

    Entretanto dessa vez, para o atual momento do Brasil, está difícil ficar de total acordo com ele. Porque agora que a "festa" acabou - e um evento um evento dessa magnitude organizado pelo governo inevitavelmente irá causar estragos -, chegou a hora de pagar a conta. Apesar de a economia já estar vivendo os efeitos negativos dos excessos cometidos anteriormente pelo governo, este por sua vez ainda não começou a colocar seu orçamento em ordem. É lógico que seria a oitava maravilha se ele fizesse isso simplesmente reduzindo os seus gastos. Mas infelizmente ele não vai fazer isso, e a despesa será dividida com o contribuinte.

    Por outro lado, talvez não seja tão ruim que para resolver o problema do déficit orçamentário (só dessa vez) se aumentem impostos também. Estou procurando a melhor forma de dizer isso - porque sei que isso significa moer o setor produtivo e, além dele, indiretamente o cidadão brasileiro -, mas eu sei que não que não há muitas justificativas que respaldem essa opinião. Mas o que eu quero dizer é que pode ser bom, se o país sentir pesadamente na pele agora as consequências de se ter um governo com tanta liberdade para manipular e aumentar a sua gastança. Quem sabe se assim, essa situação contrastante não nos inspira a dar um basta definitivo nessa situação.

    Mas isso é só uma suposição (um sonho), e para o caso específico do Brasil agora. Portanto reafirmo enfaticamente o que disse no início do comentário, e é até perverso pensar diferente (principalmente com quem produz e gera riqueza de verdade). Longe de mim querer que alguém seja moído para que o governo coloque suas contas em dia.

    Grande abraço!
  • Gabriel L.W.  23/12/2014 12:06
    Eufrásia, entendo seu ponto mas pense por outro prisma, por exemplo na criminalidade, esse pensamento nos levaria a crer que o aumento nos roubos e assassinatos seria, um dia, a própria causa de seu declínio, pois atingiríamos um ponto insustentável onde teríamos que combatê-la inevitavelmente, mas na verdade o aumento do crime só fortalecerá a sua propagação. Penso que no caso desse artigo a problemática é a mesma, quanto mais poder "damos" ao estado, mais ele nos subtrairá e mais a mercê dele nós estaremos, ou seja, quanto mais o estado cresce mais fraco estamos para nos opormos a ele. Creio então que desejar o pior, ou que a situação piore, não nos levará para uma situação melhor mas sim para uma pior. Espero ter contribuído de alguma forma.
  • Eufráisa Teixeira Leite  23/12/2014 21:31
    Sim, prezado Gabriel, contribuiu e é claro que você tem toda razão.

    Mas o que eu estava pensando é que, por exemplo, o Plano Real (e consequentemente o lançamento do Real) surgiu justamente da observação de uma situação sofrível para a população - e que poderia destruir o sistema monetário - que foram todos aqueles anos de hiperinflação. E como a situação atual mostra, na oportunidade não foi feito melhor porque esse plano ainda deixou espaço para que o governo continue tendo à sua disposição um banco central que lhe permite aumentar os seus gastos e incorrer a déficits orçamentários.

    E como o artigo mostra, isso tira recursos do setor produtivo da sociedade e prejudica o crescimento econômico e, mais uma vez, a própria população. Então quem sabe numa outra oportunidade, os pretensos economistas que observam essa situação danosa para a o crescimento econômico, que é um governo com tranquilidade para se endividar via inflação monetária, não tratam de fazer por completo o que ficou faltando no passado. Mas isso era apenas uma fantasia.

    De qualquer forma, muito obrigada por chamar minha atenção. Desejar o pior é sempre um caminho perigoso.

    Grande abraço!
  • anônimo  23/12/2014 11:35
    Olá!
    Gostaria de parabenizá-los pelos textos publicados e, além, avisa-los que a Pesquisa do Google acusa o site de que "Este site pode ter sido invadido."
  • Ricardo  23/12/2014 13:28
    Ih, mas invadido ele é todos os dias.

    Invadido por esquerdistas raivosos, por petistas que juram que este site é um braço da "mídia golpista", por pára-quedistas que não têm a menor ideia sobre o que o site defende, por caluniadores, por vários desocupados cheios de teorias estapafúrdias implorando por atenção, e por pessoas que juram estar oferecendo um desafio supremo ao perguntar sobre as "economias escandinavas" (tais pessoas fazem exatamente a mesma pergunta a uma média de três vezes por semana, e já é assim há 6 anos).

    O Google simplesmente constatou o trivial.
  • Italiano  23/12/2014 17:38
    Parece haver um pragmatismo ai. Nossa sociedade está se libertando muito lentamente do ideal de feudalismo a que foi submetida desde sempre.
  • pedro  24/12/2014 01:39
    Quero ajudar o Claudionor. Os fundos bancários são regulados pelo Banco Central. Nesses regulamentos você poderá encontrar os percentuais dos ativos que compõem determinado fundo. Normalmente, os fundos (salvo alguns muito específicos) estão obrigados a carregar um percentual de títulos públicos. Se você investiu em um fundo de renda fixa qualquer, sendo, portanto, detentor de uma fração do fundo, muito provavelmente seu dinheiro estará majoritariamente aplicado em papéis do governo, simples assim. Resumindo, o governo tem compradores cativos de seus títulos. Pode esculhambar à vontade que haverá sempre financiamento para a esbórnia. Talvez 99% dos investidores em fundos bancários de renda fixa não saibam que são credores do governo.
  • Adriano  24/12/2014 05:03
    Infelizmente o governo não dará ouvidos ao Frank Shostak. Trabalho para o leviatã e sei bem o que se passa na cabeça do funcionalismo público. Funcionários públicos estão sempre reivindicando mais verbas e mais regalias, não importa o quanto já tenham. Sempre querem mais.
    Afinal de contas, a fonte parece mesmo ser inesgotável e de fácil acesso.

    O governo pode até fazer algum corte pontual, mas será coisa pra inglês ver. O ajuste das contas será por meio de aumento de impostos mesmo. O rombo é grande demais, pra saná-lo o governo teria que cortar a própria carne. E sabemos que ele não fará isso. É aquela velha história: entre chorar a minha mãe e a mãe deles, que chore a mãe deles. Pimenta nos olhos do contribuinte é refresco pro governo.
  • Antonino Pio  24/12/2014 18:25
    Também sei como é isso aí. A cada dia me impressiono mais com a enorme cara-de-pau dos nossos colegas. Mais do que cara-de-pau, acho que eles realmente chegam a acreditar na própria farsa. Quantos mais benefícios, mais explorados eles se sentem. Quem não conhece, acha que ao invés de R$ 10 mil por mês, ganham meio salário mínimo, tamanha a pungência ao relatar o enorme descompasso entre seus salários e a impressionante carga de responsabilidade que lhes é atribuída em função de seus cargos.

    Antes de me tornar um funcionário público já era um liberal mas, após conhecer como o estado funciona na prática e conviver diariamente com funcionários públicos (e terceirizados), o anarcocapitalismo se afigura para mim como a única saída racional para o problema do estado.
  • Marcos Mortoni  24/12/2014 17:09
    Olá pessoal,

    Boa tarde.

    Sou leitor frequente do site e, particularmente, partilho das linhas gerais dos pensamentos apresentados nos artigos postados, principalmente no que se refere ao fato de que, a priori, ninguém deveria, deliberadamente ou não, depender de ninguém para sobreviver ou mesmo para ter a vida que deseja.
    Aqui, contudo, peço ajuda ou indicação de textos para o trato de uma questão. Não são posicionamentos diversos, mas dúvidas para as quais gostaria de entender a visão da escola austríaca.
    É o seguinte: se por um lado, é melhor que tenhamos um Estado o menos intervencionista possível, com maior liberdade individual para os cidadãos, por outro (porque, antes de tudo, isso é uma questão moral, de justiça), é sabido que as desigualdades das condições econômicas dos cidadãos(independentemente de suas causas, ainda que derivadas de condutas dos próprios cidadãos) são fator que implica constante tensão social, podendo comprometer, inclusive, a estabilidade e a unidade de um povo.
    Sei que a proposta esquerdista de acudir indefinidamente este "injustiçado" não funciona, às vezes, nem mesmo, no curto prazo.
    Contudo, por outro lado, qual seria a forma, de um país como Brasil, passar do modelo atual (de tensões sociais decorrentes das desigualdades, com o aprofundamento de um perfil de acomodados que acham que o governo tem o dever de garantir a qualidade de sua vida, como se dinheiro se desse em árvore) para uma realidade em que teríamos, não uma ausência de desigualdades, mas patamares menos díspares que pudessem aliviar as tensões sociais? Para perfis com uma verdadeira classe média maior, em que os cidadãos fossem menos dependentes da ação estatal para o suprimento de suas necessidades básicas?
    Desde já agradeço os comentários e indicações de leitura.
    Bom natal a todos.
  • Leandro  24/12/2014 19:22
    Quem é que causou as desigualdades?

    Quem é que, ao estimular o setor bancário a expandir o crédito -- e, com isso, fazer com que a inflação de preços se mantenha continuamente alta --, aniquila o poder de compra dos mais pobres?

    Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para os barracões?

    Quem é que, ao desvalorizar a moeda e a taxa de câmbio, impede os pobres de utilizarem seu já escasso poder de compra para adquirir produtos importados?

    Quem é que, além de desvalorizar a moeda, a taxa de câmbio e gerar inflação de preços, ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial -- e, com isso, impede duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

    Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

    Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

    Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, impede que os salários sejam maiores?

    Quem é que, por meio destes encargos sociais e trabalhistas, empurra os pobres para a informalidade, e dali para a cadeia?


    Após responder às perguntas acima (dica: a resposta é a mesma para todas elas), pergunte a si mesmo por que a solução seria dar ainda mais poderes legiferantes à entidade que criou essa calamidade.

    Sugiro estes artigos, só pra começar:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1769

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1945
  • Marcos Mortoni  24/12/2014 21:58
    Olá Leandro,

    Obrigado pela resposta e pelas indicações dos textos.
    Sim, o Estado é o grande vilão do negócio.

    Contudo, minhas reflexões se dão em outra frente, para além-depois desta constatação.
    No caso, se fôssemos começar a consertar as coisas. Como faríamos?
    Tiraríamos todos os incentivos? Cortaríamos todos os subsídios econômicos e sociais? Diminuiríamos as alíquotas de tributação? Tiraríamos as alavancas do crédito subsidiado?

    Não obstante crer ser este o cenário ideal, minha dúvida é se seria o caminho a partir do hoje que temos e com a adoção de medidas imediatas.

    O que a escola austríaca fala a respeito?

    Quero só ressaltar que não estou questionando.
    Sinceramente, queria saber como deveriam se convergidas as situações anômalas para o ideal do liberalismo.

    Ainda para complementar: nesta linha de ideal, caberia algum contrato social com atribuição de algo ao Estado para além dos aspectos estatais básicos (defesa nacional, segurança interna e funções legislativa e judiciária)? A educação, por exemplo, seria algo que, dentro de uma visão estratégica de concorrer para que o cidadão não seja dependente de ninguém no futuro, poderia ser uma função do Estado?
    Se não, como deveria ser?

    Por fim: como tratar de eventuais monopólios que, às vezes, no livre mercado?

    Att.
  • Porta-Voz  24/12/2014 23:21
    'Sim' para todas as perguntas do terceiro parágrafo. 'Não' para as perguntas do sétimo parágrafo.

    Sobre monopólios em um livre mercado, isso é uma contradição em termos (só pode haver monopólio se houver uma entidade com poder de coerção impedindo a entrada de novos concorrentes). Monopólio em um livre mercado nunca existiu.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=366

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1057
  • Vitor Vivoni  25/12/2014 11:50
    Como faríamos? Bem, leia esse artigo: [Link]www.mises.org.br/Article.aspx?id=285[/link]
  • Jarzembowski  26/12/2014 17:51
    Leandro,
    você acredita que é possível que exista de fato um desconhecimento tão arraigado da visão austríaca e das críticas devastadoras à demanda agregada como fator preponderante no crescimento, ou será que os economistas do mainstream como Paul Krugman sabem perfeitamente disso e estão apenas se dedicando desonestamente à rentável atividade de "fundamentar teoricamente" o que os burocratas querem?
  • Pobre Paulista  26/12/2014 19:37
    Paul Krugman e seus comparsas enxergam a escola austríaca assim como ateus enxergam o cristianismo.
  • Anarca da floresta  27/12/2014 12:05
    Poderia elaborar melhor sua tese? Me parece meio forçada.

    Acho que eles operam num modelo limitado materialista empiricista
    da realidade. É isso que você quis dizer?

    Sobre economistas da corte, é o mesmo que aconteceu com filósofos e teólogos
    de outros tempos. Os que falam bem do status quo são promovidos. É mais fácil
    falar a verdade do que mentir, logo geralmente eles acreditam no que falam
    e no status quo.
  • Leandro  27/12/2014 14:06
    Não quero ficar interpretando cérebros e nem as reais motivações, mas meu palpite é que são as duas coisas.

    O problema é que a evidência raramente consegue mudar a mentalidade de um indivíduo contaminado pela ideologia. Na melhor das hipóteses, a evidência serve apenas para validar a sua crença. Eu, por exemplo, deixei de ser keynesiano (eu também já fui adolescente!) e passei a seguir os preceitos da Escola Austríaca de economia não porque quisesse me juntar a alguma corrente, mas simplesmente porque eu não estava viciado em nenhuma ideologia; eu não tinha um pacote de crenças pré-concebidas que eu deveria defender árdua e cegamente, por mais que as evidências me contrariassem. Eu simplesmente queria descobrir a verdade

    É perfeitamente possível entender essa fé cega que determinadas pessoas têm no keynesianismo. Se você investiu toda a sua vida e toda a sua carreira acadêmica ou profissional defendendo teorias keynesianas, ou se a sua fé no estado é aquilo que dá sentido à sua vida, divorciar-se da economia keynesiana seria um choque e tanto. Dependendo da idade do sujeito, o estrago pode ser irreparável (mais ou menos como a onda de suicídios que acometeu os comunistas românticos e bem intencionados quando eles souberam das chacinas promovidas por Stalin).

    Se você quiser realmente aprender a verdade, entender como as coisas de fato funcionam (e isso vale para absolutamente qualquer área), seu estado de espírito não pode estar viciado; você não pode se deixar contaminar por nenhum "pré-conceito". Tenha sempre a mente aberta, não se deixe contaminar por vícios de juventude, não se prenda a ideologias e utilize sempre a razão.

    Acima de tudo, siga sempre este princípio: para realmente descobrir a verdade, você tem de ter um estado de espírito que não se deixa afetar pelas consequências de suas novas descobertas. Não se permita um estado de espírito que provoque estragos em sua vida dependendo de suas novas conclusões.
  • anônimo  27/12/2014 14:23
    Ou seja, ser frio e racional como um inglês.
    Aqui no brasil vc acha uns dois ou três assim
  • Anarca da floresta  27/12/2014 15:14
    Eu diria que o que o Leandro descreve é um tipo de psicologia
    inerentemente masculina de, não apenas estar aberto a, mas buscar o
    confronto honesto com seus inimigos.

    E esse é o problema fundamental do coletivismo. A massa é feminina por
    natureza, sempre buscando ser fecundada por líderes, e idéias
    externas. Apenas o indivíduo pode ser masculino.

    E é daí que você percebe da onde vem, qual o resultado da, e a quem
    interessa a feminilização da sociedade.
  • Emerson Luis, um Psicologo  27/12/2014 11:04

    Deveria ser óbvio que o endividamento só pode produzir uma prosperidade instável de curto prazo e um empobrecimento no longo prazo. Quem defende o endividamento:

    (a) é extremamente desinformado ou mal informado

    (b) é extremamente doutrinado

    (c) é um caso grave de autoengano

    (d) finge acreditar nisso para justificar sua demagogia

    (e) todas as anteriores

    * * *
  • luiz otávio  29/12/2014 15:04
    Eu escrevi um texto de Lei tentando regular a voracidade do Estado Brasileiro e devolvendo a nós, pessoas físicas e jurídicas do Brasil, um pouco de cidadania.
    Chama-se Lei Cidadã, e tem muito a ver com tudo que leio neste site, e que gosto muito.
    Eu posso mandar para vocês uma cópia desse meu projeto de Lei, para sua leitura e apreciação?
  • paulo octavio  29/12/2014 18:03
    Antes de mais nada, acho que o senhor deveria ler esses dois artigos: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1903 e www.mises.org.br/Article.aspx?id=291.

    Não faço parte do pessoal do Mises, mas, dado que seu esforço é uma grande perda de tempo, acho que eles não vão encorajá-lo nessa sua empreitada.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  01/04/2015 21:51
    O governo brasileiro é fantasticamente ridículo.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.