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As consequências políticas e culturais da inflação

Pode parecer atípico um economista falar sobre cultura.  Normalmente, nós economistas falamos sobre preços e produção, sobre quantidades produzidas, sobre emprego, sobre a estrutura de produção de uma economia, sobre recursos escassos, e sobre empreendedorismo.

Mas há certas coisas que economistas podem dizer sobre a cultura; mais precisamente, sobre a transformação da cultura. 

O que é cultura?  Colocando de maneira simples, é a maneira como fazemos as coisas.  Isso inclui a maneira como comemos — se jantamos ou não com nossa família regularmente, por exemplo —, como dormimos e como utilizamos automóveis ou outros meios de transporte.  E, é claro, a maneira como produzimos, consumimos ou acumulamos capital também são aspectos importantes da cultura.

Limitar o orçamento é o segredo para limitar os governos

Para entender os efeitos da inflação, é necessário primeiramente analisarmos a relação entre os sistemas financeiros e a natureza do governo.

Um grande número de economistas já enfatizou que a adoção de um papel-moeda fiduciário e de curso forçado — isto é, um dinheiro de papel que pode ser impresso livremente pelo governo e cuja aceitação é obrigatória pelos cidadãos — é um pré-requisito para que haja um governo tirânico.  A ideia de que o intervencionismo monetário pavimenta o caminho para um governo tirânico é tão antiga que remonta ao filósofo matemático Nicolas de Oresme, no século XIV. 

Essa ideia não foi devidamente enfatizada no século XX, mas Ludwig von Mises esteve entre aqueles poucos que salientaram a importância dessa relação.  Mises disse que, no que diz respeito a limitar o poder governamental, é essencial que o governo seja financeiramente dependente de seus cidadãos.  E isso passa pelo fundamental problema político de se controlar os indivíduos que ocupam os altos cargos do poder. 

Sabemos que, no geral, uma vez no poder, políticos eleitos tendem a fazer coisas bem diferentes daquelas que prometeram fazer quando estavam na campanha eleitoral; vários deles inclusive agem contrariamente aos interesses de seus eleitores.

Sendo assim, como garantir que os indivíduos que estão no poder — políticos e burocratas — sejam controlados?

Mises afirma que a maneira de controlar o governo é por meio do orçamento.  Mais ainda: tal vigilância é crucial para a sobrevivência de uma sociedade livre. 

Em um sistema democrático, determinadas pessoas são eleitas para o governo e elas frequentemente assumem seus cargos acreditando ter um mandato para fazer determinados tipos de coisas enquanto estiverem no poder.  Mas não basta que o povo diga aos funcionários do governo o que eles devem fazer.  É igualmente importante, se não mais importante, ditar quanto de dinheiro o governo disporá para alcançar esses objetivos. 

Sendo assim, não basta dizer ao governo que sua única tarefa será proteger a propriedade privada.  Tal objetivo poderia ser alcançado tanto com um orçamento de $100.000 quanto com um de $1 bilhão.  Tudo depende do quanto as pessoas estão dispostas a pagar.  Portanto, se o orçamento do governo não for efetivamente controlado, um mandato de quatro anos, por si só, não oferece nenhuma limitação à tributação ou à quantidade de dinheiro que o governo irá gastar.

Mises acreditava que aqueles que efetivamente pagam os impostos deveriam limitar, de maneira específica, o tamanho do orçamento do governo.  O governo não pode determinar autonomamente a quantidade de dinheiro que ele irá utilizar em sua função.

É provável, no entanto, que várias pessoas reclamem que, se o orçamento do governo for rigidamente controlado, então jamais haverá um aumento na quantidade de serviços estatais oferecidos, pois os cidadãos odeiam pagar impostos.  Isso até poderia vir a ocorrer; porém, e obviamente, este é justamente o objetivo.

Por outro lado, se abandonarmos essa estrita conexão entre o tanto que os cidadãos pagam de impostos e o tanto que o governo gasta, iremos nos afastar de um modelo em que o governo é controlado pelos cidadãos que são tributados e iremos nos encaminhar para um modelo em que o governo é efetivamente gerido pelas elites.

A primeira maneira como essa mudança pode ocorrer é com o governo se endividando de maneira crescente.  Ao fazer isso, a relação governo/governado irá pender para o grupo que está financiando o governo — a saber, aqueles que estão concedendo empréstimos para o governo.  Isso, por conseguinte, irá enfraquecer a relação entre governo e cidadãos tributados, e irá também permitir que o governo gaste mais dinheiro do que poderia gastar caso dependesse apenas da tributação.

É óbvio que a existência de um papel-moeda fiduciário e de cunho forçado permite que o governo tome empréstimos de maneira virtualmente ilimitada, pois o dinheiro fiduciário pode, por definição, ser produzido sem limites — comerciais ou tecnológicos — e em qualquer quantidade desejável.  Para isso, o governo se beneficia do apoio dado por um Banco Central. 

E é esperado que tal apoio ocorra, pois o próprio Banco Central existe para isso e usufrui de um monopólio legal concedido pelo governo.

Ao permitir que o governo adquira receitas que não sejam oriundas da tributação direta da população, o dinheiro fiduciário permite que haja uma expansão das atividades do governo sem o consentimento daquela fatia da população que efetivamente paga os impostos. 

Mais ainda: permite que o governo cresça de uma forma desconectada do desejo da população de realmente permitir um aumento das receitas do governo.

O gerenciamento do governo passa então a ser controlado pelas elites do mercado financeiro — fundos de investimento, sistema bancário e Banco Central, o qual existe para proteger os bancos — e não pelos cidadãos trabalhadores e pagadores de impostos. 

E a capacidade do governo de aumentar seus gastos se torna mais dependente de sua capacidade de conseguir empréstimos dos financistas do que de sua capacidade de convencer os cidadãos a aceitar o fardo de uma carga tributária maior.

As consequências culturais e morais da inflação

E assim podemos perceber as várias maneiras como um sistema de dinheiro fiduciário afeta o comportamento dos cidadãos comuns.

Uma das características centrais de um sistema de dinheiro fiduciário é que ele tende a gerar uma inflação de preços permanente.  Isso contrasta acentuadamente com o funcionamento de uma economia baseada em um dinheiro natural, como o ouro ou a prata.  Sob um sistema de dinheiro natural, a inflação de preços tende a permanecer nula no longo prazo, ou até mesmo apresentar uma deflação, especialmente se estiver ocorrendo um vigoroso crescimento econômico.  Isso ocorreu durante o século XIX tanto na Europa quanto nos EUA, onde o crescimento com deflação de preços foi a regra.

Viver sob uma contínua inflação de preços afeta o comportamento e a cultura de uma sociedade de variadas maneiras, e isso quase sempre foi feito de forma deliberada.  Entre os ideólogos e planejadores governamentais de todos os tipos, mesmo antes de Keynes, sempre foi uma constante a ideia de que pessoas comuns deveriam ser impedidas de "entesourar" dinheiro em suas casas.

Em uma economia livre, na qual o sistema monetário é formado por um dinheiro natural, há um forte incentivo para poupar dinheiro mantendo-o em casa, sob sua posse direta e sob seu imediato controle.  Investimentos em contas bancárias ou em outras aplicações relativamente seguras também ocorrem, mas manter dinheiro em casa é a principal forma de poupança, especialmente entre as famílias de baixa renda.

Em contraste, quando há uma contínua inflação de preços, como ocorre em um sistema monetário fiduciário, guardar dinheiro em casa se torna uma atitude suicida, pois a inflação de preços — a qual gera uma contínua desvalorização da moeda — aniquila o poder de compra da poupança. 

Nesse cenário, estratégias financeiras alternativas se tornam mais aconselháveis.  Passa a ser mais prudente aplicar seu dinheiro em "produtos financeiros" apenas para compensar a perda do poder de compra do dinheiro. Também passa a ser interessante se endividar e se alavancar para investir em determinados produtos do mercado financeiro. 

Mas isso requer um completo conhecimento de estratégias financeiras, tempo disponível para supervisionar constantemente seus investimentos e uma boa dose de sorte.  As pessoas que não possuem um desses ingredientes irão provavelmente perder uma parte substancial de seus ativos.  A poupança de toda uma vida normalmente desaparece por completo durante os primeiros anos da aposentadoria.  A consequência é o desespero e a erradicação dos padrões morais e sociais.  Porém, seria errado inferir que a inflação produz esse efeito principalmente nos mais idosos.  Como observou Thomas Woods:

Esses efeitos são especialmente fortes entre os jovens.  Eles aprendem a viver pensando apenas no presente e desdenham daqueles que tentam ensiná-los 'coisas antiquadas como moralidade e parcimônia.'  A inflação, desta forma, estimula uma mentalidade de gratificação imediata que está em completo desacordo com a disciplina e a eterna perspectiva requeridas para se exercer os princípios da intendência bíblica — como investimentos de longo prazo para o benefício de gerações futuras.

Mesmo aqueles cidadãos abençoados com o conhecimento, o tempo e a sorte para proteger o capital de sua poupança não são capazes de se esquivar dos impactos perniciosos da inflação.  A inflação os obriga a gastar muito mais tempo pensando no seu dinheiro do que seria necessário na ausência dela.  Eles têm de investir em ativos cujos valores crescem com a inflação; e a maneira mais prática de se fazer isso é comprando ações e títulos.  Porém, isso demanda várias horas dedicadas ao estudo, à comparação e à seleção dos papeis adequados.  E isso os obriga a estarem sempre vigilantes e preocupados com seu dinheiro, para o resto de suas vidas.  Eles precisam estar sempre seguindo o noticiário financeiro e monitorando os preços das ações no mercado financeiro.

[N. do E.: esse fenômeno da contínua desvalorização da moeda gerou um agigantamento do setor financeiro — pois as pessoas, afinal, têm de adotar alguma medida para proteger o poder de compra da sua poupança —, criando justamente aquilo que os críticos do capitalismo chamam de "financeirização" da economia, arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano.]

Similarmente, as pessoas tenderão a prolongar a fase de suas vidas na qual elas se esforçam para ganhar dinheiro.  E, ao escolher suas profissões, elas darão uma ênfase relativamente maior nos retornos monetários do que em qualquer outro critério.  Por exemplo, alguns daqueles que teriam maior propensão à jardinagem irão abandonar essa vocação e procurar um emprego industrial, pois este oferece maiores retornos financeiros no longo prazo.  E mais pessoas irão aceitar empregos distantes de suas casas apenas pelo fato de estes permitirem a elas ganharem um dinheiro extra — algo que não ocorreria com tanta frequência em um sistema monetário natural.

A dimensão moral e cultural desses hábitos induzidos pela inflação parece ser óbvia.  Questões monetárias e financeiras passam a ter um papel exagerado na vida de um homem.  A inflação torna a sociedade materialista.  As pessoas cada vez mais se esforçam para obter dinheiro à custa da felicidade pessoal.  A mobilidade geográfica induzida pela inflação enfraquece artificialmente os laços familiares.  Muitos daqueles que tendem a ser gananciosos, invejosos e mesquinhos exacerbarão estes sentimentos.  Mesmo aqueles que não possuem tal propensão serão expostos a tentações que não sentiriam caso contrário.  E como os caprichos do mercado financeiro também fornecem uma desculpa perfeita para o uso excessivamente sovina do dinheiro, doações para instituições de caridade tendem a declinar.

E há o fato de que a inflação perene tende a deteriorar a qualidade dos produtos.  Todo vendedor sabe que é difícil vender o mesmo produto físico a um preço maior do que aquele vigente nos anos anteriores.  Porém, aumentos nos preços são inevitáveis quando a moeda está continuamente perdendo poder de compra.  Sendo assim, o que os vendedores fazem?  Em muitos casos, a salvação vem por meio da inovação tecnológica, a qual permite um modo de produção mais barato do produto, desta forma neutralizando ou até mesmo compensando em demasia a influência da inflação.  Isso ocorre, por exemplo, na indústria de computadores e de equipamentos construídos com uma grande quantidade de insumos de tecnologia da informação.

Porém, em outras indústrias, o progresso tecnológico possui um papel muito menor.  Aqui, os vendedores lidam com o problema acima mencionado.  Consequentemente, eles fabricam um produto de qualidade inferior e o vendem com o mesmo nome, junto com os eufemismos que se tornaram costumeiros no marketing comercial.  Por exemplo, eles podem ofertar aos seus consumidores café "light" e vegetais "não condimentados" — o que pode ser traduzido como café ralo e vegetais que já perderam todos os resquícios de sabor.  Podem também oferecer os mesmos produtos em menores quantidade e tamanho, como as embalagens de carne fatiada que mantêm o preço mas diminuem de peso.

Em ambientes assim, as pessoas desenvolvem uma atitude mais desleixada em relação às palavras que utilizam.  Se tudo realmente for aquilo de que passou a ser chamado, então é difícil explicar a diferença entre verdade e mentira.  A inflação incita as pessoas a mentirem sobre seus produtos, e a inflação perene estimula o hábito de mentir rotineiramente. 

As características culturais de uma economia baseada no endividamento

Antes do século XX e da disseminação do dinheiro fiduciário, o endividamento era algo raro e nada corriqueiro.  Havia um imperativo cultural contra o ato de se endividar para consumir.  O crédito para as famílias, por exemplo, era praticamente desconhecido antes do século XX, e somente famílias muito pobres recorriam ao endividamento para financiar seu consumo.

Já em um sistema monetário fiduciário, à medida que a inflação de preços vai diminuindo o poder de compra da poupança de um indivíduo, ele não tem escolha senão adotar uma perspectiva de curto prazo.  Ele terá de ou virar um especialista no mercado financeiro para investir seu dinheiro corretamente, ou ele terá de se apressar em obter crédito o mais rápido possível e auferir receitas desse endividamento o mais rápido possível, pois sua poupança perderá poder de compra caso ele decida apenas guardar seu dinheiro em casa.

Não mais faz sentido poupar durante uma década para comprar um imóvel, por exemplo.  É muito mais oportuno se endividar para comprar um imóvel imediatamente e quitar a dívida ao longo do tempo, com um dinheiro já desvalorizado.  Isso gera uma corrida para a alavancagem, uma vez que o investimento financiado por dívida gera retornos maiores do que simplesmente poupar em dinheiro ou fazer investimentos financiados por capital próprio.

Desnecessário enfatizar que essa tendência não possui um ponto final.  Em outras palavras, sistemas monetários fiduciários tendem a deixar as pessoas insaciáveis em sua busca por retornos monetários cada vez maiores para seus investimentos. 

Em um sistema monetário natural, à medida que a poupança aumenta, a taxa de retorno sobre todos os tipos de investimento diminui.  Passa ser menos interessante investir a poupança para tentar auferir algum retorno, pois este será baixo.  Consequentemente, outras motivações ganham mais proeminência.  A poupança será cada vez mais utilizada para financiar projetos pessoais, inclusive a aquisição de bens de consumo duráveis e até mesmo atividades filantrópicas.  Foi exatamente isso o que aconteceu no Ocidente durante o século XIX.

Por outro lado, em uma sociedade gerida por um sistema monetário fiduciário, os indivíduos estão mais propensos a aumentar seus retornos financeiros por meio do contínuo endividamento e de uma crescente alavancagem.

É possível imaginar, portanto, como esse sistema baseado na inflação monetária e no endividamento irá, ao longo do tempo, alterar a cultura e o comportamento de toda uma sociedade.  As pessoas irão se tornar mais materialistas do que seriam sob um sistema monetário natural.  Elas não mais poderão apenas guardar seu dinheiro em casa, terão de monitorar suas aplicações bancárias constantemente, e terão de pensar em juros e em rentabilidade continuamente — caso contrário, se a rentabilidade não for alta o bastante, elas estarão na prática ficando mais pobres.

O fato de que o sistema monetário fiduciário empurra as pessoas para investimentos mais arriscados também aumenta a dependência sobre terceiros, pois cada indivíduo passa agora a depender do bom comportamento daqueles de quem o valor de seus investimentos depende.

Similarmente, quanto mais alto o nível de endividamento mais acentuada é nossa preocupação egoísta com o comportamento de terceiros que estejam nos devendo dinheiro.  Desta forma, o dinheiro fiduciário cria uma tentativa de controlar o comportamento de terceiros por meio do sistema político.

Porém, ao mesmo tempo, nenhuma família e nenhuma empresa possuem interesse individual em abolir o sistema de dinheiro fiduciário e substituí-lo por um sistema monetário natural.  Os custos de curto prazo de tal transição seriam enormes.  Sendo assim, podemos dizer que estamos em uma "armadilha da racionalidade", na qual as pessoas são motivadas a manter o atual sistema monetário fiduciário apesar de todas as suas desvantagens, e também porque a cultura já foi irremediavelmente transformada por mais de um século de acesso fácil ao crédito e ao dinheiro fiduciário.

Conclusão

Podemos aplicar a análise econômica para explicar transformações culturais, e um exemplo particularmente importante é o do dinheiro fiduciário.  Ele possui um impacto crucial sobre nossa cultura.  E isso é algo que não veríamos caso não adotássemos uma perspectiva histórica de longo prazo.

É claro que há vários outros fatores que também influenciam, mas o dinheiro fiduciário é um fator crucial, e o atual sistema é perpetuado pelo fato de que todos têm muito a perder no curto prazo caso ele seja substituído.  No que mais, considerando que nossa cultura moderna foi profundamente moldada pelos sistemas monetários fiduciários, aboli-lo ou simplesmente alterá-lo iria contra as próprias fundações culturais de nossa atual sociedade.

Não obstante os vários custos de curto prazo, ainda assim deveríamos ousar em alterar tal sistema.  Em última instância, é uma questão de coragem, percepção e vontade.

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Leia mais sobre o processo de transição para uma moeda lastreada no ouro em:

Os três regimes cambiais existentes - e qual seria o mais adequado para o Brasil


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autor

Jörg Guido Hülsmann
é membro sênior do Mises Institute e autor de Mises: The Last Knight of Liberalism e e The Ethics of Money Production.  Ele leciona na França, na Université d'Angers.


  • amauri  15/12/2014 15:26
    Boa tarde! Como usar o modelo da Escola Austriaca nas faculdades brasileiras onde o seu pensamento não serve como referência em estudos econômicos?
  • Leandro  15/12/2014 16:13
    Faculdades de economia no Brasil? Ainda há quem perca tempo com isso?

    Ao frequentá-las, você irá se tornar especialista nos pensamentos de Eric Hobsbawn, Eduardo Galeano e Caio Prado.

    Em macroeconomia você vai aprender que o governo -- via Fazenda, Banco Central e agências reguladoras -- pode perfeitamente fazer um "sintonia fina" na economia (não é exagero, não; keynesiano realmente utiliza essa expressão), de modo a deixar todo mundo mais rico, e sem que haja perdedores.

    Em microeconomia você vai descobrir que é possível fazer política econômica levando em conta até o número de ovos que uma família deve consumir por mês.

    E em econometria você vai descobrir que inventar uma equação com inúmeras variáveis e rodar uma regressão permite a você não apenas entender todos os fenômenos passados da economia, como também prever acuradamente tudo o que vai acontecer no futuro. Dominar teoria econômica passa a ser totalmente desnecessário.

    Esse conjunto, aliás, forma o ferramental preferido dos economistas convencionais da atualidade, que previram com extrema acurácia a bolha imobiliária americana e a crise financeira europeia.

    Tudo isso será ensinado por professores que se sentem completamente injustiçados, pois todos eles se julgam dignos de ocupar os altos postos da burocracia federal.

    Lembre-se de que você estará lidando com pessoas que só sabem ler panfletos ideológicos, e que desconhecem qualquer estudo não-ideologizado da ciência econômica.

    Conselho: fique jogando sinuca no DA -- mas não respire muito fundo, pra evitar a maresia -- ou mantenha sempre uma lista atualizada de músicas no seu iPod, para evitar ao máximo que seus ouvidos recebam qualquer informação emitida por seus professores. O dano cerebral pode ser irreversível. (Em caso de desespero, até mesmo Justin Bieber pode salvar.)
  • amauri  15/12/2014 16:29
    Grato Leandro, meu filho tambem eh leitor do Instituto Mises e faz Adm. e tem a matéria economia. Aconselhei ele a responder as perguntas so com o conteúdo dado.
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 10:48
    Amauri,
    ele deve ter orgulho de você...
    Meu pai é keynesiano, já tentei convencê-lo a se informar aqui, o homem é cabeça-dura!...
    Que inveja...
  • zanforlin  15/12/2014 19:17
    Caro Leandro:

    O artigo (e sua tradução, claro) é excelente, e se demonstra, por exemplo, pelo número de Secretarias do governo do Distrito Federal - 38 (para quem quiser, conferir em www.df.gov.br/sobre-o-governo/secretarias.html).

    Entretanto, esta sua resposta, por si só é um outro artigo, breve, mas de substância. Real e ironicamente "machadiano".
    Parabéns, bom natal e feliz 2015!
  • Queiroz  16/12/2014 01:23
    Leandro.

    Quisera eu que você tivesse dado estes conselhos antes.
    teria impedido-me de perder 3 anos na FEA-USP.
    (e o pior é que eu fui para lá por ter experiência na bolsa de valores) - (Murphy deve ter rido a beça)
  • Italiano  16/12/2014 03:31
    Crudelíssimo amigo.
  • Nobre  06/11/2015 17:27
    Sábias palavras Leandro, parei no primeiro semestre na UNB.
    Universidades com seus currículos fechados que não servem para nada, além de doutrinação ideológica.
    Hoje tenho uma formação livre...E nenhum "diplominha/certificado estatal ou classe".
    Atuo como consultor financeiro pessoal,nenhum cliente meu jamais exigiu qualquer certificado do que quer que seja.

    Foda-se o estado, Economia de Mercado para prosperidade material.



  • Alberto Teixeira  09/11/2015 16:09
    Boa tarde.
    Já fiz outro comentário aqui informando que sou novo no tema "economia" mas que muito me agrada. Indicaria um bom livro para iniciantes? Tem muitos artigos aqui no MISES que não entendo por não ter uma base sobre economia.
    Obrigado.
  • Refugiado do socialismo  08/11/2015 13:53
    Os conceitos da economia liberal estão sendo divulgados cada vez mais. Mais alguns anos, professores de economia, sociologia e ciências sociais, irão perceber a barbaridade que eles cometeram.

    Esse estado que comete latrocínios indiretos precisa mudar. Ninguém aguenta mais governos cleptomaníacos.

    Esse assalto legalizado do governo precisa acabar.

    A mídia ainda continua com gramscismo. Hoje mesmo saiu uma notícia no globo relacionando extrema direita com neo-nazistas.



  • Leon Palma  15/12/2014 15:40
    E eu, como cidadão comum, o que posso fazer por mim mesmo? Poupar, fazer economia, orçamento, e não me endividar? Ir contra a maré e consumir de forma minimalista (no sentido de "somente o essencial")? Não estou ironizando. Já faço isso. Só queria saber, na opinião do autor, se é isso mesmo que deve ser feito.
  • Bloy  15/12/2014 15:46
    Tudo isso. E se você já faz isso, então está no caminho certo.

    De resto, não há nada contra investir e aplicar o dinheiro (o artigo em momento algum fala isso). E também não há nada de errado em se endividar para produzir e ganhar um retorno.

    Apenas evite o endividamento voltado para financiar o consumismo.
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 10:56
    Já que fomos jogados nessa situacão de TER QUE nos informar sobre dinheiro, aplicacoes financeiras, fazer o que...
    Se você nao quiser perder muito tempo com isso, pegue seu dinheiro na conta e jogue numa LCI ou LCA. Ou faça um cadasteo na Bovespa e compre Ouro. Ou mais simples, compre Bitcoin.
  • Leon Palma  15/12/2014 16:10
    Leon Palma, creio ser isto - o que disse que já faz - ser o caminho mais adequado e ponderado, justamente em momentos políticos como este em que atravessamos.

    Pelo pouco que já li da Ação Humana de Mises, a Teoria Subjetiva do Valor faz-nos refletir - para nós brasileiros com o mínimo de conhecimento da EA - que, quando o governo expande a base monetária aos bancos, bem como influencia para a queda de juro, natural que o valor adicional de cada unidade monetária perca o seu valor, porquanto isso só vem a fomentar a velha cultura glutona de gastar para consumir, e não para poupar, o que tal só pode gerar, no médio e longo prazo, maus investimentos e más alocações de recursos.

    É um mau hábito secular estatal, infelizmente. O ponto diferencial de um indivíduo com conhecimento de economia, que convive em um cenário político como este, penso eu, é: Além de obviamente poupar seus rendimentos, o que qualquer pessoa deveria ser ensinada a fazê-lo desde criança, é investi-los em ativos tradicionalmente seguros e rentáveis, no tempo, em momentos de aceleramento da perda do poder de compra da moeda fiduciária.

    Abraço.
  • Tano  15/12/2014 16:48
    Muito bom artigo

    Porém não concordo com esta frase: "arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano.]"
    Os serviços não geram riqueza genuinamente?
  • Leandro  15/12/2014 18:33
    É claro que o setor de serviços gera riqueza. O artigo em momento algum nega isso.

    Quanto ao setor financeiro, se ele for voltado para financiar atividades produtivas, ele é essencial, gerando benefícios para todos.

    Já o setor financeiro que se concentra em especulação -- atividade esse que passa a ser necessária inclusive para se proteger contra a perda de poder de compra da moeda -- está apenas girando em círculos. Pode ser bom para quem participa, mas não gera nada para quem está de fora.

    A bolha imobiliária americana, como explicado aqui, foi em grande parte aditivada por esse tipo de especulação: gente tomando empréstimo para comprar imóveis apenas para revendê-los a um preço maior em seguida.
  • Rodolfo Oliveira  15/12/2014 16:49
    Boa tarde,

    "Porém, ao mesmo tempo, nenhuma família e nenhuma empresa possuem interesse individual em abolir o sistema de dinheiro fiduciário e substituí-lo por um sistema monetário natural. Os custos de curto prazo de tal transição seriam enormes"

    Quais custos são esses?

    Pode parecer ignorante essa minha dúvida, mas é uma curiosidade que ao meu ver não ficou explicado no artigo e por ironia me despertou bastante curiosidade.

    Desde já agradeço.
  • vinicius  16/12/2014 02:06
    Uma depressão econômica.
  • Didi  15/12/2014 19:03
    Felicitações pela matéria Leandro!

    Nessa alucinada corrida financeira, guardadas exceções claro, vimos que há aqueles que ganham devendo mais e perdem os que tradicionais poupadores, contudo - araruta tem seu dia de mingau! Conforme citado no artigo, a "financeirização" vem detrimento do setor produtivo. Destarte, temos dois exemplos clássicos – Venezuela e Argentina – ambas foram pro vinagre.

    Similar as drogas que no princípio dão aquela sensação do "barato", com o passar o tempo se transforma em pesadelo e sair delas é que são elas. No Brasil corre frouxo o dinheiro de plástico, notadamente na geração Y/Z [pós-plano real], todavia esse consumismo exacerbado já dá sinais de esgotamento e os meses à frente nos dará um vislumbre do tamanho da farsa.


  • Ricardo  16/12/2014 01:52
    Falando em inflação, a Rússia acaba de aumentar para 17% a taxa de juros.
    Isto deve desvalorizar ainda mais a nossa moeda e pressionar ainda mais a inflação.
    Nossa taxa Selic terá que ser aumentada consideravelmente também. Isto, aliado a falta de responsabilidade fiscal do governo, possibilidade de perda de grau de investimento e as dificuldades financeiras da PTbrás tornam o cenário econômico brasileiro muito preocupante.
    Vocês ainda tem esperanças que o futuro próximo do Brasil não seja desastroso? Cada dia que passa minhas esperanças diminuem.
  • Leandro  16/12/2014 03:21
    Só este ano, a Rússia já torrou 100 bilhões de dólares de suas reservas internacionais tentando conter a desvalorização do rublo. Não conseguiu. O rublo continuou se esfacelando, e o dólar subiu de 35 para 60 rublos apenas este ano.

    Essa subida nos juros de 10,5% para 17% é a tentativa desesperada de tentar manter o que resta do rublo.

    Ou a Rússia instala um Currency Board agora (ela ainda tem a quantidade de reservas necessárias pra isso), ou sua população enfrentará uma carestia seguida de uma recessão profunda.

    E a situação do Brasil e do real não está muito melhor.
  • Pobre Paulista  16/12/2014 11:55
    Há rumores que a Rússia está vendendo seus dólares para comprar ouro, vc tem alguma informação segura a respeito? Se sim, seria um indício que estão tentando instaurar um CB ortodoxo?
  • Leandro  16/12/2014 13:37
    Seria uma medida bastante inteligente, mas os motivos podem ser outros:

    www.forbes.com/sites/timworstall/2014/11/22/russias-central-bank-buying-gold-isnt-quite-what-you-think-it-is/
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 13:45
    Há muito estardalhaço na mídia anti-ocidental sobre a aquisição de ouro pela Rússia e pela China...
    Em relacao àChina, Leandro, há alguma "ameaça" ao sistema fiduciário ocidental?

    Incrível como a Rússia não consegue se recolher à sua real dimensão no mundo... Um gigante de 140 milhoes de habitantes, com renda de país subdesenvolvido, e com a curiosidade de ser a segunda potencia militar mundial (o que nem vale mais tanto hoje em dia...).
  • Marconi  16/12/2014 12:57
    Caraca.. vai começar uma disputa de quem paga os maiores juros!

    Apertem os cintos, o dólar sumiu!

    Chamem o Bernarke de volta! rsrsrs

    Dólar a menos de 3 reais? Pode comprar que tá barato!

    Dólar é ouro!
  • Leandro  16/12/2014 13:35
    Concordo.

    Aliás, em agosto de 2013, quando o dólar encostou em R$2,40 por um breve período de dois dias, escrevi esse artigo dizendo que o Brasil deveria aproveitar suas fartas reservas internacionais, esperar o dólar cair um pouco -- o que de fato aconteceu, pois o dólar chegou a custar R$2,20 -- e, quando isso ocorresse, transformar o Banco Central em um Currency Board, pois a tendência do real era seguir se esfarelando.

    Agora já era. Nosso padrão de vida vai despencar.
  • Marconi  16/12/2014 16:31
    Leandro, tem alguma idéia de quantos dólares o Brasil tem de reservas de verdade (-swaps)?

    E o que tem dá pra segurar o dólar?
  • Leandro  16/12/2014 17:41
    Swap cambial não altera o nível das reservas internacionais, pois toda a liquidação se dá em reais.

    O BC paga aos investidores (em reais) a variação do câmbio no período de vigência dos contratos mais um cupom cambial. E os investidores pagam ao BC a oscilação dos DI.

    Desde agosto de 2013, foram mais de US$100 bilhões.

    Tal medida é totalmente ineficaz em momentos de turbulência. Aliás, nem mesmo aumentar os juros adianta para economias em desenvolvimento. Aumentar juros para segurar a moeda só funciona para economias desenvolvidas, e não para economias em desenvolvimento.

    Para economias em desenvolvimento que queiram ter moeda forte, só Currency Board.
  • Marconi  16/12/2014 18:31
    Valeu! Entendi, acho. O swap evita o risco cambial e termina por reduzir a demanda por dólares.

    E, com a subida do dólar, isso gera prejú pro estado nessa troca de risco, piorando as contas.

    Se essa reversão da política monetária do FED se confirmar.. vai ser uma quebradeira..

    Quem tem dívidas em dólar tá lascado.
  • Yonatan Mozzini  18/12/2014 11:54
    Caro Leandro, apesar de o Bacen possuir divisas mais que suficientes para lastrear a nossa base monetária para adotar um currency board, creio que em longo prazo, devido às instituições presentes, tal sistema não funcionaria no Brasil, pelos seguintes motivos:

    • O orçamento público não é equilibrado, o que geraria um endividamento público constante e uma desconfiança da possibilidade de pagamento por parte dos detentores dos títulos, o que em determinado tempo geraria uma retirada severa dos capitais e, automaticamente, uma forte contração monetária, que causaria uma grave recessão;
    • É quase certo que haveria uma elevação dos impostos para compensar a ausência do imposto inflacionário, o que causaria recessão;
    • As federações das indústrias, os ruralistas e exportadores em geral são muito influentes em nosso país e caso o câmbio se valorizasse iriam berrar e iriam fazer o governo elevar ainda mais as tarifas de importação;
    • O mercado de trabalho brasileiro é altamente inflexível. Caso a economia mundial não andasse bem e houvesse saída significativa de dólares, o desemprego aqui iria disparar.

    Em resumo, iria acontecer o mesmo que na Argentina. Eu moro na fronteira com eles vejo que o povo argentino tem saudade dos anos dourados em que o peso era moeda forte. Mas tanto a mídia argentina quanto pretensos intelectuais jogam toda a culpa da desgraça de 2002 no regime de conversibilidade e no neoliberalismo. No Brasil seria a mesma coisa.

    Dado o ambiente econômico institucional brasileiro, acho que o currency board poderia existir por apenas por um curtíssimo período de tempo, apenas para preparar um ambiente para a total abolição da moeda nacional, para termos liberdade de trabalharmos com moedas estrangeiras. Depois que abolíssemos o real e adotássemos o dólar, por exemplo, duvido que algum governo conseguiria mudar o novo regime monetário, mesmo que o governo estivesse com as contas no vermelho, com o desemprego alto e que a recessão surgisse.

    Acho que mesmo se ele confiscasse os dólares do sistema bancário, tomando medida drástica como a do Collor, ainda haveria muitos dólares em poder do público – caso estivéssemos num regime militar aí tudo bem, poderiam gerar o caos e impor uma nova moeda a base da força, mas com o atual regime democrático creio que isso não iria acontecer.
  • Leandro  18/12/2014 12:57
    Discordo. Um Currency Board ortodoxo obriga o governo a alterar todas essas políticas, pois não lhe resta alternativa. Mas atenção: tem de ser um CB realmente ortodoxo. Não pode ser um pseudo-CB.

    Veja que na Argentina, enquanto o Banco Central manteve algumas características de ortodoxia de um Currency Board (1991 a 1994), o governo realmente entrou nos eixos. Depois, quando o Banco Central passou a adulterar o funcionamento do Currency Board, aí é que a coisa degringolou.

    Por isso é imprescindível realmente abolir o Banco Central, alterando sua legislação e o transformando realmente em um CB. Não pode apenas haver um BC operando como se fosse um CB.

    Veja a Bulgária: um governo reconhecidamente corrupto segue restringido pelo CB que ainda opera naquele país. O governo simplesmente não consegue desorganizar a economia. Ele consegue reprimi-la, é fato; mas não consegue bagunçá-la.

    Em Hong Kong, então, os feitos são ainda mais notáveis.

    Creio que adotar essa postura de "nada pode ser feito; não há como controlar o governo" é exatamente o tipo de derrotismo que governistas gostam de ouvir. Assim eles ficam com carta branca para seguir nos tiranizado.

    A melhor maneira de começar a restringir um governo é atacando diretamente sua capacidade de financiamento. Logo, a melhor maneira é retirando de seu controle a instituição que cria dinheiro e que permite financiamentos infinitos.
  • Yonatan Mozzini  18/12/2014 14:40
    Leandro, creio que também deve concordar que o modelo de abolição de moeda nacional é mais eficiente, pois num currency board apenas se fixa uma paridade, podendo um dia tal moeda por força de lei deixar de ser totalmente atrelada à moeda estrangeira e o Banco Central voltar a existir, enquanto que a abolição do real e a adoção de moeda estrangeira é um ato praticamente irreversível, pois o custo social seria muito alto e provavelmente nenhum governo democrático seria tão louco de tomar os dólares da população e obrigá-la a usar uma moeda sem histórico, sem lastro e nem poder de compra definido.

    Outra coisa, você disse que a Argentina quebrou por não seguir a ortodoxia do currency board, conforme Hong Kong vem fazendo. Não sei se por má interpretação minha, mas ao consultar o histórico cambial de Hong Kong (no site tradigeconomics.com), somente havia um câmbio fixo em 2000 a 2003 (cotado a 7,80) e sempre antes e depois a cotação tem estado oscilando alguns centavos a mais ou a menos, enquanto que o regime de conversibilidade argentino era totalmente fixo em 1:1. Neste aspecto, o currency board argentino era mais ortodoxo que o de Hong Kong ou isso é irrelevante? Isto é, quais são exatamente as características de um currency board ortodoxo? Pois eu tinha conhecimento, tanto por outras fontes quanto pelo IMB que, por definição, um currency board não tem como fazer política monetária.
  • Leandro  18/12/2014 16:56
    "creio que também deve concordar que o modelo de abolição de moeda nacional é mais eficiente,"

    Defendi justamente isso no meu artigo sobre o plano real.

    O problema, no entanto, é que tal solução é mais fácil de ser implantada em países pequenos, como Panamá e Equador, para os quais uma pequena quantidade de cédulas e moedas metálicas estrangeiras é mais do que o suficiente para cobrir todas as demandas por encaixes.

    Mas como fazer isso aqui no Brasil, cuja população é dois terços da americana? Como trazer para cá cédulas e moedas metálicas na mesma quantidade em que transacionamos com as cédulas de real?

    Fazer isso no início do plano real, quanto estávamos em um período de transição, era fácil. Agora, não mais.

    "pois num currency board apenas se fixa uma paridade, podendo um dia tal moeda por força de lei deixar de ser totalmente atrelada à moeda estrangeira e o Banco Central voltar a existir,"

    Por isso que, na legislação de um Currency Board ortodoxo, a sede deste fica na Suíça, sujeito às leis da Suíça. Logo, não seria tão simples assim um governo simplesmente declarar nula sua moeda e alterar suas leis.

    "Outra coisa, você disse que a Argentina quebrou por não seguir a ortodoxia do currency board, conforme Hong Kong vem fazendo".

    Opa, alto lá. Eu nunca disse que Hong Kong vem "seguindo a ortodoxia" de um CB. Pode reler lá o que eu disse. Sou extremamente cauteloso com minhas palavras. Se eu tivesse dito isso, estaria mentindo.

    Pra começar, a autoridade monetária de Hong Kong segue princípios de um CB no que tange à manutenção da taxa de câmbio fixo e da quantidade de reservas internacionais. Mas é só. A autoridade tem plenos poderes discricionários para intervir no mercado interbancário e socorrer bancos, algo que um CB ortodoxo não pode fazer.

    De novo: a autoridade monetária de HK não é um CB ortodoxo, e eu não disse isso. Disse apenas que ele segue as principais características de um CB, e pode ser, para efeitos práticos, considerado um CB (pois tem mais reservas do que a base monetária e mantém uma taxa de câmbio estrita). Mas não é ortodoxo.

    "Não sei se por má interpretação minha, mas ao consultar o histórico cambial de Hong Kong (no site tradigeconomics.com), somente havia um câmbio fixo em 2000 a 2003 (cotado a 7,80) e sempre antes e depois a cotação tem estado oscilando alguns centavos a mais ou a menos"

    O câmbio oficial sempre foi de 7,80. Só que, em maio de 2005, estipulou-se que haveria um piso e um teto de 7,75 e 7,85, respectivamente.

    A justificativa para isso, segundo a autoridade, era evitar que o dólar de HK fosse utilizado em apostas especulativas contra uma apreciação do renminbi chinês. Eu até entendo a lógica, mas acho desnecessário abrir essas bandas.
  • Yonatan Mozzini  19/12/2014 11:15
    Leandro, obrigado pelos esclarecimentos!

    Quando descobri esse tipo de modelo monetário, achei muito interessante. Dado uma cotação fixada, todas as demais variáveis relacionadas à moeda (base monetária, reservas internacionais, taxa de juros e inflação de preços) são determinadas pelo mercado. Isso já seria um retorno significativo ao laissez-faire.

    Descobri que, em certos aspectos, possui até maiores vantagens que a adoção da moeda estrangeira diretamente. A mais visível é que os ganhos de senhoriagem ficariam com o nosso país. Outro fator é que preserva um certo 'nacionalismo monetário' (um tio meu morou na Argentina durante o regime de conversibilidade e, em muitos estabelecimentos em que ele ia, os comerciantes não gostavam quando se pagava em dólares – até hoje muitos argentinos chamam, em tom depreciativo,os norte-americanos de ianques). Ainda outro motivo considerável é que, caso algum dia o dólar deixe de ser a moeda internacional de troca, a nossa moeda pode trocar de lastro para alguma outra – ou mesmo ser lastreada em moedas naturais, como o próprio ouro.
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 13:35
    O "CB" de Hong Kong baseia o cambio numa cesta de moedas, não? Ou é o de Taiwan?
    Enfim, mesmo não sendo perfeitamente ortodoxo, foi o único que sobreviveu ao arrastão de especulacoes cambiais da década de 90.
  • Leandro  07/11/2015 14:05
    Vamos lá, pela 57ª vez: não existe -- e não é possível existir -- Currency Board ancorado em uma cesta de moeda.

    De novo: não existe -- e não é possível existir -- Currency Board ancorado em uma cesta de moeda.

    Pela última vez: não existe -- e não é possível existir -- Currency Board ancorado em uma cesta de moeda.

    Currency Board, por definição, trabalha com um câmbio fixo. E é absolutamente impossível haver câmbio fixo em relação a várias moedas. Você pode ter câmbio fixo apenas e exclusivamente em relação a uma moeda. Você não pode ter câmbio fixo em relação a várias moedas.

    Você não pode ter câmbio fixo em relação ao dólar e ao franco suíço, por exemplo. Ou você fixa em relação ao dólar ou fixa em relação ao franco suíço. É impossível fixar em relação aos dois simplesmente porque o câmbio entre o dólar e o franco suíço é flutuante.

    "O "CB" de Hong Kong baseia o cambio numa cesta de moedas, não?"

    Não. É ancorado única e exclusivamente no dólar americano. Ponto.

    "Ou é o de Taiwan?"

    Taiwan tem câmbio flutuante.


    É o Banco Central de Cingapura que segue uma política de câmbio atrelado (atenção: atrelado, e não fixo) em relação a uma cesta de moedas. A composição deste cesta de moedas não é divulgada e ninguém sabe qual o peso que cada moeda tem nesta cesta.
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 18:59
    Kkkkkk... Aqui no nordeste a gente diz assim: "Pegou ar!"

    Bem, veja que pus aspas.

    Enfim, obrigado pelo esclarecimento. É o BC de Singapura que opera com uma cesta de moedas, então.
    Qual foi das três cidades-estados que foi alvo do ataque especulativo que varreu o mundo na década de 90? Singapura mesmo?
  • Mateus Nincato  08/11/2015 01:22
    Bernanke qdo era criança

    static4.businessinsider.com/image/5049fdefecad04a361000008/throwing-money.gif
  • Italiano  16/12/2014 03:25
    Uma vez eu li que a inflação só existem porque tem pessoas ganhando dinheiro com ela.
    Eu não considero vantajoso comprar algo com meses de prestação. Também porque eu acho que todos estamos sujeitos às intempéries da vida. Não que eu seja religioso, não sou. Mas não é boa a sensação de estar endividado.
    Será esta a sensação que os pais sentem ao saberem que serão pais?
  • Italiano  16/12/2014 03:53
    Nossa taxa de alavancagem é de 12, enquanto que nos Estados Unidos é de 35. Joaquim Levy já está sendo suplantado, porque logo o tesouro será ainda mais surrupiado para pagar as cagadas do desgoverno.

    E mais: essa política de credito só poderia gerar o empobrecimento geral da nação. Mas qual sensato economista não previa isto? Ah, o Mantega.. Não era sensato.

    Só para dar um exemplo do descaso: nós os otários brasileiros pagamos mais caro pelos piores serviços e produtos. As montadoras que tem suas filias aqui, repassam lucros bilionários para suas matrizes no exterior também em forma de "despesas" para não ficar tão na cara o quanto somos roubados.
  • Pobre Paulista  16/12/2014 11:58
    As montadoras que tem suas filias aqui, repassam lucros bilionários para suas matrizes no exterior também em forma de "despesas" para não ficar tão na cara o quanto somos roubados.

    Procede e já vivenciei isto na prática, mas diga você: Se você fosse dono de uma empresa participante de um cartel você não faria o mesmo?

    Não adianta culpar apenas as empresas, quem carteliza o mercado é o governo. E se isso te incomoda tanto, faça como eu (e suponho como muitos aqui): Compre apenas carros usados.
  • Italiano  16/12/2014 15:37
    Está certíssimo.
    Sabe-se que um carro novo que sai da concessionária perde de 2 a 3.000 em valor.
    O governo é o grande responsável pela trágica cultura "expansionista" que desenvolve com sua politica protecionista de mercado que não goza de nenhuma tecnologia de ponta.
    O Brasil vive uma espécie de desastre anunciado.
  • João Girardi  16/12/2014 15:47
    No quartel sempre dizíamos que se você quer sair do buraco, pode começar parando de cavar..... Que ironia.
  • Clovis Mauricio Da Rocha  16/12/2014 21:23
    Boa Noite a todos.
    Após meses apenas acompanhando o site, hoje resolvi fazer uma pergunta, por que aparentemente vejo uma contradição com tudo que aqui leio e admiro.
    Currency Board seria estabelecer uma paridade fixa em relação a outra moeda ou um metal, ouro por exemplo. Mas isso já não foi tentado na Argentina e mesmo no Brasil era FHC, e resultou em fracasso total? E não iria contra a liberdade de preços, estipulada pelo mercado? Ou seja, não seria uma intervenção pura e simplesmente sobre o valor da moeda? Desculpem minha ignorancia, mas é que realmente não entendi a colocação.
  • Leandro  16/12/2014 21:54
    Não, nunca houve câmbio fixo durante o plano real. Houve um câmbio atrelado ao dólar, o qual se desvalorizava diariamente.

    Todos os detalhes -- absolutamente todos -- você pode encontrar nestes dois artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601

    Sobre a experiência argentina com um Currency Board, você também encontra todos os detalhes excruciantes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562


    Quanto a um Currency Board ser um sistema intervencionista, trata-se de uma ideia sem sentido. Veja bem, um sistema de câmbio flexível é, por definição, um sistema de "quase-escambo". Taxas de câmbio flutuantes introduzem incertezas indesejadas nos mercados internacionais, obstruindo o livre comércio, principalmente os investimentos. O investidor torna-se muito mais um especulador do que propriamente um investidor.

    Taxas de câmbio flutuantes são aceitas por economistas simplesmente porque estes têm em mente apenas o conceito de 'nação'. Entretanto, embora 'nação' seja uma importante unidade política, ela não é uma unidade econômica. Imagine se houvesse uma taxa de câmbio flexível entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro? Ou entre Bahia e Santa Catarina? Isso seria um incentivo ao livre comércio entre os estados ou uma barreira?

    Se os estados adotassem câmbios flexíveis entre si, os efeitos seriam desastrosos para o comércio, com cada estado fazendo guerra cambial e impondo várias tarifas protecionistas. Ainda bem que não é assim.

    Não faz sentido -- a menos para protecionistas inveterados, é claro -- defender câmbio flutuante entre países, mas "câmbio fixo" entre estados, cidades e bairros.

    Ademais, vale lembrar que o padrão-ouro clássico, que vigorou de 1814 a 1913, nada mais era do que um sistema de câmbio fixo. Porém, ao contrário da ideia deturpada que se tem hoje de câmbio fixo, o câmbio fixo do padrão-ouro não era um câmbio determinado por políticos. As moedas nacionais (dólar, libra, franco etc.) eram simplesmente denominações para uma determinada massa de ouro. Um dólar era igual a 1/20 onça de ouro e uma libra era igual a 1/4 onça de ouro -- o que significava que uma libra era igual a 5 dólares.

    O dólar era "fixo" em relação à libra da mesma forma que 1 real é fixo em relação a duas moedas de 50 centavos. Ou seja, na prática, todos os países tinham a mesma moeda (ouro) e, neste sentido o câmbio, entre eles era fixo.

    Em um sistema de Currency Board ortodoxo, a oferta monetária de um país varia da mesma maneira que a oferta monetária de Minas Gerais varia quando seus habitantes transacionam, por exemplo, com os habitantes de Goiás. O país que adota o Currency Board passa a funcionar como se fosse um estado do país emissor da moeda utilizada como âncora pelo Currency Board -- por exemplo, Hong Kong funciona como se fosse mais um estado americano; Estônia (quando ainda tinha um CB, antes de adotar integralmente o euro), Bulgária e Lituânia funcionam como se fizessem parte da zona do euro.

    Para que tal sistema funcione plenamente, uma Caixa de Conversão (o Currency Board) é criada com a única missão de trocar moeda nacional (que ela própria emite) por moeda estrangeira, e vice versa. Por exemplo: suponhamos que em 1994 o Brasil tivesse adotado um Currency Board seguindo a paridade R$ 1 = US$ 1. Neste caso, partindo-se do princípio de que a quantidade de dólares em posse da Caixa de Conversão fosse igual ou maior do que a quantidade de reais em circulação (tal princípio é pré-requisito indispensável para o bom funcionamento do sistema), a Caixa estabeleceria que sempre trocaria, sem custo e sem demora, 1 real por 1 dólar e 1 dólar por real. Ao determinar isso, a taxa de câmbio estaria "fixa" em 1 real pra 1 dólar.

    (Se você quisesse vender 1 dólar por um valor maior do que 1 real para outra pessoa, esta preferiria simplesmente ir à Caixa de Conversão e lá trocar 1 real por um dólar. Ou seja, tal artifício é totalmente eficaz em realmente fixar a taxa de câmbio. E como a quantidade de dólares é, por definição, superior à quantidade de reais, é impossível haver qualquer ataque especulativo.)

    Não vou me esticar aqui em mais detalhes técnicos sobre este sistema, porém é fato que ele seria bastante superior, para um dado país, ao arranjo de câmbio flutuante, pois traria estabilidade de longo prazo para os investimentos, acabaria com as especulações e tiraria completamente das autoridades políticas do país a capacidade de fazer política monetária.

    A única maneira de ser menos intervencionista do que isso seria com um padrão-ouro puro.
  • Pobre Paulista  17/12/2014 00:30
    Mas mesmo um padrão ouro-puro sob controle estatal ainda poderia ser burlado com os governos emitindo mais moeda sem ter o lastro em ouro correspondente. Vide EUA.

    O ideal mesmo é termos moedas privadas, lastreadas em o que o seus emissores quisessem e deixando o mercado escolher a melhor, mas vai falar uma coisa dessas hoje em dia que todos irão rir de você...
  • Leandro  17/12/2014 03:36
    Não confunda padrão-ouro puro com padrão-ouro clássico (que foi o que vigorou nos EUA até 1913).

    No padrão-ouro puro não há Banco Central. E seria algo mais ou menos assim.

  • Sérgio  06/11/2015 15:00
    Só uma dúvida, no Currency Board, a oferta monetária é constante?
  • Leandro  06/11/2015 15:15
    Não. Em nenhum regime monetário isso acontece.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196
  • Ali Baba  06/11/2015 17:30
    @Leandro Roque,

    Tirando o fato de ser bastante difícil e, de maneira geral, pouco acessível, o que nos impede de utilizarmos frações de OZ1, OZ2 ou OZ3 (contratos futuros de ouro) como moeda?
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 13:59
    Grande Leandro,
    justamente o que eu havia comentado certa vez... Os não-iniciados na EA confundem o cambio pseudofixo argentino e brasileiro com um cambio fixo de vergonha.
    Creio que mereça um artigo próprio: "A Argentina penou ao fraudar o cambio fixo, e o Brasil nunca o teve sob o Real"
    Sei que você já fez vários artigos, que inclusive estão linkados, e que já li e reli, mas sigo com meu apelo.
  • Leandro  07/11/2015 14:12
    Mas este assunto não só já foi abordado, como também já foi esgotado, no artigo abaixo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

    Não há nada sobre esse assunto que já não tenha sido abordado no artigo acima.
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 19:16
    De fato.
    Já li (excelente, por sinal), reli, re-reli...
    A sugestão é no sentido de focar na confusão logo no título do artigo, e isso ser a ênfase do artigo. É dúvida recorrente aqui na seção de comentários, todo mundo informado através da mídia tradicional logo torce o nariz quando defendemos o cambio fixo.

    Sugestao feita, refeita, re-refeita, vou mais te amolar com isso não.

    Falando em sugestao repetida, novamente: que tal fazer uma área no site para iniciantes, artigos selecionados sobre a EA, para pegar o curioso de passagem e com um índice mastigadinho convertê-lo rapidamente num entusiasta?

    Abraço!
  • Clóvis  17/12/2014 14:32
    Obrigado Leandro, vou reler com atenção.
  • Italiano  17/12/2014 14:57
    Falando ainda sobre a ridícula política protecionista brasileira:

    atarde.uol.com.br/economia/noticias/1647059-omc-aprova-maior-disputa-comercial-contra-o-brasil
  • Pedro Morais  21/12/2014 00:04
    Leandro,porque bloquear a poupança,como fez Zélia Cardoso de Mello,diminuiria a inflação de preços?
  • Leandro  21/12/2014 03:10
    Porque reduziria a liquidez na economia, ou seja, a quantidade de dinheiro sendo efetivamente utilizada pelas pessoas. Na prática, ocorreu uma deflação monetária forçada.
  • Pedro Morais  21/12/2014 13:06
    Esta política de redução de liquidez seria,mais ou menos, a mesma que o presidente Campo Salles(1898-1902) utilizou para diminuir a inflação e valorizar o Réu(a queima de papel-moeda)?
    Os presidentes Brasileiros anteriores a Getúlio Vargas eram liberais?
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 19:22
    Houve um presidente da república velha que comprou os excedentes de café dos produdores e queimou.
    Isso não é liberalismo.

    Inflar a base monetária depois queimar cédulas também não é sinal de liberalismo...
  • Emerson Luis, um Psicologo  22/12/2014 20:26

    O intervencionismo keynesiano torna as pessoas mais irresponsáveis, imediatistas, consumistas, improdutivas, militantes de "direitos sociais" às custas dos outros. Tudo se torna descartável, inclusive os seres humanos. E como o consumo é supervalorizado e a produtividade é desprezada, outro dos efeitos é a desvalorização do homem e da masculinidade/maturidade.

    * * *
  • amauri  15/01/2015 10:05
    Bom dia Leandro!
    Quando o governo anuncia uma inflação perto de 6,5%, quanto deste percentual eh por causa da impressão de papel moeda ou dinheiro eletrônico?
    Agora começa o aumento da conta de energia. Somente por causa disto deve aumentar o preço de varios produtos e serviços. Mesmo assim irao criar mais moeda?
  • Sérgio  06/11/2015 14:48
    Em suma, por causa da inflação:

    1) as pessoas se endividam mais;
    2) a desigualdade social aumenta; o número de pobres cresce;
    3) os padrões morais desaparecem por causa do desespero;
    4) a fraude é incentivada.
    5) A QUALIDADE DOS PRODUTOS CAEM CONTINUAMENTE;
    6) As pessoas páram de poupar;
    7) os jovens perdem a visão de longo prazo;
    8) paradoxalmente, as pessoas se tornam mais interesseiras, e passam a enxergar valor de mercado em tudo;
    9) ninguém vai escolher mais profissões por vocação; tudo irá girar em torno de retorno financeiro;
    10) ganhar dinheiro passa a ser mais importante do que ser feliz;
    11) em consequência do item 5, as pessoas passam a mentir mais sobre a qualidade dos produtos que estão vendendo.
  • Geraldo  06/11/2015 16:25
    Ótimo resumo das consequências trágicas da inflação.
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 19:35
    Excelente!
  • L  06/11/2015 14:57
    PCO refutando Mises. Vai ter volta?

    www.pco.org.br/nacional/a-desonestidade-de-von-mises/ayoj,i.html
  • V  06/11/2015 17:30
    Obrigado pelo link. Fez-me dar umas boas risadas.
  • anônimo  06/11/2015 19:06
    Nem perca tempo..rs

    Eu entrei uma vez na pagina deles e respondi o comentário.

    E olha que não sou nenhum especialista no assunto...rs

    Eles não responderam.

    Abriram outro topico então...rs
  • Rennan Alves  06/11/2015 23:56
    "Em seu livro Theory & History (provavelmente escrito em inglês)"

    Parei de ler aí. O sujeito nem sequer sabe em que língua estava o livro que leu.
  • Edujatahy  07/11/2015 12:44
    O PCO é um partideco sem nenhuma representatividade, é o nanico chorão da esquerda. Em suma, um mero troll.
    A melhor coisa é não alimentar o troll.
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 19:41
    Aguentei não, respondi o artigo.

    A retórica dos comunistas é irritante: arrogancia, ao mesmo tempo em que há uma superficialidade na argumentação, ataques pessoais, ofensas...

    Não me contenho ao ver a memória do velhinho Mises ser vandalizada...
    Ele foi o Isaac Newton da economia! Teimar com suas formidáveis construçoes é apenas isso, teimosia...
  • Marco Antônio  08/11/2015 05:56
    "O fato de tentar refutar a praxeologia já é em si um desejo, para sair de um estado desconfortável para uma mais confortável é necessário uma ação na qual foi a argumentação contra o livro Ação Humana de Mises. Você é tão burro que reafirmou a teoria de Mises tentando refutar ele seu animalzinho. Axiomas não podem refutados." - Victor Felipe

    kkkkkkkk Alguém já foi lá nos comentários falar uma palavrinha.
  • Capital imoral  06/11/2015 16:10
    Como o capital destrói o ser humano ( o ego, e os jogos)

    A atuação do fetichismo do capital, consegue destruir o seu próprio eu, ele trabalha com a sedução estética e do próprio ego do ser humano.

    existe diversas iscas do capital para te puxar para o mal e te destruir. Hoje eu irei citar uma que está ficando bastante comum entre os jovens.

    Os Jogos
    Os jogos nos socialismo, deve ser algo que faça o ser humano crescer e evoluir por dentro, uma organização devidamente educada deve ditar qual jogos deve ser permitido e quais não, justamente para evitar a destruição do ser humano, sempre estimulando competições como de atletismo, matemática, Geografia.

    Mas no mundo capitalista contemporâneo ele estimula cliques no botão do mouse, o sedentarismo, a busca pelo lucro, empresas lucram com a sua destruição.

    Mas isso só funciona se existir uma isca, a isca muitas vezes é a grande mídia do capital, ela fornece reportagens como essa: g1.globo.com/tecnologia/games/noticia/2015/11/league-legends-jogadores-moram-e-treinam-juntos-em-sp.html

    para atrair jovens, ela trabalha com o ego, com a estética, com o sentimento dos jovens, isso atrai milhões de jovens sem o devido amparo do estado, para o lado do mal, para o lado da autodestruição, como o capitalismo, na sua excelência, permite apenas que alguns chegue ao topo, a grande maioria vai ficar pelo caminho destruída, como mostra essa reportagem: https://www.youtube.com/watch?v=QMFWaalXEHw


    Está é a destruição do ser humano no âmbito cultural feita pelo capital. se fosse no socialismo, todos seriam grandes filósofos, matemáticos, atletas e escritores.
  • Thiago Teixeira  07/11/2015 19:44
    Sob o socialismo, após mais algumas centenas de milhões de mortes, enfim poderíamos ordenhar vacas de manhã, trabalhar nas fábricas à tarde e escrever poesia à noite.

    Esse comentarista é o mesmo que assinava como Típico Universitário, não é?
  • Vinicius  08/11/2015 02:19
    Não alimente o troll
  • Lula  07/11/2015 20:48
    Onde haver mais de um ser humano, sempre vai ter um querendo ser mais esperto que o outro.

    O fato de, no capitalismo, existirem empresas que ganham dinheiro com seus produtos em cima de consumidores, revela apenas essa natureza humana.

    Em todo e qualquer "jogo" nesse mundo, haverá sempre um ganhador e um perdedor. Defender uma mudança de regras no "jogo" é típico de um mau perdedor.

    Não existe essa de "jogo que faz o ser humano crescer por dentro". Se você precisa de algo para crescer por dentro, você vai ser eternamente enganado por alguém que vai conhecer seus interesses.

    A única opção que sobra para o ser humano é jogar mas aceitar a derrota; e talvez assim, é possível crescer por dentro.
  • Capital imoral  09/11/2015 01:06
    Em nenhum momento eu falei, que era errado perder. O que falei é que o capitalismo torna os jogos imorais, pois destrói o ser humano, através da ignorância e do sedentarismo.

    Como você mesmo citou, existir vencedores e perdedores, implica em busca pela qualidade, porem isso só vale em jogos os quais são morais, como xadrez, matemática, atletismo, competições de conhecimento em história. (dai a importância do estado, isto é, pessoas mais capacitadas intelectualmente que o homem comum, ditar quais devem ser os jogos.)

    O que o capitalismo faz, é a eterna busca pelo lucro, o capitalismo torna a burrice e o sedentarismo parte essencial dos jogos, pois naturalmente as pessoas tendem a buscar o que é mais fácil. O capitalista não faz isso, porque ela é mal, ele faz isso porque a natureza do capital, é a facilidade, o comodismo, e isso, portanto, destrói o ser humano aos poucos, pois da lucro.


    Sobre como o capitalismo trabalha com os perdedores
    Porem é importante lembrar, que o capitalismo sabe tambem trabalhar com os perdedores. mas antes preciso lembrar o que acontece no socialismo, quando alguém perde:

    No socialismo
    Vamos imaginar uma competição de xadrez no socialismo, algo muito comum na Russia, que inclusive tem o Garry Kasparov, um campeão mundial de xadrez (lembrando que ele nasceu na união sovietica https://pt.wikipedia.org/wiki/Garry_Kasparov). Um jovem no socialismo, joga xadrez, pois seu governo, sabe que o melhor para ele como individuo e o que faz ele crescer, este jovem perdeu para um grande irmão socialista. Este jovem deve ficar triste? Sim ele ficará, porem terá o apoio do jovem ganhador, pois no socialismo, todos são iguais como seres humanos, porem entendemos que existe melhores e piores. o que o grande irmão vencedor irá fazer? irá ajudar o perdedor a crescer,isto é dar um apoio. assim todos crescem, respeitando a desigualdade. O socialismo é sobre isso.

    No capitalismo
    Um jovem gordo, de tanto tomar coca cola e comer salgadinhos em frente ao computador, está em uma competição online de algum jogo. ele está solitário, na escuridão, mas ele tem uma meta, vencer no jogo, não porque ele quer crescer, pois ele mesmo sabe que jogo do computador não faz ele ser melhor como pessoa. ele quer vencer pois ele quer o dinheiro da competição. Ele da o máximo de sí, afasta-se da família, da sociedade, para ficar em frente ao computador, pois bem este jovem tambem perde no jogo, só que agora é uma equação negativa, em sentido social ele perdeu, e inclusive foi zombado pelo campeão do jogo,tão solitário quanto ele.

    O trabalho da Midia do capital, entra em ação, ela irá endeusar o campeão, que irá atrair mais gente para dentro deste jogo, onde provavelmente a solidão e o sedentarismo será cada vez maior. Assim todos perdem, e apenas um ganha individualmente em dinheiro. O capitalismo é sobre isso.
  • anônimo  14/11/2015 10:24
    'dai a importância do estado, isto é, pessoas mais capacitadas intelectualmente que o homem comum'
    HAHUAHUAHUAHUAHUAHUAUHA valeu o dia essa

    https://www.youtube.com/watch?v=JhmdEq3JhoY
    https://www.youtube.com/watch?v=6xv-5td8_NA
    https://www.youtube.com/watch?v=ncKY2SGY6eE

  • Carvalhaes  06/11/2015 20:05
    "Sob um sistema de dinheiro natural, a inflação de preços tende a permanecer nula no longo prazo, ou até mesmo apresentar uma deflação, especialmente se estiver ocorrendo um vigoroso crescimento econômico. Isso ocorreu durante o século XIX tanto na Europa quanto nos EUA, onde o crescimento com deflação de preços foi a regra."
    A impressão que o artigo me passou nessa passagem é que a deflação pode ser algo positivo na economia.
    Em tudo que pesquisei em economia, sempre tive a impressão que a deflação é muito mais perigosa para a economia do que a inflação. Por isso, os países estabelecem metas de inflação e não de deflação, já que esta pode corroer de forma permanente o sistema bancário.
    É como dizem, economia é igual alimentar peixe em um aquário, se jogar comida demais (inflação) ou deixar de dar comida (deflação) o peixe morre.
    Assim, dentro dessa perspectiva, gostaria da opinião do site.
  • Magalhães   06/11/2015 21:34
    Já eu nunca vi um argumento sensato contra a deflação de preços, apenas metáforas bobas e sem sentido (como essa do aquário).

    Afinal, qual o argumento de que uma moeda que ganha poder de compra ao longo do tempo é ruim? Por que ganhar poder de compra ao longo do tempo é ruim? Gostaria de um único argumento a respeito.

    Aliás, se deflação de preços fosse ruim, então todo o setor tecnológico já estaria extinto. Computadores, notebooks, câmaras, iPads, iPhones, celulares em geral, televisores etc. -- tudo já estaria acabado, pois nestes setores os preços só fazem cair.

    Repito: qual o argumento de que um ganho no poder de compra da moeda é ruim? E por que uma perda no poder de compra seria positivo?

    E sim, o período de maior crescimento dos EUA ocorreu sob deflação de preços, como mostram as estatísticas linkadas no artigo.
  • Nogueira  06/11/2015 20:42
    Ao mesmo tempo em que a inflação estimula a mentira, a propaganda estimula a vaidade.

    Por exemplo: Pessoas que têm um padrão físico de saúde, que acham que ser saudável é ser magra, tendem a comprar produtos "light" e até levar um estilo de vida determinado.

    Na verdade, o que a gente ver em propagandas que vendem esse tipo de produto, não é apenas uma pessoa magra e sim uma pessoa jovem e bonita que provavelmente, vive para ter esse corpo, até porque é com a apresentação dele que ela ganha dinheiro.

    O ponto em que eu quero chegar é quem é que está mentindo na verdade; a propaganda que deixa implícito um estereótipo de pessoa saudável ou o consumidor, que movido pela vaidade, compra o produto?

    A situação econômica pode estimular ou inibir o comportamento de várias pessoas mas quem mente mais é quem cria valores materialistas e um estilo de vida que por trás nada mais é que uma ilusão criada por ela mesma.

    A economia de mercado sempre vai vender produtos bons e ruins, verdadeiros e falsos mas por trás de uma compra de um bem qualquer está a necessidade subjetiva que o consumidor tem em adquirir o produto.

    O "sistema", na verdade, são as pessoas agindo da forma que elas acreditam e com os valores que elas criam.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  06/11/2015 21:07
    Assaram outra pizza no TSE. já não bastava aquela da cpi da petrobrás, da zelotes e da negociação da barração do impeachment no congresso (falei!).

    O bolivarianismo está vivo e continua lá. Agora com lula fazendo ameaças de retorno em televisão aberta e com o braço armado agredindo os manifestantes de brasília. pois é.

    Só a força poderá retirar a canalhada dos três poderes. A classe média tem de catalisar esse movimento, encurralar o governo, ocupar permanentemente as ruas e praças das principais cidades do país.

    O abismo econômico será apenas o começo do nosso inferno político, caso as discussões não passem do plano das ideias à prática. Nada mudará sozinho. E não podemos contar com a solidez de nossas instituições, pois o partido-estado se apropriou do estamento burocrático e das vias jurídicas.

    Urge.
  • Refugiado do socialismo  07/11/2015 00:37
    O governo age como um bêbado em um bar ou como um gordo em uma churrascaria.

    Esse ajuste real de salário mínimo é irresponsável. Qualquer estagiário de economia sabe que não se pode realizar ajustes acima do teto da meta de inflação, sendo que o correto seria no centro da meta. A economia não suporta os ajustes e todo mundo é obrigado a reajustar preços. Ou seja, em primeiro de janeiro, o governo já toma o primeiro piléqui no maior bar do país.

    Depois vem os juros altos e uma trombada de carro por excesso de álccol, fazendo o governo gastar em juros a mesma quantidade das aposentadorias.

    Quando passa a primeira ressaca, começam os ajustes do dólar, torrando uma fortuna em swaps cambiais, para conter a maldita inflação que eles mesmos criaram.

    Se isso não fosse o bastante, o governo prepara uma grande festa open bar, onde todos podem parar de trabalhar e se aposentar, para curtir a vida e fazer um belo empréstimo consignado. Sem mesmo fazer um bico de três ou quatro horinhas por dia de trabalho, para usar todos os conhecimentos adquiridos em mais de 50 anos de vida. No meio da festa um membro do foverno grita, ninguém sai dessa festa hoje, e proíbe a desaposentadoria, onde as pessoas não podem sair da festa para voltar a trabalhar.

    Após o ambiente ficar conturbado e exalando cachaça, garçons do governo proíbem o aumento de preços das bebidas, dizendo que ninguém pode ficar sem sua dose. Eles ainda sugerem que o governo pague mais rodadas de vodka para todo mundo.

    Quando os primeiros começam a passar mal por participarem de tantas bebedeiras, socialistas do governo sugerem glicose grátis, pois as pessoas precisam de atendimento humanitário.

    O governo, não suportando pagar mais festas, resolve passar a conta para os embriagados, que se revoltam e quebram o bar todo, dizendo que a festa não pode acabar.



  • Killarney  07/11/2015 13:55
    Ótima a sua alusão! kkkkkkkkk
  • Pedro  07/11/2015 19:38
    No caso de uma economia onde há a plena liberdade de circulação de moedas, como se dá a formação de ciclos econômicos? Neste cenário o Banco Central que emite a moeda nacional tem mais liberdade para valorizá-la sem causar recessões em caso de aumentos exagerados dos juros? Digo isto pensando no exemplo abaixo.

    No Peru -- onde o Novo Sol Peruano circula paralelamente ao Dólar Americano -- o que ocorreria caso o Banco Central do Peru decretasse taxas de juros estratósfericas? O Novo Sol se valorizaria subitamente sem que a economia entrasse em recessão? Penso que isso ocorreria porque as pessoas poderiam continuar pedindo empréstimos em Dólar por juros muito menores, não provocando assim, obrigatoriamente, quedas no consumo e no investimento.
  • David M  08/11/2015 02:10
    Leandro,

    Oq Dr FHC fez no poder ? pq ele endividou tanto o país não sendo socialista ?

    Todos os partidos "praticamente" do Brasil são de esquerda.

    Agora Eu fico pensando oq PSDB fez quando estava no poder... como conseguiram diminuir o estado (privatizando a rodo) e endividar ao ponto de FHC pedir esmola pro FMI e Bill Clinton.

    Dr Lula conseguiu o IG. Ponto pro PT (todo mundo tem que bater palmas).

    Agora o estado não quer parar de gastar. Ficou viciado

    E eu não vejo quem vai diminuir o estado se o PSDB no poder foi um desastre.

    Quem?, qual partido? ou qual ministro vai dar uma porrada na mesa e cortar gastos?
  • Marco Antonio  08/11/2015 06:25
    Cara, não sou especialista não. Mas o Plano real foi uma coisa boa um tico. Endividar em dólares x inflacionar a dívida interna em trilhões e destruir a moeda. To aqui pensando em um motivo razoável pra aplaudir o Lula e seu governo.
  • Fernando  08/11/2015 13:04
    O Lula é xarope. O FMI cobrava 4% de juros nos empréstimos, mas os nacionalistas preferiram pagar juros muito mais altos mercado interno. Depois começaram a emitir titulos públicos a rodo. O tesouro direto foi criado para qualquer cidadão poder ser rentista do governo. Foi isso que quintuplicou a dívida pública. Se o dólar tivesse alto, o país já tinha quebrado ou estaria com muito mais inflação.

    A dívida do FHC era de 500 milhões e agora o PT subiu para 2,5 trilhões. A dívida líquida não aumentou muito, mas a bruta explodiu. Se o país tiver uma crise prolongada, a dívida bruta não tem como ser paga. Essa dívida bruta depende de crescimento, senão é calote ou inflação.

    Nós vivemos em um país, onde é melhor deixar o dinheiro em um banco, do que fazer uma casa para alugar e ter uma renda melhor. Ou seja, o déficit habitacional não será resolvido nos próximos 50 anos.
  • David M  08/11/2015 18:18
    Marco Antonio,

    Eu disse q Lula merece aplausos pelo IG.

    Vamos listar os presidentes que conseguiram o IG..

  • Adelson Paulo  08/11/2015 17:49
    Também não sou especialista, mas tenho 52 anos e acompanhei intensamente todo este período.
    Toda avaliação do governo de Fernando Henrique deve considerar o período anterior. A década perdida dos anos 1980, a hiperinflação, o descontrole das contas públicas, os vários planos e pacotes econômicos mal sucedidos, os rombos bilionários dos bancos estatais, a moratória da dívida externa decretada pelo governo Sarney, a brutal recessão do início do governo Collor, este era o cenário do início do governo Fernando Henrique.
    Apenas o reconhecimento dos chamados "esqueletos fiscais" (dívidas não reconhecidas) representou um aporte gigantesco para a dívida pública. Os rombos gigantescos do antigo Banco Nacional de Habitação e o saneamento dos bancos estaduais (como o Banerj) são apenas algumas causas do aumento da dívida pública de então. Toda esta dívida pública (inclusive a dívida externa, após anos de renegociação) foi reconhecida, consolidada e renegociada. Os estados e municípios tiveram também suas dívidas renegociadas, e tornaram-se devedores da União. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi aprovada com o intuito de limitar um novo endividamento dos Estados e municípios, inclusive estabelecendo um teto para os gastos com pessoal.
    Tudo isto foi obtido com anos de negociações no Parlamento e sacrifícios de todo o país. E com uma oposição feroz das forças de esquerda e sindicatos.
  • David M  08/11/2015 02:28
    E digo mais:

    O Brasil banca cerca de 3% do PIB com Assistencialismo.

    Digamos que o governo mantem sua base aliada com 3% do PIB.

    Vamos falar coisa Real !

    Qual partido Brasileiro em sã consciência vai reduzir esse número para menos de 1% ???????

    Continuando...

    Defesa Nacional, Dr Dilma banca 1,5% do PIB para os militares. (Que a querem longe)

    Voltamos ao mundo real.

    Qual governo vai ter peito para tirar esses 1,5% ("direto adquirido") dos militares que de volta e meia engrossam a voz contra a democracia...

    Conclusão: Eu vejo o trabalhador brasileiro está condenado trabalhar para bancar um bando de morto de fome (3%) e um bando de vagabundo de farda (1,5%). Ambas as categorias não produzem 1 parafuso se quer.

    Agora, toda essa corja vai querer aumento de salário. aí logicamente o imposto vai entrar "na vida" do trabalhador.

    A inflação não tem solução. Não há como deter ! Na prática não temos uma saída .




  • Thiago Teixeira  08/11/2015 17:44
    Será que o autor lê a seção de comentários?

    Queria deixar uma pergunta pro Guido: a influencia de Mises sobre a austeridade monetária da Alemanha Ocidental ocorreu com intermediacao de Eucken e Wilhem Ropke, na Mont Pelerin Society, ou Erhard entrou em contato com os escritos confiscados na residencia de Mises durante a guerra?
  • Morete  13/11/2015 16:57
    Sobre a deflação, eis o que Krugman diz:

    "Em primeiro lugar: quando as pessoas esperam uma queda nos preços, elas se tornam menos dispostas a gastar e, principalmente, menos dispostas a solicitar empréstimos."

    Infelizmente o nobel ignora completamente alguns fatores:

    Primeiro, porque existe a depreciação dos bens. Uma camisa, por mais que goste dela, com o tempo de uso ela se desgasta e preciso troca-la. Segundo, porque existe o avanço tecnológico. Um celular de 2 anos atrás é quase pré-histórico hoje. Terceiro, porque existe o fator hoje. Hoje é a certeza, amanha é incerto. Então, se você precisa de determinado bem hoje e se tiver condições, você irá compra-lo...

    blogs.estadao.com.br/paul-krugman/2010/08/03/por-que-a-deflacao-e-ruim/


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