clube   |   doar   |   idiomas
Choque e espanto na Europa: países com deflação de preços são os que mais crescem

Por todo o continente europeu, a inflação de preços está entrando em território negativo. O alto desemprego — que continua alto por causa das inflexíveis leis trabalhistas e dos privilégios sindicais, que proíbem reduções salariais — e a estagnação econômica estão forçando as empresas com capacidade ociosa a cobrar menos por seus produtos.

Sob esse cenário, os economistas convencionais não tardaram a alertar que os lucros das empresas irão desabar e que as dívidas públicas e privadas sairão do controle.

Porém, eis que surge uma charada: os três países com a "pior deflação de preços" na Europa são Portugal, Espanha e Grécia.  E quais são os países que simultaneamente passaram a apresentar as maiores taxas de crescimento econômico?  Portugal, Espanha e Grécia. 

[Nota do IMB: Veja nos gráficos abaixo como a correlação é explícita.  Quanto mais alta a inflação de preços, menor era o crescimento econômico e menor a confiança do empresariado.  À medida que a inflação de preços vai caindo, maior se tornar o crescimento econômico e a confiança do empresariado.]

Taxa de inflação acumulada em 12 meses, taxa de crescimento do PIB (trimestre sobre trimestre do ano anterior) e confiança do empresariado para Portugal.

portugal-inflation-cpi1.png

portugal-gdp-growth-annual1.png

portugal-business-confidence.png


Taxa de inflação acumulada em 12 meses, taxa de crescimento do PIB (trimestre sobre trimestre do ano anterior) e confiança do empresariado para a Espanha.

spain-inflation-cpi1.png

spain-gdp-growth-annual1.png

spain-business-confidence.png


Taxa de inflação acumulada em 12 meses, taxa de crescimento do PIB (trimestre sobre trimestre do ano anterior) e confiança do empresariado para a Grécia. O mensurador para a confiança do empresariado utiliza uma unidade diferente das utilizadas para Portugal e Espanha.

greece-inflation-cpi.png

 greece-gdp-growth-annual.png

greece-business-confidence.png

Se a deflação de preços — ou até mesmo uma estabilidade de preços em um nível baixo — é tão ruim, como esses três países passaram a crescer apenas quando os preços começaram a cair? 

A resposta é que a deflação de preços está longe de ser algo tão maléfico quanto os economistas convencionais gostam de afirmar.  Os fenômenos que realmente atravancam um crescimento econômico são endividamento de pessoas e empresas, e nível de confiança de empresários e consumidores.

Sendo assim, a zona do euro estaria melhor caso seus políticos se preocupassem mais em estimular a redução do endividamento das pessoas e empresas do que em tentar aumentar os preços.

Aparentemente, toda a zona do euro está se encaminhando para a deflação de preços.  Semana passada, foi divulgado que a inflação de preços em toda a região caiu para 0,3% no acumulado em 12 meses.

euro-area-inflation-cpi.png

Como mostra o gráfico, a inflação de preços está declinando continuamente.  A meta do Banco Central Europeu é de 2%.  A última vez em que a instituição alcançou esse objetivo foi no início de 2013.  A inflação de preços vem caindo continuamente desde que atingiu seu ápice de 3% no final de 2011.

E não há motivos para esperar que essa tendência seja alterada no futuro próximo.  O preço do petróleo desabou, e os preços de outras commodities também estão em queda.  Isso irá influenciar a inflação de preços.  Em toda a zona do euro, as vendas no varejo ainda estão fracas [Nota do IMB: mas subiram em Portugal, Espanha e Grécia, exatamente de acordo com a queda nos preços], e o desemprego segue alto.  Pessoas que perderam o emprego não gastam dinheiro comprando — e empresas não elevam os preços quando as lojas estão vazias.

A maioria dos economistas convencionais irá dizer que essa situação de preços crescendo muito pouco é bastante preocupante — e que o Banco Central Europeu tem de agir imediatamente para impedir a deflação de preços.  Caso contrário, as pessoas irão postergar suas compras, pois acreditarão que tudo estará mais barato "no mês que vem".  Já as empresas deixarão de investir porque estão vendo que os preços não sobem.  A confiança irá desabar, e a economia irá sofrer. 

No entanto, como mostram os gráficos, ocorreu exatamente o oposto nos países que de fato estão vivenciando uma deflação de preços.  Naqueles em que a deflação é a mais intensa, o crescimento está sendo o mais robusto.  A Grécia é o que apresenta o crescimento mais forte (2%), e a deflação de preços mais intensa (1,7%).  O crescimento não é nada chinês, mas o fato é que o crescimento só começou a ocorrer quando os preços de fato caíram.

Logo, e ao contrário do que pregam os economistas convencionais, parece não haver uma ligação muito forte entre preços crescentes e crescimento econômico.  E também parece que preços em queda não prejudicam o crescimento econômico.

Qual é a explicação?

A de sempre: não há nada de terrível se ter preços em queda.  Queda de preços é justamente o que ocorre em uma economia de mercado em que haja concorrência e um contínuo aumento da oferta de bens e serviços.  Todos nós consumidores gostamos quando os preços das coisas ficam mais baratos.

E não há nenhuma evidência de que uma queda nos preços faça com que as pessoas posterguem suas compras.  Se isso de fato ocorresse, ninguém jamais compraria televisões, smartphones, câmeras, laptops e demais apetrechos eletrônicos, pois sabemos perfeitamente bem que tais itens estarão mais baratos e com ainda mais qualidade no ano que vem.  O que ocorre na realidade é que as pessoas acabam comprando uma grande quantidade de todos esses itens.

As pessoas compram coisas quando necessitam delas, e levam em consideração a tendência dos preços — afinal, ninguém pode adiar compras para sempre.  E também não há evidências de que queda nos preços afete a confiança das empresas [como visto nos gráficos acima, houve um aumento na confiança das empresas].  Se uma queda de preços realmente afetasse a confiança das empresas, nenhuma empresa jamais iria empreender no ramo tecnológico. 

As empresas investem naqueles setores em que acreditam ser possível ter lucro, e o lucro está muito mais relacionado a custos do que a preços de venda.  Se os custos estiverem caindo, não haverá problemas se os preços também caírem.

[Nota do IMB: o ser humano sempre irá preferir ter um bem hoje a ter esse mesmo bem apenas no futuro distante. Isso é o básico da teoria da preferência temporal.  Logo, sempre que possível, consumidores preferem consumir no presente.  Além de você não poder postergar sua demanda por alimentos, roupas, moradia e alguns outros bens, há também o fato de que você não necessariamente irá adiar sua aquisição de um bem hoje só porque ele estará mais barato daqui a uma ano. Porque mesmo comprando-o hoje a um preço maior, você sabe que seu poder de compra será maior no futuro. E isso muda tudo.

Se você vive em um ambiente em que os preços estão caindo, você sabe que seu poder de compra futuro será maior que o atual.  Mesmo sabendo que um carro estará $3.000 mais barato daqui a dois anos, você ainda assim irá comprá-lo hoje, pois sabe que daqui a dois anos seu dinheiro estará valendo mais.  Não obstante seu gasto de hoje, você terá maior poder de compra para aquisições futuras.  É justamente o fato de você saber que terá maior poder de compra no futuro o que não irá restringir seu consumo presente.

Ao contrário até: é bem possível que o consumo presente possa aumentar, como está ocorrendo nos países citados.]

A crença de que a deflação é uma ameaça ao crescimento é um mito difícil de ser superado.  Durante a maior parte do século XIX, a deflação de preços era a regra — e isso não impediu que houvesse uma nova revolução industrial.  À medida que as coisas ficam mais baratas, os consumidores se sentem mais confiantes e voltam a consumir.  E as empresas voltam a investir.

[Nota do IMB: uma das maneiras mais rápidas e corretas de se acabar com uma recessão é permitindo que preços e salários se encaminhem para níveis mais próximos da oferta e da demanda.  Estando em recessão, uma economia deve permitir que salários caiam para que haja mais contratações de desempregados; e deve permitir que os preços caiam ainda mais para que se adéquem à realidade dos salários menores.

A Grande Depressão americana se prolongou por 16 anos justamente porque o governo americano não deixou que preços e salários caíssem. A recessão gerada pelo crash da bolsa não deveria ter durado mais do que um ano, assim como ocorreu em 1920, quando houve uma recessão idêntica. Só que, ao contrário de 1920, o governo americano não permitiu a liberdade de preços e salários, de modo que estes se adequassem à nova realidade da oferta monetária. Mesmo keynesianos ortodoxos hoje já reconhecem o fracasso do New Deal, que nada mais foi do que um conjunto de políticas de controle de preços, controle de salários, aumento das tarifas de importação, aumento de impostos, aumento de gastos, aumento do déficit, e de arregimentação sindical e de empresários incentivados pelo governo a não reduzirem seus preços.].

Em uma recessão, a deflação de preços, longe de ser um problema, é a solução.



autor

Matthew Lynn
é colunista do site MarketWatch.



  • André  05/12/2014 13:57
    Não sei se é desconhecimento dos governantes. Eles sabem que precisam da maior inflação "suportável" pela população para desvalorizar a dívida pública em termos reais. É sacanagem mesmo.
  • Pobre Krugman  05/12/2014 14:00
    E o Paul Krugman está pirando com isso.

    Krugman: "Oh meu deus, dediquei minha vida a uma mentira?"

    Krugman: "Não, farei um artigo ignorando tudo o que diz ai e irei propor mais gastos na europa, além de ridicularizar toda a escola austríaca atacando o Peter Schiff."
  • Daniel Costa  05/12/2014 14:10
    Não entendo a inteligência humana. Por que as pessoas não se revoltam contra a insensatez dos governos, principalmente os "cultos" homens europeus. Ninguém parece desconfiar de nada. Será que um governo mundial é inevitável?
  • FELIPE  05/12/2014 14:49
    "Por que as pessoas não se revoltam contra a insensatez dos governos, principalmente os "cultos" homens europeus. Ninguém parece desconfiar de nada. Será que um governo mundial é inevitável?"

    Por que os cultos homens europeus foram bem doutrinados pelas ideias socialista nas suas escola "gratuítas".

    Esses europeus hoje, que não passam de seres mimados, são pessoas que cresceram pensando que apenas por eles existirem, tem o direito a uma série de bens e serviços "essenciais": Que são uma boa educação, uma bom serviço de saúde, um bom emprego, uma boa aposentadoria, uma boa segurança, uma ajuda financeiro em tempos díficeis, e a lista é longa.

    Por isso, esse cultos europeus, que não conhecem o verdadeiro valor de trabalhar, votam em políticos falastrões e populistas.

    Espero que tenha te ajudado, abraços.
  • Daniel Costa  05/12/2014 20:27
    Ajudou muito Felipe, obrigado.
  • Nêmesis  05/12/2014 17:06
    "Não entendo a inteligência humana."

    Já eu não entendo a falta dela.
  • Artur Ribeiro  05/12/2014 14:12
    Boa notícia para mim, pois vou me mudar para Portugal em fevereiro, tinha feito as minhas pesquisas e já tinha visto esta melhora, as empresas multinacionais estão voltando a contratar e eu tenho que pegar esse bonde rápido.
  • Douglas  05/12/2014 15:28
    Lhe desejo sucesso, claro, mas olha que em Portugal não está lá essas coisas amigo.

    Dá uma olhada nesta reportagem de portugueses em Luxemburgo.

    bit.ly/1y3apc5
  • Silvio  05/12/2014 15:36
    Bonde não. Tens de apanhar esse eléctrico.
  • Diones Reis  05/12/2014 14:21
    De acordo com o que eu vi agora a pouco pela tradingeconomics.com, a minha querida Estonia também tem algo parecido, ou seja, deflação, e aumento na confiança do empresário.

    Porém , o PIB da Estonia tem caído desde 2012. É algo a se preocupar?
  • Ricardo  05/12/2014 14:45
    A Estônia está crescendo 2%, e com tendência de alta. Chegou a crescer perto de zero no início do ano. Mas aí os preços caíram e o país imediatamente voltou a crescer.

    Realmente, a correlação é impressionante.

    www.tradingeconomics.com/charts/estonia-gdp-growth-annual.png?s=estoniagdpyoy&d1=20100101&d2=20141231

    www.tradingeconomics.com/charts/estonia-inflation-cpi.png?s=estoniair&d1=20100101&d2=20141231

    No momento, está havendo deflação de preços e crescimento econômico de 2%.
  • Silvio  05/12/2014 16:04
    Não pude deixar de notar o adjetivo utilizado para qualificar a Estônia. Por um acaso já visitaste esse país?

    Pelo que já li a respeito da Estônia, fiquei embevecido com as reformas econômicas e o desenvolvimento alcançado após a independência da URSS. Confesso que é um lugar que desejo muito visitar e gostaria de ouvir o relato de uma pessoa (que não socialista ou hippie maconheiro) que já passou por aquelas bandas, daí a razão de minha pergunta.
  • Diones Reis  05/12/2014 18:39
    Silvio,

    estive na Estonia em Setembro deste ano.
    Foi um período curto (6 dias) na capital, mas que pude perceber algumas coisas bem interessantes neste país báltico:

    - Achei a capital um local seguro, a ponto de eu ver muitas crianças da capital (Tallin), pegar transporte público desacompanhadas.

    - Supermercados que não devem em nada a um supermercado alemão, canadense ou até mesmo a um americano. Estranhamente o biscoito OREO não caiu no gosto dos estonianos.

    - Nos supermercados, o próprio cliente é que pega o tipo de pão, embrulha, pesa e precifica. Achei isto o máximo. :-)

    - Facilidade em abrir uma empresa, principalmente uma consultoria ou uma start-up de TI.

    - Apesar de lá ter um dos salários mais baixos da Europa, o custo de vida é baixo, ou seja, um sujeito que consegue ganhar 800 euros por mês (descontados dos impostos), consegue muito bem pagar aluguel, pagar contas básicas, comprar comida, e ainda fazer uma poupança.

    - A demanda de oferta de trabalho especializado é alta, e algumas empresas auxiliam o trâmite de imigração, e também a burocracia para aluguel.

    - A Estonia possui uma ótima rede 4G (depoimento da recepcionista do hotel, me confirmando a cobertura de quase 100% e a qualidade), pois tem a livre concorrência de 3 empresas de Telecom (EMT, Tele2, Elisa).

    - O país apesar de pequeno em tamanho e população, tem vastas florestas e muito área verde para os habitantes locais. E o ar é mais limpo que muita cidade do Brasil.

    - A Torre Tallin, construção soviética para os jogos de 1980, hoje é privatizada, e uma das atrações do turismo local. O seu defeito ao meu ver, é estar distante do centro da cidade.

    - Os estonianos se orgulham de ser um país conectado, não só por conta do Skype, mas também porque muitas serviços públicos e particulares podem ser solicitados via internet (inclusive o voto) e unificados em um só documento de identidade.

    Até o momento é o que eu posso me lembrar. Não posso dizer sobre o sistema elétrico local,que pelo que me parece tem 2 empresas concorrentes, pois não cheguei a utilizar os serviços.

    Claro que tem os seus problemas (pobreza, criminalidade), mas estão em pontos mais localizados, e são bem menos numerosos que aqui no Brasil.

    Gostei muito do país, e recomendo como uma das possibilidades de viver e trabalhar na Europa.
  • Silvio  06/12/2014 01:15
    Meus sinceros agradecimentos pelo seu relato, realmente valeu a pena fazer esse meu questionamento, pois suas impressões destoaram do que costumo ler a respeito desse país, não porque são contraditórias, mas por uma questão de abordagem mesmo.

    Aquelas pessoas a que me referi entre parêntesis no comentário anterior, quando visitam a Estônia, costumam dar grande importância a aspectos de menor relevância (como a grande quantidade de áreas verdes), e se esquecem de relatar aspectos fundamentais, como a forma que as pessoas costumam comprar pão. Para um vermelho, isso pode parecer algo sem qualquer importância, mas não é de modo algum.

    Suur kallistus!
  • Vander  06/12/2014 15:02
    Cuidado com a Estônia: muito perto de Moscow e dos porcos comunistas.
  • Diones Reis  06/12/2014 16:54
    Eu acho que são os russos que tem que preocupar com o estonianos, que estão ali de prontidão, junto com a galera da OTAN.
    Apesar disto, a relação com Moscow é como se fosse um acordo de cavalheiros, e as balsas e ferrovias até São Petersburgo continuam em funcionamento.
    E os estonianos NÃO estão proibidos de exercer a liberdade de opinião dentro de seus domínios.
    Prova disto foi eu ter visto uma pequena manifestação (cerca de umas 20 a 30 pessoas) em frente a embaixada da Rússia na parte antiga de Tallin, contra a invasão da Ucrânia.
  • anônimo  06/12/2014 19:43
    Esse aí acha que a Rússia ainda é comunista, anda lendo muita Veja e mídia sem máscara.
  • anônimo  06/12/2014 21:46
    90% do que falam sobre a Rússia recentemente é mentira, sabem por que a mídia não fala mais daquele avião que foi derrubado? Porque estão descobrindo evidências de que NÃO foram os separatistas pró Russia.
    www.lewrockwell.com/2014/11/no_author/why-isnt-malaysia-on-the-mh17-investigative-team/

    Os EUA sim, querem guerra, e o tio Lew comenta essas coisas quase diariamente
    www.lewrockwell.com/2014/12/no_author/no-war-on-russia/
    www.lewrockwell.com/lrc-blog/congress-on-a-russian-witch-hunt/
    www.lewrockwell.com/2014/11/alasdair-macleod/putins-secret-weapon/
    www.lewrockwell.com/2014/12/no_author/who-can-save-europe-from-american-war/
    www.lewrockwell.com/2014/12/no_author/ny-times-liars-exposed/

    Já na home of the brave land of the free:
    www.lewrockwell.com/2014/12/no_author/this-is-what-happens-when-you-call-the-cops/
    www.lewrockwell.com/2014/11/no_author/cop-killing/

    Faça um bem pra sua saúde mental e não acredite cegamente em nada do que a grande mídia fala, nem quando ela aparentemente defende o livre mercado, sempre tem interesses por trás.
  • anônimo  07/12/2014 09:17
    by Ron Paul:
    'The resolution (paragraph 3) accuses Russia of an invasion of Ukraine and condemns Russia's violation of Ukrainian sovereignty. The statement is offered without any proof of such a thing. Surely with our sophisticated satellites that can read a license plate from space we should have video and pictures of this Russian invasion. None have been offered. As to Russia's violation of Ukrainian sovereignty, why isn't it a violation of Ukraine's sovereignty for the US to participate in the overthrow of that country's elected government as it did in February? We have all heard the tapes of State Department officials plotting with the US Ambassador in Ukraine to overthrow the government. We heard US Assistant Secretary of State Victoria Nuland bragging that the US spent $5 billion on regime change in Ukraine. Why is that OK?'

    www.lewrockwell.com/2014/12/ron-paul/the-criminal-clowns-of-congress/
  • Senhor A  05/12/2014 14:25
    "uma das maneiras mais rápidas e corretas de se acabar com uma recessão é permitindo que preços e salários se encaminhem para níveis mais próximos da oferta e da demanda. Estando em recessão, uma economia deve permitir que salários caiam para que haja mais contratações de desempregados; e deve permitir que os preços caiam ainda mais para que se adéquem à realidade dos salários menores."


    Eu sempre achei que preços e salários deveriam ser de acordo com oferta e demanda, acredito que assim haverá "economia real", não uma economia baseada em números desalinhados, errados...

    Por favor, me tirem uma dúvida. Se os preços dos bens abaixarem em um país, isso considerando a maioria dos bens, até mesmo matérias-primas, e os salários das pessoas forem baixos ficará tudo bem, mas e quanto ao mercado internacional, as pessoas teriam um poder de compra elevado? E se tiverem é porque a moeda do tal país ficou "forte" o suficiente com o "nivelamento por baixo"?
  • Marcelo  05/12/2014 14:51
    "Se os preços dos bens abaixarem em um país, isso considerando a maioria dos bens, até mesmo matérias-primas, e os salários das pessoas forem baixos ficará tudo bem, mas e quanto ao mercado internacional, as pessoas teriam um poder de compra elevado?"

    Se os preços caíram, então o mercado exportador ficará ainda mais atraente. Os estrangeiros irão importar ainda mais bens deste país.

    Já os moradores deste país provavelmente irão preferir comprar bens nacionais (mais baratos) a importar. No entanto, dado o aumento do poder de compra da moeda (se os preços caíram, o poder de compra da moeda aumentou), a opção pela importação também ser tornará mais atraente.

    "E se tiverem é porque a moeda do tal país ficou "forte" o suficiente com o "nivelamento por baixo"?"

    Creio que a resposta acima cabe para essa pergunta.
  • Senhor A  05/12/2014 15:02
    Marcelo, obrigado pela resposta, me ajudou.

    Tenha uma boa tarde!
  • Luiz Alberto  05/12/2014 14:40
    Graças a esse artigo vou provar a todos que duvidaram de mim como a deflação não faz mal como a maioria dos economistas dizem. Artigo fantástico assim como o Instituto que o publicou.
  • Gabriel  05/12/2014 17:21
    Pena que a maioria das pessoas adora ignorar fatos.
  • Felipe  05/12/2014 21:38
    Mais um que vai ficar conversando com a parede tentando convencer seus amigos socialista que 1 + 1 = 2 sendo que eles foram treinados para acreditar que 1 + 1 = 3.
  • Coerente  05/12/2014 14:50
    Essa idéia já foi devidamente desconstruída recentemente por Piketty com centenas de dados. Sim, aquele odiado, mas pouco refutado. Piketty tem se tornado um homem difícil de se engolir.

    A deflação nesses países está destruindo as pequenas e médias manufaturas. Somente os grandes, apoiados pelos keynesianos governistas, terão crédito suficiente para sustentar essas perdas causadas pela deflação.

    E os grandes são alemães, franceses, americanos e chineses que, apoiados pelo governo,com suas práticas predatórias de Dumping transformarão Portugal e Espanha em um novo leste europeu.

    Com 15% de desemprego e vocês ainda se perguntam porque os socialistas ganharam as presidenciais na França.



  • Leandro  05/12/2014 15:26
    Embora tenha sido uma evidente ironia à la "Típico Filósofo", é sempre bom rebater.

    "Essa idéia já foi devidamente desconstruída recentemente por Piketty com centenas de dados. Sim, aquele odiado, mas pouco refutado. Piketty tem se tornado um homem difícil de se engolir."

    Por que odiar alguém que nos faz rir com suas "centenas de dados" falsos e manipulados? Como odiar um pobre coitado que nem consegue ver que a realidade refutou sua teoria?

    E qual é a teoria de Piketty sobre deflação de preços? Até onde sei, sua única preocupação é tomar dinheiro dos ricos e dar para si próprio.

    "A deflação nesses países está destruindo as pequenas e médias manufaturas."

    Dado que a queda nos preços começou a ocorrer apenas este ano, tal alegação é um tantinho improvável.

    Agora, de 2008 a 2013, houve inflação de preços, e isso sim afeta as pequenas e médias manufaturas, e até mesmo as grandes.

    "Somente os grandes, apoiados pelos keynesianos governistas, terão crédito suficiente para sustentar essas perdas causadas pela deflação."

    Quais perdas?

    "E os grandes são alemães, franceses, americanos e chineses que, apoiados pelo governo,com suas práticas predatórias de Dumping transformarão Portugal e Espanha em um novo leste europeu."

    Francês e alemão fazendo dumping? Justamente os países que têm os maiores custos de vida e trabalhistas da zona do euro? Como fazem essa mágica? Normalmente, quem faz dumping é quem tem custos baixos, e não altos. Taí algo que ainda quero ver em vida.

    Outra coisa: sofre dumping país que tem alta inflação de preços. Se os preços domésticos estão caindo, não há como um concorrente estrangeiro fazer dumping. Nem mesmo a China.

    "Com 15% de desemprego e vocês ainda se perguntam porque os socialistas ganharam as presidenciais na França."

    E está fazendo um belíssimo trabalho:

    Popularidade de François Hollande cai para 18%

    François Hollande's popularity at rock bottom, but he has no intention of quitting
  • Lucas  07/12/2014 05:42
    Hahahahahahaha

    Estou rindo até agora da aula que o Leandro deu ao sujeito acima. Quando vejo alguém de esquerda postar seus "argumentos" aqui no site, normalmente é isso o que acontece. Uma aula é dada.

    Um fato interessante é que normalmente essas pessoas são aquelas que sempre odiaram disciplinas como matemática e lógica formal. Mas depois que se tornam adultas, de repente passam a opinar sobre economia. E o mais engraçado é que elas passam a discordar daqueles ex-colegas que sempre gabaritavam as provas de matemática.

    Uma dica a essas pessoas: não venham com teorias de conspiração e juízo de valores por aqui. Existem pessoas que utilizam o raciocínio lógico para valer, tem um QI alto e irão te refutar milhares de vezes.

    E reflitam sobre o seguinte: qual é a quantidade de acertos dos keynesianos e dos marxistas nas suas previsões econômicas? Vale lembrar que a escola austríaca sempre acertou. Inclusive, todas as crises já existentes foram previstas e explicadas em detalhes por seguidores dessa escola. Tudo sempre se confirmou na prática. Portanto, a quem devemos dar ouvidos?
  • Al  05/12/2014 15:32
    Talvez essa idéia de adiar o consumo ocorresse sob uma deflação tão forte como era a inflação aqui na década de 1980/90. Naquela época se corria para o mercado, para fazer as compras do mês no dia do recebimento do salário. Se, ao contrário, houvesse uma deflação violenta, daria para imaginar as pessoas adiando ao máximo as compras.
  • FELIPE  05/12/2014 16:06
    Claro! eu vou deixar de comer e me vestir por que sei que ano que vem vai está tudo mais barato.
    E mais, vou viver igual o tio patinhas acumulando dinheiro eternamente sem nenhum propósito, apenas por que as coisas estão ficando mais baratas a cada ano.
  • Lucas Amaro   10/12/2014 23:30
    Fora que a inflação naquele período era exponencial, era algo gigantesco.

    Imagine 50% de deflação a.a., algo que por si só já é praticamente impossível em termos de ganho de produtividade pra fazer frente à variação da oferta monetária em larga escala, e muito menor do que a inflação desse período, aplicada a um produto que custa $ 100. Em quatro anos estaria custando apenas cerca de $ 6,25. É um cenário inexistente.

    O IPCA de 1993 fechou com mais de 2.000%. Se com 50% a conta não fecha, imagine 2.000.
  • Leonardo Faccioni  05/12/2014 15:43
    Não é propriamente o tema do texto (temos cá uma inteira categoria de artigos dedicados à neomitologia escandinava, e muitos outros se poderiam escrever — recordo sempre um já antigo livro de Janer Cristaldo acerca das tecnologias de engenharia social lá aplicadas: "O Paraíso Sexual Democrata"), mas o toca tangencialmente — se consideramos imprescindível a tarefa de educar econômica e financeiramente a população a fim de criar resistência social à agenda estatizante, devemos aproveitar quando desponta um "momentum" como esse: a Globo vai dedicar seu Globo Repórter desta noite (05/12) a, pela zilhonésima vez, vender a Suécia e seu modelo "soft power" de tirania como o paraíso na Terra.

    Sugiro aos preclaros colegas que marquem presença nas redes sociais, adiantando desde já o desmentido do que, sabemos, será vendido àquela significativa parcela da sociedade que ainda depende da TV aberta para ler a realidade.
  • MCcapitalista  05/12/2014 15:52
    Talvez essa idéia de adiar o consumo ocorresse sob uma deflação tão forte como era a inflação aqui na década de 1980/90. Naquela época se corria para o mercado, para fazer as compras do mês no dia do recebimento do salário. Se, ao contrário, houvesse uma deflação violenta, daria para imaginar as pessoas adiando ao máximo as compras.

    Sim,as pessoas corriam ao mercado para fazer compras,por causa da inflação,em seguida o mercado permanecia vazio e gerava inclusive escasses de produtos. Eu lembro dessa epoca muito bem,no começo do mes,havia filas e mais filas para fazer compras,e quem comprou comprou,quem não comprou,só mes que vem.
    Somente vagabundos que trabalhavam na petrobras,telefonia e bancos publicos adoravam,pois a inflação mantinha suas boquinhas em estatais.
  • Andre  05/12/2014 16:00
    Agora falta o governo japonês aprender essa lição.
  • Takuma  05/12/2014 16:12
    O Japão é outro exemplo de correlação quase perfeita. Só não é perfeita porque o desastre nuclear de 2011 foi um ponto fora da curva.

    Mas a mais forte deflação 2010-2011 coincidiu com o mais robusto crescimento econômico. E a mais forte inflação coincidiu com a mais profunda queda da economia.

    www.tradingeconomics.com/charts/japan-gdp-growth-annual.png?s=jgdpnsaq&d1=20100101&d2=20141231

    www.tradingeconomics.com/charts/japan-inflation-cpi.png?s=jncpiyoy&d1=20100101&d2=20141231
  • Tannhauser  05/12/2014 16:28
    Realmente, se, após uma forte expansão de crédito (leia-se dinheiro fictício), ocorrer a inevitável deflação (de crédito), haverá sim uma recessão, desde que não seja permitido o ajuste de preços para o nível atual de dinheiro na economia.

    Caso seja permitido o ajuste de preços, não haverá recessão no longo prazo.

    Lembremos do Plano Cruzado (dentre outros), em que houve uma deflação de 99,9% do dinheiro na economia. Como todos os preços foram ajustados no mesmo nível (caindo 99,9%), não houve uma recessão causada por esta deflação da moeda (só a recessão de sempre). Estou falando do corte dos 3 zeros da moeda, que tecnicamente pode ser considerada como uma deflação.
  • Leandro  05/12/2014 16:44
    Não. Corte de zeros na moeda não é deflação monetária. Corte de zeros consiste meramente em uma alteração do desenho de cada cédula.

    Deflação monetária implica uma retirada maciça de dinheiro de circulação, como a que ocorreu no Plano Collor.

    No Plano Cruzado, não houve nenhuma deflação monetária -- tanto é que a demanda bombou no curto prazo, pois os preços ficaram congelados, mas a quantidade de dinheiro na economia seguiu crescendo.

    Houve deflação monetária apenas no Plano Collor, mas não no Plano Cruzado. Assim como também não houve deflação no Plano Real -- não obstante o valor nominal da moeda tenha diminuído radicalmente (CR$2.750 passaram a valer R$1).
  • Tannhauser  05/12/2014 17:33
    Ainda não me convenci, mas pensarei mais sobre o assunto.

    A meu ver, o corte de 3 zeros é sim uma deflação monetária. Todos que tinham $ 1.000,00 em um dia passaram a ter $ 1,00 no outro. O efeito seria o mesmo se o governo retirasse de circulação os $ 999,00.

    Caso o governo não decretasse que tudo teria que baixar na mesma proporção, haveria uma recessão absurda. Como você pagaria um salário mínimo mil vezes maior que o do dia anterior? Ninguém teria dinheiro para honrar seus compromissos e a economia pararia.

    Dividir o dinheiro por 1.000 (deflação) é a mesma coisa que multiplicá-lo por 2 ou 3 (inflação). Claro que a distribuição do dinheiro não é proporcional ao que cada um possui, mas não deixa de ser apenas uma mudança de escala ou nomenclatura, como salientou o André.




  • Ricardo  05/12/2014 17:46
    Oh, boy...

    Tannhauser, o corte dos três zeros valia para tudo: moeda e preços.

    Ao mesmo tempo em que a sua conta bancária, que tinha $100.000.000, passou a ter $100.000, o pãozinho francês, que custava $1.000, passou a custar $1.

    E o carro que custava $50.000.000, passou a custar $50.000.

    Entendeu? Ficou tudo na mesma. Pode fazer a divisão para constatar.

    O corte de zeros valia para tudo; não foi aplicado só à moeda, mas também aos preços. Houve apenas uma redenominação de valores numéricos. A proporção de "dinheiro por bem" manteve-se inalterada. Antes, $100.000.000 compravam 2 carros. Depois, $100.000 também compravam 2 carros.

    Ou seja, nada mudou.

    E outra coisa: corte de zeros foi a prática mais comum ao longo da história monetária brasileira. A última ocorreu em agosto de 1993.
  • Tannhauser  05/12/2014 19:08
    Sim Ricardo,

    concordo que os preços se ajustaram na mesma proporção, o que não invalida o que eu disse. Só é deflação se os preços não baixarem na mesma proporção?

    Quer dizer que, se amanhã ocorrer uma corrida aos bancos e as pessoas constatarem que somente existe 1 milésimo do dinheiro que elas achavam que tinham e o governo baixar um decreto estipulando que todos os preços devem também baixar para 1 milésimo do que era no dia anterior, isso não será uma deflação?

    Mais uma pergunta: amanhã as pessoas acordam e constatam que nas contas correntes existe apenas 1 milésimo do que existia no dia anterior. Como saber se houve "corte de três zeros" (não deflação) ou que 99,9% do dinheiro evaporou (deflação). Qual a diferença técnica entre os dois?
  • Ricardo  05/12/2014 19:27
    "Só é deflação se os preços não baixarem na mesma proporção?"

    Cacete! Houve apenas e simplesmente uma retirada de zeros! Porra, 1 metro tem 10 decímetros, 100 centímetros e 1.000 milímetros.

    Se você pegar 1.000 milímetros e cortar três zeros, houve alguma alteração no tamanho? A unidade de medida foi alterada? Houve deflação da unidade de medida?

    Se você pegar um pedaço de pano de 1.000 milímetros, cortar três zeros e dizer que ele tem 1 metro você está alterando alguma coisa? O tamanho do pano mudou? Houve deflação do pano?

    Se você pegar 100 centímetros, cortar dois zeros e chamar isso de metro você está alterando alguma coisa? Houve deflação da unidade de medida?

    Caralho....

    "Quer dizer que, se amanhã ocorrer uma corrida aos bancos e as pessoas constatarem que somente existe 1 milésimo do dinheiro que elas achavam que tinham[...]"

    Aí não houve um corte de zeros. O dinheiro sumiu! Isso sim é deflação! Porra!

    "e o governo baixar um decreto estipulando que todos os preços devem também baixar para 1 milésimo do que era no dia anterior, isso não será uma deflação?"

    Sim, seria deflação, pois o dinheiro sumiu! Ele não sofreu simplesmente um corte de zeros. O dinheiro sumiu! Sendo assim, qualquer alteração forçada de preços vai ser um tiro no escuro.

    Só porque 99% do dinheiro sumiu não quer dizer que todos os preços serem baixados em 99% fará com que tudo fique na mesma.

    Isso é o equivalente a dizer que, se as réguas sumirem, uma alteração arbitrária no tamanho dos panos vai resolver todos os problemas de mensuração.

    Caralho!

    "Mais uma pergunta: amanhã as pessoas acordam e constatam que nas contas correntes existe apenas 1 milésimo do que existia no dia anterior. Como saber se houve "corte de três zeros" (não deflação) ou que 99,9% do dinheiro evaporou (deflação). Qual a diferença técnica entre os dois?"

    Desisto. Se você acha que não há absolutamente nenhuma diferença técnica entre simplesmente cortar zeros e um banco quebrar, então eu desisto. Pense o que quiser. W.O. meu.


    P.S.: ah, sim, pela sua lógica, quando houve a troca do cruzeiro real para o real (cada CR$2.750 viraram R$1), seria exatamente a mesma coisa ser assaltado (o dinheiro sumir do banco) ou trocar cruzeiros reais por reais (o que implicaria uma acentuada queda no valor nominal de suas cédulas).

    Santo Deus!
  • Ronaldo  06/12/2014 03:38
    Tannhouser, imagina que dinheiro fossem BANANAS.

    Quanto mais bananas no mercado, mais desvalorizadas(inflação) elas vão ficar. então o governo geniosamente decide...."Vamos cortar a banana de todo mundo pela metade", mas a outra metade continua circulando no mercado....é a mesma coisa de cortar os zeros.

    AGORA...o governo começar a cortar banana e queimar a outra metade...ai temos definitivamente...a deflação.

    __________

    Um exemplo mais complicado...Imagina uma moeda(Lascado) lastreada em 2kg de ouro...O governo emite 1000 papeis, então cada Lascado vale 2 gramas de ouro.

    Nessa economia vamo dizer que pela lei de oferta e demanda, 1 banana = 100 gramas de ouro, logo 1 banana custa 50 lascados.

    O bonitão do governo emite mais 1000 Lascados para beneficiar os mais pobres e eles comprarem mais bananas, então agora 1 lascado = 1 gramas de ouro (pq eh 2000g / 2000 = 1 )

    Mas pela lei de demanda e oferta , o preço da banana aumentou para 100 lascados. E temos 2000 lascados circulando no mercado

    Então o governo : olhe que absurdo o preço da banana. vamos cortar um zero!

    1 banana = 10 lascados . E o mercado passa a ter 200 lascados em circulação.

    Lembrando que o lastro ainda são 2kg de ouro, temos uma nova proporção... 2000g / 200 = 10 , então Cada lascado vale 10 gramas agora.

    Você vai pensar : "Ah a banana está mais barata!", não, ela continua valendo 100 gramas de ouro! Lascado é apenas um referencial nessa brincadeira, o preço real da banana continua o mesmo...100 gramas de ouro!





  • Andre  05/12/2014 16:47
    "Estou falando do corte dos 3 zeros da moeda, que tecnicamente pode ser considerada como uma deflação.".

    Renomear 1000 dinheiros para 1 dinheiro é apenas uma mudança de escala ou de nomenclatura.
  • FELIPE  05/12/2014 17:59
    Só está mudando o "carimbo" dado a nota, o valor é o mesmo.

    Todos tinham 1000 cruzeiros e agora tem 1 real, só que 1000 cruzeiros vale 1 real.

    O cara que vendiam pãozinho a 500 cruzeiros só precisa fazer regra de 3 e ajustar para 50 centavos. Se ele for burro e deixa que o pãozinho fique valendo 500 reais ninguém vai conseguir comprar e então ele vai ter que abaixar o preço, se não algum padeiro com cerebro vai tomar o lugar dele.

    Entendeu?

    Você precisa lê urgentemente esse livro.
  • Pobre Paulista  05/12/2014 22:36
    Eu acho que a nova matriz aritmética já entrou em vigor. Caso contrário eu recomendaria ele ler este livro.
  • Felipe  06/12/2014 15:58
    some night?
  • Rhyan  05/12/2014 18:20
    OFF

    A política de Creative Commons do Mises.org mudou para CC BY NC ND. Isso muda alguma coisa pra vocês do IMB?

    Obrigado!
  • Moderador  05/12/2014 19:10
    Nada. Mesmo porque a esmagadora maioria dos nossos artigos nem vem deles. Para você ter uma ideia, o último artigo deles que traduzimos foi o do dia 25/09 (caramba...).
  • primo  05/12/2014 21:22
    No proprio calculo do pib não leva em conta a inflação? Dessa forma, não teriamos um peso de um vicio matematico relacionado a correlação? Isto é, os dados apresentados nao dependem do calculista? Sendo pois o pib elvolvendos dados tão vastos e de suspeita confiabilidade e a variação percentual tão pequena, sem contar o aleatorio criterio de calcular a inlfação...
  • Malcolm  06/12/2014 08:39
    No cálculo da taxa de crescimento do PIB entre um ano e outro, utiliza-se um deflator. Isso é procedimento padrão em todos os países.
  • IRCR  06/12/2014 01:44
    Devemos salientar que nesse período de melhor crescimento desses países. A deflação monetária se estancou.

    Grécia

    www.tradingeconomics.com/charts/greece-money-supply-m2.png?s=greecemonsupm2&d1=20030101&d2=20141231

    Outro fato que devemos salientar e não deixar passar, os salario minimo de 2008 a 2012 estava sendo fortemente aumentado, justamente período de fortíssima recessão na Grécia. Porém desde 2012 o salario minimo despencou, curiosamente no período de melhor crescimento.

    www.tradingeconomics.com/charts/greece-minimum-wages.png?s=greeceminwag&d1=20030101&d2=20141231
  • Guilherme  06/12/2014 08:25
    Redução salarial (e redução de preços) é justamente uma das receitas para se acabar com recessões, como salientado no artigo.
  • saoPaulo  06/12/2014 02:15
    Estava esperando por este tema para esclarecer algo!

    Moro e trabalho na Alemanha há cerca de 5 anos.

    De lá pra cá, a inflação por aqui permaneceu abaixo dos 2%, enquanto a do Brasil ficou sempre acima dos 5% (oficiais...). E desde então, a taxa de câmbio Real x Euro vem se mantendo constante, com leve tendência de queda do Euro.

    Como pode isso? Da última vez que visitei o Brasil tudo estava muito mais caro, sendo que não notei significativo aumento de preços aqui. Isso não deveria se refletir na taxa de câmbio?

    Qual o prospecto então no caso de um futuro retorno ao Brasil? Investir agora enquanto os preços no Brasil estão baixos, já que a taxa cambial permanecerá constante (considerando o histórico)? Acredito que no longo prazo isto não deveria fazer diferença.

    Sempre fiz o seguinte raciocínio:

    1. O país A usa a moeda $A, onde o produto P custa x$A;
    2. Parte deste país consegue secessão, tornando-se o país B e adotando a moeda $B que, por definição, possui câmbio de 1 pra 1 com $A neste instante de tempo. P continua portanto custando x$B;
    3. Depois de certo período de tempo, com A não podendo mais espoliar B, sua única alternativa de financiamento é imprimir dinheiro, gerando uma taxa de inflação de 100%, enquanto B se mantém austero, com inflação zero;
    4. Agora, para comprar P em A, são necessários 2x$A, enquanto em B, são necessários os mesmos x$B;
    5. Enquanto o câmbio permanecer em 1x1, pessoas se aproveitarão desta disparidade de preços, comprando P em B por x$B = x$A, vendendo-o em A por 2x$A = 2x$B, e auferindo os lucros da diferença. No limite, o cambio tenderá a 2$A~=$B, de forma que tal transação se torne apenas marginalmente lucrativa.
    6. Portanto, no longo prazo as forças de mercado tenderão a manter a taxa de câmbio em uma relação na qual se mantém uma equivalência do poder de compra entre as moedas.

    Seguindo este raciocínio, o Euro não deveria estar se valorizando com relacao ao Real?
  • Leandro  06/12/2014 08:30
    "E desde então, a taxa de câmbio Real x Euro vem se mantendo constante, com leve tendência de queda do Euro."

    Quem dera isso fosse verdade. Em julho de 2011, o euro custava R$2,25. Atualmente, ele está próximo de R$3,25, desvalorização de 31%.
  • saoPaulo  06/12/2014 23:25
    Puts, verdade...

    Falha minha ao configurar a ferramenta de pesquisa =P

    Agora o mundo faze sentido novamente.

    Valeu, Leandro.
  • Aquilino  06/12/2014 03:45
    Eu tenho uma dúvida em relação a esses países e gostaria que alguém pudesse me ajudar. O que aconteceu com a divida pública da antiga URSS? Foi dividida entre as repúblicas? Ou simples calote? E qual foi a magnitude dessa dívida? Agradeço por quaisquer informações.
  • Aquilino  06/12/2014 11:10
    Caramba, confundi este artigo com outro sobre Estônia, Letônia e Lituânia. De qualquer maneira a duvida persiste.
  • IRCR  06/12/2014 14:13
    Creio que boa parte deve ter sido pago via inflação, já que muitas republicas vivenciaram hiperinflações na década de 90
  • Pedro  06/12/2014 21:22
    A Itália acaba de ser rebaixada pela S&P; atenção ao seguinte trecho do comentário da agência:

    "A Standard & Poor's reviu em baixa as suas projecções de crescimento do PIB real e nominal de Itália para o período de 2014-17, de 1% e 1,9% para 0,5% e 1,2%, respectivamente, uma vez que a inflação persistentemente baixa e um difícil contexto de negócios continuam a pesar nas perspectivas económicas do país"

    www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/standard__poors_corta_rating_de_italia_em_um_nivel.html
  • anônimo  07/12/2014 08:35
    Essa tal de S&P que acabou de ser rebaixada no meu conceito
  • pedro  07/12/2014 02:44
    A Estônia nao depende de importação de energia. Cem por cento da energia é gerada pelo uso do shale, a mesma rocha pirobetuminosa que está fazendo cair ano a ano a importação de petróleo nos USA e que deverá transformer este país em auto-suficiente e, até, exportador de oleo, no médio prazo. Quando ao fato de Grécia, Portugal e Espanha estarem crescendo mais que os outros países comunitários, acredito que o fato se deve, em grande parte, ao que de comum tem ocorrido com outros países que caírem em depressão econômica. A gueda da produção ocorre, mas os fatores produtivos estão em grande parte preservados. Lá estão as indústrias, as fazendas, a força de trabalho, o know how etc. A margem de desocupação desses fatores permite que com pouco investimento a produção ganhe impulso. Ocorreu assim na Argentina, por exemplo, no governo anterior. Quando os fatores voltarem a ser plenalmente utilizados, aí, sim, a continuidade do crescimento dependerá do nível de investimento.
  • Diones Reis  08/12/2014 14:25
    Não é bem assim.
    Está certo que a Estonia é altamente dependente do Xisto (Shale Oil), sendo que este tipo de extração corresponde a 85% da geração de energia, e nem chega a ser um exportar.

    Mas vale lembrar que a Estonia ainda é dependente do Gás Russo, que pelos últimos dados, estava em 10% do aparato energético do país.

    Portanto, acho ingênuo atribuir o aumento do PIB da Estonia a este tipo de commodite.
  • Emerson Luis, um Psicologo  07/12/2014 11:33

    É necessário passar muitos anos estudando economia keynesiana isolado do mundo real e ter uma renda alta e segura para acreditar que inflação gera crescimento sustentável e que deflação é necessariamente ruim. Pessoas sem todo esse estudo e isolamento da realidade, de renda média ou baixa e que precisam lutar para sobreviver no mundo real não compreendem isso.

    * * *
  • vinicius  08/12/2014 11:20
    Porque ninguem fala da deflaçao chinesa?
  • Leandro  08/12/2014 12:06
    Porque não está havendo deflação de preços na China. Simples. Não se fala daquilo que não está ocorrendo.

    www.tradingeconomics.com/charts/china-inflation-cpi.png?s=cncpiyoy&d1=20100101&d2=20141231
  • Juliana  08/12/2014 11:31
    Perdoem-me pela pergunta tola e um pouco fora do escopo do artigo, mas qual o critério, como saber diferenciar se uma deflação de preços está ocorrendo por causa da produtividade que cresce mais acelerada que o aumento da massa monetária ou se é por causa da recessão e do dinheiro criado do nada que foi anteriormente injetado, e que agora está saindo da economia? Porque olhando assim, parece que a retomada do crescimento na zona do euro já está há muito tempo iminente. Não deveria nem mais ser chamada de recessão, deveria ser inventado um outro nome para mostrar que é o governo - com sua incapacidade para rever suas políticas e leis de forma a permitir que preços, salários e contratos variem e/ou possam ser renegociados conforme a valorização da moeda - que está atravancando o caminho. Mas isso é só uma impressão, por isso eu fiz a pergunta.

    Mesmo assim, lá ainda está melhor que aqui. A economia entra em recessão, e os preços caem. É verdade que aqui temos os "amigos da carestia" (os bancos estatais), que fazem com que as medidas tomadas tenham no máximo o poder de fazer a inflação desacelerar, e só muito custosamente. Mas até mesmo durante a Grande Depressão, com o governo Hoover fazendo todas as façanhas possíveis para segurar preços e salários lá em cima, houve uma forte deflação de preços. Aqui o governo tem que "encarecer" o dinheiro para pelo menos a inflação de preços ser de 4,5% ao ano. E se em algum ano ela correr 3%, vai ser um grande milagre. Desse jeito, o real está fadado a ser uma moeda fraca.

    Mas, falando do que é interessante, um artigo mostrando exemplos de como uma deflação preços aumenta a confiança dos empresários, estimula o consumo e faz a economia crescer, só pode ser maravilhoso. Mesmo que seja de uma realidade muito distante da nossa.

    Grande abraço!
  • Leandro  08/12/2014 12:11
    "Como saber diferenciar se uma deflação de preços está ocorrendo por causa da produtividade que cresce mais acelerada que o aumento da massa monetária ou se é por causa da recessão e do dinheiro criado do nada que foi anteriormente injetado, e que agora está saindo da economia?"

    Se for por causa da produtividade, estará havendo um aumento do crédito. As indústrias estarão produzindo mais (e, por isso, estão demandando financiamento para expandir suas atividades), e essa produção será mais do que suficiente para compensar o aumento da oferta monetária decorrente da expansão do crédito.

    Já em uma deflação de preços causada por uma recessão, não há, obviamente, crescimento econômico, mas sim contração econômica.

    Ou seja, olhando essas variáveis (expansão do crédito, crescimento econômico, e inflação de preços), será possível ter a resposta.
  • Juliana  08/12/2014 14:30
    Prezado Leandro, muito obrigada pelo esclarecimento. Eu imaginava mesmo que o correto, para saber identificar em qual situação está ocorrendo um desses dois tipos de deflação, é ater-se a variáveis como essas que você citou. E não se basear em de quais ações ela é fruto, ou quais serão as consequências futuras ou ainda se ela está ocorrendo em um cenário onde a mentalidade das autoridades é que está atrasando o crescimento. De qualquer forma, como o artigo muito bem abordou, ainda dá para mostrar como é o governo, com suas preocupações sem nenhum cabimento, o único que pode atrapalhar uma possível e rápida recuperação. Ajudou bastante.

    Grande abraço!
  • Jorge Gaspar  09/12/2014 23:39
    "Se for por causa da produtividade, estará havendo um aumento do crédito."

    Em Portugal e Espanha não está a ocorrer um aumento do crédito
  • Leandro  10/12/2014 01:36
    O que significa então que o crescimento está vindo da poupança própria e do reajuste de preços. Ótima notícia. As pessoas estão se livrando das dívidas e começando a trabalhar com capital próprio. A maneira ideal de se empreender, sempre que possível.
  • Yonatan Mozzini  10/12/2014 12:09
    Bastante interessante a notícia deflacionária e o artigo.

    Na verdade, a deflação para esses países era uma coisa urgente e necessária. Há uma forte correlação entre a deflação deles e a melhora na sua economia internacional, na balança comercial e na conta corrente. Creio ser devido ao fato de o câmbio real estar valorizado anteriormente. Quando os preços são altos internamente, é mais conveniente 'importar' bens e serviços.
    Num país com banco central, a tendência desastrosa dos governos seria inflacionar a moeda e desvalorizar o câmbio para deixar os bens internamente mais competitivos. Num país sem banco central, a tendência é que o próprio mercado se encarregue de deixar os preços e salários reduzirem, e mantendo um ambiente e confiável aos agentes econômicos, já que a inflação, se houver, será baixa.

    Pelo jeito, a questão monetária em Portugal, Grécia e Espanha está ótima. A mazela da economia deles está na ineficiência e na corrupção governamental, dos incansáveis déficits públicos e em organizações que não deixam os salários baixarem conforme a realidade do país.
  • anônimo  10/12/2014 16:57
    "Mesmo keynesianos ortodoxos hoje já reconhecem o fracasso do New Deal,,,"......Pessoal, vocês lembram quando estudavamos para o vestibular ?...aprendiamos sempre que o New Deal tirou o USA da crise de 1929....se fosse não respondesse assim na prova de historia....o examinador te dava nota zero na questão......realmente,somos doutrinados de uma forma errada desde pequenos...." orai e vigiai "...já dizia Cristo....
  • Senhor A  10/12/2014 17:34

    E alguns livros nos dizia que o nazismo nasceu como uma oposição aos estragos causados pela quebra da bolsa de New York, mas diziam isso de uma forma tão "peculiar" que acabávamos por entender que o Nazismo era mais uma culpa do Livre Mercado.

  • Felipe  10/12/2014 18:37
    Lembro que no meu colégio e na minha graduação de economia ouvir essa historinha do new deal.

    Jamais tive alguma explicação séria e exata do por que acontece uma crise. Até terminar a faculdade em 2011 eu simplesmente não me sentia capaz de explicar por que ocorreu a crise de 2008.

    Eu li vários artigos e livros do Paul Krugman e do Nouriel Roubini, mas simplesmente nada fazia sentindo, nenhum deles tinha uma explicação lógica, era sempre a mesma baboseira: "uma conjuntura de fatores irracionais do mercado".

    Foi em 2012 que eu li um livro chamado O fim do Fed, do senador Ron paul. Foi sensacional, como se tivesse descoberto uma grande verdade oculta.

    Foi um médico e não um economista que me fez entender economia de verdade, foi graças ao livro dele que descobri também o instituto Von Mises, e graças a isso, hoje me sinto um economista, capaz de explicar a maioria dos fenômenos econômicos.
  • Hugo  14/05/2015 04:02
    Leandro estou acompanhando a situação da Espanha pelo trading economics,e percebi que eles já reduziram em quase 50% o déficit público deles em relação a média dos anos entre 2009-2012,saindo de uma média de mais de 10% do PIB pra 5,8%,e vendo os orçamentos dos primeiros trimestres de 2013,2014 e 2015 notei uma queda profunda nos déficits nesses períodos,com o valor saindo de 53,4 bilhões para uma média de 28 bilhões nos 2 anos seguintes,e isso acompanhado de uma queda dos gastos do governo relativos ao PIB (apesar de ser maior que antes da crise),e um pib que está crescendo desde o fim de 2013. Esse ajuste da Espanha teve alguma dose de corte de gastos ou eles só financiaram a redução dos déficits pelas receitas?
  • Gustavo  10/03/2016 18:28
    Leandro,

    Estou procurando no site do mises.org mas não encontro um artigo que explique como que os QEs praticados na Europa não estão causando inflação de preços. É um fenômeno um tanto interessante que muitos monetaristas usam como contra-argumento à teoria austríaca.

  • Leandro  10/03/2016 18:44
    Explicado inúmeras vezes neste site: o Banco Central imprime dinheiro e dá para os bancos. Mas os bancos não emprestam. A oferta monetária segue crescendo no mesmo ritmo de antes.

    Pode conferir o gráfico do M3 da zona do euro aqui:

    cdn.tradingeconomics.com/charts/euro-area-money-supply-m3.png?s=emuevolvmonsupm3&v=201603022006n&d1=19160101&d2=20161231

    E pode conferir aqui a evolução da expansão do crédito:

    cdn.tradingeconomics.com/charts/euro-area-loans-to-private-sector.png?s=emuevolvloatoprisec&v=201603022311n&d1=19160101&d2=20161231

    Crescimento nulo.

    Exatamente por isso, o euro segue forte e a inflação de preços na zona do euro é nula.

    Agora, o que exatamente isso tem de "contra-argumento à teoria austríaca"?
  • Gustavo  10/03/2016 19:03
    Digo isso porque é o argumento que recebo por economistas não-austríacos quando se fala de QE. Eu entendo que os bancos privados que definem a oferta monetária, minha dúvida é porque governos e BCs continuam a elevar a BM se visivelmente não está surtindo efeito no crédito? O BC europeu está praticando juros sobre excessos de reserva que nem o FED nos EUA? Se sim porque raios dar dinheiro à bancos se não for para emprestarem?

    Fico perdido tentando entender a lógica dos QEs, principalmente quando olho para a economia brasileira e se nota uma relação visível entre a expansão monetária dos últimos anos e a estagflação que enfrentamos agora.
  • Leandro  10/03/2016 19:33
    O QE (americano e europeu) sempre teve um objetivo não-declarado: salvar os balancetes dos bancos.

    Após o estouro da bolha imobiliária européia, vários calotes foram dados. Consequentemente, os balancetes dos bancos ficaram dizimados (vários empréstimos feitos foram caloteados).

    Em termos contábeis, o valor dos ativos caiu, mas o valor dos passivos continuou o mesmo. Tecnicamente, os bancos ficaram descapitalizados.

    E bancos descapitalizados não concedem novos empréstimos.

    Por isso, os BCs entraram em ação e deram dinheiro para os bancos em troca de títulos públicos e de títulos hipotecários caloteados. A intenção era recapitalizá-los.

    Os BCs queriam retirar de circulação as hipotecas podres que estavam nos balancetes do sistema financeiro, e o QE foi o mecanismo criado para retirá-las dos balancetes.

    O QE, portanto, foi, na prática, uma medida para limpar os balancetes dos bancos.

    Ao fazerem isso, as taxas de juros do interbancário caíram pra zero. E isso gerou outro problema.

    Quando um Banco Central estipula a taxa básica de juros de economia, ele está, na prática, decretando um controle de preços.

    Banco Central estipular juros nada mais é do que uma agência governamental controlando o preço do crédito.

    Como ensina a teoria econômica, se o preço de algo for decretado a um valor acima do de mercado, haverá muita oferta e pouca demanda. Inversamente, se o preço de algo for estipulado a um valor abaixo do de mercado, haverá um excesso de demanda, mas pouca oferta.

    Se a prefeitura da sua cidade estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100 por mês, o que acontecerá com a demanda por imóveis? Garanto que vai explodir. Mas o que acontecerá com a oferta? Garanto que vai encolher.

    E se a prefeitura fizer o contrário, e estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100.000 por mês? Garanto que a oferta vai explodir, mas a demanda vai desaparecer.

    Com o preço do crédito ocorre a mesmíssima coisa.

    O que acontece se o preço do crédito for decretado em um valor acima do de mercado? A oferta será ampla, mas haverá pouca demanda por empréstimos. E se o preço do crédito for decretado em um valor abaixo do de mercado? A demanda por empréstimos será alta, mas a oferta será escassa.

    Crédito farto gera todos os problemas apontados pela teoria. Mas a correlação entre crédito farto e taxa de juros não é tão direta quanto muitos acreditam.

    É perfeitamente possível haver farra creditícia em um cenário de juros crescentes (toda a bolha imobiliária americana ocorreu em um cenário de juros crescentes, com a Selic deles indo de 1% para 5,25%; quanto mais os juros subiam, mais o crédito se expandia), bem como é perfeitamente viável não haver nenhuma expansão do crédito em um cenário de juros nulos (como o atual cenário europeu e até mesmo o atual cenário americano, em que a expansão do crédito está ocorrendo a taxas mínimas históricas; daí a total ausência de inflação de preços).

    Portanto, eis as primeiras conclusões:

    1) Se as taxa de juros sobem, mas os empréstimos se expandem, então está claro que o preço do crédito ainda não encareceu o bastante para desestimular a demanda por crédito, mas já está alto o bastante para estimular sua oferta.

    2) Se as taxa de juros sobem, e os empréstimos se contraem, então está claro que o preço do crédito já encareceu o bastante desestimular a demanda por crédito (nada se sabe sobre a oferta).

    3) Se as taxas de juros caem, e os empréstimos se expandem, então está claro que o preço do crédito ainda está alto o bastante para estimular a oferta de crédito, mas já está baixo o bastante para também estimular a demanda.

    4) Se as taxas de juros caem, mas os empréstimos não se expandem, então está claro que o preço do crédito já está baixo o bastante para desestimular sua oferta (nada se sabe sobre a demanda).

    Só por aí já dá para você entender por que é absolutamente impossível colocar uma agência governamental para decretar o preço do crédito e imaginar que ela irá acertar exatamente qual é o valor que equilibrará todas essas variáveis e levará a economia a um perfeito ponto de equilíbrio.
  • Gustavo  10/03/2016 19:44
    Entendi Leandro, muito obrigado pela explicação, esclareceu o que me faltava entender sobre esse fenômeno.

    Um abraço!


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.