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As seis falácias que assombram a ciência econômica

Um comentarista econômico certa vez afirmou que "sempre que você reunir meia dúzia de economistas e pedir a opinião deles, haverá seis recomendações completamente distintas de políticas econômicas".

Um comentário certeiro.  Mas, se a economia é uma "ciência", então por que ela desafia a precisão, a certeza, e a relativa unanimidade de opinião que caracterizam várias outras ciências — física, química e matemática, por exemplo?

Se as leis da economia e da ação humana existem e são imutáveis, por que os economistas têm opiniões tão distintas no que diz respeito a questões de suma importância?  O economista A defende um corte de impostos enquanto o economista B defende um aumento de impostos.  O economista C defende um aumento das tarifas de importação ao passo que o economista D defende o livre comércio.  O economista E defende agências reguladoras e um estado regulador, sendo que o economista F defende a livre iniciativa e a livre entrada de empreendedores em qualquer setor do mercado.

Com efeito, se há algo com que todos os economistas concordam é que eles discordam em tudo.

Porém, a verdade é que em toda essa Torre de Babel há um padrão.  Podemos dizer que há um método nessa loucura.  O fato de que os economistas não pensam de maneira igual é possível de ser explicado.  Por onde começar?

Em primeiro lugar, a economia simplesmente não é física, nem química e nem matemática.  A economia lida com o estudo da ação humana, e os seres humanos não são robôs programados.  Seres humanos não possuem um comportamento previsível que pode ser matematizado.  Cada indivíduo possui sua própria criatividade, suas próprias motivações, e seus próprios interesses.  Há indivíduos dóceis e há indivíduos irascíveis, há indivíduos submissos e há indivíduos ousados, há indivíduos complacentes e há indivíduos ambiciosos, há os espertos e há os imbecis.  Como já havia dito Adam Smith há mais de duzentos anos, "No grande tabuleiro da sociedade humana, cada peça tem uma vontade própria; e todas essas vontades próprias são distintas daquela vontade única que o governo pode querer impor a todos."

Essa inerente variabilidade dos indivíduos tende a gerar uma discórdia entre aqueles que observam esse conjunto de pessoas, e pode facilmente ludibriar qualquer previsão feita por aqueles que são arrogantes o bastante para querer gerenciar essas pessoas por meio de ferramentas matemáticas.

Sendo eles próprios indivíduos, os economistas irão divergir em seus valores e em seus juízos éticos.  O economista de tendência mais socialista irá divergir a respeito de uma determinada política daquele outro economista que é mais libertário.  Ambos podem até concordar sobre qual será o resultado final de uma política, mas irão discordar sobre se tal resultado é "bom" ou "ruim". 

Pessoas bem-intencionadas e que prezam a verdade, mas que operam sob premissas éticas distintas, muito frequentemente chegarão a conclusões bem divergentes.

No que mais, economistas podem divergir entre si simplesmente porque possuem dados distintos ou insuficientes ou não-confiáveis.

Estas são algumas das razões por que bons economistas podem divergir entre si.  No entanto, o objetivo deste artigo é buscar outros motivos para essa confusão econômica. A economia, afinal, é assombrada por mais falácias do que qualquer outra área estudada pelo homem.

Assim como há um encanamento de qualidade e um encanamento vagabundo, há um raciocínio econômico sensato e um raciocínio econômico fantasioso.  Há a "economia boa" e há a "economia ruim".  A economia ruim pode ser caracterizada pela promoção de lógica insensata, por pressuposições errôneas e fictícias, e pela simples vigarice intelectual.

Pode parecer uma simplificação demasiada, mas creio que a essência da "economia ruim" pode ser destilada em seis falácias.  Cada uma delas contém uma armadilha que apenas o economista bem-treinado saberá contornar.

1. A falácia dos termos coletivos

Exemplos de termos coletivos são "sociedade", "comunidade", "nação", "classe" e "nós".

É de suprema importância lembrar que tais termos são meras abstrações, produtos da imaginação.  Não são entidades vivas, que respiram, pensam e agem.  A falácia aqui é justamente a de presumir que um coletivo é, com efeito, uma entidade viva, que respira, pensa e age.

O bom economista reconhece que a única entidade viva, que respira, pensa e age, é o indivíduo.  A fonte de toda a ação humana é o indivíduo.  Outras pessoas podem aquiescer com a ação de um indivíduo, ou até mesmo participar em conjunto, mas tudo o que ocorrer como consequência pode ser atribuído a indivíduos específicos e identificáveis.

Considere isso: poderia existir uma abstração chamada "sociedade" se todos os indivíduos desaparecessem?  É óbvio que não.  Em outras palavras, um termo coletivo não existe na nossa realidade, independentemente das pessoas específicas que o compõem.

Para se atribuir corretamente responsabilidades, causa e efeito, é absolutamente essencial que economistas evitem a falácia dos termos coletivos.  Aquele que não o fizer irá incorrer em horrendas generalizações.  Ele irá atribuir crédito ou culpa a entidades inexistentes.  Ele irá ignorar as ações reais (ações individuais) que estão ocorrendo no mundo à sua volta.  Ele pode até acabar falando sobre "a economia" como se ela fosse um ser humano que joga tênis e come cereais no café da manhã.

2. A falácia da composição

Esse erro envolve indivíduos.  A lógica é a de que o que é verdade para um indivíduo será verdade para todos os outros indivíduos.

O exemplo mais comum é o daquele sujeito que fica de pé na arquibancada do estádio durante o jogo de futebol.  É verdade que, ao agir assim, ele poderá enxergar melhor; mas se todo mundo também ficar de pé, a visão de vários espectadores individuais provavelmente ficará pior.

Um falsificador que imprimir um milhão de cédulas de dinheiro certamente irá se beneficiar (caso ele não seja descoberto); mas se todos nós nos tornarmos falsificadores e cada um imprimir um milhão de cédulas de dinheiro, é bem óbvio que o efeito será bem distinto.

Vários manuais de economia falam sobre o agricultor que fica em melhor situação por ter tido uma colheita farta, mas alertam que isso não ocorrerá caso todos os agricultores também tenham colheitas fartas.  Isso ao menos sugere que já há um reconhecimento da falácia da composição nos livros-textos de economia.  Mas é fato que o erro ainda é persistente em vários outros raciocínios econômicos.

O bom economista é aquele que vê as árvores e não ignora a floresta, ou vê a floresta e não ignora as árvores.  Ele é consciente de todo cenário.

3. A falácia de que "dinheiro é riqueza"

Os mercantilistas de século XVII elevaram esse erro ao paroxismo da política nacional.  Sempre propensos a acumular cada vez mais ouro e prata, eles fizeram guerras contra seus vizinhos e saquearam seus tesouros.  Se a Inglaterra era mais rica do que a França, isso se devia, de acordo com os mercantilistas, ao fato de que a Inglaterra possuía mais metais preciosos, os quais normalmente estavam nos cofres do rei.

Foi Adam Smith, em "A Riqueza das Nações", que demoliu essa ideia tola.  Um povo se torna próspero à medida que aumenta a oferta de bens e serviços, e não a quantidade de dinheiro.  Todo o dinheiro do mundo — papel ou metálico — ainda deixará o sujeito morto de fome caso não haja oferta de bens ou serviços.

A ideia de que "dinheiro é riqueza" é uma das que mais afligem o mundo atual, e está por trás das mais estapafúrdias teorias monetárias.  Vários países já incorreram em hiperinflação e foram à ruína exatamente ao perseguirem essa ilusão. 

O bom economista reconhece que a criação de dinheiro não representa um atalho para a riqueza.  Somente a produção de bens e serviços demandados pelos consumidores e bem valorados no mercado pode aliviar a pobreza e promover a prosperidade.

4. A falácia de se produzir apenas por produzir

Embora a produção seja essencial para o consumo, é importante não inverter os fatores.  Produzimos para que possamos consumir; não consumimos para que haja produção.

Gosto de escrever e de lecionar, mas prefiro tomar sol em Acapulco.  No entanto, antes de ter condições de ir para Acapulco tive de trabalhar escrevendo este artigo e ensinando esses princípios para meus alunos, pois esta é a única ordem possível dos fatores.  Escrever e lecionar são os meios; ir à praia e tomar sol em Acapulco são os fins.

Uma economia livre é uma economia dinâmica.  É a arena em que ocorre aquilo que o economista Joseph Schumpeter chamou de "destruição criativa".  Novas ideias suplantam ideias antigas; novos produtos e novos métodos substituem produtos e métodos antiquados; e várias novas indústrias e tecnologias tornam obsoletas indústrias e tecnologias de outrora.

Isso ocorre porque a produção deve constantemente mudar de forma para se conformar com as contínuas alterações nas demandas dos consumidores.  Para a saúde de uma economia dinâmica é necessário que indústrias obsoletas e defasadas possam morrer e que indústrias novas e criativas possam prosperar.

Um mau economista que seja vítima dessa antiga falácia agirá como o faraó que acredita que a construção de pirâmides por si só representava pujança econômica; ou como o político que implementa um programa de cavar buracos para em seguida tapá-los, apenas para manter as pessoas "empregadas".

Atualmente, sempre que uma indústria passa por dificuldades, algumas pessoas exigem que ela seja socorrida "custe o que custar".  Elas querem que bilhões em subsídios sejam dados a ela para impedir que o veredito do mercado seja executado.  O mau economista irá se juntar a esse coro e ignorar os efeitos deletérios que isso acarretaria para o consumidor.

O bom economista, por outro lado, não confunde meios com fins.  Ele sabe que falências são algo positivo para uma economia porque permitem que aqueles concorrentes mais produtivos tenham a oportunidade de comprar os ativos das empresas falidas a preços de barganha, permitindo-os fortalecer suas operações.  Em uma economia que permita esse tipo de crescimento e mudança, os empregos perdidos em um processo de falência serão rapidamente repostos por outros, uma vez que as empresas mais eficientemente geridas ganham acesso a mais ativos e se expandem.

O bom economista entende as reais implicações das ajudas financeiras: elas são concebidas para imunizar alguns empreendedores dos efeitos de suas decisões ruins.  As ajudas financeiras dadas pelos governos são uma tentativa de abolir os efeitos do insucesso econômico.

O bom economista, enfim, entende que a produção só é importante porque o consumo é ainda mais importante.  E se os consumidores não mais querem os produtos de uma empresa, ela tem de falir.

Quer um exemplo dessa falácia?  Que tal as várias propostas de se impedir que os consumidores comprem carros importados para "proteger" as montadoras nacionais dessa concorrência?

5. A falácia do "almoço grátis"

O Jardim do Éden é coisa de um passado distante, mas ainda assim várias pessoas (inclusive economistas) creem e agem como se bens econômicos pudessem ser criados sem absolutamente nenhum custo.

É importante ser inequívoco quanto a isso: se há economia envolvida, então alguém está pagando.

Um bom exemplo disso são os gastos do governo.  O bom economista entende que o governo, por sua própria natureza, só pode dar aquilo que ele antes tomou de alguém.  Uma universidade pública, uma saúde estatal ou até mesmo um simples parque é algo que está sendo custeado pelos impostos de milhões de cidadãos.

Um amigo meu certa vez me disse que tudo o que uma pessoa precisa saber sobre economia está incluído na seguinte frase: "Quanto irá custar e quem irá pagar?".  Esse pequeno ensinamento carrega uma grande sabedoria para o economista: não seja superficial em seu raciocínio.

6. A falácia do curto prazo

Em certo sentido, essa falácia é um sumário das cinco falácias anteriores.

Algumas ações parecem benéficas no curto prazo, mas geram desastres no longo prazo: beber em excesso, dirigir de maneira imprudente, gastar como se não houvesse amanhã e imprimir dinheiro, apenas para ficar em algumas. 

O mau economista enxerga apenas aquilo que está imediatamente ao alcance de sua visão; o bom economista consegue ver além.  O mau economista enxerga apenas as consequências diretas de uma política implantada; o bom economista consegue ver as consequências indiretas e mais ocultas.

Bastiat sempre enfatizou que, na economia, há aquilo que se vê e aquilo que não se vê.  Um economista tem de ser igualmente versado nas duas artes.  É essencial que o invisível esteja incluído em qualquer consideração sobre uma situação.

Políticos que têm um horizonte temporal curto e que pensam apenas nas próximas eleições frequentemente defendem políticas que geram benefícios de curto prazo em detrimento de seus custos futuros.  É lamentável que eles várias vezes tenham o apoio de economistas.

O bom economista não sofre dessa miopia.  O período de tempo que ele considera em suas análises é longo e elástico, e não curto e fixo.

Conclusão

É isso.  Não é a solução final para toda a confusão que existe nas ciências econômicas, mas ao menos é um começo. 

Sou do tipo otimista e estou convencido de que uma boa economia é mais do que possível; é imperativo.  E para que ela seja predominante é necessário, no mínimo, entender todo o pedestal de falácias que dá sustento à má economia.



autor

Lawrence W. Reed

  • Joao Filipe  05/11/2014 14:16
    Podiam ter apresentado esse artigo pro Mantega.
  • Pedro Ivo  06/11/2014 13:13
    Também podiam apresentar-lhe a beira precipício, e sendo ele quem é, as instruções, "um passo a frente".
  • Pedro.  05/11/2014 14:45


    O grande erro é analisar a economia com base no dinheiro, como se tal fosse o valor nele pintado. O dinheiro em si NÃO VALE NADA ou vale tanto quanto seu peso em papel como sucata.

    Esta absolutamente errada essa colocação:

    " já que você quer o artigo mais do que o dinheiro gasto com ele e eles dão mais valor ao dinheiro que vão receber do que o artigo que estão vendendo"

    Esqueça-se o dinehiro. Ninguém quer o dinheiro em si, mas apenas aquilo que o dinheiro representa como bens e serviços que por ele pode ser resgatado.

    Imagine-se que o o milho se tornasse o bem fracionável para ser o MEIO DE TROCAS ENTRE BENS E SERVIÇOS. Ninguém iria consumir todo o milho que acumulasse. Apenas manteria milho estocado a fim de trocar este por bens e serviços.

    Ou seja, imagine-se que produtores de bens trocassem seus produtos por MILHO. Assim, seus produtos ficariam expostos para serem adquiridos em troca, TAMBÉM, por milho. Aquele que adquiriu, por milho, o produto de um produtor, ao expo-lo à venda, receberia um montante de milho para assim recuperar o que foi cedido ao produtor de quem adquiriu o produto; de preferência com LUCRO. Este lucro é a remuneração por seu trabalho de intermediar entre o produtor e o consumidor. Se não puder obter lucro, significa que seu trabalho de intermediação teve valor negativo. Lógico! foi um trabalho mal feito. Não teve valor porque avaliou mal sua aquisição. Ou seja, seu trabalho intelectual foi tão negativo que anulou mesmo seu trabalho físico envolvido.

    Na verdade o dinheiro não tem valor e ninguém deseja o dinheiro, mas apenas aquilo pelo qual teóricamente foi trocado. Ou seja, o montante de dinheiro significa bens e serviços "hipotecados" e o dinheiro apenas a "caução" que permite seu portador RESGATAR bens e serviços disponíveis no preço especificado no dinheiro.

    Ou seja: O dinheiro é apenas um meio de fracionar bens e serviços para facilitar a troca entre estes.
    Quem produz uma casa não precisa encontrar alguém que possua todos os produtos que o proprietário da casa deseja num montante que ele aceite trocar a casa por tal montante. Através do dinheiro o construtor consegue trocar pequenas partes da casa que produziu com inúmeros parceiros. Como todos assim fazem, alguém acumulará as "várias partes da casa" e assim poderá, juntasndo-as, adquirir a casa então "remontada".

    Exatamente por isso os governos precisam cobrar impostos MESMO QUE POSSAM FABRICAR TANTO DINHEIRO QUANTO QUEIRAM.

    O montante de dinheiro trocado por bens e serviços é correspondente ao montante dos bens e serviços disponíveis para serem adquiridos. Assim, se os fornecedores de bens e serviços ficassem com o total de dinheiro obtido na troca por seus bens e serviços, a soma de todos os produtores corresponderia a soma de todos os bens e serviços disponiveis. Ou seja, o governo ao COBRAR IMPOSTOS DIMINUI A CAPACIDADE DE OS PRODUTORES ADQUIRIREM UM MONTANTE DE BENS E SERVIÇOS CORRESPONDENTE AO MONTANTE DOS BENS E SERVIÇOS QUE PRODUZIRAM.

    Claro que o governo também é um produtor de bens e serviços, a DIFERENÇA é que o governo IMPÕE o PREÇO de seus bens e serviços e IMPÕE a TROCA.

    Assim, mesmo que o valor dos bens e serviços produzidos pelos governos seja inferior ao que os demais produtores desejam pagar por eles ou mesmo que NÃO OS DESEJEM ADQUIRIR POR INÚTEIS OU DE CUSTO SUPERIOR AO BENEFICIO, ainda assim são FORÇADOS a pagar por eles. ESSA É A CAUSA DA POBREZA!!!!

    Um produtor de bens e serviços, POR MAIS INÚTEIS QUE SEJAM, ainda assim são OBRIGATÓRIAMENTE adquiridos e trocados por bens e serviços úteis que não mais estarão à disposição dos PRODUTORES ÚTEIS.
    Claro que uma sociedade cuja boa parte da produção de bens e serviços úteis são consumidos POR QUEM NÃO OFERECE EM TROCA UMA CONTRAPARTIDA COMPENSADORA, será uma sociedade mais pobre. Afinal o MONTANTE de bens e serviços consumidos é INFERIOR ao montante de bens e serviços disponíveis e desejáveis para consumo. Ou seja, o valor oferecido é inferior ao consumido e essa DIFERENÇA é de fato UMA EXPROPRIAÇÃO de bens e serviços contra seus produtores.
    Logicamente se uma parte produz e duas partes consomem, aqueles que produzem são forçados a abdicar de parte do que produzem em favor de inúteis que nada produzem ou que impõem o valor de troca de seus produtos úteis ou inúteis. Havendo então uma diferença EXPROPRIADA por meio da ameaça de dano maior, a ameaça de violência.

    Se o problema fosse de dinheiro, não haveria problema, posto que o governo pode produzir tanto dinheiro desejar e só não o faz na medida de tal desejo porque o dinheiro não é um produto trocável, mas apenas um meio de facilitar as trocas entre bens e serviços úteis. Assim, se o governo fabrica dinheiro e o utiliza para adquirir bens e serviços na sociedade produtiva, esta na verdade EXPROPRIANDO parte dos bens e serviços produzidos e desejáveis.

    Imagine-se que uma parcela da população pudesse oferecer desenhos a lápis em TROCAS FORÇADAS para obter bens e serviços disponiveis.
    Obviamnente aqueles que produzissem bens e serviços desejáveis teriam menos destes disponiveis para consumo, já que boa parte iria para os inúteis produtores de rabiscos em papéis.

    Claro que os produtores de bens e serviços úteis e espontaneamente adquiríveis estariam empobrecidos por aqueles que consumiriam seus bens e serviços sem dar uma contrapartida compensadora ou mesmo qualquer contrapartida. Se o total de produtos úteis fosse espontaneamente negociados, livremente trocados, É ÓBVIO QUE A SOCIEDADE SERIA MAIS RICA, MAIS BEM SERVIDA DE BENS E SERVIÇOS.
  • anônimo  05/11/2014 14:45
    Esse Lawrence Reed é um dos meus favoritos aqui. Escreve simples e dá o recado.
  • Pedro.  05/11/2014 14:45
    Pedro.
    04/11/2014 às 9:16 am

    Lucro é a remuneração do trabalho. Simplesmente isso.

    Definição de lucro:
    É a diferença entre o custo para se realizar algo e o valor recebido por esse algo. Somente isso.

    Ora, um assalariado tem um custo para realizar seu trabalho: vestuário, alimentação, transporte e etc. O salario recebido TEM QUE SER SUPERIOR AO CUSTO PARA EXERCER SEU TRABALHO ASSALARIADO. Assim, uma parte do salário de um empregado, é custo e a outra é lucro. Essa parte do salário que é lucro deve ser avaliada pelo empregado se compensa seu trabalho dentro da sua suituação.

    LUCRO é APENAS a DIFERENÇA entre o CUSTO para a realização de algo e o VALOR OBTIDO POR ESSA REALIZAÇÃO.

    Um sujeito que compra um produto em uma fábrica e o vende ao consumidor tem um custo para realizar esse trabalho. O montante obtido do consumidor menos tal custo é o lucro, ou remuneração do trabalho do comerciante. Em nada diferente do lucro do assalariado que também tem um custo para realizar seu trabalho.
  • Felipe  05/11/2014 19:20
    "Lucro é a remuneração do trabalho. Simplesmente isso."

    Não.

    Trabalho não se remunera, pode cavar 500 buracos que ninguém te dará 1 centavo por isso.

    A remuneração vem de atender a satisfação de alguém, simples assim.

    O lucro existe por que alguns empresários conseguem antender melhor a satisfação dos consumidores em detrimento de outros empresários.

    É simples, numa economia estatica o lucro seria contrabalanceada pelo prejuízo de outro.

    Acontece que a economia não é estatica, é dinamica, quando ela esta em desenvolvimento a soma dos lucros superar a soma dos prejuizos.

  • carlos henrique   05/11/2014 15:10
    Boa tarde a todos!
    Li e gostei muito da matéria.
    certa vez, conversava com um amigo sobre a situação caótica da economia nacional e ele foi logo revelando uma previsão apocalipitica. Porém, retruquei-o afirmando que a economia fria baseados em dados técnicos de laboratória não reflete o real acontecimento. Entretanto, para um profecia econômica dar certo tem que passar ainda pela vontade popular e política, e esses casos são altamente imprevisiveis.
  • Renato  05/11/2014 16:03
    O texto é excelente. Muitas vezes conceitos básicos de economia são simplesmente ignorados pela maioria das pessoas, o que fazem ter uma visão distorcida, por exemplo, das reais intenções dos nossos políticos atuais.
  • Eduardo Somatodrol  05/11/2014 19:26
    Excelente artigo, sobretudo por tocar na delicada questão da individualidade e do ente uno. Toda vez que vamos contra a "sociedade", ou que usamos o termo "massa", somos esfucinhados por uma classe de falsos altruístas.

    Excelente artigo!
    Att,
    Eduardo
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  05/11/2014 21:12
    Texto excelente. O socialismo é uma mentira criada por desocupados arrogantes e pretensiosos e o "estado" é uma aberração social.
  • Luis  05/11/2014 21:58
    Qual é(ou foi) o país que mais esteve próximo de um genuíno "livre mercado"(ao estilo da escola austríaca)?
  • Henrique  06/11/2014 09:27
    Leandro, o que podemos esperar com a vitória do Partido Republicano nessa última eleição?

    valeu
  • Lucas Portella  06/11/2014 14:48
    Muito bom artigo.
  • Emerson Luis, um Psicologo  09/11/2014 18:29

    Um físico, um químico e um economista estavam perdidos em uma ilha deserta, com latas de alimentos, mas sem um abridor. O físico disse: "Vamos abri-las com o impacto de uma pedra!". O químico responde: "Não, vamos utilizar a água do mar para oxidar as tampas e abri-las!". Então o economista finalizou: "Não, tenho uma ideia melhor: vamos pressupor que as latas já estão abertas".

    * * *
  • Regina PMMG  07/12/2014 05:02
    Parabéns pelo artigo, simplesmente excelente. Sempre bom ler artigos de quem compartilha do mesmo ponto de vista que a gente.

    Att, Regina.
  • Raphael Vianna  16/12/2014 21:08
    Trabalho na Área Naval e volta e meia me dizem que o setor da indústria Naval melhorou depois da Era Lula (PT), isso já é taxado como FATO para a maioria dos que trabalham comigo. Eles dizem que na era FHC os navios eram feitos tudo fora do Brasil, por que eram mais baratos e que depois do Lula os navios foram tudo feitos aqui. Na época das eleições era comum ouvir os peões dizendo "Eu devo meu trabalho ao PT" "Peão consciente vota 13"

    Para a maioria das pessoas esse tipo de protecionismo na indústria é benéfico para a população, pois gera mais emprego no país, ou seja o dinheiro fica aqui no Brasil, mesmo que a mão de obra aqui seja mais cara que no Exterior. Eu sei que esse protecionismo é ruim, mas quais seriam os argumentos para esse posicionamento na Área Naval especificamente?
  • Leandro  16/12/2014 22:14
    É só raciocinar.

    Como você mesmo disse, quando eram construídos lá fora, os navios tinham um custo menor. Quando passaram a ser construídos aqui dentro, o custo aumentou.

    Primeira conclusão: houve ganhadores e perdedores.

    Dica: em toda e qualquer decisão política -- em absolutamente todas, sem nenhuma exceção -- sempre haverá ganhadores e perdedores. Sempre. Não há exceção a essa regra.

    Logo, quem ganhou com essa política do PT? As empreiteiras que construíram os estaleiros, os fornecedores das empreiteiras, os fornecedores dos materiais de construção e as pessoas ligadas a essa área naval.

    Quem perdeu? Todo o resto do país.

    Em primeiro lugar, os cidadãos tiveram de pagar por esse populismo via impostos. Não apenas para pagar as empreiteiras, como também porque parte desses navios foi comprada ou pela Marinha ou pela Petrobras. Se não foi via impostos, então o governo teve de se endividar para financiar tudo isso. E endividamento do governo gera carestia.

    Depois, os cidadãos tiveram de arcar com preços maiores de todos os materiais de construção que, ao passarem a ser direcionados para a indústria naval, tiveram seus preços aumentados. Isso afetou o resto do setor da construção civil, que agora teve de arcar com insumos mais caros. Consequentemente, os preços dos imóveis subiram e afetaram várias famílias, principalmente as mais pobres (mas fizeram a alegria dos especuladores imobiliários).

    No que mais, os próprios serviços das empreiteiras não apenas encareceram artificialmente (por causa da contratação do governo), como elas próprias -- ao serem contratadas pelo governo para construir estaleiros -- deixaram de atuar em outras áreas, como construção de infraestrutura, estradas e aeroportos.

    Em toda intervenção sempre há aquilo que você vê e aquilo que você não vê. Você viu os empregos sendo criados na indústria naval. Você não viu as consequências que essa criação forçada de empregos gerou para todo o resto do país.

    Jamais procure uma explicação em que haja apenas perdedores, e jamais imagine situações em que haja apenas ganhadores. Isso não existe. Até mesmo no comunismo havia ganhadores. No próprio Plano Collor houve muita gente que se deu bem.
  • Thiago  19/01/2015 17:00
    Coincidentemente, hoje o Reinaldo fez um excelente resumo do que está ocorrendo na indústria naval brasileira, e bate com tudo isso que o Leandro falou:

    1: O governo petista decidiu estimular a indústria naval brasileira. Que bom! A companheirada é assim mesmo: executa uma política econômica que liquida os setores competitivos para estimular aqueles em que o país não conseguirá ser eficiente.

    2: Sob os auspícios de Lula e Dilma, criou-se a Sete, empresa para construir e alugar 28 sondas de perfuração, um projeto orçado em US$ 25 bilhões. São sócios do empreendimento a Petrobras, o Bradesco, o BTG Pactual, o Santander e os fundos de pensão das estatais.

    3: Se a Petrobras recorresse a empresas estrangeiras para esse serviço, corrupção à parte, o país sairia ganhando porque gastaria menos. Mas sabem como é: é preciso lustrar o nacionalismo brucutu.

    4: A Sete está em apuros, informa a Folha. A dívida, em setembro, era de R$ 800 milhões, e a empresa parou de pagar os estaleiros.

    5: Aí Dilma teve uma ideia. É, isso é sempre um perigo. Não é fácil, leitores, sustentar esse nacionalismo chulé. Custa caro. A presidente chamou os presidentes do BNDES e do Banco do Brasil — Luciano Coutinho e Aldemir Bendine, respectivamente — para viabilizar um empréstimo de, atenção, R$ 10 bilhões à Sete.

    6: Informa a Folha: "A reunião de Dilma com Coutinho e Bendine ocorreu no fim da tarde de quarta (14), no Planalto, para analisar principalmente como 'resolver pendências' referentes a empréstimo de US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 9,2 bilhões) para contratação de oito sondas." Vale dizer: sem uma solução, não há sonda.

    7: Mas não só: a presidente quer que o BB lidere um consórcio de bancos para emprestar outros R$ 800 milhões à empresa para resolver seus problemas imediatos de caixa.

    8: Viram como essa política de desenvolvimento da indústria naval é boa para os brasileiros que são escolhidos para… desenvolver a indústria naval? Esse é o capitalismo à moda da casa: socialização do prejuízo.

    9: Ocorre que há algumas dificuldades:
    a: o primeiro diretor de operações da Sete foi Pedro Barusco, aquele ex-gerente de serviços da Petrobras, que fez acordo de delação premiada e aceitou devolver a fantástica soma de US$ 97 milhões;
    b: a maioria dos estaleiros contratados pela Sete pertence a empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato;
    c: tanto o BNDES como o Banco do Brasil querem que a Petrobras e os estaleiros enviem uma carta afirmando que não houve atos ilícitos nos processos de licitação. Considerando as personagens envolvidas…

    10: Vejam, então, que coisa fabulosa: o governo decide incentivar a indústria naval, e a empresa criada, tendo a Petrobras como sócia, vai quebrar se não receber a injeção de alguns bilhões de bancos públicos, a juros módicos.

    11: A operação de socorro tem esbarrado em algumas dificuldades porque parte das personagens envolvidas na história está sendo investigada pela Polícia Federal.

    Assim se fazem as coisas na República petista: incentiva-se a indústria naval nativa batendo a carteira dos brasileiros, e os escolhidos para a empreitada têm a garantia, claro!, de que não vão quebrar. A única atrapalhação é haver nesse meio alguns réus do maior escândalo de que se teve notícia no país até agora.

    Não obstante, Joaquim Levy está de olho naqueles que, tudo indica, são os verdadeiros inimigos do Brasil: os trabalhadores que hoje são pessoas jurídicas. O ministro quer a carteira deles.

    É o capitalismo à moda petista — ou socialismo, tanto faz — na sua fase de pornografia explícita.

    veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-momento-de-pornografia-explicita-do-capitalismo-ou-do-socialismo-a-moda-petista-dilma-quer-que-bancos-publicos-socorram-empresa-privada-do-setor-naval-com-r-10-bilhoes-o-probl/
  • Felipe  17/12/2014 17:28
    "Na época das eleições era comum ouvir os peões dizendo "Eu devo meu trabalho ao PT" "Peão consciente vota 13"

    É este tipo de mentalidade que fará o Brasil continuar sendo o Brasil até seus netos virarem avós.
  • Emerson Luis  06/04/2015 19:32

    Agora eles devem estar agradecendo ao PT por seu desemprego e empobrecimento.

    A não ser que sejam militantes, daí a culpa é do FHC.

    * * *
  • Raiquen  12/08/2015 13:56
    O Lawrence Reed sempre trazendo a luz para "escuridão".

    Fico muito feliz em publicações como esta.

    Gostaria que a grande maioria do povo tivesse acesso à informações como esta.
  • João Almeida  04/09/2015 23:12
    Eu não acredito que o erro seja somente do atual governo petista, no entanto não posso negar que eles ajudaram e muito para que chegássemos nesse ponto.

    Outra coisa, falam sobre a crise no Brasil, acredito que o Brasil é uma verdadeira crise desde 1500.
  • Eliana Magra  09/09/2015 03:27
    Gostei muito dessa publicação, principalmente do tópico sobre a falácia do dinheiro ser equivalente de riqueza.

    Grata pelos ensinamentos e clarezas
    Eliana Magra
  • Drauzio  02/10/2015 02:01
    Concordo plenamente (...) Produzimos para que possamos consumir; não consumimos para que haja produção. (..) Muito bom o texto, vale a pena refletir sobre o tema.
  • Elias  08/10/2015 17:40
    Esse texto deveria ser lido por "aqueles" que acham que entendem de economia!
  • Cadu  15/10/2015 06:36
    Artigo senacional, se eu tivesse ainda na faculdade de direito acabaria com a minha professora keynesiana, mas estou feliz em ir para uma area que produza de verdade como a de T.I
  • Joana Goji  25/10/2015 13:23
    Cada um tem sua opinião e a respeito muito, eu não tenho nada a reclamar da economia, porem este post é sensacional. Mesmo com o país em crise eu controlo bem meu orçamento.
  • Carol  07/03/2016 18:35
    Parabéns pelo artigo, texto claro e recado dado.
  • Roberto Assis  30/08/2016 00:29
    Olá!

    Gostei muito da publicação.

    Ficaria muito feliz que a imensa maioria da população tivesse acesso a artigos de qualidade como este, por isso estarei compartilhando em minhas redes sociais.

    Parabéns e obrigado pelo excelente trabalho!


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