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O Banco da Inglaterra e a economia das moedas digitais

Fundado em 1694, o Banco da Inglaterra só não é mais antigo que o Sveriges Riksbank, o Banco Central da Suécia. Considerando sua experiência acumulada durante os últimos 320 anos, quando um banco central dessa estatura fala algo, é interessante escutar. Podemos até não concordar, mas é sempre válido ouvir atentamente ao que dizem.

Para nossa grata surpresa, em seu boletim trimestral do 3º trimestre de 2014, o banco dedicou um espaço nobre e considerável para tratar das moedas digitais em geral e do bitcoin em específico. Antes de tudo, é preciso reconhecer: a iniciativa é louvável. Não me lembro de ter visto nenhum banco central com tamanha relevância no sistema financeiro mundial se esforçando de forma genuína para compreender o intrigante fenômeno das criptomoedas e suas implicações na economia mundial.

Vale notar que o boletim do terceiro trimestre pode ser visto como uma continuação do primeiro boletim, publicado em 2014, que tratava da moeda na economia moderna e como a criação de dinheiro ocorre hoje em dia ("Money in the modern economy: an introduction" e "Money creation in the modern economy") — ambas as leituras são fortemente recomendadas.

Dito isso, vamos ao que interessa: o que o Banco da Inglaterra tem a dizer sobre as moedas digitais?

Separando a análise em dois artigos próprios, o banco concentrou-se primeiramente em explicar o funcionamento das moedas digitais. Sob o título de "Inovações em tecnologias de pagamento e o surgimento de moedas digitais", o texto procura contrastar a forma centralizada dos sistemas de pagamentos atuais que dependem de terceiros de confiança com a natureza descentralizada do sistema de pagamentos das criptomoedas.

Diferentemente das moedas tradicionais, conclui o artigo, o bitcoin é ao mesmo tempo uma moeda e um sistema de pagamentos.

O banco também reconhece que, apesar de o aspecto monetário ter atraído mais atenção até o momento, a grande inovação jaz na tecnologia do "registro contábil distribuído" (distributed ledger), que poderá ser aplicada não somente ao dinheiro, mas também aos mais diversos ativos e instrumentos financeiros do mundo moderno.

Mas a análise mais profunda e instigante está na segunda parte, intitulada "A economia das moedas digitais". Nela os autores exploram as propriedades das moedas digitais sob a perspectiva das funções do dinheiro — reserva de valor, meio de troca e unidade de conta –, comparando-as com as moedas fiduciárias — a principal forma de dinheiro no mundo moderno.

Um fato desconhecido por muitos, mas perfeitamente destacado no primeiro boletim trimestral de 2014, é que a nossa moeda fiduciária nada mais é do que uma forma de dívida. Como a maior parte da massa monetária em circulação é criada pelo sistema bancário, os depósitos dos correntistas são uma obrigação do banco para com os clientes.

Na terminologia inglesa, depósitos são um IOU ("I owe you", em português "eu lhe devo") que os bancos emitem em favor dos clientes. E as cédulas de dinheiro emitidas pelo banco central são uma forma especial de obrigação não conversível, do banco perante o portador — passivo da autoridade monetária, ativo do portador.

Em suma, nosso dinheiro hoje em dia é baseado em dívida — contra os bancos e os bancos centrais. Essa é a natureza da moeda fiduciária. Para saber mais, recomendo este artigo sobre o sistema bancário.

Em total contraste — e como muito bem ressaltam os autores do boletim —, as criptomoedas são uma "espécie de commodity". Mas, conclui o artigo, "ao contrário das commodities físicas como o ouro, elas são ativos intangíveis, ou commodities digitais". Concordo plenamente. Inclusive dediquei um post especificamente à classificação do bitcoin.

Entretanto, afirma o Banco da Inglaterra, o fato de "as moedas digitais não serem um passivo do banco central (ou do governo) não impede de serem usadas como dinheiro, embora marque uma diferença importante entre elas e as moedas nacionais".

Portanto, seriam as moedas digitais dinheiro propriamente dito?

Segundo os autores, "atualmente, elas preenchem o papel de dinheiro apenas até certo ponto e para uma pequena porção de pessoas. E somente servem todas as três funções da moeda talvez para alguns milhares de indivíduos no mundo".

Em outras palavras, e o que já escrevi algures, o bitcoin pode ser considerado dinheiro, sim, embora seja menos líquido do que as moedas fiduciárias tradicionais.

Mas e como as moedas digitais desempenham as funções clássicas do dinheiro? No quesito "reserva de valor" — conforme afirmo no meu livro, reserva de valor é meramente um aspecto temporal da função primordial de meio de troca —, apesar de a oferta ser autenticamente escassa, "as perspectivas da demanda futura são bastante incertas".

Um dos motivos apontado pelos autores é a falta de qualquer "demanda intrínseca", isto é, bitcoins, por exemplo, "não são usados como bens de produção nem são consumidos". Esse argumento vai ao âmago da questão do valor do bitcoin: "para o quê mais serve o bitcoin além de ser dinheiro? Qual a sua utilidade?". Embora esse tema mereça um artigo exclusivo, é preciso esclarecer alguns pontos.

Demanda intrínseca — ou valor intrínseco para alguns — simplesmente inexiste. Os consumidores demandam bens pelo valor que lhe atribuem subjetivamente, com a expectativa de que tais bens possam suprir-lhes alguma necessidade. Existem, no entanto, propriedades intrínsecas, o que não garante demanda ou valor algum a nenhuma mercadoria.

Outra forma de interpretar a "falta de demanda intrínseca" é que não há uma demanda mínima para o bitcoin. Ao contrário do ouro, que pode ser usado na indústria, e das moedas fiduciárias, que gozam do respaldo estatal que lhe asseguram uma demanda mínima, o bitcoin é desprovido de qualquer outro uso além de meio de troca. Segundo essa ótica, a demanda do bitcoin depende unicamente da expectativa de que outras pessoas irão aceitá-lo no futuro, as quais esperam que ainda outras pessoas o aceitarão, e assim por diante — por isso alguns analistas, erroneamente, enxergam no bitcoin uma espécie de pirâmide financeira.

Mas se entendemos que o bitcoin é ao mesmo tempo um sistema de transferência de fundos global rápido e barato e que somente unidades monetárias de bitcoins podem ser transferidas nessa plataforma, é possível que, no fim das contas, haja algum valor de fato nesse arranjo. E se entendemos que esse protocolo poderá ser usado para outros fins que nem possamos prever com exatidão neste momento, é possível que haja ainda mais utilidade no Bitcoin.

Quão intensa será essa demanda no futuro? Quanto valor os indivíduos atribuirão ao bitcoin em alguns anos? Não podemos precisar com acurácia. Mas prevejo que será em algum lugar muito acima de zero.

Com relação à função de meio de troca, os economistas do Banco da Inglaterra ressaltam que cada vez mais empresas estão aceitando a moeda digital como forma de pagamento. Ainda que seja uma fração da economia mundial, a tendência é sem dúvida de alta.

Entretanto, há poucos indícios de que o bitcoin ou outra moeda digital estejam sendo usados como unidade de conta — a terceira função do dinheiro. Não surpreende, pois realmente ainda falta algum tempo para o bitcoin atingir a maturidade e o estágio avançado de liquidez a ponto de ser usado para a precificação de bens e serviços em geral. É necessário muito menos volatilidade, e muito mais volume e liquidez, para que esse dia chegue.

Vale destacar uma das seções mais importantes do texto — sob o título de "Os problemas macroeconômicos de uma oferta monetária fixa: um experimento mental de moeda digital" —, em que os autores se lançam a uma análise hipotética das implicações para uma economia em que as transações ocorrem majoritariamente com uma moeda digital semelhante ao bitcoin. Imaginem uma economia em que o bitcoin seja a moeda corrente.

Para facilitar a crítica, destacarei alguns trechos do texto em vermelho.

Segundo o artigo, "a teoria econômica sugere que o bem-estar social seria menor em uma economia hipotética baseada em uma moeda digital do que em uma segunda economia hipotética baseada no sistema de moeda fiduciária". Por quê?

"Uma vez que a maioria das moedas digitais apresenta uma oferta finita predeterminada, esse arranjo poderia contribuir para a deflação nos preços dos bens e serviços. A inabilidade da oferta monetária de variar em resposta à demanda provavelmente causaria uma volatilidade nos preços e na atividade econômica, reduzindo o bem-estar social."

O argumento da deflação é uma das maiores falácias no campo da ciência econômica, a qual é derivada de um errôneo entendimento do fenômeno. No sentido correto do termo, deflação nada mais é do que uma contração da oferta monetária — o oposto de inflação. Mas o termo é usado normalmente para designar uma queda generalizada dos preços.

Preços em queda não são o problema. Uma economia pode desenvolver-se por um longo período e muito bem mesmo com preços em queda ano após ano. Isso significa apenas que a economia está mais produtiva e a oferta monetária é relativamente inelástica — mais bens e serviços para uma oferta monetária que cresce comedidamente.

A grande questão está em entender que há uma deflação boa e uma ruim. A boa é a que acabamos de explicar: uma quantidade de dinheiro inelástica em uma economia cada vez mais produtiva. A ruim é aquela gerada pela expansão monetária prévia, como a que ocorreu durante a Grande Depressão.

Compreender o fenômeno da expansão monetária e os ciclos econômicos é chave para identificar as relações de causa efeito entre o aumento da atividade econômica insustentável e seu eventual colapso. Quando este chega, ocorre uma forte contração monetária, isto é, a quantidade de moeda é reduzida intensamente devido aos empréstimos devolvidos aos bancos e também pela eliminação das dívidas não pagas do balanço. Essa contração monetária abrupta tem como resultado uma forte queda nos preços dos ativos e dos bens em geral.

Tal deflação é ruim porque é precedida por uma expansão monetária que contém as sementes da sua própria destruição — precisamente o que ocorreu na década de 1920, levando à quebra da Bolsa norte-americana e à Grande Depressão. Para entender com detalhes as etapas da expansão e contração monetária, veja o capítulo IV do livro de Jesús Huerta de Soto sobre ciclos econômicos.

Mas, de acordo com o artigo, a deflação é perigosa porque, "Quando os preços dos bens e serviços estão caindo, as famílias têm um incentivo para postergar ou até mesmo abandonar os planos de gastos. A teoria econômica, portanto, prevê que tanto a demanda agregada quanto a produção potencial cairão e, se a deflação for indefinida, que a taxa de desemprego será permanentemente mais elevada".

Surpreende-nos que esse raciocínio até hoje perdure sem uma análise mais rigorosa. Por mais que preços em queda possam desestimular um indivíduo a gastar imediatamente, ninguém posterga compras necessárias indefinidamente, muito menos as abandona por completo. Todos nós precisamos consumir um mínimo para fazer frente às necessidades mais básicas da espécie humana. E no caso de bens de capital ou produtos de maior valor agregado, cedo ou tarde acabaremos gastando e adquirindo o que se deseja ou necessita.

Agora, se deflação ilimitada significa que os preços caem ano após ano, isso em nada deve preocupar-nos. A indústria da computação "sofre" de deflação ilimitada há décadas, e, apesar dela, as empresas prosperam e os consumidores se esbanjam com a crescente quantidade e qualidade dos bens produzidos.

Mas deflação ilimitada no sentido a que normalmente se referem — uma queda de preços cada vez maior e sem fim — é uma quimera. Os economistas apegam-se a essa noção de deflação provavelmente por causa da Grande Depressão, quando houve uma forte contração monetária e uma queda vertiginosa nos preços dos ativos no período de 1929 a 1933.

Mas pensemos bem, mesmo quando há uma contração monetária, ela jamais será ilimitada. Mesmo que toda a oferta de dinheiro criada pelos bancos seja extinta, ainda sobrarão as cédulas e moedas emitidas pelo Banco Central. Nesse ponto cessará a contração monetária. Nesse ponto cessará a deflação, e os preços não mais cairão em uma espécie de "espiral deflacionária". Ilimitada, somente a inflação pode ser; a deflação, jamais.

E para remediar o suposto problema de uma massa monetária fixa, os economistas do Banco da Inglaterra recomendam que seja adotada uma regra diferente para a provisão de moeda.

"Um segundo problema deriva da inabilidade da oferta predeterminda de responder à variação de demanda. A demanda agregada por moeda é volátil, por razões que podem ser sazonais (como as compras de Natal), cíclicas (como quando em recessões) ou estruturais (devido às melhorias tecnológicas). Se a oferta de moeda não pode responder a essas variações, volatilidade de preços será o resultado, causando volatilidade na atividade econômica e destruição do bem-estar social."

Em primeiro lugar, não existe uma demanda agregada por moeda. Existe apenas a demanda de cada indivíduo por moeda, em que cada agente determina o quanto de dinheiro manter de encaixe.

A questão subjacente nesse trecho é a busca pela estabilidade de preços — independentemente de como esta é definida, se por um aumento de preços constante ao redor de 2% ou nenhum incremento —, algo que preocupa os economistas há pelo menos um século. A teoria por trás dessa política monetária deriva de um entendimento equivocado de que a estabilidade de preços é condição para evitar os ciclos econômicos.

Ludwig von Mises há muito refutou os economistas que defendiam uma política de estabilidade de poder de compra da moeda (para quem quiser se aprofundar no assunto, recomendo este livro), e não entediarei o leitor replicando todo o argumento neste espaço.

Mas é preciso fazer algumas considerações. Primeiro, um aumento na demanda por moeda, isto é, um aumento no nível de encaixe, tende a fazer com que o dinheiro ganhe poder de compra. Com menos dinheiro circulando, os bens e serviços tendem a custar menos. Uma política de estabilização de preços buscaria contrabalançar esse aumento da demanda por moeda provendo ao mercado mais dinheiro — usando o jargão atual, "injetando liquidez no sistema".

O resultado dessa política são as arbitrariedades inevitáveis: em que setor da economia injetar liquidez? Por quanto tempo? Com qual intensidade? Qual indicador sinaliza a necessidade de prover mais moeda ao mercado? Como medir a perda do poder de compra da moeda com exatidão? Não existem respostas científicas a essas perguntas, existem apenas decisões políticas.

Em segundo lugar, uma injeção de moeda não é neutra na economia. Aumentar a oferta de moeda acarreta distorções graves na cadeia produtiva de um país, com efeitos nem sempre previsíveis, embora inexoráveis. Na tentativa de corrigir uma suposta falha, geram-se outros desajustes.

Estabilidade de preços não é garantia de estabilidade financeira. Estabilidade de preços não assegura a ausência de volatilidade da atividade econômica. Mas a expansão artificial de moeda para remediar essa falha imaginária causa, de fato, distorções e volatilidade na atividade econômica.

Como afirmou Mises em referência à estabilidade de preços durante o padrão-ouro: "A superioridade do padrão-ouro consiste no fato de que o valor do ouro se desenvolve independente de ações políticas. É claro que seu valor não é 'estável'. Não há, nem jamais poderá haver, tal coisa como a estabilidade de valor".

O mesmo pode-se afirmar com relação às moedas digitais: o grande mérito dessas novas formas de dinheiro está na independência política da provisão de moeda. Em uma economia hipotética baseada em uma moeda digital, a oferta fixa de moeda não impõe complicações do ponto de vista da teoria econômica. Um aumento na demanda por moeda ou uma maior produtividade da economia não precisam ser contrabalançadas por uma maior quantidade de dinheiro. Os ajustes ocorrerão via preço, de forma natural, prescindindo de qualquer intervenção estatal.

Essas ponderações podem nos levar à seguinte indagação: afinal, qual a quantidade ideal de moeda para uma economia? A resposta é simples: qualquer quantidade serve. Não importa se há um trilhão ou um bilhão de dólares. Importa apenas que não haja alterações abruptas e intensas na oferta de moeda.

Trazendo esse insight à realidade do bitcoin (ou outras moedas digitais), é irrelevante se o limite de emissão de unidades de bitcoin seja 21 milhões ou 57 bilhões ou qualquer outro numerário. É preciso apenas que a oferta de moeda não sofra surtos inflacionários ou deflacionários súbitos e intensos. Considerando que há uma perfeita divisibilidade do bitcoin — há um total de oito casas decimais para cada unidade, podendo ser aumentadas no futuro —, uma economia hipotética baseada em uma moeda digital com oferta monetária fixa não supõe problema algum.

Encerrando o tópico da provisão monetária e a discussão sobre uma economia hipotética baseada em criptomoedas, o boletim do Banco da Inglaterra aborda também as implicações das moedas digitais para a estabilidade monetária e financeira no mundo de hoje.

Em suma, não há riscos relevantes no momento porque o bitcoin e as demais criptomoedas constituem uma porção ínfima do sistema financeiro mundial, podendo ser negligenciadas até então sob a perspectiva de política monetária. Não discordaria dessa assertiva.

É interessante notar, também, o alerta do banco a um risco específico restrito às moedas digitais — o ataque dos 51% —, o qual constituiria uma espécie de "fraude generalizada do sistema". Curiosamente, há quem alegue — incluindo este que vos escreve — que o nosso próprio sistema monetário atual é em si uma espécie de fraude generalizada. Para tirar suas próprias conclusões, recomendo assistir ao documentário abaixo sobre a crise de 2008 e o sistema bancário como um todo.

Ainda sob a perspectiva da estabilidade financeira, os autores também chamam a atenção ao risco do surgimento da prática das reservas fracionárias — embora ainda bastante improvável — com alguma moeda digital de forma não regulada (fractional reserve banking in an unregulated fashion).

Aqui, apenas um pequeno, mas fundamental, adendo. Reservas fracionárias, reguladas ou não, são o maior risco à estabilidade financeira de qualquer sistema. E diria mais, reservas fracionárias reguladas são um risco maior ainda, pois quando há o respaldo de um banco central e toda uma arquitetura bancária legal permitindo essa prática, a magnitude com que o sistema bancário é capaz de expandir a oferta de moeda é muito superior do que seria na ausência do amparo estatal.

Por fim, o maior risco hipotético à estabilidade monetária apontado pelo banco é o caso de uma economia ser "bitcoinizada", isto é, uma economia em que a maior parte das pessoas adota uma moeda alternativa para realizar suas transações do cotidiano. Inegavelmente, a capacidade de qualquer banco central de influenciar a atividade econômica e o nível geral de preços nesse caso seria bastante reduzida ou até nula, uma vez que a demanda por moeda nacional seria parca em comparação com a demanda por bitcoins.

Mas, segundo os autores, "esse cenário é extremamente improvável por causa dos obstáculos a uma adoção difundida de uma moeda digital impostos pela própria concepção desses esquemas, sendo implausível, salvo no caso de um colapso severo da confiança na moeda fiduciária".

Por "concepção" ou "desenho" das moedas digitais, entendemos a sua provisão de oferta monetária rígida predeterminada e, essencialmente, imutável. No entanto, do ponto de vista puramente teórico — e contrariando aquilo em que o Banco da Inglaterra acredita —, essas características das moedas digitais não são um empecilho a uma maior adoção.

A grande verdade é que a teoria econômica moderna é incapaz de compreender a ascensão do bitcoin porque até hoje ela não entendeu o surgimento do dinheiro em si. Segundo a teoria econômica mainstream, o bitcoin jamais teria sido valorado por qualquer indivíduo, jamais teria deixado o posto de mero experimento de computação fadado ao fracasso. Por isso as moedas digitais intrigam tanto.

Já ouvi dezenas de economistas prognosticando a morte do bitcoin, o que é curioso, uma vez que nenhum deles nem sequer entende como o bitcoin nasceu, pois, segundo suas teorias, jamais poderia ter nascido.

E isso diz muito sobre o atual estágio da ciência econômica. Pensa-se apenas em "agregados", esquecendo-se, ou ignorando-se, que existe somente a ação humana, as ações de bilhões de indivíduos trabalhando, produzindo, vendendo e comprando, ofertando e demandando, formando os preços no mercado e a própria noção de "economia" como a entendemos.

Políticas públicas com embasamento científico em agregados econômicos estão condenadas a fracassar sempre. A "demanda agregada" não pode ser estimulada porque não passa de uma construção abstrata. Assim, a "demanda agregada por moeda" é uma noção ilusória e irreal, sem aplicação prática alguma.

As moedas digitais não precisam adotar regras "mais inteligentes", conforme sugerido pelos economistas do Banco da Inglaterra, para lograr uma adoção mais ampla. Basta propiciar uma redução nos custos de transação, além de outras vantagens frente às moedas tradicionais.

A priori, podemos afirmar apenas que o ser humano prefere o melhor ao pior, mais a menos. Nesse sentido, tendemos a preferir uma moeda que se aprecia ou mantém o poder de compra a uma que é desvalorizada constantemente. Mas escassez relativa não é a única característica que faz uma moeda ser escolhida pelo mercado.

Antes da era digital, uma mercadoria com elevada escassez (diamantes, por exemplo) tinha poucas chances de preponderar no mercado como dinheiro, porque sua divisibilidade era limitada — seria impossível separar um diamante em microgramas, nanogramas, e assim por diante, até um yoctograma. Nesse sentido, uma moeda com escassez elevada, mas divisibilidade restrita, precisaria ver sua oferta aumentada para "suprir as necessidades de comércio" — o ajuste unicamente via preço não bastaria.

Com a introdução das moedas digitais, há uma perfeita divisibilidade, tornando a escassez elevada — no caso do bitcoin — irrelevante para fins de uso como moeda corrente.

Se moeda boa expulsa moeda ruim, entendo que os indivíduos de uma economia hipotética baseada em uma criptomoeda darão preferência a uma moeda que se aprecia mais que as restantes. Se verificarmos a história milenar do ouro como moeda corrente e levarmos em conta o pequeno crescimento anual da sua oferta — ao redor de 2% —, podemos intuir também empiricamente que uma massa monetária inelástica ou estática não seria um problema.

Depois de um século do mais puro socialismo aplicado ao âmbito monetário, os economistas modernos são incapazes de sequer pensar na possibilidade da ausência de inflação e de como uma economia com moeda forte poderia funcionar. Mas graças ao bitcoin, estão todos sendo obrigados a revisitar a teoria monetária.

Olhando por esse prisma, já considero o fenômeno das moedas digitais um enorme sucesso, porque, indiretamente, trouxe de volta ao centro do debate econômico o ideal de um dinheiro apolítico e os malefícios da política de inflação e do planejamento central da moeda.



autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • anônimo  24/09/2014 14:19
    Esse texto parece que foi escrito para ser lido em uma Acrópole Grega, pela rainha do Egito. Sen-sa-ci-o-nal! Amei!
  • Gabriel  24/09/2014 14:50
    Eu apenas gostaria de saber uma coisa que não entendi bem. Quem será o responsável por emitir essas moedas ou criar elas? Porque elas terão que sair de algum lugar, não haverá como elas surgirem num passe de mágica.

    A minha maior preocupação é essa, e que o texto abordou. A intervenção politica "injetando liquidez" com essas moedas, pois ai seria trocar 6 por meia duzia.
  • Fred  24/09/2014 15:41
    Esse processo de emissão de novos Bitcoins é realizado de forma decentralizada permitindo que qualquer um possa participar. Basta ter um computador poderoso e não morar em um país onde o custo da energia elétrica seja um "assalto". Mas não se anime muito em se tornar um minerador, pois o poder computacional por trás da rede Bitcoin está tão grande que é necessário comprar computadores especialmente desenvolvidos apenas para minerar (ASICs).

    Esse processo chamado de mineração deixa seu computador o tempo todo tentando solucionar problemas matemáticos por tentativa e erro. Seria uma espécie de Sudoku, difícil de solucionar, mas facílimo de verificar a solução. Quando um problema desse é solucionado, são emitidos 25 BTCs no nome do minerador e a solução é informada a todos os outros mineradores, que devem validá-la. Esse processo de emissão de novos BTCs seguem uma regra pré-estabelecida no programa, que não pode ser mudada. Pense nesse processo como um estimulo para pessoas começarem a minerar quando a moeda ainda não tinha grande disseminação, mas quando for atingida a marca de 21 milhões de BTCs, ele será interrompido de forma definitiva.

    A mineração, além de emitir novos BTCs, valida todas as transações que ocorrem. Cada transação possui uma taxa de processamento associada, mas essa taxa é ínfima quando comparada a qualquer outra do mercado, por exemplo cartão de crédito. Todas as taxas das transações processadas e associadas ao problema solucionado também são transferidas ao minerador. Portanto quando não existir mais a possibilidade de emitir novos BTCs, a única forma de remuneração dos mineradores serão essas taxas.
  • Trader carioca  24/09/2014 16:44
    Gabriel,

    Existe uma grande literatura sobre bitcoins atualmente, um pouco de leitura te faria entender mais sobre o tema, mas vou te dar uma ajudinha.

    ----------------------------------------------

    "Eu apenas gostaria de saber uma coisa que não entendi bem. Quem será o responsável por emitir essas moedas ou criar elas? Porque elas terão que sair de algum lugar, não haverá como elas surgirem num passe de mágica."

    O sistema é descentralizado. Ou seja, não há um indivíduo ou órgão no meio fazendo o papel de emissor de bitcoins ou outra moeda digital (falarei "bitcoins" por simplificação).

    O bitcoin foi inteligente em criar mecanismos para estimular os primeiros adeptos e ao mesmo tempo emitir as bitcoins.

    Resumidamente é assim: existe uma necessidade de capacidade computacional para processar os dados de transação, mais ou menos como as empresas de cartão de crédito precisam, por exemplo, para processar o seu gasto comprando uma roupa. No mundo das bitcoins, existe o processo chamado de "mineiração". Ele nada mais é que a doação capacidade computacional de seu computador ou outro dispositivo para a rede bitcoin. Você recebe dados, processa e devolve as informações para a rede. Tudo isso de forma descentralizada.

    A sacada vem agora. Para estimular a doação de capacidade, a cada X tempo, alguém dentre os que estão doando capacidade computacional é sorteado e recebe uma quantia de bitcoins. A chance é proporcional ao tamanho da doação de capacidade de máquina, portanto mais doação de máquina, mais chance de ganhar. Essa quantia de bitcoins sorteada já está pre-determinada pelo sistema, e os horários que serão sorteadas já está definido. Essa bitcoin sorteada é inteiramente nova no sistema. Ou seja, é uma emissão, frisando que desde o começo já está definida, com data, hora e valor da emissão. Qualquer um pode consultar a curva de emissão da primeira até a última. Fora esse mecanismo, não existe nenhuma outra forma de emitir bitcoins.

    Exemplo. Suponha que eu tenho uma super-rede de computadores em casa, e doo toda a capacidade dela para a rede bitcoin. Supondo que eu represento 2% da capacidade da rede, então sempre que houver o sorteio eu terei 2% de chance de ganhar as bitcoins. É dessa forma que eu vou remunerar as minhas máquinas que estão sendo usadas pela rede bitcoin.

    Lá no futuro, então, não haverá mais emissão de bitcoins. Aí você me pergunta: e como as pessoas que doam capacidade computacional irão lucrar quando não houve mais emissão de bitcoin? Existem formas de se cobrar pelo processamento das transações (vamos chamar de "tarifa"). As operações serão ordenadas pelo valor da tarifa que irão pagar pelo processamento, estipulada pelo pagador, e distribuídas primeiro aquelas que pagarão maior tarifa para aquelas que pagarão menos. A idéia é que a tarifa pelo processamento e tarifa cobrada se equilibrem de forma que não haja capacidade ociosa e nem haja operações paradas a dias na fila e que não são processadas por falta de capacidade de máquina na rede.

    Espero que isso tenha ajudado, e se eu falei alguma bobagem, alguem por favor pode me corrigir.

    Abraços.
  • Fred  24/09/2014 17:55
    Apenas para esclarecer a resposta do Trader carioca. O sorteio referido na verdade representa a probabilidade de você solucionar o problema matemático antes dos outros mineradores que fazem parte da rede Bitcoin. Essa probabilidade é proporcional ao seu poder computacional comparado ao resto do poder da rede. Mesmo que seu poder computacional seja baixo, você ainda pode ser "sorteado" mas pode levar alguns anos de processamento 24x7 e no fim das contas o que você ganhar de recompensa não vai nem pagar a energia elétrica que você consumiu no processo.
  • igor  24/09/2014 18:08
    reais sao feitos pelo banco central brasileiro,mas se vc estiver se referindo as bitcoins,elas sao ''mineiradas'' por computador ou cambiadas pela web (procure daniel fraga no youtube,ele tem um conteudo vasto sobre bitcoins)
  • Daniel Ribeiro  24/09/2014 18:11
    Como os amigos já explicaram, eu vou resumir:
    Quem emite os bitcoins? R: Qualquer pessoa. Basta que ela tenha um computador suficientemente potente. Se ela não tiver um computador suficientemente potente, ela pode juntar-se a outras pessoas, somar a potência dos computadores de todos e, juntos, tentar emitir os bitcoins... E em caso de sucesso, eles dividem o prêmio.

    Emitir um bitcoin é, mais ou menos, como participar de uma loteria. Seu computador está concorrendo com centenas de milhares de outros computadores. Quem descobrir primeiro a solução para um problema matemático dado, irá conseguir emitir 25 bitcoins novos.

    A cada 10 minutos (em média) alguém consegue. Então a cada 10 minutos, entram em circulação 25 novos bitcoins.

    É assim que os Bitcoins são emitidos.
  • Vinicius  24/09/2014 22:52
    Aprofundando um pouco mais nos detalhes técnicos para quem quiser entender:

    Para se gerar bitcoins é preciso gerar um bloco válido, contendo uma transação que transfere os bitcoins do "nada" para a sua própria carteira. Esse bloco contém não só essa transação, mas também todas as transações recebidas pelo gerador do bloco que ele queira adicionar.

    A quantidade de bitcoins que serão transferidos do nada é pré-determinada.

    O bloco possui no seu cabeçalho a versão do software do bitcoin utilizada, a "identificação" do bloco anterior, a "identificação" das transações adicionadas ao bloco, a data/hora atual, a dificuldade e um número.

    Esse cabeçalho pode ser transformado em um valor através de um algoritmo pré-determinado.

    Se esse valor for menor do que X (que é determinado pela dificuldade atual) o bloco será válido e você ganhou seus bitcoins. Senão, você tem que somar 1 ao número do cabeçalho e tentar novamente até encontrar um número que faça com que o bloco seja válido.
  • Mohamed Attcka Todomundo  25/09/2014 01:52
    gabriel, a galera falou falou e ñ disse o essencial. tem 5 artigos no IMB sobre bitcoin:

    Ouro ou Bitcoin - o que virá no futuro?
    Bitcoin: o nascimento do dinheiro (Parte 1)
    Bitcoin: melhor que ouro e papel-moeda? (Parte 2)
    Bitcoin: objeções e mais objeções (Parte 3)
    Bitcoin: vale a pena comprar bitcoins? (Parte Final)

    explicam tudo q vc perguntou, e ainda tem as postagens, com muita coisa maneira

    te ainda os verbetes bitcoin, litecoin, peer-to-peer da wikipedia






  • Marconi  24/09/2014 16:37
    O grande problema dos austríacos é justamente o entendimento de que deflação não é ruim. Que é uma coisa boa, pois ao juntar dinheiro, você poderá comprar mais coisas "só com o passar do tempo".

    Na verdade, para um liberal de verdade, essa questão é fundamental. O ganho pela simples posse do dinheiro não é desejável por não ser justo. Se o sujeito aumenta a produtividade, o ganho desse aumento deve ficar com ele. Não ser repassado a governo, como querem políticos e keynesianos, nem via aumento no poder de compra da moeda, como querem os austríacos. Os ganhos devem ficar com os empresários e trabalhadores do ramo em que houve o aumento de produtividade.

  • André  30/09/2014 19:45
    "O grande problema dos austríacos é justamente o entendimento de que deflação não é ruim.".

    Se você acha que deflação é ruim então você deve estar muito desapontado com o fato de que os preços dos produtos eletrônicos vêm caindo continuamente.
    Quando você vai comprar um computador/celular novo você pergunta ao vendedor se pode pagar mais caro, só para poder, pelo menos, pagar o mesmo preço que você pagou pelo computador/celular que você comprou anteriormente, estou certo?
  • Pobre Paulista  30/09/2014 23:54
    Não perca tempo, esse Marconi é Troll ou similar. Toda hora ele vem aqui vomitar asneiras só para se divertir.
  • Rodrigo  02/10/2014 00:51
    Isso nao é deflação. A diminuição de preço nos bens tecnologicos é resultado da produtividade. O que ocorre nesse caso é uma inflação com diminuição de preços. Caso não houvesse a politica inflacionária, os bens tecnologicos seriam mais baratos do que são hoje.

    A deflação é tão ruim quanto a inflação. Os austriacos não pregam a deflação, e isso é um entendimento errado.

    O pulo do gato é que: mantendo-se a oferta monetária constante, o aumento de produtividade aumentará a quantidade geral de bens, e com isso os preços tendem a cair.
  • André  24/09/2014 17:32
    Agora só falta outros bancos relevantes se pronunciarem.

    Aproveito para deixar aqui uma notícia recente e relvante:

    PayPal adds limited Bitcoin support
    www.theverge.com/2014/9/23/6834437/paypal-adds-limited-bitcoin-support
  • Ricardo Santos  24/09/2014 20:04
    Muito bom e explicativo o texto.
    Quanto à questão da deflação:
    "Quando os preços dos bens e serviços estão caindo, as famílias têm um incentivo para postergar ou até mesmo abandonar os planos de gastos. A teoria econômica, portanto, prevê que tanto a demanda agregada quanto a produção potencial cairão e, se a deflação for indefinida, que a taxa de desemprego será permanentemente mais elevada."
    Essa teoria mainstrem nunca me convenceu. Qual a explicação lógica para isso? Se existe um incentivo para postergar indefinidamente os gastos, não haveria estímulo para poupar? Qual a influência da variação de preços na disposição para se gastar?
    Alguém poderia me indicar algum livro ou artigo que explique isso?
  • Homem Azul  24/09/2014 20:35
    Bobagem. Nada vai mudar.
  • Lucas C  25/09/2014 14:42
    Sua cara vai mudar de azul para vermelha de vergonha.

    Na nossa curta vida aprendemos a achar que o dólar sempre vai prevalecer, que o ouro nunca vai voltar a ter valor como moeda, etc etc. No entanto, vale a pena estudar o passado para entender que o arranjo monetário atual é extremamente novo e instável. Faz pouco mais de 40 anos que o dólar deixou de ser lastreado em ouro.
    Então me diga, o seu "nada" se refere a o que?
  • sandro lima  24/09/2014 20:41
    Baseado nos comentários acima, e pelo conhecimento que tenho no assunto, minha opinião é que o bitcoin não é commodity.
    Além de ser utilizado como "moeda de troca", qual outra maneira poderia ser utilizado??

    Ex bobo, é você plantar tomate, pode ser usado como moeda de troca, tem utilidade, mesmo com vida útil limitada.
  • Trader carioca  24/09/2014 21:51
    Sandro Lima,

    Entendo, humildemente, que o bitcoin terá tantas funções e utilizações quanto as pessoas quiserem. Hoje por exemplo, boa parte das bitcoins está encarteirada por pessoas que esperam a valorização para, no futuro, poderem utilizá-las a valores maiores. Mais ou menos como um investimento especulativo.

    Já uma outra parcela pequena de pessoas usa bitcoin como meio de troca. Porém, como a alta volatidade ainda é um risco, a taxa de câmbio entre moeda fiduciária e bitcoin só é determinada no último instante antes da troca comercial.

    Existem possibilidades ainda em aberto, como por exemplo, a substituição do uso de cartão de débito por um sistema baseado em bitcoins. Isso poderia puxar as tarifas das operadoras de cartão para baixo, pois haveria mais concorrência.

    Também poderia estimular bancos e players de mercado a baixarem as tarifas de remessa de dinheiro para o exterior. Você compra bitcoin em seu país de origem, manda para fora do país e a outra pessoa que recebeu faria a venda da bitcoin para converter na moeda local dela.

    As possibilidades são muitas e os usos serão tão diversos quanto for a facilidade e o desejo dos consumidores.

    Acho que a maior questão de todas é o risco político que o crescimento do bitcoin representa para os governos. Em tese o bitcoin nasceu para ser uma forma de dinheiro livre de interferências dos governos, anônimo, seguro. Porém existe um elo fraco na cadeia, que são as casa de troca de bitcoin, onde você coloca dinheiro e sai com bitcoin ou o inverso. Esses locais hoje exigem cadastro, com nome, CPF, cópia de documentos, email, etc. Se o governo for em cima dessas empresas e obrigá-las a entregar a posição ou as transações indivíduais, ele consegue matar as trocas de moeda por bitcoin com facilidade, simplesmente tarifando as trocas de moeda por bitcoin, os depósitos e retiradas em dinheiro e pressionando diretamente os clientes com ameaças de prisão. Sem uma forma simples e segura de trocar moeda por bitcoin, a única forma de conseguí-las seria receber pagamentos diretamente em bitcoins. E as pessoas só aceitariam isso se também fosse possível pagar com bitcoins. Aqui poderia ser o fim de tudo. Esse é pra mim o grande risco das criptomoedas hoje.
  • anônimo  25/09/2014 09:31
    É uma ingenuidade imensa achar que o governo vai assistir isso sem reação nenhuma.
    Provavelmente vai ser assim, eles vão falar que bitcoin é permitido mas tem que ser regulado, e aí um monte de regras pras casas de câmbio, as mínimas possíveis pra depois aumentar gradualmente, e quando algumas começarem a descumprir, cadeia neles!
  • Trader carioca  25/09/2014 15:26
    Prezado anônimo.

    Realmente acredito que os governos vão reagir, e com maior intensidade quanto mais as criptomoedas crescerem.

    Parece bem óbvio que os governos do mundo inteiro não vão assistir à perda de poder sobre a política monetária e suas demais capacidades sem resistência.

    Complementando o que eu falei no último parágrafo de minha resposta ao Sandro Lima, a realidade que eu creio para o futuro será a regulação e restrição das criptomoedas a apenas nicho de mercado. É um sonho distante, quase utópico, que as criptomoedas consigam atingir os seus objetivos.
  • sandro lima  25/09/2014 15:27
    Também pensei a mesma coisa.
    E todas os exemplos citados pelo Trader carioca, para mim, se encaixam como moeda e não commodity.

    E para deixar claro: não sou contra o Bitcoin! é uma experiência válida que em breve quero tentar alguma coisa no meio, tanto é que há alguns tempos, já ando pesquisando para entender melhor.
  • Lucas C  25/09/2014 17:26
    Para mim, o Bitcoin se encaixa como commodity pelo simples fato de ser produzido (minerado) em locais diferentes e por indivíduos diferentes, sendo fungível. A moeda fiduciária, apesar de ter fungibilidade, é produzida por um banco único. Assim como uma moeda corrente de ouro, trata-se de dinheiro-commodity. A diferença para o ouro é que é intangível.

    Sobre possíveis interferências governamentais:

    -É possível que quanto mais regulamentação o governo faça, mais forte e confiável o Bitcoin seja (ver Jeffrey Tucker: www.youtube.com/watch?v=o1PH8whPuyQ . Também dá brilhantes insights sobre volatilidade)

    -Neste momento, ataques ao Blockchain seriam caríssimos e nada eficientes (ver Andreas Antonopoulos: www.youtube.com/watch?v=R8E6heAlkS0 )

  • Lucas C  25/09/2014 19:29
    Para ser mais claro, eu me referia ao Bitcoin quando disse: "Assim como uma moeda corrente de ouro, trata-se de dinheiro-commodity. A diferença para o ouro é que é intangível."
  • Dam Herzog  24/09/2014 20:46
    Sendo considerada a moeda da liberdade acho que o autor sendo um libertário ele é muito tímido ao tratar o a assunto e o faz com tanta fineza e delicadeza que transparece uma postura pragmática e não uma defesa do bitcoin contra o roubo diário que Estado nos faz. Para ser bom o artigo deveria defender que os fundamentos da moeda da liberdade não deveria ser gradualista e quase pedindo desculpa pela existência da moeda digital. A defesa da liberdade confunde com a defesa contundente da moeda digital, que é quando o individuo tornara o governo inútil.Mas tenho o maior respeito pela figura do articulista, desejo deixar só o tom quase baixinho do nosso discurso libertário. A desobediência contra a opressão na pequenas coisas que podemos desobedecer ao Estado é um primeiro passo de inicio da grande caminhada rumo a liberdade. Esta é apenas a opinião de um amador e futuramente um libertário futuro. Esta é a moeda do futuro, contra todas as maracutaias econômicas financeiras do mundo atual. Daqui para frente os Bancos Centrais existiram pelo suporte dos políticos mas não pelo interesse dos indivíduos. Nossa luta deve em não obedecer o Banco Central mas desconstrui-los. Ele só nos traz aumento da oferta monetária, a consequente inflação, a desvalorização de nossos ativos financeiros carestia para os mais pobres e deve ser severamente questionado pela subserviência e timidez. Tudo isto leva ao estado assistencialista que já estamos e gostaríamos de evitar.O Estado dá educação de qualidade acrescente sempre péssima, saúde racionada e precária de pronto socorro (nivel abaixo do anus), e se você sai a rua o ladrão de mata. Quero uma arma para me defender. Na Suiça o povo é armado e ocorre o menor índice de criminalidade do mundo. Esqueçam o nº 13 e 12 no dia das eleições eles fazem parte do Forum de São Paulo. Por favor chegou nossa vez de passar uma rasteira nos políticos profissionais, corruptos, corruptores, vagabundos, sem vergonha, enfim inúteis que correm para o Hospital Sírio Libanês e coerentemente evitam o SUS para não correrem risco de vida.Queremos e precisamos é de LIBERDADE ECONÔMICA.Vamos combater o socialismo que na pratica já morreu e procurar desestatizar todas as estatais, vender todas as terras do governo, vender ruas, avenidas, estradas, todas as participações do governo, não existe falha de mercado, e o mercado livre nunca existiu no Brasil, os sindicatos serão voluntários. Na Constituição começaremos com o principio da não agressão, respeito sagrado a propriedade privada . E no fim escreveremos. No Brasil nada será proibido, tudo sera permitido, só uma coisa será proibida amar sem amor......
  • Fernando Ulrich  25/09/2014 12:09
    Caro Dam,
    O objetivo deste artigo era analisar criticamente e com rigor científico o boletim do Banco da Inglaterra sobre as moedas digitais; o intuito não era fazer uma defesa apaixonada da liberdade monetária.
    Já fiz essa defesa nos primeiros artigos sobre bitcoin que escrevi aqui no IMB e, sobretudo, no meu livro "Bitcoin - a moeda na era digital", em que dediquei o último capítulo inteiro a esse tema, com o título de "A liberdade monetária e o bitcoin".
    Há outros artigos meus aqui no IMB sobre o controle estatal da moeda e as atrocidades cometidas contra o povo. Para ficar apenas em um, leia meu artigo "A saga e o inimigo".
    Um abraço,
    Fernando Ulrich

  • Werner Herzog  25/09/2014 12:15
    Num dia, nêgo vem aqui e reclama que os artigos são radicais demais; noutro dia, nêgo vem aqui e reclama que os artigos não estão radicais o bastante.

    Num dia, nêgo vem aqui e reclama que há muita ideologia nos artigos; noutro dia, nêgo vem aqui e reclama que está faltando ideologia nos artigos.

    Num dia, nêgo vem aqui e diz que está havendo juízo de valor e "defesa apaixonada de teorias" nos artigos; noutro dia, nêgo vem aqui e reclama da ausência de juízo de valor e da ausência de defesa apaixonada de teorias nos artigos.

    Conclusão? O IMB é impecável em sua escolha de artigos.
  • Juliana  25/09/2014 12:31
    No caso, por exemplo, de uma economia em que o bitcoin se tornasse a moeda corrente, não seria recomendado também que ela não tivesse salário-mínimo (e pisos salariais), pois em caso de queda dos preços, o custo dos salários se tornariam proporcionalmente incompatíveis com as receitas obtidas, sendo essa também uma das causas do desemprego. Este também não é um fator relevante?

    Agora, não sei o que é esse ataque dos 51%, mas um banco central preocupado com uma "fraude generalizada do sistema", é dessas coisas que não se vê todo dia. Deveria ser a notícia do ano, hahaha.

    Muito obrigada e até a próxima
  • Andre  25/09/2014 13:31
    "...recomendado também que ela não tivesse salário-mínimo...".

    Juliana, o recomendável é que NENHUMA economia tenha salário mínimo.
    NENHUMA.

    Assim todos os cidadãos ficam livres para definirem seus próprios salários mínimos individuais. Bastando para isso recusar toda e qualquer oferta de emprego que se proponha à pagar menos do que a pessoa queira ganhar.

    Fulano acha que o salário minimo ideal para ele é 10 mil reais?
    Recuse todos os empregos que pagam menos.
    Ciclano acha que o salário minimo ideal para ele é mil reais?
    Recuse todos os empregos que pagam menos.

    Existem vários países sem leis de salário mínimo, e lá as pessoas ganham bem mais do que cá.

    As pessoas que defendem leis de salário mínimo querem apenas causar desemprego protegendo seus empregos dos outros que aceitariam fazer a mesma coisa por menos.

    Ou são inseguras quanto à sua própria capacidade de dirigirem suas próprias vidas e querem que o governo as impeça de aceitarem empregos por menos do que um político iluminado acha justo.
    Assim elas podem ficar desempregadas e passando fome e necessidade, porém felizes de terem sido impedidas de trabalhar.

    E não, os empresários não iriam se juntar todos em um plano maligno para pagar um salário de fome para todos.
    Justamente por que eles querem LUCRAR O MÁXIMO QUE FOR POSSÍVEL.
    Em uma economia livre os empresários querem pegar os melhores empregados para as suas empresas, e a única forma de fazerem isso é se oferecerem salários maiores que os concorrentes estão oferecendo. Daí a economia naturalmente tenderá para um arranho onde todos ganham de acordo com sua produtividade.
    Como ocorre nos países mais liberais em que nem sequer há leis de salário mínimo.
  • sandro lima  25/09/2014 16:04
    Concordo em partes com você, Quanto mais monopolizado for o mercado, se não houver uma "regra" de salário mínimo, com oferta de trabalhadores em alta pode-se criar um ciclo vicioso de salários sempre mais baixos.
    Pessoas precisam pagar suas contas! Se num primeiro momento, ele não aceita ganhar por 100 depois de 3 meses sem ganhar nada, ele aceita o trabalho por R$ 50, e mais para frente, vai ter gente aceitando ganhar R$ 25.
    Oferta e procura.

    E por outro lado, proteger demais, deixa o trabalhador acomodado e ele não progride.



  • Juliana  25/09/2014 19:30
    Muito obrigada André pela ótima resposta. Não deixa de ser verdade: a inexistência de um salário mínimo seria benéfica e dificultaria o desemprego em qualquer economia, guardadas as devidas proporções, e não só em uma sujeita a deflações por valorização da moeda. Mas dependeria muito do contexto e outras condições.

    Mesmo no exemplo que o Sandro citou. Se o salário fosse reduzido muito o consumo também diminuiria, sem a diminuição da produção. E com a oferta maior de produtos os preços cairiam tornando-se novamente acessíveis. Bom, isso é só o rascunho de uma suposição.

    Obrigada e até a próxima.
  • sandro lima  26/09/2014 04:50
    Sim, mas depende da área!
    E nem sempre o público que produz é o mesmo que consome, ainda mais com o comércio exterior.
  • Andre  25/09/2014 17:26
    "Quanto mais monopolizado for o mercado, se não houver uma "regra" de salário mínimo, com oferta de trabalhadores em alta pode-se criar um ciclo vicioso de salários sempre mais baixos.".

    Só existe monopólio quando o governo proíbe ou dificulta a entrada de concorrentes.
    Não se deve corrigir um mal com novos males.
  • IRCR  27/09/2014 00:28
    Ulrich,

    Primeiramente queria dizer que foi bom ter conhecido vc lá na conferencia, sou o Iramy, talvez se lembre de mim.
    Ademais, um pergunta que queria fazer era sobre uma possibilidade de se criar uma "currency board digital" de uma criptomoeda ao qual manteria a cotação dela com um cambio fixo com outra moeda, tudo digitalmente. Sendo a grande vantagem de dar previsibilidade na cotação da criptomoeda, ainda mais por se tratar de uma moeda nova. Seguindo o mesmo principio proposto pelo Steve Hanke que meodas novas não é muito bom que fique ao sabor da oferta e demanda dos agentes econômicos e até que em algum momento ela se solidifique para poder soltar a cotação.
  • Filos  29/09/2014 05:12
    Boa pergunta... ambem vou aguardarr resposta...
  • Fernando Ulrich  01/10/2014 15:11
    Olá Iramy,
    Por definição, qualquer tentativa de controle do seu valor ou de sua oferta é impossível, uma vez que não há uma entidade central responsável por gerenciar a quantidade de moeda em circulação.
    Infelizmente, é preciso dar tempo ao tempo. É um experimento novo, inédito, e inovador. Acredito que em alguns anos não teremos tanta volatilidade, pois a emissão de novos bitcoins estará mais contida (a taxa é decrescente), e a demanda não será tão volátil e instável.
    Uma mercadoria se torna moeda justamente porque ela fica ao sabor da oferta e demanda dos agentes econômicos. O ouro certamente não iniciou seu papel de moeda da noite pro dia e nem com valor estável.
    Não adianta querermos impor nada num "top down" approach. É preciso deixar o mercado fazer seu trabalho. O bitcoin vai fazer 6 anos. A moeda totalmente fiduciária tem 40. O ouro tem uma história milenar. Não podemos exigir do bitcoin que ele se torne nesse pouco espaço de tempo, contra todas as previsões e todo o ceticismo do mundo, numa moeda global, estável, e amplamente aceita. Easy... we're not there yet.
  • anônimo  29/09/2014 16:38
    'O banco também reconhece que, apesar de o aspecto monetário ter atraído mais atenção até o momento, a grande inovação jaz na tecnologia do "registro contábil distribuído" (distributed ledger), que poderá ser aplicada não somente ao dinheiro, mas também aos mais diversos ativos e instrumentos financeiros do mundo moderno.'

    E por que exatamente isso seria uma vantagem? Eu tenho a minha empresa, pra que eu ia querer a contabilidade dela espalhada pela internet inteira, pra qualquer um poder ver? Ou mesmo que seja encriptada...qual a vantagem disso pra mim? A vantagem é pra quem quer se meter no que é meu, se a empresa é minha a contabilidade é problema meu somente, não é?
  • Tannhauser  29/09/2014 20:39
    Aproveitando que o artigo ainda não morreu, coloco aqui duas perguntas ao Fernando:

    1) Como anda o problema dos 51% para o Bitcoin? É realmente um problema?

    2) O Ripple é uma boa alternativa? Pelo que li posso comprar outras moedas fortes através dele. Correto?

  • Fernando Ulrich  01/10/2014 15:26
    Olá Tannhauser,

    Sobre o problema dos 51%, não é uma grande preocupação não. Para entender melhor, veja esse meu artigo no meu blog.
    www.infomoney.com.br/blogs/moeda-na-era-digital/post/3283338/grande-invencao-tecnologica-bitcoin-parte

    O Ripple nada mais é do que um sistema de pagamentos com uma moeda "veículo". A moeda do Ripplo (XRP) não foi feita para ser entesourada, mas para ser usada como uma moeda para transferir qualquer valor de forma rápida.

    Deixe-me exemplificar e isso ficará claro:

    Se você quiser transferir reais de uma conta no BR para dólares em uma conta nos EUA, você pode fazer isso com bitcoin. Basta comprar bitcoins com uma exchange brasileira, enviar seus bitcoins para uma conta na Coinbase (uma espécie de exchange), vender seus bitcoins pela Coinbase e retirar os dólares para uma conta bancária lá fora.

    O Ripple foi criado para prover exatamente esse serviço.

    Ainda preciso escrever um artigo sobre ele.

    Abs,

    Fernando Ulrich
  • Rodrigo B  02/10/2014 21:53
    Fernando Ulrich,

    No seu artigo você diz que "moeda boa expulsa a moeda ruim", mas a história nos mostra que é justamente o contrário. Quando os governos manipulam suas moedas fazendo com que elas percam valor, a tendência é guardar aquilo que mantém valor (ouro, prata, jóias) e gastar primeiro o que está se depreciando (moeda fiduciária). Isso de acordo com a Lei de Gresham. Assim sendo, a moeda boa desaparece de circulação e a moeda ruim toma o seu lugar. Ou estou enganado?

    Abraços
  • Leandro  02/10/2014 23:00
    Rodrigo, a Lei de Gresham -- moeda ruim expulsa moeda boa -- é válida apenas quando o governo institui uma taxa de câmbio forçada entre duas moedas. Nesse caso, se a moeda ruim estiver sobrevalorizada em relação à moeda boa, as pessoas irão entesourar a moeda boa (que está subvalorizada) e utilizar apenas a ruim.

    Este artigo fala exatamente sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1505
  • Rodrigo B  03/10/2014 15:53
    Obrigado Leandro pelo artigo, foi muito útil. Por isso eu gosto do Mises Brasil, sempre que eu acho que já aprendi muito eu acho novos conhecimentos por ak rsrs.
    Abraços
  • Fernando Ulrich  03/10/2014 20:49
    Olá Rodrigo B,

    Veja este artigo abaixo. Nele há uma parte dedicada exclusivamente à questão da Lei de Gresham.

    www.infomoney.com.br/blogs/moeda-na-era-digital/post/3574655/problema-sao-economistas-nao-bitcoin
  • Emerson Luis, um Psicologo  19/10/2014 15:08

    Conforme disse Khun, especialistas e autoridades procuram ignorar "anomalias" (novas informações que não se encaixam em suas teorias) até que estas comecem a formar uma massa crítica que não pode mais ser ignoradas; então tentam adaptar os fatos às teorias com subteorias enquanto for possível, até finalmente se verem obrigados a ajustarem as teorias.

    * * *
  • bruno  02/11/2014 20:40
    Caros entusiastas do bitcoin, tenho uma dúvida sobre o momento atual da cotação do BTC face a acontecimentos recentes.

    Ando observando o preço do BTC com atenção essas últimas semanas. Está perdendo as bandas de 20% da média de 20 dias. Pretendo aportar 1% de minha carteira de investimentos nele.

    Me deixou com uma pulga atrás da orelha esse gráfico aqui:
    blog.kimblechartingsolutions.com/wp-content/uploads/2014/10/kingdollarattempting10yrbreakoutoct31.jpg

    Quer dizer, em parte explicada está explicada a queda desses meses do BTC, com a valorização mundial do dólar (por diversos motivos). A pergunta é, vai romper essa resistência?

    Esse gráfico, parece dizer que sim:
    blog.kimblechartingsolutions.com/wp-content/uploads/2014/11/francgoldresistancesept1-675x312.gif

    Várias perguntas e considerações no ar.
    (i) Será que é válido considerar o preço do ouro de papel como sendo de verdade, no gráfico acima?

    (ii) O franco suíço sofreu recente desvalorização pelo banco central helvético, não haveria aí uma distorção histórica deste momento com os momentos representados pelo gráfico?

    (iii) O Bitcoin vai sofrer o golpe devido às considerações acima? Lembrando que há uma enorme expectativa de aumento de juros do FED para o ano que vem - que eu pessoalmente não acredito. Os PIBs trimestrais de 2015 serão lamentáveis (a começar com o de 2T14 que foi influenciado por nevascas, seguido de um 3T14 inchado de gastos militares que se expurgados levariam a apenas +2,xx% e um 4T14 que promete ser impactado pelo consumo e varejo, dado os decepcionantes resultados em Mcdonalds e Amazon. Barclays foi triste tbm, e por fim, o PIB americano de 1T15 será comparado com o "forte" 1T14...).

    O que acham? Esperamos a definição do dólar até o final deste ano, ou compramos ao som desses canhões (que podem ser de confete?). Aaaaa como eu queria conversar com o Fernando Ulrich sobre isso...

    Uma pena não haver fóruns relacionados a isso, voltados para economia e considerações mais qualitativas dos bitcoins...
  • Fernando Ulrich  03/11/2014 11:41
    Olá Bruno,

    Talvez este post lhe esclareça algumas dúvidas. "Por que o preço do bitcoin caiu?"

    www.infomoney.com.br/blogs/moeda-na-era-digital/post/3623006/por-que-preco-bitcoin-caiu


    Abs,

    Fernando Ulrich
  • anônimo  04/11/2014 00:01
    Uau, Vlw Fernando!
  • anônimo  08/11/2014 10:40
    A quem interessar possa:
    Governo americano agora consegue burlar o TOR e fechar um monte de sites de drogas e lavagem de dinheiro
    www.wired.com/2014/11/operation-onymous-dark-web-arrests/


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