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O Waze e a ordem espontânea de Hayek

Quem se depara com o crescente congestionamento dia após dia nas grandes cidades sabe o desgaste que é enfrentar o trânsito parado nas horas de pico. Hoje em dia, programar algo em São Paulo, por exemplo, depende de conciliar o horário da saída do trabalho, o início de uma sessão de cinema e todos os imprevistos que eventualmente irão surgir ao longo do caminho.

Tempo perdido e o estresse entraram na rotina diária dos motoristas e, por extensão, de todos envolvidos na mobilidade urbana.

Há alguns anos, o aplicativo Waze surgiu para nos propiciar algo melhor e mais completo do que um GPS convencional. Além dos mapas e direções para se sair do ponto X e se chegar ao Y, o recurso se baseia na interatividade entre os usuários.  E é por isso que o Waze é superior ao GPS tradicional: trata-se de um aplicativo baseado na interatividade voluntária e espontânea de seus usuários.

No Waze, as rotas são configuradas levando-se em conta as informações em tempo real que são inseridas no sistema pelos seus milhares de usuários.  Os usuários podem relatar acidentes, congestionamentos, barreiras policiais, radares escondidos, volume de tráfego, velocidade média da via, câmeras rastreadoras etc. Isso permite que o motorista preveja os pontos onde há maior congestionamento, os locais de acidentes, os bloqueios e os radares móveis.

Ao solicitar um trajeto, o aplicativo reúne todas as informações alimentadas pelos usuários e traça a melhor rota para que o motorista economize seu tempo de viagem. Sendo melhor que um GPS, o Waze fornece rotas e atualizações de tráfego em tempo real.

Por seu lado, o próprio motorista também contribui com informações que encontra pelo caminho, seja uma árvore que caiu no chão, pista escorregadia ou uma blitz policial.

É por meio dessas particularidades do Waze que um fenômeno inerente às sociedades livres se manifesta por completo: a ordem espontânea.

Segundo o economista austríaco F. A. Hayek (1899-1992):

O que na verdade constatamos em todas as sociedades livres é que, embora grupos de homens se unam em organizações para consecução de alguns fins específicos, a coordenação das atividades de todas essas várias organizações, bem como dos diversos indivíduos, é produzida pelas forças que favorecem uma ordem espontânea. A família, a propriedade rural, a fábrica, a pequena e a grande empresa e as diversas associações [...] são organizações que, por sua vez, estão integradas numa ordem espontânea mais abrangente. (HAYEK, 1985, p. 48).

Ou seja, a ordem espontânea é fruto da evolução da ação de vários atores da sociedade e se regula de maneira descentralizada e ao mesmo tempo coordenada.

Veja no caso do Waze: no momento em que o sistema processa as informações inseridas por um determinado usuário que está em uma determinada localidade, este usuário não tem a mais mínima ideia de para onde os outros usuários estão indo.  O usuário simplesmente fornece informações, voluntária e espontaneamente, para que os outros usuários tracem suas rotas, mas ele não tem interesse em saber o destino final de nenhum outro usuário. Excetuando-se uma rede de amigos que compartilham entre si seus trajetos pelo aplicativo, nenhum usuário sabe para onde outro usuário se desloca, mas mesmo assim eles se auxiliam reciprocamente atualizando informações que vão acrescentando ao longo do trajeto.

Em um âmbito mais geral, é essa ordem espontânea — descentralizada e ao mesmo tempo coordenada — que seleciona e constrói conhecimentos que, por sua vez, são transmitidos via herança cultural.  É essa ordem espontânea que difunde normas organizacionais e normas espontâneas.

As normas organizacionais são regras para a execução de tarefas específicas. Cada indivíduo ocupa um lugar na estrutura da organização.  Ele é nomeado por determinação de alguém, e a autoridade dirigente indica suas atividades próprias.

Já as normas que regem uma ordem espontânea são

Aplicáveis a um número desconhecido e indeterminável de pessoas e situações. Terão de ser aplicadas pelos indivíduos à luz de seus respectivos conhecimento e propósitos; e sua aplicação independerá de qualquer propósito comum, que o indivíduo não precisa sequer conhecer (HAYEK, 1985, p. 52).

Temos, portanto, as normas organizacionais formuladas por entidades responsáveis pelas regras de trânsito.  Elas estipulam que tipos de veículos podem trafegar em determinada pista, quais vias são de mão dupla ou única, que limite de velocidade é permitido numa avenida etc. Os sinais de trânsito indicam as regras que devem ser seguidas. Já as normas da ordem espontânea no tráfego provêm de um conhecimento adquirido por experiência individual (saber conduzir o próprio veículo no trânsito) e por interação com outros (interpretar os sinais de farol que concedem uma passagem, o gesto de um pedestre que sinaliza que vai atravessar a rua, a intensidade e cadência de uma buzina que informa um agradecimento, aviso ou xingamento).

Com a utilização do aplicativo, outras informações são fornecidas e utilizadas pelos usuários que servem aos propósitos de cada um. A ordem espontânea que pode ser verificada no Waze é que o melhor itinerário não é conhecido a partir da maior quantidade de possibilidades de rota, mas sim das informações dispersas inseridas pelos indivíduos, as quais ajudam na elaboração do trajeto mais rápido. Essas informações dispersas também possibilitam aos motoristas encontrarem postos de combustível com preços mais atrativos na área onde se situam, por meio do recurso que permite a pesquisa de postos e preços listados pelos usuários do aplicativo.

Para Hayek,

Essa ordem, ao implicar um ajustamento a circunstâncias, cujo conhecimento está disperso por um grande número de indivíduos, não pode ser estabelecida por um sistema que centraliza as decisões. Só pode decorrer do ajustamento mútuo dos vários elementos e da sua reação aos eventos que atuam imediatamente sobre eles. (HAYEK, 1983, p. 177).

A abordagem de Hayek sobre a ordem espontânea vem do Iluminismo escocês de David Hume e Adam Smith, e ele a desenvolve a partir de suas principais influências econômicas, notadamente Carl Menger e Ludwig von Mises (BOETTKE, 1990). Hayek expande a ordem espontânea percebida no livre mercado para o uso do conhecimento em diversas esferas da sociedade.

Desta maneira, ele critica as sociedades cujo certo tipo de racionalismo arroga a pretensão onisciente de conhecer e, portanto, controlar e planejar todos os aspectos desse conhecimento disperso na sociedade, seja na economia, no direito ou na política.

A descentralização é o poder disperso para que os indivíduos possam buscar o conhecimento necessário e adequado a seus objetivos particulares, e cada um sabe o que é melhor a ser utilizado a partir dos interesses de cada um, pois "precisamos da descentralização porque somente ela poderá nos assegurar que o conhecimento de circunstâncias particulares de tempo e local serão prontamente utilizados" (HAYEK, 1945, p. 524).

Um aplicativo que reúna todas as informações que seus usuários alimentam (intensidade de tráfego), e as devolve para a utilização na consecução do propósito de cada um deles (o destino escolhido), serve como exemplo de como este conhecimento pautado nas ações aparentemente desconectadas e alheias entre si pode ser produzido por uma vasta e interligada cooperação.

Observamos, porém, o quanto esses recursos, assim como outros programas tecnológicos que armazenam uma grande quantidade de dados, podem servir a outros propósitos que nada têm a ver com deslocamento no trânsito. Organizações como a NSA (National Security Agency) dos EUA monitoraram informações de outros programas, como Google e Facebook, tendo acesso a dados privados de seus usuários. Tal serviço de vigilância governamental foi revelado por Edward Snowden, atualmente exilado na Rússia.

Surge, então, a dúvida sobre se até mesmo essa ordem espontânea pode ser vulnerável a um poder centralizador capaz de reunir todas informações disponíveis com o intuito de controlar e monitorar. Da mesma maneira que a tecnologia propicia autonomia aos indivíduos, sua vulnerabilidade também pode comprometer a privacidade de cada um, expondo tudo o que ele escreve, fotografa, filma e compartilha.  E, agora, expondo também para onde ele se desloca.

A ambição de qualquer sistema de poder centralizador sempre foi justamente a de tentar domesticar essa ordem espontânea para a consecução não mais dos propósitos dos indivíduos, mas sim daqueles que exercem esse poder. O risco que ocorre agora não é o de uma vigilância ostensiva, mas sim uma vigilância subterrânea, em que os dados são violados e monitorados em um tráfego virtual de informações aparentemente invisível.

O Waze é um aplicativo limitado aos seus usuários e a ordem espontânea refletida nele é apenas uma fração da ordem espontânea mais ampla da grande sociedade formada pelos outros cidadãos que se movem e agem conforme seus interesses.  O Waze apenas possibilita a seus usuários cooperarem com a troca de informações dispersas, as quais serão úteis aos seus objetivos particulares.

Mas quando toda essa informação passar a ser utilizada de maneira escusa por outros órgãos que violam a privacidade, a liberdade já estará seriamente comprometida.

 

Referências

BOETTKE, P. J. (1990). The theory of spontaneous order and cultural evolution in the social theory of F. A. Hayek. Cultural Dynamics. Vol 3 (1), pp. 61-83.

HAYEK, F. A. (1945). O uso do conhecimento na sociedade

HAYEK, F. A. (1983). Os Fundamentos da Liberdade. São Paulo: Visão

HAYEK, F. A. (1985). Direito, Legislação e Liberdade – volume I. São Paulo: Visão



autor

André Mellagi
é psicólogo e doutorando em Psicologia Social.


  • Lucas C  23/09/2014 14:33
    Sei que ninguém perguntou, mas...

    Há um cientista e escritor moderno chamado Steven Johnson. Seu campo de estudo são as organizações emergenciais, ou seja, bottom-up. Ele demonstra que a formação das cidades, a organização nada hierárquica dos formigueiros, a coordenação entre os neurônios do nosso cérebro e a maneira de selecionar os melhores resultados de pesquisa do Google obedecem o mesmo padrão. Muitos indivíduos, nenhum líder, e poucos comandos amplamente aceitos formam redes auto-organizáveis extremamente complexas e eficientes. No caso dos poucos comandos, eles podem ser os ferormônios das formigas, os neurotransmissores do sistema nervoso, ou a "Ação Humana" diante de situações de mercado e convivência.
    Sugiro fortemente seu primeiro sucesso " Emergência" para quem se interessar pelo assunto.
    Um outro livro, ainda não traduzido para o português (creio eu) é "The Invention of Air", um biografia de Joseph Priestley, que viveu na Inglaterra e EUA do século XVIII e foi uma grande influência para os Founding Fathers norteamericanos.

    Acho que Johnson não conhece Hayek e não aplicou o seu conhecimento ao livre mercado. Ao menos nunca vi nenhuma citação nos livros que li dele... Está passando da hora de conhecer, não é?

    É legal ver como a lógica da "homeostase" tão básica para o entendimento da medicina (minha área) é usada com tanta perfeição nas relações humanas. Na verdade, o oposto também funciona e estudar a Escola Austríaca acaba me ajudando muito a desenvolver melhores estratégias no lido com meus pacientes e suas doenças.
  • anônimo  24/09/2014 23:29
    Steven Johnson cita Hayek e o libertarianismo em uma entrevista sobre seu livro mais recente, "Future Perfect", em que analisa os "progressos pareados", como Kicstarter e Wikipédia. Segue o link: www.mattklewis.com/?p=6556

  • Felipe Chierighini  23/09/2014 14:41
    O receio à uma possível centralização no futuro não condiz com a realidade, cada vez mais vivemos uma descentralização de tudo, até nas áreas dificil de se imaginar anos atrás como monetária e hoje existem centenas de criptomoedas. Existe mensageiros descentralizados como o Bleep que usa a tecnologia P2P. E o projeto ethereum que está possibilitando uam descentralização ampla em várias áreas.
    https://www.youtube.com/watch?v=Clw-qf1sUZg
  • Felipe  23/09/2014 15:09
    O tamanho do estado é proporcional ao quanto a sociedade acha os demais indíviduos incapazes de tomar a melhor decisão (a qual julgamos) por si próprio.


    Esse pensamento acima ilustra o por que muita gente defende o estado, quando eu argumento ser a favor das drogas as pessoas ficam indgnadas, argumentam "você não sabe o estrago que seria"..."um monte de viciados"..."o custo para saúde".


    Só um último comentário, o pessoal aqui se tornou bem radical quando a existência do estado, visto que o própro Von mises era a favor de um estado mínimo.
  • Silvio  23/09/2014 18:24
    Ser contra o estado não se trata de radicalismo, trata-se de lógica.
  • Felipe  23/09/2014 18:36
    Não é tão logico e sim vocês são radicais porque até hoje nenhuma região na historia esteve ausente de um poder central.
    Tanto que existe uma teoria na política que afirma que não existe vacuo de poder, é bem interessante.
  • Silvio  24/09/2014 17:56
    Estado é uma instituição intrinsecamente violenta que funciona a base de roubo. Você realmente acha absurdo ser contra isso? Por favor, aponte-me onde falta a lógica para ser contra uma enormidade desses.

    E pouco importa se nunca antes na história deste país ou de qualquer outro sempre houve um poder central. Bem, essa sua afirmação é altamente discutível, mas, admitindo que seja verdade, pergunto: e daí que sempre houve um poder central?

    Veja bem, sempre houve roubo, assassinato, estupro etc. na história da Humanidade e, segundo seu fabuloso raciocínio, nem eu nem ninguém deveria ser contra isso, afinal, essas coisas sempre existiram em todos os tempos e todos os lugares...

    Não existe vácuo de poder porque sempre tem alguém querendo mandar na vida dos outros. O problema maior é a ausência de um vácuo de servidão, ou seja, sempre teve gente querendo (por um medo mórbido de assumir responsabilidades) que alguém ditasse os rumos da sua vida. E é na base dessa servidão voluntária que o estado existe e cresce (cada vez mais).

  • Felipe  24/09/2014 20:04
    'Não existe vácuo de poder porque sempre tem alguém querendo mandar na vida dos outros"

    Mas é exatamente isso que a teoria fala, se existe um vacuo de poder, cedo ou tarde alguém vai querer tomar o poder para sí, seja pela força ou pela demagogia.

    E por mais que você consiga implantar, um grupo centralizado será sempre mais forte que pessoas separadas, e será questão de tempo para um dominar o outro.

    Logo não há como viver sem um estado. E é por isso que não existe exemplos na história.

    Caso você conheça por favor me conte algum exemplo,
    eu leio bastante sobre historia e mesmo em regiões tribais e primitiva sempre houve um poder central.

    A unica solução que eu vejo é com a própria evolução mental do ser humano, capaz de controlar seus instintos primitivo, mas isso está longe de acontecer.
  • Enrico  24/09/2014 21:35
    Sabemos que 1 + 1 = 2 e 1 - 1 = 0, logo (1 + 1) + (1 - 1) = 2, certo?
    Sabemos que todos somos legalmente iguais por natureza e ninguém, portanto, pode fazer algo contra outro indivíduo que o mesmo não possa fazer contra este, então tiramos uma breve conclusão de que todo homem que deseja sua vida, sua liberdade e sua propriedade preservadas deve respeitar a vida, a liberdade e a propriedade alheia. Entretanto, o Estado não respeita sua liberdade e sua propriedade, uma vez que lhe obriga a pagar impostos, a votar, a usar os serviços que ele autoriza, etc. Logo, o Estado viola nossos direitos naturais e deve ser considerado como um criminoso, certo?

    O Estado foi criado pelo homem e, portanto, o homem o precedeu, logo é evidente que houve sociedades sem Estado. Ainda que não fosse válida esta evidência, o seu argumento poderia ser utilizado para defender a escravidão: www.mises.org.br/Article.aspx?id=899

    Os libertários não alegam que haverá vácuo de poder (esta é uma das diferenças entre anarquistas e ancaps), mas sim que este poder não deve ser um Estado central, mas sim empresas competindo por oferecer proteção aos indivíduos, afinal se houver um poder central ele não vai jamais ser limitado, além do que um poder central não é fácil de legitimar. Imagine que o Brasil fosse na verdade uns 50 países e alguém chegasse em todos eles e quisesse montar um Estado central, seria fácil? Claro que não.

    Mises de fato era minarquista, mas ele defendia o direito à secessão*, o que é indiretamente defender a inexistência de um poder central. Vale lembrar que Mises se focou em economia austríaca e não em libertarianismo, que são coisas diferentes, apesar do IMB defender ambas.

    *Frase de Rothbard: "Se o Canadá e os Estados Unidos podem ser nações separadas sem serem proclamados estados de anarquia intolerável, por que o Sul não poderia se separar dos Estados Unidos? E o Estado de Nova Iorque da União? E a Cidade de Nova Iorque do estado? Por que Manhattan não poderia se separar? E cada bairro? E cada quarteirão? E cada casa? E cada pessoa? Mas, sem dúvidas, se cada pessoa pudesse se separar do governo, nós teríamos chegado praticamente a uma sociedade em estado puro de liberdade, em que defesa é fornecida juntamente com todos os outros serviços pelo livre mercado e em que o Estado invasivo teria deixado de existir."
  • Felipe  25/09/2014 00:39
    Concordo com você, também sou contra o estado, e sem dúvida, na teoria, seria possível.
    Agora o problema é se é possível na prática, ai é outra história e que vamos demorar muito para ver.
  • Enrico  25/09/2014 01:52
    Em questões práticas, há aqui alguns escritos interessantes:
    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=734
    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=489
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=82
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=51
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=57
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=95
  • Felipe  25/09/2014 13:52
    Brigado, vou ler depois
  • anônimo  25/09/2014 09:39
    'Se o Canadá e os Estados Unidos podem ser nações separadas sem serem proclamados estados de anarquia intolerável, por que o Sul não poderia se separar dos Estados Unidos? E o Estado de Nova Iorque da União?'

    Por que essa separação é só de fachada, na verdade o dono do mundo são os EUA, Canadá, Europa, Austrália, etc em geral são seus capachos e fazem tudo que eles mandam.Precisa de um bando de australianos otários morrer no iraque? É pra já!
    Quem não está debaixo da bota deles, Rússia por ex, vive num estado de tensão eterna, sofrendo sanções, bloqueio comercial, etc. A coisa recentemente está piorando muito, neocons parecem querer muito uma guerra com a Rússia e China...
  • Felipe  25/09/2014 13:54
    "Rússia por ex, vive num estado de tensão eterna, sofrendo sanções, bloqueio comercial, etc"

    Coitadinhos, leva o Putin para sua casa
  • Freedom Fighter  23/09/2014 15:33
    Calma, daqui a pouco a CET vai começar a fazer lobby pelo monopólio estatal de organizar o caos na cidade, ou pelo menos vai tentar proibir os usuários do Waze de avisar os demais da presença de fiscais, radares et caterva.

    Open sourcing é o futuro.
  • anonimo  23/09/2014 22:26
    E nas duas últimas greves que eles fizeram, o trânsito melhorou...
  • Freedom Fighter  23/09/2014 15:52
    OFF TOPIC:

    oglobo.globo.com/economia/receita-tera-big-brother-de-voo-internacional-14017520

    Sim, pessoal, não é piada. Melhor usar proxy anonimo ao entrar no Mises, do contrário vai que a Receita te ficha...

    Era mais fácil fechar as fronteiras de vez e virar uma enorme Coréia do Norte, pelo menos poupava o trabalho de maquiar a mentira que afirma somos "livres" para fazer trocas voluntárias no exterior, sem ser fichados pela GESTAPO aka Receita Federal.
  • anônimo  23/09/2014 17:14
    Proxy no IMB não vai fazer diferença nenhuma, o troço vai ter nome profissão e viagens recentes, tudo isso o governo consegue por outras fontes
  • Freedom Fighter  23/09/2014 18:32
    Eu sei, disse por puro sarcasmo mesmo.
  • Caique Cunha  23/09/2014 20:03
    Isso é para quem diz que o estado não é eficiente. O ato de fiscalização da receita federal é de espantosa competência.
  • Freedom Fighter  23/09/2014 20:28
    Assim como a KGB eram especialista e eficiente em fichar e exterminar os opositores se Stalin, por exemplo.

    Só que tem um pequeno detalhe: o pretexto dos capangas é confiscar meu dinheiro (em nome de um tal "contrato social", que pelo menos eu jamais assinei, com o Leviatã), e o Sr. Leviatã deve prover todos os "direitos" possíveis e imagináveis (leiam a CF 88 e perceberão, de cara, que ela é um enorme e evidente cheque sem fundos, a ser pago pelos súditos do rei).

    E na hora de prover os tais "direitos (que jamais serão providos, por N razões descritas aqui no site e alhures) o Sr. Leviatã não aparece. Portanto, melhor rasgar o tal "contrato social" e tentar passar pela Gestapo dos aeroportos, para ter o direito de comprar sem ser roubado por esse mal-educadíssimo Sr. Leviatã, que nunca dá as caras mas vive a me cobrar, ameaçar e mandar todo o tipo de boletos e cobranças (explícitos e implícitos, na forma de imposto) para a minha casa e minha pessoa.
  • Estevam  23/09/2014 17:11
    Outros exemplos importantes de ordem espontânea são os bandos de pássaros e cardumes de peixes que não possuem um líder para migrar e encontrar alimento, cada um se beneficia da proteção de todos.
    Os muitos olhos, ouvidos e focinhos dos herbívoros atentos aos predadores.
    Os muitos sinais que suricatos emitem uns aos outros ao ver um predador, o qual cada um possui seu sinal específico, se é uma águia ou uma serpente.
    O equilíbrio natural dos ecossistemas.

    A seleção natural.

    A formação das línguas, dialetos e sotaques, que a despeito da norma culta, força os dicionários a se adaptar.
    A Internet. Os próprios memes.

    As correntes de ar e marítimas que regulam a temperatura no planeta.

    Skinner disse em "Ciência e Comportamento Humano", Cap. XXI - Controle pelo grupo:

    "O grupo age como uma unidade na medida em que seus mebros são afetados do mesmo modo pelo indivíduo. Não precisa ser altamente organizado, mas geralmente alguma organização se desenvolve. Os procedimentos controladores adquirem certa uniformidade advinda das forças coesivas que levam o indivíduo a tomar parte na ação do grupo (capítulo XIX) e de seu modo de transmissão de uma geração para outra."
  • Andre Cavalcante  23/09/2014 19:18
    Estevam, nada não, mas se aplicar esse fala do Skinner de maneira mais geral, vai justificar o socialismo.

    Outra coisa, os teus exemplos até tem de ordem espontânea, mas são de natureza completamente diferente da ordem espontânea originada das relações humanas.

    Abraços

  • Estevam  23/09/2014 21:24
    Não vejo nenhum problema com a lógica em si deste trecho. Achei bastante coerente com o artigo.
    Não é minha culpa se algum socialista entende "grupo" como coletivismo, ou "procedimentos controladores" como ação estatal.

    Skinner fala nestes capítulos do livro sobre como surgem comportamentos sociais.

    Talvez você seja desconfiado do fato de ele ser o mais radical dos "intervencionistas" da psicologia. De fato ele publicou também sua utopia:

    pt.wikipedia.org/wiki/Walden_II

    en.wikipedia.org/wiki/Walden_Two

    Quanto aos meus exemplos, claro! O ser-humano é mais complexo. Tal como a Teoria da Evolução das Espécies sugere um fenômeno extremamente complexo.
    Mas isso não impede que algumas pessoas ousem fazer manipulação genética e cruzamentos para produzir suas raças com base em seus critérios.
    Ouvi dizer que exatamente isto inspirou a eugenia.

    Fatos científicos e constatações não podem ser confundidos com julgamentos de valor.
  • Andre Cavalcante  25/09/2014 14:49
    Não queria dizer que os exemplos não são de ordem espontânea, mas da natureza como essa ordem é conseguida.

    No caso de sistemas de partículas, como é o caso dos pássaros e peixes que nadam em cardumes/enxames/bandos, a ordem é conseguida fazendo-se algo muito simples: imitar o companheiro ao lado. Essa situação só é quebrada se eu percebe algum perigo, por exemplo, a aproximação de um peixão, então a partícula (no caso o peixinho no cardume ou o passarinho no bando), faz um movimento brusco, que os outros vão seguir. Isso funciona até para mudanças nas correntes de ar, que também alteram a navegação do bando.

    No caso de sociedades humanas, a ordem é conseguida de uma forma totalmente diferente: não há uma lei simples ou mesmo um conjunto de leis que as pessoas seguem a risca - no entanto a sociedade é ordeira, naturalmente. E as pessoas não seguem a risca qualquer conjunto de leis simplesmente porque elas são dotadas de vontade, capacidade de decisão, coisa que um peixinho não tem.

    Sobre o Skinner - ele era naturalmente um socialista e tinha como meta justamente o estudo de um modelo de comportamento humano - behaviorismo radical. Como era um homem de gênio, e assim como muitos outros homens de gênio na história, escreveu muitas coisas boas e verdadeiras, mas também muita lorota. Também seus estudos são facilmente utilizados por outros justamente para se justificarem.
  • Estevam  26/09/2014 18:05
    certo
  • mauricio barbosa  23/09/2014 18:47
    Gostaria de solicitar por gentileza e se possível a equipe IMB mais artigos abordando os países africanos e sua realidade econômica e social pois trata-se do continente mais pobre do planeta e gostaria de ver análises austríacas da realidade deles...
  • Lucas Dantas  23/09/2014 19:00
    Moderadores do site,

    Poderiam ajustar a compatibilidade do IMB com o leitor Feedly, de modo que seja possível acessar os artigos pelo próprio aplicativo, sem a necessidade de entrar no site.

    Obrigado
  • Felipe  23/09/2014 20:33
    Por que não devemos votar nulo

    Se todos os liberais votassem nulo, a representatividade daqueles que estão mais a esquerda iriam aumentar, tornando o estado ainda maior.

    Busquem então votar, e votar em candidatos que visem um estado menor mesmo que não seja o ideal.
  • Eduardo Bellani  23/09/2014 23:00
    Votar é um sinal de concordância com o sistema vigente.

    É demonstrar estar satisfeito em ter suas escolhas feitas por você.

    É prostar-se ao altar que a massa construiu pra sacrificar-se em nome da
    própria mediocridade.

    É, em suma, admitir sua condição de servo frente a cascas humanas engravatadas.

    O porco fuça, o servo obedece, o mestre comanda, o liberto vive com outros, não para os outros.
  • Vidal  23/09/2014 22:26

    O foco dos comentários e o próprio artigo, tem o Waze apenas como um gancho para a discussão do conceito e aplicabilidade da "ordem espontânea".
    Mas tenho uma pequena observação, que o adéqua ainda mais ao conceito. A conclusão diz que "o Waze é um aplicativo limitado aos seus usuários...". O aplicativo pode ser. Mas seu uso por uma parcela significativa dos motoristas de uma cidade, fazem seus efeitos extrapolarem o seu grupo de usuários. Avalie que, na medida em que aumenta o número de usuários e sabendo que o waze tira/desvia os seus usuários das rotas engarrafadas, ele diminui a gravidade do engarrafamento para os outros cidadãos que não o usam, pois os carros dos wazers não vão contribuir para esse trecho engarrafado, melhorando o tempo em que o motorista que vem atrás do meu veículo, sem waze, vai passar pelo caos, pois vou me desviar e ele não vai ter que me esperar passar.
    E digo mais: se 100% dos motoristas usarem, teremos o caos "gangorra", pois todos passarão a ir pelo outro caminho, que estava livre, e vai engarrafar este outro caminho, enquanto o anterior não terá mais quase nenhum carro. E volta o aplicativo a mandar todos pela rota antiga: o efeito gangorra.
    Bom assunto para fazer teses de simulação de tráfego, alterando o % da população que usa o aplicativo.
    Assim, mesmo os cidadãos que nem sabem da existência do aplicativo são, indiretamente, beneficiados por ele, numa "ordem espontânea".

    Quanto ao perigo, se os dados dos servidores forem controlados por um fiscal universal, os passos diários de cada usuário poderão ser "seguidos", associando o número do telefone ao seu dono e todas as demais informações possíveis de encontrar nas operadoras de celular. Mesmo quem não compartilha os dados de forma voluntária nas redes sociais, poderia ser "seguido".
  • Andre Cavalcante  25/09/2014 14:32
    Sobre o efeito gangorra, isso pode até acontecer, mas não por causa do Waze (se acontecer, é provável que por outras causas). Explico: o aplicativo tem um tempo de retardo para prover a informação, então ele tem uma possibilidade de falha na rota que escolhe (nem sempre é a melhor). Só isso já seria suficiente para não ter o efeito gangorra. Por outro lado, as pessoas não chegam aos trechos engarrafados todos de uma vez. Então o aplicativo tem uma chance te tirar alguém do engarrafamento antes de ela lá chegar, colocando-a para outra rota. A medida que esta rota vai ficando sobrecarregada (não precisa estar parada), ela vai direcionar para outras rotas, não necessariamente a original (a não ser que somente haja duas rotas possíveis, discutível em uma cidade grande). Então o que o sistema faz é tentar balancear. Pode até haver um pequeno efeito gangorra, mas a tendência é de estabilização das rotas. Note ainda que o efeito gangorra só vai acontecer se um trecho engarrafar e puder rapidamente ser livre, o que normalmente não ocorre. Note-se ainda que o horário do rush, que é quando mais se precisa do aplicativo, menos eles pode fazer devido ao intenso fluxo - aí é um problema da infraestrutura mesmo.


  • Lopes  24/09/2014 15:21
    E assim nasce o Mercado Negro na Venezuela:

    ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2014-09-24/brasileiras-sao-presas-na-venezuela-acusadas-de-contrabando.html

    Brasileiras presas por contrabando.
  • Rafael . A.  26/09/2014 17:57
    No artigo o cara fala que o Waze é melhor do que o GPS, mas até onde sei, pro Waze funcionar o celular precisa ter um GPS, não?! Ou como seria feita a sua localização?
    O autor trabalha com as informações conforme lhe convém, já que considera que as informações contidas no Waze são apenas resultado da interação dos usuários que são muito bonzinhos e colocam as informações lá sem nenhum interesse, como ele mesmo afirma. No entanto, não é assim que funciona. Mesmo sem o usuário colocar qualquer tipo de informação, o Waze rastreia o descolamento do usuário através do GPS e calcula, dessa forma, a velocidade média da via que o usuário está, ou seja, ele não depende totalmente da boa vontade dos usuários, o que já vai totalmente contra o argumento do autor sobre a "ordem espontânea".
    Outra coisa, esse aplicativo não está disponível para toda a população, já que para ter acesso a ele é necessário ter um aparelho de celular com capacidade para armazena-lo, além de um plano de internet (tudo pago!). Um exemplo: os aparelhos dos meus pais não comportam esse aplicativo. Para ter uma idéia, existem 272 milhões de linhas de celulares ativas, 80 milhões de veículo e 6 milhões de usuários do Waze, no Brasil (tem lugar que fala em 1,5 milhão de usuários do Waze, ou seja, as informações não são claras)
    Em resumo, nesse artigo o autor usa um exemplo para falar sobre "ordem espontânea" que não depende totalmente disso para funcionar. Desqualifica um tipo de tecnologia que o aplicativo necessariamente precisa usar para funcionar (GPS). Desconsidera a relativa baixa abrangência desse aplicativo em relação ao total de usuários de carros e linhas telefônicas, além das exigências mínimas para o uso desse aplicativo que deixam boa parte da população de fora. Ou seja, o cara usa para "comprovar" uma teoria um troço que não depende do seu principal argumento para funcionar e que não abrange nem 10% da população que poderia usa-lo. Assim fica fácil... rsrsrs
  • Polegar  26/09/2014 18:20
    Em primeiro lugar, o autor fala apenas que o Waze é um aperfeiçoamento do GPS; o Waze é um avanço em relação ao GPS.

    Ao contrário do que você insinua, o autor em momento algum condena o GPS (seria uma grande incoerência da parte dele se o fizesse).

    De resto, pode entrar agora no Google Maps, e haverá informações do Waze neles. A navegação via celular é feita por 3G ou 4G. Qualquer Smartphone munido de 3G e Google Maps serve.

    "Mesmo sem o usuário colocar qualquer tipo de informação, o Waze rastreia o descolamento do usuário através do GPS e calcula, dessa forma, a velocidade média da via que o usuário está, ou seja, ele não depende totalmente da boa vontade dos usuários, o que já vai totalmente contra o argumento do autor sobre a "ordem espontânea"."

    Hein?! Você está bem? Eis o que o autor disse: "Os usuários podem relatar acidentes, congestionamentos, barreiras policiais, radares escondidos, volume de tráfico, velocidade média da via, câmeras rastreadoras [...], árvore que caiu no chão, pista escorregadia ou uma blitz policial."

    Algum aparelho convencional de GPS faz isso? Se sim, coloca a marca e o modelo aqui.

    Seja mais comedido na próxima em vez de já vir dando voadora. Você entrou babando tanto, que parece até que está aditivado por algum psicotrópico. Tenha mais equilíbrio emocional da próxima.
  • Daniel Ramos  07/10/2014 01:09
    não reclamando do app que é ótimo, mais Se voces botassem em pratica com mais frequencia a ideia dos usuarios estariam a um largo passo a frente, tem muitas ideias incriveis ai mas voces quase nunca botam em pratica, uma ou outra e com uma certa lentidão,
    voces precisam ser alem de eficazes, serem eficientes nesse sentido...
  • Emerson Luís, um Psicólogo  19/10/2014 15:02

    A ordem espontânea surge da sinergia dos planejamentos individuais das pessoas, que dispõem de conhecimento limitado, mas basicamente o suficiente para suas tomadas de decisões particulares. A tecnologia pode ajudar neste processo.

    * * *


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