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O que causou a grande fome da Irlanda?

Ao final da década de 1990, o então primeiro-ministro britânico Tony Blair fez um discurso no qual se desculpou pelo fato de a Inglaterra ter feito "muito pouco" em resposta à grande fome que acometeu a Irlanda no século XIX (1845-1852), a qual matou um milhão de pessoas e forçou a emigração de outros milhões de irlandeses.  Segundo historiadores, algo semelhante a um fungo contaminou um grande volume de batatas, impossibilitando seu consumo e matando de fome os irlandeses.

O problema é que o governo inglês, em vez de ser culpado por ter feito "muito pouco", tem de ser culpado por ter feito "muita coisa".

O que causou a fome?  A teoria popular — que sempre esteve muito em voga nos EUA e na Europa — diz que os irlandeses eram promíscuos, preguiçosos e excessivamente dependentes da batata.  Como resultado, eles morreram como moscas quando surgiu uma praga que arruinou sua principal fonte alimentícia — e tudo isso durante um dos mais rápidos períodos de crescimento econômico já vivenciados pela humanidade.

Teria sido essa inanição um acidente ecológico, como normalmente dizem os historiadores?  Como a maioria das inanições já registradas, a irlandesa pouco tinha a ver com um declínio na produção de alimentos.  Adam Smith estava correto ao dizer que "safras ruins geram "escassez", mas é "a violência de governos bem-intencionados que converte escassez em inanição".

Com efeito, a mais evidente causa da inanição na Irlanda não foi uma fitopatologia, mas sim a até então longa e duradoura hegemonia política da Inglaterra sobre a Irlanda.  Os ingleses conquistaram e subjugaram a Irlanda repetidas vezes, e se apropriaram de seus vastos terrenos agrícolas.  Enormes fatias de terra do país foram repassadas compulsoriamente a latifundiários ingleses.  Esses latifundiários ingleses contratavam fazendeiros para administrar suas posses.  E esses fazendeiros, por sua vez, arrendavam pequenas fatias de terra à população irlandesa em troca de sua mão-de-obra e de uma parcela da produção total. 

A disputa por terras entre os ingleses fez com que os preços de arrendamento cobrados dos irlandeses fossem cada vez maiores.  Ao mesmo tempo, os pedaços de terra disponíveis para o arrendamento eram cada vez menores.  Essa combinação entre crescentes preços de arrendamento e decrescentes fatias de terra disponíveis para o plantio empurrou os irlandeses para a subsistência e gerou um enorme fardo financeiro sobra e economia da Irlanda.

Um arranjo de locação de terras só pode ser eficiente se houver direitos, deveres e respeito aos contratos.  O problema é que os irlandeses tinham apenas deveres; eles não tinham absolutamente nenhum direito sobre a terra em que trabalhavam ou sobre qualquer aprimoramento que eventualmente implantassem na terra.  Somente nas áreas povoadas maciçamente por irlandeses protestantes os inquilinos possuíam algum direito sobre seus eventuais aprimoramentos.  E dado que os latifundiários residiam na Inglaterra, eles praticamente não faziam investimentos em suas terras, o que impossibilitava qualquer melhoria na produtividade dos irlandeses.

Sob o domínio inglês, os irlandeses padeceram de várias inanições.  Como um boxeador com as mãos amarradas nas costas, os irlandeses não tinham outra opção senão ficar parados e aguentar heroicamente todos os socos. 

O economista Jean-Baptiste Say foi um dos primeiros a alertar para o fato de que o arranjo adotado — em que os latifundiários residiam em outro país (Inglaterra) e não faziam investimentos em suas terras — era deplorável.  Ele corretamente diagnosticou o problema e sobriamente previu os desastrosos resultados que de fato vieram a se concretizar.  Um membro do Parlamento britânico, em resposta, chegou a dizer que tal preocupação era desnecessária, pois os oceanos iriam engolir a ilha irlandesa e destruir tudo o que havia nela.

A lei malthusiana é frequentemente invocada para absolver os ingleses.  Segundo tal interpretação, os irlandeses eram vistos como um bando de promíscuos que se casavam cedo e procriavam em excesso.  O próprio Malthus chegou a considerar a situação irlandesa como incorrigível.  Os irlandeses, portanto, estavam apenas pagando por seus pecados por meio da inanição e das doenças geradas pela fome.

Eram os irlandeses realmente um bando de promíscuos?  A população da Irlanda era de fato alta e a ilha havia se tornado densamente povoada após a união com a Grã-Bretanha em 1801.  Parte desse crescimento populacional pode ser atribuída ao desenvolvimento econômico da época, dado que a população também estava crescendo rapidamente na Inglaterra e no resto da Europa.

Com efeito, a taxa de crescimento da população irlandesa era apenas ligeiramente maior do que a taxa de crescimento da população inglesa, e estava partindo de uma base numérica muito menor.  E por que estava crescendo a taxas maiores?  A resposta está no fato de que a Inglaterra havia atribuído à Irlanda a atípica posição de ser o celeiro da Revolução Industrial.

A Lei dos Cereais britânica foi uma série de tarifas de importação criadas para proteger os agricultores britânicos contra a concorrência estrangeira.  As tarifas não apenas faziam com que os preços dos grãos se mantivessem artificialmente altos na Inglaterra, como também protegiam as safras contra quedas de preços nos anos de fartura.  Em 1821, essas leis foram estendidas à Irlanda, o que significa que os latifundiários ingleses que possuíam terras na Irlanda também eram protegidos por tarifas de importação.    Mas os únicos beneficiários desse protecionismo eram os latifundiários ingleses (inclusive aqueles que possuíam terras na Irlanda), e não os irlandeses.

O povo irlandês conseguia cultivar grandes quantias de batatas nutritivas com as quais alimentavam suas famílias e seus animais.  Já os latifundiários ingleses se beneficiavam do fato de que o plantio de batatas não exauria o solo e ainda permitia que uma grande porcentagem da terra fosse voltada para o plantio de grãos que seriam exportados para a Inglaterra.

Os preços artificialmente altos estimularam não apenas o uso mais intenso das terras atuais como também o cultivo de novas terras na Irlanda.  Um insumo essencial para esse arranjo era a farta quantidade de mão-de-obra irlandesa, que era vista meramente como um bando de servos sem terra. 

Foi durante esse período de protecionismo e de alta demanda por mão-de-obra que a população da Irlanda passou a crescer a altas taxas.

Dado que os latifundiários ingleses estavam no controle do Parlamento, esse arranjo tendia a se perpetuar para sempre.  No entanto, uma crescente fatia de industriais e trabalhadores na Inglaterra começou a defender o livre comércio.  Tais pessoas se articularam, se organizaram e começaram a crescer como força política.  Com a criação da Liga Anti-Lei dos Cereais, os Whigs e os Tories concordaram, em 1845, em reduzir as tarifas de importação e em abolir completamente a Lei dos Grãos já em 1846.  Como consequência, o preço do trigo despencou em 1847, chegando ao menor valor em 67 anos.

Essa abolição de tarifas gerou um drástico e repentino impacto sobre o valor das terras na Irlanda, cujos preços despencaram.  Simultaneamente, houve uma sensível redução na demanda por mão-de-obra irlandesa à medida que as terras da Irlanda deixavam de ser produtoras de cereais e eram convertidas em pasto.

O que tem de ficar claro é que, embora tenha sido o livre comércio o gerador dessas mudanças, quem de fato estimulou o crescimento populacional e a subsequente despovoação (a população irlandesa só foi se recuperar em 1951, e a emigração líquida só acabou e 1996) foram o protecionismo inglês e a Lei dos Cereais.  Não tivesse havido esse incentivo artificial gerado pelo protecionismo, talvez a história teria sido outra.

Esse choque de preços tornou o declínio populacional inevitável.  Quando a emigração se tornou uma opção viável, vários irlandeses preferiram enfrentar longas e perigosas jornadas rumo ao Novo Mundo a encarar uma barca para as fábricas da Inglaterra.

Mas a coisa piora.

Em vez de deixar o mercado funcionar, a Inglaterra lançou um maciço programa de intervenção governamental, o qual consistia essencialmente na execução de obras públicas e na construção de asilos para os pobres, a maioria já concluída imediatamente antes do início da grande fome.  Um pouco antes, um relatório do arcebispo de Dublin Richard Whately, intitulado Irish Poor Inquiry, já havia rejeitado os asilos como solução para a pobreza.  No relatório, o arcebispo Whately argumentou que a solução para pobreza eram investimentos e caridade.  Mas essas soluções "radicais" foram rejeitadas pelos ingleses, que descartaram o relatório.

Os asilos serviram apenas para agravar o problema da pobreza.  Já a execução de grandes obras públicas — um sistema que na realidade era apenas uma versão antecipada do New Deal — exigia uma pesada tributação sobre a economia local.  Os burocratas ingleses retiraram dinheiro de projetos que aumentariam a produtividade e a oferta de produtos agrícolas e o redirecionaram para a construção de estradas inúteis.

A maioria dessas estradas ia do nada a lugar nenhum.  Para piorar, a política estabelecida pelos políticos ingleses de pagar salários abaixo do valor de mercado — e você pode imaginar o quão baixo eles eram — fez com que os trabalhadores ganhassem, em termos de comida, menos do que a própria energia calórica que eles despendiam ao trabalhar na construção das estradas.

Em 1847, o governo britânico abriu cozinhas públicas para os pobres, as quais serviam sopas.  Tal arranjo foi relativamente exitoso porque, como bem havia sugerido o arcebispo, era uma mímica de uma caridade privada e era capaz de fornecer nutrição sem exigir esforço calórico ou aumentos significativos de impostos.  Mas tal programa foi rapidamente abolido em prol de um retorno à construção de asilos, o que novamente não foi capaz de resolver o problema da pobreza e da fome.  No verão de 1847, o governo elevou impostos, um ato genuinamente irracional.

Além do total fracasso dos programas governamentais, os asilos, as obras públicas e as cozinhas para os pobres geravam uma grande concentração de pessoas em pequenos espaços.  Isso permitiu que os vírus das doenças — a principal causa mortis da grande fome — se espalhassem e fizessem seu trabalho maligno. 

Nos vários outros casos de inanição que já haviam ocorrido no passado, o número de irlandeses mortos havia sido pequeno.  Com efeito, a peste da batata não afligiu severamente grande parte da Europa.  O que ocorreu de diferente com a Irlanda nos anos 1840?  As Irish Poor Laws (uma série de leis criadas pelo Parlamento britânico para "resolver" o problema da pobreza na Irlanda) praticamente aboliram a caridade privada.  Nos episódios de fome anteriores, os ingleses e os próprios irlandeses haviam se apressado em oferecer amplos serviços caritativos.  Mas agora a situação era outra.  O governo havia entrado em cena.  Sendo assim, por que fazer caridade e doações se toda a população pagadora de impostos já estava "cuidando da situação"?  A população inglesa passou a ser severamente tributada para pagar os maciços programas assistencialistas criados pelo governo britânico ao passo que os pagadores de impostos da Irlanda simplesmente não tinham como fornecer caridade adicional.

Relatos históricos sobre a postura dos políticos ingleses em relação à caridade privada são nefastos demais para serem ignorados.  Há um relato de que o povo do estado americano de Massachusetts enviou um navio repleto de cereais para a Irlanda, mas as autoridades inglesas o confiscaram alegando que isso afetaria o comércio.  Outro relato afirma que o governo britânico apelou ao sultão da Turquia para que reduzisse suas doações de £10.000 para apenas £1.000, pois isso estava constrangendo a Rainha Vitória, que havia doado apenas £1.000 para os flagelados.

Conclusão

Há teorias que dizem que os ingleses propositadamente geraram a grande fome irlandesa.  Como aquela era uma era de revoluções, e dado que havia suspeitas de que os irlandeses estavam tramando mais uma revolta, trata-se de uma teoria relativamente factível.

No entanto, a questão da culpa não é tão importante quanto a questão da causa.  O que é realmente importante é que a grande fome irlandesa originou-se de grandes erros econômicos, tais como a alegação de que inanições são causadas pelo mercado e pelo livre comércio, e que a fome é resultado de políticas laissez-faire.  Até mesmo Karl Marx foi fortemente influenciado pelos eventos ocorridos na Irlanda enquanto escrevia em Londres.

A Irlanda foi devassada pelas forças econômicas originadas por um dos mais poderosos e agressivos estados que o mundo já conheceu.  Sua população sofreu não por causa de um fungo (cujos cientistas ingleses insistiam ser apenas umidade excessiva), mas sim por causa da colonização, da espoliação, da servidão, do protecionismo, dos preços artificialmente altos sustentados pelo governo, do assistencialismo estatal e de insensatos programas de obras públicas.

Seria muito mais honesto de sua parte se Tony Blair pedisse desculpas por ter causado a grande fome e pelas políticas assistencialistas que apenas agravaram a situação dos irlandeses.



autor

Mark Thornton
um membro residente sênior do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, e é o editor da seção de críticas literárias do Quarterly Journal of Austrian Economics. Ele é o co-autor do livro Tariffs, Blockades, and Inflation: The Economics of the Civil War e editor de The Quotable Mises e The Bastiat Collection.


  • Henrique Barcelos  28/08/2014 15:18
    Aaah, o intervencionismo...
  • Silvio  28/08/2014 16:27
    ... sempre o intervencionismo.
  • Alexandre M. R. Filho  28/08/2014 16:58
    É batata! Onde tem um problema duradouro, pode ver que o estado meteu o bedelho.

  • Carlos  28/08/2014 17:28
    Três milhões de irlandeses, num total de oito milhões, reduziram-se a uma vida de animais. Um dos que se safou e emigrou na época foi o bisavô do futuro presidente John F. Kennedy, que embarcou num navio e chegou na América do Norte.
  • TC  28/08/2014 18:04
    Bom artigo.
    Vale lembrar também que o forte sentimento anti-católico que contaminava o povo inglês e que sabidamente contribuiu para os eventos descritos no texto também era cria estatal.
    A governo britânico passara os últimos 300 anos fomentando o ódio ao catolicismo pois, além do próprio anglicanismo ser essencialmente contra o Vaticano e vinculado ao rei, os principais inimigos imperiais e coloniais da coroa inglesa eram Espanha e França, nações católicas.
  • Ramon  28/08/2014 19:37
    Quando o governo meteu a mão com certeza piorou. Mas o Fato dos proprietários de terra morarem em outro país e serem donos da maioria dos hectares cultiváveis, além de cobrar a taxa de aluguel que bem entendessem (aluguéis crescentes com hectares decrescentes por locatário), somado ao crescimento populacional (um dos maiores da Europa) contribuiu com esse cenário sem dúvidas.
  • Observadora  28/08/2014 20:30
    Longe de ser um coincidência, mas eu pensando em fome metaforicamente ali, e se falando dela literalmente aqui.

    Este é sem dúvida um excelente episódio da história que ilustra, da maneira mais grave possível, as consequências da "fome" de dominação que geralmente todo governo tem. Dominação essa representada por, como citado no texto: colonização, espoliação, servidão, protecionismo, preços artificialmente altos sustentados pelo governo, assistencialismo estatal e insensatos programas de obras públicas. Uma mudança aqui, uma forma mais sutil ali e esses hábitos continuam muito arraigados na maior parte dos governos.

    Caro Leandro, ali no "Em 1801, essas leis foram estendidas à Irlanda,..." está certo o ano? É que é sobre a Lei dos Cereais, e todas as fontes dizem que elas estiveram em vigor de 1815 a 1846. Se não for incomodar ou atrapalhar, explique-nos melhor a razão deste desencontro.

    Sem mais para o momento, muito obrigada e até a próxima.
  • ex_FP  28/08/2014 20:38
    Ô Roque, Ô Leandro!!! Olha o que eu vi num blog falando sobre bolha:

    (Meio off, mas tem a ver com o intervencionismo)

    "mudamais.com/ocupe-politica/tem-candidato-que-defende-autonomia-do-banco-central-saiba-por-que-isso-e-ruim-para

    "Num momento de crise mundial, diversas nações do mundo, como Estados Unidos e Japão estão repensando a autonomia (link is external) do Banco Central. Isso porque a desregulamentação do mercado financeiro criou bolha imobiliára com excesso de crédito sem lastro em moeda real, o que desestabilizou a economia, gerando aumento de preços e do desemprego, resultando nesse desastre por que passam as nações e do qual o Brasil não sentiu efetivamente os estragos. A única coisa que permitiu que passássemos por essa bagunça foi uma política econômica forte do governo federal, que pensa em crescimento, geração de empregos, valorização de renda e inclusão social."
  • Leandro  28/08/2014 23:49
    Não obstante a imensa bobagem pró-governo dita no final (é curioso como as coisas mudam de acordo com as conveniências ideológicas: quando o BC de Henrique Meirelles mantinha a SELIC lá em cima, todos os progressistas reclamavam da "ultraortodoxia do BACEN", diziam que o modelo a ser seguido era o Fed, que mantinha os juros baixinhos, e que a cúpula do BACEN tinha de ser imediatamente substituída; agora, no entanto, a era Meirelles repentinamente passou a ser vista por essa mesma gente como uma era "que permitiu que passássemos por essa bagunça", uma era que pensou "em crescimento, geração de empregos, valorização de renda e inclusão social"), o fato é a que a independência do Banco Central não é nenhum ponto passivo entre libertários.

    Por exemplo, os libertários americanos são rigorosamente contra a independência do Fed, pois a Constituição estipula que é o Congresso quem deve ser o responsável pela política monetária. Isso pode até fazer algum sentido lá nos EUA; aqui no Brasil, no entanto, seria um desastre. Imagine os deputados do PT e do PSOL apitando as taxas de juros e determinando a impressão de dinheiro? Eu passo.

    Em termos práticos, a independência do Bundesbank provou funcionar muito bem, ao passo que a independência do BC da Inglaterra não impediu que país vivenciasse uma bolha imobiliária.

    O problema todo, como já foi exaustivamente repetido por este site, está na capacidade dos bancos em criar crédito do nada e em fazer isso protegidos (e até mesmo estimulados) pelo Banco Central.

    O BC ser independente ou não em nada altera a mecânica acima. O debate, portanto, está totalmente devirtuado.
  • ex_FP  29/08/2014 03:46
    Foi isso que eu achei, desvirtuaram o debate. Fizeram uma lógica de causa e consequência completamente equivocada, sem contar o duplipensar quando era o Meirelles.

    Pérola por pérola, tivemos mas uma nesse artigo do Rui Costa Pimenta, candidato à presidência pelo PCO: "ruicpimenta.com/2014/08/21/sectarismo-economico-von-mises-e-seus-proselitos/

    Não sou economista, mas gostaria de agradecer a IMB por me fornecer o outro lado da moeda e, ao contrário dos discursos inflamados dos que são contra o livre mercado, aqui temos argumentos e a explicação de muitos dos problemas atuais. Valeu!
  • Enrico  29/08/2014 20:20
    Exatamente. Estão discutindo sobre a autonomia da máfia. Na prática, tanto Dilma, quanto Marina e Aécio, têm vínculos com banqueiros e protegerão os interesses deles, com um discurso público contra os mesmos, assim como todos os presidentes fizeram. Dilma arguiria que a independência significaria o controle dos banqueiros; Marina e Aécio; que a independência significaria o controle político em favor deles. Eu não consigo compreender como não há a percepção de que o BACEN, juntamente com a Receita e o MF inteiro, é a maior quadrilha já inventada na história desse país. Ainda há no Brasil a ideia de "bons administradores".

    Leandro, com a situação atual da economia e com uma manutenção e até mesmo intensificação do modelo atual, quais seriam os principais riscos que essa turminha poderia aprontar em relação à inflação de preços, ciclos econômicos, dívida e câmbio? Haveria chances de um endividamento ainda mais insustentável e de uma crise cambial ou isso ainda é praticamente impossível no Brasil, como um artigo daqui uma vez disse?
  • ex_FP  29/08/2014 04:49
    "Guido Mantega disse que o governo tem de ajudar a criar condições para que o BC adote uma política monetária mais expansionista"

    "exame.abril.com.br/economia/noticias/bc-deve-ter-condicoes-para-politica-monetaria-expansionista

    Vocês não chamam esse cara de "mago" à toa.
  • Cristian Rahmeier  29/08/2014 12:19
    "Frequentemente, quanto mais doce for o primeiro fruto de um hábito, tanto mais amargos serão os outros. Testemunham isso, por exemplo, o vício, a preguiça, a prodigalidade. Assim, quando um homem é atingido pelo efeito do 'que se vê' e ainda não aprendeu a discernir os efeitos 'que não se veem', ele se entrega a hábitos maus, não somente por inclinação, mas por uma atitude deliberada.
    Isso explica a evolução fatalmente dolorosa da humanidade." Frédéric Bastiat
  • Leonardo Faccioni  29/08/2014 17:44
    Instigante.

    "Relatos históricos sobre a postura dos políticos ingleses em relação à caridade privada são nefastos demais para serem ignorados. Há um relato de que o povo do estado americano de Massachusetts enviou um navio repleto de cereais para a Irlanda, mas as autoridades inglesas o confiscaram alegando que isso afetaria o comércio. Outro relato afirma que o governo britânico apelou ao sultão da Turquia para que reduzisse suas doações de £10.000 para apenas £1.000, pois isso estava constrangendo a Rainha Vitória, que havia doado apenas £1.000 para os flagelados."

    Vale dizer, com a devida licença poética: o Estado é tão chegado a monopólios que sequer na caridade* aceita concorrência.

    "Há teorias que dizem que os ingleses propositadamente geraram a grande fome irlandesa. Como aquela era uma era de revoluções, e dado que havia suspeitas de que os irlandeses estavam tramando mais uma revolta, trata-se de uma teoria relativamente factível."

    Ventila-se a mesma hipótese acerca da carestia que acometeu especialmente o norte italiano durante as três últimas décadas do século XIX, imediatamente após a anexação da Lombardia e do Vêneto às possessões do Savóia, com consequente unificação do país (vide CAVALLIN, Gianfranco. "Gli ultimi veneti", Panda ed.). Foi a ocasião da emigração massiva que resultou na colonização do sul do Brasil por aquelas populações.

    ________________________

    *Sabe-se perfeitamente que caridade, na acepção aqui relevante, é possível apenas na disposição de bens próprios. Caridade com mão alheia possui outro nome, fraude, e essa é a atividade exterior primeira do Estado contemporâneo.
  • Emerson Luis, um Psicologo  31/08/2014 20:40

    As digitais do intervencionismo em todas as cenas do crime!

    * * *
  • Juliano  17/09/2014 21:18
    Só essa parte eu achei estranha:

    "Para piorar, a política estabelecida pelos políticos ingleses de pagar salários abaixo do valor de mercado — e você pode imaginar o quão baixo eles eram — fez com que os trabalhadores ganhassem, em termos de comida, menos do que a própria energia calórica que eles despendiam ao trabalhar na construção das estradas."

    Se os salários eram abaixo do valor de mercado, ninguém iria trabalhar lá. Se havia trabalhadores que os aceitavam, não dá pra acusar os salários de serem baixos demais, né?


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