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O capitalismo explícito e o capitalismo envergonhado no Brasil

Neste ano, o professor francês Thomas Piketty, um neomarxista, foi alçado à condição de "estrela de rock" de nível mundial ao afirmar em seu novo livro, "O Capital no Século XXI", que o capitalismo livre e desimpedido (particularmente o de estilo "grandes corporações") empobrece as massas ao fazer com que a riqueza se concentre, de maneira crescente, nas mãos do 1% mais rico do mundo. O aspecto de "David contra Golias" criado por esse populista forneceu um providencial brilhantismo aritmético para aquelas pessoas que sentem que os ricos estão excessivamente ricos.

No entanto, minha recente viagem ao Brasil, vinculada à minha participação no 27º Fórum da Liberdade, realizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), possibilitou que eu aumentasse minha compreensão do quão importante um capitalismo explícito pode ser para uma economia.

Sob qualquer padrão, o Brasil é um país que ainda não conseguiu fazer jus ao seu potencial econômico. Quinta maior nação do mundo — tanto em termos de população quanto de extensão territorial —, o Brasil possui uma quantidade aparentemente infinita de recursos naturais e uma população dinâmica e crescente — que, estima-se, ultrapassou recentemente a cifra de 200 milhões.

Não obstante tudo isso, de acordo com o World Economic Outlook Database, do Fundo Monetário Internacional (2013), o país está na 79ª posição global em termos de PIB per capita.

Após apenas alguns dias no país, é fácil ver por quê.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi a onipresença do espírito empreendedor. É isso mesmo: neste país de tendências esquerdistas, quase socialistas, o capitalismo está em todos os cantos e é praticamente inevitável. Quando você anda pelas ruas, vai à praia, pega um táxi ou senta-se à mesa em um restaurante, o capitalismo se apresenta de maneira explícita. Do meu ponto de vista, era como se os brasileiros estivessem a todo o momento praticando um comércio desregulamentado, vendendo absolutamente qualquer coisa imaginável e em todos os pontos de venda humanamente possíveis.

Você necessita de uma espreguiçadeira e de um guarda-sol para desfrutar uma praia que você acabou de descobrir? Sem problemas, há vários ambulantes prontos para lhe oferecer algumas opções. E o preço é negociável. Você quer um queijo coalho fresquinho enquanto se estica na espreguiçadeira? Tranquilo, o ambulante já está vindo com seu forno a carvão totalmente portátil. Ah, você quer um coquetel para acompanhar? O cidadão que vende caipirinhas já está a caminho, ávido para mostrar sua destreza em misturar rum, limão, frutas frescas e menta em seu quiosque portável (e não, ele não vai pedir sua carteira de identidade).

No centro da maioria das cidades, almoços em marmitas são vendidos nas carrocerias de furgões, mesas de plástico são armadas por qualquer pessoa que chegar primeiro, e a atividade comercial ocorre incessantemente sem nenhuma aparente interferência das autoridades.

Testemunhei centenas de ambulantes — os quais, se estivessem nas ruas de Nova York, seriam detidos e presos pela polícia em menos de cinco minutos — atuando livremente nas ruas e praias lotadas de Salvador, na Bahia. Todos os ambulantes com os quais consegui me comunicar me disseram a mesma coisa: no Brasil, ninguém liga para a maneira como você tenta ganhar dinheiro; a polícia local pode exigir alguma propina, mas ela não vê como sua função impor a moralidade pública e impingir determinadas leis. Essa postura é consistente com a natureza independente da cultura brasileira.

No entanto, toda essa tolerância acaba quando o capital começa a ser acumulado e o empreendimento começa a se tornar grande. É nesse ponto que o governo começa a intervir, e com uma mão extremamente pesada.

Na conferência da qual participei em Porto Alegre, todos os empresários e economistas brasileiros com os quais conversei faziam a mesma e consistente reclamação: abrir um negócio real no Brasil é um pesadelo burocrático e operacional criado por um poder extremamente concentrado em uma capital distante e corrupta, que é dominada por uma classe política que tem uma filosofia consistentemente anti-empreendedora.

Como resultado, o Brasil ocupa a 114ª posição no Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation. Isso faz com que o país esteja em uma posição pior que a de paraísos capitalistas como Tanzânia, Honduras e Camboja.

Mas as coisas pioram a partir daqui.

De acordo com dados de 2013 compilados pelo Banco Mundial, um empreendedor leva mais de 108 dias para cumprir toda a burocracia necessária para abrir uma empresa no Brasil. Esse número faz com que o Brasil esteja na terceira pior posição em todo o mundo (melhor apenas do que aquelas outras duas potências sul-americanas: Venezuela, 144 dias; e Suriname, 208 dias).  É claro que se está desconsiderando países como Cuba e Coreia do Norte, onde é proibido abrir qualquer tipo de empresa.

Por outro lado, demora-se apenas 33 dias para abrir uma empresa na China, 14 dias em Israel, cinco dias nos EUA, três na Austrália, e apenas um único dia na Nova Zelândia.

As pessoas com quem conversei estavam desesperadas para mudar essa realidade no Brasil, mas se sentiam totalmente impotentes contra um establishment democrático que tem os interesses empresariais na mais baixa estima. Não há dúvidas de que o governo esquerdista de Dilma Rousseff está ansioso para que o livro de Piketty seja traduzido para o português, para fazer com que ainda mais brasileiros sejam convencidos de que o capitalismo tem de permanecer restringido.

Mas a qualidade de vida de uma sociedade está limitada por suas ferramentas. E as ferramentas que permitem um maior padrão de vida — fábricas, empresas inovadoras, capacidade produtiva e distributiva — só podem ser construídas por meio da acumulação de capital em larga escala, que é exatamente a atividade que Piketty e seus apoiadores acreditam ser tão deletéria.

O capitalismo em pequena escala que viceja no Brasil faz com que a vida de seus praticantes seja muito mais agradável e tolerável do que seria sem ele, mas seu poder de gerar aquele crescimento na capacidade produtiva que permite o aumento da riqueza e do padrão de vida é limitado. O espírito claramente existe. Ele apenas tem de ser libertado.

Para maximizar a produtividade da mão-de-obra e das matérias-primas, são necessários grandes ferramentas e grandes sistemas. Fábricas, máquinas, sistemas de distribuição e de comunicação — tudo isso nos ajuda a conseguir mais com menos. Mas esses tipos de sistemas só podem ser construídos se houver a acumulação de grandes quantias de capital em conjunto com a confiança de se investir maciçamente em empreendimentos de longo prazo.

Sem esse tipo de formação de capital, tudo o que nos resta são nossas habilidades motoras de fazer, dentre outras coisas, caipirinhas e queijo derretido.

No Brasil, uma série de governos populistas incorporou a crença de que o setor público está mais bem capacitado para gerenciar os setores de peso da economia. Mas seus sucessivos e estrondosos fracassos já comprovaram de maneira inquestionável que os planejadores de Brasília são péssimos em resolver os mesmos desafios que eles impedem de ser solucionados pelo setor privado. Embora os sistemas educacional e de saúde do Brasil sejam corretamente ridicularizados por todos, é a lastimável infraestrutura a causa dos maiores problemas do país.

A falta de uma adequada malha rodoviária e ferroviária impede que o Brasil coloque seus formidáveis recursos naturais e humanos para funcionar. Em vez de utilizar seus recursos financeiros para alterar essa realidade, o governo brasileiro decidiu, de maneira unilateral, que o dinheiro estaria mais bem empregado nos aeroportos, estádios de futebol e instalações olímpicas necessários para a Copa do Mundo deste ano e para a Olimpíada de 2016. E embora o futebol seja algo de grande apelo em campanhas eleitorais, ele está longe de ser o remédio correto para a vacilante economia do Brasil. (Acredita-se que os pagadores de impostos brasileiros gastaram mais dinheiro com a corrupção inerente às negociatas que sempre ocorrem nesses megaprojetos esportivos do que com os próprios projetos).

Os esforços do governo brasileiro para manter os capitalistas devidamente restringidos produziram muito pouco daquela igualdade que os neomarxistas de hoje tão avidamente demandam. O Brasil continua sendo um país onde prédios de luxo repletos de equipamentos de segurança e entrincheirados por muros e fios de alta tensão convivem lado a lado com favelas. Os únicos resultados alcançados pelos políticos populistas do país foram a perpetuação da pobreza e um desempenho econômico muito abaixo do seu potencial.

Como ocorre com outros países da América do Sul, como Argentina, Venezuela e Equador, o Brasil parece ser extremamente suscetível à demagogia populista e carismática. Esse parece ser um hábito ainda mais difícil de ser abandonado do que uma caipirinha à sombra em uma praia.



autor

Andrew Schiff
é Diretor de Comunicação, Marketing e Consultor de Investimento da Euro Pacific Capital.  O senhor Schiff também é afiliado ao SchiffOro, www.schifforo.com uma empresa de metais preciosos que está focada em servir os compradores latino-americanos.

  • Fernando R Sousa  21/08/2014 13:33
    Ainda, o estado é incompetente para infernizar a vida dos pequenos empreendedores em nosso brasil, mas é apenas questão de tempo até o bixo crescer e abocanhar toda a economica a lá venezuela...


    E mais uma vez, vemos um artigo em que se demonstra que o estado é o principal mal que ele tenta combater, da pobreza, eu acho que tem algum problema as ideias liberais, pois na minha mente é de uma clareza tão absurda, mas tão absurda que é como achar que está errado por ser obvio de mais, e a maioria não ve
  • Silvio  21/08/2014 15:28
    Um camelô certamente discordaria dessa sua afirmação.
  • anônimo  21/08/2014 15:44
    Fiquei sem entender sobre a menção da colocação do Brasil no ranking da Heritage. No próprio link da instituição disponibilizado pela matéria, o Brasil está em 100º lugar, no entanto, na Wikipédia pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_de_Liberdade_Econ%C3%B4mica se menciona a 114ª posição.
    Fiquei sem entender: teve recontagem ou a própria Heritage esqueceu de atualizar seu site?
  • Anônimo  22/08/2014 14:34
    Você olhou o índice de 2013, ao invés do de 2014.
  • Yonatan Mozzini  21/08/2014 14:01
    É verdade que o brasileiro, em geral, é bastante trabalhador e empreendedor. O problema é que, além da questão do empecilho governamental, temos uma propensão menor a poupar e, consequentemente, a investir. Fato esse que faz com que nosso crescimento de longo prazo seja pequeno, se comparado com a cultura oriental, por exemplo. Isso é tão verdade que os imigrantes de culturas mais pró-poupança que vieram ao Brasil(como a japonesa, italiana e alemã), enriqueceram bem mais que o brasileiro nativo, ao longo do tempo.
  • Jose Roberto  21/08/2014 14:16
    Eu acredito que o problema da poupança é mais por culpa da desarmonia que existe nos preços no Brasil, fazendo a vida ser muito mais cara do que deveria. Quando o Brasileiro médio precisa gastar mais do que o próprio salário só para custear a vida em casas ruins, comida de segunda, veículos de terceira, gastar para repor as coisas frequentemente roubadas e tudo o mais, é óbvio que a poupança será insignificante.
  • Marx contra o Golias capitalista  21/08/2014 14:26
    Vejam na foto deste artigo: o burguês bacana tomando sol na praia e o pobre pegando sol fazendo um "bico" em uma sociedade desigual com poucos serviços de carteira assinada e imenso trabalho precarizado.
    Mais Estado e menos capitalismo, já!
  • Guilherme  21/08/2014 18:03
    Exato. O único problema é que o "bacana" explorador é mais moreno que o explorado. E isso pode embaralhar nossas demandas por mais justiça social.
  • Típico Filósofo  21/08/2014 18:53
    Não entendo. Todos são brancos na fotografia à exceção do trabalhador (que é apenas meio branco pois vive da exploração dos banhistas). Esta contradição serve de evidência da luta de classes, pois enquanto os reacionários enxergam somente a cor da pele, os revolucionários enxergam a alma (tal qual negros que se opõem à própria justiça social possuem 'alma branca') do proletário meio-explorador.

    Trata-se de uma situação absurda e perpetuação da estrutura racial de exploração ainda dos tempos coloniais. Negar tal realidade na fotografia é puro interesse da classe dominante em perpetuar sua autoridade.
  • Magno  21/08/2014 23:17
    Típico Filósofo, sempre uma pândega. A segunda melhor coisa do site depois dos artigos.
  • Humberto Freitas  24/08/2014 09:44
    Típico Filósofo,
    Acho que vc deveria se informar melhor meu caro.
    Sempre vou à praia, vc poderia me chamar de "explorador"...porém conheço bem os trabalhadores liberais que atuam na praia que frequento Há anos; sempre converso com eles e é fato, ganham mais, muito mais do que eu e muitos pequenos empresários que conheço.
    Não precisa acreditar em mim não, tenha um pouco de curiosidade e pergunte a um vendedor "explorado" na praia se ele troca seu trabalho por qualquer outro de carteira assinada? Vai surpreender-se com a resposta!
  • eduardo antonio  22/08/2014 01:31
    e quem vai produzir os bens que tanto agradam os socialistas?
  • Antonio  30/08/2014 14:38
    Sr. Marx,

    Eu trabalho para a prefeitura da minha cidade. E a prefeitura tem um projeto de catalogar os pedintes e vendedores ambulantes. Assim, já conversei com vários deles. Muitos chegam a ganhar quase R$800 por dia próximo a datas festivas.

    Mas, isso não é o mais importante. O importante é que todos os vendedores disseram que preferem ter esse trabalho ao invés de um "trabalho normal", como eles chamam, em um estabelecimento comercial com carteira assinada, FGTS, etc.

    Existe um cara que conversei, que se pinta/veste de estátua da liberdade e pede trocados na rua, e disse que nunca voltaria ao seu emprego anterior com carteira assinada, porque agora ele ganha 4x mais.
  • Erick V.  21/08/2014 14:35
    Há um erro de digitação no 4º parágrafo de baixo para cima: está escrito "setor púbico" no lugar de "setor público". Embora a expressão não seja de todo inadequada (já que é da natureza de todo governo f***r os cidadãos), creio que não tenha sido essa a intenção do autor.

    No mais, excelente texto.
  • RICARDO  21/08/2014 15:20
    Um dado importante é que maias de 50% dos candidatos nessas eleições se declaram empresários. Estes mesmo que nunca conseguiram acabar com essa burocracia. Um defeito da cultura brasileira é patrimonialismo, a mistura do privado e público. Acho que esse é um dos pontos que explicam os nossos políticos.
  • luiz claudio martins reis  21/08/2014 15:49
    Texto incrivelmente claro e conciso! No entanto, vejam a seguinte situação:

    "Os esforços do governo brasileiro para manter os capitalistas devidamente restringidos produziram muito pouco daquela igualdade que os neomarxistas de hoje tão avidamente demandam. O Brasil continua sendo um país onde prédios de luxo repletos de equipamentos de segurança e entrincheirados por muros e fios de alta tensão convivem lado a lado com favelas. Os únicos resultados alcançados pelos políticos populistas do país foram a perpetuação da pobreza e um desempenho econômico muito abaixo do seu potencial".


    Quando um esquerdista Pró-PT tenta refutar essa afirmação, dizendo que o sistema econômico brasileiro atualmente em vigor, com ênfase em projetos sociais (tais como o Bolsa-famíla, o financiamento da CEF aos brasileiros de baixa renda e afins) contribuíram significativamente para a aquisição de bens duráveis por parte da classe mais pobre, uma vez que agora teriam mais oportunidade de se lançarem ao mercado de trabalho ou de terem mais conforto (pela aquisição de bens) do que antes desse modelo político-econômico, o que dizer a eles?

    Para algumas pessoas, refutar algo assim é realmente muito fácil. Então o que argumentar?

    Me ajudem aí!


  • Freedom Fighter  21/08/2014 18:43
    O prego no caixão da argumentação "a estatização do PT ajudou o país"

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/08/1502977-produzir-no-brasil-e-23-mais-caro-do-que-nos-eua-de-acordo-com-estudo.shtml

  • Lauro Schvarcz  22/08/2014 15:32
    Bem, argumentar com esse tipo de gente é mais ou menos como argumentar com esse Marxista doido que fica comentando besteiras nesse site, ou com o Típico Filósofo, que de típico não tem absolutamente nada - até porque vários "filósofos típicos" discordam veementemente de suas afirmações. Mas uma contrapergunta poderia ser lançada: de onde raios esse pessoal tira conclusões do tipo "projetos sociais contribuíram significativamente para a aquisição de bens duráveis por parte da classe mais pobre, uma vez que agora teriam mais oportunidade de se lançarem ao mercado de trabalho ou de terem mais conforto (pela aquisição de bens) do que antes desse modelo político-econômico"? A maior aquisição de bens duráveis por esse público que depende de medidas sociais levou estatisticamente a duas instâncias: 1) à criação de uma tal de 'nova classe média', o que não passa de um grandissíssimo engodo do IPEA sob encomenda do Sr. Luis Inácio e 2) ao maior índice geral de inadimplência da história econômica desse país. Outra coisa que poderia ser dita: ninguém é absolutamente contra medidas sociais que busquem sanar desigualdades gritantes, que tentem distribuir oportunidades ou sanar flagelos como pobreza e fome... A questão é: por que tais medidas têm de ser impostas por um governo central?!?, governo esse que, por fim, tira disso o benefício simples e claro de se manter exatamente onde está perpetuamente. No quê precisamente a compra de um notebook, de um tablet ou de um automóvel tem ajudado essa população sedenta de governantes, do ponto de vista econômico?
  • mauricio barbosa  21/08/2014 15:55
    Em nossa tosca cultura empreendedorial quem economiza é mal visto,criticado,caluniado e vilipendiado ao extremo pelo rebanho gastador e invejoso.Agora alguns empreendedores ficam loucos para conseguir uma boquinha nas tetas públicas perpetuando com isso esse ciclo de estatismos,enquanto nós libertários ficarmos em nossa torre de marfim discutindo sexo dos anjos,sugiro a equipe do IMB disponibilizar cartilhas simplificadas de maneira a alcançar o povão pois é sabido que a maioria é analfabeto funcional e tem dificuldades de entender os artigos e comentários aqui expostos e posso garantir que existe demanda para tal e está faltando material adequado para alcançar-los...
  • anônimo  21/08/2014 16:09
    Eu já me conformei com a lástima que é o pensamento do povo e políticos brasileiros. O que o Brasil tem de bom são suas belezas naturais, simpatia do povo (com exceções, claro), a comida e a água(há países em que até a água mineral é "salgada", chamam isso de "água dura"). Aqui é um bom lugar para passear, "aproveitar a vida", mas não compensa trabalhar aqui. O trabalho é extremamente mal remunerado e o poder de compra muito pequeno. Em países desenvolvidos é possível trabalhar muito menos e comprar muito mais coisas com o salário, do que aqui. O PIB per capita dos EUA em 1979 é maior que o do Brasil em 2013!!! Até o Brasil acumular capital a ponto de se igualar aos países desenvolvidos, nossa geração provavelmente já estará muito velha quase morrendo(se é que isso vai acontecer). Assim que me formar pretendo ir embora daqui. O meu diploma não valerá nada no exterior, eu sei disso, mas é para o caso das coisas não darem certo lá, eu ter uma certa "segurança" aqui.
  • Vitor  21/08/2014 16:48
    O autor confundiu rum com cachaça. Típico de americano imperialista neoliberal.
  • Rodrigo Lopes Lourenço  21/08/2014 17:05
    O texto é excelente.
    Todavia, há mais um item a ser acrescentado à perfeita descrição do autor: tudo que os governos brasileiros (federal, estaduais e municipais) diuturnamente fazem contra o capitalismo está perfeitamente adequado à vigente constituição e é inteiramente respaldado por Judiciário e Ministério Público com aversão ao empreendedorismo.
  • Ramiro  21/08/2014 17:52
    Me desculpem, mas acho que há um erro aqui:

    "Isso faz com que o país esteja em uma posição pior que a de paraísos capitalistas como Tanzânia, Honduras e Camboja."

    É isso mesmo? O autor quis mesmo dizer que Tanzânia, Honduras e Camboja são paraísos capitalistas? Terá sido isso um erro de tradução/transcrição?

    Grande abraço.
  • Marcos  21/08/2014 17:59
    Conhece a definição do termo "ironia"?
  • Vinicius  22/08/2014 00:33
    Isso é serio? Nossa educação chegou a tal ponto de não interpretar um texto desses?
  • Ramiro  23/08/2014 23:29
    Vinicius, eu só espero que em outras ocasiões você consiga ao menos definir com clareza o sujeito da frase antes de querer se apoiar numa educação que não tem para ficar dando porretadas nos outros.
  • Roberto  21/08/2014 18:07
    Andrew Schiff é o irmão do Peter Schiff? Caramba, que família!
    Olha o diagnóstico que o cara(gringo) dá dessa espelunca, perfeito! Entende melhor da situação do que o próprio ministro hahaha.
  • Fernando Chiocca  21/08/2014 19:38
    E o melhor da família ainda é o pai, meu grande ídolo entre os Schiffs. Está na penitenciária há anos por desafiar a constitucionalidade do imposto de renda:

  • Antonio  30/08/2014 14:27
    Pessoal, desculpe a minha ignorância, mas os Schiffs não são a mesma família que enviava dinheiro para a URSS de Stalin?
  • Max  30/08/2014 15:28
    Oi? Não.
  • Felipe  30/08/2014 19:07
    Esses Schiffs não são relacionados com OS Schiffs que financiaram a URSS durante os anos 20.
  • Pedro Mundim  21/08/2014 18:53
    No Brasil, uma série de governos populistas incorporou a crença de que o setor púbico está mais bem capacitado para gerenciar os setores de peso da economia... correto, mas é preciso reconhecer que essa mentalidade não foi incutido pelo governo na população; ao contrário, o presente governo obteve sua eleição porque soube encampar esse ideário anti-empreendedor que está bem arraigado no cidadão comum. O brasileiro "se vira", sim, praticando mil e uma formas do capitalismo mais puro, posto que isso é necessário para ganhar a vida, mas faz isso sonhando com um emprego público que um dia lhe será dado por algum deputado. Os estudantes se formam sonhando em passar em algum concurso, não em fundar sua própria empresa. Boa parte dos eleitores sequer se importa de saber que seu deputado é um ladrão, pois como não pagam impostos diretos, já que não têm renda mínima para entrar na tabela do imposto de renda, então não se sentem pessoalmente lesados ao saber que seu deputado roubou. Afinal, não saiu do bolso deles. É por este motivo que a maioria dos políticos cassados por corrupção são reeleitos, às vezes com ainda mais votos do que antes.

    Acredito que essa mentalidade se formou porque, no Brasil, o Estado surgiu antes da sociedade civil. Quando o domínio português foi estabelecido, o Estado já surgiu pronto e acabado, vindo de além-mar; já a sociedade civil foi formando-se gradualmente, quase acidentalmente. Viver à sombra dos poderosos sempre foi a máxima ambição que o zé-povinho se permitiu. Isso só vai mudar no dia que a cabeça do povo mudar. Um candidato que chegue aí com um discurso abertamente anti-estatista não vai conseguir nada, ele baterá de frente com os valores mais caros do povão. Pelo topo não vai, só pela base. É por isso que eu julgo importante sites como esse, são como um oásis no meio do deserto.
  • luiz claudio martins reis  21/08/2014 20:11
    "Os estudantes se formam sonhando em passar em algum concurso, não em fundar sua própria empresa. Boa parte dos eleitores sequer se importa de saber que seu deputado é um ladrão, pois como não pagam impostos diretos, já que não têm renda mínima para entrar na tabela do imposto de renda, então não se sentem pessoalmente lesados ao saber que seu deputado roubou. Afinal, não saiu do bolso deles. É por este motivo que a maioria dos políticos cassados por corrupção são reeleitos, às vezes com ainda mais votos do que antes".

    Simplesmente perfeito. Ainda que eles não percebam que o assalto maior está no impostômetro sobre os produtos comuns sobretaxados que todos compram, inclusive eles.

    "Acredito que essa mentalidade se formou porque, no Brasil, o Estado surgiu antes da sociedade civil. Quando o domínio português foi estabelecido, o Estado já surgiu pronto e acabado, vindo de além-mar; já a sociedade civil foi formando-se gradualmente, quase acidentalmente. Viver à sombra dos poderosos sempre foi a máxima ambição que o zé-povinho se permitiu".

    Isso daria um ótimo artigo!
  • Vinicius  22/08/2014 00:36
    Excelente explicação, apoio o desenvolvimento de um artigo com este tema.
  • Anonimopuc  21/08/2014 20:22
    Desabafo
    Eu sou estudante de Marketing, e hoje eu tive uma aula de marxismo, confesso que foi a minha primeira aula de marxismo na vida e eu pessoalmente me senti muito triste hoje.

    O professor começou a falar que o capitalismo se vende como algo igualitário que todos tem a oportunidade de crescer, ai ele diz: que na realidade não é assim,(até usou o termo o que se vê e o que não se vê) que as pessoas nunca vão chegar a ser alguém grande, como banqueiro, o jogador de futebol (no caso de um menino pobre), um grande empresario e etc.

    nesse momento eu achei um absurdo, porque pela primeira vez alguem chega e diz que eu nunca poderei crescer, que eu nunca poderei ser o melhor na minha área, porque o capitalismo não permite isso. acredito que ele queria dizer que o empresario explora o trabalhador e não permite ele crescer. Ai eu falei sobre a questão da meritocracia, que atender as demandas do mercado, naturalmente faz a pessoas ascender na sociedade.

    ai ele começou a falar sobre a mais valia, que o empreendedor que produz mil cadeiras é um explorador do carpinteiro que produz uma cadeira e que faz o carpinteiro trabalhar para ele. nesse cenário que ele pintou, as únicas opções eram trabalhar para o empreendedor ou passar fome. nesse momento eu perguntei a ele, sobre se o valor não era subjetivo, que não era apenas uma questão de quantas cadeiras produzir, mas o valor que eu dava a elas. eu acho que ele não entendeu, porque ele voltou a explicar tudo de novo com relação ao carpinteiro.

    Depois ele começou a falar das maravilhas que era no passado antes da revolução industrial, onde as pessoas produziam uma coisa e trocavam com a outra, não existia dinheiro, era mais igualitário a sociedade. e ele começou a pregar, que a sociedade tem que voltar a ser igual.(todos no mesmo nível) ai nesse momento que eu perguntei a ele, se o ser humano por natureza é desigual. ai ele falou que isso não tem nada haver com a economia. ( e nesse momento a sala deu risada de mim)

    basicamente foi isso, o que me impressionou e me deixou triste, foi a passividade que as pessoas aceitaram o cara dizer, que elas nunca vão ser tão grande quanto o empreendedor que já é rico. Neste dia ele estava mostrando o capitalismo, sob uma ótica que as pessoas são naturalmente alienadas, porque elas já nasceram dentro do capitalismo, e o socialismo seria a evolução natural do ser humano. Sim, ele associou o capitalismo a escravidão, e disse que assim como a escravidão foi abolida pela evolução do homem, o capitalismo tambem será abolido pela evolução do homem, e citou o exemplo que no futuro as maquinas vão fazer o todo o serviço braçal em quanto as pessoas iriam ficar em casa lendo.

    naturalmente isso conquistou o coração dos jovens, e eu fiquei como o chato da aula. enfim, está foi minha aula hoje, estou pensando seriamente em presentear meu professor com um dos livros do mises, ele não é uma pessoa má, mas parece desconhecer completamente sobre o livre mercado, sobre as trocas voluntárias. qual livro seria o ideal para ele?
  • ex_FP  22/08/2014 10:08
    Nenhum, infelizmente. O mínimo que você irá ouvir dele será "isso é coisa da direita" e será ainda mais execrado em sala de aula. (Se quiser REALMENTE mexer nesse vespeiro, pegue exemplos de pessoas que saíram DO NADA e viraram empreendedores. Só de tecnologia temos vários exemplos. Sabia que o criador do Whatsapp, que foi vendido por BILHÕES pro facebook, é de um cara que tentou emprego lá e não conseguiu? Pois é.)

    Seu professor é um caso perdido, mas o que você tem de fazer é estudar e, aos poucos, passar idéias para seus colegas de classe, mas com argumentos. Um exemplo:

    "e citou o exemplo que no futuro as maquinas vão fazer o todo o serviço braçal em quanto as pessoas iriam ficar em casa lendo." - Ok. Quem fará essas máquinas? De onde virá a matéria-prima que faz essas máquinas? Como ela será transportada? Como é feita a manutenção dessa infra-estrutura? Como é feito o melhoramento de toda essa cadeia produtiva, quem estuda, quem investe em pesquisa?

    "Depois ele começou a falar das maravilhas que era no passado antes da revolução industrial, onde as pessoas produziam uma coisa e trocavam com a outra, não existia dinheiro, era mais igualitário a sociedade." - Claro que era melhor, viver numa época em que não tínhamos nem a penicilina. Dor de garganta? Sinto muito, morreu. Dor de dente? Arranca o safado. Você vem me falar de MARAVILHAS DO PASSADO? É o capitalismo, o livre mercado que, ao longo dos anos, permitiu essa evolução do padrão de vida de todos nós. Hoje, o "pobre explorado" vive MUITO melhor que o "pobre explorado" antes da revolução industrial. Não estou falando que ele vive BEM, e sim que hoje está MELHOR.

    Mas se for usar esse argumento, prepare-se para retóricas como "então enfrentar uma fila do SUS por 4h ele está melhor? Enfrentando 2h de onibus por dia?" e o acéfalos não compreendem que no passado nem acesso a hospital eles tinham, quando mais a a oportunidade de cruzar uma cidade, no mesmo dia, pagando um valor irrisório em relação ao salário.

    "se o valor não era subjetivo, que não era apenas uma questão de quantas cadeiras produzir, mas o valor que eu dava a elas." - O raciocínio é por aí. A questão é o VALOR que o mercado define que algo vale, graças ao sistema de preços e, graças a ele, eu consigo alocar recursos praquilo que são de interesse real pra sociedade. Quando o estado mete o bedelho, eu ferro com o sistema de preços, alocando recursos de forma ineficiente e gerando escassez em setores que eram de interesse real.

    Sobre ser desigual não ter nada a ver com economia, ele está certo. Em Cuba todo mundo é igual e exatamente por isso não existe economia formal.

    Prepare-se, você será atacado e ridicularizado como foi, portanto, atente-se sempre aos fatos. O que restará será exclusivamente argumento ad hominem contra você.
  • anônimo  22/08/2014 10:38
    1 Esse povo só quer espalhar sua energia negativa, eles querem um mundo de perdedores tão incompetentes quanto ele pra que todos sejam igualmente comunistas, não se deixe contaminar.

    2 Não bata de frente com esse lixo, não nesse contexto. Ele é professor e vc aluno, vai ser muito fácil ele te prejudicar.
  • Henry  22/08/2014 14:50
    Amigo... não confronte. Essa é a dica que te dou.
    Eu fiz Arquitetura e Urbanismo. Imagine eu tendo que escutar tudo isso que tu ouviu e mais: Plano diretor, leis municipais e os termos: sobre "fator social", "interesse social" e por ai vai.
    Em uma oportunidade eu fiquei praticamente uma aula inteira, discutindo com uma professora de urbanismo... Enquanto a sala me olhava com ódio, eu argumentava e ria mentalmente, com minhas colocações deixando ela sem qualquer argumentação no final.
    Mas obviamente que eu paguei por ser "boca dura", passei na matéria dela no limite do limite, fazia todas as provas procurando pensar da maneira inversa de como eu opinaria (é... eu fazia exatamente o contrário).
    E essa discussão junto com outras discussões que tive com outros professores que não aceitavam ser contrariados com ideias. No meu TCC eu novamente paguei o pato na nota, mesmo sendo muito elogiado por todos que assistiram minha apresentação (inclusive eram os coordenadores na minha banca), minha nota não chegou nem perto das outras pessoas, ou seja, durante a apresentação estava ótimo, lindo, maravilhoso... Só que depois quando foram se reunir para discutir a nota, algo aconteceu e eles perceberam que o "trabalho" não foi tão bom assim.
    Por isso que te digo, passe logo essa fase, não enrole. Porque nossas universidade são um atraso de vida.

    abs
  • ex_FP  22/08/2014 10:24
    Pra variar, mais protecionismo: "Aluguel de datacenter no exterior passa a pagar impostos"

    "convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=37543&sid=11#.U_MtjWN48fc

    O problema não são os 108 dias, e sim a constante incerteza no meio empreendedor. É praticamente impossível tentar fazer qualquer planejamento sustentável a médio e longo prazo pra várias questões numa empresa: vem o governo e baixa uma portaria ALEATÓRIA num setor ALEATÓRIO e pronto, inviabiliza seu negócio.

    Acredito ser esse um dos fatores (além da torneira do crédito) de tudo ser tão caro no Brasil: pra empreender, só enfiando a faca pra valer a pena de todo esse stress.
  • Ismael  22/08/2014 17:48
    Parabéns ao Sr Schiff pela análise e à equipe Mises pelo espaço. Em próximas viagens do autor a este país espero que ele tenha oportunidade de conhecer Cuidad del Leste nas Cataratas do Iguaçu, a cidade brasiguaya com um comércio ainda mais pungente do que os ambulantes do litoral.
  • Rosalvo Carvalho  24/08/2014 20:56
    Uhhh, me impressionei em ver comentários de esquerdistas socialista aqui. Eles se interessaram por capitalismo liberal? precisam abrir mais as mentezinhas!
  • Luciano A.  28/08/2014 23:14
    A prefeitura de São Paulo quer proibir o Uber (aplicativo para carona):

    blogs.estadao.com.br/link/prefeitura-estuda-derrubar-uber-em-sao-paulo/

    Se não me engano, já havia lido um artigo ou um comentário a respeito disso aqui no site.
  • Leandro  28/08/2014 23:21
    Sim, há um artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1848
  • Emerson Luis, um Psicologo  31/08/2014 20:23

    O Brasil é um híbrido entre socialismo e capitalismo.

    * * *
  • Nho Glau  04/09/2014 17:44
    Perfeito. E política não é futebol.
  • Nhô Gláu  04/09/2014 14:25
    O artigo contém bons posicionamentos, mas ao dizer que "Os únicos resultados alcançados pelos políticos populistas do país foram a perpetuação da pobreza e um desempenho econômico muito abaixo do seu potencial", isso foi um soco no estômago gratuito, pois, sabe-se que foi assim com TODOS os governos brasileiros.

    Se FHC nos trouxe uma guinada econômica (porém extremamente desigual) ... os governos "populistas" nos trouxeram uma possibilidade imediata de esperança... e foi isso que nos trouxe um ''oxigênio social'' extremamente importante no Brasil de hoje.

    É nesta conjuntura que ocorre uma retomada, por grande parcela da população jovem, diga-se de passagem, enxergar um pouco melhor a situação política e econômica do país, passando a reivindicar e incomodar as bases políticas que antes eram intocáveis. Os governos "populistas" demonstraram que o bolso do Estado é maior do que sempre foi mostrado... fato que enlouquece os direitistas convictos que parecem apenas se preocupar com a macroeconomia brasileira e política externa, querendo elevar o país à máxima potência de qualquer maneira como se apenas uma determinada classe A e B (digamos assim) existissem.

    Tanto a esquerda como a direita possuem pontos positivos e negativos, não compreendo porque as pessoas insistem em tratar de política como se fosse de futebol. Vamos deixar de lado esta burrice esnobe e arregaçar a manga que é... senão ninguém vai passar férias na Europa nem nos EUA nos próximos quatro anos hein...

    RISOS
  • Nhonho  04/09/2014 14:56
    Pelo que entendi do comentário desse tal Nhô, o que realmente comanda o bem-estar econômico é ter "governos populistas [que trazem] uma possibilidade imediata de esperança e oxigênio social".

    Governos estes que, por causa do seu populismo conseguem fazer "uma retomada", e conseguem fazer com que "grande parcela da população jovem passe a enxergar um pouco melhor a situação política e econômica do país, passando a reivindicar e incomodar as bases políticas que antes eram intocáveis."


    Genial. Ou seja, segundo ele, políticos populistas na verdade fazem as pessoas incomodar as bases políticas. Muito lógico.
  • Nho Glau  04/09/2014 17:41
    Amigo, você pegou a via errada. O que comanda o bem-estar econômico é uma melhor distribuição de renda. Ponto. Coisa que os governos populistas, digamos assim, fizeram de forma escrachada. Todos governantes anteriores apenas saíam pela tangente. As classes C e D precisam ter condições para saírem destes estágios. Os governos neoliberais ignoram isso. Eles são comandados por grandes potências que dizem que a base é a exploração e a mão-de-obra barata mesmo. Estão pouco se lixando para o povão. Querem apenas que o país pague as suas dívidas da forma mais fácil e dane-se a sociedade deste país...

    Retomando a questão, uma coisa não havia sido feita no Brasil por governo nenhum antes: "Ponha seu filho na escola que eu te dou dinheiro". Fato. Imagina se um governo neo-liberal iria fazer uma coisa dessas... É claro que não. E essa noção "populista" de valorização explícita do social acabou forçando a adoção de políticas, mesmo que imperfeitas, tais quais as que vemos hoje no Brasil, mas que estão sendo um passo importante na formação de uma nova sociedade... que não necessariamente precisa ser socialista...

    O plano Real (que na verdade não é de FHC, este apenas o colocou em prática) permitiu uma guinada econômica, sem sombra de dúvida, mas a população continuava à margem de qualquer possibilidade de mudança na estrutura do seu tecido social. Hoje isso mudou.

    Os governos de "esquerda" (que na verdade são mais um misto de centro-esquerda) reforçaram a ideia de que é papel do Estado olhar pelo povo, SIM. E este gostinho de esperança em ser "gente", despertou aos poucos no povo brasileiro um certo otimismo, uma vontade nova de exigir mais e melhor inclusive e principalmente nas questões sociais internas. É quase como se tivesse virado moda ser politizado e lutar pelos seus direitos, pois o governo assumiu esse papel de "responsáveis pela sociedade", pelo bem-estar... e não aquela coisa distante e burocrática, extremamente política, intocável, mexível apenas com o apoio da mídia... ou seja, os governos populistas, sem querer ou querendo, mudaram a forma do próprio povo atuar na sociedade. Agora nós sabemos que é possível e nós queremos mais! 'Antes' estar numa passeata, por exemplo, era uma coisa rara e distante da realidade das classes A e B que hoje já reivindicam até pelo direito de dar o cú em paz.
  • Christian  16/01/2015 15:12
    E no caso de alimentos vendidos por ambulantes? Deveria haver uma regulamentação para que o consumidor, quando lesado (infectado), possa fazer alguma coisa?
  • Bale  16/01/2015 16:32


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