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Cinco previsões para um Brasil sem publicidade infantil

Apesar de meus melhores esforços, nossos legisladores proibiram toda publicidade voltada às crianças. Mães e pais comemoraram a novidade. E agora que as propagandas infantis sumirão da TV e dos supermercados, o que podemos esperar desse admirável mundo novo? Seguem cinco humildes previsões deste pai que vos escreve.

1. Marcas estabelecidas aumentam a vantagem sobre alternativas

A principal função da publicidade é fazer com que um produto seja conhecido e lembrado.

Mesmo esfregando-os na nossa cara todos os dias, as marcas têm muita dificuldade em conquistar nosso imaginário e nosso inconsciente. As estabelecidas, que já são reconhecidas, têm uma vantagem de largada contra marcas e produtos novos, ainda desconhecidos. Para esses, uma campanha intensa de marketing é um dos únicos meios de ser notado, de garantir um pequeno lugar ao sol em meio à selva densa.

Com a nova lei, quem está entrando tem um desafio muito maior para vencer o anonimato. A lei não abole todo e qualquer marketing: a caixa na loja de brinquedo, o boca-a-boca, a propaganda para jovens que atinge também as aspirações da criança (que quer ascender para aquele universo) — esses e outros continuam existindo. Ela não abole, mas dificulta. Um canal importante de acesso ao consumidor será cortado definitivamente.

2. Aumento de brinquedos licenciados, bonequinhos de filme etc.

Um filme dos Vingadores, mesmo sem qualquer merchandising interno, é ele próprio uma propaganda longa-metragem dos brinquedos dos Vingadores. Idem para um episódio de Bob Esponja ou da Peppa Pig. Se a propaganda tradicional foi banida, essa propaganda indireta continua a existir.  Assim, o uso licenciado de personagens famosos deve crescer, em oposição ao de produtos não-relacionados a filmes, com personagens sem existência fora daquele brinquedo. Ao mesmo tempo, agora que a propaganda foi proibida, aumenta o incentivo para se criar filmes e programas baseados em brinquedos preexistentes: mais filmes da Lego, dos Comandos em Ação, da Barbie etc.

Isso reforça uma tendência existente: cada vez mais produtos licenciados. Se na minha infância a Lego vendia navios piratas e bases espaciais genéricas, agora é Lego Piratas do Caribe e Lego Star Wars.  E os próprios homenzinhos do Lego viraram personagens de filmes.

Só fiquei sabendo do gracioso Robo Fish por causa da publicidade. Nunca o compramos, mas é um produto simpático e que apostou pesado na publicidade televisiva. Sem nenhum vínculo com personagens famosos, e por não ser muito escandaloso ou chamativo em si mesmo, dificilmente seria visto não fosse a publicidade voltada à criança. Peixinhos de um eventual Nemo 2 terão melhores chances.

3. Gordura, açúcar e sal continuarão campeões da garotada

Ano passado, no lançamento do documentário Muito Além do Peso, assisti a um bate-papo do qual participava o Frei Betto. Lembro de ele dizer que as crianças desejavam junk food por causa da propaganda intensiva.  Quem dera!  Se assim fosse, a solução da obesidade infantil era trivial: bastava lançar propaganda de brócolis e espinafre que o problema estava resolvido. Por acaso os agricultores do Brasil não querem vender?

No mundo real, o paladar infantil (e, de maneira geral, humano) tem forte preferência por comidas gordurosas e com muito sal ou açúcar, independentemente de qualquer propaganda. Somos o resultado da evolução: no meio ancestral, cada caloria era preciosa e a fome uma ameaça constante. Hoje em dia enfrentamos o desafio contrário: a abundância de calorias fáceis e a escassez de atividade física. É, em comparação com a fome, um bom problema, mas nossos instintos não foram moldados para lidar com ele.

A luta das grandes empresas não é para convencer seu filho a comer gordura, sal ou açúcar. Isso a natureza já faz. A luta é fazer com que ele escolha o produto A e não o B. Se brócolis fosse igualmente desejável, nossos personagens favoritos fariam fila para estampar sua embalagem. Coisa que, aliás, existe, fruto da demanda de pais por comidas mais saudáveis para seus filhos.

Tendo em vista essa demanda (e querendo melhorar a própria imagem), empresas de entretenimento licenciam seus personagens para produtos saudáveis: cenourinhas do Bob Esponja e a tradicional espinafre do Popeye.  

Aqui no Brasil, a grande produtora comercial de conteúdo infantil — a Maurício de Souza Produções — faz o mesmo, por exemplo, com as maçãs.  Ou fazia.  Mesmo com muito esforço, não é fácil. A cenoura do Bob Esponja, por exemplo, saiu do mercado.

É uma luta constante ensinar as crianças a comerem legumes, mesmo quando associados a seus personagens favoritos. Para baixo todo santo ajuda. A Coca-Cola nem faz propaganda para crianças com menos de 12 anos, e me diga: por acaso a molecada não pede refri?

No mais, a guloseima pouco saudável também faz parte da vida. Pobres das nossas crianças, não conhecerão o Kinder Ovo, o brinquedo do McLanche Feliz e — será que a sanha dos legisladores chegará a tanto? — o brinquedo no ovo de Páscoa.

4. Menos revistas, horários, canais e produções para as crianças

Sem publicidade voltada às crianças, publicações, canais de TV e horários de programação dedicados a elas perdem uma importante fonte de financiamento.  Com isso, teremos uma diminuição no leque de opções, e aquelas que perdurarem terão menos recursos para investir (comprando novos conteúdos, se atualizando, financiando iniciativas).

Com menor demanda, a produção de conteúdo voltado às crianças também sofrerá. Provavelmente, ela ficará cada vez mais atrelada a investimentos estatais, seguindo critérios de pedagogos, culturólogos e outros profissionais que, por louváveis que sejam, não são experts do gosto infantil.

Por isso que as melhores e mais populares produções infantis vêm justamente do país onde elas são mais comercializadas: os EUA. Disney, Pixar, Warner Bros., Hanna-Barbera, Cartoon Network Studios, Nickelodeon. Todas elas produzem e se desenvolvem num meio bastante livre de produtos licenciados (inclusive alimentícios) e propaganda.

Não me levem a mal.  Volta e meia vemos produções europeias adoráveis.  No Brasil também, as leis de incentivo e as boas intenções dão origem a produtos plenamente aceitáveis, como Peixonauta.  Mas os desenhos que cativam a imaginação infantil e marcam história têm vindo quase sempre de pessoas e empresas que trabalham sob as leis impiedosas do mercado. Em geral são americanos, e quando um europeu entra na jogada é porque adota posturas de marketing e licenciamento tão agressivas quanto as de qualquer corporação dos EUA (como a finlandesa Rovio, criadora do Angry Birds, ou a dinamarquesa Lego).

5. O consumismo infantil seguirá intacto

Os meninos voltam da escola e vão direto brincar com os amigos da vizinhança. Entre seus brinquedos favoritos, pião, carrinho de rolemã e fantoches de pano. Na hora do lanche, todos ansiosos para descobrir novas frutas do cerrado. Nas histórias, personagens do nosso folclore como caipora, curupira e saci. Sem videogame, sem gordura trans, sem armas, sem violência, sem competitividade.

Nenhum de nós criará seus filhos num mundo assim. Sorry.

Com ou sem propaganda, o consumismo infantil permanecerá.  A criança tem pouco controle sobre seus desejos.  Por isso gasta-se tanto com publicidade para elas.  Comidas gordurosas e com muito sal ou muito açúcar atraem muito mais do que legumes.  Caubóis e super-heróis atraem mais do que ambientalistas e filósofos.  Brinquedos novos, modernos e cheios de apetrechos — e jogos eletrônicos — atraem mais do que os artefatos nostálgicos de gerações passadas.

Ser pai e mãe continuará igual. O efeito da propaganda na vida infantil é quase inócuo. Quem tem filho sabe. O filho vê o produto, às vezes se interessa, às vezes não. Às vezes pede, às vezes faz manha. No geral, espera a propaganda passar se distraindo com algum brinquedo. Às vezes decora a musiquinha sem nem dar bola pro produto. Os pais escolhem o que dar ou não. A influência dos amigos, essa sim é sentida com mais força; ninguém quer ser o único da turma totalmente fora da moda. Crianças continuarão fazendo birra, manha e choro.

As crianças aprendem a lidar com a publicidade. Não dá para abolir tendências biológicas e culturais fortes com uma canetada. O que dá para fazer é ver que tipos de educação e formação ajudam a lidar com os muitos apelos e tentações do mundo — e que também têm seu lado bom: para muitos, algumas doses de prazer mais do que compensam decisões sub-ótimas do ponto de vista da saúde.

Quem cresceu nos anos 1990, como eu, viveu essa realidade de forma muito mais agressiva. A nova lei, mais do que proteger as crianças, protege a consciência de pais ansiosos. E já prevejo: ela não será o bastante.



autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com.

  • Vagner  24/07/2014 14:15
    Não tem como deixar de aumentar seu ódio cada vez mais por essa instituição violenta, demagoga, hipócrita, que se julga onisciente.

    É por isso que não gosto dos "conservadores".

    Eu sei que vão ter pessoas que se julgam "liberais" defendendo leis estúpidas como essa e outras.
  • Estevam  24/07/2014 20:41
    Vagner

    Não sei se conservadores é a melhor definição, pois esta visão de amparo/tutela forçados é socialista/progressista, assim como essa visão anti-mercado e bucólica. Até onde tenho acompanhado os conservadores se opõem ao Estado-Babá tanto quanto nós, a diferença é que seu "Estado Mínimo" não é bem definido como no liberalismo.
    Eu posso estar enganado.

    Mas suspeito que na melhor das hipóteses possam ser definidos como socialistas conservadores como o próprio Rothbard já tinha mencionado em Direita e Esquerda.

    Como não considero o diagrama de Nolan, percebo um eixo econômico e outro cultural.
    Eu mesmo me considero um conservador nos valores, mas politicamente liberal.
    Acredito que para um conservador a disciplina vem da família.
  • Gunnar  25/07/2014 21:39
    Concordo com o Estevam. Há, de fato, conservadores que apoiam medidas estatais que reflitam seus valores, mas estão entre os mais mal-informados, as pessoas mais simples da população, que são conservadoras nos valores (caso da esmagadora da população brasileira), porém sem um real embasamento filosófico / teórico para tanto (ou seja, sequer sabem que são "conservadores"). Quanto aos intelectuais conservadores, tenho quase certeza que a imensa maioria desaprova de forma veemente qualquer intromissão do estado em suas vidas.
  • Henrique  24/07/2014 14:28
    É... Cada vez mais rumamos para uma ditadura e o pior é que isso é aceito por todos.
  • Felipe Ferreira Klen  24/07/2014 15:42
    Texto muito bom, Joel.
    É uma pena que nossa industria de animações leve esse golpe agora, ela parecia estar em bela ascensão e tem potencial, principalmente as produções para crianças com menos de 7 anos.
    Até as novelas para crianças do horário nobre do SBT estão ameaçadas. Não deixaram de existir tão cedo, mas o orçamento será mais apertado.
  • Daniel Ribeiro  24/07/2014 15:43
    Eu ainda não tinha me aprofundado muito no tema (não sou pai), mas agora que li esse artigo eu parei para pensar, e esta lei nada mais é do que um passo adiante na agenda "comunista" do governo.

    1) Proíbe-se a propaganda de produtos para crianças.
    2) Anunciantes param de financiar a produção privada de conteúdo para crianças.
    3) Sem conteúdo para crianças, aparece o maravilhoso governo, financiando as produções que lhes é interessante (doutrinação ideológica, obviamente).
    4) Crianças que já são doutrinadas na escola agora serão doutrinadas dentro de casa também.

    Olha... ainda bem que eu ainda não tive filhos. Está bem complicado decidir ter filhos hoje em dia no Brasil.
  • Tiago RC  25/07/2014 09:08
    É bem por aí mesmo, Daniel. Essa censura é extremamente orwelliana.
  • Fernando R Sousa  24/07/2014 16:16
    Já tentei argumentar com um vizinho que o responsavel em casa e quem tem a ultima palavra são os pais, e não apenas para propaganda, mas para todos os assuntos, o pai tem que avorar para si a responsabilidade de criar os proprios filhos....

    Mas não é isso o que acontece, esse meu vizinho, cre piamente que cabe ao estado proteger as indefesas crianças da lavagem cerebral que é a propaganda, mesmo quando ele concorda que quem cria e diz não as crianças são os pais, ouço um sonoro, "mesmo assim", creio que seja por estar enraizado o estado baba, e infelizmente, isso apenas aumenta diariamente...
  • Estevam  24/07/2014 20:44
    Fernando R Sousa

    Diga ao seu vizinho que isso é problema dele, não nosso. Eu rejeito o Estado na educação dos meus filhos, não autorizo. Eu tenho a autoridade e Estado nenhum vai tirar isso.
  • mauricio barbosa  24/07/2014 16:20
    Essa lei é interessante vejamos por que,se a publicidade infantil é a culpada isso ficará comprovado futuramente,agora se nossos filhos continuarem birrentos,exigentes,enfim consumistas ai sim ficará comprovado que a mídia não tem culpa por esse comportamento, farei questão de esfregar essa lei na cara dos conservadores que apoiam leis e outras medidas arbitrárias iguais a esta pois ficará demonstrado que o objetivo desta lei é inócuo.
  • Gunnar  25/07/2014 21:42
    Boa sorte. Se sua tática funcionasse, o socialismo (ou sua vertente moderna, social-democracia) não estaria em franca ascensão há décadas, apesar dos seguidos e rotumbantes fracassos. Falhar faz parte da estratégia: serve como desculpa para mais intervenção.
  • anônimo  26/07/2014 11:00
    Primeiro, se o filho continuar birrento não dá pra tirar disso nenhuma conclusão quanto ao poder da propaganda, por que existem um milhão de outras variáveis na história que podem estar causando isso, sendo a principal a falta de pulso por parte dos pais.

    Depois, é ingenuidade sua achar que o governo, ou algum político, vai ter a hombridade de admitir um erro, em qualquer assunto que seja.Políticos, funças, acadêmicos, em geral todos eles tem o mesmo comportamento: quando o age e erra, o passo seguinte não é eliminar a ação, é inventar outra ação que supostamente não vai trazer o mesmo erro.
    Ou seja, de um jeito ou de outro, mais governo.
  • Vitor Sousa  24/07/2014 16:38
    Substitui-se as propagandas de brinquedos e coisas para crianças...

    As propagandas da Petro seguem firmes e fortes.
  • Tarcisio Faga  24/07/2014 16:47
    Boa tarde pessoal!
    Tenho uma pergunta que não está diretamente relacionada com este artigo, mas gostaria muito de uma opinião dos mais experientes.

    Eu estava conversando com alguns amigos. Eles começaram a reclamar do governo, dos partidos X Y Z, etc.
    Aí eu tentei introduzir algumas idéias que aprendi aqui no site. Falei sobre liberdade, propriedade, etc. Falei que quanto menos Estado melhor, etc.

    Aí um deles propôs a seguinte situação:
    Eu tenho uma casa e no terreno vizinho é construído um prédio. Este prédio acaba bloqueando todo o sol e tirando a minha privacidade. A casa começa a criar mofo e não posso mais usar a piscina no quintal. Provavelmente o meu imóvel sofrerá uma desvalorização.
    Isso faz com que eu me sinta prejudicado pela construção do prédio.

    Como ficaria essa situação na visão dos libertários? Fui mesmo prejudicado?

    Confesso que fiquei confuso. Travei!
  • Juliano  24/07/2014 19:44
    Olá Tarcisio,

    Se você quer bastante espaço, é melhor comprar um terreno grande ou comprar o terreno em um condomínio fechado onde já esteja definido o padrão das construções de forma a garantir que você não vai ganhar um prédio como vizinho. Cada escolha tem seus custos.

    Se o cara construiu no terreno dele, isso é problema dele, não seu. A gente é obrigado a repeitar aos outros da mesma forma que os outros são obrigados a nos respeitar.

    Abraços,
    Juliano
  • Joel Pinheiro  24/07/2014 21:10
    Olá Tarcísio,

    Olha, a resposta libertária mais padrão é considerar que esse "acesso ao sol" não é propriedade sua, e portanto não haveria nada que se pudesse fazer contra o tal prédio.

    Mas isso não é um consenso. É perfeitamente cabível pensar num sistema legal que considerasse esse acesso ao sol como sendo parte daquela propriedade que o dono criou. Afinal, trata-se de um recurso escasso (tanto que o prédio pode tirar o sol da casa) e é valorizado pelo proprietário. Nesse caso, a construtora do prédio teria que negociar com todos os afetados antes de poder construí-lo, e chegar a algum consenso.

    Acho que ambas as saídas são possíveis. E, sendo assim, elas apontam novamente para uma bandeira libertária: a liberdade de concorrência entre sistemas legais. Não há necessariamente uma lei que seja perfeita e dê conta de todos os casos; as leis possíveis são muitas, com prós e contras, e impor monopólios delas sobre territórios, como fazem os Estados, cria ineficiências enormes.
  • Erick V.  25/07/2014 00:48
    Não dá para deixar de lembrar que o estado já tentou resolver esse tipo de problema, e a solução foi péssima. Aqui em Curitiba, por exemplo, há determinadas avenidas em que a legislação, permite construir prédios altos apenas em determinados terrenos, no esquema "um terreno sim, um terreno não" - em tese, isso evitaria que vários prédios altos fossem construídos em sequência, gerando infiltrações e mofo. Resultado da intervenção: do nada, metade dos terrenos teve uma valorização absurda e a outra metade viu o preço cair drasticamente. O remédio foi pior que a doença.
  • Pobre Paulista  25/07/2014 02:23
    Tem um tópico inteiro aqui no instituto sobre isso:

    Externalidades

    Leia em especial este aqui, que diz respeito à poluição:
    As externalidades e as mudanças climáticas - a importância da subjetividade na economia
  • anônimo  25/07/2014 03:40
    Tarcísio, se alguma questão interessa nesse caso é sobre a casa em si, essa questão de proteção contra desvalorização se levada a sério detona qualquer competição e torna a economia estática.
  • Silvio  25/07/2014 11:10
    Mas como esse exemplo absurdo pode se dar na vida real? Imagino duas hipóteses:

    a) vão construir um viaduto que passará por cima de seu terreno. No entanto, basta você não vendê-lo para que ninguém construa nada acima de sua casa e o Sol continuará a brilhar sobre seu telhado (é claro que estou imaginando um cenário libertário, porque se for o governo ou uma empresa ligada a ele a construir essa obra, você tomará um violento e certeiro pé na bunda antes de poder completar a frase: essa é minha propriedade e vocês não podem me expulsar dela!);

    b) se o novo prédio vai tapar o Sol completamente, então já há outro prédio (ou outro elemento presente em outra propriedade que não a sua) tapando o Sol pela metade. Assim sendo, por que os novos proprietários é que devem 'pagar o pato' se eles não são responsáveis por todo o seu problema de falta de Sol?

    A solução, em qualquer caso, passa longe do Estado. Se essa pendenga fosse levada aos tribunais, posso te garantir com certeza que ambas as partes, você e os proprietários do prédio vizinho, iriam sair perdendo por causa dos anos (e $$$) perdidos na discussão a ser resolvida por um funcionário insatisfeito (embora regiamente pago) do governo que queria mesmo é que aquele processo jamais tivesse ido parar na sua mesa.

    Se a nova construção for tirar o Sol de sua vida, entre em contato primeiramente com a incorporadora, não com seus advogados. Os empresários, ao contrário do que se costuma pintar sobre eles, são pessoas geralmente sensatas e que buscam transformar problemas em chances de lucro (afinal, um empresário vive é de fazer isso). Há diversas maneiras de se resolver esse problema hipotético através de concessões mútuas e do respeito à propriedade privada.
  • Malthus  25/07/2014 12:34
    Sempre lembrando que, ao contrário da poluição sonora e ambiental, a "poluição visual" não constitui um ataque à propriedade. Não existe algo como o "direito a ter uma vista boa e permanente".

    Se o efeito da construção de um prédio ao lado do seu for a redução da sua visão, isso não configura nenhuma agressão à propriedade.
  • Andre Cavalcante  25/07/2014 13:30
    "Sempre lembrando que, ao contrário da poluição sonora e ambiental, a "poluição visual" não constitui um ataque à propriedade. Não existe algo como o "direito a ter uma vista boa e permanente". "

    Why? Porque não? Se o Sol é algo que valorizo, e outras pessoas também, e é algo que pode ser escasso (a sombra do prédio pode sumir com o sol), configura sim uma propriedade privada, isto é, a luz, como um recurso natural (assim como a água, o ar, a terra etc.) é passível de apropriação.

    "Se o efeito da construção de um prédio ao lado do seu for a redução da sua visão, isso não configura nenhuma agressão à propriedade. "

    Pode sim configurar uma agressão. Cabe a quem se sentir agredido que entre na justiça contra o agressor. Neste caso, cabe a parte que se sente ofendida provar que está sendo agredido. Neste caso, pode mostrar que a sua casa perdeu em saúde pelo aumento de mofo devido à sombra provocada pelo prédio alto (no caso de construção ter terminado).

    Mas é muito esquisito mesmo esse cenário. Ninguém constrói um prédio alto da noite pro dia. Passam-se meses. Não é possível que, no meio tempo, fique bem óbvio o que vai acontecer e os "agredidos" tomem as devidas providências junto à construtora. Uma solução, por exemplo, é a construtora comprar o terreno ao lado e o ilustre vizinho ganhar, sei lá, uma cobertura no prédio novo. Outra coisa: o sol tem uma trajetória, durante o dia, de 180 graus. É simplesmente impossível que haja sombra na casa do cara o dia todo devido a um único prédio (a não ser que as leis da física não valham justamente para aquele cidadão, ;D), exceto se já houve uma outra construção anterior ou um acidente natural que coloque sombra sobre a casa na metade do dia e o prédio alto coloque sombra na outra metade do dia. Considerando que o caso mais comum é da já existência de prédios altos no entorno da residência, então fica muito difícil provar que mais uma vai criar mais dados do que os já sofridos pelos outros.

    Agora note uma coisa. Tal cenário, de prédios altos sendo construídos perto de casas, só é possível quando as ruas, terrenos e bairros não tem propriedade privada. Se um bairro é propriedade privada, muito provavelmente foi construído sobre um plano diretor e deve funcionar como um condomínio, que tem regras, principalmente sobre o que se pode ou não construir e também sobre a localização das coisas no bairro.

    De qualquer forma este cenário é improvável em uma situação de plena liberdade e respeito pela propriedade privada. Já na presença do governo é rotineira essa situação. A questão na verdade é: isso já acontece HOJE. O que o governo/crea/mp/(coloque aqui o órgão de sua preferência) faz?


  • anônimo  25/07/2014 17:03
    Essa resposta do Andre Cavalcante na minha opinião foi bem falha e cheia de vulnerabilides.

    "Why? Porque não? Se o Sol é algo que valorizo, e outras pessoas também, e é algo que pode ser escasso (a sombra do prédio pode sumir com o sol), configura sim uma propriedade privada"

    Se você pega esse trecho e substitui Sol por Clientes, veja o risco que você coloca toda a humanidade.

    "Why? Porque não? Se os clientes é algo que valorizo, e outras pessoas também, e é algo que pode ser escasso (o prejuízo pode sumir com a retirada da concorrência), configura sim uma propriedade privada"

    Outro trecho que na minha opinião coloca uma subjetividade tão alta que pode colocar todos limites claros dentro de situações subjetivas não-claras:

    "Pode sim configurar uma agressão. Cabe a quem se sentir agredido que entre na justiça contra o agressor. Neste caso, cabe a parte que se sente ofendida provar que está sendo agredido. Neste caso, pode mostrar que a sua casa perdeu em saúde pelo aumento de mofo devido à sombra provocada pelo prédio alto (no caso de construção ter terminado)."

    Ou seja, basta se sentir agredido e pronto. Isso é uma gravidade. Então por exemplo, alguém poderia alegar que perdeu a saúde porque perdeu o emprego. Entendeu o problema disso?

    A princípio creio que atribuir propriedade a luz do sol um erro tremendo tirando toda uma clareza e trazendo o problema para a zona da subjetividade e sentimentos, o que por si já sinaliza um perigo.
  • Andre Cavalcante  25/07/2014 19:01

    Caro anônimo,

    Você fez recortes do meu comentário e acabou tirando do contexto. Tudo bem, deveria ter deixado mais claro já a partida.

    A questão era justamente o uso de um recurso natural, no caso a luz do sol. Ora, se pode usar a luz por questão de saúde ou para produzir energia elétrica. Não interessa. O fato é que há um recurso que é usado (portanto valorizado) e que é escasso (tem um limite). Neste caso pode ser sim apropriado, e passa então a configurar prejuízo quando alguém o retira de você, sem sua permissão.

    E não, não podemos substituir sol por clientes na minha frase, porque isso seria ferir o direito de escolha do outro, logo, coerção. E a questão proposta é sobre um cenário em uma situação de liberdade e não de coerção, até porque esta última já é a situação atual.

    Sobre o seu último recorte aí você realmente deturpou o que escrevi, não sei se por falha de entendimento, ou se é de caso pensado mesmo. Temos que conviver com esse tipo de coisa, quando nos expomos em um lista de comentários, mesmo eu colocando o meu nome e você, ninguém sabe quem é.

    Vamos lá: não, não basta se sentir agredido (e é aí que você vergonhosamente não comentou o que coloquei no meu comentário), é preciso que aquele que se sentiu agredido prove a agressão, isto é, prove que o outro retirou propriedade sua. No caso em questão, é necessário que ele mostre que tem prejuízo com a sombra (Por exemplo, suponhamos que ele retirava X KWH de energia por dia em situação normal e passou a retirar X/4 KWH por dia com o prédio). Uma brincadeira interessante é trocar o sol por terra e ver se o pensamento vale do mesmo jeito (eu usava meu terrno e conseguia X toneladas de grãos, aí uma indústria despejou químicos no terreno vizinho e passei a conseguir somente X/4 ton de grãos - é óbvio que configura poluição e prejuízo e, portanto, passível de indenização, etc.)

    E sim, justiça é sempre subjetiva, no sentido que cada qual traz em si o seu critério de justiça, de bem, de mal, de certo e errado, de prejuízo ou felicidade perante um ato qualquer; dessa forma é muito difícil (para não dizer impossível) medir atos e intensões. Talvez os únicos pontos que sejam mais objetivos nesta questão sejam exatamente os direitos naturais (veja o artigo que saiu estes dias sobre isso) e é por isso que as ciências da economia, política, direito etc. são chamadas de ciências humanas, porque lidam com a subjetividade humana.

  • Daniel costa  25/07/2014 13:15
    Oi Tarcisio,
    Faça seus amigos entenderem que vivemos em espaços públicos, as cidades são públicas e não privadas, inclusive nossos imóveis que achamos que são só nossos _pagamos impostos ao governo para continuar morando. Em um ambiente livre, as cidades são planejadas tais como shopping centers e condomínios fechados, o consumidor é livre para comprar ou alugar o imóvel onde prefere residir, pois pode escolher a legislação de "condôminos" que mais se ajusta às suas realizações. Espero ter contribuído.
  • Tarcisio Faga  25/07/2014 15:03
    Obrigado a todos pelas respostas.

    O caso em questão é só uma hipótese. Ou talvez tenha acontecido com algum conhecido desse meu amigo. Não sei dizer.

    Sou o único aqui no trabalho a conhecer (faz pouco tempo) e a tentar defender as nossa idéias (libertárias).

    Espero que aos poucos eu consiga "converter" alguns amigos.

    Mais uma vez muito obrigado.
  • Simone  24/07/2014 21:30
    O mercado sempre terá soluções mais inteligentes que qualquer governo. Nesse caso da publicidade por exemplo, eu tenho uma filha de 3 anos que adora desenho, assiste todos os dias mas nunca vê nenhum comercial. Mágica? Não, Apple TV. Aqui em casa a gente nunca liga a TV a cabo pois todos os conteúdos que gostamos existem no iTunes, Netflix, Hulu, HBO on the GO, ESPN.. O futuro da televisão é conteúdo por demanda, sem horário, sem comercial. Mas claro, nosso governo da época da pedra não deve nem ter ideia do que seja Apple TV. E caso no futuro esses programas possuam comerciais, eu tenho outra solução simples para proteger meus filhos: Não vai assistir TV. PRONTO! Na minha casa meu pai dizia não e a gente não via TV. Simples assim.
  • Daniel Ribeiro  25/07/2014 21:09
    Então quer dizer que a solução para os problemas que o governo cria é sempre buscar "alternativas"? E quando o governo lhe tomar todas as alternativas?

    Apple TV, Chromecast, Netflix e outros são excelentes soluções de mercado... O problema é que o governo não tem que se meter nas soluções já existentes atualmente. Se a TV aberta vive bem financiando seu conteúdo através de anúncios, ninguém precisa interferir.
  • Gredson  27/07/2014 15:34
    E quem não pode pagar por uma apple tv ou até mesmo internet, que se ferra. Pessoal o Brasil não é apenas nossa familia, cidade, estado.

    existe dois mundos em um Brasil de 200 milhões de habitantes. uma metade tem acesso a internet e a outra não tem, o que resta a essa ultima é a televisão.

    olhardigital.uol.com.br/noticia/metade-dos-brasileiros-tem-acesso-a-internet/43234
  • Emerson Luis, um Psicologo  24/07/2014 22:10

    Ótimo artigo!

    Por quanto tempo os intervencionistas ficarão contentes com essas medidas?

    Se proibiram publicidade para menores de 12 anos, por que não proibir para menores de 18 também?

    E quais serão os limites para as interferências na publicidade em geral? Onde vai parar?

    * * *
  • Alê Martins  24/07/2014 22:41
    É liberal mas pede pro vizinho abaixar o som depois das 22:00. E o direito individual do vizinho de ouvir som alto até as 3 da manhã ? Liberais burros e sua coerência ..
  • Humberto Martins  24/07/2014 23:46
    Esses palpiteiros burros e sua incompreensível propensão a se auto-humilharem e passar vergonha...

    Minha querida Alê, estude o mínimo sobre uma teoria -- no caso, direitos de propriedade -- antes de emitir qualquer palpite sobre ela.

    Assim como a poluição ambiental representa uma agressão à propriedade -- pois a danifica por meio de fuligens --, a poluição sonora também representa uma agressão, no caso à pessoa física e a seu corpo.

    Portanto, protestar contra a poluição sonora é uma atitude que está plenamente de acordo com a teoria dos direitos de propriedade, os quais são sagrados.

    Caso as ruas fossem privadas, haveria regras, e violadores seriam expulsos. Assim como um condomínio privado tem regras estritas sobre barulho após as 22h, o mesmo ocorreria com uma rua privada.

    Você não precisa concordar com a teoria, mas ao menos tenha a decência intelectual de estudar um assunto antes de regurgitar opiniões sobre ele.
  • Hay  25/07/2014 14:01
    Nossa, como você é inteligente, cara! Eu aqui, burro, lendo e estudando um pouco o assunto do liberalismo antes de sair comentando qualquer coisa, mas você, inteligente que é, não precisa entender o que está escrevendo.

    Não que eu espere de esquerdistas e afins inteligência quando falam sobre política, economia, leis e direitos. Ainda bem que posso esperar competência profissional de um progressista, porque, felizmente, ser analfabeto funcional em política, economia e direito não impede que a pessoa seja boa em um trabalho específico.
  • Lauri Sandra  25/07/2014 02:14
    Concordo plenamente que essa lei é uma forma de iniciar o comunismo no Brasil. Primeiro nos deixando sem opções, não temos mais total liberdade na educação de nossos filhos, a ditadura governamental já esta na educação que o estado impõe em nossas casas. Tenho uma filha de 2 anos e 9 meses e ela ama a Peppa, eu a deixo assistir enquanto brinca com seus varios tipos de brinquedos, com as propagandas, fica mais fácil saber o que dar ou não, é claro que se ela me pedir algo que eu não ache apropriado, eu não irei comprar só porque ela vê a propaganda todos os dias na tv, eu sento e converso com ela e ela me compreende, ela mesma diz que se não é bom pra ela, ela não quer. Eu gosto de fast foods, ela não, pelo contrário, ama brócolis e espinafre, ela troca um doce por um pedaço de melância, banana ou maçã, e vê comerciais na tv o tempo todo, nada a influência porque ela aprende os valores, ela entende o que é bom para ela, e ela mesma, muitas vezes me manda comer algo mais nutritivo do que gorduroso.... Existem tantas coisas para serem resolvidas, tantas leis que deverias já estar em prática, leis que foram feitas, mas não são aplicadas e que acho que deveriam ser mais firmes como as leis sobre se dirigir bêbado, a lei que foi engavetada que proíbe a matança das chinchilas no brasil, leis que sejam mais duras sobre o abuso infantil, e leis que punam aquelas "crianças" que roubam, matam e estupram...então, porque não proibir novelas com cenas de sexo e nudez? Filmes de ação que contenham assassinatos, estupros? Será que não é isso que está desvirtuando nossas "crianças bandidas". Claro que não, o que nos falta é a educação, aquela que aprendemos em casa, com uma palmada na bunda ou um puxão de orelha, aquela educação que nos faziam respeitar pais, professores e idosos. Que absurdo essa lei, não podemos mais nos abster e deixar essas coisas passarem no congresso, o Brasil é nosso minha gente, os políticos são nossos empregados, por isso os chamamos de servidores públicos.
  • Sérgio  26/07/2014 02:45
    Acho que a publicidade infantil deve ser repensada.

    Por exemplo, esta propaganda dos anos 80:



    Este tipo de publicidade infantil é saudável e natural, pois mostra realmente o que as crianças mais gostam de fazer: Brincar. Incentiva a infância.

    Por outro lado, este tipo de comercial:



    Este tipo de comercial é tóxico para as crianças. Transforma as crianças em consumistas em potencial. Doutrina os indivíduos a serem consumistas desde criança. Acaba com a infância das crianças.

    Em suma, o primeiro tipo de publicidade infantil é sauvável para as crianças, o último é tóxico. O problema é que atualmente, só vejo publicidade infantil do último tipo.... Principalmente essas propagandas de boneca...
  • Diones Reis  26/07/2014 18:21
    "Este tipo de comercial é tóxico para as crianças. Transforma as crianças em consumistas em potencial."

    E é por conta disto que, ao invés de deixarem OS PAIS julgarem os malefícios de uma propaganda para os próprios filhos, você prefere dar este poder a burocratas, mesmo que isto prejudique a outros envolvidos?

    Realmente me desanima muito em ver que as pessoas não estão tomando conta de suas próprias vidas, e o que é pior, pensam que o governo pode e deve decidir sobre tudo, até mesmo a cuidar dos próprios filhos.
  • Pobre Paulista  26/07/2014 20:25
    A única coisa que "acaba com a infância das crianças" é o tempo. Uns 11, 12 anos e puf, já era, acabou a infância das crianças.
  • Rafael  26/07/2014 23:40
    Ninguém falou em proibir a publciidade infantil, se falou em repensar, o que é diferente. Atualmente, a publicidade infantil é só do último tipo. Aquela publicidade inocente dos anos 80 acabou. As empresas e as agências de publicidade não passam mais. Acho que os publicitários tem que repensar suas propagandas voltadas para crianças.

    Mas tem coisas que realmente são muito tóxicas para as crianças, e devem ser proibidas. Por exemplo, isso é para crianças? Alguém acha correto e normal? Eu não acho. Pelo menos, numa coisa a França teve bom senso, proibiu este tipo de coisa e é um exemplo a ser seguido.
  • anônimo  27/07/2014 19:30
    Rafael, nesse exemplo que tu deu, a proibição foi para as mães, não para os filhos. Uma criança não se torna uma "miss" simplesmente porque ela brinca de Barbie ou viu um comercial duma fictícia Polly Miss.
  • anônimo  27/07/2014 22:43
    Sérgio, aí você quer criar uma cúpula de avaliação de propagandas central, em que cada propaganda feita no Brasil deve se adequar as normas nacionais de propaganda e TV, e sempre que uma propaganda for feita, o publicador tem que se cadastrar a cúpula central e primeiramente enviar o material para ser aprovado, então quando o material receber o OK do governo aí ele pode ser divulgado, seja na internet, TV, ou jornal, que está cadastrado devidamente claro.
    Se a cúpula central não concordar ideologicamente com o material ele tem o poder de banir o conteúdo.


    ..... você não pensou... nem por 2 segundinhos... que é mais simples deixar que as pessoas decidam o que seus filhos devem ver?....
  • Sérgio  28/07/2014 02:24
    Ninguém falou em criar cúpula central, se falou em REPENSAR a publicidade voltada para crianças, o que é diferente. Eu também sou contra a proibição.


    "..... você não pensou... nem por 2 segundinhos... que é mais simples deixar que as pessoas decidam o que seus filhos devem ver?...."

    Agora pense por 1 segundinho: e se as pessoas decidir que os filhos devem ver pornografia? É essa explicação que os libertários me devem: Quem vai evitar que estas coisas ocorram, senão o Estado? Se por exemplo, não há um estado regulando os horários da TV, o que impediria que várias (ou todas as) emissoras passassem pornografia em qualquer horário?
  • anônimo  28/07/2014 16:19
    Sérgio, no dia em que o estado for até a casa de alguém para apurar se algum pai mostra ou não pornografia pra um filho, eu paro de assistir. Vou te contar uma coisa... Quase todos os jovens (e adultos) veem pornografia e pasmen, nós temos um estado! O que impede pessoas de venderem bananas a mil reais? Bom senso, ninguém compraria. Por que eu pagaria por um canal de TV que mostra um conteúdo que eu não quero que meus filhos vejam?
  • anônimo  29/07/2014 10:52
    A crítica do Sérgio tem um fundo de verdade.
    Primeiro deixa eu esclarecer uma coisa: não sou esquerdista, odeio o governo, odeio o PT, socialistas, sindicalistas e tudo do tipo. Sou muito grato ao IMB por abrir meus olhos quanto aos podres do governo, e sobre como o governo mente e enrola as massas em quase tudo.
    Agora,
    O único ponto que eu acho problemático por aqui, e onde acho que a crítica dele tem alguma base, está no fato de se misturar PNA com crianças.Pra mim o PNA tem que ser um critério pra orientar a vida entre adultos,(e consequentemente, sua relação com o governo, ou até mesmo com a inexistência de um governo) e só. Crianças tem a mente em formação e não são capazes de julgar o que é bom ou ruim pra elas, uma ação voluntária de uma criança não significa nada porque essa pode ser uma ação que vai prejudicar a mesma. Por ex a criança que aceita voluntariamente entrar na casa de um pedófilo que ofereceu uns docinhos
    Se alguém deixasse claro que PNA não tem que envolver crianças, no sentido de considerar que elas podem tomar decisões por elas mesmas, estariam resolvidos vários pontos polêmicos do libertarianismo, como pedofilia, aborto, etc.
    Quanto à propaganda, não estou defendendo a proibição estatal.É claro que tem que haver algum controle, mas ele deve ser feito pelos pais, não pelo estado.
  • Ali Baba  29/07/2014 14:39
    @anônimo 29/07/2014 10:52:51

    Primeiro deixa eu esclarecer uma coisa: não sou esquerdista, odeio o governo, odeio o PT, socialistas, sindicalistas e tudo do tipo. Sou muito grato ao IMB por abrir meus olhos quanto aos podres do governo, e sobre como o governo mente e enrola as massas em quase tudo.
    Agora,


    Muito bem, mais um preambulo do tipo "Adoro vocês e a liberdade e cachorrinhos cor-de-rosa, no entanto...". Vamos lá, vou adorar discutir isso.

    O único ponto que eu acho problemático por aqui, e onde acho que a crítica dele tem alguma base, está no fato de se misturar PNA com crianças.Pra mim o PNA tem que ser um critério pra orientar a vida entre adultos,(e consequentemente, sua relação com o governo, ou até mesmo com a inexistência de um governo) e só.

    Aparentemente há algum defeito entre o que o acrônimo PNA significa e o que você entende pelo que ele significa. PNA é simplesmente "Princípio da Não Agressão". Agora que estamos falando do mesmo PNA, me explique como que isso deveria não se aplicar a crianças? Acaso elas são tão especiais que deveriam ser agredidas? Ou ao contrário, elas são tão especiais que deveriam ter permissão para agredir?

    MELDELS... é cada um que aparece.

    Crianças tem a mente em formação e não são capazes de julgar o que é bom ou ruim pra elas, uma ação voluntária de uma criança não significa nada porque essa pode ser uma ação que vai prejudicar a mesma.

    Hm... sim. Quando uma criança poe fogo no rabo do gato ela é inconsequente, coitadinha, não merece ser punida pq é "coisa de criança". Quando ela rouba o lanche do coleguinha mais franzino ela não tem de ser corrigida, uma vez que isso passa e é somente uma fase, afinal, "uma ação voluntária de uma criança não significa nada".

    Por ex a criança que aceita voluntariamente entrar na casa de um pedófilo que ofereceu uns docinhos

    Exato! Não vamos fazer nada com esse pedófilo, afinal a criança pediu voluntariamente para entrar na casa dele. E todos sabem que "uma ação voluntária de uma criança não significa nada".

    Se alguém deixasse claro que PNA não tem que envolver crianças, no sentido de considerar que elas podem tomar decisões por elas mesmas, estariam resolvidos vários pontos polêmicos do libertarianismo, como pedofilia, aborto, etc.

    Claro... magicamente você inventou a solução para todos os dilemas morais da pedofilia e do aborto e de tantas outras consequências nocivas da liberdade ao simplesmente negar o PNA. Realmente é uma inovação... nunca antes na história desse país alguém teve uma ideia tão lúcida.

    Quanto à propaganda, não estou defendendo a proibição estatal.É claro que tem que haver algum controle, mas ele deve ser feito pelos pais, não pelo estado.

    Claro! Agora entendi seu ponto de vista. Abolindo o PNA para crianças esses pais podem espancá-la até a morte se ela estiver vendo novela das nove sem permissão.

    Caro anônimo... veja como os meios-termos e as terceiras vias são perigosos. Você estaria em uma posição de muito maior coerência se não defendesse o PNA e advogasse o controle de propagandas para crianças. Ainda assim estaria redondamente errado, mas pelo menos seria coerente. Ao advogar uma terceira via, você simplesmente cria uma situação mais absurda.

    Mas pode ser que tenha cometido um erro honesto... apenas um momento de dissonância cognitiva a que todos estamos sujeitos. Por isso, o benefício da dúvida está do seu lado... Espero ter ajudado a desenrolar seu pensamento e desculpe antecipadamente o sarcasmo por vezes exagerado.
  • anônimo  29/07/2014 15:10
    'PNA é simplesmente "Princípio da Não Agressão". Agora que estamos falando do mesmo PNA, me explique como que isso deveria não se aplicar a crianças? Acaso elas são tão especiais que deveriam ser agredidas? '

    Se você soubesse ler, não precisaria perguntar nada disso.O que eu falei foi muito claro.

    'Hm... sim. Quando uma criança poe fogo no rabo do gato ela é inconsequente, coitadinha, não merece ser punida pq é "coisa de criança". Quando ela rouba o lanche do coleguinha mais franzino ela não tem de ser corrigida, uma vez que isso passa e é somente uma fase, afinal, "uma ação voluntária de uma criança não significa nada".'

    Você não notou que todos os exemplos que colocou apenas CONFIRMAM o que eu disse. Se ela põe fogo no rabo do gato ou rouba o lanche dos outros isso somente mostra como ela não tem o intelecto maduro o suficiente pra saber que não deve fazer essas coisas, mostra como ela não é ainda, capaz de tomar decisões corretas.

    'Exato! Não vamos fazer nada com esse pedófilo, afinal a criança pediu voluntariamente para entrar na casa dele. E todos sabem que "uma ação voluntária de uma criança não significa nada".

    Como é que alguém consegue vomitar tanta burrice em um parágrafo só? Onde é que vc viu alguém falando que um pedófilo não deve ser punido? Você é tão patético que nem um espantalho simples como esse, consegue criar direito.
    E a frase não foi só essa, se você além de burro fosse honesto colocaria a frase toda:'...não significa nada porque a criança não tem capacidade de saber o que é bom pra ela'. Uma coisa simples e óbvia, alguém discorda disso por acaso? Alguma novidade?

    'Claro... magicamente você inventou a solução para todos os dilemas morais da pedofilia e do aborto e de tantas outras consequências nocivas da liberdade ao simplesmente negar o PNA.'
    De novo, se você soubesse ler, teria visto que eu não neguei coisa nenhuma, o que eu disse foi que ele não deveria se aplicar a crianças NO SENTIDO DE QUE as crianças não são capazes de tomar uma decisão voluntária racionalmente, já que elas não entendem o que é bom ou ruim pra elas mesmas. Hora nenhuma eu disse que isso justifica a agressão contra elas, isso foi um delírio inventado pela sua cabeça sem lógica.
    Toda vez que se supõe que elas são capazes de decidir por si próprias, está se abrindo as portas pra pedófilos e exploradores de todo tipo.

    'Claro! Agora entendi seu ponto de vista. Abolindo o PNA para crianças esses pais podem espancá-la até a morte se ela estiver vendo novela das nove sem permissão.'

    De novo, esse espantalho que vc inventou por não ser capaz de compreender uma idéia tão simples...leia de novo umas mil vezes e quem sabe um dia vá entender o que é que eu estava falando que não se aplica.

    'Mas pode ser que tenha cometido um erro honesto... apenas um momento de dissonância cognitiva a que todos estamos sujeitos. Por isso, o benefício da dúvida está do seu lado... Espero ter ajudado a desenrolar seu pensamento e desculpe antecipadamente o sarcasmo por vezes exagerado.'

    U welcome dude, com você eu apenas confirmei o que já sabia.
  • anônimo  29/07/2014 15:19
    Quando um adulto escolhe voluntariamente tomar uma droga, isso é totalmente diferente de uma criança escolher tomar droga.Um adulto sabe os riscos, sabe as consequências, e se não sabe tem toda a capacidade de se informar e aprender, já uma criança é uma mente em formação, é facilmente influenciável e não tem capacidade pra compreender o impacto que isso vai ter na sua vida.
    Achar que uma criança, uma mente em formação não sabe nada do mundo, nem da vida nem dela mesma, pode tomar decisões desse tipo é uma crueldade contra as próprias crianças, todas as culturas do mundo protegem seus filhos desse tipo de coisa, e se vcs quiserem passar por cima disso, beleza, mas depois não reclamem quando o libertarianismo virar motivo de piada.
  • anônimo  29/07/2014 15:24
    Eu não disse que o PNA não deveria se aplicar no sentido de 'tudo bem espancar uma criança', disse que não deveria se aplicar no sentido de considerar válida uma decisão voluntária de uma criança, que não tem CAPACIDADE de tomar decisões sem saber o que é bom ou ruim pra vida dela.

    Mais simples do que isso, não consigo, se nem assim entendeu, azar.

    E agora, contagem regressiva pra alguém falar que eu disse que quero que o estado tome as decisões por ela (facepalm)
  • anônimo  29/07/2014 15:02
    "Ninguém falou em criar cúpula central, "
    +
    "Quem vai evitar que estas coisas ocorram, senão o Estado?"
    _____________________________________________________________
    = ?????????????????

    Se por exemplo, não há um estado regulando os horários da TV, o que impediria que várias (ou todas as) emissoras passassem pornografia em qualquer horário?

    Existe um botão no controle chamado Channel, aí você aperta e ele troca de canal. Agora, se você quer controlar a televisão dos outros realmente aí complica porque isso é contrário a liberdade básica.

    Se há um estado regulando a TV, o que impediria que o estado criasse uma lei que ocasionasse a retirada de programas saudáveis do ar? Nada. E é justamente o que aconteceu. Estamos com menos opções que antes.
  • Bernardo F  26/07/2014 22:18
    Joel, muito bom artigo. Segue em frente.
  • Claudia  28/07/2014 02:03
    Boa noite. Gostaria de saber se esse PL passou pelos deputados, senadores ou foi sancionado pela Dilmona? Caso não, por hora, não vejo porque me preocupar tanto.
  • Professor  28/07/2014 14:11
    Esse tipo de discussão está atrasada. A maior empresa de propaganda do mundo está em ação fazendo propaganda direcionada a todos os usuários de computadores do mundo, sem exceção. Que empresa é essa ? Google
  • João Guilherme  28/07/2014 18:42
    Colocando outra ponderação. Será que sem qualquer regulação o mercado, ainda mais o brasileiro, será capaz de garantir o mínimo de equidade de forças em relação a educação que os pais dão em casa?

    Da mesma forma que julgo um excesso quando o governo, seja chinês, americano ou brasileiro destrói casas para construir viadutos, também acho um grande abuso quando empresas investem bilhões e me colocam como "censor" ao invés de permitir que eu efetivamente gaste meu tempo para EDUCAR meus filhos.

    Ou seja, da forma como estava posto, cabia ao mercado a liberdade de anunciar qualquer porcaria para as crianças e a obrigação dos pais era de "educar" sobre o que é bom, ou não. Acho bem complicado.

  • Marcelo  28/07/2014 20:03
    Ou seja, da forma como estava posto, cabia ao mercado a liberdade de anunciar qualquer porcaria para as crianças e a obrigação dos pais era de "educar" sobre o que é bom, ou não. Acho bem complicado.

    Ué, complicado por quê? Além do mais, se não quer que ela veja o comercial, desligue a TV.
  • Joao Guilherme  29/07/2014 16:37
    Regulação e regulamentação então não serve de nada?

    Pra que o Código de Defesa do Consumidor então? As empresas tem "liberdade" e os indivíduos que se virem?

    Estado mínimo, ok. Mas alguma forma de regulamentação é necessária. E vem sendo feita desde o código de Hamurabi.
  • anonimo  29/07/2014 17:56
    O código de Hamurabi, que entre outras coisas tabelava preços e estabelecia qual seria a taxa de juros, não trouxe coisas boas para a Babilônia.

    E pq algo era feito sem sucesso há 4.000 anos, devemos continuar fazendo o mesmo?
  • Pobre Paulista  29/07/2014 13:29
    Pela discussão por aqui parece que as pessoas não entendem que o controle remoto da televisão tem uma série de botões interessantíssimos, de uso intuitivo.

    Tem um par de setinhas, em geral para cima e para baixo, comumente com um impresso 'CH' entre elas, utilizada para uma função formidável: Trocar de canal. Caso algo que esteja passando seja inadequado, qualquer adulto, ou até mesmo qualquer criança instruída, pode se utilizar deste botão para alternar o conteúdo exibido.

    Também possui um outro botão - em geral chamado AV, SRC ou coisa parecida - que alterna a entrada de dados da televisão. Sim, o cabo e a antena não são a única forma de se trazer imagens para a televisão. Pode-se acoplar diversos outros aparelhos eletrônicos - como DVD's, Blu-Ray, Video-Games, PC's, entre outros. Todos estes dispositivos tem a incrível capacidade de se escolher o que se vê na televisão, não deixando assim o espectador à mercê dos maldosos montadores de grades horárias, estes que precisam de constante monitoramento do estado para que não maltratem seus filhos.

    E por fim, existe um botão fabuloso, em geral vermelho e em algum canto superior, que faz com que a televisão simplesmente pare de exibir coisas. Sim, ela fica totalmente preta, diz-se que ela está desligada neste cenário - Na realidade isso é um abuso de linguagem, as televisões modernas estão sempre 'ligadas', mesmo sem estar exibindo nada na tela. Esse botão tem o incrível poder de fazer as crianças destinarem seu tempo à outras atividades - como brincar de blocos de montar, de boneca, de carrinho, ou ler um livro, desenhar e pintar, entre outras.

    Acho que devemos apresentar essa magnífica invenção aos burocratas que querem regular o que se passa na televisão, dado que eles não sabem que os pais hoje já detém o controle sobre o que os seus filhos devem ou não devem ver.
  • Típico Filósofo  29/07/2014 17:19
    Incorreto, Pobre Paulista, na Coréia do Norte, o rádio não pode ser desligado e sua estação não pode ser alterada. Tal atitude do estado garante que os pais jamais perverterão seus filhos com vícios comunistas e os ideais revolucionários sempre serão ouvidos pelo cidadão. Consiste em uma hora do Brasil de 24 horas por dia e obrigatória.

    https://www.flickr.com/photos/mytripsmypics/6283245121/in/photostream/

    E ainda há aqueles que injustamente acusam a Coréia do Norte de agir de maneira reacionária: com um pequeno ano, garantiram a neutralidade democrática de toda a rede nacional; e nós mal ocupamos a internet. Excelente conquista da democracia coreana.
  • Andre Cavalcante  29/07/2014 15:54
    Caraca depois de ler vários comentários, realmente fiquei com a seguinte sensação:

    As pessoas realmente querem controlar a vida das outras e não cuidar da própria vida[i]

    E para aquelas que só querem cuidar da própria vida, outra sensação:

    [i]As pessoas não percebem que defender o estado é defender o controle sobre a vida alheia


    Abraços



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