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"Quanto mais complexa a sociedade, maior a necessidade de regulações estatais." Certo ou errado?

É mesmo?
Certa vez, participei de um debate sobre economia em uma universidade.  O então reitor daquela universidade, que defendia a necessidade de a economia ser estritamente regulada pelo governo, recorreu ao seguinte argumento contra mim:

Suas teorias sobre livre mercado, propriedade privada e governo limitado funcionavam bem no século passado, quando a sociedade era menor, a economia era menos interligada, e vivíamos sob arranjos mais simples. Hoje, no entanto, tais teorias seriam simplesmente inviáveis pelo simples fato de que a economia na qual vivemos é muito mais complexa. Quanto mais complexa a sociedade, maior é a necessidade de controles e regulamentações governamentais.  Isso, para mim, é algo tão lógico e evidente que chega a ser axiomático.

Essa falácia frequentemente utilizada — a qual leva direta e logicamente a uma defesa do planejamento socialista — possui muita influência porque é aparentemente plausível e, superficialmente, parece ter algum sentido. 

Por isso, ainda mais importante do que desmascará-la, é fazer isso de forma simples e direta, sem recorrer a teorias complexas e de explicações demasiado longas.

E foi essa a resposta dada por um dos participantes daquele debate:

Muito bem.  Imaginemos então a situação mais simples possível: apenas você e eu.  Agora, suponhamos que eu seja um indivíduo indiscutivelmente competente e brilhante. 

Com essas qualidades em mente, você realmente crê que eu teria a competência para determinar (1) em que você deve investir, (2) como você deve efetuar o seu empreendimento, (3) o que você pode produzir, (4) quantas horas você pode trabalhar, (5) qual o salário que você deve receber, (6) qual o preço que você pode cobrar, (7) qual deve ser a sua margem de lucro, (8) com quem você deve se associar, (9) o que você deve vender, e (10) com quem você deve comercializar?

Consequentemente, a minha incompetência já não estaria por demais óbvia nesta forma extremamente simples de sociedade?

E então este mesmo cidadão arrematou:

Agora, vamos dar um passo adiante e imaginar uma sociedade mais complexa.  Imaginemos uma sociedade formada por todas as pessoas que estão nesta sala.  Qual seria a minha competência para controlar coercivamente as ações criativas de cada uma destas pessoas aqui presentes?  Seria eu tão brilhante assim?

Por fim, contemplemos uma situação realmente complexa: uma sociedade formada por 200 milhões de indivíduos.  Se eu me apresentasse dizendo que eu deveria estar no controle da vida de todos eles e de todos os bilhões de trocas voluntárias que eles efetuariam diariamente, tenho certeza de que você diria que eu estaria sofrendo de alucinações.

Logo, não seria algo demasiado óbvio que, quanto mais complexa uma economia, maiores serão os efeitos retardadores gerados pelos controles governamentais?   

Não seria algo lógico que, em uma economia complexa, o controle governamental sobre os esforços produtivos irá exercer uma influência, no mínimo, restritiva sobre essa economia?

Por conseguinte, não seria algo axiomático afirmarmos que, quanto mais complexa a economia, mais deveríamos recorrer às iniciativas individuais, mais deveríamos estimular a liberdade de empreendimento e mais deveríamos usufruir os resultados gerados por essa liberdade empreendedorial? 

Nenhuma mente individual e nem nenhuma combinação de mentes pode prefigurar, nem muito menos controlar de maneira inteligente, as inúmeras trocas voluntárias e as inúmeras manifestações de criatividade que ocorrem em uma sociedade simples.  Imagine, então, em uma sociedade complexa...

O reitor não contra-argumentou.  Creio, aliás, ser improvável que ele venha a utilizar essa mesma argumentação novamente.

Embora o ato de desmascarar falácias cotidianas possa ser comparado ao ato de apagar incêndios com um pedaço de pano, o exercício não deixa de ser útil (além de ser um estímulo à mente).  Treinar a arte da contra-argumentação sempre será uma atividade proveitosa. 

No que mais, a capacidade de desmascarar falácias — uma tática negativa — é um prefácio necessário para se aprender a ressaltar de maneira influente tudo aquilo que é positivo.  Se uma pessoa não for capaz de demonstrar competência em destruir teorias socialistas, ela provavelmente não atrairá grandes multidões apenas falando sobre as maravilhas criadas por homens livres.

Dentre todas as mentiras ouvidas em salas de aula ou em nosso dia a dia, não há absolutamente nenhuma que não possa ser refutada.  Tudo o que temos de fazer é colocar nossa mente para funcionar. 

A complexidade de um arranjo não implica automaticamente a necessidade de centralização de poder.  Você e eu já temos um trabalho em tempo integral, que é o de cuidar de nossas respectivas vidas.  Nossa carga horária aumentaria exponencialmente caso tentássemos cuidar também da vida de algumas outras pessoas.  E explodiria para além do concebível caso tentássemos controlar as vidas de milhões de indivíduos.



autor

Leonard Read
foi o fundador do instituto Foundation for Economic Education -- o primeiro moderno think tank libertário dos EUA -- e foi amplamente responsável pelo renascimento da tradição liberal no pós-guerra.

  • Tannhauser  13/05/2014 14:31
    Aproveito para perguntar ao Instituto se os modelos econômicos baseados em sistemas complexos são utilizados de alguma forma pela Escola Austríaca. Comecei a ler o livro do Paul Ormerod que critica os economistas mainstream, mas ainda estou no início. Pelo que li, os modelos indicam que não é possível prever a consequência de algumas ações com vistas a regular o mercado, uma vez que é um sistema extremamente complexo.

  • Leandro  13/05/2014 14:52
    Tannhauser, a frase "os modelos indicam que não é possível prever a consequência de algumas ações com vistas a regular o mercado, uma vez que é um sistema extremamente complexo" é um tanto ludibrioso.

    Embora realmente não seja possível prever com extrema acurácia o que irá ocorrer, alguma precisão é sim possível.

    Por exemplo, é possível prever que controle de preços irá gerar ou desabastecimento ou redução na oferta. É também possível prever que regulamentações que impedem a entrada de concorrência irão gerar encarecimento e redução da qualidade dos serviços.

    No entanto, para ambos os casos acima não é possível prever com exatidão como será o desabastecimento e nem como será o encarecimento e a queda na qualidade. Aliás, coisas como qualidade e redução na oferta não podem ser mensuradas em termos cardinais.

    Em suma: é sim perfeitamente possível ter uma ideia antecipada do que irá ocorrer, mas não é possível cravar exatamente como as coisas irão se desenvolver, pois há milhões de fatores não-imaginados que podem entrar em cena.

    Por exemplo, e se, em meio a um controle de preços, todos os empresários resolverem aumentar a produção, aumentar os salários, desovar todo o seu estoque e sustentarem seguidos prejuízos? Embora isso seja extremamente implausível, é sim algo possível de acontecer. É fato que a duração de tal medida será apenas de curto prazo, dado que chegará um momento em que tais empresários ficarão descapitalizados e sem nenhuma capacidade adicional de produção; no entanto, trata-se de um fenômeno de curto prazo possível e que não havia sido previsto.
  • Tannhauser  13/05/2014 16:03
    Leandro, obrigado pela resposta.
  • Emerson Luis, um Psicologo  13/05/2014 16:30

    Uma resposta simples, clara, direta e formidável!

    * * *
  • Tannhauser  13/05/2014 16:37
    Só mais uma coisa, li esse artigo aqui no Mises.org: ""mises.org/daily/2646

    Nele, o autor afirma que a maioria dos modelos utilizados pelos economistas mainstream considera um continuum de agentes ou que o número de bens é infinito. Essa informação procede?

    Desculpe o excesso de posts.

  • Wanderson  13/05/2014 17:27
    Excelente. Só não gosto muito quando o libertarianismo surfa na mesma onda do liberalismo e da Escola Austríaca. O libertarianismo extrapola os limites da área econômica fundando princípios no direito, na política e na ética. É um tipo de milenarismo e uma busca da sociedade perfeita, mesmo objetivo do socialismo. A diferença é que para uns o problema é sempre o empresário, para os libertários é sempre o Estado. Assim, destroem o direito pois acreditam na crença de que o "homem é bom" o que atrapalha são as instituições. É a tese rousseauniana e marxista aplicada ao liberalismo.
  • Pobre Paulista  13/05/2014 18:43
    [i]Assim, destroem o direito pois acreditam na crença de que o "homem é bom" o que atrapalha são as instituições[i]

    Vc só esqueceu de dizer que esses "direitos" foram inventados pelos estados para justificar sua própria existência: Apenas o estado pode "garantir" seus "direitos" inventados por ele mesmo.

    Também não vi a "Crença de que o homem é bom" em lugar algum. Na verdade, do ponto de vista econômico é irrelevante se o homem é bom ou não. Além do mais, não conheço uma regra universal de bondade que se aplique a todos os homens, claro que eu tenho minhas próprias réguas mas seria presunçoso demais querer impô-la para todo o mundo, coisa que os (adivinhe) Estados já fazem com maestria. Exemplo: Um homem que não ajuda um mendigo pode ser considerado 'mau' para uma pessoa sensível, pois "o mendigo precisa de ajuda" e pode ser 'bom' para uma pessoa racional, pois "o mendigo precisa aprender a se virar". A única coisa que importa economicamente é a ação que ele realizou (ajudar ou não ajudar neste exemplo) e suas consequências, independente dele ser 'bom' ou 'mau' (ou azul ou verde ou alienígena).

    Então, já que você incitou o debate dizendo que "o problema nem sempre é o estado", convido-o a apresentar uma situação onde o "problema" não seja o estado sob uma ótica libertária.
  • Wanderson  13/05/2014 21:55
    O Estado não inventa os direitos, eles surgem de forma espontânea sem se propor seu significa lógico ou moral. Só depois adquirem estrutua e valores próprios, ao ponto de poderem ser utilizados pelo Estado. A vida em sociedade é, necessariamente, uma vida regrada. É impossível extinguir o Direito que é algo natural e não criação estatal. Nenhuma relação econômica existe sem que concomitantemente exista uma relação jurídica. Impossível. Acreditar que o direito possa ser extinto ou que só atrapalha é acreditar que o homem é bom e que as instituições que o corromperiam. Na verdade, o homem é corrompido e as instituições devem conter ou regrar tal corrupção. Que o governo extrapola tais limites, estamos de acordo. Que estes limites não existam ou que foram criados, é acreditar em uma utopia a ser alcançada pela destruição das superestruturas. Mais marxista que isso, desconheço, aliás tem o libertarianismo. A Escola Austríaca não pulou esse corrêgo e traçou uma teoria econômica corretíssima, que os libertarianos usaram para atropelar o direito e a ética para buscar o estado perfeito socialista. Economicamente a ética não importa (o direito é a essência da economia) isso não significa que a ética seja totalmente dispensável para a ordem social. Se ela é FUNDAMENTAL deve ser a REGRA e se este "deve ser" deve ser mesmo, temos o direito e o Estado, necessariamente. A origem do direito é a ética, não o Estado.
  • Wilson  13/05/2014 23:10
    Quem é que está falando em abolir o direito, cidadão? Entenda minimamente uma posição que está sendo defendida antes de criticá-la. Agir desta maneira intempestiva deixa você a descoberto.
  • Pobre Paulista  14/05/2014 00:53
    1. A escola austríaca não faz julgamento de valor, apenas faz análises racionais e expõe um conjunto de "Se isso então aquilo" muito mais conciso do que outras teorias econômicas.

    2. Não falei em "abolir o direito". Só disse que eles não existem, eles foram inventados pelo Estado. Não posso abolir o que não existe. Direito à vida? Direito à férias remuneradas? Direito de andar de ônibus de graça com X anos de idade? Isso surgiu naturalmente pra você?

    3. O homem corrompido é um homem perfeito sob a ótica de outro homem corrompido. Leia meu comentário sobre a régua universal novamente caso não tenha entendido. Apenas a impessoalidade e a racionalidade é capaz de trazer o progresso de uma maneira justa.

    4. A origem do direito é a ética? Então todos nossos juízes, promotores, advogados e todos os funcionários públicos são detentores da mais inabalável ética possível em um ser humano? Entenda uma coisa: A vida vem sem garantias. Nenhuma. Alguém te botou no mundo e você tem que se virar para continuar vivo. Não existe "direito" nenhum nisso, existe apenas a consequência do seu trabalho.
  • Leonardo Barbosa  13/05/2014 23:09
    Seu comentário foi perfeito.
  • anônimo  14/05/2014 00:25
    ''Então, já que você incitou o debate dizendo que "o problema nem sempre é o estado", convido-o a apresentar uma situação onde o "problema" não seja o estado sob uma ótica libertária.''

    Prezado Pobre Paulista. Sei que não foi pra mim a mensagem acima. Mas tomo a liberdade de entrar no assunto para juntos refletirmos. As religiões, para citar um exemplo, também tem no amago do discurso a mesma logica. Elas querem da mesma maneira, assim como o Estado, manipular e restringir muitas das vontades e liberdades do fiel. Se elas são um problema ou não, é outra conversa. Também não me aprofundei ainda o que a teoria libertaria diz a este respeito. Podemos afirmar que a liberdade individual num país laico, está no poder de aceitar ou não. Mesmo assim no caso do Brasil ela (religião) está nas entranhas e se confunde com o Estado. A situação de liberdade é quase nenhuma em países onde o Estado domina com ideologia religiosa: países do Oriente Médio.

    ''eu tenho minhas próprias réguas mas seria presunçoso demais querer impô-la para todo o mundo, coisa que os (adivinhe) Estados já fazem com maestria''

    Neste ponto me parece que as religiões proselitistas e sectárias têm o mesmo objetivo presunçoso que você combate. Talvez nesta situação seja (conforme você pediu uma apresentação) outra onde o Estado nem sempre é o único a interferir na liberdade individual.
    Obrigado, abraços
  • Diogo  14/05/2014 11:51
    Diferença entre religião e estado: o primeiro lhe aponta um caminho (o indivíduo segue se quiser) o segundo lhe aponta uma arma ( o indivíduo é obrigado a obedecer). Isso faz toda a diferença.
  • anônimo  15/05/2014 02:12
    Tá bom! Nunca na historia da humanidade nenhuma religião apontou uma arma para um cidadão. Ok.
  • Pobre Paulista  14/05/2014 13:56
    As pessoas entram voluntariamente numa religião e podem sair quando quiserem. Agora se vc nascer num território cercado de linhas imaginárias vc é obrigado a aceitar o "governo" local. Sua comparação não faz sentido algum.
  • anônimo  15/05/2014 00:14
    Pra você não tem sentido porque desconhece a historia e a sociologia. Religião e Estado estão sim muito ligados. Igrejas, no Brasil, não pagam impostos, só pra teu conhecimento.
  • Karl  15/05/2014 01:06
    Então você defende que quem não paga impostos comece a pagá-los? Por que tamanha ânsia em sustentar burocratas e parasitas?
  • anônimo  15/05/2014 01:19
    Eu defendo o meu direito de ''também'' não pagar impostos. Porque o Estado deu esse privilegio para as igrejas?
  • Pobre Paulista  25/05/2014 15:46
    Fugiu do assunto. As pessoas podem entrar e sair de uma religião quando querem ou deixam de querer. Não concorda com algo? Você sai e pronto, fim de assunto. Além do mais, elas pagam seus "impostos" (dízimos, contribuições e afins) voluntariamente. Pagam de livre e espontânea vontade, pois acreditam que aquilo vale a pena. E ainda assim existem milhares de igrejas (e no meu humilde ponto de vista elas estão crescendo cada vez mais).

    Porém ninguém pode entrar ou sair do estado quando bem entende. Se você não concorda com algo, azar. E se não fizer o que o estado manda, vai sofrer algum tipo de violência. Você não escolheu participar daquilo e ainda é obrigado a sustentar aquilo.

    Ainda não vi semelhança nenhuma entre igreja e estado.

    Além do mais seu argumento é pra lá de esdrúxulo: "Se o estado libera a igreja de pagar impostos então eles são a mesma coisa". Excelente, já que eu não cobro impostos de você então nós somos a mesma coisa também.

    Entenda que o pessoal que lê o mises.org.br é de um altíssimo nível acadêmico e intelectual e vc será certamente massacrado caso continue a vir vomitar asneiras desse nível. Recomendo sinceramente que você estude um pouco mais sobre o que significa liberdade econômica antes de vir babar ideais pré concebidos neste espaço.

    Abraços.
  • Leonardo Faccioni  13/05/2014 18:28
    A respeito do tema abordado, os últimos dias foram pródigos ao fornecer-nos estudo de caso emblemático: o Marco Civil da Internet, já exaustivamente abordado nesta página. Poucas ocasiões permitiram que se distinguisse tão claramente cada fase de um projeto político com vistas ao controle e ao sufocamento de um setor econômico quanto a investida atual do Estado sobre o território relativamente livre e jubilosamente frutífero da Web.

    A regulamentação que se vendeu às mídias e se impôs como texto legal é, a olhos vistos, incongruente ao absurdo para com as finalidades anunciadas, enquanto escancara portas e janelas ao arbítrio, ao favorecimento e à centralização temerária da rede sob gestores centrais superpoderosos, inamovíveis e irresponsáveis. Como a vasta maioria das regulamentações, mas sem muitas das camadas de maquiagem que costumam ocultá-las do grande público.
  • Bernardo F  14/05/2014 01:56
    Bom texto. Interessante.
  • IRCR  14/05/2014 06:01
    A pergunta que nunca se cala. Quem regula o governo ?
  • Ali Baba  14/05/2014 11:09
    @Wanderson 13/05/2014 21:55:04

    O Estado não inventa os direitos, eles surgem de forma espontânea sem se propor seu significa lógico ou moral. Só depois adquirem estrutua e valores próprios, ao ponto de poderem ser utilizados pelo Estado. ( bla bla bla bla ) Se ela é FUNDAMENTAL deve ser a REGRA e se este "deve ser" deve ser mesmo, temos o direito e o Estado, necessariamente. A origem do direito é a ética, não o Estado.

    Sério isso ou esse Wanderson é outro dos personagens irônicos desse site?

    Vou fazer apenas uma pergunta para esse senhor (personagem ou não): que "direito" alguém tem de se apropriar do fruto do trabalho alheio?
  • Cleiton  14/05/2014 11:46
    Simples e demolidora resposta.

    Acho que o estudiosos e defensores da liberdade poderiam começar pensar em dar mais respostas simples e diretas como essas. Respostas assim são entendidas por qualquer tipo de pessoa mesmo que não seja estudiosa de economia, basta ter bom senso.

    Respostas muito complexas demoram muito para ser assimiladas, nisso os esquerdistas ganham de nós disparados visto que conseguem emitir suas asneiras de um modo muito simples e acabam arrebatando mais mentes e corações.

    Eu gostaria muito de ser capaz de fazer isso, mas ainda inicio nos estudos de questões econômicas e sociais, e por isso não me considero capaz ainda de traduzir a complexidade de determinados fenômenos em palavras simples para o grande público.
  • Heisenberg  14/05/2014 11:56
    Alguém poderia me esclarecer uma questão?

    Pelas minhas leituras, Mises não era totalmente contra o Estado. Somente era contra o intervencionismo na economia. E assim acho mais sensato, dizendo o motivo conforme abaixo.

    Me lembro de ter lido Norberto Bobbio, e ele, citando Thomas Hobbes, lembra que a sociedade seria uma extrema baderna se fosse completamente livre, simulando a seguinte situação, vejamos:

    O exemplo era basicamente esse: Em uma sociedade livre existem duas empresas gigantes (X e Y) brigando por um pedaço de terra. Ambas elegem um árbitro para solucionar tal conflito. O árbitro decide entregar a terra para a empresa X.

    Ocorre que a empresa Y não concorda com tal decisão, e em virtude de seu poder bélico e econômico resolve por desacatar a decisão do árbitro, tomando a terra a força.

    Quem poderá fazer cumprir a decisão do árbitro, se não o Estado?

    Agradeço se puderem responder tal questionamento.
  • Ricardo  14/05/2014 12:25
    De novo essa pergunta?

    Item 4 do artigo abaixo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1556
  • Heisenberg  14/05/2014 19:45
    Prezado Ricardo, mesmo lendo o trecho do artigo, não estou convencido.

    Pelo que li, guerras apenas trariam prejuízos. Discordo.

    Do artigo que mencionasse extraio o seguinte:
    "Para começar, um governo possui clientes cativos, que não podem optar por não pagar, estejam eles de acordo ou não com a violência do governo. Ademais, dado que o governo tributa seus clientes, e dado que seus clientes não podem se recusar a repassar o dinheiro, os governos não apenas não precisam se preocupar com custos, como eles também podem simplesmente externalizar os custos de suas guerras de uma maneira extremamente eficaz: mandando a conta para seus cidadãos pagadores de impostos. Tal eficácia nenhuma agência privada jamais sonharia ser capaz de conseguir."

    Ora, o que impediria que agencias privadas começassem a tributar indivíduos? O indivíduo poderia se recusar a contribuir mesmo se a agência colocasse uma arma em sua cabeça?

    As agências privadas poderiam, inclusive, condicionar os indivíduos a condição de escravos (podendo auferir renda oriunda desta atividade), o que traria rendimentos as agências privadas espoliadoras.

    E indo mais além. Se as agências privadas começassem a impor os seus costumes a indivíduos sob pena de colocá-los em prisão, o que impediria as agências de agir dessa forma? Outras agências?

    Acredito que outras agências talvez não tenham tanto interesse em mover gastos para defender a liberdade de indivíduos sem pai nem mãe. Ok, talvez tivessem interesse, dependendo do nível de contribuição do indivíduo para com a agência, mas até que ponto?

    Estou falando bobagem?

    Abraços.

  • Ricardo  14/05/2014 23:39
    Não sei se você percebeu, mas esse cenário que você descreveu é exatamente o que já vigora hoje. É nesse cenário que nós vivemos, com o estado fazendo exatamente isso que você descreveu.

    Ou seja, o pior cenário que você consegue imaginar num arranjo sem estado é exatamente o cenário sob o qual já vivemos atualmente.

    É notável como as pessoas não percebem suas contradições.

  • Anonimo  15/05/2014 00:49
    Isto não é argumento. Entre ser espoliado por um grupo (o Estado) ou por vários grupos (as supostas empresas privadas de segurança, acho a primeira situação menos desesperadora.
  • João  15/05/2014 01:05
    Você prefere ser espoliado por uma entidade que detém o monopólio da violência, da polícia e do aparato judicial? Você acha que tal situação é menos desesperadora?

    Então você já vive no paraíso. Curta-o.
  • Heisenberg  15/05/2014 11:48
    Prezado Ricardo, apesar do colega anônimo já ter contribuído na minha resposta, eu complemento.

    Infelizmente, para os anarquistas, há diferença entre monopólio público de polícia e monopólio privado de polícia. Não preciso mencionar os possíveis abusos que ocorreriam com relação ao cumprimento de contratos ou qualquer tipo de obrigação se uma agência privada estivesse no poder.

    A diferença com relação a trâmites de processos e de aplicação de pena poderia ser completamente arbitraria, e não haveria a quem recorrer.

    Qual dos sistemas que as pessoas buscariam? O que visa a imparcialidade e "tem legitimidade" ou o que é, por natureza, PARCIAL?

    Ora, honestamente, o quadro que descrevi é o cenário que exatamente vivemos hoje?
  • Heisenberg  16/05/2014 17:00
    Prezado Fellipe, perdão da ignorância, mas não li os artigos que me recomendasse, pelo seguinte motivo:

    Quando me referi a monopólio privado, não falo de economia. Até porque, sou a favor do anarcocapitalismo.

    Me refiro a monopólio de agências privadas que, em razão do poder econômico, conseguem estabelecer um monopólio do poder de POLÍCIA, em um suposto cenário ausente de Estado.

    Diz-se impossível o referido monopólio privado? A história mostra que os monarcas de antigamente tinham sim o monopólio da força, e por essa razão tomavam decisões completamente arbitrarias.

    Assim, por todos os motivos já colocados, não sou adepto ao anarquismo.

  • Fellipe  17/05/2014 01:47
    Prezado Heisenberg,

    Monarcas de antigamente, até onde sei, eram os donos de determinada terra. Existia briga de família para tomar o controle destas terras (ou ativos), existiam guerras onde outros monarcas tentavam tomar o controle destes ativos, mas dentro do território não existia competição de agencias policiais, o Rei mandava, era o governo. Adicionalmente estou bastante interessado em ler o livro "Democracia: o deus que falhou" - novo lançamento do IMB pois acredito que há bastante esclarecimento sobre este ponto.

    Agencias de segurança privada não têm status de governo e não têm poder de tributação (ou seja, meio de obter recursos via coerção ad infinitum para sustentar confrontos, que custam muito dinheiro) logo não têm interesse em confrontos. Ademais, uma população armada pode ser uma grande barreira a qualquer pretensão injusta, vide os acontecimentos recentes no Bundy Runch, onde a população armada botou pra correr uma agência governamental americana.

    Para finalizar, sugiro ler os artigos linkados no meu comentário anterior para esclarecer o conceito correto de monopólio, que é bem diferente de concentração de mercado. Monopólio é barreira LEGAL de entrada (a violência estatal é usada contra você caso se desrespeite a vontade governamental), mercados concentrados sempre têm ao menos competição potencial que não deixa as empresas relaxarem, diferentemente do arranjo de monopólio/oligopólio/cartel criados e mantidos pelo governo que temos hoje.

    Abs,
  • Heisenberg  19/05/2014 18:30
    Prezado Fellipe,

    Como os monarcas, as agências privadas também podem ser donas de um certo pedaço de terra. Agora, tu me dizes que "...Existia briga de família para tomar o controle destas terras (ou ativos), existiam guerras onde outros monarcas tentavam tomar o controle destes ativos, mas dentro do território não existia competição de agencias policiais, o Rei mandava, era o governo..."

    Agências privadas de hoje poderiam ser entendidas como os reinos de antigamente. Dentro do território, quem manda é o chefe (o governo).

    De acordo com a história do mundo, sempre houve competição e luta entre os homens para ocupar ou roubar certo espaço. Por que agências privadas não teriam o referido interesse? O que as torna diferente dos monarcas do passado?

    Por acaso, monarcas não tinham gastos econômicos para financiar as guerras? Aí vais fundamentar, em contrapartida, que as agências privadas não teriam o poder de tributar. Por que motivo não teriam? É SÓ TER FORÇA PARA ISSO.

    "Ademais, uma população armada pode ser uma grande barreira a qualquer pretensão injusta, vide os acontecimentos recentes no Bundy Runch, onde a população armada botou pra correr uma agência governamental americana."

    Esse tipo barreira a qualquer pretensão injusta pode se dar em qualquer tipo de cenário, COM ou SEM Estado. E vale ressaltar que, da mesma maneira que pode ser uma barreira, pode ser também uma maneira para atingir algum fim injusto.

    Finalizando, confesso que li em partes os links que me recomendasse.
    Fiquei intrigado com o artigo "O mito do monopólio natural", e retirei o seguinte trecho do referido artigo: "A questão que deve ser enfatizada é que, em um livre mercado, a simples perspectiva de entrada de concorrência já obriga as empresas concessionárias a reduzir seus custos e, consequentemente, a não elevar seus preços".

    Mudando de assunto com relação ao monopólio de polícia, e partindo para a seara da economia, lembro de um caso famoso que ocorreu o monopólio natural. O caso era o da "Standart Oil", de John D. Rockefeller, que comprava qualquer refinaria que tentasse iniciar a concorrência à gigante refinaria de petróleo. O Presidente dos Estados Unidos, enfim, acabou por fazer uma lei antitruste justamente por causa desse caso, e encerrou com o monopólio, desmantelando a empresa em várias pequenas.

    Não tinha nada a ver com o meu tema aqui, mas apenas para demonstrar que já houve sim monopólio econômico natural, COM BARREIRAS ECONÔMICAS (sem legalidade ou violência do Estado).

  • Leandro  19/05/2014 18:47
    Uai, Heisenberg, por que você não terminou de contar a história da Standard Oil? Por que parou na metade? Por que não disse que a decisão do governo de atacar a empresa ocorreu em 1911, quando a empresa já estava em total declínio?

    Permita-me aqui colar um trecho da obra do historiador Gabriel Kolko, que é assumidamente de esquerda e anti-capitalista:

    "Em 1899 havia sessenta e sete refinarias de petróleo nos EUA, sendo que uma - a Standard Oil - predominava. Ao longo da década seguinte, o número aumentou gradualmente para 147 refinarias.

    Até 1900, a única concorrente substancial da Standard Oil era a Pure Oil Company, formada em 1895 por produtores da Pensilvânia com um capital inicial de $10 milhões.
    Já em 1906 ela desafiava o domínio que a Standard Oil tinha sobre oleodutos, construindo os seus próprios.

    E em 1901 a Associated Oil of California foi formada com um capital social de $40 milhões, em 1902 a Texas Company foi formada com um capital de $30 milhões, e em 1907 a Gulf Oil foi criada com um capital de $60 milhões. Em 1911, o total de investimentos da Texas Company, Gulf Oil, Tide Water-Associated Oil, Union Oil of California e Pure Oil era de $221 milhões. De 1911 a 1926, o investimento da Texas Company cresceu 572%, o da Gulf Oil, 1.022%, o da Tide Water-Associated, 205%, o da Union Oil, 159%, e o da Pure Oil, 1.534%."

    Ou seja, de que monopólio natural você está falando? Parece que há alguém aqui precisando de rever algumas lições básicas de história...

    Dica: tudo aquilo que a sua professora de 8ª série lhe ensinou sobre o assunto estava errado.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=366
  • Heisenberg  19/05/2014 21:07
    Prezado Leandro,

    Não sei qual é o objetivo de dizer que tudo o que minha professora da 8a série ensinou estava errado, mas tudo bem.

    Minhas fontes são apenas o History Channel, que contradizem a versão de Gabriel Kolko.

    De acordo com o History Channel, a Standart Oil, em 1890, possuía 90% das refinarias e oleodutos do país. E justamente, em 1890, o Congresso dos EUA aprovou a Lei Antitruste Sherman, a primeira legislação federal proibir trustes e combinações que restringia o comércio. Curiosamente, extraindo do texto que me enviasse, "...Em 1899 havia sessenta e sete refinarias de petróleo nos EUA, sendo que uma - a Standard Oil - predominava. Ao longo da década seguinte, o número aumentou gradualmente para 147 refinarias.".

    Isto é, foi possível acabar com o monopólio natural com a aprovação da primeira legislação federal a proibir trustes.

    Para melhor esclarecer o que digo, segue abaixo o trecho do texto do site do History Channel:

    "Standard Oil ganhou um monopólio na indústria do petróleo através da compra de refinarias rivais e desenvolvimento de empresas de distribuição e comercialização dos seus produtos em todo o mundo. Em 1882, essas diversas empresas foram combinados para a Standard Oil Trust, que passariam a controlar cerca de 90 por cento das refinarias e oleodutos do país. A fim de explorar economias de escala, a Standard Oil fez tudo a partir de construir seus próprios barris de petróleo para empregar cientistas para descobrir novos usos para derivados de petróleo.

    Enorme riqueza e sucesso de Rockefeller fez dele um alvo de jornalistas sensacionalista, políticos de reforma e outros que o viam como um símbolo da ganância corporativa e criticou os métodos com os quais ele construiu seu império. Como o New York Times noticiou em 1937: "Ele foi acusado de esmagar a concorrência, ficar rico em descontos de ferrovias, subornar homens para espionar empresas concorrentes, de fazer acordos secretos, de coagir os rivais para se juntar a Standard Oil Company, sob ameaça de ser forçado a sair do negócio, a criação de enormes fortunas, sobre as ruínas de outros homens, e assim por diante. "

    Em 1890, o Congresso dos EUA aprovou a Lei Antitruste Sherman, a primeira legislação federal proibir trustes e combinações que restringia o comércio. Dois anos depois, a Suprema Corte de Ohio dissolveu a Standard Oil Trust; no entanto, as empresas dentro a confiança logo se tornou parte da Standard Oil of New Jersey , que funcionava como uma holding. Em 1911, após anos de litígio, a Suprema Corte dos EUA decidiu a Standard Oil of New Jersey foi em violação das leis anti-trust e obrigou a desmontar (foi dividido em mais de 30 empresas individuais)."

    (www.history.com/topics/john-d-rockefeller)

    Como pode ver, alguém está querendo distorcer os fatos.
  • Leandro  19/05/2014 21:51
    Oh, boy... Mais um. Historiador querer fazer análise econômica sempre resulta em comicidade.... De fato, alguém está querendo distorcer os fatos. Por isso, vamos a eles.

    Em primeiro lugar, entenda: um empresa comprar ativos de outra empresa não configura monopólio. Monopólio, por definição, é quando a entrada de concorrência em um determinado mercado é proibida pelo governo (vide agências reguladoras). A TAM comprar a GOL não configura monopólio; a TAM comprar a GOL e a ANAC proibir que empresas estrangeiras venham aqui fazer vôos nacionais configura monopólio. Entendeu a diferença?

    Sobre a Standard Oil, é curioso que, durante esse "monopólio", o preço do barril de querosene caiu de 30 centavos para 6 centavos. Curiosamente, essa "reportagem" nada falou sobre isso. Há uma grande diferença entre querer fazer panfletagem e ter compromisso com a verdade.

    E esse tal Rockefeller devia bem bonzinho, pelo visto. Tinha monopólio total e ainda assim reduziu seus preços em incríveis 80%. Aliás, foi por isso que o governo destruiu a empresa em 1911: seus concorrentes fizeram lobby pois não conseguiam concorrer com seus preços.

    Queria eu ser vítima de um monopólio assim. Ainda bem que temos a Petrobras, que opera em regime de livre concorrência plena e preços em queda...

    Sobre todos os detalhes do Sherman Act, recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1319

    E para saber coisas que sua professora não lhe contou sobre a Standard Oil, recomendo este:

    mises.org/daily/5274/100-Years-of-Myths-about-Standard-Oil

    Por outro lado, se quiser continuar acreditando em panfletagens que ocultam criminosamente fatos cruciais (como a queda de preços), nada posso fazer por você.

    Abraço!
  • Heisenberg  20/05/2014 14:51
    Prezado Leandro,

    Não quero ser chato, mas vou ser teimoso.

    O conceito atual de monopólio pode até ser esse que falasse, mas quando me referi a ele, me referi etimologicamente, isto é: Monopólio (do grego mono = um + polist = vendedor), um caso extremo de concorrência em que um único vendedor tem o controle total da oferta de determinado produto ou serviço (seja para o bem, seja para o mal).

    Mas enfim, se o conceito é esse que me dizes, estais correto. Realmente, o Rockefeller não detinha o TOTAL controle da oferta de determinado produto ou serviço, afinal, ele só tinha 90% do controle do mercado. Ademais, o governo não o protegia e nem garantia o seu monopólio.

    Igualmente, ele não aumentou o preço dos derivados de petróleo exorbitantemente. Por isso ele não era um monopolista (de acordo com sua teoria), em que pese ser o "único" vendedor interessante do do produto ou serviço.

    Me intrigo com isso: Por que a reportagem do History Channel toca no termo monopólio? É triste saber que uma referência dessas informa erroneamente as pessoas.

    Mas não dá pra parar por aqui.

    No artigo que me recomendasse, de acordo com as palavras de "John McGee, who studied the Standard Oil case in unprecedented depth [...] Standard Oil did not use predatory price cutting to acquire or keep monopoly power." Ou seja, a Standart Oil não usou da referida prática pra se manter com o poder do "monopólio". Novamente aqui, usa-se a expressão monopólio, mesmo sem haver concessão exclusiva do governo. Assim, confesso que estou confuso.

    Ademais, John Mcgee afirma que:

    "...(That is, predatory pricing costs the supposed predator far more than it costs the prey, who can further expand the cost difference by temporarily shutting down. Unless the predator is allowed to buy up a victim driven to bankruptcy, others can buy up those assets cheaply, thus allowing them to again compete with the predator and reenter effective competition. Without the ability to prevent entry once monopoly pricing is attempted, the monopoly payoff disappears. Because it requires monopoly power to finance predation, predation cannot be the source of monopoly power.)...".

    Diz ele que o corte de custos ficaria caro demais ao predador para valer a pena.

    Se Rockefeller fechava uma de suas refinarias em determinado lugar dos EUA para evitar a odiada concorrência das ferrovias, o que o impediria de cortar os preços por tempo indeterminado até acabar com a concorrência de outras refinarias?

    Essa lógica de que outras pessoas comprariam os seus ativos e a concorrência retornaria me parece estranha e improvável, até porque é óbvio que ele poderia prever essa consequência, e logicamente evitá-la de alguma forma.

    De acordo com o artigo isso seria impossível?

    Sei não, mas a lógica mais provável, pra mim, é que ele conseguiu acabar com a concorrência no livre mercado (oferecendo melhores preços), e tiveram que apelar para a força, independentemente se isso era bom para o consumidor ou não.

    Há teorias, inclusive, que, no momento em que ele acabasse com a concorrência, os preços voltariam a subir, vindo a prejudicando a população. Não quero dizer se isso é certo ou errado, ou se ia acontecer ou não, mas realmente existia essa possibilidade.

    Veja bem, não quero entrar na esfera de que Rockefeller era bom ou não pra população, talvez fosse a melhor coisa que já tivesse acontecido para os EUA, por sua eficiência etc.

    O fato é que, em razão de sua eficiência ser energicamente maior que a dos concorrentes, Rockefeller pagou um preço caro de ser acusado de "monopólio" injusto do mercado.
  • Leandro  20/05/2014 15:12
    "Se Rockefeller fechava uma de suas refinarias em determinado lugar dos EUA para evitar a odiada concorrência das ferrovias, o que o impediria de cortar os preços por tempo indeterminado até acabar com a concorrência de outras refinarias?"

    O que o impediria? Seu bom senso e sua inteligência.

    É inacreditável como esse espantalho perdura até hoje. E isso nem é questão de economia, mas sim de administração. Pergunte a qualquer administrador por que ele não "abaixa seus preços até quebrar a concorrência" e ele certamente dará uma sonora gargalhada na sua cara, tamanha a sua ingenuidade.

    Essa ideia de que uma empresa é capaz de praticar preços predatórios para eliminar a concorrência e, logo em seguida, com a concorrência já eliminada,voltar a subir os preços e, com isso, jogar os consumidores na miséria é completamente sem sentido. Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

    Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

    Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.

    Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

    Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

    E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

    E você estranha que Rockefeller não tenha tido essa "brilhante" ideia? Sério?


    "Sei não, mas a lógica mais provável, pra mim, é que ele conseguiu acabar com a concorrência no livre mercado (oferecendo melhores preços), e tiveram que apelar para a força, independentemente se isso era bom para o consumidor ou não."

    Juro -- de pé junto e ajoelhado -- que não entendo essa lógica. As pessoas condenam monopólio (mesmo nas mais elásticas definições desse termo) justamente porque um monopolista pratica preços altos. Agora, pelo visto, se uma empresa que não é monopolista nem mesmo pela definição mais frouxa do termo pratica preços considerado excessivamente baixos, ela também é criticada.

    Sério, o que vocês realmente querem? Se uma empresa pratica um preço muito alto, é monopólio e ela deve ser destruída. Se pratica um preço muito baixo, é concorrência predatória e ela deve ser impedida. Se pratica o mesmo preço das demais, é cartel e ela deve ser punida. Ilumine-me, por favor.

    "Há teorias, inclusive, que, no momento em que ele acabasse com a concorrência, os preços voltariam a subir, vindo a prejudicando a população. Não quero dizer se isso é certo ou errado, ou se ia acontecer ou não, mas realmente existia essa possibilidade."

    Como expliquei, tais "teorias" fazem o macaco Simão parecer Aristóteles.

    "O fato é que, em razão de sua eficiência ser energicamente maior que a dos concorrentes, Rockefeller pagou um preço caro de ser acusado de "monopólio" injusto do mercado."

    Agora sim você falou algo correto. Ele foi penalizado pelo governo por ser eficiente demais. E isso é lamentável.
  • Heisenberg  20/05/2014 17:08
    Prezado Leandro,

    Não haveria razão humana para punir Rockefeller se ele não estivesse no topo da cadeia. Por isso repiso o fato de que a concorrência apanhou economicamente para ele, e, infelizmente, acabaram usando da força para desbancá-lo (muito embora existam versões que indiquem que a Standart Oil já estava em decadência econômica).

    De que maneira ele permaneceu no topo por todo aquele tempo, eu não sei; sei que foi assim.

    A lógica do governo naquela época seria em benefício de certos indivíduos e não do consumidor. É assim que os humanos, em sua maioria, ainda atuam quando estão sob o comando da força. Portanto, não é uma lógica comum.

    Concordo com tudo o que você disse, com relação a minha ingenuidade de pensar ser possível baixar os preços dos produtos para quebrar a concorrência. Em melhor análise, também acredito ser improvável que ele tenha procedido da forma que falei.

    No mais, fico agradecido pelos esclarecimentos.

  • Leandro  20/05/2014 17:13
    "Não haveria razão humana para punir Rockefeller se ele não estivesse no topo da cadeia. Por isso repiso o fato de que a concorrência apanhou economicamente para ele, e, infelizmente, acabaram usando da força para desbancá-lo (muito embora existam versões que indiquem que a Standart Oil já estava em decadência econômica)".

    Exatamente. As outras empresas recorreram ao governo para puni-lo. E é justamente esse arranjo -- governo protegendo uns e atacando outros -- que é vigorosamente criticado neste (perdendo apenas para o socialismo/comunismo).

    "A lógica do governo naquela época seria em benefício de certos indivíduos e não do consumidor."

    A lógica de qualquer governo, em qualquer época, sempre foi e sempre será essa. Trata-se do arcaico mercantilismo-favoritismo-protecionismo. Varia apenas o grau de descaramento com que cada governo age assim.

    Grande abraço!
  • Eduardo Bellani  17/05/2014 15:01

    Olá.

    Quando me referi a monopólio privado, não falo de economia. Até
    porque, sou a favor do anarcocapitalismo.


    Você é então adapto do anarquismo?

    Me refiro a monopólio de agências privadas que, em razão do poder
    econômico, conseguem estabelecer um monopólio do poder de POLÍCIA, em
    um suposto cenário ausente de Estado.


    Então você tem medo que, sem o estado, o estado surja novamente? Logo,
    é melhor não acabar com o estado?

    Assim, por todos os motivos já colocados, não sou adepto ao
    anarquismo.


    Então você não é adepto do anarquismo?

    Recomendo a leitura
    [link=www.mises.org.br/Article.aspx?id=1556][deste artigo], em
    especial a objeção número 10.

    Abraços.
  • Heisenberg  19/05/2014 19:03
    Olá, Eduardo,

    Em resposta a primeira pergunta "Você é então adapto do anarquismo?"
    Não sou adepto ao anarquismo. Quando falo anarcocapitalismo, me refiro a intervenção mínima do Estado na economia, ou seja, na existência de um Estado que atue na proteção da propriedade, sem atuar na economia. Assim, muito embora seja obrigado a tributar para sobreviver (mal necessário), o Estado não atua na regulamentação de preços de troca de bens, prestação de serviços, ou protecionismos etc.

    Em reposta a segunda pergunta "Então você tem medo que, sem o estado, o estado surja novamente? Logo, é melhor não acabar com o estado?"
    Não tenho medo que o Estado retorne, até porque, o Estado é, de certa forma, a imposição de força e moral, e isso sempre existiu e existirá. Desde a instituição da família, o Pai poderia ser considerado como a figura do Estado, e sempre alguém quis sobrepujar ou substituir o Pai. A resposta é: alguém sempre irá ocupar o seu lugar. E quem irá impedir que haja um soberano? Um ser mais forte, ou igualmente forte. Então, caro colega, não tem escapatória.

    Em resposta a terceira pergunta "Então você não é adepto do anarquismo?"
    Não sou adepto ao anarquismo.
    Li o item que me recomendasse daquele artigo. E ah, já tinha lido o artigo há algum tempo atrás, e claro, não fiquei convencido. Se puderes me esclarecer algum ponto que não entendi, pelo fato de eu não ter mudado de ideia, agradeço.
  • Fellipe  20/05/2014 12:03
    Prezado Heisenberg

    Respondendo os principais pontos dos seus últimos comentários (não vou entrar na questão da falácia da Standard Oil pois o Leandro já respondeu de forma definitiva):

    "Como os monarcas, as agências privadas também podem ser donas de um certo pedaço de terra. Agora, tu me dizes que "...Existia briga de família para tomar o controle destas terras (ou ativos), existiam guerras onde outros monarcas tentavam tomar o controle destes ativos, mas dentro do território não existia competição de agencias policiais, o Rei mandava, era o governo..."

    Agências privadas de hoje poderiam ser entendidas como os reinos de antigamente. Dentro do território, quem manda é o chefe (o governo)."

    - A analogia que você faz não tem sentido, o cenário de agencias de segurança privada ocorre em um arranjo SEM ESTADO.

    Como o Eduardo já pontuou anteriormente, o item 10 do artigo Dez objeções típicas ao anarquismo libertário explica bem esta questão, por favor releia (você diz que já leu anteriormente) e veja se consegue ver com outros olhos os argumentos, após nossa discussão.

    "Não sou adepto ao anarquismo. Quando falo anarcocapitalismo, me refiro a intervenção mínima do Estado na economia, ou seja, na existência de um Estado que atue na proteção da propriedade, sem atuar na economia. Assim, muito embora seja obrigado a tributar para sobreviver (mal necessário), o Estado não atua na regulamentação de preços de troca de bens, prestação de serviços, ou protecionismos etc."

    - Acho que você está se confundindo, o que você informa ser adepto não é anarco-capitalismo, é MINARQUISMO. Nós anarco-capitalistas defendemos a não existência de estado (ao menos o que existe hoje como estado, a saber: o monopólio da tributação, da força e da legislação em determinado território).

    Recomendo este resumo do anarquismo de mercado do Erick Vasconcelos para esclarecimentos: Uma introdução ao anarquismo de mercado

    Abs,
  • Heisenberg  20/05/2014 17:23
    Prezado Fellipe,

    Obrigado pela correção com relação a minha confusão de termos. Realmente, interpretei errado. Sou, a partir de agora, MINARQUISTA.

    No que se refere ao meu exemplo sem sentido, talvez eu não tivesse sido tão claro. Para esclarecer, tomo o seu exemplo emprestado de conceito de Estado e adapto a minha hipótese obscura, vejamos:

    "ao menos o que existe hoje como estado, a saber: o monopólio da tributação, da força e da legislação em determinado território".

    Num suposto cenário ausente de Estado, uma agência privada pode muito bem, em um determinado território que ela possua, deter o monopólio da tributação, da força e da legislação, certo? Ou isso é impossível? O que torna a agência diferente do Estado?
  • Hay  14/05/2014 12:49
    O exemplo não faz lá muito sentido, por vários motivos:

    1) A empresa X não tem nenhum poder? Simplesmente se deixará invadir sem reagir? Afinal, ela é gigante.
    2) A empresa Y começaria a ter problemas já antes de começar a invasão, pois ninguém iria se arriscar a fazer negócios com eles.
    3) Invasões do tipo citado custam muito, muito, mas muito dinheiro. Muito dinheiro mesmo. As empresas X e Y ficariam rapidamente enfraquecidas e descapitalizadas. Rapidamente uma empresa Z se se aproveitaria da briguinha para tomar o mercado deles.

    Eu tenho sérias dúvidas quanto ao anarcocapitalismo. Porém, de todos os cenários possíveis e imagináveis, esse é um dos dos mais inverossímeis.
  • Marcos  14/05/2014 12:56
    Vamos acompanhar os comentários.
  • Junior  14/05/2014 13:22
    Como dizia meu avô, "em excesso até arroz branco faz mal",
    Temos que ter em mente que embora a economia livre seja um sistema produtivo muito mais eficiente, a presença do estado é obrigatória para manter a ordem e o direito, a influencia do estado na economia em quase todos os casos atrapalha, já que muitas vezes da vantagem a um competidor menos eficiente, e é isso que o liberalismo econômico defende, e não a ausência do estado em si, já que ele funciona como um mediador de conflitos, imagine se não houvesse um estado com poder de execução para o caso de inadimplência, teríamos de ter cobradores de contas armados? o estado de direito é necessário para fazer valer os acordos comerciais, para fazer valer a propriedade privada e para regular a atividade comercial e econômica de maneira que se evitem abusos, mas não creio que deva influenciar na produção e muito menos tenha controle acionário em empresas de qualquer tipo.
  • Johnny  14/05/2014 15:54
    Lendo o site todos os dias, é raro não ter um comentário deste teor nos artigos.
    Isto me leva a pensar que diversas pessoas caem de paraquedas aqui.

    Tudo que você citou que justificaria o estado poderia ser um serviço prestado por agentes privados. Com relação aos cobradores de contas armados, veja só, esse é o próprio estado com seus impostos e taxas... sobre regulação contra abusos, há diversos artigos aqui sobre isso, a pergunta aqui obviamente seria "quem define abusos", e a resposta seria o ser onisciente por trás do orgao estatal (cade, aneel, anatel etc etc), ou seja, todas devem prestar um baita serviço no seu ponto vista.
  • Pobre Paulista  14/05/2014 16:29
    imagine se não houvesse um estado com poder de execução para o caso de inadimplência, teríamos de ter cobradores de contas armados

    Eu imagino muitas coisas e nenhuma delas envolve estado. Eu pessoalmente assumiria a perda e não venderia mais nada para essa pessoa, mas jamais apelaria para a violência. Claro que se algum dia ela quiser pagar com juros ela será bem vinda. Não precisei de governo pra isso.

    Agora imagine um estado com poder de execução. Ele irá poder subtrair seus bens quando bem entender. Em alguns lugares do mundo poderá tirar até sua vida. É isso que você defende?

    o estado de direito é necessário para fazer valer os acordos comerciais...

    Ah é? Nós vivemos em um estado de direito hoje e ainda assim os acordos comercias não são cumpridos. E agora?
    Mas vou te ajudar. Para os acordos serem cumpridos é necessário ética e honestidade. E governo nenhum fornece isso.

    ...para fazer valer a propriedade privada...

    Só até o governo te expulsar da tua casa para construir uma estação de trem ou doar parte de sua fazenda para terroristas.

    ...regular a atividade comercial e econômica de maneira que se evitem abusos...

    Abusos? Agências reguladoras criam oligopólio e serviços caros e ineficiente. Livre concorrência gera produtos baratos e de qualidade. Isso é um abuso para você? Só se você for sócio de alguma empresa oligopolista. Ou funcionário público, que são os únicos esquerdistas que defendem o próprio patrão.
  • Funca Federal  15/05/2014 00:09
    Pobre Paulista

    "Livre concorrência gera produtos baratos e de qualidade"

    Isso é muito bonito nos livros acadêmicos, na prática tem existir regulação sim.

    Vai sonhando....
  • Liam  15/05/2014 01:16
    O funça defende o atual modelo de mercado regulado e depois ironiza dizendo que a livre concorrência (que não existe segundo confissão dele próprio) não gera produtos e serviços de qualidade.

    Além da deformidade moral de viver à custa do suor alheio, ainda sofre de dissonância cognitiva.
  • Pobre Paulista  25/05/2014 15:38
    Por favor me apresente um lugar do mundo onde você pôde observar um livre mercado pleno para que eu me mude para lá imediatamente. Gostaria de constatar suas observações pessoalmente. Grato.
  • anônimo  25/05/2014 18:50
    Então explique porque as regulações só aparecem depois que o mercado vem com uma inovação qualquer.
    Agora por ex, já estão querendo regular drones e impressoras 3d
  • Dom Comerciante  25/05/2014 14:49
    ""Num suposto cenário ausente de Estado, uma agência privada pode muito bem, em um determinado território que ela possua, deter o monopólio da tributação, da força e da legislação, certo? Ou isso é impossível? O que torna a agência diferente do Estado?""
    E... ninguém seria obrigado a pagar impostos pois não existiria estado, apenas uma empresa com pretensões estatizantes.
    Nota: Sou Liberal austríaco/Minarquista e recomendo que abra mais a sua mente a iniciativa privada.
  • Carlos Prado  26/05/2014 12:16
    As pessoas acreditam mesmo que podem controlar o mundo para deixá-los como elas querem? Elas entendem como funciona a agricultura e todo o sistema envolvido de pesquisa, desenvolvimento e produção dos fertilizantes, da logística e da distribuição do produto, dos maquinários, manutenção e tudo o mais? Elas sabem ao menos fazer um feijão no algodão dar 1 kg de feijão por mês? Sabem como produzir um carro, convencer alguém a comprá-lo e levá-lo até o comprador? Querem distribuir comida, casas e até eletrônicos mas não sabem como fazer nada disso...

    Como que uma pessoa que não entende nem como arrumar o próprio quarto pode querer arrumar o mundo? Se vissem o trabalho de modelagem computacional que faço agora, onde de 5 espécies se dou um pequeno incentivo de 0.0005 para uma já perco o equilíbrio(dinâmico) entre elas e atinjo a "escassez"-extinção de outra veriam que não há como uma pessoa se colocar acima do sistema para controlar tudo e o negócio dar certo.


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