clube   |   doar   |   idiomas
Como evitar outra Ucrânia

Atualmente, todas as nações tratam as pessoas, as empresas e os recursos naturais dentro de suas fronteiras como se fossem propriedades do estado.  Alguns recursos, como petróleo e minerais, são de fato propriedade de vários governos nacionais. 

Mesmo naqueles países em que há vários recursos naturais em mãos privadas, como nos EUA, o governo controla todos os importantes aspectos das indústrias destes setores, com uma apertada regulação.  Como resultado, quando ocorrem contendas internacionais, esses governos utilizam seus cidadãos inocentes como ativos de guerra para proteger os interesses dessas empresas reguladas.  Simultaneamente, os governos belicistas proíbem todas as empresas privadas nacionais de praticarem transações comerciais com os cidadãos do outro país que está sendo atacado.  O intuito destas sanções é punir o governo inimigo, mas, na prática, os maiores punidos são os cidadãos inocentes.  No que mais, nenhuma compensação é oferecida pelos prejuízos e pelas perdas comerciais sofridas pelas empresas inocentes.

Essas sanções jamais conseguiram atingir o objetivo de deixar os governos estrangeiros de joelhos; elas lograram apenas agravar a questão que está sob disputa. 

Por exemplo, após a ocupação russa da Criméia, a Rússia ridicularizou a reação instintiva e automática dos EUA e da Europa de congelar algumas contas bancárias russas e de negar a determinados russos o direito de viajar até o Ocidente.  Duvido muito que alguém realmente acreditou que essas penalizações econômicas iriam funcionar como almejado; tudo não passou de jogo de cena apenas para mostrar ao mundo — e ao governo russo — que o Ocidente estava "fazendo alguma coisa". 

Tais ações, aliás, serviram apenas para agravar a situação.  A Rússia agora ameaça retaliar cortando o fornecimento de gás natural aos seus consumidores da Europa Ocidental.  Ao contrário das simplórias ações dos EUA e da Europa, essa ameaça russa tem sua eficácia, pois, como bem disse recentemente o Ministro de Energia da Alemanha, Sigmar Gabriel, "não há alternativa sensata" à importação de gás da Rússia.

Não sabemos se essa crise na Ucrânia poderia ter sido evitada.  Porém, analisemos algumas políticas que podem evitar, ou ao menos atenuar, outras possíveis crises semelhantes.

Livre comércio

A centelha que inflamou a anexação russa da Criméia tem suas raízes no livre comércio — ou melhor, na ausência dele.  A oposição ucraniana era contra a participação do país em um mercado comum, porém restrito, com a Rússia.  Ela defendia que, em vez de um mercado comum com a Rússia, o país se juntasse à União Europeia. 

O presidente da Ucrânia, Victor Yanukovych, vinha há meses dando a entender que estava negociando um acordo com a União Europeia.  E então, repentinamente, ele deu uma guinada radical e anunciou que o país iria aderir a uma união aduaneira com a Rússia.

A subsequente fúria da maioria dos ucranianos acabou levando à derrubada do governo de Yanukovych, à determinação dos revolucionários de se juntar à União Europeia, e à tomada russa da Criméia.  Será que tudo isso poderia ter sido evitado?

A União Europeia de fato promete livre comércio, mas apenas dentro de suas fronteiras.  A União impõe cotas e tarifas de importação para produtos de fora da UE.  Sendo assim, o impacto sobre a Rússia de a Ucrânia se tornar membro da União Europeia seria similar ao impacto que ocorreria sobre os EUA caso o Canadá se juntasse à UE e saísse do NAFTA (ignoremos aqui o fato de que o NAFTA é um falso acordo de livre-comércio entre EUA, Canadá e México).  O importante comércio americano com o Canadá seria substancialmente reduzido e isso geraria desastrosas consequências para ambos os países.

Infelizmente, há um perigoso adendo militar à questão da Ucrânia se juntar à UE: quase todos os membros da UE também são membros da OTAN.  Muitos países do Leste Europeu que faziam parte do Pacto de Varsóvia se juntaram à OTAN logo depois de terem se juntado à UE.  Sem dúvidas, a Rússia concluiu que a Ucrânia seguiria os mesmos passos, e isso faria com que a Rússia tivesse um membro da OTAN em seu quintal.  Nada bom.  A situação seria semelhante à da Crise dos Mísseis em Cuba, quando os EUA quase entraram em guerra nuclear com a Rússia para impedir que Cuba se juntasse ao Pacto de Varsóvia e, com isso, mantivesse forças nucleares russas no quintal americano.

Foi a suposição de que a Ucrânia se juntaria a uma dessas duas uniões aduaneiras o que gerou a crise.  A população da Ucrânia é dividida em dois lados: o leste da Ucrânia e a Criméia são pró-Rússia, e o resto da Ucrânia é pró-Ocidente.  A opinião pública e as lealdades na Ucrânia são igualmente divididas e parecem intratáveis.  Qualquer movimento de união a uma ou a outra união aduaneira iria inevitavelmente gerar indignação do outro lado.    

Mas o povo ucraniano não precisa ser confrontado com apenas estas duas alternativas perigosas.  A Ucrânia deveria permanecer livre de todos esses emaranhados econômicos e não se juntar a nenhuma união aduaneira.  Ela deveria unilateralmente se declarar uma nação livre para comercializar com quem quiser, e aceitar importações e investimentos estrangeiros oriundos de qualquer lugar.

Uma economia de mercado desobstruída e o estado de direito

A reação da Rússia às sanções econômicas do Ocidente contra alguns de seus principais cidadãos foi a de ameaçar cortar o vital fornecimento de gás natural para a Europa.  No entanto, em situações normais, mesmo com o gás sendo propriedade do estado russo, essa recusa em honrar contratos resultaria em severas penalidades econômicas sendo impostas a empresas russas por quebra de contrato de seu governo.  Dado que o suprimento de gás é controlado pelo estado russo, clientes estrangeiros poderiam requerer na justiça a aprovação para arrestar ativos nacionais russos completamente não-relacionados ao setor de gás, como por exemplo navios e aviões. 

Isso ocorreu com ativos de empresas brasileiras na década de 1980 — majoritariamente aviões e navios — em consequências de seu governo ter dado o calote em sua dívida externa.  E isso ainda está ocorrendo com os argentinos desde meados da década de 2000.  A presidente da Argentina, sempre que voa para o estrangeiro, voa em aviões comerciais, e não em aviões militares argentinos, pois um avião da Força Aérea argentina seria arrestado pelos credores internacionais da Argentina em praticamente qualquer lugar do mundo. 

Mas o problema atual é que os países europeus não têm alternativa a não ser ceder à chantagem russa.  Estes países regularam de tal modo seus próprios mercados de energia, que se tornaram completamente dependentes da produção de energia de semi-ditaduras excêntricas, como a Rússia. 

Se as empresas de energia da Europa não tivessem sido tolhidas pelas regulamentações de seus governos (majoritariamente influenciados por pressões ambientalistas) e fossem livres para explorar todas as possibilidades de fontes domésticas de energia, elas iriam adorar todas as vezes que um de seus principais concorrentes desse um tiro no próprio pé ao se recusar a honrar seus contratos.  Elas iriam expandir a produção e recapturar rapidamente uma fatia do mercado europeu hoje dominado pela Rússia.  Da mesma maneira, se os EUA tivessem um livre mercado no setor energético, suas empresas rapidamente passariam a vender gás natural para a Europa.  No entanto, há leis americanas que proíbem a exportação de gás natural, outro insulto ao bom senso econômico.

A Europa e os EUA foram rápidos em congelar as contas bancárias e outros ativos de propriedade russa.  Mas que direito têm esses países de obrigar essas empresas privadas (no caso, bancos e algumas imobiliárias) a desonrar seus contratos?  Os bancos de investimento de Nova York, Londres e Frankfurt sofrerão várias perdas no futuro, à medida que empresários russos e de outras nações em contenda com os EUA e a Europa começarem a levar seu dinheiro e seus negócios para países mais neutros.  Como sempre explicou Ludwig von Mises, é o consumidor quem direciona a estrutura da economia por meio de suas decisões de comprar e de se abster de comprar.  Portanto, no final, serão os cidadãos comuns de ambos os lados da contenda os que mais irão sofrer com as ações arbitrárias de seus governos, os quais querem utilizar os empreendimentos privados destes cidadãos como armas nessa disputa.

O pleno respeito ao estado de direito, aos direitos de propriedade e à santidade dos contratos forçaria os países em contenda a solucionar suas divergências pacificamente.  Um saudável respeito pelas leis e a não-interferência em questões econômicas evitariam o surgimento de várias crises.  Tivesse a Ucrânia se declarado uma nação adepta de um genuíno livre comércio, sem querer fazer parte de artificiais uniões alfandegárias regionais, certamente não haveria protestos, não haveria revolução e não haveria anexação russa da Criméia.



autor

Patrick Barron
é consultor privado da indústria bancária.  Ele leciona na pós-graduação da Universidade de Winsconsin, Madison, na área de sistema bancário, além de ensinar economia austríaca na Universidade de Iowa, onde vive com sua esposa.

  • Rafael Bastos  09/04/2014 14:19
    Na prática as sanções impostas pelos Estados Unidos e EU aparentemente não tem qualquer efeito a não ser dar a impressão para a oposição americana de que Obama é um covarde e ser motivo de piadas. Porém elas podem ser mais amargas do que o imaginado pois parecem estar gerando um pânico sobre os investidores que podem ainda neste ano retirar do país 150 bilhões de dólares em capitais tornando assim a expectativa de crescimento do PIB russo negativa. Sem contar a possibilidade de guerra que poderia ser uma catástrofe para todos os envolvidos, economicamente e socialmente falando

    www.em.com.br/app/noticia/internacional/2014/03/26/interna_internacional,511944/crise-na-ucrania-pode-provocar-queda-de-1-8-do-pib-da-russia.shtml

    www.diariodarussia.com.br/economia/noticias/2014/03/27/fuga-de-capitais-da-russia-pode-atingir-us-100-bilhoes-em-2014/

    Porém de igual maneira, como bem escreveu o autor do artigo, o Ocidente perde e muito, primeiro pela dependência europeia do gás russo, imaginem a Alemanha no inverno sem gás! Seria o caos que o Kremlin estaria disposta a pagar pra ver, mas o pior é que nesta tentativa de isolação da Federação Russa o Ocidente poderia estar na verdade aproximando ela ainda mais da China.Algo politicamente falando, catastrófico para os EUA.
  • Emerson Luis, um Psicologo  09/04/2014 15:01

    Em resumo: os líderes políticos interferem na liberdade econômica para retaliar os líderes de outros países e suas próprias populações pagam o preço.

    * * *
  • Mr. Magoo  09/04/2014 16:07
    Ou seja, Émerson; nacional-socialismo
  • Pedro Ferreira  09/04/2014 15:34
    Considerações económicas à parte, cada pais tem o direito de seguir o seu futuro, e como este artigo fala não só sobre considerações económicas mas também politicas, tenho de deixar a minha contribuição.
    E a Ucrânia à muito tempo que é tratada como um estado escravo pelo vizinho Russo, que o queria agora tornar numa ditadura à Russa. Assim sendo com alguma ajuda ou não da UE e EUA, a população revoltou-se contra este estado de coisas, e como o exercito e a policia Ucranianas não os quiseram matar, a revolução vingou (apenas os snipers RUSSOS da base RUSSA na cidade de Sevastopol não foram suficientes para conter a revolta, mesmo matando 100 manifestantes).
    A Ucrânia é um pais independente, não deveria precisar do seu antigo Paizinho Russo para decidir o que deve ou não fazer com a sua vida... para mais quando o seu antigo paizinho, agora é uma ditadura cada vez mais autocratica, que não gosta minimamente de nada que seja democrático, e já provocou tantas desgraças ao longo da história neste pais.
    Se o Ocidente não fizer frente a este menino Putin que já invadiu a 6 anos parte do territorio da Geórgia não sei onde este mundo cão vai parar...
    É verdade que os Estados Unidos já causaram muitas guerras e não são inocentes, mas os Russos também já causaram muitas, e o Putin justificar-se com os erros passados dos outros não serve de nada.
    Todos os estados da europa de Leste quiseram entrar na UE e na NATO de livrem vontade, não foram invadidos para terem de escolher então, a Ucrânia foi invadida para não puder entrar.
  • Carlos  09/04/2014 19:20
    Um país não é um ser para ter direitos. Quem tem direitos são as pessoas que neles residem, e esses não estão sendo respeitados nesse jogo de xadrez.
  • Andre Cavalcante  09/04/2014 15:37
    Sinceramente não entendi qual o grande problema na Ucrânia. Se a maioria russa quer fazer parte da Rússia, que deixem os russos na Rússia, ora bolas. Se a maioria ucraniana quer fazer parte da Europa, que seja Europa.

    E sobre a possível guerra: bem, os ativos militares da Europa não estão assim tão bons. As últimas investidas em territórios muito menos competente no negócio da guerra mostrou que mesmo europeus e americanos podem sim ser peitados (e isso em uma guerra convencional). Imagina tentar algo com a mãe Rússia (e que forçosamente traria uma conotação nuclear ao conflito).

    Mas o principal motivo que vejo que não haverá guerra aberta nesta contenta é simplesmente o capitalismo: se a Rússia realmente fechar as torneira do gás, a Europa morre de frio no próximo inverno. A Rússia não precisaria nem mesmo lutar. Mas os Russo, obviamente, recebem um grana legal dos Europeus pelo gás, dinheiro esse que é necessário à Rússia. Os Europeus sabem disso e também não tem interesse algum em um conflito aberto com os Russos, porque os Russos também são grandes consumidores das máquinas, carros e bugigangas feitas na Europa.

  • Pedro Ferreira  09/04/2014 16:16
    O grande problema da Ucrânia é que estão demasiado perto da Rússia para os deixarem ser independentes, todos os antigos paises ocupados pela União Soviética já estão na UE. Eu sinceramente até acho que seria mais interessante para o mundo a Rússia também fazer parte da UE e NATO, porque a maioria da população da Rússia até reside na área europeia, mas a Rússia seria um pais demasiado grande para não ficar com o controle da UE, por isso nunca vai acontecer uma adesão da Rússia, e os Russos jamais queriam ficar dependentes de terem de tratar os outros paises por iguais, e de não terem uma politica externa independente à dos paises mais pequenos da UE.
    O mais que se poderia desejar é que os Russos alguma vez consigam viver numa democracia plena, e não nesta ditadura Putin.
    Por isso acho fulcral tornar a Ucrânia uma democracia funcional e próspera, inserida na UE para pelo menos no futuro servia de inspiração para a Rússia ditaturial.
    Agora isto vai ter de ser um trabalho a muito longo prazo para o Ocidente, com grandes custos, e com grandes riscos de destabilização da Rússia. Vamos a ver...
  • José R.C.Monteiro  09/04/2014 16:30
    Saudações, prezado colega virtual, assim como São Tomás quando definia a amizade como querer as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas, então, gostamos do IMB, somos libertários e rejeitamos ser subjugados ao Estado/b], sinto-me no dever de indicar a radiovox.org para completar tua curiosidade sobre à UCRÂNIA, procure a entrevista com Anatoli Oliynik, dará a ti alguns elementos faltantes, coisa pouca tenho certeza, mas que tem peso, elementos históricos e sociais, na real nós sabemos que basta ver o lado econômico ou [b]rastrear o dinheiro.
    Abraços e sorte.
  • Aron  09/04/2014 15:57
    OFF\ Por favor me respondam uma coisa, porque o esquerdismo e as medidas intervencionistas são tão populares entre os artistas e profissionais do setor criativo? sou designer gráfico e a maioria dos meus colegas é simpática à essat patifaria que é o governo do pt, pelo menos em outros ramos profissionais a influência do esquerdismo não parece ser tão grande.
  • Malthus  09/04/2014 16:40
  • Luciano  09/04/2014 17:37
    O tom do artigo esta correto, a Ucrânia faria melhor em declarar-se livre das pressões de tender para um ou para outro lado, mas não e totalmente garantido afirmar que o fator econômico tenha sido o único decisivo para a anexação da Crimeia. Bastaria a meu ver o próprio ato de agir independentemente. A politica russa atual ela deve avançar ainda mais sobre seus vizinhos. O caso da Georgia em 2008 foi semelhante, o afastamento dela da Russia e a sua aproximação ao ocidente foi motivo para o conflito na Ossétia e na Abkhazia. A Russia ela age como um império monopolista...
  • Celso  09/04/2014 18:52
    Quanta falta de pragmatismo. Por essas e outras que às vezes me sinto mais próximo de conservadores que de libertários, embora não seja conservador.
    A Rússia tem planos imperialistas para com a Ucrânia. E a Ucrânia quer fazer parte da UE para entrar na OTAN, não por acreditar que uma união aduaneira seja melhor à economia que o livre mercado.

    Uma não aproximação ao ocidente seria aceitar ficar à mercê da Rússia.

    É verdade que, se as empresas de energia da Europa não tivessem sido tolhidas pelas regulamentações de seus governos, a Europa hoje não estaria refém da Rússia na questão energética. Mas os governos vêem isso agora e podem correr atrás do prejuízo que causaram.
    "[...]O pleno respeito ao estado de direito, aos direitos de propriedade e à santidade dos contratos forçaria os países em contenda a solucionar suas divergências pacificamente. Um saudável respeito pelas leis e a não-interferência em questões econômicas evitariam o surgimento de várias crises.[...]
    Pois é, se o ditador da Rússia seguisse isso, certamente não haveriam crises. Algum libertário vai lá na Rússia dizer isso pro Putin?

    "[...]Tivesse a Ucrânia se declarado uma nação adepta de um genuíno livre comércio, sem querer fazer parte de artificiais uniões alfandegárias regionais, certamente não haveria protestos, não haveria revolução e não haveria anexação russa da Criméia.[...]"
    Mas, de acordo com o próprio autor do artigo, essa era a situação da Ucrânia antes da crise começar: a Ucrânia não tinha acordos aduaneiros restritos nem com a UE nem com a Rússia. E como vemos isso não evitou a crise.
  • Seagal  09/04/2014 19:27
    Quanta falta de pragmatismo. Por essas e outras que às vezes me sinto mais próximo de conservadores que de libertários, embora não seja conservador.

    Vejamos a "falta de pragmatismo".

    "A Rússia tem planos imperialistas para com a Ucrânia."

    Cole aqui o trecho do artigo que nega isso.

    "E a Ucrânia quer fazer parte da UE para entrar na OTAN, não por acreditar que uma união aduaneira seja melhor à economia que o livre mercado."

    Cole aqui o trecho do artigo que diz que a população da Ucrânia quer entrar na UE por motivos aduaneiros.

    "Uma não aproximação ao ocidente seria aceitar ficar à mercê da Rússia."

    Exatamente o que diz o artigo.

    "É verdade que, se as empresas de energia da Europa não tivessem sido tolhidas pelas regulamentações de seus governos, a Europa hoje não estaria refém da Rússia na questão energética. Mas os governos vêem isso agora e podem correr atrás do prejuízo que causaram."

    Espere deitado.

    "Pois é, se o ditador da Rússia seguisse isso, certamente não haveriam crises. Algum libertário vai lá na Rússia dizer isso pro Putin?"

    Algum conservador ou esquerdista irá? Aliás, o que você defende que seja feito? Mandar bombas no Kremlin?

    "Mas, de acordo com o próprio autor do artigo, essa era a situação da Ucrânia antes da crise começar: a Ucrânia não tinha acordos aduaneiros restritos nem com a UE nem com a Rússia. E como vemos isso não evitou a crise."

    Acho que você não percebeu sua contradição. Quando a Ucrânia não tinha acordos aduaneiros com ninguém, tudo estava pacífico. Bastou querer fazer um, e tudo degringolou. Exatamente como diz o artigo.

    Na próxima vez, gentileza ter mais atenção e conter um pouco a ânsia de vituperar. Você ficou a descoberto.
  • Anônimo  09/04/2014 20:14
    Excelente 'puxão de tapete' do Seagal.
  • Celso  09/04/2014 22:58
    Alguns ditos "libertários" parecem esquerdistas. Vocês não vêem a contradição do que vocês estão dizendo!?!?

    Antes da crise a Ucrânia fazia exatamente o que vocês sugerem: não ter acordo aduaneiro nem com a UE nem com a Rússia. E quando seu ex-presidente quis fazer um acordo com a Rússia, a população fez exatamente o que vocês sugerem: protestou contra o acordo. De acordo com vocês, então, tudo deveria estar certo.

    A questão é que o mundo não é esse conto de fadas que alguns ditos "libertários" acham. O Putin quer submeter o povo ucraniano, e não vai ser dizendo pra ele que livre comércio é melhor que conflito que se resolverá o problema.

    Se vocês não querem sanções econômicas contra a Rússia e não querem mandar bombas no Kremlin, querem o que então: colocar uma roupa de hippie e sair cantando "give a peace a chance"? Ah... fiquem aí com seus discursos utópicos entanto os adultos lidam com o problema!
  • Seagal  10/04/2014 14:30
    "Alguns ditos "libertários" parecem esquerdistas. Vocês não vêem a contradição do que vocês estão dizendo!?!?"

    Vejamos seus valiosos ensinamentos.

    "Antes da crise a Ucrânia fazia exatamente o que vocês sugerem: não ter acordo aduaneiro nem com a UE nem com a Rússia."

    Parcialmente correto. No entanto, não havia um genuíno livre comércio, pois havia tarifas de importação de todos os lados. Portanto, logo nesse sua primeira "acusação", a coisa já foi pro saco.

    "E quando seu ex-presidente quis fazer um acordo com a Rússia, a população fez exatamente o que vocês sugerem: protestou contra o acordo. De acordo com vocês, então, tudo deveria estar certo."

    Êpa! Qual libertário diz que protestar contra o governo fará com que tudo dê certo?!

    Segunda acusação completamente descabida. Você está fazendo um papel ridículo aqui.

    "A questão é que o mundo não é esse conto de fadas que alguns ditos "libertários" acham. O Putin quer submeter o povo ucraniano, e não vai ser dizendo pra ele que livre comércio é melhor que conflito que se resolverá o problema."

    Foi você quem criou o cenário de conto de fadas. Você criou um espantalho, bateu nele, e saiu gostosamente cantando vitória por ter xingado algo em que ninguém acredita. Muito valente...

    "Se vocês não querem sanções econômicas contra a Rússia e não querem mandar bombas no Kremlin, querem o que então: colocar uma roupa de hippie e sair cantando "give a peace a chance"? Ah... fiquem aí com seus discursos utópicos entanto os adultos lidam com o problema!"

    Então você defende bombas e sanções? Beleza. Agora, diz aí como essas duas medidas funcionaram maravilhosamente bem para trazer paz às relações com Cuba, com o Irã e com o mundo árabe.

    Quem afinal vive em um mundo de fantasias?
  • anônimo  10/04/2014 16:08
    'diz aí como essas duas medidas funcionaram maravilhosamente bem para trazer paz às relações com Cuba, com o Irã e com o mundo árabe.'

    NADA vai ser capaz de trazer paz pras relações com esse pessoal.Vocês, hippies da direita, (como bem falou a Ayn Rand) parece que não tem os pés no chão.
  • Seagal  10/04/2014 17:57
    Ou seja, você defende sanções e bombas -- duas coisas que só ferram inocentes, pois os governos ficam intactos -- sem ter nenhum argumento minimamente razoável, e ainda se pretende superior e com os "pés no chão".

    Abjeção moral sem fim.
  • Ricardo  09/04/2014 19:32
    Como dito no artigo...


    Tensão na Ucrânia vai parar na OMC

    Moscou atacou na entidade os EUA e Europa por terem implementado embargos contra empresas e cidadãos russos depois da invasão da Criméia

    A tensão na Ucrânia se transfere para a Organização Mundial do Comércio (OMC) e Ocidente e Rússia trocam acusações de estarem usando medidas comerciais como instrumento político na região. Moscou atacou na entidade os Estados Unidos e Europa por terem implementado embargos contra empresas e cidadãos russos depois da invasão da Crimeia.

    O presidente Barack Obama publicou uma lista de pessoas na Rússia que passaram a ter suas contas bloqueadas no EUA e estão proibidas de manter negócios no país. Segundo o Kremlin, diplomatas russos estão estudando se a medida é uma violação às regras da OMC.

    Os russos ainda apontaram que as preferências comerciais dadas pela Europa para a Ucrânia depois da queda do governo pró-russo seriam ilegais, afetando produtos fabricados na Rússia. Bruxelas reduziu tarifas para bens ucranianos, como forma de incentivar a economia local. Os europeus responderam ao ataque russo alegando que o acordo não viola as regras da OMC.

    A troca de farpas dominou a reunião. Japão, Europa, Austrália, Suíça, Coreia do Sul e EUA ainda se uniram para questionar as barreiras comerciais da Rússia, em setores como eletrodomésticos e carros. Bruxelas já abriu duas disputas contra Moscou e alertou que os russos estão criando medidas protecionistas contra mais de 150 produtos, entre eles papel, batata, leite e carne de porco.

    Já o novo governo ucraniano aproveitou a reunião para acusar a Rússia de impor barreiras comerciais contra seus produtos e por ter "invadido" parte de seu território. Kiev ganhou o apoio da Europa, do Japão, que concedeu US$ 1,5 bilhão em ajuda para a Ucrânia, e dos EUA, que saudou o novo governo de Kiev e suas reformas econômicas.

    O governo russo rebateu, alertando que é "transparente" e rejeitou o ataque ucraniano, lembrando que 95% dos eleitores na Crimeia votaram por fazer parte da Rússia.

    economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,tensao-na-ucrania-vai-parar-na-omc,181598,0.htm
  • Pedro Ferreira  10/04/2014 10:09
    Votaram para fazer parte da Rússia, sobre a ocupação de forças invasoras Russas e sem direito a observadores da OSCE para verificar se a votação foi justa.
    E não respeitando os regulamentos da Ucrânia em que não se podem realizar referendos sem ser com aceitação a nível nacional.
    Por exemplo o Brasil invade o Uruguai, faz um referendo de farsa em que pergunta apenas se o Uruguai quer fazer parte do Brasil, diz que a votação foi de 95% e pronto, o Brasil já ganhou mais território.
    Mas uma coisa é verdade se o exercito Ucraniano não tivesse ouvido os apelos e tivesse reagido à invasão, tinha havido um banho de sangue, e queria ver como o Putin ficava, até podia ganhar a Crimeia mas ia custar-lhe caro. Ou se os americanos tivessem enviado os porta-aviões para o Mar Negro o Putin tinha piado mais fininho.
    Enfim os Americanos lá sabem o que andaram a negociar com o Putin.
  • Lucas  09/04/2014 19:39
    Eu acho que o pessoal aqui do site supervaloriza o intelecto humano. Muitas disputas e, inclusive guerras, começam apenas para "medir quem tem o pau maior".

    Mas fico com uma dúvida: se o texto estivesse correto e a Ucrânia tivesse simplesmente dito "fodam-se, vou me virar sozinha" e não inclinado para nenhum tratado, a Rússia não teria assim mesmo tido os mesmos motivos para se meter? Digo, se fosse medo russo da Ucrânia fazer parte da UE e depois da OTAN, não seria válido um medo de se ter um maldito vizinho independente?
  • Nilo BP  10/04/2014 04:19
    Boa pergunta. Claro que existiria pressão tanto por parte do governo russo quanto dos EUA/OTAN/UE. Resistir a essa pressão requereria uma certa dose de espinha por parte dos envolvidos. Algo a se ponderar para uma eventual sociedade libertária que se proponha a existir num mundo de Estados.

    Mas na Ucrânia... a própria idéia de o povo lá (que dizer dos políticos) ter uma epifania e abrir os portões para o todo e qualquer comércio internacional já é um conto de fadas pra começar. Especular se eles teriam a força de vontade para manter essa situação é o equivalente político de se perguntar se a Voyager poderia ter retornado ao quadrante Alfa se não tivessem explodido o complexo do Caretaker (no sentido de que nada disso sequer existe).
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  09/04/2014 21:51
    Já disse uma vez, já disse duas vezes, já disse...O governo, seja lá quem estiver no poder(pode ser até eu mesmo se tiver oportunidade) fará tudo para o seu próprio interesse econômico e perpetuação. Se os cidadãos querem ser LIVRES de verdade, deverão aprender a parar de depender do governo e se tornarem, de fato, independentes. Comprovadamente, isso só será possível numa comunidade capitalista HONESTA, colaborativa e VERDE. Claro, isso não acontecerá do dia para noite. Porém, é preciso um passo corajoso e decidido pela extinção de todas as regalias governamentais(impostos) e parar com o mito do "governo salvador". O Único Salvador é Jesus Cristo e Ele nunca exigiu impostos de ninguém. Assim, se unidos, os cidadãos poderiam dar um chute mortal na bunda dos seus governantes e mandá-los para a "lata do lixo da História", como já disse um bandido bolchevique "Trotski". Chega de burocracia que só impede o desenvolvimento econômico sustentável, a criação de empregos permanente e etc.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  09/04/2014 22:00
    "Atualmente, todas as nações tratam as pessoas, as empresas e os recursos naturais dentro de suas fronteiras como se fossem propriedades do estado. Alguns recursos, como petróleo e minerais, são de fato propriedade de vários governos nacionais..."

    Uma pergunta: Se essa afirmação é verdade, como foi que os "governos nacionais" se tornaram "proprietários" desses recursos? Como foi que o governo comprou esses recursos? Quem os vendeu e por que? Essas e outras perguntas têm que ser respondidas através de documentos autênticos de compra e venda. Do contrário, os "governos nacionais" são apenas empregados dos verdadeiros donos: os pagadores de impostos. Outras perguntas: por que os "governos nacionais" cobram impostos, enquanto que eu preciso trabalhar para ganhar dinheiro? Por que existem tantas leis e quais os benefícios para mim disso? Preciso de respostas certas.
  • Henrique  09/04/2014 23:51
    Pessoal, o que esperar de um manifesto escrito por mais de 120 professores da Unicamp???

    www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Economistas-da-Unicamp-lancam-Manifesto-em-Defesa-da-Civilizacao/7/26254
  • Mauricio.  10/04/2014 05:21
    Onde estavam os "intelequituais" da Unicamp quando o Estado acabou com a eficiência e a competitividade da economia europeia? Onde eles estavam quando os governos da UE criaram milhões de Estado-dependentes de bolsas e afins? Onde eles estavam quando criaram esta farsa que è o Euro? Agora é o preço a se pagar, oras.
  • Dom Comerciante  10/04/2014 00:07
    Sendo um libertário minarquista, eu digo que fiquei muito feliz com o encolhimento da Ucrânia, pois com um território menor o país só tende a se recuperar mais rápido econômicamente. Claro que o roubo da Criméia pelo impetuoso Papai Russo é imoral, mas se pararmos para pensar bem, os ucranianos só tem a ganhar com essa perda de território. A Rússia que se enrole com aquele leviatã horroroso de 14 000 km.
  • Pedro Ferreira  10/04/2014 13:00
    Bem sem a Crimeia que tinha uma população de maioria Russa, a Ucrânia fica praticamente só povoada por Ucranianos (em que uns falam Russo e outro Ucraniano), mas são todos de origem Ucraniana e entendem-se razoavelmente. Além de já não terem os problemas de terem bases Russas no seu território. Pelo que assim ficam livres de um dia escolherem o seu futuro mesmo que um dia queiram aderir à Nato, e à UE.
  • Diogo  10/04/2014 13:55
    Ou você é libertário ou minarquista os dois não dá...
  • anônimo  10/04/2014 16:15
    Ou você é libertário ou minarquista os dois não dá...
    Claro que dá, então Mises não era libertário? Ou Ron Paul? afff
    Falando mentiras desse tipo, o que parece mesmo é que vc pode ser ancap ou honesto, os dois não dá...
  • Diogo  11/04/2014 11:44
    A minarquia viola a PNA, principio básico da teoria libertária.
  • Bernardo F  10/04/2014 12:15
    Melhor artigo sobre a crisa na Ucrânia que eu li.
  • Marcos  11/04/2014 15:11
    Achei o texto um tanto ingênuo. A Ucrânia não pode simplesmente se declarar um "país livre" com os mísseis russos apontados para ela. A Rússia já deu várias provas de ser um país que não pensa duas vezes antes de fazer valer seus interesses em suas áreas de influência através da força militar.

    O ingresso na União Europeia é uma forma de mitigar aos poucos essa influência. Não é uma boa ideia depender da política econômica dos burocratas da UE? Não. Mas na vida real não existe lá muita alternativa. Envolver a Europa pode ajudar a frear o controle russo do país.

    A Ucrânia foi o país que sofreu o Holodomor. A situação atual daquela região equivale a Alemanha mandar e desmandar no estado de Israel, cujos habitantes um dia sofreram genocídio por atos desse mesmo país. Não é de se estranhar que os ucranianos embarquem em qualquer canoa furada, apenas para terem força o suficiente para se afastar dos russos.
  • Jairdeladomelhorqptras  04/05/2019 22:52
    Estou lendo este artigo cinco anos depos de publicado. A Ucrânia saiu das manchetes. Entrou a Venezuela. Pasmem! Quem está envolvido no conflito, aqui no outro lado do planeta, com a Venezuela e o Maduro? Sim, o Czar do Kremlin.
    Não consigo acreditar que a Ucrânia possa sair das garras do Putin sem o o apoio da OTAN. Que por sinal, me parece um apoio bem fraquinho.
    Abraços


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.