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Mises, Kant e os privilégios concedidos pelo governo

Os direitos naturais do homem e os limites do governo

Em seu livro A Lei, Frédéric Bastiat apresenta a irrefutável máxima de que os direitos do indivíduo antecedem a formação do estado.  Os direitos do indivíduo já existiam antes da criação de qualquer aparato estatal e político.  Logo, a ação coletiva do estado não pode se chocar com — muito menos renegar — os direitos prévios do indivíduo.

De acordo com Bastiat, o indivíduo pode delegar ao estado somente aqueles poderes que ele próprio já possui.  Sendo assim, o indivíduo não tem o direito natural de obrigar outro indivíduo a fazer caridade, por exemplo.  Dado que eu não posso coagir você a fazer uma caridade que eu queira, o governo também não pode obrigar você a fazer uma caridade que ele queira.  Por essa mesma lógica, o governo não pode obrigar você a repassar parte do seu dinheiro para absolutamente ninguém — empresários, grupos de interesse, funcionários públicos ou pessoas que recebem assistencialismo — que você não queira.  No entanto, é exatamente isso que ele faz. 

Digamos que você desaprove que o governo dê dinheiro para uma causa que você pessoalmente abomine.  Você não iria muito longe caso tentasse argumentar que, em decorrência disso, você tem o direito de reduzir proporcionalmente a quantidade de impostos que você paga.  Se você insistisse nessa recusa de repassar parte do seu dinheiro para o governo, ele simplesmente irá confiscar seus ativos.  E se você tentasse proteger seus ativos e resistisse ao confisco, o governo simplesmente iria matá-lo.

No entanto, dentro do contexto dos direitos naturais, o governo não tem absolutamente nenhuma justificativa para forçá-lo a dar dinheiro para qualquer pessoa ou grupo de pessoas que você não aprove ou que você não financiaria voluntariamente.

A justiça verdadeira e o imperativo categórico

Talvez haja uma justificativa superior que dê ao estado o direito de violar nossos direitos naturais e confiscar nossa propriedade coercivamente para o benefício de terceiros.  Para esta justificativa, recorreremos a dois filósofos: Immanuel Kant e T. Patrick Burke.

Comecemos com Kant.  Ainda não há melhor expressão da nossa concepção de justiça verdadeira do que aquela formulada por Kant em sua explicação sobre o "imperativo categórico".  Um imperativo categórico nos diz o que devemos fazer incondicionalmente, e se aplica a todas as pessoas, em todos os lugares, e a qualquer momento.  Um imperativo categórico não deriva seu poder de nenhuma autoridade; apenas da razão pura. 

Kant faz uma distinção entre esse imperativo categórico e um imperativo hipotético, como, por exemplo, uma "necessidade" pela qual passa uma pessoa.  Embora um determinado imperativo hipotético possa ser válido — por exemplo, "pobres viveriam melhor caso recebessem auxílios governamentais" —, ele jamais pode ser objetivo.  Ele fornece uma causa apenas para aqueles que são afetados por essa política: no caso, os pobres.  Só que fornecer auxílios governamentais para os pobres não pode ser uma ação incondicional, que se aplica a todas as pessoas, em todos os lugares, a todo o momento.

Em seu livro introdutório sobre Kant, Roger Scruton explica que há cinco variações do imperativo categórico.  As duas primeiras são as mais importantes para nossos propósitos aqui.  A primeira variante é a Regra de Ouro, Mateus 7:12: "Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas".  Ela se baseia puramente na razão.

A segunda variante é aquela que diz que todos os homens devem ser tratados como fins em si mesmos, e não como meios.  Seres racionais são um fim em si mesmos e jamais meramente meios para algum outro fim ou um meio para se alcançar os fins desejados por alguns outros homens.  Por essa lei natural, mesmo se todas as pessoas de uma determinada comunidade, exceto uma, decidirem que todos devem doar para a caridade, o imperativo categórico negaria ser justo e correto que estas pessoas coagissem aquele único indivíduo que optou por não doar.  Essa comunidade de indivíduos estaria tratando este único indivíduo como um meio — um simples objeto — e não como um fim em si mesmo, ou seja, um ser racional com dignidade humana.

O professor T. Patrick Burke acrescenta um importante adendo à injusta natureza da coerção estatal que visa à caridade.  Ele persuasivamente argumenta que o ato de se recusar a ajudar alguém em necessidade não é injusto, pois a não-ajuda fará com que aquela pessoa necessitada fique na mesma situação de antes.  O ato de recusar a ajuda não agrava a situação do necessitado.  Se por acaso algum conceito superior de justiça nos obrigasse a ajudar todas as pessoas que viessem a nós suplicando por ajuda, passaríamos então a ser escravos de toda a humanidade, e isso seria uma clara violação do imperativo categórico: passaríamos a ser vistos como meios e não como fins.

A impossibilidade do cálculo econômico pelo estado

Em 1920, Ludwig von Mises publicou uma devastadora crítica ao então emergente movimento socialista.  Em aproximadamente 50 páginas, O Cálculo Econômico sob o Socialismo explica que, sem a propriedade privada dos meios de produção, o cálculo econômico é impossível.  Mises explicou que, nesse arranjo, nenhum governo é capaz de saber o que produzir, quanto produzir, e quais recursos utilizar para produzir qualquer que seja o produto, pois somente aqueles que são proprietários dos meios de produção podem utilizá-los racionalmente. 

Resumidamente, o argumento é o seguinte: a propriedade comunal dos meios de produção (por exemplo, das fábricas) impede a existência de mercados para bens de capital (por exemplo, máquinas).  Se não há propriedade privada sobre os meios de produção, não há um genuíno mercado entre eles.  Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos.  Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços.  E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica — o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada. 

Sem preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de bens de capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível.  Em contraste, a propriedade privada sobre os meios de produção e a liberdade de trocas resultam na formação de preços, os quais refletem as preferências dos consumidores e permitem que o capital seja direcionado para as aplicações mais urgentes. 

No socialismo, o czar econômico não está gastando seu próprio dinheiro e não está colocando seus próprios produtos à venda no mercado.  Logo, como pode ele racionalmente decidir o que fazer?  A resposta de Mises é que ele não pode.

Dado que o governo é formado por indivíduos que não estão gastando seu próprio dinheiro ou colocando seus próprios produtos à venda no mercado, não há como eles serem capazes de decidir racionalmente qual tipo de caridade deve ser feita pelo estado.  Logo, eles inevitavelmente cederão e recorrerão àquilo que pode ser chamado de relações corruptas: ajudar amigos, empresas favoritas e empresários bem relacionados, os quais irão retribuir com fartas doações de campanha.  Esse comportamento foi muito bem descrito pela "teoria da escolha pública", a qual explica que as ações de indivíduos dentro do governo são guiadas pelas mesmos interesses e motivações que existem em todas as outras áreas da vida, ridicularizando a ideia de que aqueles que estão no governo possuem considerações éticas mais elevadas.

Conclusão

No final, todo e qualquer arranjo assistencialista — bem como todo e qualquer arranjo que se baseie na retirada de dinheiro de um grupo de pessoas e sua subsequente redistribuição para outro grupo de pessoas — só pode ser imposto de maneira coerciva.  Não há qualquer outra justificativa que não seja a força bruta. 

Ninguém possui um direito natural de exigir nossa propriedade e nosso trabalho.  Não há nenhum imperativo categórico que exija a ajuda a terceiros e não há nenhum imperativo categórico que nos intimide e nos deixe constrangidos por recusarmos a "ajudar" terceiros, sejam eles miseráveis ou poderosos empresários. 

E não há nenhum tipo de cálculo econômico racional que possa determinar quais caridades e quais programas o estado deve praticar e em que grau.


autor

Patrick Barron
é consultor privado da indústria bancária.  Ele leciona na pós-graduação da Universidade de Winsconsin, Madison, na área de sistema bancário, além de ensinar economia austríaca na Universidade de Iowa, onde vive com sua esposa.

  • Guilherme  13/03/2014 16:02
    Bom texto.

    De acordo com Bastiat: "dentro do contexto dos direitos naturais, o governo não tem absolutamente nenhuma justificativa para forçá-lo a dar dinheiro para qualquer pessoa ou grupo de pessoas que você não aprove ou que você não financiaria voluntariamente". Percebo que essa conclusão inviabiliza o sistema democrático, pois os impostos são arrecadados de forma coerciva e sem destinação pré-definida, ou seja, os representantes eleitos pela maioria gastam esses recursos invariavelmente desagradando parte dos pagadores de impostos, fato que compromete o "imperativo categórico" de Kant e, conforme observou Roger Scruton, dessa forma o Estado trata parte dos pagadores de impostos como "um meio — um simples objeto — e não como um fim em si mesmo".
  • Mendes  13/03/2014 16:35
    Correto. Democracia nada mais é do que tirania da maioria.

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=11
  • Caio-SP  13/03/2014 16:13
    Esse é um texto originalmente desse tamanho? Impressionado com o poder de síntese!

    Muito bom!
  • ALYSSON  13/03/2014 16:27
    Poderia reproduzi-lo em meio físico para um trabalho na universidade?
  • Moderador  13/03/2014 16:38
    Fique totalmente à vontade.
  • jose carlos apel  13/03/2014 16:38
    A filosofia e a lógica puras têm fundamento cientifico e nos ajudam a definir conceitos, normas sociais, leis e convenções. É a busca da objetividade num mundo em que os conceitos de moral, ética, justiça, religião etc. são absolutamente subjetivos e variam de grupo para grupo, de região para outra, de uma religião para outra.

    Mas o estado deve ser prático, objetivo, racional, laico, ético e político (representar efetivamente o que quer a maioria), então seus conceitos devem se restringir ao campo de objetividade e da ciência, subordinar-se à ética e à vontade dos cidadãos e dos contribuintes.

    Nesse contexto é que o artigo é extremamente oportuno, desqualificando aqueles que fazem do poder o que bem entendem e utilizam o estado para atender o interesse pessoal de seu grupo e de seus coligados. A benemerência, neste caso no Brasil, não é um fim, apenas um meio de obter votos. Quem cede os recursos, através dos impostos não tem voz para definir o que deve ser feito com eles, não pode se opor ao clientelismo, à demagógica condenação dos necessitados de hoje à permanência nessa situação pela esmola, sem um programa efetivo de formação e superação, ou seja a porta de saída da pobreza. Isso é fato.
  • Lg  14/03/2014 11:56
    O estado representa exatamente o que a maioria quer, esse é o grande problema.
  • Marcelo Almeida  13/03/2014 23:20
    Primoroso texto, obrigado aos responsáveis por este site. Meus horizontes estão ampliando a cada postagem. Deixo duas questões ao Instituo e aos leitores: Para haver no futuro uma sociedade libertaria, é correto pensar que seja necessárias pessoas imbuídas de tal objetivo conquistarem primeiro o governo, e aos poucos tirar do estado o grande poder que detém? Não seria também usar o individuo para um fim?
  • Costa  14/03/2014 11:59
    É complicado falar sobre o que é necessário. Eu pelo menos acredito primeiro em uma revolução cultural antes de uma política. Já outros pensam o contrário. Mas na realidade as duas coisas acabam acontecendo simultaneamente.

    Quanto a segunda pergunta, toda pessoa busca seus fins. O que é condenado é que esses fins sejam impostos à força por outras pessoas. Nesse caso, a própria pessoa define esse objetivo. Do contrário não faria sentido.
  • Fellipe  17/03/2014 18:36
    Marcelo,

    O Hoppe tem uma sugestão interessante:

    O que deve ser feito
  • anônimo  14/03/2014 01:51
    (...)
    Resumidamente, o argumento é o seguinte: a propriedade comunal dos meios de produção (por exemplo, das fábricas) impede a existência de mercados para bens de capital (por exemplo, máquinas). Se não há propriedade privada sobre os meios de produção, não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços. E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica — o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

    Sem preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de bens de capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível. (...)


    Eu já li essa explicação em dezenas de outros artigos e em dezenas de comentários, todos explicando sempre a mesma coisa. Soa até repetitivo esse trecho que reproduzi aqui, porém TODA vez que eu vou tentar explicar isso para outra pessoa eu sempre emperro e nunca consigo passar essa idéia adiante.

    Por mais que pareça que eu entendi acho essa explicação bem complexa e cheia de conceitos nas entrelinas.

    Como busco informações mais detalhadas sobre isso?

    Lembrando que eu já disse que já li essa explicação dezenas de vezes, usando palavras e termos diferentes, por aqui, estou precisando de uma outro abordagem e/ou um outro método de explicação (talvez usando analogias e/ou exemplos, sei lá).
  • Franco  14/03/2014 05:02
    Prezado anônimo, perdoe-me se soarei rude, mas se você não for capaz de entender a lógica do simples parágrafo abaixo, então algo vai mal em seus neurônios.

    Se todos os meios de produção são estatizados, não há mercado. Sem mercado, os produtos não têm preços. Sem preços, não se pode fazer cálculo de preços. Sem cálculo de preços, não há planejamento econômico. Sem planejamento, não há economia estatizada.
  • Jeferson  14/03/2014 14:32
    Prezado Franco, perdoe-me se soarei rude, mas se você não for capaz de entender a lógica do simples parágrafo reproduzido abaixo, então algo vai mal em seus neurônios:

    Eu já li essa explicação em dezenas de outros artigos e em dezenas de comentários, todos explicando sempre a mesma coisa. Soa até repetitivo esse trecho que reproduzi aqui, porém TODA vez que eu vou tentar explicar isso para outra pessoa eu sempre emperro e nunca consigo passar essa idéia adiante.

    Ele não disse que não entendeu, disse que não consegue passar adiante, o que significa que ele entendeu mas não dominou os conceitos que estão por trás do texto o suficiente pra passar pros outros. Acontece que esse "simples parágrafo" contém o resumo de praticamente um livro de idéias sintetizadas nele. Se passar ele no WinRAR de idéias pra descomprimí-las vai sair mais ou menos assim:

    1 - O mercado é um ambiente em que as pessoas - proprietárias de seus corpos bem como dos frutos do uso deles para atingir a seus próprios fins (leia-se: os frutos de seu trabalho) negociam voluntariamente entre si a troca desses frutos visando, cada um, melhorar seu padrão de vida atual, de acordo com suas necessidades, sejam elas urgentes, sejam de longo prazo;

    2 - Quando as pessoas não possuem a propriedade dos bens e serviços que elas negociam, elas obviamente tendem a ser menos criteriosas, menos racionais em suas decisões de troca, afinal, não serão elas que arcarão diretamente com as consequências de uma troca, quer seja boa, quer seja ruim. Deste modo, é imprescindível para uma alocação racional de recursos em uma economia, que os proprietários sejam livres para transacionar o que bem entenderem, desde que seja sua propriedade, não a de terceiros.

    2.1 - Isso vale tanto pra produtos acabados, quanto pra cadeias longas e complexas de produção. Quanto mais diretamente a pessoa que detém o bem arcar com as conseqüências da transação realizada, melhor vai ser a alocação de recursos. Deste modo, o dono dos fatores de produção (fábricas, máquinas, etc.) ou do "capital", como alguns chamam, têm que realizar constantemente a decisão entre gastar o dinheiro excedente das vendas em aumentar a produção temporariamente, e poupar para modernizar/expandir seu parque produtor, visando aumentar os lucros no futuro.

    3 - Em um sistema comunal, ninguém possui os meios de produção, logo, ninguém arca diretamente com as consequencias de suas decisões econômicas. Especialmente em uma economia planejada, o burocrata que planeja a produção e a distribuição de algum bem não tem a mínima chance de ter seu patrimônio construído ao longo de uma vida dilapidado por tomar uma decisão ruim. Igualmente, também não irá enriquecer e melhorar seu padrão de vida caso a decisão tomada por ele seja boa.

    3.1 - Dado esse afastamento entre decisão e conseqüência que é parte intrínseca de uma economia planejada, as decisões serão cada vez menos racionais. Quanto maior o nível de afastamento, ou seja, quanto mais planejada for a economia, mais irracionais serão as decisões econômicas. Quando se chega ao ponto em que toda a economia é planejada, já não é mais possível formar preços racionalmente, porque as pessoas que decidem quanto será cobrado por cada bem ou serviço não são as que serão prejudicadas ou beneficiadas se esse preço não for o natural.

    3.2 - É importante frisar que a o preço de um produto normalmente não é uma simples decisão, mas é determinado por um processo de formação que envolve conhecer a demanda do produto, a concorrência, os custos dos fatores de produção, os custos logísticos, etc. Se os preços não são formados por esse processo espontâneo de tentativa e erro, não há como o empreendedor saber se seu produto está numa posição boa ou ruim no mercado. Não há como ele saber se suas decisões de investimento passadas deram resultado, ou se elas o estão levando ao abismo. Assim, com o passar do tempo (e normalmente pouco tempo), a economia se torna um caos, porque as decisões de empreendimentos vão gradualmente piorando de qualidade até chegar a um colapso.

    4 - Como qualquer coisa que se deseja planejar, traçar um plano envolve informações de boa qualidade e decisões racionais a respeito dos meios e recursos que serão ou não utilizados para se chegar a um fim. Mas já foi demonstrado que não é possível obter nem informações de boa qualidade nem tomar decisões racionais quando não é possível haver propriedade privada dos fatores de produção nem o processo de formação espontânea dos preços. Deste modo, demonstramos que uma economia plajenada é impossível de se planejar. Logo, o cálculo econômico sob um regime socialista, é impossível.

    E isso já é um resumo... ainda dá pra expandir ainda mais as idéias. Quanto mais doutrinada pelo socialismo e estatismo for o ouvinte, maior a necessidade de se expandir as idéias para que ela entenda o que você está tentando explicar. Mas pra expandir as idéias, é preciso conhecer bem os fundamentos e conceitos por trás delas, e pra isso, não adianta decorar ou copiar um simples parágrafo.

    Abraços.
  • Andre B.  14/03/2014 11:10
    Realmente, anônimo, mais simples, claro e objetivo do que o trecho por você reproduzido, impossível. Franco, pelo que eu entendi, não é que o anônimo não seja capaz de entender a lógica do parágrafo reproduzido; é que ele não está conseguindo se explicar para seus interlocutores. Neste caso, anônimo, não há muito o que fazer, creio eu, porque o problema parece estar na profunda ignorância de seus interlocutores. Se os seus interlocutores não conseguem entender que os preços são os elementos de que o empreendedor dispõe para balizar o seu negócio, não sei como explicar. Talvez se você postar quais são os contraargumentos que eles propõem, dos quais você não está conseguindo se desvencilhar, talvez possamos ajudar.
    Pra encerrar, vou dizer a explicação bem básica que me veio agora à cabeça (nota: não sou especialista no tema, não sou economista; apenas leitor do site):
    "O lucro do empreendedor vem quando o preço do produto por ele ofertado supera seus custos. No caso de estar tendo prejuízos, o empreendedor pode tentar rever o processo de produção, a quantidade e a qualidade do que está sendo produzido. Em última análise, pode chegar à conclusão de que seu produto não está agradando aos consumidores, e deixar de produzi-lo, passar para outra atividade. Se não há preços de bens de capital, ele não tem sequer como saber quais são seus custos, o que afeta toda a racionalidade econômica, impedindo-o de fazer qualquer planejamento. Se o seu empreendimento não está agradando aos consumidores, ele estará simplesmente consumindo capital sem gerar nenhuma riqueza. E ele, sem ter como perceber isto economicamente, vai continuar consumindo capital". Acho que é isto.
    Ah, sim, diga também, anônimo, que, sem um livre mercado com empreendedores concorrendo entre si, o empreendedor não vai ter estímulo para aprimorar os bens por ele oferecidos. O resultado vai ser o Yugo, produzido na Iugoslávia comunista, transformado "em uma das maiores chacotas da história da produção automobilística" (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1376).
  • Thiago  14/03/2014 13:01
    Prezado anônimo,
    talvez a leitura do livro do Mises - que pode ser encontrado aqui no site do instituto Mises(link: www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=66) - possa ajudar.
    A tentativa de construir tal parágrafo com a criação de exemplos fictícios podem facilitar a compreensão do que você quer expressar ao seu ouvinte.
    Espero ter ajudado de alguma forma.
  • Elias  14/03/2014 13:53
    Tenta essa aqui:

    Dado que os coletivistas frequentemente banalizam os direitos de propriedade privada, vale à pena elaborar essa questão. Quando os direitos de propriedade são aplicados integralmente à propriedade privada, todos os custos e benefícios das decisões que um indivíduo proprietário toma ficam concentrados nele e nele apenas. Já quando os direitos de propriedade são coletivizados, eles se tornam difusos e dispersos pela sociedade.

    Por exemplo, a propriedade privada força os proprietários de imóveis a levarem em consideração o efeito que suas atuais decisões terão sobre o valor futuro de seus imóveis. Por quanto tempo mais um imóvel continuará sendo valorizado como uma boa moradia — e, por conseguinte, ser revendido a um bom preço — é algo que vai depender exclusivamente de como seu proprietário irá cuidar dele. Assim, uma propriedade gerida privadamente faz com que a riqueza de um indivíduo seja refém de suas atitudes; esse indivíduo, para manter sua riqueza, terá de incorrer em uma atitude "socialmente responsável": economizar recursos escassos.

    Compare esses incentivos àqueles gerados pela propriedade coletiva. Quando o governo é o proprietário de um imóvel, um indivíduo não tem incentivos para cuidar bem deste imóvel simplesmente porque ele, caso aja assim, não irá capturar o benefício completo de seus esforços. O resultado de seus esforços será disperso por toda a sociedade. Por outro lado, para este mesmo individuo, os custos de ele ser descuidado e desleixado com o imóvel coletivo também serão similarmente dispersos pela sociedade. Não é necessário ser um gênio para prever que, sob tais circunstâncias, os cuidados para com essa propriedade serão muito menores. Simplesmente não há incentivos para tal atitude; não há incentivos para se economizar recursos escassos. A propriedade coletiva gera desperdício de recursos escassos, sendo portanto socialmente irresponsável — justamente o contrário do que almejam seus apologistas.


    Fonte: www.mises.org.br/Article.aspx?id=971
  • anônimo  14/03/2014 17:30
    Primeiramente gostaria de agradecer o tempo despendido por todos que tiveram a intenção de me ajudar com essas dúvidas, porém novas dúvidas foram geradas (acredito que isso seja um bom sinal). Elas são:

    Lembrando que não estou querendo gerar a discórdia aqui, só quero fundamentar bem a minha base de conceitos (digo isso porque as vezes alguns levam para o lado pessoal e inicia-se uma discussão desnecessária).

    - Dúvidas em relação ao texto do Jeferson:

    1º- (...) 2 - Quando as pessoas não possuem a propriedade dos bens e serviços que elas negociam, elas obviamente tendem a ser menos criteriosas, menos racionais em suas decisões de troca, afinal, não serão elas que arcarão diretamente com as consequências de uma troca (...)

    Mas esse caso é uma peculiaridade de um sistema estatal ou de pessoas desqualificadas? Digo isso porque para mim existe uma linha muito tênue entre "o estado só faz merda" e "a pessoa que estava gerindo algo estatal é totalmente desqualificada para tal", ou seja, talvez seja só uma questão de uma melhor gestão, sei lá.

    2º- 2.1- (...) Deste modo, o dono dos fatores de produção (fábricas, máquinas, etc.) ou do "capital", como alguns chamam, têm que realizar constantemente a decisão entre gastar o dinheiro excedente das vendas em aumentar a produção temporariamente, e poupar para modernizar/expandir seu parque produtor, visando aumentar os lucros no futuro. (...)

    Novamente não consigo ver porque isso não caberia em um sistema estatal BEM GERIDO, ou seja, com pessoas competentes e não apadrinhados ou similares.

    3º- 4- (...) Mas já foi demonstrado que não é possível obter nem informações de boa qualidade nem tomar decisões racionais quando não é possível haver propriedade privada dos fatores de produção nem o processo de formação espontânea dos preços. (...)

    Foi demonstrado como? Pra mim novamente cai na questão de um ser desqualificado.

    ****
    - Dúvidas em relação ao texto do Andre B.:

    1º- (...) Em última análise, pode chegar à conclusão de que seu produto não está agradando aos consumidores, e deixar de produzi-lo, passar para outra atividade. (...)

    Não entendo porque isso também não se encaixa na questão do Gestor Ruim.

    2º- (...) Se não há preços de bens de capital, ele não tem sequer como saber quais são seus custos, o que afeta toda a racionalidade econômica, (...)

    Quando se diz isso se afirma que em uma economia planejada tudo é de graça ou a preços fixos? Não entendo muito bem de economia planejada, isso é algo que já estou correndo atras.


    ****
    - Dúvidas em relação ao texto do Elias:

    1º- (...) Quando o governo é o proprietário de um imóvel, um indivíduo não tem incentivos para cuidar bem deste imóvel simplesmente porque ele, caso aja assim, não irá capturar o benefício completo de seus esforços. (...)

    Por que não tem incentivos? Eu mesmo já varri parte da minha rua porque sinto que em um ambiente agradável todos colhem benefícios. Pra mim cai novamente na questão do incompetente ou da mesquinhagem, itens que independem do sistema econômico.

    ****

    Novamente Obrigado a todos pela atenção.
  • Ricardo  14/03/2014 18:28
    A questão realmente não é de incentivos, tanto é que nenhum economista austríaco utiliza esse argumento. As questões principais são o cálculo econômico e a incapacidade dos planejadores de apreender todo o conhecimento que está disperso por toda a sociedade.

    Esse artigo é o melhor:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1430
  • Jeferson  14/03/2014 19:01
    Depois de escrever um texto longo, eu é que preciso de incentivos pra me motivar a responder minuciosamente suas dúvidas. Se tudo o que você disse é verdade, e você só quer aprender, eu te aconselho a ler mais artigos aqui do Mises antes de tentar expor sua ideologia pros outros, porque você está precisando de melhores fundamentos teóricos.

    Pra não passar em branco, vou só responder rapidamente às dúvidas sobre meu texto. Não é questão de qualificação do gestor. Deixa eu perguntar só a título de curiosidade, você trabalha na iniciativa privada? Supondo que a resposta seja "sim", você deve estar bem consciente de que você te duas alternativas: 1 - Ser bom no que faz. 2 - Procurar outra coisa que você faça melhor, porque se você não se enquadra no "1", será demitido em breve. Por outro lado, se você é bom no que faz e demonstra ser bom em coisas que você não é pago pra fazer (e as faz ainda assim), você tende a ser promovido ou a conseguir um emprego melhor caso se esforce um pouco pra procurar.

    Tudo isso porque, como eu disse, VOCÊ VAI ARCAR DIRETAMENTE COM AS CONSEQÜÊNCIAS DE SUAS DECISÕES. Essa mesma lógica se aplica a você limpar sua rua. Se o estado não limpa adequadamente, e você gosta de ter a rua limpinha e bem cuidada, a única forma de você ter o que quer é botando a mão na massa. Me diga quantas vezes você já limpou voluntariamente uma rua que você nunca use, pensando no bem comum ou por qualquer outro motivo.

    Repetindo o que eu já repeti repetidas vezes (sim, repito a repetição propositalmente), quem trabalha numa agência de planejamento centralizado não sofre as consequências - nem as boas nem ruins - sobre as decisões que toma a respeito de qualquer política pública. Por isso, não consegue (e geralmente nem quer) se envolver o bastante pra descobrir o que realmente precisa ser feito. Não é questão de qualificação nem de competência, por mais qualificado e competente que o indivíduo seja, ele não vai ter a mesma motivação pra fazer dar certo.

    Fora isso, gerir um negócio é uma tarefa extremamente complexa, que, dependendo do tamanho do negócio, exige uma estrutura extremamente complexa de gestão e medição do negócio e monitoramento do mercado. Fazer gestão sobre toda uma economia seria muito mais complexo do que gerir um único negócio. Dado que Deus ou qualquer outra entidade oniciente não faz parte de nenhum governo, não é possível sequer conhecer tudo o que é necessário pra se planejar e gerenciar uma economia.

    Se tiver mais dúvidas, OK perguntar, mas reflita mais e leia mais. Nesse nível de dúvida que você está tendo, é mais produtivo ler mais e refletir mais sobre as teorias da EEA.
  • anônimo  14/03/2014 20:42
    Antes de tudo agradeço novamente a paciência por textos explicativos (e gigantes).

    Agora quero fazer algumas observações.

    @Jeferson
    Comecei dizendo pra não levar pro pessoal e mesmo assim parece que um pouco você acabou levando, calma cara, relaxa ai que eu só quero um dia ser tão inteligente quanto você diz ser em relação a EA.

    Aos pontos do texto:


    (...) eu te aconselho a ler mais artigos aqui do Mises antes de tentar expor sua ideologia pros outros, porque você está precisando de melhores fundamentos teóricos. (...)

    Pô cara, por incrível que pareça eu acompanho o site a tempos e costumo sempre ler os artigos em questão, porém além de ler eu me coloco a refletir sobre tais temas e é ai que as dúvidas aparecem.

    (...) Me diga quantas vezes você já limpou voluntariamente uma rua que você nunca use, pensando no bem comum ou por qualquer outro motivo. (...)

    Eu já participei de mutirões para pintar escolar públicas, escolas essas que eu nunca estudei. Isso só reforça minha idéia que o pensamento "Ah, essa merda em nada me afeta, então que se foda" não se aplica a todos e com esses argumentos em um debate acredito que nenhum defensor da EA dure muito.


    (...) Repetindo o que eu já repeti repetidas vezes (sim, repito a repetição propositalmente), quem trabalha numa agência de planejamento centralizado não sofre as consequências - nem as boas nem ruins - sobre as decisões que toma a respeito de qualquer política pública. Por isso, não consegue (e geralmente nem quer) se envolver o bastante pra descobrir o que realmente precisa ser feito. Não é questão de qualificação nem de competência, por mais qualificado e competente que o indivíduo seja, ele não vai ter a mesma motivação pra fazer dar certo. (...)


    Fica difícil aceitar tão facilmente essas explicações onde eu simplesmente poderia lhe perguntar "Baseado no que esse seu paragrafo se sustenta?". Esse paragrafo pra mim está totalmente vazio e cheio de idéias que não se sustentam, são generalizações perigosas e que, novamente, em um debate não se sustentaria. Me mostre dados, estudos, publicações.

    Quando entro em uma conversa com um estadista não gosto de deixar margem para que ele saia feliz, então gosto de criar uma base bem sólida e construída com argumentos técnicos.

    --
    Por favor, não leve nada para o lado pessoal, não tenho nada contra sua pessoa e tenho certeza que em uma mesa de bar essa conversa estaria muito mais pacífica e até engraçada.

    ****

    @Ricardo

    Obrigado cara, darei uma estudada sobre esses itens que você levantou.


    ---
    Por um ambiente mais amistoso e amigável.

    Abraços.
  • Jeferson  17/03/2014 19:59
    Gustavo, não sou nem me digo entendido em EEA, apenas sugeri um caminho que deu certo pra mim por reconhecer minha incapacidade de esclarecer suas dúvidas.

    Também não levei pro lado pessoal, apenas considero muito estranhas você ter esse tipo de dúvida e tentar expôr pra alguém as idéias libertárias. Quando eu pensava que o estado só precisava ser bem gerido nunca se passava pela minha cabeça de que a ausência de estado seria a melhor solução.

    Para os outros, exemplo das maçãs e laranjas é o motivo de eu sustentar que depende sim de incentivos. Se não há diferença entre o que eu vou receber, eu não vou me esforçar tanto pra descobrir qual é o melhor. Se há diferença, mesmo que eu não me interesse e não me esforce, outros vão! Se eu puder enriquecer vendendo maçãs mas não me importar muito com esse fato, outro vai se importar, vai enriquecer e vai me tirar do mercado. Acho que as duas coisas estão interligadas. Não vai haver formação espontânea de preços sem a possibilidade de colher os frutos de suas decisões, da mesma forma que não vai haver a informação sobre quais são os bens que os consumidores mais querem se não houver a possibilidade de lucrar com essa informação.

    Gustavo, tenho certeza que você foi muito bem pago por pintar a escola pública. Só que seu "pagamento" foi em satisfação pessoal por "ter feito a coisa certa", ou por "ter contribuido com a comunidade", ou por qualquer outra motivação que tenha gerado esse tipo de satisfação. Pessoas diferentes com certeza agem com motivações diferentes, mas nenhuma é tão forte quanto a que leva as pessoas a se esforçarem para garantir seu sustento, ou a possibilidade de dar mais conforto e segurança às pessoas que amamos.
  • gabriel  17/03/2014 22:54
    Jeferson quanto aos incentivos de fato contribuem pra tudo, mas como você bem expôs do pagamento recebido ao pintar a escola, não são os incentivos necessariamente monetários - quando tentei me abster de falar de incentivos foi nesse sentido já que exemplos do próprio Gustavo eram de que se ele 'limpasse a rua sem incentivo(financeiro)' os incentivos não seriam para ele explicação suficiente. Alguém poderia ter todo o 'incentivo' do mundo (recebendo em troca satisfação ou seja lá o que fosse não monetário) para gerir a economia de forma centralizada que mesmo assim fracassaria. A própria formação de preços pode ser considerado formada por incentivos na oferta e procura.

    Gosto de uma conversa nesse sentido, e ao fim dessa conversa acabo sempre absorvendo mais ideias. Espero que o Gustavo ao menos tenha lido as respostas e com sorte sanado suas dúvidas.

    Valeu
  • gabriel  14/03/2014 23:06
    Ola anonimo, quero tentar contribuir um pouco pois sei que existe uma certa dificuldade em passar o conhecimento a outros. Sou apenas leitor do site a mais ou menos um ano e lendo os artigos daqui posso dizer que aprendi muito mais que em 5 anos de faculdade.

    Apesar da questão dos incentivos ser interessante, o trecho ao qual se refere no começo parece se referir a incapacidade do sistema de planejamento central e o cálculo econômico. A resposta do André B fica mais clara na minha mente para essa explicação. Não importa portanto se a gestão é feita pelos mais competentes seres humanos que já existiram na terra ou pelos mais mal intencionados, o planejamento central acaba destruindo uma informação crucial para se planejar, a formação de preços espontânea. Para não me alongar muito, e no aguardo de sua resposta para que possamos ter um dialogo mais dinâmico vou me atentar a suas questões direcionadas a fala do André.

    1º- (...) Em última análise, pode chegar à conclusão de que seu produto não está agradando aos consumidores, e deixar de produzi-lo, passar para outra atividade. (...)

    Não entendo porque isso também não se encaixa na questão do Gestor Ruim.


    Aí que vejo o problema central, como o gestor irá saber que o produto está agradando aos seus consumidores de forma a ser melhor alocado seus recursos? O preço juntamente com os lucros e prejuízos num mercado desimpedido são justamente as informações que o ajudam - É um pouco complicado mostrar esse argumento a muita gente pois não vivemos num mercado desimpedido, ou seja já existe viés que dificulta o cálculo econômico atualmente embora não queira me alongar nesse ponto pois foge do foco da questão inicial - Vou tentar um exemplo grosseiro: existe uma área limitada propicia pra plantação tanto de maças quanto de laranjas, nenhuma das duas frutas é a priori melhor do que a outra. Como o gestor por melhor que seja irá decidir qual delas ele irá plantar? É aí que se usa o sistema de preços como guia, pois os preços formados pela oferta e procura tendem a informar a vontade das pessoas no momento. Como a vontade é volátil a premissa para um planejamento central de sucesso é ter onisciência.

    Seguindo nesse exemplo existe outra questão, qual o melhor método de produção? Seria vantajoso usar a máquina X ou Y para auxiliar na coleta? Novamente não se tem uma resposta fácil sem sabermos os preços dessas máquinas, pode-se perceber que a máquina X realiza o trabalho 10% mais rápido, isso não a qualifica como a melhor. Visto que a máquina é outro recurso escasso, estaria ela sendo melhor utilizada colhendo maças/laranjas? Ou sendo usada em outra função? Ou ainda, em alguns momentos seria vantajoso utilizar e em outros não, visto que os preços variam junto com as mudanças das demandas.


    2º- (...) Se não há preços de bens de capital, ele não tem sequer como saber quais são seus custos, o que afeta toda a racionalidade econômica, (...)

    Quando se diz isso se afirma que em uma economia planejada tudo é de graça ou a preços fixos? Não entendo muito bem de economia planejada, isso é algo que já estou correndo atras.


    Não acho que tenha muito a acrescentar quanto a esse paragrafo, talvez apenas o ponto de que toda a interferência no livre mercado (não sendo necessário extremos) afetarão/dificultarão a racionalidade econômica. Pois distorcem (nos preços caso eles existam) as vontades reais dos consumidores e como serão alocados os recursos para atender estas vontades. Por melhor que seja a intenção/capacidade do gestor, caso ele não seja onisciente.

    Espero ter de alguma forma lhe ajudado.
  • anônimo - Gustavo  15/03/2014 16:24
    Antes de tudo, só para não acharem que são pessoas diferentes o "anônimo" é um tal de Gustavo, que nesse caso sou eu.

    (...) Aí que vejo o problema central, como o gestor irá saber que o produto está agradando aos seus consumidores de forma a ser melhor alocado seus recursos? (...)

    O que eu não entendo é por que ele (o Gestor) não teria a sua disposição informações como:
    - Quantidade de vendas realizadas nos postos (postos de venda);
    - Quantidade de pedidos feito pelos postos a aquele que produz;

    Isso não o ajudaria a balizar seus investimentos e a realizar ações inteligentes?

    Para elucidar melhor darei um exemplo (lembrando que o cenário é uma economia planejada):

    Existe uma fábrica de papel higiênico e essa fábrica fica responsável por abastecer as regiões X, Y e Z.
    Vamos supor ainda que a região X faça um pedido de 10 unidades/mês, a região Y de 70 unidades/mês e a região Z de 22 unidades/mês.

    Baseado nessas informações citadas acima eu já não conseguiria extrair informações necessárias para investimentos lógicos e eficientes?

    Acho que a grande questão ainda pra mim é: Por que em uma economia planejada (ou totalmente estatal) essas informações estratégicas somem (estou dizendo isso baseado nas informações que me foram passadas nos comentários anteriores)? Por que o Gestor não tem acesso a esses dados?

    ***

    To ficando até meio agoniado, acho que quando essas dúvidas se elucidarem o vou até pagar uma rodada de cerveja pra galera ai...
    haUhauHau.

    Abraços e obrigado por esses ensinamentos que faculdade nenhuma me daria.
  • Ricardo  15/03/2014 16:43
    Este exato modelo que você defende já foi tentado no Chile de Allende. Utilizaram um supercomputador que deveria fazer exatamente isso que você sugeriu. O resultado foi a escassez generalizada, exatamente como prevê a teoria.

    Portanto, se você tem problemas com a teoria, pode relaxar: a prática já comprovou a teoria.

    Você segue sem entender porque ignorou a minha sugestão de leitura. Vou tentar de novo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1430

    Se você realmente ler o artigo acima, você entenderá que não se trata realmente de uma questão de incentivos, mais sim de dispersão de informações e de cálculo econômico.

    Você pode mandar cartinhas para os burocratas o tanto que quiser, detalhando exatamente o que você quer comprar e qual a quantidade que eles devem produzir: eles continuarão às cegas, pois não têm como fazer o cálculo econômico (a ausência de propriedade privada dos meios de produção impede a formação de preços que possibilitariam estes cálculos) e não têm como apreender corretamente o real desejo da população, desejo esse que se manifesta justamente pela formação de preços, algo que você obstinadamente reluta em aceitar.

    As questões principais, portanto, são o cálculo econômico e a incapacidade dos planejadores de apreender todo o conhecimento que está disperso por toda a sociedade.
  • anônimo  15/03/2014 19:11
    'Por que em uma economia planejada (ou totalmente estatal) essas informações estratégicas somem (estou dizendo isso baseado nas informações que me foram passadas nos comentários anteriores)? Por que o Gestor não tem acesso a esses dados?'

    Elas não somem porque nunca existiram.A quantidade de pedidos e de vendas depende do preço, o governo não tem como saber o preço que o livre mercado estabeleceria se ele governo resolvesse controlar tudo
  • Carlos  15/03/2014 22:04
    Não que nunca existiram, mas há informações que quando um cara descobre uma delas ele tem a chance de se tornar um brilhante empreendedor. E para descobrir apenas uma delas já dá uma grande trabalho. Se a todo momento temos alguém com uma ideia genial, as vezes tão ridícula que nos contorcemos de raiva por não termos pensado numa coisa tão simples antes, como pode um computador armazenar todas se elas estão constantemente sendo descobertas ou criadas? Não imagino um algoritmo capaz de perceber que a um certo momento se tornam desnecessários os gastos, os maquinários e os funcionários de uma fábrica de máquinas de escrever. Um computador desses só poderia operar até o limite de um universo com um número fixo de tecnologias e informações, não poderia aceitar que máquinas de escrever, cartas e telefones estão se tornando inúteis por conta de pessoas que decidiram inventar o computador pessoal conectado à Internet. Ou que pequenas casas de madeira e tijolos cozidos foram ultrapassados por métodos de Light Steel Framing capazes de erguer 100 andares acima do chão.
  • gabriel  16/03/2014 05:18
    Olá Gustavo, gostei da ideia das cervejas haha, espero estar contribuindo de alguma forma então vamos lá, vou tentar seguir a conversa com seus exemplos.

    O que eu não entendo é por que ele (o Gestor) não teria a sua disposição informações como:
    - Quantidade de vendas realizadas nos postos (postos de venda);
    - Quantidade de pedidos feito pelos postos a aquele que produz;


    Então, primeiramente a quantidade de vendas realizadas e a quantidade de pedidos feitos são no máximo dados de determinado momento, o que talvez não ficou muito claro é que as vontade são voláteis. O sistema de preços está para auxiliar a demonstrar essa volatilidade, se as pessoas precisassem sempre da mesma coisa do mesmo jeito e tudo já fosse conhecido a priori não teria esse problema.

    Imaginei que os dados os quais você se referiu das quantidades fossem dados de períodos anteriores, relendo pensei na possibilidade que você gostaria que as pessoas realizassem os pedidos a cada mês. Nesse caso fica ainda mais obvio o problema, as pessoas pediriam o que desejam o que seria ótimo se os recursos fossem infinitos mas não o são, como então decidiriam quem receberia o que de seus pedidos se não de maneira aleatória?

    Segundo exemplo:

    Existe uma fábrica de papel higiênico e essa fábrica fica responsável por abastecer as regiões X, Y e Z.
    Vamos supor ainda que a região X faça um pedido de 10 unidades/mês, a região Y de 70 unidades/mês e a região Z de 22 unidades/mês.


    Vamos para esse segundo caso ignorar a questão da volatilidade das vontades. Existe primeiro a questão de qual papel higiênico seria produzido? Existem diversos tipos, papeis mais fofos, com aroma de sei lá o que, etc. Qual deles que vai ser produzido por esta fábrica que fica responsável por determinado abastecimento? E se eu preferir o que é produzido por outra fábrica fico impedido? Seria padronizado o papel higiênico?
    Teríamos ainda o segundo problema relatado no meu exemplo das maças/laranjas, como seria a produção desse papel higiênico? Quais máquinas estariam melhor alocadas em quais produções, funcionários, materiais? Não é possível separar uma indústria levando em conta que ela compete com outras por recursos as quais ambas precisem (mão de obra é um exemplo que é demandado por x tipos de indústrias). De novo o sistema de preços é ainda o melhor balizador para auxiliar nessas questões, embora não perfeito é o que tende a chegar mais próximo destas informações.

    Ainda gostaria de citar brevemente o problema da inovação, como se criaria uma nova forma de produção/produto? Se os recursos estão todos alocados pelo planejamento central para tentar sem sucesso atender as vontades de todos (sem sucesso pois os recursos não são infinitos, sempre existem vontades não satisfeitas) não existiriam recursos para inovação, como se iria gastar recursos para desenvolver um novo papel higiênico ou uma nova droga ou um novo tipo de avião? Pode-se argumentar que uma quantidade de recursos decidida aleatoriamente deva ser destinada P&D mas nesse caso quem seria agraciado com esses recursos? Porque alguns teriam prioridade sobre outro para o uso desses recursos se não por outra decisão central aleatória? E ainda como se perceberia que essa quantidade aleatória destinada a isso é a quantidade que as pessoas desejam e podem arcar destinada a esse fim? É legal também considerar que das muitas inovações que se tenta criar, muitas irão ser fracassadas o que não é problema quando quem decidiu colocar seus recursos na inovação fica com o ônus de seu fracasso (nesse caso a questão dos incentivos ajuda). Não gostaria de entrar na questão de incentivos então fico com como avaliar o sucesso da inovação sem o sistema de preços? Pode ser algo bem especifico, para determinada parcela de pessoas que a demanda(preços) supere os custos... Sem os preços essa avaliação não passa de um exercício de imaginação.

    Bom fico no aguardo de suas considerações, valeu
  • Renato Souza  18/03/2014 01:04
    Creio que em primeiro lugar não se deve confundir a questão dos incentivos com a questão dos preços. Realmente, a questão dos incentivos é importante, vemos em todos os países socialistas a morte da vontade das pessoas. É um problema real. Mas vamos supor que um país inteiro tivesse pessoas todas do mais alto gabarito moral (é impossível, mas suponhamos) ainda assim a questão dos preços permaneceria. Preços transmitem, em tempo real, informação sobre necessidades de produção de cada bem. Note que além da imensa quantidade de bens de consumo (milhões de tipos?) há talvez uma quantidade maior de bens intermediários e matérias primas. Preços reais dizem aos investidores "não use este insumo, é contraprodutivo" ou "este processo é mais racional", ou "as necessidades dos consumidores estão mudando, há mais procura por tais itens". É assim que os preços organizam toda a cadeia produtiva, e mesmo a introdução diária de novos processos, novos insumos, novos bens intermediários, novas máquinas, nada disso é problema, os preços continuam fornecendo informações úteis dia a dia, a todos os agentes econômicos, exatamente nas questões que lhes dizem respeito. Creio que o sistema de preços é o maior sistema de computação que já existiu, e tem a imensa vantagem de estar em todo lugar, acessível a todos os agentes econômicos, guiando-os exatamente nas decisões que lhes são pertinentes, e atualizando as informações dia a dia. E mais importante, tal sistema se corrige automaticamente, mostrando as avaliações erradas de preços feitas pelos agentes, quase sempre a tempo de evitar danos maiores. Se alguém disser que pretende substituir tal sistema por um birô centralizado, lhe perguntaria porque, sendo quase onipotente, quase onipresente e quase onisciente, tal pessoal não aproveita todo esse poder e conhecimento e não vai minerar estrelas, mudar a rotação das galáxias, ou viajar ao centro da terra...
    Preços são a inteligência coletiva de todos os seres humanos, no que concerne à extração, produção, distribuição e comércio, condensada em um conjunto de números simples e compreensíveis. Só Deus conseguiria substituir com vantagens esse sistema. Se Ele não o faz, certamente não quero que algum político ou burocrata idiota tente faze-lo.
  • Renato Souza  18/03/2014 01:57
    Uma questão interessante que geralmente não é discutida é que os preços de mercado não regulam apenas a demanda dos bens conforme o trabalho gasto, mas também quanto à raridade em relação à procura. Isso faz diminuir o uso de bens e insumos com restrição de fornecimento (pouca quantidade na natureza, por exemplo).

    Um outro ponto não compreendido pelos socialistas é que os preços não poderiam ser determinados a partir da quantidade de horas trabalhadas, porque os tipos de trabalho são diferentes. O mercado paga mais para o trabalho noturno do que para diurno, mais para o trabalho pesado que para o fácil, mais para o trabalho qualificado do que para o que não exige qualificação, e indica aos trabalhadores ramos ou espécies de trabalho mais demandadas em relação à oferta. Qualquer decisão burocrática sobre o valor relativo dos trabalhos seria bastante arbitrária (não haveria qualquer critério objetivo, pois os conceitos sobre isso são necessariamente subjetivos) e não levaria em conta a disposição real dos trabalhadores para cada tipo de trabalho.

    Agora note que estes preços (os salários) são alterados pelos preços de venda, isto é, a demanda. Certos produtos mostram-se inviáveis, conforme o mercado se modifica, a não ser que se possa contratar por salários mais baixos. Se não for possível contratar trabalhadores para aquele tipo de serviço, a salários competitivos, a produção daquele bem diminui (até que o preço chegue a um novo equilíbrio) ou mesmo é interrompida. Esse fenômeno orienta os empresários a novos produtos, mais adequados ao mercado.
  • Juno  18/03/2014 13:42
    Penso que é possível resumir o problema do cálculo econômico socialista da seguinte maneira:

    1) Em uma economia socialista, todos os meios de produção pertencem ao Estado.

    2) Sendo assim, obviamente não há um mercado de bens de produção. Eles não são comprados nem vendidos, pois todos pertencem ao estado e só podem pertencer ao estado.

    3) Consequentemente, não há como existir preços que correspondam à realidade para os bens de produção, uma vez que é necessário um mercado, intercâmbio entre agentes econômicos, para a formação dos mesmos.

    4) Já que não há precos reais para os bens de producão, torna-se impossível calcular os custos envolvidos na producão do que quer que seja. Os gestores, por mais bem-intencionados que fossem, não teriam condição de saber se estariam agregando ou destruindo valor em suas determinações econômicas (o cálculo econômico em questão). O sistema caminharia rumo ao colapso, produzindo muito sofrimento humano no processo.


    Ou seja: em um sistema socialista puro, a alocacão de recursos seria tomada de forma irracional devido à ausência de um processo de formacão de preços (fundamentais para a orientação da economia) para os bens de producão, já que todos estes seriam propriedade do estado. Mesmo que os burocratas no comando fossem anjos encarnados, o problema permaneceria.
  • Gustavo  18/03/2014 22:37
    Estou vindo dar uma satisfação, afinal eu seria muito idiota de gerar todo esse debate e depois simplesmente sumir.

    Fiquei desaparecido por esses dias por motivo de trabalho e isso me impossibilitou de ler os artigos citados e responder melhor os comentários, mas já adicionei na fila de prioridades.

    Quanto as questões em relação a conversa acredito que preciso estudar mais sobre economia planejada e conhecer melhor sua proposta.

    Infelizmente não posso dedicar todo o tempo que gostaria para estudar esses assuntos, pois essa não é minha atividade principal, então conforme vou encontrando tempo eu sempre vou dando uma estudada. E é isso ai.

    @Jeferson: Eu gosto sempre de conhecer os dois lados da moeda, e eu também acredito que já sabendo de antemão o que tal estadista irá me perguntar eu já finalizo o assunto muito mais rapidamente, ou seja, conhecendo ambas as idéias (mesmo só defendendo uma) considero que meu conhecimento será mais completo (pra dizer a verdade acho que todos deveriam pensar assim, porque qualquer tipo de bitola é uma merda).

    @Ricardo: Ainda vou ler esse artigo, infelizmente ainda não tive tempo e obrigado pela ajuda.

    @Carlos, @Gabriel, @Renato Souza, @Juno: Muito obrigado pelas explicações, com certeza foram de grande ajuda.

    @Moderador: Acho que vocês poderiam pensar em um sistema de comentários mais interessante, esse atual é muito chato para controlar os comentários que eu já li e os que eu ainda não li, pois não necessariamente estão em ordem cronológica. Acho que um sistema estilo os de forums onde as pessoas podem dar "quotes" ficaria mais interessante e organizado.


    Abraços e vlws.
  • Henrique  14/03/2014 12:40
    Pessoal, de acordo com este artigo (curto),
    www.huffingtonpost.com/naomi-klein/chiles-socialist-rebar_b_484143.html

    Pinochet teve que fazer uma série de nacionalizações e diz que o Chile teve a felicidade de ter sua indústria de cobre nas mãos estatais. O que acham?
  • Malthus  14/03/2014 14:45
    Já amplamente discutido na seção de comentários desse artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1812
  • Bia  14/03/2014 16:30
    Quer dizer que mandar 80% do salario do medico cubano para CUBA é exatamente o que o governo faz com o meu imposto? Me obriga a dar para quem eu nao estou de acordo...E nenhum brasileiro reclama disso...é o fim do mundo!!!!
  • mogisenio  14/03/2014 20:39
    A cor é rosa ou não?

    Caros Senhores, a definição de homem = ser racional é seca, abstrata, essencial, podendo ser grosseiramente comparada como sendo a água= H2O.( embora "molhada").

    Ora, água=H20, só mesmo ou , categoricamente, só exista em laboratório.

    Diante das várias premissas acima , as quais deveriam ter sido tratadas com universais, exatamente para satisfazer a condição de imperativo categórico, vamos elencar algumas que flagrantemente apontam em sentido contrário:

    "Talvez haja uma justificativa superior que dê ao estado o direito de violar nossos direitos naturais e confiscar nossa propriedade coercivamente para o benefício de terceiros. Para esta justificativa, recorreremos a dois filósofos: Immanuel Kant e T. Patrick Burke."

    O autor recorre a dois filósofos para "encontrar" as justificativas das proposições anteriores. Todavia, aponta condições supostamente categóricas que negam ou tentam negar as premissas apresentadas!?

    Ora, não há a possibilidade de DÚVIDA de existência ou não de um justificativa superior que dê ao estado o direito de violar qualquer coisa(...)
    A categoria é universal , razão pela qual, não admite dúvida, sob pena de negar a própria universalidade. Não admite uma suposta ironia, pois esta é incompatível com o raciocínio lógico que pretendeu apresentar.

    Deveria ter dito: Para NEGAR a existência desta justificativa superior recorreremos a dois filósofos(...)

    Prosseguindo.

    Curiosamente, para provar a falsidade da proposição acima- consequência da falta de negação, usaremos o próprio imperativo, mas no caso, o hipotético:

    SE "talvez haja um justificativa superior(P) ENTÃO o estado tem o direito de violar nossos direitos naturais e confiscar nossa propriedade coercitivamente. (Q)
    SE "P"=V e "Q"= V, necessariamente a afirmação é verdadeira.

    A segunda proposição pretende confirmar "aquela justificativa"( pois não a negou) recorrendo-se a dois notáveis filósofos. Entretanto, pela leitura do texto , é possível ( e não universal) deduzir que a utilização dos ensinamentos destes dois filósofos foi DE ENCONTRO à justificativa supostamente pretendida: " para esta justificativa, isto é, a de que talvez haja justificativa superior ... e o estado pode violar direitos naturais." (...)

    Ademais , a justificativa apresentada NEGA( ou pretende negar) apenas segunda proposição : Estado violando coercitivamente a propriedade, mas não nega a primeira proposição: Talvez haja justificativa(...) .Ora, é preciso afirmar que NÃO HÁ justificativa superior e isso não foi feito( desconsiderando-se a ausência da negação na premissa menor inicial)

    Não foram apresentadas provas cabais e/ou universais da "verdade" das seguintes premissas:

    1 Mateus 7:12: "Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam;

    2 Esta é a Lei e os Profetas".

    3 Ela se baseia puramente na razão.

    Portanto, não esclarece a condições de DÚVIDA da proposição inicial: "Talvez haja um justificativa"(...) Não prova a inexistência de uma justificativa superior.


    Por outro lado, se "Q" é falso e "P" é "verdade" ENTÃO necessariamente, a conclusão é FALSA.

    Desta forma, a utilização dos ensinamentos dos filósofos ao contrário do que aparentemente se pretendia, foi de encontro à tese.

    Além disso, a proposição "pobres viveriam melhor caso recebessem auxílios governamentais" não é um imperativo categórico, haja vista que não se provou, imperativamente, categoricamente e , sobretudo, universalmente, que TODOS OS pobres QUEREM RECEBER AUXÍLIOS de qualquer governo. Sequer definiu a pobreza.
    Eu, pessoalmente, conheço "pobres"( no sentido material) que não querem quaisquer auxílios governamentais.

    Portanto, a proposição acima é falsa e por isso mesmo não pode ser usada com IMPERATIVIDADE CATEGÓRICA.

    E ainda, não se pode concluir que com auxílios governamentais (supostamente coercitivos e violadores de direitos naturais) os pobres, em caráter UNIVERSAL, viveriam melhor. Como é possível um auxílio destes , vindo de um ente coator e violador, produzir "vida melhor"?

    Lado outro, "Viver melhor" relaciona-se também ao subjetivismo de cada um. Liga-se ao mundo dos óculos de lentes cor de rosa e, principalmente, ao "noumenon" e não somente ao mundo fenomênico.


    Para além disso, considerando-se a expressiva contribuição de Kant para o estudo da moral humana, até mesmo para os direitos humanos de 1ª dimensão, não se pode logicamente afirmar que exista uma condição "universal" à moral baseando-se tão somente na razão pura , no caso, necessariamente, a priori.

    Outros filósofos já trilharam este caminho. Um , também se baseou nessa "corrente" de razão pura para, exatamente, defender a existência de um ESTADO coator e , portanto, contrário à tese aqui apresentada. E já sabemos o resultado da pureza de raciocínio humano...

    Mais ainda. Vem exatamente daí, uma das provas da lógica dedutiva, as quais visam provar a necessidade da existência de um Estado coator hierarquizado, mas que deve age com auto limitação no mundo do "dever- ser".



    Portanto caros senhores, o texto acima passa longe das ricas publicações que aqui, frequentemente, temos o prazer de ler.

    Saudações


  • Emerson Luís, um Psicólogo  15/03/2014 17:51
    Esse texto mostra que "justiça social" é a perversão da genuína justiça. A palavra "caridade" vem do grego "karis", que é uma boa ação feita voluntariamente e sem um merecimento do beneficiado, como quando um professor arredonda para cima a nota de um aluno e assim permite que ele seja aprovado. "Justiça social", caridade compulsória, é uma contradição de termos, uma monstruosidade conceitual.

    * * *
  • Guilherme Ferreira  15/03/2014 22:52
    Sobre o trecho abaixo:
    "Se por acaso algum conceito superior de justiça nos obrigasse a ajudar todas as pessoas que viessem a nós suplicando por ajuda, passaríamos então a ser escravos de toda a humanidade".

    Isso me fez lembrar das palavras de um sábio que viveu há cerca de 2.000 anos atrás...

    "Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes."
    (Mt 5:42)

    "Quem quiser ser importante entre vocês, que sirva os outros. E quem quiser se tornar o primeiro, que seja escravo dos demais".
    (Mt 20:26-27)
  • Nilo BP  16/03/2014 06:40
    Eu não sou entendido em teologia, nem sou cristão, nem religioso de qualquer forma... mas até onde eu sei, também faz parte do cristianismo o imperativo de não roubar dos outros.

    Ou seja, usar essas citações fora de contexto para defender a redistribuição forçada pelo Estado é deturpar a religião.

    Mas tudo bem, hoje em dia até o Papa entrou no bonde. Para que esperar a justiça divina, se o governo está tão disposto a ajudar?...
  • Guilherme Ferreira  19/03/2014 03:42
    Nilo BP,

    Eu sou cristão e sou contra a redistribuição forçada pelo Estado.

    Como dizia Bastiat, "é-me impossível separar a palavra FRATERNIDADE da palavra VOLUNTÁRIA".

    Apenas reparei na semelhança do parágrafo "Se por acaso algum conceito superior de justiça nos obrigasse a ajudar todas as pessoas que viessem a nós suplicando por ajuda, passaríamos então a ser escravos de toda a humanidade" com as palavras de Jesus, que no meu entendimento ensinava que devemos emprestar sempre que nos pedissem (desde que tivéssemos condições para isso, é claro), e que viemos na verdade para servir, não para sermos servidos.

    "Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria."
    (II Coríntios 9:7)

    "Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me."
    (Mateus 19:21)
  • Renato Souza  16/03/2014 14:19
    Guilherme

    Só é válida a interpretação que compatibiliza todo o texto bíblico. Quem joga fora parte da Bíblia para interpretar o restante, está praticando heresia e não teologia.

    Então veja estas palavras de Tiago em sua carta: "Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel". Ora, alguém que se dispusesse a dar a qualquer pessoa tudo o que lhe fosse pedido, logo ficaria sem recursos para por alimentar sua família. Tal pessoa, segundo Tiago, irmão de Jesus, é pior que os infiéis.

    Mas vejamos exemplos das próprias palavras de Jesus "Vós, porém, dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor; nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a esta".
    Note que Jesus condena que se exija de um homem valor que vá faltar para o cuidado de seus país, mesmo que ele num momento irrefletido tenha prometido tal valor ao Templo. Jesus fala da lei, que manda honrar os país e mães (o que inclui cuidar deles), e diz que ela não pode ser anulada por nenhuma tradição ou interpretação rabínica, e que o homem deveria se recusar a dar a outros (mesmo ao Templo) valor que fosse faltar para o cumprimento de suas obrigações para com os familiares.

    Vejamos outro exemplo "E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?
    Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios? Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos. Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti".
    Note que Jesus afirma que ele e Pedro estariam moralmente justificados em recusarem-se a pagar as dracmas (que era um tributo do Templo, contrário à Lei de Moisés, pois esta determinava que o Templo só podia ser sustentado por valor que fosse voluntariamente trazido, e nunca por cobrança). Ele concede pagar apenas para não escandalizar, isto é, concluiu que sua atitude em recusar-se seria interpretada de forma errada.

    Vejamos outro exemplo no qual Jesus mostra por parábola o exercício da benemerência: "Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha. E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha. E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça, E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo. E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou- lhes: Por que estais ociosos todo o dia?
    Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo. E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros. E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um. Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um.
    E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família, Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia. Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro? Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos" Mateus 20:1-16.

    Note que o fazendeiro, mostrado como um homem bom, faz benemerência segundo o seu próprio critério (o foco da parábola não é este, mas secundariamente mostra também a benemerência), e não aceita que dele se exija mais do que o contratado. O que ele quer dar a mais é segundo critério seu, não segundo o que outros julgam. O fazendeiro fica irritado por alguém sugerir que terá o direito de determinar o que ele deve fazer com seu próprio dinheiro. Secundariamente também, vemos qual foi o critério pessoal usado pelo fazendeiro: Um denário era a diária comum de um trabalhador braçal, suficiente para sua manutenção, de sua esposa e de seus filhos pequenos. Foi precisamente este valor que ele acertou com os primeiros trabalhadores. Por isso, julgou que aqueles que não tinham conseguido serviço no começo do dia teriam falta de manutenção para suas famílias, se lhes pagasse a fração trabalhada. Por critério pessoal, decidiu pagar a todos um denário. Mas essa bondade pessoal não o colocava em obrigação nenhuma para com ninguém. Segundo a tradição judaica, seguida por Jesus, o homem bom é um sábio, e tem critérios inteligentes para fazer o bem. Justamente por tal motivo o estado não pode fazer benemerência, porque não tem critérios bons ou inteligentes, mas geralmente critérios políticos de guerra entre grupos de pressão.

    Logo, Guilherme, a interpretação correta das palavras de Jesus não pode ser dar tudo o qualquer pessoa pedir, pois neste caso as famílias dos cristãos ficariam todas na míséria, e todo o ganho deles iria para as piores pessoas, que lhes exigiriam tudo. A interpretação correta é a seguinte: Dá a quem te pedir, isto é mesmo aos estrangeiros ou pessoas de outra religião, porque haviam rabinos que ensinavam que se devia fazer benemerência apenas aos da mesma nação.

    Quanto ao segundo texto, ele apenas diz que a honra dentro do Reino de Deus é fruto do serviço abnegado aos outros. Um ministro de Deus é tanto mais honrado quanto mais servir ao rebanho e ao povo, seja no ensino, seja na benemerência, e e isto que significa "ser escravo de todos" porque o escravo serve. Mas não significa jamais que o ministro de Deus deve se deixar escravizar por alguém, pois nesse caso o primeiro perverso que encontrasse um ministro, lhe ordenaria que fosse à sua casa servi-lo, e assim fariam todos os perversos, e o ministro deixaria de o ser para se tornar um escravo pessoal dos homens maus.
  • Guilherme Ferreira  19/03/2014 03:44
    Renato Souza,

    Muito interessante esse teu comentário, esclarecendo a doutrina bíblica.

    Por acaso tu tens algum blog, ou site?
  • Jeferson  17/03/2014 19:49
    TL;DR do que o Renato escreveu:

    "Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes."
    (Mt 5:42)


    Você só pode dar ou emprestar o que é seu, não o que é de outro. Logo, isso não serve de justificativa para nenhuma ação do estado, que toma à força o que é seu e dá a quem ele quer.

    "Quem quiser ser importante entre vocês, que sirva os outros. E quem quiser se tornar o primeiro, que seja escravo dos demais".
    (Mt 20:26-27)


    Da mesma maneira, essa "escravidão" sugerida pelo Mestre deve ser voluntária, senão não terá valor. Não há problema algum em alguém resolver se tornar escravo da humanidade, mas há problema em alguém querer que todos o sejam. Nem todos têm condições de sê-lo, assim como S. Paulo disse que, embora ele considerasse bom que todos fossem como ele (abdicassem de ter família e uma vida estabelecida num lugar para viver a serviço do ministério cristão), ele tinha plena consciência de que nem todos poderiam fazê-lo.
  • Guilherme Ferreira  01/04/2014 19:54
    Gostei do teu comentário, Jeferson.
    Valeu pela explicação.
  • Arthur  04/04/2014 13:21
    Senhores, penso da seguinte maneira:

    1. O Estado não pode obrigar o indivíduo a praticar boas ações.

    2. O Estado somente pode impedir o indivíduo de praticar más ações (atos ilegais).

    3. As boas ações e a caridade devem ser fruto genuíno da liberdade humana e não de uma imposição coercitiva do Estado.

    4. O conteúdo moral da caridade depende diretamente do grau de liberdade de quem a pratica. Se alguém pratica o bem livremente, expressa a sua bondade. Se alguém é obrigado coercitivamente a praticar o bem, nada mais faz do que cumprir uma norma por receio da penalidade que pode sofrer caso não a cumpra.

    5. Se o Estado pudesse, além de reprimir a prática de maus atos, também obrigar o indivíduo a praticar bons atos, restaria anulada a liberdade fundamental de ação do indivíduo.

    6. O Estado pode apens incentivar a prática de boas ações e a caridade, mas não pode obrigar essa prática. Todo homem pode ser impedido de praticar o mal, mas não pode ser obrigado a praticar o bem.

    7. Por isso, se o Estado deseja que o indivíduo pratique boas ações, deve atuar por meio de normas de incentivo (sanção premial) e não por meio de normas coercitivas (sanção punitiva). As normas coercitivas se destinam tão somente a impedir a prática de um ato ilícito e não a forçar a prática de um ato lícito.

    8. Diante dessas considerações,indago o que o senhores pensam acerca do atual Decreto que a Presidência da Repúbica pretende promulgar, obrigando médicos já formados, a atuarem como "estudantes" no SUS (estágio obrigatório, que não se confunde com a residência médica), antes de iniciar suas carreiras efetivamente. Na mesma linha de raciocínio, o que pensam os senhores sobre a lei que obriga empresas privadas a contratarem quota mínima de deficientes físicos.

    Atenciosamente,

    A.
  • Andre Cavalcante  07/04/2014 13:45
    Só um adendo.

    Caridade é, por definição, um ato individual e voluntário. Caridade é doar-se a si mesmo. Logo, se for obrigado, de alguma forma, então não é caridade.

    Só esse argumento moral, já quebraria qualquer argumento sobre "ações afirmativas" pelo estado, que necessariamente deve usar a força para impor as tais ações afirmativas. Então, ações afirmativas são tudo menos caridade.

    Veja, pode até haver outros argumentos em favor de ações afirmativas, mas jamais podemos admitir que se trate de caridade.


    Sobre os médicos (e quaisquer outros profissionais):

    cabe às Universidades e, mais especificamente, aos seu corpo docente definir como acham melhor realizar a formação dos seus alunos, levando-se em conta várias coisas, inclusive, mercado de trabalho, necessidade de estágios, e outras atividades curriculares e extracurriculares. O que está errado na lei não é o médico fazer um estágio no SUS ou em qualquer outro lugar. (Pode ter certeza que poucos não aproveitariam a oportunidade para aprimorar de alguma maneira a sua formação - na minha região, boa parte dos médicos fazem estágio no interior, e é obrigatório no curso de medicina - o aluno que entra no curso já sabe que vai pro interior - tanto da Federal, quanto da Estadual e mesmo algumas privadas). O problema aqui é o governo obrigar as Universidades a inserirem tal coisa em seu currículo.

  • Guilherme Ferreira  07/04/2014 01:39
    Perfeito o comentário, Arthur.

    O governo deveria incentivar as ações afirmativas, porém nunca obrigar, senão viola o direito à liberdade dos seus cidadãos.
  • Paulo César Lourenção  27/01/2017 20:57
    Tenho estudado muito as obras de Kant e tentado fazer relacionamentos com Mises e outros;
    As ponderações do texto, de forma geral, estão corretas a meu ver, exceto por um detalhe crucial: tenta 'encaixar' os postulados de Kant também de forma apriorística aos postulados de Mises. Me parece um 'pecado original' da lógica toda da defesa, pois dá exemplos sob a ótica CAPITALISTA, com isso tentando justificar que determinadas ações no mundo concreto não seriam possíveis. Exemplo: formação de preços e, pasmem, LUCROS. A ideia da priorização de investimentos e de LUCROS, por exemplo, mereceria ser melhor estudada e debatida, pois aqui passa uma mensagem de desonestidade intelectual mesmo, visto que obviamente tais conceitos fundamentais (formação de preços e lucro), NÃO PODEM e não devem ser considerados como "imperativos categóricos', para usar conceitos do próprio Kant. O que eu quero dizer é que os conceitos CAPITALISTAS sobre formação de preços, lucros, investimentos e tudo o mais, estão MUITO LONGE DE SEREM CONCEITOS comprovadamente universais e livres de erro, portanto, nessa análise extremamente superficial não se pode afirmar que num sistema socialista toda a engrenagem não funcionaria. Há que se buscar soluções, novas teorias e comparativos FORA das ideias preconcebidas do capitalismo e do socialismo, que imperfeitos que são, podem evoluir, mas não necessariamente se excluirem mutuamente. E por último, não deixa de ser engraçado a frase que cita que o socialismo produziria terríveis distorções como " relações corruptas: ajudar amigos, empresas favoritas e empresários bem relacionados, os quais irão retribuir com fartas doações de campanha". Ou seja, o retrato fiel do que acontece hoje no mundo capitalista, no mundo todo. É o sujo falando do mal lavado.
  • Paulo César Lourenção  27/01/2017 21:01
    e faltou comentar sobre 'liberdade': está mais do que claro que a liberdade total e pura somente seria conseguida se o indivíduo vivesse totalmente SOZINHO e não se relacionasse com nada e com ninguém. Portanto, senhores, a partir do momento em que você e eu vivemos em sociedade, a SUA VONTADE, assim como a minha vontade, VAI SER, SIM, desconsiderada a favor da vontade DA MAIORIA. Isso também é um ganho civilizatório imenso e sim, o 'bem da maioria' pode ser considerado, esse sim, um 'imperativo categórico' digno das proposições puras de Kant e que não tenham sido manipuladas para atingir um fim determinado, como é o caso de Mises.


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