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Sociedades sem estado - não há respostas fora do indivíduo
Coerção é um mal.  Talvez seja necessário para a vida em sociedade.  Nesse caso, será um mal necessário.  Seja como for, podemos concordar que, tudo o mais constante, quanto menos coerção, melhor.  Em um mundo ideal, perfeito, utópico, não haveria coerção nenhuma.  Como o estado é um ente necessariamente coercitivo, segue-se que num mundo perfeito não haveria estado.

Ainda não chegamos ao mundo ideal; nunca chegaremos.  Sempre haverá alguma coerção. Mas nem por isso o ideal morre.  Na maioria das áreas da vida, quando o estado impõe regras que vão além do direito individual, ele apenas atrapalha as coisas.  A formulação de leis e o aparato bélico para garantir que elas sejam seguidas (chamo isso de "lei e ordem") são serviços como tantos outros, que podem ser ofertados de maneira boa ou ruim.  Que tal quebrar esse monopólio?

Reza a cartilha liberal clássica que as características desse setor fazem com que o uso inicial da força seja necessário.  Pode ser; não tenho opinião formada.  Você também não sabe.  No mínimo, temos que experimentar.  Não precisa ser o mundo inteiro — ou o Brasil inteiro — de uma vez.  Bastaria um território pequeno graciosamente cedido pelo estado (coisa que ele nunca fará, não importa quantas pessoas tenha que matar para impedi-lo).  

A experimentação, a ousadia de criar o inexistente, essa atitude do espírito humano tão contrária à mentalidade estatal, daria respostas a essa e outras perguntas da ciência política. Saberíamos finalmente se a sociedade sem estado funciona.

Não há respostas fora de nós

Lindo no papel, mas na prática a coisa não é tão simples.  Quando falamos de experimentos sociais, imaginamos dois resultados possíveis: ou o experimento dá certo e temos um mundo ensolarado em que todo mundo é feliz e as coisas acontecem sem impedimentos; ou então ele dá errado e impera o caos.  Mas e se o resultado apresentar — e ele sempre apresenta — melhoras e pioras?

A magnitude do investimento em lei e ordem é decidida por critérios políticos e o estado tem a pretensão (embora não a capacidade) de estendê-las a toda a população gratuitamente (no consumo).  Além disso, ele mantém câmaras legislativas permanentes operando e criando leis, empregando não só os parlamentares eleitos como toda uma horda de assessores e serviços como transporte.  Suponho, então, que os gastos com lei e ordem sejam superiores ao que seriam caso fossem serviços oferecidos sob o processo de mercado (e em parte já são: seguranças privados, arbitragens não-estatais, tribunais religiosos, etc.).  Uma vez liberalizado este setor, é provável que lei e ordem decrescessem, especialmente no curto prazo, enquanto inovações e fracassos ocorreriam em grandes números.  Com o tempo, no entanto, soluções mais estáveis iriam sendo encontradas.  A estabilidade nunca é plena — devido a empreendedorismo e inovações —, mas aumenta.

Ou talvez o estado seja tão ineficiente que, mesmo cobrando à força e inundando o mercado com seu serviço, lei e ordem aumentariam sob o mercado, no qual vigoraria preço superior a zero (por outro lado, sem impostos). Contudo, o mais provável é que diminuíssem, ao menos num primeiro momento.  Suponha então que os roubos sob uma sociedade sem estado aumentassem 10%, mas as opções de lazer também crescessem e se diversificassem; ou então que a saúde melhorasse; ou que a riqueza da população em geral aumentasse.  

O nível total de renda confiscada (que antes era crime + impostos, e agora passa a ser só crime) pode diminuir, e a imprevisibilidade desse confisco pode aumentar.  Qual é melhor?  Como comparar os diversos efeitos da mudança, uns bons e outros ruins?

Não existe critério técnico, científico, que responda a dilemas assim.  Em qualquer comparação entre duas realidades sociais nas quais uma não seja melhor em tudo haverá espaço para discordâncias.  Você prefere mais segurança ou mais oportunidades?  Mais estabilidade ou mais mobilidade?  Há pessoas que precisam de rotina e ordem para construir sua vida.  Outras prosperam com as oportunidades que só a incerteza e o risco dão.  E não há teste científico que mostre quem está certo.  Às vezes, a discussão filosófica resolve algumas das discordâncias; mesmo assim, concepções diferentes de vida e sociedade sempre existiram e sempre existirão. O experimento social nos daria conhecimentos novos, mas nenhuma resposta definitiva.  E sob a dúvida, como dizer qual sistema é melhor?

Ocorre que essa dúvida é um argumento em prol de uma sociedade sem estado.  Na ausência de um ponto ótimo válido para todas as pessoas (entre risco e estabilidade, entre segurança e riqueza etc.), com que critério se impõe qualquer um deles sobre os demais? Se há um trade-off entre lei e ordem e os demais bens da vida, então cada pessoa deve poder escolher em que ponto desse trade-off ela quer viver.  O mercado refletirá essas escolhas, levando como sempre a pontos de equilíbrio (sempre múltiplos e setoriais) que, por sua vez, mudam de lugar conforme mudam as condições do mercado.

As formas de vida e de organização social são muitas; ao contrário de tantas ideologias que circulam por aí, apenas o libertarianismo permite a todo mundo testar suas ideias e viver seus valores.  Não quer dizer que todas as escolhas estão certas ou têm o mesmo valor; muitos sonhos fracassarão, como é próprio dos sonhos.  A liberdade não garante a felicidade de ninguém; garante o direito de fazer as próprias escolhas e arcar com o custo delas.  Você pode ser avesso ao risco, como o estado-babá costuma ser.  Pode até ser mais do que ele, mas suas medidas de precaução não pesarão no bolso dos demais.  E pode ser menos prudente; pode se lançar ao risco para ver o que se esconde onde ninguém mais ousa ir; e se voar perto do sol e cair, ninguém será obrigado a te salvar. Uma vida em contato com o custo e o retorno real das próprias escolhas; é isso que uma sociedade sem estado oferece.

A miséria das anarquias reais

"Nós conhecemos alguns exemplos de anarquia, e são todos péssimos. Olha a Somália!"  O argumentum ad Somaliam precisa ser respondido.  O primeiro ponto que ressalto é que, mesmo em meio ao caos do desmoronamento estatal, algumas coisas melhoraram (veja aqui).  A telefonia e a internet só deslancharam na Somália quando não havia mais um estado para impedi-los.  O PIB cresceu.  Um outro exemplo é favela de Kibera, no Quênia, que por uma série de motivos foi abandonada pelo estado.  É suja e densamente povoada (e ainda recebe migrantes — bom sinal); no entanto, há um mercado vibrante, e serviços de todos os tipos, mesmo de segurança, são negociados livremente.

Mais importante do que apontar os ganhos da anarquia mesmo em situações de extrema pobreza é notar que há um viés de seleção enorme nesses exemplos.  Não é por acaso que ela hoje exista apenas nos lugares mais pobres.  São lugares tão conturbados e tão caóticos que o estado simplesmente desmoronou; ou então tão pobres que o estado não tem interesse em dominar.  Em menor grau, o mesmo vale para muitas favelas ao redor do mundo; a presença do estado é baixa porque não há muito o que extrair – o que permite a ascensão de estados alternativos, como gangues de tráfico ou milícias no Rio. Se o estado neozelandês abrisse mão de uma vila sua, não veríamos o caos e a pobreza da Somália.  Não é que a ausência de estado leve à pobreza; é que o estado só permite a anarquia nos lugares mais pobres.

A pluralidade das justiças

Eu, e suspeito que não só eu, recaio com frequência num velho vício mental: pensar a lei estatal como um absoluto; uma regra que pode ser justa ou injusta, binariamente, e que uma vez sancionada vira um imperativo absoluto, que valerá sempre.  Óbvio que não é assim.  Aliás, nós brasileiros somos os criadores de dois patrimônios culturais inestimáveis que mostram o quão relativa é a lei do estado (e, na verdade, de qualquer organização impessoal): a "lei que não pega" e o jeitinho.  Só porque está no papel, não quer dizer que valha no mundo real.  Regras ruins podem (e devem) ser burladas para reduzir a ineficiência que produzem.

Em tese, o estado é absoluto e soberano.  No mundo real, ele é mais uma entidade com poder grande, mas limitado; não pune e nem previne todos os crimes, não faz valer todas as leis.  Ele tem custos.  Ele pode ser mais ou menos eficaz não só na aplicação mas também na qualidade das leis.  Em um arranjo sem estado, você abre mão da idéia de uma lei única e absoluta (que é ilusória), e de um poder inapelável e invencível, da espada de Deus na terra.  Em troca você ganha sistemas que podem ser mais eficientes e mais de acordo com as necessidades das pessoas.  Troca uma muleta mental pelo campo aberto da realidade.

Normalmente, estatistas e mesmo libertários aferrados a uma concepção absolutista de lei natural enxergam a justiça como preta e branca: ou uma lei é justa, ou é injusta.  Em todos os conflitos possíveis há uma solução racional e plenamente justa.  Tudo que foge dela é inaceitável.  Discordo.  Leis opostas podem ter cada uma o seu mérito. Por exemplo: incitação ao crime deve ser proibida?  E incitar ao crime com o uso de dinheiro? Difamação?  Poluição visual?  Diferentes respostas levarão a diferentes arranjos sociais.  O processo de mercado permite a concorrência entre essas diferentes respostas — e a arbitragem entre os diferentes sistemas —, enquanto o estado permite apenas uma resposta única, não-testável e fixa.

Por mais que se especule, ninguém sabe como seria uma sociedade anárquica moderna, sem monopólio territorial de lei e ordem.  Teremos que descobrir.  A resposta conservadora é apostar sempre em mais do mesmo.  Ou então podemos experimentar e ver no que dá; ousar e criar novas formas de convivência; replicar os modelos de sucesso, que não impede a coexistência dos outros; fazer o que o estado, essa tecnologia ultrapassada de resolução de problemas sociais, é incapaz de fazer.  Respostas antigas serão destruídas e novas serão criadas. Como será?  Anarquize-se e veremos.



autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com.

  • Andre B.  24/02/2014 14:08
    Sensacional! Texto salvo nos meus arquivos pessoais.
  • Pedro Ivo  24/02/2014 17:33
    "Nós conhecemos alguns exemplos de anarquia, e são todos péssimos. Olha a Somália!" O argumentum ad Somaliam precisa ser respondido. O primeiro ponto que ressalto é que, mesmo em meio ao caos do desmoronamento estatal, algumas coisas melhoraram ... outro exemplo é favela de Kibera, no Quênia, que por uma série de motivos foi abandonada pelo estado. É suja e densamente povoada (e ainda recebe migrantes — bom sinal); no entanto, há um mercado vibrante, e serviços de todos os tipos, mesmo de segurança, são negociados livremente.

    Acho mui importante responder com exemplos ao argumento Ad Somaliam, e por coincidência tem 2 postagens num blog que acompanho (é o blog do Mohamed Atcka Todomundo, um leitor cá do IMB, que faz comentários aos textos e deixa links para seu blog. Para quem não conhece, e tem a sensibilidade + suscetível, cabe avisar que ele ilustra os textos com mulheres nuas). Um artigo é sobre a Somália ( Sem estado n Somália) e o outro é sobre escolas particulares, e mostra o caso da favela de Kibera (escolas privadas).

    Só que + importante que ilustrar com exemplos é refutar conceitualmente, e isto o autor fez com um adágio de penetrância lapidar: não é que a ausência de estado leve à pobreza; é que o estado só permite a anarquia nos lugares mais pobres .

    Conceitualizar é a capacidade de propor um princípio [ou conjunto deles] unificante que abarque sobre o mesmo "guarda-chuva" um conjunto de fenômenos/eventos (que na aparência podem ser tanto análogos quanto dispares), e que sem o principio seriam episódios singulares. Enfim, episódios descrevem, princípios explicam. E o adágio 'não é que a ausência de estado leve à pobreza; é que o estado só permite a anarquia nos lugares mais pobres' propõe uma hipótese unificante mui perspicaz para o tema "anarquia e pobreza", a qual nos coloca atentos aos casos que se apresentam sobre ausência de estado.

    Congratulações pelo bom trabalho.
  • Edson  24/02/2014 14:18
    Podem despertar do sono, agora.
  • Cadu  26/10/2015 03:33
    eu sei que é dificil acreditar. Rothbard ja demonstrou a balela que é a norma geral da constituiçao do Kelsen (ou sei la qual que é o nome dessa bagaça do Kelsen), ou seja a incapacidade da constituiçao em limitar o poder do estado. Veja o bill of rights e veja o quão gordo esta o estado americano (embora seja um pouco mais eficiente que o nosso e tenha mais liberdade econômica). Claro que ainda é um sonho, o bitcoin ta ai, muito mais gente esta começando a desacreditar na ineficiência do governo, e isso é fantastico. Vivemos uma anarquia capitalista diaria cara. As empresas estao cada vez mais contratando segurança privada (a estatal nao da conta), mais pessoas estao sonegando, usando caronas coletivas, uber. A coisa ta rolando, aos poquinhos. Eu sinceramente nao sei ao certo o que ira acontecer, mas vou aproveitando minha vida e espero que continuemos tendo liberdade para falar sobre qualquer coisa, acho que o respeito deve imperar e que vc seja feliz e viva da maneira que te mais satisfaz (contanto que nao interfira na liberdade dos outros) abç.
  • Phillip Grillo  24/02/2014 14:24
    Olha o futuro chegando. www.youtube.com/watch?v=0Nr1OLqD7OU
  • Gilmar Rodrigues  24/02/2014 14:25
    Quando comecei a ler soube de cara que não era de um dos colunistas usuais, parabéns Joel, é sempre um prazer lê-lo, a sua escrita vem com uma carga filosófica que bota a gente para pensar nos dois lados da questão sem ser nebulosa ou reducionista.

    A propósito, a revista Dicta&Contradicta ainda vai ser impressa? Acho que falta um veículo cultural assim no Brasil, que tenha presença tanto na internet como no mundo físico, o pensamento de esquerda recebe todo o financiamento e se espalha por ai sem deixar margem, nas bancas por exemplo encontra-se Caros Amigos, Piauí, Le Monde Diplomatique e congêneres, mas nada que fuja um pouquinho desse lado das coisas.

    Para não me alongar muito no comentário, também acho que é preciso algum tipo de experiência concreta do anarco-capitalismo, mas não sei se no estado atual do mundo irá surgir algo assim em uma nação desenvolvida, as pessoas tendem a se acomodar e o capitalismo que trouxe um pouco do espírito "bárbaro" já está se tornando demasiado "sedentário", hoje o mercado financeiro tem muito mais importância que a produção industrial.
  • Mogisenio  24/02/2014 14:34
    O texto é interessante, mas gostaria de sugerir apenas alguns ajustes. Vejamos.

    1 - trocar o termo "sociedade" por "comunidade". Isto porque o termo sociedade já contém tendência, ou significado voltado para uma organização humana formada num imaginário "contrato social". Sabemos que esta expressão nos remete a um dos pilares que , pelo menos em tese, apontam para o surgimento ou manutenção do Estado moderno.
    O termo sociedade também já foi cooptado pela sociologia, ligando-se portanto, ao positivismo que nos levará à coerção etc.

    Assim, para evitar-se o aparente paradoxo no estudo de sociedade sem estado, vez que nesse sentido, a sociedade passa a existir exatamente devido ao Estado, seria interessante retirar a expressão "sociedade". Comunidade, talvez, sejo o termo mais indicado. Mas, se mesmo assim, houver algum resquício de comunismo contido no significado de comunidade, então também este termo não deveria ser usado. Neste caso, melhor seria falar em organização qualquer de seres humanos por algumas razões lógicas e explicáveis.

    Superando-se esta questão, creio ser importante compreender também como o poder seria usado. Ora, já sabemos que o homem mesmo sendo gregário, gera conflito. Por isso mesmo, precisa de instrumentos para lidar com o poder natural( ainda que só físico) de cada um. Mesmo considerando que o "mercado" possa indicar algumas soluções, não me parece capaz de esgotar todas as possibilidades de conflito entre os seres humanos racionais e geradores de conflito. Isso pode nos levar a uma certa espiral conflituosa prejudicando a liberdade, a segurança, a propriedade privada etc. Aliás, a própria liberdade de cada um precisa ser de alguma forma pré estabelecida, isto é, necessita de algum elemento que a caracterize justa ou aceitável para todos, antes, durante e depois da ocorrência de um ato comissivo, omissivo, por ação ou omissão realizado por um ser humano qualquer.


    Saudações
  • Tannhauser  24/02/2014 15:10
    Soube esse fim de semana da iniciativa da Honduras na criação de regiões livres. A ideia surgiu a partir de uma palestra do TED a respeito de "cidades livres" ou "cidades startup", não me recordo bem da palestra. O Mises está planejando algum artigo a respeito? Gostaria de entender melhor a iniciativa.
  • Rafael  24/02/2014 21:26

    Tannhauser, o Phillip Grillo já tinha postado o vídeo que você gostaria www.youtube.com/watch?v=0Nr1OLqD7OU

    abs
  • Andre  24/02/2014 15:32
    Muito antigamente não havia estado, as pessoas o inventaram.
    Isso é normal, pessoas cometem erros, é só procurar na história
    e podemos encontrar muitos outros erros.

    Mas o fato é que hoje em dia a maioria das pessoas tem fé no estado.
    Acredito que só começaremos à ter territórios sem estado quando
    a quantidade de libertários atingir massa crítica e fizer pressão
    para criar tais territórios.

    Aí então, quem tem fé no estado, vendo o sucesso destes começarão
    à perder sua fé.
    Enquanto isso vamos espalhando as ideias libertárias para alcançarmos
    massa crítica logo.
  • Tannhauser  24/02/2014 15:49
    André, se eu e você negociarmos um bem ou serviço no qual nos comprometemos a não buscar nenhum tipo de interferência Estatal, já formamos uma sociedade sem Estado. A massa crítica é de 2 pessoas.
  • Andre  24/02/2014 16:46
    "André, se eu e você negociarmos um bem ou serviço no qual nos comprometemos a não buscar nenhum tipo de interferência Estatal, já formamos uma sociedade sem Estado. A massa crítica é de 2 pessoas."

    Mas assim não estabelecemos um território sem intervenção do estado.
  • anônimo  26/02/2014 20:13
    É... só que não! Se for qq coisa de valor, provavelmente terá um contrato e/ou passará valores por algum banco, logo estará no escopo do estado. Irá entrar no sistema, aparecerá para a receita fuderal, deverá constar no seu IR. Mesmo que vc sonegue. E isso É o estado.
  • Silvio  24/02/2014 16:38
    Se considerarmos que atualmente há uma pressão muito maior para se criar um estado mundial do que para se acabar com o estado, podemos supor sem medo de errar que a morte do estado está muito longe de se tornar uma realidade.
    Não se iluda, o Leviatã ainda se tornará maior e mais monstruoso antes de ser derrubado.
  • Pedro Ivo  24/02/2014 17:51
    A massa crítica é de 2 pessoas. - E dá-lhe bitcoin (e análogos) neles!

    Mas assim não estabelecemos um território sem intervenção do estado. Mas estabelece um ambiente, físico como, e especialmente, mental.
  • Romulo  24/02/2014 16:11
    Muito bom, pena que o Brasil é o único lugar do mundo que esta anarquia não tem chance de ocorrer. Aqui, a maioria sonha desde tenra idade em fazer parte do maldito estado e quando saem às ruas para protestar, e sempre pedindo estado olhai por nós. Ai minhas orelhas tupiniquins!
  • anonimo  24/02/2014 16:26
    Em relação a " um território pequeno graciosamente cedido pelo estado", creio que pode-se dizer que Bir Tawil entra nessa categoria, claro que é penas um imenso deserto sem nada e se tiver algo pode ser que os "países envolvidos" mudem de ideia, mas...

    Obrigado.
  • anônimo  24/02/2014 16:39
    'Em um mundo ideal, perfeito, utópico, não haveria coerção nenhuma'

    Com certeza, mas também não haveria os gênios que enchem a cara, vão dirigir e quando alguém reclama se acha vítima da ditadura opressora contra a liberdade
  • aspone  24/02/2014 17:27
    O Joel é gênio.

    Infelizmente, um mundo sem governo sobra pouco espaço para nós, aspones!

    Sugiro ao IMB que tire esse tipo de artigo do ar.

    Obrigado!
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  24/02/2014 18:47
    Saudações, Joel, elegantemente futurista, provocou pensamentos sem fim, apontou e muito mais que transcendeu, levantou o véu do medo.
    Com a mesma dificuldade de Shakespearena época, Joel está fazendo aquilo que está disponível no mercado das letras e das ideias.
    Vamos ficar por assim até coisa melhor existir para pensar, cá está em pensamento, ousando teremos a materialização.
    Não encontro vocabulário para agradecer a barreira em mim transposta.
    Isso é IMB.
  • Emerson Luis, um Psicologo  24/02/2014 19:22

    O fenômeno da "lei que não pega" ocorre porque os legisladores esquerdistas inventam leis inadequadas ou mesmo irrealizáveis. As leis precisam ser formuladas de acordo com a realidade e não para transformá-la em utopia por decreto.

    * * *
  • Henrique  24/02/2014 22:36
    gostaria de saber quantos membros do Instituto Mises são negros, gays ou mulheres! (se tiver coragem de publicar meu comentário...)
  • Equipe IMB   24/02/2014 23:27
    Sem problemas.

    Sobre o gênero, ao longo de nossos 6 anos de existência (sim, seis anos), já tivemos 3 mulheres. Sobre cor da pele, atualmente há três integrantes que não teriam dificuldade nenhuma em entrar em uma universidade pelo sistema de cotas raciais. Por outro lado, para comprovar que também damos espaço à verdadeira minoria, há um integrante branco do olho verde. Quanto a gays, se existem em nossa equipe, ainda não saíram do armário. E tampouco nos interessa.

    Ao contrário de fanáticos como você, estamos preocupados exclusivamente com a competência do indivíduo. Detalhes insignificantes como cor da pele, gênero e preferência sexual não nos interessa em absoluto.

    Obrigado por nos fazer saber que também somos lidos pela esgotosfera.
  • Eduardo Bellani  25/02/2014 01:59
    Ouvi dizer que o Leandro Roque é na verdade um lhama tibetano treinado por monges em
    economia austríaca.
    E qual a relevância disso?
  • Sérgio  25/02/2014 04:29
    RACISTA!

    Pois quem fica verificando as pessoas pela cor da pele, é racista. O que importa se os membros do IMB é branco, negro, mulato, pardo, mulher, homem, gay, judeu, muçulmano, marciano ou sei lá o que? O que importa é o conteúdo.
  • ana  25/02/2014 00:30
    Resposta perfeita para uma pergunta cretina e preconceituosa. Parabéns!
  • Zaratustra  25/02/2014 00:51
    Alguém poderia me explicar como a segurança, sistema carcerário e polícia funcionariam em uma anarquia?

    ficaria muito grato.
  • Zaratustra  25/02/2014 01:43
    Ok. Obrigado. Desculpa o incomodo (e a folga [não foi proposital] hahaha)
  • Nilo BP  25/02/2014 04:55
    Pois é, como já dizia Leonard Read, eu não sei.

    Parece algo tão óbvio, um simples corolário do fato de que um humano é limitado demais para querer entender cada detalhe do mundo. Tornar-se competente em coisas muito específicas já requer uma tremenda dedicação e muita coisa pode dar errado. Aí chegam uns supostos "experts", cujo principal talento é falar asneiras de forma convincente, querendo planejar as regras da sociedade, o clima do planeta, as atividades econômicas de milhões de pessoas. Ridículo.

    E no entanto a maior parte das pessoas prefere a pretensão de entendimento e controle. Os métodos variaram bastante pela história afora - sacrificar cabras, rezar, auto flagelar-se, fazer a revolução proletária... hoje em dia, a moda é passar uma lei. Os resultados deixam a desejar, mas pelo menos as partes interessadas vão para casa com aquela sensação de Ter Feito Alguma Coisa.
  • Israel  25/02/2014 10:38
    O fim do Estado já ocorreu antes, como comentei em outro artigo do Mises: no século V o império romano caiu, e as pessoas se viram obrigadas a organizarem-se em territórios anárquicos - se bem que nem todos os lugares ficaram sem governos.

    O que ocorreu a História conta: o nascimento do feudalismo. E isso não é nada ruim, pelo contrário, as relações sociais passaram a se dar de forma natural e espontânea, onde os mais fracos e pobres buscavam a proteção dos ricos e poderosos, e ofereciam algum serviço em troca de segurança. E os senhores feudais protegiam seus vassalos porque a prosperidade dos primeiros dependia da produtividade destes últimos.

    Além disso, cada feudo tinha - além da Lei Natural comum a todas as pessoas - seus próprios costumes e regras, seguidos por tradição e não por imposição de um Estado.

    O governo (não confundir com Estado) só se nasceu devido a necessidade dos grupos de feudos de uma mesma etnia precisarem se unir para combater ameaças estrangeiras, o que demandava um Rei para tanto. Porém, o Rei não tinha poder para decretar lei alguma que valesse para o regime interno de qualquer feudo.

    Penso que, se obtivéssemos um território anárquico nos dias de hoje, em breve ele se assemelharia muito com a época feudal. A única e grande diferença é que aquele tempo possuía uma autoridade moral reconhecida e respeitada por todos: a Igreja Católica. Isso facilitava muito as relações na sociedade, pois o que era errado para um era também para os outros, e o que era certo para um o era também para os demais. A falta de uma instituição como essa seria o maior problema do anarquismo nos dias atuais.

    Quando as pessoas pararam de crer na Igreja, veio a Revolução Francesa, que trouxe a República e a democracia. Hoje, o Estado pretende ser o regulador da moral e dos costumes, através da coerção civil e do monopólio da violência. No passado, as próprias pessoas da sociedade cobravam que se seguisse o que não era imposto pela Igreja. Hoje, as pessoas da sociedade encontram meios de burlar aquilo que o Estado obriga.

    Enfim, não consigo imaginar um grupo de pessoas vivendo em uma sociedade totalmente anárquica e liberal sem um código moral comum a todos. A solução seria a existência de territórios ocupados por pessoas de mesma religião ou crença. E, ainda que não precise de um Estado, ao menos um Governo monárquico que representasse a nação me parece necessário, para unir os interesses das pessoas na defesa do seu território, justamente contra aqueles estrangeiros que ainda possuírem o Estado como autoridade máxima.
  • Comerciante  25/02/2014 15:43
    Israel,
    "Enfim, não consigo imaginar um grupo de pessoas vivendo em uma sociedade totalmente anárquica e liberal sem um código moral comum a todos. A solução seria a existência de territórios ocupados por pessoas de mesma religião ou crença."
    As religiões poderiam ajudar bastante mesmo numa possível sociedade com mínimo ou nenhum Estado. Eu particularmente acredito que o Estado mínimo é essencial para podemos alcançar a sociedade anarcocapitalista, mas acho que o grande porblema está mesmo na introdução dessa organização social. O "micro-estado" poderia ir pulverizando seus territórios, entre cidades como zonas administrativas nos moldes de Singapura e Hong Kong. O governo "alforriaria" zona por zona em um intervalo de alguns anos, tudo para dar tempo de a população de cada cidade e do próprio país ainda com estado vigorando, se acostumassem com a idéia e começassem a enxergar os benefícios da liebrdade e do abandono do estado, as pessoas aprenderiam que um mundo sem estado não é caos, muito pelo contrário, aprenderiam que isso é verdadeira liberdade e organização social, que se bem aceita pode levar a níveis de justiça e produtividade ainda maiores que os que eles conheciam.

    "E, ainda que não precise de um Estado, ao menos um Governo monárquico que representasse a nação me parece necessário, para unir os interesses das pessoas na defesa do seu território, justamente contra aqueles estrangeiros que ainda possuírem o Estado como autoridade máxima."
    Talvez o "ex-estado" poderia manter uma "realeza" não aristocrática, capaz de despertar simpatia em parte da população, mas que na prática só serviria para organizar um exército conjunto caso ocorresse uma guerra, mas isso ainda me trás dúvidas. De qualquer forma, sou minarquista, embora defenda que o estado deve está continuamente se pulverizando, tanto de territórios quanto de burocracia, criando novas zonas administrativas a sua volta, sempre que un começar a apresentar cresciemnto e burocratização, assim as empresas e o povo podem ficalizar o tamanho do estado constantemente. Mas quanto a um código de honra e conduta, é essencial, mas ele deve se restringir só a economia e a vida humana, não pode interferir em mais nada, ou então se torna constituição.
  • Bruno Leite  25/02/2014 21:19
    Fantástico o artigo!!! Joel é Joel!!!

    Abs,
    Bruno Leite
    brasilaoleite.wordpress.com/6
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  29/03/2014 22:33
    O único libertário autêntico sou eu. Os demais são traidores que se vendem aos apelos gananciosos do "estado" e do dinheiro e morrem na primeira tempestade. Como disse Jesus Cristo: são hipócritas que construiram uma casa sobre a areia. Erga a sua casa sobre uma rocha e não temerás a governantes corruptos e empresários aliancistas do "estado". Quem se sentir ofendido, que me processe.


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